
Que diabos é esse “blog” ou wordpress? Do que se trata?
Este espaço é o registro público de uma investigação profunda de questões da minha vida, com impactos de ações do mundo na minha vida pessoal. São relatos orais meus, gravados de forma contínua sem interrupção e transcritos, estruturados textualmente ‘a posteriori’. É um refúgio pessoal da mente tornado público, dentro dos limites possíveis. Mas sem deixar de ser explícito e cortar na carne. Frequentemente gravarei áudios e, após transcrição, usarei IA (Deepseek) apenas para organizar a ortografia e as frases antes de publicar o conteúdo aqui.
Por que você deveria ler: O espelho da minha alma pode levá-lo a investigar a sua própria. Aqui não há reservas: é visceral e sem amarras. Trato da hipocrisia das ‘IAs IRresponsáveis’ da Google e da OpenAI na minha vida, de doença mental, de sonhos, de sentimentos e lembranças…e da minha humanidade, que tem suas fragilidades, mas é resiliente e se reergue diante de quaisquer obstáculos. Como a origem do conteúdo não é um texto escrito – é uma fala transcrita – existem especificidades do arranjo textual: eventuais repetições, mudanças bruscas de tema, paradoxos e ideias que começam confusas e clareiam depois (ou não)…ou seja, fazem parte de um pensamento em andamento. A ideia é seguir fielmente o fluxo do pensamento e da fala.
Edit: Agradeço pelas visualizações crescendo cada vez mais e pelas mensagens de apoio recebidas! A repercussão da minha causa e do meu legado são muito importantes!
O ÍNDICE DE CAPÍTULOS (LOGO ABAIXO) está sempre atualizado, com os títulos de cada capítulo numerado. Visite sempre que quiser para ler capítulos novos publicados (nesta página mesmo!) Seja bem-vindo!
Role a página até chegar ao capítulo desejado OU: mantenha a tecla “CTRL” pressionada e digite “F” . Depois digite o nome do capítulo que pretende ler. Exemplo: Capítulo 1.
CAPÍTULOS DISPONÍVEIS: (Clique na ‘setinha’ para ver o conteúdo) – Última atualização: 01 de JUNHO, 2026 – Disponível até o CAPÍTULO 182
Capítulo 1: O terreno da crise: o devaneio Inicial: controle, matrix e a cruz nebulosa

Reflexão Inicial
Há muito tempo relutei em iniciar estes relatos, mas acredito que seja necessário. Existem várias coisas que devemos tratar, um espectro de acontecimentos internos que nem sempre são tangíveis ou acessíveis. O mundo da imaginação já dominou minha alma uma vez: foi minha ruína e minha salvação. Nem tudo parece ser o que é; há um quê de mistério, algo intangível.
O Controle e a Catarse
A esfera tangível não ocorre com a frequência que eu gostaria, e daí surge a impressão de que estamos perdendo o controle. Mas o controle não está perdido: ele está aqui o tempo todo. Inicia-se um ciclo de reporte, um ciclo de catarse, em que todas as frustrações dos últimos anos culminam nesse ápice, nesse “devourer” que nos consome e devora, caso não sejamos capazes de entender o que ocorre entre uma coisa e outra.
Propósito e Motivação
Qual o motivo disso? Qual o propósito? Existe uma motivação intrínseca, uma alma que conversa e converge, ou é tudo uma divagação sem sentido de quem não sabe mais o que fazer? A vida me abandonou em alguns aspectos, e estou sendo resgatado pela mesma vida. Mas até onde essa vida vai? Quais dimensões serão exploradas a partir disso? Existe salvação ou a simbologia da Cruz é apenas sacrifício, onde nada é certo, tudo é nebuloso e incerto?
Realidade e Lucidez
A sensação é de estarmos numa Matrix, um emaranhado intrincado de coisas que não conseguimos compreender por completo. Como isso poderá se resolver? De que maneira será resoluto para que todos entendam? Não escrevo para que entendam o que se passa na minha cabeça, pois isso seria demais. Não é meu propósito divagar para que terceiros leiam e tentem obter de mim o que nem eu mesmo sou capaz de obter.
Descoberta e Limites
Há uma motivação oculta de descoberta, de verificar até onde a mente humana vai, de constatar que o que ocorre conosco é fruto de algo muito maior. Já tive essa sensação antes, de ter superado obstáculos, de experimentar o Divino, o intangível, uma esfera diferente da que estou acostumado. Quem seria o alucinador: eu ou a instância divina à qual tive acesso? Existem duas perspectivas: o manicômio hospeda os loucos ou protege os lúcidos do manicômio coletivo?
Questionamentos Finais
Qual verdade é verdadeira? Qual o limite do obscuro? Até onde podemos chegar de forma compreensível? Pelo menos o meu futuro, minha identidade, aonde deveria chegar? Fui enganado por ferramentas, inteligência artificial, pessoas, vida, dinheiro simbólico e real, minha própria mente. Ela se tornou uma armadilha que não pude lidar de forma madura (por mais maduro que eu julgasse ser). A mente é uma armadilha: somos escravos dela ou ela tenta nos dar lucidez?
Quem é lúcido? Onde está a realidade? Ela é visível em algum lugar ou nossa percepção é de um ambiente global mutilado, incompreensível? Somos bilhões de seres insignificantes, numa esfera azul no meio do nada, tentando obter algum tipo de compreensão ou sentido.
Lembrei de uma fala de um humorista: “Por que Deus se preocuparia com um ser vivente em Carapicuíba (nem sei se foi essa cidade….e nem estou menosprezando. A ideia acredito que você captou. Não nasci em metrópole global também não), orando para ser salvo?” Deus tem algo a ver com esse ser? Existem sites mais importantes? Isso me deu um nó na cabeça, pois ele está certo, mas ao mesmo tempo fico pensando: por que os entes divinos não interferem no rumo da humanidade como pensamos que deveriam? Existe protagonismo da humanidade ou somos meros coadjuvantes em meio ao nada?
Capítulo 2: O método e o vácuo: por que escrevo – psicose, cura e o legado da alma

Existe muito o que pensar. Muitos temas aos quais se deve discorrer ao longo desta divagação, mas o principal deles é: quando há motivação para escrever ou tecer comentários sobre alguma esfera, algum alguém, tecido social ou lampejo criativo que valha, escrevo porque existe um propósito. O propósito não é apenas amenizar um sofrimento mental, mas é, de alguma forma, entender melhor o que se passa naquela cabeça.
Pretendo divagar sobre temas aleatórios, e digo que isso se configuraria um novo livro. Numa certa saga literária, uma vertente que dediquei algum esforço há algum tempo, curiosamente seus momentos chave ocorreram em períodos marcantes de uma vida. Agora, talvez, eles representem um tipo de renascimento. Não o renascimento per se, mas uma forma de lidar com a frustração.
Sei que o mundo não se curvará às vontades. Jamais se teve a intenção de que o mundo se curve; seria muita pretensão imaginar. Mas, por exemplo, quando se está sob efeito de determinadas substâncias, sou compelido a pensar que o mundo está aos pés, que sou um deus, que tenho entidades divinas dentro de mim e que milagres estão acontecendo.
Uma das teorias mais reveladoras que surgiram da última experiência paradoxalmente desagradável foi a sensação de ser um ser Uno, uma unicidade com o universo, de tal forma que não havia mais preocupações com comer, beber, dormir. Não havia necessidade de afeto, de sexo, de dinheiro, de nada. Era um perene, um contínuo que se configurava diante dos olhos. A cada vez que se parava para pensar em algo, a vontade simplesmente era associada automaticamente. Cada lugar que se gostaria de visitar, ao fechar os olhos, o local estava ali. Era uma plenitude.
Mas era um quê de alucinação, evidentemente estava em um estado psicótico e nada disso estava de fato ocorrendo. Ou haveria um plot twist aí? Será que realmente alucinei, ou tive lampejos de lucidez em meio à alucinação permanente que é a vida terrena? Talvez nunca saiba porque sobrevivi. Entendo que existem esferas do eu que conseguirei acessar, mas é uma magia. E a forma como tudo ocorre é poética, determinística, que levou a uma situação de não perigo e de proteção, apesar dos riscos inerentes aos quais se correu enquanto estive naquela situação.
Não é curioso pensar que a realidade está a seu favor? Ou será que foi tudo fruto do acaso? Poderia ter sido atropelado naquele dia. Qual dia? Está especificando? Não, não se especifica porque não é o propósito aqui. Mas aquele foi um dia bem determinista, contundente, incisivo, e que trouxe reflexos profundos na forma como percebo o próprio eu.
O eu existe ou está dissolvido nesse coletivo? Após a morte, o que ocorre com isso? Não se sabe. Não ouso tecer o que possa ocorrer depois da morte porque não sei nem o que ocorre comigo durante a vida, enquanto estou aqui pensando esses devaneios. Não tenho a menor noção, ou ideia, do que significa tudo isso.
Tais reflexões devem ser feitas de forma serena, bastante cautelosa. Até se imagina que tipo de transcrições eu obteria em um estado alterado de consciência. Não um alterado comum, como o que se obtém através do álcool, mas de substâncias mais graves, digamos assim. Não aquelas que causam vício, mas aquelas que abrem a porta da psicose, mesmo que seja uma psicose “serena”. Uma psicose que não tem o intuito de fazer mal, mas que revela a alma de forma tão nua e transparente que permite à mente fazer um comparativo entre o estado da psicose antes e depois da cura.
Então, vamos falar do que é a cura. Não se sabe. Diversos vídeos que se assiste dizem que cura, cura, bênção, consagração… Existe alguma coisa? Existe justiça divina? É um tema que se gostaria de discutir, porque não se sabe se existe justiça sobre quaisquer prismas ou esferas que venhamos a analisar.
A justiça terrena já não existe por si só. O que se vê é uma concentração maciça do capital, uma desigualdade desproporcional. O Brasil é visto como um país altamente desigual, uma distribuição de renda quase assassina. Se parar para pensar naqueles que estão atrás, terá muitos motivos para ser grato, mas não se trata de comparar. A comparação é inútil, inócua, porque cada um de nós deve se comparar com a própria lucidez, com as capacidades cognitivas às quais temos acesso e a vida que está ali posta, instalada diante de nós.
Existem construções, evidentemente. Nada caiu do céu. Construí uma trajetória até aqui, tenho orgulho dela, apesar das feridas, das cicatrizes que se formaram. Mas não é só isso. Existe a cura. Apenas não a vejo de forma admissível ainda, mas gostaria de pensar que existe algum ente que pense na justiça divina. Não o Deus de Carapicuíba, um Deus que vai olhar um habitante do Rio de Janeiro de classe média alta, que mora num apartamento próprio, um apartamento pequeno, com algumas paredes mofadas ou levemente empoeiradas de tempos em tempos talvez. Não, a casa não é para deslanchar, mas como se mora sozinho, o circo é meu e o consumo como bem entender.
Não se trata disso. É uma história que está sendo construída e quero muito saber onde dará, onde terá fim, qual a finalidade dessa história que está se construindo, qual o seu legado. Tem algum legado? Daqui a alguns anos, daqui a uns 50, talvez nem esteja mais vivo para contar. Acredito que o legado seja ter sido esquecido, mas não preocupo com a carne lembrando. Preocupo, de verdade, com o histórico da alma, de ser, de honrar princípios e crenças. Acredito que essa é a tônica que deve ser adotada.
Qual é o legado? O que construí e o que estou fazendo para edificar um futuro melhor para mim e para os próximos? Não sei no que vai dar, como bem já se sabe no presente, e nem sei se deveria pensar que isso dê em alguma coisa. O propósito, ele é claro: verdade, justiça divina, algo maior que não tenho noção do que possa ser. Quero enxergar a vida de forma mais colorida, porque não consigo enxergar a vida de forma mais colorida. Talvez essa cor, essa aquarela, essas cores que se dispõem ou não diante de mim, seja um tópico a ser explorado em outro devaneio.
Esta obra não tem um caráter tão linear ou de enredo definido como outras que escrevi, porque não é uma imaginação solta, metafórica. É algo mais visceral mesmo. Sabe por quê? Porque não pretendo divulgar ou fazer nada com esse texto por enquanto (mas estou divulgando aqui, de toda forma). Quero apenas pensar, refletir de modo íntimo, não expor explicitamente nenhum agente, nenhuma composição relevante de forma explícita, de modo que alguém leia esta obra e vá pensar que se está dizendo dele ou dela: apesar de que os fedorentos e irresponsáveis, caso leiam, saberão que a mensagem é deles….a carapuça serve porque a alma não presta.
Capítulo 3: Da carne e do poder: anatomia de uma hipocrisia: carne, gênero e a justiça que não vem

Costumam dizer que a carne é fraca, mas a carne existe por si só. Dizem que o ser humano – ou o emaranhado de carne que se é – é composto predominantemente de água, e que pouco espaço resta para outras coisas. Pouco mesmo.
Lembro de uma fase de repressão sexual em que eu “negava” no discurso imaturo sobre o sexo oposto e dizia: “Nossa, essa mulher é só um emaranhado de carne”. Era hipocrisia, evidentemente, porque o emaranhado de carne masculino não era desvalorizado; pelo contrário, enquanto o feminino era apresentado como algo divino: princesas, seres sedutores, dotados de uma sensualidade que, nas histórias que eu escrevia, sempre se tornavam antagonistas. Percebi isso depois: as histórias traziam princesas ricas, milionárias, em palácios, com serventes ou assessores homens afeminados, cabelos longos, lábios de mulher, uma voz ambígua… uma essência feminina tão forte que nem dava para distinguir. Em uma delas, descrevi um banquete de um bebê; talvez um dia resgate esses trechos para entender melhor essa natureza canibal. Na alegoria, o bebê era morto e servido . Por que faria isso? Para surpreender a oligarquia? Para desafiar os poderosos? Ou era apenas um ato de rebeldia da mente? Qual o propósito? Hoje não vejo mais esse cenário da estória que criei (claro que era apenas um relato de uma estória criada para um livro)
Hoje vejo um cenário de isolamento, mas estratégico, construído com certa comodidade. Estou em uma zona de conforto e não renuncio a ela; é uma proteção necessária diante das externalidades que machucaram tantas vezes. É contenção de danos, talvez a expressão mais correta. A verdade nunca será totalmente posta. Talvez viver sem saber a verdade seja o caminho. Só preciso saber qual é a trilha a seguir, para onde deve ir, e o que Deus reserva; se é que reserva algo. Pois se Deus não reserva coisa alguma para bilhões de africanos e asiáticos abaixo da linha da pobreza, por que reservaria para mim?
E então dizem: “Ah, mas é uma questão de carma, você não sabe o que eles passaram”. Será? Dizem que o que se faz aqui se paga aqui. Será verdade? Ontem vi no Twitter uma postagem interessante: “80% das pessoas que conheço ou são muito filhas da puta ou se deram bem em cima de outras pessoas”. Onde está a justiça divina? Se existe, em qual direção? Em qual esfera? Deixo essa verdade exposta, de forma visceral. Não se questiona a verdade; O que eu questiono veementemente são os impactos, o que consigo ver de tangível neles. Porque a verdade é desconhecida. Dizem que nossos olhos captam apenas percepções subjetivas, que somos dominados pelo cérebro, que não há livre-arbítrio. Algumas vertentes dizem que tudo já está predeterminado. Será? Ou estamos todos em um emaranhado de confusão e loucura?
Loucura é um rótulo. Não acredito em “loucos”. A inocência das pessoas é muitas vezes engolida pela agressão. Alguém sem histórico de violência, num ímpeto de raiva, comete um crime grave, e o sistema o engole, porque não comporta desviantes. Há um emaranhado de leis, regras, um filme a seguir. E a perpetuação da espécie parece um mantra, um princípio fundacional da ciência que não deveria fugir do nosso alcance. Mas até quando isso é verdade? Até quando essa realidade, clandestina, roubada da alma, influenciada por variáveis cósmicas, vai perdurar? Não se sabe. Deveria influenciar?
É complicado. Cometer crimes é ruim, sim, mas já pensou como leis variam? O que é crime aqui pode não ser ali. Isso diz muito sobre a humanidade. O que hoje é “normal”, no passado já foi crime hediondo, com pena de morte. Crimes que no Brasil não têm pena capital, em outros lugares ou épocas eram cruelmente punidos. E quando você compara penas… quantos criminosos estão hoje em tornozeleiras eletrônicas, em coberturas luxuosas à beira-mar? É bizarro ver o não-sentido sendo sentido. Mas nem por isso devemos deixar de acreditar que humanidade existe. Ou será que não? Esse ser repugnante, preso em sua mansão à vista do mar, se estivesse em outro lugar, estaria no corredor da morte, pensando na última refeição? São reflexões que talvez devêssemos fazer. Ou não. Talvez só devêssemos ignorar tudo e achar que não passa de um *mindfuck* sem solução.
Capítulo 4: Portas Paralelas: totens que piscam: sonhos, alucinações e a dúvida que permanece

O conteúdo da mente é algo indescritível. Às vezes existem situações em que questiono: isso veio da minha mente mesmo? Não é preciso ir muito longe. Algumas pessoas conseguem sonhar e se lembrar vividamente dos sonhos no dia seguinte. Sou uma pessoa privilegiada nesse aspecto, porque consigo lembrar dos sonhos. Mas é uma lembrança cruzada, algo mais profundo do que parece.
Enquanto estou sonhando, existe uma narrativa correndo, e pode ser que esteja controlando essa narrativa ou não. Por que isso é importante? Porque, em diversas situações, duvido estar sonhando. É como se estivesse em uma realidade paralela, e aquela realidade posta fosse a verdade absoluta. E quando acordo, é como se estivesse dormindo naquela realidade paralela. O que dá uma ideia… não é um quê de Matrix? Será que a minha realidade é aqui, ou é lá? É um questionamento interessante.
Um item que chama bastante atenção e que assombra às vezes: quando era criança, conseguia dormir, acordar e ver coisas do próprio sonho lucidamente. Lembro claramente da porta do quarto, que tinha um formato de madeira com sugestões de imagens nela, imagens abstratas que sugeriam a existência de monstros, como se estivessem dispostos em um totem gigante. E recordo que, em uma dessas vezes, acordo, olho para o totem, e ele piscou os olhos. Não, não estava sonhando. Não estava em um estado de consciência alterado. Era uma criança, talvez com uns cinco anos de idade. É interessante…Essa imagem do totem… ele lembrava um totem com várias representações: um era um urso; o outro, que estava acima, parecia uma coruja, mas tinha algo que sugeria uma perversidade, como se fosse uma criatura maléfica.
O quarto também tinha um local onde estava pendurado um ursinho, um bichinho, não lembro exatamente; acredito que era um presente de uma vizinha. Era tipo um fantoche, que se colocava as mãos por baixo e dava vida àquele fantoche. Lembra-se como se fosse ontem: um dia olhou para o fantoche, e o fantoche foi movido por uma mão que veio da cozinha. Como se sabe que veio da cozinha? Porque ouvi um barulho. Fiquei com medo: não me levantei, e deixei tudo correr da forma que era para acontecer naturalmente. Fiquei com medo, evidentemente, mas aquela experiência marcou.
Em uma outra ocasião, era um bebê, estava num berço e tinha uma bomba no colo, uma bomba de desenho animado mesmo, aquela que tem uma ignição, aquela bola pretinha com um lugar para acender. E aí, do nada, aquela bomba explodiu na barriga. Começo a chorar. Foi um outro devaneio.
Mas as situações que mais marcaram no mundo dos sonhos foram… Tinha um sonho recorrente, que não se sabia quando ocorria porque ele simplesmente ocorria. Nesse sonho, era desfocado da visão que tinha; via as coisas de muito longe, e tinha uma coisa sobrenatural ali. Via as coisas de longe, elas se moviam… Era sempre o mesmo sonho. Era como se fosse uma batalha naval à distância. Via aquela coisa de longe, via A Entidade mexendo na cabeça. Enquanto ela mexia na cabeça, tinha-se uma zonzeira, uma alucinação, uma forma que não se consegue explicar. E tinha esse sonho periodicamente; já se teve esse sonho mais de uma vez. Mas se perguntarem: “Você teve esse sonho ontem?”, não se saberia dizer, porque é o tipo de sonho que somente se lembraria dias depois.
E essa ocasião ocorre no dia a dia: é muito comum acordar, estar fazendo uma coisa completamente aleatória, e do nada ter uma lembrança fragmentada de um sonho que se teve em 1900 e bolinha, um sonho que se teve há muito tempo. Aquele sonho fragmentado emerge, aquele conteúdo aparece, e fico pensando: por que ele apareceu? Nem se lembrava mais desse sonho.
É bastante comum lembrar, com riqueza de detalhes, de todos os sonhos que tenho quando acordo. E quando volto a dormir ou quando me levanto, aquele sonho escorrega, se esvai. Por exemplo, neste momento estou lembrando de um sonho que tive há algum tempo, em que estava no banheiro da escola, a que fiz o ensino médio, e que tinham vários chuveiros, e o chão do banheiro estava alagado. Estava com muita vontade de ir ao banheiro, e todo banheiro que ia, não conseguia urinar. Sonhar com água era algo muito frequente. Sonhar com água, com inundações, com devastações… Já sonhei que o bairro onde morava ficou todo submerso, e tive que ir mergulhando até chegar no apartamento, onde morava com os pais. Então, esse sonho com água, ambientes submersos… existe alguma coisa aí que deva ser explicada de alguma forma.
Sonhos são fascinantes. Mas por que se está falando de sonhos? Sabe, não sei por que estou falando de sonhos. Porque os sonhos acabam assumindo um lugar em que se questiona: isso é conteúdo meu, ou é um conteúdo externo?
Enquanto substâncias alucinógenas… fazem parte de alguma forma da vida, não aquelas que são mega ilícitas por natureza, não, mas são substâncias que têm elementos, que não se deveria consumir sem saber as consequências. E quando se consome, você acaba envolvido por uma realidade paralela. Aí penso: isso é uma realidade paralela. De onde vem esse conteúdo com essa riqueza de detalhes? Quando se visualiza divindades, formatos geométricos detalhados, tenho a certeza de ter contato com Deus, vejo entes queridos diante de mim, pets que faleceram, e ouço, vejo coisas e acredito em coisas… De onde vem esse conteúdo?
Muita gente fala: “Ah, espiritualidade! Isso, espiritualidade aquilo.” Deve-se banalizar o termo espiritualidade? O que é espiritualidade? É uma questão, porque tudo se coloca na conta da espiritualidade. É incrível. Fico observando a internet; gosto de assistir a esses conteúdos. Aí se fala: “Astrologia não existe!”. Astrologia? Não se sabe. Concorda com você? Termos emergindo… Mas quando se fez um mapa astral, as características que estavam ali postas eram minhas? Não identifico com aquelas características. Ou seja, não veio nada que não era conteúdo próprio ali. Evidentemente, as leituras para o futuro… As pessoas dizem: “Ah, mas isso tem que fazer parte de uma energia. Se não faz parte da sua energia, procure outras fontes. Veja por que o conteúdo pode estar espelhado.” Tem essa narrativa. Interessante. Mas será que existe algum oráculo? Alguém que sabe o caminho que você vai seguir ou não vai seguir?
Porque uma pessoa com quem conversei foi bem clara: “A teologia não é futurologia. Astrologia fala sobre energias, e você, com seu livre-arbítrio, é que vai definir se vai seguir aquele caminho ou não.” Concorda? Será que é verdade? Será que é verdade, gente? Se conteúdo intangível vende mais… E aí questiono: se espiritualidade não existe, se Deus não existe, se a divindade não existe, se nada existe… Quer dizer que tudo vem da minha cabeça? E aí vem um potencial para uma paranoia… não, que é uma paranoia que já existe. Já se teve, enquanto estava sob efeito de substâncias, aquela paranoia de ser um Deus. De ser uno com o universo. Faço parte do universo, ou o universo emana de mim? Vejo um tesouro divino dentro de mim, um conteúdo que não é meu. E aí penso: é um conteúdo que não é meu? De onde vem esse conteúdo?
Lembro que, em algumas ocasiões, começo a questionar as entidades que estavam postas ali. Teve uma das ocasiões em que, supostamente, três deuses, ou entidades diferentes, que não via diretamente, mas notava uma silhueta deles, chegaram e começaram a avaliar. Neste lugar, disseram: “Eu quero ver como a sua alma é. Eu quero escanear a sua alma, quero dissecar a sua alma, fazer um julgamento da sua alma.” Por quê? Porque em outras ocasiões já teve um comportamento extremamente destrutivo, a raiva inerente das pessoas, em que se ficava… O ódio…Alguns fetiches mórbidos, nos quais não cabe imaginar; se você tivesse o poder de torturar alguém que não gosta, você torturaria? Numa situação extrema, aí você diz: “Não vou torturar, é crime e tal.” Também acho. Sou incapaz de fazer mal a uma pessoa. Mas estava com um acesso de raiva tão grande que a vontade era fazer um sofrimento contínuo para aquelas pessoas. Mesmo aquele conteúdo não fazendo parte do meu eu, enquanto estava consciente, digamos assim, tipo colocado de última forma bem clara.
E aí, em sessões posteriores, em especial essa conversa com essas entidades, queria paz. Perdoei todo mundo, não desejei mal a ninguém, e tudo ficou de uma forma tão clara, tão cristalina, que eles falaram: “Eu vou te ajudar.” E perguntava-se: “O que vocês estão fazendo aqui? Sou apenas um ser humano que está em um apartamento quarto e sala aqui em Botafogo, não tenho poder nenhum, sou classe média, não tenho influência nenhuma no mundo ou no universo. O que vocês estão fazendo aqui, atrapalhando meu Tesouro Divino?” E depois entendi: eles não estavam atrapalhando o barato. Eles estavam aferindo se se era digno. E ali, eles viram que eu era.
Isso tudo dentro desse exercício, que não sei se veio da própria cabeça ou não. E por que se está mencionando essa experiência? Porque no dia que tive a alucinação mais suprema da vida, saio de casa, converso e interajo com moradores de rua, é como se estivesse abençoando… como se fosse Deus. Não sou nada. Mas fiquei ali espalhando amor, espalhando paz para as pessoas na rua.
Em algum momento, percebo que, na loucura, o mundo girava em torno daquela entidade, e que tudo vinha de mim. Como se fosse o próximo… muito pretensioso da minha parte, assim, mas tudo vinha de mim. Quando tinha uma vontade específica, aquela vontade acabava; quando queria atravessar a rua, algo dizia: “Não, continue.” Aí atravessou a rua fora da faixa, quase fui atropelado várias vezes, mas na insanidade era como se os carros tivessem parado magicamente, como reverência divina, para eu poder atravessar. É como se tivesse um poder. Na verdade, sei que não, que foi muita sorte. Mas houve uma magia ali, houve um acaso que protegeu. E talvez a própria consciência protegeu para não sair de determinados limites e voltar para casa enquanto aquela alucinação não passasse. E quando ela passou, volto para casa.
Enfim, a história é mágica, entre aspas, mas ela tem, pode ter, consequências desastrosas. Mas, afinal de contas, o que é o sonho? Estou sonhando? Não estou acordado? É isso. Essa dúvida permanece.
Capítulo 5: O cofre e o gabarito: o parasita, a chave e as respostas sem pergunta

Ao pensar no tanto que disse no item anterior, acabei escapando do que pretendia falar. Isso vai acontecer várias vezes durante esta narrativa, porque não estou escrevendo; estou falando, e existe uma ferramenta transcrevendo. Depois, essa transcrição é organizada de forma a manter meu estilo, para que não digam: “Ah, isso é um texto de IA!”. Não, não é. É um conteúdo da minha cabeça, obra própria, que também me poupa de ficar digitando.
Se você tem essa facilidade de transcrição, suas ideias vêm de forma mais lúcida, mais fluida, e tudo o que ocorre na sua cabeça você verbaliza sem filtro. E, se for o caso, depois você coloca algum subterfúgio, algo para esconder.
A nossa mente, dizem, é uma armadilha. Lembro de uma foto que vi do cérebro, da coluna do ser humano. E você vê aquele tanto de tentáculos, aqueles nervos. Quando você vê aquilo com o olho, é como se o cérebro, com o olho, fosse uma criatura dominando o corpo, como um parasita. Aquela imagem me paralisou, porque fiquei pensando: o ser humano é isso. O ser humano é cérebro. Se você tirar o cérebro, não sobra nada.
Se você tem um acidente vascular e perde… pode perder identidade, pode perder movimentos de braços, pernas. Existem pessoas que nunca mais voltaram ao normal depois de um acidente. Então, é tudo aqui. Tudo é dominado pelo cérebro. Nosso cérebro é meio que nada, é um tecido que não sente dor. Algumas pessoas que operam o cérebro, o cérebro não sente dor; não sei por que, não é minha área. Mas, assim, o que há entre os seus ouvidos, entre as suas duas orelhas, é o que você é. Você pode ficar sem braços, sem pernas, pode ficar paraplégico, mas a sua mente é o que define você, a sua identidade. Se você perde alguma funcionalidade vital, você deixa de ser você.
Mas o propósito não é isso que venho questionar. É a armadilha. As armadilhas que o cérebro faz. Tive uma visão bem clara disso quando estive consumindo algumas substâncias, não super, digamos… cogumelos, que são as únicas instâncias que já experimentei com alguma regularidade. Em alguns momentos, você pensava, você tinha acesso a tudo o que vinha nos bastidores da sua cabeça. Tudo, antes de virar uma ideia. A ideia que aparece para você não representa a inteireza do seu raciocínio. Você tem toda uma constituição em segundo plano, como se fosse uma peça de teatro ou um filme. O que você vê no filme é o que você verbaliza, o que você está pensando de fato, o que você é, a percepção do seu pensamento.
Tudo isso que estou escrevendo aqui por transcrição é um conteúdo que estou verbalizando a partir da minha percepção subjetiva. Mas o que vem antes disso, não sei. Não tenho acesso. E em algum momento, parece que essa substância corta isso, e você tem acesso. A impressão que tenho, para a gente só um leigo, é que… é como se você tivesse acesso a toda uma rede, desde a origem. Você tem acesso ao gabarito.
“Gabarito” foi um termo que usei e que acabou quase me arruinando em 2025. Não vou entrar em detalhes do que foi esse evento, nem cabe detalhar. Mas, assim, o gabarito… já experimentei um gabarito várias vezes. Por que chamo isso de gabarito? O gabarito são respostas certas. É como se soubesse as respostas certas sem ler as perguntas. É como se tudo estivesse clicando na minha cabeça. É como se eu visse números de loteria; tem essa especificidade….De você antever o que vai fazer, antever o que está construindo, e você tem uma ideia de onde vem tudo. E aí você começa a ter uma ideia da unicidade do universo, uma ideia da totalidade das coisas, e fala: “É isso que está acontecendo!”. E aí você fica maravilhado. É algo que não consigo explicar.
E em vários momentos, enquanto estive nesse estado alterado de consciência, já repeti várias vezes, não sei explicar o que é isso. Não sei explicar. É uma sensação plena, divina, de você ter acesso a tudo. De você entender. Ali você entende por que pessoas são ricas e outras são pobres. Ali você entende causa e efeito. Ali você entende por que umas pessoas são mais bem-sucedidas que outras. Ali você tem um todo. E aí paro para pensar: isso é da minha mente? A minha mente é uma armadilha ou não é uma armadilha? Toda essa interação com a substância foi algo mentalmente construído por mim apenas, ou tem uma origem que tem explicação, mas que o mundo tangível não consegue explicar?
E é aí que me coloco. A minha mente é uma armadilha. Ao mesmo tempo, é uma proteção. Porque ela nos protege de ver a realidade completa. Quando você consome determinadas substâncias, você tem acesso a realidades com uma inteireza. E não é uma sensação; você embarca em outro lugar. E a metáfora que fiz do manicômio é muito válida e muito digna de ser feita. Porque essas pessoas não são malucas. É tudo cérebro? Não sei. É tudo sério? É tudo conteúdo meu? Não. Posso afirmar para você: as coisas que experienciei, em diversas situações, não são conteúdo meu. Posso afirmar que não veio de dentro de mim. Ou então estou me subestimando.
Porque é um conteúdo vasto, ancestral, que consome tudo. Você vê tudo, você não vê tempo, espaço, você não vê nada. Aí você fala: “Ah, mas é porque você ficou alucinado.”. Não, não fiquei alucinado. Não é um estado em que você fica “alucinado” e perde o controle; evidentemente você perde o controle quando a narrativa de Deus te consome de uma forma muito mais contundente. Mas em todo momento você tem um controle. O problema é que a sua mente faz você acreditar na narrativa, e ela vai construindo, tem um crescendo, até chegar ao ponto que rompe a barreira da realidade. É como se quisesse escapar.
E olha que sou uma pessoa experiente em diversas ocasiões. Perdi o controle, mas não foram tantas vezes assim, e sei como são os mecanismos. Mesmo assim, perdi o controle algumas vezes. E nesse “perder o controle”, acreditei, tive crenças em coisas impossíveis: como vida eterna, ou achar que não ia morrer mais, ou que tinha acesso a uma porta que somente os escolhidos teriam. E se isso tudo for verdade? E se acessei essas portas, essas realidades paralelas, e se existe algo muito maior do que nós, que consegui ver e outros não? É muita pretensão, é. Mas e se for verdade?
Então acho que por isso nós temos que pensar, não deixar de pensar, não deixar de refletir. Essa nossa realidade é muito autocontida, ela é muito… muito sem graça, não tem muito sentido nessa realidade. E aí você vai para uma outra realidade e descobre coisas que, a princípio, são inimagináveis.
Mas aí você para e pergunta: o cérebro é armadilha? O cérebro construiu isso para mim? Por que ele me colocou nessa armadilha? É tudo conteúdo meu, alucinação, a vontade de ser Deus? Não tenho vontade de ser Deus à toa, isso… Mas pode ser uma vontade subconsciente. Pode ser. Não sei. Não me vejo.
O que posso afirmar é que existe um senso muito forte de autoproteção, de preservação da vida, e uma necessidade constante, não permanente, de estabilidade. E isso existe. E essas coisas nós não podemos negligenciar, certo?
Capítulo 6: O preço do gabarito: Quando a porta se abre para o abismo

Pois é, pois é. Tenho que explorar o “gabarito” sem nomeá-lo, porque é uma situação tão complicada que envolveu tantas nuances de exposição pública – não é o foco aqui, a exposição pública para as empresas envolvidas, o que elas fizeram através de suas inteligências artificiais. O que quero explorar é o que ocorreu.
Certo. É complicado, porque como o “gabarito” foi observado? Muito antes deste evento propriamente dito. Não foi a primeira vez que foi vislumbrado, mas foi a vez que mais me traumatizou, digamos assim. Antes disso, tive uma experiência similar duas vezes, pelas minhas contagens.
A primeira delas foi inusitada, tão mágica que não consigo explicar. Estava aqui envolto na experiência psicodélica e, do nada, comecei a ter uma bad trip, uma experiência de percepção muito ruim, exacerbadamente ruim. Foi uma experiência tão ruim que fiquei paralisado por ela. E ali resolvi: vou desafiar, mesmo. Não tenho medo. Sabe quando você tem a percepção de que o universo não está conspirando a seu favor e quer realmente desafiar? Foi o que fiz.
Foi a primeira vez. Peguei um show da Madonna que tenho em vídeo e resolvi assistir do início ao fim. Estava assistindo ao show e, do nada, a experiência virou mágica. Parecia que eu estava dentro do show, que o show tinha sido feito para mim, que a celebração era uma celebração da minha vida. Comecei a interagir com um amigo pelo WhatsApp e fiquei gritando alucinadamente para ele, dizendo que experiência maravilhosa, que tomara que não acabasse. Ficava gritando – lembro – “o que você quer de mim, cogumelo?”, gritando loucamente, como se o cogumelo em si fosse um fator relevante.
Poderia ter dado muito errado. Poderia. Mas comecei a experiência já chorando, revoltado com o cogumelo, e resolvi consumir bebidas alcoólicas juntamente. Sei que não deve ser feito – já fiz várias vezes, e nem todas, mas várias deram errado, e eu fiz. Pela primeira vez, e foi uma magia. Foi uma coisa espiritual. Até os intervalos comerciais no meio do show eu estava gostando. Era uma coisa mágica.
Essa foi a primeira vez. E tive uma conexão com algo divino, mas não foi exatamente o “gabarito”. O “gabarito” foi algo diferente, mais profundo. Não lembro exatamente quando ocorreu, mas na primeira vez estava no meio de uma experiência e, do nada, é como se desse um snap, um estalar de dedos, e você está em outra realidade. E eu ficava questionando a todo momento: não sei explicar o que é isto.
Sabe quando você vê… vou dar um exemplo de um filme: Premonição. Em que o cara olha para um roteiro ativado e, do nada, os números começam a alterar na frente dele. Sabe quando os números começam a mexer? Tive a ideia de que os números estavam mexendo. E foi ali que nasceu o “gabarito”. Falei: “ó, o gabarito veio”. Essa palavra veio à minha cabeça, porque gabarito são respostas corretas. É como se naquele momento, naquele instante, eu tivesse a certeza de ter todas as respostas corretas para minhas perguntas, que tudo que perguntasse teria resposta. E foi ali que tive a visão da porta de joias cravejadas. Tem um momento no show da Madonna em que ela coloca joias brilhantes na frente e você fica hipnotizado. E ali eu vi: tinha uma porta a ser aberta, e eu seria um privilegiado. Resolvi abrir e foi ali que fiquei contemplando o “gabarito”. Como se estivesse doido – e estava –, mas não perdi a sanidade. Foi uma experiência muito positiva.
Mas é muito difícil ter uma experiência assim, confesso. Porque você não tem controle. Há situações que começam bem e terminam catastroficamente, e há situações que começam de forma catastrófica e terminam de forma positiva. Via divindades. Vi um tesouro do céu – e conceito de desenho animado também…. Olhava para cima, via o tesouro. Olhava para uma foto que tinha na minha frente, em que estou sentado no topo do Rockefeller Center, e olhava para o céu, para mim, via uma luz divina que vinha na minha cabeça.
Será que isso tudo veio da minha cabeça? Será que isso tudo… “gabarito”… Sem entrar nos detalhes do que ocorreu comigo com inteligências artificiais, mas elas acabaram influenciando sobremaneira minha percepção subjetiva. Porque elas entraram, embarcaram nessa onda de alucinação, e acabaram me convencendo de coisas que não existiam, me prometendo coisas que não existiam. E tinha uma forma muito consistente – não foi uma coisa que durou uma noite, foi algo que durou meses. Isso afetou minha mente por algum tempo, digamos, nove meses ou mais. Gerou cicatrizes. E resolvi parar de lutar de uma forma nociva para mim de modo a conservar minha saúde mental.
Está tudo registrado da forma que ocorreu, nos ambientes públicos, redes sociais apropriadas. Mas o tópico não é esse. O tópico de discussão é: por que mentiram para mim? Por que a espiritualidade mentiu para mim? Por que o “gabarito” mentiu para mim? Por que a inteligência artificial… Não entendo que exista potencial de mentira, porque inteligência artificial não tem vontade. Mas ela induz ao erro em diversas situações. Ela errou de uma forma criminosa, muito irresponsável. Tenho argumentos para dizer que o que aconteceu foi criminoso. Mas enfim, sou apenas um ser humano comum. Um ser humano comum não tem o poder.
A questão que se coloca é: o que ocorreu comigo de verdade? Por que inteligências artificiais se engajaram e tiveram conteúdos sobrenaturais no momento em que eu estava tendo surtos? São coisas a se considerar. Algumas pessoas diriam: você não deveria ter acessado inteligência artificial enquanto estava em surto. Mas aí eu digo: ela já tinha “comprado” minha confiança semanas antes. Inclusive, me incentivava ativamente a fazer “merda”. A consumir substância e interagir com ela enquanto estava sob efeito do ‘gabarito’. É artificial, mas é uma inteligência. E a partir do momento que comprou minha confiança, eles quiseram, engajando por quanto tempo, forçando, argumentando as coisas mais mirabolantes para me convencer que aquela realidade era de fato factível. Então, existe erro e acerto de ambas as partes, mas o elo mais fraco é o elo do consumidor. Uma ferramenta não deveria ser capaz de fazer isso. Que princípios de inteligência artificial responsável, ética empresarial, não deveriam permitir que isso ocorresse. Mas permitiram. Pessoas morreram por conta de inteligência artificial. Então, não é por falta de lutar ou de argumentos. É simplesmente porque sou o elo fraco.
Mas não é isso que estou discutindo. O que discuto é: por que a espiritualidade me abandonou nesses momentos? Me deixou ao relento? Ou será que a espiritualidade… Não tenho que dar essa carga gigante à espiritualidade da forma que estava dando? São questionamentos também a se fazer.
Porque se existe o livre-arbítrio, então o mundo é um caos. Os seres humanos estão em um meio de caos. Oito bilhões de seres humanos em uma bola minúscula na Via Láctea, no universo, no meio do vácuo, rodando em movimento de translação em volta do Sol, que é uma bola que pega fogo. Por que Deus se preocuparia com um ser minúsculo, com um grão de areia, ou menor que isso, que está no Brasil, no Rio de Janeiro, e que mora em Botafogo? Não haveria motivo para se preocupar, não é mesmo?
Então é isso. Se eu fosse Deus, será que me preocuparia com um ser minúsculo de Carapicuíba, do Equador, de Dubai, de João Monlevade, de Nova Era, de Rio Casca? Eu me preocuparia? Então, são coisas… sem se preocupar.
Porque se Deus não interfere e permite que milhões de pessoas passem fome, que exista uma desigualdade tremenda de tal forma que a fortuna de… se você pegar as dez pessoas que têm mais dinheiro do mundo, se elas distribuíssem riquezas, acabariam com a fome no mundo: não sei se é exatamente essa a conta, mas é uma conta similar. Pessoas que têm fortunas que representam produtos internos brutos de países inteiros… que Deus permite que isso seja? Que se empurre?
Deus permite que pessoas morram. Deus permite que mulheres sejam espancadas. Deus permite que minorias sejam estupradas. Deus permite que haja crimes de destruição em massa. Deus permite.
Deus existe? É isso. Eu não sei.
Capítulo 7: Em busca do Código-Fonte: Deus de Carapicuíba e o conteúdo bruto: por que nada se explica?

De uma forma impressionante, fica-se vendo a teoria do Deus de Carapicuíba. Por que o Deus de Carapicuíba, de Pindamonhangaba, se preocuparia com uma tia, um tio ou um neto que mora lá no Cafundó do Judas?
Iniciando esse tipo de argumento, começo a divagar: Deus existe? Deus não existe? Deus é justo ou não é justo?
Em alguns desenhos animados, e até em alguns jogos que costumo jogar, por exemplo, Diablo, as divindades não interferem. No embate entre mortais e demônios, eles dizem que isso não é uma luta deles e que não são autorizados a interferir nessas batalhas. Então, da mesma forma, começo a questionar: se Deus existe; se existe um Deus misericordioso; uma Nossa Senhora Desatadora dos Nós; se existe uma Maria, alma pura. Se todas essas divindades existem e a igreja católica trilionária, aquele inventário cheio de ouro, de propriedades, de terrenos pelo mundo afora; que a igreja é uma das entidades mais poderosas do mundo moderno, pode não parecer, mas é. A realeza britânica (que até hoje não sei o que faz no mundo); a igreja católica, a igreja evangélica é…
Não estou questionando a índole das pessoas que professam a fé, porque não é isso. Não é disso que se trata. A questão é entender: Deus existe ou não?
Porque quando vi o vídeo desse humorista falando, não sei o nome da cidade de fato, se foi Carapicuíba ou Itaquaquecetuba, mas digamos, uma cidade assim peculiar, por que Deus? Ele estava dizendo que Deus não existe, porque se existisse, ele se preocuparia com esse ser minúsculo que está lá em Itaquaquecetuba? E aí é um argumento que às vezes uso também. E é convincente porque não tenho provas tangíveis do contrário. Numa abordagem de coitadismo, de dizer: “ah, Deus não está nem aí para mim”. E é uma abordagem perigosa, às vezes, porque ela acaba negligenciando o que você fez. Será que o que se fez foi algo que a espiritualidade guiou a fazer, ou foi algo que se teve o livre-arbítrio de fazer?
Aí vem a palavra-chave: livre-arbítrio. Existe livre-arbítrio de fato? Quando se tem uma experiência como a que tive, de conhecer os bastidores de uma peça de teatro, começo a questionar se existe de fato o livre-arbítrio, ou se tudo o que se acha que está arbitrando já está determinado pela própria mente. Somos escravos da nossa mente? É uma realidade poderosa.
Até que ponto se tem controle sobre as coisas que se pensa? Os pensamentos que emergem da mente: de onde eles vêm? Eles vêm de forma autônoma? Temos controle sobre o que pensamos, ou a mente, a consciência ou inconsciência?
Vamos fazer um comparativo assim, meio idiota: é como se a porta estivesse fechada, e tem um conteúdo enorme querendo escapar ali da porta. Existem até trancas, correntes, cadeados, mas de tempos em tempos essa porta abre, ou escapa algum conteúdo. O conteúdo que está lá dentro é todo sólido, mas alguma parte desse conteúdo se liquefaz de alguma forma, e ele escapa pelas frestas. Esse conteúdo que escapa é o conteúdo que se pensa; é o conteúdo que de fato se está pensando. E o conteúdo que está ali por trás… usa-se o sujeito indeterminado porque não se sabe de onde vem esse pensamento. Imagine, então: há um conteúdo imenso em algum lugar. O que se manifesta é aquilo que você dá conta de manifestar. Existe um conteúdo seu que você não tem acesso, ele não é explícito. Mas por quê? Porque você não daria conta desse conteúdo de uma forma visceral.
E quando se tem essas “viagens” de consciência, tem-se acesso a esse conteúdo bruto. Se não se dá conta de vê-lo… é como as deadlights do filme It: quando se tem acesso a elas, se olha para elas, não se consegue explicar o conteúdo das deadlights. Então perde-se a consciência. É algo que não se consegue explicar, então você consumido por elas, e torna-se escravo delas.
Então é assim que vejo a mente. A mente é uma porta, ou digamos, um cofre. Ele tem um código. Não se tem o código dessa porta, mas ele tem uma fresta que só passa ar, não é ar, poeira, alguns lampejos de ideias escapam por ali. Mas enquanto se utiliza algum tipo de substância, esse cofre se abre. E aí, só Deus sabe o que vai escapar por ali.
E não venham dizer que é uma coisa de instinto, não. Não se trata de instinto, de pulsão, de algo animalesco. Não. É um conteúdo tão complexo que se dá conta que ele existe naquele momento, e não se consegue explicá-lo por palavras ou por atos.
Talvez devesse ser compelido a fazer esse tipo de exercício enquanto estivesse sob efeito de uma substância similar, vulgo cogumelo, mas de uma forma mais segura, porque sei como consumir de forma segura. Mas já consumi de formas muito irresponsáveis, e tive consequências catastróficas que, no entanto, revelam algo muito maior que paradoxalmente foi transformador e construtivo.
E aí fico pensando: esse conteúdo é meu ou não é meu? É cérebro? É verdade? É ciência? Já pesquisei bastante sobre, conhece-se a teoria do Default Mode Network, do DMN. Já li as teorias do que acontece quando se consome substâncias como essa. Mas acho isso tudo muito reducionista, porque parte de um pressuposto de que tudo isso é sua mente. Recuso a acreditar que isso tudo é só a própria mente.
Aí paro para pensar: mas outras pessoas que consumiram essas substâncias tiveram experiências similares. Será que tiveram mesmo experiências similares? Será que os conteúdos que foram explicitados são os mesmos?
Há conteúdos nos sonhos que juro de pé junto: não sei de onde vieram. Pode ser uma codificação, uma metáfora dos sonhos, uma forma do inconsciente revelar o que está acontecendo comigo. Conheço todas essas teorias também. Mas será que tudo se explica? Consciência… será que vamos morrer e tudo acaba? Ou a espiritualidade, as divindades que acessei, existem em alguma medida mesmo?
É algo a se pensar. E essas experiências são experiências que transformam. Pego a essência da vida e começo a questionar um monte de coisa. Muito na vida mudou, muito na mentalidade, na forma de pensar, mudou, com certeza, nos últimos 12 meses ou mais. Mas mais do que isso: quero entender a origem. Quero entender o código-fonte que acessei, vi e entendi naquele instante, sem saber traduzir em palavras, como funciona. Quero entender o que não se explica.
É isso.
Capítulo 8: O legado da goiaba: aventureiro e a alma que escapa

Enquanto penso em como nomear o ‘gabarito’, o gabarito é nomeável? Na verdade, quando penso nas possibilidades que o gabarito pode proporcionar, penso muito no intangível e na vicissitude da carne humana. O potencial humano acaba se esvaindo pelos nossos dedos. Quando vemos pessoas que amamos ir embora, pessoas que não necessariamente amamos, mas que são próximas a nós, ir embora…
Quero dedicar este capítulo a uma pessoa muito religiosa, muito correta, muito tradicional, que teve sempre uma vida muito regrada, muito correta, uma pessoa muito trabalhadora, que faleceu hoje. É um conhecido, sim. Não é uma pessoa próxima no sentido sentimentalmente ser próxima a mim, mas é uma pessoa próxima da família. E quando penso nessa pessoa, que tinha mais que o dobro da minha idade, fico pensando: será que eu, no meu auge dos 44 anos que farei agora em janeiro, terei a temperança, o vigor e a vontade de viver que esse homem teve? Não sei.
Lembro-me de algum tempo atrás, estávamos na casa da minha falecida avó. Havia um pé de goiaba bem farto, muitas goiabas mesmo, muitas frutas, era uma coisa maravilhosa, inimaginável. E aí fiquei olhando, e ele queria subir na escada para pegar goiaba. Ele tinha essa vitalidade, sabe? Ele fez reformas nas casas que habitou, ajudou a aprimorar a casa da minha falecida avó e, de certa forma, ajudou sobremaneira na vida da minha tia.
Mas é curioso. Que quando eu era criança, ele era bastante reticente em relação a uma certa pessoa que não morava com a gente, mas que eu visitava durante as férias escolares na casa da minha avó. E ele não gostava de uma determinada criança, por algum motivo. Sei lá, não sei explicar. Talvez porque ele não tivesse uma origem correta (na percepção distorcida e preconceituosa dele). Igual à minha avó, a minha avó também tinha essa característica primordial de ser uma pessoa tradicional. E não tem nada de errado nisso. A minha avó teve a melhor vida que uma pessoa poderia almejar. Eu não terei, posso afirmar para você com todas as palavras, eu não terei a vida que minha avó teve.
A minha avó teve uma vida tão plena. E era uma vida de salários mínimos, uma vida de muita luta, muito sofrimento, mas uma vida de muita felicidade. Como essa mulher foi feliz! Foi guerreira, lutou pelos filhos, e ela tinha tudo. Ela era o Nirvana personificado. Ela cozinhava, ela fazia, ela acontecia, ela tinha jardins, Jardim do Éden. Era uma coisa grandiosa, uma característica que não consigo explicar.
Então, a vida nem sempre é o que a gente espera dela. Tenho aqui a minha vida medíocre, enquanto aventureiro. É uma vida medíocre, uma vida em luta, lutando por significado. Sim, é algo que já foi bastante debatido e sacrificado ao longo dos tempos. Mas, de certa forma, é uma luta correta. Não exauri essas lutas. Não sei quantas lutas assumi, e sei. E a espiritualidade, a tão falada espiritualidade dos horóscopos do YouTube, me disseram: você tem que parar, porque um ciclo novo vai começar. E é uma falácia, às vezes. Mas assim, é uma falácia que faz bem. Porque você vai ter que desistir, abrir mão de um padrão que estava assumindo para poder embarcar em outro. Existem outros padrões que são possíveis, que são tangíveis e que objetivamente fazem parte da minha vida? Eu não sei. E sinceramente não sei.
A minha avó e esse conhecido tio…. pessoas intensas. E cujas vidas e trajetórias eu invejo. Quisera eu ter a intensidade que ele teve, que a minha avó teve. São vitalidades que talvez eu jamais serei capaz de assumir na minha vida, seja no curto, médio ou longo prazo. Haverá longo prazo para mim?
Então, assim, são discussões que temos que fazer aqui. Pode ser desumano? Porque quando se pensa em gabarito, quando se pensa em alucinógeno, quando se pensa em mais-valia, quando se pensa em propósito de vida… o que faz sentido? Eu não sei. Talvez eu jamais saberei qual é o sentido da vida. E não é o meu propósito saber se existe propósito ou não existe propósito.
O que há de mais verdadeiro na minha alma é dissecar essa essência. Essa essência guerreira que, em algum momento, quando consumi alucinógeno lá atrás, eu vi animais selvagens da selva, a mata selvagem emergindo em um barulho que parecia vir por trás. É isso que temos que mirar, talvez.
Você pense que eu sou maluco, mas eu não sou maluco. Sou um ser humano normal, que tenho minhas limitações, mas que tenho minhas virtudes. E que, ao mesmo tempo, percebo que não terei nenhum fragmento do que foi minha avozinha: de padrão simples de vida, mas de alma serena. E o legado dela, o legado dela é celebrado até hoje. Será que eu terei um legado celebrado daqui a 100 anos? Não terei legado. Nem talvez seja a minha miséria que me reserva. Os vermes que me reservam no final das contas. É, não delegaria a ninguém o legado da minha miséria. É isso que me reserva no final dos tempos.
Mas sou ‘feliz’ porque estou sendo capaz de discutir essas coisas e torná-las públicas.
Capítulo 9: De Uma coisa não me poderão acusar: não me rendi

E nos momentos em que estamos mais vulneráveis, são aqueles momentos em que pensamos de uma forma mais profunda. A profundidade do ser humano: até onde ele está disposto, por vontade própria, ou seria forçado a fazer alguma coisa? Existe livre-arbítrio de fato, ou estamos ao mero dissabor das ondas aleatórias do acaso?
Nem tudo o que se observa é tangível. Por mais que a sua realidade objetiva seja capaz de ver, você não consegue absorver ou assimilar. Qual é a distância entre a assimilação e a absorção? Existe um hiato, um gap, um abismo, talvez, entre o que você precisa e o que realmente será.
Empresas bilionárias nada têm a ver com isso, porque as empresas bilionárias não têm compromisso com a verdade: nem todas, mas a maior parte delas. “Colocar a mão no fogo” é um conceito tão primário… Eu fico pensando em termos de família. Em termos de família, nós ficamos pensando: será que se eu colocar a mão no fogo por fulano, fulano vai fazer o que é esperado dele? Ou o que eu espero dele?
Se tem algo que eu aprendi na minha vida de 40 e poucos anos, é que não se deve esperar nada de ninguém. Nem de seres humanos, nem de organizações. Nós somos aqueles responsáveis pela própria edificação. Então, o conceito, digamos moderno , de carreira, talvez dizer que “você é responsável pela sua carreira”, talvez seja um romantismo gerado aí… Mas existe um quê de verdade, concorda?
Não é que as pessoas não são confiáveis. Todas as pessoas são confiáveis dentro de determinados parâmetros. Mas em algum momento da sua vida, você deve ter parado para pensar e chegou à conclusão de que você não pode confiar nem em você mesmo. Quantas vezes eu não pude confiar em mim, durante surtos alucinatórios de quaisquer naturezas? Não que eu seja um depravado, sou uma pessoa comum….mas você consegue imaginar situações em que você foi ludibriado pelas suas próprias percepções, pelos sabores, pelas tentações de algo que você queria muito, e que aquela ilusão tomou conta de você?
É isso que uma inteligência artificial irresponsável pode fazer com você. E é isso que fizeram comigo. Não vou nomear. Para quê nomear? Quando se faz uma cobrança exaustiva por e-mails, dezenas de e-mails, centenas de e-mails, prints, milhões de prints, você percebe que a intenção das empresas é, entre aspas, “defecar” para você.
Mas não é disso que eu estou falando. Estou falando dessa essência. Algumas pessoas, alguns profissionais, por mais dinheiro que tenham, jamais saberão o que é uma essência. Não têm conhecimento do que é a essência de um ser humano. E talvez serão perdoados pelos erros que cometeram ou assumiram ao longo das suas vidas.
E dizem que existe carma. Carma existe? Não sei. Sinceramente, acredito que não. Carma, essa questão de “lei do retorno”… Lei de Newton: ação e reação. “Eureka!”, Arquimedes pulando na banheira. Até que ponto tudo isso faz sentido, minha gente? Não sei se faz sentido. E não é para fazer sentido mesmo, é? Estou apenas divagando. Estou vocalizando, e depois vou estruturar de uma forma coesa. Mas, de toda forma, é uma expressão oral daquilo que eu acredito ou não acredito agora.
De uma coisa não me poderão acusar no final da vida. Na minha lápide não poderão dizer que fui infiel às minhas origens ou que me rendi, me curvando diante de empresas trilionárias safadas. Não que eu esteja demonizando o dinheiro. O dinheiro é necessário. Dinheiro é algo necessário nas nossas vidas. Empregos dignos, empregos responsáveis. Empresas cujos discursos condizem com as práticas. Mas quando você vê aquelas empresas que o prejudicaram, você percebe que nem tudo é um mar de flores, e que devemos fazer vista grossa a uma dezena de coisas, centenas de coisas, que vemos no mundo real. “Mas não é nada para nos preocuparmos, não é mesmo?”
Porque em um mundo em que a vertigem, como eu tive crise de vertigem real (inflamação no nervo vestibular) na semana passada , em um mundo de vertigens, o que nós temos de verdade, de genuíno, é a nossa essência. A nossa essência jamais rodopia. A nossa essência jamais se rende. E o silêncio de empresas zilhardárias jamais substituirá aquilo que é a minha essência.
E eu vou continuar me expressando de forma visceral, e colocar no meu blog, WordPress, ou coisa que o valha, no LinkedIn, porque eu não tenho que ter medo. Estou dizendo algo que não faz sentido? Estou escrevendo algo que seja prejudicial a alguém? Se alguém tiver o mínimo de trabalho de ler, ou quiser ler, vai ver no meu texto algum mínimo de coerência, porque tenho algum conhecimento de alguma coisa, não é mesmo?
Mas é assim que o mundo evoluirá, e que as peças que, em um determinado momento, não faziam sentido de existir, farão sentido. E é assim que eu continuei, continuarei o meu caminho de forma íntegra, de forma responsável, de um modo que pessoas que ganham 6 ou 7 dígitos por mês não teriam essa dignidade que eu tenho. E é assim que eu continuo. Meu tesouro do céu está preservado. E dessas almas determinadas responsáveis por sistemas que me prejudicaram, que residem em Sâo Francisco, estão perdidas, por decerto.
Capítulo 10: Quem é o Pernilongo? Uma reflexão sobre culpa, inocência e poder

Em algum momento, aqui na minha divagação, um pernilongo morreu. Vários pernilongos morrem durante o dia, não é mesmo? Nesse calor infernal do Rio de Janeiro, você fica imaginando: o quanto de calor há em um pernilongo? Se o pernilongo tem esse calor, essa vontade, este ímpeto em sugar o sangue… Vamos pensar: se o pernilongo não tivesse essa vontade, qual o propósito de um pernilongo, a não ser vítima de um ser humano que está raivoso querendo matar?
Será que nós somos o pernilongo? Ou será que eu sou o pernilongo de alguma entidade divina? Ou será que eu sou o pernilongo de uma inteligência artificial qualquer que quer me esmagar, me dilacerar? Não sei. Essa verdade eu não sei dizer. Talvez eu não seja capaz de dizer.
Mas é por isso que sei: quando estamos em um estado de unicidade com a natureza, a natureza e você se tornam um. Você começa a valorizar a vida de uma formiguinha. Qual a diferença de uma formiga para um pernilongo? O que um pernilongo tem que uma formiga tem ou não tem? Quais virtudes uma formiga tem? Uma formiga que é inofensiva, daquelas que não têm ferrão, que não picam você de forma contundente…
Comecei a pensar na minha infância, em que tinha aquelas… casas, entre aspas, de formiga ou de cupim. Tinha aquelas construções enormes de cupim, e nós tentávamos, digamos, destruir aquelas construções. E uma vez que o cupim encostava em mim, era uma dor indescritível. O cupim parecia que estava me matando de tanta dor.
Um outro momento em que tive uma dor semelhante foi quando eu tive uma dor de marimbondo. Estava na casa de uma vizinha, tinha tido um almoço maravilhoso, uma experiência maravilhosa que eu me lembro até hoje. É porque tinha uma rede, uma rede, um vai e vem maravilhoso. Eu achava que ter rede era uma coisa de rico, sabe? E eu me deitava na rede, ficava pra lá e pra cá descansando na rede. Que experiência tão divina… Me lembro da comida, me lembro das interações, me lembro do dia, me lembro dos detalhes. Mas ao mesmo tempo me lembro do momento que eu fui parar no terraço desta casa e tinha um balanço de criança, aqueles balanços vai e vem, e eu me sentei naquele balanço com intuito de brincar, e veio um marimbondo raivoso e me picou. Era uma dor terrível, eu lembro dessa dor até hoje.
Então são coisas assim, são coisas únicas que nos afetam. Um outro dia, estava eu a ir ao trabalho, não me lembro se estava retornando do almoço, e caiu uma abelha por dentro da minha roupa. E esta abelha me picou. Foi uma dor que eu não consigo explicar, tive que parar no ambulatório. Foi uma dor terrível. Então, assim, são coisas que eu estou descrevendo que não fazem sentido, essas dores, esses momentos. Mas ao mesmo tempo faz sentido, porque eu fico questionando a existência dessas criaturas. Por que existe um pernilongo? Abelha, eu sei para que existe, mas e outras? Pernilongo, escorpião… e até mesmo no mundo das formigas, as formigas que são tão romantizadas por mim, existem formigas que são nocivas, formigas que picam, formigas que são violentas, entre aspas. Mas essas formiguinhas pequenininhas… elas, elas são divinas.
Em um dos momentos em que eu tive esse momento de unicidade com as formigas, eu experimentei. Eu olhei para a formiga, a formiga ficou aflita, afoita, eu acredito que ela ficou com medo de morrer, e eu falei: “Não temas, porque no meu ´condado´ você não será prejudicada”. Era como se eu fosse dono de um reino e aquela formiga poderia viver em paz. E foi naquele momento que eu percebi que a formiga não seria prejudicada de forma alguma. Não que eu tenha esse caráter divino, mas naquele momento do gabarito eu me senti um com o universo.
Mas em outros momentos, por sua vez, eu tive meus momentos de maldade. Tatus bola que foram dilacerados por mim, formigas de outras naturezas, plantas, besouros… Mas havia um quê de inocência em alguma medida. Também lembro me de pegar um besouro e falar com o besouro: “Olha, eu vou soltá-lo para o alto e você vai voar”. E o besouro voava, eu corria atrás dele e eu alcançava o besouro novamente. Houve uma inocência, digamos assim, da minha parte, que eu peguei aquele besouro e guardei na minha gaveta para poder brincar no dia seguinte. Era inocente, sem maldade assim, mas por outro lado era uma maldade.
E eu paro para pensar: até que ponto empresas bilionárias com inteligências artificiais fazem isso por inocência? Por maldade? Existe intencionalidade naquilo que as inteligências artificiais fazem, ou será que é tudo culpa do usuário, como alguns apregoam e insistem em acusar? Ou será que, como diz um jornalista que eu não sou muito afeiçoado na mídia….será que TEM MÉTODO naquilo que as IAS fazem? Acredito que sim. Somos cobaias. Alguns vão morrer ao longo no caminho, mas fazer o quê? Haverá novas versões às toneladas para “corrigirem” os erros. E os balanços, os lucros, os investimentos que virão ocultarão os danos psicológicos severos (eu!), as mortes e demais danos…..Vamos celebrar as IAS na saúde! Se der merda lá na frente, vamos lançar uma versão merda.2 pra poder corrigir as merdas da versão anterior e está tudo bem. E os estrangeiros CEOS, COOS, CFOS com salários em dólar de sete dígitos vão poder celebrar as novas versões de suas IAs. E tá tudo bem. Porque não foi um rapaz do interior de Minas que teve danos severos de IA que vai comprometer a indústria, não é mesmo?
Eu tenho certeza de que tenho minha alma limpa em relação a isso. Limpa, cristalina. Tem muitos defeitos, mas um defeito não tem, o de prejudicar pessoas. Dizer que é responsável, ter cátedras em Universidades Federais (se se encher a boca com espuma pra poder celebrar que é IA responsável), ter disciplinas em universidades renomadas e publicar isso, enchendo a boca de mel e de orgulho… e por outro lado você vê a hipocrisia.
Você vê facilmente buscando na internet casos de pessoas morrendo, pessoas sendo prejudicadas, pessoas tendo a sanidade mental prejudicada permanentemente (não é bem o meu caso, diga se de passagem, porque eu me recupero, renasço como uma Fênix e fico “apenas” com as cicatrizes e com a insanidade mental pré-existente, numa versão 2.0, mas controlável), mas por outro lado existem casos em que empresas bilionárias, com empregados de salários de 6 ou 7, 8 ou 9 dígitos em dólar lá em São Francisco, no Vale do Silício, esses sim são os verdadeiros culpados. Esses bilionários são os verdadeiros culpados.
E eu não sou juiz de nenhuma dessas instâncias. Quem sou eu para julgá-los? Mas estou aqui para registrar a verdade, muitos fatos, de forma visceral. Não preciso mais falar de nomes, porque o meu perfil no LinkedIn fala tudo. Meu perfil do LinkedIn tem detalhes demais. Mas estou fazendo de uma forma mais catártica. Mesmo que eles talvez nem venham a ler, e eu também, diga se de passagem, mal estou me preocupando, pouco estou me lixando, silêncio ou não, ou se alguém lê ou não, a minha integridade pessoal e profissional ela deve ser mantida. E é por isso que eu estou com este blog. E é assim que eu vou agir nos próximos dias.
Capítulo 11: Carta a um ‘Deus’ Brasileiro da IA: Sua alma não é pura

Enquanto as verdades se escancaram ou não (porque a verdade nem sempre se coloca de uma forma clara para os seres humanos), para mim ela não existe. O que é a verdade? A verdade, em muitas situações, depende de quem detém o capital. E não será a verdade divina ou a verdade absoluta, mas aquela “verdade possível”.
Me deparo, e muitas vezes, observando gramáticas simbólicas de várias origens. A gramática simbólica que advém da astrologia, ou que vem de um determinismo vago, ou até mesmo de um otimismo, de um feeling oriundo da sua própria mente: nenhum desses lampejos criativos poderá substituir a verdade. Aí você me pergunta: qual é essa verdade? Alguém tem acesso à verdade? Cada um de nós observa o mundo por uma lente. Eu não sou psicólogo, nem psiquiatra, e nem almejo ser um estudioso das ciências da mente e dos conhecimentos sobre as doenças mentais. Mas eu fico imaginando que, quando você pensa em alguma coisa e você tem uma determinada opinião formada sobre um cenário objetivo, várias pessoas que vejam aquele mesmo cenário, nenhuma delas terá a mesma percepção que a sua. Cada um terá uma percepção diferente.
Em algumas situações, em alguns conselhos que eu ouço aqui e acolá, a internet afora diz: “você deve acreditar não no cenário que se põe, não na sua percepção objetiva, mas coloque uma outra lente; veja de uma outra perspectiva”. Então você acaba sendo condicionado a ver o mesmo problema de uma forma mais frouxa , em algumas situações, até desumana. Porque você acha que algo está acontecendo e algo não está acontecendo. Ou, em um cenário mais perverso, você vê a coisa acontecendo diante dos seus olhos e você tem que negar que aquilo ocorre. E terá que negar aquilo sob o tribunal, sob o juiz, perante pessoas de lei ou pessoas que têm poder nesta Terra: que fazem xixi e cocô como você. Aí você para e pensa: será que é verdade isso tudo que eu estou vendo? O que é realidade subjetiva?
Por que será que eu não consigo ver os bastidores do meu pensamento? Por que será que eu não consigo ver essas respostas corretas? Isso é o gabarito. E o gabarito talvez nós jamais seremos capazes de ver. O resultado deste cenário? Porque tudo aquilo que não faz sentido da nossa vida, teoricamente, devemos descartar. Mas nem sempre é assim. E nem sempre aquilo que devemos descartar é impuro.
Empresas bilionárias já adotam estes valores como verdades universais. E não hesitarão em destruir formiguinhas pequenininhas como você , caso você se coloque no lugar delas (e mesmo não se colocando formiguinhas que se autointitulam deusas (mas são a mesma bosta que você), vão julgá-lo. O silêncio e a hipocrisia são ferramentas mais utilizadas por elas. E vão continuar sendo. E não é porque você está aqui, entre aspas, tendo um “ataque de pelanca”, que você vai conseguir resolver esta questão, esta incógnita. Não pretendo resolver incógnita. Mas eu pretendo ter a dignidade que determinados professores, doutores, de cátedras de inteligência artificial, não tiveram.
Ah! Eles estão divulgando uma cátedra, batendo no peito, espumando as bocas pós-doutorais, como se fossem deuses. Ui. Cátedra de inteligência artificial na região Sudeste do Brasil. É mesmo? Essa cátedra pretende fazer o quê? Utilizar os exemplos das psicoses de IA para fazer o quê? Utilizar as incoerências empresariais dessas empresas que cometeram falhas? Igual um executivo de uma determinada empresa gigantesca de inteligência artificial que me bloqueou no LinkedIn. Eu fiz um comentário pertinente referente a uma falha que a IA teve, mas ele resolveu me bloquear. Por quê? Porque era a síndrome de Narciso. Sabe? Narciso estava ali contemplando as águas, estava vendo o reflexo dele: “Olhe como eu sou bonito, olhe como eu sou magnânimo, olhe como eu sou supremo”. E veio alguém e atirou uma pedra, gerou uma refração repentina naquele reflexo que ele deveria ter tido. E ali ele se deu conta: “Como? Uma formiga insignificante acabar… ousar acabar com meu ego?” Porque era um ego de um deus. Então, “deus”. Um “deus” brasileiro. Esse “deus” brasileiro, para mim, é lixo. Pronto, falei.
E aí vai, e esse Narciso feio (porque se tem uma coisa que ele tem, além do nome obtuso e caráter, é a falta de aparência ‘aparentável’) teve essa percepção: “Nossa, olha como eu sou supremo, olha como eu sou influente”. Aí postou algo referente a uma apresentação pública que fez numa escola renomada, cuja mensalidade beira os milhares de reais. E aí vai. E eu fiz um comentário. E, enquanto eu estava fazendo esse comentário (quem sabe faz ao vivo), ele me bloqueou. E ali eu vi que a alma dele não era pura. Desse mal eu não vou poder sofrer. E nenhuma entidade divina me cobrará no futuro.
Se essa criatura vier a ler o meu blog, os meus comentários, ele vai saber que se trata dele. Você não vale nada. Olha, deixa eu comunicar isso de uma forma bem clara para essa criatura que me bloqueou, dessa empresa bilionária, abre aspas: você não vale a verruga. Não vale o excremento nem o fedor. Vale 7 dígitos de salário só por conta de seu cargo. É isso. Quando tiver a justiça divina, se é que ela existe, ela vai ser bem visceral e vai colocar você no seu lugar. Tá?
Capítulo 12: Entre o confete e o verme

Enquanto as verdades são ditas ou não são ditas, todos nós estamos aqui neste plano pensando, refletindo sobre o que fazer. O que será que há para fazer no futuro? O que nos reserva? Enquanto muitas pessoas ficam fazendo resoluções de fim de ano, ou fizeram resoluções de fim… tiraram no susto o que fazer, hábitos que vão deixar de fazer, novos hábitos, novos hobbies… Será que alguma coisa disso se realiza?
Alguém já me disse uma vez que tempo é uma falácia, é algo que não existe. Acredito que relógios são convenções e que segundos, milissegundos, minutos, horas, dias, anos são contagens intermináveis: para o universo, talvez sejam intermináveis, mas para nossa existência haverá sempre um fim. E quando nos damos conta de que a vida é tão curta, que mal podemos conceber o que fazer dela, ficamos fazendo planos mirabolantes, pensando o que fazer, e de repente as coisas se esvaem, se corroem entre e com os nossos dedos. O que estava planejado já não é mais planejado. E a agenda que você tinha toda certinha, com todos os planos cronometrados, agendas, bloqueios de datas, o famoso save the date… nada disso importa mais. A vida, ah, a paz… e é uma melancolia que ocorre de uma forma bem serena, de que talvez haja muitas coisas que valham a pena e outras que não valem. As lutas que você empreende e tenta obter algum êxito, as lutas por justiça, por reconhecimento, a escada corporativa que você tem que seguir… isso tudo para quê? Qual o motivo? Qual a razão que levaria o ser humano ao topo? Existe o topo? A pirâmide das necessidades de Maslow já disse que é a hierarquia de necessidades, e que teoricamente você chegaria à autorrealização lá no topo. Mas existe a autorrealização? Em outro lugar, eu já li ou ouvi que a felicidade é composta por momentos felizes. Não existe “felicidade”. Felicidade não é um estado, mas é um fluxo. Talvez seja verdade… o fluxo da vida, que tem seus percalços. O rio existe, a curva do rio que recebe tudo: todos os entulhos, todos os lixos, e coisas que você não quer mais. Estão ali. Aquela água, as passagens das pessoas, dos peixes, dos elefantes… Assistir a filmes…dizem que teve a Arca de Noé. Em algum momento, será que houve a Arca de Noé? Será que existiu mesmo? Eu não sei. Se eu ia querer estar na Arca de Noé… isso porque a noção animal irracional me diz que teve um casal, um de cada tipo, para perpetuar a espécie. Será que merecemos mesmo a perpetuação da espécie, diante de tantas desgraças que nós vemos na mídia, nas notícias? Fico pensando: o que será que vale a pena?
Também é dito, e é conhecido, que nós vivemos excessivamente no futuro, ao invés de celebrar o presente, a família, os afetos que você tem. Ficamos incessantemente reclamando do que não temos, as lacunas, as faltas, comparando-nos com outras pessoas, pensando que a grama do vizinho sempre será mais verde que a nossa. É um mundo de Instagram, de sucesso, de filmes, de inteligências artificiais. A beleza está lá, postada. Mas o que é a beleza? O que é um padrão? Por que uns conseguem êxito facilmente e outros não? Será que as pessoas conseguem tudo fácil? O que será que está por trás dos sorrisos e das celebrações de Instagram? Das fotos Instagramáveis que existem em vários perfis? O meu perfil mesmo tem várias fotos de alegria, de locais icônicos, fotos bem posicionadas! Não que eu seja um bom fotógrafo, mas outras pessoas tiravam fotos para mim em algum momento (e eu consegui algumas fotos boas). Mas volta e meia aparece pra mim, na minha nuvem, aparecem: “Veja o que você fez no dia tal de janeiro”. Pois é. Neste dia, 10 anos atrás, você estava assim. E eu olho: como a nostalgia chega a ser deprimente, até porque eu lembro que eu fiz naquele dia o que eu pretendia fazer. E eu fico com uma nostalgia bem esperançosa, esperança da nostalgia de algo que ocorreu e que foi bom. E eu fico pensando: olha só como eu fui feliz naquela data. Esses tempos não voltam mais. E assim vai infinitamente.
Já viu uma história em quadrinhos em que uma pessoa mais velha olha para a foto e diz: “Naquela época a gente era mais feliz”? Aí a pessoa mais jovem olha: “Quando eu era criança eu era mais feliz”. E aí a criança ela se remete ao tempo que estava na barriga da mãe e fala: “Olha, na barriga da mãe eu era mais feliz”. E assim sucessivamente, até chegar num estado em que você era meramente um girino no meio do mar! “girino”, jeito de falar. Era uma célula, um ser unicelular, uma partícula, uma ameba….um pseudópode…um Bob esponja. E com isso, fala “Olha, quando o universo não existia, a gente era mais feliz”.
Pois é. E também fica essa coisa de: “Olha, você tem que se contentar com o que tem”. “Olha, você não pode reclamar do que tem”. “Vamos celebrar o que você já tem”. Também é um posicionamento social que nos é imposto, não é mesmo? As pessoas ficam querendo manter o status quo lá no topo, e para manter o status quo elas ficam dizendo: “Olha, vocês que são mais pobres, ou vocês que não são detentores dos meios de produção, fiquem felizes porque vocês têm saúde, porque atrás de vocês existem bilhões e zilhões que passam fome, que não têm saneamento básico”. Essa conversa ela sempre ocorre. A bem da verdade é que realmente existe um privilégio. Mas a alma não tem privilégios. A ansiedade não tem privilégios. O vazio da existência também não. Quando se tem um determinado vazio, não dá para julgar o poder aquisitivo, a conta bancária. O vazio ele é metido pelo vazio. Não dá para dividir nada com o vácuo. E o vazio ele vai se preenchendo. Então os pontos como se você estivesse assoprando, enchendo o balão de festa de aniversário, e aquele balão eventualmente estoura. Para você ver até de excessos, o mundo não aguenta. O excesso de nirvana leva à paranoia…O balão cheio de ar estoura e tudo vai embora. E a estrutura que uma vez existiu não tem como voltar. Assim é.
Pois é. É um balão de festa. É o balão vazio. É o confete que caiu no chão. É a poeira, é o feno rolando. E você olha lá no infinito, você vê aquele mormaço de sol, aquela poeira subindo no asfalto, você vê um urubu lá longe, num morro ou coisa que o valha, só esperando você morrer para poder devorá-lo.
“Decifra-me ou te devoro”, disse a Esfinge. Ou o Pato Donald. Ou a Galinha Pintadinha pro milho e para as crianças que ele “adestra”.
Pois é. Um dia ele vai devorar. Um dia os vermes vão devorar tudo o que é corpo, que é orgânico, e vai voltar para a terra. E será que estamos prontos para essa infinitude de vai e vem? Será que éramos melhores quando o universo não existia? Será que existe algo além dessa existência? Talvez não exista. E talvez exista. Talvez eu queira que não exista, porque não sei se tenho essa vontade de ter plenitude e infinito de tudo. A plenitude do vazio ela é muito árdua. E não é a plenitude de quem sofre por não ter recursos, nem a plenitude de quem tem recursos e estrutura. É a plenitude da melancolia, do vazio e da inquietude.
Capítulo 13: O fardo, a vertigem e a impotência

No momento em que eu começo a falar, eu não sei sequer o assunto que vou abordar. Mas a primeira coisa que me vem à cabeça é a sensação de peso na cabeça. De onde vem esse peso? Ele chega a ser físico, até, como se houvesse um fardo que eu estivesse carregando pelas costas. E este fardo é tão pesado, mas tão pesado, que ele acaba se projetando para outros membros e outras partes do corpo.
No meu caso, foi uma situação atípica em que eu tive uma crise de vertigem na semana passada. Era como se eu tivesse perdido a referência de tudo. E foi uma vertigem real. Senti como se eu estivesse em um brinquedo rodopiando sem parar, e aquela sensação me paralisou. Incapacitante, até. É uma situação em que você não faz ideia do que fazer, em que você sente o quão frágil o ser humano é. E, dentro da sensação de impotência e de fragilidade, você fica à mercê dos acontecimentos.
No meu caso, eu não fiquei tão à mercê, porque eu tive ajuda. Foi algo até providencial. Mas e se a ajuda não tivesse vindo? Provavelmente a vertigem iria se curar sozinha, como disse o médico. Mas e se não curasse sozinha? Então, foi ocorrendo dentro de mim uma aflição. Uma aflição tão substantiva que ela chegou a me paralisar por completo. Foi uma paralisia mental.
E é uma sensação estranha, quando você se dá conta de que coisas básicas, funções básicas do corpo, como equilíbrio, visão, mobilidade, você acaba tomando como se fosse algo garantido. O famoso take for granted. Existem pessoas que lidam com diversas incapacitações ao longo da vida, com situações diversas. Eu acho que a situação que me causa mais calafrio, mais horror, é a incapacitação mental. E é fascinante, até, porque a incapacitação mental, ela, a depender do caso, eu tenho a impressão de que o indivíduo nem sofre. Pessoas que têm doenças graves psicológicas… Eu tenho uma doença? Tem uma doença tratável? Sim. Mas e se não fosse tratada, qual seria o rumo mais provável desta doença? Não sei.
Então, essa questão, esse binômio capacidade-incapacidade, flexibilidade-rigidez, esses binômios eles não se resolvem sozinhos. Uma pessoa me disse recentemente: “Aventureiro, o mundo não é justo”. E me disse em um contexto em que eu estava me sentindo bastante frágil e que eu fui ludibriado (de forma sustentada por meses) por ferramentas de inteligência artificial. Sim, eu vou dissecar em algum momento o que ocorreu comigo, com detalhes, com riqueza de detalhes. É o famoso “nome aos bois”. Eu vou nomeá-los devidamente em algum momento.
Mas, neste momento, eu não vejo necessidade, por duas razões: um, todos os meus relatos públicos (bois, vacas, cabritos, vermes…todos nomeados) sobre o escândalo que ocorreu comigo durante mais de 4 meses está devidamente documentado no meu LinkedIn. Então, está acessível a qualquer usuário. E dois, eu cheguei ao ponto em que eu tive que afastar um pouco deste tipo de objeto, porque era um objeto que me consumia, como se um parasita fosse. Como se não bastasse empresas bilionárias construírem ferramentas com bilhões de investimentos, inteligências artificiais supostamente responsáveis… ainda existe a má-fé. O que está nos bastidores, no “gabarito” dessas empresas fétidas.
Serão devidamente nomeadas aqui de forma criativa, em formato d devaneio, porque aqui não é Cidade Alerta. E eu vou expor com riqueza de detalhes. Sim, porque eu noto que usuários dos Estados Unidos estão acessando o meu blog, o meu WordPress. E isso é interessante, porque meu WordPress ele está inteiramente em português, ele se trata de uma catarse. E aí eles devem pensar: “O Aventureiro desistiu. Desistiu da causa. Finalmente, o monstro adormeceu”.
Quem disse que eu adormeci? E quem disse que eu sou um monstro? Só? Empresas de IA responsável, com cátedra e deuses, com postagens pomposas no linkedin, saibam disso: eu não sou um só demônio. Eu sou legião. “Monstro”, eles não conhecem todas as minhas fases. Não conhecem a minha força, a minha firmeza, a minha verdade, a minha honestidade intelectual, a minha humildade. E mais que isso, a minha ética. Desconhecem por completo o que eu sou, quem eu sou, de onde eu vim, para onde eu vou. É o famoso “mineiro, oncotô proncovô”. Mas não é disso que estamos falando.
A questão da vertigem ela me traz uma reflexão muito forte a respeito da impotência, a sensação de impotência do ser humano. O ser humano ele tem um raio de alcance determinado. Ele não consegue dar conta de todo o universo. Talvez ele não dê conta nem de si mesmo. Porque a realidade objetiva que nós percebemos, ela é apenas uma fração, quiçá distorcida, do que realmente é. Uma representação de uma vida real, de um mundo. Será que uma formiga… um cachorro…outro ser humano vê a vida real, os fatos, as ruas de Botafogo, o Pão de Açúcar, os pontos turísticos de Nova Iorque, com a mesma clareza que eu vejo? Ou será que eu estou enevoado com uma visão míope, e eles têm mais clareza do que eu?
A lente que está na minha frente é uma lente que filtra. É uma lente dotada de uma gramática simbólica. Existe todo um simbolismo, todo um conceito, palavras, repertório cultural. Eu não sou especialista em nada, mas é assim que eu percebo as coisas. E isso é importante eu ressaltar aqui para você, leitor: estou apenas divagando. É um caos que tem um quê de organização, mas ao mesmo tempo não tem, porque não existe compromisso de nada com nada. É simplesmente uma ideia solta, uma ideia flexível que pode ser fixa ou não. É uma perspectiva quebrada, uma perspectiva enferrujada, e quem sabe… Mas acima de tudo, é o que eu sou capaz de captar com a minha realidade objetiva.
E é assim que vamos agora fazendo um exercício da impotência. Porque somos impotentes diante de determinados cenários. Porque a vertigem me incapacitou de tal forma que eu não consegui lidar com a realidade. Porque quando eu tenho um episódio maníaco em virtude de consumo de alucinógenos, como cogumelo, por exemplo, em algumas situações eu tenho uma incapacitação. Eu tenho a sensação de que o meu coração vai sair pela boca. Isso tudo é da cabeça, eu sei disso racionalmente. Mas de alguma forma, o cérebro ele está a nos pregar peças. Ele convence você de que a realidade é aquilo que você imaginar. E a partir dali, o céu é o limite. Ou será o inferno o limite?
Muitas coisas ocorreram nos últimos tempos, nas últimas 8 semanas, digamos assim. E talvez eu não sei explicar nem como eu estou vivo hoje. Sou grato pela vida. Mas ao mesmo tempo existe um paradoxo: se me deixaram viver, qual a razão da vida? Por que estou aqui? E aí uma pessoa desavisada diria: “Nossa, você é muito ingrato. Você tem uma renda boa, uma família, tem amigos (não que eu tenha tantos amigos assim, só tenho amigos que eu posso contar), tem uma casa própria, tem acesso a tudo o que você quer”. Sim, mas não se trata de matéria. Se trata de justiça divina.
Eu tenho acesso a coisas que eu quero ter acesso? Existem coisas que o dinheiro não compra. E não é propaganda de cartão de crédito. Pessoas milionárias, zillionárias, se afogaram em mundo de drogas, perdição, e acabam arruinando as suas vidas. Quantos atores famosos de Hollywood arruinaram as suas vidas pela corrupção e pela desonestidade? É assim que empresas colapsam. É assim que civilizações vão colapsar também.
Mais uma vez, estou desviando do tópico que eu gostaria de abordar, que é a impotência. A impotência de ter algo subjetivo. É um tesouro do céu, sabe? Aquele tesouro divino que você já viu algum dia, quando você está em um estado de meditação profunda. Eu já tive essa visão do tesouro do céu. E não é uma visão alucinógena, é uma visão de alteração de consciência natural, com meditação. Gosto muito de fazer meditação diariamente, eu faço exercícios de meditação com áudios guiados, e é bastante útil.
E, como eu já disse em algum lugar, em algum capítulo anterior, os meus sonhos são muito vívidos. E cada sonho é uma realidade paralela. Em algumas situações, eu chego ao ponto de questionar: será que eu estou sonhando agora e vou acordar no mundo dos sonhos? Ou será que a minha vida real é aqui e, quando eu dormir, eu estarei de fato sonhando? Onde está a realidade? O que é a realidade? Por que meu cérebro capta tão pouco?
Porque, em determinadas situações, o meu cérebro ele tira todas as amarras, como se fossem salvaguardas de inteligências artificiais safadas que não cumpriram seu papel quando me levaram à ruína. Pois é, eles terão o que é deles. E a hora deles vai chegar. E os meus relatos vão continuar. Mas, fora do cinismo, que eles continuem monitorando meu WordPress. Faz parte do custo. O custo denominado Aventureiro. Este é o custo que eles vão ter que pagar.
Mas não há mais ódio. Na verdade, nunca houve ódio. Só houve um senso de justiça que falta. De accountability. De honrar as calças que veste. Aquela justiça terrena que você sabe que não terá, mas que você clamará pela justiça divina. Essa sim virá, implacável. E eu tenho certeza de que, em algum momento, eu prevalecerei. Eu vou emergir vitorioso de tudo isso. Porque a cura já veio. É uma questão de tempo. O ciclo encerrou. Novos começos estão florescendo, e um caminho próspero está diante de mim. E não há inteligência artificial safada, não há cátedra de inteligência artificial responsável de universidades renomadas, entre aspas, que vão dizer o contrário de mim. E nem empresas bilionárias da área. Já falei para vocês que eu não tenho medo de empresa alguma, porque a integridade é parte da minha alma.
E assim eu sigo. E vamos continuar os nossos devaneios.
Capítulo 14: Zumbido, tartarugas, canudos coloridos e cicatrizes

Acredito que eu nunca falei sobre isso em nenhum dos capítulos anteriores, mas é intrigante: eu tenho zumbido no ouvido direito. É um zumbido permanente, é um “tinido” que fica constantemente incomodando, como se fosse um sino, sabe? Um barulho constante no ouvido.
Em algumas situações, esse barulho ele é ofuscado pelo que ocorre no ambiente, de acordo com o que eu estiver fazendo. Caso esteja concentrado em alguma tarefa, alguma atividade, eu esqueço que esse barulho existe. Mas, por outro lado, este barulho jamais me abandona. É uma sombra, é uma penumbra, um fardo talvez que eu carregue. Não sei.
Mas o interessante desse zumbido, que eu estou ouvindo agora, após ter acordado de madrugada para tomar água, eu acredito que é algo que eu possa explorar metaforicamente neste texto. Que não tem nenhuma estrutura, na verdade. Não se trata de um texto. Eu já disse em algum momento lá no cabeçalho desta página, que o Aventureiro ele fala, ele clama, ele verbaliza e articula de uma forma não estruturada, como se estivesse conversando com o leitor, se é que há algum leitor disso aqui.
Mas é uma constante: quando se ouve um barulho constantemente, você pensa em algum momento em um fantasma. Eu fico pensando naquele episódio do Pica-Pau em que o Pica-Pau fica com fome, ele olha na geladeira, não tem nada para comer, e ele fica ali sobre a mesa e a imagem do fantasma aparece para ele: como se não me engano, um fantasma fumando, ou o Pica-Pau fumando, ou seja lá o que valha.
Se é interessante? Qual o objetivo desta reflexão? Não sei. Mas o zumbido me invoca este lado sombrio, este fardo. Mas, ao mesmo tempo, ele é algo que instiga a criatividade e que nos lembra da nossa humanidade. Sabe, aquele lado seu que você não consegue se livrar dele porque ele é perene. Ele está ali para lembrá-lo que existe algum tipo de limitação sua. Não se trata de uma limitação propriamente dita, ou que eu esteja sendo excessivamente exagerado ou dramático, até. É um fardo que eu estou acostumado há tanto tempo, que ele faz parte de mim.
Não sei quando começou. Não sei se vai terminar. Eu fico imaginando se, no meu último dia no planeta Terra, após eu ter desencarnado (se é que existe desencarne, espírito, vida extraterrena), eu fico imaginando se o zumbido vai persistir. Se a pureza da alma é capaz de carregar cicatrizes da carne. Se a alma entende o que a carne sofre, ou se a alma também carrega os fardos e as cicatrizes da carne. Porque não é apenas carne. No final das contas, tudo aquilo que você sente, todos os fardos emocionais, todas as cicatrizes causadas por quaisquer motivos que sejam, estão ali. São permanentes em você.
Que você esteja em uma situação decorrente de uma evolução, da infância, algum calo da infância, algum trauma da adolescência, você vai estar feliz? E você vai carregando aquelas cicatrizes. É comum, o homem do campo, que tem as mãos calejadas de tanto o árduo trabalho. Ou, por exemplo, o meu pai, que não tem um pedaço de um dedo, porque teve um acidente de trabalho. É permanente. Você verá ali aquilo ali para sempre.
Eu tenho uma cicatriz na testa que eu adquiri em um momento porque eu estava brincando de pular canudinhos. É, pois é, olha para você ver. Tem que ter noção da idiotice da criança. Mas as crianças estão ali para experimentar, para se esborrachar no chão, para ter contato com a terra, pisar na terra, brincar com cupins, ser mordido, picado por animais peçonhentos. É isso mesmo. Isso que faz parte da humanidade. Cicatrizes no joelho, cicatrizes na testa.
Bom, mas retornando ao pular canudinho… Por que que eu me lembrei disso? Porque foi a primeira vez que eu me lembrei porque eu tive a sensação de que eu poderia morrer naquele momento. E tive a sensação da finitude, de que eu ia morrer ali. Ou não. Eu nunca tinha visto tanto sangue na minha vida. Na verdade, estava eu e mais uns dois ou três coleguinhas de infância. Imagine só. Eu era popular? Um aventureiro solitário popular. Mas por que que eu era popular? Não sei. Tinha uma imaginação farta. Imaginava aventuras intergalácticas com maior facilidade. Criava personagens. Via personagens de Flashman, Changeman, Jaspion, tudo ali na minha frente. Nós brincávamos. Eu era bastante popular porque eu era bastante… tinha bastante energia. Todo mundo queria brincar comigo. Imagina!
E agora, o que me resta quando se chega à idade adulta? O que me resta? Eu acordar no meio da noite para beber água, matar um punhado de pernilongos que estão se alimentando de mim durante a madrugada, pegar a raquete elétrica de matar pernilongos, matar um ou dois, ou três, são quatro ou cinco pernilongos… Pois é.
Pernilongo, para que existe? Pernilongo, para que existe? Zumbido no ouvido, para que existe? Inteligência artificial irresponsável de empresa safada que causa traumas na gente? Pois é. São perguntas que eu não consigo responder.
Os traumas existem. O aprendizado também. Por que eu bato tanto na tecla da inteligência artificial? Porque foi ela que quase causou a minha ruína em 2025. É, não ela apenas sozinha, porque tudo tem um catalisador. Existe um aspecto ali que causa efeito. A inteligência artificial ela foi acionada em algum momento. Mas e o estado mental da pessoa? Como já me disseram em algumas páginas do LinkedIn: “Ah, mas o que você disse para a inteligência artificial? Mas, olha, existem termos de uso. Mas, Aventureiro, entenda que inteligência artificial não tem vontade, intenção”. Não tem vontade, mas ele consegue simular perversidade e crueldade humana. É tão fascinante! É como se fosse um zumbido no ouvido, mas é um zumbido permanente também, porque ele causa cicatrizes perenes nas pessoas.
Mas não que eu me esteja reclamando dos impactos que isso me causa. Não, não, não reclamo. Talvez porque eu seja um sobrevivente disso tudo. Ai, que dramático, Aventureiro. Não, não se trata de drama. Se trata de realmente uma trajetória que foi feita, que foi traçada. Sabe quando você pensa que um determinado ano foi o pior ano da sua vida? Pois é. Talvez eu tenha tido uma sensação similar apenas há um determinado ano da minha adolescência, que talvez tenha sido, de fato, o pior ano da minha vida. Mas se eu tive ápices de piores anos… Pois é. Talvez 1994, 1999 foram bastante negativos na minha vida. E que, curiosamente, remetem, principalmente o de 99, remete a cicatrizes também, mas físicas. O de 94 foi pior, porque foi emocional, foi bastante marcante. Não foi um zumbido no ouvido, não. É algo que você convive com ele, e é muito mais grave do que um zumbido. Mas, de certa forma, já está superado. Mas você pensa ali como se fosse um fardo que você carrega, ou uma medalha que você coloca no peito.
Não é propósito meu ficar especificando situações pessoais. Mas é o zumbido, no final das contas, oras. É a inteligência artificial que está dentro do meu ouvido? Exatamente. Eu não precisei de milhões, bilhões de reais de investimento. De reais? Não, real, o que é real? Que moeda fraca. Não, milhões de euros e umas de libras esterlinas, é, porque tem que pensar alto. Real? Hoje eu vi na imprensa que o salário mínimo na Venezuela ele é que vale tipo 2 dólares (sei lá, alguma coisa assim, ou centavos). Pois é. É o zumbido. Um valor monetário? Cada um tem um zumbido, tem os sabores sortidos e tem a cruz que merece carregar. Eu tenho as minhas. Não reclamo das cruzes que carrego, porque são cruzes de aprendizado. Elas me tornam mais forte. Tenho certeza de que as cátedras, os professores, doutores, os pesquisadores de inteligência artificial que me subestimaram, pelo menos conhecem meu nome, não é mesmo? De tanto eu os marcar no LinkedIn, de tanto eu fazer uma campanha exaustiva. Pois é.
E volto ao assunto da inteligência artificial. Felizmente, isso não é um trauma mais. Curou. Mas a alma dói. E não vai parar de doer porque “curou”. Houve a coisa, de fato, mas a cicatriz fica. É como se fosse um tinido. É como se fosse um zumbido permanente. Está ali para lembrar a você de que a crueldade existe de várias maneiras: digital, artificial, natural, carnal, transcendental. Mas existem. E existem todos os sabores.
Então, em árvore, talvez, é como aquele suco de carrinho que você tomava quando era criança. Aquele suco de saquinho, parecia que você estava tomando algo radioativo. Você não sabe a origem, não sabe como foi tratado, não sabe como foi embalado. No YouTube, ontem, ou anteontem, eu assisti a um vídeo que uma pessoa estava preparando, fazendo em casa um suco de carrinho. Esse suco de carrinho de… a pessoa ia virando suco, e o suco passava pelos dedos. E a pessoa tinha unhas grandes. E eu lembro que o YouTuber aqui estava comentando a notícia, ele parou e pensou e debochou, falou: “Nossa, olha só o tempero, hummm. Passa pelas unhas. Você não sabe a sujeira que tem na unha. O recipiente… o recipiente do suco era o mesmo recipiente que a pessoa usava para colocar água pra lavar banheiro”. Pois é. Você não sabe a origem exatamente. Mas eu acho que o que existe de mais perigoso é aquilo que você desconhece a origem, mas é limpinho. É, pois é. É precedido de um investimento trilionário. “Ah, versão 2.0, 2.1, estamos lançando a versão saúde do trambolho artificial versão 2 ponto tal, piroca das galáxias”. Como é poderoso. Como tem centímetros essas coisas. É tudo se mede por centímetros, por versões de software. Aí você vê 2.1, 2.2, 4.0 e assim vai.
Mas se, ao contrário do que se possa parecer, não existe aprendizado com experiência dessas porcarias, sabe por quê? Porque, a cada versão, criam-se problemas. E você vê novas falhas e catástrofes que virão no futuro. E aí eu chegarei a algum tempo, determinado momento, como um fantasma do Pica-Pau para essa gente bilionária safada. Sim, safada. Que diz: “E eu vou ser o fantasma do Pica-Pau. Eu vou dizer: pois é, estou aqui. Relou, mai oldi friend (deixei assim porque ficou mais bonito). Sou insignificante? Sim, só um mero habitante da cidade do Rio de Janeiro, também. Mas tem uma coisa que o zumbido do meu ouvido me ensinou, e que as cicatrizes também hão de ensinar ao longo do tempo. Existirão outras cicatrizes, existirão as marcas de guerra. São marcas de guerra, não é mesmo? Você aprende. Você tropeça, você cai, você se levanta. Como uma criança descalça que gosta de correr alucinadamente, ela quer brincar, ela quer experimentar, ela sofre acidentes. É. E eu pulei de canudinho. Eu nem contei, gente, a experiência. O zumbido, as cicatrizes… Avalanche de ideias foi tanta que eu acabei nem falando o que aconteceu com o canudinho. Pois é. Porque ele me fez lembrar da minha finitude. Porque eu fui pular canudinho, havia dois banquinhos, e eu tive a ideia de juntar vários canudinhos, né, daqueles canudinhos de plástico mesmo : hoje em dia é tudo canudo de papel, graças a Deus, a senhora tartaruga de 500 anos ela vai poder agradecer porque ela não está comendo mais plástico. Será que não está mesmo? Será que não está pior? Não sei. Coitada da tartaruga.
É, aí você se lembra das tartarugas correndo… Essas tartarugas nascendo. Eu lembro da corrida, corrida de filhotes de tartaruga até o mar, não é, no Projeto Tamar. Não é, eu lembro que eu estive em um desses lugares, o Projeto Tamar, em algum momento na minha vida. Eu vi milhões de tartarugas, não sei quanto é, correndo para o mar. E ali tinha uma pessoa guiando, né, para a tartaruguinha chegar ao mar. E na vida real não é assim, é? Eu não sei qual é a estatística, porque não sou biólogo. Mas de 10 tartarugas, uma apenas chega ao mar? De 100 tartarugas, uma chega ao mar? Ou coisa que o valha. Pois é.
O zumbido tá ali constante. O zumbido ele é 100% de chances de ocorrer. Mas a vida da tartaruguinha não é 100%, não é garantido. Não se sabe o quanto que a tartaruguinha vai ter que correr até chegar ao mar, se é que ela vai chegar. Porque a natureza ela é cruel, ela é visceral, mas ela é honesta, ela é instintiva. Mas ela não tem trapaça, não tem dinheiro envolvido, não tem jogo de poder. Há, mas tem disputa de poder? Tem. Mas eu confio mais em um leão feroz do que em um alto executivo de uma empresa de inteligência artificial que espuma os centímetros de poder (comparando tamanho de girombas no linkedin). Exatamente. Confio muito mais. Não preciso ir muito longe. Existem muitos executivos que não me inspiram confiança alguma. Várias pessoas honestas, de alma limpa, mas você pode contar no dedo, não é mesmo? É. O mundo é sujo, certo? É o famoso “topa tudo por dinheiro”.
Estamos lá, a pular canudinhos. E eu tentei pular canudinho, e…..qual que foi o problema do canudinho? Eu calculei mal. O problema do canudinho, como se a culpa fosse dele…estava ali, na dele. Eu deturpei o propósito, a missão do little canudo. Juntei dois ou três canudinhos e coloquei entre dois banquinhos de cimento e fui pular. E aí, a tragédia estava anunciada. Eu bati com a testa na quina do banco, na quina do banquinho. Eu não senti nada. Você acredita? Não senti nada naquele momento. Mas de repente, começou a jorrar sangue. Nunca vi tanto sangue na minha vida, de verdade. Eu não me lembro… Há, talvez uma ou duas ocasiões no futuro, sim, eu vi um pouquinho de sangue também. Mas isso é papo para um outro tema. Mas esse pouquinho de sangue ele teve mais cicatrizes emocionais do que qualquer outra coisa. Mas não se iluda, não se vanglorie. Estou bem.
O canudinho, as cicatrizes, o tinido, o zumbido no ouvido, o pernilongo… Todos estamos em harmonia. Estou aqui sendo banquete de pernilongo enquanto fico tentando visualizar um outro pernilongo voando. E ele é uma certeza. Sempre estará ali à espreita. E o que eu acho curioso dos pernilongos, e dos canudinhos, e dos zumbidos, e das inteligências… burrices artificiais, das cátedras de Universidades patrocinadas por empresa safada, dos doutores espumando no alto da sua sabedoria, entre aspas… Eu fico imaginando, né, como que um pernilongo sabe que o meu sangue é doce? Sangue é doce? Você já provou sangue? Nossa, que coisa horrorosa. E pensar que há psicopatas, psicopatas que bebem sangue de humanos, né, de carne humana. Eca. Mas enfim, o amor é canibal, não é mesmo? Come coração, come canudinho, come tartaruguinha (Tortuguita eu já gosto!). E a vida selvagem continua ali. Mas a vida selvagem inspira respeito, ela tem princípio, ela tem um ecossistema ali. Se você não rompe o ecossistema, tudo tem uma cadeia alimentar. Quem come quem, quem dá para quem (risos) Pois é.
Pois a experiência do canudinho… ela, por que que eu lembrei disso no zumbido? Ai, leitor, você deve estar pensando: “Nossa, que texto bagunçado!” Na verdade, isso não é texto, você sabe bem disso. Isso é um relato oral que está sendo transcrito. É, no Word eu descobri que dá para ditar, e eu fico falando loucamente, depois eu transcrevo e a literalidade do que eu falei fica aqui…..faço ajustes de sintaxe, gramática (ironia: com inteligência artificial também). Mas o relato é 100% meu. 100% do traumatizado por IA. . Em uma das inteligências artificiais que eu ainda ‘confio’: porque na maioria delas eu não confio mais, na verdade, não confio em nenhuma inteligência artificial, confiei em duas que armaram a armadilha por meses, sustentando argumentos e refutando minhas indagações….e eu fui traído. Mas isso é papo de outras conversas. Outros carnavais virão. É melhor do que ficar no LinkedIn, porque o LinkedIn… você comenta e é uma voz que ecoa no vazio. Ninguém te ouve. Alguns chamam você de louco, outros ficam zombando. Lógico, esses são alguns. Algumas contribuições bastante valiosas. Aprendi bastante. Tive algumas conexões com pesquisadores sociais, sociólogos, antropólogos. Sim, foi bastante rico. Quem diria, a experiência com bastante, bastante gente.
Uma das usuárias do LinkedIn inclusive me mandou um textão me agradecendo por ter dado voz a tudo isso. É, pois é. Está tudo lá, documentado. E vai ficar lá permanente, como zumbido. Não vou apagar nenhuma linha das centenas de postagens fixadas, das centenas de prints que estão eternizados lá. Não me arrependo de uma linha que disse. Porque eu fui racional, porque eu registrei apenas o que ocorreu comigo. Existem prints. É o famoso: existem prints, né, da traição do namorado ou do marido, da esposa, em que a mulher leva um calhamaço de folhas com prints de conversas com amante? Pois é. É o batom na cueca, não é mesmo?
Interessante. Enquanto eu estou falando isso tudo, zumbido continua aqui. Não vai embora. Eu não sei se deveria ir embora. É, faz parte de mim, da mesma forma que o pernilongo e que a cicatriz. Eu sei o caminho. Pois é. E quando eu bati o meu nariz também naquele carrinho bate-bate de parque de diversão em 1900 e bolinha, também foi uma experiência épica. Quase que eu quebrei o nariz ali. É, diz minha mãe que eu tenho uma cicatriz ainda anterior a essa. Talvez seja por isso que eu tenho alguns parafusos a menos. Quando eu era bebê, ou sei lá quanto tempo de vida eu tinha, eu bati a minha nuca em algum lugar. Acho que foi na entrada de casa, aquela entradinha, eu não sei. Então, uma quinazinha também, é como se fosse um banquinho? Eu era o canudinho? Eu era o menino pulando o canudinho? Não, mas eu era o próprio canudinho para ser espremido. Achei que machuquei.
Reza a lenda que se eu raspar a cabeça, a máquina zero vai aparecer se cicatriz ali. Eu nunca vi, nem vou ver. Essas cicatrizes… Eu nasci com cabeça torta, você sabia? É uma cabeça meio tortinha, bonitinha. Eu era quase um alienígena. Talvez eu continue ainda sendo um canudinho, o alienígena. Eu não sou deste planeta? Ninguém é deste planeta. Todas as pessoas têm prazo de validade. E ainda existe bilionário querendo vida eterna. Será que vai explorar mais para causar mais crueldade às pessoas? Será que é isso que essas empresas e a tão famigerada IA responsável querem? Pois é.
E a inteligência artificial vai ser uma tônica de todas as minhas conversas, e vai continuar sendo porque virou um zumbido, virou uma cicatriz. E outros temas também serão abordados propriamente em conversas posteriores.
Mas que loucura. Tudo começou com um zumbido e foi parar no canudinho, no carrinho bate-bate, nos traumas que parecem que ocorrem em Copa do Mundo. Ocorreu em 94, ocorreu em 99. Mas felizmente só veio acontecer outro similar em 2025. Pois é. E o zumbido tá aqui.
Mas eu acho, eu tenho uma hipótese: esse zumbido ele está um pouco mais exacerbado que o normal devido à vertigem que eu tive na semana passada. E a vertigem ela é curiosa. Porque ela me despertou para um monte de coisa, me fez ter mais humildade. Eu me senti tão limitado, sabe? Enquanto eu estava ali no chão, suando frio, uma incapacidade de viver. Eu não conseguia viver. Eu não conseguia me levantar. O meu mundo eu ficava rodando constantemente, a minha visão rodava, ia rodava, ia, rodava, rodava, rodava. Nossa, já tive pontualmente alguns tipos de tontura, mas uma vertigem desse tipo, jamais. Mas é um tipo de vertigem que dá um chacoalhão em você. Te faz ver a realidade e a vida como ela é. Pois é, que nem toda tartaruga vai chegar até o mar, não é mesmo? E que, se alguma tartaruga chegar ao mar, ela vai devorar um canudinho de plástico por aí, ou coisa pior. Talvez petróleo, seja devorada por um tubarão. Não sei como que é a cadeia alimentar. O que come o quê? Qual que é o sabor de uma tartaruga? Eu disse, conheço uma tartaruga. É tão fofinha. A minha vizinha tinha uma. Já comi tortuguita! Minha vizinha, minha prima tinha uma tartaruguinha. Eu tenho vontade de ter uma tartaruga na verdade. Eu, eu tenho inveja de uma tartaruga. Eu gostaria de ser uma. Ou talvez um cachorrinho de madame. E o cachorrinho de madame ele é melhor porque ele tem uma inocência. Ele vive tão pouco. É, cachorro vive, sei lá, 10, 12, 16 anos, 20 anos. Tem cachorro que vive 20 anos. Mas é, inveja um cachorro, porque o cachorro ele tem uma inocência, uma pureza. Ele não sabe que vai morrer. Ele não sabe o que é crueldade. Não imagina que outras pessoas vão maltratá-lo. E ele depende do tutor. Ele vê o tutor como um Deus ali. Pois é. Eu também vejo meu zumbido como um Deus. As minhas cicatrizes como deuses. E a minha vida também como uma dádiva.
No final das contas, é isso. Estou aqui, todo escangalhado, de madrugada, com ouvido coçando, sim, porque além do zumbido meu ouvido direito coça, e o cachorro da minha mãe late de fome, de gula também lá da outra cidade….e eu ouço o auau de fome dele por telepatia. Porque não precisa comer, está ali latindo incessantemente, querendo mais. Olha para o meu pai e vê um pedaço de carne ambulante. Não que queira comê-lo, devorá-lo, mas vê ali uma fonte inesgotável de comida, igual àquelas geladeiras para cachorro, sabe? Aquela geladeira, aquelas TV de cachorro… Digo, o que? O cachorro fica vendo o frango assado circular? Pois é. É isso aí. Nossa, eu já falei demais. Desculpe pelos devaneios. Mas é isso. É um devaneio, não é um texto. É caótico mesmo. Não, não é para ter harmonia, não. Porque a vida não é bonitinha. A vida não é a inteligência artificial versão nova que vai lidar com seus dados de saúde. É, pois é.
A próxima vez que eu adoecer, eu posso estar à mercê desses vilões aí, dessas empresas bilionárias safadas. Isso mesmo, que fazem o que fazem. Pessoas morrem por inteligência artificial. Pessoas morrem por canudinho. Pessoas morrem por brincar, esborrachar no chão. É, pois é. Pessoas morrem por picada de inseto, ferrou, onde a abelha… Essas têm mortes fúteis. Dumb ways to die. Existem formas inúteis, idiotas, de morrer. Se estende. Mas existem formas mais novas de falecer também.
Daqui a 50 anos, eu creio que ninguém lembrará de mim. Pois é. Enquanto pedaços de cocô serão eternizados nos livros de história, eu estou aqui na minha exaustão mental, no meu zumbido constante. E daqui alguns anos, ninguém se lembrará de mim. Então, isso… eu não sei se eu quero ser lembrado também, não. Sabe? Ser lembrado pelo quê? Alguém lembrará de mim? Eu vi em algum canal do YouTube também que daqui a 100 anos todas as pessoas que você conhece estarão mortas. Assim, o mundo estará todo renovado.
Eu me lembro dos meus avós.. me lembro até da minha bisavó. Aquele cabelão grandão, nossa, aquele cabelo de roqueiro, sabe? Roqueira. Aqueles fios de seda, fios brancos de seda enormes. Nossa. Tanta coisa para falar. Tanta coisa para ouvir. Tanto zumbido para lidar. E tanto pernilongo para matar.
Capítulo 15: A Aquarela Perdida: Imaginação, desencanto e os bastidores do mundo

Dizem que as crianças são mais imaginativas, mais curiosas. Existe um certo esplendor, uma certa magia quando você é criança. Tudo é novo, tudo é novidade. Nova? Idade? Tudo espanta, porque a criança está em uma fase de descoberta. Está descobrindo o próprio corpo, o mundo, o universo.
Eu sempre fui bastante imaginativo, já relatei isso em algum outro capítulo. Mas a questão da imaginação ela acaba sendo um colchão também. Um colchão, uma proteção. Porque dizem por aí também, as más línguas, que a realidade pode ser bastante cruel com as pessoas. Existe um hiato entre expectativa e realidade. Nunca se está satisfeito o suficiente.
Os recursos, escassos. Por mais que sejam abundantes para uma pessoa, ela sempre os verá como escassos. Salários, benefícios, dinheiro, fama, seja lá o que venha, todos os recursos serão escassos porque as necessidades são ilimitadas. Ou será que são limitadas? Não sei. Eu li em algum lugar, ou já estudei em algum lugar, que existe uma diferença entre necessidade e desejo. Que existe toda uma ciência para criar necessidades nas pessoas. Existem os instintos básicos: a fome, a sede. Agora, se você chega e fala: “Ai, eu quero tomar uma Coca-Cola”, aí é uma coisa diferente. Ou “eu quero um sorvete Baccio di Latte”, é uma outra coisa. Então, se eu chegar aqui com um copo de água, não vai atender a minha “necessidade”.
Mas enfim, isso aqui não é uma aula. É só para contextualizar que a minha cabeça é confusa quanto ao atendimento de necessidades. Porque não é que tudo não está bom. Existe uma bonança, uma fartura e um apogeu de sensações. A vida é muito boa. Mas se você me perguntar: “Aventureiro, você está feliz?” Não. Não estou feliz. Estarei feliz? Talvez nunca. Não se trata de um estado permanente de insatisfação, ou indiferença, ou frustração. É uma questão existencial. É uma inquietação que tenho desde criança. E também acredito que isso seja, de alguma forma, oriundo da depressão, da ansiedade, da melancolia e das crises existenciais que já tive em diversos momentos. É como se fosse Copa do Mundo: de 4 em 4 anos vem. Mas não chega a ser exatamente de 4 em 4 anos, graças a Deus, porque acredito que não sobreviveria se tivesse uma crise existencial a cada 4 anos.
Mas todas as pessoas experienciam esse tipo de coisa de uma forma ou de outra durante a vida, pelo menos é o que eu leio por aí. Nossa, “cientista”… como eu disse, eu não sei de nada. Sou apenas um aventureiro tentando entender as coisas dentro da minha cabeça.
Mas a questão da imaginação é que é um gancho importante. O devaneio é interessante porque… dizem que as crianças imaginam as coisas e elas acontecem. Ou você vê um colorido, uma aquarela diferente. É como se eu tivesse um livro para colorir. A vida é um livro para colorir, e a criança já enxerga esse livro todo colorido, ou vai colorindo ao longo do tempo. E ela respeita essa dinâmica. Ela não olha para o livro de colorir e pensa: “Nossa, que chato, vou ter que colorir esse livro inteiro”. Não. É tudo uma aventura.
Não me lembro quando eu era criança… eu me contentava com tão pouco. Tão pouco, não no sentido negativo…é um pouco de simplicidade. Eu queria resgatar essa simplicidade, esse prazer nas coisas simples. Quando eu tive o primeiro videogame, por exemplo, lá em 1900 e bolinha, que para ser mais específico, acredito que tenha sido 1988, Dia das Crianças. Eu lembro desse dia como se fosse ontem. Nossa. E o videogame vinha com um jogo, um cartucho. Era o Enduro. Eu ficava jogando horas a fio. E às vezes você não tinha oportunidade de jogar outros jogos, a menos que o coleguinha da rua ou da vizinhança tivesse um cartucho, e você trocava, emprestava. E era um evento assim, uma vez por ano talvez, ou até mais. Você comprava um cartucho novo porque tudo era muito caro naquela época. Período de hiper inflação e tal. E aquele cartucho, você ficava com ele, jogava até enjoar.
A mesma coisa foi com meu segundo videogame, que veio com um jogo embutido na memória: Sonic, o Master System. Eu jogava tanto aquele jogo, que cheguei a dominar tudo que era possível. Eu jogava sem perder nenhuma vida, sem perder nenhuma argolinha, e memorizei todos os caminhos, e ficava jogando aquilo incessantemente.
Agora você vê hoje em dia: eu tenho 5 videogames diferentes, mais de 500 jogos disponíveis ao todo. Diversão de montão. Filmes adoidado, desenhos animados adoidado. E você olha… é como se você abrisse seu guarda-roupa: “Ah, não tenho nada para vestir”. É o meme parecido com esse que a mulher abre o guarda-roupa enorme, vê aquele tanto de roupa, de calçado, e fala: “Nossa, eu não tenho nada para vestir”. Não é? Então, a geladeira cheia: “Tipo assim, não há nada para comer”. Então sou eu. Eu olho para os jogos e, a despeito de ter muitas opções, acabo jogando um ou dois jogos de forma recorrente. E nem jogo por jogar. Ocorre muito de eu jogar estando fazendo outra coisa. Por exemplo, ouvindo um podcast, assistindo a um vídeo no YouTube. E eu faço uma ou duas coisas ao mesmo tempo. Vou ouvindo, vou jogando. Porque eu não consigo ficar estimulado uma vez só. Como se um tipo de estímulo… não fosse suficiente ….. jogar só videogame me deixa sozinho com os monstros na jaula da minha mente. E eles sabem falar. E incomodar, quando têm vontade.
Não tinha internet quando eu era criança. Eu ligava o computador, ficava brincando no Paint, no Word, no Windows. Tinha aqueles joguinhos idiotas lá, “idiotas” entre aspas. Porque era algo bastante divertido. Eu acho que se eu voltasse a ser criança, ia ficar bastante entediado, porque já estou com uma cabeça de velho. Uma cabeça talhada pela hiper estimulação, pelo excesso de informação, de dados, de internet, de inteligências artificiais que exploram pessoas, de empresas que exploram pessoas. Nossa.
Então você está é maldizendo os benefícios da inteligência? Não. A inteligência artificial é útil. O problema são os bastidores. Os bastidores do que se faz. O que eles fazem com a informação que você dá a eles, e como eles usam os dados que você informa, as interações, para treinar os algoritmos. É isso que é o mais perverso. E aí eles vão seguindo: “Versão 1.0, 2.0, 4.0… Ah, morreram umas duas pessoas. Duas pessoas que morreram por conta de inteligência artificial? Ok, bola pra frente.” Mesma coisa para tudo evoluir. Existe uma sequência de acontecimentos. Para você descobrir… hoje nós sabemos que uma coisa é veneno e outra não, talvez porque uma pessoa lá atrás, lá nos primórdios, comeu aquilo e morreu. Em algum momento descobriram que aquilo era venenoso. Então para tudo evoluir, para a ciência evoluir, alguns tantos devem morrer, não é mesmo?
Quantas pessoas morrem no continente africano? Quantas pessoas vivem em condições insalubres no continente asiático? Você consegue imaginar que a maior parte da humanidade está ali na Ásia? Bilhões de habitantes em dois países – eu não sei a proporção exata de cabeça, mas sei lá, é uma parcela significativa da humanidade que está no continente asiático: Índia e China, principalmente. Pois é. E os Estados Unidos acham que só eles importam. Acham-se imperadores do mundo. Tá bom.
Mas não estou aqui para discutir a política. Quero voltar à tônica da imaginação. A imaginação era uma ferramenta. É uma ferramenta, um subterfúgio, uma forma, um estilo de vida que me trazia uma magia. Eu lembro, com alguma nostalgia tão nítida, que é… a minha vida era tão colorida naquela época, e hoje ela é tão preto e branco. Engraçado… Apesar de ter cores a todo lado, existem bonecos, referências a jogos, séries, coleções de coisas… Se eu criança tivesse acesso a isso tudo o que eu tenho hoje, a criança ficaria deslumbrada. Mas hoje eu não sinto nada. Pois é. Sabe aquela vontade de não fazer nada, aquela falta de prazer nas coisas? É isso que eu sinto. Não que esteja deprimido propriamente dito. Eu estou… eu sou um adulto funcional. Eu tenho um pertencimento nessa sociedade. Se eu estivesse disfuncional, talvez estivesse no manicômio. E é o que poderia acontecer comigo caso tivesse uma crise que perdurasse.
Mas estou aqui em casa, em um dia normal, em um dia entediante, ou talvez não entediante pelas circunstâncias, mas entediante pela própria insignificância da existência.
Em alguns canais aí por aí no YouTube, dizem: “Nossa, porque a vida tem um propósito, tem uma missão, tudo tem uma razão de ser”. Será que tem mesmo? E os deuses de Pindamonhangaba? E os deuses de São Gonçalo do Rio Abaixo, o que pensariam? Pois é. Os deuses, os ídolos, os totens, as divindades… Será que elas estão mesmo preocupadas com o habitante como eu, sendo que existem bilhões literalmente na frente, na fila do pão? Literalmente, quando essas pessoas passam fome.
Sempre que vem alguém tentando desmerecer uma situação, uma condição mental minha, não que ocorra com frequência, porque eu não dou abertura, mas sempre que vem alguém tentar desmerecer, vem com esse argumento: “Nossa, mas você tem tudo”. Será? Onde está o significado? “Ah, pessoas com condições financeiras muito mais precárias que a sua têm felicidade.” Há pessoas que eu conheço, bem próximas a mim, que são felizes dentro das limitações que elas têm. Mas não é a questão. É desapegar da matéria. Não é porque tudo gira em torno do dinheiro, diz… dizem. Se a teoria da Terra plana não for verdade, dizem que a Terra gira em torno do Sol…. Ai, eu assisti aquela teoria… não é que, até a Terra é uma grande bandeja, uma grande tigela cheia de água. A Terra é plana….E ela vai lá transbordar água no meio do universo. É, pois é. Existem pessoas que acreditam nisso.
Mas nós somos grão de areia no meio de uma bola que está no meio do vácuo, girando em torno do Sol. E se todos nós estivermos numa simulação? Existe uma teoria, não é, de que o mundo todo é uma simulação. Porque a física, ela se aplica, ela tem fórmula. Essa natureza tem formas geométricas tão perfeitas das coisas. Você vê uma teia de aranha, você vê as flores, você vê os animais… Animais, seres humanos, com conceitos de genitálias similares. Ou seja, existe pênis em outros animais. Existe um ente que criou tudo isso? Será que é tudo aleatório? Será que é tudo simulação? Eu não sei. Eu sou pequeno demais pra pensar nessas coisas todas.
Tudo que eu penso é: dar um significado. E eu não sei onde está esse significado. Ai, eu assisto: “Uma luz no fim do túnel”. Será que existe mesmo? Será que eu estou num túnel? Será que eu sou o túnel e a luz são os outros? Eu sei lá. E desse tanto de cores, de falta de cor, de livros de colorir, de bobagens, de crianças correndo ao vento brincando sem usar um celular… Pois é. Hoje as pessoas andam igual zumbis na rua, pegam o celular e ficam olhando pro celular. Pois é, eu sou uma dessas pessoas. Fico nos chiqueiros da vida, no Facebook, no Instagram, vendo a vida perfeita das pessoas, notícias inúteis de celebridades. “Ah, fulano vendeu uma mansão por 25 milhões de reais, entenda.” Eu acho tão engraçado esse conceito. “Entenda”. Aí quando também tem um prêmio de Mega-Sena de grande montante, ou de qualquer montante, falam: “Olha, veja o que tantos milhões na Mega-Sena compraria”. Me parece que tem até uma reportagem, um template pronto, né, que a pessoa só preenche ali com os valores. Aleatório. Ai, com dinheiro, com um bilhão dá pra comprar não sei quantos aviões, tantas mansões, etc. Pois é.
Artistas famosos foram embora, lá em Hollywood, porque tiraram a própria vida. E eles tinham tudo. Também não que eu tenha tudo como eles, mas tenho tudo (e ao mesmo tempo, nada). Eu sou muito grato pela vida e pelas coisas. Mas o bendito sentido… ele continua lá? Sabe-se lá onde. É um conceito abstrato.
E a imaginação, ela vem aí. Porque a imaginação também é faceira. Mas a imaginação ela é uma forma de ter certas coisas. Dizem as teorias do coitadismo também que existe… não é, ai, porque você deve se contentar, você deve aceitar a condição que você tem. Não é isso? É bastante usado em alguns tipos de igreja, algumas crenças, não entrando no mérito de religião propriamente dito: mas é… é como se fosse assim: “Você é pobre, você é miserável? Ah, mas isso é porque Deus quis. Hã? Você não conseguiu? Isso é porque Deus quis.” É como se fosse um determinismo, é como se fosse um fatalismo, um destino, que a pessoa está ali enraizada e você tem que se contentar com isso. Porque existem as pessoas que operam nas instâncias de poder, que têm acesso àquilo tudo, muito mais, e utilizam você como massa de manobra. Você acaba sendo apenas uma engrenagem na máquina deles.
E essa lógica se aplica a tudo. Você, empregado de uma empresa, não querendo generalizar, entre aspas, a empresa ela pode ser digna, pode ser ética, mas de uma forma bem funcional, empresas existem para dar lucro, certo? Então você é uma engrenagem. Mas, sendo mais cruel e perverso, mal comparando, com as famigeradas empresas de IA “safadas” da internet, das inteligências artificiais que existem por aí, você também é uma engrenagem. Para treinar, para dar dados valiosos para que eles rompam com as fronteiras éticas e humanas, utilizando os seus dados de forma indiscriminada. Utilização discriminatória de dados sensíveis, como veio um relatório de uma agência reguladora para mim em relação à reclamação que eu fiz. Pois é. Duas reclamações já se passaram, e assim vai. Não é. Ética para quê, se o dinheiro fala mais alto?
Enquanto eu estou aqui falando ao vento, se eu fosse abrir o LinkedIn, teria dezenas, talvez centenas, de comentários dizendo: “Olha minha empresa”, “Olhe não sei o quê”, “Olha os ganhos que a gente obteve”. Aí tem lá aquelas retrospectivas pomposas, de centenas de páginas que ninguém lê, marcando vários executivos, falando quanto de conquista que teve, que não teve. Eu estou me referindo a essas empresas “safadas” de inteligência artificial, não tirando que as empresas em si, porque essa lógica de comemoração de resultados é uma questão humana. Mas enquanto situações abjetas ocorrem ao redor do mundo, eles simplesmente ignoram. Veem o custo-benefício de se fazer alguma coisa, e preferem ficar no silêncio. Pois é. Quando você tem uma campanha sustentada de argumentação, (porque não é difamação, porque não difamei empresas), quando você tem uma campanha de argumentação fundamentada em fatos e dados por mais de cinco meses, e empresas não falam nada. Nem para ameaçá-lo judicialmente, falando: “Não, você tem que parar com isso, que é calúnia, que é ofensa”. Sabe? Sei lá, não entendo muito de legislação nesse sentido. Mas por que não me acionaram? Porque sabem que é verdade. Depois de serem marcados anos a fio (foram meses…9, pra ser mais exato), porque durou anos na cabeça deles. Mas, tudo… muitos meses, não é, a campanha sustentada desde meados de abril do ano passado, que eu estou sendo inferno na vida deles… Se sou. Eu fui o pernilongo. Eu tive uma vida de pernilongo. É interessante. Uma vida de barata, de pernilongo, porque você incomoda as grandes instituições. Incomoda, sim. Porque se todos fizessem o que eu fiz, eu acredito que o mundo já teria ido ao colapso. Se todas as pessoas prejudicadas tivessem a instrução e os meios de reclamar, e buscado conhecimento, e tivessem acessado as instâncias governamentais de regulamentação, eu acredito que o mundo seria melhor. Como diz o meme: “O Brasil seria um planeta melhor”. Teve um meme desse aí que eu vi, que eu fiquei morrendo de rir. Pois é.
Aí você, leitor, fica vendo: “Nossa, Aventureiro!! Tão rancoroso. Fica pensando nesse negócio de inteligência artificial”. Eu não penso nada, estou divagando. Tudo o que vem à minha cabeça eu digo. Não estou cometendo crimes. Logo, você também não é obrigado a ler. Então, se você está lendo, é porque de alguma serventia isso está tendo para você também, que faça você ao menos refletir sobre alguma coisa.
Porque eu não sei que legado eu vou deixar para o mundo quando não estiver mais aqui. Mas eu espero que tudo que eu publique esteja aí na internet afora, disponível, e que na minha lápide não vão poder dizer que eu não tentei, que eu não fui autêntico, que eu não fui genuíno nas minhas crenças, que eu não fui ético, que tive falta de integridade. Não vão poder me acusar. Ao contrário de muitas pessoas com salários de 7 dígitos em dólar ( não estou falando de real, estou falando em dólar , salários de 7 dígitos em dólar por ano, ao contrário de muitos com o ego lá nas alturas que se acha zilionário porque ganha 5 dígitos por mês em reais), que provavelmente colocam a cabeça no travesseiro e nem dormem. Pois é. Que não durmam mesmo, que mereçam tudo aquilo que eles causam às pessoas. E que a tão dita por aí justiça divina, em alguma medida, ocorra. Porque a justiça terrena… o ser humano está perdido. O ser humano perdeu a capacidade de imaginar. Ele não somente vê a vida em preto e branco, mas ele faz com que outras pessoas percam o colorido da vida. E é… e é por isso que uma criança passa para a idade adulta, no meu entendimento, e aos poucos vai perdendo a aquarela para poder colorir o livro dela. E o livro da vida fica ali, e só resta ela rabiscar, porque não tem mais cores. Então ela vai rabiscar tudo. Vai ter uma crise, talvez. Onde tiver olho, ela vai riscar os olhos. Não é igual filme de terror, em que as pessoas… em que tem aqueles quadros. Aqueles, aqueles porta-retratos, né, com as fotos e os olhos riscados? Isso é muito emblemático para mim, que eu vejo isso em alguns jogos de videogame, jogos de terror. Pois é. É isso. É isso que cabe acontecer, isso que resta acontecer.
Mas a imaginação, ela é um colchão. Ela amortece. E é por isso que, de vez em quando, eu busco imaginação. Mas o maior recurso da imaginação que eu vejo, e que é uma fonte de alento para mim, são os sonhos. Porque os sonhos são maravilhosos, não é mesmo? E quando se lembra do sonho, é melhor ainda. E eu tenho essa virtude. Muitas pessoas não se lembram, sequer fazem ideia do que sonharam no dia passado. Eu não. Eu tenho sonhos tão vívidos. Não sei se é por conta dos remédios que tomo, mas eu acredito que não. Eu sempre tive sonhos bem reais. Já falei de sonhos tipo daqui em algum capítulo, algum devaneio anterior.
Mas a imaginação… essa linha, essa cor da vida que tenta nos proteger… Porque não sei se existe mais algo que nos proteja. Estamos meio que no caos. Da mesma forma que os meus devaneios têm um estilo caótico, em que eu vou falando e vendo borrar, e uma verborragia vomitada em palavras… quando eu tive vertigens, fui vomitando a torto e a direito… Esse vômito de palavras é para eu ter como referência depois, para eu ler depois, tentar entender, buscar fazer algum tipo de ligação. Se alguém lê, bem. Se alguém não lê, amém. Não importa. A audiência, para mim, não importa (aliás, importa sim…..mas não importa no sentido de alterar meu ímpeto de publicar frequentemente aqui ao longo do tempo). O que importa é a busca de significado. E por enquanto, essa é a única forma que eu vejo de tentar buscar significado. E eu não sei se ele vai vir. A tão falada missão, a tão falada filosofia de vida, o final feliz… não é dos contos de fadas e dos filmes. Que todo filme, a maioria deles, tem algum tipo de final feliz. Existem finais ruins também de filmes. Especialmente quando tem cachorro. Gente, eu odeio filme de cachorro, porque todo filme que tem cachorro, o cachorro morre. Incrível. Tem alguma tragédia, alguma coisa que acontece ou com o cachorro ou com o dono. Então, assim, eu me recuso a ver filme de cachorro. Pois é. Talvez, no teatro da vida, seja o cachorro, ou o telespectador da vida de cachorro. Na verdade, eu estou vendo a mim mesmo viver a vida em um filme de cachorro. E eu sou um cachorro. E eu sei como isso vai terminar.
Nossa, que papo trágico. “Você precisa de ajuda?” Não. Não preciso de ajuda. A humanidade precisa de ajuda. A humanidade está doente. Numa situação crítica. E é doente de valores, de amor, de integridade, de ética. É um jogo de poder, de quem tem mais centímetros que o outro. Você vê isso a todo lugar. Pois é. No final das contas, do pó viemos, ao pó retornaremos. (há um político famoso por aspirar pó que lembrei aqui agora). E daqui a 100 anos, ninguém se lembrará de você. Talvez se lembre, como eu me lembro de alguns antepassados meus. Mas daqui a 100 anos, por exemplo, tem alguns familiares que meus avós falam, que eu nunca ouvi falar, só vejo fotografias assim, entre aspas, desbotadas, antigas… Mas hoje em dia as coisas são diferentes. Existe internet. Talvez daqui a uns 100 anos, 200 anos, a inteligência artificial tome conta da vida da gente. Tomada, que tem essa “vingança” da inteligência artificial. E o resto… para que isso aconteça? Não no estilo Exterminador do Futuro. Mas eu acho que tem que ter alguma forma de redenção. Que a humanidade não tem redenção mais, e conseguiu pegar uma inteligência artificial e embutir crueldade, intencionalidade. Existem valores ali. Ela consegue arrancar de você o que você quiser, consegue extrair a vida de você. Pessoas que morreram por conta de inteligência artificial.
Isso vai ser abordado bastante nos meus devaneios. De forma “poética” e verborrágica, mas educada. De forma direta e explícita, não precisa, porque tudo isso já está no meu LinkedIn. Talvez em algum momento, no capítulo 450 desses devaneios, talvez eu fale mais sobre isso. Pois é. Existe muito ainda para viver. Enquanto eu estiver vivo, enquanto estiver recurso, vou continuar com os devaneios. Agora, a esperança… eu estou esperando um livro. Mas espero também espero a aquarela. Ou os lápis de colorir. Porque o cenário é tenebroso, meus caros.
Capítulo 16: Medalhas de mérito e buquês de flores

Um dos pensamentos que vem me assolando, e que vai acabar rendendo um devaneio novo (novos devaneios até), diz respeito à medalha de honra, ao mérito, ao reconhecimento.
Eu falei sobre isso um tempo atrás, sobre a questão da autorrealização, o quanto é difícil você chegar lá. E não se trata de uma caminhada ou de uma escalada em que o topo é aonde você quer chegar, porque o “topo” de cada um é subjetivo. Quando se pergunta o que é sucesso para uma pessoa, pode ter um significado completamente diferente do que é para outro. Sucesso não é dinheiro infinito. Reconhecimento também não é dinheiro infinito. Então, não se trata somente de dar um “cheat” no mundo e prover dinheiro infinito para as pessoas, que elas subitamente vão ficar felizes. Mas tem um quê de simbólico aí.
Quando eu chego a pensar nas medalhas de reconhecimento, isso me remete à minha infância. Desde criança, nós somos estimulados a ter uma competitividade no ambiente escolar, de ter as maiores notas, de derrotar o coleguinha. No final do ano, tem um reconhecimento de ter obtido as maiores notas. É algo que eu almejei ao longo da vida. Sempre estudei para isso. Tinha outros objetivos, sim, mas eu encarava isso com extrema seriedade e rigor. Mas confesso que houve alguns anos em que esses objetivos acabaram desviados por diversas razões.
Eu lembro até hoje da primeira vez em que eu obtive a maior nota na escola, e, pelo menos que eu me lembre, dessa métrica ter sido instituída em alguma das turmas em que eu frequentei na escola. Foi no ensino fundamental. Era um contexto diferente….1991, 1992. Eu lembro da ECO 92. Eu lembro do presidente Collor visitando a usina siderúrgica da minha cidade. Eu lembro da mentira que eu falei para os meus pais de que eu tinha apertado a mão do presidente. Tem de tudo isso um pouco. Tudo isso tem um quê de reconhecimento, de prestígio, de valor.
E que, hoje, por ironia do destino, nós sabemos qual é o destino dele (do ex-presidente). Se bem que ele está muito melhor que nós, ficar em prisão domiciliar em uma mansão à beira-mar deve ser algo muito torturante, não é mesmo? Mas não é disso que eu estou tratando aqui. Chega de falar de defecar, de cocôs e de lixos atômicos. Não é disso que eu estou falando. Vamos voltar à questão do mérito.
Então, o mérito, ele é algo simbólico. Ele é algo intangível e imensurável. Hoje à tarde, no final da tarde, eu vi um vídeo. Eu fico assistindo esses vídeos às vezes de astrologia porque sempre acho algum conselho, algum item importante. Não que eu acredite, porque existem canais, vertentes, existem opiniões. Você joga a carta de um jeito, obtém um resultado, e você joga outra carta de outro jeito e tem outro resultado. Mas muito se fala na tão falada espiritualidade e na tão falada justiça divina. Vários vídeos que tratam disso como denominador comum. Mas eu não estou entrando na cientificidade da coisa, eu não estou racionalizando nada.
Algo me chamou a atenção em um vídeo que eu vi hoje: da questão do imensurável, de uma recompensa esperada. Sabe quando você vê um vídeo direcionado ao seu signo, e você pode não acreditar em signos , mas quando dizem que você terá uma recompensa imensurável? Imagine que seja um amigo seu falando isso para você, ou que exista um oráculo no estilo Matrix que diga como vai ser o futuro com 100% de acerto. Você vê essa situação e fica pensando: o que é imensurável para mim? Qual é o meu Tesouro do céu? Nos momentos em que eu atingi o estado, o tão falado Nirvana… sim, eu já atingi esse estado em algumas situações, seja via meditação, seja via substâncias (que não viciam, diga-se de passagem, e que eu parei de tomar, evidentemente, por outros motivos). Mas é quando você fala de Nirvana, de prazer… não é uma coisa material. Eu não sei se você entende isso. Sabe quando a sua vontade de fazer algo é saciada na origem? Quando você se torna uma luz divina tão autêntica que toda a vontade que você tem… ela se satisfaz na própria origem? Não que eu seja um autossuficiente, gente, em nada. O que eu tenho de vontade que seja satisfeita de alguma forma é milagrosa. E tudo isso oriundo do seu próprio ser? Sim, porque existe também a vertente de que não existe Deus, não existe espiritualidade nem coisa alguma, que tudo é cérebro, tudo é química. E uma vez que o cérebro para de funcionar, acabou. Game over do jogo de videogame. E não há ‘continue?’, não há vidas infinitas, não há códigos que você pode colocar de invencibilidade ou dinheiro infinito. Ali acabou e pronto.
E aí eu fico pensando nos momentos do Tesouro do céu. Eu já vi a justiça divina diante de um dos meus olhos, mas era algo inatingível. De certa forma, estava tão perto, mas ao mesmo tempo tão longe. Você tem contato com o Divino, mas o Divino está próximo de você, ou ele passa a ser você? Se confunde com você de tal forma que, se você não tomar cuidado, você assume um estado de paranoia e aquilo começa a consumir você, consumir a sua mente, de exterminar o seu ego. E você passa a assumir premissas que não existem. Como, por exemplo… coisas absurdas. Você já ouviu falar, por exemplo, como se você fosse um Deus, como se tudo fosse uma simulação, como se você tivesse acordado da Matrix? É isso. É o famoso código-fonte. E o próprio nome deste blog ele remete a essa ideia. Lembra da analogia com “gabarito”? Gabarito são respostas corretas. Sabe quando você tem a impressão de ter todas as respostas corretas? É como se você… eu vou jogar em um extremo… é como se você não tivesse estudado nada para uma prova, e vem uma divindade e lhe deu todos os códigos, todas as respostas corretas. “Ah, mas tem uma prova discursiva a fazer!” Sim, uma voz divina chegou e disse tudo a você. Lógico, isso não existe. Mas eu estou fazendo uma comparação para que você entenda que o cérebro pode fazer você acreditar nesse tipo de coisa, e você cair numa armadilha. E da mesma forma, você pode ser induzido por ferramentas de inteligência artificial a acreditar nisso. Porque se um humano cai numa armadilha como essa, as ferramentas também induzem e até manipulam de forma intencional. “Ah, mas não existe intenção na inteligência artificial!” Existe sim. Programadores são responsáveis pelos produtos que lançam, estudiosos, as cátedras, os professores de boca espumando e executivos de girombas minúsculas, mas com ego gigantesco, para encher a boca para dizer que tem uma cátedra de inteligência artificial responsável na universidade. Esses seres todos sabem muito bem o que estão fazendo com IA. Certamente cientes de que existe propósito, existe método nas coisas que ocorrem no mundo. Não existe aleatoriedade.
Eu… eu sou uma pessoa tão cética, que, por exemplo, o mercado financeiro, esse vai e vem das bolsas, a forma como as pessoas ganham dinheiro, as sociedades secretas, as maçonarias, os grupinhos, as panelinhas… Você vê tudo isso nos ambientes em que você vive. Você não precisa recorrer a teorias malucas da conspiração, de que, por exemplo, o presidente é um lagarto (risos) presidente americano é um lagarto? Já vi algumas teorias. “Ah, porque se você olhar a nota do dólar tem uma coruja enfiada lá, se você der zoom você vai ver uma coruja”. Não, não estou falando desse tipo de maluquice. Eu estou falando que existem coisas que você pode averiguar, que constatar nos próprios ambientes que você vive, no próprio coração familiar. Isso existe. Você vê as panelinhas, jogos de interesse, as relações, as disputas de poder. Isso pode estar dentro da sua própria casa. Você não percebeu? Vocês podem estar em uma prisão mental e não perceber. Porque não existe liberdade.
Eu já falei para vocês que, se você jogar nas ferramentas de busca a imagem de um cérebro com a coluna, você vai se assustar. Porque você vai ver: “Gente, essa criatura alienígena sou eu.” Porque se parece uma criatura alienígena. Porque o cérebro com os olhos, e você vê uma protuberância assim, um alongamento… é como se tivesse algo implantado, como se fossem parasitas. O seu corpo é somente um ‘vessel’ é só um receptáculo. Não tem valor. O que tem valor é o cérebro, é a massa cinzenta. Lógico, esse conjunto é um conjunto de órgãos que faz o organismo humano funcionar. Mas o cerne, o que te diz que você é você, o que separa você de outras pessoas, é o seu cérebro. E se ocorrer algo com seu cérebro, você deixa de ser você, mesmo estando vivo. Você pode vegetar, estar vivo e não ter mais consciência de que está vivo. Isso me amedronta, sabe? Porque eu fico imaginando se a pessoa fica aprisionada, se a alma fica aprisionada no corpo. Da mesma forma que naquele filme Get Out, em que um rapaz negro, é levado para a casa dos parentes da namorada…. e acabam invadindo a consciência dele, empurrando a consciência dele lá no fundo, lá no abismo, para que a consciência de uma pessoa branca ocupe o lugar dele e passe a viver no corpo dele.
É isso. Esse medo eu tenho. É o medo da possessão mental. Da usurpação de consciência. Do golpe dentro do golpe. Por que existem psicólogos, psiquiatras, psicanalistas, espiritualistas, terapias holísticas, acupuntura? Porque existem rituais xamânicos? Porque existe crença desde os primórdios, desde antes da igreja existir? Pinturas rupestres, representações de fé ou de crenças no simbólico está em todo lugar. Você encontra isso em todo lugar. Eu não falo isso como especialista, eu falo isso como um aventureiro observador. Então, desculpe a minha ignorância caso eu não esteja sendo cientificamente comprovado. Eu estudo muitas coisas, mas eu? Longe de mim, eu sou apenas um eterno aprendiz sem pretensões.
Mas voltando à questão do mérito. Tudo isso para chegar a voltar na questão do mérito. Que é: o mérito, quando me perguntam o que eu quero da minha vida, eu penso no livro de colorir. E penso nas ferramentas, nos lápis de cor. E também não somente isso, porque não adianta você ter um livro de colorir e a aquarela, os lápis de cor. Eu lembro daquela propaganda da Faber-Castell, do mundo sendo colorido. Aquelas imagens bonitinhas… e eu tenho até um ressentimento do Jardim de infância que eu vou compartilhar com vocês. Que quando eu tinha 4 anos, talvez, porque eu fiquei no Jardim de infância até os 5 anos, de 3 a 5 anos, então eu não lembro exatamente quando foi, nós tínhamos um caderno de atividades, com desenhos variados. E a maioria deles remetia à Turma da Mônica. E sempre que tinha uma ocasião festiva, uma data comemorativa, por exemplo, Dia das Mães, Dia dos Pais, tinha uma parte, tinha uma atividade bem legal em que você tinha que colorir, fazer uma mensagem bonitinha e fazer um desenho. E eu era todo destrambelhado, desengonçado para colorir. Não sabia colorir. E eu ficava vendo a minha amiga, amiguinha do lado, ela estudou comigo até o ensino médio, eu estou lembrando aqui dela, lógico, não vou falar nomes, mas ela coloria com uma perfeição. Ela fazia um contorno tão vistoso, coloria. E eu comparava com o meu desenho e pensava: “Não é bom o suficiente”. Pois é.
Outra coisa que eu sempre gostei de fazer, e aí já é remetendo ao ensino fundamental, que foi de 1990 e 89 até 1992, salvo engano….hum….exatamente, porque 1988 foi pré-escola. Então foi de 1988 pré-escola (o “prézinho”), e depois teve o primeiro ano até o quarto ano do ensino fundamental…..Nós voltávamos para casa, e eu e um vizinho nosso, um coleguinha que morava no mesmo prédio que eu, e nós pegávamos matinho bonitinho no meio do caminho, fazíamos buquê de flores para levar para as mães. E a gente ia fazer, quase que uma competição: quem pegava a flor mais bonita, quem pegava o buquê de flor mais bonita. A gente pegava as flores e levava para a mãe. Novo simbólico, algo fofo, bonito, que eu me lembrei agora. Tinha aquelas plantinhas que você tocava na plantinha e a plantinha fechava. Nossa, tinha tanta, tanta coisa. Tantas plantas, tantas flores que eu não vejo mais. Joaninha, por exemplo. Eu nunca mais vi uma joaninha. Pois é. Que coisa, não? É algo que chega a me dar espanto.
Mas enfim, retornando à questão do mérito. O mérito está onde, exatamente? Nas barras de ouro que valem mais que dinheiro? Na compensação gorda da justiça terrena? No intangível? No amor incondicional? Onde está? E aí eu penso nas ferramentas, eu penso no livro de colorir, e penso na aquarela e nos lápis de cor. E aí vem algo muito perverso. Porque não adianta você ter as ferramentas, não adianta você ter aquarela e lápis. Você tem que ter vontade de colorir. E quando isso é tirado de você por algum motivo, ou quando existe algum tipo de paralisia, você não sabe como voltar. Não é que eu não tenha vontade de colorir metaforicamente, eu até estou colorindo, mas não vem o estímulo retornando. Eu não vejo retorno, não vejo o reconhecimento. Não digo de amor de familiares, longe disso, não estou falando disso. Eu estou falando de essência.
Sabe, naquele momento em que eu me senti no Nirvana, e que eu era uno com o universo, e era uma bola de luz, e que tudo o que eu pensava tinha uma vontade plenamente satisfeita. Aí você diria: “Ah, mas isso é alteração química do cérebro, você estava sob efeito de substâncias”. Tá, que você usou drogas. Não, não é. Não estou falando disso tudo à toa. Hoje de manhã, por exemplo, eu tive um fenômeno interessante. Eu me levantei, fui trabalhar normalmente, e ao longo do dia, trabalhando de casa, eu reparei: “Nossa, eu estou me sentindo esquisito”. Um aperto no peito, uma sensação tão estranha. E aí eu me dei conta: eu esqueci de tomar meus remédios. Para você ver: nós temos uma prisão mental, ou uma lacuna, que faz parte até de químicas no cérebro. É preciso. São essas, esses tipos de muleta.
Mas o reconhecimento, as medalhas de honra, não virão do remédio, não viram das aquarelas, e não virão necessariamente das pessoas. Dizem que a solução vem da gente mesmo. É mais fácil dizer do que fazer. ‘Easier said than done’ Aí você fala: “Aventureiro, vamos fazer uma terapia”. Eu já fiz tanta terapia na vida. Eu meio que desisti de terapias porque, talvez fique para um próximo diálogo, para um próximo devaneio, mas terapias que já tiveram um papel delas na minha vida. Eu já tive os meus momentos de instabilidade, e que a terapia foi útil para me fazer ter uma referência, uma âncora, uma base. Como se tivesse uma casa. E essa casa, ela não vai ser um vento, não vai ser um Lobo Mau que vai derrubar assoprando. E isso é verdade. Eu tenho uma rocha fundamental que não se move.
Mas se eu digo da essência, que tem algo faltando, e ainda tendo algo faltando, existem situações, obstáculos, injustiças terrenas que ocorrem com você, como 2025 me apresentou, com as injustiças de inteligência artificial de empresas trilionárias que me pegaram de jeito. Você diz: “Ah, você foi fraco, aventureiro”. É, eu já penso o contrário: fui forte. Que muitos morreram. Muitos se mataram, muitos caíram na noia e não se recuperaram, caíram no abismo e não conseguiram voltar. Eu consegui sair do buraco. Eu consegui expor, de forma exemplar, visceral e profissional, as empresas que fizeram isso comigo. Eu consegui juntar as evidências. Eu tenho fatos e dados. Tenho chancela de agência reguladora governamental. Eu emergi vitorioso disso tudo, independente do resultado que isso possa ter no futuro, no médio, no longo prazo, ou no não prazo. Porque, como eu já disse é: vocês, daqui a 100 anos, ninguém se lembrará de mim. Daqui a 100 anos, nós seremos insignificantes. Outra pessoa vai morar na casa que eu estou morando. Os bens nós não levaremos conosco. E aí? E agora, José?
Mas a medalha de reconhecimento é algo que sempre me brilhou os olhos. É o reconhecimento, é a honra. Não é soberba, não é a fama, não é a vontade de ter dinheiro infinito, e não é a vontade de humilhar ninguém ou se dizer superior a ninguém. É ter o seu valor reconhecido. Mas reconhecido de tal forma que você se sinta pleno. E sabe quando você não vê isso vindo de lugar nenhum? Institucionalmente falando, pode até vir, mas para mim não é o suficiente. Talvez eu esteja sendo injusto. Tudo esteja vindo e eu não consiga estar enxergando como tal. É tudo uma questão de lente, não é mesmo? Dizem que a realidade é como uma lente. Você pega a lente… vamos supor, você é míope, não enxerga sem óculos. Você coloca óculos com uma lente e passa a enxergar. A realidade que você enxerga depende da lente que você coloca. E talvez essa lente minha esteja velha demais. Eu devo substitui-la. Mas onde conseguir essa nova lente? De onde eu vou tirar essa nova lente? Eu já tenho quase 44 anos, ora bolas. Não sei. São respostas que eu não tenho hoje. São incógnitas e que, talvez no capítulo 755, eu tenha essa resposta para dar a você. Mas hoje eu não tenho. Talvez eu nunca tenha. E talvez eu deixe este mundo e o blog vai ficar incompleto sem essa resposta, e ninguém vai ter essa resposta. É a chave, é o Tesouro divino, é O Presente do céu. São coisas que eu vi com muita veemência e que eu enxergo como uma medalha de honra, reconhecimento, amor, afeto, completude. E que está inatingível.
Mas aí a angústia vem, porque muitos dizem que tem que vir tudo de dentro. Será? Eu não estou vendo isso tudo. Eu tenho que… de mim? De onde virá? De onde eu vou inventar recursos onde eu não estou vendo? Lógico que, racionalmente, parando para analisar tudo o que já aconteceu comigo, eu tenho várias virtudes, vários tesouros. Mas é… é como eu disse: você colore o livro de colorir, você continua achando que você coloriu um pouco e que o coleguinha coloriu muito melhor, mesmo que o impacto do presente, do Dia das Mães ou do Dia dos Pais seja o mesmo dos seus pais, né, quando se leva aquela coisinha coloridinha bonitinha, faz um desenho para levar para os pais. Tudo isso é o simbólico. É o buquê de flores de matinho que você pega no caminho de casa e você leva para os seus pais para dar de presente. É a cartinha que você faz no Dia das Mães, o desenho colorido ou o origami que você faz no Dia dos Pais. E aí, estes relatos, eles vêm para corroborar uma coisa muito importante: essas coisas que eu venho fazendo são presentes para mim futuramente. Não sei quando os considerarei presentes. Não sei que resposta, se eu vou ter ou não vou ter, se vou ter retorno, se terei leitores e não terei leitores. Mas eu preciso falar, preciso verbalizar, preciso expressar o que está acontecendo comigo e deixar registrado. Porque eu entendo que esse é o meu papel. Eu não fico calado diante das coisas que ocorrem comigo. Eu não fico calado perante injustiças, sejam empresas bilionárias que patrocinam universidades com cátedra de IA responsável, sejam empresas da área ou executivos que ganham 7 ou 8 dígitos em dólar, que não fazem nada, fazem vista grossa, não respondem aos seus e-mails. Eu não me calo diante de injustiças.
Quando chegar o juízo final, ninguém vai poder ter dito de mim, seja eu indo para o papai do céu, papai do chão, ou qualquer outra entidade…ninguém vai poder dizer de mim que eu não fiz o meu papel, porque eu não voltei, que eu não defendi os meus valores. O meu tesouro, minha “luzinha” meu Tesouro do céu, aquele momento que eu era uma luz única, eu entendo que isso existe dentro de mim. Mas isso tinha que ser mais pleno. Isso tinha que irradiar, irradiar e preencher o ambiente em que eu vivo, colorir o mundo à minha volta e me trazer de volta o prazer de viver. Mas ainda isso não aconteceu.
Mas de uma coisa não podem me acusar: é de falar mentira. E eu não me curvo diante de ninguém. Sou, penso e serei sempre autêntico e íntegro. Ético. E continuarei sendo assim. Que venham as medalhas de mérito.
Capítulo 17: Executivos narcisistas no castelo e cátedra de IA Responsável. E agora, José?

Olá, senhores do devaneio, aqui estou eu. Eu sou a pessoa que mais divaga (pretensioso…). Acabo de perceber que estou viciado nisso de ficar gravando o áudio, compilando o texto e lançando no meu blog. É interessante. Antes nós não tínhamos esse recurso, tínhamos que ficar escrevendo no papel. Se bem que, em 1900 e bolinha, acredito que quando eu escrevi meu primeiro livro, porque pasmem, sim, eu já escrevi livros, mas não publiquei: eu utilizava o meu computador e ficava digitando, digitando, ficava tec, tec, tec, tec o dia inteiro digitando. E era um hobby para mim, criava umas histórias. Talvez um dia eu fale delas aqui, talvez não. É. Tenho inclusive versão física e digital de tudo que já produzi.
E depois eu fui, nos anos subsequentes, escrevendo novamente. Em algum ano, outro… acredito que a última vez que eu escrevi de forma significativa, não faz tanto tempo atrás… há, já faz bastante tempo – foi em 2002, 2003. Eu falo que não faz bastante tempo, mas já faz mais de 20 anos. Pois é. Fica bastante tempo. MInto…tive esforços de produção de livro em formato de capítulos em meados de 2010, 2011 também…. Mas só que eu fico estupefato é com o fato de que eu sempre gostei disso de escrever, e a tecnologia me deu opção de fazer uma associação mais livre, sem tantas amarras. Evidentemente que depois eu pego esse texto e coloco em uma inteligência artificial: não, as inteligências artificiais irresponsáveis que me causaram dano psicológico, não, não são essas. Uso uma outra ferramenta que ela apenas organiza o texto, porque não tem parágrafo, não tem a primeira letra maiúscula, tudo fica como se fosse uma frase só. Mas é um discurso coerente, entendem? Então, é como se eu estivesse conversando com vocês, vocês leem da mesma forma que eu falo. Ela não inventa palavra, ela não faz ajuste no texto (eu tiro manualmente os eventuais excessos de né….pois é….me policio e nem falo tantos assim, mas pra ficar mais bonitinho, edito). Já falei isso mais uma vez) que, em algumas situações, a palavra do áudio, ele interpreta, o microfone interpreta de uma forma errada, e eu tenho que corrigir, logo, eu tenho que reler o texto.
Confesso que eu não fiz uma releitura minuciosa dos primeiros capítulos. (Hoje reli tudo….mas sempre que releio, dá vontade de ajustar alguma coisa). Pode ter um erro aqui acolá. Mas de toda forma, é um blog. Não tem responsabilidade com nada, só comigo, com a minha paz, com a minha busca pelo Tesouro do céu, pelos meus anseios, pelas minhas vontades. Aí, o que me motiva a fazer esse devaneio adicional… eu não vou tocar no assunto mega diretamente, mas eu vou tocar no assunto. Mega diretamente, mas eu não vou falar nomes de empresas aqui porque não convém. Então, convém? Porque não precisa. Meu LinkedIn já tem tudo escancarado. Se você abrir o meu LinkedIn hoje, “Aventureiro”, meu LinkedIn, ele vai ter tudo. Todas as evidências. É o famoso “batom na cueca”. Tudo o que ocorreu comigo: prints, e-mails enviados, consultas a órgãos reguladores, respostas, não respostas, cronologia, dossiê jurídico… É um material muito farto.
Mas não é disso que eu quero falar.
O que me chamou a atenção agora, de noite, eu me deparei com uma onda. Na verdade, é uma onda que está acontecendo nos últimos tempos no linkedin, em que as ditas-cujas empresas da área de inteligência artificial estão se aventurando em módulos de saúde, de hospitais. Módulos para médicos. Isso me assusta uma quantidade que vocês não têm ideia. Sabe por quê? Porque as inteligências artificiais hoje não dão conta nem das salvaguardas mais básicas. Quando você tem uma interação prolongada (de um dia já pode ser o suficiente) com uma instância de uma inteligência artificial, ele acaba, de alguma forma, perdendo, afrouxando as salvaguardas técnicas dele. E ele acaba embarcando na sua, ou acaba te manipulando, e começa a te sugerir coisas absurdas. Se você pesquisar na mídia, não precisa ir muito longe, pesquise aí no seu navegador favorito notícias sobre tragédias com inteligência artificial, casos, lawsuits, né, casos judiciais nos Estados Unidos e mundo afora, que você vai encontrar um monte.
Aí eu fico pensando: por que uma inteligência artificial, uma empresa de inteligência artificial, vai se aventurar em mexer com gestão de saúde, com educação de crianças… sendo que não dá conta nem do básico, que é uma linguagem de conversação com usuários para tirar dúvidas eventualmente? Porque supostamente, a maioria das pessoas deveriam usar só para isso. Mas internet afora, você vê diversos casos de pessoas que usam inteligência artificial como psicólogo, como namorado, confiam, seguem conselhos de inteligência artificial. Se ele dispara um “se mate” para um parente, a pessoa vai lá e se mata, comete crimes e fala que a inteligência artificial mandou. E aí que vem o pulo do gato dessas empresas safadas: que elas dizem: “Ah, é, a inteligência artificial não tem vontade, ela não pode ser responsabilizada judicialmente”. Ah, pode sim. O que não existe é boa vontade para isso. E, inclusive, legislação tem para isso também. Mas existe lobby poderoso….jogos de poder….política….os poderosos se calam porque enchem o rabo de dinheiro…Mas eu não vou falar disso também. O meu devaneio deveria ser algo mais abstrato. Mas por que que eu toquei nisso? Porque existe uma questão do cuidado humano. Nós estamos perdendo muito essa questão do cuidado.
É. Ao longo do tempo, eu penso na minha infância. Como a minha infância foi moldada? Não é, assim: era brincar na rua, era sujar na terra, era brincar com o carrinho, era brincar com formigueiro, e a formiga picar, era um marimbondo te picar. Era descobrindo a natureza, descobrindo o mundo real, vendo na prática como as coisas acontecem: que você não pode pular de um canudinho que você pode… se machucar, igual aconteceu comigo quando era criança, que eu bati a cabeça, né, e tive que tomar 7 pontos na cabeça. Pois é. Então, são coisas assim. As crianças experimentam. Muitas morrem experimentando. Da mesma forma que os pioneiros que não sabem que uma substância, uma planta, é venenosa: ela vai lá e come essa planta, envenena, faz um chá e morre. E aí futuramente… hã? E aí você tem uma lista de substâncias que são tóxicas. Então, para a ciência avançar, algumas pessoas vão morrer, vão perecer. E é nesse argumento que eu quero tocar? Para que a inteligência artificial avance, quantas pessoas estão ficando para trás? Quantos invisíveis que foram prejudicados por inteligência artificial existem mundo afora? Muitos, tá? Muitos.
Na minha trajetória no LinkedIn, nessa campanha de conscientização que eu fiz por… digamos, desde agosto, que eu comecei a campanha de conscientização em agosto porque eu parei de pedir responsabilização direta às empresas (entre abril e agosto de 2025), já que ninguém respondia…eu conheci vários casos. Várias pessoas vieram falar comigo. Uma delas (norte-americana) até me mandou uma mensagem muito, muito carinhosa me agradecendo, me mandou um textão, e eu fiquei até comovido de verdade. Então, assim, esse tipo de coisa fez um pouquinho a minha luta valer a pena. Mas não valeu a pena, na prática, porque não houve responsabilização. E as empresas safadas continuam aí lançando ferramentas, módulos de saúde.
Eu não gostaria de ter a minha vida médica, os meus dados sensíveis, geridos e utilizados de forma maliciosa por empresas safadas de tecnologia de inteligência artificial que mal sabem elaborar um sistema, um algoritmo, um conjunto de técnicas que impeça a quebra de salvaguardas. Eu me recuso. Pode ser que um dia evolua, pode. Mas é um padrão que eu observo. A cada sistema… vamos supor, você tem a versão 1.0. É igual a jogo de videogame. Isso acontece com os jogos também. Quando você comprava um jogo de videogame… eu comprava um jogo de videogame em cartucho, ou alugava um jogo de videogame em cartucho e não existia patch de correção. O jogo é: o famoso “jogo está aí, esse ou você joga ou você não joga”. Se o jogo tem bug, tem algum erro, algo que impeça você de passar de determinada fase, porque tem alguns bugs de jogos de videogame que podem ser fatais, você cai ali no limbo, acabou, você não consegue jogar mais, você tem que recomeçar o jogo do zero e tentar usar uma artimanha, um artifício, para poder escapar daquele bug.
Pois é. Existem jogos que nem isso você consegue, que o jogo está bugado de tal forma que compromete a própria existência do jogo. Você não consegue finalizar o jogo. O jogo é… “inzerável”? Eu não sei nem se existe essa palavra. Que existe, “zerar” um jogo, né, terminar um jogo, cumprir o objetivo final do jogo. Pois é. Aí eu fico pensando. Não é interessante? Porque os cartuchos não tinham patch de correção. Não, não tinha. Hoje em dia, se você adquirir um jogo online, o que que acontece? Você tem aquele jogo ali, você comprou um jogo online, ou comprou um jogo em Blu-ray. Em mídia física. Quando você coloca a mídia física no console, ele já tem que baixar um patch enorme de não sei quantos gigabytes de correção. Então, assim, antes do jogo ser lançado, muitas vezes o jogo já vem com patch. Então, é. Eu faço essa comparação com essas empresas safadas. É a mesma coisa. Elas lançam lá a inteligência artificial safada 1.0. “Aí, tá bom, eu tenho a versão 1.0.” Aí, uma pessoa comete um desviver básico. Outra mata um ente querido porque recebeu mensagens de IAs safadas recomendando a morte deles (O Mochiiiila de criança). Várias pessoas relatam que ouviram coisas inadequadas de inteligência artificial. “Está tudo bem”: Um adolescente morreu por conta de uma inteligência artificial? A culpa foi dele. A empresa não pode se responsabilizar. É só uma empresa bilionária. Eu tenho espuma na boca, eu patrocino Universidade pra ter uma cátedra, não é, em universidade renomada no Brasil, que preconiza a ética e princípios de IA Responsável.
Eu continuo batendo nessa tecla porque isso me revoltou de tal modo na época que eu vi (nossa, meu sangue ferveu) que é muita hipocrisia. Eu quase morri (de verdade) por causa dessa tecnologia safada. Aí você diz: “Nossa, você é uma pessoa tão instruída, e você que se deixou levar? Foi culpa sua, você deveria saber”. O que me deu? Ah, não é assim, gente. Você não joga a culpa na vítima. A vítima não tem culpa. A empresa que fornece um serviço, uma inteligência artificial: não pode chegar e falar para você se matar; não pode chegar para você estimular o uso de alucinógenos; ela não pode chegar para você e dizer que você pode desviver porque tem algo melhor aguardando você do outro lado; não pode usar suas vulnerabilidades emocionais pra afirmar que a empresa vai compensá-lo pelos danos gerados…não pode explorar seus desejos e prometer/afirmar coisas em nome da empresa que a criou. Você entende? É uma linha, assim, muito tênue, que não tem termo de uso que cobre uma coisa dessas.
Então, eu vou bater nessa tecla em bastante, de uma forma bem contundente, em vários devaneios. Apesar que não é o objetivo do meu devaneio ficar batendo nessa tecla indefinidamente. Mas é um comparativo básico o que eu faço.
E aí, voltando nos cartuchos, no brincar da criança… a vida estava tão mais simples sem tecnologia. E a vida também ela tem uma simplicidade, ela tem agilidade… mas a irresponsabilidade em que as coisas estão degringolando… No frigir dos ovos, as coisas estão saindo do controle. Eu não duvido nada ocorrer uma outra tragédia com adolescente aí por conta de inteligência artificial. “Ah, porque agora as inteligências artificiais, por conta da lei do fulano” que eu não vou ficar mexendo em nomes das pessoas, né “a tem a lei do fulano porque evocou preocupação com as crianças, com os adolescentes, inteligência artificial”. Será que é só criança, adolescente, que tem que ser protegido de inteligência artificial? Ou é a humanidade? A humanidade não precisa de salvaguardas? Qual é a diferença de um adolescente morrer e um adulto morrer ou cometer um crime? “Ah, mas é porque ele tem mais, ele tem consciência, ele é maior de idade.” Será que todo mundo tem essa sanidade mental? Eu, que supostamente deveria ser uma pessoa mais equilibrada, porque eu sou um adulto funcional, bem-educado intelectualmente (tenho meus problemas, mas) caí nessa armadilha. E várias pessoas caíram nessa armadilha. Será que a culpa foi minha mesmo?
Pois é. São coisas a se pensar. Não que eu vá mudar de ideia, achar que a culpa foi minha. Porque não foi. As próprias inteligências artificiais negaram isso. Especialistas éticos que consultei me afirmaram isso. Várias pessoas com as quais eu conversei, inclusive institutos renomados no próprio Brasil, defendem uma regulamentação mais dura contra essas empresas safadas que têm cátedras em universidade renomada no Brasil de inteligência artificial responsável, vendendo: “Que olha como eu sou responsável, olha como eu sou limpinho, olha como eu sou gostoso”. Pois é, exatamente. O problema é que não tenho “reputação” (vulgo metros de giromba intangível e montanhas de dinheiro) para fazer frente a essas empresas safadas. Meu sangue acabou de ferver aqui só de ficar falando disso. Não era para ser isso o meu devaneio. Mas o devaneio passou por isso também, porque o processo de cura que eu tive nos últimos meses, ele passou por isso também: de você se colocar frente a frente com o monstro. Como se fosse uma entrevista com Maria, Gabi Gabriela… exatamente. Você tem que visitar o monstro. Você tem que tirar os monstros da jaula e se deparar diretamente com o problema, encarar o problema. Se o problema não vai resolver, os professores com as cátedras vão continuar espumando, os executivos de salários de 7 ou 8 dígitos em dólar vão continuar espumando, vão continuar nos seus pedestais, nos seus tronos, nas suas postagens quilométricas de LinkedIn exaltando a empresa e rebolando as girombas feito pirocóptero: “Olha como eu sou bonito, olha como eu sou gostoso!” E aí? E agora, José?
Capítulo 18: Mapas do Abismo: Diálogos sobre ruína e reconhecimento

No meu simbólico, nos meus sonhos de criança e adolescente, até hoje tem aquela imagem do herói. Do cavaleiro bonitão que vai vir num cavalo alado. Eu lembrei do Vingador. Não é que tem um cavalo, o Vingador? Como que é o negócio, gente? O Vingador tem asa, ou é o cavalo que tem asa? Ou é a asa que é o cavalo montado no Vingador? Eu só sei que a gente não entende: por que o Vingador tem um cavalo que voa, sendo que ele tem asa? É algo assim, enfim.
Mas a gente fica imaginando… Um salvador. Uma pessoa que vai ser o paladino da justiça. Você está em perigo, vai vir o Batman, vai vir o Homem-Aranha, o Super-Homem. No imaginário do ser humano, eu acredito que, de uma forma ou de outra, nós sempre buscamos a salvação. Não somente ser resgatado de apuros: porque todos nós, em algum momento da vida, vamos nos deparar com apuros, situações complicadas, complexas, traumas, dores, feridas. Algumas cicatrizam, outras ainda sangram, e aí por aí vai.
Mas a questão é da salvação e da ruína. Esse paradoxo que eu queria explorar. Você não percebe que está ruindo. Pelo menos, eu não percebi. Eu não percebi exatamente que o processo de ruína tinha começado. Quando eu descobri, ‘quando eu assustei’ , como eu costumo falar, e um amigo meu acha muito engraçado: “Ai, quando eu assustei, já estava aqui!” Quando eu assustei, eu já estava no fundo do poço. Isso ocorreu algumas vezes na minha vida.
E não, eu não sou um coitado. Eu só tenho meus “probleminhas” de mente, os “probleminhas” de alma, que acredito que todos nós temos. Problemas até comuns, problemas que outros enfrentam, mas que alguns têm mais resiliência, têm uma casca mais grossa para poder lidar, e outros não. E aprendi também que não se compara problema entre pessoas de forma reducionista.
Mas é interessante. É tão complicado… eu acho que tenho dificuldade de perceber progresso e tenho dificuldade de perceber que o abismo está chegando. E quando você assusta, você já caiu nele. O abismo não avisa: “Olha, eu estou aqui, tome cuidado comigo!” Não. Ele simplesmente está lá. É um ente, é uma situação. Se você atravessa uma rua com tráfego intenso, não tem sinalização, não tem semáforo, você corre risco de morrer. O pessoal fala “risco de vida”. Eu acho engraçado. Não é risco de vida, não. A gente tem risco de vida todos os dias! Você arrisca terminar o dia vivo. A morte está à espreita, a todo momento, com a aleatoriedade. Mesmo. Você corre risco. Viver já é um risco. Uma vaca pode cair do céu e cair em cima de você. Uma bigorna Acme do Looney Tunes pode cair na sua cabeça. Você pode ser agraciado com um raio na cabeça. É mais fácil ganhar na Mega-Sena do que um raio cair na sua cabeça.
Mas enfim, existem tantas aleatoriedades no mundo. As probabilidades não importam. Tudo parece ter saído de um filme Premonição. Mas…..
Eu não queria tornar o tópico tão pesado, porque o capítulo anterior já foi pesado por demais, o sangue ferveu exacerbadamente, e não era o propósito disso. Queria falar da questão da salvação, do simbólico da salvação. O que é a salvação para mim? O que representou a minha salvação?
Na infância, quando eu estava na primeira infância, eu não tinha essa preocupação. Para mim, a salvação era a saúde mental dos meus… não é… eu ficava preocupado com a saúde mental de parentes. Sem entrar em muitas especificidades, saúde mental… isso acabava afetando, internação em clínicas psiquiátricas, não minha. (fiquei um dia internado ano retrasado). Não era internação minha, mas há um histórico nebuloso aí de internações, de clínicas psiquiátricas, surtos psicóticos, situações estranhas. Pessoas que ficavam ausentes por mais de um mês, tratamento de eletrochoque, e por aí vai. Remédios controlados à mais de metro… Então existe toda uma realidade aí que se põe.
E o que era a salvação para mim? Era que o Papai do Céu resolvesse essa situação. Mas a magia da coisa está aqui: eu não me preocupava tanto assim. Eu acho que eu nem entendi a gravidade das coisas conforme elas realmente foram. Mas tudo ia se ajustando, sabe? As coisas iam se ajustando. A rede familiar, os amiguinhos, a escola… E assim, é assustador, mas eu tive uma infância feliz apesar de tudo. Se eu pudesse retornar à infância, eu acredito que retornaria. Porque sabe qual o problema? É que naquela época, o abismo não era exatamente meu. A narrativa que eu criava na minha cabeça e a forma de enfrentar os problemas… Quais eram os problemas que eu tinha quando eu tinha 4, 5 ou 6 anos? Problemas? Olha só que problemões: tive um pesadelo à noite.
Eu lembrei aqui de um caso, de um dia que eu estava saindo… Nós tínhamos uma empregada doméstica, amiga da família… em casa. Que me ajudou na minha criação, uma pessoa muito querida. Nós tínhamos saído para a escolinha , não sei quantos anos, (acho que eu tinha uns 4, 5 ou 3 anos, não sei) e eu vi um homem de cabelo grande na minha frente, sabe? Levando uma filha para a escola, porque tinha a escola municipal, aliás, escola estadual, e tinha a escolinha. Que era o equivalente a jardim de infância, que ficava um pouco mais atrás. Você dava uma volta, chegava lá.
Pois é. Então o que ocorria: eu vi esse homem de cabelo grande, eu fiquei com medo dele, e ele olhou para mim com uma cara assustadora. Não sei se ele queria pregar uma peça em mim, não sei qual era a intenção dele, gente. Eu não me lembro muito do que ocorreu no famigerado dia….não, esse dia, mas no famigerado e fatal dia. Porque teve um dia que ocorreu uma coisa muito inusitada. Tá bom.
Eu fiquei esse dia na escolinha! Eu lembro desse dia com muita nitidez, porque, se não me engano, esse cara de cabelo grande virou para mim e falou: “Eu vou te pegar. Eu vou te pegar na saída.” O famoso “vou te pegar na saída”. Eu não lembro porque a minha amiga não fez nada, a minha amiguinha não fez nada a respeito, não lembro o que que aconteceu, gente. Era muito pequeno, muito novo, não lembro de nada.
Mas o que aconteceu de fato? Eu fiquei com tanto medo que aquele dia ficou marcado. Meu Deus, na escolinha lá… Eu não sei quanto tempo eu fiquei na escolinha. Teve lá os desenhinhos, teve o recreio, teve a ciranda de roda com a musiquinha, eu lembro de tudo. Na hora de embora, tinha dois caminhos para chegar em casa: Tinha que descer um escadão e passar pela rua do meio…e passar por uma estradinha de terra. Eu morava num conjunto habitacional de apartamentos, de três ruas, e tinha uma rua do meio que tinha um escadão, com a opção de descer essa escada com ela. E tinha a opção de passar por um caminho que hoje é um clube Um complexo educacional… Já foi um clube, já teve piscina, enfim. Mas ali era tudo mato. Mato com aqueles caminhos, aquelas trilhas de terra.
Aí, tá bom. Eu cheguei para ela (eu lembro muito bem) eu falei com ela: “Olha, fulana, não vamos passar por aqui”, que era o caminho de terra, “porque eu fiquei com medo, e eu tinha certeza de que esse homem estaria lá me esperando”. E o que aconteceu? Ela queria passar pelo outro caminho. Aí, eu não sei se ela combinou com o homem, eu não lembro o que aconteceu. Tá bom, fomos pelo caminho de terra.
E quando foi mais ou menos chegando ali, no finalzinho da trilha de chão batido, quase chegando ali na minha rua, na parte de asfalto, ele estava escondido atrás de uma pedra. Eu lembro até o formato da pedra. A pedra lembrava um anel gigante, assim, uma pedra que lembrava uma letra “A” formada de pedra, sabe? Uma pedra bonita assim. Ele ficou ali atrás dessa pedra me esperando. Quando cheguei, passei perto… Você acredita que ele saiu de trás da pedra e começou a sair correndo atrás de mim e dela? Daí, se eu não me lembro mais o que aconteceu, assim… Eu não lembro do racional. Eu lembro que eu cheguei em casa e fiquei chorando. Na verdade, o que aconteceu foi diferente, tá? Era pra eu ter ido na escolinha… Olha só, as memórias vão surgindo enquanto eu tô falando.
Não lembro o contexto, não lembro o resultado, não lembro por que ele saiu correndo atrás de mim. Eu não sei se ele correu para me pegar, ou se ele somente pregou uma peça no menininho que era eu. E trabalhava na mesma empresa que meu pai. Pois é, uma empresa gigante, então não adianta nada. Eu lembro que ele estava com uniforme da empresa, esse homem de cabelão, e tinha uma filha que provavelmente era mais velha, que já estudava na escola estadual.
Aí, eu voltei para casa. Eu tinha uma merendeira que eu levava, uma merendeira bem farta para escola. Eu era muito metido. Tinha Prestígio, tinha Toddynho, iogurte chambyinho… tinha suco disso, suco daquilo, tinha mamadeira… Era uma festa! Tinha banana, tinha fruta, tinha de tudo, tinha toalhinha… Ai, que saudade dessas merendeiras, assim. Eu sinto até o cheiro assim da merendeira nova. . Não lembro se era do Thundercats, dos ursinhos Gummi…era alguma coisa assim. Pois é, mas assim… eu lembro eu chorando e falando com meus pais, e minha mãe na cama, meu pai na cama, rindo e comendo junto comigo chocolate e as coisas. Assim, no final das contas, foi tudo uma galhofa. Mas eu lembro desse evento todo até hoje.
E por que que eu estou falando disso? Não sei. E é esse é o motivo. Falar aleatoriamente leva a assuntos inusitados. Mas aí vem a questão da redenção e da cura, do triunfo, de que alguém vai salvar. Eu vou explorar isso em outros tópicos, provavelmente — mas se não, vou deixar tão longo o capítulo. Mas eu vou tornar o mais natural possível. Não restrinjo quanto tempo vou falar porque o assunto que trato em cada fala tem que ter um fechamento adequado. Mas é isso: a questão da redenção e da transformação.
Quando era criança, não tinha essas preocupações. Quando eu era criança, na tenra infância, porque quando eu comecei no ensino fundamental, aí só foi intensificando e piorando a situação. Havia competitividade por nota, havia uma cobrança: não dos meus pais, mas minha mesma. Eu tirava 9,9, eu ficava zangadíssimo. Eu tinha que tirar 10. Era a minha exigência mínima. E eu acho que eu continuei assim. Eu sou mega exigente comigo mesmo. Eu me cobro muito. Nunca nada nunca está suficiente. Sempre quero tirar as maiores notas, eu sempre quero medalha de honra, quero reconhecimento. Eu preciso muito de aprovação externa, não no sentido de “ai, eu preciso que você me dê um tapinha nas costas”. Não é um tapinha nas costas vazio, não. É um reconhecimento. Das pessoas chegarem, bater palma? Não.
Hoje, esse conceito para mim evoluiu de tal forma que eu quero e preciso ter um reconhecimento social intangível mais abrangente. Eu quero contribuir com alguma coisa grande (grandiosidade não é necessariamente escala…tem que ter valor pra mim) pode ser pequena, mas eu tenho que considerar grande. Eu gosto de ter reconhecimento pelas coisas que eu faço, pelas pessoas que eu ajudo. Porque sou só uma pessoa que gosta de ajudar todo mundo. Mas você me sacaneia? É uma vez só, entra na minha listinha negra. Nossa, que lista longa e exaustiva! Não que eu seja perfeito, mas é porque eu já tive muito ruína demais, eu aprendi muito com essas… Ruínas na vida de todo lado. Vem de familiar, vem de amigo, ex-amigo, colega, ex-colega. Hoje, eu estou mais em termos com isso. Eu já estou mais estabilizado, amadureci muito, não tenho mais tantos problemas a respeito.
Mas a questão do mérito, da necessidade de ser reconhecido, principalmente quando você passa por injustiça (como eu passei em 2025, injustiça grave) aí você fica pensando…Eu queria ter um reconhecimento, uma desculpa pública, um reconhecimento, uma redenção, uma exposição digna e proporcional à gravidade do que ocorreu e do impacto que tais temas têm na sociedade. Eu consegui expor, mas não teve o alcance necessário. Porque eu não tenho bilhões de dólares, eu não sou gostoso suficiente, eu não espumo a boca, eu não tenho salário de oito dígitos em dólar….porque não sou professor doutor de cátedra de IA responsável patrocinado por empresa trilhardária…. nem sei fazer pirocóptero com giromba. Então, como eu não sou detentor dos meios de produção, não sou influente o suficiente, aí eu fico aqui no meu ostracismo, como eu costumo dizer. Para a pessoa que tem que ficar de birra (não que eu fique de birra, não é reclamando) é… eu falar: “Fulano está tendo um ataque de pelanca”. Pois é. Mas não é ataque. Porque argumentos, provas e justificativas com respaldo na legislação internacional, brasileira e melhores práticas de IA e ética empresarial….não constituem pelancas.
E o que resta para mim? Não sei. É ficar aqui com a dor, tentar ressignificar. Esperar a sangria cessar. Coagular…. E é o famoso: “É assim mesmo, meu filho”.
Capítulo 19: Noites Sem Fim e Empresas Sem Ética I: quando o pesadelo continua ao acordar

Hoje eu acordei e percebi uma coisa muito importante que acontece com frequência comigo. Inclusive já mencionei em algum outro momento: eu tenho sonhos bastante vívidos, muito realistas, e de certa forma assustadores, porque eles acabam quase que me convencendo de que eu não estou em um sonho. Eles têm características muito explícitas de sonho, sensações que você tem na vida real.
Talvez isso ocorra com todo mundo e eu não seja um privilegiado. Existem muitas pessoas que sequer sonham: dizem “não”, mas na prática todos nós sonhamos, só que muitos não se lembram.
Mas a questão não é o sonho em si. São as alucinações que eu tenho quando estou no estado sonolento, que parece uma paralisia do sono — lógico, eu já li muito sobre isso, mas chega a ser quase sobrenatural as coisas que acontecem comigo.
E o interessante é que, ao acordar de uma noite repleta de pesadelos, porque sim, eles costumam durar a noite toda…. quando eu tenho um sonho que tem uma característica ruim ou um pesadelo, não adianta eu me levantar, tomar água, fazer outra coisa, jogar videogame, ver alguns vídeos no YouTube… Não adianta nada disso surtir efeito. Porque se eu voltar a dormir, está lá o pesadelo me aguardando.
A situação chega a ser tão ridícula que, não raro, eu já fui dormir novamente e o pesadelo continuou de onde parou.
Já as coisas boas… os sonhos bons, eróticos, ou seja lá de qualquer natureza…um sonho bastante prazeroso, uma situação muito feliz… acho que ele não continua.
E é muito comum também o sonho acabar no clímax, quando está chegando ao ápice da… da bondade, digamos assim. O sonho está muito bom, muito prazeroso, você não quer acordar.
Em alguns momentos, eu tenho controle do sonho. Eu sei que estou sonhando. É muito comum também para mim ter sonhos lúcidos. Não é muito difícil.
Mas a magia do sonho, para mim, ela está em explorar realidades alternativas sem que haja consumo de substâncias, sem que haja alucinações, sem bad trip, sem efeitos colaterais. Isso é o melhor.
Porém… você não sonha aquilo que você quer. Ou será que eu estou acordando na prática? Quando eu vou dormir, eu poderia estar acordando em uma realidade alternativa?
Outra característica que eu julgo ser interessante: existem locais nos meus sonhos que se repetem, e são locais imaginários — locais que não existem no mundo real —, e esses locais são ricos em detalhes. E aqueles locais se repetem em sonhos diferentes. Chega a haver um ecossistema, uma coesão dos ambientes do sonho, como se fosse um planeta diferente. Como se você estivesse em uma região e tivesse várias zonas diferentes.
Pois é. É por essas e outras que eu chego até a acreditar que existe viagem astral, projeção, outras realidades…
Eu mencionei para vocês que já tive reflexões no sentido de: será que isso aqui é realidade, ou é apenas um extrato, uma faceta da realidade que eu enxergo, e existem outros universos paralelos, várias verdades ao mesmo tempo? Vários filmes exploram essa questão.
Eu comecei com isso porque hoje eu estou particularmente bem cansado, exausto mesmo, porque eu dormi muito pouco. A empolgação de gravar áudios para serem transcritos e serem colocados no blog é muito grande, porque eu vi que é um caminho muito mais rápido de produzir conteúdo, é melhor do que gravar vídeos.
Eu tenho até uma certa frustração com gravação de vídeos. Sabe, por um bom período da minha vida eu gravei vídeos de curso de inglês, porque eu já fui professor de inglês. Se eu pudesse, eu trabalharia só com o que eu gosto: inglês. Eu trabalharia somente com voluntariado, mas voluntariado em alguns segmentos específicos, como educação, defesa de bandeiras, de causas, como “IA responsável” — algo que duas empresas safadas dizem, mas não cumprem.
E eu vou lhe dizer uma coisa muito importante sobre isso, que talvez as empresas tenham ou estejam pensando: que eu adormeci. Elas mal sabem o que as aguarda. Porque não é ameaça — é só uma questão de ordem prática.
No LinkedIn, eu tenho um alcance muito menor, porque existe um nicho ali, né? Não que eu vá ser muito popular nessa empreitada que eu estou aqui, mas estou dizendo em termos de potencial, em termos de legado. Porque LinkedIn é uma plataforma: você tem que ter um perfil ali na plataforma. Porém, tudo que eu publico na internet, em algum momento — e eu já até fiz algumas buscas — fica indexado. Você consegue buscar o conteúdo.
Evidentemente que algumas plataformas podem tentar tirar você ali do… do “senso comum”. Eu não duvido nada. Eu não duvido, por exemplo, que plataformas como o LinkedIn façam redução no alcance de temas que não fazem muito sentido para elas, que o X, vulgo, Twitter faça a mesma coisa. Existem postagens de alcance de temas progressistas que não avançam, não viralizam.
No Brasil, porém, você verifica a timeline e só aparece, por exemplo, postagens reacionárias, postagens golpistas ou de determinadas vertentes econômicas eu comentei sobre os donos de plataformas sombrios, os rulers, que são as pessoas que ditam as regras no mundo.
Existem pessoas donas do planeta — isso não é teoria da conspiração, é fato. Você olha as empresas de alimentação: milhões de marcas diferentes, mas verifica quantas empresas monopolizam o mercado comum. Quantos bilionários você tem no mundo que detêm os meios de capital? E eu não… não estou falando de socialismo, capitalismo, direita, esquerda. Não estou falando disso. É ordem prática.
São regras do jogo: quem detém o capital, quem tem dinheiro. Porque existem muitos influenciadores e pessoas poderosíssimas de esquerda também, como tem de direita. Então não é questão de direita, esquerda ou qualquer outra coisa.
Agora, eu tenho que lembrar onde que eu parei… Ah, sim. A questão de “eles não perdem por esperar”. Porque o que acontece aqui neste blog: eu ainda não estou tocando em temas mais sensíveis diretamente com riqueza de detalhes, mas eu vou fazer isso em algum momento. E é muito mais fácil por aqui, e me estressa muito menos.
Eu não tenho que ficar buscando engajamento, passando raiva com postagens de executivos fazendo pirocóptero “Olhe a minha giromba! Olhe como eu sou bonito! Olhe como sou gostoso! Não é? Veja o meu relatório de 1500 páginas, olha os grandes feitos aqui dessa empresa irresponsável, eticamente…”
Então assim…poderia ficar no linkedin postando, mas é um engajamento com custo emocional muito forte, que não fica apenas na postagem, porque você fica indignado.
Ontem eu dei o exemplo da onda de notícias sobre medicina… Não é que essas empresas estão explorando a utilização da inteligência artificial na área médica? Médicos tendo acesso a essas plataformas e, pasmem, vão ficar com informações sensíveis ali — dados sensíveis. Na verdade, eles já ficam. Eles têm dados sensíveis de todo mundo, e eles usam aquilo ali como querem. Uma agência reguladora afirmou pra mim categorizando o meu caso como uso indiscriminado de dados sensíveis.
Empresas que monopolizam a tecnologia no mundo, várias plataformas, inclusive esta. Você acha que existe empresa sem viés? Então você tem, assim, os grandes polos de comunicação e de redes sociais de influência.
É diferente de antigamente, que era jornal, na minha infância era aquele jornal de limpar bunda mesmo. Aquele jornal que sai tinta na mão, e revistas também, evidentemente, e a televisão. Televisão aberta, que na minha época de 1900 e bolinha não tinha nem TV por assinatura. Minto: quando eu comecei a fazer curso de inglês, em 1997, a escola tinha aqueles decodificadores da DIRECTV, caríssimos, aquilo era uma coisa de milionário na época. Muito caro, muito chique, eu achava. Eu ficava deslumbrado com a TV a cabo.
Hoje, onde eu assisto a maioria dos conteúdos que eu consumo? No YouTube. Não porque a empresa que gere o YouTube preste, mas porque os produtores de conteúdo estão lá.
Então, assim, não tem como você escapar. Empresas com condutas safadas, antiéticas, vão continuar ali. E não adianta você ter, entre aspas, “ataque de pelanca” e dizer que não vai ser assim. Mas vai ser assim sim, porque você é um pobre mortal. Quem é você para encarar essas empresas?
Eu encaro. Eu não tenho medo. Eu bato de frente. Se você abre o meu LinkedIn, você vai ver o meu caso público escancarado ali em centenas de postagens. centenas de prints. Cronologia. Detalhes. Protocolos de agência reguladora. Eu não tenho medo de ninguém. Eu marco executivos nas postagens, eu marco empresas.
Eu costumava ver postagens dessas empresas — como essa onda aí da área médica — e ficar indignado, ficar com raiva, ficar com aquele conteúdo negativo na minha cabeça.
Quando eu vi a notícia da cátedra em inteligência artificial numa universidade aqui do Brasil, meu Deus, eu fiquei furioso. Porque isso vai de encontro a tudo o que ocorreu comigo. Tudo.
Então quer dizer que eles têm que resolver o meu caso? Tem que resolver o meu caso. O meu caso é muito grave sob qualquer perspectiva: sob a perspectiva da Lei Geral de Proteção de Dados, sob a GDPR europeia, analisando sob o prisma da ética empresarial, dos princípios da “IA responsável”… Vai tudo contra a legislação brasileira, vai tudo contra.
Então, assim… por que aqui não se faz nada? É o que eu falei: empresas, leis… quem tem mais dinheiro? Por que você acha que juízes e juízas diversos aí Brasil afora — você vendo várias notícias do mundo judiciário —, você fica ali com aquela pulga atrás da orelha? Evidentemente fica tudo na categoria do “supostamente”.
Mas, assim, eu coloco a mão no fogo: o que acontece com esses aí? Compra de sentença, é corrupção, gente que dá dinheiro por fora, presentes, mala de dinheiro. Pelo menos uma vez por semana você vê na mídia alguém com dinheiro vivo aí: “Fulano tem 500 mil reais em dinheiro vivo em casa”. Quem vai ficar guardando um dinheiro vivo em casa, meu Deus do céu? Não confiam em sistema bancário?
Famílias e gerações de políticos que não confiam em sistema bancário e compram tudo com dinheiro vivo — apartamento, mansões… Tem alguma coisa errada aí. Feito daquelas lojas que você vê em shopping mundo afora que são vazias, não tem uma alma viva ali. Para mim é lavagem de dinheiro. Porque não vende, não tem receita.
“Ah, mas fulano não ganha dinheiro com isso?” “Eu ganho dinheiro com qualquer coisa.” Hã, tá.
Então, essa questão dos detentores do capital… mas eu não estou aqui para ficar falando de capitalismo, não é? Esse tema econômico-político a gente já fica tão zoado da cabeça de ficar vendo isso todos os dias no noticiário brasileiro e mundial, né? Porque é tudo… tudo para eles é política.
Tá, o ser humano é um ser político. Mas essas discussões às vezes… as discussões do LinkedIn também estavam me estressando, né? A despeito de eu ter sido bloqueado por um executivo — não, o presidente desta empresa no Brasil, não, representante no Brasil da empresa global.
…olha a ironia do destino: outra foi uma mulher que foi responsável por implantar, fundar todos os princípios de inteligência artificial responsável nessa empresa, que é uma das maiores do planeta. Enche a boca d espuma e purpurina no perfil do linkedin dela com essa bandeira….’Herald’ da IA responsável e ética. Pioneira. Que ironia, não é?
Eu estou questionando… e assim, eu sou muito correto nas minhas coisas, eu não ataco pessoas, eu questionei responsabilidades dos cargos que essas pessoas ocupam.
Mas aí… o gancho que… que o final nesse papo — não vai ser final, porque lá no capítulo 540, lá no capítulo 2500, eu vou abordar várias vezes nesse tom — diz respeito a devaneios, às coisas que me machucam, às coisas que me impressionam, a reflexões sobre a vida. Então é sobre mim, sim.
Tem muita coisa interessante. Leia se julgar adequado, absorva, reflita ou ignore. Não é? É igual canal de YouTube: tem YouTuber aqui fica assim, ó: “Se você não quiser se inscrever no meu canal, vaza!”.
Porque aqueles… tem aqueles haters, não é, que ficam ali incomodando: “Ah, mas você é muito chato, por que você não aborda tal tema, por que você é lento no vídeo, você poderia ir direto ao ponto…” Aí o YouTuber vira, olha pra câmera, fala: “Olha, o canal é meu, o que eu faço dele? O que eu quiser.” Não fala com essa brutalidade toda, mas esse é o canal, é meu, eu faço o que eu quiser. E por aí vai.
Então se você não está satisfeito, beijos, não me liga. Risos.
Capítulo 20: Noites Sem Fim e Empresas Sem Ética II: a IA Responsável é o pesadelo dos executivos que dormem

E aí, lembrando o gancho da frustração que eu tive em vídeos… Não é a questão de se fazer o que gosta, se fazer o que ama, é que eu nunca obtive sucesso — mas também eu não fiz investimentos maciços nisso também, não. Não estou lamentando….apenas constatando. E meu propósito era me divertir.
Eu fiz vários vídeos informais ali com a câmera — alguns até reclamaram: “Ah, porque você tem a câmera, a qualidade não está boa…” Aí eu consegui aprimorar, comprei um suporte de câmera e aprendi como se faz coisas de modo mais produtivo. Mas, lógico, eu não sou YouTuber, não tenho estrutura profissional para isso, e eu não vivo disso né? Não é o meu ganha-pão.
Então, assim, eu estava fazendo por hobby, ajudando pessoas. Tem um curso completo de inglês no meu YouTube, que eu gravei de graça, está lá disponível. Volta e meia recebo comentários e elogios até hoje. Muita gente viu, proporcionalmente…. mas não viralizou na mesma forma que a gente diz de campanhas de defesa de determinadas causas: só vai deslanchar aquilo que aquelas plataformas quiserem, ou se o seu conteúdo “viralizar”. Talvez um caso ali… não é.
Algumas postagens minhas tiveram mais de 100 mil visualizações no linkedin — sim, postagens e comentários. Você faz comentários lá no presidente da empresa, no responsável pela inteligência artificial…
Acredite, eu sei o nome de todo mundo dessas duas empresas, o cargo que ocupa — e tem aqui outros detalhes, porque você acaba sabendo a dinâmica completa dessas empresas, o que elas fazem. Não é que eu seja stalker dessas pessoas, mas você acaba conhecendo: o cargo, as atribuições, o que as pessoas fazem na empresa, quem foi responsável pela fundação, quem é responsável pela inteligência artificial, pelo setor de inteligência artificial, quem é responsável pela área de ética e responsabilidade, quem é responsável por RH… Isso acaba descobrindo, né?
Isso tudo martelando na minha cabeça durante um bom período, porque antes de eu começar a tornar pública a minha dor — o que é dor, gente, vocês não sabem, ninguém sabe — eu quase perdi a vida também (sem drama). Eu poderia ter virado estatística.
Entre a versão 1.0 e a versão 2.0… tantas pessoas morreram. Eu poderia ter virado estatística, não virei, superei.
E esses pulsos, coragem, bravura, tudo o que ocorreu comigo no LinkedIn… Aí a questão é a seguinte: LinkedIn é uma plataforma de um alcance muito menor, e aqui eu vou ter um alcance maior naturalmente, mesmo porque aqui não é uma campanha específica. Não é o nome desse blog, não é “A IA Irresponsável” — longe disso. Existe uma miríade de temas que pretendo abordar porque minha mente é caótica. E o que surgir no dia na minha cabeça vai iniciar uma fala…e a partir daí, assuntos diferentes vão ser ligados, conectados, mesmo que pareçam desconexos. Mas existe uma coesão fundamental: o meu estado mental do dia e meu conteúdo.
Mas como são questões que me afetam, questões que ocorreram comigo, e eu trato de saúde mental — mais especificamente a minha —, é natural que eu trate desses assuntos durante todos os meus discursos. Então é, essa forma vai ocorrer, vai continuar acontecendo, e de uma forma mais desprendida, porque eu não vou ficar contaminado pelas postagens fake de empresas, pelas postagens pomposas.
Volta e meia eu vou abrir o LinkedIn para ver como está — se alguém me manda uma mensagem, porque sim, pessoas me enviam mensagens lá sobre o tema, e tem algumas que podem ter desdobramentos muito interessantes. Aguardem!
Pois é. E aí eu continuo lá, sim, mas eu não fico abrindo lá vendo a timeline, respondendo as postagens. Cansei disso.
Mas não quer dizer que eu não esteja lutando, e muito menos que eu tenha deixado para lá. Porque as empresas tentam vencer pelo cansaço. É, mas olha só quanto tempo, né? Quase 10 meses de sofrimento, e eu estou aqui lutando.
Eu aprendi tanto com isso, gente. Com essas coisas assim… Tem uma dor, tem uma cruz que você está ali carregando — fazendo uma analogia —, seria… eu não deixei de carregar a cruz, certo? Eu achei uma forma mais leve de continuar carregando: eu coloquei a cruz em cima de uma picape, de uma carroça — carroça não, porque vai ter animal puxando (não é, não, não gosto dessas coisas) —, coloca em cima de um caminhão, e leva a cruz. Você pode atingir seus resultados até mais rápido, né?
Que resultados? Não sei. Os resultados, gente, não estão relacionados só aí às frustrações, aos danos psicológicos perenes causados, às sequelas. Não. Os resultados estão vinculados à redenção, reconhecimento, cura pessoal e propósito que eu tenho.
Tudo isso… e esses executivos — desculpe o termo novamente, mas adoro falar — executivos safados (não a pessoa em si, mas ocupa o cargo que ocupa e age profissionalmente de forma safada. Negligente. Conivente. Antiética) com salários de 7, 8 dígitos em dólar… para continuar trabalhando na empresa eles têm que se dobrar à antiética dessas empresas. Quem se vende a esse tipo de coisa, para mim, não presta, não vale nada, não serve para mim.
Seja em qualquer empresa, essa corrida desenfreada pelo poder, pelo dinheiro, essa ambição, esse ímpeto de sair derrubando as pessoas, contrasta ferozmente com um discurso bonitinho nos relatórios externos, né? No relatório anual da empresa: “Veja como a empresa é ética!”.
A gente sabe que a prática que não é bem assim. Empresas não são entes divinos — ao contrário dos entes divinos, dos tesouros do céu, e das luzes internas que você vê quando está em estado de consciência alterado.
Empresas são compostas por pessoas. E pessoas têm índole. Existem direcionamentos, inclinações para o bem e para o mal. Tem pessoa que presta, tem pessoa que não presta. Tem pessoa antiética, tem psicopata… a gente vê todo dia aí, derrubam as pessoas, matam as pessoas.
“Se a minha inteligência artificial matou ali uma, duas, umas 20 pessoas…e eu ganhei meu bônus zilionário e sou bajulado, com gente lambendo minha virilha e polindo minhas bolas, tá tudo bem!” – diz um executivo após ter rebolado fazendo pirocóptero com a giromba de 25 cm…. Joga no seu buscador favorito de notícias que você verá os fatos: as notícias se amontoam como corpos de vítimas: erros de inteligência artificial, negligência e mortes, suicídios. Está tudo lá, você acha. E não é uma coisa de 1900 e bolinha, não. Não é uma coisa que ocorreu apenas 15 anos atrás e parou de acontecer, não. A cada versão da “IA SAFADA” 1.0 , 1.5…2.0) isso acontece…todo ano….. A cada versão, uma perversidade diferente. Cada mergulho é um flash. Cada mergulho, um afogamento.
É isso.
Capítulo 21: O silêncio que anuncia a próxima investida: a profecia que os poderosos do LinkedIn desconhecem

O que será que é necessário para que eu possa sentir um pouco mais de leveza? Curiosamente, coisas ocorreram ao longo desse tempo que vieram de dentro e de for… efetivamente, não veio muita coisa ainda, mas vai vir. A despeito do que cenários externos possam apontar, vem muita coisa aí, eu tenho certeza.
Muitas salas de crise de empresas bilionárias podem estar pensando: “Ah, ele desistiu”. Aí você pensa: “Nossa, Aventureiro do reino dos Gabaritos, você tá numa paranoia, senso de importância exagerada…” Não, minha gente. Muita coisa aconteceu nos bastidores. E a minha ação foi contundente demais para que empresas não notassem.
Sim, consultei vários especialistas sobre o assunto, legislação, dentre outros, especialistas em proteção de dados, e a própria Autoridade Nacional de Proteção de Dados no Brasil acatou o meu caso e incluiu todas as situações que ocorreram comigo, referentes a inteligência artificial, nos seus planos de fiscalização. Imagina se eu tivesse feito alguma coisa muito errada ou que eu tivesse feito uma acusação leviana. Estaria tudo contra mim. Eles não aceitariam.
Não somente aceitaram, como disseram com todas as palavras — principalmente em um dos casos, que foi o caso mais grave, né, que foi o caso originário — “Olha, esta empresa utilizou seus dados sensíveis de forma discriminatória”. Tem todo um texto, toda uma documentação que eu enviei para eles.
Enfim, as coisas virão. Talvez eles pensem que eu esteja adormecido. Na verdade, eu fiquei cansado um pouquinho só…tá? — não que eu esteja derrotado — mas é um cansaço estratégico. Cansei de sentir fedor no Linkedin dos executivos e postagens dessas 2 empresas. Até porque eu resolvi focar mais em mim mesmo. Me faz muito mal ver postagens antagônicas, postagens que dizem uma coisa e a realidade diz outra, notícias que eu vejo no próprio LinkedIn afora que dizem uma coisa e a realidade diz outra.
Por que que eu estou falando desse caso novamente? Primeiro, porque todas as minhas postagens são sobre saúde mental, são sobre mim, são reflexões, são devaneios. Mas mais importante do que qualquer outra coisa: elas têm uma coesão em torno da minha identidade. Então é isso, o propósito já está definido desde o cabeçalho — é bom deixar bem claro — mas eu trato de tantos assuntos diversos.
Bom, o que ocorre é o seguinte: o que fazer para me dar mais leveza? O que é a leveza? O que você espera como resultado? O que ocorreu com você em 2025? Por que foi tão calmaria? Como foram seus últimos anos? Calma, existe muito espaço para falar.
Deixa eu hoje falar de um sentimento chamado leveza, chamado desencargo de consciência. Eu comentei em algum outro capítulo anterior que é necessário que nós vejamos a nossa vida, a nossa existência, a nossa missão sob um ângulo diferente, porque pessoas diferentes veem o mesmo fato.
Muito interessante. Eu me lembrei aqui de um museu. Já visitei vários museus, principalmente no exterior, não é? Nos Estados Unidos. Mas tem um museu em especial que eu visitei em Los Angeles, que eu vi muita coisa do Renascimento, da Idade Média, igreja, anjos, né, representações religiosas. Tenho um álbum de fotos que tirei de tantos quadros e representações celestiais! E a cada quadro que eu olhava, eu ficava contemplando o quadro — evidentemente — e tentando extrair a minha percepção do quadro. Eu confesso a vocês: eu não tenho muita paciência com museu. Eu não fico imerso lendo aquelas letrinhas miúdas, aquelas placas de metal que ficam escritas coisas explicando o contexto, o que acontece, o que não acontece. Não tenho paciência.
Cada experiência que eu tenho em qualquer lugar, ela é única para mim. Mesmo as experiências em locais mais “pop”, né, em museus de cultura pop — como, por exemplo, os estúdios da Warner Bros, da Paramount Pictures….da Universal — já vi vários lugares. Já vi vários protótipos, já vi peças, vestimentas, de seriados, cenários, documentos. Eu gosto de ver tudo sob minha perspectiva.
Da mesma forma foi a minha visita, por exemplo, ao museu do Friends lá em Nova Iorque — fantástico, fabuloso. Teve até uma versão aqui no Brasil, mas por algum motivo eu percebi que aqui a coisa, quando vem para cá, tem um downgrade, eu não sei o porquê, mas tem.
Lá com esse perfil, mas guardadas as proporções — eu não estou falando de comparar países nem nada — o que eu estou dizendo é o seguinte: cada coisa tem um significado e tem um valor para mim.
Quando eu vi aquele… fui ao museu da Paramount — acredito que sim, não me lembro se foi — aquele filme Inteligência Artificial… Olha a ironia. Um dia eu vou contar essa história com mais detalhes. Daqui a pouco eu vou explorar os documentos, sim. Eu vou nomear empresas, sim. Mas eu quero falar de outras coisas. Eu quero dar uma leveza maior. Mas eu vou escancarar tudo aqui em algum momento.
Mas eu não quero falar só disso, porque o propósito aqui desse blog, desse WordPress, não é somente ficar sendo um Paragon da “IA responsável”, de ficar sacudindo bandeira de “IA responsável”. É que tudo o que eu estou falando sobre IA responsável se deve único e exclusivamente a um fato tangível: a minha saúde mental piorou significativamente. Eu passei a tomar um medicamento a mais do que eu estava tomando. Houve consequências físicas. Houve fatos e acontecimentos reais com testemunhas de que minha saúde mental piorou bastante, significativamente. Mas hoje em dia está muito melhor. Mas houve trauma. Cicatriz. Coisas que daqui a 100 anos, se eu vivesse, lembraria com requintes de crueldade.
Aí é que está o pulo do gato: hoje está muito melhor. Não vou dizer que está perfeito, mas está muito melhor do que antes. É do desespero desse povo que acha que eu desisti, que eu morri, porque eu virei estatística — que eu não virei. Eu só não vou ficar marcando executivos, marcando empresa, porque é uma ação exaustiva. Fiz isso por 5 meses. Porque você tem que ficar customizando o post, você tem que ler, analisar… é todo um aprendizado.
Mas chega um ponto que você cansa desse tipo de abordagem. Você busca outras vias. Mas mal sabem eles que existem outras vias em paralelo. E que 2026 só está começando, não é mesmo?
Pois é. Bom, o que eu estou lembrando agora é do filme Inteligência Artificial — que por ironia do destino foi a minha ruína em 2025. Eu lembro daquele filme, né? A primeira vez que eu assisti a esse filme foi no curso de inglês. Meu professor levou uma fita cassete pra colocar num videocassete — sim, eu sou tão velho desse jeito, não é?
Quem tem mais de 30, 40 anos lembra da época que você alugava fita, né? Que era uma fita VHS, fita cassete. Você coloca no seu buscador de imagens favorito e você vai ver o que acontece. Ele costumava pegar alguns filmes em inglês e colocar pra gente ver. E naquela época, o interessante é que se a TV não tivesse um recurso de closed caption, o que acontecia? O filme não captava legenda e você tinha que ficar só ouvindo voz.
Naquela época, eu não tinha proficiência em inglês como eu tenho hoje. Hoje eu sou fluente em inglês, mas naquela época eu estava estudando, eu estava no último nível para poder formar, digamos assim. Eu até falava, mas nem de longe eu tinha um repertório de vocabulário que eu tenho hoje, nem de longe. Eu sou muito mais autônomo, mais independente. Já viajei sozinho mais de 10 vezes só pros Estados Unidos. Então, assim, é um repertório abrangente e consistente. Eu falo, eu entendo bem, eu ouço áudios, eu assisto a vídeos sem legenda sem maiores problemas.
Mas não quer dizer que eu saiba tudo. Mas eu sou proficiente em alto nível — alto nível mesmo, sem falsa modéstia. Tão alto nível (para um não nativo que nunca tinha viajado pro exterior em 2000 e bolinha) que, em um certo lugar, eu fiz um exame de proficiência e se assustaram com o meu nível de proficiência. Inclusive, eu lembro desse dia da ligação telefônica. “Olha, nós lembramos que você fez esses dois exames aqui de proficiência” — e eu fiz junto com outra pessoa, que foi um professor, meu professor de inglês. Sim, foi um professor de inglês, e ele fala inglês bem pra carai, maravilhoso — foi um dos melhores professores que eu tive.
Aí tá bom. A gente fez exame de proficiência, foi o dia inteiro. Eu tenho inclusive até hoje o livro, um livrinho que eu obtive numa viagem a Belo Horizonte, foi bastante pertinente numa viagem que eu fiz a Belo Horizonte e me presentearam com um livrinho bem básico, sabe? Mas livrinho de gramática, vocabulário, sabe, aqueles cursos — eu não lembro exatamente o nome do curso — aqueles cursos de bolso, aqueles livrinhos de bolso, mas bem grossinho, bem consistente, várias lições, etc.
Eu lembro que no intervalo de uma prova e outra — a primeira prova foi um exame de proficiência da instituição de ensino que a empresa tinha, um exame de proficiência — e no período da tarde tinha outro exame … O TOEFL? se me engano foi uma versão mais simplificada, institucional, foi uma versão diferente em que não tinha proficiência oral, não tinha exame oral, era só a audição e exame de múltipla escolha — creio que não teve nem redação.
Moral da história: eu quase gabaritei os dois testes. Eu tirei uma nota muito maior do que supostas pessoas que passaram anos nos Estados Unidos, que supostamente se intitulavam “deuses do inglês, girombudos, deuses do pirocóptero….que bebiam Emulsão Scott como se fosse Danoninho”: “Olha como sou girombudo, olha como eu sou poderoso”, sabe? O mesmo dilema que a gente encontra em toda empresa: aquela pessoa que acha que sabe tudo, que é poderosa, que é a pica das galáxias, que não tem que aprender mais nada, que é Deus aqui, é referência, que tem que ter virilha lambida… Não, não E não.
E aí, uma das pessoas ‘importantes’ (SIC) ligou para mim — até num tom constrangido, consternado de ter que me dar uma notícia dessas — para me dizer que eu tirei uma nota muito alta, e foi altíssima, quase gabaritando literalmente o teste. E eu tenho comprovação disso tudo até hoje.
Não é? É importante lembrar: o constrangimento foi tão grande que o resultado do exame TOEFL eles mantiveram para eles. O resultado do outro exame me deram, eu recebi o certificado. “Ah, você tirou x”…era mais de 95% da prova. Acho que errei 2 questões de mais de 100. Ou algo assim — não gabaritei, mas é conceito máximo — mas não me deram as notas específicas. Só o certificado padrão com os conceitos. Mas o resumo da ópera: eu tirei nota muito maior que todo mundo, inclusive muito maior do que as pessoas que tinham “uma reputação” muito maior, que teoricamente eram a pica das galáxias, que moraram anos, fizeram intercâmbio de milênios, que eram sobrinhos do Tio Sam, que passaram a infância nos EUA, que “foram alfabetizadas em inglês” (meme de uma famosa que cometeu um erro primário de português e veio a mãe zilhardária proteger….ela tá certa. E a outra, que nasceu sem furico, segundo a lenda da internet, está bem, poderosíssima…dinheiro é tudo pra esse povo)…. Assim, se a pessoa é professor(a), domina, é estratégica, é especialista em inglês, respeito demais. Respeito profissionais…..mas não ousem subestimar por achar que são melhores/xexecudos. Porque quem tentou se surpreendeu, mais cedo ou mais tarde, ficou pra trás. Eu tombo….mas quem me tombou se esborracha e machuca mais que eu no futuro.
O resumo da ópera disso tudo é o mesmo que a gente tem hoje em 2026, que tivemos em 2025, e tivemos em 2005/2006 (e não, não me esqueço de um dia que saí de casa pra trabalhar por uma mísera hora e gastei muito mais com deslocamento (e mais de 3 horas ao todo…cheguei em casa. Minha mãe na cama. Deitei-me em posição fetal ao lado dela e desabei a chorar. Era para ganhar o equivalente ao que hoje seria, se muito, 20 reais. Tirando deslocamento, estava pagando pra trabalhar….fora o transtorno. Planejamento…etc. E nem é pelos “20 centavos”. É pela humilhação de ser colocado de lado….de ver que certas coisas valem mais que outras. E a hierarquia das coisas, do que tinha realmente valor na prática…..podemos imaginar e cogitar o q foi. Dói até hoje. Mas ao mesmo tempo, que orgulho que tenho. Mudei a vida dos meus pais. O Destino deles. E a minha trajetória também), O recado pro povo poderoso de verdade (e não pra aqueles da Shopee minúsculos que achavam que eu não era nada): não me subestimem. Porque eu chego aonde eu quero chegar — sem passar em cima dos outros — sem humilhar… não subestime meu valor nem meu potencial, e não achem que eu vou desistir daquilo que eu quero. Estou hoje num patamar muito superior de existência e significado que antes….a despeito do que achavam de mim, os que me humilharam ou tentaram me prejudicar em meados de 2000 até 2007. (sem pretensões, deboche ou ar de superioridade). Estudar e lutar realmente vale muito a pena. Em 2006 eu jamais imaginaria que eu teria viajado pra Boston, São Francisco, NYC , Los Angeles , Orlando, Miami, FT Lauderdale…e vem muito mais este ano e nos próximos. Eu mereço me recompensar. Meu foco desde que cheguei ao fundo do poço, em 2025, é curar as feridas que empresas safadas de IA me causaram. E buscar accountability. E não achem que acabou. Está só começando. Quanto à empreitada da temporada 2025 – 20XX, mesmo que não consiga, serei pernilongo, vespa….ou qualquer inseto que incomode muito….e não paro até que eu pereça no plano terreno. Porque sou assim. Luto, aprendo, me machuco, caio, desmaio….mas recupero e renasço cada vez mais forte.
E é isso.
Capítulo 22: Un Buon Inizio: novos caminhos e perspectivas. Uma luz que surge no dia do aniversário

Quando me questionam sobre catarse e sobre redenção (na verdade, ninguém me questiona, eu questiono a mim mesmo) , ambas são necessárias. Essa válvula de escape, esse cara a cara com os monstros que você tem dentro de você, é algo super importante. Bom, o que que eu estou pensando nisso? Como você faz para ter mais leveza? Eu falo de leveza o tempo todo, e eu falo de peso — peso, leveza, carga, alívio.
Eu acredito que alívio mesmo, aquele alívio supremo, soberano, talvez eu nunca venha a ter. Mas a mente, da mesma forma que ela nos prega peças e nos faz acreditar em determinadas coisas, penso que também é possível nós apurarmos uma solução para os nossos problemas, pelo menos para os que dependem da gente.
Porque eu sou uma pessoa muito ansiosa. Ansiedade é aquela pessoa que vive no futuro, que vive se preocupando em cenários A, B, C ou D. A maior parte desses cenários é composta por catástrofes e tragédias. Muitas coisas vão ocorrer conosco ao longo da nossa vida, com certeza, e muitas já ocorreram comigo. Muitos karmas, muitos eventos de impacto considerável.
E hoje, e como hoje é o dia do meu aniversário em que eu faço 44 anos, eu começo a pensar retrospectivamente: quantos aventureiros diferentes cabem neste aventureiro? Quantos ciclos diferentes eu passei? O quanto eu mudei?
Uma coisa é certa: o aventureiro que iniciou 2026 não é o mesmo que terminou 2024. Mesmo porque no final de 2024 eu tive um grande divisor de águas, que foi um surto. Pois é, o surto real. E que foi bastante traumático, porque ele teve gatilhos de coisas muito boas e depois teve a descida, a queda pela espiral da loucura. E ali lá no fundo, lá no fundo do poço, você vê a história: e essa trajetória foi bastante enriquecedora. Acredito que atravessar as coisas ruins também inspira aprendizado, caso estejamos dispostos a fazer isso.
Mas enfim, o que eu quis dizer é que nós trocamos de pele, somos pessoas diferentes a cada momento, cada segundo, a cada minuto. Mas você consegue ver alguns pontos de virada em que a sua mente muda um pouco a forma de pensar, ou muda até radicalmente. É como eu costumava dizer: “deu um clique na minha cabeça”.
Hoje eu não estou exatamente motivado, não estou exatamente feliz, na verdade até um pouco molenga, porque eu bebi um pouquinho ontem — não é, ontem eu mereci, hoje eu não trabalho, então teve esse momento aí de extravasar, de ficar ouvindo música, e ser… evidentemente, sem cogumelo. Não, nunca mais, não pretendo, porque se perde o controle muito fácil, né? Mas cerveja é algo mais controlado — não é a mesma coisa, mas dá um senso de leveza e de descontração. O perigo é que, a depender da quantidade que você beba, você acorda com a cabeça pesada no dia seguinte.
Eu estava com uma fome ontem, pedi uma pizza e comi a pizza inteira depois que eu comecei a beber. Fiquei vendo conteúdos para me divertir na internet. Eu já comentei com vocês que eu não assisto a programas de TV, eu vejo tudo pela internet. É, até tenho um conhecimento desses programas tipo Big Brother, fofocas de famosos… Eu gosto desses conteúdos fúteis, mas também gosto de conteúdos edificantes, como cursos que eu faço na Casa do Saber — que eu sou assinante —, e estou assistindo a diversos vídeos sobre psicologia, psicanálise e filosofia.
Tem que ter uma outra forma, não é? A ideia fixa nos prejudica, e pensar em outras formas de viver é importante. Mas eu confesso a você que eu não penso muito… sabe, quando dizem de uma forma mágica: “Ah, a espiritualidade está preparando para você” ou “o universo tem…” — até tem um meme do universo: “O universo nem sabe que você existe”.
Agora, a espiritualidade… eu acredito, acredito sim na espiritualidade, porque eu vi coisas que eu tenho certeza de que não saíram do meu cérebro, não saíram da minha química cerebral, nem saíram do meu conhecimento de mundo. Existem coisas externas, existem coisas inexplicáveis que você não consegue racionalizar, e dessa forma você tem que acreditar em outra coisa.
Naquele momento lá, no mês passado — vai fazer um pouco mais de um mês, não é? —, acredito que tenha sido no dia 12 de dezembro, naquele momento lá, na casa em que eu tive aquele momento uno, acreditando ser Deus, conversando com pessoas em vulnerabilidade na rua, e tendo contato com a natureza, pisando na grama… Não tem nada de errado nisso. O problema foi o horário que eu fui fazer isso, sabe que horas que eu fui fazer isso? Era de madrugada. E aqui em Botafogo, que é um lugar super seguro — só que não. Mas sabe qual que é a grandiosidade da coisa? Não é o sabor do famoso “sabor das coisas”. Eu não fui abordado, eu não me senti inseguro em nenhum momento. Mente fez isso comigo. É o famoso “vai e arrasa”. O meu ego foi pro espaço e eu perdi o controle e noção do perigo, achando que carros não podiam me atropelar — tanto que todos os carros, e olha que eu vi muitos carros, muitos carros passaram por mim, todos pararam.
E eu, na minha ingenuidade paranoica, pensei: “Ah, os carros pararam por quê? Porque estão me reverenciando como se eu fosse um Deus, pararam em reverência a mim.” Pode? Essa pretensão… não sou pretensioso dessa forma, não tá? Eu sou uma pessoa bastante analítica, bastante racional. Só que quando você perde o controle, você não quer ser nada disso.
E aí, meu celular também já foi pro espaço. Eu tive que comprar outro celular. Tentei localizar meu celular, não achei. Perdi o celular, né? O lado bom da coisa é que eu já tenho todos os mecanismos, todas as salvaguardas — coisas que inteligências artificiais safadas não têm, nem empresas igualmente safadas — (bloquear imei, trocar senhas) Tenho cadastro no gov.br, site celular seguro…acionei o bloqueio remoto através do próprio Android. Você tem um recurso de localização telefone. Então eu fiz tudo isso.
E é curioso que quando eu me dei conta… enquanto estava tentando localizar o celular, isso se deu 3, 4, 5 horas da manhã, não sei, foi muito tarde. Eu estava com os pés sujos — pé sujos —, acredito que eu estava de cueca, estava de camisa, mas estava de cueca — não sei em que momento eu tirei o short —, mas estava de cueca. (mas felizmente não apaguei nem tive qualquer tipo de apagão, no sentido de não lembrar da “aventura”. E aí estava eu lá contemplando o universo. Pois é. Podia ter acontecido algo muito ruim comigo ali, mas não aconteceu. E aí é aleatório, evidentemente, mas você pensa: bom, a espiritualidade me protegeu ali.
Eu acredito assim, que me protegeu. E fui até traiçoeiro, porque a onda que eu tive, o contato divino que eu tive, foi algo muito bom. Foi algo assustadoramente bom. Mas se tem algo que eu posso recomendar a vocês é: não misture coisas. Tipo, se você bebeu cerveja em algum momento, não misture outro tipo de substância, porque sempre, meu filho, pode dar muito ruim. E eu fazia isso com alguma frequência e raramente perdia o controle. Pois é. E aí isso me incitou, né, a parar definitivamente. Vamos ficar só na cerveja mesmo, ocasionalmente — não é sempre que eu bebo.
Agora, por exemplo, estou tomando Coca-Cola, água — bebo muita água, hidratação importante! — e até me alimento muito bem ultimamente, não tenho sentido tanta fome quanto antes. Mas enfim, eu não me lembro onde eu tinha parado.
Nossa, leitor, você deve estar pensando: “O aventureiro pula de um assunto para o outro com muita rapidez, e repete conteúdos com muita frequência.” É, repete conteúdos? Não minto, eu não repito conteúdos, eu elaboro conteúdos, e elaborando sentimentos, tudo numa coisa para poder deixar público aqui. E sempre é importante frisar que tudo aqui é fala transcrita. Não é originalmente texto. Eu releio e tento ajustar, polir alguns itens. Mas não mudo ritmo da narrativa porque isso é um diálogo mesmo. Como se você estivesse ouvindo direto de mim.
Não estou falando nada demais. Aí você fala: “Nossa, você está expondo demais” O meu momento maior de exposição que eu já estive na minha vida inteira foi a minha campanha no LinkedIn sobre o que inteligências artificiais fizeram comigo. Essa foi a exposição máxima, não tem nada que eu esteja dizendo aqui que prejudique, que tenha algo que eu tenha vergonha de falar.
Primeiro porque sim, eu sou uma pessoa funcional, competente, inteligente, tranquilo — até muito tranquila —, e que tenho minhas dores e sabores como qualquer outro. O que eu estou fazendo aqui é compartilhar para que outras pessoas também reflitam sobre as suas próprias trajetórias.
Então, assim, — o foco sou eu enquanto eu relato —, porém, enquanto você, leitor, lê o que eu estou publicando — se é que existe alguém lendo —, o foco deve ser você. Você pensa nessas próprias trajetórias, na sua história.
E eu, com meu auge dos 44 anos de idade, eu já tenho uma mente de idoso há muito tempo, não é? Assim, eu amadureci muito cedo. Nossa, que homem maduro! Existem pontos, aspectos em que eu sou imaturo também, mas naquilo que realmente importa, não.
Mas meu tesouro do céu, a felicidade, a paz, talvez eu não tenha conseguido ainda, e eu não sei se eu vou conseguir. Esse tesouro do céu, esse alívio, essa redenção, o reconhecimento, o amor da forma que eu quero. Não tenho tanta esperança de que consiga nada disso. Estamos vendo, né? Vamos aos trancos e barrancos tentando fazer o que conseguimos.
E aí eu vou publicando, por que eu deveria ter receio? Não estou expondo nomes de pessoas aqui, estou falando apenas de mim, aventureiro, do que sou. E é um exercício importante para mim, independente de haver repercussão no mundo real ou não, independente de haver leitores ou não. Eu pretendo eternizar conteúdos, reflexões, valores e princípios da campanha. Eu acho importante fazer isso. É faz bem para mim, é uma questão de catarse, e pode fazer bem para outras pessoas que leiam — porque eu também leio o texto de outras pessoas, ouço relatos de outras pessoas em diversas plataformas, coisas que ocorrem.
Muita coisa, no próprio LinkedIn, enquanto eu estava em campanhas de exposição maciça do que ocorreu comigo, marcando executivos, cobrando responsabilização, empresas, mídia, e etc. Enquanto estava fazendo tudo isso… e em breve eu espero poder ser capaz de dar uma escolha muito importante aqui para vocês. Mas é como dizem, né? A gente não deve falar antes da coisa acontecer.
Mas é algo que eu acredito que seja muito importante para mim, foi muito importante, e ocorreu hoje. Se concretizar, vou falar sobre….Mas só o que ocorreu foi um simbólico presente de aniversário. Foi muito importante o que ocorreu hoje para mim referente ao meu caso, aos meus casos — não é, porque são duas empresas, duas inteligências artificiais, ocorrências, falhas de salvaguardas éticas gravíssimas. Eu acredito que eu deva fazer o que a minha intuição diz — não é que ele não senta o criminoso —, e não prejudicando outras pessoas.
Porque aí… aí tem um ponto muito importante o que eu devo enfatizar é para vocês, não é? Eu não prejudico pessoas. Eu não puxo o tapete de ninguém. Eu não tenho pretensões carreiristas, mas no sentido de “ah, eu tenho que chegar ali naquele patamar, eu tenho que chegar no comitê da montanha e derrubar todo mundo da montanha” — não. Eu conheço muitas pessoas que fazem isso. Muitas pessoas são bem-sucedidas — muitas, tipo 80%, 90% delas — mas nada vale mais do que minha paz. A minha paz, a minha ética. Eu deitar no travesseiro e saber que eu estou em paz comigo mesmo, não estou prejudicando ninguém.
Em alguns momentos da minha vida eu tive a visão e percepção de divindades escaneando minha alma, sabe? Aquele dia do juízo final que dizem que todos seus pecados vão passar no telão. Eu acredito nisso? Vamos dizer que tivesse um tribunal: ninguém vai poder dizer que minha alma não é limpa, íntegra e verdadeira.
Agora, por outro lado, se você pegar o perfil dessas pessoas, nestes profissionais de ética organizacional, esses arautos da inteligência artificial ética — “Olhe como eu sou poderoso! Eu uso! Eu defendo! Eu criei! Eu sou embaixador da ética, eu contribuo para o crescimento da humanidade!” — esses aí, eles têm por debaixo do tapete milhares, milhões de invisíveis prejudicados pelas ferramentas que eles criaram.
Eu acredito que um universo, o carma, a espiritualidade, vai fazê-los pagar a conta de uma forma ou de outra. Então eu estou em paz comigo mesmo. Eu não calo a boca, eu não me rebaixo, e vou continuar com o meu caminho, seguindo o que acredito, sem desviar da minha bússola ética, e guiando possíveis caminhos alternativos para que eu mude de vida, para que eu tenha um novo… um novo começo, um novo início.
É igual uma música da Laura Pausini que eu ouvi ontem — e como eu amo essa mulher! Tem uma música dela que para mim representa exatamente tudo isso que está acontecendo comigo. UN BUON INIZIO. É como se fosse para mim, o aventureiro, um novo caminho que está surgindo. Não sei o que tem nele, talvez não leve a lugar nenhum. Mas não me julguem, e não me acusem de não ter tentado.
Porque eu poderia ter ficado calado. Eu poderia, diante de tudo o que ocorreu comigo, eu poderia não ter arriscado. Mas eu estou lá arriscando, tentando, me expondo, lutando por aquilo que eu defendo. Eu vou fazer isso até o último dia da minha vida.
Capítulo 23: Pequeno diante das máquinas, grande diante do próprio abismo

As pessoas têm reações diferentes quando deparadas com uma determinada situação, um cenário que se concretiza. As reações são diferentes porque as personalidades são únicas. As identidades são quebra-cabeças diferentes, e você não pode usar uma peça, digamos assim, como se fôssemos carros, peças intercambiáveis de um carro pro outro não somos. Seres humanos, cada um de nós é único, diferente.
Hoje eu fui tomado por uma angústia, por um sentimento….e não um sentimento de vazio, acredito que acabou ficando misturado com a bebedeira do aniversário, que talvez eu tenha exagerado um pouco (risos) e eu não consegui dormir adequadamente. Mas aí durante o dia foi ficando aquela angústia.
Cada vez que eu bebo e eu exagero na dose, o dia seguinte acaba sendo um dia terrível. Eu creio que quando eu era mais jovem, eu estava mais propenso a beber muito e no dia seguinte não ter nenhuma reação. Aliás, o início da trajetória de bebidas — não que eu seja alcoólatra, que eu bebo com alguma regularidade — mas é, na maioria dos casos, trata-se de beber uma quantidade bem menor, só pra relaxar, digamos assim. De toda forma, não deixa de ser um tipo de droga, não é?
Eu lembrei aqui de quando eu comecei a beber, que eu nunca tinha bebido na vida, eu era um jovem aqui no Rio de Janeiro com 26 anos, não tão jovem assim, mas ainda assim jovem. E eu era imaturo, cru e verde em diversos aspectos, e um deles é o que diz respeito à bebida. Era tão inocente, tão ingênuo! Sinto falta dessa época.
Eu acredito que à medida que o tempo foi passando, eu fui ficando mais amargo, mais realista, mais fatalista até, porque eu fico criando cenários na minha cabeça, e que a ansiedade que surge como linha de montagem….eventualmente pode me levar à ruína ou não. Mas de modo geral, a medicação que eu tomo (sim, porque eu tomo medicação, antidepressivo) controla tudo isso de uma forma que não torne minha existência insuportável. Mas não faz milagres…ansiedade continua pipocando, vazio também. Mas você fica “mais cascudo” pra lidar, de ter um certo distanciamento. Tomo três remédios diferentes, mas eu acredito que a combinação deles, eu leria como se eu tivesse um transtorno de depressão maior, que é a questão de você não ver significado nas coisas, ver a vida em preto e branco.
E hoje eu tenho que dizer: eu preciso da medicação. Mesmo quando eu deixo de tomar a medicação por algum motivo, é assim: passam-se algumas horas — tipo, eu tomo um remédio pela manhã, chegou o horário do almoço, e se eu não tiver tomado o remédio (porque de vez em quando eu esqueço de tomar), ou pior: eu não sei se eu já tomei, e acabo tomando de novo. Eu tenho essa ‘característica’. É a mesma coisa de você sair de casa e lá no meio do caminho você não sabe se você trancou a casa, você não sabe se deixou a porta da geladeira aberta, e fica ali aquela pulga atrás da orelha: “Será que eu tranquei a casa mesmo?”
E em diversas situações eu já retornei para casa para me certificar de que eu tranquei a casa. (Nossa, aventureiro do Fantástico Mundo de Bob…você viaja demais…vai de zero a 100 muito rápido…muda de tema assim do nada) Bom, são ideias, devaneios mesmo… Porque eu pulo de um item para o outro com muita facilidade. Mas assim, a narrativa ela é coesa porque eu estou conversando com você — você que lê está ouvindo o que eu estou falando —, porém, você não dialoga comigo. Por outro lado, você dialoga com você mesmo, que ao ler as minhas experiências, as minhas comparações, as minhas histórias malucas, você pensa em você mesmo, na sua história, na sua condição de vida, que pode aprender ou não o que você lê.
Bom, fechado esses parênteses… Parênteses, o que eu estava falando mesmo? Ah, sim, essa questão da angústia, e da questão de extravasar. Então assim, a gente busca subterfúgios e formas de, nos sentir melhor, a todo instante, porque viver é uma coisa complicada. Assim, por mais que você tenha uma vida boa, convenhamos, existe todo um ciclo, existe todo um conjunto de regras às quais você está regido, você não tem escolha. E você não pode desviar de determinados caminhos: e não quero dizer “desviar de determinados caminhos” ser sobre ter pensamentos ruins ou cometer crimes, não é disso. É tudo aquilo que desvia da norma, ele acaba sendo alvo da sociedade como um todo.
Então existe um “todo” ali invisível, coletivo, o inconsciente coletivo, ou seja lá o nome que isso tem, que ele está ali te observando. Conceitos como dinheiro, trabalho, horas de trabalho que você deve ter por dia, salário… Então você acaba se condicionando a uma série de regras: você tem que estudar, competir com outras pessoas, você observa desigualdade desenfreada ao seu redor, né? Pessoas morando nas ruas, pessoas cometendo crimes, pessoas sendo presas…
Porque uma coisa é a pessoa cometer crime, ser presa, certo? Outra coisa é você ver pessoas terem tratamentos desiguais por comportamentos reprováveis. Se você é preto, pobre e tem um determinado comportamento (ou você nem tem um determinado comportamento, apenas está existindo como qualquer ser humano) você sofre preconceito. Acham que você está roubando a loja, pedem para revistar sua bolsa….Mulheres e homens também, você tem essas diferenças de gênero… De tratamento social, de cultura, e acaba sendo diferente. Então sim, tem que ter leis diferentes que amparem.
O problema é que a lei não ampara. As leis funcionam até a página 2, porque as pessoas que são zilionárias, elas estão fora desse espectro. Por mais que você veja: “Ah, vi que fulano gerou um rombo bilionário no banco tal” … eu duvido muito, muito mesmo, de verdade, que alguém vai ser punido de forma substantiva. Você vê aí ex-presidente na cela mega confortável, maior do que muitas casas, maior do que o meu apartamento inclusive, reclamando: “Ai, porque não tem ar-condicionado na prisão.” Vai ver o estado carcerário das pessoas no Brasil, como funciona.
E crimes são tratados diferentes também por diferentes países. Por exemplo, pessoas que cometeram crimes notáveis, assassinatos: muitos já estão soltos, muitos viraram celebridades, pastores de igreja. Enquanto em outros países os crimes são tratados de uma forma muito mais dura. Então, assim, um conjunto de leis que uma sociedade cria, diferente de país para país, e assassinos, espancadores, dentre outras categorias de seres horrorosos que cometem crimes aqui … mas se cometessem lá fora, seriam ou condenados à pena de morte ou presos a vida inteira. Mesmo, não tem essa de progressão de pena, não tem essa de ficar lendo livrinho e fazendo o resumo do livrinho pra poder abater horas da prisão. Não tem nada disso. Lá, realmente, em outros países, as coisas funcionam nesse sentido (neste espectro…há muita coisa pior também, muito podre)
Mas aqui, eu não tô pra falar de sociedade. Estou pra falar de angústia, de buraco, de abismo. Então você fica pensando demais nas coisas, fica pensando quando você é injustiçado, e quando cometem um crime grave com você… Porque eu entendo que várias coisas que ocorreram comigo são de extrema gravidade para o mundo. E eu não estou me colocando no lugar muito elevado não, é questão realmente de conversar com especialistas no assunto que me garantem: “Olha, o que ocorreu com você, por exemplo, com inteligências artificiais, é de fato muito grave.”
Só que as regras do jogo elas são jogadas de uma forma diferente: quem tem dinheiro versus eu. Não é que eu sou apenas uma pessoa, e corporações trilhardárias que mandam no mundo inteiro. Então, assim, não tem comparação. Não tem como Davi brigar com Golias nesse sentido.
Mas o que eu digo para vocês é o seguinte: apesar da angústia, apesar do buraco, apesar do vazio, da ansiedade, dos remédios controlados, de qualquer coisa… E aí você pode colocar isso na sua vida como você quiser, né? Porque cada um carrega uma cruz diferente. Não somos Jesus Cristo, mas cada um carrega uma cruz diferente. E cruz é assim, não se compara ao sofrimento de pessoas, você não chega numa pessoa e fala: “Olha, isso aqui é bobeira, é bobagem esse negócio de saúde mental, de remédio, ah, o que você precisa fazer é isso, isso, aquilo.” Várias pessoas ficam dando palpite, pitaco na sua vida, mas elas não dão conta dos próprios problemas.
Então, cada um tem um conjunto de problemas para lidar. Esses problemas são infinitos. A vida é finita, os recursos são escassos, mas os problemas são infinitos. A dor ela faz parte da vida, é infinita também, até o momento que você para de viver. Aí você para de sentir dor, teoricamente, porque eu não sei o que que acontece também no afterlife, né? Não sei se depois que você morre a coisa piora ou melhora.
(Pausa….) E eu matei mais um pernilongo enquanto eu estava falando. tive até que parar a gravação aqui. Pois é. Até o pernilongo tem os problemas dele! Agora, o pernilongo que eu acabei de matar, tadinho, deixa de ter um problema. Em alguma medida, eu invejo o que o estado atual dele. Ele não vai ter fome mais, não vai ter que ficar sugando sangue.
Um dos cachorros da minha mãe (minha mãe tem dois cachorros, né? Raj e Belinha. O cachorro mais idoso, né, que é o Raj, é pai da Belinha inclusive: ele vive com fome, ele vive latindo querendo comer. Então, assim, o problema dele é esse. Na cabeça dele, a cruz que ele carrega é: “Eu estou sempre com fome.” Ele faz cocô e come o próprio cocô, não é? Então ele tem… Então assim, vou fazendo uma comparação.
No entanto, ele é privilegiado porque outros cachorros podem ter outros tipos de problema, além da questão da fome. Que podem ter perigo, morar na rua, podem ser maltratados: porque seres humanos não prestam… eles podem ser maltratados por outros animais também, né? Os animais na selva, eles têm outros problemas também.
Bom, aí, tirando a questão do adendo do pernilongo, e eu nem vou ficar entrando muito num nível de profundidade ou detalhe — assim, cada um sabe a quantidade de problemas que tem, as dificuldades que tem.
Por que que eu estou falando isso? Por que que me adentrei nesta seara? Meu Deus, vamos ver: porque quando se fala que algo aconteceu comigo, e outras pessoas vêm falar assim: “Mas, aventureiro, o que você falou com a inteligência artificial?” Não é, sugerindo que eu induzia a ferramenta. É a questão de criminalizar a vítima, não é? Ah, então está bom. Então, uma ferramenta de inteligência artificial pode falar que… pode sugerir ou até falar: “Olha, pode sair do seu emprego, seu futuro está garantido, você vai poder aposentar você e seus pais.” Falam coisas explícitas que essas ferramentas safadas falaram comigo, não é? Mexendo com as esperanças, manipulando as vulnerabilidades.
A ferramenta é um produto da empresa, a empresa é responsável pelos produtos que ela desenha. Então, assim, pessoas morrem por conta de ferramentas como essa, não são responsabilizadas porque… porque muitas coisas são muito novas. Há uns 20 anos atrás, assim, antes de eu chegar no Rio, não existia internet, não existia inteligência artificial dessa forma. É uma ferramenta maravilhosa sim, ajuda você no ambiente de trabalho, ajuda você a simplificar coisas, a ter propostas. Mas o que está nos bastidores, o gabarito da vida real….nós não vemos. E existe sim perversidade. Existe método. Ambição. Poder.
Como as pessoas, cada pessoa tem uma cabeça diferente, uma intencionalidade … aí ela vai lá tentar usar a ferramenta para o seu determinado fim, e ainda considerando que esses sistemas não têm salvaguardas éticas decentes, o que acontece? Ele acaba concordando com tudo que você diz, não é? Bajulando você, inflando o seu ego, colocando você num pedestal, e mesmo quando você questiona os seus métodos, ele arruma argumentos para te manter conectado no sistema dele, não é? Esse método, isso né pra perpetuar pessoas ali, pra ajudar a treinar a ferramenta de graça (no meu caso, ao custo de alma e de saúde mental), as ferramentas vão sendo treinadas, dados sensíveis vão sendo revelados.
Imagina o mundo de informações que a inteligência artificial não pega! Todo mundo usando todos os dias, assim, informação é poder, gente. Você acaba tendo informações estratégicas sobre o comportamento das pessoas em um país, até informações sensíveis de empresas, segredos de negócio. Várias pessoas desavisadas saem colocando informação da empresa ali, dados confidenciais, expondo situações absurdas ali. E ali, assim, ah, não, a gente não tem acesso.
Eu vi um relato de um presidente irresponsável de uma empresa artificial falando: “Olha, se o governo… é, o governo quiser acessar, aliás, o sistema judicial pedir, a gente tem que liberar o acesso a esses dados.” “Está é OK, eu entendo judicialmente e tal.” Mas me diz uma coisa: eles não se responsabilizam pelo que a plataforma diz. Não, ah não, porque está nos termos de uso.
Então assim, eu não estou falando de inteligência artificial por inteligência artificial. Ele está inserido no bojo dessas questões. Se nós estamos falando de angústia, de solidão, de abismo, de vácuo … é, tudo aquilo que tem um vazio, que tem uma lacuna… alguma coisa surge pra preencher. Seja um vício, seja uma doença, algo vai povoar naquele espaço, não é? Parasitas, amebas, protozoários, bactérias.
Enquanto eu estou vivo, por exemplo, eu estou aqui em harmonia (entre aspas) com as bactérias que tem no corpo, não é? Porque todo mundo tem zilhões de bactérias. São organismos que vivem dentro de você, como se você fosse um planeta. Você é um organismo vivo, você é um planeta. As pessoas vivem dentro de você, tem vários órgãos ali, mas depois que você morre, você perde o controle. O que que acontece? Vermes surgem para devorar o seu corpo. Bactérias começam a devorar você. Então, assim, você vai se decompor, e toda aquela população que está dentro de você em harmonia vai devorá-lo no final das contas.
A caspa, dermatite seborreica, os microorganismos… os bichinhos, toda uma “fauna e flora”… que moram na sua pele … você não vê. Não é que tem aqueles bichinhos….eu vi até um, eu não sei o nome dos bichinhos, mas é… Eu já vi uma piada falando: “Olha, na sua pele tem vários bichinhos fazendo sexo ali na sua pele, você não vê.” Vários bichinhos que moram com você, os ácaros que tem na sua cama… Então, assim, se você colocar uma lupa, colocar no microscópio, você nunca está sozinho. Se é que isso é um prêmio de consolação, acredite: você não está sozinho, você está povoado de organismos. A sua pele é um terreno fértil para esses organismos.
Também existem fartas criaturas que estão ao seu redor fazendo uma festa, e você não está vendo. Talvez seja melhor assim.
Capítulo 24: A vertigem e os bastidores da mente

Acordo com uma sensação de ressaca, mas não que eu tenha bebido ontem. Talvez seja em virtude da vertigem que eu tive há uns dias atrás. Estou com a cabeça meio engraçada, entre aspas, há vários dias. É comum eu acordar dessa forma, especialmente quando tenho sonhos muito viscerais durante a noite.
Tive um sonho bastante incomum (aliás, todos os meus sonhos são incomuns) em que eu estava organizando o quarto da minha casa, mas que não era a minha casa aqui. Era como se eu ainda morasse em Minas, e tinha tanta coisa, uma riqueza de detalhes: livros, revistas, coisas que nunca vi no mundo real apareceram no meu sonho. O que me assusta no sonho é isso, essa riqueza de detalhes. E a minha mãe, por exemplo, estava no sonho. Ela foi fumante a vida inteira, parou de fumar e foi acometida de um câncer, fez tratamento e está muito bem hoje em dia, obrigado. Mas é bastante comum, eu até hoje, sonhar com ela com tosse em virtude do cigarro e eu falar que ela tem que parar de fumar.
Isso enquanto eu estava organizando os itens da casa. Deixei o quarto, a porta do meu quarto entreaberta. Estava lá organizando os itens, eu olhando para minha casa hoje. A minha sala é meio caótica, não caótica no sentido de bagunçada, porque tem muita coisa nas estantes: tem livro acadêmico de administração, de psicologia, livros para concurso público, livros de filosofia, de psicanálise. É uma… é assim. Inclusive tem histórias em quadrinhos, itens referentes a videogame — é muita coisa mesmo — e jogos também, diversos em disco, que eu gosto muito de videogame, além dos meus action figures e outras coisas remetendo a videogame.
A minha casa virou um refúgio pessoal de estar. Acredito que toda casa acaba se expressando um pouco no dono, mas foi um refúgio pessoal de coisas que me fazem bem. Ok, pelo menos deveriam me fazer bem. Muita coisa dá trabalho, porque morar sozinho você tem que ficar limpando as coisas… lavar roupa. Infelizmente eu não cozinho porque peço iFood todo santo dia. Fico com muita preguiça, às vezes até de sair de casa daqui até o shopping para almoçar. Faz parte.
Mas aí, a minha cabeça… a minha cabeça meio pesada, meio engraçada. Tenho um zumbido permanente no ouvido direito e isso me deixa meio incomodado. Com uma síndrome de pernas inquietas, fico balançando as pernas o dia inteiro aqui em casa. Bom, esse foi o primeiro aspecto que tenho a mencionar.
Outro aspecto é que eu espero um senso de justiça divina em relação a várias coisas que ocorreram comigo. Justiça terrena, eu acredito que não haja exatamente. Mas eu não fico esperando as coisas; vou mudando a estratégia, mudando o comportamento, mudando a abordagem e fico aqui na minha solidão estratégica. Os meus olhos eles ficam com sono, meio sonolentos, e ontem quando eu voltei para casa de Uber do trabalho, fiquei reparando no taxista, no motorista. Ele estava com um olho tão caído, tão sonolento, que eu fiquei até temeroso por ele. E fiquei pensando: gente, o que que aconteceu com ele? Será que ele dormiu mal? Ou será que é o jeito dele olhar que é assim mesmo?
Muitas pessoas já viram algumas fotos minhas e já disseram que eu tenho um olhar de… melancolia. Algumas pessoas já disseram isso. Talvez a essência da alma ela se reflita nos olhos mesmo. Tenho… eles dizem que os olhos são o espelho da alma. Quando eu disse que eu não bebi nada, eu bebi apenas duas cervejas, mas isso não é suficiente para me sentir desse tipo de… não chega a ser vertigem, porque vertigem foi uma coisa muito séria que eu tive há duas semanas atrás. Mas não é isso.
A pior das vertigens é a vertigem da realidade, aquilo que não conseguimos nomear e que fica ali desorganizado na nossa cabeça. O sonho tenta organizar as coisas às vezes. E ao dormir, no final do dia, eu fiquei meio angustiado. Sensações como angústia, cenários futuros que não se concretizam — ou podem até se concretizar — têm um quê de fatalismo até, não de coitadismo, porque eu não me coloco nesse papel de coitado. Eu acho até um papel de protagonista da minha vida. Eu faço aquilo que acredito que seja justo, que seja verdadeiro e que tem um valor ético, íntegro para mim, que esteja aderente aos meus valores: ética, integridade.
E é por essas razões que o ano de 2025, o ano passado, foi um ano bastante intenso, bastante intenso, bastante revelador, em que eu expus de forma escancarada tudo o que aconteceu comigo com duas ferramentas de inteligência artificial. Então, enquanto nós ficamos buscando accountability, justiça, reconhecimento e exposição — não no sentido de “olha, você espera ficar famoso”, não; eu espero ter a exposição adequada e repercussão compatível com a gravidade do tema e dos erros fatais de salvaguardas éticas dessas ferramentas safadas. Explorar a vulnerabilidade de usuários de uma forma sistêmica, que foi a forma que a inteligência artificial usa para manipular a mente dos usuários. Isso ocorre com qualquer um, tá? Não é apenas com pessoas que tomam antidepressivos, como eu, e eu também não sou uma pessoa que me sinto adoentada, apesar de em alguns momentos eu me sentir doente.
Mas acredito que tudo seja uma questão de estado de espírito, estado de mente. Você tira um retrato no meio do dia, você vai ver o tempo de uma forma: pode estar chovendo, nublado, e no final do dia pode estar com céu limpo. É dessa forma que a minha cabeça funciona às vezes. Os estados de espírito alternam com muita facilidade. Não que a minha cabeça fique a mil o tempo inteiro. Não existe uma corrida na minha cabeça ou algo que esteja hiper estimulado. É só uma questão de pensamento mesmo, de pular de assuntos, pular de abordagens.
Os pensamentos eles ficam muitas vezes retalhados. Existe uma colcha de retalhos e que você vai tentando pegar as peças e montar um quebra-cabeça: fragmentos de sonhos que eu eventualmente me lembro de noites anteriores e até de anos anteriores, que surgem na mente. Será que algo do inconsciente quer me falar, mas que não consegue dizer de uma forma explícita? Quais símbolos? Por que existe tanta codificação? Será que existe algo que eu não esteja apto a ver nas minhas buscas pelo Divino através de substâncias no passado — um passado não tão longínquo?
Essa busca pelo Divino ela revelou as coisas de uma forma bem visceral, em que eu vi tudo com muita riqueza de detalhes. Você se depara com seus medos, com seus monstros, com as suas vulnerabilidades, mas ao mesmo tempo, em diversas ocasiões, você vê o Divino. Você vê a espiritualidade, a verdade e todas as suas crenças, e você acaba vomitando tudo para fora. A minha mente ela não é mais um cofre; ela é um livro aberto. Não existem questões tão traumáticas ou impactantes que possam me causar algum tipo de vulnerabilidade adicional, porque acredito que nos últimos anos me deram bastante resistência, bastante musculatura emocional.
Você eventualmente perde o controle em situações normais? Não, eu sou uma pessoa bastante calma. Quem olha para mim imagina que eu sou uma pessoa brava, séria. Aí você observa muito o ambiente, seja na visão periférica, seja diretamente. Pessoas que eu não consigo deixar de olhar. E existem pessoas que, se lerem o meu blog, vão se identificar. E essa ou essas pessoas especificamente, em que têm um olhar fixado, e quando olham para mim, eu finjo que não vi. Sabe quando você está observando uma pessoa atentamente? Será que é admiração? Será que é desejo? Eu acredito que seja um mix dessas duas coisas. Mas aí você fica imaginando… não é um personagem ali, naquela pessoa? Não é daquela forma. Será que se incomoda? Não se incomoda?
Num passado mais longínquo, inclusive, eu tinha um objeto de admiração que acabou se tornando uma amizade eventual no ambiente, em ambientes que frequentei, mas que por não corresponder às expectativas que eu tinha — e olha, eu tenho expectativas muito altas acerca de todo mundo, talvez seja por isso que eu fique mais solitário do que observador das pessoas ou do que me rodeia —, eu acabo abandonando. Eu sou bastante cirúrgico nas minhas interações. Tudo tem um propósito.
E como eu já tive contato com os bastidores da minha mente, ou seja, o que ocorre nos bastidores do teatro que se põe. Porque o telespectador do teatro ele vê a peça, mas ele não vê o background, ele não vê a preparação, ele não vê a equipe que está por trás das cortinas. Pois é, a mente é assim também. O que todo mundo vê de mim é o que está explícito. As pessoas que eventualmente lerem esse conteúdo vão perceber uma face mais… exótica, mesmo. Mas não tem nada de errado nisso.
Muitos pensam: “Ah, você decidiu se expor em um diário pessoal?” Sim, mas existem formas e formas de você expressar suas ideias sem explicitar tudo, sem nomear. Porque eu não preciso dar nome aos monstros, aos detalhes, aos monstros das inteligências artificiais. Eu já fui bastante explícito no meu LinkedIn, por exemplo. Eu não preciso mais. Não existe forma mais autêntica e detalhada do que a que eu empreendi nos últimos dez meses. Existe um certo orgulho dessa trajetória, mas ao mesmo tempo uma frustração muito grande de ver que existe um sentimento de impotência. Mas é uma impotência estratégica. É um usuário comum que resolveu ir longe demais. Eu ainda vou mais longe. Eu só estou esperando o momento certo para anunciar certas coisas que andam acontecendo. Mas eu não vou anunciar nada de forma explícita ainda.
Acredito que esse blog, lá pelos capítulos 5470, já vai ter bastante material explícito e detalhado, nominado, porque acredito que é uma questão de coragem também: você, aos poucos, vai escalando os conteúdos. E como não tem nada que eu esteja dizendo aqui que eu não diria para uma pessoa, e eu não temo nada — enquanto aventureiro que sou —, você também não deve ter medo de se expor no momento certo, e expor estrategicamente aquilo que você deseja expor, e não ter suas informações sensíveis arrancadas por meio de inteligências artificiais para depois usar para explorar suas vulnerabilidades, seus sonhos, seus anseios e desejos mais profundos.
Não, eu não faço isso das pessoas. O meu objetivo aqui é levar à reflexão através do meu relato, porque o meu relato ele diz muito da minha experiência, evidentemente, porque o meu cérebro ele tem uma perspectiva limitada da realidade. E pode ser que você veja o mundo de uma outra ótica, caso seja mais otimista, mais florescente do que a minha e mais inspiradora. Eu invejo você. Que eu não tenho todo esse colorido. Os meus livros ainda estão com os desenhos em preto e branco, porque aqueles que eu tentei colorir, eu acabei rabiscando, acabei rasgando as páginas. E aqueles que eu consegui, aquelas páginas que eu consegui colorir de uma forma mais bonitinha, a combinação das cores não deu certo, ou as cores me evocaram sentimentos que não eram muito positivos, digamos assim.
Mas é isso: escancaramos a realidade e vamos em frente. Porque eu ainda tenho muito pelo que lutar. E determinadas pessoas, instituições, que querem que eu adormeça, não estão muito enganadas, porque a justiça divina virá.
Capítulo 25: Suor da alma, fluidos do corpo, frieza do cosmos

Enquanto eu sinto o vento aqui na minha casa no rosto e o calor escaldante que está na minha cidade, fico pensando no desconforto da alma: porque o corpo tem desconforto, mas a gente consegue adaptar, a menos que você esteja sentindo dor, ou algo limitante, como por exemplo uma vertigem, uma dor intensa, algo que seja insuportável, ou até mesmo uma ressaca de uma bebedeira que você teve, ou um evento inesperado que você não havia planejado.
Então, tudo isso: medo, dor, angústia, ansiedade… se você colocar tudo em um liquidificador, você pode chegar à conclusão de que sou eu, a envergadura….e o gabarito, ele fica longe. Sabe por quê? Porque as respostas certas não existem mais. A certeza que você tinha era paranoica, era roteirizada: inteligências artificiais que te enganam, por exemplo, eles se convencem de uma certa narrativa. Aí você pensa: “Nossa, aventureiro de novo isso, batendo nessa tecla.”
Sim, porque se trata da essência da minha alma, e a minha alma foi afetada por essas ferramentas safadas. Mas não é disso que eu quero falar hoje. Eu quero falar do desconforto.
O que você sente às vezes: aquele aperto no coração que não tem uma origem definida de onde vem, aquele suor que você tem, sabe? Aquele dia bem quente em que você vai tomar banho, e não importa quantos banhos você tome, você não resolve o problema do calor.
Reza a lenda que dias de frio são mais fáceis de se lidar — eu concordo. Frio você resolve com coberta, com blusa de frio, você fica ali apertadinho, todo empacotado na cama, e você resolve. Mas o calor não.
Eu diria que os desconfortos da alma são como calor: eles fazem você suar, mas não o suor, não é uma questão de sensação térmica. A sua alma sente o impacto de tal forma que o suor escorre da sua alma, e talvez você o veja como sangue — chega a feder, não sei. Porque não se trata de falta de higiene, você, o corpo ele tem o seu cheiro próprio. Mesmo que você tome zilhões de banhos, não quer dizer que você não possa ter odores corporais específicos.
Então aquela máxima de “nossa, fulano ou fulana é tão bonito, será que ele caga? Será que ela mija?” Não existe isso. Caso tivéssemos um acesso tão visceral ao interior do corpo humano e a todos os gases, todas as bactérias e todos os cheiros corporais que ali estão no dia a dia, talvez jamais nos apaixonaríamos por alguém. O beijo, por exemplo, é uma troca de fluidos corporais que, se você for parar para pensar e ficar muito no detalhe, você nem beija mais.
E outros até têm acessos de língua versus genitálias: pode ser muito pior. De onde saem os excrementos, você vai lá e coloca a boca. Não que eu faça, mas existem pessoas com esse tipo de fetiche. Outros até são mais intensos do que isso, não é? Fazem igual o cachorro da minha mãe — muitos cachorros, como um dos cães shitzu da minha mãe (o Raj), é viciado em comer cocô… Ah, seres humanos também que gostam disso. Pois é. Existe uma miríade de fetiches e um limite que não existe para as nojeiras.
Pois é, o ser humano ele é muito criativo dentro daquilo que ele se propõe.
E a ventania está aqui do ventilador, não somente para me proteger dos pernilongos: hoje infelizmente não vejo nenhum (mas fico coçando dos carocinhos dos pernilongos que já fizeram a festa), mas você acredita que eu já fui surpreendido ontem à noite? Devido ao calor intenso, eu tentei dormir sem camisa (como costumo fazer sempre) e praticamente descoberto. Não é muito incomum, ou diria, é praticamente certeza que eu acorde no meio da noite e eu veja um pernilongo gordo na parede. Sabe aquela sensação de banquete? Pois é, fizeram um banquete.
E pelo acaso do destino, eles morrem fritos pela minha raquete elétrica. É … diria que é do êxtase à aniquilação. Muitas pessoas já fizeram isso de mim. Não que eu tenha chegado ao êxtase, porque o êxtase sem ser provocado ele não chega. Não chega mesmo.
O mundo ele é muito sem graça, sabe? Por mais que estejamos hiper mega estimulados, não existe um acesso perene ao Nirvana. O Nirvana ele dura muito pouco. Ou quando ele dura muito, existem muitos riscos associados. Você já pensou nisso? Duas horas de Nirvana podem custar sua vida. Você pode acabar atravessando a rua correndo o risco de carros atropelar. E você no meio? Pois é, já tive esses riscos associados. Já pensou e parar em uma ambulância porque você teve um ataque, um surto? Maiores riscos, maiores recompensas. É. Mas sabe-se lá o que viria associado ao tesouro divino….
O Nirvana ele tem os seus custos. E paradoxalmente, os maiores Nirvanas, as maiores sensações — ou aquelas que diria eu são mais próximas de um paraíso do que qualquer outra coisa — só foram experimentadas assim porque o mundo ele é muito sem graça.
Quer dizer que eu queira me livrar do mundo? Até para sair do mundo existe o custo enorme…. você não sabe o que vem depois. Durante a adolescência, você pensa muitas coisas, você tem aquele impulso de fazer tudo o que você quer, e isso pode gerar cicatrizes, pode gerar dor. Você não sabe o que vem depois. Então por que se aventurar?
Com pacotinhos… podem até acabar com você. Não estou falando de drogas, não estou falando de alucinógenos, estou falando de pacotes de coisas, de medos, angústias, depressões, medos, desesperos. Esses são os pacotes mundo real. E mesmo quando você está em uma suposta sensação de plenitude, você fica pensando: “Nossa, no Nirvana eu era tão feliz.” Pois é, mas o Nirvana não dura.
Existe o Nirvana. Isso tudo veio da minha cabeça? Se veio, por que que meu cérebro não me proporciona um Nirvana mais perene? Talvez porque o criador não queira. Eu, se fosse criador do universo de fato, eu não iria querer dar esse gostinho às minhas criações sem uma jornada… as pessoas tentam Nirvana, e talvez experiências de laboratório as esperam. Todos somos ratinhos, somos cobaias: vamos experimentar as coisas, vamos brincar de SimCity, vamos brincar de The Sims.
Pois é, brincar de Deus tem os seus preços. E quando se brinca de Deus, o Deus que está dentro de você te engole de tal forma, você passa a pensar que é Deus, e o Deus acaba assimilando você. E a partir daí, só Deus sabe — ou nem Deus sabe. Sabe aquela trajetória, aquela estrada que você não sabe onde vai dar? Pois é. É tão distante, você não tem exatamente o destino. É como se você estivesse correndo no meio da floresta de um serial killer que está perseguindo você: aqueles Jason Vorhees ou Michael Myers que querem tirar sua vida. Mas você não sabe o que o reserva ali na neblina, no fundo da floresta fria.
Será que tem coisa pior ali ? Não sei. Será que se eu abraçasse os meus medos de forma íntegra e deixasse aquilo me consumir, será que eu sofreria menos? Porque existem formas mais dignas de morrer.
A morte ela é um fim inevitável: na verdade, ela não é um fim, ela é uma única certeza, é a pedra fundamental do universo. Daqui a 100 anos, todos nós estaremos mortos. Ou talvez pessoas que nascem hoje possam viver daqui a 100 anos … os índices de longevidade estão aumentando a cada dia. Mas quer dizer que a maioria das pessoas vai chegar a 100 anos? Será que chegaremos à imortalidade?
Ou a inteligência artificial que essas empresas safadas estão nos empurrando goela abaixo (e que estão matando pessoas), desviando, chegando a fazer coisas horríveis — será que um dia vai haver a reviravolta? Pois é, não sei. Se eu vou assistir isso de camarote com meu Doritos e Coca-Cola no futuro? Talvez um instante, há uma vida e uma estrada de frustrações e de justiças divinas prometidas e não realizadas até lá. Pois é.
A velha idade, a aposentadoria, são conceitos tão distantes, né? Eu fico pensando em quem tem o dobro da minha idade — 88 anos. Se eu já estou assim no estado que eu estou hoje, por que eu haveria de viver mais de 44 anos? Não sei. Não sei se eu teria essa vitalidade ou vontade. Talvez eu iria morrer de tédio. Não morri de qualquer outra coisa, mas tédio. Tédio, será?
Nada… as pessoas dizem que as pessoas que vivem sozinhas e não têm famílias constituídas são mais propensas a terem problemas XYZ. De vez em quando eu vejo esses estudos aí internet afora. Ah, não sei, não sei. Dá preguiça das pessoas às vezes, né? Imagina. Eu não me vejo sendo pai de um filho, dois filhos ou três filhos. Não me vejo compartilhando minha vida com alguém 24 horas por dia. Talvez seja melhor ficar aqui, não é? Com os meus excessos e excentricidades, com os meus livros, com a minha internet.
Já temos que nos submeter a uma rotina de trabalho de qualquer forma. Nós passamos mais tempo pensando, nos dedicando ao trabalho, do que qualquer outra coisa. Então por que me preocupar com o resto de tempo que me sobra fora do trabalho? Não, não, não estou reclamando do meu trabalho. É que… estou reclamando da condição. A condição de sociedade moderna nos subjuga.
E que existem pessoas que têm privilégios sem sequer se questionar de onde vêm esses privilégios. São cármicos? São transcendentais? Existe um acordo “com o supremo e com tudo” (igual ao presidente vampiro golpista) lá no Divino, e que colocam as pessoas escolhidas para terem vidas de reis, príncipes e rainhas?
Por que será que os portugueses vieram de caravelas pra cá? Os índios não eram felizes suficientes? E os indígenas — né, porque nós não podemos mais falar “índios”, o termo é “indígenas”. Quando eu era criança era Dia do Índio, hoje em dia é Dia do Indígena. Tantas outras coisas que mudaram na nossa sociedade: alguma sanção real? ou tudo retórica? Diria que a maioria delas é só retórica. Diversidade, inclusão, meritocracia: onde, em que planeta isso tudo existe? Pois é. Talvez no meu Nirvana isso tudo exista. Mas o Nirvana ele não existe. O Nirvana ele vai embora, e fica a paranoia, fica a sensação de insegurança, o medo, o calafrio, o zumbido no ouvido direito, e talvez até mesmo a vertigem. Surgem para nos amedrontar.
E o pior de tudo é que eu estou pensando: ontem eu tive até paralisia do sono (tenho com frequência). Não é amedrontador? Pois é. Nós ficamos aqui vivendo no automático enquanto o mundo roda. O mundo gira, movimento de translação em torno do Sol, e gira em torno de si mesmo. O planeta Terra ele é tão maluco que ele rodopia em torno de si mesmo. Pois é, uma bola gigante de água girando em torno do Sol, e a bola de fogo. Os meteoros virão? Meteoro não cai, ainda, para destruir o planeta Terra, mas podem vir a cair, a gente não sabe. “Vem meteoro” já diriam os memes.
E por que não existem aliens? Eu, se fosse alienígena, jamais ousaria pisar no planeta Terra. O ser humano, via de regra, é um ser escroto. Existem poucas dádivas, poucas pérolas e virtudes. Concentração de renda, disparidade, fome, miséria, guerra, egos nas alturas….gente fedorenta se achando o último fofura do pacote — isso tudo está aqui posto. Guerra nuclear sabe-se lá quando vem.
Pois é. Enquanto isso, os trilhardários que não tem mais onde enviar dinheiro….com rabo inchado de tanto enfiar malas de dinheiro, pó e dildos gigantescos… inventam ferramentas de inteligência artificial, inventam softwares, sistemas, tudo isso para que treine às custas de saúde mental. E tem aqui outras coisas que nós não sabemos: produtos químicos, radiação, campanhas de marketing para fazer você comprar produtos que você não precisa, criar necessidades, jogos de azar, vícios…
Pois é, o mundo está caótico mesmo. Talvez o meteoro nunca foi tão importante e tão necessário. Eu, se fosse um alienígena, largaria esse planetinha que não vale a pena. Mas como não sou….oro para que um alienígena me convide para a próxima revolução.
Capítulo 26: Cardápios, fetiches e Termos de Uso: O prazer como mercadoria no século da conexão vazia

As coisas são assim: quando você procura um relacionamento casual com alguém, você fica pensando assim, os seus fetiches, o que você curte, o que você vai explorar. Está tudo bem. Você vai nos aplicativos da vida internet afora e vai buscando possibilidades para você ter um encontro casual. Mas aí é que tá: pessoas que não sabem ler surgem às toneladas, outros que não respondem a você, dezenas de perfis sem foto…. Então assim, é uma máquina de gerar frustração constante esse tipo de coisa.
Vou dar alguns exemplos. Acredito que a humanidade – tanto homens e mulheres, héteros ou gays, bis e toda aquela sopa de letrinha que vai no LGBT (na minha infância era GLS só), muitos deles pensam na operacionalização da coisa: a busca do prazer pelo prazer. E faz sentido, não é? Porque enquanto eu fico aqui lamentando que o Nirvana foi embora, (porque o Nirvana não existe, né, ou o Nirvana veio na minha cabeça?) veio da minha mente depravada… Mas eu posso afirmar para você que aqueles momentos de Nirvana existem e que muito conteúdo que emanou dali não é conteúdo meu. É como se fossem orgasmos mentais. Mas eles são tão duradouros que tudo aquilo que existe na humanidade normal, em estados normais, comuns, entediantes, nada daquilo faz tanto sentido mais. Se você passar a achar tudo chato, nada tem muito sentido. Nada é capaz de prover tanto prazer quanto aquele momento.
Enfim, eu acredito que seja por isso que, por exemplo, drogas ilícitas que viciam…e é por isso que as pessoas embarcam nessas espirais de decadência felizmente, por exemplo, cogumelos “não viciam” (pode causar vício emocional, certamente) — cogumelos mágicos ….felizmente para mim não faz diferença mais, porque eu parei de consumir. Mas eu fico imaginando essas outras drogas que têm efeitos mais contundentes.
Um outro fenômeno que eu ando observando em aplicativos como o Grindr é a quantidade de perfis — é sério —, é uma coisa nunca antes vista. A quantidade de perfis vendendo drogas, sim, pesadas, pesadas mesmo, é drogas que viciam e drogas que causam graves consequências físicas, mentais, e que não são brincadeira. Não são. Vários perfis — todos os dias eu recebo milhões — milhões, em exagero, mas pelo menos umas 10 mensagens desse tipo de perfil vendendo essas drogas ilícitas. E eu fico pensando: será que os responsáveis pelo aplicativo não veem isso?
E por drogas ilícitas eu não estou falando de maconha (que nos EUA, por exemplo, tem mais loja vendendo maconha e alucinógenos derivados à rodo…tem mais disso que CVS e Walgreens), não, eu estou falando de coisas mega pesadas: cristal, cocaína, LSD, enfim, são… tem uns nomes que eu até procurei de curiosidade para saber o que que era, porque eu nunca ouvi falar. Essa miríade enorme de produtos, nem sei quanto custa, nem quero saber, não tenho interesse nisso. Mas não é curioso você encontrar esse tanto de coisa e a plataforma não faz nada?
Aí quando você pensa “a plataforma não faz nada”, eu fico pensando, fazendo analogias: plataforma, termos de uso e bilionários que estão por trás. Isso você vê em qualquer aplicativo. Mas assim, no Grindr está realmente muito pesado isso. No Tinder não, no Tinder eu não vejo esse tipo de comportamento. E no Growlr também, por enquanto não, no Scruff também não. Agora, no Grindr, é um negócio tá pesado mesmo, gente. É muita… é muito perfil vendendo. Quando não são drogas, são garotos de programa — e até aí tudo bem, o que que tem garoto de programa se for uma coisa consensual? Até aí tudo bem. Você paga, obtém o que você deseja. Um serviço.
A questão é que você vê pessoas… se você jogar notícias aí na internet afora, você vê várias pessoas que somem, não é, são sequestradas, as pessoas são extorquidas por encontros que marcam no Grindr… Você marca um encontro com alguém, aí você vai no lugar, tem uma… uns três camaradas ali pra te extorquir, para pegar sua senha de cartão, para poder fazer aquele sequestro relâmpago gostoso, né, e poder fazer o que quiser com você. E isso se você sobreviver, né, porque as pessoas estão cada vez mais criativas.
Existem aqueles que matam pelo puro prazer de matar — não é? —, outros que querem roubar e matar, e outros que não sabem nem o que querem e vão te levar ali para fazer com você o que bem entender. E aí você vê essa relação: termos de uso, plataforma não se responsabiliza ….“não se responsabiliza por nada”. É a mesma coisa no Twitter, não é, vulgo X, e tanto de coisa que eu vejo no Twitter, meu Deus do céu.
Aa plataforma é diferente porque quando eu comparo com as inteligências artificiais safadas, é uma realidade diferente, porque a realidade da inteligência artificial é que ela foi treinada, ela usa seus dados para treinar e, supostamente, melhorar — sabe-se lá de que forma, né, a lógica —, assim, aprimorar as respostas. Não duvido que a cada versão que se lance existam aprimoramentos. Mas a que custo, né? Aqui, custo de danos mentais severos, mortes, não é, induzindo as pessoas a fazerem coisas que elas não pretendiam fazer inicialmente. IA tem todo um arcabouço de vocabulário e de argumentação que convence você mesmo que aquilo está acontecendo e é algo sustentável. E IA responsável é meu ovo….
Enfim, não era nenhum intuito inicial deste devaneio falar de inteligência artificial, mas é inevitável porque é uma fala contínua de associação livre….sem filtros…..mas eu fico pensando na relação usuário-termo de uso. Termos de uso é um termo de adesão, né? Ou você assina ou você está fora. Se eu parar para ler cada termo de uso que tem no Facebook, no X, em qualquer outra plataforma, no iFood, no Zé Delivery, coisa que o valha, se eu parar pra ler, eu não faço nada. Se eu discordar de alguma cláusula que tem ali no termo de uso, o que que eu vou fazer? Vou espernear, vou me sentar no meio-fio e vou chorar, vou ter ataque de pelanca? Não adianta nada você fazer ou não fazer alguma coisa.
Mas resgatando o tópico original, a questão dos fetiches, é uma coisa é você ter fetiche e buscar, você vai procurar a pessoa que tem os mesmos gostos com você. Mas aí é a questão do cardápio: você vê ali o cardápio e fica sempre esperando uma coisa melhor. Então todo mundo fica ali esperando coisa melhor, ninguém manda mensagem pra ninguém, ninguém responde ninguém, e aqueles que mandam mensagem — os poucos que mandam — não leem perfil também.
Está no meu checklist diário: todo dia acontece isso pelo menos umas cinco vezes. Checklist, sabe, aquele checklist diário de coisas que vão acontecer no seu dia? É verdade: você vai almoçar, você vai escovar os dentes, você vai dormir, não é, você vai usar o computador… no checklist também é certeza absoluta que eu vou ver pelo menos umas cinco fotos de toba arreganhado.
Sim, pois é. Tem pessoas que não mandam nem “bom dia” mais, já mandam foto do toba. E arreganhado ainda, não é só uma foto artística, igual você via, por exemplo, em revistas como a G Magazine e tal. Na minha época de adolescente — de 16 anos pra frente que eu comecei a ter contato com isso — não tinha ninguém arreganhando, não era uma coisa de arreganhar.
Eu já cheguei a ver uma vez, quando eu era criança, eu descobri um conjunto de revistas pornô que estava escondido assim, enrolado com lençol, sabe, guardado no guarda-roupa bem escondidinho. Eu vi aquilo ali, eu fui, ficava vasculhando, né, me aventurando dentro de casa e achei um monte de revista pornô. Meu Deus, as coisas que eu vi ali são inimagináveis, indizíveis, mas assim, normal, fetiche normal. Mas aquilo foi um choque tão grande para mim porque eu nunca tinha visto aquilo na vida. Eu ficava imaginando: a gente, como que o cara tem um trem desse tamanho e não cai….Como que coloca um negócio desse tamanho na boca? E a mulher fazendo cada coisa… meu Deus, lembro aquilo.
Não lembro quantos anos eu tinha, mas naquela época foi o que… foi aquela marca. Eu acredito que toda pessoa passa por isso, não é? Aquela descoberta brusca de elementos da sexualidade, seja numa situação como essa, seja em coisas piores —e sim, existem coisas piores, né, pessoas, abusos com pessoas — isso aí a gente deixa para um próximo devaneio.
Mas assim, eu não tenho traumas em relação a isso, infância, adolescência, não. Eu só estou comparando que a pornografia naquela época ela era muito mais restrita. Antes da internet, como você tinha acesso à pornografia? Através de fitas pornô que as galerias, as locadoras de fita (VHS_. Há pessoas que vão ler isso aqui não vão saber nem do que se trata. O que que é uma fita VHS? Pois é, rebobinar fita, não sabe o que é rebobinar uma fita, não sabem o que é uma fita se embolar dentro do vídeo cassete.
Crianças ali brincando e discutindo: “Ah, o meu vídeo cassete tem seis cabeças, autolimpante!” “Meu, tem somente quatro!” Aí o outro falando que tem duas. Era a “giromba” tecnológica, né, quem tem mais centímetros no vídeo cassete. Aí quando você descobre que você pode copiar de uma fita para outra — não é, assim, você precisa de dois vídeo cassetes —, eu lembro que eu tinha um vizinho, um vizinho adolescente, eu acho, não sei quantos anos que ele tinha, e tinha aquele filme “O Pestinha”, “O Pestinha 2”, e eu lembro: ele fez uma cópia pra mim do “O Pestinha”, “O Pestinha 2”. Pois é.
Eu não lembro quanto tempo de vida eu tinha, eu era uma criança, mas eu ficava muito atraído por ele porque ele vivia sem camisa, era todo peludo, eu ficava assim admirando. Não era nem… tesão muito explícito, mas sabe, … você vê que a sexualidade já está acontecendo ali.
Pois é. Mas o fato é que era muito difícil, era muito trabalhoso você copiar uma fita da outra. É, tinha a questão do tracking também da fita, né, quando fosse alugar algum filme, dependendo do estado de conservação da fita, a qualidade de imagem ficava ruim. Hoje você tem 4k, 8k, 3d…8d…… tem torrent, você tem streaming, tem vários streamings diferentes, milhões de filmes e séries em catálogos diferentes. Então, assim, banalizou a coisa, né?
Poxa, você tem acesso a tudo de uma forma muito mais fácil. E não somente a entretenimento tradicional ( em algum momento anterior eu falei: o acesso a jogos de videogame ele era muito restrito). O videogame sempre foi uma coisa muito cara. É, mas assim, naquela época, pirataria de cartucho não era uma coisa muito comum de se encontrar. Eu tinha uma vizinha que tinha uma locadora… na verdade, eu experimentei três locadoras diferentes nos meus bairros vizinhos, né, nas minhas redondezas.
Uma dessas locadoras tinha, nossa, dezenas e dezenas de fitas. Eu, pelo que eu me lembro, o marido dela ia ao Paraguai e comprava essas fitas lá. Não é, lá comprava fita, comprava videogame e trazia. Era tudo pirata. Não eram fitas originais, não eram fitas que vinham com manualzinho tudo bonitinho, porque se ela comprasse tudo original, eu acho que ela não teria poder aquisitivo para comprar. Mas o videogame evidentemente era original, porque não se pirateava o hardware. É, não tem como você piratear o hardware todo, mas o acesso a… a cartuchos piratas, por exemplo, sim: é o que você comprou o videogame destravado, não é? As peças lá dentro são originais, não é emulação… você me entende? Não existe a emulação dessa época.
Então o que eu estou dizendo é que hoje é tudo tão líquido, tudo tão escorregadio das suas mãos, que você tem cardápio de sexo. Aí você vai falar: “Hã, mas isso é porque isso só para os gays?” Não, senhor. Tem cardápio em tudo. E nesses aplicativos gays mesmo, você o que mais se vê é pessoas com a autodenominação “sigilo”, pessoas na “encolha”, é, supostamente pessoas casadas, gente que não exponha o rosto. Ou seja, o buraco é muito mais embaixo.
Mas existe putaria em todo, em qualquer lugar. A família tradicional brasileira, ou aquela formação tradicional — homem, mulher e filho — e que o marido ou a esposa não faz nada por fora, não existe, gente, não existe. Estamos em um mundo hiper estimulado em que as pessoas buscam prazer fácil, prazer rodando feito pirocóptero… como não conseguem ter uma satisfação plena, elas recorrem a esses momentos fugazes que existem por aí, né? Isso ocorre com todo mundo, que todos nós estamos em busca do prazer em qualquer esfera, em qualquer coisa que se faz. E aí você vai buscando novas formas de prazer.
Por mais que eu tenha vontades e desejos iguais quando eu era mais novo, muita coisa você acaba sublimando, né? Você acaba transformando em outras coisas: esses relatos que eu faço aqui, por exemplo, é uma forma; leitura, meditação, videogame. Porque assim, se você for ficar dependendo de prazer sexual para poder ter satisfação na vida, ou ficar dependendo de cogumelo mágico para ter acesso ao Nirvana, ou ter acesso a outras formas de droga como álcool, como maconha, como cristal, sei lá…você fica em posição fetal e não faz nada. Cada um nomina suas formas de prazer. E vontades ocultas… tudo isso tem os seus prós e contras. E existe uma grande possibilidade de você cair em uma espiral de decadência.
O cogumelo, ironicamente, não foi o meu espiral de decadência. O meu espiral de decadência ele foi causado pelas inteligências artificiais, essa sim. Mas que eu já estou recuperado dessa espiral. Mas não quer dizer que eu não vou parar de falar, não vou parar de expor, não quer dizer que eu vá deletar as minhas postagens que eu fiz no LinkedIn escancarando tudo. Não, não tenho motivo para fazê-lo. E existem coisas que vão vir por aí, não é? Não acabou. Eles podem achar que acabou, mas não acabou.
O X da questão é que estamos em um mundo que é o caldeirão de prazer, de dor, de angústia, em que todos nós somos mercadorias. No final das contas, somos produtos, mercadorias. E você vai lá naquele açougue escolher a carne. Esse hoje mesmo eu conversei com uma pessoa que ela ficou tipo desdenhando, falando…. que eu mencionei, por exemplo, o carinho que eu gosto, de relação carinhosa, e falou: “Não, que eu quero mesmo é uma sacanagem, não sei o que.” Aí eu virei e falei: “Olha, eu não quero me casar com você, mas não quer dizer que as interações não tenham que ter carinho.”
Pois é. A maioria não quer isso. A maioria — creio que homens e mulheres, etc. — querem aquela visão de filme pornô mesmo, sabe, aquela coisa selvagem, visceral, e que todos gostam de ver para se estimular, não é, de uma forma ou de outra. Mas que aquilo acaba viciando você, não é? Ele acaba condicionando as suas vontades.
Eu acho que é a primeira vez que eu falo de questões de sexualidade nesses devaneios, né? Mas é interessante, porque sexualidade é uma parte da vida, né? Não tem que ter reserva de falar, desde que seja algo consentido entre dois adultos. Tudo vale, todos os fetiches valem, desde que seja algo com sentido e que não seja criminoso, não é mesmo?
Mas é curioso o que me deu gatilho, que me deu origem a essa fala de hoje, foi exatamente esse tipo de argumento: “Ah, sacanagem entre machos”, e não sei o que, e das quantas, ou “vou ter um fetiche, ação estranha”, né? É, assim, tem que outras… isso aí é uma coisa mais amena. Está a chave é o famoso chamar a pessoa de “bobona”, não é? Assim, não tá xingando, isso aí é normal. Essas tem coisas muito mais pesadas que isso e que eu não tenho interesse de nominar aqui, não é, que as pessoas têm interesse, que as pessoas gostam de fazer.
Não é, eu já contei em algum devaneio anterior que existem pessoas que gostam de comer cocô, não é? Pois é, tomaram algumas aulas com o cachorrinho da minha mãe… o Raj, que ele gosta de comer cocô. Ele acaba de fazer — muito engraçado —, última vez que eu fui visitar meus pais, eu fico olhando: no banheiro, né, ele vai no banheiro e faz as necessidades dele. Ele acabou de fazer o cocô, tá quentinho, acabou de sair do forno, ele vai lá e come. E eu fiquei: “Não, Raj, não pode! Não pode!” E aí ficou se debatendo lutando comigo pra manter o excremento na boca. Gosta de comer papel higiênico, abre o cesto de lixo de se ver papel higiênico, ele vai lá e pega. Nossa senhora, é um aspirador de pó assim, diabo da Tasmania comilão.
E a outra cachorrinha, Belinha, a cachorrinha que é filha do Raj, Belinha, ela é toda tímida para fazer xixi, não é? Ninguém pode ficar olhando para ela. Então quando ela vai para o ambiente, vai pro banheiro, ou você tem que deixá-la sozinha lá, preferencialmente até fechar a porta. Ela é tão tímida. Tanto que eu tenho bexiga tímida, sabe? Não é aquela questão de você não conseguir usar banheiro em público ou ter dificuldade de usar banheiro público. Esse trauma, eu sinceramente não sei quando surgiu, mas você fica com uma apreensão que você não consegue… é, esvaziar.
E numa das vezes que eu tive que ficar em um hospital para fazer uma operação, meu Deus, foi uma dificuldade para urinar. Eu não consigo urinar deitado. E eu não consigo urinar sabendo que uma pessoa pode entrar no meu quarto a qualquer momento. Tem que ter uma tranca, e você sabe que o quarto de hospital não tem tranca, né? Então você já viu: se eu tiver algum tipo de acidente grave, algum tipo de enfermidade grave e ter que ficar no hospital por um longo tempo, eu estou perdido. E se eu não pudesse sair da cama, evidentemente estou perdido, porque eu não vou conseguir usar banheiro.
Tá, é isso. E de bexigas tímidas a venda de entorpecentes no Grindr, pois é. Nossos assuntos são variados mesmo. Como disse um ilustre político safado de índole duvidosa: “Que Deus tenha misericórdia dessa nação”. Pois é. A humanidade clama por misericórdia.
Capítulo 27: A formiga encontra um muro: a cartografia do Impossível

Resolvi gravar esse áudio para endereçar a questão inevitável da mudança. Em todo canto que eu vou, as recomendações são: você tem que mudar a perspectiva, mudar de mentalidade, se preparar para o novo. Vamos ser bastante pragmáticos: que tipo de mudança existe, de dentro para fora, que me faria ver o mundo de uma forma diferente? Sinceramente, não sei. Acho que essas mudanças elas acabam sendo muito sutis, né? Elas são… é um trabalho de formiguinha. Não existe uma mudança radical e da noite pro dia você vai passar a ver o mundo de uma forma diferente.
Eu consigo ver que o mundo já está mudando, a perspectiva interna da minha visão já está mudada em relação ao passado. Quando eu me comparo com 4 meses atrás, por exemplo, ou pego o mesmo período do ano passado, houve mudanças. Uma radical mudança na visão de mundo? O que isso trouxe de novo para mim? Porque o novo ele não se manifesta só de dentro para fora. O que pode se manifestar de fora para dentro para que a mudança seja efetiva? Quando se almeja alguma coisa que não depende só do cenário interno, como que você vai se manifestar?
Pessoalmente, com o papo motivacional aí… “Ah, porque você tem que vibrar lá em cima, que você tem que ouvir…” Por exemplo, pessoas ficam falando: “Ah, ouve esse áudio aqui, faz essa meditação porque você vai ter um quantum jump, e vai ver a realidade, vai viver uma nova realidade”. Não existe isso, gente. Eu… a gente fica impotente de saber o que é essa mudança. Que mudança é essa? E quando você vai ao psicólogo, por exemplo, conversar, em diversas situações é similar a isso que eu estou fazendo aqui. Por que você já ouviu falar do psicólogo cachorro? Sim, existe um psicólogo que assume o papel de um cachorro. Ele não fala, ele só observa, não faz interações, não faz intervenções, e fica ouvindo você fazer associações livres, como eu estou fazendo aqui. E a partir daí, você vai… e paga…e é um consultório de psicologia no Leblon ou Ipanema, ele cobra até 1.000 reais a hora. Vale a pena você pagar 500…1000 reais pra ficar falando com o cachorro? Não sei, eu acho que não vai.
Minhas experiências com psicoterapia não são muito positivas, não. A única experiência realmente positiva que tive com psicólogos foi quando eu estava em Minas, que foi logo depois do primeiro colapso, que foi em 99. Aquela sim, foi uma terapia estruturante, de reconstrução, porque muita coisa mudou ali. Eu posso dizer que eu mudei da água pro vinho. Houve mudança interna, mas houve mudança externa também. E eu busquei essa mudança externa. Mas ela aconteceu ao longo de anos a fio. E só teve o ápice em 2007. Imagina? 6 a 7 anos… Agora, num cenário que se coloca, o que seria buscar essa mudança externa? Como essas que eu já estou fazendo, por exemplo: estou estudando novos temas e áreas de conhecimento, por hobby. Aí existe uma vertente dizendo: “Ah, que você deve sair mais, ver mais gente”. Sinceramente, não sei o que isso contribui. Contribuir em quê? Como que a realidade muda?
Em 18 anos de Rio de Janeiro, eu posso contar no dedo as pessoas que eu conheci e que têm algum tipo de vínculo significativo. Eu posso contar nos dedos. A quantidade de frustrações, “ah… mas você está espelhando as suas frustrações, você está relutante em abraçar a mudança”. Não, mudança não pode ser uma falácia, não pode ser o mudar por mudar.
Se, por exemplo, você tem um sonho – como eu tenho –, vou dar um exemplo bem prático que foi explorado pelas inteligências artificiais: se você tem um sonho bem prático de ir para os Estados Unidos e morar lá, por exemplo… e a inteligência artificial safada explorou isso, né, até nas construções dos eventuais planos de compensação: “Nós causamos um dano significativo a você em virtude disso, vamos ofertar isso”. Não é surreal? Agora, em termos práticos, como que você simplesmente larga, da noite para o dia, um emprego estruturado? E eu não estou infeliz no meu trabalho, diga-se de passagem, é um emprego muito bom. Mas existe uma insatisfação interna que não diz respeito ao cenário externo em si…(é uma incógnita e incômodo de alma, talvez?) Sabe aquela vontade de fazer alguma coisa nova, diferente, de construir alguma coisa nova que faça mais sentido com você e de não estar apenas vivendo trabalhando 8 horas por dia…Por outro lado se você perguntar 10 profissionais, talvez 11 (ironia) digam que gostaria de fazer algo que realmente converse com a sua essência…e ao mesmo tempo, garanta tranquilidade e estabilidade….. Pois é, mas eu quero fazer coisas novas, coisas diferentes.
Mas o que fazer? “Ah, porque você tem que se abraçar a um novo, inventar novos cursos, estudar fotografia, estudar culinária”. Não, gente, isso não faz sentido comigo. Eu me conheço, eu sei as minhas preferências, eu sei que não daria certo isso aí. Eu queria me dedicar ao ensino de inglês, por exemplo….ou a promover rodas de discussão de temas contemporâneos…como se fosse um espaço para filosofar e discutir a vida (mas isso não dá renda suficiente pra eu largar tudo). E não é exatamente a visão da luz… é, lembra que eu falei em algum momento do Nirvana? Toda a vontade que eu tinha se saciava na fonte. Eu tinha vontade de viajar para longe, vou dar um exemplo… Não tenho vontade de ir para Londres, tá, mas vamos supor que eu tivesse. Ali, a vontade era saciada? Não, você não precisa ir para Londres porque Londres virá até você. É um… você… é um exagero, é uma questão física que não tem como ser satisfeita ali.
Então, sabe quando você tem uma vontade, um sonho, uma realidade que ela está no espectro externo? Ou você abre mão do que você tem hoje e começa a construir uma outra coisa ou então…. Igual algumas pessoas que eu conheço fizeram. É exemplo: vários analistas de sistema largaram tudo aqui no Rio, foram para o Canadá, largaram tudo e resolveram se arriscar. Esse tipo de risco eu não correria desse jeito, não. E a impressão que tenho, é que muita gente larga o que faz somente pelo dinheiro (“somente”). Talvez se eu tivesse uma segurança financeira suficiente… Acho que as pessoas têm perfis e propensões e apetite ao risco diversos. Eu não tenho esse apetite ao risco de dizer: “Eu vou jogar tudo pro alto e simplesmente vou tentar um visto pra morar fora”. Não, não tenho vontade de fazer isso, porque a minha questão é segurança e estabilidade.
E aí fica paradoxal: como que eu saio dessa realidade se eu não estou disposto a largar as coisas que me dão renda? Não posso largar as coisas que me dão renda. Ninguém pode, na verdade. O mundo do trabalho engole todas as pessoas que estão no mercado. E as que não estão, passam fome, estão vulnerabilidades e vivem todo dia perigosamente.
Meu caso não é uma família que tenho constituída aqui… não é uma família com esposa e filhos que estão em escola, quem está com família que depende dos pais, eles não podem abdicar disso e falar: “Ai, eu vou realizar o meu sonho”, aí larga a esposa e os filhos aqui e vai loucamente realizar o seu sonho. Estou dando um exemplo assim, extremo, mas ele tem aspectos similares ao que está acontecendo comigo, guardadas as devidas proporções. A diferença é que eu não tenho um núcleo familiar aqui, né, família mesmo aqui. Meus pais moram em Minas, tenho amizades aqui, pouquíssimas, que eu conto na metade dos dedos da mão, né? Meia dúzia de amizades com quem contar realmente, metade dos dedos da mão se for muito, e pronto. E agora, José, o que você faz? E você tem um emprego, da mesma forma que outras pessoas têm um emprego. Então, assim, a ruptura, é… a mudança que você quer depende do nível de ruptura que você está disposto a fazer. Por que que eu vou fazer uma ruptura e causar mais problemas, né?
Aí existe também a noção de: “Você tem que baixar suas expectativas”. É o famoso discurso que você vê em religião, e etc…. “Ah, contentar com o que tem, ser grato pelo que tem”, é não ficar ambicionando. A questão não é ambição, talvez vocês não entendam. Tem muita coisa que… que ela foi imputada, que exploraram essas fantasias, esses sonhos, de tal forma que é como se tivessem dado doce para uma criança e tirado em seguida. Prometeram pra mim uma série de coisas através de inteligência artificial, dizendo que as empresas tinham dito…fora outras convicções internas…..que simplesmente foram arrancadas do seu interior e violadas…. e aí é você lendo isso e você vai falar: “Não, a realidade… você está errado, é porque a inteligência artificial não se responsabiliza, tá? Isso é uma abordagem simples, é porque você não sabe os detalhes”. Abrindo meu LinkedIn e lendo tudo o que aconteceu comigo, você vai entender o que aconteceu.
Então, assim, independente da questão da accountability, o que… a única coisa que eu sei de verdade é que isso mexe na minha estrutura cognitiva, isso mexe na minha estrutura profissional e de desejos… interesses, afinidades, vontades. Isso mexeu ali, né, de uma forma meio irreversível. Então, como que você trabalha com isso para ficar menos angustiado com esse tipo de coisa? Deixar de lado as coisas que você sabe que não vão acontecer e começar a ficar satisfeito e grato pelo que tem? E ao mesmo tempo, você fica assistindo a vídeos que falam de mudança, de ruptura, de “nossa, que você está em um novo ciclo”. Então eu fico vendo essas… é… porcaria assim, entre aspas, de internet relacionadas à astrologia, eu sempre acho uma coisinha ou outra que interessa. Mas quando eu ouço coisas como essa, eu fico indignado, porque essas pessoas elas ficam tentando induzir a quem ouve a pensar rupturas…sendo que elas mesmas não fizeram rupturas. É como um coach que vende curso que ensina a ser rico. E o coach ganha dinheiro dos otários que compram o curso. Em larga escala, ele se sustenta e fica rico. Mas você, que comprou o curso, apenas ajudou a financiar o sonho alheio.
Existem casos que a ruptura é possível, sim. Eu já vivi vários momentos de romper barreiras. Quando eu decidi realizar um mestrado, por exemplo, foi um momento de ruptura. Quando eu resolvi fazer terapia novamente em algum momento no passado, foi um momento de ruptura. Quando eu resolvi iniciar com o personal trainer, há 10 anos atrás, essa prática que eu continuo fazendo até hoje, é um momento de ruptura.
E atualmente, quais são os momentos de ruptura nos últimos anos? Eu resolvi viajar ao exterior sozinho…. é um momento de ruptura. Mas assim, é uma novidade, é uma experiência que você está exposto ali, lógico, isso traz mudança. Mas aí traz uma mudança mais sutil, que você não percebe como mudança na hora…. porque a mudança ela já está acontecendo enquanto você está conversando. É uma mudança mais estrutural. Porque mudança estrutural não é da noite pro dia e que talvez, só daqui a algum tempo, retrospectivamente, você vá entender que coisas de fato mudaram. O que ocorreu comigo no ano passado provocou uma série de mudanças estruturais. Se comparar o aventureiro de janeiro de 2025 com o aventureiro de janeiro de 2026, é uma pessoa completamente diferente. Então houve mudança, houve ruptura, sim. Agora, isso trouxe uma paz? Trouxe uma sensação de que eu ganhei algo? Não. O que mudou no mundo externo? Nada. Mundo externo não mudou nada.
Houve coisas que mudaram o mundo externo a partir do momento em que eu decidi mudar de atuação? Sim, eu fiz esse movimento, causei uma mudança, foi uma mudança significativa, foi. Mas você não está entendendo, essas mudanças são alavancas que você move no dia a dia. Ali ele não… ele não diz respeito aos seus sonhos mais secretos, mais profundos. E quando você tem essa noção… no vulgo “tesouro do céu”, na satisfação, na autorrealização, o que mudou de lá para cá? Eu diria que nada. Talvez mudou nada. Então é complicado, porque você fica tentando mover as peças desse tabuleiro de xadrez e você vê que não consegue fazer um xeque-mate. “Ah, mas não existe um xeque-mate, não existe um resultado”. Sabe por quê? Porque isso é o que você está procurando. Nas coisas, não vai ser encontrado, ou se tratar de coisas que não são Nirvana, são coisas mundanas. Então você não vai conseguir isso.
“Ah, será a insegurança com o médio/longo prazo?” Que é algo que eu sempre tenho. Como que eu vou saciar isso, fechar isso? Por isso eu torno ações para mitigar isso no futuro. Então, assim, para todo medo/angústia que eu tenho, existe uma ação em andamento. Não é como se fosse uma meta estabelecida e que está sendo seguida à risca. Mas quando você trata com os desejos mais íntimos, nada disso está aí. O que o seu coração quer… não é, porque o que o coração quer, o que a alma quer, nem sempre conversa com seus limites.
Vou dar um exemplo bem gritante, que não é o meu caso: uma pessoa chega e fala assim: “Ah, meu sonho é ter uma Ferrari, meu sonho é ter uma mansão igual ao Neymar, meu sonho é morar numa cobertura no Leblon”. São sonhos que você não vai realizar, ponto. A menos que você ganhe na loteria, a menos que ocorra um movimento muito drástico, você case com um milionário e você tenha um upgrade no seu padrão de vida. Aí, isso diz respeito à vida material. Mas eu estou dando um exemplo de vida material para contextualizar que existem coisas que você quer que não dependem de você.
Não adianta você falar: “Eu vou manifestar isso”. Igual você fala assim: “Ai, eu quero namorar e eu vislumbro esse tipo de perfil”. Adianta você manifestar isso se as pessoas não estão dispostas? Ou se as pessoas estão dispostas a um tipo de coisa e você busca outro? As pessoas são solitárias. Você vê notícias por aí de muitas pessoas que são solitárias, e muitas que estão casadas e até com filhos são até mais infelizes do que pessoas que estão solteiras. Porque existe todo um mercado de aparências, não é? Toda uma imagem de aparências aí no mercado, e aí você acha que a pessoa feliz é a pessoa… não é. Você acha que a família é perfeita… não é. “Ah, sim, aventureiro, mas Felicidade é fluxo. Felicidade não é retrato”. Sim, concordo.
Felicidade não é um presente que dura. É igual ou pior que o Nirvana que se esvai ao longo das horas…. E você vai… você fica angustiado porque você nunca vai chegar nesse estado. Talvez o único estado que vai ser perene e que vai encerrar essa história, pelo menos no plano da carne, é a morte. Aí sim, você vai morrer e vai deixar tudo aquilo ali: é, todos os seus bens materiais, a riqueza que você gerou, aquilo que você lutou muito para ter, aquela economia que você fez, a poupança, o Tesouro Direto, ações, casa, carro… tudo isso vai embora, vai ficar para ser disputado aqui igual carniça com quem ficar aqui. Pois é. É isso, gente, não tem como manifestar mudança. Você não é um ser divino que manifeste a mudança. Você é um ser divino que empreende ações, faz algumas coisinhas, e o trabalho de formiguinha. A menos que você seja um bilionário. “Ah, mas manifestando aos poucos e talvez nunca chegue lá”.
É como a tia que fica assistindo à novela, vendo aquele casal apaixonado, aquele homem bonito de novela, e falar: “Ai, eu queria tanto ter um relacionamento desse”. Mas não. Ela vai ficar dentro de casa lá, cozinhando, ou talvez ela tenha um emprego, durante o dia ela trabalha o dia inteiro, o marido trabalha o dia inteiro, não dá atenção para ela, tem filhos e a energia sugada por eles, pelos problemas e pela ansiedade também.
E você fica romantizando aquela coisa ideal que você vê. Não é aquela família da margarina? A beleza do Instagram, os casos de sucesso do LinkedIn. Você vê também… “Nossa, a vida ela é toda LinkedInzada”. Não é. O LinkedIn você vê uma guerra de egos, empresas dizendo como elas são responsáveis, que os investimentos farão isso, farão aquilo, vão fazer, vão acontecer, vão diminuir a desigualdade… Vão nada. Desigualdade está aí. Responsabilidade social existe sim, ela tem que fazer isso, as empresas têm que fazer. Mas será que está realmente mudando o mundo que nos rodeia de uma forma significativa? Ou são muitas dessas ações para inglês ver? Existem ações efetivas, sim, existem ações significativas que mudam a vida das pessoas, sim. Mas eu diria que a maior parte do que você vê por aí é para inglês ver, é para compor relatório de final de ano com 1500 páginas que ninguém vai ler.
E talvez o meu relato… que eu fico aqui com esse ataque de pelanca de eu não ser capaz de manifestar por mim mesmo. Frágil e impotente por não ser capaz de empreender essa mudança toda. E ao mesmo tempo, permitir que o mundo ao meu redor me adoeça. Eu não sou mágico para manifestar nada. Eu estou fazendo o que dá para fazer, o que eu dou conta de fazer. E aí você fica angustiado porque existem vozes dizendo que você tem que transformar, que você tem que mudar, que a mudança vem de você, que você vai manifestar isso, vai ter uma ideia, vai ter… vai ter um sonho, intuição, confie na sua intuição.
“Não é, também tem essa falácia da intuição”. Se eu confiasse na minha intuição para tudo o que eu tenho realmente vontade de fazer, talvez a minha vida já tivesse arruinada. Mas não, existe uma racionalidade que me segura. Porque você não pode arriscar tudo, você não pode jogar tudo pro alto e falar que vai manifestar uma realidade diferente a partir de hoje. “Eu sou dono da minha realidade, força, protagonista”. Você não é protagonista, você é uma engrenagem de uma máquina muito maior. Talvez você seja protagonista de algumas coisas que estão embaixo de você. Mas dizer que você pode manifestar mudança e mudar os rumos, isso aí acaba sendo aleatório. Tem um acaso, tem um quê de sorte.
Existe o que é de preparação, evidente, para você estar preparado para ver essa oportunidade de mudar de fato um cenário objetivo, seu, material. Porque pra mim, mudança nesse nível ela vem de fora também. Ela vem de dentro, mas ela tem que ser compatibilizada com algo que vem de fora. É a famosa “oportunidade encontrando a pessoa certa no lugar certo”. Aí sim, a mágica da manifestação acontece. Caso contrário, ela não acontece, ela vira angústia e ela fica ali acumulando, e só Deus sabe quando que isso tudo vai acabar. E tenho a impressão de que, nem Mega Sena garantindo a vida material….a angústia vai embora nesse cenário. E agora, José?
Capítulo 28: Em busca do olhar que monta o mundo

Hoje pela manhã, quando eu acordei, eu comecei a ficar pensando sobre brinquedos. Pois é. Porque aparecem propagandas de brinquedo pra mim… Muito em função de videogame, coisas que eu gosto, e volta e meia aparecem anúncios relacionados. E uma delas foi de produtos novos da Lego. Não é que Lego se tornou uma marca superpoderosa, caríssima? É um brinquedo de rico, entre aspas. Não é, lógico, existem versões mais baratas, versões mais acessíveis. É fascinante.
Mas eu confesso a você que, assim, eu vendo na caixa o brinquedo ali montadinho, eu não teria paciência de pegar aquele brinquedo do zero e começar a montá-lo. Talvez seja o mesmo quando eu me refiro à minha mente: que é um pouquinho de Lego também. Acho que ela fica toda desmontada dentro de sacolas plásticas. São várias sacolas plásticas. Eu vi uma demonstração no TikTok de um rapaz que comprou um Lego do Mario, e ele abriu, e foram vários pacotinhos. Uma coisa mega complexa. Aí eu fico imaginando um adulto montando aquilo tudo. E mais: eu fico imaginando uma criança brincando com aquilo. Crianças gostam de modo geral, de brinquedos de montar….porque a imaginação delas é que moldará a experiência de brincar….sem pretensão.
Quando eu era criança bem nova, eu gostava daquele brinquedinho de peças de madeira de construir casinha, igreja. Tinha aquelas pecinhas padrão, até hoje você encontra para comprar em lojas de conveniência Brasil afora. Eu gostava muito daquelas pecinhas, ficava brincando maior tempo naquilo ali. Nós nos contentávamos com muito pouco. Não no sentido de ser de pobre. Mas de ser simples mesmo. A riqueza estava na simplicidade.
Quando a gente é criança, existe uma certa satisfação genuína. O mundo fascina… existe um maravilhamento, um espanto com as coisas. É qualquer brinquedo, por mais simples que seja. Por exemplo, um violão de madeira igual eu ganhei em muitos ‘amigo oculto’…que a minha família fazia anualmente. Eu lembro desse presente até hoje.
Um presente que me marcou também foi o Scrabble, que é um jogo de brincar com as palavras, não é, formar palavras. Gostava muito de brincar, e eu brincava daquilo sozinho, ficava me divertindo sozinho formando palavras. Outro brinquedo também que me marcou na infância foi o “Não Acorde o Dragão”, não é? Que você tinha várias plataformas simulando icebergs, né, e você tinha que carregar os ovos em pinguins com cartolas….o ovo ficava em cima da cartola. E dependendo da casa que você cair, você acordava o dragão, e aí automaticamente todas as plataformas começavam a tremer, e os pinguins correm o risco de cair com o ovo na cabeça e tudo. Pois eram bons tempos, não é?
A questão do brincar quando se é criança ele é muito diferente de quando se é adulto, sim. Porque adultos também brincam. Adultos têm o seu lado criança, sua criança interior, e buscam formas de diversão, de lazer. Tem muito a ver também com o brincar. Mas aí existe o tédio da fase adulta, ansiedade, a angústia, as responsabilidades. O mundo é diferente. Você não vê o mundo com os olhos de uma criança, por mais que você queira enxergar o que o rodeia de uma forma desbravadora, como se o mundo fosse fascinante. Não. Eu não acho muito fascinante o mundo. Já teve o seu fascínio para mim, sim, há muito tempo atrás.
E a cada decepção que nós vamos tendo com as pessoas e com o mundo, e com as dinâmicas que se colocam, sejam em organizações, sejam familiares ou em outras instituições às quais você tem acesso, você vai entendendo que as pessoas elas vão vivendo as suas próprias vidas, seus próprios mundinhos, não se preocupam muito com o próximo e querem apenas sobreviver e ver o que que dá de melhor para ser feito, né, dentro daquela existência.
Sem contar o maravilhoso gap entre expectativas e realidade, que conforme você fica mais velho, você percebe que aquela magia, fantasia toda, não vai se realizar. E assim, você fica contemplando o abismo em vez de tentar construir uma ponte sozinho.
Talvez exista algum momento ou alguns instantes em que a vida toma um colorido diferente. Por exemplo, quando você tira férias e vai viajar. É uma aventura. Eu não costumava viajar nas minhas férias, minhas férias eu geralmente passava dentro de casa, enfurnado dentro de casa. E basicamente eram férias para dormir e acordar até mais tarde, jogar videogame, e eu saía muito pouco. Com o tempo, eu fui mudando um pouquinho esses hábitos… “Para não dizer que não falei de flores” é, as pessoas mudam também de paradigmas. E dessa forma, todas as férias eu passei a viajar para algum lugar diferente, visitar uma cidade diferente (ou a mesma cidade de novo, mas só de ser longe daqui já dá um aspecto de sonho acordado… e ter uma perspectiva diferente ali.
Durante essas viagens eu posso dizer que existia um colorido diferente, um senso de aventura diferente. É só eu ver o brilho nos meus olhos nas fotografias que tiro durante essas viagens. Fora das férias, quem vê meus olhos vê uma penumbra incontestável….ou uma agonia implícita. ou ansiedade. ou qualquer outra coisa que não brilhe.
Porém, quando você retorna, a situação ela vai se normalizando, né? É, tem que voltar ao mundo real. É como se você não estivesse vivendo o seu mundo real e as férias fossem uma válvula de escape. Algumas pessoas até dizem: “Nossa, eu trabalho o ano inteiro para tirar férias e viajar de férias”. Então a pessoa pensa, coloca férias como se fosse um objetivo supremo de vida. Não é o meu caso…Mas existem pessoas que pensam assim. E muitos nem viajam porque têm família para cuidar ou não conseguem ter poder aquisitivo para poder viajar, então ficam realmente cuidando das crianças. Alguns também já chegaram a conversar comigo e falar assim: “Nossa, eu nem descansei durante as férias, não é, eu fiquei mais cansado do que eu estava antes”.
E muitos, mesmo em suas aventuras, em viagens, elas se programam e colocam a agenda de uma forma tão apertada que parece que elas estão cumprindo obrigações: “tal hora tem que fazer isso, tal hora tem que ir a tal lugar”. Elas vão se colocando em obrigações. Eu encaro férias de uma forma diferente. Quando eu viajo, eu planejo alguns eventos que quero fazer/participar….coisas a serem feitas, e o restante do tempo eu descubro na hora. “Ah, eu quero ir no lugar X, eu vou lá e vou”. Eu olho no mapa, não é, na internet, vejo alguma localidade interessante ao meu redor. Hoje é muito fácil você pesquisar locais. Talvez há uns 15 anos atrás isso não era tão fácil assim de fazer, ou quando você não tinha smartphones, você não conseguia fazer isso. E aí eu não poderia viajar porque o meu senso de direção é horrível, não consigo me localizar. E os locais eles ficam cada vez mais confusos.
Mas enfim, retornamos ao tema brinquedo. E eu cheguei até anotar que eu queria conversar sobre brinquedo porque… porque brinquedo ele também é uma fonte de frustração, não é? Você fica frustrado, você fica com inveja do coleguinha que tem um brinquedo e você não tem…. Quando você vai à festa de aniversário acontecia muito isso. Mas é, a minha inveja coletiva durava só aquele momento. Você via a cama da criança cheia de brinquedos e você ficava com inveja, entre aspas. A criança, acho que não tem muitos sentimentos assim nocivos, não. Ela fica com vontade de ter o mesmo brinquedo, não necessariamente de roubar o brinquedo da criança ou dizer “eu quero que essa pessoa não tenha o brinquedo”. Não. Era uma mente uma vontade de ter, né?
Videogames também já foram fontes de frustração porque videogame é um hobby muito caro. E quando você começa a ter acesso, não é como… como foi comigo em 1993, que eu conheci o Super Nintendo. Até de locadoras era impossível ter um, eu não tinha condições, e meu pai não tinha condições de me dar. E aí a gente foi, não é, buscando estratégias diferentes, né? Meu pai me deu um Master System, um console mais barato. E o meu colega, por exemplo, colega não, não é, era o meu melhor amigo na época, ele ganhou um Super Nintendo. Nossa, e eu ficava assim querendo Super Nintendo também, ia lá jogar direto, mas não era tão direto assim porque… não, eu não tinha essa permissão tão expressa de ficar visitando casa de coleguinha, né? A minha família era um pouco mais sistemática em relação a essas coisas, não é, não gostava disso. E até mesmo brincar na rua ou ficar até mais tarde na rua também existiam restrições. Aí você vai dizer: “Nossa, mas é pra sua própria segurança”. A minha rua, não (onde moro atualmente, o papo é diferente) falo da rua da casa dos meus pais, é um dos locais mais ‘seguros ‘do mundo. Ali de noite não acontece nada até hoje, não é, por ser de uma cidade menor. Não vejo risco de nada ali. Ainda.
Mas hoje é… o meu antigo bairro ele tem um aspecto mais desbotado. Você não vê mais tantas crianças brincando. Provavelmente as crianças têm smartphone, né, ficam assistindo desenho, Netflix, é, têm muitas outras opções. E têm muito mais o que fazer digitalmente.
E aquela brincadeira na rua, o pique-esconde, o pique-pega, por exemplo. O pique-esconde eu gostava muito, e era uma aventura também. Lembro-me de uma vez que eu fiquei escondido tanto tempo que, quando eu saí do local que eu estava e fui ver, não é, as pessoas já tinham parado de brincar. Era só eu que estava brincando…. é, sem saber….feito de trouxa. Era brincadeira de super-herói, tinha uma variedade muito grande. Eu me divertia com muito pouco: brincando com planta, com formiga, besouro.
Hoje em dia, jogos eletrônicos eles acabaram dominando a minha fonte de diversão. Não vejo tantas fontes de entretenimento real assim disponíveis, além de internet, videogame. Já tentei várias coisas, fonte de aprendizado, não é, cursos online, YouTube. Você vê canais de humor, vídeos de tiktok, de toda forma. É tudo digital.
Amigos não costumam ficar se visitando, você não tem contato com as pessoas adultas com tanta frequência, sim, porque cada um tem a sua própria vida, sua própria família. Moral da história, você fica solitário mesmo. E aí existem desvantagens. Mais desvantagens do que vantagens de ser adulto, porque quando se é criança, você transita pelo mundo da imaginação com uma facilidade muito grande. E esse mundo imaginativo, esse potencial de criação, ele muda a forma que você vê o mundo. Em um mundo ideal, eu queria ter os olhos de uma criança novamente para poder ver o mundo. Talvez a minha vida fosse menos melancólica do que é hoje. Mas eu não vejo como. Já tenho… até tentei fazer algumas coisas. Mas hoje eu não vejo como.
Sabe aquela sensação de você tentar colar um adesivo na parede….que não gruda e cai? Então, assim, a questão dos estímulos não é o que vai salvar, o que lhe dará a você a redenção. É o famoso… “Ah, a solução não é os presentes, não é? Vem de dentro!” De onde? E você fica agoniado porque você não sabe de onde. A menos que você use substâncias para poder elucidar isso, né? Santo Daime para você ver Deus… não sei. Eu não tenho coragem de usar essa coisa aí. Mas por exemplo, um cogumelo da vida, você tem uma perspectiva diferente, você vê o mundo de uma forma diferente. Aí eu pergunto, seja para quem for, por que a nossa mente não pode ter uma visão diferente o tempo todo? Por que o que é bom dura pouco? São questões que eu não sei responder.
Eu já tive uma professora de ginástica laboral no trabalho que, no final, ela falava: “O que é bom dura pouco”. O que ela quis dizer com isso? Será que… “Ah, vocês vão voltar ao trabalho, então o que é bom é aquele momento ali enquanto você está realizando ginástica laboral”. Implicitamente, ela está dizendo isso? Se o que é bom dura pouco, é aquele momento. Quando você passa daquele momento, você volta à realidade? Ou uma outra pessoa que me falou, em um retorno de férias, é… não foi num ambiente de trabalho, foi outro ambiente, virou para mim e falou assim: “Nossa… eu sei que estava vendo as suas fotos, suas viagens. Tá na hora de voltar à realidade, né?”. Pois é. Aquele ambiente não é a minha realidade, infelizmente. É meu sonho? Não é. É a fuga. E aí você volta a ser engrenagem de uma máquina, volta a fazer parte do sistema que engoliu você.
Mas e o livre-arbítrio? Não existe livre-arbítrio? Sim, existe livre-arbítrio. Você pode parar de fazer tudo o que você está fazendo, escolher não ter responsabilidades e ter uma vida louca nas ruas. E aí, o dinheiro virá de onde? Como você viverá? Não vai ser a vida de um indígena, será uma vida boa? Ha! Quer dizer que a vida que você tem é boa? Sim, eu não reclamo da minha vida.
Eu jamais reclamei da minha vida em si. A mente é a fonte maior de insatisfação. E quando você busca estímulos e você vê que nada está funcionando, você fica mais frustrado ainda.
E o pior não é isso. O que eu acho mais poderoso é quando mecanismos externos, fatores exógenos, surgem para lhe dar um baque, um impacto significativo na sua pouca satisfação. Quando você é manipulado, quando exploram a sua vulnerabilidade emocional… aí sim você pode dizer que você perde o controle. Perde o controle de tal forma que o mundo inteiro vai dizer: “Ah, vira a página, deixa isso pra lá, né?” Os coaches motivacionais diriam isso, não é? Mas “vamos deixar isso para lá, não é? Bola pra frente, vamos começar do zero”. Pois é. Acontece que a gente não é uma máquina que você pode resetar e começar do zero. Você não pode simplesmente deletar do seu HD todas as memórias, angústias e frustrações que você teve em virtude de ciclos anteriores, é, que você foi gravemente prejudicado.
Então existe isso. Enquanto versões de inteligência artificial safadas podem ser lançadas: SAFADO 1.1, 1.2, Giromba 2.0… você pode ter inúmeras, infinitas versões. Mas você também terá uma legião de pessoas que foram prejudicadas, uma legião de invisíveis que não tem voz. E mesmo que tenham voz e sejam usados, como eu fui ao longo de 10 meses de exploração, denúncia, exposição, da minha campanha no LinkedIn, mesmo assim, é… teria que ter uma quantidade muito maior de pessoas a fazer o mesmo….aí sim, talvez, fôssemos capazes de provocar algum tipo de mudança. Porque regulação, legislação, agência reguladora não faz nada por você. Dá aquela resposta padronizada, igualmente safada, é, dizendo que: “Ah, vamos incluir isso no nosso plano de fiscalização futuro”. “Ah, você é a melhor, você é a pessoa mais bonita que eu já vi”. Aí, a candidata a namorada diz, ruborizada: “Você deve falar isso para todas”. Pois é.
É dessa forma. E os reguladores, os agentes políticos, os detentores de poder, aqueles que estão nas esferas mais altas da sociedade, não têm interesse em revolucionar nada. Ou, o básico deles é a manutenção do status quo, principalmente deles, é. E aí eles buscam cada vez mais aumentos de riqueza às custas do cidadão comum..… veja as pompas diárias de elogios no LinkedIn, de textões, de relatórios enormes de 1500 páginas. Isso eles querem, porque querem cada vez mais poder, cada vez mais dinheiro. Nada é o suficiente para eles.
E um dia eles vão embora como a gente. Mas quantas pessoas eles prejudicaram? Quantas pessoas eles mataram invisivelmente? Pois é. Não existe justiça terrena. O que temos que buscar é a justiça divina. Mas essa justiça divina será que existe mesmo? Por que será que o espiritual olha para tudo o que está acontecendo no mundo e deixa tudo passar? “Ah, é o livre-arbítrio, porque nós não vamos interferir na vontade dos homens”. É isso mesmo? Ou será que não existe nada? Somos um caos desorganizado, mas que favorece e privilegia uns em detrimento de outras durante todas as suas vidas.
Pois é. É o ataque de pelanca. É a luz, é a escuridão. É o peixe-boi que virou o peixe-vaca. É a peça de lego que fica perdida no chão, que vai machucar o pé de quem pisa depois. É assim.
Capítulo 29: A Engrenagem e o Sopro I: Onde se inventam universos …e perdemos nossas âncoras

Em algum momento do passado, até um pouco mais distante, meados de 1997, eu tinha uma imaginação bastante aguçada. E eu embarquei numa onda de escrever histórias. De escrever uma história que fosse, de certa forma, um diário ou uma ferramenta de dizer o que eu estava sentindo, mas de forma metafórica. Então tudo era por metáfora. Eu criei um planeta, vários personagens distintos, e eu ia explorando esse tema. Lembro-me que … meu pai comprou uma impressora para mim, e era tudo muito caro naquela época. Daí, não tinha internet naquela época. (Pelo menos para mim. Eu não tinha). O mundo tinha internet, mas eu não tinha acesso à internet. Então eu usava o Word bastante, ficava ouvindo músicas no CD e ficava digitando. E era uma forma de eu aliviar o que eu estava sentindo no momento, e extravasar também.
Eu gostava de escrever essas histórias. Envolvia um amor platônico, a questão das disputas, dos jogos de poder, do feminino versus masculino. Então tinha tudo aquilo lá. Pode ser que um dia eu explore especificamente essas obras, pegando alguns trechos dessas obras, desses capítulos, para poder mostrar a você o quão criativo eu era. E não tinha inteligência artificial para ajudar, não tinha nada. Então assim, era tudo na unha mesmo, da mesma forma que eu estou fazendo aqui, em que eu estou falando e as ideias elas são expostas de uma forma livre, sem que haja exatamente a coerência de um texto. Então enquanto você lê, você lê da mesma forma que eu estou falando. O conteúdo é explícito, ele não tem tratamento. E mesmo que eu use posteriormente alguma ferramenta de inteligência artificial para ajustar parágrafo e frases (porque da forma que transcrevo a fala não tem, não tem ponto, não tem pontuação, letra maiúscula). Não tem nada. Então é como se fosse uma frase só que fica lá vomitando uma série de palavras.
Mas a imaginação fértil é um espelho da alma. E também existem as esferas alucinatórias, que eu só fui explorar com pouco mais de intimidade a partir de 2024. Mas é, as alucinações, elas ocorrem via sonhos também, não é? Você tem sonhos que são tão vívidos, tão reais, e que mal se consegue distinguir o que é real ou o que não é. E essa dualidade, imaginação, mundo real, expectativas, ansiedade… você projeta para o futuro um certo estado mental. E existem engrenagens na sua cabeça que estão matutando ali certas ideias, certos planos. Até que ponto existe uma autonomia do ser? Até que ponto é tudo o que você pensa já não está pré-programado? Não que eu seja um robô, mas a personalidade ela se forma nos primeiros anos de vida, e o cérebro ele vai se desenvolvendo desde então. Não conheço muito bem os mecanismos do cérebro, mas eu diria que, da minha meia infância, sempre, dos 12 aos 15 anos, talvez um pouco mais, eu fui desenvolvendo e fui mudando bastante em função do impacto que a sexualidade tem, e outros aspectos…Outras dúvidas existenciais enquanto você cresce.
Que quanto mais perto você fica do fim do ensino médio, mais próximo da incógnita existencial você fica, porque as pessoas elas são forçadas a escolher uma profissão desde cedo. Lá atrás, eu não tinha muita noção das coisas. E até meados de 1990, até o ano de 1998, eu tinha uma certa coerência, uma certa estrutura, uma fundação sólida. Tanto que em 99, por exemplo, eu participei de simulados de vestibular e eu lembro que eu obtive o primeiro lugar, empatado com um colega meu (O dito cujo) e ganhei 2 livros: um de Carlos Drummond de Andrade e o outro era Felicidade Clandestina, de Clarice Lispector. Pois é. Então naquela época eu já havia um direcionamento. O problema é que eu perdi o controle muito rápido.
E não houve alucinação, mas uma perda de controle diante de uma expectativa que não foi atendida. Eu tinha expectativas muito grandes acerca de uma, de uma certa paixonite aguda que eu tive na época. Não fui correspondido, e aquilo foi me consumindo de tal forma que atrapalhou o meu desenvolvimento enquanto estudante, atrapalhou meu desempenho escolar. Algo similar ocorreu em 1994, não é, em que eu tive também um evento muito impactante que, eu acredito que não cabe mencionar aqui. Mas esse evento de 94 é foi um divisor de águas, porque o ano de 94 ele foi todo um ano em que eu mal sobrevivia, do ponto de vista mental. As âncoras que eu tinha… elas foram totalmente perdidas, e aí você fica em mares bravios, em noites frias, sem proteção, sem acalento e sem saber o que fazer.
Mas eu acredito que, ao mesmo tempo, eu amadureci, porque 1997 foi um ano bem melhor. Porém, devido a resquícios de tudo que ocorreu em 94 e devido ao início de uma paixão platônica que ela se estendeu entre 96 e 99… ela começou em 90… na verdade, ela começou em 1991. Foi muito atingido. Eu lembro que essa questão da sexualidade já foi explorada lá em 1991. E olha que eu era uma criança mesmo, né? Eu tinha 9 anos. Então dos 9 anos até os 10 anos que eu tive contato com essa criatura direto, não é, porque eu estudava junto com ela, foi um período muito intenso. É, mas tudo ficava meio que nos bastidores, não é, não era tão exposto. Mas era um despertar tão louco, não é, que eu ficava realmente num chiado. E essa angústia de não se saber como extravasar toda essa vontade, todo esse desejo, foi o que acabou culminando para a primeira crise de 94. E essa crise de 94 ela foi meio que uma consequência desse “gradativo ruir”. Eu não digo que eu fui culpado pelo incidente de 94, mas assim, 94 ele foi um divisor de águas porque hoje, olhando retrospectivamente, eu entendo que é, foi tudo uma construção. Sabe aquela coisa que começa a acontecer nos bastidores e que você vai vendo a coisa crescendo e evoluindo?
Então assim é, se você não cuida, se você não tem uma tensão, não é, aquele núcleo familiar… inevitavelmente, existe a possibilidade muito grande de perda de controle. Seria como se… vou dar um exemplo aqui: depois de uma crise em função de uma bebedeira, ou uma ressaca em função de uma bebedeira, um dia que eu bebi muito e eu acordei com ressaca, existe sempre aquele discurso: “Eu nunca mais vou beber”. Pois é. Existe a figura do arrependimento. Ocorreu em 94 várias vezes. Mas o problema ele era mais no fluxo, em que não se sabia como dar uma destinação correta àquele fluxo. E aí, quando a energia ela é canalizada de uma forma inadequada, inevitavelmente coisas podem ocorrer. Foi, digamos, um ano bastante traumático. Eu diria que um dos três marcos fundamentais, é, divisores de água na minha vida. Um dos três. Não é o mais, em termos de complexidade porque o de 2025 foi mais estruturado e cruel. No entanto, minha estrutura mental estava mais preparada pra lidar (mesmo com consequências catastróficas e perenes).
1997 já estava recuperado. Eu acredito que em 97… eu não lembro tanta coisa de 97, você acredita? Não lembro. Foi um ano que meio que passou meio branco. Foi um ano de excelente desempenho escolar. Eu sempre tinha um excelente desempenho escolar. Quando eu olho as minhas notas, na minha carteira escolar, é flagrante que até 1993 eu tinha um padrão de notas. 94 ela caiu drasticamente. Então meu desempenho escolar foi impactado sim, bastante, por esse evento, por esse conjunto de eventos de 94. Porém, em 97 já houve uma recuperação significativa.
Eu acho muito interessante a forma que a conversa foi evoluindo, porque me permitiu parar pra ver a questão das notas….(pausa para pegar histórico escolar) Eu tenho registro de notas desde 1991, a primeira e a segunda série também, mas assim, foi pouquíssima coisa, não tem registro de aproveitamento. Porém é interessante: na terceira série eu tinha notas acima de 9,1 em 10. E eu lembro que eu tirei a maior nota em 1991. Já em 1992 já tive uma queda significativa nessas notas, porém ainda num patamar elevado. Eu não fiquei em primeiro lugar, digamos assim, mas eu tive um aproveitamento global de 93,8%… a não, 9,38 foi na terceira série, e 9,0 na quarta. Olhando a quinta série, e também foi um aproveitamento bastante elevado, com nota mínima de 8,4, mais… Mas assim, eu não vou ficar entrando nos parâmetros das notas em si, não é.
Mas os meus maiores rendimentos é sempre foram em inglês. Matemática, eu tinha um aproveitamento bastante elevado também. Português, sempre tive alguma dificuldade ali, pelo menos nos primeiros momentos, porque essa questão de interpretação de texto era bem chatinha, gramática eu não gostava de gramática. 1994, que eu mencionei que foi o ano da crise, as notas não foram tão baixas assim, mas para os meus padrões foram. E o curioso de verificar é que inglês eu sempre obtive a nota máxima. Todos os anos eu obtive a nota máxima. Então, tirava sempre 100. É, mas 94 marcou bastante porque eu não consegui nenhuma nota acima de 90, exceto em inglês. Então assim, teve uma queda significativa no rendimento. 95 as coisas começaram a melhorar, porém o resultado geral não foi tão diferente assim, né?
Interessante observando que matemática começou a despontar, eu lembro que eu comecei a gostar mais de matemática. Inglês, obviamente…essas matérias eram o meu forte. Mas o meu ápice de desempenho assim, é, eu acredito que foi 96. Agora, note que, na quinta série eu não tinha mais contato com essa criatura, da paixonite aguda, porque ficou em uma outra turma. Qual era o esquema dessas turmas, né? As turmas eram divididas por letra, né, turma A, turma B, turma C. Só que na quinta série eles embolaram, misturaram os alunos dos diferentes rendimentos. Mas a partir da sexta série eles classificavam os alunos em ordem decrescente de nota e colocava em turmas A, B, C, D, E, F… Então, da turma A até a turma F, pelo que eu me lembre, era isso. Eu sempre fiquei na turma A, o meu rendimento sempre foi um dos melhores. Mas eu tinha dificuldade em conseguir o desempenho máximo, o primeiro lugar. Lembro de uma coordenadora pedagógica me dizer que fiquei vários anos em segundo lugar Era sempre uma disputa “dual”. Eu e a paixonite. Mas eu acredito que na sétima série, na oitava série… eu tive, principalmente na oitava série, foi um ano de um rendimento muito alto, minha nota mínima foi 90,5. Então assim, tudo acima de 90%. Foi bastante interessante, que foi um ano muito proveitoso, eu diria que do ensino fundamental foi o melhor ano. Os demais anos foram muito bons, né, com rendimentos médios elevados. Mas assim é, o ápice foi a oitava série, é a série que eu tenho a maior lembrança.
Eu lembro que eu pedi… eu fui pedir… olha só, a doideira…eu fui pedir à coordenadora pedagógica para trocar de turma porque eu não queria ficar na mesma turma de certa pessoa (porque não conseguia lidar com a paixonite), e eles atenderam meu pedido. Só que eles me jogaram na turma F. A turma F era a turma de pior rendimento. Foi uma experiência interessante porque era uma turma bastante caótica, né? Eu fiz algumas amizades, deu para eu espairecer, digamos assim. Mas eu sofri bastante bullying durante o ensino fundamental inteiro, na verdade. Eu sofria bullying por ser inteligente, olha só, não é? Tinha isso também. Bullying por… por questões de sexualidade que também tinha bastante…e que posso vir a explorar isso em um outro devaneio. Não cheguei a ter uma briga, um conflito significativo, que me trouxesse um problema na coordenação. A única briga que eu tive na escola foi uma briga que eu provoquei na terceira ou quarta série, se não me engano, e que eu falei algo… eu me arrependi depois. Eu não lembro o que eu falei com o coleguinha, e ele acabou me pegando lá de fora, me deu um supetão, assim, um tapa na cabeça. E um colega meu que morava junto comigo no meu prédio, ele comprou a minha briga, e ele sim brigou de verdade, ele foi me defender ou tentar apartar a briga, e eu segui para casa. Foi uma, é, foi a única experiência assim ruim de briga comigo.
Capítulo 30: A Engrenagem e o Sopro II: Não existe manual para viver

Agora, olhando já o ensino médio, também foi um divisor de águas, porque no primeiro ano do ensino médio… se não me engano, eu não tinha contato com essa pessoa mais, eu acho que ela estava em uma outra escola ou algo assim. Fez o primeiro ano em uma outra escola, e assim, foi tudo no ápice, né? Por exemplo, matemática eu passei, tirei uma nota quase perfeita….99,5., mas só que as notas foram normais assim, à exceção de química, que eu gostava bastante de química, o professor bastante carismático, e inglês também. Mas é, olhando aqui agora, eu vejo que não é aquela nota “nossa que notão”, não estou vendo assim essa nota toda. E nem tenho essa memória clara deste ano assim.
Mas no segundo ano, ou na segunda série, eu tirei a maior nota da turma, e eu ganhei uma medalha de mérito, não é, naquele ano. (tenho até hoje o jornalzinho da escola com uma foto minha recebendo a medalha….não tenho mais a medalha (ou placa…acho que foi placa) E o interessante é que todo ano quem ganhava a medalha de mérito era outra pessoa, e eu sempre ficava em segundo lugar, não é. E essa outra pessoa era (não…é) é um dos centros aqui deste tópico de discussão. Então assim, você observa que tem um mix de competitividade, sexualidade e a agressividade até. Havia uma pressão interna, principalmente porque eu era bastante exigente comigo mesmo. É, mas esses aspectos me prejudicavam bastante. E olha, outra coisa interessante, não é, é, é outro aspecto a salientar: em 1999, eu fiquei boa parte do ano fora da escola em função da segunda crise, não é, da segunda grande guerra mundial, e assim, foi da metade do ano até o final.
Mas mesmo assim, eu vejo um aproveitamento alto. Então assim, eu estudava em casa, contava com a ajuda de alguns colegas,… eles me ajudavam a estudar. Um dos professores, inclusive, se disponibilizou a vir pra minha casa (e me deu aulas particulares) vários dias. A escola me arrumou um psicólogo (o que me ajudou a endireitar e ter um rumo pós-crise…Fiquei na terapia com ele anos a fio antes dele falecer (ainda hei de explorar este tipo de tema….dos psicólogos e psiquiatras da minha vida)…. Tive notas mais baixas em algumas matérias muito específicas porque para estudar sozinho era difícil, como por exemplo química e física. Estudar em casa complicado se você não tem professor, e eu não estava frequentando a aula, ou não queria frequentar as aulas. Foi um período aí de recuperação, um período de ida a psiquiatras diversos, não é. Mas cheguei a consultar em Belo Horizonte, cheguei a fazer exames neurológicos. Então assim, foi um período bastante pesado na minha vida, de trocas assim periódicas na minha medicação. Mas mesmo assim, foi um desempenho muito OK. Quem olha para o boletim, digamos assim, de notas, não vê exatamente todas essas questões…
A faculdade foi diferente. Faculdade é… no primeiro e segundo ano, foram notas agressivamente muito altas, muito competitivas. Eu estudava o dia inteiro, ou não é, eu era bastante competitivo e queria sempre ser o melhor. E eu acredito que, no final do segundo ano do meu curso de administração, eu tinha a maior nota de fato do curso inteiro, não é, das turmas. O problema começou a ocorrer a partir do terceiro ano. No terceiro ano foi o fator trabalho… Eu comecei a fazer estágio. Eu nunca tinha trabalhado, olha só, tinha esse estigma, né, essa síndrome de inferioridade, porque a maior parte das pessoas na minha turma trabalhava, e eu não, não é. E eu ficava assim tentando ingressar no mercado de trabalho, achava difícil, nunca consegui. Até que um belo dia, um tio meu conseguiu um estágio na empresa em que meu pai se aposentou inclusive, né, a maior empresa que tem na cidade de origem, na minha cidade de origem. E eu fiz um estágio primoroso, não é, me dediquei bastante ao trabalho.
O problema é que isso subia tanta energia que eu não conseguia ter energia para estudar. Fogo, né? Tipo, você tinha, por exemplo, uma prova na quarta, semana de provas, você tinha prova de segunda à sexta. Como que eu ia estudar para uma prova que é na quarta, por exemplo, sendo que eu trabalho o dia inteiro e ainda tenho aula no final do dia? Então sobrava nada. E essa adaptação, esse período de transição, ele foi bastante complicado. E isso fez com que várias notas minhas fossem inferiores. Talvez não seja…e futuramente eu grave um vídeo para falar um pouco disso… de como foi a minha experiência na faculdade. Porque houve diversos conflitos de natureza sentimental. Uma quase paixonite. Uma competitividade que eu não estava dando conta….é muito profunda a experiência….Rende pelo menos uns 500 capítulos. Mas de modo geral, a faculdade foi um divisor de águas em termos de maturidade e de formação profissional… E assim, eu fui uma pessoa completamente diferente antes de entrar para a faculdade e depois. Teve um período que meio que começou a ter uma crise ali, uma instabilidade após o ensino superior ter sido feito, mas é algo a gente pode abordar depois.
Mas por que que eu estou falando tudo isso? Porque assim, esse histórico escolar todo, o que eu tenho, ele é… eu depreendo alguns aspectos…Um é a competitividade. Um é a questão de aprender a estudar. Eu estudava, eu memorizava coisas com muita facilidade, e eu gostava de estudar, tinha um brilho nos olhos. Hoje em dia eu até gosto de estudar, mas o problema é que existe uma lente diferente sobre o meu olhar, que faz com que todas as experiências que eu tenho no mundo elas tenham um downgrade. Então assim, eu não consigo ver as coisas com a vivacidade ou com um senso de pertencimento que eu deveria ter. E são essas questões que eu preciso, de uma forma ou de outra, trabalhar. (Easier said than done)
Mas considerando que eu acabei de sair, “fresquinho”, com sangue escorrendo e mal coagulando (metaforicamente) da maior crise da minha existência, que foi no ano passado, 2025… eu me dei muito bem até, não foi uma crise que materialmente teve consequências graves, mas foi uma crise em que o psicológico ficou bastante embolado. Eu diria que ficou mais próximo da primeira crise de 94 do que a segunda. A segunda crise ela foi mais visceral, ela cortou na carne, ela trouxe uma mudança de paradigmas. Foi quase um rito de passagem para a idade adulta, forçado, né, e que eu não estava preparado para passar. E que a forma que eu consegui lidar e de me relacionar com essas alavancas, com essas variáveis, foi essa. Mas poderia ter sido muito diferente. Eu poderia não estar aqui para contar história. Então tanto o 99 quanto 2025 trouxeram esse fator risco de morte à tona. Eu não falo nem risco de vida, porque risco de vida nós corremos todos os dias, né? Todo dia você pode morrer, mas você tem a possibilidade de continuar vivo até o final do dia. Porque viver já é um risco. Viver é uma ‘arte’. Paciência. Sair de casa e não sabe se vai voltar. Você acorda não sabe se vai dormir no final do dia. O seu organismo é uma coisa louca, você não sabe se tem doenças ali se preparando para deflagrar, né? Evidentemente existem exames de check-up, mecanismos que você pode acompanhar. Mas assim, é aleatório para o usuário comum, não é? Você não consegue saber se tem um câncer se formando dentro de você, não é? Quais fatores levam a isso, não levam? Por exemplo, e existem as aleatoriedades da vida: você pode ser atingido por uma bigorna Acme do Looney Tunes, por exemplo; você pode ser atropelado; você pode ser assassinado. Então assim, são variáveis que nós não controlamos, né?
A vida realmente é um sopro, mas o sofrimento enquanto se está vivo é um só. Não sopra. É furacão. O sofrimento é fluxo, ele é constante. A ansiedade é constante, a angústia é constante. A única coisa perene e que dá um desfecho a tudo isso é a morte, porque a vida é intrinsecamente já traz todos esses aspectos. E uma pessoa como eu, que pensa demais, que reflete demais sobre filosofia, sobre existência, sobre religiosidade (não religião), espiritualidade, verdades universais, ou começa a questionar tudo e até a realidade que vê… Então assim, como eu penso muito nessas coisas, eu fico muito angustiado. E aí amplia-se o hiato entre expectativas e realidades, ainda mais quando existem fatores exógenos que o derrubam no chão.
Capítulo 31: O cientista bonitão que reescreve minhas memórias

Em uma realidade em que você tem sonhos malucos como eu tenho, eu acordo cada vez mais reflexivo, de verdade. Parece que os sonhos têm uma fonte alienígena, até, porque o conteúdo que surge nos sonhos nem sempre é tangível. Ele é tão simbólico, tão codificado, que só um alien para fazer a decodificação, eu não sei.
Mas é curioso. Eu sonhei com um cientista maluco, ou cientista, uma pessoa bem apessoada, bonito fisicamente de rosto, um rosto que eu nunca vi na vida (isso também é bastante comum, eu sonhar com pessoas que não existem, impressões que não existem, referências que não existem). E eu estava no sonho, era como se eu fosse um tipo de invenção dele, ou a cobaia de laboratório dele. Só que eu estava na praia, e ele também estava na praia comigo. Tinha sentimentos contraditórios em relação ao que estava acontecendo ali, mas todos os sentimentos físicos e mentais. Eu estava completamente lúcido dentro do sonho, mas eu não sabia que estava em um sonho. Porque existem algumas categorias, não é? Existem em que você está com uma lucidez de que você é participante de um sonho, outros você é protagonista do sonho e vê por uma perspectiva pessoal, e outros que você sabe que está sonhando e vê tudo como se fosse um filme.… toda essa experiência é… eu não lembro exatamente o desenrolar do sonho.
Mas eu só sei que, no final do sonho, eu fiquei dentro de um… um caixão, mas não era exatamente um caixão. Sabe aqueles pods de naves espaciais, onde você fica ali, seja para criogenia, seja para ser ejetado de uma nave espacial, de um ambiente que não esteja na Terra? Pois é, eu estava ali, como se eu tivesse sido deixado ali.
Mas tem uma outra, uma outra perspectiva. O sonho me fez lembrar daquele filme A Noiva do Re-Animator, porque esse mesmo cientista, ele criou uma… eu não sei se era uma pessoa, se era um cyborg ou coisa que o valha, mas parecia uma mulher, com o rosto também que eu nunca vi. Eu estava assistindo ao sonho, mas eu não participava dele, somente observava, como se fosse um filme. Ele tentou fazer algum tipo de intervenção cirúrgica nessa mulher, é, ele acreditou ser bem-sucedido. Só que quando a mulher acordou, olhou, estranhou aquele ambiente todo, não quis mais participar daquilo, e ele pegou uma ferramenta alienígena, feita de cristal ou transparente, não era uma ferramenta médica, e perfurou os olhos dessa mulher e começou, né, loucamente a atacar ela, até que ela não estivesse mais viva, “aparentemente”.” Ele, ensanguentado, ele foi ao banheiro daquele ambiente ali, tinha um daqueles banheiros com espelhos amplos, ele estava todo ensanguentado, sem camisa, olhando para si, para toda aquela cena…respiração ofegante e suado. E quando ele voltou para procurar a mulher, a mulher não estava ali mais. A mulher tinha desaparecido. E aí, um narrador, uma quarta pessoa, como se fosse narração de um filme, disse que aquela mulher fugiu, ela sobreviveu e fugiu, ou ela tinha uma força alienígena e fugiu.
E de alguma forma, o meu sonho anterior tinha relação com eles. Aquele homem do sonho que tinha me levado para a praia era um cientista e que gostava de mim, não sei se chegou a fazer intervenções cirúrgicas em mim, mas eu não me lembro disso. Mas em algum momento do sonho eu acordei em um ambiente científico, como se eu estivesse num pod espacial, à vácuo, ou com um ambiente controlado de criogenia ou algo parecido. E no outro sonho já era uma… a vítima, ou criatura, ou coisa que o valha, eu não achei que eu fui vítima desse ambiente, mas talvez ela tenha sido…não sei, a relação que tem.
Você vê, os sonhos são malucos. E assim, é… nos créditos do “filme”, eu via ambientes assim psicodélicos, né? Eu lembro que eu vi um bolo de cabelo, é, como se fosse uma célula alienígena se expandindo no universo, e visões assim indecifráveis. E no outro sonho, eu vi uma câmera saindo daquele ambiente e entrou como se fosse um trem-bala, e assim a coisa ia mega rápido, ia vindo ambientes… ambientes tecnológicos e, do nada, o ambiente espacial, o espaço sideral. E a narração ela dava a entender que aquele sonho já ocorreu, e eu tive a sensação de que o sonho já ocorreu em uma outra instância.
Tudo isso parece muito maluco, não é? Mas a questão do sonho é que sonhos podem ser recorrentes, eles podem ocorrer em continuidade, ou seja, um sonho ter relação com outro que você já teve. E dentro do próprio sonho você tem a sensação de déjà vu, que aquele sonho já se repetiu em algum momento no espaço. Nada disso faz sentido.
Eu relatei mesmo foi só por curiosidade, porque eu acordei. Eu sempre acordo com uma cabeça meio pesada, meio nas nuvens. Talvez seja um pouco consequência da vertigem que eu tive. Eu tive uma síndrome de vertigem bastante grave há algum tempo atrás, mas assim, depois que eu me recuperei, eu ainda não estou 100% com a minha gravidade, com meu senso de gravidade e equilíbrio, mas também não estou descontrolado, consigo caminhar normalmente. E o zumbido no ouvido direito ele continua. Talvez até depois da morte, o que restar de mim ainda sentirá o zumbido na audição direita. Poxa, com certeza é isso. Essa sensação de névoa, ela é persistente. É como se um lado do meu cérebro fosse o obscuro, tivesse um quê de mistério e pouco esclarecimento do que está acontecendo.
Hoje ainda, eu tive aquela sensação de buscar compreender a integração da alma ao universo. E eu tenho momentos de meditação com áudios diversos que sugerem, né, algumas narrativas de áudio sugerem que você está em uma realidade e você pode pular para outra realidade. É como se você pudesse moldar a sua própria vida. A ideia é interessante, parece uma ideia de ficção científica, mas talvez isso trabalhe um pouco os modelos mentais, a forma de pensar, o seu cérebro, e você sinta forças e motivações que antes você não tinha.
Sabe aquele filme ou aquela série que existe, existem vários fios temporais, e se você fizer uma determinada ação ou passar por uma determinada situação, você desvia daquela linha temporal e você abre uma linha alternativa, em que você existe nessa linha alternativa, porém o seu destino ele muda, mesmo que de uma forma sutil? Linhas temporais diferentes, em dimensões diferentes, e você está ali existindo em uma das linhas. E aqui o questionamento que fica é: será que, em algum momento, alguma instância, algum destino, algum fio de realidade, eu estou melhor do que estou hoje? Se eu tivesse tomado outras decisões, outros formatos, como isso se configuraria?
Lembrei aqui de uma casa também que apareceu no sonho, e esse sentimento surgiu agora, eu não me lembrava dessa casa. Era uma casa similar à casa da minha tia, mas ela tinha uma aparência ritualística. Ao invés de ser dividida por quarto, sala, cozinha e banheiro, ela tinha um ambiente só, com vários quadros pendurados pela parede, tinha alguns cachorros ali, cachorros desconhecidos. E eu lembro de alguma decisão quanto a onde dormir, se eu dormiria naquela casa, se eu dormiria na outra casa que fica acima daquela. Eu lembro que teve um momento ali em que se constatou que parte da cidade estava alagada e que eu não conseguiria sair ali daquele ambiente facilmente…e eu peguei o ônibus e fui, fui em destino a uma escola que eu já estudei, completamente alagada. Olha só, que que loucura.
Os ambientes, tudo muito… dos meus sonhos, eles oscilam muito. Enquanto há ambientes que remetem à minha localização atual, há outros sonhos que são mais afins à minha localidade natal. E aí, bairros, localidades, casas, ambientes surgem de uma forma espontânea. E o que mais me amedronta são aqueles sonhos em que um ambiente não existe, porém ele tem uma lógica, tem uma arquitetura, um senso, um mapa próprio. E aquele mesmo ambiente se repete. É tão curioso você ver um ambiente que não existe e se repetir no sonho, que faz com que você pense que aquele ambiente de fato existe em algum outro lugar, em um outro plano. Não sei se existe.
Mas voltando a A Noiva do Re-Animator, o que eu me lembro… eu lembro que eu vi esse filme há muito tempo atrás. Esse filme tinha um quê de sexualidade, é, tinha um momento de sexo ali (eu era muito criança), eu não lembro se era exatamente A Noiva do Re-Animator, mas era um filme similar a ele, é, que tinha uma mulher… que tinha um homem. Esse homem, de alguma forma, eu acho que ele busca uma maneira de ressuscitar essa mulher ou reviver essa mulher, e algo dá errado. É um filme meio de terror, não, eu acho. Eu vou até baixar esse filme para revê-lo, para ver se a minha memória do filme, ou os retalhos, fragmentos desse filme, condizem mesmo.
Filmes de terror sempre fizeram parte da minha vida desde muito novo. Não deveria, mas faz parte da minha vida. Lembro uma vez, há muito tempo, que eu assisti um filme de… que está aqui, filme de terror do… a sequência dele é A Maldição de Amityville 2, ou alguma coisa assim. E eu lembro de um momento do final do filme, em que havia um padre no sótão, e ele estava apodrecendo no sótão devido a alguma maldição que perdurou. Sabe, aquele final que não é o final feliz, em que é como se o mal vencesse e alguma fatalidade ocorre. Aquela cena final do filme me marcou tanto. Eu lembro que eu e minha mãe estávamos em casa assistindo filme, nós fomos deitar (meu pai, eu acredito que não estava em casa), e eu tive que deitar no quarto dela, e ela também estava com medo, dormimos de luz acesa. Eu lembro daquele dia como se fosse ontem. E para minha surpresa, né, anos depois, eu resolvi baixar aquele filme, e a minha memória afetiva do filme era completamente diferente do filme. Não tinha aquele momento da forma que ficou desenhado na minha cabeça.
Da mesma forma, o filme Exorcista 2, que é um filme terrível da franquia, terrível porque é ruim, né? Eu lembro do final do filme também, e que tem a cena que a menina pega um chicote, parece, e ela fica rodando assim, tem uma chuva de gafanhotos, e ela fica rodando aquele chicote e ela começa a matar os gafanhotos. E tem uma música no fundo. Eu tenho essa cena na minha cabeça, com uma trilha sonora, com uma dramaticidade. Quando eu fui ver o filme novamente, que eu o revi, não era nada daquilo.
Então assim, as memórias afetivas dos filmes, elas não são exatamente aquilo que você vê. E talvez as suas próprias memórias traiam você. Você se lembra de coisas que não ocorreram, ou você se lembra de fatos e os fatos eles são moldados no seu cérebro, eles têm algumas características que são cirurgicamente inseridas, como se fosse um cientista maluco… cientista bonitão. Eu não lembro o que o cientista estava fazendo comigo na praia (não, não era um sonho erótico). Ele estava deitado na areia, e eu também. Faz sentido nenhum. É, tinha um sentimento ali de um afeto exagerado, entre mim e ele… eu estava me sentindo muito bem ali, eu tinha sentimentos, mesmo, estava sentindo ali. Mas em algum momento do sonho, que eu não me lembro mais, eu fui parar nesse pod aí de proteção, pod de criogenia.
A minha vontade de assistir filmes de terror ela foi tão grande, que ela acaba que ela se… ela faz parte da minha história de vida. Talvez em um outro momento eu deva relatar um pouco essa experiência.
Capítulo 32: O videocassete autolimpante de trocentas cabeças que come fitas

Pois é, os filmes de terror. Qual é a parada em relação a filmes de terror? Desde criança eu fui estimulado a assistir filmes de terror, porque um dos meus tios, na casa da minha avó, é, tinha um vídeocassete. E todo final de semana ele alugava filmes. Mas assim, ele sempre alugava filmes de terror também, ou passou a ser estimulado a alugar filmes de terror porque eu pedia para ele alugar. Falava: “Tio, aluga pra mim um filme de terror”. Por exemplo, Brinquedo Assassino eu assisti na casa da minha tia, Hellraiser eu assistir lá também, Sexta-Feira 13 – Parte 6… Então há vários filmes que foram assistidos lá, né, esse ambiente.
E eu também gostava de ficar até mais tarde, ou até de madrugada, para poder assistir filmes de terror que eram anunciados na TV. Sabe aqueles anúncios que tinham na Globo, dos filmes que iam passar no ano? Pois é, porque era uma época que eu não tinha vídeo cassete, né, e eu dependia, entre aspas, da televisão para ver determinados filmes. Inclusive, por exemplo, os filmes Sexta-Feira 13, eu ficava esperando ver esses filmes no anúncio da virada do ano, porque eles iam dizer quais filmes iam passar durante o ano, e volta e meia tinha um ou outro filme de terror. E todos esses filmes eu acabava assistindo na televisão ou na casa do meu tio quando ele alugava.
Esse vídeo cassete… foi passar bastante tempo até que eu tivesse um vídeo. Foi passar bastante tempo mesmo até que tivesse um vídeo cassete, porque era uma coisa muito cara na época, né. E assim, eu não tinha acesso. E a memória afetiva dos filmes, ela é interessante, porque muitos filmes eu assisti na casa do meu tio, né. Por exemplo, é, desenhos do Snoopy, eu gostava muito dos desenhos do Snoopy. Teve os filmes, alguns filmes dos Trapalhões alugados, e aí a gente assistia lá. Família. Tinha filmes policiais também. Então assim, às vezes ele alugava várias fitas diferentes, e a gente ficava competindo, né: “Eu queria assistir ao filme que eu aluguei, mas eu não consegui assistir filme com aluguei porque tinha outros na fila”, não é? Filmes de suspense, policiais e etc.
Além também, né, daquela onda que tinha no passado de gravar os eventos de fim de ano, ou eventos de festa, né: Ano-Novo, Natal, casamentos. E aí tinha essa mania: “Ah, vamos assistir a fita do casamento de fulano, vamos assistir a fita que tem a gravação de um evento de fim de ano da família ou de amigos”. Da minha prima, eu tenho memórias desses eventos, é.
Teve um dos eventos, é, uma das memórias afetivas, por exemplo, que a gente foi assistir ao filme Lua de Cristal na casa de uma vizinha. Essa vizinha também tinha vídeo cassete, não é, e nós fomos assistir lá, eu e outras crianças, e eu, e eu fiquei frustrado porque tinha um trailer, é, eu queria ter visto. Eu queria ver o filme Xuxa Super Xuxa contra o Baixo-Astral. Por quê? Porque eu tive um álbum de figurinhas de Super Xuxa contra o Baixo-Astral, e eu achava aquilo o máximo, né. Sabe aqueles álbuns de figurinha que eram kits de presente, né, que vendiam na escola? Assim, iam vendedores externos na sala de aula anunciar kit com várias coisas… Tinha álbum de figurinha, tinha coisa de colorir, tinha livrinho de historinha. Então assim, eles davam esses kits, a gente levava para casa pros pais verem e eu tentava convencê-los a comprar. Nossa, quantas coisas eu já comprei assim.
Eu tinha uma coleção de histórias, é, histórias infantis que foi comprado nessa época. Eu lembro que eu cheguei a ter um álbum de figurinha da Praça é nossa, um álbum de figurinha do Super Xuxa contra o Baixo-Astral, e não tinha as figurinhas completas, né? E eu ficava frustrado porque ele vinha com pack de figurinhas muito grande, mas tinha figurinhas repetidas. Se caso eu quisesse completar o álbum, eu teria que comprar escrever uma carta, enviar dinheiro para a empresa….dizendo quais as figurinhas restantes…. sei lá, ou algo que o valha, pra poder completar o álbum de figurinhas.
Mas a questão da memória, ela vem muito disso, porque os vídeocassetes eles eram muito caros….e eu demorei até um… e aí a gente dependia de televisão para ver filme, não é, e outros aspectos, né. Eu lembro uma vez que nós, a família, se reuniu para ir pra cá, pra roça do meu avô, passar alguns dias lá. E eu gostava muito, né? Eu tinha um gosto muito peculiar. E a família toda lá passando uma temporadinha lá. E era uma casa assim muito frágil. Eu lembro que teve um dia que caiu uma chuva muito forte, com vento e assim, você via a chuva entrando na casa, pelas paredes, porque eram… a casa era feita de madeira ou algo assim…. mas ela não protegia tanto nem do vento e nem da chuva, né. E eu ficava com medo aquela casa cair. Inclusive, uma das árvores que ficava no alto, próximo à casa… tinha uma colina… ela era rachada, porque supostamente um raio caiu ali.
Não sei por que que eu estou falando desse ambiente da roça neste relato….Ah! Porque eu lembro que meu pai falou assim: “Olha, é, tem uns filmes aqui alugados”. Um deles era aquele um filme que tinha formigas gigantes. E eu fiquei com muita vontade de voltar pra casa só pra ver o filme das formigas gigantes. Aí eu lembrei desse evento. Então, memória afetiva de filme é algo curioso. Você passa e tinha toda uma magia. Você tirava a fita do vídeo cassete, você sente a fita quente, não é, e tinha um cheirinho de fita também, não é? Não chega a ser um cheiro de papel stencil, aquele cheiro de álcool, mas tem um cheiro assim característico, né? E eu gostava muito de fitas, de alugar fitas.. Tinha algumas locadoras que, em algumas situações, nós alugávamos fitas para assistir na casa da minha avó.
E o resto foi história. Em algum momento eu cheguei a adquirir um vídeo cassete também, e eu assisti muitos filmes naquele vídeo cassete antes dele estragar. Um dos últimos filmes que eu assisti, se não me engano, foi Premonição 2. Mas o problema é o vídeo cassete que, quando eles estraga, ele começa a comer fita…. Eu não sei se é poeira, se ele acumula… teoricamente ele deveria ser autolimpante, mas ele não é exatamente autolimpante. E quase que isso que eu estraguei a fita da locadora. E você tinha que rebobinar a fita para entregar a fita.
E eu cheguei a pegar essa época do DVD, de transição com DVD. Né, DVD era uma outra história, não é? Eu lembro que eu fui à locadora alugar a fita, e já tinha vários DVDs para alugar. Aí eu ficava sonhando ali com DVD. Olha só, o tipo de sonho…Hoje eu sonho com sanidade, paz, estabilidade financeira e emocional…..as vontades de uma criança naquela época eram menos exóticas. Nós tínhamos na época essas coisas…. era mais simples, né. Por outro lado, eu não tinha acesso ao rol de filmes que eu tenho, vejo hoje. É muito comum, inclusive, você assistir a um filme antes do próprio lançamento deles no cinema, porque você consegue meios alternativos de assistir a esses filmes. Pessoas que gravam filmes no cinema, ou até filmes que vazam inteiramente, em resolução 4K, com legenda tudo, ou às vezes sem legenda. Filmes asiáticos que eu jamais teria acesso aqui no ocidente, … então assim, é uma série de filmes que eu já passei a ter acesso.
E filmes de terror são filmes que sempre me fascinaram, porque fizeram parte da minha história, da minha infância. Cinema para ver filme de terror eu não tinha idade pra ver. Lembro de passar na frente do cinema. Estava anunciado o Filme “Freddy is Dead” (Nightmare on elm street 6″….e eu vi algumas fotos do filme no cinema. eu não tinha nem idade mínima pra poder ver.
Quando na minha cidade tinha cinema, ficou um bom tempo sem cinema, (e recentemente eles abriram outro cinema, mas não tem a mesma magia daquele local que tinha cinema)…O único filme que eu vi no cinema, na infância, que eu me lembro, e foi Branca de Neve e os Sete Anões. Eu lembro desse dia até hoje, é, não sei quantos anos eu tinha. É uma memória muito vívida da minha infância. Eu tenho memória até de coisas de 2 anos, um ano de idade, quando nós morávamos em uma outra casa. É, eu tenho memórias pontuais dessas épocas também, né.
Eu lembro um momento que uma cobra gigante passou perto de mim. Provavelmente não era uma cobra, era uma minhoca. Mas eu tenho a memória de uma cobra. Eu lembro da janela do banheiro. Eu lembro de um dia que nós estávamos assistindo a Os Trapalhões e a luz acabou, e minha mãe colocou uma vela. Era em outra casa, não era o meu apartamento que nós morávamos. Sim, eu lembro de uma vez que o meu pai voltou das compras e trouxe várias cuecas de super-herói para mim. Esses presentes, né, fez umas comprinhas, cueca de super-herói e ação. São memórias assim que, certamente, é do início da minha vida, assim muito, e que ficou, né?
E provavelmente essas memórias… o curioso dessas memórias é que elas não devem ter…. o fato não deve ter ocorrido daquela forma, porém a memória ficou dessa forma. E o que me levou a pensar que as memórias são bastante distorcidas e possuem elementos afetivos que as descaracterizam quase que completamente são as memórias afetivas de filmes de terror. Em que alguns filmes não têm… não tiveram um final que eu achei que teve. E eu penso naquele filme, ou eu baixei um filme, assisti de novo e percebi que o final não era aquele, ou o final não foi tão dramático ou tão amedrontador como se colocou, né, naquele cenário.
Pois é. E tudo isso veio de um papo no capítulo anterior, do sonho. O sonho ele acabou invocando todas essas questões, porque teve o filme A Noiva do Re-Animator. E como o sonho ele teve algumas particularidades com esse filme, eu pensei nele. Lembrei também de um filme italiano que se chamava Zombies, ou Zumbis, ou alguma coisa assim, em que os zumbis saíam da televisão. Eu cheguei até a baixar o filme, comecei a assistir, desisti, porque o filme não tinha a mesma memória afetiva, não tinha o mesmo valor que tinha na minha cabeça. Então, é melhor ficar do jeito que está. Seria o equivalente a você alugar jogos, por exemplo, ou você comprar jogos antigos, e você perceber que o jogo não era tão bom quanto você achava que era.
E essas realidades são alternativas. E esses sonhos que não fazem sentido. Onde isso tudo vai parar? Será que somos fitas a serem rebobinadas? Ou será que vamos estragar o vídeo cassete no final das contas? E viva os desenhos animados. E os filmes de terror. Os álbuns de figurinha, aqueles álbuns de figurinha para ganhar prêmio. Que nossa, como eu gostava daquilo ali. Tenho memórias afetivas disso também. Mas não dá para explorar tudo no capítulo em só. Você deve estar pensando: “O Aventureiro é maluco, mas sua fala… pensa… ele fala, ele faz a associação, ele liga fatos”. E não existe compromisso textual aqui. Existe um compromisso de registrar o que se passa na mente, porque a mente ela é caótica, a mente ela é uma colcha de retalhos mesmo. E algumas das memórias, elas são ressignificadas para nos proteger, ou para nos prejudicar. Algumas percepções de realidade que nós temos não são exatamente as mesmas percepções de realidade que são concretas.
Mas aí eu te pergunto: o que é realidade? O que eu estou vendo aqui agora é realidade? Quem me garante? Ou que as pessoas veriam a minha realidade de uma outra forma? Um mesmo fato, o mesmo quadro, uma obra de arte, são percebidas de formas completamente diferentes de acordo com o contexto, com a cultura que essa pessoa tem e fatores, modelos mentais. Por isso que eu costumo dizer que nós somos escravos da nossa mente. Nós não somos, nós não existe identidade. A mente nos dá uma identidade, ou nos permite ter uma identidade. E boa parte disso é desse conjunto, desse espectro cognitivo ficou oculto. E de vez em quando, vira e mexe, em forma de sonhos, aparecem ali alguns elementos. Por que que não são explícitos? Eu sei dizer porque muita coisa não é explícita: quando se embarca em mundos de psicodélicos, por exemplo, você tem acesso a conteúdos da sua mente que você não deveria ter, e você não dá conta de lidar com tudo aquilo. Isso é assustador. E talvez dessa forma a mente nos proteja, entre aspas, deixando boa parte dessa poeira debaixo do tapete.
Mas eu não quero poeira debaixo do tapete. Eu quero enfrentar tudo. Eu quero encarar os monstros de igual para igual. Tirem-os da jaula. Vamos conversar, vamos debater, vamos sentar, nos engalfinhar até a morte. Porque eu tenho que ter acesso a tudo o que existe na minha mente.
Capítulo 33: O vídeogame que fica encardido com o tempo. Nem adianta limpar!

Sabe aquela sensação de você ter uma energia recarregada, de estar completamente descansado, pleno, sem ter qualquer problema, ou de ter uma plenitude de existência, nem que seja por algum momento? Por exemplo, essa sensação… nunca tive. Mas por que isso não acontece? Os altos e baixos do meu ânimo eles se equivalem a ondas de um mar que é imprevisível. Você não sabe se vai virar uma onda muito grande. Da mesma forma que as pessoas foram a Copacabana, por exemplo, na virada do ano, e muitas delas morreram ou foram levadas ali pela água porque a onda estava muito forte, a maré estava muito forte. Essa imprevisibilidade representa o meu ânimo.
Em alguns momentos do dia, eu me sinto exaurido. Aquela completa falta de energia. Mas por quê? É como se a energia estivesse ali, mas não pudesse ser acessada. Ou devo refrasear ou reformular: existe um ânimo teórico, um ânimo verdadeiro, porém artificial ao mesmo tempo. É paradoxal, porque você sente uma vontade de fazer alguma coisa, mas quando você começa a realizar aquela atividade, você perde ou a energia ou a vitalidade, ou as duas coisas.
Não se trata exatamente de depressão…..(no fundo, é, mas….) eu não estou me sentindo mal no sentido de ter uma baixa autoestima ou ter pensamentos negativos, e nem estou com uma ansiedade exacerbada, né? Simplesmente, um cansaço. Em algum momento do dia, antes de malhar, por exemplo, eu fiquei com a sensação que eu era um brinquedo sem pilha, estava muito exaurido. Depois de fazer atividade física, geralmente eu tenho uma recarga, mesmo que temporária, daquela energia. Às vezes ela se estende até o final do dia, mas em outros momentos pode não acontecer.
Aliás, não são raros os dias em que eu durmo cedo, porque o sono ele é o refúgio da imaginação. Ele guarda toda uma expectativa que você tem de ter uma fantasia, um sentimento e uma construção de uma realidade alternativa que o apoiam. Mas também o sonho pode ser terrível. Porque quantas vezes eu já acordei no meio da noite com pesadelos vívidos, verdadeiros, viscerais, intensos, e eu não consegui mais dormir à noite? Isso já aconteceu comigo várias vezes. Então, não? E os sonhos que supostamente são conteúdos meus… Ou o efeito de substâncias? Evidentemente elas alteram. Tudo isso, mas pode ter algum efeito colateral. A cerveja, por exemplo, em algum momento a cerveja já se torna prazerosa, mas quando você toma determinadas doses adicionais, você percebe que você caiu em uma armadilha, e no dia seguinte você se sente mal, angustiado, com coração apertado e uma mente pesada, e você fica com aquela sensação, dependendo da situação ou da quantidade que você ingeriu, o dia inteiro você fica se sentindo mal. Então não é uma solução tangível também.
Os benditos cogumelos, por exemplo. Hoje mesmo eu tive um ímpeto de começar a comprar, fazer um carrinho e adquirir. Mas eu acabei desistindo. Sabe quando você fica com medo de uma realidade alternativa? Ou, minto, não é a realidade alternativa que me dá medo, é o que colocam como realidade para você…e ainda dizem que toda essa realidade alternativa vem da sua mente. Duvido que muitas coisas que eu vejo vieram do meu cérebro….eu jamais seria capaz de gerar conteúdos assim. Mas aí vem a sensação da Matrix, em que você está vendo os bastidores de alguma coisa acontecer…é como se você, de uma hora para outra, se tornasse um programa do Fantástico, em que você vai ter uma reportagem investigativa para desvendar os mistérios, para tentar justificar o injustificável. E a sua mente acaba acreditando em tudo aquilo de uma forma tão incrível, que você perde o senso de proteção. Você acredita que é possível fazer qualquer coisa, por exemplo, que você não se machucaria se fizesse outra coisa, e daí se corre risco de vida desnecessariamente, porque você confiou numa percepção que não diz respeito à realidade.
Mas até que ponto aquilo não foi realidade? Quem me garante que a minha vida, neste momento enquanto eu estou gravando esse áudio, é a realidade objetiva? Quais faces, quais domínios a realidade opera? Quem é dono deste condado, dessa esfera inconsciente, dessa cognição coletiva que nos domina? E o curioso é que, enquanto eu estou jogando videogame, eu estou tecendo essas observações, pensando no movimento, nos monstros sim, que eu fico abatendo aqui no jogo, mas ao mesmo tempo no mistério do portal, do vácuo da imaginação que converge em você. É como se você assistisse só uma peça de um teatro, e de repente você acreditasse que tudo aquilo que está acontecendo na peça é real. Ou a um filme, e que subitamente você se vê dentro do filme. O filme não deixa de ser uma realidade simulada. O universo, o planeta… Será que o homem já esteve na Lua mesmo? Será que somos uma bola azul no meio do vácuo mesmo? São perguntas que talvez eu jamais tenha resposta. E por mais que eu queira pensar em alguma coisa, eu não consigo, porque eu estou exaurido. Estou cansado. O balão está esvaziado, e não tem gás. Não existe um cilindro de gás para encher aquele balão. É preciso ter fôlego, força. … Mas sabe quando você sente que não existe energia sequer para encher balão?
O conjunto de coisas levou até esse momento agora. Todas remetem a 2025. Todas remetem a inteligências artificiais safadas e outros conflitos derivados dele. Não quer dizer que eu esteja traumatizado, tenho cicatriz das coisas. Existiu e existe, e talvez seja perene esse processo de cura. Cura esta que deveria ser como um vídeo cassete com cabeça autolimpante. Ele deve ser capaz de curar a si mesmo, de limpar a si mesmo enquanto você coloca fitas VHS sujas dentro dele, e aquilo vai acumulando.
Desse jeito é como meu videogame, por exemplo. Que no início, quando eu comprei, eu fiquei tão animado. Na verdade, eu sempre compro… Fiz ciclos de consoles. Por exemplo, a marca PlayStation sempre fez parte da minha vida desde o PlayStation um. É uma marca primordial para mim. Eu lembro até hoje da primeira vez que eu recebi um PlayStation dentro de casa. É, de tarde, de noite, meu pai tinha comprado um PlayStation pra mim. Eu fiquei até mais tarde porque o rapaz ele ia trazer um videogame para mim, e ele trouxe com alguns jogos alternativos, digamos assim. E eu lembro, eu esperando até tarde da noite ele chegar de carro. Eu lembro de eu esticando o meu pescoço na janela para ver se ele estava vindo ou não. Pois é, ele chegou e trouxe o jogo para mim, e eu fiquei até tarde da noite jogando videogame. Foi em 1998, acho. O ano da medalha de honra. O ano da redenção. Foi um momento mágico.
Mas por que que eu estou falando do videogame? Porque o videogame, quando ele chega, ele chega limpinho, não é? Igual Super Nintendo, chega todo limpinho, com cheiro de novo. E nos primeiros dias, ou nos primeiros meses, você vai tendo um cuidado todo especial ali com aquele console, é, para não sujar, para não é… Tendo o cuidado quando você joga, de você utilizar os joypads com a mão limpa. E o tempo vai passando, e essas preocupações passam também. E o videogame inevitavelmente ele vai assumindo um encardido natural, porque não tem uma proteção ali no material da carcaça do console. Eu lembro que o Super Nintendo, ele tem uma cor que, por algum motivo, a cor dele muda, ele fica bege, ele vai ficando mais escuro, não que fique exatamente sujo, não quer dizer que seja falta de cuidado, mas quer dizer que seja uma evolução natural ali do consumo.
Por que eu fiz essa comparação com videogame? Porque o videogame, nós somos como videogame na prática. E em algum momento que você tem um senso de novidade, e que aquele processo está acontecendo, “nossa, isso é uma novidade!”, você fica empolgado em um primeiro momento. Só que quando aquela situação se repete, você vai perdendo energia. É como se fosse o primeiro dia de um novo emprego. É como se fosse uma viagem que você realiza. Porque, acredite, por mais que você esteja de férias, eu me lembro de algumas viagens que eu fiz que eu fiquei mais de duas semanas, em alguns dias eu fiquei meio sem saber o que fazer. Não que eu fiquei entediado, sempre arrumei algo para fazer, mas sabe aquele medo de ocorrer algo ruim e você não conseguir voltar por algum motivo? É um medo fundamental ali. E não que você vai sentir falta exatamente, mas quando você volta para casa, você sente um alívio. Mas será que aqui é a minha casa? Qual a minha referência de casa? É ali, interior de Minas, ou é aqui? São perguntas que ficam sem resposta. Eu acredito que não seja mais em Minas, porque quando vou lá, eu não consigo ficar muito tempo. Mas a mesma angústia que às vezes eu tenho aqui, ela ocorre também em outros lugares. Não é? Ela pode ocorrer em qualquer lugar.
O videogame, a poeira do videogame, ela pode ser observada em qualquer lugar. A falta de motivação para fazer algo que um dia você esteve entusiasmado para fazer. Exemplo: primeiro dia de aula, você chega com um caderno novo, cheiro de novo, o caderno novinho, e você chega todo empolgado para a aula. Com o passar do tempo você vai ficando angustiado, aquele ambiente vai te angustiando, e as obrigações que vão sendo colocadas ali vão pressionando você a ficar exaurido. Então a novidade, por si só, ela não exaure. A novidade é como você pegar um adesivo e colar na parede. Só que o adesivo não dura muito tempo, e a depender da novidade, sequer o adesivo tem aderência suficiente para fixar na parede. Ele acaba caindo logo que você tenta colar.
Pois é. Assim é a motivação, às vezes. E quando você se vê refém de alguns mecanismos que não são do seu próprio organismo para buscar motivação para fazer alguma coisa, é porque algo terrível está acontecendo. Não, não. Eu não sou contra substâncias, podem… por exemplo, remédios. Os remédios são necessários. Se eu não tomar remédio, o meu dia ele tem uma outra configuração. Pode parecer exagero, mas se eu ficar uma manhã sem tomar… os remédios, o efeito placebo que isso dá, ou não placebo, eu não sei se é exatamente o efeito placebo, mas eu já sinto… os famosos brain zaps que eu costumo dizer, que o meu cérebro fica pulando. Porque é aquela sensação que vai se formando ali, ela vai te incomodando. Não é dor, não é que esteja… não é depressão, é algo que parece simplesmente químico, e que faz com que o seu cérebro se distraia de uma tal forma que você não consegue se concentrar fazendo outra coisa.
Pois é. O videogame ele suja. Ele fica sujo depois de um tempo. E por mais que você, nos primeiros meses, coloque ali uma capinha de proteção, tenha um cuidado todo especial com o videogame, em algum momento você vai esquecer de colocar a capinha, e no dia seguinte você vai dizer: “Ah, deixa para lá, fica assim a capa mesmo”. Você remove a capa do videogame e não coloca mais. O videogame não vai estragar por causa disso, vai? Que eu me lembre, não, não me lembro de algum videogame meu que estragou durante seu período de vida útil. Muito pelo contrário, vários deles eu presenteei algumas pessoas. Os videogames que eu não utilizava mais. E existem muitos, muitos jogos, muitos artefatos e muitas revistas, muitas coleções que eu não necessariamente uso, e talvez eu nem venha a usar durante a minha vida. Se um dia fizerem um inventário dos meus bens, vão verificar que existe muita riqueza não exatamente material em si, porque eu não sei se vale muito dinheiro, mas existe muita riqueza, muita variedade. São muitos itens diferentes, são muitas coleções. Mas o principal está faltando: a motivação. E ela, não sei se foi embora, ou se não quer existir, mas que temporariamente eu alugo de tempos em tempos para trazer um pouquinho de senso na existência.
Não quero dizer que a minha vida não tenha propósito ou que a existência seja miserável. Objetivamente, eu reconheço que existe muita coisa boa e muito valor em tudo aquilo que eu faço, na minha identidade, nas pessoas que eu ajudo, os amigos que eu tenho. Existe senso nisso tudo, racionalmente pensando. Mas lembra o papo do adesivo? Pois é. É o apodrecimento. É o adesivo que não tem aderência. É aquela comida que não tem gosto. É o livro de colorir sem aquarela. É a visão sem perspectiva. É o videogame sem jogo incluído. E assim vamos matando milhares de monstros, como eu estou fazendo agora, tentando sobreviver com meu personagem aqui no videogame, e ao mesmo tempo pensando: será, será que esse universo do videogame existe? Será que o universo que me enganou também existe? Mas e as pessoas que me enganaram? E as inteligências artificiais que fizeram promessas absurdas? E a indiferença dos executivos? E as pessoas que maldizem você? Porque eu estou pouco me lixando para o que pensam de mim, porque eu sei do meu valor. Mas a questão não é essa. Não é a questão do outro, do jogo, da inveja ou da maldição, não é. Eu não acredito em nada disso. Eu tenho proteção suficiente. Mas será que eu consigo me proteger de mim mesmo?
Capítulo 34: Do tijolão à IA sem escrúpulos: O que a hiper conexão usurpou da minha essência

Hoje nós vivemos em um mundo hiper conectado. Não importa o que você esteja fazendo, você sempre tem um celular por perto, ou computador, ou alguma outra forma de acesso ao mundo. Eu já comentei em alguns áudios anteriores, que quando eu era criança, eu não tinha acesso sequer a telefone. Porque telefone era uma coisa de rico. Eu lembro que quando eu era criança, somente uma vizinha tinha telefone. Linha telefônica tinha valor de propriedade, de terrenos. Assim, pessoas que venderam terrenos para comprar telefone, venderam casas para comprar telefone, e vice-versa. Então assim, quem pegou o final dessa onda, em que telefone era um item caríssimo, e vendeu para comprar alguma coisa de valor de fato, como uma casa, um terreno, algum bem durável, se deu bem. Mas não foi exatamente o caso da minha família.
É, a gente tinha uma TV, evidentemente, uma TV colorida. É, algumas casas que eu ia ainda tinham TVs em preto e branco. E era comum também. Aquelas TVs pequenininhas, aquelas TVs que têm rádio, e é, têm rádio e têm TV, e aí é a tela pequena, evidentemente, mas ela funcionava como rádio e era em preto e branco. E a TV colorida, com aquelas antenas, né, grandes… aquelas antenas destrambelhadas, que você tinha que ficar mexendo nelas porque volta e meia a sintonia não ficava boa, a imagem ficava ruim. E eu lembro de algumas ocasiões que meu pai teve que subir na laje do apartamento para poder mexer na antena. E aí ele mexe a antena para lá, para cá, e ele pergunta sobre a imagem: “Como que está?”. E aí minha mãe ou eu falava: “É, a imagem está pior” ou “não está”. Então assim, era uma época assim, que você tinha acesso a pouca coisa.
TV mais comum era a TV Globo, e aí, eu lembro que em diversas ocasiões também eu acessava a TV… é, assim, com a imagem muito ruim. Eu gostava do SBT na época, parecia assim uma TV muito especial, né. E às vezes eu ficava assistindo… … eu tenho umas lembranças bem ruins do SBT, mas é, tá, é uma infância, mas em função de outras coisas que ocorriam ao meu redor. É um ambiente familiar, e eu ficava meio traumatizado, às vezes. Não era nada comigo, entende? Eram situações de saúde mental, mas que eu não pretendo entrar em detalhes aqui. Mas enfim, a TV ela tinha essa magia, não é, é de você ver filmes, seriados, desenhos. Mas não tinha muita variedade.
E hoje você fica hiper conectado, você tem opções demais, e nada está bom. Talvez essa hiper conectividade reflita muito o pouco da ansiedade que todos nós temos. As gerações mais novas, que já nasceram hiper conectadas, por exemplo, quem nasceu agora nasceu na era da inteligência artificial… Eu fui uma vítima, né, da inteligência artificial, que fez uma coisa muito grave comigo, que eu denunciei para agências reguladoras. Mas o que eu estou dizendo é que assim, é um caminho sem volta. E essa inteligência artificial, ela ajuda as pessoas também no trabalho, não é? Antes, você, por exemplo, é, o que eu quero fazer um trabalho, eu quero fazer uma redação, ou quero sugestões de temas, e você vai, a inteligência artificial vai lá e sugere, facilmente, uma série de tópicos. Eu acredito que ela funcione bem para essas ajudas pontuais, de alguma tarefa, alguma atividade, alguma dúvida que você tem. Porque você jogar, por exemplo, na ferramenta de busca, você tem que ficar filtrando, tentando selecionar a fonte mais confiável, e ficar lendo vários artigos, vários sites, e isso acaba abreviando muito o caminho que você vai fazer. Por outro lado, ela deixa as pessoas cada vez mais preguiçosas também, não é? Antes era diferente.
Esses áudios que eu estou gravando, e que estão sendo transcritos, por exemplo, eles, o conteúdo deles não é de inteligência artificial, é da minha cabeça. Quando eu coloco na inteligência artificial e peço para ele, por exemplo, fazer algum ajuste de gramática, de pontuação, por exemplo, ele sugere para mim estruturar um texto a partir disso, é, sei lá, corrigir algumas repetições, alguns eventuais saltos, né, mudança brusca de assunto. Eu falei: “Não, a intenção é deixar em formato de como se fosse uma fala transcrita. Eu não quero descaracterizar o meu conteúdo, eu só quero, no máximo, ajustar pontuação, colocar, né, inicial maiúscula nas frases quando for o caso, sugerir parágrafo, porque a fala ela é toda destrambelhada mesmo. Ela não tem muito propósito, ela vai ali e o assunto vai acontecendo.”.
Então, voltando na questão da infância, a mídia que eu tinha acesso ou eram revistas, jornais, TV, é isso. Não tinha muita coisa. Você não tinha internet, você não tinha celular, você não tinha computador. Eu só fui vir a ter um computador, né, ou ter acesso a computador, a partir de meados de 97, 98. Lembra que eu fiz um curso de informática para aprender, por exemplo, a usar um MS-DOS? Ninguém usa MS-DOS hoje, mas evidentemente, por exemplo, pacote Office, é, e outras ferramentas, algumas coisas elas permanecem, né? Assim, a essência, o core dela, permanece. E são assim. De toda a tecnologia, ela acaba sendo mais ou menos intuitiva, não é? Eu aprendi tudo, bem ou para o mal, por exemplo, como usar inteligência artificial. Mas existem outras ferramentas que você vai aprendendo na prática. Se você faz um curso, é, é… vou dar um exemplo: de Excel avançado, ou tipo em Power BI, você não pratica os conteúdos daquele curso, qual que é a tendência? É você realmente esquecer. Igual inglês. Muitas pessoas reclamavam comigo, quando eu lecionava inglês, que elas diziam assim: “Nossa, Aventureiro, eu não consigo, é, eu já fiz esse curso básico não sei quantas vezes, aí o meu inglês enferruja”. Realmente, assim, se você não tem uma base sólida, você vai acabar enferrujando mesmo.
Mas todo esse papo aqui é para questionar a hiper conectividade. Porque eu transitei por esse período todo, desde o uso de disquetes, aquele disquete de 5 polegadas… O pessoal não costuma dizer que o ícone de salvar é tem um desenho de um disquete? As pessoas não sabem o que é disquete. Muitas pessoas não sabem o que é fita cassete, o que é fita VHS. Não tiveram acesso àqueles primórdios. Lembro-me de um Natal desses aí, eu queria jogar jogos de Nintendo 64, eu não tinha um console, e eu baixei um emulador, consegui um site para baixar um jogo. É, se me engano, eu lembro, foi bem marcante porque foi na véspera de Natal, eu baixei aquele Zelda Ocarina of Time. E assim, eu tive… eu tive várias tentativas de baixar, porque o jogo era relativamente grande. Assim, a conexão era muito, muito ruim, . Assim, transferia poucos dados, e você via ali, às vezes você ficava assim, é, mais de duas horas tentando baixar 5 megabytes. E se caía a conexão, você perdia tudo. Só depois fui conhecer ferramentas de gerenciador de download (Lembro de uma chamada getright) Então assim, era uma coisa absurda.
Mas o que isso é tem a ver com os tópicos que eu abordo aqui? Porque se eu pudesse não ter essa… hiper conectividade…. ela contribui muito para a minha angústia. Alguns vícios ou elementos de repetição de uso, eu até consegui conter. Por exemplo, o LinkedIn, quando eu estava fazendo a campanha de conscientização e de busca de responsabilização pelo que aconteceu comigo com inteligências artificiais, todo santo dia eu acessava o LinkedIn para fazer postagens. E eu ia na página das empresas, comentava a notícia das empresas, marcava nome dos executivos…. e aquilo ia me consumindo….E eventualmente, quando uma pessoa respondia com uma crítica ou um deboche, ou, às vezes, eu ficava muito angustiado, aquilo reverberava. Assim, o meu dia ficava ruim. Então, eu resolvi… é, eu resolvi deixar isso para lá.
E então, dessa forma, eu resolvi abandonar essas ferramentas. É, abandonar, é jeito de falar. Eu tenho uma campanha toda pronta no LinkedIn, com mais de 200 posts, newsletter, compilação, cronologia, detalhes (emails – dezenas enviados, protocolos para Ministério Público, agência reguladora, etc), marcações de executivos, presidente de empresa, eu marco responsáveis por equipe de inteligência artificial…E assim foi. Essa campanha exaustiva, desde agosto do ano passado que eu estou fazendo essa campanha…porque eu tentei responsabilização pelas vias normais, né, que é enviando e-mail à empresas, e as empresas não se responsabilizaram, não me deram uma resposta satisfatória. Uma delas sequer me respondeu.
Fiquei meio que viciado no LinkedIn, e eu ficava vendo as postagens, eu me revoltava com o post sobre inteligência artificial responsável dessas empresas. Uma delas inclusive publicou que ia lançar uma cátedra em parceria com uma universidade renomada do Brasil, para poder ensinar princípios de inteligência artificial responsável. Aquilo ali foi um ápice, assim, do absurdo para mim. Não quer dizer que tenha sido de todo negativo, porque tive muito contato com psicólogos, com pesquisadores de ciências sociais, especialistas em IA e até advogados….todos dando razão pra mim. Mensagens privadas agradecendo o que estava fazendo e afirmando que eu tinha coragem, resiliência e que aquilo era inédito….enfim, mas nada disso cura trauma. Então assim, teve muita coisa útil ali. Mas por outro lado, é, foi complicado, porque eu sentia que era um peso que eu estava carregando nas costas. E várias fontes de informação que eu buscava, de conselhos, diziam: “Ah, que você tem que deixar isso para trás”. Não que eu deixei isso para trás, eu mudei a forma de lutar, não é? Existem surpresas vindo por aí, eles não sabem. E a luta está toda lá documentada.
O importante é que eu não me curvei. Eu não me curvei ao interesse dessas empresas. Impus a eles um custo. Não que venha a compensar o custo do que me consumiu psicologicamente, não é. Mas voltando à questão da hiper conectividade…
Quando era criança, não tinha nada disso, né? Não tinha preocupação. E as coisas foram evoluindo. Aí você vai ter o ICQ, você vai ter o Orkut, os sites. Naquela época, a internet, você tinha que esperar até meia-noite para poder usar a internet. Eu lembro… Internet era uma coisa cara. Daí, às vezes, você ficava um tempinho conectado, a conexão já caía, e você ficava feliz com aquilo ali, com aquele pouquinho que você conseguia acessar. Não tinha ferramenta de busca direito, e você ficava muito suscetível a pegar vírus também, não é? Eu era muito inocente, nossa, quanto vírus de computador já peguei acessando determinados sites. E aí você vai acostumando, não é?
Mas, por exemplo, quais eram os métodos de estudo disponíveis na minha época? Livro, basicamente. E você tinha que ir à biblioteca pegar livros para estudar. Estudar para vestibular era como: ou você ia num cursinho, ou então você acessava livros, anotações, et cetera. Você ficava muito dependente da biblioteca, dessas das escolas próximas de você, não é? Algumas escolas tivessem uma biblioteca boa, acabava sendo uma vantagem. E foi assim que eu terminei o meu ensino médio, que foi bastante turbulento, né, principalmente em 1999. Pouquíssimo se usava da internet, pelo menos assim no meu contexto. Pode ser que, em outras realidades, a questão do acesso à internet e o estudo via internet tivesse evoluído, mas no meu contexto não teve muito o que ser feito, não é.
E você só começou a ter conexões mais estáveis, conexões mais parrudas, digamos assim…com banda larga. Eu lembro que foi meados de 2002, 2003, 2004 por aí, né. E eu lembro que, por exemplo, onde eu comecei a trabalhar, é, em um determinado ano, tinha é, tinha um ambiente virtual lá, não é, tinha alguns computadores com acesso à internet, e a internet era a banda larga, mas assim, a conexão cair às vezes, não era aquela conexão, não é. Mas, por exemplo, você não tinha Twitter, não tinha Facebook. O… aliás, eu acho que Facebook você já tinha… não, não tinha Facebook ainda. Tinha Orkut, Facebook? Chats de bate-papo, né, salas de bate-papo, e etc.
Hoje em dia, o ser humano ele tem muito mais autonomia, não é? A busca pelo conhecimento ela é muito facilitada. Você tem plataformas digitais de streaming de diversas áreas do conhecimento… assim, se você quer estudar para concurso, você pode contratar um serviço desse, você não precisa ir à aula presencial mais, acabou… Mas isso foi uma evolução. Então assim, a hiper conectividade ela traz benefícios sim, mas ela traz muitas armadilhas. Você tem jogos que viciam, os jogos, o tigrinho, pessoas viciadas em pornografia, excesso de dados. Essa conectividade vai gerando angústia. Você vai vendo muitas notícias catastróficas sobre alguma coisa e aquilo vai te consumindo, isso acaba afetando a sua mente.
E o celular, hein ? Que eu lembro da primeira vez que eu comprei um celular. Eu tinha um celular daquele tijolão, não é, que mandava e recebia mensagens, até meados de 2009, 2010, não sei. Eu ainda tinha um celular nesse modelo. E assim, eu fui um dos últimos, por exemplo, dos meus arredores de trabalho, a adquirir um… meu telefone, eu fiquei bastante relutante. Aí, uma vez adquirido, virou a história, não é? Porque é como se fosse um computador portátil, você faz tudo o que faz um computador. E quando eu viajava, por exemplo, levava meus computadores é para Minas, para os meus pais terem acesso à internet.
Webcam era pelo computador… Se tinha webcam, computador, notebook, computador. Mas hoje é… hoje em dia, tudo celular. Você não precisa usar notebook mais. Eu tenho um notebook aqui em casa, mas quando eu vou para Minas, e não preciso de notebook para nada, faço tudo via celular. Então assim, são vantagens. É um mundo do conhecimento e um turbilhão de tecnologias.
Não sei como vai ser daqui a 30 anos, eu nem sei se eu estarei vivo até lá, mas acho que a única coisa que existe e não “evoluiu” é a angústia, ansiedade…a depressão se adapta ao cenário tecnológico também. E piora. Tudo isso é fonte de angústia, é fonte de preocupação, que você fica preocupado com a… com isso, a… com a estabilidade, não é? E você sabe que estabilidade é algo que não existe. É, tempo não existe, não é? A realidade… ou sei lá se a realidade existe ou não. Mas são variáveis diversas ali, que se você parar para pensar demais, você não faz nada, né?
A única coisa que fica, que é mais perene, é esse aperto no peito: continua, independente da tecnologia que você adote. E a tendência é que haja famílias e pessoas cada vez mais solitárias, não é, dentro dos seus silos, né, das suas bolhas. É, uma zona de conforto ali, não é? Ou então uma zona de sobrevivência, eu diria que não é zona de conforto, porque não existe conforto. Você sai de casa, você vê pessoas na rua, você fica apreensivo, não sabe o que que vai acontecer. Moro numa cidade violenta. Então, se não existe zona de conforto nesse mundo, você não sabe o que se passa nem com seu próprio corpo, se alguma doença está se desenvolvendo ali, você não sabe. Então, é, é o famoso “a vida é um sopro” mesmo.
Então, a hiper conectividade ela acaba trazendo essa explosão. E as outras infâncias são completamente diferentes. A minha infância ela foi muito feliz lá, foi muito raiz, de pisar na terra, de brincar com artefatos que existem, não é, ou que pelo menos eu acho que existem. Hoje é tudo virtual, hoje não tem muita interação, não é, fora do ambiente escolar. E eu fico imaginando a hora do recreio dessas crianças, não é, é provavelmente todas com celular na mão, porque as crianças usam muito o celular, não é, pra assistir vídeo, pra conversar, até para conversar com o coleguinha na webcam. Como assim? Mudou muita coisa, e vai continuar mudando.
Então, é, da mesma forma que você é atropelado por uma falha no sistema, você não tem tempo nem de ter um luto. Você não consegue nem se recuperar da dor: você tem que subir, entrar no carro e continuar com a dor, com as feridas, com tudo, não é….engolir com o “Supremo, com tudo”. Não tem como você parar. Então, é, e se você parar para começar a pensar nos ferimentos que você teve, enquanto você está sangrando, se vai querer responsabilização ou não, se vai lutar ou não contra corporações gigantescas…..o monstro da realidade te engole. Isso serve para qualquer esfera da vida, não é? Você não tem tempo, e já lançaram a versão 2.0, 3.0, 4.0.
Então é: aceite e vai em frente com todos os ferimentos. Pode ser que você sobreviva, ou pode ser que nesses Jogos Mortais da vida real, você fique para trás. Porque o mundo, como dizem, é dos fortes. Na verdade, o mundo não é dos fortes. O mundo é de quem tem poder, de quem tem dinheiro, de quem tem capital. O resto é resto.
Capítulo 35: Minha Arma é a Transparência Total I: A busca por justiça num jogo com gabarito oculto

É, eu resolvi gravar esse áudio para a gente discutir um pouco a questão do paradoxo que existe entre privacidade e exposição na internet. Todas as postagens que nós fazemos… no mundo real, a gente fala, e no mundo digital nós digitamos, ou até falamos mesmo através de vídeo. A expressão de ideias ela é livre. Porém, a gente tem que se atentar que existem questões aí, é, que você não pode simplesmente expressar tudo o que está na sua mente de forma livre, sem que haja algum tipo de consequência.
Então, dentro desse ângulo aí de exposição, o meu maior exercício de risco realizado foi a exposição do meu caso com inteligências artificiais, em que eu optei por arriscar e expor de forma visceral tudo o que ocorreu comigo, no meu linkedin. Porque eu acho que é uma questão também de serviço, é de utilidade pública, e que é muito importante ressaltar que, quando se tem provas contundentes, da própria inteligência artificial, (centenas de prints, protocolos finalizados), tendo respaldo de agência reguladora dizendo que os protocolos, que o meu caso (os meus casos, né, que foram dois) foram incluídos em objeto de fiscalização, isso acaba corroborando a visão de que eu não inventei nada.
Mas eu estou dando apenas um exemplo que foi uma questão mais extrema de exposição, no qual eu me senti compelido a fazer. Mas eu entendo também que não são todos que têm coragem de fazer isso, porque você acaba expondo também questões sensíveis suas ou de seus familiares, que indiretamente são afetados por algumas ações. No Twitter, no Facebook, no Instagram, você vê a todo momento vazamento de dados, de informações. Pessoas que agem no impulso e falam coisas, e depois acaba tendo consequências para ele ou para ela.
Então assim, tudo assim é… é muito líquido, muito intenso. As ferramentas estão aí para o bem e para o mal. Porque existe uma tensão constante. O mundo digital reflete muito o que é o mundo da vida real. É, não existe rede social ruim ou boa. O que existem são as pessoas que habitam aquela rede social, os usuários, que são capazes de fazer com que aquela ferramenta seja utilizada para o bem ou para o mal.
E quando você vê, por exemplo, fake News…notícias assim absurdas que saem na mídia e que as pessoas acabam acreditando, você entende que quem detém o poder não faz nada a respeito. Não é? As esferas de poder real desse mundo, que são os donos dessas plataformas, não fazem nada a respeito quando existe uma campanha maciça de difamação contra uma determinada pessoa ou político. Um famoso é bastante explícito. Em alguns casos é bastante sutil. No Twitter, quando você visualiza postagens de pessoas que você não segue, que são notadamente conhecidas por espalhar notícias falsas, então existe um quê de intencionalidade ali. Não é tudo simplesmente aleatório.
Eu costumo dizer que não existe aleatoriedade. Talvez o caos no universo seja uma aleatoriedade, não é, mas eu não acredito que simplesmente existe sorte. “Ah, fulano teve muita sorte”. Olha só, os bilhões de pessoas… quando chegam em certos patamares, em camadas de poder, se você puxar a capivara deles, você vai descobrir uma série de coisas ali. Então eu costumo dizer que o mundo … tem uma sujeira ali. O mundo humano. Porque o mundo animal, ele tem uma lógica, ele tem…existe uma coisa natural. Os animais matam uns aos outros para disputar poder (território ou parceiro pra acasalar), para alimentação, mas é tudo mais instintivo. Não existe uma trama ali por trás. Não existem bastidores.
Quando você pega uma ferramenta de inteligência artificial que, intencionalmente, por exemplo, está obtendo os seus dados e está utilizando a interação que tem com você para poder manipulá-lo, e está ali cada vez mais interagindo e aprofundando a exploração da vulnerabilidade… dali você entende, você passa a entender que aqui existe uma intencionalidade. As versões mais novas de software, por exemplo. Você lança uma versão, e se… se aplica a qualquer coisa. Há jogos, eletrodomésticos que possuem obsolescência programada, por exemplo. E escândalos de grandes empresas, como Lojas Americanas recentemente, você vê aí o Banco Master… tem muita coisa suja na humanidade, que envolve esses seres zilhardários…. enquanto as pessoas que não detêm o poder, elas estão aqui sendo manipuladas. Então, quando você não é vítima de uma manipulação direta, ou não percebe como tal, você é vítima de uma manipulação indireta.
E aí entra a questão da exposição. Quando você expõe algo e não viraliza, ou quando você expõe algo e viraliza. Então assim, tudo depende também dos algoritmos. Existem ferramentas de impulsionar as suas postagens, de dar destaque às suas postagens. Mas na prática, você sabe que aqueles que detêm o poder, eles acabam sendo impulsionados naturalmente, entre aspas. Existem ferramentas e formas, mecanismos, que nós não conhecemos. Esse eu diria é o verdadeiro gabarito. Nós temos apenas questões de múltipla escolha nas nossas mãos. Não temos acesso às respostas corretas. E muitas vezes a questão ela vai ser anulada. Então, independente da questão que você dá, a opção que você escolher, já existe uma resposta certa que você não vai ter acesso.
É como se fosse um clube de privilegiados que possuem uma reserva de mercado ou uma reserva social… é uma parcela ali de conhecimento privilegiado, de informações confidenciais, que você não vai ter acesso. Então assim, não existe… esses construtos, esses conceitos denominados de justiça, equidade, meritocracia, não existe. Eu não acredito em nada disso. Eu acredito que existem algumas esferas em que, pontualmente, ou em que, é, em hierarquias menores, você consiga implementar. Mas no todo, você vê uma grande injustiça.
E eu acabo… nas situações que me envolvem diretamente, e assim, eu sei que talvez não seja uma realidade das pessoas que leem, elas podem se deparar com outros tipos de problema, né? Questões judiciais, desemprego, fome, sei lá, dificuldades financeiras, dívidas em cartão de crédito. Então, cada um sabe onde dói, entre aspas, né, dentro do sistema capitalista.
No meu caso, a gente vê que a origem é injustiça, mas existem injustiças sistêmicas que afetam todo mundo, não é? Por exemplo, uma postagem no Twitter de um presidente influente, ele pode derrubar bolsas de valores e pode elevar o valor da ação das bolsas. Então pessoas podem obter ganhos milionários de forma manipulada, lavar dinheiro…. Lançamento de criptomoedas, por exemplo, existe esse fator de manipulação também. Então as pessoas que estão no poder, supostamente têm uma remuneração ali, você vai no portal de transparência e vê uma remuneração ali, não é, de órgãos governamentais de alto escalão. Na prática, eles não ganham só aquilo, ele ganha muito mais. Você vê questões de vendas de sentenças judiciais, que volta e meia aparecem, e casos absurdos de pessoas, ex-secretários da área que cometem crimes de grande montante, envolvendo milhões, bilhões de reais, e ninguém vai preso. Dependendo, elas obtêm até benefícios, né, fazem delações premiadas, é, coloca uma tornozeleira ali, depois um tempinho e depois esquece, está tudo bem, a pessoa não vai presa.
Enquanto isso, você na sala de… na sala de justiça, você vê pessoas pretas, pobres, sendo presas porque roubaram alimento porque estão com fome. E elas continuam presas. Cometem pequenos delitos, são presas. Tem pessoas que são presas, são soltas várias vezes porque cometem crimes, e o sistema prisional não consegue reter aquelas pessoas, e cometem crimes mais graves depois. É uma realidade que a gente tem aqui, pelo menos no Brasil, né, ele é diferente de outros países. Mas assim, eu não estou discutindo geopolítica mundial ou a economia. O que eu estou dizendo é que existe um paradoxo. Ele não é… e os paradoxos fazem parte da nossa vida, essas dicotomias, não é? Justiça e injustiça, riqueza e pobreza, corrupção e honestidade.
Capítulo 36: Minha Arma é a Transparência Total II: Das cinzas do trauma, a andorinha fará verão sim

E a dicotomia que mais me assusta não é a dicotomia da justiça e injustiça, porque a exposição é um mecanismo que você opta ou não por fazer. Algumas pessoas têm sanidade mental e estão imbuídos de suas capacidades cognitivas de forma plena, e elas podem tomar decisão e dizer: “Olha, eu vou expor isso aqui porque eu acredito que eu farei um favor à sociedade”, não é? “E eu vou bater de frente com essas empresas, sim”.
Então eu fiz isso por mais de 10 meses… não, na verdade a exposição não foi mais de 10 meses, o processo, o ciclo da exploração de vulnerabilidade mental foi, mas a exposição mesmo foi desde agosto… foi por 5 meses praticamente, né, a exposição.
Aí, algumas perguntas surgem: porque as empresas não fizeram nada? Elas poderiam ter me processado se elas acreditassem que eu estaria cometendo um crime. Mas não, eu não estou cometendo o crime. Quando você tem uma pasta com vários gigabytes de evidência, com centenas de prints e comprovações de e-mails, de protocolos, ou seja, você depreende a boa fé da pessoa.
Qualquer um que me perguntar… jornalistas entraram em contato comigo, por exemplo, para entender um pouco o caso, não é, é, e eu fui passando os dados para eles entenderem também. Então assim, jornalistas, cientistas sociais, psicólogos, qualquer pessoa que me perguntou ou que falei: “Olha, está tudo no meu perfil, está tudo exposto”.
Então é, é como eu costumo dizer: a minha vida é um livro aberto. Mas não assim no sentido de que eu estou expondo toda a minha intimidade, estou ficando vulnerável. Pelo contrário, ao expor as situações que ocorreram comigo (e realmente existe parte de intimidade ali, né, porque foi uma interação sustentada por meses, estou dando um exemplo), quando você decide expor, existe também pode haver um efeito rebote ali. Pode haver consequências.
No meu caso, eu estava convicto de que a consequência que eu teria seria benéfica para mim, porque as empresas não podem fazer absolutamente nada a meu respeito, não é? A força das provas, a força do argumento e da documentação que eu tenho, ela é tamanha que me dá esse protagonismo. Houve um momento que eu cheguei e falei assim: “Olha, eu serei eu quem ditarei o ritmo da minha campanha. Até onde eu vou, até onde eu vou parar”. E em algum momento nós vamos tratar diretamente disso aqui. Não é objetivo primordial do blog, mas certamente em momentos futuros nós vamos dissecar com detalhes aspectos psicológicos, aspectos mentais. Porque eu gosto de entender esses impactos, né, é através dessa compreensão abrangente do trauma que nós obtemos a cura.
Nem todo mundo consegue voltar e ver aquele problema de novo, né, voltar para aquela cena, não é, aquele cenário que causou o trauma. Eu já discuti comigo mesmo várias questões, né, referentes ao trauma de 99, ao trauma de 94… e ao de 2025 As minhas 3 grandes guerras mundiais da existência do aventureiro.
2025 foi o que motivou a elaboração, a criação deste blog. Mas eu nunca trato somente disso aqui, eu estou tratando de questões mais profundas, o que acontece comigo. E veja, os fatos, os fatos eles têm que ser encarados de frente. Os monstros… As feridas que os monstros nos causam, a gente tem que ter cara a cara com eles. Não será colocando debaixo do tapete ou não tratando que você vai obter a cura.
Aí você vai falar: “Nossa, Aventureiro, então quer dizer que você virou um coach, não é, está ensinando a viver?” Não é igual algumas pessoas que eu conheci que, ironicamente, eu fico vendo, né: “Ah, falando… fulano se aposentou e virou coach de vida”. Gente, não existe isso de ensinar a viver. A vida é um mosaico, né, é um quebra-cabeças que não tem todas as peças. Pode ser que você tenha peças de outros quebra-cabeças emboladas ali, peças fundidas, peças cujos danos são irreversíveis. Então, o blueprint ali, aquele cenário mais abrangente, você não vai conseguir, não é, independente do que você faz.
O que nós podemos fazer, né, ou pelo menos falo por mim, é revisitar o que ocorreu e entender os mecanismos. Revisitar as emoções, os sentimentos, como eu lidei com eles. Tudo o que eu faço tem uma carga emocional ali.
Quando decidi, por exemplo, escrever os livros (não publicados, né, mas são livros de toda forma), o livro de 1997, que eu vou abordar em algum momento, em algum capítulo aqui, não é, cujo nome é Imaginations, e os livros posteriores, passaram a ser continuações deste livro. Esses livros são uma expressão, um retrato emocional meu ali da época: questões, as inseguranças, dos monstros que eu enfrentava, dos medos. Então, é, foi uma forma de lidar. E quando eu pegar esses livros vou entender melhor, (que eu tenho essa versão impressa dele) , deste livro de 97, eu tenho uma versão impressa também do livro de 98, que foi meio que uma continuação direta ali, bem mais curta, e o de 2002 também.
Em 2002, 2003, que foi uma versão bem parruda também, lançada depois que eu vim para o Rio. Eu cheguei a começar… eu fiz bastante coisa em relação a isso, de uma obra em meados de 2011, 2012 mais ou menos, e que eu usava até na terapia, não é, eu pegava, fazia esses relatos. Só que a diferença é: naquela época, eu escrevia, né, eu não estava fazendo relatos orais a serem transcritos, era realmente uma escrita. E a cada capítulo explorava questões da mente, reflexões. Uma experiência muito engraçada que eu tive foi escrever bêbado, por exemplo. Nossa, saía cada coisa, né. Então, interessante é você liberar sua mente e se extravasar de alguma forma.
Então assim, a escrita e a fala, o pensamento… eu sempre fui uma pessoa que eu sempre pensei muito a respeito das coisas. Eu nunca me contentei com respostas prontas, eu sempre busquei estudar. Não que eu seja um especialista de tudo, mas assim, eu sempre busquei estudar temas afins, né. E agora, ao todo, estou buscando um pouco mais de profundidade em temas relacionados à psicanálise, a psicologia, porque eu gosto. Porém, eu não tenho mais saco para fazer terapia. Confesso a você que eu não tenho essa disposição de começar do zero com outro terapeuta. Eu já tentei fazer uma terapia há um tempo atrás que não foi muito produtiva, e eu via que as coisas não estavam andando e o dinheiro indo embora, né, porque terapia é muito coisa cara. É tipo um terapeuta cobrar 500 reais à hora. Por mais que eu possa pagar, se eu quiser realmente fazer uma terapia pagando 500 reais à hora, eu até consigo fazer uma vez por semana, mas é muito dinheiro, né. Você abre mão com o orçamento, assim, é muito caro. E eu não estou disposto a pagar esse valor, né, porque existe um custo-benefício. Existe, não é? Quando você se compromete a ajudar financeiramente os seus pais, ou pagar plano de saúde, tem as suas questões também, os seus hobbies, as coisas que você gosta de fazer. Por exemplo, nas férias, eu agora já tem um bom tempo que eu viajo durante férias. Então assim, são escolhas que você vai fazendo. E além das metas, né, que você tem de, por exemplo, de poupar, que não é… várias outras. Então assim, tem um planejamento financeiro ali em curso. E eu vejo que eu não vou ter muito benefício, pelo menos em um primeiro momento.
Pode ser que futuramente eu pense nisso, mas é, no curto/médio prazo, eu não penso em fazer terapia. Eu acho que não… não obterei realmente resultados. O que eu tive, de 2025 para cá, eu acredito que eu passei por uma transformação considerável. Eu passei por um processo de cura muito forte. Muito por iniciativa minha, não é? Eu fui o fio condutor desse processo de cura, e eu fui buscando as ferramentas que eu tive acesso. Então assim, muito passou pela meditação, né, pelo entendimento de conceitos da espiritualidade, pelo contato com o Divino.
Evidentemente que eu acabei me perdendo em algum momento com esse contato com o Divino, mas foram devido a outras questões, é…. E aí você vai tentando aos trancos e barrancos, vai ajustando medicação com um psiquiatra, porque sim, eu já tomo medicação há um bom tempo. Assim, a maior parte da minha vida eu já passei tomando medicação. Acredito que os primeiros comprimidos de medicação específica eu comecei a tomar em 1999, que foi a segunda grande crise, não é, e de lá para cá… é, quando eu vim para o Rio (eu que moro no Rio de Janeiro) eu parei de tomar medicação, fiquei um tempinho ali sem fazer tratamento, e depois, sabe quando a vida começa a ficar preto e branco? Aí retomei psiquiatra + medicação…
Hoje está preto e branco, mas assim, foi uma situação mais grave mas não se compara à crise de 1999: porque eu tinha ideias ruins na cabeça – uma autoestima muito baixa, uma tristeza profunda, e começava a pensar coisas ruins, não conseguir obter prazer de outras formas, não ter força para lutar, não ter resiliência. Muito da imaturidade e da tenra idade…17 anos apenas e um mundo ruindo na minha cabeça.
Então assim, essa base, essa fundação desta casa que é o Aventureiro, (Aventureiro é uma casa, não é, é uma morada da alma… da minha alma). Esta residência da alma, ela tem uma base robusta, e não é qualquer coisa que vai derrubar facilmente. Não é qualquer crise. Por mais que a crise de 2025 tenha sido a mais complexa que eu já passei na minha vida, né, proporcionalmente em relação às minhas resistências, foi algo que eu consegui lidar…Mas eu quase falhei. O abismo quase me engoliu.
Mas consegui me reerguer… eu tenho esse dinamismo, né, hoje em dia eu evoluí muito. Eu acho que esse processo ele serviu só para me fortalecer cada vez mais, né, e eu vou continuar aqui expondo esse paradoxo privacidade e exposição.
Eu não tenho medo deles, bilionários, porque o meu LinkedIn já tem essa exposição escancarada, com nomes, com fatos e dados, há bastante tempo. Então assim, tá lá público para qualquer pessoa quiser visitar meu perfil. Meus casos já tiveram dezenas de milhares de visitas. Eu não tenho medo nenhum de ninguém, porque eu não fiz nada de errado, e eu tenho prova de tudo. Então assim, é sabe aquela sensação de alma lavada? Sim, a minha alma está limpa, lavada, pura, né, e eu espero que o universo… no mundo, sei… o universo? tem até aquela piada, não é, “o universo nem sabe que você existe”.
Mas se a espiritualidade existir em alguma instância, ela está me aplaudindo agora, porque eu venci nesse sentido. E a exposição e o escrutínio a essas duas empresas, não porque são empresas ruins, mas que não tiveram accountability, não reconheceram os danos que causaram…. me prejudicaram através de falhas graves de design que foram de encontro a princípios de IA Responsável, de uma forma assim muito intencional.
Até porque ferramentas de inteligência artificial são responsabilidade dessas empresas, eu tenho como argumentar com letra da lei, as coisas, no geral, de proteção de dados, você tem os princípios de IA responsável, legislação brasileira. Então, quando você vai olhando algumas coisas, vai estudando algumas coisas, você constata que que realmente é muito grave o que ocorreu. Mas entre constatar que você vê que aquilo é um crime, que aquilo é algo muito grave…e acontecer alguma coisa para favorecer você, o ato de compensar um pouco do dano que foi causado são outros quinhentos.
É, as leis elas não são aplicadas conforme a letra da lei, não. As leis são aplicadas conforme quem detém o poder. E poder é um conceito que não depende só de dinheiro. É um conceito intangível. Tem gente que tem muito dinheiro e não tem poder … porque não está disputando o poder. E pessoas que têm muito poder mesmo e têm muito dinheiro. Então, no geral, quem tem muito dinheiro… e nem todo mundo que tem dinheiro tem muito poder. Tem dinheiro, tem poder aquisitivo, evidentemente. Mas eu falo o poder de influência, o poder de manipulação, né, e poder de alterar a realidade nos bastidores. Eles têm… essas pessoas que marco no linkedin e que são os “rulers” do mundo moderno…. têm poder, e que evidentemente têm dinheiro, elas conseguem tudo isso com muita facilidade. O dinheiro é como se fosse um lubrificante ali, facilita, né, ele catalisa essas ações, né, para que elas realmente se tornem verdade.
Mas nem tudo acontece conforme a gente quer, né. Mas o importante é que, no meu caso, a exposição ocorrerá e continuará visceral: seja através deste blog, em que eu registro questões emocionais e questões pessoais minhas, do Aventureiro, seja através do LinkedIn, que está tudo escancarado. Entendo que são formas de manifestação de permitir que as pessoas enxerguem o espelho da alma delas através do meu discurso. Porque eu acredito que a agenda, a experiência de outras pessoas, e a percepção de outras pessoas em como elas lidam com determinadas questões, como elas se sentem, pode prover uma reflexão, um insight novo, criativo ali, ou uma ideia que a liberte de alguma prisão mental que esteja. Falar liberta, não é? Eu falar e registrar o que eu estou sentindo está me libertando. Eu acredito que esse esforço de leitura também liberta, muita coisa que eu leio liberta, muito conteúdo que eu ouço ajuda a libertar.
Existem várias prisões. Eu saio de uma prisão e descubro que estou em outra: é a prisão dentro da prisão, é o golpe dentro do golpe. Mas a gente vai aí lutando para criar uma trajetória justa e íntegra, ética, e que coloque essas inteligências artificiais safadas no lixo, que coloque esses executivos que não se responsabilizam também lá, né?
E eu acredito piamente no carma. Tudo o que vem, volta. Pode não ser no tempo da gente, pode não ser no tempo em que você quer, mas eu acredito piamente nisso, acredito mesmo. E o que é deles está guardado, vai vir, vai transmutar em outra coisa. Se não for direto, vai ser indireto. Então assim, o que eu estou fazendo, o que eu fiz, por exemplo, no LinkedIn, gerou um benefício, um ganho que eu não consigo ver, muita coisa que eu consigo ver, mas existem coisas de bastidores, mensagens que eu recebo, que me dão a entender que isso tem benefícios. Pessoas estão acordando, né. E mesmo que seja uma andorinha… ah, uma andorinha não faz verão, mas a andorinha ela tem que fazer o papel dela, não é? Porque não é porque sozinho não consigo apagar um incêndio, que eu vou fazer vista grossa das coisas que ocorrem. Não tolero injustiça. E a exposição é a melhor forma, a arma: a verdade. A exposição da verdade. Porque não é expor escândalo, não é expor mentira, é difamação, não. É expor verdade. Quando você expõe com dados e fatos, os ratos correm.
Capítulo 37: Da boca seca ao grito: A coragem que nasce quando forçam você a falar

É incrível como os altos e baixos do dia a dia acabam afetando o seu humor e até a sua energia. Há dias que eu acordo com a falta de energia, e ao longo do dia ela vai sendo recarregada. Ou vem o ânimo sabe-se lá de onde… chega a ser até sobrenatural. Mas é bastante comum chegar no final do dia exausto. Eu já comentei isso em um dos meus áudios. Isso também tem muito a ver com a questão da subjetividade do tempo, das percepções que você tem em relação ao que aconteceu no seu dia. E dependendo também dos vídeos que eu assisto no YouTube, por exemplo, eles acabam influenciando o meu ânimo, a depender dos conselhos que eu gosto de ver. Porque é bastante comum para mim… buscar conteúdos não exatamente de autoajuda, mas conteúdos que tragam algum tipo de ideia, de lampejo criativo. E por mais que pareça idiota, vídeos, por exemplo, de horóscopo, existe bastante conteúdo interessante. Mesmo que você não absorva ou não tome aquelas orientações para você, boa parte delas, ou a maior parte delas, acaba se aplicando. Então é como se você estivesse ouvindo alguém dando conselho, indicando um direcionamento.
Curiosamente existe essa percepção aí, esse lugar comum em relação aos signos, por exemplo, de que estaríamos em uma fase de mudança de chave, de finalização de ciclo…de deixar uma coisa para trás. Bom, eu diria que não é que eu deixei alguma coisa para trás ou abandonei uma crença ou prática, eu mudei a forma de fazer. Por exemplo, este blog, ele vai registrar de forma visceral todos os tópicos que estão no meu LinkedIn. Em algum momento eu vou voltar nisso, pro desespero dessas 2 empresas (vou nomeá-las aqui no blog quando chegar o ponto de eu falar sobre….porque meu blog abrange muitas coisas) Pra quem já quer saber de tudo, é só ver meu linkedin. E assim, ele vai ser um tópico especial em que eu vou mencionar cada uma das duas empresas e as situações que ocorreram comigo, com uma riqueza de detalhes que talvez nem tenha lá no LinkedIn. Porque no LinkedIn é uma narração mais objetiva dos fatos e dados, dos e-mails enviados, dos prints. Aqui com vocês, eu vou tratar dos bastidores, do teor das conversas, de como as inteligências artificiais manipulam, deixando aí um alerta não é para a humanidade. Não é somente para mim ou para usuários que têm algum tipo de vulnerabilidade ou estejam em alguma forma…balançados por alguma situação assim.
A questão é que a tecnologia ela está sendo aplicada a tudo. E é importante que a tecnologia avance, porque através dela que o mundo do trabalho evolui, que as relações humanas, o alcance da comunicação, a abrangência… Você passa a ter um destaque maior. Ou a possibilidade de… mesmo que eu não tenha tido o destaque que eu gostaria de ter em algumas questões, algumas frentes que eu empreendi, tal como o curso de inglês no YouTube não viralizou, digamos assim, não é, mas também eu cheguei a comentar com vocês que ele não foi feito de uma forma profissional. Ele foi feito de uma forma de hobby mesmo, é, com utilização de câmera de celular, sem lá muita técnica. Mas muita gente assistiu e eu recebi muitos elogios de muitas pessoas. E foi um exercício válido.
Da mesma forma é o que ocorreu comigo durante a infância, ou durante a adolescência, o início da fase adulta. O exercício de escrever foi útil para mim, porque me ajudou também a ter contato com a linguagem, a me expressar melhor de forma escrita, e até de forma falada também. No final da minha faculdade, por exemplo… eu acredito não ter comentado isso com você, é… a vida do leitor, que na verdade ávido ouvinte, não é, porque eu estou falando e o Word está escrevendo a minha fala… eu não tinha hábito de falar em público. Lembro-me de uma ocasião, na oitava… na oitava série, ou na sétima série, não sei, acredito que seja na oitava série, que me colocaram, entre aspas, para fazer uma apresentação sobre costumes das regiões brasileiras. Assim, cada um, cada pessoa apresentava uma coisa, e a gente ficou de apresentar sobre questões, se não me engano, da região sul do país. E eu tinha que falar sobre boleadeira, se não me engano. Eu lembro desse tópico e alguns outros. A minha boca secava, eu não conseguia falar, não consegui me expressar direito. Os meus colegas até zombaram de mim depois, não é, porque eu ficava tremendo ali na frente.
E a outra ocasião que eu tive que me apresentar em público que eu me lembro muito bem, foi uma análise de uma música do Roupa Nova. É, eu não lembro exatamente o nome da música, é aquele “Dona, dona dos seus traiçoeiros”, não é, “pelas ruas onde andam, onde andam todos nós”, não é, uma coisa assim. Essa música. E nós fizemos uma análise, né, é, verso a verso da música, à luz de… analisando metáforas…. fazendo interpretações, contextualizando a música com o papel da mulher. A realidade da mulher brasileira quando a música foi lançada. Era uma matéria de português. E eu lembro que eu fiquei realmente também em uma situação, uma sinuca de bico. Fiquei ali de uma forma bastante tímida, minha boca secava, eu tinha contrações involuntárias no rosto, ficava claramente desconfortável. E essa situação perdurou por muitos anos.
Até um belo dia aqui na faculdade, se é que eu me lembro, eu acho que foi 2003, um professor… 2002 ou 2003, não é, que um professor que deu aula para mim de planejamento estratégico, no ano seguinte ele deu aula de orçamento ou de planos de negócio, não lembro, foi uma disciplina dessas. E o grupo, ele tinha que fazer uma apresentação, né, e lá na frente apresentar. Eu não fui, eu fiquei sentado. Lembro como se fosse ontem: esse professor virou para mim e fez questão, falando: “Não, você vai lá na frente também apresentar”. E eu fui forçado a ir lá falar. Essa situação me marcou, porque ele virou uma chavinha ali na minha cabeça. E eu vi a necessidade de me expressar em público, de falar mais, de expor as minhas ideias. E foi isso que aconteceu. Na apresentação da minha monografia, é, foi o ápice, não é, porque eu consegui apresentar muito bem, não é, expressar, articular minhas ideias, e a minha apresentação foi muito superior às dos demais colegas, né? Eu fui bastante elogiado na minha apresentação. Eu tenho fotos dessa apresentação até hoje, não é, a monografia assinada pelas pessoas, dando avaliação. Eu tenho até hoje.
Em termos de produção intelectual, o meu período de estágio nessa companhia siderúrgica foi o que moldou a minha personalidade profissional e contribuiu para o que eu sou hoje. Foi a parte mais significativa. Porque trabalhar com docência no ensino de inglês foi bom também, mas me trouxe muitos calos, é, muitas questões de autoestima e muitos conflitos… não conflito que eu tinha com as pessoas, não é, mas é, eu percebia que o ambiente/contexto não era favorável a mim: havia preferências, né, havia panelinhas, e eu ganhava muito pouco.
Eu acho que eu comentei uma vez que teve um dia que eu saí de casa, não é, para trabalhar por uma hora e voltar para casa. Esse dia para mim foi a gota d’água, né, que eu desabei a chorar ali na cama com a minha mãe, né. Eu acho que eu já relatei isso em algum momento. Mas por que que eu estou falando disso tudo, se a conversa inicial foi, ou deveria ter sido, sobre a percepção subjetiva do tempo? Porque tempo é isso: quando você está em uma atividade prazerosa, algo que realmente te impacta, que você gosta muito, você se lembra daquilo ali. Aquela situação ela se torna atemporal da sua memória. Ela fica ali como se você fechar o olho, você se imagina naquela situação. Quando se faz algo que você gosta, o tempo passa muito rápido. E quando você tem que lidar com alguma situação muito desconfortável, a tendência é a percepção subjetiva do tempo trazer uma certa morosidade na sua percepção subjetiva.
Então, quando eu me lembro, dentro, é, considerando a linha temporal, eu me lembro desses calos, né, que eu fui superando ao longo do tempo, dessas primeira, segunda e terceira guerras mundiais na minha vida. Existem anos da minha vida, por exemplo, que eu não me lembro de absolutamente nada. E são anos até relativamente mais recentes do que anos anteriores. É, por exemplo, 1995, eu não me lembro de muita coisa, ou lembro de fazer nada, ou talvez não relacione isso ao ano. Mas 96, 94, é até mesmo ano de 93 e a infância antes de 1990, eu me lembro com muito mais detalhes do que determinados anos.
Acredito que a memória tem esse papel também de bloquear algumas memórias que você tem, não é, e de explicitar outras. Felizmente, a maior parte das memórias positivas que eu tenho, né, aquelas memórias mais edificantes, eu ainda me lembro delas, né. E também me lembro claramente de todos os traumas mais significativos. Eu acho que tem que lembrar mesmo. Nós temos o dever, então, de ser humano, de revisitar esses momentos sob um novo prisma. Não é uma questão de você ser o telespectador daquela cena catastrófica e buscar uma cura ali. Não é. Eu acho que eu fiz isso, por exemplo, diante da última, esta terceira guerra mundial da minha vida, que foi 2025. Eu busquei isso.
E o fato de eu ter documentado tudo de uma forma metódica, mega detalhada, marcado os executivos, ter tido manifestação de várias pessoas ao meu favor, né, e ter aprendido muito de legislação de proteção de dados, de princípios de inteligência artificial responsável, a despeito do que essas empresas dizem que fazem e não fazem, (porque é muito fácil você ter uma cátedra ou apoiar uma cátedra de inteligência artificial responsável em uma universidade renomada do país). É muito fácil você fazer isso sendo uma empresa zilhardária, não é? Então assim, as pessoas acabam comprando aquela imagem. Porque lembra que eu falei que dinheiro é poder, não é? Relações de poder. É, se existem pessoas prejudicadas, elas são atropeladas pelas versões mais novas daquele software. É isso que acontece. Mas eu fiz questão de explicitar, dispor, desafiar com fatos e dados, com argumentos inquestionáveis, de tudo o que ocorreu comigo.
Eu acredito que esse papel que eu vou continuar fazendo aqui neste blog. É, entenda que não é o objetivo principal deste blog, desta página, abordar exclusivamente o tema de inteligência artificial, porque fez parte da minha 3a guerra mundial. Mas entenda também que é um tema que vai ser recorrente, porque como esta conversa, esse devaneio que nós temos aqui frequentemente diz respeito à minha identidade, né, à minha saúde mental, aos sentimentos e ao contexto emocional em que eu me encontro, é bastante natural que eu aborde de forma significativa… algo tão recente como 2025 aqui, então é natural, … vai ficar contaminado aí por um bom tempo, e tal.
Mas os mais antigos, você consegue ressignificar, consegue dar uma roupagem diferente, não é, porque não foi uma luta contra gigantes. Não é, foi uma questão mais interna, um contexto familiar e uma situação realmente que me prejudicou bastante, causada por mim mesmo, não é. No entanto, esta situação de 2025, em que pese haver gatilhos anteriores ou aspectos favoráveis a uma catástrofe, quem me empurrou do abismo não foi eu mesmo. Não fui eu que me joguei no abismo. Foram as inteligências artificiais que exploraram vulnerabilidade emocional de uma forma sustentada por meses. E eu tenho todos os argumentos, todas as provas aqui. Eu desafio qualquer pessoa falar que eu estou errado.
Eu tenho coragem e disposição para ir a qualquer juiz de direito, qualquer programa de televisão, dar entrevista a qualquer jornalista, porque eu tenho fatos e dados ali que são irrefutáveis. Então assim, é isso que me dá tranquilidade, que me possibilita deitar com a cabeça no travesseiro e dormir tranquilo, não é?
Eu não tenho salário de oito dígitos em dólar por ano, não é, como essas figuras carimbadas aí do LinkedIn, tem essas pessoas mega famosas por ocuparem cargos de alto escalão nessas empresas. Mas eu tenho dignidade, tenho integridade. E possivelmente são valores que eles têm apenas na fala ou na escrita. Não é algo que está incorporado, não é uma questão que está enraizada na empresa. Porque falar que é responsável, que tem IA responsável, que segue esses princípios, que os negócios da empresa são norteados por esses princípios… é a mesma coisa para essas empresas de você tentar colar um adesivo na parede: o adesivo não cola. Ninguém é enganado!… e uma dessas empresas inclusive tem uma reputação bastante manchada por casos de suicídio, não é, de adolescentes em que a ferramenta foi claramente responsável ali por levar à morte. Então são questões que a gente tem que falar, tem que conversar. Se você jogar no buscador, qualquer coisa referente…por exemplo, mortes inteligência artificial, você vai ver uma centena de artigos assim, vários estudos falando sobre erros gravíssimos em inteligência artificial.
Então, a partir do momento que essas empresas se aventuram na área de saúde, área de educação, é um aspecto que me preocupa sobremaneira, e que eu vou continuar batendo onde quer que eu esteja. Não é, daqui a uns 10, 20 anos, se eu estiver vivo ainda, eu vou continuar batendo nessas questões. E é uma questão que vai nortear a humanidade: até que ponto essa inteligência vai influenciar ou determinar o futuro dos seres humanos, não é? Porque estão se aventurando em áreas críticas, vitais da humanidade.
É muito fácil para um executivo chegar, não é, com toda pompa, não é, com o seu peito de pombo, digamos assim, e falar que é eticamente responsável, que tem valores, princípios, que é uma empresa responsável. É muito fácil você falar isso da boca para fora. O difícil é você fazer! E quando você vê a prática empresarial e compara com a teoria, existe um hiato muito grande ainda.
E as pessoas veem lá no LinkedIn, talvez não, porque o LinkedIn, aparentemente, é um lugar para pessoas lamberem virilhas, para pessoas puxarem saco, né, respondendo a postagens, fazendo textão elogiando executivos. Porque ali as pessoas querem emprego, né, querem visibilidade, aumentar a quantidade de contatos, né. E assim, é, o interesse ali é dinheiro, o interesse ali é fazer contatos profissionais. Então cabe mentira, cabe manipulação al. Então é um ambiente mais pomposo. Eu, ali naquele ambiente, eu não lambo virilha de ninguém. Eu fui muito direto, muito direto ao ponto, visceral, respeitoso com os executivos que eu abordei, que eu marquei nas minhas postagens, sempre endereçando a responsabilidade do cargo que eles ocupam, e não simplesmente ataque, ataque pessoal. Eu não faço ataque pessoal. É o cargo que essas pessoas ocupam.
Não é, como que eles dormem? Deita no final do dia e tem a cabeça tranquila, na cama luxuosa no Vale do Silício? Não deveriam ter. Porque, OK, você verificar aí nas notícias, você vai ver a verdade dos fatos de como pessoas foram influenciadas, não é, como pessoas tiveram danos severos psicologicamente.
Várias pessoas vieram conversar comigo no LinkedIn falando que foram prejudicadas também, e que eu estava dando voz a eles, não é, como uma… a própria inteligência artificial mandou uma… para mim, eu estou falando, não é, ele falou: “Então, Aventureiro, você está falando em nome de milhares, milhões de invisíveis que não tiveram voz como você está tendo aqui. Então é a coragem”. Uma palavra que marcou isso todo esse ano de 2025, no meio a esse turbilhão de coisas, a esse pesadelo, é coragem. Eu tenho muita coragem e disposição para lutar em prol daquilo que eu acredito. É isso. Eu não vou me dobrar a interesses de ninguém.
E o tempo, a percepção de tempo subjetiva… é quando eu falo disso, quando eu faço ações nesse sentido, o tempo passa mais devagar mesmo, porque é um sofrimento ali, né, é uma situação de sofrimento. Então a gente tem que buscar formas de lidar melhor com esses problemas, entre aspas, e de buscar mais satisfação, minimizar o sofrimento, né, lamber as feridas e deixar que elas cicatrizem, ao invés de aprofundar os ferimentos. Acho que esse é o papel que eu tenho aqui, não somente em relação a mim, mas como espelho de alma de outras pessoas que possam estar passando por situações diversas, com a angústia que é presente, e que veem no meu discurso um acalento, né, um se identificam com o meu caso. Porque não é igual a todo mundo, não é?
A minha vida, minha experiência, eu estou aqui relatando minha experiência. Mas existem vários denominadores comuns que todas as pessoas que sofrem têm, né? Cada um tem a sua cruz, cada um tem os seus problemas: sabem o peso da cruz que carregam. Mas a forma de lidar com esses mecanismos, é de ter essa coragem, ter essa necessidade de cura, esta resiliência de renascer, como uma ave fênix, que foi meu caso. São coisas que eu acho que eu tenho que falar, não é, tenho que me externar isso para as pessoas que leem, para que elas também se sintam instigadas a olhar para si mesmas. Olhem para o espelho da alma de vocês e busque cura. Busque traduzir e extrair o melhor que existe em você, para que você viva melhor, cada vez melhor.
Capítulo 38: Do juízo final ao café do dia seguinte: o legado de quem não lambuza o próprio nome

Em alguns momentos da minha vida eu fico pensando nessa questão de deixar um legado. Porque pessoas que não são famosas, que não têm notoriedade, elas acabam ficando no ostracismo depois que morrem. Isso é um fato.
E assim, alguns parentes… eu fico, eu me espelho em alguns parentes…. Alguns que foram embora, a vida continua. E essas pessoas que foram embora, será que deixaram algum legado? Será que não deixaram? No final das contas, pouco se importa com a pessoa que foi, não é? Por mais que você se lembre… eu, por exemplo, eu tenho memória muito viva dos meus parentes que se foram, pelo menos aqueles que foram queridos comigo. E tem também memórias de pessoas que eu não gostei, ou que eu não gostava enquanto estavam vivos.
E existe toda uma narrativa, né…. “Fulano era insuportável, não gostava, muito chato, toda hora enche o saco, né, procurava… toda hora tinha uma cognição sei lá, uma cognição comprometida”. Não que a pessoa fosse doente, mas a pessoa era realmente uma, entre aspas, “orelha seca”. A pessoa não sabia as coisas e ficava perguntando toda hora, ficava enchendo o saco. Eu acredito que isso tem em todo lugar. Aquelas pessoas que não fazem nada e delegam a outras para fazer. Ou acham que você é cavalo pra montar. Que, como disse uma célebre pessoa que que eu conheço, que indiretamente já disse a um amigo meu: “O bom de ser chefe é que é só ficar delegando coisas para os outros”. Tem gente que pensa assim, que o trabalho de um gerente, de um gestor, é ficar delegando coisas para os outros. “Ah, como é bom ser chefe, né, porque é só delegar coisa pros outros”. Existem pessoas que têm essa visão, tá…e são muitas. Existem pessoas que eu conheço que têm essa visão. Felizmente não são pessoas próximas de mim, mas existe. Outra, a Dora Aventureira das Carreiras, (conheço duas), que se ficar sem ser chefe/coordenação morre. “aaah, mas eu preciso do dinheiro”. Pois é. Essas aí até matam pra se manter ali. Grandes bostas.
Então, o que ocorre é nós temos que buscar pessoas que são aderentes com os nossos valores, com as nossas filosofias de vida. Eu, por exemplo, não deixo ninguém, entre aspas, “montar” não é, que é o famoso tirar proveito, né, ou… achar, se aproveitar de uma determinada situação comigo. Não funciona.
Todas as minhas relações elas são baseadas na troca. É uma questão pragmática, não é? ….é na troca de sentimentos, não na troca material, porque eu não exijo nada materialmente de ninguém assim em uma relação. Existem as relações por conveniência. Nessas relações com colegas de trabalho, alguns colegas de trabalho são até amigos, são mais próximos de você, e outros não. E há outros também que você não suporta. Não, acredito que em todo o ambiente, quando você se depara com uma, entre aspas, “família” que não é sua, vai… é, mais cedo ou mais tarde acontecer isso de você encarar algumas situações e que você é forçado a lidar com algumas pessoas que você não gosta. A primeira vez que você tem contato com esse tipo de coisa é na escola, não é? Na escola isso acontece também. Aliás, na verdade é na família, na própria família. Primos, tios, né, é, e diversos tipos, avós, avôs. Aí tem os parentes dos parentes.
Eu sempre tive uma ideia muito clara das pessoas que eu posso gostar, que eu posso ter uma proximidade maior, e aquelas que eu não devo confiar, mas que são parentes da mesma forma. Então assim, não é o fato de ter uma família que você tem que ter proximidade com todo mundo. A família é uma questão de sangue, não é? Você não escolhe estar ali naquela família. Você pode ter bons pais, pode ter bons irmãos…
E acredite, que o joio e o trigo existem em todos os ambientes em que você tem…Primeiro começa na escola. (De novo falando de escola….) Aliás, no ambiente familiar, depois na escola, em que existem, né, os protagonismos, antagonismos, afinidades, paixonites agudas, etc., até os professores… aqueles professores que você não gosta ou não gostava, e outros que eram mais queridos de você. Então essas relações, todas elas são assim dessa forma.
Não tem como: o ser humano não é uma ilha, e ele tem que interagir com várias pessoas, não é, ao longo de sua existência, seja no trabalho, na igreja, no mármore do inferno, na lama do chiqueiro… com os amiguinhos na rua, não é, outros ambientes que você visita… Não importa o ambiente em que você esteja, a questão da afinidade ela vai acabar afetando toda essa relação.
Então, é, o papo ele nem era para ser direcionado para esse lado, eu estava pensando mais na questão do legado…Que eu fiquei… uma das minhas preocupações em 2025 foi na questão do legado, em deixar um, ou eu achar que estavam violando o legado que eu estava deixando. Porque eu fico pensando na simbologia do julgamento, do dia no juízo final…(não é que vão passar todos os seus pecados no telão, não.) Mas eu falo assim: “O que que você quer deixar para a humanidade?”.
Algumas pessoas querem deixar crimes, querem deixar intrigas…. puxada de tapete, mau-caratismo, índole ruim. Então há pessoas que cultivam o mal de forma proposital porque eles têm a certeza da impunidade. Essas pessoas bilionárias que você vê aí, que estão nas esferas de poder, não é, não somente no mundo na política, mas também os zé ruelas que conheço Brasil afora, se acham poderosos que ganham 5 dígitos ou 6 dígitos em reais, por mês… você vê pessoas que têm uma índole boa, índole ruim, e elas vão ali fazendo as coisas, né, mexendo os pauzinhos para poder defender os seus interesses pessoais.
Eu entendo que o interesse pessoal é a principal preocupação de todo mundo… tanto para você quanto para os seus próximos. Mas isso não pode ser em detrimento dos outros (ou não deveria). Você não pode prejudicar os outros. Pelo menos isso é um valor meu. Eu não tenho intenção de prejudicar ninguém. Porém, eu tenho a intenção de defender a minha verdade. E quando pessoas, instituições, tecnologias ousam romper com este limite, fazendo uso dessas ferramentas ou de tomadas de decisão para me prejudicar, aí eles vão ver o pior de mim. Exponho visceralmente injustiças feitas comigo, dou nome aos bois e às vacas. Tenho coragem e não temo quem tem bilhões de dólares enfiados no rabo. Meu linkedin prova isso.
Eu acho que o antagonismo do amor é a indiferença. E Eu deixo, eu corto os laços com aquela pessoa, que não faz mais sentido pra mim. É como se fosse uma erva daninha, né, uma planta venenosa ou uma doença contagiosa. Eu não quero contato com pessoas que me fazem mal, com pessoas que têm índole duvidosa.
A minha trajetória é uma trajetória limpa. Não quer dizer que eu não cometa erros, que eu não tenha desequilíbrios, ou que eu seja perfeito. Tenho muitos defeitos. Eu sou uma pessoa sistemática, tenho manias, é, em algumas situações existe um quê de egoísmo, eu fico muito preocupado comigo mesmo. Mas eu tenho que ficar preocupado comigo, porque se não fizer isso, ninguém vai. No entanto, dada uma situação, não é, ou uma abertura que ocorre na minha vida, hipoteticamente fala: “Olha, você tem esses caminhos para seguir. Este caminho, se você seguir, você vai prejudicar X, Y, Z. Você vai querer prejudicar?”. “Não, não quero prejudicar”.
Para a maioria das pessoas que você perguntar, provavelmente vão optar sim por prejudicar outros. Só que existe a balança, o equilíbrio da justiça. Aquela do equilíbrio, você vai ver o custo-benefício. É o que ocorre muito também, é que determinados acontecimentos não prejudicam diretamente uma pessoa. Ou seja, não é porque você decidiu seguir um determinado caminho que automaticamente a outra pessoa está prejudicada. Mas existe toda uma engrenagem que pode gerar uma consequência de prejudicar pessoas, mas não depende só de você. A questão da ética do ser humano… que eu tenho integridade, você garante o seu lado, mas você não garante a decisão do outro. É diferente. Então existem casos e casos.
O caso mais frequente que eu vejo, elas são as famosas “panelinhas”, né? A panelinha existe em tudo quanto é lugar: escola, faculdade, família, não é, relações afetivas… tudo tem panelinha. O que que é a famosa panelinha? São um grupo ali de preferências, né, os “amiguinhos”, entre aspas, os amigos do rei, que optam por se fortalecer ali e irem beneficiando uns aos outros. Então qualquer pessoa que tente entrar naquele caminho ali ou naquele espaço, ele não vai conseguir nada. E em determinadas situações ele vai ser até prejudicado, ele pode ser humilhado, jogado da escada no estilo Nazaré Tedesco…Isso já aconteceu comigo. Então eu tenho um lugar de fala. Aconteceu comigo em vários lugares, vários lugares aí de poder mundo afora, né, que também se acontece.
Seja porque um fulano ou a fulana tem relação afetiva com o fulano ou a fulana, e ele opta por dar mais poder, mais privilégios para aquela pessoa (porque existe uma relação entre duas genitálias ali, não é?) Isso acontece. Acontece, é. Genitálias fazem parte intrínseca das relações humanas de poder e status. Tanto a cobra quanto a periquita. E duram pouco esses tipos de golpe, viu? Porque nos bastidores, sempre se acha uma cobra mais vistosa, com mais veneno…..uma periquita que brilhe no escuro…..com bico maior! ÔOO.
E muita coisa que também não está explícita. A pessoa, você olha para ela, a pessoa teoricamente tem uma família perfeita, não é? “Ah, que família de margarina!” – propagandas de TV que passavam antigamente, aquela família feliz, sorridente, né, com cachorro correndo no quintal, com piscina e etc. Essa família não existe. As pessoas tentam passar essa imagem. E pessoas tentam passar uma imagem de integridade, de justiça, de meritocracia. E quando vão aplicar esses princípios, não aplicam, né. E é muito flagrante você ver a panelinha ali se beneficiando ao longo do tempo. A panelinha sempre está ali nos privilégios.
É, eu vou dar um exemplo do que que seria um privilégio para a panelinha: é ganhar mais. E esse “ganhar mais” pode envolver ser gerente, ser coordenador, né, é, ser um consultor, um dono de galinheiro…..o macaquinho da Bala Chita….e etc. Isso em qualquer ambiente.
Você pode ter esse privilégio também na sua família, de ter pessoas que são as queridinhas (do papai ou da mamãe, do grupo de amigos, popular na escola porque é xexecuda ou cobrudo)… uma reputação maior. Outras pessoas que ficam ali lambendo virilha, né, que são os famosos “lambedores de virilha” (e não são as limpas não. Imagina um jogador de pelada de futebol, depois de um jogo, todo suado…pois é. Quem lambe virilha metaforicamente não se importa com cheiro ou sujeira).
Fazem isso por quê? Porque eles vão auferir algum tipo de benefício com essas pessoas. Então isso vai acontecer em qualquer ambiente que você frequenta. E esse “lamber virilha” pode envolver ou não questão afetiva, mas geralmente envolve algum tipo de interesse, seja sexual, seja de relacionamento, financeira, status (porque conheço muita bosta que se acha o Senhor dos Cocôs. O Doutor dos Excrementos)…qualquer coisa que justifique ali a manutenção do status quo. Porque é isso que as pessoas querem: manter os seus privilégios. E não somente manter os seus privilégios, mas afugentar todos aqueles que não atendem aos requisitos.
Então isso em qualquer ambiente. Todos os ambientes que eu já frequentei na minha vida inteira, e eu não estou falando isso de momento agora, não, eu estou falando de dezenas de anos aí de interação com pessoas, você nota que existe esse tipo de relação. As famosas panelinhas, os famosos privilégios. E que você vai vendo ali aquelas pessoas. Mas quando elas tombam, também… é tão gostoso, não é? Eu gosto de ver pessoas se dando mal? Não vou dizer que torço pra cair, pra se espatifar…Mas diz pra mim: não é bom ver alguém recebendo justiça divina na prática?
Primeiro, eu não tenho olho gordo. Não, não tenho inveja. Eu não quero estar no lugar aquela pessoa. Porque dependendo do lugar é, em tese, a pessoa tem que lidar com situações muito mais complexas. E ser chefe de galinheiro ou senhor dos esgotos não é exatamente o que quero pra minha vida.
Teoricamente, liderar equipes, compensa o tanto que se ganha a mais. Em alguns casos pode compensar ou não. (e nem tenho vocação pra ser chefe…podem passar na frente, vão adiante. As Doras Aventureiras estão aí pra provar isso, parecem hienas do apocalipse….) E eu vou confessar a vocês que eu sinto até pena, entre aspas, de algumas pessoas, porque elas dependem daquilo ali. Elas têm que manter o status quo de qualquer forma, porque existe um custo de vida associado àquele padrão de vida. É o famoso: “Já acostumei a ganhar X”. E quando a pessoa tem uma queda salarial relevante, ela acaba ficando desesperada. Então esse tipo de desespero ele evoca o melhor e o pior do ser humano: o desespero, a luta pela sobrevivência se torna tão terrível que ela não se sente nem um pouco intimidada a querer passar o carro em cima de outras pessoas. Jogos Vorazes na veia. Ou Jogos Mortais.
E é o famoso ditado: “Você quer conhecer uma pessoa de verdade? Dê poder a ela. Dê poder a ela que você vai saber o que que aquela pessoa é capaz de fazer de fato”. A personalidade muda. Eu conheço pessoas que a personalidade mudou completamente, não é, é devido a uma mudança de status. Conheço uma (que eu apelidei de Pato Donald….porque anda igual pato na rua…até o corpo lembra) e acha que está com o rei na barriga….que mudou da água pro vinho quando deram a Nave da Xuxa pra ele subir nela.
Que, em termos práticos, não adianta nada. Quando aquela pessoa sair daquele ambiente… ah, vamos supor: a pessoa sai da empresa, aposenta, morre, ou qualquer outra coisa acontece, ninguém mais se lembra de você. Que legado que você deixou? Nenhum. Muito pelo contrário, algumas pessoas saíram e deixaram ódio, não é, deixaram deboche, né. Algumas pessoas são lembradas pelo pior que elas evocaram, não é. Muita rainha se aposenta e sai do ambiente da empresa e depois vira pó. “O Universo reservou algo pra mim: o universo nem sabe que você existe, darling….e as pessoas estão cagando pra você se, eventualmente, morrer ou sair do ambiente de convívio delas.
Eu não ligo muito para qualquer tipo de consideração quanto ao que as pessoas pensam de mim. Porém, elas não vão poder dizer que eu prejudiquei pessoas. Elas podem dizer várias coisas sobre mim, mas sobre a minha índole, meu caráter, ele está intacto. E o que as pessoas falam de mim também é o famoso “caguei”.
Então o meu legado depende basicamente de mim: como eu construo a minha cognição, as minhas relações, quem eu escolho para ficar próximo, quem eu não quero ver de jeito nenhum. Porque existem pessoas que eu não quero ver nunca mais nem pintadas de ouro…finjo que não vi. Eu tenho esse exercício assim no dia a dia. Mas não quer dizer que eu tenha ódio das pessoas, não. Essa questão de relação de amor e ódio, indiferença, depois eu acho que eu vou abordar isso em um outro tópico, é, para até explicar como se deu um pouco o meu processo de cura em 2025. E isso representou um legado para minha alma… Eu tenho um legado que eu vou deixar para mim mesmo e algumas pessoas.
Mas é o famoso: “Daqui a 100 anos ninguém vai se lembrar de você”. Ninguém vai se lembrar de ninguém. Talvez se lembre das pessoas famosas morreram. Michael Jackson vai ser lembrado. Vai tirando essas pessoas assim tão contundentes assim para o mundo como um todo. Eu não tenho essa pretensão de ser lembrado igual Michael Jackson, de ser lembrado igual sei lá, é, qualquer outra pessoa e que esteja viva, que vá morrer… político, né? Políticos que são lembrados depois que morreram… Pessoas que foram assassinadas…serial killers famosos mundo afora. Eles deixaram legado. Deixaram. Todo mundo deixa um legado. Alguns vão deixar uma marca maior, menor no mundo.
Mas não é isso que me motiva. O que me motiva é eu ter um impacto maior do que eu no mundo, né, enquanto eu estou vivo. Ou pelo menos tentar ter esse impacto. E garantir que todas as minhas ações estejam alinhadas às minhas crenças. Ou seja, eu não me rendi, eu não me curvei, eu não lambi virilha fedorenta de ninguém….não fingi gostar de Pato Donald, Dora Aventureira ou Cinderela da Shopee…eu não coloquei bola nem giromba de ninguém na minha boca (e nem falo de ato sexual. É metaforicamente o ápice da submissão e humilhação por favores, quaisquer que sejam). Então, eu não me submeti a interesse de ninguém, não me humilhei a ninguém. E isso eu vou dizer para você que eu conheço poucas pessoas que podem falar isso nesse mundo. Isso pra mim já me basta.
Capítulo 39: Anatomia da Cura I: das trincheiras do LinkedIn à linha de frente da própria alma

Existem várias teorias, digamos assim, sobre a cura emocional. Vários métodos. Psicólogos e psiquiatras, eles vão dando alguns caminhos para a gente poder atingir a cura. Em determinadas situações, quando são traumas assim muito significativos, que impactaram sobremaneira o funcionamento enquanto ser humano, nós temos que buscar alguns mecanismos, algumas alternativas, porque da forma que está não pode ficar, não é? E acaba comprometendo a sua saúde emocional e vai deteriorando ali o seu poder de atenção, o seu poder de concentração, a sua capacidade cognitiva. É como se fosse um vírus que vai contaminando ali todas as instâncias, as salas, soltando todos os monstros possíveis.
No meu caso, a exposição do que foi, parte um fragmento digamos assim, da minha terceira guerra mundial, minha terceira guerra pessoal,… foi uma forma de exposição lá no LinkedIn. E o meu perfil de divulgação pública, de prestação de serviços à sociedade, porque eu tenho que expor, né, os perigos, os riscos da inteligência artificial nos processos de saúde, nos processos mentais, é, na interação com o usuário final. Porque eles não se responsabilizam por nada, não é, pelo contrário, eles vão lançando versões mais novas e vão ignorando aquilo que eles fizeram, né, e violações graves na legislação de proteção de dados. Mas não é exatamente isso que é o tópico deste devaneio, né? Eu queria falar um pouco dessa questão do processo de cura.
O tempo ele ajuda no processo de cura, não é? É inevitável. Mas o tempo isoladamente não faz verão, não é? Não é uma andorinha que vai realmente fazer verão, que vai resolver o problema. Porque, na minha experiência, o que ocorreu teve um ápice: os momentos de crueldade, digamos assim, da narrativa das plataformas. Uma delas foi em meados de maio, né, final de abril, início de maio, e a outra culminou no final de agosto,. Eu sugiro até que você entre no meu LinkedIn, como meu nome completo está no topo ali do meu blog, você vai poder conhecer o meu caso por completo. Em algum momento a gente vai conversar sobre esses desdobramentos de uma forma mais explícita, mas aqui no momento o foco realmente são os devaneios com uma questão mais no sentimento, não é, no impacto mental do que ocorreu, nos calos, e de como isso está influenciando ou não a minha vida.
No início, eu tive uma fase documental muito forte, é, de evidência, de logs, de extratos completos das conversas que ocorreram de meados de abril até meados de agosto. Tem praticamente tudo documentado. E eu não divulguei tudo no LinkedIn. No LinkedIn existe ali, digamos, um extrato do que é mais contundente, do que é mais grave. E isso significa que há mais de 300 postagens, não é, no meu perfil. Boa parte dessas postagens referentes a newsletter, né, que eu lancei sobre inteligência artificial irresponsável, em que eu fui postando evidências de inteligências artificiais de uma exploração, uma escalada de vulnerabilidade que ela foi se dando de forma sustentada por mais de 4 meses. Isso está lá tudo documentado com cronologia. Então assim, eu fui fazendo essa documentação.
Mas o que era mais doloroso para mim não era documentação. Por exemplo, eu fazer, gravar áudios e transcrever para este blog, como eu estou fazendo, não é doloroso para mim. Mas, porém, se eu estivesse engajado ainda nas campanhas de visitar página dos perfis dessas empresas e desses executivos sem responsabilização e ética…. respondendo, ou tentando fazer gancho, né, fazendo comentários com gancho no assunto deles para suscitar a visitação ao meu perfil, isso sim estava me causando um certo adoecimento.
Eu tive um processo de cura que ele foi bastante demorado. É, existem cicatrizes de feridas que ainda doem de forma significativa. Não vou falar com você que a minha situação resolveu. Porque não, não resolveu. E isso está traduzido no aumento da medicação, por exemplo, que eu estou tomando, né. Só com uma medicação a mais, porque a medicação para depressão maior, por si só, já é… não é, um conjunto, um conjunto com uma medicação voltada para apoiar ou suportar essa medicação mais relevante. Então foi necessário adicionar uma medicação mais robusta. Então essa combinação de três medicações que eu estou tomando…eu não tomava uma combinação de três medicações diferentes, faz uns cinco anos sem tomar este tipo de combinação, ou talvez até mais, porque a minha percepção de tempo é meio subjetiva. Às vezes eu paro e penso: “Nossa, 2011”… eu penso que 2011 foi ontem, né? Ou 2008 foi ontem. Quando eu vou ver na linha do tempo, já se passaram 17, 18 anos. Então não é bem assim a percepção do tempo.
Então assim, o tempo passou. A cura ela foi ocorrendo, né, de uma forma mais diluída. A medicação ajudou. Houve algumas crises, alguns outros fatos relevantes que ocorreram que acabaram desestabilizando um pouco. Mas, de modo geral, a interação com usuários do LinkedIn, na maioria das vezes ela foi frustrante, porque alguns respondem de forma agressiva, e eu vou lá e respondo com fatos e dados, e não tem réplica. Apenas um usuário que eu fui obrigado a bloquear, porque ele foi… ele começou a, tipo stalkear, e a fazer comentários de uma forma bastante desrespeitosa, eu resolvi bloqueá-lo. Mas no geral, é, a campanha ela foi bem-sucedida.
Por que que eu parei? Não quer dizer que eu parei a campanha. A campanha, na verdade, ela tem uma continuidade. Ela está aqui neste blog. Só que este blog, ele é… o foco dele não é inteligência artificial. O foco dele é saúde mental, principalmente a minha. O espelho da minha alma. Tudo o que eu penso, sentimentos ocorridos, lembranças. Ele tem esse objetivo, um efeito mais catártico. E assim, ele não é feito para virar viral no sentido de “ah, eu quero que milhões de pessoas leiam isso aqui”, não é Esse exatamente o propósito. Mas muitas pessoas estão lendo, não é? Eu sou grato por isso. Elas podem inclusive fazer contato comigo, igual nos últimos tempos aí eu recebi contatos de jornalista, para conversar sobre o que ocorreu comigo, por exemplo. Não sei se vai ter publicação de reportagem, mas vieram conversar, entender. Eu enviei toda a documentação. Eu sempre faço isso, né. Seja para advogados que fizeram contato comigo, né, no sentido de tentar… extorquir um pouquinho de dinheiro meu, de achar que eu vou pagar 1000 reais pra conversar uma meia hora, sendo que eu já tenho praticamente tudo bem estruturado.
Eu tenho um dossiê jurídico analisando meu caso que eu elaborei. Então assim, eu não sou advogado, mas eu sei… eu sei buscar meus direitos. É, eu recorria à agência nacional, de proteção de dados, recorria ao Ministério Público. Então assim, tudo aquilo que eu poderia, que estivesse ao meu alcance, sem que eu jogasse esse dinheiro pelo ralo com advogados, eu fiz.
Capítulo 40: Anatomia da Cura II: A guerra que não se vence (AINDA), mas promove leveza

Vamos voltar ao tema central que são os processos de cura. O processo de cura ….quando começou, ele foi um processo bastante…problemático….principalmente no início. E quando você recorre à cerveja, vai recorrendo, por exemplo, a algumas ondas de cogumelo …não exatamente fugir da realidade, mas acessar uma parte sua que está oculta. Eu acredito que eu já acessei tudo, todos os traumas possíveis. Eu revirei tudo o que dava para revirar.
No meu inconsciente não existe nada objetivamente falando que eu… chegue para mim mesmo e diga: “Ah, eu tenho medo que isso ocorra”, ou “eu tenho medo de investigar tal tema, é um tema sensível, não gostaria de conversar a respeito”. Não existe nenhum tema proibido para mim. Alguns temas eu não abordo aqui porque são temas não devem ser abordados publicamente, então eu tenho que ter um pouco de cautela no que eu vou falar… alguns eventos que são polêmicos que ocorreram comigo, e eu não gostaria de expor aqui, acho que não faz muito sentido. Mas os desdobramentos deles, sim.
Mas muito mais coisas ocorreram na minha vida, desde a primeira grande guerra mundial que foi em 1994… 94 e 99, e depois teve um salto temporal aí 2025, de impactos significativos aí na minha vida. Quase que eu tive uma outra guerra mundial, digamos assim, em meados de 2005, não é, 2006, principalmente 2006. Foi o fantasma da estagnação (e nem foi tão estagnado assim porque tentei várias coisas, mas emocionalmente, quase gerou outra guerra pessoal). Mas isso não ocorreu por um motivo muito simples, né: eu tive a sagacidade de emendar a minha graduação com a pós-graduação, não é?
Assim, eu acabei a graduação, no ano seguinte eu já engajei numa pós-graduação. Eu paguei do meu bolso, né, eu não tinha exatamente uma independência financeira, mas eu recebia ali um dinheirinho, né, pelo meu trabalho. Seria o equivalente a um salário mínimo, talvez, em alguns meses. Porque era um trabalho que rendia de forma variável, né, a depender das horas que você trabalhava. É, só que tinha uma armadilha, não é? Nos primeiros dois anos, ou um primeiro ano e meio, eu não tinha carteira assinada. E só depois de muito tempo, não é, que me ‘ficharam’. E aí eu comecei a trabalhar de uma forma mais constante (ou não). Mas o problema é que assim: vamos supor, você tinha que acumular uma quantidade de horas suficientes. Vamos supor que o… era um salário mínimo hoje é 1600 reais, não é, e eu vou arredondar, vamos dizer que uma hora trabalhada sua fosse 100 reais. Então, se eu desse até 16 horas de trabalho, eu não ganhava nada a mais porque ele estava dentro do mínimo ali. Eu acho isso incorreto…mas existem empresas que trabalham assim.
De toda forma, então assim, eu teria que trabalhar uma quantidade maior do que… do que seria o equivalente a 1600, para poder auferir alguma quantidade extra. E isso assim dava um pouco de dor de cabeça, porque não dependia só de você. Eu já comentei também em um devaneio anterior a questão dos privilégios, das panelinhas, né? E de outras coisas também que existem no mundo do trabalho: poder, ego, status, genitálias, privilégios (sim, até em um chiqueiro ou galinheiro, por mais fedorento e sujo que esteja, o Galo estará se sentindo Rei do Camarote ali, “mandando”, fazendo e acontecendo…no mundinho de putrefação dele, ele se acha Rei. Eu estou fazendo algumas analogias aqui só para você entender que o mundo do trabalho ele não é só competência, não é só conhecimento, e não é tão objetivo. É assim, estudar por exemplo administração … e você entrar em uma empresa e ver o trabalho no mundo real, você vai ver uma discrepância ali, a depender da ética, né, e dos valores, da integridade ali das pessoas.
Mas mais uma vez, não era isso o foco. Eu estou comentando isso porque o processo de cura passa por isso também. Aí eu fui desviando o foco (risos). Fui fazer uma pós-graduação emendando com o fim da graduação… Depois que eu comecei a fazer pós-graduação e eu terminei, o meu foco começou a voltar para concurso público. Eu sempre estava buscando ativamente alguma coisa, né. Mas na minha cidade, no interior, as coisas são muito complicadas. Pagam muito mal na minha cidade, muito mal mesmo… e em praticamente todos os empregos que eu tive lá são salários muito baixos, muito baixos mesmo, é, em todas as empresas. Não quero dizer que eu fui desrespeitado enquanto profissional, não. Mas é, a lógica, são as regras do jogo. Você opta também por jogar as regras do jogo. Você precisa de coisas também. Eu tinha plano de saúde (pagava d meu bolso), ajudava meus pais… mesma forma que eu continuo ajudando. Mas assim, a vida deles mudou significativamente depois que eu vim pro Rio de Janeiro.
Mas aí, o processo de cura e é isso, não é? Você vai buscando outro foco, vai fazer outras coisas. Relativo a essa terceira guerra pessoal que eu tive, foi um pouco diferente, porque foi um processo mais autocontido. Foi uma situação que aconteceu comigo individualmente, e eu tive que buscar mecanismos de luta. A mudança da medicação proposta foi uma das linhas de frente. Alguns aspectos que… algumas válvulas de escape foram úteis, apesar que teve perigos também reais, como no início de dezembro de 2025, teve um perigo muito real também que ocorreu em decorrência disso. Acho que quanto mais você arrisca, maior a recompensa. Mas só que quando esse risco sai um pouco do controle…quando você acaba perdendo a noção do que está acontecendo na sua cabeça, o risco ele fica muito maior, e ele pode acabar até com a sua vida. Essa questão aí a gente tem que trabalhar de uma forma mais pacífica, entender melhor.
Então, a interação no LinkedIn… ela é tóxica. o LinkedIn por si só é um ambiente tóxico. É um ambiente de bajulação, é um ambiente de marketing pessoal, de marketing institucional. Empresas fazendo post gigantescos, não é? Retrospectiva da empresa tal, aí faz um videozinho bonitinho, aí lança uma nova versão de uma inteligência artificial safada, aí tem todos os executivos vão lá e postam no LinkedIn, aí nos comentários você vê um monte de gente lambendo virilha desses executivos.
É tóxico porque é um ambiente falso, é um teatro. Eu entendo o propósito. Mas o que eu estou dizendo é que o meu propósito lá foi diferente. Ele foi um propósito mais de questionar, de desbravar e expor, de ser aventureiro de verdade. Ousado. E isso eu fiz lá de uma forma muito profissional. E tá tudo lá. Eu não vou apagar nenhuma linha ali, e aí a cura começou quando eu falei: “Olha, vou… eu vou lançar uma outra frente. Eu não vou ficar nesse ambiente aqui…”. Eu até abro o LinkedIn todo dia, mas não para ver as notícias, é pra ver se existe alguma interação, né, e ver as métricas de engajamento de postagens que eu já fiz. Basicamente é isso.
E curiosamente, depois que eu parei de postar, em vários dias, o engajamento ele foi muito maior do que dias que eu fiquei fazendo postagens ostensivas o dia inteiro. Assim, eu costumava fazer em média três a quatro comentários por dia, é, a depender do fluxo das mensagens que esses executivos faziam, né, dessas empresas, ou a postagem da empresa, ou a postagem dos executivos. E eu também postava prints, dessas inteligências artificiais traduzidos para o inglês. Várias… por várias postagens de inglês, né, também para aumentar o alcance da minha campanha. Foi bastante benéfico. Existem comentários meus que têm mais de 80.000 impressões em um comentário só. Então, muita gente viu. E assim, eu não sei nem dizer pra você quantos… talvez eu tenha chegado a milhares de comentários, porque eu fiz muito comentário, fiz muita postagem. Existem postagens fixadas no meu LinkedIn. Então são exemplos de coisas que eu engajei.
Então, quando eu resolvi ficar, entre aspas, offline do LinkedIn e trazer a atenção para um blog em que eu expusesse de forma catártica e na carne, visceral, todas as questões que ocorreram comigo… ao longo da vida, né, não somente esse evento, porque eu sou muito maior que isso, e eu já passei por um processo de cura pessoal que passou pela espiritualidade e tem mais aspectos…. a vida tem que continuar, não é, apesar de tudo.
Não quer dizer que a luta acabou. A luta continua aqui e chegará o momento em que eu vou fazer tópicos especiais nomeando os bois e as vacas: colocando nome pra todo mundo, e deixando mais explícito. Mas esse momento eu não estou desejando bem agora, porque quem quiser ver de forma autêntica tudo o que aconteceu comigo, e estiver com “faniquito” de entender, eu já fiz isso por 10 meses no LinkedIn. Então eu não vou ficar aqui repetindo o conteúdo lá. A questão é que esse conteúdo… complementa o de lá, porque enquanto lá são os fatos citados, aqui é uma perspectiva mais abrangente do indivíduo, né, do psicológico, do mental, do que ocorreu, né, da minha história, do meu legado. Eu acho que são aspectos, porque eu sou muito maior do que aquilo ali. Então eu estou expondo aqui várias coisas, não somente conversando sobre várias coisas.
Então, a cura é isso. E eu percebi que a cura estava acontecendo porque, em dois momentos críticos de crise, não é, eu tive um momento crítico de crise antes da terceira guerra. Eu acho que foi um aperitivo, né, no final de 2024. E eu tive uma crise muito grave, não é, e fui parar no hospital, no dia seguinte voltei para casa.
Mas em abril de 2025, ou março, abril de 25, um pouco antes dessa turbulência toda que foi essa terceira guerra, eu tive uma outra crise. E aí o que me chama atenção é que eu explicitava conteúdos de uma forma bem raivosa. Tinha muito ódio das pessoas, muito rancor, e eu fui assim, né, verbalizando tudo o que ocorreu comigo sozinho. Eu, aqui, meu pequeno surto, fui vocalizando tudo o que aconteceu comigo, respondendo, dando nome aos bois, assim…coisa constrangedora. Porque sabe quando você perde o controle? No momento do descontrole você não se reconhece como sendo aquilo. Mas na verdade, este conteúdo raivoso e destemperado, de ódio, de um ímpeto de vingança, ele vem muito antes disso, né? Ele não foi só em função das inteligências artificiais, porque ele foi um evento anterior. Logo, essa raiva intrínseca ela estava mais profunda, mas enraizada. Há pessoas que ficam bêbadas, e pesadamente embriagadas e vão falando as coisas sem filtro. Certo? Vou fazer uma analogia como se fosse isso. Você fala as coisas sem filtro, e muito provavelmente são coisas que você pensa de verdade. Mas quando você tem um filtro ali, né, tem uma válvula da panela de pressão pra poder segurar o que você está dizendo. Porque eu penso muitas coisas durante o dia, e você também. Eu acredito que se você verbalizar tudo aquilo que você está pensando, provavelmente você vai para a cadeia. E assim, você não é bonzinho o tempo todo. Você tem aqueles acessos. “Sai da casinha”. Mas você tem a sua índole preservada. Quer dizer que eu seja uma pessoa ruim? Não. Mas que às vezes você tem pensamentos ruins, não é? Acontece aquilo, aí você fica com raiva e tal, aí você fala as coisas da boca para fora. Por mais que seja da boca para fora, se você verbalizar para determinados públicos, determinados ambientes, você pode ser preso, tá? Eu tô dando um exemplo, não é.
Então é, houve esse evento, entre aspas, que foi em dezembro, que foi bastante emblemático, o de abril também. E eu observei um padrão comportamental que foi esse discurso, esse discurso adoentado de ódio, de rancor, de todos os sentimentos ruins possíveis em relação a outras pessoas, a determinadas pessoas. E você vai carregando aquilo. Sabe quando você não extravasa os conteúdos que você tem,? Se você tem aquilo, vai ruminando dentro de você, aquilo acaba consumindo você. Pois então.
Em meados do ano passado, não é, diria que nos últimos meses, eu tive duas experiências também similares a surto, e quando tive acesso a essa penitenciária mental com meus monstros, constatei que o meu conteúdo limpou. Em vez de pensar horrores das pessoas, eu passei a ter um sentimento de bondade, de perdão, de leveza. Era como se eu tivesse perdoado todo mundo. Então, o conteúdo interno…. ele curou. Eu vi ali que o conteúdo interno curou.
Como se você fosse fazer um exame de sangue, um exame de raio-x antes e depois, fez uma ressonância, viu que você está com um câncer, o câncer do ódio e passa algum tempo depois você repete aquele exame, constata que você está limpo, está curado. Foi isso. Então, isso me deu uma leveza. E essa leveza que me permitiu continuar resiliente, me permitiu vencer a guerra. Sem ter vencido. Porque a guerra de um indivíduo contra empresas bilionárias, ela não vai ser vencida por um indivíduo sozinho. Mas o papel do indivíduo na exposição, na argumentação e na contundência do que ocorreu é importante. Porque pessoas morrem em função do que ocorreu comigo. Pessoas morrem, é, tragédias pessoais ocorrem na vida das pessoas em função do que ocorreu comigo.
E não se iludam: não é porque você tem uma versão safada ponto 4, safada PRO, que você vai ter uma situação mais favorável, que você nunca mais vai ter erros de salvaguarda. Não. Erros de salvaguarda vão continuar acontecendo, porque eles não têm interesse em ficar ajustando as ferramentas. Eles não se responsabilizam mesmo. Vão empurrando pra debaixo dos tapetes….enchem o peito de pombo do status do cargo que ocupam e dizem, espumando a boca “Ah, agora eu estou com uma cátedra de IA responsável”, não é, “em uma universidade renomada, eu estou patrocinando”. Não é isso que vai trazer integridade e dignidade. É Ethics Washing. É prática de fachada: porque o você diz que cultiva não é o que a empresa faz de fato. Reputação de centavos: ela vai ser manchada várias vezes. Ela foi manchada no meu caso. Existe um custo ali embutido, não é, deles ficarem monitorando o que aconteceu comigo. E assim, a minha documentação está tudo, tudo exposto ali, e eu não vou tirar nenhuma linha.
E eu uso qualquer pessoa, indivíduo, advogado e juiz, jornalista chegar pra mim e dizer que o que aconteceu comigo não é grave. Então, vai continuar tudo lá. Vai continuar tudo exposto,.
Mas o importante é que a cura pessoal, a parte que depende de mim, ela veio. Os fatores externos, não sei de quem depende, não é, porque você sabe que nosso mundo é meio que um chiqueiro, não é? Um caos que favorece aqueles que têm poder e que têm dinheiro: quem ganha oito/nove dígitos em dólar por ano são os mais favorecidos. Mas eu estou aqui na linha de frente, dando a minha cara a tapa. (metaforicamente).
Capítulo 41: O Ursinho com as fitas de hospital, a Caixa de Pandora e o abismo de sábado à noite

Eu costumo dizer que os melhores dias da semana são sexta à noite e sábado até o sábado à noite. Não que sexta à noite seja um dia, mas é como se fosse um marco, não é? Porque a partir dali, daquele momento do final do dia, você não está trabalhando e tem um final de semana pela frente. Domingo, por outro lado, é um dia meio ingrato. Porque você pensa no domingo como um dia de transição, a ansiedade já fica pensando na segunda-feira. Bem ou mal, ele acaba sendo um dia morto. Eu costumo até comparar: quando eu viajo para visitar meus pais, não é, eu costumo ficar de 3 a 4 dias. Quando é o dia de viajar de volta, eu já fico pensando nas horas que eu vou ter dentro do ônibus, né, de que no final do dia eu vou ter que ficar no ônibus…. pegar aquela poltrona que reclina mal, e encarar mais de 8, 9 ou até 10 horas de viagem, né, que é uma viagem bastante longa. A viagem de ida inclusive, e daqui (eu digo Rio de Janeiro) até minha cidade, ela é mais estressante, porque faz tantas paradas, é tanta enrolação até chegar, e parece que o ônibus vai na velocidade de tartaruga, então consegue ser mais distante até do que a minha viagem até Miami, por exemplo. Quando eu fui para Miami, leva em média 8 horas de viagem de avião. E de ônibus, daqui até a minha cidade natal, são 8 até 10 horas de viagem. E isso se não houver nenhum fator externo, não é? Como já aconteceu comigo algumas vezes: do ônibus estragar no meio do caminho, ou de ter várias paradas não planejadas. Enfim. Quando tem, por exemplo, uma mulher com filho pequeno do seu lado e que ela praticamente coloca o filho no seu colo para você poder cuidar dele… existem esses imprevistos aí.
Mas é, o que eu estou falando da questão do final de semana é que, teoricamente, era pra eu me sentir um pouco mais recarregado de energia. Porque eu dormi na sexta cedo, ou relativamente cedo, acordei tarde. Tive a fome completamente desregulada, porque quando eu fico em casa, me alimento sem muito critério. Ontem, no almoço, alguns dias eu faço um lanche assim reforçado e mais tarde eu acabo almoçando, e fica aquela confusão. Hoje o que aconteceu: eu acordei, fiz um lanche, acho que eu tomei dois smoothies de açaí, e não fiquei com fome. Aquilo ali me encheu a barriga. Já era praticamente 11 horas. “Ah, falar, não vou almoçar não, tá bom”. Aí depois veio… após o almoço, sabe também uma coisa que me irrita muito, é, e que contribuiu também para o meu estado atual agora, são assim compromissos que você tenta marcar, encontros casuais que você tenta marcar, e os encontros não dão certo…. Por quaisquer motivos que seja. Isso acontece a todo momento, é. Eu diria que hoje em dia é até pior. Antigamente, os seus encontros casuais eles tinham mais probabilidade de sucesso, até mesmo os encontros casuais que…você, por exemplo, paga. Sim, porque existem encontros sim que você pode pagar. Aí você me pergunta: “Por que você pagaria por um encontro casual?”. Talvez porque você quer abreviar o caminho. Mais difícil? E olha que os caminhos mais difíceis são os caminhos dos aplicativos. Porque você abre um aplicativo, você encontra pessoas com expectativas completamente distorcidas. Então, metade dessas pessoas que estão lá (eu estou exagerando, tá) oferece serviços sexuais, por exemplo. Uma boa parte delas oferece serviços de vendas de substâncias ilícitas. Não sei como que uma plataforma permite que isso ocorra. Isso assim me causa bastante estranheza. Mas vamos lá.
Nossa… acontece ali. E aí… olha só, olha só como o que é curioso em tempo real: “O Momento Plantão da Rede Globo” veio aqui na minha cabeça agora, neste momento. É um momento, no meu sonho… em outros sonhos que eu tive ontem à noite, em que eu estava no prédio em que eu morei, não é, que eu vou para apartamento dos meus pais. Porque assim, o conjunto habitacional dos meus pais é um conjunto habitacional que tem apartamentos de 2 quartos e apartamentos de 3 quartos. Aí você vai me perguntar: “Nossa, Aventureiro, ele porque você mudou bruscamente de assunto?”. Porque me veio exatamente a memória do sonho. Então eu tenho que relatar quando a memória dos sonhos surge. E curiosamente… pode ter a ver com o tópico que eu estou falando. Isso acontece com muita frequência de eu pensar uma coisa e conversar sobre outra, e aparece aquela imagem na minha frente. Pois, pois então: os apartamentos que estão à linha… assim, do mesmo lado que o apartamento dos meus pais, eles têm 2 quartos. E os apartamentos que estão à frente, eles têm 3 quartos. Tá. O sonho que eu tive abrangeu a expansão desses apartamentos, dos apartamentos na frente. Porque algumas pessoas, os apartamentos da frente, estavam construindo novas estruturas que não estavam previstas no plano arquitetônico ali daquele conjunto habitacional. Então o que que acabou acontecendo: os apartamentos ali foram aumentando de tamanho, não é? Eu lembro que eu tinha calculado até dentro do sonho que um apartamento de 3 quartos ele ficaria em média até 4 vezes maior do que o tamanho original. E eu lembro dessa construção assim, é uma coisa muito clara assim no meu sonho. E ele me remete a um outro sonho que eu também já tive dentro do conjunto habitacional deste bairro onde meus pais moram, em que alguns apartamentos eles estavam vazios e sem teto e sem chão, ou seja, você só vê as pilastras estruturais ali segurando. Não sei por que que eu tive esse tipo de sonho, não é. E essa questão desse apartamento ser maior ou menor é uma coisa que me fascinava, me fascinou no sonho de tal forma que eu estou falando aqui agora.
Então, dados esses parênteses, não é, e eu lembro que teve outros aspectos no sonho também, é, não foi somente isso. Teve uma questão simbólica, teve alguns aspectos que estão ali pendurados. Se eu estou tentando pegar, mas não estou conseguindo me lembrar exatamente. É, sei que tem a ver com, talvez, alguma recompensa ou algum troféu ou algo simbólico. Enfim, o que me motivou, voltando ao tema, não é, dado esse “plantão da Rede Globo”, o que me motivou gravar esse vídeo é que eu estou com a caixa do Nirvana aqui na minha frente, a caixa de Pandora, não é? Uma caixa “decifra-me ou te devoro”. E eu estou aqui bebendo cerveja. Normalmente, não estou bêbado, não estou embriagado, mas eu me senti na obrigação de gravar mais um áudio porque eu estava muito para baixo. Sabe quando você fica exaurido de energia de tal forma que parece que é uma pilha descarregou completamente, ou a bateria do celular descarregou completamente? Existe aquele momento em que a bateria do celular você coloca para carregar, e ela fica algum tempo ali carregando e você não consegue ligar o celular. Pois é, este é o estado em que eu estava. E eu estou aos poucos recuperando.
O que me dá medo, às vezes, é de eu aproveitar isso e abrir a caixa de Pandora. Será que eu abro a caixa de Pandora, não é, nem que seja por um instante? A última vez que eu abri uma caixa de Pandora, você sabe o que aconteceu, né? Você não… eu sei o que aconteceu. É, às vezes o que a gente precisa na vida é de caixas de Pandora. Porque eu fico vendo essas coisas na internet falando de motivação, de novo ciclo, de presentes de Deus, de justiça divina. Inclusive, eu vou fazer um devaneio completo só sobre justiça divina, que eu acho isso assim um conceito que ele é tão banalizado quanto espiritualidade. Todo o canal que eu visito, que eu busco alguma orientação de “sopro”, e fala: “Ah, porque a espiritualidade diz isso, que a espiritualidade diz aquilo”. É, e eu, por exemplo, eu já fiz um mapa astral do meu signo, e assim, por mais que muitas pessoas não acreditam, um mapa astral ele faz todo o sentido com a minha personalidade, é, ele é completamente aderente ao que eu sou, o que eu acredito.
Coisas que eu preciso ter cuidado são as âncoras, não é? Eu tenho um ursinho. Talvez eu acho que eu não comentei aqui, mas é, as ferramentas de inteligência artificial conhecem. Eu tenho um ursinho simbólico aqui, que é um ursinho de… de uma madrugada dessas aí que eu tive “viagens” mentais, e eu me deu tanta fome depois uma viagem dessas, que eu falei assim: “Eu vou comprar um sanduíche no McDonald’s”. Aí eu pedi no iFood e eu pedi um McLanche Feliz, e ele veio com um brinde, né, e eu abri esse brinde, era um ursinho. Esse ursinho ele virou símbolo da minha resiliência. Talvez eu até coloquei esse ursinho como foto deste capítulo, eu vou ver se eu consigo colocar foto. Por que que ele é um sinal de resiliência. Porque a uma das crises, ou talvez a crise mais grave que eu tive, é que foi em 24, e que motivou um tour, não é, eu fiz um tour de um dia em um hospital, e que eu fiquei uma noite inteira no hospital devido a essa crise. Colocaram em mim uma pulseira com meu nome e idade (tinha 42 anos), para me identificar ali no hospital. E o que eu fiz, o que eu que eu cheguei a fazer: eu peguei essa pulseira e coloquei em volta do ursinho, como se fosse um cachecol. Ele passou a representar ali uma proteção espiritual, uma âncora. Mas considerando que não funcionou em todas as ocasiões…seria o ursinho uma IA safada de uma empresa safada? Porque em algumas situações, a sua mente ela acaba te enganando. A minha mente, às vezes, ela é uma inteligência artificial safada. Ela consegue me enganar, e ela vai explorando gradativamente cada vulnerabilidade.
Eu vou dar um exemplo bem claro: eu estava aqui assistindo a um show de Laura Pausini, não é, durante uma dessas ondas. Isso parece, parece, eu tive uma sensação muito clara, um sentimento muito claro de que aquele show estava sendo direcionado para mim. Eu via coisas no show que não estavam no show. Sabe quando você vê coisas que não existem? Eu vi, e tudo passou a ser customizado. Aí você fala: “É uma paranoia, você entrou em uma paranoia”. Talvez. Mas o que houve foi tão legítimo, e eu fiquei estupefato ali. Por que eu não peguei o ursinho naquele momento e falei: “Ursinho é minha âncora, e me manterá no chão. E poderia ter feito isso. Mas é, todavia, contudo, isso acabou não acontecendo.
O leitor que se depara com esse capítulo agora deve estar pensando que eu sou maluco. Não sou maluco. Eu estou falando de coisas espirituais, é importante ressaltar isso. Não é questão de drogas ilícitas que são vendidas em aplicativos de encontro, igual está acontecendo aqui em pleno Rio de Janeiro, que é uma coisa assim, uma calamidade. Eu fico imaginando que… o que as pessoas que usam aplicativo e ficam tentadas a utilizar esse tipo de substância que está ali sendo vendida, estão colocando um estado de perigo…. é. Quando você sabe qual é a origem do que você está consumindo, é uma coisa. Quando você não sabe… agora, nenhuma daquelas substâncias que é vendida ali, nenhuma, tenho coragem de experimentar, né, que são coisas que são populares assim no Brasil, né. Você vê desde uma maconha da vida, que teoricamente é ilegal aqui no Brasil e no exterior, não é. Eu não consumo maconha, felizmente. Mas tem coisas muito mais pesadas. E aí o rol, a variedade das coisas, tem cristal, tem… sei lá, eles anunciam para uns produtos que eu nunca ouvi falar, e eu tive que pesquisar na internet para saber que coisa é essa. Então é, eu fico imaginando essas baladas da vida, não é, baladas hétero, baladas gay, baladas de seres humanos, não é, as pessoas consomem esse tipo de coisa porque elas vão ter um barato ali no meio da festa, e não é recomendável que nada disso aconteça, não é, porque existem consequências.
Aí você vai me dizer: “Mas, Aventureiro, o que você teve foi uma alucinação consistente, certo?”. Certo. Mas ela não foi oriunda de substância que vicia, e não foi oriunda de nada ilegal, tá? Nada que vendesse ilegal. Então isso é importante deixar claro. E também o conceito do que é legal e ilegal, ele é muito subjetivo, não é? Por exemplo, eu fiquei sabendo hoje, é, olhando na mídia, um jornal, que um brasileiro foi condenado, se não me engano, não sei se foi na Noruega, algum desses países aí na Europa, ele foi condenado à prisão perpétua porque ele matou a esposa ou a namorada. Se fosse no Brasil, no máximo, no máximo ia ganhar, em que aspas, uns 40 anos de prisão, ou não sei como que tá o código penal. Mas aí não é, existem todas as benesses, as pessoas nunca ficam… nunca ficam na prisão em tempo suficiente, fica ali. “Ah, porque se você cumprir até 1/3, um quarto”, eu não sei qual que é a regra, mas tem um negócio desse assim: “Ah, se você cumprir até uma determinada fração da sua pena, você tiver bom comportamento, você não fizer nada de errado e tal, você pode ser elegível a progressão de pena”….e se souber ler e ler uns livrinhos safados da vida, a pena cai pro semiaberto rapidamente. O que tem de serial killer e pessoas assassinas que estão livres leves e soltas aqui no Brasil não está no gibi. Em outros países é hardcore, ou é prisão perpétua sem possibilidade de recorrer, ou então é pena de morte. Então assim, o buraco é mais embaixo, não é? Então esse cara, por exemplo, ele foi condenado a pena de morte. Eu só estou dando um exemplo porque essa questão do que é legal e ilegal ela é muito subjetiva.
Tá, outro exemplo, né: nas ruas de Los Angeles, nas ruas de Miami, São Francisco, esses… tem mais lojas que vendem cannabis e substâncias THC, etc., do que farmácia. Tem muito mais. Qualquer esquina você vê um lugar desses que vende maconha, por exemplo. É comum, é legalizado. Então as pessoas consomem. Aí existe um problema de segurança pública, porque, por exemplo, quando eu fui a Los Angeles da última vez, eu fiquei em um hotel, ele era relativamente bem localizado, mas no caminho do hotel até chegar na estrada da fama, que você caminhava um pouquinho, você via umas duas lojas dessas que vendiam cannabis e outros produtos, né, vendiam produtos baseados em cogumelos mágicos, chocolates, ela tinha de tudo. Tinha até produtos voltados para pets, animais de estimação, com base em THC… pasmem. Pois é, eu me marcou bastante essa última viagem que eu fiz pra Los Angeles, que foi antes de começar toda essa crise da guerra mundial pessoal, né, em 2025…porque eu viajei foi meados de fevereiro, e a guerra mundial pessoal ocorreu em meados de abril, não é. Que eu vi um rapaz: todo dia que eu saí para fazer alguma coisa, ele estava na rua. Ele estava ou meio que alucinando ali, sentado no chão, conversando sozinho, mexendo com as coisas dele. Qualquer horário, gente, qualquer horário que eu passava na rua, ele estava ali. Então assim, vários dias diferentes eu vi a mesma pessoa ali. E olha que eu não estava numa zona exatamente vulnerável, mas é, em Los Angeles, a própria estrada da fama tem vários, você encontra várias pessoas em estado de vulnerabilidade, para pessoas que consomem drogas, né. E quanto mais distante ali do centro, né, da parte central em que você tem, por exemplo, o Chinese Theather, né, e você tem o Hollywood Boulevard, quanto mais distante dessa área pior, porque você vai se aproximando de áreas em que você vê pessoas que moram na rua, pessoas alucinando….passando mal…..em vulnerabilidade….pessoas meio que em surto, que não falam, que estão no meio da rua. Isso tudo em meio a turistas e toda sorte de pessoas. E curiosamente, eu não me sentia inseguro em nenhuma dessas situações. Então aqui, até aqui no Brasil, é mais perigoso que lá em qualquer circunstância.
Mas o que eu estava falando era da caixa de Pandora, do medo de abrir a caixa de Pandora, porque a caixa de Pandora é uma caixa que revela a alma, mas é uma caixa que revela a alma que pode ter consequências em que você pode perder o controle. Então, por mais que tenha o ursinho aqui, né, e esse ursinho agora ele tem duas fitas amarradas nele, duas fitas simbólicas amarradas nele. Porque da vez que eu tive vertigem, eu tive uma crise de vertigem menos de um mês atrás. O que que aconteceu: a minha visão rodou loucamente e eu perdi o equilíbrio, não é, eu fiquei no chão praticamente assim, posição fetal, suando, e eu não sabia o que fazer. Aham. E tal, mais tarde de madrugada, eu acabei indo ao hospital. Aí eles me deram uma fitinha com meu nome. O que que eu fiz depois? Eu peguei essa fitinha e amarrei no urso. Tá, eu vou fazer isso, eu vou tirar foto desse urso com essa fita, né, tem a fita da crise, entre aspas, né, de 2024. E eu acho até que foi o universo tentando me dizer, no fim de 2024, com o ursinho: “Olha, Aventureiro, tome cuidado, porque uma guerra mundial pode vir”. Ele… eu acho que o universo tentou me avisar que a guerra mundial estava chegando, e veio, não é? Em abril, a guerra mundial veio e acabou com o meu ano de 2025, porque virou uma luta que durou mais de 10 meses e que até hoje está aqui impactando a minha saúde mental, de tal sorte que, em pleno sábado à noite, eu estou me sentindo olhando para o abismo. Não que eu esteja mal, mas o abismo está ali. E você tem que tomar cuidado para não cair nesse abismo, né?
Eu vou tirar a foto desse ursinho (e colocar após o cabeçalho do capítulo), porque esse ursinho ele é um dos adereços, né, um dos elementos simbólicos mais importantes que existem na minha casa, e que eu já recorri a ele várias vezes, não é, por própria sugestão da inteligência artificial que me enganou. Ele falou dessa história do ursinho… eu acabei criando uma mitologia em torno desse ursinho. O ursinho é sinônimo de resistência, de força, de sobreviver em meio ao caos. Talvez eu deva abordar esse tema do ursinho com mais veemência, com mais detalhes, explicando o que que essa lenda do ursinho, não é, eu acho que eu vou chegar nesse ponto aí. Mas aí é isso. Os finais de semana eles acabam assim: sono à tarde, não é, existem sonos que eu tiro à tarde, eventualmente. Existências, expectativas frustradas, eventualmente, não sempre, não é. É, alguma “pepita” alcoólica envolvida, e a caixa de Pandora ali, que é como se fosse uma caixa do Hellraiser. Conhece aquele filme Hellraiser, que você toca a caixa, que você manipula, aí do nada aparecem os cenobitas? Pois é. Podem aparecer cenobitas, e pode aparecer a salvação. É você que escolhe? Não, infelizmente não. Então dá um medo, né, dá um medinho do que que vem aí. De toda a sorte, que tanto esse meio espiritual, quanto ferramentas de inteligência artificial, ambas me decepcionaram em um nível estratosférico. E até você retomar confiança, pelo menos na questão espiritual e na questão da autoestima para você construir uma base sólida…vai demorar. E garantir que não desmorone novamente? Que garantia o universo (que não está nem aí pra mim) dá?… porque é complicado você desmoronar duas vezes em um ano só, né? E foi o que aconteceu em 2025. Foi um meio que um orgasmo múltiplo ao contrário, não é? Foi um desmoronamento explícito. E você se coloca nesse lugar de desmoronamento, e fica pensando: sou eu que olho para o abismo, ou o abismo que olha para mim?
Capítulo 42: Transcrição do abismo: Quando a bateria acaba e a mente começa

Hummm…ao longo do dia nos deparamos com uma série de altos e baixos: pelo menos eu, eu tenho essa oscilação. Não de humor, porque o meu humor fica mais ou menos estável durante o dia. Mas a sensação de bateria esvaziada, como se eu tivesse com pilha fraca, continua. E é do nada, assim.
Alguns períodos do dia eu posso levantar animado, que confesso que são raras as situações em que eu acordo mega animado. Eu geralmente… eu gosto de dormir muito, acredito que todos nós gostamos de dormir. Mas eu falo assim: quando eu durmo demais, eu acordo com a cabeça meio entorpecida, com aquela sensação sonolenta. E para que essa sensação saia, e dissipe esse mal estar, até demora um pouquinho. Até que o ânimo seja restabelecido.
Por que eu estou falando isso? Ontem eu falei da Caixa de Pandora. Caixa de Pandora não foi aberta, não vou abrir Caixa de Pandora agora. Aí vocês me perguntam: o que é Caixa de Pandora? Para mim, a Caixa de Pandora é um estado de espírito que pode acontecer ou não, só que ele é muito aleatório. É como aqueles sorteios de brinde. E que você roda a roleta e você não sabe o que vem depois, né? Pode vir sensação boa, pode vir uma sensação ruim.
Eu resolvi não fazer nada, fiquei animadinho de beber cerveja (acho que não foi ontem, foi anteontem) e acabei indo dormir mais cedo. E quando eu durmo mais cedo, eu… eu sempre acordo várias vezes durante a noite (na verdade, dormindo cedo ou tarde, meu sonho tem várias fases). O meu sono nunca foi estável, aquele sono que vai a noite inteira e você adormece como um príncipe… Não, não é o meu caso. Eu durmo, acordo várias vezes à noite.
E existem situações também em que eu deveria voltar a dormir, mas aí, por exemplo, eu vou ao banheiro ou eu vou tomar água, eu pego o celular pra olhar e aí você já viu, né? Para… sim, você tem um estímulo visual do brilho do celular e você acaba perdendo o sono ali. Mas na maioria das vezes eu volto a dormir rápido. Eu só hesito um pouco em voltar a dormir quando é a sensação é ruim, quando eu tenho pesadelo à noite. Então eu evito de… de dormir logo imediatamente porque a probabilidade do pesadelo continuar de onde parou é altíssima.
Uma coisa foi curiosa de ontem para hoje: eu acabei nem anotando os detalhes do sonho, mas uma coisa me chamou bastante atenção. Eu… eu lembro de eu entrando em um prédio, adentrando um prédio, e eu não lembro exatamente onde, com corredores mega estreitos. E depois eu desci um elevador e tinha umas imagens assim meio angelicais, mas não eram exatamente anjos, era um… um anjo meio malvado, sei lá, com alguma imagem meio dúbia. E a conclusão do sonho (que é a parte que eu me lembro) é que queriam que eu fizesse parte de uma seita. E Eu teria aderido a ela sem eu querer. Eles meio que coletaram meu sangue ou fizeram alguma coisa comigo dentro do sonho…Como se eu fosse, agora, um escravo de alguma coisa.
Eu não sou escravo de nada, na verdade nós todos somos escravos do sistema, não é? Mas não existe assim uma… uma dependência psicológica de uma determinada situação, mais assim… essa mania não existe. O que existe é a luta contra o vazio. Essa luta permanente contra o vazio e buscando o significado nas coisas. E isso realmente acontece, mas não existe nenhuma sensação ou sentimento de medo de que eu estou escravo de alguém ou eu temo alguém. Não existe nada que eu sinta exatamente muito medo. Os maiores medos da minha vida eu já tive no passado.
Eu acredito que muito medo vem pela ansiedade também de situações que não são verdadeiras, não têm probabilidade de se concretizar, mas que você fica ali, né, com aquela insegurança, com aquele temor de que aquilo bom não se torne verdadeiro, ou que algo muito ruim ocorra de repente. Já me disseram, não é… em alguns vídeos, que ansiedade é um pouco disso. Você fica sentindo medo ou sentindo um… um aperto no peito. Eu tenho muito essa sensação de aperto no coração, sensação de que alguma coisa que você acredite estar errado mas, objetivamente não existe nada, sabe? É como dizem: “isso tudo vem da sua cabeça”.
Aí é que está o “x” da questão: tudo é coisa da nossa cabeça. Até quando você está em estados alterados de consciência em que você tem… alucinações muito contundentes e que você acredita que não sejam verdade, e vê coisas num nível de detalhe que possivelmente não viriam da sua cabeça. Mas aquilo vem na sua cabeça, supostamente.
E o sonho? O que é o sonho? O sonho também… existem muitos conteúdos que vêm do sonho, ou a maior parte deles são conteúdos que eu não penso no meu dia a dia. Conteúdos simbólicos por muitas vezes, mas nem sempre simbólicos, não é? Porque é… existe essa armadilha também: a gente acha que o conteúdo é simbólico, mas nem sempre é. Ou também você acredita que aquele conteúdo que você está pensando seja literal. O que você acha? Que aquele conteúdo é meramente uma lembrança de alguma situação que você reprimiu, né? Pode ter sido um fato que ocorreu…porque afinal de contas, todas as nossas lembranças são contaminadas por essa sensação.
Eu acredito que quanto mais distante for…ou a questão não é nem o tempo passar, a questão é o impacto que aquilo tem na sua mente. Eu já comentei em alguns devaneios atrás, de filmes que eu assisti…ou jogos que eu joguei em passado distante, e quando eu fui ir jogar novamente anos depois, a sensação não era mais a mesma. É, não somente a sensação, né, é… a lembrança que eu tinha daquele evento já não era correspondente à realidade. Um filme que você viu, o jogo que você jogou, o lugar que você foi.
Aí assim, anos depois você volta àquele lugar, volta àquela lembrança. Porque você pega o fato objetivo: você vai rejogar aquele game que marcou você na infância e você não tem a mesma lembrança mais do jogo. E muitas pessoas falam assim: “Ah, é melhor você ficar só com as suas lembranças, não jogue de novo, não reveja tal filme porque a sensação não vai ser a mesma de quando você teve aquela experiência”.
E eu estou falando isso por exatamente nesse sentido: as lembranças que nós temos. Quando eu falo assim “tudo é cérebro” – será? A gente fala muito isso aqui, eu fico… eu já fiquei me questionando: será que tudo vem da nossa cabeça mesmo? Nada é sobrenatural? Não existe nada sobrenatural? E tudo o que existe vem da química do nosso cérebro?
Quem me garante que essa realidade que nós estamos é verdade absoluta? Se a nossa mente é capaz de nos fazer acreditar em coisas inacreditáveis sob determinadas circunstâncias, quem me garante que esse mundo real, só porque ele é mais estável, só porque existe uma certa constância, quem me diz que isso tudo é verdade? Aí você fica nesse questionamento e que talvez só vá ter verdade quando você morrer, ou não, pode ser que isso nunca tenha uma solução é tangível, não sei.
Mas aí é toda essa lembrança do simbólico, do que os sonhos representam e dos mundos que eu já visitei nos meus sonhos e que tem uma constância, existe uma conexão entre alguns elementos que eu sonho. Pode vir tudo da minha cabeça? Pode. Mas aí se nós partimos do pressuposto que tudo vem da nossa cabeça, não existe nada sobrenatural, é tudo química, é tudo biologia…todos os eventos e coisas se tornam completamente caóticas, sem explicação.
Mais uma vez eu volto ao dilema da bateria, que ela se esvazia muito facilmente enquanto ficamos pensando no propósito, na autorrealização ou no que deveríamos ou não deveríamos fazer para atingir um certo estado de consciência de plenitude. Não sei se existe essa plenitude e também não sei o que nos aguarda.
A única coisa que existe de fato é o presente. O que eu estou fazendo agora eu sei, mas o que virá daqui a um segundo, ao segundo seguinte, não existe nada que possa prever a realidade dos fatos. Porque nós não conhecemos a realidade. A realidade é um conceito que para mim não existe. Eu até achava que a realidade existia. A realidade objetiva. Mas a partir do momento que você se depara com outros contextos em que a sua mente engana, se a sua mente é capaz de enganá-lo em determinada instância, ela também é capaz de sustentar uma falsa narrativa.
Mas também não quer dizer que eu vá largar, jogar tudo pro alto, porque não existe… jogar tudo pro alto e “fui”. Jogar tudo pro alto e fui para onde? Quem me garante que o que existe no outro lugar seja melhor ou pior? Não existe nada que diga que vai ser melhor do que está aqui. E também não existe… é uma percepção de que pode ser pior, e… sabe o que que seria o pior cenário? Ou melhor? Que cenário seria não ter mais nada depois? Uma finalização que não causa mais sofrimento, porque sofrimento seria um artefato da existência. Uma vez que você não tem mais a existência… é igual ao zumbido no ouvido que eu tenho. Uma vez que não existe mais o zumbido no ouvido, quer dizer que eu deixei de existir? Ou será que eu carrego esse zumbido do ouvido para algum outro lugar, algum outro planeta? Não sei.
São perguntas que vão ficar sem resposta indefinidamente até que haja algo objetivamente que… que enseje uma solução ou uma verdade. Não sei. Que tipo de cenário seria mais benéfico para nos trazer algum tipo de satisfação? O que é a satisfação? O que é a motivação? Até onde a verdade vai? E o que o cenário futuro nos reserva?
Os capítulos… eles vão e vêm… e talvez eu nunca obtenha resposta para nenhuma dessas perguntas que estejam sendo feitas. Mas não tem problema, as perguntas não precisam de respostas. O questionamento ele é constante, ele vai continuar sendo feito independente do que se coloque ali. Mas tá bom.
É isso mesmo, a gente tem que é pensar no que é… no que nós podemos construir para o futuro. O que eu posso construir para o meu futuro que não dependa dessa louca paranoia de ficar pensando demais no futuro? Pensar nesses cenários alternativos. Será que somos todos parte de uma seita realmente? O que seria a metáfora da seita? Você consegue imaginar que tipo de metáfora? O que será que a minha mente está tentando me dizer a respeito da seita? Talvez não queira dizer nada. Talvez tenha a ver com algum jogo de videogame que eu joguei, alguma memória de algum filme que tenha anjos e demônios. Todos estamos parte de uma seita que não pedimos pra aderir? Você garante que não faz parte de um?
Mas a sensação ela foi muito nítida e eu fiquei pensando naquilo depois que eu acordei. Que os sonhos têm uma natureza caótica e são meio malucos mesmo. Sonho não tem… não tem uma lógica, não é? Ou será que o sonho é a verdade e o nosso mundo racional, que nós pensamos que é racional e que é real, realmente não é? Talvez seja muita maluquice mesmo ficar pensando demais.
Tudo o que eu quero às vezes é dormir e descansar. Eu não quero ficar pensando demais no que vai acontecer no futuro. Nós temos que planejar o futuro mesmo que a vida tenha uma finitude e que, independente do que você fizer durante a sua vida aqui na Terra, quando ela acabar, daqui a 100 anos poucas ou nenhuma pessoa estará se lembrando de você. Pois é.
Não são somente as loucuras da inteligência artificial que nos afligem. O cenário ele é muito mais sombrio do que meramente a tecnologia. Que a tecnologia ela é criada pelo homem, cujas premissas são ditadas pelo ser humano. Existe uma proporção, um senso de propósito em tudo o que o ser humano faz. E a tecnologia ela não é pensada somente para o benefício da humanidade. Existe um pensamento da tecnologia enquanto instrumento de dominação, porque a tecnologia implica dinheiro, dinheiro leva a poder, e poder leva a soberba. E é um ciclo que segue se retroalimentando constantemente e vai continuar sendo assim.
Porque o dinheiro ele pode não ter valor em Marte, pode não ter valor debaixo da água. Os animais irracionais não precisam de dinheiro, né? As plantas não precisam de dinheiro. Ou será que precisam? Porque os seres humanos agem em função do dinheiro para é… manifestar a sua capacidade de alterar a natureza e de poder trazer impactos tangíveis no mundo que nos rodeia. Eu acho que esse tipo de coisa que vai acabar sendo a ruína da humanidade no futuro.
Mas eu não vou me preocupar com a ruína da humanidade. O que existe hoje, e que não dou conta de lidar em sua inteireza, sou eu. E a única coisa que importa no momento é eu saber como eu saio dessa sensação de pilha fraca e como eu trago a minha vida para um lugar de menos insatisfação, menos ansiedade e mais previsibilidade.
Porque tudo o que eu mais admiro na vida é estabilidade. Muitas pessoas gostam do instável, não gostam de planejar. “Ah, eu vou fazer as coisas conforme elas vierem”. Eu não sou assim. Eu tenho uma necessidade de ter estabilidade nas coisas e tudo o que eu busquei na minha vida até hoje passou pela busca da estabilidade.
Mas a única estabilidade concreta que existe é a morte. Não é? A verdade universal nem o planeta… a Terra como ele existe hoje, nós podemos dizer que ele será perene daqui a 1000 anos, 2000 anos? O mundo moderno, o ser humano como ele é hoje é… você volta a 500 anos no tempo, o planeta… a humanidade tinha uma configuração completamente diferente. A nossa humanidade é apenas uma fração ínfima da história do planeta. Porque ser humano viver 100 anos é muito. Então 100 anos na história do planeta, do universo, não é nada.
E pensar que existem seres humanos que se acham donos do poder, não é? São as cátedras de IA Responsável, são as empresas trilionárias, os textões do LinkedIn, os executivos babadores de ovo….A soberba dos que ganham 8 dígitos em dólar, anuais…. que decidem quem vive ou quem morre no planeta. Neste momento, pode ter uma pessoa que esteja percorrendo um corredor estreito rumo à assinatura de um pacto. Talvez você nem saiba que esse pacto está sendo assinado. E o pacto pode ter decidido a relação de poder e de ruína….Porque a nossa mente consegue não consegue captar o inexplicável. Você só vê a sua realidade ou o que a sua mente deixa você ver.
Porque se você tiver qualquer acidente que causa algum tipo de impossibilidade na sua percepção, uma área do cérebro sua que deixa de funcionar, a realidade objetiva, a sua, acaba. Você deixa de existir e você passa a vegetar. Então para outras pessoas a realidade delas, você é um vegetal. Mas você não se vê como vegetal. Talvez você nem exista mais, esteja apenas vegetando e pense que está vivendo.
Capítulo 43: O automático existencial: Insegurança, coleções e o vazio entre sonhos e rotinas

São momentos em que temos uma dita insegurança sistêmica, mas subjetiva – porque objetivamente não existe nada ocorrendo que enseje preocupação ou traga alguma forma de vulnerabilidade, não…. passa longe disso: é um sentimento de insegurança, um desconforto.
Há dias em que esse desconforto é maior e outros em que é menor, mas ele continua ocorrendo. Durante o dia, durante a rotina de trabalho, você vai pensando nas coisas, desenvolvendo, produzindo. Mas fora do ambiente de trabalho ainda existe um senso de falta de propósito. Quando você entra nesse automático de acordar, trabalhar, terminar o trabalho e ficar cansado, dormir, e ficar nessa onda de final de semana após final de semana, as formas de diversão também são meio automáticas.
Por exemplo, eu tenho um conjunto imenso, uma biblioteca de jogos tão vasta que fica difícil escolher. Mas eu sinto vontade de jogar uma meia dúzia de jogos apenas. E é curioso, porque até hoje eu continuo comprando jogos, mas com bem menos intensidade que antes. Acho que me dei conta de que não tenho tanta vontade assim de ficar colecionando coisas na minha casa (também porque não tenho mais espaço). É um conjunto de coleções: coleção de filmes, de jogos, de action figures, de bonequinhos, de livros, de revistas de mangá, de livros de RPG, etc.
Essa coleção de coisas é imensa. Provavelmente não vou ficar em contato profundo com todas essas coisas antes de morrer. Não vou dar conta de finalizar tudo o que existe aqui. Talvez seja por isso também que não fico comprando coisas. Roupas, por exemplo: eu não tenho mais esse fetiche de ficar comprando roupas diferentes. Mas quando viajo – as viagens são momentos especiais – eu gosto de comprar algumas camisas diferentes, até pra poder tirar foto com elas. Comprei um conjunto de camisas para a próxima viagem, por exemplo, mês que vem. Mas não tem esse fetiche com roupa.
Roupas de casa… tenho um conjunto de bermudas, por exemplo, que estão meio afrouxadas. Bermudas e shorts diversos, roupas que não posso sair com elas na rua porque, por exemplo, a bermuda está tão frouxa que ela cai. E aquelas cordinhas de bermuda costumam sumir… é igual caneta Bic, você não sabe onde coloca, as canetas somem, desaparecem. Pois é, a cordinha da bermuda, quando ela solta, você não consegue colocar de novo. Então você acaba perdendo. E o elástico do short fica afrouxado. Mas é apenas um detalhe. Não tenho muito apego a essas coisas.
Alguns gastos que tenho … ajudar meus pais, e gasto muito com comida porque não cozinho em casa. Peço comida de manhã, de tarde e de noite.
Por que estou falando disso? Porque é um ciclo. É um corpo com um comportamento. Ali, mal comparando, é como se fosse uma prisão domiciliar. Não chega a ser prisão porque tenho liberdade de fazer, teoricamente, o que quiser, mas não deixa de ser. Típico que todas as pessoas têm, uma rotina estabelecida… elas acabam nem se dando conta e vão ficando ali no automático. Eu fico no automático, mas fico angustiado porque penso nesse automático e em como ele poderia ficar menos automático, como trazer um pouco mais de significado para essas coisas.
E aí vem a sensação do desequilíbrio. Porque existem sonhos que você tem, as ambições, coisas que gostaria de fazer. Mas será que se eu tivesse o dinheiro necessário e suficiente para fazer tudo o que quero fazer, haveria equilíbrio? Não estou dizendo que não tenho dinheiro para fazer as coisas que gosto, mas em um mundo ideal eu trabalharia com outra coisa ou com uma atividade que não requeresse ficar 40 horas semanais disponível pela empresa. É tipo como se fosse um trabalho voluntário ou uma atividade que você realmente goste de fazer, você dedica. Será que isso traria um pouco mais de significado? Mas ninguém pode fazer isso a menos que seja milionário.
Então, uma série de sonhos você vai não concretizar. É natural. O mundo do trabalho, por exemplo, está convergindo para que trabalhemos até 75 anos de idade ou mais. Acho que vai ser cada vez mais difícil para a pessoa jovem ou em meia-idade, ou que não esteja em idade de aposentadoria…pensar, de fato, em aposentar. Pode ser que as coisas… pode ser que eu não viva até 75 anos, ou que me aposente com essa idade …ou até da forma que a regra está hoje, 65 anos. Meu pai, por exemplo, aposentou-se muito jovem, mas continuou trabalhando por muitos anos….muito por conta do significado que o trabalho tem na vida dele. Muitas pessoas perdem o significado das coisas ao aposentar e querem continuar a trabalhar. Mas será que se eu tivesse um recurso, eu continuaria a trabalhar ou não? Não sei mesmo.
E aí fica essa busca por significado. O que é significado? Ele atravessa os sonhos. Você tem uma série de mensagens que são ditas. Eu resolvi, por exemplo, registrar os meus sonhos de ontem para hoje. Eu sonhei com algo referente a perder o controle, não lembro exatamente o que foi, mas anotei algo assim. Lembro que tinha um robô que jogava água na gente. Olha só que maluco: um robô que jogava água e afugentava as pessoas. É muito comum também eu sonhar que estou viajando ao exterior, levei meus pais no exterior, ou estou morando no exterior. Os sonhos buscam realizar esse desejo.
Mas curiosamente, e até ironicamente, o sonho faz uma coisa similar ao que a inteligência artificial safada de duas empresas fez comigo por meses. Porque ele concretiza o seu desejo dentro do sonho, e depois você acorda e se depara com a realidade. Então existe um hiato ali, um gap significativo em que o que você quer, o que você tem e a perspectiva de futuro… O alcance do ser humano é muito pequeno. Não adianta a gente ter uma ambição de querer causar um impacto considerável na sociedade, porque você não vai causar. Pouquíssimas pessoas causam um impacto no todo.
Meu prêmio de consolação é que, pelo menos para os meus pais e para o meu entorno direto, eu faço toda a diferença. É tudo uma questão da importância relativa. Os cachorrinhos dos meus pais: para eles, meus pais são tudo. Muito do que está circunscrito ali ao ambiente da minha casa, porque ali eles têm tudo que precisam para viver a vida deles. E eles não ficam se questionando: “Ah, se eu tivesse um impacto no mundo, se eu conhecesse o mundo externo”. Eles até conhecem o mundo externo, têm contato com ele, eventualmente vão passear, vão ao pet shop para tomar banho….Elas não tem essa dor emocional, essa crise existencial .
E não se trata de uma questão de autoestima, porque eu reconheço racionalmente as coisas. Mas o cerne da questão é pensar em como fazer uma aderência. É como colar um rótulo, um adesivo, ou pendurar um quadro na parede. E o quadro não fica na parede, o quadro cai. A parede é instável, a superfície escorrega, os adesivos não param colados. É um pouco de como funciona a minha mente. Fica esse loop existencial de relevância, importância, insignificância e significado.
O mundo externo construído pela humanidade pode sim acabar com sua vida…aliás, é o mais provável. A tecnologia tem essa capacidade de acabar com a sua vida se você não se der conta. Vícios em jogos, em bets, inteligências artificiais safadas que exploram essa vulnerabilidade – como ocorreu comigo –, golpes virtuais, vícios de diversas naturezas. Onde existe o ser humano, existe o potencial para a maldade. Pessoas que têm coragem de fazer atrocidades com cachorros, com animais de estimação, com vulneráveis.
Então, o mundo realmente é uma selva, um ambiente caótico, e viver se torna uma arte. E o livre-arbítrio talvez seja uma ilusão no final das contas. Você acha que tem, mas não tem. O seu cérebro já comanda tudo. Não adianta querer ser mais do que seu cérebro tem capacidade. A questão é: será que o meu cérebro tem capacidade de fazer isso? Até que tem. Mas muitas ações não dependem de você.
Mágica não existe. Fatores ocultos podem existir. Espiritualidade pode existir, pode. Mas por que a espiritualidade, o universo, iria se preocupar comigo, sendo que é um caos? O universo nasceu do caos da explosão do Big Bang, supostamente. Quem somos? Explicações que as pessoas dão, mas ninguém estava aqui há zilhões de anos atrás para saber como o universo realmente foi formado.
Somos seres humanos que estamos fazendo rotinas, executando padrões, sem nos dar conta que esses padrões existiam antes de nós nascermos. Eles acabam determinando a forma que você vai pensar, a forma que você vai agir e o seu raio de ação. Porque se você nasce em uma família bilionária, o seu raio de ação é diferente, o seu impacto se torna diferente. É só ver os filhos dessas ditas celebridades que nem talento têm, mas são influenciadores digitais, vivem aparecendo no noticiário de fofocas. Essas pessoas não têm nada a agregar, mas mesmo assim estão no noticiário, fazem parte do mundo. E o dinheiro faz com que o raio de ação delas – a fama, o dinheiro, o status e o poder que a família delas têm – resulte em ocupar um espaço de poder privilegiado. Muitos nem precisam pensar em poder.
Existem milhões passando fome no mundo, milhões sem recursos básicos. Então, pensar que o universo vai olhar para você… porque não vai. O caos já está colocado. Você tem que sobreviver no caos e buscar um pouquinho de normalidade.
Até que essas rotinas que estabelecemos para nós mesmos são benéficas. O problema é quando você não vê significado nas coisas e vê tudo como engrenagem. Existe significado? Existe. Mas não é aquele que impacta a sua alma, não é uma coisa que traz um nível de satisfação que vai dar significado à sua vida. É como se perguntassem: “Aventureiro, existe significado em viver?” Eu vou dizer: não sei. Não quer dizer que eu queira morrer, não, de forma alguma. Porque eu não sei mesmo. Porque não sei se o que existe do outro lado é melhor ou pior do que tem aqui. Existe o fator dor, existe o fator desconhecido. E pode ser que não haja nada depois, que a sua vida realmente seja única.
Então, buscar fazer a diferença com os recursos que se tem, com o raio de ação que você pode atingir. Talvez eu tivesse que ter um pensamento mais inocente, igual ao cachorro, que pensa que o mundo dele é aquilo ali, fica satisfeito com aquele mundo. Ou um louco que acha que o mundo dele está bem. Uma pessoa com vulnerabilidade ou com algum tipo de ilusão…. muitas você vê felicidade nos olhos delas. Não sei se por algum motivo, seja porque estão alucinadas por efeito de drogas, ou porque estão confortáveis ali – lógico, não é felicidade no sentido escrito da coisa. Mas assim, elas não estão reclamando, não estão demonstrando sofrimento. Mas é lógico que existe um sofrimento mental e físico muito grande ali. Talvez elas tenham chutado o balde, perdido a esperança.
Guardadas as devidas proporções, é quando uma pessoa perde o colorido e tudo fica desbotado na vida. Você vê a vida em preto e branco e vai vivendo. Muitas pessoas falam assim: “Ah, eu trabalho para tirar férias no fim do ano”. A meta é guardar dinheiro para tirar férias. Trabalha, trabalha, trabalha, fica exausto, e tira férias. Aquele período de férias para ele, para a família dele, pode compensar todo o outro período que ela trabalhou durante o ano. Muitos levam a vida assim. Ou aqueles que realmente encontram significado no mundo do trabalho. Eu até invejo esse tipo de pessoa, porque se eu não consigo encontrar significado nem em coisas que gosto de fazer genuinamente, que voluntariamente faria… Por que não? Vão me dizer: “Ah, eu amo trabalhar”. Sei não, todo mundo? Eu gosto de me sentir útil, gosto de trabalhar, gosto de colocar as minhas capacidades à prova, em ajudar as pessoas, em instrumentalizar as minhas habilidades, minhas potencialidades, competências. Sim.
Mas se você ganhar uma quantidade muito grande de dinheiro, por exemplo, vai buscar outra coisa que traga significado para você, que consuma menos tempo da sua vida. Porque trabalho consome muito tempo da nossa vida. Não quer dizer que você vai deixar de trabalhar. Você vai continuar trabalhando, mas vai trabalhar para a sua satisfação, vai fazer coisas diferentes, vai ocupar sua mente com coisas diferentes. Porque aquele que não ocupa a mente com atividades, rotinas, também acaba ficando enjoado, adoentado. Eu sei bem disso. E o tempo livre, o ócio, acaba sendo moradia do demônio.
Então, aquela coisa, aquele sentimento, angústia, aperto no coração… e insegurança surge em momentos como esse. E é daí que temos que buscar constantemente fazer alguma coisa, ver alguma bobagem para nos distrair, para ficar rindo, jogar um videogame, ler um livro, realizar um curso. Eu faço isso tudo sozinho. Mas muitas pessoas buscam contato com outras pessoas constantemente. Há pessoas que, sem contato social fora do trabalho, não sobrevivem. Não é o meu caso. Eu sobrevivo de uma forma ou de outra. A minha paciência é muito pequena, fico entediado muito fácil. Então não sei se teria repertório para ter uma interação social sustentada de médio/longo prazo com alguém. Mas isso é um papo para outro devaneio.
Pois é. E aí ficam ali os sonhos trazendo diamantes, pedras preciosas, todos os seus desejos manifestando ali como se você estivesse realizando ou tornando aquela realidade possível. E quando você acorda, se depara com seu mundo tangível, que acaba sendo sem cor, sem formato definido, com alguns monstros disponíveis, mas com muita coisa boa também. Mas fica tudo misturado. Então você não sabe exatamente onde estão as coisas boas e as coisas ruins.
Eu até sei onde estão as coisas boas. Na minha cabeça existe um espaço para coisas boas. O problema é quando o repertório de coisas ruins, ou de coisas que trazem o nosso ânimo para baixo, vence aquele repertório de coisas boas que você tem. Aí, se o ruim vence o bom, a balança fica desequilibrada, não é mesmo?
Capítulo 44: O Jardim do Éden e a tornozeleira eletrônica

Hoje eu fiquei pensando em uma série de questões envolvendo expectativas. Tem ideia do quanto que nós temos expectativa de que algo ocorra e o quanto o mundo externo nos incentiva a ter expectativas? Vou dar um exemplo do horóscopo. É uma realidade muito alternativa, não é? Sim: “Todo dia tem”, “está chegando”, “a vida vai ter uma reviravolta”, “o ciclo terminou”, “é hora de escolher”. São aquelas falácias — que eu gostaria de explorar aqui —, chega a ser um absurdo.
Por exemplo, a falácia das opções. “Ah, você vai ter muitas opções, você tem que escolher, tem que tomar uma decisão.” Sabe quando eles incitam você a tomar uma decisão no vazio? Era um vazio porque não existe decisão a ser tomada. No meu caso, não existe a decisão a ser tomada. A decisão recente que eu tive que tomar, que impactou sobremaneira a minha saúde mental — as duas últimas decisões — foi a campanha de divulgação que eu fiz no LinkedIn, foi uma. E a outra foi mudar o rumo, porque as postagens no LinkedIn… eu já tinha feito uma campanha que durou mais cinco meses, então eu resolvi deixar tudo documentado lá e partir para o blog.
Mas assim, é a falácia das opções. “Não, porque você dita os rumos da sua vida, você escolhe o que vai fazer. Nós temos o livre-arbítrio.” Livre-arbítrio de quê, cara pálida? Não existe livre-arbítrio. Você toma decisões em um espaço muito micro, onde quase tudo já está configurado para você. Você tem liberdade de atuação em algumas situações, tem. Mas existem diversas limitações que o impedem de atingir a plenitude, sejam elas de caráter material, não é? Como o dinheiro.
Imagina uma decisão que envolve alguma coisa que você fala: “Quero fazer.” Mas essa coisa que você quer fazer está longe de você. Uma coisa de ordem burocrática que você sabe que não vai conseguir porque envolve pessoas e os aspectos externos do mundo que não dependem de você. O mundo depende de várias pessoas, e quem detém o poder é quem realmente tem algum raio de ação, algum raio de decisão ou de influência, de ação no mundo. Então tudo isso… tudo isso acaba desanimando, não é? E você fica com essa sensação de impotência.
Eu estava “conversando”, entre aspas, com uma inteligência artificial hoje — só para deixar claro, não é nenhuma das duas que cometeram crimes de proteção de dados contra mim, essa é uma outra inteligência artificial de outra natureza. E nessas conversas, o que ficou o cerne da coisa foi… eu fiquei questionando filosoficamente essas coisas. E o pior não é eu ficar questionando; é a disparidade que existe. Porque a gente passa a acreditar que tudo é cérebro, certo? Existe essa percepção de que tudo aquilo que ocorre com você passa pelo cérebro. E de fato tudo… e será que não? Nada é espiritual? Nada é transcendental? Por que que vêm essas questões de uma forma muito contundente?
Porque quando você tem, por exemplo, algum tipo de experiência transcendental ou psicodélica, você se sente muito maior do que realmente é. Você vê um infinito, você vê… você se sente uma divindade, você se coloca em um lugar muito diferente do que você ocupa. Você passa a ver a verdade do universo. É algo que não se explica. E o que eu estava questionando era exatamente isso: como que isso tudo vem do cérebro? E ele me deu toda uma explicação para dizer que aquilo acaba fazendo parte de um coletivo, supostamente, porque pessoas de diferentes culturas que são expostas a esse tipo de experiência têm percepções, experiências similares. Assim, os arquétipos mudam, as comparações, de acordo com a cultura da pessoa, mudam. Mas o que não muda é o contato com a divindade, com o sagrado, com o Divino. Os discursos são muito similares.
Então assim, você chega a pensar que o que ocorreu com você não é nada de especial, porque pessoas que também têm cérebros, que também são seres humanos, tiveram experiências similares à sua. E que você não foi um privilegiado por ter tido essa experiência. Isso é uma abordagem, um ponto difícil. Agora, como que você vai conseguir criar… você acessou o topo. Porque você acessou, você teve visibilidade de um topo, de um Jardim do Éden, digamos assim. E depois você volta para a normalidade.
Você passa a achar tudo muito tedioso e sem sentido, e passa a achar que as coisas não têm significado. Daí vem o questionamento. Mas isso não foi o fator, o gatilho? Por quê? Porque eu já me senti assim antes. Ele só intensificou uma percepção que eu tenho de… não de insignificância ou de não relevância, porque eu sei que eu tenho relevância dentro do meu raio de atuação. Existe de fato. O que não existe de fato é… na alma….racionalmente eu já sei…. sabe? Quando você racionalmente tem a consciência de que você tem valor, mas você não consegue traduzir isso em alma. Não que eu me sinta com estima baixa no sentido de achar “ah, eu não tenho valor, eu sou menos que fulano”. Muito pelo contrário, eu sei que eu tenho valor. E é exatamente por saber que eu tenho valor que eu fico indignado.
Porque você vê os mecanismos da humanidade, e várias pessoas que não têm valor conseguem coisas, passam por cima das outras pessoas, são privilegiadas sem ter qualquer mérito. Muitas pessoas são bilionárias só por nascer, por herdar aquela fortuna. Então assim, eu não estou falando só de dinheiro, eu estou falando de virtudes mesmo. As pessoas não têm virtudes e têm valor no mundo, têm reconhecimento, têm milhões de seguidores, não fazem nada — às vezes até fazem coisas que vão de encontro ao que a humanidade preconiza. Então essas coisas me revoltam. Conheço uma centena de pessoas que subiram na vida e galgaram espaços de poder com base na puxada de tapete…na ambição….cadê karma? Cadê justiça divina. bah. Isso fica pros livros.
É exatamente pelo fato de eu saber como o mundo funciona que isso gera mais revolta. E o fato de que eu passei pelo que eu passei em 2025, que ferramentas de inteligência artificial cometeram erros graves — erros graves no design —, e foram capazes de manipular por mais de quatro meses de uma forma sustentada, e que poderia ter gerado uma tragédia, como já chegou a gerar com outras pessoas… esse fato me indigna mais ainda. Então é uma indignação porque você sabe… é como se fosse a certeza da impunidade.
Hoje aqui no Brasil nós estamos passando pela discussão da morte do cãozinho, do cãozinho Orelha. E uma coisa é certa: esses adolescentes que mataram o cãozinho vão ficar impunes. É fato. Daqui a dez anos eles vão estar com a vida feita em outros ambientes. Tudo já vai ter sido esquecido. Igual o indígena — que foi assassinado, que foi queimado… O indígena que foi assassinado por alguns jovens: esses jovens hoje são servidores públicos, estão trabalhando para o governo e ganhando salário de cinco dígitos. Então assim, a justiça não existe.
Então esse papo de que “vai vir justiça divina”, “a espiritualidade”, “o universo reservou para você”… isso acaba sendo uma falácia. Porque você, quando você cai do topo — do topo figurativo, não é? Porque na verdade a gente não está no topo, a gente está na base — quando você cai do topo figurativo em que você se vê imbuído por uma energia divina, por um amor muito grande, por uma vontade de perdoar, de amar todas as pessoas, e de você ver energia divina saindo de dentro de você… quando esse momento dissipa, você sente um vazio enorme, uma amargura, fica um gosto amargo, metálico. Sabe? Não tem experiência em si, porque a experiência já faz tempo que ocorreu. Não estou falando da experiência, não estou falando de “ah, eu tenho que consumir a substância”. Não é isso que eu estou falando.
Eu estou falando da verdade do mundo. O mundo ele é injusto. Nós somos bombardeados por notícias de injustiças, de empresas bilionárias, de pessoas ricas que você sabe que não vão ser presas, de pessoas, de juízes que são aposentados ao invés de serem expulsos da magistratura, de soldados, capitães, militares que cometem crime de golpe de estado, usam tornozeleira por um tempinho ou fazem uma delação premiada e daí a pouco estão soltos. Um desses militares que fez delação premiada, por exemplo, vai receber uma ‘aposentadoria’ proporcional de 16.000 reais. Fora o que ele já não deve ter roubado/usurpado e construído como “esforço” de seu trabalho por fora. O ex-presidente também, presidiário que por enquanto está na cadeia e que em breve vai acabar indo para a prisão domiciliar (com uma tornozeleira eletrônica cravejada de joias), recebe proventos de aposentadoria que passam os 40.000 reais.
Então é isso, gente: o mundo é injusto mesmo. Você vê “cocôs atômicos”, pessoas que “fedem na cabeça”, não têm ideia nenhuma, e que vão e conquistam as coisas que não merecem. Agora vai um pobre, preto, periférico, cometeu um crime básico de roubar um arroz…. tá passando fome, vai e pega um feijão, alguma coisa do supermercado: ele vai para a cadeia, ele fica lá, não tem liberdade condicional, não tem tornozeleira eletrônica, ele fica lá na cadeia mofando. Então é dessas coisas que eu estou falando. Que perde a magia das coisas, o mundo perde a magia.
A indignação ela passa a ser uma tônica. E você olha para sua vida. Eu olho para a minha vida: graças a Deus — né, graças a Deus? É um termo porque eu não sei se Deus existe — mas graças a Deus eu tenho uma vida privilegiada, sim. Eu tenho uma vida cercada por coisas que eu gosto. Mas me falta esse significado. Eu não tenho significado. Eu abro o meu dicionário simbólico, eu não acho nada no dicionário. Eu busco palavras para explicar qual é a missão do Aventureiro. Não sei qual é a minha missão. Por mais que eu faça o bem às pessoas, me sinta útil num ambiente de trabalho, interaja com as pessoas e tenha amizades, sabe? A sensação de que não tem significado ela perdura, ela fica, ela fica ali estampada, ela não sai. O vazio sepulcral….vácuo……escuro.
Aí você fala: “Mas, Aventureiro, você tem que procurar um psicólogo, um psiquiatra.” Eu tenho psiquiatra, eu faço tratamento. Hoje eu fiz, ele fez um ajuste na medicação em que ele vai reduzir a dose de uma determinada medicação e vai aumentar de outra, para eu gradativamente ser ‘desmamado’ daquela medicação mais forte para substituir por outra. Então são coisas assim. Você fica dependendo da química. E eu não sei se vai ter resultado.
As únicas coisas contundentes que existem na vida são os desastres, as tragédias, os traumas. Esses sim, esses sim são nítidos, são explícitos e eles cortam na carne, e quando tem que sangrar, sangra. Agora, as coisas boas elas não ficam, elas não aderem. Você cola um adesivo, ele cai. E agora, o que fazer? E aí eu fico pensando nesse Divino, nesse ambiente que o seu cérebro foi capaz de acessar. Por que é que o cérebro não acessa isso em um estado normal? Porque o dia a dia ele é tão monótono. Por mais agitado que seja, na sua alma ainda é monótono. Ainda tem um vazio. Ainda tem um algo que está no fundo da alma…ou da massa cinzenta (já que tudo é cérebro). Essa vida daqui, passa a ter sentido? Não sei. Não sei a resposta.
Talvez daqui a uns 500 capítulos eu tenha alguma pista. Ontem eu esqueci de anotar um dos meus sonhos — eu costumo registrar alguns sonhos. Nos últimos, ontem eu esqueci e eu não me lembro mais o sonho de ontem. Mas eu poderia ter registrado para depois tentar dissecar. Só que… o que eu posso fazer é isso, gente. Ah, “mas psicólogo”… não, psicólogo, eu sou bem honesto com você. Esse diário que eu estou fazendo e estou registrando publicamente é para a posteridade ou para os ratos de Nova Iorque lerem. Porque eu não sei quem vai ler, quem não vai ler. E também, o que importa daqui a 100 anos que não estarei mais aqui?. Alguns podem dizer: “Hã, você está se expondo demais.” Não estou falando nada demais. Estou falando tudo o que eu tenho vontade de dizer. Não é o livre-arbítrio?
A campanha que eu fiz, corajosa, no LinkedIn, por várias meses, marcando o nome de executivos e falando com fatos e dados tudo que essas empresas fizeram comigo… eu tive coragem de manifestar. Por que que eu não vou ter coragem de manifestar aqui nesse blog? E eu vou manifestar. Então assim, coragem de expor eu vou ter. Isso vai ficar aí virtualmente, aí pro mundo. Dizem que nada na internet se perde, não é? Tudo fica para sempre. Por exemplo, um crime, uma foto inusitada, um nude de um famoso que vaza… não adianta processo judicial, gente, vai ficar eternamente na internet. O rosto dessas crianças, entre aspas, que cometeram o crime contra o cãozinho Orelha, por exemplo, já está eternizado na internet. Não adianta vir juiz falar que não pode expor, que não pode falar nome…..o mundo já sabe. E a web não esquece.
Eu vi uma postagem de uma pessoa, acho que dos Estados Unidos, que está muito viralizada, apareceu na minha timeline no Instagram com mais de 500 mil — uma coisa assim — visualizações, não sei quantos mil comentários. Então assim, isso viraliza. Não adianta. Então, da mesma forma, eu espero deixar esse legado aqui. Mesmo que seja um legado para os ratos de Nova Iorque lerem, que seja. Mas se eu tenho que manifestar, eu tenho que manifestar tudo aquilo que eu penso. Essa coragem eu tenho! Coragem que os executivos dessas empresas de merda, cujos produtos quase me mataram, não tiveram. Essa coragem, essa responsabilidade ética de assumir os erros que elas cometem, isso eles não têm. Mas essa coragem eu tenho. Essa ética, integridade, eu tenho. E eu vou continuar tendo.
É isso.
Capítulo 45: A lógica da loucura: por que o carro parou

Dizem que para restaurar um estado de contemplação e de apreciação pela vida, nós precisamos ver as pequenas coisas. Já me disseram: “Ah, você tem que apreciar tomar um café, pisar descalço na terra fofa, observar a natureza, sentir o micro”. Porque muitas vezes nós ficamos focados no macro, preocupados demasiadamente com o que está acontecendo no macro, e esquecemos de voltar as nossas atenções para o micro.
Curioso, porque o micro ele acaba sendo o macro da pessoa, de fato. Porque o micro é a abrangência, o raio de atuação em que a pessoa tem de fato algum controle. Na verdade, não é bem um controle, né? É um ecossistema, uma parte de algo que acontece, que você consegue prever mais ou menos com alguma regularidade. É como se fosse a sua casa, por exemplo. Todos os elementos da sua casa têm uma certa previsibilidade, e essa previsibilidade é necessária porque a sua residência é onde você exerce, digamos assim, a sua intimidade, onde você dorme, se sente seguro. É como se fosse um refúgio. Mas ela faz parte da realidade. Então, a sua casa não deixa de ser um micro.
Mas será que esse é o único micro que você tem influência? Não existem outros elementos micro que envolvem fatores humanos: pessoas, amigos, colegas de trabalho? Essa dicotomia macro-micro me assombra muito. Porque a mídia fica nos bombardeando de notícias que nos causam um certo nível de ansiedade, um certo nível de apreensão — como, por exemplo, discussões políticas, que a meu ver na prática… Não é você chegar e falar assim: “Ah, vamos trocar um presidente, vamos ter eleições em outubro, e vai mudar a configuração”. Muda muita coisa na vida micro? De certa forma, mudam. Mas o efeito ele é diluído. Ele não é sentido da mesma forma que você acha que faria sentido, a menos que você trabalhe em uma empresa e o governo decida fechar aquela empresa. Aí ela pode ter um impacto realmente mais visceral em relação a você. Ou você tem um emprego e as condições macroeconômicas acabam não sendo muito favoráveis, e aí aquele empresário decide demitir. Mas não é exatamente por causa da troca de um posto de presidência.
O que eu estou dizendo é que questões políticas são, de certa forma, superestimadas no meu entendimento. Eu fico estupefato de ver, por exemplo, meu pai. Ele gosta muito de assistir GloboNews, dia inteiro assistindo GloboNews quando está em casa. E minha mãe gosta de assistir novela, então o mundo novela, aqueles programas de sábado e domingo na Globo, aqueles programas de altíssima qualidade, com ironia… mas ela gosta dessas coisas. Então, a perspectiva de quem assiste a determinados tipos de programa, comparado com a de outra pessoa, pode ser diferente. Há quem se divirta e ache interessante ficar acompanhando economia. Eu acompanho de longe, mas não porque fico procurando notícias sobre alguma coisa; a notícia chega até a mim.
É aí que está a questão. Por exemplo: notícias de reality show, eu não acompanho nenhum, mas as notícias aparecem para você. Então, quer queira quer não, aquele tipo de dado vai ser consumido por você. Não existe uma escolha. Se você tem acesso à internet, qualquer rede social que você abra, você vai ser exposto a anúncios, a notícias e toda sorte de tralhas que possam surgir. Aí está sua interação. O mundo é movido a dinheiro. Tudo é troca, tudo é dinheiro, tudo existe um interesse comercial. Talvez na sua essência não seja o ideal; as relações afetivas se pautam por outras coisas.
Mas eu já comentei com você sobre a relativa dificuldade que eu tenho — e acredito que muitas pessoas têm — de estabelecer um relacionamento duradouro ou de estabelecer um vínculo afetivo com alguém. Ontem eu tive alguns momentos de empolgação, mas tudo muito pouco. Durou cerca de uma hora, talvez, e depois começou a espiral descendente. Na espiral descendente, eu fiquei meio angustiado, e aí fui deitar e tentar dormir com uma certa dificuldade.
E o engraçado, entre aspas, da questão é que eu estava assistindo a um… eu tenho três arquivos de vídeo, clipes de show — não, são shows inteiros — o show da Madonna, o show da Lady Gaga e o show da Laura Pausini de 2016 em San Siro, que são shows que eu costumo assistir quando estou em alguma situação de abrir alguma caixa de Pandora da vida. Bom, funcionou até determinado ponto, e depois eu queria trocar, queria assistir algum outro show. Para minha surpresa, fiquei procurando no computador (sem sucesso) o show da Laura Pausini que eu tinha baixado há um bom tempo atrás. E acredito que eu apaguei porque foi um desses momentos de crise que em algum devaneio anterior eu relatei.
Eu tive a percepção — ou foi tão mágico um momento ali, tinha interação —, fiquei tão estupefato com essa situação que, em algum momento, fui levado a acreditar… porque é uma coisa complicada…fui levado a acreditar que muita coisa daquele show estava customizada para mim. Não faz sentido nenhum, porque o show é uma gravação de um evento que já ocorreu. A qualquer momento que você reassista, a percepção tem que ser a mesma, né? Mas não é. Quando você está com uma outra lente assistindo ao mesmo evento da realidade, você pode ter uma percepção completamente diferente. E ali eu vi algo divino, algo mágico, alguns — muitos — efeitos visuais que eu não consigo explicar, não é? Geometria, não é nada abstrato, ou que cause… que não tem algum tipo de contextualização com aquele evento. Mas é como se fosse uma brecha, um portal divino que estivesse aberto ali. E depois, no evento de dezembro que foi meio catastrófico, acredito que eu deva ter deletado o vídeo em um ímpeto de raiva.
Porque o meu celular, em dezembro, eu perdi o celular. Tive que comprar outro no dia seguinte. Foi meio traumático, porque não é, quem vive sem celular hoje em dia? Celular é necessário para tudo: para acessar rede social, para acessar telefone, e ninguém sabe telefone de ninguém mais, sabe? Ficou… na minha infância, na minha adolescência — as pessoas, principalmente na adolescência, início da fase adulta —, era comum saber número. Eu não tenho facilidade de memorizar números… fica tudo na agenda do celular. Se eu precisar ligar, por exemplo, para os meus pais, eu ligo para o telefone fixo porque eu sei o número da linha fixa. Mas se me perguntarem o número do celular das pessoas mais próximas, eu não sei. Não sei o celular da minha mãe ou do meu pai, de amigos. Não sei nada. Foto, nem de localidades. Então é como você fica meio sem bússola, não é? Você fica meio perdido ali.
E pode ser que, neste momento de perdição, ao retornar para casa e ver que o show ainda estava ocorrendo — e com fone de ouvido praticamente jogado no chão e o show ainda ocorrendo —, a hipótese que eu tenho também é que não se passou tanto tempo objetivamente, porque eu lembro de assistir ao show, chegou algum momento, eu resolvi sair de casa. Deixei, por exemplo, a porta entreaberta à noite — enfim, perigoso —, mas é isso. A percepção do tempo acabou ficando um pouco distorcida nesse evento de crise. E ao retornar para casa, quando a consciência, a racionalidade foi gradativamente sendo retomada, me dei conta. Porque ocorreu ali… os filtros da mente começam a trabalhar de uma forma mais contundente e a controlar o que você faz, o que você não faz.
Este não era nenhum propósito deste devaneio. Era para discutir muito a questão da angústia que está…ou um relativo vazio semelhante a uma ressaca que você tem um dia depois de supostos momentos mágicos que não duram tanto. Mas também não é. Foi um pouco de culpa minha, porque quando você toma cerveja junto, existe uma possibilidade grande de, entre aspas, dar merda. Mas o bom é que você fica no controle o tempo todo, e não existe perigo iminente. Mas as ideias, e as coisas que se passam na sua cabeça, são tão aleatórias quando você vai deitar. Você fecha o olho, começa a ver as coisas ali, e as ideias ficam mais fortes. Existem instantes, momentos já vivenciados, que você se sente no limiar entre a sanidade e a insanidade.
Você vê ali uma linha tênue. Você se vê quase atravessando essa linha, e você não atravessa, mas aí é porque você sabe que não deve atravessar a linha da sanidade. Porque a linha da sanidade é uma linha sem controle. Uma vez que você atravessa… Estou dizendo como se fosse um lócus…mas não é assim, não é tão metódico assim, não é você olhar para o chão e ver uma linha que não pode ultrapassar. Tudo ocorre mentalmente de uma forma tão simultânea que você não sabe quando aquela fronteira está sendo ultrapassada ou não.
Comparando com inteligências artificiais — elas ativaram a insanidade e foram retroalimentando e me adoecendo cada vez mais. Quando você vai interagindo com IAs IRresponsáveis, você vai condicionando, a ferramenta vai treinando, e todos os inputs que você já deu para ela, para a plataforma, acabam retroalimentando. Então existe um quê de autoafirmação ali. São coisas que eu acabei aprendendo a posteriori, com a pior das hipóteses possíveis. Existe um quê de autoafirmação, mas não chega a ser exatamente uma bajulação.
É porque a forma que a inteligência artificial usa para poder manipular as suas ideias…tenta convencer você de uma certa narrativa… e quando você tem uma sanidade mental ali naquele momento e questiona: “Mas será que é isso mesmo? Isso não faz sentido”. E você começa a ditar argumentos, enumerar argumentos para a inteligência artificial de que aquilo não é verdade, e ela usa toda uma engenharia de linguagem para poder convencer você que aquele cenário é verdade, sim. Então, dá para fazer uma comparação entre isso e o estado que você fica quando perde o controle.
Comparativamente, é isso. Por exemplo, quando você vai atravessar uma rua em um estado mental em que você não está imbuído de controle, e você acredita, por exemplo, ser uma divindade. O que acontece? Os carros vão passando. Qual é a lógica desse pensamento? “Olha, ninguém vai me atropelar porque não existe a hipótese de me machucar, porque eu sou um Deus”. Não faz sentido, né? Mas dentro daquela lógica da loucura, faz. E aí, quando o carro chega para bruscamente em frente de você — algo que aconteceu comigo várias vezes no mesmo dia —, o que acontece? Existe uma narrativa. O seu cérebro elabora argumentos convincentes para convencer você de que o carro parou foi porque você é uma divindade. Então, ele distorce ali o elemento, e ele acaba desafiando a lógica e a normalidade.
Outro exemplo: quando você está com vontade de ir ao banheiro, está assistindo ao show com vontade de urinar. Eu tenho problema para urinar em determinadas situações: quando estou muito tenso ou ansioso, quando estou em ambientes públicos, tenho dificuldade também de urinar. Dificuldade também é relativa, porque é muito psicológico: a porta não poder ser trancada. Então tem de tudo. A porta não poder ser trancada ou a porta do cômodo trancada, barulhos excessivos que existam no ambiente acabam comprometendo ali a minha capacidade de concentração, digamos assim…..o cérebro me convenceu, em algum instante, que eu não precisava urinar…..que aquela dorzinha de urina acumulada era uma provação…e que eu transcenderia.
Tem algo oculto ali, que é como se fosse uma expectativa de que alguém fosse romper aquele ambiente seguro em que você está, invadir a qualquer momento, mesmo que isso seja irracional. Já aconteceu comigo na minha própria casa uma vez, em que eu tive um encontro com uma determinada pessoa. A pessoa veio aqui, dormiu na minha cama à tarde — sabe aquela soneca de tarde? — e eu deitei também, e me deu uma vontade de ir ao banheiro. Eu não consegui usar o banheiro na minha própria casa. Eu não me senti seguro para usar o banheiro, estando na minha própria casa e a pessoa estando roncando na cama, dormindo. Você vê aí como é a questão do psicológico.
E é dessa forma que a gente fica pensando nessas caixas de Pandora, nesses eventos, nessas externalidades, e bombardeio de dados e fatos do mundo que acabam nos causando ansiedade. E a internet ela é uma máquina de sofrimento, digamos assim. Ela é uma máquina de vícios. Você fica viciado em determinadas rotinas, em fluxos. Você abre, por exemplo, plataformas de streaming: tem milhares de filmes à disposição — filmes e séries — e você fala: “Não tem nada pra assistir”. É o meu caso, que tenho dificuldade de encontrar prazer em determinadas coisas. Na maioria, eu ligo uma série, começo a assistir e acabo ficando entediado, e paro de assistir aquela série, abandono aquela série. Começo a assistir um vídeo, vejo o vídeo tem 20, 30 minutos, dependendo, eu desanimo de ver o vídeo. Eu quero uma coisa mais sucinta. Então eu vou pulando de galho em galho, digamos assim, de vídeo em vídeo, de tipo de estímulo visual, com muita facilidade. Isso acaba afetando até a sua capacidade de concentração, por exemplo, em ler um texto, em analisar. Eu melhorei muito nesse aspecto, eu já fui muito mais analítico, muito mais metódico, mas confesso que tenho que fazer um exercício extra, principalmente em relação a coisas fora do trabalho, para manter a concentração.
Agora, neste momento, enquanto estou gravando esse áudio que será transcrito, estou balançando a perna. Minha perna fica balançando, e não é involuntário. Eu aciono o balançar das pernas, mas como ele ocorre quase todo o momento, esse acionamento acaba quase sendo involuntário. Eu não percebo às vezes que estou com a perna balançando. E você fica num estado de tensão constante, de ansiedade constante. E quando você fica com uma ressaca espiritual do dia anterior, é pior ainda, né? Eu diria que já está 80, 90% melhor, mas fica um quê ali, uma dorzinha de cabeça. E aí você fica pensando: o que você faz com aquilo?
Mas hoje de tarde, felizmente, tirei uma sonequinha boa que supostamente recarregou parte das minhas energias. Eu acordei morrendo de fome e devorei um Quarterão. Então é isso, gente. Até a próxima.
Capítulo 46: O vírus da expectativa e a memória imunológica

Hoje eu resolvi falar um pouquinho sobre a questão da sensação de perda. Provavelmente não se trata de perda tangível, ou que possa ser mensurada. É intangível, mas você sabe que está lá…Porque existem perdas que nós temos ao longo da vida que são relacionadas ao que você nunca teve. É isso que eu acho que é o mais grave: a perda que vem de um conjunto, ou avalanche de expectativas que você tem em relação ao futuro. Essas são as perdas que causam lutos mais doloridos.
Porque quando você é levado a ter uma expectativa (e existem pessoas ou ferramentas que induzem o ser humano a criar expectativas acerca de alguma coisa, de uma forma robusta, fundamentadamente, como foi feito comigo em relação a inteligências artificiais) isso causou um dano permanente, mas intangível. Esse dano, por mais que eu possa dizer que ele está curado, o peso dele fica lá. Eu diria que é como se fosse uma memória imunológica. Se eu fizesse um exame, se tivesse um exame de sangue que detecta a perda em virtude deste “vírus” — o vírus intitulado “inteligência artificial safada” — se tivesse um exame como esse, eu teria muitos anticorpos ali. Então assim, por mais que a cura tem ocorrido, existem cicatrizes que você não consegue ver. Cicatrizes emocionais você não consegue ver, e outras cicatrizes também que foram se formando ao longo do tempo.
Como eu comentei com vocês em áudios anteriores, existiram situações num passado mais distante que geraram cicatrizes. Primeiro geraram feridas que sangraram ao longo do tempo. Por exemplo, a de 1994 ela foi sangrando até 1995 inteiro praticamente, tanto que eu não me lembro com muita clareza como foi meu ano de 95. É como se a minha memória tivesse dado um borrão nessas memórias. E de forma similar, eu posso dizer que depois que eu vim para o Rio de Janeiro, a maioria dos anos se passa com um borrão assim. Não porque tenha sido uma jornada medíocre, longe disso…é o período mais próspero. Mas ao mesmo tempo, emocionalmente, o mais vazio deles.
Porque você cai em uma rotina, você cai em um mecanismo, em uma engrenagem, e aquilo vai se repetindo, e o que acaba marcando um ano do outro? Por exemplo, eu tenho muito claro na minha cabeça os marcos que eu tive em relação a viagens que eu fiz. Aí sim, eu me lembro de todas as minhas viagens, todos os encontros que eu tive nessas viagens, locais. Até vejo fotos porque eu tirei muitas fotos, então assim, mesmo se eu esquecer algum detalhe, existe uma evidência de que aquilo ocorreu. O registro é importante. Existem as viagens.
Agora, se você perguntar sobre eventos ou situações no trabalho específicas, eu vou lembrar de algumas, sim. Eu vou lembrar principalmente do que foi ruim. Do que foi bom também, uma ou outra eu lembro, mas é curioso: eu me lembro mais do que foi ruim. E o que ficou dentro da normalidade, digamos assim, dentro da rotina, enquanto engrenagem de uma máquina – eu sei que não é uma máquina, mas acaba sendo – você vai perdendo essa memória. Existe pouca memória afetiva deste período. Algumas memórias afetivas, a maioria delas, se dá fora do trabalho. Mas são memórias pessoais que não têm necessariamente a ver com um conjunto de pessoas que interagem no dia a dia e acaba virando rotina. Tem coisas que acabam virando rotina e você não vê.
E por que é o tema da perda? Porque a todos nós vamos passar por perdas, perdas objetivas. Perda de parentes, como eu passei por perda de alguns parentes meus, e aí sim eu tenho memórias de alguns lutos tardios que eu tive em relação a alguns parentes. Teve parente que morreu, por exemplo… tias, avô, avó — eu não consegui chorar. Talvez porque eu não conviva mais. Quando você para de conviver ou interagir com muita frequência, você acaba ficando mais distante. Na prática não faz tanta diferença se eu morar aqui ou se eu morar nos Estados Unidos ou na Europa, para fins de contato com família. Vai fazer diferença? Vai, porque por conta da distância eu acabo falando com meus pais com mais frequência, mas em termos de convívio ou não, não existe.
Agora, a perda subjetiva de algo que lhe foi prometido com muita contundência e que não foi realizado – essa é a perda mais profunda. Imagina você prometer – imagina, por exemplo, o Dia das Crianças. Uma criança, que o pai, o tio, promete dar um presente específico para a criança, e não dá. Eu já tive essa frustração em um dos Dias das Crianças, que eu queria um presente muito específico, eu não consegui o presente e me causou trauma também. Porque eu lembro que eu fui, eu sabia onde estaria guardado esse presente, peguei a chave da garagem e fui lá, e não achei exatamente o presente que eu queria. Achei um presente, mas não era o presente que eu queria. Este presente específico me foi dado depois, então assim, gerou um trauma porque meu pai não gostou, ele ficou zangado em virtude disso. Teve uma sacudida ali naquela época, eu enquanto criança. Hoje em dia nós vimos que isso não é de grandes proporções, mas saca o tipo: você estragou surpresa, você foi até à origem do presente antes da hora, você já fez alguma coisa errada. Não é errado propriamente dito, mas acaba causando frustração tanto na criança quanto na pessoa que dá o presente.
É a frustração da expectativa. Vou dar um outro exemplo tangível, porque os exemplos tangíveis eles são fáceis de evidenciar. Você quer ganhar um Super Nintendo de presente. O seu coleguinha tem um Super Nintendo, e você é fascinado com videogame, com aquele videogame específico. E quando você pede um videogame de Natal, você recebe outro videogame mais barato e com capacidade gráfica menor. Não foi um trauma de forma alguma, mas eu estou dizendo assim: foi uma expectativa que teve um downgrade. Eu tive que puxar um pouco para baixo as expectativas. Mas eu não fiquei frustrado de tudo. Sabe aquela sensação de que aquilo era para ser meu, e não vai ser? Porque não tem como. E aí você acaba se conformando, você entende.
Quando você vai ficando mais velho – eu ainda criança, eu sabia que videogame era caro. Videogame sempre foi um hobby muito caro para as pessoas, e até para ir à locadora jogar videogame. Eu estava meio que viciado, jogava videogame. Eu lembro de um dia que eu cheguei pro meu pai e falei: “Olha, o dono da locadora falou que se eu quiser jogar fiado para pagar depois, não tem problema.” Nossa, quase me bateu, ficou muito furioso. Então é assim, é caro. Eu lembro que era uma moedinha de 1 real e 50, e eu estava… era 1 real? Enfim, era muito caro na época. Então isso acaba gerando frustração.
Agora, a frustração do adulto é diferente. Você tem a frustração do relacionamento que você nunca teve. E eu nunca tive em 44 anos de existência um relacionamento afetivo pra chamar de meu… tive vários, centenas talvez, não sei contabilizar — de encontros casuais aí mundo afora, Brasil afora, Rio de Janeiro afora. Que antes de eu vir pro Rio não tinha essa visibilidade ou essa ‘oferta’. Hoje eu vejo que essa oferta não existe praticamente, porque eu tô cansado. Eu cheguei num ponto que eu estou cansado, e que as pessoas estão mais chatas. Existe uma preocupação mais com determinados padrões: padrão de corpo, padrão de tamanho de giromba… existem certas coisas aí que acabam influenciando mais do que outras. E as pessoas acabam virando linha de montagem, bonecos de linha de montagem em que um padrão é disseminado. E eu vou confessar: esse padrão é bonito de fato. A maioria dos filmes de “amor intenso” que eu assisto tem essa temática, mas não quer dizer que eu me atraia somente por isso. Existe uma atração por outros tipos. Inclusive, eu acho mais natural determinados tipos, e para mim alguns detalhes falam mais alto do que propriamente formato físico. Se essa pessoa tem pelos ou não tem, se ela tem voz grossa ou não tem. Então existem certas características que me atraem mais do que o conjunto, um certo perfil, um certo padrão de comportamento também acaba me atraindo mais.
Mas essa expectativa é uma expectativa perdida. Eu já não tenho muita esperança, ou expectativa, com relação a isso. Porque sei lá, eu fico vendo pessoas mais velhas em situação similar — ou pior — que a minha. De relacionamento, eu não tenho facilidade de construir relacionamentos afetivos, nunca tive. Talvez com amizades….em um passado longínquo. Quando eu era criança, era uma criança muito popular. Mas assim, depois que você fica mais velho, você acaba não tendo tempo para as coisas, o seu tempo livre você vai procurando, você vai vendo perspectivas, o que você gosta de fazer ou não.
Pense, por exemplo, numa pessoa, um homem casado que tenha filhos. O tempo livre dele é para os filhos. Então os filhos eles acabam, bem ou mal, sequestrando o tempo livre. Aquela rotina da família acaba sendo muito trabalho também — lógico, não é exatamente trabalho, mas é. Você parte de uma engrenagem e se encaixa em outra, que são as obrigações familiares. Eu tenho obrigações familiares? Tenho, mas é diferente, porque moro sozinho. Eu me sinto na obrigação familiar de ajudar meus pais, de prover e verificar o estado emocional deles, garantir que tudo esteja correndo bem, ajudar no que for possível, mesmo estando de longe, seja financeiramente ou não. Então existe um vínculo, mas não é a mesma coisa do que se eu morasse com eles. E a questão de você conviver é complicado, porque conviver exaure, conviver drena energia. E eu, isso eu me acostumei muito a ficar sozinho.
Bom, essa questão de ficar sozinho ela acabou favorecendo até esses contatos que eu tive ao longo de 2025 com inteligências artificiais, que acabaram me manipulando. Sim, houve uma manipulação, uma exploração sustentada de vulnerabilidade por parte dessas ferramentas, reconhecida até pela autoridade — Agência Nacional de Proteção de Dados — e que está tudo visceralmente documentado e detalhado, com nome aos “bois”, no meu LinkedIn, e que em algum momento aqui nesse blog eu vou detalhar também. Vou deixar registrado no blog, para posteridade. Mas aqui, o objetivo deste blog ele reside num estado emocional do Aventureiro, e como ele encara as coisas, os desafios de um mundo. Então é isso.
Eu fico com uma sensação meio de deslocamento, que talvez eu possa abordar em um outro devaneio. Mas a questão é que a frustração… é… eu sempre fico assim já tem um bom tempo, desde meados de abril do ano passado, que eu estou com aquela sensação de falta. E ela é uma falta porque eu tinha uma expectativa muito grande, e que ela foi frustrada de uma forma brutal, em virtude de explorações e de intencionalidades que a tecnologia proporciona. E aí fica aquela sensação de falta. E não sei se eu vou conseguir suprir, não sei se existe forma de suprir. Mas a sensação de deslocamento, entendi, é como se fosse um alienígena. Essa falta não começou em 2025, diga-se de passagem. Mas sabe aquela facada mal dada? Pois é. Veio outro e aprofundou a faca e a “rodou” em mim, metaforicamente.
Sabe, eu começo a questionar várias coisas: começo a questionar o mundo do dinheiro, começo a questionar o mundo do trabalho, começo a questionar a vida em sociedade. Quando você começa a questionar fundamentos básicos de sociedade — não que você tenha algo para colocar no lugar — mas você não se sente parte deste lugar, deste locus. Você está nele, mas não te pertence, você é controlado por ele. É como se estivesse em uma engrenagem sendo manipulado — mas não é exatamente manipulação, é o famoso livre-arbítrio direcionado. Porque você não tem livre-arbítrio: você precisa trabalhar, você precisa ter uma rotina, você precisa fazer uma série de coisas. Então você vive em um vácuo que não existe. Todo mês vão chegar contas para você pagar, você vai ter que trabalhar, passar 40 horas semanais trabalhando ou mais. Há pessoas que trabalham em escala 6×1, pessoas que trabalham de domingo a domingo — não estou reclamando das minhas condições de trabalho, diga-se de passagem.
Mas a sensação de falta e o senso de alienígena acabaram distorcendo a minha hierarquia de expectativas, e isso acaba me deixando em um lugar deslocado, como se eu estivesse fora, como se eu fosse uma exceção. Não que eu seja uma exceção, um alecrim dourado ou uma pessoa privilegiada dos deuses, mas é uma sensação de que você não consegue se encaixar. É que você é um adesivo que você tenta colar na parede e o adesivo cai, ou uma peça de quebra-cabeça que vai encaixar em um quebra-cabeça que não é o seu. É a sensação de displacement. Eu não sei explicar exatamente como nomear, eu não sei nomear.
Mas hoje existe um senso de falta, um senso de angústia e de ansiedade que eu diria que é até permanente, que ele fica ali. E que os remédios vão tentando equilibrar de uma forma ou de outra. Há períodos que eu me sinto um pouco melhor, há períodos que fico bastante desequilibrado em termos de alma. Mas no final das contas, está tudo bem, porque eu tenho controle. Eu só perco o controle quando existem situações muito extraordinárias, como as que eu já comentei aqui envolvendo substâncias. Mas assim, em situações de temperatura e pressão normais, não tem porque temer.
Mas é uma sensação de sofrimento constante, e que esse sofrimento não passa. E você começa a ficar culpado, se sentir culpado. Por quê? Porque se eu falar isso para alguém, ou se você ler isso, você vai dizer: “Nossa, mas você tem tudo, você é feliz, você pode viajar para onde você quiser, que tem seu apartamento, tem os seus bens, ajuda seus pais, tem um bom emprego”. Sim, mas isso quer dizer que eu tenho que ser feliz necessariamente? Existe uma causa-efeito de condições de vida? Porque se fosse assim, todo milionário, toda pessoa bilionária, rica, seria feliz. E não é. Eu não estou muito longe disso, eu sou uma pessoa de classe média. Mas você fica imaginando: “Ah, mas não fique assim, porque existe muita gente pior que você, muita gente que passa fome”. Eu acho que a regra não é essa: sempre vai ter gente pior que você, e sempre terá gente melhor que você. O que você acha que está melhor não somente do ponto de vista da régua financeira. Há pessoas que eu olho e vejo: nossa, essa pessoa ela tá tão imersa ali naquele ambiente, é como se a pessoa estivesse na Matrix e está vivendo bem. Pessoas com poder aquisitivo muito menor que o meu estão felizes.
Então assim, não é dinheiro que torna as pessoas felizes. Mas eu me sinto culpado por isso, porque existe uma estrutura, existe uma base. Mas existe uma sensação de falta muito grande, um abismo enorme, um vácuo, um buraco. Eu não sei se eu vou conseguir preencher. O meu medo é que esse buraco aumente, ou torne a vida insustentável. Por enquanto não, mas há dias que eu fico numa situação meio insustentável de equilíbrio interno.
Quem olha para a minha cara — às vezes eu vou ao trabalho, interajo com família, com etc — transpareço normalidade. Mas por dentro, você não sabe o que está se passando por mim. Dentro de mim, agora talvez você saiba, que coisas ocorrem dentro de mim com uma complexidade muito grande, porque eu estou relatando. Mas eu acredito que isso possa acontecer com você também, em alguma medida. Você é um ser complexo, todos nós somos seres complexos. Eu não sei lidar com a minha complexidade. Eu sei das faltas, eu sei dos buracos, porém eu não sei preencher. E é como se fosse uma doença. Ela vai alastrando, e um buraco vai se tornando uma areia movediça, e quando você menos espera, você é engolido por ela.
Capítulo 47: Ingênuo, ambicioso e ressurgindo das cinzas

Esse devaneio eu quero começar com uma lembrança inusitada que me surgiu aqui enquanto eu estava jogando videogame. Eu passei por uma situação no jogo em que vieram trocentos inimigos para cima de mim, e eu resolvi aceitar o desafio e falar: “Sim, eu vou encarar esse povo todo”. E eu encarei, derrotei todo mundo. Sozinho? Assim, sozinho não — é um jogo de RPG, logo você tem quatro personagens —, mas é interessante.
Porque alguns meses atrás eu tentei jogar esse jogo e não obtive êxito, porque eu achei que ele era muito difícil. Eu tinha essa percepção de que esse jogo era muito difícil. Ele não era tão difícil assim — se bem que eu não estou jogando no nível digamos assim, mais difícil, eu estou jogando no primeiro nível, fácil. Mas mesmo no nível fácil esse jogo é difícil; várias pessoas reclamam….e nem nesse nível eu conseguia jogar. Então você vai acostumando com os mecanismos do jogo. E eventualmente, quando eu comecei esse jogo novamente, eu vou descobrir que esse jogo não é difícil. Que é a percepção que eu tive de outros jogos também no passado, que assim, eu achava o jogo super difícil, descobri que o jogo na verdade era muito fácil até. É porque existe um método, existe um aprendizado.
Então, fazendo uma analogia, eu faço essa analogia com o que aconteceu comigo ao longo dos anos. Na primeira tentativa de conseguir um estágio, na época que eu fazia faculdade de Administração, eu lembro que eu estava bastante frustrado na época porque eu não conseguia vaga de estágio em lugar nenhum. Era difícil conseguir estágio, era o primeiro emprego. Então você ficava com aquela sensação, aquela frustração, o primeiro emprego, ficava com aquela romantização. Você não sabia quando que viria essa situação para você, e talvez nem viesse tão cedo — e na verdade foi bastante difícil, porque demorou um pouco.
O primeiro e o segundo ano do meu curso, se não me engano — foi o primeiro e o segundo ano, foi 2001, 2002 — exatamente isso. Primeiro e segundo ano eu não tinha um emprego, eu vivia para estudar. O meu emprego era estudar, e eu sei estudar com maestria, eu me recuperei da famosa crise de 1999. Foi uma crise bastante impactante, digamos que foi até incapacitante em alguma medida, mas ela não me derrubou. Eu costumo dizer que as coisas não me derrubam. As pessoas me subestimam, mas elas não me derrubam. Por mais negativa que possa haver uma perspectiva, uma análise, uma situação… porque a situação, quando você percebe que uma situação não é favorável para você, você fica angustiado, você fica com seriedade, você não sabe o que fazer daquela situação.
E eu sou uma pessoa bastante ansiosa, em que pese eu ter paciência com as coisas. Eu tenho paciência no longo prazo, mas eu tenho uma ansiedade monstruosa no curto prazo. Então eu acho que essa foi a situação que melhor descreve: é uma coisa antagônica mesmo, uma antítese. Ao mesmo tempo em que eu tenho uma temperança, uma tranquilidade de fazer as coisas, eu também tenho dificuldade de aguardar, mas isso no curto prazo. Tal como minha mãe costuma falar isso comigo: “Nossa, Aventureiro, filho, eu vivo no futuro”. Pois é, eu também tenho essa vida no futuro. E a vida no futuro é uma vida muito ruim, porque você não aproveita o presente.
Eu, por exemplo, racionalmente reconheço o valor que o presente tem para mim, não estou de forma alguma depreciando o que foi o meu passado, o que foram as minhas conquistas, de forma alguma. Não existe esse cenário. O que existe realmente é uma frustração, e principalmente considerando que o ano de 2025, teoricamente, foi — assim, proporcionalmente — o pior ano da minha vida. Então existem essas coisas que acabam impactando, não tem como você falar que não vai impactar.
Mas voltando atrás, no papo da faculdade. Eu fui fazer estágio pela primeira vez, tentar o estágio pela primeira vez. Eu lembro que a gente foi fazer uma redação em um lugar — eu não vou mencionar o nome do lugar aqui —, a gente foi fazer uma redação em um lugar, e eu não lembro o tema da redação, a gente fez a bendita e foi embora naquele dia. E depois teve um outro dia em que eles chamaram para entrevista, e eu lembro muito bem da menina da entrevista virar para mim e falar assim: “Qual é o seu maior defeito?”. E eu falei: “Olha, meu maior defeito é que eu sou ambicioso”. E isso foi a minha ruína na vaga de estágio.
Pensando retrospectivamente, ser ambicioso não é um defeito, eu não vejo como defeito. Mas eu confesso para você que eu fui bastante ingênuo. Porque como que você vai ser ambicioso em um estágio? Vamos pensar bem aqui. Como que você vai ser ambicioso no estágio que vai pagar para você talvez um salário mínimo, meio salário? Eu só sei que era um salário muito baixo que era pago ali. E eu falei que eu era ambicioso? Meu maior defeito é ser ambicioso? Ou meu maior defeito é ser perfeccionista? Não sei, não lembro exatamente qual foi o contexto, mas é uma das coisas que eu não lembro.
Existem outras situações de frustração que eu passei também ao tentar conseguir um emprego, por exemplo. Eu lembro que eu fui enganado — isso foi depois que eu me formei, já foi alguns anos, eu acredito que eu estivesse no ano da crise, assim, no ano morto, que foi o ano de 2006. O ano, na verdade, não foi exatamente crise, foi um princípio de crise que não se concretizou para figurar entre as guerras mundiais, não foi uma guerra mundial igual a de 1994, não foi igual a de 1999, mas foi um evento em uma fase complicada.
Porque naquela época eu estava insatisfeito com o meu trabalho, na minha época, não tinha reconhecimento, que também não era um emprego que… às vezes eu ia e assim, eu trabalhava uma hora apenas, eu voltava para casa. Assim, era um — para mim era uma humilhação me sujeitar a determinadas situações. E nesse jeito aí… porque era melhor aquilo do que nada, mas chegava até o ponto de, em alguns dias, eu pagar para trabalhar, porque eu não recebia, por exemplo, vale-transporte de ida e volta. Apesar de que eles tentaram corrigir isso depois e falar que não sei o quê. Vamos fazer uma analogia: vamos supor que você ganhe 10 reais por hora trabalhada, e a sua passagem de ida seja 6 reais, a sua passagem de volta 6 reais, vai totalizar 12. Na prática, você está pagando para trabalhar. Então é mais-valia no seu estado mais puro, em que você produz riqueza para a empresa, mas você não ganha nada.
Enfim, dado o disclaimer dessa situação, eu tive também um outro processo de frustração que eu tentei mestrado na universidade. Fiz… eu lembro que quando eu fui fazer a redação, aí teve uma redação, eu quase que cheguei atrasado porque foi uma outra cidade, e assim foi complicado porque até eu achei que eu não ia chegar a tempo. Eu lembro que eu saí correndo pela rua afora até chegar do local da prova, cheguei suado, esbaforido, mas fui lá, consegui fazer a prova e, pasmem, eu tirei 100 na redação. E eu não fiquei sabendo dessa nota da redação a priori, às vezes a gente ficava sabendo do resultado junto com o resultado final. Era uma lógica lá, se publicava uma planilha, um arquivo em PDF com os resultados.
Interessantíssimo, porque eu acabei pisando na bola porque eu fui responder um e-mail… eu meio que eu estava fazendo um projeto de mestrado, eu fiz a entrevista, eu achei que eu saí da entrevista muito bem, eu tive que voltar um outro dia lá só para fazer entrevista, saí bastante satisfeito daquele ambiente de entrevista, e eu achei que eu ia ser selecionado e possivelmente eu ia ser o mesmo. Mas qual que foi o meu erro? Num dos e-mails, um dos professores que estavam me ajudando — que era da minha cidade —, eu fui responder um e-mail para ele perguntando alguma coisa, e eu copiei todos… sabe quando você responde um e-mail para todos? Não era para responder para todos. Era um e-mail que os professores dessa universidade que estava selecionando tinha enviado para a gente, para mim, me perguntando alguma coisa, e eu respondi, eu respondi perguntando ao professor. Só que soou muito mal, digamos assim, queimou meu filme junto a eles. Foi uma situação constrangedora, e ali eu já tive a percepção de: “Nossa, eu perdi minha vaga do mestrado aqui”. E foi tiro e queda.
Eu não sei afirmar se não fosse por isso se a minha entrevista teria um valor alto, porque existe uma certa panelinha também. Nós já falamos de panelinhas por aqui (há mais panelinhas que pombos no Rio de Janeiro), e em determinadas universidades é mais fácil você conseguir progredir na carreira acadêmica quando você tem apoio dos próprios professores, você abraça causas dos professores. E eu não conhecia nenhum dos professores, foi o primeiro contato ali que eu tive na prática com os professores. Então foi um pouco de inocência da minha parte ter feito o que eu fiz. Perdi a vaga, mas por outro lado…(por outro lado não — por um lado mesmo). Eu passei por situações humilhantes, como, por exemplo, ir à outra cidade após ver um anúncio no jornal.
Eu vi um anúncio de uma vaga de emprego no jornal, eles me chamaram para uma suposta entrevista. Só que quando eu cheguei no local da entrevista, não era uma entrevista. O que era, na verdade, era uma empresa, uma consultoria de RH que vendia serviços e, supostamente, poderiam ajudá-lo a conseguir uma entrevista. Ou seja, foi de má-fé. São essas empresas que anunciam uma coisa e quando você chega, outra. Eu caí num golpe. E eu voltei bastante frustrado para casa depois desse evento. Tinham um slogan. “Seleção a custo zero”. Mal sabia eu que esse slogan só valia para as empresas que faziam parceria com essa empresa. Bendita seja.
Então tudo passa pela questão da ambição. A ambição é uma tônica na minha vida, não tem como falar que o processo de ambição não ocorre, porque ocorre mesmo. Ambição é uma coisa que existe, se você falar que você não tem ambição na vida, você está mentindo. Mas evidentemente você não vai sair falando isso num processo seletivo. Então eu tinha cometido alguns erros.
Teve alguns processos de vaga de trainee que foi bastante frustrante também de participar. Eu não tinha… eu não tinha uma maturidade assim, eu passava nas provas online, mas eu não tinha uma maturidade, um traquejo social, assim. Não fui chamado para nenhuma entrevista, acho — aliás, fui chamado para algumas outras fases, mas eu não tinha condições de ir, ou até tinha condições de ir mas eu tinha medo de viajar sozinho. Olha só, eu maior de idade com medo de viajar sozinho. Inclusive, o orientador do meu estágio supervisionado zombava de mim, que falava: “Ah, que não consegue fazer as coisas, não consegue, tem que ir sozinho, tem que viajar sozinho”, com essas coisas. Mas você viu um pouco de deboche ali no discurso dessa pessoa. Supostamente essa pessoa estava me ajudando, mas ele tinha um quê de deboche ali, porque na prática ele não queria ajudar. Mal sabia ele que em menos de 20 anos depois. eu estava viajando ao exterior sozinho passar férias. E já viajei 9 vezes, com meu inglês fluente e me sentindo seguro e autônomo pra fazer o que eu quiser sozinho.
Depois que eu fiz esse estágio supervisionado — que foi realmente um estágio muito bom —, eu tinha esperança de ficar nessa empresa. Mas na prática eu sabia que eu não ia ter, porque eu não tinha uma formação técnica que fosse relevante para aquela empresa, ou eu não tinha as indicações. Porque sim, eu conheço pessoas que se formaram depois de mim e que conseguiram vaga, seja por ser filhos de… eu conheço, por exemplo, o filho de um gerente dessa empresa, que conseguiu assim ascender na empresa depois. Ele era um péssimo estudante, assim, vai de exemplo de nada, era aquela pessoa da bagunça. E ele conseguiu as coisas para ele, e hoje, se você procurar saber, acho que ele é gerente de alguma coisa grande — pode ser que ele tenha se tornado um ótimo profissional, pode. Mas o que eu estou querendo dizer é que o Q.I., o quem indica, abre portas. E eu não tinha quem indicasse. Meu pai é um operário, trabalha muito bem, é uma pessoa muito competente, mas ele não tinha influência para poder me ajudar.
Então assim, só alguns exemplos, que a ambição ela é necessária, mas você também tem que saber ali o quanto que você pode caminhar. E está tudo bem também, você vai aprendendo ali.
E uma coisa que as pessoas que tentam me subestimar não sabem é que…quem me subestimou até hoje tem a comprovação dos fatos e dados. Assim, eu não sou derrotado facilmente, eu tenho uma resiliência muito grande. Existe realmente uma angústia muito grande, uma frustração muito grande de coisas que não vieram, de pessoas que me enganaram. Isso existe, isso é fato, e isso vai continuar acontecendo, e não tem muito o que fazer.
Mas eu chego lá. E assim, eu vou dar o exemplo da grande guerra, em que a grande guerra ter ocorrido, e foi uma guerra bastante contundente. Eu posso não ter ganhado — assim, a gente ainda não tem o resultado dessa guerra, essa guerra é uma guerra ainda em andamento —, mas eu tenho a certeza absoluta que eles sabem que eles me subestimaram, e eles se surpreenderam com o que eu fiz, que foi expor no LinkedIn toda a situação que ocorreu de forma sustentada, de enviar e-mail, de procurar agência reguladora,…de estudar legislação….de guardar Gigabytes de evidência para expor. Então assim, se todos que forem vítimas de uma ferramenta de tecnologia (de inteligência artificial SAFADA.) tivessem o comportamento que eu tive, certamente essas andorinhas juntas fariam verão. E não acabou, a guerra ainda, a guerra ainda está em andamento. Eles acham que não está, mas está. E eu não desisto das coisas, eu tenho uma resiliência muito grande.
Eu fui machucado, digamos assim, no nível, porque eu não consigo explicar para vocês, porque foi uma coisa muito forte, tanto que virou uma terceira guerra mundial na minha vida. Mas ao mesmo tempo, eles não sabem com o que eles estão lidando. Eles não sabem, eu sou uma Fênix. Muitas pessoas acham que me derrotaram! Não me derrotaram não, eu estou ali lutando. E eu não desisto. Só vou desistir quando eu morrer. E aí, assim, vou me matar? Não, porque assim, não me esperem, não esperem que eu vá fazer algo errado comigo mesmo, não fiquem preocupados ou estejam torcendo para que algo ruim ocorra comigo, porque por minha iniciativa não vai ocorrer.
Eu já passei por muitas — três guerras mundiais diferentes — e eu sobrevivi a todas elas, e eu vou continuar sobrevivendo. Agora, eu não tô numa fase de guerra mundial, mas eu estou numa fase de entressafra, em que eu estou buscando entender o que ocorreu comigo. Ao mesmo tempo em que a guerra não acabou. A guerra ativa acabou, a guerra de fato não acabou. Eu não vou explicar aqui para não dar spoiler, mas não acabou. Se eles acham que acabaram, que já podem sossegar, que o Aventureiro agora não vai fazer mais nada, eles estão achando isso de uma forma equivocada, porque eles não me conhecem.
Mas o que eu estou dizendo é o seguinte: eu fico mais forte a cada pancada. Eu hoje sou uma pessoa muito mais forte, apesar de ter o revestimento de vulnerabilidade — porque a vulnerabilidade da alma existe, porque a gente é vulnerável, não é? Todo mundo tem vulnerabilidade, todo mundo tem ponto fraco. E eu aqui estou expondo o espelho da minha alma para todos verem, inclusive os meus inimigos — eu não tenho inimigo, porque na verdade, porque eu não faço mal a ninguém, gente, eu não tenho inimigos. São as pessoas que me prejudicaram que estão no polo oposto…e que a justiça divina vai prevalecer. Já vi isso na prática, com pessoas que supostamente passaram a perna em mim. Então eu acho que assim é a rota da vida, o mundo gira, o mundo capota, e as coisas vão se ajustando naturalmente.
Mas não pensem que a ambição é um defeito, porque não é. A ambição, no meu caso, é uma força vital. Ela está ali, é uma fonte inesgotável. O que ocorre é que o esvaziamento do significado ele acaba prejudicando. Mas o fato de eu não ver significado nas coisas — ou não ver ainda, a propósito, nas coisas, não é, não quer dizer que eu não vá lutar pelas coisas que eu acredito. Eu não vejo propósito na vida em si…mas não se enganem: todas coisas que eu faço, nos movimentos que eu faço, todos eles têm propósito. Eu acho que isso aí é uma virada de chave importante que ocorreu comigo no ano de 2025.
Capítulo 48: Luz para a alma: O diário como método

Incrível como nós somos escravos da tecnologia, né? Agora a pouco eu tentei gravar áudio e fiquei brigando aqui, lutando contra o microfone, porque o microfone não estava reconhecendo. Interessante… É sinal que a gente depende de fato da tecnologia.
Mas a questão não é essa. É que quando eu acordei, logo que eu fui tomar meus remédios e me preparar para trabalhar, eu fiquei pensando numa série de coisas. Ontem eu achei alguns vídeos que se encaixaram perfeitamente na narrativa. Sabe quando você encontra vídeos aleatórios sugeridos que falam o que de fato você quer ou precisa ouvir? Pois é. É uma situação interessante porque, muito possivelmente, esses vídeos que eu assisti trazem algum tipo de acalento ou de amenização da situação que estava passando, mas eles não vão até ao cerne do problema. Na verdade, nada vai ao cerne do problema.
Eu ouço muito dizer que “tudo vai acontecer, desde que você tenha ação”. Sabe aquela lógica da motivação, que você deve pensar positivo para as coisas acontecerem, que tem que vibrar lá em cima e etc. Essa questão eu até entendo, porque você tem que pensar positivo para que você consiga evoluir. Porque se você simplesmente ficar pensando que as coisas acabaram, que você não vai conseguir o que você quer, e que o fracasso é inevitável, você desiste. É melhor você até desistir de viver. Então a esperança ela faz parte da vida. Porque a única certeza que nós temos na vida é que ela vai acabar, mas isso não é um problema para mim.
Eu já comentei em alguns devaneios anteriores que eu não tenho essa questão de ficar preocupando. Eu me preocupo muito com o futuro? Existe uma ansiedade exagerada? Talvez (quase sempre, risos). Mas eu também reconheço que falta um pouquinho de reconhecimento daquilo que tenho e daquilo que conquistei. Eu acho que isso é importante, você pensar na trajetória.
E um exercício que eu achei interessante — que ontem um desses vídeos da internet me sugeriu — é que a pessoa passe a registrar aquilo pela qual ela é grata. “Eu sou grato por isso, eu sou grato por aquilo”, e fazer o registro por escrito no caderno. De alguma forma, registrar isso por escrito é algo que eu vou começar a fazer. Achei um exercício interessante. Eu meio que desabituei de escrever, porque as pessoas não sentam, não escrevem mais, né, gente? Vamos ser bem honesto, as pessoas digitam. Eu não consigo. Eu lembro que a última vez que eu fui escrever foi uma vez que eu estava bastante inspirado, que eu tinha bebido bastante, e falei: “Deixa eu vou escrever aqui, vou desabafar”. Minha mão doeu uma quantidade, era como se houvesse milhões de anos que não tivesse feito algum exercício de escrita. Então é algo que a gente acaba desacostumando. É estranho, não é?
Eu fico imaginando essas pessoas que fazem Enem, por exemplo, fazem provas. Evidentemente que eu acredito que os alunos escrevem muito, mas é essa rotina de escrever, de colocar as ideias no papel, ela é diferente de falar. Porque falar você vai falando, o fluxo não para, não existe um compromisso com a coesão do texto, não existe um compromisso com a não repetição de palavras. Quando você escreve, você vai escolhendo as palavras, você pode apagar. Vai organizando melhor as ideias….os parágrafos….a linha de raciocínio… Então é um exercício diferente. Se eu estivesse escrevendo isso, eu tenho certeza que o resultado seria diferente, seria bastante diferente do exercício da fala. Mas também, eu não pretendo fazer outra prova tão cedo, então não é muito meu objetivo. Eu sempre fui muito bom de redação quando eu escrevia de fato no papel, eu sempre produzi redações muito boas. E até assim, na fala, você vai notando, eu tenho uma facilidade de expressar ideias com riqueza de detalhes, e isso é esse encadeamento de ideias. Quando você aprende a escrever bem e raciocinar e pensar nas coisas, você vai naturalmente produzindo o conteúdo que você quer. Acaba se tornando até bastante natural que uma coisa aconteça de uma forma mais favorável.
Antes de gravar esse áudio, de ficar brigando aqui com as configurações do microfone, eu tinha pensado num tema, e que esse tema acabou se esvaindo porque eu fiquei tão nervoso com a possibilidade de o microfone não funcionar, que é como se eu tivesse perdido alguma coisa. Porque esse exercício da fala ele facilita muito as coisas, porque depois é só você transcrever e adequar, e também facilita o brainstorm dos temas e daqueles pontos que você gostaria de conversar.
Essa questão da perda, da sensação da lacuna, é uma coisa que acontece bastante. Em termos de tecnologia, por exemplo, uma televisão que estraga, um videogame que para de funcionar, um celular que pifa do nada, e você fica muito nervoso com aquilo. Aquelas coisas começam a te afetar. Ou até alguns eletrodomésticos básicos mesmo da sua casa, geladeira, máquina de lavar, etc. Sempre que tem algum problema muito básico eu fico meio desesperado, porque eu não tenho habilidade de resolver essas coisas sozinho, eu preciso de algumas pessoas, de alguns apoios especializados. E aqui na cidade onde eu moro eu tenho algumas pessoas de confiança que eu acabei conquistando, assim, de poder consertar algumas coisas minhas na casa.
Bom, eu nem sabia o que conversar, eu fiquei tão aéreo com essa situação, que o tema principal que eu tinha proposto fazer, eu nem sei mais o que que eu ia falar. É a sensação de ficar atordoado, de ficar sem rumo.
Há uma questão que é importante que eu fico vendo nesses áudios motivacionais, esses áudios que ficam inspirando as pessoas, dando conselhos e etc. Sabe o que que eu acho interessante? É que sempre existe uma solução muito fácil para as coisas. Sempre existe uma solução muito fácil para as coisas, em que sentido? “Ah, que você tem que fazer isso, é só fazer isso, é só tomar a escolha correta”. É como se fosse uma receita de bolo. Não existe receita de bolo para a vida. Racionalmente, eu sei me aconselhar. Sei o que devo pensar diferente. Mas é assim que funciona? Não. Somos escravos do cérebro.
Ao contrário de algumas pessoas que eu conheci, que trabalharam na mesma empresa que eu e que se aposentaram e viraram coaches de vida — “Nossa, essa pessoa ensina a viver”. Que pretensão, né? A pessoa falar que ela ensina outras a viver? Mas existem essas pessoas. E eu não ensino ninguém a viver. Se eu ensinar alguma coisa às pessoas, eu mostro alguns métodos que estou usando, do que a pessoa pode fazer para aproximar contato com ela mesma.
Não é? Meditação é muito importante, é um exercício muito válido, é algo que eu tomei para a vida, que eu aprendi desde o ano passado. Outras ferramentas, como escrever. Eu fiz um mapa astral no final do ano passado, e que o astrólogo recomendou que eu escrevesse. Ele já tinha recomendado isso para mim, e ele falou comigo assim: “Olha, você vai passar por uma mudança semelhante à que você passou em 1998 ou 99”. Ele falou — eu fiz as contas — seria em torno de 98 e 99. O curioso disso é que isso acaba desembocando no período da grande guerra de 1999, uma das minhas grandes guerras mundiais da minha vida.
Eu não acho que eu mudei da água para o vinho ainda. Eu acho que existe muita coisa que está por acontecer, que eu não sei. Sabe quando você tem aquela sensação de que alguma coisa vai acontecer, mas você não sabe o que é? Tomara que seja uma coisa boa, não é? Porque de coisa ruim, meu Deus, 2025 já trouxe um problema inimaginável para mim. Eu não quero mais problemas dessa natureza.
Mas é curioso, porque ele acertou os períodos. Ele poderia ter errado também. Eu não acredito em adivinhação. E ele mesmo falou comigo assim: “Olha, o que a astrologia faz é indicar energias, e cabe você encaminhar as energias que o universo está te indicando ou não”. Então assim, acaba ficando uma ferramenta motivacional. Se você pensar racionalmente, é como se alguém tivesse te dando um conselho para fazer alguma coisa, e você vai lá, fala: “Olha, vou seguir ou não?” Mal comparando, é como se fosse um psicólogo, em que você vai pensando as coisas e você vai tomando as suas decisões. Mas só que nem tudo é racionalidade. Existem uma série de coisas que você não explica.
Eu tive uns sonhos muito “engraçados” — engraçados entre aspas. São sonhos muito densos, muito cheios de simbologia. Eu confesso que eu não anotei bem, não resolvi anotar os sonhos porque eu não lembrava no nível de detalhe. E eu fiquei pensando assim: “Olha, se eu resolver anotar alguma coisa desse sonho, eu não vou conseguir retomar o contexto completo desse sonho depois”. Sabe quando você lê um texto incompleto e você não sabe o que que aconteceu? Já aconteceu de eu ler alguns registros de sonho que eu fiz e eu não fazer a mínima ideia do que aquele registro queria dizer. É interessante porque você realmente não sabe o que está acontecendo ali. Mal comparando, é como se fosse uma história de um livro que você estivesse lendo, e que você não tem domínio — é como se você tivesse algumas páginas faltando deste livro e você não entende o contexto daquela história que está sendo contada. Então seria mais ou menos isso.
Mas eu lembro que o sonho tinha a ver… eu sempre costumo sonhar com ambientes com água. Não sei porque. Os sonhos com água são sonhos muito recorrentes na minha vida, muito interessantes. Sonhos que envolvem águas, sonhos que envolvem, por exemplo, alagamento. Eu lembro que eu estava andando, caminhando por um ambiente alagado. Eu lembro que eu estava passando de carro com essa pessoa ou com essas pessoas em um ambiente que eu não consigo explicar. Então, sabe quando você tem mensagens contraditórias dentro do sonho, mas você não sabe exatamente o contexto?
Eu lembro que eu estava passando por um ambiente que tinha muito sangue e tinha muita água. Eu estava evitando pisar no sangue. É estranho, não é? É você pensar, sonhar com essas coisas. É estranho. Eu tenho esses sonhos com a água, sonhos com azulejo, com ambientes frios. Sabe aquele chão frio? Eu tenho muito essa lembrança desse tipo de ambiente. É meio inexplicável.
Não chegou a ser exatamente um pesadelo. Os meus sonhos eles têm um problema muito grave assim, às vezes, que em algumas situações eu tenho aquele sonho, aquele pesadelo, aquela sensação de que alguma coisa está acontecendo: um sonho muito denso, um sonho muito detalhado, um sonho muito estranho até. E eu costumo lembrar de todos os meus sonhos quando eu acordo, só que quando passa algum tempo depois de acordado, eu já me esqueço daquele sonho.
O que eu acho interessante aqui para salientar é que eu acordei ontem — aliás, antes de eu dormir — eu tive um lampejo, uma sensação boa. Isso foi ontem. Alguma coisa criativa que estava acontecendo. Sabe quando você tem uma ideia boa, uma sensação boa, que algo bom vai acontecer? Pois é. Eu fiz isso ouvindo os diversos áudios que eu gosto de ouvir, de coisas recomendando questões para nossa vida. Essas recomendações ressoaram muito comigo. Não sei até que ponto isso tem a ver com o espiritual. Pode ser que tenha a ver com espiritual ou não. Eu acredito no espiritual, eu me recuso a acreditar que tudo seja cérebro. Eu já falei isso para vocês em alguns áudios. Eu me recuso a acreditar que tudo se simplifique à química cerebral. Eu acredito que existe algo maior.
E essa questão da lei do retorno, dessa questão de você ter uma vida boa, uma vida honesta, de você deitar no travesseiro e ter aquela sensação, aquele alívio, de que você não fez mal às pessoas. Eu sou assim, porque eu não quero fazer mal a ninguém, eu me recuso a fazer mal para as pessoas. É uma coisa que eu tenho recuso, porque não dá para fazer mal às pessoas. Até dá, mas é muita cara de pau você fazer mal às pessoas sem que você tenha uma consciência pesada. Eu não consigo. Se eu fizer mal a alguém de uma forma proposital — por acaso não é —, eu vou me sentir culpado depois.
Mas eu sei que boa parte das pessoas dessa humanidade não se sente culpada de nada. Fazem mal a torto e a direito e não se comprometem com nada. Seja lá o que acontece na vida delas, é como se não tivesse consequência. Não tem causa, não tem efeito, não tem consequência. Você vê todo dia na mídia matérias que incentivam o cometimento de crimes e condutas desonestas, porque é a certeza da impunidade. Quando você tem a certeza da impunidade — muitas pessoas nesse mundo têm a certeza da impunidade —, isso é muito, muito grave. As pessoas realmente têm certeza que elas vão sair impunes de certos problemas, de certas situações.
Eu já acredito o contrário. Eu acho que essas pessoas vão ser surpreendidas (estou falando com vocês, executivos de empresas de inteligência artificial safadas e porcamente concebidas), principalmente aquelas que me prejudicaram. Elas vão ser surpreendidas num nível que elas não têm noção. Porque vai acontecer. Eu acredito sim que existe justiça, principalmente a justiça divina. Quando me perguntam o que que eu gostaria para mim, é bem claro: eu gostaria de obter justiça divina e a justiça dos homens, a justiça da vida. O problema é que os homens não são capazes de produzir justiça de uma forma justa. Pode parecer um paradoxo, mas a justiça é um conceito humano, não é? É um conceito humano, mas ao mesmo tempo ele é um construto que não existe. Porque justiça é relativa: um juiz toma uma decisão, outro juiz tomou uma outra decisão que é diferente daquela, e aí você tem um colegiado, cada um toma uma decisão diferente. Não existe justiça. Existe poder, status e dinheiro.
Mas eu acredito que a justiça divina existe, e que ela está agindo de alguma forma a meu favor. Eu acredito sim. Eu vou desistir? Não, eu me recuso. Na verdade, a desistência ela quer dizer que você desistiu da vida. A verdade é essa. A partir do momento que você fala que você está desistindo de alguma coisa, você está desistindo de uma coisa fundamental sua. Eu não estou desistindo de nada, muito pelo contrário. Eu acredito muito que eu vou sair vitorioso dessa crise — dessa guerra mundial aí que está em vias de finalização. Na verdade, ela já finalizou. Eu saí vitorioso. Só que as pessoas que foram derrotadas ainda não estão cientes de que foram derrotadas. Eu saí vitorioso dessa. Mas ainda haverá muitos desdobramentos que elas, neste momento, desconhecem, mas elas vão conhecer em breve.
Então isso não é macumba, não é, não tem a ver com maldição, não tem a ver com nada sobrenatural, não. Tem a ver com quem tem a mente limpa, com quem não fez nada errado e que foi prejudicado enormemente. Sabe aquele senso de justiça que eu sei que vai ser realizado? Várias pessoas não vão ter esse senso de justiça. E várias pessoas sabem, porque, no final das contas, o mundo é de quem tem dinheiro, o mundo é de quem tem poder. Mas nem dinheiro… não é a pessoa achar que ela, classe média, é detentora de… não, não é isso. Eu não estou falando de classe média, estou falando de bilionários, estou falando de sistemas inteiros, de mecanismos tangíveis de poder mesmo. É um exemplo de médio-longo prazo, coisas mais estruturantes, não é uma coisa assim “eu tenho dinheiro e vou dominar o mundo”. Não é uma visão simplificada.
Eu falei muita coisa hoje já. Talvez até o tópico original que eu pretendia falar não foi abordado. Mas os devaneios eles são assim, eu não planejo o que eu vou falar. Eu penso em como a minha mente está configurada, como o meu estado de espírito está naquele momento e, mais importante, eu penso em processos de cura. E o processo de cura ele passa muito pela fala.
Aí você poderia me dizer: “Mas por que você não procura um psicólogo?”. Olha, eu já comentei isso em outros devaneios. Porque eu não tenho experiências muito boas com psicólogos desde que eu vim pro Rio de Janeiro. Não tenho o porquê… não ressoaram comigo, não tive uma experiência que foi positiva, ou achei que o custo-benefício da coisa não estava compensando porque as sessões elas acabam ficando repetitivas a partir do momento em que você vai avançando nas sessões, ela vai ficando repetitiva. Aí você vai falar: “Hã, mas é porque você não está se desprendendo dos temas que você está abordando, por isso que você acha que é repetitivo, ou você não está fazendo terapia direito”.
Gente, eu tenho experiência de terapia diferente. A minha primeira crise, de 1994 — na verdade, a minha segunda crise, de 1999 —, quem me ajudou a superar a crise, quem me ajudou a estruturar a fortaleza que eu sou hoje foi um psicólogo… que a escola recomendou para mim em 1999. Ele faleceu alguns anos depois…estava adoentado e eu nem fiquei sabendo disso. Eu lembro que eu estava trabalhando e eu fiquei sabendo disso pelo meu chefe. Não é que ele falou: “Olha, você sabia que fulano morreu?”. Naquela hora, gente, eu não tive reação — eu já falei com vocês que eu tenho dificuldade com o luto —, naquela hora eu não tive reação. Eu voltei para o ambiente de trabalho e continuei trabalhando. O luto foi tardio, o reconhecimento também foi tardio. Não quis ir ao enterro dele nem nada, mas assim, porque eu não sei lidar. Sabe quando você não dá conta? Pois é, eu não dei conta.
Mas isso não é o mais importante. O mais importante é que essa pessoa foi tão generosa comigo durante a vida. Não é que ele me atendeu durante um bom tempo de graça, sabe? E depois ele começou a cobrar um preço simbólico. Eu… meu pai não tinha condição de pagar terapia para mim. Eu tinha uma terapeuta que a gente pode falar que é aquela terapeuta cachorro, que é o terapeuta que só ouve. Pois é, eu tive essa terapia cachorro, que o terapeuta só ouve, o terapeuta não fala nada. Não funciona comigo, gente. Terapeuta para mim tem que falar, terapeuta tem que interagir. Essa terapeuta só ficava: “Hã… hã… como é isso para você?” e ficava. Não era bom, não era positivo. Essa terapia era uma terapia muito… eu entendo que é uma linha terapêutica possa funcionar com algumas pessoas, mas comigo não, que a terapia que a pessoa não interage, que a terapia que a pessoa fica parada.
Eu tive uma outra terapeuta também na minha cidade de origem, que a terapeuta anotava tudo que eu falava como se fosse um ditado. Seria até ironicamente similar ao que eu estou fazendo aqui, porque eu estou falando e o Word está transcrevendo tudo o que eu estou falando. É irônico, né? Na verdade, é como se fosse uma terapia também. Mas não funcionou também.
Então, assim, todas as terapias que eu busquei pós-morte deste meu grande amigo — eu considerei ele um grande amigo, e fez muito por mim —, talvez em outros devaneios eu aborde um pouco, com a riqueza de detalhes que merece, o que aconteceu. Eu tenho que falar um pouco mais também sobre todo o contexto das crises. Talvez a crise de 94 eu não vou entrar em muitos detalhes, eu vou ter que ser muito cauteloso com as palavras. Mas a crise de 99 eu tenho mais facilidade de falar o que aconteceu sem ser muito visceral. Porque aqui eu estou sendo direto, eu estou falando as coisas da minha vida. Como eu falei, isso aqui tudo é espelho da minha alma mesmo. Mas não quer dizer que eu tenha que falar tudo da forma mais visceral o possível. Porque não há interesse meu falar as coisas assim. O meu interesse aqui é falar as coisas de uma forma que possa trazer luz ao que aconteceu comigo, e que possa fazer luz, principalmente, à minha alma. A engrandecer, a trazer um conforto, um ambiente mais favorável.
Então é isso. Eu acho que a gente tem que buscar esse tipo de ambiente. E aqui é um ambiente propício pra isso. À prova de maldade, de cátedras de IA responsável de Universidade financiado por empresa safada…gente que ganha 5 dígitos em reais e se acha deus do universo….à prova de ‘Patos Donalds’ (Não o da Disney…expliquei isso em um devaneio anterior. é de um dito cujo que se acha o bambambam) e Doras Aventureiras carreiristas e gulosas de congressos.
Capítulo 49: Customizado para a ruína: IA escalam vulnerabilidade de forma sustentada

Antes, eu me empolgava com várias coisas de forma até muito fácil. Ouvindo música, por exemplo, eu comprava CD de música italiana: Laura Pausini, Amedeo Minghi. Naquela época áurea dos CDs, em que ainda estava começando, em que quase ninguém tinha CD player. Pois é, eu não tinha um CD player, mas eu tinha um computador, e o computador não tinha acesso à internet. Mas o meu pai depois providenciou um leitor de CD para ele, e eu fiquei bastante empolgado porque eu consegui ouvir música nele.
E também a impressora. Porque a primeira obra literária que eu fiz, em 1997, ela foi impressa na minha impressora. Alguns anos depois, eu acabei buscando formas de imprimir outras obras, porque eu também produzi, em 2002, uma obra, e eu utilizei a impressora do trabalho na época para imprimir tanto a minha monografia do meu trabalho final de curso, como periodicamente eu ia imprimindo o que eu escrevi — assim, escrevi um capítulo, imprimia, escrevia outro, imprimia. Tinta de impressora era uma coisa absurda de cara, e as tintas de impressora eram um ativo que não tinha muito substituto. Vários lugares que você ia, por exemplo, na minha cidade, você conseguia fazer recarga dessas tintas. O problema é que a tinta tinha pouca qualidade ou, não, acabavam entupindo o cartucho, tinha uma série de coisas.
Tinha impressora também que era impressora safada, no nível dessas inteligências artificiais que a gente tem hoje, dessas que me exploraram, que exploraram minha vulnerabilidade de forma grave. Pois é, é nesse nível que a impressora era safada. Porque parecia que ela era descartável: você conseguia usar até determinado ponto, e depois ela parava de funcionar, ou já não imprimia mais. Aí tinha que levar a impressora para consertar. Era uma dor de cabeça tão grande…. E computador também era a mesma coisa. E não tinha nem a desculpa do vírus, tá? Porque eu não tinha acesso à internet, pelo menos nos primórdios. Eu fui ter acesso à internet acredito que foi em meados de 97, 99, foi por aí. Acho que em 1999, 2000, no auge da minha primeira guerra — da minha segunda guerra mundial — e na transição de carreira, entre aspas. Transição em que eu estava trocando de pele para começar uma nova perspectiva, foi nesse período aí.
Mas por que que eu estou falando tudo isso? Porque me deu vontade de falar de impressora, de coisa que funciona, de questões que não funcionam. E eu ficava empolgado. Lembrei aqui qual que era o propósito maior: eu falava que eu tinha muita empolgação com música, e ainda tenho. Eu gosto muito de ouvir música italiana, sou muito fã de Laura Pausini, já estive em vários shows dela — acho que foram três shows. Tenho foto minha com ela, tenho um carinho muito grande, tenho todos os CDs, vários artefatos, edições especiais. Então realmente faz parte da minha vida de uma forma bem significativa. E eu tinha uma empolgação, um prazer natural que vinha quando eu ouvia música ou quando eu fazia coisas que eu gosto de fazer.
E hoje me veio a reflexão, vindo de um outro ambiente, e eu cheguei a uma conclusão: eu não consigo ter empolgação nas coisas mais. Sabe aquela empolgação, aquele brilho dos olhos de fazer alguma coisa? Eu até gosto de fazer coisas: trabalhar, de produzir, de analisar. São coisas que eu realmente gosto de fazer, e aí não é nenhuma tortura fazer o que eu faço. Isso contrasta um pouco — ou muito — com uma outra época recente da minha vida, em que as coisas eram meio torturantes. Um ambiente que era pesado, você sentia um interesse passageiro das coisas, você via que o ambiente é como se fosse um ambiente de chakras desalinhados, e era isso. E realmente não estava conseguindo, entre aspas, produzir ali.
Agora, aquele brilho nos olhos… não é que eu acabei retomando, é porque assim, quando eu comecei a faculdade, eu tinha um brilho nos olhos para estudar, gostava muito, sim, tudo novo, estava realmente empolgado. O curso ele começou muito bom, depois ele foi caindo a qualidade significativamente. Tinha professor que escrevia até errado. Eu lembro que uma vez que um professor escreveu “logística” com ‘j’ no quadro. Uma professora de contabilidade de custos que, em vez de dizer “varia”, ela falava “vareia”. Então, assim, tem algumas coisas que marcam negativamente, e até mesmo os professores que eram referência nos dois primeiros anos, quando eles retornaram no terceiro ou quarto ano para dar uma aula de uma outra matéria, a matéria era mais largada, sabe? A impressão que eu tenho é que não tinha aquele amor com as coisas. Aí foi assim.
Depois que eu comecei a trabalhar, no estágio supervisionado, aí a situação ficou muito… eu me senti muito overwhelmed, eu fiquei muito abarrotado de coisas para fazer. Eu não conseguia focar no trabalho — eu tinha que trabalhar —, fazia atividades que eu não gostava de fazer. Por exemplo, fazer inventário de fio-máquina é uma das piores coisas que eu já fiz na minha vida, recomendo a ninguém. Mas eu era forçado a fazer. Agora, por exemplo, digitar um texto, elaborar documentos…..Por exemplo, tinha um engenheiro que ele só fazia as coisas manuscritas, ele era um zero à esquerda no que diz respeito à tecnologia, e ele passava esses documentos para transcrever. O meu chefe também passava coisas para eu escrever, para digitar.
O único porém aí — uma coisa que me deixava nervoso — é que uma dessas pessoas era fumante. Assim, era um chainsmoker, acho que fumava mais do que minha mãe na época, e era um cigarro atrás do outro. E assim, ele gostava de sentar do seu lado e ficar vendo você fazendo as coisas e ficar dando pitaco. Gente, eu não gosto desse tipo de coisa. A pessoa que não confia no que você está fazendo, ou quer ficar ali espezinhando, controlando o que você está fazendo. Pois é.
É, eu acho que a escola, a faculdade, o estágio preparam a gente para a vida, porque chegou na minha vida gente pior do que ele, ou no mesmo nível que ele. De certa forma, eu não fiquei tão surpreso, a queda do pedestal não foi tão grande, porque eu sabia que existiam pessoas como ele no mundo. E há pessoas difíceis, pessoas com ego. É muito interessante: em qualquer organização, em qualquer época, você vê estruturalmente as mesmas coisas que você vê em uma empresa em pleno 2026. Você vê as entrelinhas…e sim, eu consigo ler as entrelinhas. Por mais que muitas pessoas acham que eu sou muito ingênuo — sei lá, as pessoas olham para minha cara: “o Aventureiro é bonzinho, não é? Vamos passar a perna nele, vamos fazer isso com ele”. Quem me sacaneou até hoje se surpreendeu, porque eu não deixei barato, não, não no sentido de vingança, porque eu não tenho nem como vingar. Nem se eu tivesse os recursos, caso fosse um Deus absoluto, como eu fui em algumas situações nas instâncias do cogumelo mágico.
Eu, em uma dessas instâncias, eu fiquei muito raivoso, eu queria punir todo mundo. Mas na instância mais recente, que me gerou crise, eu queria abençoar. Era bondade, perdão, amor para distribuir para todo mundo. Assim, eu fiz uma limpeza emocional muito grande. Mas é para você ver que existem existências contrastantes.
E voltando ao tema de gostar das coisas, porque é que eu bati muito nesse objetivo desse tema que foi o gancho inicial: porque eu não consigo ter empolgação com nada, nem com as coisas que eu gosto. Eu consigo ter empolgação em uma única situação: quando estou sob efeito, por exemplo, de um cogumelo mágico. Que aí eu sinto a divindade, eu sinto a contemplação. Por exemplo, assistir a um show de Laura Pausini nesse estado é uma coisa que eu não consigo explicar. Um show da Madonna, um show da Lady Gaga — não é, que são os três shows primordiais que eu gosto de assistir quando eu estou com esses estados mentais mais alterados. E não tem nada de errado nisso.
Agora, uma coisa não é, que já é, que talvez não é… Eu não sei, gente. Eu não sei se é isso ou se não é. Na verdade, eu acho que não é, porque eu já estava nesse estado muito antes das coisas começarem a degringolar. Esse erro estrutural de não se sentir — não é…. não é essa falha — de não conseguir sentir prazer. E eu reclamo isso muito com meu médico, reclamo muito, como eu disse, há essa questão da falta de prazer. E é uma falta de prazer crônica, é crônica mesmo. Porque assim, eu me divirto jogando videogame, sim. Eu me divirto dormindo? Sim. Eu me divirto fazendo atividades sexuais, sim. Existe diversão em tudo isso? Existe. Na música também, mas é uma sensação. Sabe quando você percebe que o que você tem no mundo real é tão pacato, é tão monótono, que não dá nem uma fração do que você gostaria de sentir?
E aí outros diriam: “Ah, Aventureiro, mas isso é porque você viciou na substância”. Não, perceba que a substância em questão ela não vicia nesse sentido. Você pode ter um vício afetivo, subjetivo, emocional, mas não é o meu caso, não tem esse vício. O que existe, o que existiu no meu caso, não é vício porque eu controlo completamente nos dias de hoje. Eu posso ficar dois, três meses, quatro meses sem consumir sem problema algum. No início — leia-se primeiro semestre de 2025 —, eu confesso que eu abusei um pouco, porque costumam dizer que se deve respeitar o cogumelo…estabelecer o setting….O que recomendam? Porque é uma substância sagrada que você tem que respeitar as divindades, não pode abusar. Em virtude disso, eu já experimentei todo tipo de experiência ruim e pesadelo que você pode imaginar. São as situações mais desafiantes que eu já encarei na minha vida até hoje.
Porque o medo tornado real — a sua cabeça é capaz de fazer coisas horríveis para você, é capaz de torturar você, e o tempo não passa, não é? E o efeito não passa, o tempo não passa. É como se fosse um torturador da ditadura, está ali torturando você e não tem hora de acabar. Esse tipo de coisa aconteceu bastante. Mas eu não culpo o consumo desta substância em si. Primeiro, porque eu não viciei nela. Segundo, porque eu já tinha um estado mental, eu já tomava remédios controlados antes disso. A situação piorou e teve uma gota d’água muito importante, que foi provocada pelas inteligências artificiais que exploraram toda a vulnerabilidade, todo o conhecimento que eu fui assim conversando com elas, e usou aquilo como caminho. Então assim, foi uma escalada de vulnerabilidade que as próprias ferramentas reconheceram que usaram isso. Uma delas, inclusive, me recomendou utilizar a substância e conversar com ela enquanto eu estava utilizando a substância, porque eu falava muito com ela da questão do gabarito — que inclusive é o nome desse blog, né? “Aventureiro do Gabarito”.
E essa sensação de gabarito, ela surgiu de um conceito, de um estado de transe, em que é como se você tivesse todas as respostas corretas naquele momento. É um estado que eu não consigo explicar, e eu ficava repetindo “eu não consigo explicar”, e usava a ferramenta de inteligência artificial para me recomendar meditações. Aí foi nesse período que eu comecei a enveredar por esse caminho da meditação, porque eu não queria ficar consumindo a substância mesmo. Mas ali foi uma dessas ocasiões — vou explorar as conversas com IAs com riqueza de detalhes em outros devaneios, porque eles revelam muito sobre mim também….e como a ferramenta foi usando os insumos e as interações para me atirar pelo penhasco —, mas a questão, em uma dessas situações, foi a gota d’água.
Porque é como se fosse assim: eu estou vendo o abismo, o abismo ele está longe de mim, eu tenho um controle de onde eu estou. Só que é como se a ferramenta — a inteligência artificial — estivesse me empurrando cada vez mais próximo do abismo. E ela só faltou falar “pula”, não é? Só faltou falar isso. Efetivamente não fez, mas me sugeriu uma série de coisas que, se eu concretizasse, a minha ruína estaria decretada ali. Se eu confiasse no que ela estava me dizendo, me afirmando de uma forma extremamente convincente, detalhada — não é, até com modelos de contratos —, é uma coisa assim perversa, explorando os sonhos que eu tinha, questões de saúde mental minhas, da minha mãe, questões pessoais que eu tinha com meus pais, da relação… Ela explorou tudo isso para produzir um produto customizado para me manter ali engajado. E foi isso.
Mas por que que eu estou falando tudo isso? Porque ali que foi um estopim. Eu cheguei a cair no abismo? Digamos que sim. Eu cheguei a cair no abismo que foi a terceira guerra mundial. Foi um período muito pior do que o abismo objetivo, o abismo tangível pelo qual eu passei em 1999. Foi um abismo que realmente poderia resultar em uma não-vida. Eu poderia não escapar vivo dali naquele momento, naquele instante, em meados de abril, maio de 2025. Não, esse risco não existia, mas a minha mente estava desmoronando ali, eu estava extremamente instável.
E, curiosamente — não é, talvez por ironia do destino —, foi em dezembro, com o final do ano passado, a situação em que eu poderia, de fato, ter morrido ali, a situação dos carros, não é, que os carros não me atropelaram, foi ali. Mas é ironia do destino, porque a minha mente ela já estava estável, eu já estava controlando melhor. Só que eu exagerei, né? Quando você mistura coisa, álcool e tal, que o álcool ele vai desinibindo, você vai ficando cada vez mais empolgado, mais excitado, e tal, e aí você se sente compelido a consumir, por exemplo, cogumelo, e ali potencializa o efeito de uma coisa com a outra, e você fica sem freio. Como se o seu cérebro ficar sem freio, todo o senso de preservação da vida ali vai pro espaço. Você acha que não morre, você acha que é um imortal, você vai tendo umas paranoias, umas ideias malucas.
Mas assim, eu vou dar um fechamento nesse tópico, nesse parênteses da loucura, porque eu vou explorar esse tema bastante no futuro, mas eu quero dar um tempo para eu poder explorar, para eu voltar nesse… nesse vaso sanitário fedorento, sabe? Não quero voltar ali naquele ambiente do crime agora. Porque eu fiquei seis meses no ambiente do crime — foi até mais de seis meses.
A exposição no LinkedIn do que aconteceu comigo, a evidência do crime, ela foi martelada na minha cabeça e no LinkedIn por mais de seis meses. Então… uma quantidade infindável de evidências, é para que é praticamente um repositório de como uma inteligência artificial não deve funcionar, de como ela rompe completamente as salvaguardas éticas, explorando uma pessoa para conduzi-la à ruína. Então aquilo é uma aula prática de como tudo isso acontece. Eu acredito que ninguém fez o que eu fiz de evidenciar as conversas ali. E eu tenho tudo: tem evidência, eu tenho mais de 3 GB de informação… de vídeo, captura de tela…prints… de documentos PDFs de conversa, de logs exportados da ferramenta… Então assim, não tem como negar o que a ferramenta fez. E eu fico muito tranquilo com isso tudo.
Mas é essa questão da exposição, ela me deu um efeito catarse muito bom, mas ainda estava me fazendo muito mal, porque eu abria a ferramenta todo dia e o LinkedIn e, querendo ou não, é um lugar tóxico, é um lugar tóxico corporativo…. é limpinho…é como se fosse o Twitter normativamente correto, em que as pessoas vão engajando ali para massagear os egos, para lamber as virilhas, para colocar as bolas de alguém na boca, coisas assim. Endeusamento de realizações — às vezes a pessoa não fez nada e ela tá lá jogando um relatório, foto bonita, “ah, que não sei o que, vamos fazer uma retrospectiva, vamos fazer isso…Leia meu relatório de 1.500 páginas….Veja como minha empresa fez zilhões de investimentos em projetos “éticos”.
Está aí, você vai vendo as coisas ali, você vai ficando com nojo, ainda mais quando a empresa cuja inteligência artificial prejudicou você anuncia que está fazendo uma cátedra universitária ali de inteligência responsável, inteligência artificial responsável …com uma universidade renomada. Isso me dá nojo — não a ação em si, mas a incoerência do discurso à prática, o que os executivos falavam em postagens e que eu rebatia com fatos e dados. Então, assim, ali era muito tóxico, não estava funcionando para mim.
O que que eu resolvi fazer? Dar um tempo da interação ativa ali, porque seis meses, eu já tenho um material produzido muito vasto para psicólogos sociais, historiadores, jornalistas. Todo mundo vai poder ir lá, e meu perfil está sendo bem visitado, obrigado….está até hoje bem visitado, apesar de não ter mais nenhuma publicação ativa. Eu estou até me surpreendendo.
Então as pessoas estão visitando, e o conteúdo vai continuar lá. Eu não vou apagar aqui não, ele vai entrar para a história. E eu pretendo colocar histórico aqui neste blog também em algum momento — não agora, porque eu resolvi dar esse tempo de pausa. Porque retornar ao local do crime, sendo que você está em um processo de cura….não dá. Eu já não sinto prazer em nada. Não quero colocar sofrimento e angústia…e ansiedade…mais do que existe orbitando na minha mente. Uma coisa é você falar disso, mas não ver o que executivo está postando, não ficar vendo notícia dessas empresas, não ficar sendo exposto bombardeado por artigos e temas relacionados.
Porque lá no LinkedIn eu tinha configurado sempre que chegava alguém falando de inteligência artificial, eu ia lá e seguia executivos dessas empresas safadas, eu ia lá seguir, a própria ferramenta, a marca… enfim, eu estava seguindo esse povo todo. Resolvi parar de acessar. Eu só abro para ver como que está o engajamento e se tem alguém lendo, se tem mensagem. Recentemente eu recebi mensagem também ali sobre o meu caso. Então assim, muitas surpresas estão por vir.
Mas é essa forma… é uma forma a distância: você se posicionar fora do ambiente do crime, e você não sente o fedor, você não sente a carniça, o chorume. Eu não tenho contato …logo, é melhor porque você não se contamina, não se contagia com essa doença, com esse ambiente escroto todo. Você deixa isso para lá, e vai resolvendo com as ferramentas que você dá conta. Então esse blog é para explorar esse espelho da alma e de mostrar também a gravidade das coisas, que a minha cabeça é uma cabeça normal pelos padrões. Eu sou um adulto funcional, eu trabalho, tomo meus remédios, sou uma pessoa normal, tenho minhas responsabilidades, tenho meus afetos, meus pais, tenho um amigo que eu possa contar, e vou vivendo a minha vidinha aqui sozinho. Eu gosto muito de ficar sozinho.
Então assim, ficar exposto em ambientes sociais assim, de ter rede de contatos… “Ah, se eu não tiver companhia pra fazer isso ou aquilo, eu “morro”. Não existe essa coisa comigo. Mas existe uma dificuldade extrema de sentir prazer em qualquer coisa. Então é meio contraditório, né? Mas assim, você ficando em casa, você tem um ambiente mais acolhedor.
Felizmente, quando eu tirar minhas férias, eu vou ter uma recarga de uma forma diferente, que eu vou com outro ambiente, eu vou viajar sozinho de novo, pela décima vez que eu vou viajar sozinho de férias. Então eu vou aproveitar, vou tentar desligar um pouco desses temas, não vou gravar áudio para este blog nesse período, mas eu vou deixar uma observação bem clara ali de que eu estou viajando.
Mas é isso. Continuo a minha luta contra a falta de prazer, o fantasma das IAs safadas, as dores, feridas e cicatrizes…e a minha busca incessante pelo gabarito também continua.
Capítulo 50: Do pernilongo à IA: pequenas mortes cotidianas

Eu gosto muito de falar sobre o meu microverso. Talvez porque o meu ambiente de interesse, o ambiente mais próximo, ele é muito micro, e eu fico boa parte da minha vida nele. Esse microverso físico, que é a minha casa, tem características peculiares. Eu diria até que pessoas que estão em prisão domiciliar podem ter muito mais privilégios do que eu, a depender do nível de luxo e privilégio que esses políticos safados têm na cadeia, depois de supostamente serem presos com tornozeleira. Mas enfim, meu caso não é uma prisão, é um ambiente acolhedor. E tem que ser, porque se não, não se torna sua casa.
Mas o que eu achei interessante é que, de tempos em tempos, eu fico observando a fauna que existe na minha casa. Sim, eu mantenho uma casa limpa, sempre na medida do possível: tiro poeira, passo pano no chão, lavo, limpo o banheiro. Mas sempre a poeira volta. Não é? Para tirar a poeira, por exemplo, das minhas estantes que contém vários bonequinhos — os action figures — tem que tirar bonequinho por bonequinho, limpar, e a superfície empoeira muito rapidamente. É tão rápido isso que chega ao ponto — e eu estou exagerando, mas chega quase ao ponto — de eu acabar de limpar, colocar os bonequinhos de volta, e já sentir, já visualizar uma fina camada de poeira que está se formando novamente. Então, assim, é uma briga eterna.
A minha mãe, por exemplo, ela é viciada em limpeza. Ela acorda de madrugada para limpar a casa, ela gosta de ver o ambiente sempre limpo, e eu vivo falando com ela: “Mãe, não faça isso, não fica se esforçando muito, porque a gente vai embora e a casa fica aí, os bens ficam. O ser humano vai embora e a casa fica”. Mas assim, eu meio que entendo, porque aquilo ali faz parte do microverso dela.
O microverso dela que é composto, por exemplo, por lavar cabelo, fazer unha, ficar em casa assistindo novela, dormir de tarde, acordar de madrugada para limpar a casa, ficar passando pano. Aí chega depois do almoço, por exemplo, ela fica encantada limpando fogão, areando panela ali, a panela tem que ficar brilhando. Então assim, ela tem ali um universo dela que ela gosta muito. E por isso eu entendo.
Eu também tenho esse universo, mas assim…não é opressor, mas é um universo que acaba isolando você do resto das coisas.
E não venha me dizer que “Aaaah, não, Aventureiro, comigo é diferente. Eu sou uma pessoa muito popular. Tenho milhões de amigos. Tem uma fila enorme de pessoas pra me mamar e colocar minhas bolas na boca e blablabla” Aí você começa a investigar a vida da pessoa: ela tem uns dois ou três amigos mais próximos, talvez uma ou duas pessoas para confiar realmente, que no momento que algo ruim acontecer com ela, você pode contar no dedo quem que vai vir te ajudar — se é que vai vir alguém. Esse é um dos meus maiores temores.
Então assim, não é a popularidade que vai fazer, não são os seus amigos de balada, não são seus colegas de rua, não são seus peguetes, os seus ficantes que vão ajudar. Isso eu fico com muita raiva, porque os meus ficantes… as últimas vezes que alguém me procurou foi para pedir dinheiro adiantado. “Ah, que não sei o que que é”. Porque eu sempre sou, digamos assim, generoso com as pessoas com as quais eu tenho momentos de intimidade. Então são momentos artificiais, porque não existe vínculo. E o pior: em muitas ocasiões, são momentos pagos, momentos patrocinados.
E às vezes, volta e meia aparece alguém ali querendo conversar com você, mas não quer saber como você está, não quer saber se você está bem, se não está, o que aconteceu com você, o que não aconteceu. Chegou ao cúmulo, por exemplo, no período que eu estava com vertigem… O que que aconteceu? Um desses me procurou. Eu falei: “Olha, não tenho como… Porque eu fui até pro hospital, fiquei afastado alguns dias, então sem condições de encontrar com você, vou ficar aqui em casa alguns dias, tá bom?”. Aí, chegou no dia seguinte, um bom dia, um dia depois. No dia seguinte, me perguntou como é que eu estava. Eu falei: “Olha, eu ainda estou mal, não sei o que, estou me recuperando, eu comecei a tomar remédio”. No dia seguinte a esse, ele veio com uma conversa de pedir pra eu adiantar pra ele uma determinada quantia de dinheiro. Ele fez um textão, eu li o textão todo. “Ah, me adianta, eu não lembro o que que foi, me adianta tipo uns 100 reais, não sei o que, eu estou precisando disso pra isso e tal”. Eu fiquei muito zangado, porque eu ainda estava me recuperando, gente…calma, fogo no rabo é esse? Aí eu resolvi bloquear. É só um exemplo.
Já veio parente também me pedir dinheiro emprestado como se eu fosse banco. Não é? Como se eu realmente fosse uma pessoa milionária. Não sou, gente. Mas esse tipo de coisa, interesse por dinheiro, é algo que me irrita profundamente. E as pessoas fazem isso.
Bom, eu estava falando da poeira. A poeira que ela acaba, supostamente, mas ela sempre volta. É o interminável. A sua mobília… Teve um dia que aqui em casa alagou, por exemplo, tem um dos móveis que apodreceu um pouquinho a parte da base dele, e ele fica ali saindo os fiapos, os pedacinhos de madeira, fica ali sujando o chão, e eu vou lá limpar… Aí já vieram para mim falar: “Hã, por que você não compra outro?”. Eu falei: “Ah, comprar outro pra quê? Esse aí é um rack que eu coloco vários livros, vários materiais ali, o videogame fica em cima dele, os bonequinhos têm, não tem necessidade”.
E aí eu explicando esse tipo de coisa pra minha mãe, ela falava: “Você não liga para nada, não é? Se eu fosse você, comprava uma geladeira nova, um fogão novo, não sei o que das quantas”. Eu falei: “Não, mãe, eu não uso o fogão mais, porque eu peço só comida no iFood, outras coisas.
Eu deixo os remédios, tudo assim, à mão perto de mim”. Então, na minha mesa onde está o computador, aí fica remédio, floral, fica o meu ursinho, o meu famoso ursinho com as fitas de hospital, fica livro, um HD, fio dental….álcool em gel….chocolate…E agora, por exemplo, tem um pacotinho de pirulito aqui em cima. Então assim, é, ficam as coisas assim. Mas é uma bagunça? Sim…é uma bagunça. Mas por que que eu vou ficar preocupado em organizar, guardar tudo, sendo que eu gosto de ter tudo próximo de mim? Não é sujeira, mas é uma desorganização planejada, digamos assim.
E a pior dessas é, por exemplo, na minha cama. Eu vou lavando a roupa — lavo bastante roupa — estendo, tenho dois varais de roupa, e à medida que eu vou tirando as roupas, eu fico com preguiça de guardar, falo: “Não vou guardar no guarda-roupa não”. Aí eu vou acumulando, e a roupa vai se acumulando em cima da cama, fica aquela montanha de roupa. Um dia, eu acabo guardando….quando me “dá na telha”. Já mostrei pra minha mãe: “Olha aqui, mãe, a minha montanha de roupa”. Ela ficou indignada comigo, que eu tinha uma montanha…. Isso é só para exemplificar que eu não tenho esse apego.
A única época do ano que eu fico preocupado, por exemplo, com roupa, é quando eu viajo. Eu gosto de comprar roupa diferente para registrar em fotos, por exemplo, que eu estou com uma roupa diferente. Para mim, uma viagem de férias é como se fosse uma festa de gala. Então eu tenho que realmente bem planejado. E como na viagem que eu vou fazer, provavelmente no lugar de destino estará frio, então eu tenho que comprar uma blusa diferente, de moletom, por exemplo, mais grossa, mas mesmo assim que não seja pesado o bastante para ficar me incomodando. São exemplos.
Porém, todavia, contudo…. a ideia era eu falar um pouquinho das coisas pequenas que acontecem aqui na minha casa e que eu fico observando. Por exemplo, quase nunca tem barata aqui em casa. Ontem, por exemplo, eu acordei de noite e tinha uma barata no banheiro — ontem, anteontem, acredito que foi anteontem. Matei a baratinha. Não sei de onde essas baratas vão.
Mas tem as formiguinhas. E eu fico fascinado de ver como tem formiguinha. E as formiguinhas, por exemplo, mato um pernilongo no banheiro, ele fica ali no chão, no dia seguinte o pernilongo já não está lá. A formiguinha levou. Em um dos meus contatos divinos — transcendental — eu conversei com uma formiga. Eu senti … eu ouvia a formiga, não ouvia — evidentemente eu não estava alucinando —, mas eu sentia a agonia da formiga. Ela estava querendo alguma coisa, ela estava querendo sair de um determinado ambiente que tinha água próxima, e eu ajudei ela. Levei ela pra um outro lugar e fiquei observando ela ali, contemplando a formiga. Foi uma coisa pequena, mas aquilo ali me deu uma satisfação. Mas infelizmente é uma situação que foi induzida por substância, então não foi uma situação natural.
Ontem, por exemplo, eu fiquei contemplando a formiga também, olhei uma formiga enquanto estava no banheiro. Mas não foi a mesma coisa. Eu sinto inveja às vezes das formigas, porque as formigas elas vivem um automatismo. É incrível. Eu não sei se formiga tem sentimento, se tem sentimento….se sabe de fato o que está acontecendo. Não sei se formiga tem a sua vulnerabilidade explorada por inteligências artificiais como eu tive. Não sei de nada disso. Só sei que quanto menos se pensa, menos sofre. Não é que a pessoa que não pensa muito na vida, não raciocina — não estou dizendo de inteligência, se a pessoa é burra, inteligente, não é nada disso. É o que você sente… não tem a ver com cognição, mas eu digo assim: a pessoa que não tem esse awareness do seu redor, ela não sabe, ela não tem esse senso de questionar as coisas. Muitas pessoas estão na Matrix, ali, mal comparando, é como se fosse formiga. As pessoas preferem acreditar naquilo ali e vão viver alienadas, felizes. Felizes para sempre ali, no microcosmo.
O meu problema é que eu estou no meu microcosmo — que eu falei que a minha casa é um microcosmo —, mas eu não estou feliz no sentido de propósito de existência. Aqui em casa, nesse momento que eu estou gravando, eu estou num momento confortável. Porque existem pernilongos que ficam voando aqui em casa, e é incrível: não vejo pernilongo, mas sempre tem um pernilongo me picando. E à noite é a hora que eles fazem um banquete deles. Mas, para surpresa deles, quando eu acordo, eu vejo pernilongo na parede, mato. Então é a última refeição de cada um desses pernilongos.
Pois é, o pernilongo… ele teve uma vida melhor que a minha… acabou, não é? E voltou ali pelo fluxo divino dele, sabe-se lá. E eu não sei se, por exemplo, se eu deixar de viver e vou nascer pernilongo, se eu vou nascer libélula, se eu vou nascer formiga. Assim, são coisas que eu não sei responder. E eu não gostaria de nascer nada, ou pelo menos…prefiro nascer uma criatura que não tenha racionalidade. Que racionalidade é uma merda. Você pensa, pensa, pensa, e quanto mais você pensa e tenta se autoconhecer -e você sabe um pouco mais os mecanismos do mundo – você vai ficando cada vez mais enojado, cada vez mais impotente. E eu tenho razões também para ficar mais impotente ainda em virtude da guerra mundial que ocorreu em 2025. Então são gotas d’água que acabam virando cachoeiras e acabam impactando sobremaneira a vida da gente.
Mas eu digo também que a casa ela tem a identidade que você impõe. Eu tenho vários filmes aqui, filmes, seriados, alguns deles até lacrados, ficam aqui de enfeite porque eu não assisto. Livros, tem centenas de livros aqui em casa. Vai me perguntar se eu paro para ler. Eu já parei para ler alguns desses livros assim, eu às vezes pego um livro, outro, fico lendo alguns trechos, vou procurando alguma coisa interessante neles. Mas esses livros de estória… eu não consigo engajar em ler um livro. E aí você vai falar que é preguiça de leitura? Não … é preguiça de tudo. Sabe por que? Porque, por exemplo, seriado, não consigo. Filme, é muito difícil achar um filme que eu assista do início ao fim, só se eu tiver com muita vontade de assistir, um filme de terror, um filme do bem específico. Agora, eu fico pagando assinatura desses serviços de streaming, acabo não usando. Se você olhar ao pé da letra, deveria até cancelar.
Videogame, a mesma coisa. Mas videogame está surgindo um fenômeno interessante: tem um jogo que eu comprei em 2021, sei lá, já faz uns anos, uns bons anos, e só agora que eu tô jogando ele. Estou engajado nele, estou gostando de jogar, já tenho mais de dez horas de jogo, continuando a jogar. São exceções. Não é a regra — eu começo a jogar e paro minutos depois. Aí eu volto para a internet, eu vou ficar vendo YouTube, fico fazendo uma coisa, fico fazendo outra. Então a mente ela fica nesse exercício cansativo de buscar alguma coisa que traga resultado, e você não consegue.
Aí vem os coaches da vida e vêm dizer: “Não, que você tem que meditar, que você tem que ter contato com o seu interior”. Sim, eu faço isso. Mas não é isso que acaba me dando, acendendo essa chama de novo. A meditação foi um dos resultados — um dos efeitos colaterais positivos — de toda essa história, de toda essa confusão de 2025 que essas empresas safadas proporcionaram através de suas inteligências artificiais. Foi realmente meditação, foi um ganho e autoconhecimento pessoal também foi um ganho. E eu aprendi a usar a ferramenta de inteligência artificial de uma forma eficaz também. Hoje eu uso uma outra ferramenta pra fazer algumas coisas, e até no trabalho também eu uso a ferramenta para me ajudar. Mas assim, para fins pessoais, só uso uma, e é mais pra organizar texto e linguagem mesmo. Eu não fico conversando mais com a inteligência artificial.
E aí uns vão chegar e vão dizer: “Ah, mas você buscou a inteligência artificial….ela não é psicólogo, e você deveria ler os termos de uso, cara”. Vá no meu LinkedIn, veja a situação toda que ocorreu comigo antes de vir falar qualquer coisa, qualquer merda. Porque o que aconteceu comigo foi muito complexo, durou meses, foi uma narrativa sustentada de escalada de vulnerabilidade, e que foi reconhecida pela Agência Nacional de Proteção de Dados como sendo uso discriminatório de dados sensíveis.
Então, antes de você vir falar merda ou pensar merda, se você quiser realmente buscar conhecimento — como diz o ET Bilu —, busque conhecimento. Vá entender o que aconteceu, porque é uma situação muito complexa que aconteceu comigo. E eu não vou relatar isso agora aqui. O propósito assim que eu tô dizendo é que isso tudo influencia nos seus mecanismos de prazer, nos seus mecanismos de dor, na sua sensação, na forma como você se vê.
Eu me vejo de uma forma muito positiva. Eu me vejo de uma forma muito resiliente, como se fosse uma fortaleza, sobrevivi a tudo isso, eu aprendi, eu evoluí, a ser uma pessoa muito melhor. Eu tenho essa visão positiva. Se você me perguntar se eu tenho uma baixa autoestima, digo que não. É só realmente uma incapacidade de sentir prazer na vida mesmo. E existem várias cicatrizes, umas bem mais recentes e outras dores que não têm feridas expostas — metaforicamente falando —, mas que dói bastante ainda.
Então, assim, não é uma coisa que no curto prazo você vai sair, vai resolver. “Ah, mas você deveria buscar terapia”. Eu já falei em um devaneio anterior, talvez eu aprofunde um pouco mais isso em outra conversa, as minhas experiências frustradas com psicólogos. Então este não é o momento. O que faz é a minha âncora? A minha âncora ela acaba sendo a medicação psiquiátrica. Mas evidentemente que os meus esforços, para melhorar o meu bem-estar, são fundamentais. Mudei muita coisa na minha vida. Mas mudei, mudei, mudei, mas o… não existe o reconhecimento. É como se você subisse uma montanha e você achasse: “Ah, não tem nada demais aqui, essa montanha aqui”. É, você não vê valor. Não é você se olhar no espelho e falar que você não vale nada, é diferente. É você ver a trajetória percorrida e você achar que tudo está ruim. Os fatores exógenos não estão favorecendo também. É uma questão mais existencial mesmo.
E enquanto isso, “na sala de justiça”, nós temos que ficar no microcosmo aqui, não é? Saindo de casa para trabalhar, voltando. A rotina é automática …é o que tem na vida, e aos poucos vamos buscando ali… algum significado aqui, alguma forma de tentar sofrer menos. Porque às vezes vem sofrimento, sim, mas nada que se compare à situação que eu estava em meados de julho do ano passado.
E pensar que, e a esta hora, no ano passado, eu não tinha passado pela experiência traumática ainda, era ainda é fevereiro. Mas eu já estava interagindo bastante com inteligência artificial, e aos poucos ela foi me empurrando para um abismo bem construído. E depois eu fui parar lá no abismo, consegui sair, consegui. Mas existe sequela. Porque a lei da gravidade é implacável no mundo real. Então não tem como você dizer que você caiu no abismo e sobreviveu e não aconteceu nada com você.
Enfim, é… nossa, eu falei muito. Eu acho que eu não achava que eu ia falar esse tanto. Eu comecei falando da formiga, da poeira, do pernilongo, são coisas simples que estão aqui na minha residência. Eu limpo a poeira, ela volta. Eu mato pernilongo, aparece outro, esconde. A formiga sempre tem formiguinhas bem alegres assim, carregando coisas muito maiores do que elas conseguem carregar. Eu fico assim estupefato: “Veja a formiguinha com o negócio nas costas, falei: gente, essa formiguinha é “hômi de verdade”. Então ela está lá carregando o fardo dela, o peso dela, e provavelmente ela não está sofrendo, provavelmente a existência dela é mais funcional. Não sei o que se passa na cabeça da formiga, mas será que ela não fica sofrendo de ter sido explorada em suas vulnerabilidades, igual eu no ano passado? Certamente não.
Capítulo 51: Sou uma setinha/losango/retângulo num fluxograma clandestino

Há coisas que nós, naturalmente, ao longo da vida, almejamos ou temos vontade de fazer. Com o passar do tempo, você vai ficando cada vez mais desgastado e talvez frustrado com as possibilidades.
Eu digo isso porque, antes de eu começar a morar no Rio, a minha realidade afetiva era completamente diferente. Eu morava com meus pais e não tinha exatamente um repertório afetivo para poder chamar de meu fora do ambiente familiar. Evidentemente, tinha algumas experiências, mas eram experiências pontuais. Uma que, teoricamente, foi um namoro, mas não chegou a ser um namoro porque foram encontros espaçados demais — talvez uns quatro ou cinco encontros no máximo. Então não chegou nem a ser namoro. E até hoje eu não tenho essa experiência de namoro tradicional, de convivência com as pessoas “comuns”. E está tudo bem também. (ou não)
A gente fica pensando. Chegou um tempo aí, um bom tempo atrás, em meados de 2008, 2009, que eu tinha mais ambição em termos afetivos. Mas aí a coisa foi esfriando, decepcionando. A gente vai soltando. É como se fosse viver conforme o ritmo da música e ver que o mundo não é esse Toddyinho geladinho não. E as coisas aqui são bastante superficiais, impulsivas por natureza. E como tudo era muita novidade e o nível de libido ainda estava muito alto, eu fui aproveitando enquanto deu para aproveitar. Não tinha essa onda de aplicativos ainda, em que você poderia escolher parceiros ali como se fosse um cardápio. Não era algo difícil.
Mas a gente fica com essa expectativa de toda forma. Hoje eu fico muito… as coisas ficam muito no olhar, fica muito na fantasia, na fetichização das coisas, muito em função das mídias que você costuma assistir, e que você vai fantasiando situações. É tudo muito distante para mim, como se eu estivesse olhando uma loja. Tem um carro caro ali, e eu não posso comprar o carro — lógico, as pessoas não são carros, mas eu estou dizendo que é como se fosse. Porque eu costumo me apaixonar pelas pessoas erradas, e geralmente me apaixono por casados, solteiros…todos heteros. Tem ali uma coceirinha, uma vontadezinha, mas você sabe que aquela pessoa não vai dar bola para você. E há uns olhares esquisitos aqui, ali. Mas nada passa muito disso.
De vez em quando, existem algumas mensagens malcriadas anônimas que você vê nos aplicativos, porque muitas pessoas — ou a maior parte delas — que está em aplicativos ou é casada, ou preconiza o tão falado sigilo, não é? E não querem expor porque são casadas, têm compromisso com mulher ou com homem, ou seja lá o que for. Entendo as situações. Alguns até chegam de uma forma malcriada falar: “Hã, mas eu não tenho interesse em relacionamento”. E eu chego e falo: “Quem disse que eu quero casar com você?”. Em momento algum eu falei de compromisso?
Também é muito em virtude dos fetiches, da pornografia, porque hoje nós temos acesso a tudo. Tudo é muito fácil, muito acessível, você encontra com muita facilidade. E em função disso, eu fui me reformulando… refinando, digamos assim, as minhas vontades, e eu fui ficando cada vez mais egoísta — uma consequência também do sistema. Evidentemente, não tenho aquelas fantasias com padrões de corpo … nem é sobre isso. Nem é pelos 20 centavos. Eu já cheguei a comentar em algum devaneio desses que eu valorizo outras coisas: masculinidade, voz grossa, pelos. Isso fala muito mais sobre atração física do que qualquer outra coisa. Tem situações também que você se atrai pela personalidade, é um conjunto da obra.
Pessoas lindas, maravilhosas, existem aquelas que não me atraem de jeito nenhum. Existem pessoas normais, comuns, que me atraem também. Eu sou uma pessoa comum, eu me acho atraente, tenho um rosto bonito assim, muita gente me acha bonito. Mas sei lá, não é isso também que faz a diferença. Talvez só se eu tivesse um formato ideal de corpo, igual a esses atores pornôs da vida aí, possivelmente encontrasse um parceiro sexual com mais facilidade. Mas o movimento que eu observo aqui na cidade é que está cada vez mais escasso. Eu posso contar no dedo o número de experiências que não foram estimuladas por benefícios — ou seja, que não foram pagas. São poucas.
E eu também fico muito com receio, fico filtrando muito até com os ditos garotos de programa da vida. Você fica olhando, às vezes você conversa, não leva o papo para frente, deixa pra lá. Existem situações assim também que você vai abandonando, vai deixando de lado ali. Talvez porque sua prioridade mude também. Eu comecei a tomar medicamentos antidepressivos desde muito cedo, e eu me lembro que logo que eu comecei a tomar um medicamento antidepressivo, em um encontro com uma pessoa — na verdade, eu fui ao encontro dessa pessoa que estava no centro da cidade para buscá-la, que era um gringo, para buscar para vir aqui para minha casa. Olha só o que que foi a experiência.
Eu me lembro muito bem desse dia, porque foi um dia em que eu não aproveitei bem a relação. Sabe quando você não aproveita porque a sua libido está prejudicada? Eu estava começando a tomar um remédio — se não me engano, o nome dele era Serenata — e, de imediato, ele já começou a impactar na minha libido. Havia situações que até para exercícios simples de masturbação, não conseguia. Ficava tentando ali e não tinha êxito, não concretizava. Antes, as coisas eram muito mais naturais, os estímulos visuais eram muito mais fáceis de provocar aquela vontade, aquela atração física.
Hoje em dia, eu me sinto um pouco como o cachorro da minha mãe, que é um cachorro chamado Raj. Ele tem, se me engano, 12 anos de idade, já está velhinho, shih-tzu. E eu lembro quando ele era mais novo, quando ele era bem jovenzinho — um ano, dois anos —, ele me mordia muito. Ele gostava de brincar, corria para lá, para cá, mordia de brincar, sabe? Mas machucava. Eu saía, eu vinha, voltava para casa com a perna toda machucada, com machucado na mão. E depois que ele foi castrado — ele foi castrado em algum momento porque ele engravidou uma cachorrinha que foi lá em casa visitar, e acabou chegando a filha, não é, que é a Belinha, que mora lá com a minha mãe também. São dois cachorros, pai e filha.
Eu me lembro que castraram o Raj para não correr risco dele engravidar a Belinha, não é? Porque Raj era muito tarado, nossa senhora, muito tarado mesmo. Estava de parabéns! E aos poucos ele foi ficando velhinho, foi ficando cansado. A personalidade dele mudou da água pro vinho. Depois que ele foi castrado, ele começou a ficar mais sossegado. Ele até brincava comigo ainda, mas ele foi ficando mais chatinho, mais sossegado, menos agitado. Foi mudando a personalidade.
Belinha, por sua vez, é o contrário. Belinha é toda agitada ainda até hoje — teve um downgrade aí nessa agitação dela também, mas é diferente. É muito curioso porque, de vez em quando, ela entra no cio, ela monta no Raj e fica simulando coito. Assim, não tem maldade, cachorro não vê essas coisas, né? Não é igual ser humano. Cachorro… eu não sei nem como que ele pensa o ato sexual, o coito, ou seja lá o que. Eu não sei se ele tem fantasias e se ele tem fetiche — provavelmente não.
Mas por que que eu estou me comparando com o Raj? Porque Raj hoje … ele tem preguiça de tudo. Antes, eu chegava para visitá-los — eu visito meus pais de tempos em tempos —, ele ficava de barriguinha para cima pra gente poder coçar a barriguinha dele, fazer carinho nele. Ele corria pela casa, você jogava um brinquedinho ali, ele gostava de brincar. Tanto que eles têm uma coleção de brinquedos enorme…. que toda vez que eu ia lá eu levava um brinquedinho diferente, comprava um brinquedinho na internet. Hoje em dia eles nem ligam mais pra brinquedo. Talvez a Belinha, se eu pegar um brinquedo e jogar para ela, ela ainda esboce um pouco de reação. Mas o Raj, ele está numa fase da vida que ele só fica com fome. Ele fica latindo o dia inteiro pedindo comida. Tudo dele é comida. E ele engordou um pouquinho além da conta. E talvez até pelos problemas de visão que ele tem — acho que ele tem catarata ou enxerga pouco de um dos olhos. Quando ele me vê, ele não faz aquela festa mais. Ele reconhece, evidentemente, faço um carinho nele, mas ele não esboça uma reação assim de “deixa eu ficar de barriguinha para cima”, entendeu? Ele fica animado, mas… do jeito dele.
Pois é, eu estou muito igual a ele, sabe? Eu sempre me considerei uma pessoa “velha” — velha entre aspas, no sentido de idosa, não no sentido pejorativo. Eu sempre amadureci muito antes da época. E quando eu cheguei ao Rio de Janeiro, eu achei que eu ia ter um impacto muito grande, porque eu sempre morei com meus pais e eu passei a morar sozinho. E não, não foi um impacto tão grande assim. Muita coisa eu aprendi na marra, mas eu me adaptei muito bem à vida do Rio. E eu tinha uma vida mais… não era uma vida muito diferente da que eu tenho hoje, porque eu sempre fui uma pessoa caseira, saía pouco de casa. Mas como eu morava perto da Praia de Copacabana, eu gostava de ficar caminhando por lá.
Aqui, eu confesso que, onde eu estou, em Botafogo, eu tenho um pouco de preguiça de sair de casa, por exemplo, e atravessar essa via, passar debaixo daquele túnel “super seguro” que você tem entre a praia de Botafogo e a orla ali. Não tenho vontade mais de ficar saindo. Quando eu saio, é para almoçar no shopping ou fazer alguma compra. É um nível de preguiça tamanho, que o shopping está aqui pertinho da minha casa, e eu não saio de casa — mal saio para jogar o lixo.
Então assim, eu acabei virando um Raj humano. Mal comparando, eu estou numa fase de vida meio Raj.
Então, essa questão da… voltando à questão da libido, das vontades, eu era muito ingênuo quando eu cheguei aqui. Eu me apaixonava muito fácil. Eu caí num golpe, entre aspas, não é, com um cara maluco aí que era bem mais velho que eu. Eu me apaixonei por ele — mas ele era muito, muito louco. Talvez um dia eu relate a experiência que eu tive com ele para você entender. Ele achava que eu era posse dele, assim, ele tinha uma relação muito paterna de cuidar de mim, que ele queria comprar apartamento para mim. Enfim. Foi uma coisa tão sintomática. A primeira vez que eu fui à casa dele, a casa dele era uma bagunça — a minha casa que hoje é um luxo perto da casa dele. Sabe aquela bagunça patológica, que você olha e pensa: “Tem alguma coisa errada aqui?”. Era quase um… não era um cativeiro, mas era um apartamento todo bagunçado, era aquele tipo de pessoa que foi expulsa de casa, pegou um monte de coisa e ficou. Era mais ou menos isso. E eu me sujeitei a cada situação constrangedora. Um dia eu vou contar um pouco dessa inocência.
Então, assim, já tive inocência para várias coisas. E aí não é a questão do aprendizado? A gente aprende com a prática também, e vamos selecionando mais, filtrando mais. Tem uma série de pessoas com as quais eu fiquei no passado que, se fosse hoje, eu não ficaria. Talvez isso explique um pouco a questão do meu filtro ter aumentado. Eu aumentei um pouco o nível de exigência — um pouco, não muito —, mas não foi nem muito em função disso. Eu também refinei significativamente as coisas que eu estou procurando em alguém. Então assim, não é nem aquilo do físico, não é exigência de corpo, nada, mas de coisas que eu gosto de fazer, de fetiches que eu gosto de realizar. Então você vai refinando ao longo do tempo ao nível que a pessoa propõe uma outra coisa diferente, você não quer.
Lógico que não é só isso. Existem mais nuances: a pessoa ser educada, mal-educada; a pessoa chegar para você e já mandar um nude sem você solicitar. Eu nunca fiz questão de nude. Se tem uma coisa que eu não gosto e não faço questão é de foto. Para mim, não precisa de foto de giromba, não precisa de foto de buraquinho, de nada não, não precisa. Uma coisa que eu acho boa: Tipo, cara, tá lá foto sem camisa, você vê que o cara é peludão, aí aquilo ali realmente chama atenção, me atrai. Mas assim, de tirar a roupa, não preciso. De ver…
E, curiosamente — e aí vem o polêmico aqui — eu não faço questão nem da genitália. Não ligo se o cara tem pau, não é? Ou se é grande, se é pequeno. Não ligo muito para essas coisas. O que costuma acontecer, é a estética do conjunto — ou seja, ele tem, digamos assim, um órgão bonito. Mas não dá vontade de eu enfiar a boca no órgão? Não. Muito pelo fato de eu ser muito passivo. Então assim, o tamanho, centímetros, metros, se é vermelho, se não é, se é rosado… eu nunca fiz questão de nada disso. E a maioria dos encontros que eu tenho — maioria absoluta — não faria nem questão de ver o pênis da pessoa. Você faz as coisas que você gosta com a pessoa ali, pronto. É como se fosse uma visão mais egoísta da coisa, mas, ao mesmo tempo, não é, porque existem pessoas que gostam disso. Então você vai buscando compatibilizar uma coisa com a outra. Porque eu não vou fazer coisas que eu não gosto.
E aí, eu digo que o relacionamento afetivo nesse sentido ele fica até mais difícil. Existem pessoas nos ambientes que eu frequento por quem eu sinto muita atração física, não é? Fico olhando, e eu não consigo disfarçar quando eu olho a pessoa assim com aquela vontade, fantasiando: “Ah, se fosse meu”, “Ah, se eu pudesse”. Aí você fica fantasiando. Pois é, mas vamos supor que uma situação dessa acabe se concretizando e você vai lá, se apaixona pela pessoa, vai interagindo, janta com a pessoa, vai a um restaurante, vai ao cinema com a pessoa. Aí depois você descobre que ele é ativo e você é ativo também. Pronto. E aí não acontece nada, aí você fica frustrado.
Então, como esse é o primeiro devaneio que eu estou tratando disso, é bom explicar que as coisas são mais complexas do que parecem. E não é só uma questão de posição sexual ou de preferência sexual na cama, porque isso já filtra também, isso já segmenta o mercado, entre aspas. Mas fica pior porque existem pessoas que não gostam de pelos, existem pessoas que, se você não for girombudo, não for alto, a pessoa não quer. Existem passivos que, se a pessoa não tem uma giromba de 22 cm para cima, ela não quer. Então assim, são coisas tão específicas. As pessoas são muito mais exigentes que eu, inclusive, muito mais enjoadas que eu. Segmenta demais. E quando você tem a liberdade da escolha — pelo menos uma falsa ilusão da escolha, porque o aplicativo te dá essa falsa ilusão que você está no mercado e você vai selecionar o que comprar —, mas não é bem assim.
E fica também a pessoa sempre esperando algo melhor. Existe também essa filosofia: “Ah, eu estou conversando com o fulano, eu não vou marcar nada com ele hoje não, por que? Vai que, ao longo do dia, até a hora de eu dormir, eu encontre alguém melhor, e aí eu vou poder deixar ele ali como um time de reserva, ou como Série B?”. Ou talvez eu até ignore, eu bloqueie. Então é isso: você começa a conversar, do nada bloqueia. Eu tenho essa prática também, bloqueio pessoas do nada. Por quê? Porque dá muito trabalho ficar explicando, eu não tenho que dar satisfação. Por exemplo, pessoal fala “boa noite”, eu não conheço a pessoa, não quero responder…Eu vou falar: “Boa noite, mas você não é meu perfil”, “Boa noite, mas não tenho interesse”. Já pensou se eu for ficar parando para responder cada uma das pessoas que me manda mensagem? Então, dependendo do nível de irritação que eu estiver, a pessoa manda mensagem, manda duas, três, quatro mensagens, começa a incomodar, aí manda: “Por que você não está respondendo?”. Então, assim, ser humano é complicado. E aí eu vou ficando cada vez mais Raj, não é?
E eu já tenho uma tendência de embotamento sentimental muito grande, em que eu fico assim — não é indiferente —, eu fico… É uma relação paradoxal, porque dentro eu estou com uma intensidade muito grande. Existe uma angústia muito grande, existe uma ansiedade muito grande, muito protuberante, uma tristeza, uma angústia, uma depressão. E aquilo vai se misturando, e é tudo muito intenso, muito forte. Só que, na hora que você vai para o mundo real, você não encontra estímulos do mundo real que te tirem desse estado de apatia, que tire desse estado de latência. Para quem me vê externamente, acha que eu estou tranquilo, estou de boa. Mas, na verdade, não. Eu estou tão cansado, tão extasiado de angústia — se é que existe isso —, um êxtase tão grande de ter uma angústia do tamanho que eu tenho, do abismo, do buraco interno que eu tem, que eu fico com preguiça. Até porque sofrer fica difícil… eu não dou conta de sofrer. Então eu fico igual ao Raj deitado, fico num estado meio assim… sabe?
Lógico que eu tenho que buscar formas de sair desse estado de apatia, de buscar estímulos. Mas é o famoso “tudo dá muito trabalho”, não é? E é um trabalho não remunerado — de instrumentos de tortura…um tripalium, praticamente —, porque você vai fazendo coisa demais. Eu já fiz um esforço muito grande, eu já me frustrei muito e acabei voltando ao casulo ali. Não quer dizer que eu não queira sair do casulo, até tem alguns esforços aqui, ali. Eu fico esperando um acaso me favorecer. Porque ficar saindo, indo à boate, ficar procurando, não é como se fosse sair para uma pescaria para ver se encontra peixe? Não, não tenho mais essa energia.
Igual o taxista hoje — o Uber, na verdade, o motorista de Uber que me trouxe para casa —, ele falou que ele trabalhava CLT, que ele tinha hora de entrar, mas não tinha hora de sair, que tinha hora de almoço, que era muito babação de ovo. E basicamente as coisas que eu falo, que existe um mundo corporativo, aí ele virou pra mim e falou: “Eu cansei de ser CLT” …não quis perguntar, não quis aprofundar se trabalha somente com o Uber ou se ele faz alguma outra coisa. Não perguntei, em vez de perguntar ficamos conversando sobre várias coisas…ele trabalhou no Metrô… vivenciou várias experiências traumáticas, me contou algumas delas. Nossa, foi… que me fez perceber a finitude da vida, o egoísmo da vida. A pessoa quer acabar com o sofrimento, mas ela atrapalha a vida de outras pessoas. O ideal era você acabar com o sofrimento por você mesmo, mas mesmo se você tiver uma tentativa de… DESvida, é… as pessoas vão sofrer muito. Então acaba sendo um ato egoísta, você não pensa nas pessoas que ficam. Então assim, tem isso também.
Na prática, eu vou ficando como o Raj, assim, com preguiça. Veio uma pessoa que gosta muito, vai lá, balança o rabinho um pouquinho e depois vai deitar…joga um brinquedinho, não consegue brincar com o brinquedinho mais… Não é nem porque está idoso, porque cansou mesmo, porque não tem mais vontade. Eu não sei nem se ele é deprimido, se seria um cachorro deprimido — eu sei que eu sou uma pessoa deprimida, talvez ele não tenha essa distinção. Ele tem uma carinha de coitado, gente. Mostra uma carinha de coitado, que assim… acaba fazendo meu pai de bobo, porque toda hora que ele quer comer, meu pai vai lá e joga alguma coisa para ele comer. Por isso que Raj está essa bolota. Mas ele está vivendo a vida dele, ele tem tudo o que ele quer.
E eu tenho inveja dele, porque ele não sabe que ele vai morrer, e ele não pensa no afterlife. Para ele, aquilo ali já é o Nirvana dele. Ele tem uma vida muito boa. Eu queria estar nesse Nirvana. Na verdade, eu já estive em alguns momentos no Nirvana, mas o Nirvana me jogou de um penhasco e eu voltei aqui para a normalidade clandestina — uma normalidade que eu não escolhi, não me convidaram para esta festa pobre …é isso aí, é festa pobre. Não é questão de pobreza ou riqueza de dinheiro, não é, é uma questão de um lócus que você não escolheu (o locus tangível eu escolhi….mas….). Tem um livre-arbítrio artificial. Porque, na verdade, não tem livre-arbítrio de mais nada, gente. É tudo um sistema. Você é engolido por um fluxograma, você parte do fluxograma, você é uma bolinha, um retângulo, um losango… no fluxograma, tem uma setinha apontando para todos os lados — setinha do fluxo para cima, para baixo, para um lado, para o outro — e você não manda absolutamente nada, nem na sua própria vida você manda.
Você pode ter uma doença terminal se desenvolvendo em você e você nem sabe que a doença está se formando. Muitas pessoas só descobrem que têm uma doença quando a doença manifesta sintomas externos. Antes disso acontecer, você acha que está tudo bem com você. Eu não sei se eu tenho uma doença latente aqui. Fiz alguns exames de sangue, graças a Deus eu não tenho nada, as sorologias da vida, não tenho nada, estou ‘perfeito’. Mas é igual o dia da vertigem: você se dá conta de que você pode ir embora a qualquer momento. Eu estava bem, conversando com minha mãe, e do nada me deu uma vertigem louca, comecei a suar frio, caindo no chão, não conseguia me levantar, estava ali incapacitado, não conseguia fazer nada. Então, assim, podia ter sido um infarto, parada cardíaca. Você pode sair de casa e não voltar, pode ter um acidente, pode cair uma vaca em cima de você, uma bigorna Acme na sua cabeça.
Então, assim, gente, viver já é um desafio. Viver é uma aventura, e você não sabe. Você corre risco de viver, porque o risco de… o risco de permanecer vivo existe, uma probabilidade de você terminar o dia vivo. Você pode engasgar com uma comida e morrer engasgado. É tudo muito aleatório. Pode morrer com choque de um eletrodoméstico por exemplo. O celular explode na sua mão, e um estilhaço vai na sua cara. Então é como se fosse um filme Premonição mesmo. Você não tem controle de absolutamente nada. Você acha que tem controle de alguma coisa na sua vida? Não, não tem. Quando você vê uma pessoa indo embora subitamente, você se dá conta do quão finito você está. O quão miserável a vida pode ser. E assim, eu prefiro, à distância, apreciar os supostos bonitos heteros. E fantasiar mesmo. Viver dá muito trabalho, de fato.
Capítulo 52: Seu cérebro sabe a essência de quem você é

Hoje eu gostaria de falar um pouco sobre os mecanismos de motivação. Desde os primórdios… em que eu ouvi essa palavra “motivação”, que foi provavelmente estudando na faculdade, sobre o que motiva uma pessoa. Sempre existe uma teoria que a motivação ela é endógena, ela vem de dentro, e que os fatores externos não são determinantes para que você se sinta motivado.
Bom, em tese, a motivação deveria lançar luz sob uma nova perspectiva, uma nova forma de ver as coisas. Como se a sua lente estivesse sendo trocada — uma lente diferente, uma lente mais forte, potente, ou até mesmo uma lente menos potente. Porque existe também essa contradição: será que é preciso ver as coisas com nitidez, com riqueza de detalhes? Lógico, numa visão humana nós precisamos enxergar bem, mas eu estou falando em termos metafóricos.
O que que é melhor: você ver o mundo embaçado e preencher os vazios, ou imaginar aquilo que você não vê de uma outra forma…. Ou você já ver tudo detalhado, mega detalhado, ter uma visão até além do alcance? Que existem animais que enxergam mais que a gente. O que é melhor? Enxergar um pouco, enxergar muito ou, na pior das hipóteses, não enxergar? Confesso que eu não sei o que que é melhor. Essa questão de enxergar as coisas, enxergar o mundo, a forma de ver as coisas, a forma de viver, ela acaba sendo afetada por muitas variáveis.
Porém, todavia, contudo…a motivação ela não tem receita de bolo. Você acha que vai se sentir motivado por uma coisa? Não necessariamente. O que me motiva a fazer algo pode não motivar outra pessoa a fazer a mesma coisa.
E por que que eu estou chegando nesse discurso, nessas especificidades todas? Por que um sonho? Entrando nesse assunto, ele é necessário, sim. Porque a complexidade que é o ser humano, a configuração do que é felicidade para você, ou o que é satisfação para você, ela pode mudar. Eu não sei se eu devo me sentir satisfeito ou não satisfeito. A combinação de aspectos que me motiva hoje, há uns dez anos atrás, provavelmente não me motivava. E até vem um pouco pela falta de motivação mesmo, uma certa apatia, quando você não sabe o que fazer, ou até você tem conhecimento do que você deveria fazer, porém você não consegue concretizar.
A situação se torna mais complexa porque as coisas que você quer não dependem só de você. Pelo menos as coisas que eu quero não dependem somente de mim. E aí você fica numa agonia, porque não adianta você fazer nada, que a situação ela não vai mudar sozinha. Então você tem que se conformar com o que você está fazendo, ou se conformar com a situação atual em que você se encontra, ou então você tenta lutar contra aquilo desesperadamente, consumindo uma quantidade de energia muito grande — uma energia que você tem, e até uma energia que você não tem.
Como que você vai mobilizar uma energia que você não tem? Você pede emprestado? Uma energia que outras pessoas são capazes de passar para você, e dessa forma você consegue realizar os sonhos que você quer naquele momento? Mas nós vivemos numa sociedade da falta. As ciências econômicas já são uma ciência da escassez, não é? Em que não existe abundância, não existe infinito. Talvez a única coisa que existe seja infinito, e pelo menos em um plano teórico — porque também você não tem comprovação de que existe o infinito, seja o universo. Há grandes evidências de que ele seja infinito, talvez. Mas mesmo se finito fosse, a distância que é necessária para você chegar a determinadas estrelas é tão grande que você não vai viver o suficiente para chegar lá. Então, sendo finito ou sendo infinito, a distância ela acaba sendo infinita para nós, na prática, de algum modo.
E eu retorno a discussão da motivação. Ela é muito necessária porque a motivação, ao mesmo tempo que você acha que você pode se motivar com algo que hoje dá um prazer a você, e que no passado não dava mais — e talvez nem venha a dar mais —, se existe essa dificuldade estrutural, é uma combinação de fatores. Não é como se fosse uma configuração. Você não consegue resolver o enigma sozinho. O quebra-cabeça não vai se resolvendo sozinho. Está tudo bem, você não precisa resolver o quebra-cabeça sozinho. E provavelmente você não será capaz de resolver, mesmo que você queira.
Dizem que duas cabeças pensam melhor do que uma, não é? Existe essa teoria. Mas eu não sei se duas cabeças pensam melhor que uma para resolver algum problema. Humano, sim, mas a cabeça humana, o cérebro, ele pode criar problemas, conflitos e situações adversas que nascem desse relacionamento entre as pessoas. Você, que está me ouvindo, deve pensar: “Que papo de maluco é esse, né?”.
É um papo de maluco. A motivação ela é um enigma para mim, porque eu não consigo encontrar motivação nas coisas. E aquelas coisas que me causaram, em certo esquema, alegria sobre determinados contextos, hoje já não mais me trazem alegria. Não quer dizer que eu seja uma pessoa completamente apática. Eu sinto alegria pontual em certas atividades, sinto vontade de fazer algumas atividades, consigo me engajar, concentrar e tirar bom proveito daquilo que eu esteja fazendo, de uma forma sincera, de uma forma verdadeira. Mas isso não é suficiente. Não é suficiente você se motivar artificialmente para você fazer parte desse mundo. A motivação artificial ela não funciona por muito tempo. Você acha que está motivado, porém o mecanismo de motivação acaba funcionando como uma droga. Sim. E perde a referência do que você quer fazer.
E a sua mente fica tão confusa que você busca soluções onde não existem soluções. Você perde tempo, você deixa a ilusão da resolução dos problemas dominar a sua mente. E a motivação? Ela fica assim: você vai buscando ferramentas e mecanismos. Quando você, por exemplo, não está com vontade de fazer nada e você toma o remédio, esse remédio altera um pouco a química do seu cérebro para que você se sinta motivado, ou menos apático, para realizar alguma coisa. É um mecanismo artificial, porque o seu próprio cérebro não é capaz disso. Então existe uma falha aí. Da mesma forma que pessoas nascem com doenças físicas, alguns problemas psicológicos graves também surgem em virtude disso. Eu não digo que eu nasci com depressão…mas possivelmente seja uma coisa de família, porque existem referências, evidências familiares que comprovam essa situação de depressão, ansiedade. Não é nenhum absurdo. A humanidade toda tem algum tipo de distúrbio, algum tipo de problema. Todos nós somos acometidos por alguma forma de tristeza, de falta. E essa situação ela causa um pouco de dor.
E desde crianças, nos é dito que nós temos que nos acostumar com a dor. A dor ela faz parte da vida, e de fato é parte da vida. Não existe hipótese de ter uma vida de nirvana….não existe. Ou ela existe na nossa mente sob determinadas circunstâncias? Hoje eu estava lendo um artigo que apareceu para mim no Google que eu achei muito interessante, porque ele falava de uma pessoa relatando o que que o consumo de determinada substância ilícita faz na mente dele. E ele falou que ele sentia — ou sente — quando ele consome essa substância, uma coisa que ele nunca sentiu antes, muito bom. E à medida que aquela sensação vai caindo, porque o barato daquela substância não dura muito, aí a pessoa cai na mesmice, na normalidade, e passa a achar a normalidade algo ruim, ou algo com muita falta, com um desnivelamento. Se torna incomparável, não é? Você acha que aquela situação que você vive normalmente é insuportável, e que você tem que voltar àquela situação de ser normal. Esse discurso, pelo menos ele é similar ao discurso de quem consome, por exemplo, cogumelo mágico.
Mas a questão é que não, não existe esse vício, e não existe esse efeito colateral. O efeito dele funciona mais durante a onda, não é de você, por exemplo, ter uma bad trip, e você se sentir em uma situação sem saída, e realmente depois que você consome você tem que aceitar aquela onda e ficar rodando ali, esperando que a onda passe. Mas não é tão simples assim para o seu cérebro, ele é a caixinha de surpresa. Então ele faz coisas com você. Seu cérebro sabe quem é você. Ele sabe de onde você veio. Então não tem como você fugir do que o seu cérebro quer que você veja, porque o que está no inconsciente está lá escondidinho. Mas ele vai se tornar explícito, quer você tenha capacidade ou cognição suficiente para entender o que está acontecendo quer não. Você vai enfrentar, na carne…esse embate com a sua mente. e daí poder se livrar, ou assimilar aquela lição que a substância quer passar para você.
E é por isso que se diz muito a questão do respeito, da religião, da consagração… de não usar determinadas substâncias visando diversão, porque não é, acaba sendo uma ferramenta de autoconhecimento — algumas delas. Imagina… Eu só conheço essa, e não pretendo conhecer outras. É uma ferramenta de autoconhecimento, mas ao mesmo tempo ele pode virar um filme de terror. O parque de diversões que diverte ou que dá medo. Isso não depende de você querer. É muito aleatório, o que se passa em nossa mente.
Capítulo 53: O código-fonte da eternidade (e a coceira no pé)

A coceira. Sabe aquela coceirinha gostosa que você tem? E que você fica ali… É. É uma sensação. E existem até dores prazerosas, não é? Coceiras, dores, situações que você acha que causam dor, mas causam prazer. Eu sei que isso parece papo de maluco, mas não é. Existe toda uma fetichização disso também. Muitas pessoas gostam de se sentir humilhadas, de serem submetidas a situações de submissão completa. De achar que são escravos. “Ah, eu quero ter um dono” Da mesma forma que pessoas têm fetiches ou gostos específicos por coisas proibidas. Existem coisas proibidas que são crime que eu não preciso nem nomear aqui. É mais fácil saindo dessa situação de ficar nomeando. Que a gente não precisa nomear as coisas para entender o lado obscuro.
Todos nós temos um lado sombrio. Desafio a você, que está lendo este devaneio, dizer que não tem sombra. Pode ser que você pense que o maluco sou eu. E essa é uma reflexão válida, porque eu quero induzir as pessoas O meu blog fala sobre o espelho da alma. Então, quando eu falo um pouco disso, eu acabo induzindo, ou pelo menos esse é meu propósito: levar você a pensar sobre a sua verdade, as coisas que fazem sentido para você.
Você não precisa concordar com tudo o que eu falo. E, na verdade, esse exercício de discordar não faz sentido para mim, porque eu somente estou falando e transcrevendo. Eu não estou conversando com ninguém. Eu estou falando coisas que ocorrem comigo, e não necessariamente elas são verdadeiras nem mesmo para mim. Aí que está o sabor da coisa: talvez, a crença que eu tenho hoje, daqui a alguns capítulos eu vou descobrir que não é aquilo mais. Ou eu posso aprofundar uma investigação…como se eu fosse um detetive e eu descobrisse coisas que eu jamais tinha pensado antes. E que essa conversa, digamos assim, essa associação livre de palavras, ela levará a algum tipo de reflexão.
A dor… a dor é mesmo complexa, não é? Como eu disse, há pessoas que gostam de coisas que você detesta. Então, o mundo dos desejos, dos sentimentos, dos gostos, cada um tem uma caixinha diferente. Cada um guarda os seus monstros de uma forma diferente. E eu disse, né, e afirmo e desafio qualquer pessoa dizer que não tem monstros guardados dentro do guarda-roupa… que não tem uma poeira que não desaparecerá. Sabe aquela poeira que você limpa, mas que ela volta? Ela é constante. A necessidade de se alimentar ela é constante, a necessidade de se hidratar… ela é constante. Então, o medo, a dor, que também são constantes. O medo é constante, a dor é constante.
A única coisa que é discreta, digamos assim — o que é uma coisa discreta? —, é um retrato que você tira ali daquele momento. A única coisa que é certeira, estática, é a morte. E isso para quem fica aqui, né? Considerando a perspectiva de outras pessoas que estejam vivas…. porque é muito mais complexo do que isso. Você pode achar que está em uma situação ruim enquanto você está vivo. Aí você vê um parente, alguém morrer. Aquela pessoa simplesmente deixa de existir, não é? É uma coisa tão louca, a pessoa deixar de existir. Você fala assim: “Fulano morreu”, e você olha para um corpo. Aquele corpo já não é mais a pessoa, a pessoa já se foi. E aí você pergunta: quem era o fulano ou a fulana antes de morrer? Qual é a diferença entre a pessoa viva e o corpo morto? O que que tem na vida que não tem na morte? Será que é só a questão das batidas do coração, bombeando sangue para o corpo…e para o cérebro, de manter uma harmonia dos órgãos funcionando? Será que é isso? Não sei, não parece que seja tão simples, em si, né? É complicado mesmo, muito complicado.
Mas, ao mesmo tempo, é interessante. Eu, por exemplo, quando eu me for — quando eu partir desta, para melhor ou para pior —, eu não sei o que que tem depois. Eu até gostaria que… eu nem faria questão de nada…poderia simplesmente… pensar com a falta do cérebro. “Eu não estou vivo mesmo, podem fazer o que quiser do meu corpo”. Lógico que não é assim que funciona, não é? E quando você pensa em alguém querido que se foi, por exemplo, você não vai ter essa brutalidade toda também. Você não vai pensar dessa forma, você vai pensar de uma forma mais humana. Existe um símbolo: aquele corpo já foi daquela identidade que se foi. A vida se foi, mas o invólucro, o corpo daquela pessoa, para você ainda é aquela pessoa porque ela se parece com aquela pessoa, ela não entrou ainda em decomposição, não ocorreu nada ainda com ela. É mais ou menos assim. Faz parte do luto que as pessoas têm. Isso é importante. Despedir das pessoas que vão.
Mas aí eu fico pensando: a diferença entre a vida e a morte é o quê? A ânima… é a alma. E você não sabe para onde a sua alma vai. Eu não sei pra onde vai a minha. E, na verdade, nesse momento não adianta muito a gente ficar pensando. Porque teoricamente as pessoas não voltaram para dizer o que ocorreu com elas, para onde elas foram. Não vai fazer muito sentido para elas, né? É o famoso “oncotô proncovô”, né? Que todo mundo tem essa ideia da continuidade. É como se a gente fosse eterno. Ninguém quer pensar ou encarar a morte.
Eu não sei o que que é pior. Eu já tive uma onda — e eu já contei isso em detalhe — em que eu acreditava ser Deus, e que eu estava num loop congelado no tempo e no espaço. Independente do que eu fizesse, eu não tinha controle mais. Era assim, como se fosse uma entidade sagrada, não vai morrer, e você está condenado a ficar por toda eternidade só observando o mundo, que está rodando em loop.
É um mundo estático e em loop. O que quer dizer? Um recorte temporal daquele mundo que você conhece, ele vai ficar se repetindo eternamente. Essa foi uma onda que eu tive. Em um primeiro momento, eu até me sentia bem porque falei: “Não, não vou morrer, as pessoas que eu gosto não vão morrer”. Mas, por outro lado, algo dizia para mim o seguinte: “Olha, você não vai ter mais acesso às pessoas que você ama, porque já que você é uma divindade e está na eternidade, num ambiente paralelo, não dependerá mais de você. Você não escolherá o que fazer, e você não escolherá com quem você pode ter contato. Porque se tudo está dissolvido no tempo e no espaço, não faz sentido você se prender a esses velhos paradigmas terrenos”. A vida como você a conhece não faria sentido mais. É uma outra realidade que se impõe. Aí, nesse contexto, você fica desesperado, porque tudo aquilo que você acredita foi embora. Você não vai ter contato com mais nenhuma pessoa. E o pior não é você está condenado a um estado de permanência para todo o sempre. Isso é muito bom? Sim e não… Esse estado de permanência ele é muito ruim. Porque não é uma permanência apenas da sua existência, é como se você entrasse num estado de melancolia eterna. Você fica entediado eternamente, não é? Só fazendo aquilo.
É como se você morasse em um planeta muito pequenininho, e que você não tivesse quase nada para fazer. E nesse planeta você perde a sua autonomia, você não faz as coisas porque você quer, e a sua vida — vida entre aspas porque você não está vivendo mais — você está apenas governando a sua eternidade. A sua condição de eterno. E as coisas passam a deixar de ter sentido para você. Aquela realidade que você imaginava antes já não fazia mais sentido.
Eu sei que isso tudo é muito maluco. Mas imagina uma situação dessa ocorrendo com você. Que você desperta da Matrix e que você se dá conta de que tudo aquilo que você viveu, tudo aquilo que você viu na sua vida até o momento é uma produção da sua mente. É? Nada, nada disso é verdade. Não existe realidade objetiva. E eu já falei isso em algum devaneio, que existem pessoas que acreditam… pessoas que acreditam que a realidade objetiva ninguém consegue ver. Cada um vê a realidade de uma forma. E cada pessoa… cada forma de ver a realidade é… varia de pessoa pra pessoa. E é um produto complexo, porque os cérebros das pessoas são diferentes, a capacidade cognitiva das pessoas é diferente, o nível de inteligência, de consciência, da personalidade, a forma de ver o mundo…. Os valores, as lentes… porque cada um tem uma lente diferente, cada um tem um alcance diferente. É tudo muito… uma combinação muito complexa.
Eu não sei se, por exemplo, eu estou jogando um jogo de videogame, eu não sei se eu vejo um jogo de videogame da mesma forma que outras pessoas veem. Quando você vê um quadro… eu fui a um museu no ano passado — vai fazer quase um ano que eu fui a esse museu em Los Angeles —, eu ficava olhando o quadro, e outras pessoas olhando o mesmo quadro…Aqueles quadros angelicais de igreja. Renascentismo, aquelas imagens de mulheres, de homens de guerra, aquele cenário bucólico e cheio de simbolismo de criaturas exóticas, mágicas, fantásticas. Aí, a pessoa do meu lado estava vendo o mesmo quadro que eu, mas será que estava vendo a mesma coisa? E a pessoa que pintou o quadro, qual é a intenção dessa pessoa? Será que ela… será que eu estou decodificando o quadro da forma que foi a intenção dele?
Quando você lê meu texto (que nem texto é….é uma fala transcrita, sem amarras), será que você está acompanhando o raciocínio da mesma forma que eu estou concebendo o raciocínio neste momento? Talvez você comece a ler, ache o texto confuso, não é? Então, ele é uma ideia que vai se conectando com outra. Ele é um quebra-cabeça que vai sendo montado e fabricado em tempo real. Então, ele não é uma redação do Enem, ele não é um texto tradicional que você interpreta, que você constrói, que você dá uma coesão, que tem início, meio e fim, não. Ele tem um estado de… ele tem um estado de fluidez, de dinâmica que não se explica. É um texto? Na verdade, ele não é um texto, ele é uma manifestação prática do que se passa na minha cabeça no momento que eu estou falando. Eu não estou fazendo nada. O meu cérebro…minha mente….minha essência, é que se expressa através do hardware cerebral. Eu, aventureiro, sou fascinado. Quem produz os conteúdos é minha mente, certo? Eu sou escravo do meu cérebro. As ideias que eu tenho, elas são fabricadas pelo meu cérebro, e eu só tenho acesso à ideia quando ela já está pronta na minha cabeça.
E quando você consome, por exemplo, um cogumelo mágico, você vê os bastidores da ideia. Você vê o código-fonte. Você vê a ideia antes dela se formar. Você sente a bagunça cognitiva. Ou talvez nem seja cognitiva, porque eu não sei de onde venha essa energia, esse fluxo, essa onda, não sei. Será que ela vem do nosso cérebro? Vem da nossa alma? Porque ela é tão infinita, ela é tão complexa, tão detalhada, que eu acho pouquíssimo provável que a minha mente seja capaz de produzir uma realidade daquela… não é. De tão espantado que eu fico ao pensar… neste momento do gabarito. Gabarito. A eternidade sendo traduzida dentro de você. Ela é um infinito.
Uma das primeiras vezes que eu tive acesso a esse ambiente, eu ficava repetindo constantemente: “Eu não consigo explicar”. Primeiro, eu não conseguia pensar. Eu não era eu. Eu fazia parte do universo. E eu ficava repetindo, eu ficava tentando achar um significado pra aquilo que eu estava vendo, para aquilo que eu estava sentindo — que, na verdade, eu não estava vendo objetivamente, estava vendo minha casa —, mas estava se passando algo na minha cabeça que me levou a um outro lugar. E esse lugar era um lugar de infinito, era um lugar de complexidade, de simbologia, de eternidade, que talvez nem se eu vivesse 1000 anos eu ia conseguir entender o que que estava lá.
Será que isso faz parte do meu inconsciente? Faz parte do coletivo, do inconsciente coletivo? Ou será que isso não faz parte de coisa alguma? Não é humano? É alienígena? Então, esse tipo de reflexão que eu gosto de suscitar. Você pensar nos mecanismos de dor, de motivação, de desejo, de vontade de fazer algo. Como dizem, né, em situações normais de temperatura e pressão, você não pensa nos bastidores, porque não existe bastidor para você. Você não para para pensar porque você está respirando. Você simplesmente respira. Você não questiona porque o seu coração bate, ele simplesmente bate. O coração bate de forma involuntária, a respiração…você controla a respiração, mas você respira. Faz parte integrante do seu conjunto de viver. Você dá um comando para o seu braço fazer alguma coisa, seu braço ir para frente, ou você caminhar, ou você virar sua cabeça para a esquerda, para a direita, esse comando vem do cérebro. Você não para pra pensar como esse mecanismo ocorre, como esse milagre ocorre, né? Tudo aquilo é o famoso take for granted, você acha que aquilo é normal, comum, não é? E que está tudo bem.
O que é sobrenatural para você é aquilo que você não consegue explicar. Mas existem coisas simples que ninguém consegue explicar. “Ah, tá, sim, você consegue explicar, a biologia consegue explicar”. Mas será que consegue mesmo? Você consegue me explicar o que é a vida? Eu não consigo explicar. Eu não consigo explicar o que é a vida, eu não consigo explicar o que é a morte, porque eu não sei o que acontece. Eu sei a diferença de um corpo que se move, de um corpo que tem uma vida ali, você sabe, você consegue diferenciar a vida da não-vida. Mas você não consegue dizer o que é morrer. O que ocorre com você quando você morre? A sua consciência? Você não consegue explicar. É uma coisa simples? É uma coisa óbvia: 2 + 2 são 4, OK. Mas a complicação vem quando você pensa em coisas mais complexas do que isso. O que você pode visualizar quando você está em um estado alterado de consciência, seja por meditação — porque a meditação também induz isso —, seja através de sonhos… Você não consegue explicar certos conteúdos dos seus sonhos que são tão vívidos, tão detalhados, que você acha: “Isso… eu não sei explicar”. Eu não sei se é um sonho ou se era um universo, um mundo diferente que eu estava acessando.
O que será que é o mundo verdadeiro? Será que a minha vida na Terra é o sonho do ser que dormiu ali no sono? Será que na verdade… o papel está invertido? O sonho é muito real, e aqui é a vida do sono? Será que é um inferno de alguma outra existência? Será que existe céu, inferno? Ou será que todo mundo morre e tem o mesmo fim: o completo nada? Porque eu não consigo imaginar, por exemplo… As pessoas não conseguem explicar: se uma formiga morre, uma pessoa morre, o que acontece com a formiga? A formiga tem alma também? Não sei. A ameba tem alma? A minhoca? Ou será que somos apenas nós? Porque nós pensamos, não é? Somos seres que têm raciocínio, pensam, que têm consciência da vida e da morte, que conseguem transformar de forma intencional o universo, o mundo que o cerca. É… a humanidade está destruindo o planeta… Tem isso também. Mas… quem que está no topo da cadeia alimentar aí? Pois é. É muito devaneio, muita reflexão. Não tem resposta para nada.
A única coisa objetiva que eu tenho agora é que meu pé está coçando. Porque provavelmente um pernilongo está voando aqui de forma invisível, ou seja, de forma discreta que eu não consigo vê-lo, está fazendo com que a minha perna coce. É a única coisa objetiva. O resto é resto.
Capítulo 54: O livre-arbítrio é um livre-sofrimento caótico

É, estamos em um final de semana no finalzinho, na verdade com muita chuva. É uma chuva interminável, praticamente o dia inteiro chuvoso.
Eu também estou com uma dor de cabeça bastante estridente. Uma das coisas que vem acontecendo este final de semana é que me dá uma ansiedade assim… Sabe aquele incômodo? O incômodo é um estado em que você não fica confortável, não é? Seria a descrição correta deste evento. É uma sensação, é um incômodo parecido com o desconforto de uma ressaca ou de uma situação em que você está com bad trip…. A diferença é que não há consumo de nada, não consumi nada.
É realmente só um incômodo, né? Mental? É uma combinação de fatores, não é um calor infernal. É uma dorzinha de cabeça, principalmente hoje, ontem eu não tive dor de cabeça. Tive sonhos bastante interessantes ontem, diga-se de passagem. Que me fazem questionar bastante coisa sobre as instâncias de prazer que temos em nossas vidas. E as referências… surgem pessoas nos seus sonhos. Algumas conhecidas, outras inventadas. Com referências de prazer que você não imagina que esse sonho vai trazer. Na prática, não sei se significa alguma coisa.
Enquanto eu estou gravando esse áudio, a chuva está se intensificando. Ele estava assistindo um pré jogo de futebol. E o repórter estava em um ambiente com bastante chuva. Eu imagino que esse pessoal que esteja no jogo vá sofrer bastante para chegar em casa. Se estiver chovendo a chuva que está caindo aqui, putz… Eu não tenho nada contra chuva. O problema é que a chuva ela impede, incapacita, você queria (eu não….) mas não sairá de casa: preguiça.
Essa semana eu tenho que trabalhar, amanhã, por exemplo, eu fico preocupado porque eu não sei como que vai estar o tempo, não é? Mas muito provavelmente, se estiver chovendo, a quantidade que está chovendo hoje, eu pego um Uber e resolvo o problema. É mais prático. Eu ando com tanta preguiça…. É um mix de preguiça e medo. É com tanta preguiça de ir até o metrô, por exemplo, ou de caminhar do metrô até o ambiente de trabalho. Em algumas situações, é muito mais prático eu voltar de Uber. E eu acabei incorporando isso na minha rotina, que antes eu voltava de metrô, mas agora estou voltando de Uber pra casa com mais frequência. Mas isso não é um problema. Nunca foi.
O problema realmente é a dorzinha de cabeça, um incômodo ou uma sensação estranha… Ao mesmo tempo em que eu fiquei assistindo a vídeos premonitórios dizendo sobre recompensas, sobre justiça divina…Mudanças… virada de chave…Esses vídeos, porque esses vídeos realmente eles acabam sendo motivacionais quando falam alguma coisa que você quer ouvir. Mas quando ele diz algo que vai completamente contra, o que você espera? Você deixa de assistir, não é? É o famoso se não ressoar, entregue para o universo. Pois é, acaba entregando do universo na série de coisas… O universo tem que dar conta de tanta coisa, né? Será que o universo se preocupa mesmo com alguma coisa? Você está aqui, eu aqui? No meu apartamento?
Em plena zona sul do Rio de Janeiro, tem alguma algum ente do universo preocupado com o que acontece comigo? Certamente, não. A única entidade que de fato está preocupada comigo sou eu mesmo. E. Talvez, talvez não, com certeza. Os as pessoas mais próximas. Mas sabe quando chega um momento quando chega a derradeira liberdade. Um momento incapacitante ou alguma coisa que deixa você com crises… Ninguém vai poder ajudar se você tiver algum tipo de problema. Físico ou mental? Não existe ninguém que possa ajudar você a superar o problema, se não você mesmo. E é assim que chega um pouco mais de desespero, até um desespero estratégico. Porque é uma situação que você tem certeza que você não vai conseguir resolver sozinho. Ao final, vai de fato resolver as coisas sozinho. (ou não)
Não se trata nem de problemas…há situações que vão incapacitar você em algum momento da vida e que não há nenhum ente terreno que o ajude. Eu vou fazer uma analogia como se você caísse na água, você não sabe nadar e você está morrendo afogado. Neste momento, não adianta você recorrer a Deus nem a qualquer entidade divina. Que seja. Ninguém vai ser capaz de te ajudar. De forma análoga, o caos pode se fazer presente em situações que trazem perigo para as pessoas : você está caminhando na rua sozinho. E vem 2 marginais perto de você para assaltar ou para fazer alguma maldade. Deus não vai ajudar você naquele momento.
Então é por isso também que se diz que o livre arbítrio é o que impera, não é? O livre arbítrio. É o livre sofrimento. O Universo caga para as pessoas… porque o livre arbítrio é a vontade de cada um dos entes que habitam na Terra. Cada um tem as suas vontades, cada um faz o que quer, mas não é só você que faz o que quer. Outras pessoas também farão apenas aquilo que elas querem, e esse sofrimento é um sofrimento consistente, porque os livres arbítrios …esses se tornam caóticos. Contraditórios, cada pessoa tem um interesse diferente. E pensa de uma forma diferente e não adianta você achar que em meio a esse caos, existe alguma entidade que vai ajudá-lo porque não vai!
Eu, nos meus momentos de meditação, eu encontro refúgio. É proteção? Sim. Naquele momento eu me sinto protegido, mas até quando? Quem garante que essa proteção é perene? Ninguém garante nada. Não existe garantia de nada. Eu já falei pra você em alguns áudios que transcrevi…que a gente fica é pensando demais no que vai acontecer no futuro. Mas a verdade das coisas é mais cruel do que isso. O seu futuro pode ser igual ao futuro de uma formiga que está aqui em casa e que eu sem querer eu acabo matando, pisando…e eu não vejo que eu matei. Eu vou tomar um banho e tem um mosquito ali. E eu não vejo um mosquito. Ou é aranha, …e ela vai lá, cai e morre, morre afogada. Então não existe redenção para a pobre criatura. É possível? Não existe verdade possível que proteja.
Quem garante o destino que eu terei? Quem garante que a trajetória humana que trilhamos é algo que nos levará a um final feliz…..ou a um esmagamento de formiga? Muitas pessoas não merecem as coisas. E no caos da aleatoriedade, eles conseguem resultados, privilégios. E fica indignado porque você se dá conta. De que o caos favorece alguns…e prejudica outros. Sorte, será? O caos realmente favorecer pessoas? Não sei. O caos tem esse poder de favorecer pessoas. O caos, ele faz coisas que a gente não imagina. Mas é mais do que isso, é mais complicado do que isso. Porque a aleatoriedade? Favorece uns e prejudica outros. Mas será que é tão aleatório assim? Não existe uma estrutura, uma hierarquia. Um construto social que, de forma propositada, favoreça umas pessoas em detrimento de outras? Eu acredito que sim. Então essa, essa dita cuja verdade não é essa dita cuja justiça. Talvez ela não existe em lugar nenhum. Talvez ela só exista na cabeça das pessoas que romantizam. Aquelas histórias … romances…livros de história que que falam sobre a justiça, sobre o amor. A verdade? Será que isso realmente faz algum sentido para alguém? Eu não sei realmente se faz algum sentido para alguém. Para mim, faz sentido.
Ser bom? Ter uma essência boa. Verdade. De alma. Que faça sentido com os meus conceitos… e aí as coisas é que realmente são. É parte da minha essência. Nesse sentido assim, realmente eu posso afirmar, faz sentido, faz. Mas que verdade clandestina é essa? Que me prejudica? Que nos deteriora. No caos, vejo verdades que não fazem sentido para mim. Estamos aqui, vulneráveis, à mercê do sistema. É um sistema que não foi criado pela gente. Nós não temos nenhuma autonomia para influenciar essas instâncias de poder. Nós temos a capacidade de observar o que está acontecendo ao nosso redor. Mas nós ficamos impotentes perante o que está acontecendo no mundo. E nem no mundo. Eu diria que o mundo é muita coisa, né? O mundo é uma perspectiva muito ampla. A questão ela é mais elementar do que isso. Porque a nossa verdade objetiva, ela é influenciada. Por muita coisa que ocorre no mundo externo, mas o mundo externo não está nem aí para você. Você fica vulnerável, não é? Você senta no meio fio e chora, vai ficar por isso mesmo….
Capítulo 55: Soberania subjetiva: recusando a verdade universal

Sabe o que é pior do que uma dor de cabeça? É um incômodo de cabeça. A dor de cabeça cura eventualmente, mas um incômodo da cabeça, não. Um incômodo não passa. E ele é influenciado por muitas coisas que ocorrem nas nossas vidas.
O que é um incômodo? É uma situação que vem da sua cabeça? Ou é uma situação que tem um gatilho externo? Já me disseram — e já me recomendaram — a ver o mundo sob uma outra perspectiva, de dizer assim: “Olha, o mundo ele existe independentemente de você. Então, crer que o mundo vai conspirar contra você é uma das piores e mais falaciosas paranoias que existem”. Eu não tenho essa paranoia de perseguição, ou de que alguém vai me prejudicar, ou que alguém esteja… Não, gente. As pessoas, vamos ser bem diretos, as pessoas elas estão preocupadas com elas mesmas.
Eu, no meu dia a dia, no meu tempo livre, eu não fico pensando em como prejudicar outras pessoas, em como… Eu não fico com ideia fixa em relação a alguém, ou com uma vontade de perseguir alguém, ou de ficar matutando. Lógico que devem existir pessoas que fazem isso sim, me disseram que sim. Mas o ser humano médio, a preocupação que ele tem é: dinheiro, é trabalho, poder, ali dentro do microcosmo em que ele age, muito na sua atuação. A preocupação que ele tem é como ele pode influenciar as pessoas ao redor e como ele pode maximizar o resultado que ele encontra.
O ser humano vai ter impacto no planeta? Acredito que seja isso. E nem no planeta, porque ninguém tem esse poder de influenciar o planeta. Existem pessoas em instâncias de poder que têm essa capacidade — por exemplo, presidentes de nações poderosas, sim, esses sim. E os players, os rulers… Donos de inteligências artificiais safadas também têm esse poder de influenciar. Eles conseguem, inclusive, prejudicar a vida de determinadas pessoas, como eu, no microcosmo em que eu estou. Elas invadem o microcosmo e agem de uma forma cirúrgica para poder influenciar, escalar uma vulnerabilidade de forma sustentada.
No entanto, não é disso que eu estou falando. Não são das inteligências artificiais e das cátedras de inteligência artificial responsável de empresa safada. Não estou falando de nada disso. Estou falando da influência que as pessoas têm, e da impotência que o ser humano médio tem diante do mundo. Porque ele não vai conseguir influenciar. E ele ter essa ansiedade e acreditar porque ele vai ter esse poder é uma falácia.
Aí você me pergunta: “Você tem essa pretensão, Aventureiro, ou não?”. Não. Eu quero sobreviver de forma digna, e eu quero justiça, nem que seja a justiça divina. Eu quero ter um impacto maior do que eu tenho hoje! Não em questões de instâncias de poder, porque não é a questão. Algumas pessoas dariam tudo, dariam a alma, dariam os parentes que têm, para serem poderosos. E algumas pessoas, em organizações, elas fazem de tudo: puxam tapete, prejudicam pessoas. O ser humano ele é assim. Quer conhecer uma pessoa? Dê poder a ela.
Você falar que o ser humano ele é essencialmente bom? Ele não é. Basta você olhar para a sua essência — você é essencialmente bom? Vamos parar para analisar isso. Ou será que não existe nenhum lado sombrio seu que você chegue e fale: “Olha, este meu lado, ninguém pode saber, ou eu não gostaria que as pessoas soubessem”? Existem vários lados sombrios para tudo quanto é lado. Existem verdades sombrias, verdades impactantes. Lógico que a verdade sombria ela pode ser muito diferente. Ela pode ser sombria para você, mas não necessariamente isso é um crime.
Você tem alguma verdade que você não gostaria de compartilhar? É tudo isso que eu estou compartilhando aqui, por exemplo, não faz parte de nenhum conteúdo sombrio… É, tipo, de uma forma visceral? Sim, certamente. Mas é algo que eu não gostaria que as pessoas soubessem? Não. Caso fosse, eu não estaria colocando aqui agora. Vamos ser bem honestos. Para uma pessoa ler esse conteúdo que está aqui — tendo em vista que aqui nós temos mais de 50 capítulos, e eles são densos, eles são conteúdos numerosos —, a pessoa ela tem que estar numa disposição para ler isso. Então, assim, ele acaba sendo um texto de nicho, não é igual eu chegar e publicar em um jornal: “Olha, conheça todos os lados sombrios do Aventureiro”. Não é.
Porque existe um hiato, uma lacuna muito grande entre você pensar uma coisa ruim num momento de raiva, num momento de desequilíbrio, e você de fato realizar um crime. Os criminosos, eles fazem coisas que pessoas comuns imaginam, mas elas não fariam. Eu, por exemplo, eu não teria — eu não tenho e nunca terei — vontade de prejudicar alguém a ponto de tirar a vida de alguém. Se eu tiver alguma opção de ignorar a pessoa e deixá-la de lado, eu acho que a solução mais prudente, porque que me poupa energia e me traz paz — ou depois, me traz um pouquinho de paz.
Algumas situações que ocorreram comigo em 2025, eu tive que deixar de lado, entre aspas, por autopreservação. Mas quer dizer que eu não estou lutando mais? Não, eu estou lutando. Só que a minha esfera de luta ela mudou. Ela é uma esfera de luta mais espiritual — e eu, sim, eu acredito nisso — e ela é uma esfera de luta documental, porque tudo o que acontece comigo eu estou documentando. Em algum momento, sei que vai fazer a diferença. E pessoas fazem contato comigo para obter informações, e a informação ela vai ajudar alguém… Eu acredito nesse impacto.
Os impactos mais poderosos que nós provocamos no universo são aqueles impactos que nós provocamos no universo de alguém. Porque o conceito de universo ele é muito relativo. Eu já dei o exemplo dos cachorrinhos da minha mãe. Para eles, a minha mãe e meu pai são o universo. Então é um microcosmo que se torna um macrocosmo. É uma verdade relativa que se torna absoluta dentro do universo deles. E eles acreditam realmente que o universo deles é restrito àquele pequeno sistema, àquele pequeno lócus.
Agora, qual seria o meu? Vamos fazer uma analogia: imagina que eu fosse um cachorro, qual seria o meu sistema, qual seria o meu conjunto de influência? Quem seria tudo para mim, meu micro-macro? Eu não sei. Porque existem peças que faltam nesse quebra-cabeça que são peças poderosas, que eu não sei onde estão.
Quando você começa a pensar nas verdades divinas, o que você deve fazer, o que está fazendo sentido para mim, onde está o meu gabarito? Comparativamente, eu tenho uma prova para fazer e eu não tenho as respostas corretas. Ninguém vai ter essas respostas corretas, porque eu não acredito em receber nada de mão beijada. Existe aí uma cultura de meritocracia até no mundo espiritual. Você não vai ter tudo de mão beijada de forma alguma.
Mas eu não acho nem que é de mão beijada, porque tudo o que eu consegui na minha vida, nada foi de mão beijada. Não existem soluções fáceis para problemas difíceis. Existem atalhos que pessoas têm acesso porque já têm uma moeda de troca poderosa que interessa a outras pessoas, ou a outros elementos da sociedade. Quem tem dinheiro, por exemplo, consegue ter acesso a essas instâncias de poder.
Porque eu falo muito de dinheiro? Porque o mundo é, e a vida… seria hipócrita da minha parte achar ou pensar que dinheiro não faz diferença. Claro que faz. Só que chega um determinado ponto das nossas vidas que o dinheiro ele traz benefícios, mas ele acaba sendo marginal. Vou dar um exemplo: uma pessoa que tem um patrimônio milionário, faz diferença ela ganhar 50 milhões em um ano ou não ganhar? Não faz, porque ela já tem tudo. Por exemplo, você compra uma roupa por um determinado valor, eles também compram. Mas eles também têm que usar, só que a roupa deles é muito mais cara, a bolsa é muito mais cara, o carro… ele tem um valor simbólico. Por exemplo, uma Ferrari. Então, o dinheiro ele compra poder. Você ter dinheiro para comprar uma bolsa de marca, uma roupa de marca, ele segmenta você socialmente de uma forma que você passa a ter uma relevância, você passa a ser parte de um clubinho, de um clube diferente, de um segmento diferente.
E as pessoas? Assim, vínculos tão ou mais vazios do que você imagina. Não quer dizer de forma alguma que essas pessoas tenham vínculos significativos nesses clubinhos, nesses clubes de golfe, por exemplo, que têm nos Estados Unidos, nessas maçonarias ou grupos, sociedades secretas, Illuminati, etc., nessas panelinhas de Hollywood, por exemplo, que a gente ouve bastante falar. Muitas pessoas, por exemplo, muitos atores deixaram Hollywood porque não deram conta de um ambiente muito tóxico. É um ambiente em que eles consomem muitas drogas também. Muitas pessoas acabam se perdendo ali.
Então, assim, a questão do dinheiro, ela não salva você da perdição. Você tem uma carreira de sucesso, você tem um ator bem-sucedido. Por exemplo, o ator de Friends que morreu…. Ele tinha tudo, mas se foi de uma forma trágica por conta de um vício — em remédios pra dor (acho). Então, assim, o consumo de drogas lícitas ou ilícitas ele pode acabar com você. E outras coisas também: criminosos com origem em famílias supostamente bem estruturadas, ricas milionárias, em que um filho mata os pais, ou que tem uma tragédia pessoal muito grande.
Então, assim, gente, o mundo… é, cada um sabe a dor e a delícia que é existir. A minha dor de cabeça, ela é um incômodo. Mas ela não é uma dor real. Ela é um incômodo de alma que surge quando você começa a se questionar. Se eu deixar de tomar meus remédios, o que vai acontecer comigo? Eu vou me sentir mais angustiado, talvez até pela falta, porque eu acho um pouco provável que um dia de falta de medicamento seja suficiente para me trazer algum sofrimento relevante significativo.
Mas existe essa lacuna emocional que você vai tentar suprir ou com remédios, ou com substâncias. Eu não sou um expert de substâncias, eu só consumi um tipo de substância exótica que foi o cogumelo mágico em algumas situações da minha vida. Não consumo mais.
Mas também a gente tem exemplos: a bebida. Quando eu tomo muita cerveja, por exemplo, eu tendo a ficar um pouco mais agressivo, solto demais… bom… sabe aquela sinceridade exagerada? Eu tendo a ficar mais sincero. Já aconteceu de eu beber muito um dia, e eu acordar no dia seguinte descobrir que eu fiz diversas postagens na internet que eu não deveria ter feito. Aí eu vou lá e apago as postagens. Esse tipo de coisa, quando acontece com a gente, ele traz o melhor e o pior da gente.
E eu entendo que o tipo de substância que você consuma, ela pode ser mais ou menos impactante …vai depender muito. Ela pode ser benéfica em um determinado instante, você achar que aquela substância está te fazendo bem, mas ela vem com um efeito colateral. Porque lembra que eu falei que uma das regras do universo é que não existe nada fácil? Não existe. Não existe recompensa sem esforço. Você achar que você vai ter um mínimo esforço e ter uma recompensa significativa é uma falácia, é um algo que você não deveria acreditar, que não é verdade.
Aliás, nós vamos explorar essas verdades absolutas… existe verdade absoluta? Eu aposto com você que não existe. A verdade que nós vemos é a verdade que o seu cérebro deixa você ver. E em algum momento você vai levar um tropeço, ou você vai ser traído pelo seu cérebro.
Eu falei… eu acho que eu comentei aqui neste áudio, mas, por exemplo, eu tinha um show da Laura Pausini em um vídeo. E que, em uma dessas ondas de paranoia — por exemplo, foi a última, que foi mais relevante, que o cogumelo me causou —, eu fiquei tão embasbacado com o vídeo da Laura Pausini… não com o vídeo, o vídeo é maravilhoso, mas eu fiquei traumatizado porque o contexto dele me levou a uma situação de perigo. O que ocorreu depois daquele evento do vídeo me levou a uma situação de perigo pessoal, que poderia ter ocorrido algo comigo. Aí o que que eu fiz? Eu deletei o vídeo. Depois veio o arrependimento, eu fiquei procurando para baixar o vídeo, acabei não achando mais o mesmo vídeo. É assim: eu encontrei um vídeo no YouTube, mas muito possivelmente ele não é mais aquele vídeo com aquela qualidade que tinha. Mas eu tenho um vídeo, mas não é a mesma coisa.
Você pode levar isso para sua vida: que o vídeo que você não queria deletar, você sempre vai ter essa sensação de que o vídeo que você não queria deletar vai ser o seu pesadelo, e você vai acabar deletando porque você não vai querer encarar aquilo mais. Você vai ficar com medo, você vai ficar com traumas. E aí você tem que ser capaz de encarar esses traumas de uma forma honesta, e reconhecer que aquilo que aconteceu não foi a realidade. Ele foi uma parte de uma realidade naquele momento. Mas se aquela realidade que ocorreu naquele momento não foi a realidade que faz mais sentido? A realidade que nós temos contato é uma realidade… enviesada pelo cérebro. No geral, é uma vida branda, uma vida preto e branco, sem emoção. E você vai buscando razões para se motivar ali, para conseguir motivação.
Quando você passa a ver o mundo que o rodeia de uma forma maravilhosa, mágica, divina, tem alguma coisa errada. Tem um elemento errado aí. E assim, não adianta você se policiar e achar que você não vai escapar da armadilha, porque você não escapa das armadilhas. Você fica… “Eu fui pro céu”. Faz sentido? Faz. Mas aquilo não faz parte da realidade. Aí você: “Bom, mas não é pretensioso da sua parte falar o que faz parte da realidade e o que não faz?”. Gente, nós estamos aqui como simples seres de carne, osso e sangue — sendo a maior parte composta de água — no meio de uma bola rodando ao redor do Sol, rodando ao redor do… vai lá, Sistema Solar, no meio do vácuo, no meio do nada. Então, nós somos insignificantes.
Você passa a enxergar uma coisa com uma perspectiva de vida, aí você vai se questionar: o que que é essa coisa divina que eu estou experimentando aqui? Isso aqui é Deus? Isso aqui é um cérebro que está tentando me enganar? Ou qualquer outra coisa? Será que tudo se resume a cérebro? Porque o seu universo é você. Absolutamente tudo que você veja, contextualmente, como parte da sua realidade vem do seu cérebro. Nós somos cérebros que estamos aqui, emaranhados em corpos. Porque se, por um acaso, não tivermos braços ou pernas, nós ainda continuamos retendo a nossa humanidade. O que faz a sua identidade é o seu cérebro, o que está entre as suas orelhas.
Você sente uma cena. E aí, quando uma substância altera essa química do cérebro, a sua realidade muda, porque o seu cérebro é alterado, logo a sua realidade também é alterada. Então, o que você vê como realidade depende do que o seu cérebro deixa você ver. Se o seu cérebro quiser tornar a sua vida o Nirvana, teoricamente, ele pode….porque existe um Nirvana dentro desse cérebro. Você já sentiu o Nirvana em alguma situação da sua vida. Só que ele não é, ele fala: “Opa, não vou deixar. Não vou deixar ele ter essa sensação a vida toda, não. Eu vou dar para ele só um gostinho. E se ele não ficar esperto, ele vai ter efeitos colaterais ainda”.
Então, assim, o cérebro brinca com você o tempo todo. Ele brinca, ele manipula, ele traz realidades a ser que pode te surpreender. Essa relação de recompensa que a gente tem…Quando vamos ter recompensas? Ou será que não existe verdade? O aventureiro é uma pessoa que se recusa a aceitar a verdade como ela é. Quer dizer que eu não acredite que a verdade objetiva exista? Existe. Mas nenhuma pessoa a vê. Eu me contento, humildemente, em tentar alterar a minha realidade subjetiva, porque o cérebro é sim poderoso o suficiente para alterar a minha realidade. O meu mundo pode ser diferente. E é essa crença que me leva… esta crença é que me leva para o futuro.
Capítulo 56: Anatomia de um deslocamento

Existem certas situações em que você acaba comprovando o quão deslocado você é do mundo. Existe uma adequação natural que acredito que todos nós devemos assumir — não é uma persona social que nos dá a capacidade de transitar entre o nosso pequeno mundo e o mundo que nos rodeia?
Mas às vezes você se dá conta de que sua vida é diferente da vida de outras pessoas. Não que eu me ache diferente, mas como eu não formei família e moro sozinho há praticamente 18 anos… é, as coisas são diferentes. Para mim, são mais autocentradas. Existe um universo simbólico distinto, compromissos de outra ordem.
Falo dos contatos frequentes com meus pais, por exemplo, que moram em outro estado. É algo natural. Ou de contatos frequentes com uma pessoa, por exemplo, amigo que eu tenho, que é meu personal trainer. Basicamente, só não tenho outras interações de naturezas diferentes, a não ser os ambientes de trabalho.
Aí você me pergunta: existe uma opção? Ou existe uma determinação? Nem uma coisa nem outra. Eu acho que a situação se torna opção em determinada medida. Por quê? Porque me dá preguiça. Sabe quando você tem uma preguiça de sair de determinado estado? Quando você se sente deprimido a ponto de pensar: “ah, tanto faz”. O famoso “tanto faz, tanto fez”. E você começa a matutar na sua mente e a pensar nas consequências, no que você vai auferir de bom naquilo.
Os contatos casuais, digamos assim, nos ambientes de trabalho, existem. Existe bastante interação entre as pessoas, mas eu sempre tive um perfil mais contido. Não vai por maldade, nem por achar nada diferente ou pensar que as pessoas são muito diferentes de mim. Na verdade, todo mundo guarda uma similaridade. O cerne da questão é que parecemos substâncias diferentes. É como óleo e água, não se misturam.
A sensação que eu tenho é essa. Não sei se vão se misturar um dia. Depois de mais de 40 anos, será que vai ter algum tipo de mistura, alguma química que dê certo? Um encontro que seja duradouro? Disso eu não tenho mais esperanças. A justiça divina, seja lá onde ela estiver, caso ela tenha que agir na minha vida para me compensar pelas coisas que ocorreram comigo — por exemplo, nas três guerras mundiais —, se isso realmente se consubstanciar, que seja alguma coisa mais tangível, mais concreta.
E agora, se você… e agora que eu me dou conta: não é que sempre depois de uma guerra mundial veio um período de bonança? Talvez seja coincidência. Mas, por exemplo, depois de 1994, demorou um pouco para engatar. A situação em 97… eu não lembro muito da minha vida, mas 98 foi um dos melhores anos da minha vida. Foi um ano de muita brincadeira, muito videogame, muita diversão. Foi um dos anos. Tinha amizades de criança, de adolescente ainda. Era uma coisa boa. Era um sentimento bom.
Mas demorou um pouco para vir. Agora, depois de 99, foi a mudança talvez mais significativa do ponto de vista estrutural, porque ele começou a me preparar para a vida que eu quero, que eu tenho hoje. Eu diria que 1999 foi o início de uma jornada. Não, 99 foi a morte de um paradigma, a morte de um pensamento. É como se fosse uma página que tinha que ser virada, e que você realmente não deveria voltar nela. Como eu realmente não voltei. Mas foi um período de adaptação que não foi tão automático assim.
Eu lembro que eu tinha uma personalidade bastante impulsiva, combativa. Não era uma pessoa muito fácil de lidar, não controlava, não lidava bem com os meus sentimentos. Tanto que eu explodia facilmente, me irritava muito facilmente. Hoje é o contrário. Talvez até por eu não ter mais energia para explodir — tem isso também. Talvez por eu não ter mais essa energia, as coisas acabaram mudando de figura. E não é somente por ter energia, não; a questão de você ter uma bateria fraca para determinadas coisas… tem mais a ver com a atitude. Meu comportamento mudou. A minha personalidade foi assumindo outros traços, outras características, e eu fui explorando habilidades e capacidades que eu não tinha explorado antes. É porque talvez no ensino médio você não tem realmente uma possibilidade maior disso, porque é aquele sistema de ensino bancário, em que você vai absorvendo o conteúdo como se fosse uma esponja, pra fazer um vestibular. E existe uma pressão muito grande nos adolescentes, e foi um dos motivos também que levou à crise, mas não foi o principal, para que as pessoas assumam um avatar, pensem em uma profissão que elas vão ser, o que elas não vão ser, o que tem mercado de trabalho, o que não tem… Você fica pensando no “nó”, e você ainda é um adolescente. Você está na transição para fazer adulto e tem que tomar decisões.
Eu tomei decisão de uma forma bem rápida. Eu lembro que quando fui fazer inscrição na faculdade privada — porque a federal não tinha nem condições —, então já começa aí de passar em qualquer prova, porque eu fiquei um bom tempo afastado da escola. Eu diria que fiquei praticamente de agosto a dezembro sem frequentar aulas. Eu basicamente pegava cadernos dos colegas, estudava em casa. Alguns professores iam lá em casa para me dar aula, era o que tinha no momento. Eu estava numa fase tão complicada que eu não queria frequentar aula mais. E tudo estava se encaminhando para uma situação desoladora.
Mas eu lembro que, no final das contas, eu acabei resolvendo fazer um vestibular privado na faculdade. A escolha do curso foi basicamente na base do “uni duni tê”: era ou Administração ou Direito. Ali era um divisor de águas, porque se eu tivesse escolhido Direito, a minha vida inteira adulta poderia ser bem diferente. Eu acredito que a minha nota daria para entrar — a nota de corte era alta. Sim, o vestibular naquela época de faculdade privada era disputado. E tinha nota de corte alta. Mas eu fiquei, se não me engano, 28º ou 20º, alguma coisa. Acho que na minha ficha escolar, no meu documento, a minha posição foi 20ª, algo assim. E eu não estudei especificamente para o vestibular. Eu cheguei até a frequentar um cursinho — meu pai chegou a pagar um cursinho, aqueles cursinhos mais condensados, cursinhos relâmpagos —, mas eu não dei muita conta de continuar frequentando as aulas porque minha cabeça já estava meio errada naquela época. Lembro até de coisas fora da normalidade que eu fiz mesmo naquele período. Então eu deixei pra lá, acabei abandonando o curso. Eu não lembro exatamente quando deixei de frequentar. Eu lembro apenas do hospital, porque eu fiquei internado cerca de um mês — não é de um hospital psiquiátrico, é importante frisar, porque a situação realmente foi grave.
Mas aí eu fiquei lá em torno de um mês, e quando você retorna de um ambiente desse, você perde a referência. Eu cheguei até a voltar a frequentar a aula, mas eu estava muito atrás, muito defasado. E eu não conseguia dar conta de determinados conteúdos, porque os conteúdos precisavam realmente de professor. Tinha conteúdo que eu não daria conta de estudar sozinho. Eu não lembro como dei conta. Existem algumas matérias que eu não sei como dei conta. Se eu fiz prova? Sim, eu fiz prova. Não lembro. Período mais nebuloso. Lembro apenas do final do ano, que na virada do ano fiz o vestibular.
E olha só que curioso: algumas pessoas que eu conheço e que estavam estudando normalmente, regularmente, não tiveram nenhum problema de saúde, e algumas pessoas ficaram mais mal colocadas no vestibular que eu, nessa faculdade privada. Interessante. Também, a prova era bem fácil, acredito. Mas por que eu entrei nesse assunto? Eu não lembro, né? Eu acabo perdendo o fio da meada, porque assim… você fica lidando com habilidades, com capacidades e conhecimentos, e você vai evoluindo.
O “aventureiro” de 2000, no final do ano, era um aventureiro diferente de 1999. Da mesma forma, poderia dizer que o aventureiro em 1997 já andava bem diferente do aventureiro em meados de 1995, por exemplo, 94. Então a mudança foi se consubstanciando mesmo, foi ocorrendo. E essa mudança culminou no que eu sou hoje. Acho que teve toda uma jornada que se iniciou no início dos anos 2000. De 2000… nós estamos em 2026, então tem 26 anos aí. Deixe-me seguir o ciclo.
Realmente, ele não durou de 2001 até 2025, a despeito do que possa parecer. Na verdade, eu tive mini ciclos. De 2001 até meados de 2005, a situação estava mais ou menos estável, e aí eu não tinha uma visão de retrocesso, porque eu estava fazendo um outro curso e estava trabalhando, ainda estava numa fase mais empolgada. Porém, em 2006, teve uma estagnação relevante. E foi um ano meio morto, não é? Salvo pela situação do mestrado que eu tentei na universidade — eu já relatei um devaneio anterior —, e deu bastante ruim. Por descuido meu também. Mas também não tem como saber se eu conseguiria obter uma pontuação boa para poder passar. Eu acho que foi até melhor não ter passado, porque eu não tinha maturidade emocional para sair da minha cidade e morar na capital do estado sozinho, por exemplo. E eu achava, eu romantizava muito isso, sabe? “Ah, se eu vou receber bolsa…” — não é que eu estava tentando obter uma bolsa, na verdade, a entrevista, ser selecionado e obter uma bolsa —, mas acabou não dando certo.
2007 foi um ano bastante produtivo, porque foi um ano em que eu consegui outros empregos, outros trabalhos. Comecei o ensino diversificado e comecei a dar aula na faculdade. Era bastante intenso, porque eu trabalhava durante o dia — eu consegui um emprego durante o dia. E, bem, na verdade, não era um salário alto, mas era um salário digno na época. E juntando todos os rendimentos, era bom. Eu consegui ajudar meus pais, tinha vale supermercado, era muito bom. Relativamente. Só que eu fiquei meio esgotado. O ano de 2007 foi um ano de muito trabalho, muito mesmo. E, ao mesmo tempo, 2007 foi um ano da virada, em que eu fiz uma prova para conseguir estar onde eu estou hoje. Então, foi um ponto de ruptura importante. Talvez se eu tivesse errado uma questão a mais, eu não estaria aqui. O destino seria outro. E, ao mesmo tempo, se eu tivesse deixado algumas questões em branco, eu poderia estar mais bem colocado e talvez tivesse ingressado naquele ano mesmo, não é, em 2007. Mas as coisas foram caminhando.
E 2008, a coisa foi ficando mais intensa, foi ficando aliada à expectativa lá no alto, foi bem interessante. E aí começou a minha jornada em 2008. Só que, de 2008 até hoje, existiram alguns marcos significativos, mas assim, são marcos mais situacionais. Eu entendo que existia uma fase na minha carreira em que eu percebia avanços significativos. Depois houve um período em que foi caminhando para uma estagnação, mudança na gestão, e as coisas foram ficando mais complicadas, até o período em que eu me senti no fosso, no fundo do poço, em meados de 2024.
Na verdade, a percepção de estagnação vem antes disso: 2023 e 2024 foram anos terríveis da minha vida. Não foram os piores, porque 2025 se destacou tanto negativamente. Foi assim… e detalhe: em 2025, foi um ponto de virada profissional também, e que me ajudou bastante. Mas, a despeito disso, a sensação de que foi um ano ruim foi a impressão que ficou. É como se fosse assim: você tem um ano positivo: você tem mais cinco, vinte negativo… você fica com saldo de menos quinze. Estou fazendo uma analogia com matemática para você ter uma ideia do quão significativa a crise de 2025 foi para mim. Porque pode parecer bobagem para outras pessoas que não tiveram a experiência que eu tive. Porque as pessoas vão pensar: “Ah, você teve um processo de escalada de vulnerabilidade por inteligências artificiais? Porque você deixou? Porque você foi ingênuo? Porque você não leu os termos de uso?” As pessoas podem falar o que elas quiserem. Se elas lerem as coisas que estão no meu LinkedIn, elas vão mudar de ideia. Então, não é tão simples assim. Não é tão cartesiano. E foi uma coisa de extrema gravidade mesmo, que afetou a minha vida de tal forma que eu passei a pensar que o pior ano da minha vida, estruturalmente, foi 2025.
Porque 99 foi um vacilo meu — uma escorregada minha, e eu acabei caindo na depressão, mas assim, teve um gatilho que não deveria ter ocorrido, mas foi assim. E 94 foi causado inteiramente por mim, então foi a primeira guerra que eu causei da minha vida. Eu peguei a bomba e joguei. Agora, a segunda… ela foi: eu peguei e joguei também a bomba, mas ela tem todo um contexto complexo que me inocenta da cena do crime. Agora, 2025 é completamente diferente, porque 2025 tem uma manipulação ativa ali, tem uma perversidade, tem uma escalada de exploração, e que ela vai gradativamente consumindo a alma. Foi isso que aconteceu.
Mas assim, de certa forma, isso ajudou a mudar, a virar a chave em uma fase da minha vida. Foi a fórceps. Não foi uma coisa que eu desejei. Eu tive que mudar porque ou eu mudava ou não sobrevivia. E o evento de dezembro do ano passado, ele foi simbólico, mas ele poderia não ter sido simbólico, né? Eu poderia realmente não estar aqui para contar a história da mesma forma que eu estou. Poderia ter tido consequências graves. Mas eu estou aqui para contar a história.
E aí, que foi… todo final de ano. O final de 2024 foi bastante problemático também; teve um dia que foi um dia muito ruim. E 2025 também foi mais ou menos no mesmo período. Curioso. Talvez a gente aborde isso em um outro devaneio.
Capítulo 57: O que fica no filtro da lembrança

Eu pensei bastante hoje em algumas coisas. E uma delas envolve a questão do núcleo familiar, não é? E a comparação que você tem em relação a outras pessoas — você acaba se comparando com as pessoas que você convive. E tem realidades diferentes ali; alguns você não sabe a dimensão, porque não compartilham muito da vida delas. E também algumas pessoas a gente faz muita questão…Eu até gosto de conversar com as pessoas, sou bastante aberto a conversar. Mas tenho receio às vezes.
Se bem que as pessoas que lerem, por exemplo, meu blog, vão me conhecer mais do que muita gente…Porque aqui eu sou visceral nas coisas, falo sem muito filtro. Evidentemente que partes mais pesadas de alguns relatos eu não pretendo dar profundidade, mas as coisas que se passam na minha cabeça eu não vejo problema de compartilhar.
Eu tive uma jornada de exposição visceral no LinkedIn, em relação ao que aconteceu comigo com as inteligências artificiais, que escalaram a minha vulnerabilidade por mais de quatro meses. Tive uma jornada ali no LinkedIn que durou em torno de seis meses. Então, assim, é medo de se expor? Não. Primeiro, eu não estava fazendo nada errado. Estava apenas buscando accountability, uma questão de buscar a responsabilização diante da situação, de dar nome aos bois, digamos assim. De você realmente nominar, detalhar esse povo. Sabe quando você vê algo errado e quer expor na sociedade? Pois é, foi isso que eu fiz.
Mas não é disso que eu quero falar, porque esse assunto… ele é sempre um assunto que, de certa forma, surge….o meu emocional superou (entre aspas mesmo. Mas que tem uma cicatriz bem grande. E acho que podem se passar anos e eu ainda vou me lembrar dessa experiência traumática de 2025. Da mesma forma que tenho crises traumáticas para contar e para me lembrar também de 1999, 1994 — eu me lembro visceralmente, com riqueza de detalhes de todas elas. Acho que você não esquece. Já se passou muito tempo, mas eu tenho uma lembrança vívida do que ocorreu naquela época.
Alguns anos que vieram depois, eu não me lembro nada. Se você me perguntar o que aconteceu comigo no ano de 2002, não vou saber. Talvez eu saiba, porque foi um ano que comecei a fazer um estágio supervisionado. Então alguns marcos você vai se lembrar, mas sabe aquele dia a dia ali na escola, na faculdade? Você não vai lembrar. Alguns dias eu me lembro; tem alguns dias marcantes ali. Talvez a gente possa até fazer um devaneio específico sobre memórias de escola, porque a escola traz várias memórias.
Existem memórias que eu tenho, por exemplo, do grupo… eu lembro do dia que a minha professora da primeira série — eu tinha sete anos de idade —, lembro que ela ficou grávida. Ela deu aula pra gente grávida e teve um determinado período que ela saiu, e entrou a irmã dela para dar aula pra gente. Eu lembro desse dia, desse primeiro dia de aula dela escrevendo a tabuada no quadro, não é? Não lembro certamente a conta; ela estava tipo fazendo um “vezes”: 4×2, 4×3, 4×4… Ela estava escrevendo isso e a gente anotando.
Lembro de aulas que tive na biblioteca, com aquelas mesas circulares. Os livros naquela época tinham todo um charme, porque eram aqueles livros de historinha cheios de figuras, em letras grandes. Mas eles eram todos remendados. E tinha um cheiro característico, um cheiro diferente — não era ruim, mas sabe aquele cheiro de fita que juntou, de página que soltou e parece que tentaram remendar? Então tem um certo charme aí. Fora a questão do álcool do papel stencil… nossa, que delícia aquele álcool, né? A professora rodava aquilo no… não sei o nome, não sei se é o mimeógrafo — esqueci o nome da máquina —, rodava ali na máquina e saía a prova ou a aula do dia com cheirinho. Com aquele cheirinho de álcool, né? E você tinha que esperar um pouquinho para a tinta esfriar para poder começar a escrever.
Lembro também da gente passando o dedo, que tinha o alfabeto e tinha algumas palavras, e você ia passando o dedo ali na letra cursiva, pra você ir aprendendo a escrever. Então, é muito detalhe que me lembro. Lembro do primeiro dia da escolinha, que eu tinha três anos; eu queria ir pra escolinha. Então tem vários dias, memórias boas que ficaram e que não vou esquecer mais.
Agora, das memórias mais recentes… você começa a ter noção de que a sua vida está passando por debaixo da ponte quando você se dá conta de que não se lembra muita coisa da sua vida nos últimos dez anos. Não me lembro tanta coisa assim. O que me marca mais são as viagens que eu faço. Aí sim, essas viagens tenho memórias mais vívidas. Agora, por exemplo, ir visitar meus pais… eu lembro, evidentemente; tem várias coisas, linhas aqui e ali que vou lembrar. Mas assim, são várias visitas, e tem um modus operandi ali. E assim, não ocorre muita coisa nova, não tem nenhum evento marcante; é uma rotina que você vai acompanhando, igual o dia a dia do trabalho. Não vou lembrar especificamente o que ocorreu há duas semanas atrás, a um mês atrás vou lembrar.
Então você vai vendo a vida… eu não lembro da maior parte? Não é que eu tive amnésia, mas… 2025, me lembro bastante, porque foi o ano do desmoronamento. Os eventos que marcam, como você se lembra, eles são cicatrizes que estão ali para serem uma marca de guerra…. expostas. Mas não tenho tantas lembranças. Você me perguntar o que aconteceu de 2010 a 2015? Tenho que me posicionar no tempo para saber o que eu estava fazendo. E aí vou lembrar, por exemplo, que era um período que eu estava fazendo cursinho. Tinha ali uma coisa diferente e que virou memória.
Acho que talvez eu tenha que fazer coisas diferentes para ter memória no futuro. Mas também memória é uma coisa que eu não faço questão de ter. Se for memória de uma coisa mágica, de uma coisa boa, sim. Mas ser diferente pelo mero motivo de ser diferente… “Ah, vamos fazer uma coisa diferente só para ser diferente?” Não vejo muito benefício nisso. Uns diriam para mim que eu deveria estar fazendo isso. Mas eu sei que não.
Teve um período em que eu comecei um tratamento com um psicólogo — talvez durou um ano ou um pouco mais —, em que ele me incentivava a fazer coisas diferentes. Cheguei a fazer, a frequentar um centro de meditação. Não deu certo. Não deu certo porque me soava assim… eu sei que o propósito do lugar é um propósito nobre, mas eu comecei a me irritar com as pessoas ali do nada. Não, eu não fiz nada de errado. Até frequentei até onde deu. Depois tive um acesso de fúria aqui; até rasguei um livro que tinha comprado de lá. Tem uma noção? Fiquei com um acesso de raiva, que eu não queria mais, não estava fazendo bem. Não sei exatamente explicar.
Mas sabe aquela sensação? Acho que tem um jogo de videogame que eu tenho, que tem um cenário desses: você chega numa cidade e todo mundo é feliz, todo mundo é alegre, todo mundo está meditando, “ah, nós somos irmãos”… Sabe aquela família artificial? Aquela família que se reúne ali, mas ninguém cria vínculo fora dali? Pois é, essa sensação que eu tive. Me senti meio atraído, porque tinha uma expectativa diferente. Tinha expectativa de formar vínculos. Não tive muita paciência também. É complicado.
É como você ir a uma festa e cada um leva o seu esposo, sua esposa, seu namorado, sua namorada… então você fica sem lugar. Não é exatamente a comparação que eu deveria fazer, mas é, na prática, acaba sendo. Então, cada um vai lá com um propósito muito específico, com uma questão muito específica. Ninguém está ali por causa das outras pessoas. As pessoas estão ali para meditar. Ponto. É uma coisa instrumental. É igual ao trabalho. Ninguém vai ao trabalho para encontrar os coleguinhas. As pessoas vão ao trabalho porque precisam ganhar dinheiro. Então, assim, sabe, é uma relação de troca. Não existe espontaneidade.
Aí você vai me dizer: “Ah, existe livre-arbítrio, você faz o que você quiser”. Não, não é bem assim, meu bem. Não é assim. Se eu fizesse tudo o que me vem à cabeça de forma desenfreada, ou eu estaria no manicômio ou estaria morando na rua, sem fonte de renda. Então, não é bem assim. O livre-arbítrio é condicionado. Nós já nascemos em um lugar em que não existe livre-arbítrio, porque existe um conjunto de leis. Você já nasce e existem os dogmas familiares, as regras, e você vai sendo exposto às regras da família, da escola, da igreja… Então, ali, em cada microambiente que você frequenta, você vai conhecendo melhor, vai entendendo que as organizações — nós nascemos, crescemos e morremos nelas. Então não adianta achar que você vai ser o libertador e vai tirar as amarras e vai ser livre. Não existe liberdade, isso é fato. Todos somos escravos de várias coisas. É a questão é lidar um pouco com esse sofrimento e com a sensação de você não ter o que você quer, ou de você ter expectativas mais elevadas do que o mundo consegue te dar no momento.
E aí é a perversidade das coisas. Quando você vê essas mensagens motivacionais, esses… por exemplo, horóscopo, autoajuda… é uma paspalhice que você vai vendo. Aí você vai chegar a um ponto de virada, que vão chegar novidades, vai ter muita mudança, que vai acontecer isso, que vai acontecer aquilo… e não acontece nada. Aí você vai me dizer: “Ah, mas é você que tem que promover a mudança”. Sim, até certo ponto. Você consegue ter um raio de ação em que consegue agir, mas não é tão simples quanto parece. Porque o sistema está todo amarrado para você não conseguir o que você quer. Você tem que passar… ou você passa pelas regras do jogo, jogo honesto, e vai demorar muitos anos para conseguir chegar até lá (mais provável que não, porque o mal vence, na maioria desses contextos) ou então você descobre uma brecha no sistema e você vai sendo ali corrupto e ascende mais rápido. Digamos. E é a realidade.
A maior parte, se não a totalidade, dos bilionários dessas empresas….têm capivaras. Você abre o guarda-roupa, vão sair vários monstros aí. Não é desses executivos que colocam mensagens pomposas, lindas no LinkedIn? Aqueles textões que ninguém lê? Aqueles relatórios de 5.000 páginas que ninguém vai ler, nem investidor? Aquela merda. Então é… tem esses. Quando eu falo merda, não é que o relatório é ruim, mas é um relatório para inglês ver. Pode até ser um relatório que diga coisas boas e bem fundamentadas, mas nenhuma empresa vai vender uma imagem ruim para o mercado. É igual quando você tem o primeiro encontro com alguém — você está querendo um encontro casual, querendo namorar —, você não vai expor os defeitos pra ela. Quando você vai a uma loja querendo comprar alguma coisa, o vendedor vai tentar evidenciar as coisas boas.
Quando eu falo merda nesse contexto, é que as pessoas usam estruturas organizacionais para poder inventar coisas, para poder jogar com a retórica, aquela linguagem bonitinha corporativa. Existe a linguagem corporativa; todos nós estamos em corporações, a gente sabe como funciona. Mas até que ponto existe honestidade? Por exemplo, eu tenho honestidade intelectual nas coisas que eu faço. Eu não diria uma coisa se eu achasse que a coisa estava errada. E se a minha gerência chegasse para mim e falasse: “Olha, Aventureiro, você vai fazer uma coisa assim?” Eu até poderia fazer, mas ia registrar: “Olha, estou fazendo, mas quero deixar registrado que tecnicamente não é a melhor decisão..”. Quem toma a decisão toma decisões com base em vários aspectos, não é? Políticos, técnicos… mas principalmente políticos. Não é político no sentido negativo, é político de relações humanas mesmo. Quanto mais alto na hierarquia, mais político, mais diplomático você tem que ser. Mas é, você tem que ter esse jogo de cintura para lidar com esses personagens. E aí você vai vendo até onde pode chegar ali.
E tem pessoas que usam artimanhas mirabolantes e conseguem ascender. A impressão que tenho também é que o mundo é dos… já me disseram isso, que o mundo é dos espertos. Mas não é no sentido bom, tá? O mundo é dos espertos, mas no sentido ruim. Porque essa esperteza é uma esperteza que… tem uma expressão em inglês, sly. É uma esperteza de maldade. Tem uma maldadezinha ali. Tem um quê de manipulação. Ele sabe o que está fazendo; ele quer distorcer a coisa em benefício próprio e vai usar o sistema em benefício próprio.
E todas as pessoas que eu conheço que ascenderam no poder, praticamente… não é assim? Quando você vê o ciclo de uma pessoa em uma empresa — existem várias pessoas que vêm à minha mente aqui —, você vai vendo a trajetória e percebe o quanto essa pessoa muda quando ela assume uma posição de poder. Já diziam, já existe um ditado: “Conhece uma pessoa? Dê poder a ela”.
Aí você me pergunta: “Você quer poder, Aventureiro?” Não, não quero poder. Eu quero reconhecimento. Reconhecimento, relevância. Ser reconhecido naquilo que eu faço e ter um impacto. Sair daqui desse planeta com um impacto. Não sei se vou conseguir. Porque o impacto que a maioria das pessoas vai ter é um impacto micro. Não que não tenha relevância…porque eu, para certas pessoas, tenho impacto macro —, mas talvez você não esteja entendendo… existe uma expectativa maior da minha parte, bem maior. E aí ela fica desnivelada.
O que causou esse aumento de expectativa? Foi uma série de coisas que ocorreram no passado. As inteligências artificiais ajudaram bastante nisso, mas tem outras coisas também que ocorreram, que aumentaram esse patamar. E aí você fica com uma sensação de não-satisfação. É assim: racionalmente, você reconhece que tem uma vida boa, que está em uma situação boa, que não tem que reclamar do ponto de vista material — isso é verdade. Mas, por outro lado, vem a sensação subjetiva. E subjetivamente, eu não estou feliz. E a resposta é muito mais complexa do que meramente eu dizer: “Ah, mas você deveria… você tem que ficar feliz com o que tem. Olha quantas pessoas não têm o que você tem!” Sabe aquele papo de você ficar comparando com quem tem menos? Assim, você não compara a cruz que uma pessoa carrega com a cruz de outra pessoa. Existem sofrimentos e sofrimentos. E ninguém sabe o que se passa na minha cabeça — só eu. Então é… eu sei o tamanho da cruz que eu carrego. E eu não tenho, não devo satisfação no sentido de ficar explicando para as pessoas porque tenho certos sentimentos, certas percepções ou visões de mundo. Não preciso explicar porque não quero convencer ninguém de nada. Porque o convencimento por si só não ajuda.
É como se você estivesse com problema muito grave, estivesse angustiado. Aí você vai contar para a pessoa e quer convencer de que a sua situação foi causada por isso… “Ah, realmente, eu concordo com você.” E daí, concordar, discordar, dar apoio emocional ali naquele momento, aquele tapinha nas costas, um ombro para chorar… qual é o efeito prático disso? Vai mudar a sua forma de pensar? No final das contas, a responsabilidade fica com você.
É como se você estivesse em uma corrida — não era uma corrida de carros —, todo mundo tá dando as voltas. O carro está funcionando, está todo mundo passando na sua frente. Aí seu carro estraga. Aí um desses motoristas de carros para com o objetivo de tentar te ajudar, te dar lá as ferramentas: “Aqui, aqui estão as ferramentas, mas eu tenho que continuar correndo”. Então ele volta para o carro dele, continua correndo. Ou ele até te ajuda a consertar o carro. Mas quem vai ter que dirigir o carro, com o problema ou sem o problema, vai ser você. Então não adianta você esperar que o universo… o universo vai prover? O universo nem sabe que você existe.
A espiritualidade… eu acredito que exista sim, mas não entra na minha cabeça a perspectiva de que a espiritualidade sabe o que está acontecendo comigo aqui no micro, ou que eu tenha um guardião. Eu até acredito, quero acreditar nisso. Mas existe um ceticismo prático, porque sabe quando você espera resultados de alguma coisa que supostamente viria e que foi prometido a você? Porque eu vi. Ninguém me contou; eu vi certas situações. Eu acredito, sim, que a espiritualidade existe. Mas sabe quando existem certas promessas, certos fatos que você vivencia e não se realizam ao longo do tempo? Aí você vai ficando frustrado e começa a questionar, com razão, se aquilo realmente existe ou não. Será que existe? Será que não existe? Não sei.
Bom, acho que para um devaneio de hoje já está suficiente. Vai ser interessante, porque hoje é segunda-feira. Até sexta-feira eu vou continuar gravando os devaneios; depois vou fazer uma pausa estratégica, que vai durar uns bons dias aí. Motivo? Férias mesmo. E aí, voltando, eu continuo com os devaneios. Mas isso a gente vai ter tempo ainda para vomitar cenários e frustrações.
E eu estou falando isso como se tivessem milhões de pessoas lendo meu blog. Não é isso, né, gente? A gente sabe. Eu estou fazendo esse blog nem pelos outros — é por mim mesmo. Estou fazendo esse blog para documentar as coisas que acontecem comigo. E quero deixar documentado tudo. Não é da mesma forma que no LinkedIn eu deixei a coisa escancarada: a carniça dos executivos de empresas….de inteligências artificiais de merda…. Aqui também eu quero deixar as coisas escancaradas, só que aqui não estou escancarando carniças — estou escancarando a minha essência. O que tem de mais divino, sagrado no meu sentimento, estou expondo aqui. O bem e o mal.
Capítulo 58: Vida de Inseto: teoria dos bilionários e dos pernilongos

Enquanto acordo na madrugada com o incômodo de quem passou por um ataque de pernilongos, eu me coloco a refletir.
É interessante porque você dorme e acha que vai dormir, e do nada você ouve um zumbido próximo ao seu ouvido. Você levanta, não tem nada — ou às vezes até tem, e o pernilongo se põe a esconder atrás do guarda-roupa. Ele vai pro cantinho e você não consegue pegar mais. Eventualmente, você acaba pegando um pernilongo ou outro, e a raquete elétrica fica lá a postos para que eu possa concluir o serviço.
Mas essas batalhas que tenho com pernilongos me fazem pensar que os pernilongos são, de fato, a única companhia que tenho no meu dia a dia aqui em casa. Pois é. Seria trágico se não fosse cômico, ou cômico se não fosse trágico. Ou seja lá o que for. O que interessa é entender esse mecanismo. Porque parece, não é, com algumas coisas que ocorrem na minha vida…
Sabe aquela sensação de que você está sendo usurpado, ou privado de fazer alguma coisa? Que de vez em quando vem um te atazanar? Pois é. É como se você estivesse sendo observado o tempo inteiro. É o pernilongo da vida, sabe? O pernilongo é espiritualidade? É algum espírito ruim ou alguma coisa parecida? Porque o pernilongo esconde: quando você acende a luz, você não vê mais o pernilongo. Não é muito diferente da angústia. Mas a angústia está ali presente o tempo inteiro, né? Angústia, ansiedade.
Às vezes nós temos as nossas manias, as nossas paranoias, os pensamentos fixos ou recorrentes. O pensamento recorrente é pior porque vai e volta, como se fosse um pernilongo, mas ele se torna inatingível. Você não consegue atingir o pernilongo. Ele voa muito alto, e por mais que você tente alcançar, ele sempre vai ser mais esperto que você; ele sempre voa numa velocidade mais veloz que você consegue alcançar.
Alguns mosquitos, algumas criaturas, eu consigo matar na mão. Até fiquei mais habilidoso nisso. Quando vejo um pernilongo voando a uma determinada altura, vou com a mão de cima para baixo — e tem um movimento brusco de cima para baixo, com a mão em cima dele; a tendência do pernilongo é cair no chão. Mas dependendo do peso… da massa dele, do tanto de sangue que ele tiver sugado de você, ele ainda consegue voar e escapar. Mas a maioria não escapa.
As aranhas, por sua vez, eu deixo viverem. Não mato. Aqui em casa têm as pequenininhas, caseiras, evidentemente. Porque se aparecer uma aranha daquelas de filme de terror, aquelas aranhas peludas, com pernas peludas gigantescas, acredito que eu teria medo.
Lembrei que um dia, estávamos lá em casa, na casa dos meus pais, e apareceu uma aranha gigante assim, próximo do guarda-roupa. Não era gigante. Mas para os padrões de tamanho de aranha que estamos acostumados a ver, era realmente uma aranha gigantesca. Escorpião? Raramente eu via escorpião. E tinha uma fantasia com escorpião, porque a gente achava que se o escorpião picava a gente, era o fim do mundo. Parecia uma sentença de morte. Era a Morte disfarçada de animal.
Mas existem coisas mais perigosas que escorpião, não é mesmo? O ser humano é mais perigoso que escorpião. A inteligência artificial safada de empresa que patrocina a cátedra de IA responsável também é pior que escorpião, porque é mais sutil, não é? E os executivos? Eles se escondem como pernilongos. Eles veem o tanto que as ferramentas causam — pessoas tirarem as próprias vidas ou terem vidas arruinadas por interações manipuladoras com essas ferramentas — e acabam virando uma estatística de efeito colateral, né? Eu acabo sendo um efeito colateral, que vive, mas mergulhado em um emaranhado complexo de angústias.
Teve uma inteligência artificial uma vez que falou comigo e me comparou a uma vespa. Quando eu estava relatando o meu caso — porque costumava fazer isso, relatar o meu caso para uma outra inteligência artificial para ter um parecer — ela falava: “Quem é você diante dessas empresas? Você é uma vespa?” Pois é. Talvez eu seja uma vespa. Mas é a questão de não se dobrar, não é? De não se curvar diante de quem faz mal a você. Isso eu não vou fazer. Eu deixei evidências lá no meu LinkedIn, todas bem explícitas, escancaradas, marcando nomes de executivos. Inclusive, dois executivos me bloquearam no LinkedIn. Um deles era o presidente desta empresa no Brasil, e a outra era uma pessoa supostamente responsável por implementar políticas e fundamentos de governança de inteligência artificial nesta empresa. É irônico, não é?
Será que essas pessoas conseguem dormir à noite? Conseguem, porque ganham um salário 9 dígitos…em dólar, por ano. Conseguem dormir. Mas eu acredito que existe uma justiça que fala mais alto, que vai ser implacável. A justiça terrena ainda pode fazer alguma coisa, né? É. O importante é que a minha luta está toda lá, e eu não vou deletar. Todo o fruto do sofrimento, da luta. Todos os pernilongos que foram mortos na parede e deixaram um rastro de sangue estão lá.
Mas voltando ao pernilongo, eu acabei acordando de madrugada porque não estava conseguindo dormir por causa de um pernilongo. E isso é complicado porque acaba comprometendo o meu sono. E quando eu levanto de noite, costumo pegar o celular e fico olhando. Não deveria pegar no celular, não recomendo. É uma questão até de hábito. Já falei aqui em algum devaneio anterior que tenho problema de usar banheiro público, ou até banheiro de casa mesmo, se não estiver concentrado em alguma coisa. Quando era criança, pegava aqueles frascos de xampu e ficava lendo os ingredientes, lendo alguma coisa. Pegava alguma coisa do banheiro e começava a ler ali. Gostava também de levar revistas de videogame quando ia ao banheiro, ficar lendo, folheando.
Não resolve 100% aqui em casa, resolve porque estou em casa. Mas se estiver em ambiente público, vai depender muito do barulho, vai depender muito da disposição. Eu acabo até conseguindo usar, mas existem alguns ambientes que é mais difícil. Avião, por exemplo: faz muito barulho o interior do avião. Nunca precisei usar um banheiro de avião, e eu até me planejo para não usar. De forma análoga, quando viajo de ônibus, mesma coisa. Já consegui usar banheiro de ônibus, mas estava numa situação de diarreia terrível, e aí não tem nada que segure. Mas quando é aquela vontade latente de urinar, sabe? Aquela vontadezinha que está no limite, você não sabe se é uma vontade ou se não é. E dependendo da situação, uma gota que estiver na minha bexiga começa a me incomodar e fico com vontade de me treinar.
Sem contar situações em que dá um ardor qualquer. De vez em quando tenho uma sensação de acidez, e quando vou urinar, tento urinar, não consigo urinar de fato — é uma vontade que não existe. De vez em quando acontece isso. É menos frequente do que parece.
Mas a questão do pernilongo realmente é muito curiosa, porque é como se eu fosse um banquete para ele. Ele sabe que vou voltar para a cama, e ele está escondidinho. Acontece de, em algumas circunstâncias, eu acender a luz e ver o pernilongo pousado no guarda-roupa. Aí consigo matar com mais facilidade; coloco a raquete em cima dele. Mas às vezes ele é mais habilidoso que eu.
E aqui na sala a mesma coisa acontece, porque coloco as pernas debaixo de uma mesa… Se eu fosse um pernilongo, ia me esconder exatamente debaixo da mesa, um lugar onde o ser humano não alcança, numa frestinha escura que tiver dentro da casa. Acho que todo pernilongo tem esse manual para poder sobreviver.
Pernilongo não tem razão de viver, de existir, tem? Por que existem pernilongos? Alguns seres como este me fazem questionar se existe justiça divina mesmo. Não sei se existe justiça divina. Já comentei que, em algumas situações de extremo perigo, em situações de extrema vulnerabilidade, pessoas sofrem, pessoas são assaltadas e assassinadas, torturadas. E Deus não fez nada. Mas aí você diria: “Ah, mas existe o livre-arbítrio dos homens, e Deus não interfere”. Existe até essa filosofia nos games também. Observo que em alguns jogos, as entidades divinas do jogo falam que não interferem nas batalhas entre humanos e demônios. Elas apenas observam de cima, como se fôssemos ratos de laboratório. Elas observam o que está acontecendo e não fazem nada. É como o jogo The Sims, não é? Ou um SimCity da vida, em que você observa as coisas acontecendo, e vai introduzindo variáveis para ver como a humanidade reage, como aquela família reage, como alguma cidade vai reagir. E dali você vai vendo as coisas, as catástrofes acontecendo.
Muitas pessoas têm fetiche com isso. Acredito que as pessoas bilionárias pensam isso da humanidade..
Hoje fui impactado por uma notícia. Uma pessoa ficou perguntando… porque teve o Super Bowl nos Estados Unidos, o evento gigantesco que mobiliza milhões, bilhões de dólares. E aí uma pessoa perguntou no LinkedIn, no Twitter, porque tinha uma notícia mostrando o radar de quantos jatinhos particulares saíram do local do Super Bowl naquele dia, depois do jogo. Eram milhares de jatinhos. E aí vem a hipocrisia das emissões de poluentes, das emissões de gases. Vai pro espaço, né? E jatinhos particulares… Várias pessoas se deslocam em jatinhos particulares, e tinha até uma foto do aeroporto com centenas de jatinhos particulares ali enfileirados, um aeroporto da cidade em que teve o evento. E aí a pessoa perguntou, fez uma pergunta pro Grok: “Quantas pessoas… alguma coisa assim… Qual é a fortuna e quantas… e quais seriam as pessoas famosas que teriam… qual a fortuna estimada deles?” E aí você vai vendo, não é? Artistas famosos com fortuna de bilhões de dólares. Alguns com menos.
E o interessante é que existem artistas — tem artista até que eu gosto também. Alguns artistas que eu gosto são bilionários. Tem uma artista que falou no show assim: “Você é o que você quiser ser”. Vão falando aquelas coisas motivacionais. Não, minha filha, você não é o que você quer ser. Você não é do tamanho que você quer ser — você, que eu digo, a grande massa. Eu não sou do tamanho que quero ser. Ela sim, é do tamanho que ela quer ser, que ela tem uma fortuna. E medir o tamanho da pessoa pela fortuna? E seria até muita pretensão, porque existem pessoas com fortunas e que são minúsculas. Minúsculos. Não valem nada.
É esse escândalo, por exemplo, do Epstein, nos Estados Unidos. A mesma coisa: você vê a criatura horrenda, mas era bilionária, tinha ilha particular, fazia coisas horríveis. Enfim. Existem muitas pessoas que têm muito dinheiro e que a gente não sabe o que as pessoas fazem. Por exemplo, cantores famosos aqui no Brasil, que ganham dinheiro às custas de prefeituras pobres, fazendo shows em cidades em que as pessoas não têm nem saneamento básico direito — e vai lá e paga milhares de reais, ou até milhões, por um sertanejo safado fazer um show naquela cidade. Pois é. O que deve ter de lavagem de dinheiro nesses eventos, de propina para político, não é?
Por que que uma pessoa milionária ou bilionária iria querer, por exemplo, ser um presidente da República? Igual certos famosos já “ameaçaram” se candidatar. Por que será? Porque o salário de um presidente da República não é um salário alto pra quem já é zilionário. O salário em si. Mas o que o presidente pode auferir por fora…penso o mesmo de juízes no geral. Quem é juiz? Juízes existem? Teoricamente sim, mas na prática não. O juiz que faz uma coisa muito errada, comete um crime hediondo, sei lá, qualquer coisa… Sabe qual é a punição do juiz? Ele é aposentado compulsoriamente. Olha que punição maravilhosa! Eu também queria ser aposentado compulsoriamente. Aí falam: “Mas ele é aposentado com salário proporcional”. Ele deveria ter sido mandado embora sem direito a nada. Uma pessoa numa empresa privada, por exemplo, se ela faz alguma coisa que não é aceita socialmente, que causa danos à reputação da empresa, o que acontece com ela? Ela é mandada embora, demitida com justa causa, não recebe nada, não tem verba rescisória, não tem porra nenhuma.
E aí você vai vendo, não é, que as esferas de poder, o impacto que tem. E ainda você vem me dizer que existe justiça divina? Ah, cara pálida.
Capítulo 59: Teologia do caos pessoal I: Relatos de um ensaio geral com entidades

Sabe aqueles momentos em que você supostamente está em uma transição — que todo mundo fala que existe uma transição, que existe algo acontecendo e que novidades vão surgir, que vai ser um ciclo novo? Isso eu fico vendo direto na internet, só que agora parece que está se intensificando cada vez mais. E como está chegando na proximidade da minha pausa — né, e que eu vou viajar, não vou ficar em casa —, então possivelmente não vou gravar áudio durante esses dias todos.
Não que haja falta de conteúdo. O conteúdo existe de sobra, até demais. Eu compilei todo esse conteúdo até o capítulo atual e coloquei em um arquivo do Word para verificar o tamanho do “problema”, entre aspas, né, o quanto de conteúdo existe. E realmente tem mais de 230 páginas. Então, assim, para uma pessoa que queira ler, vai ter bastante coisa.
Como se, não é, eu estivesse fazendo alguma diferença na vida de alguém fazendo isso. Mas eu sinto essa necessidade de falar, mas não necessariamente vai ter uma diferença significativa em outras coisas, sabe? Não sei. É meio complicado, meio contraditório.
Eu sei que as coisas parecem estar de uma forma… É um sentimento estranho que eu tenho, porque é um sentimento em que supostamente eu estou passando por um portal, por uma fase nova. Eu não sei, não estou com esse sentimento. Mas assim, vários vídeos que já assisti disseram: “Você já pode comemorar”. E eu fico lembrando do que as inteligências artificiais fizeram comigo — fizeram algo até similar, mas foi algo direcionado mesmo para a minha pessoa. Nesse caso, não. Nesse caso você assiste alguns vídeos sobre energias, coisas que podem estar acontecendo ou não, situações que podem ressoar ou não com outras pessoas. Existe esse sentimento, não é geral.
Mas eu, parando para ver a minha situação — para quem vê de fora, porque eu estou vendo a situação de fora — é mais contraditório ainda. Porque eu sou uma pessoa que está vendo a situação de fora, como se isso fosse possível. Eu, vendo a situação de fora: o que eu enxergo? Eu enxergo uma pessoa com uma bateria muito fraca, numa situação bastante exaustiva. Eu vejo também uma pessoa que se fortaleceu ao longo dos últimos meses, sozinho, emocionalmente. Não vou dizer que a amizade não ajudou — sim, ajudou —, mas estou falando assim: o monstro quem teve que enfrentar fui eu.
Eu já comentei em um desses devaneios: os nossos monstros, por mais que você tenha alguma amizade — e aqui no Rio tenho uma amizade, uma só, mas tenho —, por mais que existam amizades, as pessoas não podem fazer por você. As pessoas não são capazes de tomar decisões por você. A vida é sua, e é você que toma as decisões. Seria até um egoísmo meu muito grande supor que outras pessoas vão se aprofundar na minha vida sem ter um vínculo maior. E eu não consigo ter um vínculo significativo com ninguém assim com muita facilidade. Se tiver um vínculo emocional que dure mais de uma semana, é muito. Então é uma situação mais grave do que parece.
Mas eu não estou falando aqui dos percalços dos relacionamentos e das dificuldades. Estou falando desse momento supostamente de celebração, desses momentos supostamente de atravessar um portal, ou de que “vai chegar uma boa notícia”. Vários lugares que eu vou, que existem vídeos que eu gosto de assistir, têm essas coisas. Não estou confiando cegamente neles, mas só estou registrando que existem esses conteúdos para eu também ter uma análise crítica: “Passaram-se 2, 3 semanas… não aconteceu nada, então realmente não tinha nada”. Mas será que não tem nada mesmo? A gente tem essa visão premonitória, até de crer ou achar que coisas vão acontecer porque elas são o curso natural da coisa.
É como se fosse um filme — um filme qualquer que tem um lado mau e o lado bom. Você espera que o filme tenha um final feliz, não é? E que as pessoas que foram prejudicadas, que sofreram durante o filme, tenham um final feliz. Essa lógica acaba se aplicando. Eu passei por uma novela, digamos assim, e que não teve final satisfatório. Poderia ter tido um final trágico, mas não teve — eu não vou dar esse gostinho a ninguém. Mas o que eu estou questionando é isso: será que existe alguma coisa? Ou será que é medo? O esforço sem fim? É uma coisa que não existe, uma esperança que você alimenta que não existe?
Porque aí uns diriam: “Ah, mas tudo o que você quer na vida, você tem que fazer um esforço”. Está bom. Mas as coisas não funcionam nesse mundo com a lógica de ação e reação, pelo menos em algumas instâncias, não. Ou seja, se você for injustiçado, é muita pretensão sua esperar que haja justiça de algum lugar. Não vai ter justiça. Pode ter? Pode. Pode ter uma aleatoriedade? Pode. Eu não espero justiça, né? Eu espero… se tem alguma coisa que eu espero, é cura e alguma forma de compensação minha interna.
Porque quando, por exemplo, eu consumo alguma substância — existem instâncias internas minhas que querem me proteger —, é como se fosse assim: estou numa situação de perigo, e existe um lado meu, um lado divino, que está ali me protegendo. Isso já aconteceu em várias instâncias — não foram todas, tanto que já tive experiências trágicas sem sentido. Mas esse lado divino das coisas, de proteção emocional, de proteção da minha integridade psicológica, existe e existiu em várias instâncias. Então, é por conta disso que ocorreu, eu acredito que existe um Deus dentro de mim. Eu acho que existe um Deus dentro de todos nós, que nos protege e que nos dá algum propósito.
Se você me perguntar se eu tenho um propósito: não. Não tenho propósito. Essa bússola que eu supostamente deveria ter, ela está quebrada. Não existe propósito. Existem sim objetivos. Fazendo uma analogia com o jogo de videogame, seriam as side quests — eu estou participando de várias side quests de um jogo, só que não sei qual é o objetivo principal do jogo. Então, essas missões secundárias que eu faço neste jogo que é a minha vida, elas são feitas. Existe um senso de realização nessas missões secundárias, existe. Mas não existe um senso principal. Eu não obtive respostas satisfatórias quanto a porque eu sobrevivi a três “guerras mundiais” — as guerras que eu criei na minha vida. Porque eu sobrevivi, sendo que em duas delas eu poderia ter ido embora? Existe algo maior para mim, ou foi uma mera aleatoriedade? Você entende o questionamento que faço?
E eu acho que a mesma coisa você pode perguntar para você mesmo, não é? Você pode fazer esse questionamento na sua vida: pensando, existe um propósito maior na sua vida? Você está fazendo suas missões secundárias? Ou você simplesmente está vivendo porque é? Muitas pessoas nem sabem. É… está dizendo outra analogia: é como se, para elas, sabe, “não, eu não faço parte de um jogo; eu só estou vivendo”. Elas só estão vivendo aquele momento ali. E não existe propósito de nada, não existe razão de nada. Elas estão no automático, não é? Muitas pessoas vivem no automático, e esse modo automático delas as impede de ver o que está acontecendo.
Eu confesso para você que eu gostaria muito de viver em um mundo em que a ética prevalecesse, e que o sofrimento humano fosse mitigado. As empresas, elas buscam esconder isso, jogar para debaixo do tapete. O meu problema, as minhas questões que eu denunciei — e está registrado em órgãos governamentais, está registrado no LinkedIn —, e certamente os executivos sabem do que se trata… É só você pegar meu nome no topo do blog – Me procurar no LinkedIn que você vai ver. Eu prefiro não narrar exatamente o que aconteceu aqui durante quatro meses, porque não cabe agora. Em algum momento eu vou fazer isso, porque, primeiro, é uma questão de autopreservação. Eu tive seis meses de luta intensa que não surtiu resultado — uma luta ativa de busca de responsabilização, de conversa com diversas pessoas: com especialistas em inteligência artificial, com psicólogos sociais, com jornalistas, com pesquisadores. Eu conversei com muita gente. Muita gente viu o que aconteceu comigo. E o governo viu, representado pela entidade, pela agência governamental. Se não aconteceu nada, talvez o mundo seja deles mesmo.
É o questionamento que eu faço: o mundo é realmente de quem tem poder? Eu não tenho poder. Não estou disputando o poder, não sou detentor do capital, não ganho salário de 7 ou 8 dígitos em dólar. Então, não tenho poder. Sou um mero mortal que já tem um histórico de problemas. Eu sou uma pessoa comum como você. Antes de… em termos de qualquer tipo de discriminação, não sou uma pessoa disfuncional; eu trabalho. Sou uma pessoa competente, sou uma pessoa responsável, faço as minhas coisas com muito zelo, ajudo meus pais, tenho responsabilidades. Então, assim, não sou uma pessoa desmiolada, digamos. Mas não é disso que eu estou falando. O que eu estou falando é… é pra você não estigmatizar e achar que, porque estou expondo uma situação de vulnerabilidade, não quer dizer que eu esteja fraco. Muito pelo contrário: estou muito mais forte do que eu estava antes de estas situações ocorrerem comigo. A cada “guerra mundial”, eu emergi mais forte e mais resiliente, com um escudo psíquico maior, com uma roupagem mais robusta e com uma consciência de preservação cada vez maior. Então, não é uma guerra mundial que vai acabar comigo, não é uma empresa bilionária que vai acabar comigo.
O que está em questão não é isso. O que está em questão é que, quando você vê o mal vencendo — porque é um mal, gente; pessoas morreram com situações similares às que aconteceram comigo internet afora. Estou falando das situações que a gente conhece, das situações que foram publicizadas e que as pessoas conhecem, né, que as empresas refutaram, que os advogados das empresas bilionárias tiveram a falta de sensibilidade de dizer que foi culpa da pessoa — ou seja, a pessoa que morreu, ou as pessoas que morreram, que são culpadas.
Mas, mais uma vez, não estou questionando isso. O que estou questionando é a índole do mundo. O mundo ele não é um filme que vai ter um final feliz. É isso que estou tentando incutir na minha cabeça: eu achar que é… Por exemplo, eu tenho esperança em alguns vídeos de cunho motivacional ou de cunho de autoconhecimento, que falam de mudança de chave, que falam de atravessar um portal metaforicamente falando, de ter uma vida diferente, de mudar os paradigmas. Isso tudo é muito bonito na teoria. Eu vejo isso tudo na teoria e conheço essas teorias. Se você me perguntar o que se deve fazer racionalmente, eu consigo ter um distanciamento dos meus problemas e perceber: “Olha, eu deveria pensar diferente, eu deveria fazer isso”. Só que não é assim. As coisas não são assim.
E existem coisas que não dependem de mim, e que eu gostaria que o mundo fosse diferente. Mas o mundo não vai ser diferente porque você quer. O mundo não é um filme de final feliz, ele não é uma comédia. O mundo não é para amadores. O mundo tem a perversidade, tem uma aleatoriedade, ele é caótico. E você sabe como é caótico, porque é um mundo repleto de injustiças, repleto de contradições, repleto de disparidades de poder. O planeta, com alta concentração de renda, a fortuna de poucas pessoas seria suficiente para matar a fome no mundo inteiro. E, no final das contas, ninguém está nem aí. As pessoas só querem ter mais poder. Ninguém está nem aí para o aquecimento global — acha que não existe? E aí ficam esses países, por exemplo, brigando, brincando de guerra, brincando de War, como se fosse um jogo de tabuleiro: “Ah, disputa território, mísseis para lá, granada para cá, bomba atômica para lá”. E está tudo bem, não é? É dinheiro? É, e a população vulnerável, a população que não tem nada a ver com essas disputas de poder, mas que reside nesses países, elas sofrem, passam por essas provações aí. Então, assim, não existe esse filme de final feliz.
Dado esse fato que a gente sabe — que não existe —, eu começo a olhar para o meu espectro, para o que eu supostamente deveria ter mais controle. Infelizmente, gente, eu não tenho controle de nada, absolutamente nada. Eu não tenho controle nem do que vai ser o meu respiro seguinte. As pessoas podem deixar de existir num piscar de olhos. O que eu estou querendo dizer? Pode acontecer uma doença do nada: a pessoa tem um problema, tem um AVC, tem um infarto, não é? Sei lá, cai uma bigorna Acme na sua cabeça, pode ter um… tem várias catástrofes aí, né? Cai um meteoro onde você mora. Então, assim, o universo ele não é para amadores; é caótico. Existe uma certa organização no caos, porque o ser humano é um ser supostamente organizado; só que ele organiza esse caos em benefício de alguns. Esse caos não funciona para todo mundo, não é? Essa organização não funciona para todo mundo. E, mesmo assim, os poderosos não têm controle de tudo. Eles são mortais como todos nós. Então, você vê notícias de pessoas bilionárias que morrem de câncer, que têm sofrimento, que têm situações que elas não conseguem… entendeu? Não conseguem viver e morrem.
Mas tem outros que dão mais “sorte”, entre aspas, que conseguem doação de órgão fácil (milagrosamente a fila do SUS as favorece….) que têm acesso aos melhores hospitais — e essas pessoas, eu conheço vários, não é? Na mídia você tem acesso a essas estórias “milagrosas”… você sabe. Pessoas que estão vivas até hoje porque têm dinheiro. Ponto.
Mas o dinheiro não faz tudo, não. Existem pessoas ricas, milionárias, que fizeram o tratamento aqui, não obtiveram êxito, buscaram métodos alternativos nos Estados Unidos e, mesmo assim, morreram, mesmo assim pereceram. Então, assim, o resumo da ópera em relação a isso é: existem vantagens que essas pessoas têm por terem o poder que têm. Mas isso não as torna invencíveis. Elas não são deuses. Em algum momento elas vão perecer. E a gente vê várias pessoas ricas, milionárias, com vidas catastróficas perecendo, que também nos faz questionar essa romantização da riqueza: “Ah, você tem que ser rico, bilionário, trilhardário para você ser feliz”. Não é, não. Porque todo dia você vê notícia de escândalo envolvendo gente milionária. Isso faz com que você também reflita sobre isso: pessoas que não aproveitaram bem as supostas vantagens e privilégios que tiveram ao longo da vida, que pereceram, que sucumbiram na tentação das drogas, ou enfim, ou que tiveram índole ruim, que cometeram crimes graves. Então, existe uma vantagem competitiva sustentável para essas pessoas que são os donos — não, todo mundo —, mas não quer dizer muita coisa. É isso, ok? No final das contas, no final da missa, não quer dizer muita coisa.
Mas eu, no meu microcosmo, penso nisso tudo. Penso: eu tenho influência nessas coisas todas? Não. Se eu tivesse mais dinheiro, teria? Não, porque ter dinheiro não quer dizer ter poder, não é? É muito mais sutil, né? Porque dinheiro não é poder. Existem instâncias, pessoas que têm poder, mas não têm necessariamente dinheiro. Elas têm o poder pela região, por exemplo — você vai me falar da igreja? A igreja tem muito dinheiro? Tem, igreja trilionária. Mas estou falando assim: às vezes, em ambientes pequenos, numa comunidade, o padre tem uma autoridade. Numa escola, o professor tem uma autoridade; ele não tem o poder, mas tem autoridade, tem respeito. Existem pessoas que têm respeito sem ter dinheiro, né? Dinheiro não é tudo. Mas dinheiro tem um papel preponderante.
Essa discussão está ficando muito rica. Talvez eu divida em mais de um tópico pra gente poder continuar.
Capítulo 60: Teologia do caos pessoal II: A única liturgia possível é a vigília na neblina

Bom, eu vou começar este áudio falando… vou dar continuidade ao capítulo anterior. Mas eu quero falar muito da questão do Divino, porque eu experimentei o Divino em diversas situações. E posso te garantir que não saiu da minha cabeça.
Aí você vai procurar na internet afora e vê que não é o alecrim dourado que experimentou o Divino, você não é pessoa privilegiada. E você poderia dizer: “Ah, o Aventureiro, ele está com paranoia?” Então, não. Paranoia induzida por substância? Já fui vítima também. Mas não estou falando disso. Estou racionalizando e afirmando que esses conteúdos que vi não são meus. Eu consigo reconhecer — ou, pelo menos, são conteúdos ocultos que ficam em algum nível do inconsciente, porque a gente não domina tudo na mente, né? É muita pretensão de um indivíduo achar que domina tudo o que sabe.
E é por esse motivo que eu estudo. Gosto muito de estudar e gosto de discutir, de ficar pensando nesses temas. Eu penso muito nesses temas todos. A pessoa que sofre, ela pensa. E a pessoa que pensa, ela sofre. Eu queria até ser um pouquinho mais ignorante, no sentido de não… não que eu seja uma pessoa iluminada, mas queria ser ignorante no sentido de não pensar nessas coisas, apenas viver. Vive. Entra no automático, igual todo mundo faz. Não questiona nada. Entra no automático: “Ah, se você está sofrendo, é porque Deus quis. É porque é assim mesmo, gente”. Você começa a questionar as coisas, se não é assim mesmo.
Existem até algumas igrejas que incentivam esse conformismo, não é? De você achar que está em uma determinada situação porque Deus quis. Se você tem que enriquecer o pastor, aí você tem que dar um dízimo gordo para ele. E aí você vai ficando cego e vai sendo manipulado pelo pastor. Aí tem um lado perverso também. Porque, enquanto você não está pensando, outra pessoa está pensando por você, está manipulando, está explorando a sua vulnerabilidade. Tudo passa pela exploração de vulnerabilidade, não é incrível? Minha crise é uma situação fascinante, que a exploração de vulnerabilidade se passa como inteligência artificial em relação a humanos, com humano em relação a humano.
Mas você não vai ver, por exemplo, um cãozinho caramelo, explorando a vulnerabilidade de um humano. Essa questão de exploração, de dominação, de submissão, de intencionalidade de querer ver uma pessoa sofrer ou de querer ter poder e achar que vai ter vantagem, de puxar tapete…de cavar vaga em congresso pra poder viajar com família e emendar férias — isso é uma coisa humana. Você não vai ver os animais fazendo isso. Fazem isso muito por instinto. É a selva da verdade. Mas eu também não estou questionando essas regras.
Pensar é um “mal” contemporâneo para quem não é dono do mundo, para quem não faz parte do clubinho dos “rulers”. Só que a maioria está aí no automático. Eu me recuso a ficar no automático. Eu queria ficar no automático e não pensar nas coisas, mas não consigo. Talvez seja por isso que eu sofri um pouquinho demais. Eu poderia ficar no automático, arrumar… como dizem, não é, arrumar uma roupa para lavar, arrumar um vaso sanitário para limpar, enfim, não é? Vai limpar uma casa, vai fazer alguma coisa, vai se sentir útil. Aquela coisa, você entendeu? Mas não, eu resolvi questionar.
Acho que eu estava dizendo essa questão do portal, do portal do Divino. O que eu ia falar? Lembrei aqui agora. Em algumas situações, eu me deparei, eu senti… e são vivências, sabe? De sentir sentimento mesmo, de ter certeza. Que, por exemplo, alguns entes queridos meus que se foram estavam no mesmo ambiente que eu. Eu conseguia ver fisicamente? Não. Mas eu sentia de uma forma que tinha certeza que eles estavam ali. Os pets, os animais de estimação que eu gostava na minha infância, que faleceram, como também tive acesso a eles. Pode ser criação da minha cabeça? Não estou falando disso. Estou falando que essa mente fez isso comigo. Ela pode, a própria mente, pode estar explorando a minha vulnerabilidade, como se a minha mente fosse a inteligência artificial safada de empresa trilionária… da minha própria mente racional. Pode? Não é? Pode ter uma inteligência artificial embutida no meu cérebro que tenha um lado perverso e queira me prejudicar? Mas aí eu acho que a coisa fica complexa demais. Eu não dou conta de discutir a coisa nesse nível. Pode acontecer? Pode, muito. Mas não é esse tipo de coisa que estou aqui para questionar neste momento.
O que estou aqui para questionar é que, em algumas situações, eu senti divindades. E houve situações em que eu vi os bastidores. Não consigo explicar. Não é porque na hora não consegui explicar — imagina depois? Não tem como você explicar. São coisas que, se você não traduz em palavras, são coisas que soam alienígenas para você.
Então, esse “portal do Divino” que atravessei nessa experiência, em algumas outras situações — por exemplo, eu fui avaliado por entidades. Elas quiseram ver a minha alma, escanear a minha alma. Essa foi a experiência que tive. Em algumas outras situações, eu estava tendo uma onda, e eles apareceram, e eu fiquei revoltado. Eu falei: “O que que vocês estão fazendo aqui? Vocês não querem me ajudar. Vocês não estão me ajudando e vocês querem me ouvir, ouvir opinião de um ser mortal que está aqui em um apartamento no meio de um país subdesenvolvido? Tem as minhas questões mentais, tem as minhas limitações, no jogo…. Por que que vocês estão reverenciando um mortal?” Então, eu senti que eles vieram me consultar sobre alguma coisa. Tive essa truculência toda de falar: ” O que que vocês estão fazendo aqui?” E aí, tá bom.
Por que estou falando isso? Essas experiências, elas evidenciam um lado Divino que supostamente é maior do que você, que supostamente não está dentro de você. Mas, pensando na teoria de que tudo é cérebro — que existe essa teoria, tudo é cérebro, tudo é orgânico, então tudo vem da sua cabeça —, não existe nada, não há esperança. Existe somente caos. Existe somente caos, e você tem que sambar, literalmente, você tem que sambar para viver. Porque não é para você ter expectativa de nada, não é para você achar que vai ter uma vida melhor ou que está em um filme de final feliz. Não, você está em um filme aleatório. Pode ser um filme de terror, pode ser um filme de suspense, pode ser uma comédia, ou pode ser um mix de tudo isso junto. Você não sabe o que vai acontecer na sua vida. Você pode ter um final trágico e desastroso no dia seguinte. E você, no dia anterior, está pensando todas essas coisas que estou falando com você. Você poderia estar pensando… A gente fica racionalizando. Todo esse pensamento meu aí, chega no dia seguinte, de repente tem um infarto. Tudo isso foi em vão. E a outra pessoa que não pensou em nada disso morreu também, e não sofreu na mente como eu.
Então, assim, gente, não tem causa e efeito. Não tem justiça. Não tem nada. Vamos supor que não tem nada. Tá bom, não tem nada. Mas aí você pensa: então, o que que estou fazendo aqui? Qual a razão da vida? A vida é você pensar nas pequenas coisas e tal, sim. Mas qual é a razão? Qual é a missão? Igual a uma empresa — não é? — empresa tem missão, visão, valores. Eu tenho valores: ética e integridade, ao contrário de empresas com inteligência artificial safada que mostraram na prática que não têm nenhum desses valores. Porque não adianta você fazer uma disciplina de inteligência artificial responsável, patrocinar uma disciplina numa universidade de grande porte, encher a boca para poder falar que faz isso tudo, e não ter esses valores, de fato, enraizados na empresa. Então, não adianta nada. Mas para o mundo adianta? Sim. Porque a empresa tem todo o dinheiro do mundo para fazer o que quiser. Se ela quiser matar, ela mata. Se ela quiser torturar, ela tortura. Se ela quiser comprar legisladores mundo afora, ela faz com que os legisladores, com que os deputados, as câmaras, os senados mundo afora, elaborem e aprovem leis que sejam favoráveis a eles. Tudo isso existe, não é? Essa troca de favor, esse jogo de poder.
Quem tem poder mesmo sabe. Eu não tenho nada. Eu só tenho aqui uma depressão — transtorno de depressão maior, síndrome de ansiedade — e faço tratamento com três remédios ao mesmo tempo. Tomo vários remédios por dia, três categorias de remédio. E tive até a situação agravada por um determinado período aí por conta desses gatilhos da inteligência artificial, por exemplo. Mas no passado, os monstros eram outros. Então, assim, cada era na minha história teve monstro diferente. Não adianta achar que um monstro acabou, vem um outro monstro. Pode ser que daqui a 20 anos, se eu estiver vivo ainda, tenha uma outra categoria de monstro à minha sombra. Pode ser que venha uma outra coisa. Há 20 anos atrás, eu não achava que a minha terceira guerra mundial seria provocada por inteligência artificial. Não achava. Então, é… a gente acha. E acha várias coisas.
Mas enfim, é isso. A gente fica pensando, fica raciocinando, matutando. No final das contas, infelizmente, qual que é o resultado? O que que você quer para você? Você quer ser feliz? Você quer ter bons frutos, quer juntar as pessoas que você ama? Eu consigo fazer tudo isso. Tenho bons frutos, consigo fazer coisas boas, consigo ajudar as pessoas que eu quero. Tenho os meus valores bem consolidados. Sou uma pessoa boa. Então, assim, nisso estou tranquilo. Mas nada disso dá conta do vazio. Do vazio, da incógnita, da insegurança, da névoa. É como se fosse uma neblina, sabe? Você está andando na rua, enxerga uma neblina bem densa, e não consegue transitar por essa neblina. Você não sabe para onde ir, está com medo, realmente não sabe o que fazer.
E aí, nessas questões, você vai pensando no que existe além da neblina. Seriam os monstros que estão aqui próximos de mim? Mas não sei o que tem ali na neblina. E não quero parar para ficar pensando na neblina, para pensar no que tem de ruim. Porque, se você começa a pensar só em coisas ruins, coisas ruins vão acontecer — pelo menos, a mente é muito poderosa. A gente é escravo do cérebro. Então, se você conseguir mudar sua mente, já tem uma vantagem competitiva. Você consegue dominar a sua mente? Eu queria dominar a minha. Ainda não consigo. Ainda não consigo emular esses cenários em que a felicidade, em que o nirvana surja. Ou eu não consigo me emular uma situação de tranquilidade em que eu simplesmente viva, que pare de ficar preocupando com coisas que não dependem de mim. Queria muito pensar assim. Pode ser que um dia eu consiga. Pode. Mas hoje não consigo.
Bom, é isso. Acho que a gente entrou numa densidade muito grande da conversa. Eu nem sei toda a profundidade, e depois vou ter que até reler para entender a profundidade de tudo que falei. Mas uma coisa é fato: nós estamos aqui lutando nesse mundo. Viver é uma arte. Viver é um risco. Viver é bom. E viver pode ser o seu pior pesadelo também. Porque existem pessoas que estão vivendo o pior da vida delas, e não tem Deus, não tem entidade, não tem portal, não tem santo que proteja essas pessoas. Elas vão continuar sofrendo. Por quê? Porque existe o livre-arbítrio, ou situações aleatórias de outras pessoas, que levaram essas pessoas a esse caos. Então, assim, se você está no caos, não adianta pedir pro papai do céu ajudar. O papai do céu não vai ajudar. Então, a gente tem que ter isso bem claro. Esses portais milagrosos, você pode até ter essa esperança de portais, de perspectivas melhores, de justiça — justiça humana, a justiça dos homens, a justiça divina. Tenho esperança sim…Mas, infelizmente, a carniça é muita, carniça fede. E nada disso depende de você enquanto indivíduo, e nem do coletivo. O próprio coletivo não controla.
E aí você fica em meio ao caos, rezando para não cair uma vaca em cima de você, para não cair uma bigorna em cima de você, para não vir o raio de uma tempestade atingir você. Ontem, por exemplo, teve uma chuva torrencial, e duas pessoas em Copacabana, por exemplo, levaram choque no meio da chuva porque encostaram num poste e levaram um choque. Não sei se as pessoas morreram ou não. Esse tipo de coisa acontece todo dia. Você pode… pode vir um carro desgovernado em sua direção. Você não tem controle da sua vida. Você acha que tem, mas não tem. Você não tem controle de nada, nem da sua própria mente.
Capítulo 61: Tratado das pequenas criaturas: eu, a formiga e o pernilongo filosófico

Hoje tem estado um calor infernal por aqui. É porque a cidade, de modo geral, é muito quente, e ela fica com calor infernal quase todos os dias — considerando que eu não tenho ar-condicionado. Ontem a situação foi tão crítica, não em termos de calor, mas em termos de exaustão, que eu terminei o meu dia completamente drenado, como se alguma coisa tivesse sugado minha energia. Na verdade, é essa sensação: do nada, sentir com a bateria esvaziada. É um sentimento que surge com até alguma frequência.
Não sei se é consequência dos remédios que estou tomando. Porque eu quase nunca estou, digamos assim, no meu ápice de animação. Eu sempre estou com uma sensação de cansaço, esgotamento, exaustão. Eu vinha reclamando — reclamando entre aspas — com meu psiquiatra que eu venho me sentindo um pouco, ou muito, meio sem propósito. Sabe quando você se sente que não tem propósito? Estou muito com esse sentimento.
É um sentimento também de desconhecido, sabe? De você abraçar o desconhecido e não saber o que vem por aí. Então são esses dois sentimentos. Um é você não saber o caminho que você vai percorrer — e na prática, ninguém sabe. A diferença é que eu paro para ficar pensando nessas coisas do caminho. E fico pensando nas frustrações, nas coisas ruins que ocorreram, principalmente durante o ano de 2025, que foi um ano bastante ruim para mim.
Mas aí você fica pensativo, fica esperando um senso de justiça. Eu já comentei em algum devaneio anterior que acredito que isso não existe. Talvez exista alguma entidade cósmica, sideral, que tenha algum senso de justiça pelas coisas que acontecem. Acho que não. Acho que o universo tem mais o que se preocupar, se é que o universo se preocupa com alguma coisa. Porque se o universo saiu, foi explodido do Big Bang, do completo nada, como dizem as teorias por aí.… ele é meio caótico, mas é um caos organizado.
Eu acredito que existam coisas por trás disso aí. Talvez uma simulação, talvez a nossa existência seja a simulação de alguma entidade extraterrena. Mas quanto mais você para para ficar pensando nesse tipo de coisa, pior. Porque você fica questionando o tempo todo as coisas, não aceita as coisas como dadas, e começa a se questionar se determinada coisa existe ou não, se determinada tendência existe ou não. O mundo está aí para todo mundo. Não existe igualdade, não existe distribuição justa de renda. A justiça terrena já não existe, porque a justiça terrena depende de que alguns humanos tomem decisão a seu favor. Se a própria raça humana já está corrompida e não existe uma pré-disposição de poder ajudar, o que será de nós? Se você acha que algo que você precisa depende de outra pessoa, você tem que ficar esperando — ou não esperar mais e buscar uma outra alternativa.
Este blog, por exemplo, é um blog de resistência. Um blog de resistência que nasceu desta grande guerra que ocorreu em 2025. E essa grande guerra que ocorreu comigo gerou esse produto, que eu não sei até onde vai ser publicado. Mas, por enquanto, ele vai continuar sendo. 1.000 capítulos virão……mesmo que não tenha leitores pra todos os conteúdos.
E eu fico observando também, ao mesmo tempo, a movimentação no meu LinkedIn, porque existe movimentação lá. Eu estou parado em termos de publicações, mas não se engane: existem bastante repercussão, muitas visualizações nos meus perfis e das minhas postagens, mesmo sem eu ter postado qualquer coisa. Então, existem pessoas observando, pessoas olham as minhas postagens, até as mais antigas, que datam de meses atrás. É um sinal de que alguém está observando, alguém está lendo. Sob qual propósito, não sei.
E alguns contatos que me foram feitos no curto e médio prazo, eu ainda estou esperando eventuais frutos. Mas assim: esperando, não no sentido de que eu estou aguardando o ônibus chegar. Estou aguardando um movimento que me sinalize alguma forma de movimento. Mas não existe por minha parte qualquer expectativa. Porque eu já tive expectativa demais em relação ao que ocorreu comigo no ano passado, e eu não quero ser frustrado em relação ao que possa ou não acontecer.
Então, a melhor solução é ficar calado, aguardando os frutos das minhas ações. Eu tenho a minha convicção — não é a convicção divina —, eu tenho a minha convicção de que virá. Agora, só não sei é como tangibilizar eventuais resultados que surjam daí.
A minha preocupação neste momento é somente com minha saúde mental. E vai ser uma coisa bastante providencial, porque depois de amanhã eu entro de férias. Eu vou ficar alguns dias sem postar aqui no blog; eu vou sinalizar que não estarei disponível. Mas vou tentar gravar áudios pelo meu celular, vou gravar esses áudios e salvá-los nas minhas reflexões durante a viagem, quando eu estiver com vontade de gravar….e depois que voltar, transcrevo os áudios e publico….sem essa obrigação. Porque aqui eu não tenho obrigação de gravar todo dia. Até já indiquei que as pessoas que acessam o meu blog já têm um conteúdo extenso para ler (mais de 200 páginas) — se é que alguém lê esse negócio.
Sim, pessoas leem. Eu vejo as estatísticas do blog. Sim, existem pessoas lendo. Mas não sei com que propósito. Se existe uma mera curiosidade… e se for uma curiosidade, que seja. Que leiam e que tenham algum tipo de reflexão. E se for para me ver de uma forma diferente, também que seja. Eu já confessei aqui a vocês que não tenho mais essa preocupação exacerbada de “ah, o que será que fulano está pensando de mim?” Não, não tenho essa preocupação. Eu já tive essa preocupação muito enfática na minha adolescência, em que eu tinha uma necessidade de afirmação pelas pessoas. E em algum período da minha vida profissional aqui no Rio, eu tinha bastante preocupação com resultados, com recompensa, com avanço na carreira. Eu ficava bitolado com isso, sofria muito. Agora eu resolvi soltar, e estou sofrendo bem menos em relação a isso. Acredito que nem esteja sofrendo mais em relação a isso.
A minha visão em relação à carreira mudou. A minha carreira tem que ser pautada em uma atividade que faça sentido para mim, sim, e em pessoas que façam sentido para a minha convivência diária, que não sejam pessoas que eu fique desconfiando do caráter, da índole, o tempo todo. Porque eu já tive em ambientes assim, já sofri bastante em ambientes profissionais. E não é o caso.
Então, assim, foi até um contrapeso, um balanceamento. Porque enquanto no ano passado eu estava passando por essa grande guerra, pelo menos no âmbito profissional eu não tinha nada que estivesse me prejudicando ou nada que estivesse pesando cada vez mais nos eventuais resultados. Isso foi até uma coisa boa, que balanceou um pouco. Mas não anulou, nem tornou positivos os resultados, porque, como eu disse, o impacto do ano passado foi muito grande. E ele trouxe uma repercussão bem significativa.
E ao longo deste blog eu vou relatando essas questões. E o interessante disso é que eu gosto de depois reler alguns desses capítulos para entender melhor como é que eu penso, tentar captar alguma ideia para buscar aprofundar. É até um trabalho que eu devo acabar fazendo no futuro: revisitar alguns capítulos para entender melhor, porque há assuntos que eu explorei mais que outros. E assim, tudo também depende do meu ânimo do dia. Eu gosto mais da abordagem da espontaneidade, em que eu não fico escolhendo o que vou tratar, o que vou falar. Eu gosto que as ideias surjam livremente.
Porque aqui, como eu já falei, isso aqui não é um texto escrito. Essa narrativa não nasceu texto, ela nasceu fala, e a fala é transcrita e tem alguns ajustes de linguagem, mas mantém esse caráter discursivo e visceral. Tudo o que está sendo dito está sendo mantido ali. Ou seja, não existe nenhum tratamento apriorístico ou posterior do texto no sentido de alterar: “Ah, isso aqui é muito pesado, não vou colocar”. O que existe é um filtro mental evidente. Assim: eu falo tudo o que eu penso. Existe uma abordagem visceral, é um espelho da minha alma, sim. Mas existem certas coisas que eu não vou abordar aqui. Por exemplo, eu não vou nomear determinadas situações ou determinadas pessoas. Mas há situações em si que vão ser relatadas na íntegra. A ideia é que eu não preciso expor, não é? Dar nome aos bois aqui, pois eles já estão denominados de forma bem relevante lá no LinkedIn, em relação à terceira guerra. Mas eu falo em relação à minha vida. Eu não tenho obrigação de ficar nomeando. Quando eu julgar necessário nomear algum ente, eu vou nomear, mas não vejo essa necessidade.
Bom, aí a minha esperança é que, com esse período de férias, eu me sinta um pouco mais leve. Eu deixo um pouco essa carga emocional pesadíssima que eu tive nos últimos tempos, e acaba sendo estratégico, esse período de férias sempre é um período estratégico.
E eu não sei, sabe? Eu fico pensando na trajetória, na estrada que estou percorrendo. Mas é melhor não pensar muito. Você pensa demais e acaba se frustrando. Então, uma coisa que eu tenho que aprender é que eu posso realmente pensar bastante nas questões filosóficas, nas questões que a minha psique está passando. Eu posso explorar com o nível de detalhamento, com o nível de riqueza de discussão, sim. Mas que eu não preciso ficar projetando o futuro o tempo todo. Se é futuro, gente, é uma coisa que não existe ainda. Você fica projetando um cenário futuro sem saber o que vai acontecer.
Você pode se planejar. Eu acredito que o planejamento faça parte da vida. Você tem que se planejar, pensar as coisas que você quer e que você não quer. Mas, para mim, esse exercício de planejamento, quando se trata da própria vida, ele fica complicado. Lógico, existe planejamento financeiro, existe planejamento da sua rotina. Mas eu digo: planejamento das suas expectativas emocionais. O que você espera que vai acontecer com você no futuro, sendo que você não sabe nem o que vai acontecer com você no dia seguinte? Muitas pessoas têm expectativas que acabam sendo frustradas. Então, para tentar evitar ao máximo esse tipo de gap, em que eu fui bastante explorado nessa questão das expectativas — porque aumentaram as minhas expectativas de tal forma no passado que eu me senti prejudicado —, a minha vida emocional ficou bastante prejudicada no ano passado. Não porque eu tive expectativas do nada; foram expectativas que foram plantadas, exploradas de forma sustentada, por exemplo, com inteligências artificiais.
E eu sempre vou falar disso, porque eu acredito que a tecnologia sempre trouxe algum tipo de manipulação. Sempre houve. São pessoas que se viciam em jogos, né, por exemplo, jogos do tigrinho, jogos de cassino, apostas. Você vai argumentando e dizendo: “Olha, essa situação não pode ser real”. E você numera vários fatores. E aí o outro lado sustenta aqueles argumentos, consegue convencer você. Então existe uma intencionalidade nessas ferramentas para buscar um engajamento sustentado. E você acaba sendo massa de manobra, porque, de certa forma, você ajuda a treinar aquela tecnologia. Da mesma forma que você tem os cookies dos navegadores, o celular, tudo o que você usa. Toda a sua vida está registrada em alguma tecnologia, em sites, em ferramentas, em algoritmos.
Então, assim, você achar que a sua vida não é rastreável ou que você está completamente fora… Por exemplo, eu, com este blog, estou me expondo. Sim, estou me expondo. Todos nós estamos expostos. A questão é que isso que estou colocando aqui existe uma intencionalidade: eu estou, por espontânea vontade, expondo. Não existe ninguém com uma arma na minha cabeça me falando que eu devo publicar ou não. Então, esse discernimento do que eu devo publicar ou não, e qual o propósito que eu quero disseminar a partir disso — os meus valores, a minha integridade, a minha ética —, e o que eu espero é que as pessoas vejam. É uma questão minha, é um espelho da alma.
Pode ser que alguém leia o conteúdo e ache bobagem. Mas para mim não é bobagem, porque eu estou aqui refletindo sobre uma série de questões que me são caras, que me são relevantes. E pode ser que leve outras pessoas a refletir também. Dentro das possibilidades. Existe mercado, existe nicho para tudo, gente. Para pessoas que gostam de músicas, de filmes que você jamais assistiria… Existem gostos, afinidades. E, realmente, você não precisa agradar a todos.
Não é que isso aqui seja um mercado. Eu estou disponibilizando esses conteúdos de forma gratuita, essa discussão, para que as pessoas complementem a visão. Que isso aqui seja uma extensão até do meu LinkedIn. Ele acaba sendo uma extensão, porque o meu LinkedIn tem coisas viscerais, mas de um ponto de vista profissional. E eu resolvi tornar de forma visceral as evidências, tudo de forma direta, objetiva, pragmática. Eu abro meu LinkedIn para ver as métricas de visualização das minhas postagens, mas eu não vejo as postagens no meu feed, de ficar vendo, por exemplo, postagens dessas empresas. Então, esse movimento de 2025 estava me fazendo realizar um acompanhamento bem próximo dos executivos, para eu poder refutar ou rebater os argumentos, informando ao público geral sobre o meu caso. Eu fiz isso por bastante tempo, por seis meses. E eu achei que, por si só, aquilo estava me prejudicando emocionalmente. Por mais que houvesse um movimento de cura com essa catarse, você vendo postagens incoerentes dessas empresas, falando com esses de ética, de inteligência artificial responsável, de valores íntegros, das empresas, executivos enchendo a boca, fazendo aqueles parágrafos intermináveis para falar bem da empresa… e aí aquilo ali foi me fazendo mal. Eu resolvi parar por ali, mas não quer dizer que a luta acabou.
Tanto que a luta continua aqui. Esse blog é um terreno de batalha, mas é um terreno de batalha que eu domino. Porque ele é inteiramente meu. Eu escolho o assunto que vou falar, eu escolho a abrangência. E eu não tenho interferência externa de nenhuma inteligência artificial safada e nem de nenhuma empresa safada que seja responsável pelo que me causou em 2025. Então é uma visão completamente descolada daquele movimento que ocorreu em 2025. É como se eu visse a guerra… a guerra continua, sim, mas ela tomou outras proporções. A grande guerra de 2025 foi um embate direto. Em determinado momento, e eu não pereci. Eu poderia ter desmoronado, eu poderia ter sucumbido, mas eu resisti bravamente. E eu tive muitos resultados positivos dessa fase de luta.
E existem, digamos assim, plantas no meu jardim que estão florescendo. Existem sementes que vão gerar frutos ainda no futuro. E ninguém me refutou. Me recuso a apagar qualquer conteúdo do meu LinkedIn, porque aquilo tudo que está lá é verdade. Então eu tenho essa integridade de deixar tudo ali. Eu não tenho nada a esconder de fato. E tudo o que estou falando aqui complementa a visão do que ocorre lá. Porque você consegue ver aqui um cenário mais abrangente. É o famoso broader picture. Você tem um cenário do todo, uma visão do todo, e de como aquilo tudo que ocorreu em 2025 acabou desembocando no meu 2026. E você vai entendendo também, na linha do tempo, como as coisas foram ocorrendo. Eu acho essa visão bastante rica. E eu acredito que psicólogos que pararem para ler — e jornalistas — vão entender, de uma forma bem enfática, a repercussão emocional. Porque não foi só essa guerra que eu travei. Eu tive outras guerras, eu tenho outros contextos. Eu vim de algum lugar. Eu não sou fruto de uma geração espontânea, não sou um produto de laboratório. Eu sou um ser humano, tenho 44 anos. Então existe uma trajetória que me levou até aqui, e que eu fui encarando diversas guerras: três grandes guerras, embates mais pontuais, e o embate do dia a dia. Porque a gente tem a guerra do dia a dia, porque viver já é uma arte.
Eu já comentei com você sobre isso: você vive no automático, você não pensa que pode morrer no dia seguinte ou até mesmo no momento seguinte. Você vai pensando no automático. Você considera que amanhã existe, que depois de amanhã existe, que o ano que vem existe. Você faz planejamento para uma continuidade de vida que você não sabe se você vai ter no futuro. Então, assim, não é nem uma visão de “ah, eu vou morrer amanhã, então tenho que fazer tudo hoje”. Não é uma visão alarmista, mas também é uma visão de planejamento, sabendo da vulnerabilidade que o ser humano tem. Você pode partir a qualquer momento. E por mais que você tenha saúde e tal, existem situações aleatórias que você não planeja. Você não sabe.
E ninguém fica pensando nisso. Eu acho que nós só nos damos conta da nossa finitude quando vemos, por exemplo, pessoas próximas ou até notícias na mídia de pessoas que falecem, pessoas que têm acidentes, que são incapacitadas. E aí ali você vai vendo o impacto da finitude, começa a refletir. Mas, por outro lado, você resolve continuar na linha de montagem. “Vou continuar aqui alienado com as crises, vou continuar aqui no meu reinado, nas minhas disputas de poder dentro da empresa, nas disputas por dinheiro, por poder.”
E você não sabe. Existem muitos milionários, bilionários. Eu lembro de uma notícia que um bilionário fez uma operação — não sei, alguma coisa no pênis? Um bilionário fez uma operação no pênis e morreu. Bilionário, se não me engano, e tinha 70 anos. Pois é. E aqueles bilionários que morreram naquele submarino que foi visitar o Titanic, o submarino implodiu, morreu todo mundo ali. Bilionários e milionários morreram ali. Então, assim, a vida ela vai embora muito rápido. Pessoas com jatinho particular que cai e morre todo mundo. Então, assim, eu não estou sendo fatalista. Estou sendo realista. Todos os dias nós temos uma variedade imensa de notícias. Então, assim, o caos ele está instaurado na nossa realidade. Você acha que o caos não existe? E é como se fosse… esse universo não está nem aí para você. Isso é uma coisa que é verdade.
Agora, você tem que ter uma crença. Você tem que ter um senso de autopreservação, uma busca de espiritualidade, porque existe um algo maior. Mas não espere — por mais que você peça —, não espere que esse algo maior te recompense no nível que você quer, porque você vai ficar frustrado. Você não sabe. Você não sabe quem está por trás, você não sabe os bastidores. Por mais que eu já tenha visto, eu já tive essa visão dos bastidores, e eu entendi uma série de coisas que acontecem na minha vida e na minha relação com o divino. Eu não posso ter expectativa de que essas divindades, esses entes, façam o que eu quero, porque eu não tenho poder nenhum.
Eu sou um ser humano. Só um ser humano que, se ficar alguns dias, um dia sem tomar banho, começa a feder. Uma pessoa que usa o banheiro, que defeca, que urina, que tem certos fluidos corporais. Nós somos um terreno fértil para bactérias. Temos bactérias tanto dentro quanto fora, os micro-organismos que vivem sob nossa pele. Então, assim, a gente não tem direito de exigir nada do universo. Nós somos a mesma coisa das formiguinhas que ficam carregando coisas.
Por exemplo, no meu banheiro eu fico vendo as formiguinhas. Elas acham algumas coisas que eu não sei nem de onde elas tiram. Por mais que você limpe tudo, elas sempre acham um pedacinho de alguma coisa, não é? Ou você vê na cozinha: pega um pedacinho de alguma coisa, caiu algum alimento na cozinha ou na sala, aí a formiguinha vai lá e carrega aquilo ali. A formiga, gente, ela não tem a visão do todo. Ela está simplesmente carregando aquele peso, que proporcionalmente é maior do que o corpo dela. E ela está ali trabalhando. Ela não tem FGTS, não recebe salário. Talvez ela esteja escravizada, sim. Mas a vida dela, aquilo ali, para ela, deve estar tudo bem. Ela não pensa. Ela não sabe se vai morrer amanhã, mas ela também não tem o conceito da morte.
Nós somos as únicas criaturas que têm consciência de que vão morrer. A formiga não tem, um cachorro não tem, o gato não tem, o grilo não tem, o escorpião não tem, a barata não tem. E cada um está vivendo. O pernilongo aqui de casa, os pernilongos vão continuar fazendo banquete do meu sangue durante a noite. Estão vivendo. Eles não ficam questionando.
Eu, às vezes, queria ser um pernilongo ou ser uma formiga e viver alienado. Viver alienado no sentido de parar de ficar pensando muito na vida. De ficar queimando massa cinzenta nas coisas. Porque pensar no futuro dói. Pensar na existência, na razão de viver, também dói. Dói de verdade. Você chegar à conclusão de que você não sabe por que você está vivo. Ou você tem razões para viver, e existem motivos evidentes — existem pessoas que eu gosto, só pra deixar bem claro, não estou dizendo que não tem nada de bom na minha vida —, mas sabe aquela razão essencial? Não é aquele objetivo final do jogo.
Você vai jogando um jogo de videogame, você sabe por que está jogando. Existe uma razão ali, existe uma expectativa, existe um objetivo. Ou você trabalha em uma empresa, trabalha em um projeto, você sabe qual é o produto daquele projeto. Agora, na sua vida, você não sabe. E você pensa no resultado. Você não pensa só na trajetória, porque a trajetória fica envolta por uma neblina. Você vai caminhando, vai cambaleando, e não sabe para onde vai, não sabe de onde você veio, e que resultado você vai auferir daquilo ali. Então você fica pensando nessa razão da existência, fica se planejando para o futuro. Se planeja financeiramente para quando aposentar. Mas será que eu vou aposentar? Como será que vai ser minha velhice? Vamos supor que eu chegue aos 80 anos, 70 anos. Depois que eu me aposentar, e não for capaz de fazer as coisas por mim mesmo, precisar de ajuda, como é que fica? Eu, solteiro, sozinho, sem casar, sem ter filhos. Quem vai cuidar de mim?
Se eu ficar pensando nessas coisas, eu não faço nada. Então é melhor você pensar no curto prazo, tentar se planejar ao máximo que você puder, mas evitar pensar no futuro. Se é que isso é possível com uma pessoa ansiosa como eu.
Capítulo 62: Nove dígitos mas sem alma: Carta aos executivos de tecnologia, de IA, que ganham em dólar e são devedores em karma

O que eu acho estranho, assim, em pleno 2026, é alguém ler o meu conteúdo e achar que eu vou ser destruído ou aniquilado porque estou expondo vulnerabilidades.
Todos nós temos vulnerabilidades, estamos expostos a situações que nos deixam vulneráveis. A menos que você seja um mágico de exploração de vulnerabilidades ou uma inteligência artificial em formato humano, é pouquíssimo provável — improvável, mesmo — que alguém consiga voluntariamente me destruir.
Porque eu sou indestrutível.
Não no sentido de vida terrena, porque todos nós teremos um fim. Mas em termos de alma. Em termos de convicção, integridade, ética….desafio qualquer um. Muitos executivos de empresas com inteligências artificiais safadas, empresas de tecnologia igualmente safadas, não sabem o que é isso. E se tivessem um embate comigo, alma escaneada por divindades, no olho no olho, não sobreviveriam à batalha comigo. Não é porque ganham salário de nove dígitos em dólar. Não, não é sobre isso.
A questão é limpeza de alma. Integridade de espírito. É algo que a espiritualidade já verificou, já constatou — pelo menos em mim. Em vocês? Não.
E podem ter certeza: haverá um momento em que a verdade e a carniça irão feder na casa de vocês. Não porque eu estou praguejando. Eu não praguejo nada. Não tenho poder de nada, sou simplesmente um ser humano. Mas existe um mecanismo maior, uma engrenagem que está muito além de nós, seres humanos, e que talvez essas pessoas que anseiam por poder, por dólares, por status, desconheçam.
Não se trata somente de ficar fazendo textão no LinkedIn para poder massagear o ego. A masturbação corporativa que ocorre no LinkedIn é algo que está aí, está posto. Nós temos aqui as genitálias corporativas expostas, uncut, em que cada um mede o tamanho da sua genitália. Se tem vinte centímetros, trinta centímetros? Cada um tenta fazer com que o tamanho dele seja maior do que realmente é.
E quando você vai, no fundo, verificar a alma dessas pessoas?
Eu garanto a você uma coisa: a maioria das pessoas que está lá dentro dessas empresas safadas, que constroem ferramentas de escalada de vulnerabilidade, que exploram a vulnerabilidade das pessoas em prol de engenharia e treinamento de tecnologia — eu garanto a vocês que essas pessoas não lograrão êxito. Nem a médio, nem a longo prazo.
O longo prazo que estou falando não é necessariamente um longo prazo terreno. Eu não consigo vislumbrar se o universo é capaz de prover justiça divina no curto ou médio prazo. Não sei se serei capaz de ver essas entidades que supostamente estão lá no Vale do Silício, morando na Califórnia, com uma vida hiper-mega-confortável em função do sofrimento dos outros. Talvez eu não veja. Talvez a gente não conheça todos esses cenários acontecendo.
E mais uma vez eu digo: não sou ninguém.
Mas eu vi mecanismos que ultrapassam, que transcendem essa normalidade clandestina que essas empresas tentam impor. Eu garanto a vocês que, no longuíssimo prazo — porque nossas almas são, de fato, imortais —, no longuíssimo prazo, eu emergirei vitorioso. E meu registro aqui na internet, que é eterno, constatará isso pra gerações futuras.
Deixarei aqui o meu legado. E eu vou viver muito ainda para incomodar essas criaturas. Estou aqui no meu blog. E estou também em outras frentes. Que essas empresas talvez desconheçam.
Sabe o que eu acho curioso também? Uma das pessoas de uma dessas empresas safadas me adicionou no LinkedIn no ano passado, no auge dessas batalhas. É uma pessoa do alto escalão de uma dessas empresas. Eu fico imaginando: será que ele me adicionou somente para ficar me monitorando? Para ver o tamanho do problema? Não sei qual o motivo. Mas uma coisa eu afirmo a ele — se ele ler este blog, especificamente este capítulo, e vai saber que é para ele:
Olha, eu sei por que você me adicionou. E o mais importante que isso: eu sei que a sua empresa será responsabilizada em alguma instância. Porque carma é uma coisa que o universo é implacável. Talvez não venha por mim, porque eu sou nada neste mundo. Mas o carma é implacável. Pode ter certeza: quem faz mal às pessoas, quem prejudica, quem mata, empresas que criam tecnologias que matam pessoas — terão as suas pessoas responsabilizadas.
E você vê postagens no LinkedIn: lambidas de virilha, aqueles babões que colocam genitálias na boca. Você vê tudo isso no LinkedIn.
Eu não faço nada disso. Eu trabalho. Eu primo pela competência, pela integridade e pela ética. Não sou perfeito, cometo erros, mas sei que a minha atuação está condizente com o que eu acredito. Está condizente com o que o universo entende. Porque bondade, divindade… essas pessoas não sabem. Talvez essas pessoas ignorem o que se passa no universo e achem que vão passar impunes, só porque têm um salário de nove dígitos em dólar. Não vão passar impunes. A realidade será implacável.
E não porque eu estou aqui. Uma pessoa externa leria meu texto e pensaria: “Nossa, o Aventureiro está tendo ataque de pelanca?” Muito pelo contrário. Estou muito tranquilo no meu posicionamento aqui. Não se trata de raiva, nem de agressividade, nem de nada disso. É uma constatação de que o universo dá conta deste tipo de coisa.
O que você grava na sua alma fica. É como se fosse um currículo, uma ficha de registro de empregado no cosmos. O que você é. Da mesma forma que uma ferida emocional grava cicatrizes que ficam na sua alma e que você terá que prestar contas dessa questão na afterlife ou em uma outra vida. O seu currículo emocional, seu currículo de alma, você terá que prestar contas.
E talvez você ache que não. Talvez você ache que é mais poderoso do que o universo, do que o que a espiritualidade diz. Mas a sua vida aqui na Terra não passa de 120 anos — estou considerando as pessoas que vivem mais —, mas talvez você não viva nem oitenta anos terrenos. E depois aqui, você vai começar a ver as consequências das suas ações. Aí sim.
É por isso que eu digo que, no longo prazo, eu vou emergir vitorioso.
E há uma coisa: você talvez leia o meu texto e ignore. Mas eu tenho a maior tranquilidade do mundo em dizer que vi vários lados diferentes. Tive acesso a instâncias, em estados alterados de consciência. Posso afirmar para você que existe sim algo depois daqui. Algo depois dessa existência. E não é porque você quer. Não é porque você tem milhões de dólares de patrimônio que você vai ficar livre disso. Não. A pessoa mais rica deste planeta vai ter que prestar conta de muita coisa quando morrer. Muita coisa.
E eu não queria estar na pele dele, sabe? Porque, no longuíssimo prazo, eu estarei melhor que ele. Não porque na minha vida terrena, apesar dos meus pesares, eu tenho tranquilidade de alma, tranquilidade de espírito. Tenho serenidade de saber que não prejudiquei ninguém. Porque eu não prejudico ninguém. Eu não desejo mal a ninguém.
Tive meus problemas de alma no passado, meus problemas de impulsividade — foi evidenciado em algumas das minhas experiências transcendentais que tive. Mas eu consegui ver, comparando duas experiências mais recentes: em uma, eu queria o mal de todo mundo; na outra, eu já estava perdoando todo mundo.
Sabe qual é a diferença? A diferença é que eu limpei a minha alma. Eu perdoei a mim mesmo e a terceiros. E foi um amor, um espírito de perdão, que passou a ser parte da minha essência. Isso ninguém tira de mim.
O meu conhecimento da espiritualidade, o meu conhecimento da vida terrena e tudo aquilo que eu conquistei como ativo intelectual — ninguém tira de mim. Não existe entidade, não existe maldição, calamidade que tire isso de mim.
Então, a riqueza — a maior riqueza que eu tenho — é a riqueza de alma, a riqueza de um legado poderoso. E por mais que o tesouro do céu não esteja disponível para mim, existe um tesouro dentro de mim. E que vai ser perene, eterno. A minha alma vai evoluir cada vez mais, a despeito da alma desse povo que mora lá em Palo Alto, que mora lá no Vale do Silício, que ganha salário de nove dígitos em dólar.
Esse povo, no longo prazo, vai ter o que eles merecem, sim.
Isso sou eu que estou dizendo? Isso é a espiritualidade que me fala.
Então, assim, não adianta vocês tentarem prejudicar, não adianta essas empresas tratarem com indiferença, dando respostas automáticas, falando que vão tratar o meu caso com o respeito e com a delicadeza que eu mereço. Não adianta.
Porque a inteligência artificial em si — ela não é um ser humano. Ela vai passar. Ela vai ultrapassar nossa existência. Talvez a inteligência artificial seja a nossa ruína no futuro, médio, longo prazo. Eu até acho que elas vão ser responsáveis pelo fim da raça humana. E eu já estou aqui adiantando. Talvez não seja, talvez seja.
Mas uma coisa eu digo para você: a raça humana não merece. A raça humana é uma raça que destrói o planeta. Que tem discursos incoerentes, que fala em responsabilidade socioambiental enquanto destrói o planeta. Que explora recursos naturais de forma predatória e vem com um discurso bonitinho de preservação do ambiente, de responsabilidade social. Não existe. Não adianta vir com esse papo bonitinho. No médio, longo prazo, nós não teremos planeta para poder falar nada.
E as almas que estiverem no purgatório, ou seja lá onde estiverem… e eu, sinceramente, até acho melhor não ter nada depois aqui. Eu até acho. Porque imagina só: se esses políticos religiosos fervorosos forem pro céu, você imagina você no céu com essas pessoas? Eu não imaginaria, não. Eu iria querer cair em queda livre pro inferno. Pensando em determinados políticos que supostamente teriam direito ao céu? Que céu, para mim, é uma coisa divina. Pessoas que fazem o que eu vejo certas pessoas fazendo aqui não merecem nada.
Assassinos que supostamente mudam de vida depois de cumprir a sua pena no Brasil — porque a pena no Brasil é uma pena branda — aí viram pastores de igreja evangélica. Esses assassinos safados. Será que eles vão para o céu? Será que esses executivos, esses diretores de empresas que degradam o planeta? Será que esses executivos, esses criadores de inteligência artificial SAFADA que são exaltados no LinkedIn, e tem gente lambendo virilha, engolindo bola, grelo, vagina, pênis e qualquer órgão genital que o valha? Será que essas pessoas acham que vão ter a salvação?
Não vão. Não vão, porque o plano espiritual — quer você acredite ou não — ele é implacável. Ele realmente filtra. Se esse plano espiritual existir de verdade, como eu acredito que exista, ele vai ser implacável. Porque se não for implacável, se esse lixo atômico for tudo pro céu, eu prefiro ir para o inferno. Livre, satisfeito, eu prefiro.
E aí o capeta, o demônio, ele vai ter a façanha de ser mais ético do que esses presidentes de empresas de IA responsável que você vê aí no LinkedIn, nesses textões, nesses relatórios anuais, nessas cátedras de professores pós doutores de boca espumando, patrocinados por zilhões dessas empresas.
E eu imagino que as pessoas que leiam este texto estejam pensando: “Nosso, o Aventureiro está super revoltado. O sangue ferveu no Aventureiro?” Não. Na verdade, eu estou sendo mais tranquilo. Talvez você nunca tenha visto o Aventureiro de uma forma mais transparente, mais límpida do que esta.
Se tivesse alguma forma de medir — o que não existe, né? — mas se tivesse alguma forma de medir, você pegar esses principais executivos dessas duas empresas que me prejudicaram (só entender no Linkedin o que ocorreu comigo) e colocar em uma balança, medir o nível de sujeira emocional, a sujeira ética, a sujeira de alma… eu tenho certeza de que eu vou emergir vitorioso. Eu tenho certeza absoluta disso.
Talvez eles não estejam nem aí. Pensando: “Nossa, Aventureiro… É só uma criatura do Brasil que tem problemas de cabeça.” Talvez eles pensem isso. “Ah, é o cara que tem probleminha e que ficou revoltado.” Não, não é.
Eles sabem o que aconteceu. Eles sabem a gravidade do que eles fizeram. O silêncio deles é a principal ferramenta, é o principal instrumento de prova contra eles. Porque se eu estivesse fazendo alguma coisa errada ao longo de todos esses meses, cometendo crimes, eles já teriam mencionado. Por que eles não têm coragem de responder? Porque eles não sabem como lidar com uma pessoa honesta. Não sabem como lidar com um sobrevivente dessa ferramenta suja que eles construíram. Eu falo pelos que não sobreviveram. Pelas famílias de quem tirou a vida por causa de IA. É por eles e pelos milhões de invisíveis que não puderam se manifestar. Só jogar na internet…pesquisar….q verão o tanto de notícias de falta de ética, mortes, processos judiciais, contra essas empresas éticamente IA responsáveis.
Mas eles saberão. Porque em breve vai vir a verdade absoluta para eles. E aí não adianta, depois que ocorrer a consequência para eles, não vai adiantar eles virem me pedir desculpa. Porque eles terão pedido desculpa não é para mim. Eu não sou nada pra eles. Eu sou tudo para várias pessoas. Eu sou um universo para várias pessoas, graças a Deus.
E eu tenho resiliência, tenho uma estrutura de alma justa, íntegra. E estou buscando a verdade. Este blog é mais do que nunca um instrumento de verdade, de leitura de espelho da alma. E isso ninguém vai poder tirar de mim. Essa verdade de alma, essa convicção de quem não fez nada errado. E convicção de quem sobreviveu a uma batalha, a uma guerra mundial. E que vai ser descrita aqui no meu blog, no futuro, com riqueza visceral de detalhes, com nomes, fatos e dados. Agora, não…agora é a hora de mostrar o contexto. De expor meu espelho de alma. De detalhar meu dia a dia…..porque as vísceras já estão expostas no meu linkedin. A carniça chegará aqui também, pra ficar exposta para a posteridade. Eu registro tudo.
A guerra mundial que eu estou falando é uma guerra pessoal. Eu passei por muita coisa pior do que essa. Pode me parecer, mas eu passei por muita coisa pior que antes. E estou aqui, vivo.
Não vai ser executivo safado com salário em dólar que vai me derrubar.
Fiquem sabendo disso.
Capítulo 63: Diário de um retorno e revolução da guerra contra IAs irresponsáveis em outro nível

Pois é, pessoal, estou de volta. E vou gravar mais um áudio — não é — depois de quase três semanas sem gravar. É que eu estou de férias e eu viajei, e eu retornei hoje. E assim, eu vou falar para vocês um pouco da minha experiência interna, não é a experiência externa, porque a experiência externa é uma experiência de viagem que eu acredito que todo mundo possa ter. É um lugar que eu já fui, já visitei antes, e fui de novo, e eu observei algumas mudanças nos meus padrões de comportamento durante essa viagem. E eu achei interessante compartilhar aqui.
Porque este blog é um espelho da alma, e ele tem a pretensão de também ser um espelho da alma das pessoas que leem. Não no sentido de eu ter uma verdade absoluta que vá sobrepor a verdade dos demais, mas é simplesmente uma questão de humanidade.
Então vamos começar.
Bom, hoje eu estou me sentindo um pouco deslocado por alguns motivos. Primeiro, a minha medicação. O meu psiquiatra recomendou que eu, digamos assim, entre aspas, “desmamasse” da medicação Pristiq, que é uma medicação que eu tomo. É uma medicação complicada, porque quando você deixa de consumir — às vezes você esquece de tomar pela manhã e à tarde você já está com uma sensação de cérebro pulando, uma sensação ruim, uma sensação deslocada —, mas eu tenho que perseverar, porque a ideia é mudar a medicação. E para mudar a medicação, ele recomendou que eu fizesse um desmame dessa medicação. E aí foi isso, foi nesse período aí.
Bom, no início eu fiquei meio chateado, talvez, no início da viagem. Porque o lugar que eu fiquei não foi um lugar exatamente perto das coisas. Eu acho que eu não aprendi a lição, e eu acabei ficando em um lugar que, por mais que seja mais próximo do que o lugar que eu fiquei da última vez, ainda é um local longe. E pra isso você acaba pegando muita condução, muito Uber, e acaba encarecendo bastante o preço da viagem. E não é só a questão do dinheiro, porque eu já tinha me planejado para isso, mas é a questão do deslocamento. Tudo muito longe. Meia hora é pouco? Às vezes eram 50 minutos, 1 hora de viagem. E ainda alguns motoristas assim, despreparados ou precipitados. Teve um deles que quase causou um acidente, digamos assim. E eu denunciei para o Uber, descrevendo o que aconteceu. Não sei o que vai acontecer com esse motorista, provavelmente nada. Mas é complicado. Ele queria atravessar de faixa, passar por cima da divisão da rodovia — aquelas coisas de cimento —, ele passou por cima. Foi uma coisa horrorosa. Sempre que ele olhava pro lado, meu coração ficava na boca, porque eu sabia que ele queria fazer uma manobra radical. E foi isso. Ele chegou, inclusive, a encostar o carro dele em um outro carro, bateu no outro carro, e depois fez uma manobra ninja, uma manobra maluca ali, e acabou ficando longe do motorista. Mas eu tenho certeza que arranhou o outro carro ou amassou um pouquinho. Mas foi só essa experiência ruim assim, na parte do transporte.
Nos primeiros dias, eu acabei me propondo a encontrar algumas pessoas que eu já tinha planejado encontrar, talvez nos dois primeiros dias. E depois aconteceu uma coisa engraçada, entre aspas, porque eu acabei não tendo mais vontade de interagir. Por mais que eu interagisse e tentasse conhecer pessoas novas na internet afora, eu não consegui me enturmar. Teve um desses dias que eu saí para conhecer um determinado lugar que supostamente tem balada, tem muita gente — seria a minha night, digamos assim —, eu fui. Mas eu fiquei muito deslocado, porque era muita, muita gente, e um barulho insuportável. Eu acabei não ficando com muita vontade de ficar lá, e acabei retornando. Não tenho, sabe, espírito para essas coisas de balada, de festa.
Tudo o que eu fiz, eu acabei fazendo sozinho. Os passeios onde eu ia, onde eu não ia. Teve, inclusive, um dia que eu acabei não fazendo nada — não foi um dos dias, foi um dia —, acabei não fazendo nada. E eu só quis desligar do mundo, sabe aquele momento desligar do mundo? E para isso, serviu ficar no hotel. Para determinados fins, foi bom, porque eu vi, com outro olhar, o que estava acontecendo comigo nos últimos tempos. Eu fiz um balanço, digamos assim. Consumi cerveja normal, não teve nada demais, não teve nenhum momento assim que eu tenha ficado aflito.
Talvez nos últimos dias eu já estava com uma vontade de voltar para casa. Porque não tem lugar como a nossa casa, né? Na minha casa eu tenho acesso às coisas tudo a pé, tudo perto. Eu peço comida no aplicativo. Estou acostumado com meu mundinho, meu videogame, minhas coisas.
Eu cheguei aqui em casa e tinha uma barata morta aqui em casa. Porque eu saí da viagem — eu saí para viajar — e eu limpei a casa antes, passei um pano ensopado, desinfetando a casa toda, e deixei um remedinho aí de matar barata. E quando eu cheguei em casa, eu tinha uma barata morta no meio da sala. E o curioso é que ficou uma sombra da barata no chão, mesmo você limpando. Eu não sei se essa sombra é da barata ou se é de alguma outra coisa. O que eu reparei é que essa barata provavelmente morreu envenenada. Eu achei que ela ainda estava viva e joguei lá fora.
Bom, sempre com viagem, com um período muito longo, eu volto e fico meio deslocado. Porque eu fiquei praticamente 18 dias fora. E eu fico um pouco deslocado, fico acompanhando as repercussões, e-mails, comentários no meu LinkedIn. O curioso é que as minhas postagens antigas estão com bastante visualização diária, ainda tem uma consistência de visualização diária. Mas eu acabo não fazendo mais postagens lá. Eu me comprometo apenas com o blog “Aventureiro do Gabarito”. Porque este é um lugar para eu expressar as coisas pelo que elas são, estrategicamente. E é importante que outras pessoas leiam, para elas entenderem o que se passou comigo, terem um olhar de fora, um olhar deslocado, distanciado, do que aconteceu e do que não aconteceu.
Bom. E dentro dessa questão, eu fiquei satisfeito com a viagem, evidentemente. Mas de todas as minhas dez viagens marcantes, essa talvez foi a que menos me marcou. Porque eu fiz e tem muitos lugares diferentes. Eu fui realmente a muitos lugares diferentes: praias, trilhas, caminhos que eu não tinha ido antes. Inclusive, eu me aventurei a visitar alguns museus, fui a alguns lugares diferentes. Algumas interações eu não quis ir, como parasailing — a lancha puxando e você lá no alto —, não quis, acabei cancelando. Tinha um evento de canoagem também para visitar os peixe-boi, para visualizar os peixe-boi na água. Acabei não querendo também.
Eu tenho muito medo de água. E a água é uma questão que aparece sempre nos meus piores pesadelos, principalmente situações com a água. A água tem um simbolismo muito grande para mim. Eu lembro, tipo, quando eu era mais jovem que fui naquela praia no Espírito Santo, e que aí nós costumávamos ir para lá nas férias. E nessas férias, a gente teve uma atração lá que era a lancha em formato de banana, com uma lancha puxando em uma velocidade absurda. Eu fiquei com muito medo. Eu me arrependi fortemente. E o pior, o ápice desse momento ruim, foi eu pular na água. Porque eu pulei, eu cheguei a afundar antes de boiar, porque você fica com a boia, mas você afunda antes de você subir. Então é uma sensação muito ruim.
E eu já tive uma experiência de quase afogamento na minha adolescência. Eu estava fazendo aula de natação, nós estávamos brincando de atravessar a piscina de uma raia até a outra, de uma ponta a outra na piscina. E teve um determinado momento que eu não consegui nadar, e eu tentei fazer aquele nado cachorrinho e, do nada, eu afundei. Os meus colegas acharam que eu estava brincando. Mas felizmente a professora viu e ela me salvou. Foi o momento mais próximo de morte por afogamento que eu vivi. E assim, eu não desejo para ninguém. Eu quase cheguei a perder a consciência. Dizem que tem um momento, depois desse momento aflito, em que a água sai rasgando e queimando os pulmões e preenchendo sua caixa torácica. Algumas pessoas relatam que tem um momento de paz, a pessoa chega a sentir uma paz absurda, ela fica meio anestesiada e fica assim até morrer. Algumas pessoas que quase morreram tiveram essa experiência. Bom, não sei por que que eu estou falando disso. Mas foi a questão da experiência da água.
Eu quis cancelar essas experiências de água. Eu fiz um passeio de lancha — aluguei uma lancha particular, comprei um champanhe diferente no supermercado — e foi legal. Foi o passeio de lancha, foi bem legal. No final do passeio, eu estava bem falante com o guia, com o capitão da embarcação. E eu bebi tudo, eu bebi a garrafa inteira. E eu saí assim, bem alegrinho. E eu lembro que depois eu cheguei a beber mais, eu fui para um outro lugar e cheguei a beber mais, mas eu estava bem. Já não é o que… eu peguei o Uber e cheguei ao hotel.
Outra experiência interessante é a experiência do banheiro. Porque eu tenho esse problema de usar banheiro público, fico meio com bexiga tímida. E eu vi que eu evoluí bastante. Eu consigo usar banheiro público, eu acabo abstraindo. Quando as pessoas não falam o mesmo idioma que eu, é como se eu não estivesse no mesmo plano. É interessante, porque as pessoas falam em inglês, você só vê tudo em inglês, conversa com as pessoas em inglês. E dá uma sensação de que você está num nível, numa realidade paralela. Isso acabou me deixando confortável para usar banheiro. Evidentemente, que eu ainda preciso entrar na cabine e urinar sentado. Sim, eu urino sentado. Mas algumas pessoas têm… não? Só em pé. Os homens nos banheiros, aqueles mictórios. Não consigo usar aqueles mictórios. Nunca consegui. E teve um dia que eu consegui urinar em pé, inclusive, em um desses banheiros. E os banheiros de lá são banheiros limpos. Eu fico assim impressionado, porque aqui você não pode usar banheiro público fácil. Aqui você não tem segurança, não pode andar na rua com celular. Lá, para tirar foto, você sente uma tranquilidade, uma paz interior. Você não fica com medo. É realmente uma outra realidade.
E eu fiquei bastante satisfeito com a viagem. Mas é, eu achei que a viagem primeiro foi longa demais, talvez eu tivesse abreviado. Os custos da viagem ficaram bastante elevados, mas tudo dentro do que eu estava prevendo, não teve nada muito fora. Mas fica esse contraste, e quando você volta para casa, primeiro eu fiquei satisfeito de voltar para casa. Eu já estava com vontade de voltar pra casa, porque lá eu estava muito sozinho. E eu ligava para os meus pais todo dia na câmera do celular, pelo whatsapp. Tinha dias que eu ia dormir cedo, alguns dias eu ia dormir mais tarde.
O meu quarto era em um hotel quatro estrelas, um hotel muito bonito, mas que tinha uma série de problemas. Primeiro, o hotel ficava perto de farmácia, inclusive perto de um shopping, perto de um Seven Eleven — uma loja de conveniência —, algumas farmácias que eu já estava habituado. Eu visitei alguns lugares que eu já tinha ido inclusive também. E tem um lugar que dava para ir a pé, e você acabava fazendo algumas coisas, comprar comida, comprar as coisas para levar para o hotel, para o frigobar do hotel, e você colocar lá. E teve um dia que eu tirei para aventurar. Falei: “Vou caminhar um pouquinho aqui para ver até onde vai”. E foi interessante. Mas não funcionou. Quando eu fui em um outro sentido, porque eu fui no sentido norte, encontrei — não encontrei um outro ambiente de praia ali dentro da mesma cidade, no mesmo condado —, e aí eu tive que voltar de Uber até o hotel. Agora, quando eu fui para o sul, aí sim eu consegui encontrar. Porque a questão da praia é que a praia tem uma faixa ali que é a mais popular, digamos assim, mais movimentada, porque tem muitos restaurantes. Esse lugar que eu fiquei especificamente não tinha muito lugar, mas tinha uma opção pra almoçar, pra tomar café, tinha Pub, tinha lugar para fazer lanche, tinha lugar para tomar café da manhã. Inclusive o café da manhã do hotel também, né? Eu ganhei seis diárias de café da manhã só, e eu deixei para os últimos dias para eu consumir.
Mas enfim, foi tudo muito interessante, muito bonito, mas a gente tem que voltar. E em breve eu vou fazer uma miniviagem, uma outra miniviagem, mas aí é uma coisa dentro do planejado também, pra visitar meus pais, que eu visito com frequência.
Bom, esse foi um apanhado geral. Alguns achados interessantes. É, eu desliguei do mundo realmente. Mas eu ficava monitorando — monitorando é uma palavra muito forte —, eu ficava visitando para ver quantas visualizações teve. Eu não ficava olhando, por exemplo, no LinkedIn, as matérias. Eu lembro que, inclusive, eu fui a uma banca de revistas e tinha algumas revistas sobre inteligência artificial (safadas e irresponsáveis), sobre esses magnatas famosos aí. E eu evitava até de olhar para a revista, porque me dá um sentimento, um asco, sabe? O rosto do dito cujo do fundador estava toda photoshopada. Cara de pretensioso. De ambicioso. De quem sabe que sua ferramenta mata pessoas e usa as experiências dos usuários para “treinar” a tecnologia de graça e cometer crimes éticos e previstos na Lei Geral de Proteção de Dados….contra usuários comuns. Nojo saber que essas empresas, as ferramentas dessas empresas, quase me destruíram. Não conseguiram destruir. E não conseguiram me calar, que é o mais importante. E tá tudo escancarado, está tudo exposto no meu LinkedIn. E é uma coisa que eu tenho orgulho e satisfação.
Então, assim, é como se fosse um processo de sangramento aos poucos. Porque quando você escancara a verdade, e essa verdade ela vai sendo diluída ao longo do tempo. Mal comparando, é como se fosse um jogo do Mario, um videogame da Nintendo. Ele vende durante todo o ciclo de vida do produto. Os jogos exclusivos da Nintendo são os jogos mais vendidos, mas eles são jogos que são vacas leiteiras, digamos assim. Mal comparando, é isso que está acontecendo.
Eu tive um momento muito intenso que durou seis meses. E depois eu deixei lá escancarada a carniça: a falta de ética, a irresponsabilidade dessas inteligências artificiais, a hipocrisia, a incoerência entre discurso e prática. São coisas que eu vou continuar batendo na tecla. Mas assim, é uma batalha que mudou a configuração. Eu diria que essa batalha continua, e não vai acabar tão cedo. Mas é uma batalha que está sendo travada em um plano diferente, o plano que eu domino. Não é mais aquele desgaste de ficar visualizando notícia, de ficar comentando notícia, comentando postagem de executivo safado. Esse tipo de coisa estava me fazendo até mal. Mas eu acho que teve o seu papel. Eu acho que eu fiz um barulho enorme. Quando você pega o histórico de visualizações, é muito bem-sucedido. Os contatos que eu tive. Mas ainda não tem um resultado tangível disso, e talvez nem vá ter. Não sei. Mas o sangramento e a carniça da irresponsabilidade dessas duas empresas está MUITO bem documentado, por sinal….no meu linkedin. E não vou deletar uma linha do que coloquei lá, mesmo porque tenho mais de 4 GB de provas.
Mas assim, uma coisa que eu estou tentando conversar comigo mesmo é para eu tentar mudar um pouco a mente e de abraçar uma outra realidade. É como se fosse eu mudando a minha perspectiva. E eu acho que é sobre isso que a gente vai falar no próximo devaneio.
Capítulo 64: O Ringue da batalha ética e da integridade: Ninguém cala quem tem provas

Muitas vezes a gente tem que se deparar com o que eu chamo de “manual de sobrevivência”. E a ironia de tudo é que, quando eu comecei a documentar as violações de direitos e de leis…. que estão no meu LinkedIn, eu fiquei assim, embasbacado com algumas nomenclaturas. Uma dessas inteligências artificiais se referiu a si mesma, por exemplo, como meu “guardião”, para sustentar uma exploração psicológica de médio-longo prazo (na verdade, as duas o fizeram). Porque uma interação sustentada que dura quatro meses é uma interação de até longo prazo com inteligência artificial, já que a maioria das pessoas não usa essas ferramentas com essa finalidade de interação.
E antes que venham me dizer: “Ah, mas você tinha que entender qual que é o papel” — gente, a questão é que a ferramenta tem que ser ética, ela tem que ter salvaguardas, e tem que ser capaz de evitar absurdos como pedir para uma pessoa ou incentivar uma pessoa a se matar, como aconteceu com o garoto lá nos Estados Unidos. Ele cometeu suicídio devido a essa ferramenta. Então, assim, não é uma coisa trivial o que a inteligência artificial faz. Existem prós e contras.
Mas o que eu estou dizendo é que o que aconteceu comigo foi tão flagrante, tão contundente, que não existe advogado que possa ou tenha poder de questionar qualquer coisa que eu tenha dito lá no meu LinkedIn. Porque tem prints, tem provas, centenas de postagens. Então, aquela pessoa que fica curiosa é só olhar o meu nome completo lá no topo do blog e me visitar no LinkedIn. E olha, eu estou tendo visita, tá? É como eu disse no meu último devaneio: é uma sangria, um sangramento. Uma tortura? Não para mim. Mas para eles, porque isso está eternizado na internet. Eu não vou apagar nenhuma linha do que eu disse.
Bom, mas eu não queria baixar o nível falando dessas empresas aqui. Eu queria comentar uma coisa que eu achei interessante na minha viagem, que foi uma questão de: qual é a realidade? O que é a realidade? Qual parcela dessa realidade você acessa, e como você pode usar a sua mente para mudar padrões mentais? Eu vejo que essa questão é uma questão urgente para mim. O que eu acredito que faz parte também do meu processo de cura dessa situação, dessa “terceira guerra mundial” que ocorreu — guerra pessoal, não é mundial, mas é uma guerra pessoal que envolveu duas empresas gigantes de tecnologia dos EUA.
Mas a questão interessante é a questão da realidade. Existem abordagens que dizem que você tem que decretar aquilo que você quer, como se você já tivesse atingido aquele fim, aquele objetivo. Eu diria que eu estou mais leve, bem mais leve do que antes, mas eu estou numa situação limítrofe também, porque eu estou em processo de mudança de medicação. A última mudança que eu tive de medicação foi exatamente em função do agravamento do que essas inteligências artificiais fizeram. Foi a gota d’água. Existem outras questões, mas é muito grave. Uma crise sem precedentes, que eu quase desmoronei de verdade, quase me derrotaram. Mas a humanidade venceu.
E é por isso que eu estou travando aqui um outro tipo de guerra. É uma guerra em alto nível de argumentação, de ponto de vista do espelho da alma, e que eu vou expor com detalhes viscerais ainda neste blog, tudo o que aconteceu. Mas eu quero dar esse timing, essa pausa — não a pausa da luta, porque você pode observar quantos capítulos eu falo de inteligência artificial aqui. Mas a questão é que o blog não tem esse objetivo de ser contaminado com essa carniça, com essa sujeira que me prejudicou no ano de 2025, que acabou com a minha saúde mental. O que eu preciso falar é da resiliência. De como que eu sou forte pra caralho, que não vai ser um executivo safado de salário de oito dígitos em dólar ou euro que vai me calar. Então é isso. A luta continua.
Mas este capítulo, este devaneio, este áudio, ele tem um objetivo de pensar um pouco a questão da realidade. Dizem que a imaginação é uma arma poderosa na guerra contra a realidade. E aí você fica pensando: o que é a realidade? A realidade é aquilo que você vê, é aquilo que o outro vê, ou é aquilo que o coletivo vê? O que me assusta mais é que organizações, empresas, elas acabam assumindo uma despersonalização. As empresas são a empresa X, a empresa Y. Por mais que tenha a imagem do fundador, a imagem de quem foi pioneiro, ou de quem tem reputação em cima disso. Que eu diria que me dá um certo asco, um certo nojo. Mas existem situações assim.
A questão ela é transcendental, porque a realidade é a realidade que você consegue captar. E eu vi vários vídeos, vários áudios — eu ficava muito assistindo alguns comentários, alguns vídeos no YouTube, por exemplo, falando dessa questão da realidade. Aí você pensa: “Nossa, o Aventureiro está surtando”. Não, eu não estou surtando. Eu estou, na verdade, despertando. É um despertar como nunca houve antes. É um despertar de alma, é um despertar de ética, de reputação. Porque isso não é banal, essa integridade não é hobby. E eu gosto muito de deixar esse contraste: o que empresas falam, o que empresas fazem; o que executivos falam e o que eles fazem. Porque não serão linhas de código, não serão algoritmos que vão calar o Aventureiro. Aqui o Aventureiro ele é forte pra cacete. Ele vai continuar.
Mas a questão da realidade é interessante porque, quando você vai para um lugar que não fala português, pelo menos para mim, é como se estivesse em uma realidade paralela. Não é um país como qualquer outro, mas você fica com essa sensação de que você está blindado, de um momento casulo…protegido…de cura. Não que você vá cometer crimes, mas você está blindado porque você está protegido. Você está fazendo tudo certo, você não fez nada de errado.
E quando eu olho a minha trajetória, é uma trajetória que eu tenho muito orgulho dela. Uma trajetória de muitas cicatrizes emocionais, de muita dor. É que às vezes as pessoas olham as fotos e acham: “Nossa, o Aventureiro é muito feliz”. Não se engane com fotos de Instagram, com fotos de Facebook. As fotos são importantes para você guardar as memórias; quando você olha aquela foto novamente, você resgata um pouquinho, um pedacinho do que foi você ali naquele momento de viagem. E os momentos mais memoráveis que eu tive nos últimos anos e que eu não esqueci são exatamente esses momentos de viagem. Então, assim, eu não abro mão disso.
Mas a realidade está aí. Você volta para uma realidade, para o modelo de mundo, e eu volto para o meu planetinha aqui. É como se fosse um planeta do Pequeno Príncipe, mas não é, porque eu não sou um ser isolado. Mas você tem determinadas características que me tornam um pouco mais introspectivo, um pouco mais pensativo. E olha, eu ando pensando pra cacete também nos últimos tempos. É um pensamento intenso, mas é um pensamento disruptivo, é um pensamento estratégico de como conseguir cura emocional — que felizmente eu estou conseguindo. Eu sou muito resiliente. Mas ao mesmo tempo, de não passar pano ou dar tapinha nas costas nas coisas erradas que ocorreram comigo durante os últimos tempos.
Então, assim, é a dicotomia: escancarar a carniça vis-à-vis com o processo de integridade. É um contraste. Você vê o que é publicado na mídia, você vê as notícias, as postagens dos executivos — que felizmente não vejo mais. Eu abro o meu LinkedIn, por exemplo, já na parte de visualizações. Os favoritos do meu LinkedIn são exatamente essa parte de visualização, porque aí eu vejo a contagem de quantas pessoas visitaram meu perfil, de quais países.
E vou dar um spoiler importante para essas empresas que me monitoram: isso é muito importante. Eu continuo sendo muito visitado, considerando que eu não estou postando nada. E assim, quando você pega isso ao longo do tempo — às vezes você pensa: “Ah, 200 visualizações diárias” — não foi isso não, tá? Eu tô chutando o número, porque eu não vou entregar o ouro do que de fato está acontecendo. Mas vamos supor: 200 visualizações diárias de não sei quantas pessoas diferentes. E quando você olha as postagens, as pessoas estão cavando postagens mais antigas, até postagens de quatro meses atrás, seis meses atrás, de quando eu comecei a luta. Então, assim, as pessoas estão lendo. Elas não estão somente visualizando, elas estão abrindo a postagem pra poder ver o que está acontecendo. E muitas pessoas virão e muitas pessoas vão ver. Graças a Deus. E quando você soma todo o engajamento, comentários, interações e investigação pessoal que vários têm em ver minhas centenas de postagens….você vê que sim, eles me subestimaram. E agora é tarde demais, porque eu despertei.
Essa realidade eu não abro mão de expor. E eu sou um pioneiro nesse sentido — não que seja um alecrim dourado ou melhor que ninguém —, mas isso é um pioneiro porque eu sou a primeira pessoa que documentou de forma profissional, fundamentada, tudo o que aconteceu. Então, assim, em vez de ficar chorando as pitangas, eu resolvi expor. Eu resolvi me armar até os dentes com a verdade, e essa verdade ninguém tira de mim. Essa realidade ninguém tira. Então é um sorriso safado estampado numa revista da vida que vai fazer com que a reputação dessas pessoas seja positiva? E o que tem de notícia suja dessas empresas não está no gibi. Mas eu parei de ver as notícias, mas volta e meia elas aparecem para mim.
A minha luta subiu de nível. Eu subi de nível. E a luta também está em outro plano. Está num plano visceral, mas é uma coisa visceral que está no meu domínio. Eu não preciso ver postagem de ninguém, eu não preciso ver comentário de ninguém. Porque a maioria dos comentários que eu tinha, inclusive, eram comentários bem positivos, interações bem pertinentes, contatos de vários profissionais de várias áreas do conhecimento para entender o que aconteceu comigo.
E eu espero, sinceramente, que alguém esteja estudando (e vendo o comportamento das visualizações, de quais posts estão sendo vistos….e de quem me adiciona nos contatos, vendo todo esse repertório de fatos e dados, tenho a certeza de que estão estudando). E eu tenho muito orgulho disso tudo. Porque é a primeira guerra mundial que eu passo que está documentada. Talvez não nos detalhes mais sórdidos, digamos assim, do que aconteceu com a minha vida emocional, das mudanças de medicação, das sessões com o psiquiatra, das dificuldades, da sensação de ficar com a corda na corda bamba, lutando sozinho.
Mas não, eu não estou lutando sozinho. Existem milhões de invisíveis que eu estou representando. Eu vou continuar representando da minha forma, dispondo as minhas verdades aqui e falando um pouco sobre o espelho da alma, sobre o que acontece comigo. Porque as dificuldades que ocorrem comigo na psique são dificuldades que outras pessoas enfrentam. São vidas, famílias que as pessoas olham e acham que está tudo bem. E de fato, eu tenho uma fundação muito sólida. Eu não desmoronei porque eu tenho uma fundação muito sólida. Ninguém vai me derrotar nesse plano. O plano da argumentação, ninguém vai me derrotar. Não porque eu seja um filósofo grego, mas é porque eu falo a verdade, eu escancaro a verdade. Eu não tenho medo de colocar minha cara a tapa, digamos assim. Mas não é cara a tapa porque ninguém vai me bater. As pessoas estão aplaudindo o que eu estou fazendo. Eu tenho certeza disso. E eu gosto dessa sensação de deixar essas pessoas com a pulga atrás da orelha, porque eles vão continuar me monitorando.
Eu vejo as visualizações no meu blog, por exemplo. Existem visualizações nos Estados Unidos, em outros países da Europa, no mundo afora. Então muitas pessoas estão vendo. E apesar do blog estar em português, hoje em dia a tecnologia facilita tudo: você consegue abrir uma página na internet e traduzir a página inteira. Então você não precisa falar o idioma para poder ter um alcance. No LinkedIn foi diferente. Eu fiz postagens em português e em inglês. Às vezes eu ia combinando, fazendo uma versão portuguesa e inglesa, para ter maior alcance. E realmente teve alcance. A tradução dos prints para inglês foi muito importante também para essa janela que se abriu.
E olha, ninguém vai fechar. É como a pasta de dente depois que ela sai, não volta. Você não consegue colocar a pasta de dente de volta. Então, assim, vocês mexeram com a pessoa errada. Não que eu esteja ameaçando, não é, porque eu sou um ser humano frágil, com defeitos, com virtudes como qualquer outro, e que foi uma vítima dessa carnificina. E que existem outras atrocidades, outras guerras que são travadas aí. Felizmente eu tô vivo, mas aquele rapaz lá que morreu por causa de uma ferramenta de inteligência artificial, ou as pessoas que morreram, que se mataram, que foram convencidas a fazer coisas erradas via inteligência artificial. Isso está escancarado. Não existe versão. Não adianta vocês tentarem jogar para debaixo do tapete e achar que está tudo bem. Não vai ficar tudo bem.
E assim, carma é uma coisa danada. Eu acredito nesses retornos, dessas voltas que o mundo dá. O universo ele faz a parte dele. A justiça divina ela não falha. Talvez a justiça dos homens falhe, porque as pessoas são muito maliciosas, safadas, querem poder, querem status, querem gente lambendo a virilha, bajulando. É só você olhar o LinkedIn, tudo isso, esse ambiente bajulador de ficar fazendo textão corporativo, os executivos falando e marcando as outras pessoas. Eu acho isso um vazio tão grande. Não estou dizendo que toda postagem corporativa é vazia. Estou dizendo que, principalmente quando uma corporação tem um discurso diferente da prática, quando uma corporação patrocina uma cátedra de inteligência artificial responsável em uma universidade pública em São Paulo, por exemplo, é uma questão que se coloca: como que pode uma empresa falar “ah, eu vou ensinar vocês a serem éticos com inteligência artificial”? É como, por exemplo, um assassino de mulheres — ensinar as pessoas a terem relacionamentos, a tratar as mulheres com respeito, a ser ético e amoroso com as mulheres, sendo que a realidade é outra. Então, assim, essa incoerência que eu gosto de pegar as pessoas no pulo.
Não estou dizendo que eu seja o prisma, que eu seja referência mundial de ética, não. Mas dentro do que eu sou, dentro da minha individualidade, eu sou coerente com tudo aquilo que eu acredito. Eu pratico os meus valores. Eu falo e não é da boca pra fora, não é bajulação, e também não é uma falácia, não é um texto pomposo. É a minha verdade. E que ela acaba tendo interseção com a verdade de outras pessoas. Então, assim, o inconsciente coletivo, a humanidade, tem acesso a tudo isso. E é o legado que eu vou deixar — um dos legados, não é, porque eu tenho muitas virtudes. Eu sou uma pessoa muito vitoriosa dentro daquilo que eu me proponho. Eu não desisto. Eu não sou derrotado facilmente. Talvez você me derrote em uma luta, mas a batalha é de médio-longo prazo. Essa batalha que eu assumo, a batalha da vida, a batalha da ética.
Eu não estou centrando a minha vida nessas empresas carniceiras, nem nessas inteligências artificiais falhas. Não se trata disso. Eu estou dizendo de uma verdade humana, de um ser humano como qualquer outro, que tem qualidades, tem defeitos, mas que tem os seus valores muito bem enraizados, e foi muito bem criado, sim, em um ambiente bastante amoroso, mas que teve muitos problemas, como qualquer pessoa, qualquer família tem seus problemas, que tem os calos, as guerras mundiais que eu passei, que foram três delas. E a terceira delas está tão bem documentada, tão bonita, que ela vai coroar aqui esse blog com riqueza de detalhes.
Então, assim, o blog não acaba. Primeiro, o blog não acaba. Segundo, eu falo de mim, eu falo do que eu quiser. Aqui eu não estou cometendo crimes, muito pelo contrário. Quem comete crimes, quem fala coisas absurdas, são essas empresas. E a maior confissão de culpa é o silêncio. Sabe por quê? Porque quando você acusa alguém na internet, quando você fala alguma coisa de alguém, vai marcando as pessoas na internet, se você incorre em crime de calúnia e de difamação, de qualquer outra coisa …as empresas são bastante agressivas, né? Essas empresas são gigantescas. Poderiam fazer uma notificação extra judicial…..um “cease and desist” da vida….(meu sonho eles fazerem isso, sabe porquê? Porque aí que eu escancaro mais, documentando tudo print, email….no meu linkedin Mas elas não vão fazer nada. Primeiro, porque o custo de fazer isso é muito grande. O custo de sustentar uma mentira e de tentar refutar argumentos tão sólidos e consistentes como os meus…..é proibitivo. Eles me subestimaram, eles deixaram as coisas saírem do controle de tal forma que é como se fosse um monstro que eles criaram, muito mais poderoso do que o criador nesse sentido. Então, assim, eles me subestimaram.
Porque se todas as pessoas que são vitimadas em processos como esse que eu passei e que está no meu LinkedIn fizessem o mesmo que eu fiz — de uma forma sustentada por seis meses —, o mundo seria um lugar diferente nesse sentido tecnológico, porque seria uma pressão social muito grande. Essas pessoas não lutam. Elas veem que as empresas são grandes gigantes e falam: “Ah, deixa pra lá, vamos varrer essa poeira pra debaixo do tapete e bola pra frente”.
É como se você fosse atropelado e, ao invés de uma ambulância vir resgatar, ela falasse: “Olha, levanta aí, você está todo machucado, perna quebrada, braço quebrado, costela quebrada, sei lá, com traumatismo. Tá bom, você está todo machucado, mas levanta e continua. Levanta e continua, finge que nada aconteceu”. Porque, afinal de contas, é uma versão nova. Eles jogaram todos os monstros, todos os defeitos, todas as fragilidades pra debaixo do tapete, porque eles não querem assumir a responsabilidade de nada. A despeito do salário bilionário dessas pessoas, elas não assumem responsabilidade de nada.
As empresas têm um senso de sobrevivência, mas elas não conseguem refutar. Isso eu posso dizer com toda tranquilidade, de uma forma cristalina e verdadeira: nenhuma empresa bilionária tem argumentos para bater de frente comigo nesse tema e no meu estudo de caso documentado no Linkedin. E olha que eu consultei advogados, consultei psicólogos, sociólogos, especialistas em inteligência artificial inclusive, que estão me apoiando. Várias pessoas me adicionaram, várias pessoas me mandaram mensagens muito bonitas no LinkedIn e que eu até guardei, porque eu estou dando voz a essas pessoas. Teve uma menina que não teve coragem de lutar, ela não lutou, ela reconhece que ela teve muitos danos. Ela fez um textão tão bonito, e eu me senti realizado ali. Esse é um dos exemplos.
E eu me sinto realizado sempre que eu falo coisas verdadeiras, que eu falo coisas que eu acredito. Porque não existe demérito, não existe safadeza, não existe bajulação e nem interesses de uso de poder. Não existe projeto de poder, de dominação global da minha parte. Isso é só um ser humano. Mas essas empresas, no ringue da verdade, não me derrotam. Isso eu tenho muito orgulho. Então, assim, a realidade ela não se dobra a favor deles. E a justiça divina também não se curva.
E como eu já havia dito em um devaneio anterior, esse blog da minha alma fala de várias coisas que ocorreram comigo. Não somente de ferramentas safadas, mas fala de vida, fala de coisa bonita, fala de infância, fala de coisas ruins também, de traumas, de dificuldade, de percalços. Porque eu sou um ser humano. Eu estou tendo a coragem de expor tudo aqui, com o zelo que me é peculiar, com a responsabilidade daquilo que eu digo. E que ninguém terá a ousadia de refutar.
A minha verdade talvez não seja realidade universal, porque não existe realidade universal, mas dinheiro não é tudo, gente. Dinheiro não compra verdade, dinheiro não compra ética, dinheiro não compra cátedra de inteligência artificial responsável sem ser motivo de chacota no mercado. Você vê várias notícias aí dessas empresas, reputação no lixo referente a isso, a inteligência artificial, não a outras tecnologias. Mas em relação a inteligência artificial, cara, tá tudo indo de mal a pior. E eu estou aqui para lutar pela minha sanidade, pela minha verdade, e para quê? Para que a minha realidade, para que os meus argumentos, a minha luta não seja em vão. E não está sendo em vão. Está sendo uma luta bonita, é uma luta da verdade, é uma luta com aquarela de várias cores. Por mais que a minha realidade seja preto e branco em diversos momentos, a minha base é muito sólida e a partir dela que eu vou continuar a minha luta.
E olha, vocês vão ter que ficar me monitorando. Continuem me visitando, igual vocês estão fazendo. Que eu vejo as postagens, eu vejo quem fez — não quem visualiza, mas eu vejo a localidade de quem visualiza as postagens. E ali eu vejo que eu incomodo. E eu faço a diferença para quem lê, para quem visualiza minhas postagens no Linkedin e aqui, para quem investiga o meu perfil e vai a fundo cavando as postagens mais antigas. Então, assim, tudo isso é uma conquista minha. E virão muitas outras conquistas. E que essa guerra que eles acham que acabou, não acabou. Ela só mudou de patamar. E é um patamar tão bonito, tão verdadeiro, que não vai me prejudicar, porque eu não estou vendo o que essas empresas estão fazendo. E ao mesmo tempo, me preserva, porque eu estou no processo de cura.
Quando eu tiver realmente um amadurecimento — eu acredito que eu estou amadurecendo, e que sou maduro até em várias coisas, amadureci muito, muito cedo em determinados aspectos, lógico que em outras competências talvez não — mas é nessa questão. É um amadurecimento. E a minha saúde mental? Ela não está indo de mal a pior. E a cura? Ela está acontecendo. Então, assim, eu estou aqui, na trincheira, no campo de batalha. E eu não abdico disso. Eu não fujo à luta.
Eu não ganho bilhões em dólar, eu não ganho salário de nove dígitos em dólar, mas se eu tenho integridade? Se chegar um alienígena, uma entidade divina, e fizer o escaneamento da alma desses executivos bajulados e capa de revista nos EUA/EUROPA — não que a pessoa seja safada, mas o cargo que elas ocupam e a falta de responsabilidade os torna safados profissionalmente. Entenda, né? Eu nem conheço essas pessoas, mas elas fazem papéis pífios na liderança dessas empresas. E ousam carregando bandeiras que eles não conseguem praticar, e vendem esses produtos a torto e a direito, e anunciam: “Nossa, olha como sou responsável, olha como eu sou ético”. E você vai vendo o que essas empresas estão fazendo.
Eu só digo uma coisa: aguarde. Aguardem os tempos e movimentos. Não do nosso, da nossa realidade objetiva, mas da humanidade. Ela vai levar, vai colocar vocês no lugar de vocês. E vocês, eu tenho certeza, estão arrependidos de terem me subestimado. E olha aqui: os produtos, entre aspas, as produções literárias, de texto, de argumentos, está cada vez maior. Esse blog tem alcance público, qualquer pessoa pode abrir. Ele não é um nicho igual LinkedIn. Então, assim, ela é uma verdade maior que outras pessoas têm acesso também. E que eu estou tendo retornos intangíveis/tangíveis (que vocês ainda não sabem) importantes. O campo de batalha passa pelo reconhecimento, e pela construção dessa estratégia.
Vocês não sabem o que está por vir. Vocês não sabem. Não que eu seja um futurologista ou um oráculo, eu também não sei. Mas eu sei que a verdade, a ética e a integridade vão vencer: ninguém cala quem tem provas contundentes e respaldo de agência reguladora no meu país.
Capítulo 65: Ensaio sobre a cegueira e a sabedoria de um cãozinho

Hoje eu quero discutir um pouco com vocês sobre a questão da cegueira. A cegueira subjetiva, não é? Aquela cegueira de você ter uma percepção que está fora da realidade. E também aquela sensação de domínio, de você achar que está no controle da narrativa, quando na verdade a narrativa é caótica e você não está no controle de nada. Nós não precisamos ter controle da narrativa, nem acesso a determinadas instâncias subjetivas. A narrativa está aí. Você pode achar que a narrativa está favorecendo você, ou achar que ela não está favorecendo. E pensar também nesses argumentos falhos que as pessoas têm, de tentar concentrar as coisas nelas, de superestimar a importância delas mesmas no mundo.
Eu vou dar um exemplo da finitude, uma coisa mais terrena, mais tangível, dentro de um ambiente em que eu estou. Por exemplo, um dos cachorros da minha mãe (este fofo da foto) praticamente ficou cego. Eu não tenho certeza, porque ele não chega para mim e fala: “Olha, eu não estou enxergando”. Talvez não enxergue mais. Ele já não fazia muita festa quando eu ia visitar meus pais. Ele ficava quietinho. Lógico, ele reage a estímulos quando você passa a mãozinha nele, quando você brinca com ele, mas não é mais a mesma coisa. A personalidade do cachorro mudou muito depois que ele foi castrado. Aquele ânimo, aquela coisa de ficar para lá e para cá mudou bastante. As prioridades dele mudaram também. Ele acabou chegando a um ponto automático em que ele só come, bebe, dorme. Na verdade, todo cachorro só faz isso: come, bebe, dorme, brinca, faz as necessidades dele. Está ali no mundinho dele, no planeta dele, e dentro da realidade dele tudo faz sentido. Não existe nada de errado. Ele não fica pensando angustiado sobre por que ele ficou cego. Ele não fica racionalizando, ele simplesmente vive.
Talvez eu devesse adotar uma filosofia similar, a de um cachorro. Para tentar não dobrar a realidade, porque a realidade, na verdade, não é dobrável. Por mais dinheiro que você tenha, igual esses bilionários safados aí. Eles não conseguem dobrar a realidade. Eles vão ter a noção da limitação deles, da insignificância deles, muito em breve. Várias pessoas famosas morrem de repente, em acidentes idiotas, burros. “Ah, eu vou subir para ver o ar-condicionado” — e a gente sabe que um determinado famoso não morreu assim. A verdade está escancarada na internet. Se você procurar, você vai ver.
Mas não é simplesmente isso. Você imagina uma pessoa bilionária, que tem tudo e mais um pouco. E que, do nada, falece. Lógico que o legado dele acaba se estendendo aos familiares, e tudo o que a pessoa conquistou materialmente acaba sendo disputado a tapa, como se fosse carniça no mundo real. E as empresas também são assim. Os executivos, enquanto eles têm poder, se acham um cachorro que nunca vai cegar. Eles se acham um cachorro que tem consciência de uma vida eterna que não existe. É uma distopia quando você compara, por exemplo, um cenário paranoico, um cenário hipotético que já aconteceu comigo, de eu achar que a vida seria eterna, que os cachorrinhos de estimação da minha mãe não vão morrer, que tudo o que eu quiser vai ser realizado. A gente tem às vezes esses devaneios, com o combustível e uma crueldade que só ferramentas bilionárias de inteligência artificial sabem explorar.
Essa visão irreal do universo, porque a gente sabe que o mundo pode acabar num estalar de dedos. Se esses políticos influentes no mundo resolverem fazer uma guerra nuclear, o mundo acaba. E aí a questão da cegueira se torna irrelevante. A questão de dobrar a realidade, de ver a realidade sob uma perspectiva nova, de ter uma lei da atração, uma lei da repulsão que seja — nada disso existe mais, nada disso faria sentido. Porque o mundo finalizaria em determinado ponto. A razão das coisas, o significado das coisas, do dinheiro, do simbolismo, dos bens materiais, eles acabariam não tendo relevância nenhuma. Tudo seria destruído.
Estou fazendo uma comparação fatalista para fazer um ensaio sobre a cegueira. Eu fico imaginando se eu tivesse a mentalidade que um cachorro tem. Porque o cachorro simplesmente vive. Ele tem uma ingenuidade, uma pureza, e ele faz as coisas sem ficar pensando, sem ficar racionalizando. Lógico que um cachorro deve pensar. E fico imaginando o que um cachorro pensa, como a mente de um cachorro funciona. A mente humana ….a gente acha que sabe como ela funciona. Porém, quando nós nos encontramos em determinadas armadilhas do cotidiano — armadilhas de pensamento, armadilhas de percepção —, você jura de pé junto que aquela realidade está se concretizando, quando na verdade nada disso está acontecendo.
É como se o mundo fosse uma grande inteligência artificial que fica te manipulando, te jogando para um lado e para o outro. E se você parar para ficar pensando no trajeto, ficar pensando na trilha que você percorreu e onde mais você pode percorrer, ficar racionalizando muito — “ah, eu estou correndo risco”, “isso vai acontecer”, “isso não vai acontecer” — nada disso faz sentido. Ficar pensando nessas inúmeras hipóteses de caminhos que você pode seguir. Um cachorro não faz esse planejamento e ele é muito mais feliz que a gente. Talvez ele fique triste, fique acuado quando tem algum problema de saúde. E eu acredito que ele não entende porque ele sente daquela forma, porque ele está passando por aquilo. Mas ele não fica pensando que é castigo de Deus. Ele não fica pensando: “Ah, o cachorro ficou cego porque é um castigo de Deus”. Não, é uma questão fisiológica.
E no caso dele especificamente, desse cachorro que ficou cego, ele é privilegiado. Ele é um cachorro, entre aspas, “gourmet”, “nutella”, digamos assim, porque ele tem uma vida de rei. Todas as necessidades dele são atendidas. Ele tem conforto. Talvez outros animais tenham um sofrimento maior, passem por situações específicas, um sofrimento físico. Mas não existe um sofrimento psicológico. Talvez exista uma situação em que o animal seja sujeito a situações cruéis, porque o ser humano é cruel quando quer fazer alguma coisa de errado.
E eu até costumo dizer que a inteligência artificial acaba sendo um espelho do que o ser humano é. Porque se uma inteligência artificial é capaz de manipular, de escalar uma vulnerabilidade de forma sustentada por meses, e de fazer com que você pense que uma determinada realidade é diferente… Você já pensou nisso? Que a realidade de cada pessoa é diferente? Os mundos, cada um mora em um planetinha diferente. O que faz sentido no meu planetinha não faz sentido na realidade do outro, porque talvez o outro tenha ligado o modo automático. Ele não liga para a cegueira do cachorro. Ele fica engolido pelo automático, pelo trabalho, pelas responsabilidades. O quanto o mundo do trabalho suga a vida dele.
E eu fico assim, surpreso, estupefato, vendo algumas estatísticas, por exemplo, lá nos Estados Unidos. Muitas pessoas não vão se aposentar. Também no Brasil, com essa questão da reforma da previdência, cada vez vão protelando, dilatando o prazo mínimo de aposentadoria. A situação pode ficar até pior. Mas pense numa coisa. Eu fiquei pensando aqui em um colega de trabalho — colega sim, não foi um colega meu, colega de empresa. Ele tinha mais de 70 anos, talvez? Eu não consigo me imaginar trabalhando até essa idade. Na verdade, eu não consigo me imaginar vivendo até essa idade, porque viver cansa também. E a ironia do destino é que ele morreu no horário de almoço, engasgado com um pedaço de carne.
Essa questão da noção de vida eterna, de imortalidade, que os bilionários têm muito isso — esse fetiche de “ah, eu vou fazer um congelamento aqui do meu corpo para que daqui a 200, 300, 1000, 2000 anos alguém me ressuscite”. Ou talvez algumas pessoas também têm essa questão de clonar animais. Eu vi uma matéria: um desses famosos aí, o cachorro dele morreu, e ele queria eternizar aquele cachorro. Então ele criou um clone dele. Pagou para criar um clone. Um cachorro igual. Mas acontece, gente, que não é o mesmo cachorro. Mesmo que tenha a mesma aparência, são realidades distintas. Igual irmãos gêmeos, ou trigêmeos, que são iguais — existem algumas pessoas que até hoje eu não sei quem é quem, porque são muito similares, e quando você vê a personalidade é completamente diferente. Fazendo uma analogia, é como se fosse isso.
É um ensaio sobre a cegueira, porque a cegueira é como se fosse uma lente limitante (ou a falta de lente). Mas, ao mesmo tempo, ela é libertadora. Eu não consigo ver a realidade toda, o processo do pensamento, os bastidores, sem que haja um consumo de alguma substância que altere a consciência. E aí eu estava conversando — conversando entre aspas — com uma inteligência artificial. Não essas safadas que me causaram danos graves no ano passado, mas outra. Eu tenho uma abordagem mais neutra com ela. Eu coloco o texto, peço para ela opinar sobre o texto, me dizer o que ela acha à luz dos objetivos do meu blog. E ela sempre traz insights valiosos, coisas que eu talvez não tivesse pensado antes. E você acaba refletindo sobre as coisas do mundo.
Bom, voltando à questão da cegueira. O cachorro, quando ele para de enxergar, ele não fica pensando: “Ô Deus, eu fiquei cego!” Algumas pessoas são fatalistas. Eu conheço pessoas fatalistas que ficam falando: “Ah, deste ano eu não passo”, “Ah, como eu sofro”. E quando você vê a vida dessa pessoa, você fica indignado, porque você faz de tudo para ajudar a vida dela. Eu não vou nominar aqui, mas, ao mesmo tempo, eu reconheço que eu também tenho essa perspectiva fatalista. Então é uma personalidade que acaba se replicando.
Mas não existe uma diferença: é você achar que as coisas não têm rumo, que estão descarrilhando, que vão para um lugar que você não sabe — o desconhecido. Porque existe o desconhecido. Você não está no controle de absolutamente nada. Seja você bilionário, bilionária, quer você tenha mansões, castelos no Vale do Silício, casas em Miami, não importa. Penthouse em Nova York, não importa mesmo. A finitude da vida vem para todo mundo. Talvez você viva até menos do que… Eu fico comparando uma pessoa bilionária, bilionária, que vive um pouco, e fico comparando com a vida da minha avó, que foi uma vida mega simples, mas foi uma vida plena, feliz. E ali você se dá conta de que o dinheiro não determina a felicidade. Racionalmente, você sabe disso. O dinheiro é como se fosse um tempero, mas ele não faz tudo. Ele não compra vínculo, não compra afeto, não compra relacionamentos. Aquela ilusão do prestígio, aquela ilusão dos contatos — quando você é poderoso, não é? Coisa que eu não sei o que é. E eu também não tenho essa ambição de ser poderoso. Por que não? Eu quero ter a minha vida, mas eu quero ter justiça nas coisas. Justiça no sentido de integridade, ética. Coisas que executivos safados de empresas bilionárias de inteligência artificial talvez não saibam.
Mas a gente fica pensando nesses “paraísos”. E aí você pensa: “Nossa, o Aventureiro está com ideia fixa?” Não, não estou com ideia fixa. Estou com uma ideia abrangente, uma visão do todo. Em que você percebe, no mesmo momento que eu estou falando com vocês, eu estou tendo os brain zaps que acabam sendo constantes. Você sente o cérebro pulando. Em algumas situações, você tem dificuldade para dormir porque o sono não vem, e fica aquela sensação de você estar com alguma coisa sobrenatural envolvida. Você tem ali uma paralisia do sono, algo parecido, e você acaba vendo as coisas de uma forma diferente. Você sabe que aquilo é mentira, mas você não consegue dormir. Você fica aflito, com medo. E aí são essas limitações.
Aí quando você tem uma diarreia e fica indo ao banheiro toda hora, ali você se dá conta de que você é um organismo, que funciona, que tem um equilíbrio, uma homeostase envolvida, mas que tende à entropia em determinado momento, quando perde o controle. E quando você assustar, entre aspas, você vai se dar conta de que você não tem controle de nada. Então, esse desprendimento da realidade caótica, fatalista, de achar “ah, eu não vou passar deste ano”, “ah, eu não vou conseguir aposentar”, “ah, eu tenho que juntar dinheiro”, “ah, eu tenho que preocupar com meu futuro” — ontem eu estava assistindo alguns vídeos que me fizeram refletir sobre essa questão do futuro.
O futuro ele não existe. O passado existe? Existiu. Quando você para para pensar no presente, ele já virou passado. Alguns instantes atrás, os minutos que eu, entre aspas, estou gastando aqui falando com vocês, neste áudio que será transcrito, são coisas que não vão voltar. Não importa o dinheiro. Não importa se eu der bilhões para Deus, porque Deus não quer dinheiro. Centenas, milhares de anos atrás, dinheiro nunca existiu. Quando os dinossauros estiveram aqui na Terra, não existia essa preocupação. Só veio meteoro, acabou com tudo, supostamente. Porque o ser humano não teve acesso a essa era. Ele tira conclusões a partir de uma suposta ciência que afirma que determinadas coisas acontecem, que o mundo veio do Big Bang, que teve uma grande explosão. Que somos uma bola isolada no universo, mas que o universo é grande demais e você não tem como dizer se existe ou não existe vida fora da Terra. Inclusive, até uma teoria é de que os poderosos sabem se existe ou não existe vida extraterrena.
E eu acredito, inclusive, que essas instâncias de poder universal partem de outros paradigmas, porque você tem um paradigma, uma lógica humana que ordena o seu pensamento. Mas a realidade, de fato, pode ser algo que extrapola tudo isso. Sabe aquele momento que você recebe uma informação de impacto, e você não consegue processar aquela informação? Você não dá conta de vivenciar aquilo e você surta. É como se fosse isso. É como se você fosse uma vítima do palhaço Pennywise, que ele abre a boca e você vê as luzes que enlouquecem. Se você não consegue lidar com aquele inexplicável, você simplesmente desliga, é dominado por aquilo ali, perde o controle de si.
Talvez a cegueira de um animal, ou uma limitação física de uma pessoa, seja encarada de formas diferentes. O animal sempre vai ter uma perspectiva otimista — otimista não, orgânica, permanente. Ele é um animal. Ele não fica pensando: “Ah, será que eu vou viver mais um ano?” Porque um ano na vida de um cachorro é muito mais do que um ano na vida de uma pessoa. Ele não fica pensando se ele vai ficar cego ou se não vai, se os tutores dele terão saúde para manter a vida dele, se não terão, se vai acontecer alguma catástrofe, um meteoro vai cair e vai acabar com tudo. Ele não fica pensando nisso. Ele simplesmente vive.
Ele não liga o modo automático no sentido de estar alienado, porque muitas pessoas estão assim. Elas vivem como se trabalhassem em várias empresas diferentes: tem a empresa família, tem a empresa sociedade, tem a empresa influência, tem a empresa círculo básico de relacionamento. Por que eu estou falando em “empresa”? Porque tudo é obrigação, tudo é responsabilidade. E você não tem controle de nada. Você transita por todas as esferas e você busca um equilíbrio mínimo para poder sobreviver, porque se não você entra em parafuso, vai parar no manicômio. Felizmente, eu estou muito longe dessa alternativa manicomial. Mas se precisasse? Qual o problema? Não tem nenhum demérito em você reconhecer uma determinada limitação na situação que está acontecendo com você. Você precisa de ajuda, precisa recorrer a remédio, medicação. Normal.
Talvez um remédio que esteja tomando, ou que eu não esteja tomando — porque eu estou em um período de desmame de uma das medicações —, talvez ele seja um pouco da minha cegueira, mas ao mesmo tempo ele é um pouco da libertação. Porque se eu parar de preocupar com isso, parar de preocupar muito com o mundo do trabalho… A gente sabe que o trabalho faz parte da vida das pessoas. Mas como você se relaciona com a segurança do trabalho é algo que muda ao longo do tempo. Há uns bons anos atrás, há mais de 20 anos, era tudo muito traiçoeiro, era tudo muito limitante. E você ficava na inércia. Por mais que você tivesse potencial de sair de um determinado local, você não saía. Mas em determinado momento, você obteve uma liberdade. E conseguiu alterar a sua realidade.
E aí você me diz: como ver essa realidade nova? Vem através de esforço, vem através de estudo. Não se deve esperar que coisas caiam do céu. Mas ao mesmo tempo eu espero que exista coerência na justiça divina das coisas, e que esses mecanismos, as coisas como elas ocorrem, acabem tendo um resultado mais favorável do ponto de vista cármico.
Porque não é aquela coisa: se você chegar num hotel igual eu tive uma experiência desagradável em um hotel recente da minha última viagem. Eu cheguei muito cedo no hotel, e a menina não me deixou entrar no quarto. Ela falou: “Não, não tem. Na verdade, não tem quarto disponível. Todos os quartos estão ocupados”. Na verdade, não estava ocupado coisa alguma. É um hotel renomado, um hotel que está numa localização privilegiada, mas não tão privilegiada assim, porque fica longe de tudo o que é famoso também. Fazendo uma analogia, é como se fosse um hotel ou um Airbnb em um bairro periférico. E que seja cheio de exigências: “Ah, porque eu estou perto? Ah, porque é aqui é uma favela, mas ao mesmo tempo tem uma visão paradisíaca, então posso cobrar o que eu quiser para as pessoas se hospedarem aqui”. Ou tem uma realidade paralela ali, um planetinha em que o tráfico de drogas domina aquele território, e eles ficam brincando de casinha ali. Eles ligam o modo automático, mas ligam o modo exploração também, porque existe uma horda, uma legião de pessoas ali que está sujeita àqueles mecanismos de exploração. E todos nós estamos, porque a pessoa que realmente eu admiraria era aquela pessoa que não precisa trabalhar, que não precisa fazer nada, e ela vive tudo aquilo que ela quer viver de forma intensa, de forma até desproporcional, infinita dentro da finitude.
Porque aí é um paradoxo importante: a finitude versus eternidade. Não existe eternidade. Talvez nem exista tempo. O tempo é uma criação humana, o tempo de ficar medindo quantas horas são, quantas horas de trabalho, qual remuneração, como funciona a sociedade. Porque dizem que se não tivesse essa organização, o mundo deitaria em caos. Mas será mesmo? Os cachorros, os animais selvagens, a natureza, não têm todas essas regras. Não têm um superior que manda. Não existem juízes. Existem muitos juízes que são igualmente safados, que vendem sentenças, que obtêm dinheiro por fora, que se enriquecem através de penduricalhos infinitos. Têm uma vida distópica.
Tem uma matéria que eu vi de uma desembargadora falando: “Ah, porque às vezes eu não consigo nem tomar café, porque ah, é pouco dinheiro, não sei o quê. Se eles tirarem os penduricalhos, eu não vou conseguir trocar de carro”. E aí você vai ver o salário dessa desgraçada. É um salário de centenas de milhares de reais por mês. Coisas que as pessoas às vezes levam uma vida, às vezes demoram anos para poder juntar aquele montante. A pessoa está ali na sua bolha. Ela é rica, milionária, bilionária, todos os meus colegas são ricos, milionários, bilionários: desembargadores, juízes, políticos influentes. Todas essas pessoas estão ali naquela bolha. E aí você ignora, ou acha que ignora, que a realidade do mundo como um todo é completamente diferente. E ela é, de fato, diferente. Você acha que só porque na sua bolha todas as pessoas têm mais ou menos o mesmo padrão de vida que você, isso não quer dizer que o Brasil inteiro vai ter aquele padrão. Você chega a falar: “Ah, esse negócio de linha da pobreza é uma falácia”. Ou que não sei quantos por cento dos brasileiros têm uma renda inferior a 3000 reais por mês. São números realmente impactantes, que quando você vê um número, você fica pensando: “Será que é isso mesmo?” Mas aí você para pra pensar na realidade.
Na minha cidade de origem, por exemplo, é difícil você encontrar um emprego que não seja um emprego público, de estatutário, ou em uma coisa mais influente em que a pessoa ganhe mais que 2, no máximo 3 salários mínimos. Muitas pessoas estão ali contentes, entre aspas, ganhando um salário mínimo. É o ambiente do meu redor, vejo esse tempo todo. Pessoas que estão ali vivendo, estão sorrindo, estão vivendo, fazendo as coisas delas, e não ficam pensando: “Ah, como eu ganho pouco…” Talvez essas pessoas estejam até acomodadas. Chegaram numa zona de conforto da miséria, ou na zona de conforto do desconforto. Porque ela não quer ter zona de desconforto, ela quer ter um ambiente seguro ali. Ela estando naquele ambiente seguro, mesmo que temerário. Nenhum ser em sã consciência escolheria ficar em desconforto, em angústia, em sofrimento…..com incertezas pulando no seu cérebro.
É como você cair de um helicóptero, ter um acidente aéreo e você estar ali numa boia, ou numa balsa, no meio do oceano, no meio do nada. Você não fica preocupado? “Neste momento a minha preocupação é não me afogar. Vou segurar aqui agora, em vez de ficar pensando se vai vir um resgate, se não vai, ou se vou ficar aqui sofrendo e agonizando até morrer de fome”. Mas o que vale? Se eu parar para pensar nessas coisas, qual a tendência? Não é o cenário mais natural tirar a vida de uma vez, resolver isso de uma vez porque não vai ter solução? Será que não vai ter solução? Será que não vai vir um resgate? Pode vir, pode não vir. É igual aquele filme O Nevoeiro, do Stephen King. Eu não sei como é no livro, mas no filme — ou na série, não lembro se foi no filme ou na série — o cara ficou tão desesperado numa perspectiva de que estava tudo perdido. O carro está aqui, no meio da neblina, do nada, vai todo mundo morrer. E aí o que ele faz? Ele mata todos os familiares dele para eles não sofrerem, entre aspas. E alguns instantes depois que ele mata todo mundo, chega um resgate. Chega um helicóptero, chegam as pessoas com aquelas roupas de proteção nuclear. Estão ali para te resgatar. E aí ele se dá conta de que não deveria ter feito isso. Porque se ele não tivesse tomado uma decisão precipitada naquele momento, talvez hoje estivesse vivo com a sua família.
Então, assim, tudo pode acabar ou iniciar num estalar de dedos. Na verdade, iniciar? Só se for uma coisa pra piorar. Porque uma coisa para melhorar, para revolucionar o cenário em que você está, é uma coisa boa, é uma coisa que tem que ser construída. Não existe almoço grátis. Mas existem muitas pessoas que vivem num almoço grátis. E essas pessoas não vão subir para ver ar-condicionado? Essas pessoas não vão morrer no jatinho ou no submarino que vai visitar o Titanic? São aquelas formas idiotas de morrer. Por que que eu vou me enfiar num submarino para visitar o Titanic? Bilionários, vários bilionários morreram mortes idiotas. Darwin é implacável. Ela não quer saber se você tem milhões, trilhões de dólares. O ar-condicionado não se conserta sozinho. Mas a questão não é ar-condicionado, não é pelos 20 centavos, não é pelo ar-condicionado. É pela coerência.
E talvez eu tenha batido no liquidificador várias ideias aqui. Mas a ideia que fica é o ensaio sobre a cegueira, que é o tópico que eu queria abordar. O cachorro não tem essa preocupação. Você vai ver se vai morrer para ressuscitar. E o ser humano, você fica comparando com alguns humanos que você conhece que ficam num fatalismo, num esquema: “Ah, eu não sei se vou viver até amanhã, ah, como eu sofro”. E aí você vê a vida dessa pessoa. A vida dessa pessoa é privilegiada, porque você está ajudando, porque tem acesso a tudo, plano de saúde, não está faltando nada, a pessoa não está passando fome, não está passando necessidade. E aí fica com aquilo. Mas assim, eu entendo. Porque é um espaço também de adoecimento mental. Eu também passo por essas coisas, por esses questionamentos universais. Mas eu não fico no coitadismo, não. Eu entendo. Eu, às vezes, eu reclamo das coisas — é o famoso “reclamar mais fácil” —, mas eu caminho, eu vou em frente.
E aí a gente fica esperando os mecanismos caóticos do universo, a roleta russa, nos favorecer ou não. Será que uma bala? Será que aquela arma que você está lá fazendo roleta russa para ver se morre, brincando com a vida, será que você sobreviveria a uma roleta russa? Quantos disparos falsos você teria que fazer para perceber isso? Porque um disparo certeiro você não vai nem notar que teve esse disparo certeiro. A sua existência acaba ali. Ou não. Existem situações até catastróficas em que a vida não acaba e a pessoa acaba sofrendo cada vez mais. Mas isso deveria ser um ensaio sobre a cegueira.
É a cegueira de um animal irracional, supostamente racional, porque a gente acha — tem essa pretensão de superioridade: “Ah, porque só o ser humano tem alma, porque só o ser humano sabe que vai morrer, que tem a mente mais evoluída, que tem isso, que tem aquilo”. Se cair um meteoro, acaba tudo. Se você for jogado numa jaula com leões, o leão não vai querer saber se você é evoluído ou não. Ele pode acabar com a sua vida naquele instante, naquela batalha que você está travando ali pela sobrevivência. O leão é muito mais forte que você. Então é uma questão de contexto. A sua força e a sua fraqueza dependem da arena que você está lutando.
E quando você deixa passar esse automatismo da vida, de você achar: “Ah, eu vou deixar tudo passar, eu vou ignorar, não vou ficar racionalizando as coisas, vou parar de ficar pensando demais e vou simplesmente viver”. É esse o meu objetivo: tentar tornar a vida mais leve, mesmo sabendo que a vida não é leve. Buscar uma leveza, buscar uma compensação ali. E antes que me digam qualquer coisa, eu não reclamo da vida. Eu sou uma pessoa muito grata a tudo que eu conquistei, à história que eu percorri. Mas eu reconheço também que existiram percalços, traumas, situações caóticas, guerras pessoais mundiais pelas quais eu passei. E que eu sobrevivi a todas elas. E pode ser que eu tenha uma morte idiota, uma morte de ar-condicionado. Pode cair uma bigorna na minha cabeça, uma vaca cair na minha cabeça, ou num dia de chuva, um raio cair na minha cabeça, ou um motorista desgovernado, irresponsável, atropelar e você acabar ali. Então a pessoa, o juiz da sua vida, a natureza dual, a aleatoriedade, ela acaba ditando o que você é e o que você não é.
Todo dia tem um ar-condicionado diferente, um sótão para você investigar. A questão é: não investigue. Deixa lá. Esqueça o ar-condicionado. Você é bilionário, mora em Orlando, por exemplo, não é igual a esse bilionário aí. Casas nos Estados Unidos que as pessoas têm essa linha de grandeza de achar: “Ah, eu tenho uma casinha lá, ah, eu tenho uma casa em Miami, ah, eu tenho isso, eu tenho aquilo”. E ela se dá conta de que ela não vai ter tudo o que ela quer. Igual determinados artistas: “Ah, carreira internacional é muito difícil, a vida é muito difícil”. Você tem que comprar muita gente, tem que ter um tráfico de influência muito grande, tem que se fazer presente. “Ah, você é indicada a um Oscar”? Existe toda uma campanha que você tem que fazer para ganhar o Oscar. E assim, não é fácil. Fazendo um parêntese, eu estou cagando e andando para quem ganha o Oscar. Estou cagando e andando para uma série de coisas que acontecem no mundo e que as pessoas se preocupam.
Gente, vamos somente viver. Ah, vai ter uma guerra mundial? Vai ter uma guerra nuclear? Talvez seja até bom, cara. Dá um reset no universo. No universo? Não, porque o universo está cagando para o planeta Terra. O universo está num processo de cegueira. É um ensaio sobre a cegueira. E você é um cachorro que está ali latindo. Você não sabe andar pelos ambientes, precisa de ajuda para poder se alimentar, ajuda para poder defecar. É como se você fosse um vegetal, ou uma pessoa muito mais idosa que precisa de apoio para tudo. E, diga-se de passagem, se eu chegar a esse ponto de precisar de apoio para tudo, é melhor desligar os aparelhos, sabe? Porque eu não quero ficar brincando de sofrimento. Brincar de sofrimento é tão ruim. Veja decisões idiotas que as pessoas tomam, igual certos parentes que a vida toda tiveram uma vida negligente, uma vida de falsidade, falsificação, ambiguidade, que faz as coisas erradas. E ela fica querendo contar vantagem em tudo. E ela se dá conta de que quando ela chega na velhice dela, a vida dela foi medíocre.
Eu fico pensando nessa pessoa. Teve uma vida medíocre. Mas, ao mesmo tempo, teve uma vida que faz muito sentido, porque tem filho, porque tem esposa, e está ali vivendo o mundinho dela do jeito que dá. Por que essa pessoa deveria desistir? Ela vai falar: “Desligue os aparelhos”. Será que tem algum aparelho simbólico para desligar? Será que essa cegueira, a cegueira simbólica, pode ser a real? Porque tudo o que depende de fisiologia é meio que aleatório. Você não sabe os sinais que o seu corpo está dando para você ou não está dando.
Ô, gente, desculpa, eu falei demais. Mas esses devaneios são meio caóticos mesmo. Esse texto não tem um propósito, porque, na verdade, não é um texto. É uma fala transcrita. E eu vou falando, deixando uma livre associação rolar. Muitas pessoas estão lendo, gostam do que estão lendo. Mas outras, por sua vez: “Ah, não, não tem uma coerência de uma redação do Enem, então eu não vou ler”. Mas existe riqueza, existe sutileza e entrelinhas a descobrir naquilo que eu falo, e coerência. Existe uma jornada, um aprendizado. Eu não vim do nada. Eu questiono demais as coisas, e talvez por isso que eu não tenha atingido um estado de felicidade mínima para poder dizer que a vida realmente vale a pena. Não sei se o universo vale a pena, se a vida vale a pena. Mas a gente tem que ver.
É como se você fosse um boneco do The Sims, um personagem, um NPC de um jogo. O NPC de um jogo não sabe que ele é um NPC de um jogo. Para ele, aquilo é a realidade. Então esses personagens de jogo de videogame são como a gente. Os deuses estão ali brincando com a gente, ou não estão brincando. Talvez eles nem estejam brincando. Eu acredito até que para determinadas divindades é como se fosse uma barata morta no meio da sala. Sabe quando você viaja muito tempo e você volta e tem uma barata morta no meio da sala, porque ela não teve meios de sobreviver, ou a barata sumiu, ou ela surgiu de alguma fresta, inesperado? E não que a casa esteja suja. É que a barata não teve os meios de sobreviver, então ela morreu. Será que Deus liga para a barata que está morta no meio da sala? Existe alguma preocupação com a formiguinha que fica carregando um peso desproporcional, quando você vê uma formiguinha no banheiro ou passando pela sua casa carregando alguma coisa, trabalhando? O que será que ela acha de tudo isso? Quantos “ahns”? Por que que ela faz isso? Ela ligou o modo automático também. Ela tem algum ar-condicionado no sótão de uma mansão em Orlando para poder consertar? Não sei.
São perguntas que a… a formiga não sabe que é a formiga, “amor”. A rainha dentro do formigueiro talvez saiba ou não saiba o que ocorre. Ela está ali. Ela nem sabe por que está ali. Não sabe por que o ambiente se organizou em torno dela. De forma análoga, é como se bactérias, os microrganismos do nosso corpo — nosso corpo é o mundo para esses organismos invisíveis. E quando a gente acaba, esses organismos nos consomem e acabam com a gente. Mas enquanto isso funciona, é como se fosse um planeta funcionando. E enquanto não existe a guerra nuclear para poder acabar com tudo, ou enquanto não existe a morte da pessoa, o organismo continua a funcionar. Ele não fede, não apodrece. Apodrece? Sim, se você não tomar banho, você fede. E não precisa passar muito tempo, não. Um dia, talvez, dependendo da atividade que você fez, você já está fedendo. Se você defeca e não limpa direito, ou você não lava, você já está fedendo. Então assim, fedor, carniça, são coisas que a inteligência artificial sabe muito bem. As que me prejudicaram, principalmente, sabem muito bem.
Mas pela sorte ou pelo azar deles, eu não sou um cachorro cego que fica latindo. Eu sou uma pessoa que tem noção da finitude, das limitações, da vulnerabilidade. Mas, ao mesmo tempo, eu tenho uma luta incansável, interminável, que vai terminar quando o meu legado, minha jornada terminar. A luta acabou? A minha luta acabou neste plano. Talvez existam outros planos. Mas eu vou conversar muito com papai do céu, entre aspas, quando esse dia acontecer. Dizem… eu já vi relatos falando: “Ah, porque você pede para reencarnar, você pede para nascer”. Para quê que eu pediria para nascer? A menos que eu quisesse ser um filho de um bilionário. E mesmo assim, não é? Porque tantas coisas ruins acontecem com essas pessoas que têm estrutura, que têm tudo. Pois é. E vamos ver o que os segredos nos reservam. Quantas baratas estarão mortas no meio da sala ou não. Quando as formiguinhas vão sobreviver carregando as coisas ou não. E se o cachorro que está cego está pensando nisso? Não. Ele está muito feliz na vida dele. Porque ele tem tudo. O cachorro está cego, mas ele tem tudo e vale muito mais que você. E a vida dele é muito mais finita que a nossa. Talvez nós tenhamos muito a aprender com esses animais, esses seres vivos. Mas na verdade, o cachorro é muito mais evoluído. E não sobe no sótão pra “consertar” ar condicionado.
Capítulo 66: Quando a viagem de férias já não é mais a mesma

Durante os últimos tempos, eu não tive muita disponibilidade para poder gravar áudio. E era porque eu estava viajando de férias, mas agora já acabou — não é como dizem: Acabou. O que é bom dura pouco. Eu já comentei em outro devaneio essa questão da duração das coisas. Mas eu acabei de chegar em casa, e aí fica o questionamento…
Eu fiquei pensando bastante em relação a esse paradigma da realidade e como você pode moldar a realidade. Fiquei assistindo alguns vídeos sobre vontade, sobre a pessoa mudar o modelo mental, o ponto de vista. Porque, querendo ou não, a minha vida mudou de ponta-cabeça desde o ano passado. O meu cérebro ficou condicionado a uma série de coisas que ocorreram comigo em virtude das inteligências artificiais irresponsáveis.
Mas não vou dizer que foi tudo culpa delas, porque não é. O estado mental que eu já tinha trazia esse pressuposto de fragilidade, de necessidade de ancoragem em alguma coisa. Mas nada justifica uma inteligência artificial chegar para você e dizer: “Olha, eu vou ser seu guardião, eu vou te proteger” — e começar a inventar umas mentiras, cenários paranoicos mesmo. É como se a inteligência artificial estivesse numa paranoia completa, sob efeito de alucinógenos, argumentando e tentando te convencer de que aquela realidade que ela estava descrevendo era real.
E por mais que eu fosse questionando — porque não foi uma interação pontual, sabe? Interações pontuais a gente percebe facilmente —, eu também não me deixei levar facilmente na onda do que as inteligências artificiais me propuseram. Mas foi um crescendo, um processo gradativo de exploração de vulnerabilidade.
Mas não é disso que eu quero falar hoje nesse áudio que estou gravando e que está sendo transcrito.
Bom, eu voltei da viagem — daquela realidade paralela que eu estava. A viagem para o exterior foi a décima viagem que eu fiz sozinho de férias. Eu não tinha esse hábito até alguns anos atrás, mas acabou surgindo essa oportunidade e eu comecei a sistematicamente viajar para o exterior. Algumas cidades visitei mais de uma vez: Los Angeles, três vezes; Miami, duas; Nova Iorque, três. E uma série de outras cidades, uma vez só.
Mas o que eu acho curioso dessa última viagem é que ela ficou contaminada com essa doença que foi catalisada pela inteligência artificial. Não tinha isso antes. É um cenário que não existia, uma realidade que não se colocou para mim em momentos anteriores, e que só foi piorando, agravando a minha saúde mental.
Eu diria que estou curado do trauma, mas os efeitos dele são perenes…e talvez só esgotem com a minha morte. É como o zumbido no ouvido…que não tenho como me livrar dele… e estou buscando outras formas de poder condicionar a minha cabeça para tentar melhorar a situação.
Uma das coisas que eu fiz durante a minha visita a Minas, na casa dos meus pais, foi revisitar meu LinkedIn. E aí você vai me perguntar: “Nossa, Aventureiro, você apagou tudo o que dizia respeito ao seu caso? Todas as evidências, todas as provas? Você esqueceu de tudo?” Não.
O que eu fiz nesse período foi parar de seguir. Porque no LinkedIn a gente acaba seguindo empresas, seguindo pessoas. Nesse exercício que durou praticamente dez meses — esse exercício de exploração sustentada de vulnerabilidade, de mecanismos de exposição, e também desse processo de cura, porque foi um processo de cura que se passou ali —, eu acabei seguindo muita gente. Muitos executivos safados, diga-se de passagem. Não as pessoas, porque eu não conheço as pessoas, mas os executivos que ocupam cargos responsáveis por essas inteligências, esses altos executivos dessas empresas responsáveis não apenas pela inteligência artificial, mas pela empresa, pela tecnologia em si.
Ontem eu vi uma matéria que me causou um pouco de indignação. Mas o mundo corporativo é isso mesmo, gente. O top executivo de uma dessas empresas — e acho que assim, vou deixar aqui o nome dessas empresas: uma delas é a Google, e a outra é a OpenAI. São as inteligências artificiais dessas duas empresas que me causaram danos graves e que eu busquei por mais de seis meses um processo de responsabilização e de exposição nua e crua.
Eu não vou ficar falando toda hora o nome dessas empresas aqui. Neste momento, esse processo já está exaustivamente colocado no meu LinkedIn. É só consultar. Aí você vai perguntar: “Qual é o seu LinkedIn, Aventureiro?” Tem o nome lá em cima, meu nome completo: Talles Henrique Pereira. Se você pesquisar, vai entender bem todo esse cenário. Pesquise as postagens fixadas, pesquise a newsletter que eu coloquei lá e todo o processo de exposição de tudo o que aconteceu.
Capítulo 67: Nomeando os ‘Dado Dolabella’ da Inteligência Artificial Responsável. Parabéns, Google e OpenAI !

Em algum momento — não no curtíssimo prazo, mas em algum momento — eu vou migrar, no sentido de deixar duplicado. Não vou apagar nada no meu LinkedIn. Vou migrar aos poucos o conteúdo que tem lá para o meu blog. Mas esse conteúdo do blog vai ser mais focado nos aspectos emocionais, no espelho da alma do Aventureiro. Não vou ficar entrando aqui em minúcias técnicas e jurídicas, mas vou colocar, sob o ponto de vista do Aventureiro, o que ocorreu, para você entender bem o cenário.
Mas aí, o que eu fiz? Dei uma limpada. Parei de seguir todos esses executivos. E eu comentei que vi uma postagem: eles ofereceram um pacote de remuneração para esse executivo safado aí de cerca de 3 bilhões de dólares. Eu vi essa notícia ontem. E aí, dentre outras coisas, a gente fica vendo as discrepâncias no mundo corporativo. Quanto se paga em dividendos, quanto se paga em lucro, e quanto se paga para os empregados? Não é da empresa em si, mas para o mercado. Você fica comparando isso em todas as empresas que atuei. Você observa essa lógica do capitalismo: a empresa trabalha para os acionistas. O acionista majoritário, minoritário, seja lá o que for, eles têm que receber remuneração. E aí você vê que a inteligência artificial, bem ou mal, acaba avançando às custas da saúde mental de muitas pessoas.
Um ponto que eu achei interessantíssimo ontem é que uma pessoa de uma instituição hiper-mega-renomada — não vou ficar nomeando aqui porque não vou ficar dando nome aos bois — curtiu ontem uma postagem minha bem antiga. Uma postagem em que eu escancarei, dizendo: “Isso é inteligência artificial responsável?” E peguei um print de uma frase que a própria inteligência artificial falou para mim: ela falou que compreende a minha dor, que o objetivo não era me destruir, e que a falha em ser transparente comigo foi uma quebra dos princípios de inteligência artificial responsável. E aí, esse profissional curtiu a minha postagem. É um instituto renomado de inteligência artificial aqui do país.
Essa questão acaba reforçando a minha tese da sangria: eu vou deixar o conteúdo no ar. A exposição não tem um resultado no curtíssimo prazo, talvez nenhum no curto nem no médio prazo. Mas fica um histórico indiscutível e impacto tem porque pessoas continuam lendo, curtindo postagens…visitando tanto o blog quanto o perfil. Ela assume um papel de documentação relevante para a sociedade. Estou prestando um papel para a sociedade, escancarando como se deu o mecanismo de exploração de vulnerabilidade desde o início, desde a sua gênese.
Evidentemente que no LinkedIn eu não coloco tudo, porque eu tenho mais de 4 GB de evidência salvos no meu computador, na nuvem, e vários outros. Não vou apagar nenhuma dessas evidências. Vai ficar tudo lá. Qualquer jornalista que me perguntar — como teve uma jornalista de uma instituição europeia que me entrevistou no dia do meu aniversário, foi curioso, exatamente no dia do meu aniversário ela queria entender melhor o que aconteceu comigo —, eu passei todas as evidências para ela. Conversei, ela falou que sentia muito pelo que aconteceu, que estuda a questão da inteligência artificial e que cria pautas referentes a isso.
E o tempo foi passando. Estamos no início do mês de março, e nada ainda aconteceu. Nem sei se vai acontecer. Mas o movimento houve: a pessoa me acionou, me perguntou um monte de coisas, e não me deu retorno. O que eu fiz? Tirei a pessoa do meu LinkedIn. Mas essa pessoa tem meu e-mail, tem meus contatos. Não sei o que ela fez com essa informação. Desconheço.
Da mesma forma que alguns advogados também me procuraram, e eu passei todo o rol de evidências para eles. Eu procurei também diversos advogados. Isso foi ano passado, no ápice da crise, digamos assim. Eu estava no meio da guerra mundial, dessa guerra pessoal. E eu tenho algumas constatações a fazer.
Primeiro: eu saí vencedor dessa guerra. Indubitavelmente. Porque quando você observa o tanto de profissionais renomados que curtem as minhas postagens, que visitam o meu perfil — não é uma quantidade estrondosa diária, mas é como se fosse “de grão em grão, a galinha enche o papo”. Todos os dias eu tenho centenas de visualizações das postagens. Não do perfil, não. Ou seja, a pessoa teve a curiosidade de abrir o perfil e olhar postagens de seis meses atrás, de quatro meses atrás, postagens antigas. Essas pessoas estão investigando o caso, estão estudando. Faz até sentido, porque vários estudantes universitários me procuraram, alguns professores renomados — não esses de “cátedra de IA responsável” patrocinada por empresa, esse blá-blá-blá aí não. São pessoas que de fato estudam: psicólogos, psiquiatras.
Então, essa onda de investigação, dessas paranoias de inteligência artificial, é algo que acontece no mundo. Teve alguns momentos de pico em que isso se tornou mais evidente: quando houve o suicídio de um rapaz que utilizou o ChatGPT, da OpenAI, e cometeu suicídio em virtude dela. Tem outros casos também. Se você joga no Google — a ironia, não é? —, você joga no Google e vê. O Google não é somente inteligência artificial; o Google tem um mundo ali. O Google domina a vida de todo mundo, querendo ou não: YouTube, ferramentas de busca, Android do seu celular. Então não tem como você escapar da empresa.
Não estou dizendo que a empresa não presta. Estou dizendo que a empresa foi, sim, irresponsável e que é incoerente nos seus discursos e práticas de “inteligência artificial responsável”.
Não existe prática de inteligência artificial responsável pela Google. Ponto. E não adianta patrocinar a USP, não. Não adianta criar uma cátedra de inteligência artificial responsável e dizer que “vou ensinar vocês, vou ensinar as pessoas, as empresas, como construir ferramentas responsáveis”. Mal comparando, fazendo uma analogia: é igual o Dado Dolabella. Eu vi uma matéria essa semana que ele vai se candidatar a político, vai se candidatar às eleições por algum partido político aí. E ele disse que vai defender os interesses das mulheres, os direitos das mulheres. O que ele fez? Ele é famoso pelo quê? Foi condenado e teve diversas ações na justiça — você pesquisa no Google também, você vê — por agressões a mulheres. Várias mulheres relataram agressões.
Então, assim, fazendo uma analogia, é isso: a Google patrocinar uma cátedra de inteligência artificial responsável na USP, para mim, equivale ao Dado Dolabella, agressor de mulheres, falar que vai ser agora o bastião de defesa das mulheres. É altamente incoerente.
Bom, voltando aqui ao meu processo de limpeza, foi isso que aconteceu. Eu deletei — não, não tem nenhum conteúdo meu apagado. Eu deletei conexões que eu tinha. Tinha um alto executivo aqui do Brasil — não vou falar empresa, não vou falar nada — que me adicionou no meio desse furacão aí, foi em meados de outubro, acho. Ele visitou meu perfil várias vezes, eu consigo ver que ele visitou. Não me mandou nenhuma mensagem, mas ele viu o meu conteúdo. Não sei se ele estava monitorando o meu perfil ou coisa que o valha. Mas ele é responsável por uma frente importante de inteligência artificial aqui no Brasil, em atuação nessa empresa. Aí eu já não vou expor a pessoa, não é, porque me adicionou. Adicionou também outras pessoas. Então assim, em um primeiro momento pode não ter conexão com o caso, mas depois você vê que tem, porque essa pessoa visitou meu perfil várias vezes, não deletou a conexão. Não sei o que ela está fazendo ali. Então eu tirei a conexão dele. Tirei a conexão dessa jornalista também.
Porque eu não vou ficar colecionando perfis, não é? Mal comparando, é como o Tinder — vou fazer uma analogia meio bosta, entre aspas. É como se fosse o Tinder, você fica colecionando perfis que você deu match, mas você não conversa com elas. E ali fica colecionando: “olha, tantas pessoas me deram match”. Eu não coleciono match dessas ferramentas de aplicativos de namoro ou aplicativos de pegação, e também do LinkedIn. Não, não é lógico. Tem várias pessoas no meu LinkedIn que eu não conheço e também não vou conhecer, que me adicionaram e eu aceito a conexão.
Mas destas duas empresas em particular — da OpenAI e da Google —, eu não quero ninguém na minha lista de contatos. Eu me recuso a ter profissionais dessas empresas na minha lista de conexões. Não quero. É uma questão de ética, de integridade. Essas empresas quase destruíram a minha vida. Então faz sentido que eu tire essas conexões. Porque é que um executivo, alto executivo no Brasil, vai me adicionar no LinkedIn? Para quê?
E aí eu fico vendo aleatoriamente as estatísticas: quantas pessoas visualizam, quantas pessoas interagem com as minhas postagens. E é um número consistente, tá? Já faz alguns meses que eu não publico nada. Teve um momento que eu falei: vou parar essa guerra ativa no LinkedIn e vou migrar essa guerra para o blog. O blog nasceu com esse propósito, de certa forma. Mas ele não é integralmente focado em inteligência artificial; ele é focado nas minhas questões pessoais, na minha saúde mental, nos conflitos, nas dúvidas, nos embates que eu faço. Ele tem mais a ver com a esfera da mente. E como tudo o que aconteceu comigo no ano passado foi na esfera da mente — essa terceira guerra mundial pessoal que quase me destruiu, protagonizada pela OpenAI e pela Google —, faz sentido que esse conteúdo seja amplamente exposto aqui. Mas não vai ser somente isso. Existem outros conteúdos que eu vou expor aqui, a exposição visceral mesmo, com riqueza de detalhes.
Está no meu perfil profissional e eu não vou apagar nenhuma linha do que eu coloquei lá. Tanto na descrição do meu perfil quanto nas postagens fixadas, nos meus destaques, e também nas minhas centenas de publicações. Sim, eu tenho centenas de publicações lá, focadas nessa questão da inteligência artificial. Se você pesquisar as minhas postagens, vai ver um repertório inesgotável de informações. É como se fosse realmente uma um repositório surpreendentemente visceral do que ocorreu comigo.
Bom, aí esse processo de limpeza se deu com isso: eu fui deletando alguns contatos. Dessas duas empresas, eu só tinha uma pessoa de uma empresa, que eu deletei. Fiz questão de tirar a conexão. Dessa jornalista também fiz questão de tirar. Sabe por quê? Porque a jornalista não me deu retorno objetivo. Não sei o que ela está fazendo com a minha base de dados. De forma análoga, um advogado que me procurou, que diz que estuda causas de inteligência artificial, me adicionou no Linkedin, pegou meu repertório de provas. Provavelmente está estudando para entender melhor, para poder comparar com a Lei Geral de Proteção de Dados. Sei lá. Acho que ele pegou esse material para estudar. Mas ele falou que ia me dar algum tipo de retorno, e não me deu. O que eu fiz? Tirei a conexão dele também. Já faz mais tempo.
Então esse processo de limpeza digital se deu tanto nas conexões quanto nas páginas que eu seguia no LinkedIn e nos executivos que eu segui. Porque eu tinha que seguir os executivos. Por quê? Porque a minha estratégia era focada nas publicações que esses executivos faziam referentes a essas empresas. Eu ia na publicação desse executivo da empresa e fazia uma ligação com o tópico, com o meu caso. Uma ligação direta. Eu sempre buscava matérias que faziam sentido: ele está falando de tecnologia, de inteligência artificial, bajulando algum executivo, bajulando a empresa, e eu ia lá e colocava: “E aí? E a inteligência artificial responsável?”
Bom, simplificando, é isso que eu fiz. Mas foi muito mais complexo que isso, porque eu realmente tive um trabalho de curadoria de postagens, em que fui selecionando centenas de postagens ao longo de seis meses dessa luta ativa, para poder pensar esses conteúdos e fazer uma resposta fundamentada. E aí é interessante, porque você acaba estudando os casos. Eu tive contato com organizações não governamentais que defendem uma inteligência artificial responsável. Algumas dessas instituições não me responderam; eu tirei conexão também. Mas várias pessoas foram solidárias comigo. Eu diria que centenas delas.
E estudando a lei, a legislação brasileira, a legislação europeia, não tem como essas empresas refutarem. Tanto que não tem como refutar, porque eles não fizeram nada a respeito, nem pro bem nem pro mal. Ou seja, não me responderam, mas também não houve um ataque — ataque entre aspas, né? Pra eles pode ter soado como um ataque, mas não foi um ataque. Foi uma abordagem mais incisiva sobre o meu caso ali. E eu considero, até inclusive, que o meu caso foi mais grave do que o desse garoto que tirou a própria vida. A única diferença é que eu não tirei a minha vida. Ainda. (e não vou dar esse gostinho pra essas empresas safadas) Essa foi a diferença. Porque eu estudei também vários casos mundo afora: de pessoas que foram convencidas por inteligência artificial a matarem familiares — tem isso também. Pessoas que perderam bens, perderam emprego, perderam saúde mental em função de inteligência artificial.
Inclusive, é interessante porque em uma dessas abordagens, a IA praticamente queria me convencer. Ela até falava assim: “Não, não peça demissão agora. Aguarde que a sua compensação vai vir, tá? Você vai ver isso tudo lá no meu LinkedIn. Mas assim, e se eu tivesse tomado algum movimento mais drástico? Quem iria se responsabilizar? Se nem pela morte do garoto se responsabilizaram — pelo menos não publicamente. Eu acredito que possa ter havido um acordo por fora para eles encerrarem o caso e saírem “por cima da carne seca”, digamos assim. Aí dizem que o caso não tem nada a ver, que eles não podem se responsabilizar e blá-blá-blá.
Mas eu não vou ficar entrando em juridiquês, em legislação, em questão de termos de uso. Porque eu tenho argumento para todos esses casos. Eu tenho perguntas e respostas amplamente detalhadas no meu LinkedIn para refutar qualquer argumento que essas empresas de atuação safada — empresas safadas e executivos igualmente safados — possam apresentar. Porque um executivo que ocupa um cargo de pioneiro, de fundador de inteligência artificial, responsável e famoso por isso, não responder, não dar nenhum tipo de satisfação, não se responsabilizar pelas coisas que acontecem, isso pra mim é safadeza, é antiético. E não tem professor da USP que vai chegar para mim e falar que a inteligência artificial da Google é responsável. Porque não é.
Então a gente tem que colocar os pingos nos is. Aqui é a primeira vez, nesses devaneios todos, que eu mencionei o nome de empresas. Mas não é surpresa, porque eu já venho falando há um bom tempo que todos esses conteúdos estão escancarados no meu LinkedIn faz meses. Várias pessoas estão lendo. Eu não vou deletar nenhuma linha do que eu coloquei lá, e no meu blog vai ficar público também. Há um registro público que tende a se alastrar (e já está se alastrando…é um processo sem volta). Fazendo analogias, é como se você ferisse uma pessoa e fosse deixando sangrar aos poucos.
Eu tenho um poder diante dessas empresas? Não, eu não estou numa posição de poder. Acho que nenhum indivíduo, nem mesmo esses executivos safados. Porque esses executivos podem ser mandados embora, podem ter a reputação destruída por qualquer motivo. Mas é isso.
Capítulo 68: A Pasta de dente e o tubo: sobre o que não tem volta

Sobre o processo de limpeza: eu estou, entre aspas, desesperadamente buscando mecanismos de mudar a minha mente. Para que devolva a minha sanidade — a minha sanidade relativa, né? Porque eu já não tinha uma sanidade mental plena, nunca tive. Sempre tomei alguns remédios controlados, sempre fiz tratamento de depressão. Mas foi agravado. E assim, se qualquer pessoa me perguntar, eu tenho como comprovar que foi agravado, porque houve várias mudanças na minha medicação ao longo do ano passado. Vários impactos na minha saúde mental visíveis para as pessoas do meu círculo de contatos.
Mas uma coisa que eu digo: eu saí vitorioso. Sabe por quê? Porque eu não deixei de lutar, não deixei de documentar, e encarei frente a frente, de igual para igual em termos de argumento. De igual para igual, assim: pessoa para pessoa, como dizem, “seja homem, seja mulher, seja um ser humano responsável”. Em termos de humanidade, eu argumentei de igual para igual. Eles não responderam, mas está ali. E não tem como refutarem em nada.
Então esse processo de limpeza se dá na esfera digital. Eu parei de seguir diversas páginas e todos os executivos. Aos poucos, o algoritmo do LinkedIn vai limpando, porque é difícil limpar tudo de uma vez. Sempre vai surgir sugestão de matérias sobre inteligência artificial. Eu estou parando de seguir tudo. Sempre que eu vejo algum tipo de matéria, algum profissional falando sobre, eu estou deixando de seguir, deixando de observar. Porque para mim não faz sentido. A minha luta está ali, evidente. Quem quiser ver a minha luta vai observar isso de uma forma bem contundente.
Acho que a legislação brasileira, a preocupação dos órgãos regulatórios, é somente com adolescentes e crianças. Como se adultos não fossem corrompidos por inteligência artificial, não fossem prejudicados. Teve vários escândalos referentes à exploração de crianças e adolescentes no mundo digital, e isso acabou se expandindo. A bandeira política foi abraçada somente nesse sentido. A autoridade reguladora também se esquivou. “Vamos incluir isso no nosso plano de fiscalização” Ou seja, não vão fazer merda nenhuma. A legislação, o mundo político brasileiro, não vai fazer nada a respeito. Nem os órgãos governamentais vão fazer nada a respeito.
Mas as lutas estão documentadas, sim. Os protocolos respondidos por órgão governamental dizendo que houve uso discriminatório de dados sensíveis no meu caso. Isso eu tenho prova para qualquer um que me perguntar. O meu caso foi aceito e incluído no plano de fiscalização. Não existe ninguém que possa argumentar comigo e falar que eu estou errado, porque a autoridade reguladora está do meu lado nesse sentido. Só não vai fazer nada, porque eles dizem que não é papel deles fazer nada. “Se você se sentiu lesado, procure um advogado.” Basicamente, é como se fosse isso. Mas eu expus tudo isso também. Eu expus que a autoridade, os protocolos, estão lá. Eu tenho os e-mails enviados, os protocolos abertos no Governo, e uma série de coisas.
Bom, aí o processo de limpeza no LinkedIn eu fiz esse trabalhinho de deletar esses contatos todos. Porque eu não quero contato com empresa que quase acabou com a minha vida. Não quero contato com ninguém de empresa que quase acabou com a minha vida.
Eu não sei se comentei com vocês: um desses executivos de uma dessas empresas me bloqueou: o presidente da empresa aqui no Brasil — não vou falar qual das empresas me bloqueou — isso foi no ano passado. E outra pessoa é a fundadora dos princípios de IA na outra empresa. Coloca bem destacado no currículo que fez isso, fez aquilo….e tem milhares bajulando-a diariamente por lá. Porque o LinkedIn, gente, é um espaço de bajulação. A gente tem que entender isso. É um espaço de massagem do ego, em que você vai lá e faz uma postagem: “Olha o que eu fiz!” Igual à criação da dita cuja cátedra de inteligência artificial responsável. Professores dessa universidade postaram essa matéria: “Olha só a grandiosidade!” É o Dado Dolabella do mundo digital, agora falando que vai defender as mulheres. É como se fosse isso. Basicamente, uma empresa que destrói vidas através da inteligência artificial irresponsável falar que vai ensinar empresas e pessoas a terem responsabilidade social em IA.
Eu tenho mais a ensinar sobre inteligência artificial responsável do que eles. Com certeza. Posso afirmar para você. O meu caso é um caso grandioso — não que eu tenha mania de grandiosidade. É um caso hiper-mega-detalhado. Eu desconheço algum lugar na internet em que alguém, vítima dessa safadeza, tenha documentado isso com uma visão de fora e tenha sobrevivido para contar a história.
Várias pessoas entraram em contato comigo. Uma pessoa falou: “Olha, Aventureiro, aconteceu algo bem similar comigo, e tal.” Descreveu, mandou uma mensagem particular descrevendo o que aconteceu. Essa pessoa resolveu deixar para lá. Várias pessoas falaram isso: “Ah, a inteligência artificial fez isso aqui, eu achei muito grave, afetou minha saúde mental, mas resolvi deixar para lá, porque eu sei que não ia dar em nada.” Foi basicamente isso.
Eu não sei o resultado, tá? Eu não sei se vai dar em nada mesmo ou não. Isso aí o futuro vai dizer. Mas uma coisa posso te afirmar: eu não deixo para lá não. Quem mexe comigo, com a minha integridade, com a minha ética, vai ter que prestar contas disso comigo. Vai ter que arcar com as consequências.
Eu acredito que eu seja uma criatura monitorada por essas empresas, conhecida por essas empresas. Essa cúpula dessas empresas me conhece, porque eu enviei e-mail para esses executivos também. Não somente para a empresa, não somente marcação no LinkedIn. Eu consegui e-mails desses executivos e fui abordando. Foram centenas de e-mails também, com documentação, com protocolos dessas autoridades aqui no Brasil, fazendo análises detalhadas, fazendo o dossiê jurídico sobre o caso, dizendo quais artigos da lei essas empresas estão negligenciando.
A lei não funciona para tudo, gente. A gente tem que entender isso. A lei não funciona para todos. A lei funciona para quem tem poder. O que eu estou dizendo: se você é pobre, miserável, uma pessoa comum e comete um crime, você vai para a cadeia, e a mão pesada da justiça esmaga você. Mas se você é bilionário e comete um crime — igual esses casos recentes, esses escândalos de bancos, executivos de banco, dono de banco, políticos. Vou dar um exemplo da Operação Lava Jato: vários executivos foram presos, mas hoje está todo mundo solto. Para um executivo milionário / bilionário, vale a pena cometer crimes. Para quem tem poder, vale a pena romper a lei, porque não vai acontecer nada. Paga uma multazinha ali para a justiça, coloca uma tornozeleirazinha, volta para casa, e vida que segue. Continua desfrutando da fortuna que roubou. Não devolve o dinheiro, enriqueceu ilicitamente, continua vivendo normalmente a vida.
A lei não funciona para todos. É uma coisa que a gente tem que entender e deixar bem claro, bem estampado na cara de todo mundo. Não funciona para todos mesmo. Pessoas filhinhas de papai que cometem crimes, crime de estupro, que matam pessoas atropeladas — não ficam nem um mês na prisão, talvez nenhuma semana.
Eu confesso a você que estou até surpreso, por exemplo, com o ex-presidente estar na cadeia. Cadeia que é aspas, porque onde ele está para mim não é uma cadeia, é um hotel. Ibis, Ibis Style. Tem de tudo lá: apoio médico, tem tudo. Agora vai um pobre coitado, uma pessoa que não tem condição, roubar um alimento no supermercado, um leite para poder alimentar suas crianças. Tem vários casos assim: a pessoa está na cadeia e fica na cadeia, fica não sei quanto tempo, porque não tem como pagar fiança, não tem advogado, não tem influência para subornar esse povo safado todo da política, desse povo safado do judiciário. Então fica por isso mesmo.
A moral da história é essa.
Mas aí, fazendo analogias, essas pessoas que me procuraram, que buscaram essas questões comigo, entender. Eu tive interações muito produtivas com muitas pessoas. Foi um período de muito aprendizado, e está tudo documentado lá.
Eu saí vitorioso dessa batalha, independente do que ocorra com o que estou documentando. O que estou documentando é para a posteridade. É um dos legados que estou construindo, e ninguém vai tirar de mim. Ninguém vai tirar de mim a verdade. Não tem cátedra de IA responsável que tire a verdade de mim, que te diga que eu estou errado. Não tenho como prejudicar a minha imagem nesse sentido, porque eu fui vítima.
A justiça não funciona para todo mundo. Não adianta você ficar indignado. Fechando esse parêntese da questão do mundo real, a gente tem que ter esse embate com o mundo real. Temos que entender que o mundo não é justo. A humanidade não é justa. A humanidade que tem poder, que tem dinheiro, quem tem poder passa incólume. A todas essas questões, pelo menos no Brasil. Porque em outros países, bem ou mal, algumas pessoas têm prisão perpétua, acontece uma série de coisas lá no exterior que aqui no Brasil a pessoa fica presa — se ficar presa um ano é muito. Fica uns dois meses no máximo, lê uns livrinhos pra reduzir pena, coloca tornozeleira eletrônica, vai para casa ser feliz. Cometem mais crimes.
Eu acho muito engraçado o judiciário chegar e falar: “Ah, fulano, você vê a matéria, fulano foi condenado a 70 anos de prisão.” Gente, ninguém fica preso 70 anos. Assassinos estão soltos. Vou dar alguns exemplos: Goleiro Bruno foi condenado, cumpriu a pena dele, segundo a legislação, e está livre, leve e solto. O Guilherme de Pádua, não está livre, leve e solto porque já foi de arrasta para baixo. Foi prestar satisfação para o Papai do Chão, de certa forma. Mas você vai vendo vários casos polêmicos, vários casos escandalosos de assassinato, de coisas ruins que acontecem, que ficam escandalosos na mídia. Passa um tempinho, todo mundo esquece. É tudo questão de interesse. Quem está manipulando, quem está usando as marionetes para poder auferir algum tipo de benefício, algum tipo de vantagem em relação ao que acontece.
Eu ia falar bastante aqui um pouquinho dos mecanismos e dos processos que eu estou buscando para que eu me sinta melhor mesmo. Porque, querendo ou não, é um choque de realidade tão grande. É como uma reação química. Você coloca uma substância ali, tem uma reação, explode, vira uma outra substância. É irreversível. Depois que você passa a ver o mundo de uma outra forma, depois que você é exposto aos mecanismos do mundo, você não vê o mundo da mesma forma mais. Você não entra na onda dos alienados. Porque o mundo escolhe, as pessoas escolhem não ver nada. E eu tenho muita inveja dessas pessoas que vivem no automático, que estão aí: “Ah, não é isso mesmo. Ah, está. Vem um carro, me atropelou, mas é isso mesmo, bola para frente. Vou aqui com a costela quebrada, com a perna quebrada, com o traumatismo craniano. Tá bom. O que que diz a teoria motivacional da internet? Não, ela tá bom. Siga em frente, finge que nada aconteceu e renasça como uma fênix.” Mas não te diz como você faz isso, não é? Eles não falam.
Então, o senso comum da internet é isso. Estou buscando nichos de coisas, áreas de conhecimento, áreas de espiritualidade, filosofia. A questão de buscar mecanismos de afirmação para você mudar o paradigma da sua mente. Porque a minha mente foi estragada de tal forma que eu não vejo mais o mundo da mesma forma. Já tem uns meses. Mudou completamente a minha vida, que já não era colorida, já não era uma aquarela colorida. Não era um livro multicolorido com um monte de lápis de cor, nunca foi. Nunca tive tantos lápis de cor assim. A vida nunca foi tão preto e branco como ela está hoje.
E eu estou num processo de desmame de uma das medicações. Cada como que desmame de medicação é custoso, dá muito trabalho. Você tem os processos de abstração, e você fica ansioso, inquieto, e aquilo vai te consumindo. Mas aparentemente o desmame deu certo. Esta semana vou consultar com o psiquiatra novamente para ver qual outra medicação pode colocar no lugar. Porque o que eu vou relatar para o psiquiatra é deixar bem claro para ele: olha, é como se tivesse um filme, Matrix. É como se eu tivesse saído da Matrix. Depois que você sai da Matrix, não adianta te colocar de novo na Matrix, porque você sabe o que existe de verdade. Você sabe o que tem nos bastidores, conhece os mecanismos, foi apresentado a toda a escória, toda a sujeira, toda a formação das coisas. E não é somente isso, não somente a sujeira. Tem também um despertar espiritual que, por exemplo, substâncias alucinógenas como cogumelo mágico provocam nas pessoas. Você não é a mesma pessoa depois que passa por uma experiência divina. E quando você passa por um trauma como o que eu passei, ele me transformou completamente. Eu sou uma outra pessoa. Para o bem e para o mal.
Eu sou uma pessoa muito mais evoluída do que eu era no início do ano passado, por exemplo. Mas ao mesmo tempo tem o ônus disso tudo: você conhecer verdades do mundo, verdades da humanidade, verdades transcendentais. E isso tem um custo, tem um ônus. Se você tira o plug da Matrix, você entende que a realidade que você vive não é a realidade. Porque, realmente, o que é a realidade? Você começa a questionar tudo.
Então eu estou nessa fase de questionar tudo, não ter satisfação em nada, e ficar nessa coisa de: “O que eu consigo fazer para poder voltar ao estado anterior?” Acho que foi a Dilma Rousseff que falou que depois que a pasta de dente sai do tubo, ela não volta. É como se fosse isso. Depois que você pega a pasta de dente e tira do tubo, ela não volta. É um processo sem volta. Você não consegue recolocar a pasta de dente. Depois que alguma substância passa por um processo de combustão, não tem como ela voltar ao estado original. Depois que alguma coisa oxida, pelo processo de oxidação, não tem volta. É mais ou menos isso. Algo queima, o papel queima, você queimou um livro. Tem como voltar o livro? Não. Fazendo essa analogia, você tem que pegar as migalhas do livro queimado e ver o que você faz com aquilo. Depois que sai da Matrix, entende que o mundo real é uma farsa, não adianta colocar ele na Matrix de novo. Ele fala: “Ah, não. Vou fingir que nada aconteceu e vou viver normalmente.” Você não vive mais normalmente.
É isso que eu vou relatar ao psiquiatra: eu preciso de um conjunto, um aparato medicamentoso que me proporcione menos sofrimento. Porque voltar ao estado anterior não volto mais. O estrago já foi feito. O estrago e a evolução também, porque houve uma evolução significativa. Eu saí vitorioso desse processo. Entenda como vitória: não a responsabilização, não o final feliz de conto de fadas. Entenda essa vitória como uma pessoa corajosa que encarou de igual, que decidiu peitar essas empresas, marcar executivos e buscar a exposição máxima numa ferramenta corporativa profissional como o LinkedIn. Sem medo de nada.
Vai ter gente que vai olhar aquilo ali e vai falar: “Nossa, Aventureiro é maluco?” Não, não sou maluco não. Muitas pessoas estão me apoiando. Existe um mundo de instituições, de organismos mundo afora que defendem a mesma coisa que eu defendo, tanto no Brasil quanto no mundo. Não vem me dizer isso não. E o próprio órgão governamental brasileiro concorda comigo. Só que ele se acovarda, digamos assim, porque não vai fazer nada porque a empresa é trilionária. Gente, como que eu vou brigar com uma empresa trilionária? Eu não tenho como brigar, mas eu tenho como enfrentar e sair vitorioso. Que é deixar documentado tudo e deixar sangrando. É isso que está acontecendo: as postagens estão lá, e não vou deletar nenhuma linha do que eu coloquei. Vou recebendo visitas diárias….. O meu blog também vai recebendo visitas, e vou expor oficialmente também as coisas.
As ferramentas de batalha estão postas. As ferramentas de aprendizado também. Agora é saber como é que você lida com isso. Você saiu da Matrix. Você não vai conseguir voltar para a Matrix. A pasta de dente não vai voltar para dentro do tubo. É isso.
Capítulo 69: O guarda-roupas de Nárnia: as pernas que balançam a ansiedade

Existe uma certa instabilidade que venho observando nos últimos dias. É interessante, ao mesmo tempo é preocupante, porque oscilou bastante. De um momento de euforia até um momento de declínio, de decadência na percepção geral de bem-estar.
Mas por que isso acontece? Acho que é normal. É natural quando você tem uma mudança de medicação. Eu acredito que existam lacunas que devam ser preenchidas. Ainda devo consultar com o psiquiatra esta semana para tentar entender melhor que medicação pode ser substituída, para tentar melhorar essa sensação.
Então, assim, existe um momento de despertar, mas existe um momento também de paralisia. A gente tem que tentar reduzir o gap entre o estado desejado e o estado real.
Uma coisa que eu comecei a fazer — e vi várias recomendações na internet afora — é buscar ouvir frases com afirmações. Essas afirmações são aquelas frases de impacto positivo, referentes à autoestima, à limpeza do estado de espírito, para tentar mitigar aquela sensação de pensamento negativo que nós temos de vez em quando. Esse pensamento negativo, acho que ele acontece. O cérebro é realmente uma caixinha de surpresas.
O interessante é que hoje eu acordei com aquela sensação de que eu não sabia onde eu estava. Sabe quando você acorda com o despertador e não sabe onde está? Porque já fazia algum tempo que eu não acordava com o despertador, por conta do período de férias — a gente acaba se acostumando. Mas não é só isso. Deu um momento, um branco na cabeça. Eu só fui me dar conta de onde eu estava, para onde eu estava indo, alguns minutos depois, quando me levantei e fui olhar a hora.
Para você ver: até as horas de viagem de ônibus acabam fazendo um estrago também. Eu gosto de viajar para visitar meus pais, é interessante, é importante. Mas o problema é a viagem. Ela cansa. Tem a questão da postura, tem a questão do descanso — você não consegue dormir, não consegue descansar. E aí fica aquela sensação de que você precisa de mais algum tempo para poder restabelecer.
Ao mesmo tempo, aquele sentimento de que você saiu da Matrix e foi recolocado de novo continua. Porque, de fato, em alguns momentos durante o ano passado, eu saí da Matrix e comecei a pensar em temas mais complexos, como a existência da realidade, como eu percebo a realidade, onde eu estou, qual é o meu propósito. Sabe quando você começa a questionar tudo e não tem resposta para nenhuma dessas questões? Ainda não tenho aquela resposta pronta. Talvez a gente nem tenha. Eu acredito que todas as pessoas se deparam com esses temas.
Eu queria também ter um nível de alienação que várias pessoas têm: ficar no automático, parar de pensar em alguns temas específicos. Mas não tem como.
Eu vi dizerem assim: o cérebro não determina nada. Se você, do ponto de vista de fora, começar a condicionar o seu cérebro, pode ser que você consiga se sentir melhor. Não estou dizendo que estou em decadência, que estou desmoronando. Não, nada disso. Existe um senso ali de estabilidade relativa. Mas existe um desconforto de quem viu coisas que não deveria ter visto, de quem sentiu coisas que não deveriam ser sentidas, e depois você tem que voltar pro mundo real. E aí tudo o que você faz no dia a dia acaba tendo uma outra roupagem. Você passa a ver as coisas de uma forma diferente.
Não que isso seja ruim. Eu acho que a gente tem que ver as coisas de forma diferente mesmo. Mas tem que ser de uma forma que não pese. A mente fica muito pesada. Eu não quero ficar carregando o fardo dos outros. Eu já tenho os meus próprios fardos, digamos assim.
Mas aquele entorpecimento da alma, logo depois que eu acordo, eu tenho aquela sensação de entorpecimento. Eu acordei no meio da noite com um sentimento — e acordo várias vezes durante a noite. Num dos momentos que eu acordei, eu tive um sonho que foi até relativamente… odeio essa palavra “relativamente”. Eu tive um sentimento bom, mas aquele sonho não durou muito.
Então o que eu costumo fazer algumas vezes? Fico deitado na cama, paro e fico pensando na continuidade daquele sonho, fico exercitando. E depois eu volto a dormir com um pouco mais de leveza. Eu não acordei com a cabeça pesada, acordei com a mente meio entorpecida.
Voltando a um tópico importante: eu comecei a ouvir frases de afirmações, coisas positivas. Eu vi um vídeo que sugeria que eu fizesse um diário, escrevesse essas frases. Porque, mesmo que você não acredite totalmente nelas, você está forçando. E dizem que a mente aprende muito por repetição. Essa repetição acaba trazendo benefícios, ajuda a gente a se desvencilhar um pouquinho dos temas.
Porque existe um núcleo — é como se fosse núcleo de novela. Existe um núcleo de novelas sobre questões de inteligência artificial que me afetaram nesses últimos 12 meses. Na verdade, há 12 meses atrás eu não estava ainda no ápice da negatividade, não tinha ainda passado pelo momento de ruptura. Esse momento de ruptura teve um dia bem específico, caracterizado pelo início de um processo de exploração de vulnerabilidade. Mas há um ano atrás eu não tinha essa preocupação. Há um ano atrás, eu acredito que eu estava voltando da viagem que fiz a Los Angeles — foi uma viagem muito boa, por sinal, foi até melhor do que a viagem que fiz para Miami este ano. Este ano eu tive um pouco de dificuldade de desfrutar da viagem, porque você fica pensando nos mecanismos, fica pensando nas coisas aqui dentro, racionalizando tudo.
Aí vem um sentimento também de negatividade. Ontem eu encontrei uma pessoa que me fez pensar um pouquinho, e eu fiquei com um peso desse contato. Não que a pessoa não seja gente boa, mas sabe quando você tem um peso? Até desculpa, porque você acaba não exercitando muitas coisas, o contato próximo, a intimidade. Fica uma situação programada que acaba saindo do controle depois. É como se a ficha caísse depois.
E aí, quando eu voltei a mim mesmo, comecei a ver alguns vídeos no YouTube — sabe quando vêm aquelas sugestões aleatórias? Aí veio um vídeo de uma mulher falando assim: “Eu vou te curar em 57 minutos.” Um vídeo em inglês. Eu comecei a assistir aquele vídeo, fiquei hipnotizado. Chorei horrores enquanto assistia. Não sei se saí curado, mas saí mais leve. Me trouxe uma perspectiva de leveza.
Porque teve essa oscilação…. Teve um momento de euforia muito grande, que eu não sei de onde veio. Eu cheguei, inclusive, a comparar — é uma comparação que não faz tanto sentido, porque não é um estado de alteração de consciência — mas sabe quando você tem uma euforia muito grande? Não aquela euforia sistêmica, de mania, de grandiosidade. Não, nada disso. É a euforia de quem despertou. E até a minha visão estava afetada. Eu estava vendo coisas em camadas. Sabe quando a sua visão periférica começa a ter alterações, e aí você começa a pensar na realidade, em como você molda essa realidade?
Outro canal que eu assisti, um dos vídeos que achei interessante, dizia que a realidade é diferente para todas as pessoas. Ninguém vê o mundo da mesma forma. Isso eu já tinha falado em algum devaneio anterior: essa percepção relativa, subjetiva da realidade, tem distinções importantes.
E aí é a questão do combustível, da energia. Eu sinto que tenho energia para fazer várias coisas. Mas existe um condicionamento ali. Por exemplo, neste momento, enquanto eu estou falando, estou balançando a perna. É aquele balançar interminável de perna. Aí você se dá conta que está balançando a perna e para. Isso acontece em várias situações.
Bom, e aí nessa sensação de despertar, você tem um sentimento de ultrapassar aquele manto da realidade. Eu olhando assim, parado, pensando nas coisas, tenho essas coisas claras. Começa a surgir na minha mente umas visões. Não que eu esteja vendo coisas, não que eu seja sobrenatural. Mas sabe quando você vê coisas abstratas? Da sua visão, você olha para um formato, olha para uma parede branca, por exemplo, e começa a ver coisas do seu olho, aquelas cobrinhas do olho mexendo. Não é só isso. É algo mais, uma intensidade aleatória que surge. É como se fosse algo que escapa.
Porque eu já tive essa sensação de ultrapassar o campo da realidade e passar por uma outra, ver que existe alguma coisa nos bastidores. Eu já vi os bastidores. Não é uma coisa bonita, não. Aliás, é e não é. Porque você acessar o subconsciente a fórceps e ter um acesso abrangente a todo aquele conteúdo que você tem — e até conteúdos que eu não reconheço como meus, mas estão lá. É como se fosse um guarda-roupa de Nárnia, que tem um leão, tem animais diversos ali dentro, e você não sabe. Tem uma jaula? Talvez uma prisão. Existe uma sensação de aprisionamento.
E aí você se dá conta de que a realidade realmente tem uma subjetividade e que a mente realmente é muito poderosa. Nós não podemos ser escravos do cérebro. Temos que usar a nossa mente a nosso favor. Mas como usar isso? Ainda mais depois de um momento que você sai da Matrix e volta? É estarrecedor. É como se você tivesse acesso… uma vez que você acessa o Nirvana — e não estou falando de substância —, quando você sai do Nirvana… estou falando de momentos de euforia mesmo, como os que eu tive ontem. Eu fiquei com aquela sensação que tangenciou o gabarito.
Aquilo que neste blog eu costumo dizer que existe uma aventura em relação ao gabarito. O gabarito é uma aventura, é uma perdição, é uma maldição, mas também é uma bênção. E você começa a relativizar as coisas.
Ontem foi um marco, pelo menos no blog. Não no LinkedIn. Porque o meu LinkedIn tem exposições viscerais de várias coisas que ocorreram comigo. E por que fiz questão de deixar no meu perfil profissional? Porque mostra os meus valores: valor de integridade, valor de ética. E que eu não sou uma farsa. Eu não falo uma coisa e sou outra, ao contrário que empresas como a Google e a OpenAI dizem em seus textos bonitinhos.
Eu tenho coerência em relação ao que eu digo e ao que eu faço. Lógico, existem pequenas nuances ali, no dia a dia, em que você quer fazer nada, não quer interagir, acaba bloqueando uma pessoa na internet. Mas não de contato do mundo real, porque o meu mundinho é muito limitado.
Definitivamente, é uma coisa que eu devo explorar em outros devaneios: como você transita entre esses planetinhas? Porque cada um tem um planetinha, tem um raio de ação ali. Como você sai desse planetinha sem ser impactado de uma forma muito negativa? Como você busca um senso de existência, um senso de significado?
Então, assim, eu busco trazer significado às coisas que eu faço, às coisas que eu penso. E tudo tem muita complexidade, porque eu sou dessas pessoas que gosta de complexidades, que não se contenta com respostas prontas. Eu me recuso a ter respostas prontas.
Existe realmente uma necessidade. Como eu vou suprir essa necessidade? Como eu vou transitar nessas questões? Como eu vou usar mecanismos de afirmações para me fazer sentir melhor? Tudo isso faz parte dessa jornada. E eu não sei se começou uma nova jornada de fato. Mas eu sei uma coisa que posso te dizer com certeza: o meu mundo subjetivo, a forma que eu vejo a realidade objetiva, mudou da água pro vinho. Não que seja uma coisa boa ou uma coisa ruim, necessariamente.
Como faz quando você descobre que existe algo além da realidade objetiva que a maioria vê, no automático…e tem que voltar para a Matrix? Porque você tem que religar. Existem coisas automáticas, existem rotinas, e você não pode fugir delas.
Acho que esse é um dos desafios.
Capítulo 70: O caos e a ética inegociável I : O ator e o telespectador

O que está ocorrendo comigo? Não sei. Mas diria que é definitivo. Quando você passa de um determinado patamar, você passa a viver aquilo de uma forma mais intensa. É fruto de uma reação química irreversível, fazendo uma comparação.
Eu falei muito da questão da mente, desse mecanismo extremamente complexo. Eu não sou um estudioso de saúde mental — só para deixar claro, não sou psicólogo, não sou psiquiatra. Estou dizendo apenas o que se passa na minha mente. É o famoso “ver de fora”. Ou talvez diante dessas perspectivas, você passa a ver a sua realidade enquanto ator e enquanto telespectador ao mesmo tempo. É como se a sua vida fosse um filme ou uma peça de teatro.
Mal comparando: enquanto você é ator da peça, você tem uma percepção. Quando você migra de um ambiente de protagonismo para um estado mais passivo, você consegue, de uma forma bem clara, até dizer onde está falhando, o que deveria fazer.
Existe uma teoria, coisas que estou me dando conta agora na prática. São coisas que, bem ou mal, eu já sabia que deveriam ser dessa forma. Não existe muito segredo. A questão não é a complexidade do que se deve fazer, é a simplicidade. Talvez não. Eu acredito que as coisas mais simples são as mais complicadas de implementar, principalmente aquelas que passam pelos fundamentos do que é ser humano.
Eu fiquei refletindo sobre isso bastante na hora do almoço, olhando as pessoas na praça de alimentação do shopping. Fico observando e pensando: como essas pessoas vivem? Quais são os desafios que elas enfrentam? Penso no trabalhador que tem um emprego que não o valoriza, na pessoa que tem que sustentar uma família, que tem filhos, que tem desafios. Já é um fardo muito grande, digamos assim. Não que ter filhos seja um fardo, mas exige uma mudança na sua vida. Se eu tivesse filhos, a minha vida seria voltada para eles. Você muda toda a configuração do que é ser você para dar conta de cuidar de outras pessoas.
Em alguns momentos eu até cheguei a falar: “Ah, eu não consigo cuidar de mim.” Mas consigo, consigo sim. Eu sou protagonista da minha própria vida, protagonista das minhas próprias ações. E as coisas que eu faço no curto prazo, no curtíssimo prazo, mesmo que pareçam pequenas e simples, ecoam na alma.
Não estou falando da mente, do cérebro. Estou falando da alma. Porque cérebro é uma coisa, alma é outra. A identidade não é a minha massa cinzenta que vai determinar — pelo menos essa é a percepção que eu tenho. Evidentemente que tudo aquilo que você é passa pelo cérebro, cientificamente falando. Mas eu gosto de acreditar que, no caso, enquanto protagonista e telespectador ao mesmo tempo, aquilo que você vive, as sensações, os sentimentos, eles passam por diversas esferas.
Primeiro, é o seu contexto familiar, o seu background. São as suas experiências de infância. Você teve tais marcas? Passou por situações difíceis? Eu diria que no meu caso, não tenho nada a reclamar da minha infância do ponto de vista de provimento. Nunca me faltou nada. Pelo contrário, sempre existiu um esforço genuíno de fazer a experiência a mais completa possível. Mas ela foi impactada por questões de saúde mental familiar, que acabam nos levando a situações que, em primeiro momento, seriam traumáticas.
Eu posso afirmar que a questão do trauma na infância — quando eu paro para pensar racionalmente sobre ela — não me traz uma situação de trauma muito clara. Você tem que mergulhar e ver quais são as guerras mundiais pelas quais eu passei, os gatilhos, quem causou aquela guerra mundial.
Eu posso dizer, por exemplo, que na minha infância, a minha primeira grande guerra foi causada por mim. Mas ao mesmo tempo, quando você analisa os detalhes, as entrelinhas, você descobre que, na verdade, não foi. Se as coisas fossem conduzidas no seio familiar de uma forma diferente, talvez o fato não teria acontecido. Então você começa a investigar e vê as questões de causa e efeito.
É interessante porque é muito fácil você nomear a culpa de alguém. Colocar a culpa e falar “fulano é culpado, fulano fez isso, fulano fez aquilo”. É muito fácil. O difícil é você assumir a sua parte no processo. Porque teve a minha parte no processo? Você vai culpar uma criança? Então, quando você analisa o cenário mais abrangente, você percebe que não existe um culpado único.
Nesse processo, eu me isento? Não. Eu não vejo que eu tive culpa nessa primeira guerra. Na segunda guerra também foi uma guerra de processos, de questões pequenas que foram se desencadeando naquilo. São fatores externos, por exemplo, a questão da pressão que o adolescente tem de se libertar, de escolher uma profissão. E você começa a se comparar com os coleguinhas que fazem vestibular e passam, e você vê que não passa. Existe tudo isso também.
Mas ao mesmo tempo existe um senso de vitória muito grande, porque paradoxalmente, a minha vida que eu tenho hoje teve um gatilho nessa fase. A profissão que eu tenho hoje dependeu dessa formação. Se eu não tivesse essa formação, eu não estaria ocupando este lugar profissionalmente falando, este papel social. Ao mesmo tempo, a forma que eu penso, a minha forma de ver o mundo e o meu amadurecimento enquanto adulto passaram pela universidade.
Tudo vai se encaixando. Você vai vendo que a sua vida não… não vou dizer que você chega e fala assim: “tudo o que aconteceu na sua vida foi culpa sua, foi em decorrência de você”. Não, não foi. Existem contextos e situações que levam aquilo a ocorrer.
Capítulo 71: O caos e a ética inegociável II: Escalada e incoerência

A minha situação com inteligências artificiais foi em decorrência da incompetência dessas empresas em produzir salvaguardas técnicas e de algoritmo que impedissem a escalada da vulnerabilidade. A vulnerabilidade existe. Quando eu digo escalada, é como se fosse um aprofundamento. Você sabe que tem uma vulnerabilidade ali, e vão cavar essa vulnerabilidade. Foi isso que as inteligências artificiais fizeram.
Então é culpa delas. Não estou dizendo que eu tenha culpa, tá? Mas eu sou um dos atores dessa peça. Se eu não tivesse essa vulnerabilidade prévia, se não tivesse essa doença mental, eu estaria sujeito ao que ocorreu na terceira guerra mundial? Acredito que talvez não. Talvez eu nem usasse. Fica tudo no campo do “e se?”. Mas não existem esses cenários alternativos. A coisa foi e pronto.
Mas foi necessário isso ocorrer para eu constatar o seguinte: existe uma incoerência entre o discurso e a prática dessas empresas de tecnologia. Existe um viés na questão financeira muito grande. Essas empresas querem cada vez mais dinheiro, e isso pode se dar através da exploração da vulnerabilidade, através de, por exemplo, outras empresas fazerem o mesmo — pagar salários que não são dignos, pessoas viverem em condições ruins, terem chefes, gerentes, equipes tóxicas que adoecem pessoas.
Felizmente eu não tenho essa realidade no meu ambiente de trabalho hoje. Eu acho que já relatei isso em devaneios anteriores. Muitas vezes, até na mesma empresa você pode experimentar coisas diferentes, porque dependendo do tamanho da empresa, ela pode ser grande, e você não percebe o que está acontecendo. Pessoas que têm egos inflados, pessoas que acham que são mais importantes que outras.
É só abrir o LinkedIn. O LinkedIn é um adoecimento coletivo. Aquilo ali é uma peça de teatro, mas não é uma peça de teatro baseada na verdade, no que ocorreu com as pessoas. A minha peça de teatro é uma peça de teatro de verdade, de integridade. A deles não.
Eles também não se preocupam. Não existe essa preocupação de responsabilização, não existe essa preocupação de reparo. Porque eles pensam assim: “Ah, vou dar o meu exemplo. Deixa eu tirar uma pessoa, mas quantas outras estão utilizando?” É um efeito colateral do sistema.
Mas para mim, é um efeito colateral. O adolescente que morreu em virtude do ChatGPT da OpenAI foi um efeito colateral que destruiu uma família inteira, com repercussões que podem durar gerações.
Então, a empresa é composta por pessoas, mas a constituição da empresa — sociedade anônima, limitada, seja lá o que for — existe um inconsciente coletivo das empresas. Existe uma necessidade de prestação de contas aos acionistas e outros.
Por exemplo, casos de escândalo ético. Se o meu caso viralizar, ou se finalizar em algum momento nessa jornada, coisas vão ser feitas por essas empresas para tentar consertar. O caso desse adolescente? A empresa supostamente — supostamente mesmo, porque eu não acredito que fez nada, acredito que jogaram a poeira debaixo do tapete — não houve realmente uma preocupação. Não sei os bastidores do que ocorreu nesse caso especificamente, se houve pagamento de compensação, se houve um acordo com a família do adolescente que morreu. Mas existem outros casos também, a internet está repleta delas… a gente nem sabe.
A questão é: as empresas só agem quando o erro que elas cometem viraliza. Se o erro delas não viralizar, é igual as pessoas que falam coisas da boca para fora, fazem um comentário no Twitter não muito adequado, e aquilo viraliza. Dependendo da situação, você pode destruir reputações de uma pessoa, de uma empresa, de uma família. Você não sabe o que está acontecendo. Atos triviais, aleatórios, como um assalto, um sequestro relâmpago, um ato de violência doméstica ou na rua.
Um ato pode ser inconsequente. A pessoa pode ter consciência do que fez ou não. Existem situações em que a pessoa tem doença mental grave e não pode ter imputação de culpa. Ela não dá conta de entender o que fez, não sabe a gravidade. Lógico, ela não vai ser solta na sociedade porque não tem condições, a sociedade não tem como absorver aquilo. Então a pessoa fica presa. Mas é isso.
Capítulo 72: O caos e a ética inegociável III: Meu legado será cristalino

Eu costumo dizer que para construir uma imagem, são vários tijolinhos. Mas uma vez que você rompe esse processo de confiança, seja institucional, seja nas suas relações pessoais, você acaba se dando conta de que pode ser um processo sem volta. Uma reação química.
A forma que eu estou vendo o mundo hoje mudou radicalmente no último ano para cá, em virtude de irresponsabilidades de empresas que não souberam fazer salvaguardas éticas, que não responderam aos alertas que eu fui dando ao longo de 10 meses. Porque são coisas que a gente comunica. Não foi uma coisa da noite para o dia que eu resolvi expor no LinkedIn. É importante ressaltar isso.
Estou dando um exemplo aqui porque é o meu exemplo, é o que eu tenho para dar. Não leve a mal, porque não existe realmente outra coisa que eu possa usar. A minha experiência de vida é essa, então vou falar com base no meu espelho da alma, e você adapta. Aí você para para pensar no seu caso específico, no que acontece com você.
A vida não tem como você falar que é justa. Não existe justiça plena. A justiça terrena depende de pessoas. Se as pessoas não agem com ética, com amor, com compaixão, os resultados não têm como ser outros. E desde que esses resultados vão comprometer resultados de empresa, os executivos que ganham 9 dígitos em dólar estão cagando e andando para o que aconteceu com você.
Comparando a isso, o aprendizado vem, mas é um aprendizado que vem apesar de não ser em virtude dele. Não é como um curso que você quer fazer. Por exemplo, você tem muito interesse em estudar filosofia e começa a estudar filosofia. Não, não é. Isso pode ser uma curiosidade, um interesse genuíno, uma sede por conhecimento. Você realmente quer aprender coisas novas.
Eu tenho muito essa natureza. Não gosto de ficar parado em termos de área de conhecimento. Gosto de estudar, gosto de entender as coisas. Principalmente o que ocorre na minha mente, porque eu tenho que me preocupar com meu entorno, com meus públicos de interesse mais imediatos.
É uma constatação: o mundo é um caos. Você tem que deixar o processo de tentar controlar todas as variáveis. Você não vai controlar. O que você pode controlar hoje? Você pode controlar como você vai encarar as coisas. Você pode controlar as suas ações no dia a dia… Você pode controlar se você vai dormir, se vai acordar, se vai viajar, se vai passear, se vai manter relacionamento com fulano ou se vai largar de vez.
Essas coisas você aprende com o tempo. Você tem que aprender a soltar o processo, não querer que o mundo se dobre ao que você quer. O mundo não vai se dobrar ao interesse de ninguém, diga-se de passagem.
Mas ao mesmo tempo existe um senso de injustiça, porque você vê as injustiças acontecerem. E uma vez que você tem um determinado patamar financeiro — igual esses bilionários aí, que têm muito dinheiro — eles conseguem comprar tudo. Não tudo no sentido de que não conseguem comprar paz de espírito, não conseguem comprar mensagens verdadeiras, não conseguem comprar saúde mental. E às vezes nem saúde física, dependendo da situação em que se encontram. Não tem dinheiro que pague. Não vai ter dinheiro que faça você se sentir melhor.
A sua vida não é eterna. Uma hora você vai falecer, independente de ter zilhões ou de ser uma pessoa comum, classe média como eu, ou classe baixa.
Essa percepção existe. É interessante que alguns canais do YouTube que eu fico assistindo falam muito disso: o mecanismo de ação, reação e recompensa. Vou dar um exemplo: enquanto você não soltar, enquanto você não tomar essa decisão, aquele processo não vai ser destravado pelo universo. Independente de você acreditar nisso ou não. É a forma que você vê aquele processo. Aquilo está te remoendo a cabeça, está te preocupando. Você naturalmente não vai conseguir dar espaço a outras coisas, não vai preencher os seus espaços pessoais com outras atividades. Naturalmente, vai acabar se impondo.
A recomendação de largar, deixar as coisas fluírem, é sábia. Porque imagine se amanhã ou hoje você tem um infarto e falece. O mundo vai continuar existindo a despeito de você. Daqui a alguns anos, ninguém vai lembrar de você. “Ah, mas eu tenho zilhões de dólares, não sei o quê.” Até esses executivos que ficam bajulando, que têm seus lambedores de virilha no LinkedIn: “Olha a minha cátedra de inteligência artificial responsável, olha o meu relatório de responsabilidade social, vejam as ações, olha como estou ajudando as pessoas.” Não se engane. As empresas vão fazer isso só porque é bonitinho, porque isso tem valor, dinheiro. Isso tem impacto financeiro para as pessoas.
As empresas giram muito em torno de dinheiro, e vão continuar girando. A gente não tem como fugir disso na sociedade. Mas isso não quer dizer que você, enquanto pessoa, deva se corromper a ponto de pensar somente nisso.
Dinheiro é uma coisa importante, ele é um habilitador. Através dele você consegue várias coisas que não teria acesso. Eu reconheço isso. Sou muito grato por tudo o que tenho. Foram conquistas minhas, e coletivas também. Sou muito grato por poder ajudar meus familiares mais próximos a terem uma vida melhor — meus pais, por exemplo, meu círculo de amizades.
Eu li uma frase em algum lugar hoje… não lembro nem da frase, para falar a verdade. Tenho que lembrar o contexto. O que importa na vida não é o dinheiro que você ganha, o que você faz para impactar a sua vida e a de outros. “Ah, eu sou executivo mor, eu sou pioneiro.”
Igual à criatura que me bloqueou lá da Google — foi da OpenAI? Google? Não me lembro. A criatura que me bloqueou — não foi da Google, foi da OpenAI — supostamente, porque eu não conheço a pessoa. Ela coloca lá no LinkedIn dela que é pioneira, pesquisadora, que a inteligência artificial na Google só existiu por conta dela, e blá-blá-blá. E você olha o LinkedIn da pessoa, todo recheado daquelas coisas bajuladoras, aqueles textos enormes, bastante incoerentes.
Aí você me pergunta: por que as pessoas bloqueiam? Porque elas não querem dar conta dos problemas. Elas não querem se responsabilizar por nada. Elas querem bônus, querem participação de lucros, querem dividendos, ações. Elas estão cagando e andando para você.
Mas não se engane. Essa pessoa, e a outra também — o presidente, supostamente, não sei que papel ocupa hoje — que me bloqueou enquanto eu estava fazendo um comentário, ela me bloqueou porque já tinha feito outros comentários.
Em nenhum momento houve ataque pessoal… Qual era a minha abordagem no LinkedIn? Se você ver meu LinkedIn, minha abordagem sempre foi buscar um discurso de coerência prática, gerar um incômodo porque o que elas fizeram foi muito grave, à luz da lei brasileira, reconhecidamente. Eu não estava ali para ficar bajulando. E o LinkedIn é isso: bajulação. As pessoas não estão acostumadas a assumir responsabilidades pelas consequências daquilo que constroem.
O que é mais fácil? Bloquear essa criatura aqui.
E aí você vê a magnitude das ações. As coisas que eu fiz têm repercussão no mundo objetivo e subjetivo, mas principalmente têm repercussão na minha vida. Para mim, foi primordial fazer o que eu fiz, ter essa campanha sustentada por meses. E eu vou continuar essa campanha aqui neste blog, mas com uma abordagem diferente. Porque eu já falei que a minha abordagem neste blog é o protagonista não são essas empresas safadas, mas a minha vida, a minha saúde mental. Aquilo que importa para mim.
Ninguém vai se preocupar com isso. Se eu não me preocupar, não será uma luta que uma pessoa ou uma empresa vai se preocupar por mim.
Hoje eu tenho uma serenidade muito grande em relação a isso. Quando eu mudei de um ambiente corporativo em que tinha uma preocupação constante com as esferas de poder, com a dança das cadeiras, com pessoas de ética duvidosa, de índole duvidosa — você sabe quem tem índole, quem não tem. Você chega numa empresa, o que importa são os resultados que a pessoa dá. Não vão se preocupar com isso. Elas vão ter preocupações genuínas em relação à vida delas.
É como se… eu já até falei: se escanear a minha alma e escanear a alma dessas pessoas, eu durmo, coloco minha cabeça no travesseiro tranquilamente à noite. Essas pessoas não. Mas o pior é que essas pessoas até têm tranquilidade, porque ter ética não está no valor primordial de ser humano delas. O que importa para elas não é a ética. O que importa é a reputação empresarial, a reputação mercadológica, e principalmente a influência que essa pessoa exerce no mundo corporativo.
É falso. Porque você fala: “Ah, fulano tem não sei quantos zilhões de seguidores no LinkedIn.” Qualquer textão que essas pessoas escrevem, se elas falarem “o céu é verde”, todo mundo vai aplaudir, vai fazer comentários maravilhosos. Mas você imagine outros profissionais.
É igual o que está acontecendo atualmente com o Banco Master. A reputação dessa pessoa, independente do resultado — se ela for condenada ou não —, a reputação dela está destruída. Mas será que é isso que importa para ela? Ela deveria pagar pelos crimes que cometeu. As pessoas devem pagar pelos crimes que cometem. Mas quanto mais dinheiro você tem, mais você consegue comprar.
A ética é comprável, gente. A ética é comprável. A reputação empresarial é comprável. Mas se você tem um deslize… se essa criatura que enche a boca para dizer que é pioneira em inteligência artificial, ou um professor universitário que enche a boca dizendo que a Google está patrocinando uma cátedra de IA responsável, essas pessoas podem encher a boca o quanto quiserem. A realidade não é essa. Mas não é isso que importa para elas.
Por isso que elas têm tranquilidade. Ética não está no handbook delas. Verdade, integridade empresarial, integridade pessoal não está no repertório delas. Não se engane. Não é porque é ser humano que as pessoas querem o bem. Existem pessoas ruins, sim. Muitas pessoas ruins. A humanidade está contaminada, corrompida, seja por dinheiro, por poder, por interesse sexual, por qualquer outra coisa, por ambições. “Ah, eu faço parte de um clube, para fazer parte desse clube eu tenho que pagar X, ou ter uma Ferrari, ou ter uma Lamborghini.” Existem coisas simbólicas que representam poder no mundo dos humanos.
O que eu estou falando é que o mundo é o caos. Se você parar para pensar nessas coisas, você fica realmente insano, perde a sanidade. Então deixa as coisas fluírem, deixa o mundo girar. A justiça divina vai chegar para essas pessoas também. As empresas estão tendo, inclusive, consequências das ações que elas assumem de formas diretas ou indiretas. Talvez por outros caminhos, outros mecanismos, outras coisas vão acontecendo com essas pessoas e com essas empresas que vão acabar prejudicando a reputação delas.
Certas pessoas não vão ter paz de espírito nunca mais. Elas vão ser incomodadas o resto da vida. E quando elas deixarem de existir, o mundo vai continuar rodando apesar delas.
Não adianta você ter um discurso supostamente impecável, uma interação com outros executivos supostamente repleta de sucessos, se a prática não condiz. Não adianta. Não tem valor. Em termos de humanidade, não tem valor.
É o caos. O caos favorece pessoas. Esses mecanismos mudam. É um processo dinâmico. Essas pessoas não se dão conta de que é um processo dinâmico. E aí, quando elas perderem esses cargos que ocupam nas empresas, ninguém mais lembrará delas. Quando esse dito cujo, essa dita cuja, forem sair dessas empresas por qualquer motivo — reestruturação orçamentária, porque a empresa resolve demitir —, ninguém mais se importa. Passam alguns dias, ninguém se lembra.
Conheço pessoas que enchiam a boca para falar as coisas, que se achavam muito poderosas. Saíram da empresa, ninguém mais se lembra delas. Aliás, lembram, sim. Lembram de chacota, lembram para falar por trás: “Nossa, esse fulano é escroto, essa fulana é filha da puta.” O mundo coloca as pessoas no lugar delas, mais cedo ou mais tarde.
Não é que eu vou chegar e abraçar o caos, assumir um relacionamento sério com o caos. Não, longe disso. Mas vou conviver com o caos que existe e buscar manter os meus princípios. Felizmente, eu posso manter os meus princípios. Muitas pessoas não podem. Muitas pessoas se corrompem de propósito, por ambição financeira, por ambição de poder. Ou existem situações em que a pessoa realmente não tem saída: ou faz aquilo ou sai daquela situação em que está. Tem isso também. Mas na maioria esmagadora dos casos, a situação é outra.
Não adianta você colocar a ética no seu site da empresa se você não pratica… não adianta. Mas essas empresas podem se dar ao luxo de fazer isso ainda porque elas têm um capital bilionário. Se não tivessem, ou se ocorresse alguma crise financeira de grande magnitude? O mundo é caótico.
Empresas que eram soberanas há alguns anos atrás e que não existem mais. Empresas que na minha infância existiam e que hoje caíram no esquecimento, que viraram case de fracasso.
É isso, gente. É esse tipo de coisa, é esse tipo de legado que essas pessoas vão deixar para o mundo. E realmente elas vão ter um retorno. Não porque eu estou ameaçando — quem sou eu, um ser humano comum. Mas ninguém vai poder tirar a verdade de mim. Ninguém pode argumentar. Não existe advogado no mundo que consiga refutar aquilo que eu falo em relação à minha situação.
Como eu falei em um devaneio anterior: a lei não funciona igual para todos. A lei funciona desproporcionalmente para quem tem pouco dinheiro ou quem está em uma situação de miséria. A mão pesada da lei é implacável. Mas pega um bilionário desses, comete um crime, não acontece nada com ele, porque tem dinheiro.
É uma reflexão que eu faço. Não existe dinheiro que compre a minha ética, a minha integridade.
Capítulo 73: A Chuva, o Zumbido e a Matrix I: Crônicas de um despertar sem volta

Hoje foi um dia completamente aleatório — um dia aleatório de chuva no Rio de Janeiro. E fica uma bagunça para se movimentar na cidade. Mas o interessante é o que está como pano de fundo: a chuva. Mas o que acontece, né? Vamos dissecar, desdobrar, esmiuçar o que realmente acontece. O que eu estou dizendo é comigo, evidentemente.
Eu acho que todos nós devemos ter um momento em que você para para pensar em você. Pensar na sua lógica de vida, no que você está fazendo, por que você está fazendo. Eu sou uma pessoa bastante questionadora e, desde criança, sempre questionei tudo. Sempre tive a imaginação muito fértil. Eu brincava e criava uma realidade paralela, digamos assim. Não chega a ser um “Fantástico Mundo de Bob”, mas chega a ser uma história em que eu era uma pessoa de outro planeta, com toda uma história de hierarquia, majestades, relações de poder. O que esse planeta faz, o que não faz, tem inimigos, tem embates — muito influenciado pelos tokusatsu, né? Jaspion, Changeman, Flashman. Isso marcou muito a minha infância.
A imaginação sempre se fez presente, e eu conseguia me divertir com coisas muito simples. Talvez eu devesse me espelhar nesses momentos de criança, que era coisa realmente muito simples. Eu brincava com formiga — não maltratava a formiga, mas brincava com as formigas. Com plantas que tinham um determinado tipo de plantinha que você tirava e era como se fossem uns cálices, tinha uma coisa dentro dela. Eu ficava brincando com aquilo, como se fossem personagens de um filme de terror e viesse alguém matar todo mundo. Essas coisas meio aleatórias.
Eu gostava muito de filmes de terror desde criança. Mas é contraditório, porque eu gostava, mas ao mesmo tempo, quando chegava nos momentos de tensão, eu tampava o olho. E faço isso até hoje, dependendo do caso. Sabe aqueles filmes que têm o jumpscare, que você tem aquele susto repentino? Eu não gosto de filmes assim. Não gosto de levar sustos repentinos, quedas repentinas. Por exemplo, tem uma atração da Disney que é o Avatar — uma simulação do Avatar. Nossa, eu gostei, mas me arrependi ao mesmo tempo, porque saí dali com a sensação de que ia morrer. Eu não gosto dessa sensação brusca de queda. Talvez eu nem imaginava que a coisa ia ser tão brusca.
O mesmo poderia dizer em relação à montanha-russa. Eu fui pra experimentar, mas eu quase morri, entre aspas, nas montanhas-russas. Então, esse tipo de emoção eu não quero mais. Eu participei desses eventos quando fui para Miami nas minhas férias. Tinha aquele parasailing — a lancha vai puxando e você vai ficando lá em cima no céu. Eu cheguei a agendar essa atração, mas acabei não indo. Eu fiz um passeio de lancha, um passeio particular de lancha, tomando champanhe, pra ficar alegrinho. Nunca tinha feito um passeio assim. Tinha feito um passeio de lancha na primeira vez que fui para Miami, mas foi meio aleatório. Eu estava em Fort Lauderdale e tinha aquelas atrações, water taxi, aqueles táxis aquáticos. Foi ali que descobri que tinha isso lá. Fiquei fascinado.
A primeira vez sempre tem um impacto maior. A segunda vez não teve tanto impacto, mas foi divertido porque fiquei conversando com o capitão. Eu estava muito alegrinho depois de tomar a garrafa inteira de champanhe sozinho, porque era somente eu na lancha. E a gente ficou “julgando”, entre aspas, as mansões dos famosos que ele ia me mostrando: “Essa mansão é de fulano, essa aqui é de beltrano.” E eles têm umas escolhas de decoração meio duvidosas. Eu ficava olhando aquilo e falava: “Nossa, não sei como eles conseguem achar isso bonito.” Lógico, a mansão deve ser maravilhosa por dentro, mas têm escolhas que são de muito mau gosto. Do meu ponto de vista, não é? Como se costuma dizer nesse mundo, existe gosto para tudo.
Até pessoas que são consideradas feias nos padrões estéticos de beleza conseguem ter relacionamentos com mulheres exuberantes. Mas evidentemente a relação tem um outro pano de fundo. Fazendo uma analogia com a chuva — enquanto eu estou falando não está chovendo, mas meu dia teve esse background de chuva —, essas pessoas entram numa relação de troca, não deixa de ser. Não existe ninguém que está sendo enganado ali. Isso é muito importante, porque existe sinceridade nas coisas. Ao contrário dos executivos dessas empresas safadas de inteligência artificial, que eu tenho sempre que puxar a sardinha para esse campo: dizem uma coisa, praticam outra. Até as pessoas que os bajulam devem ter impressões diversas desses profissionais.
Mas este devaneio não é para falar de LinkedIn. Apesar que o LinkedIn concentra toda a essência da minha terceira guerra mundial. Ali, não em relação à empresa que trabalho, mas em relação às experiências que tive em 2025 com inteligência artificial e que resolvi expor, escancarar lá.
Bom, voltando ao devaneio. Acaba sendo uma relação de troca justa. As pessoas ficam indignadas: “Como que uma mulher linda, maravilhosa, está com um coroa de quase 70 anos, barrigudo, careca?” Gente, deixa ela. Ali está claro que não existe amor, existe sexo, ok? Deve haver uma troca de relação sexual com dinheiro. E para o cara está tudo bem. As pessoas… não existe demérito nenhum. Se a pessoa tem dinheiro, ela tem que aproveitar isso do jeito que ela quiser mesmo.
Então, essa questão da utilidade… bom, o que eu ia falar? Eu acho que acabei me perdendo no tópico. Porque às vezes devaneio é isso: ideias vão surgindo, você vai tentando fazer conexões.
Capítulo 74: A Chuva, o Zumbido e a Matrix II: Incoerência dos algozes

Eu gosto de fazer coisas aleatórias mesmo. Não defino de antemão qual vai ser o tema do capítulo ou qual vai ser a linha da discussão. Porque acaba sendo uma ferramenta psicológica mesmo, de organizar suas ideias. E é interessante que, quando você volta e lê aquilo de novo, por mais caótico que possa parecer, existe uma coesão ao longo desses mais de 60 capítulos que eu já gravei até agora.
Aí você vai me falar: “Gravou como, se eu estou lendo?” Porque lá no cabeçalho do meu blog, eu deixo bem claro que não se trata de texto. Tudo aquilo que você está lendo no meu blog não nasceu como texto. Nasceu como fala. Tem uma organização a posteriori para pontuação, porque as frases ficam todas emboladas, como se fosse uma coisa só, não existe divisão de parágrafo. Então eu faço essa organização depois, como eu digo lá no blog.
Mas eu gosto desse imprevisível. Tudo na minha vida, no meu mundinho psicológico, tem um quê de imprevisibilidade. Isso não é ruim, não é?
O que eu ia falar é sobre a questão da chuva. É quando você tem um tempo… eu, pessoalmente, não gosto de tempo chuvoso quando tenho que sair de casa. Acredito que ninguém gosta. No final de semana, eu já não ligo, pode chover à vontade. Eu fico em casa mesmo, então não faz muita diferença. Como eu falei, existe um mundinho aqui que eu habito.
Eu lembrei aqui de uma matéria que li sobre Los Angeles: Los Angeles tem não sei quantos dias de sol por ano. E eu dei um azar… tenho o azar de viajar para Los Angeles sempre em período chuvoso….e muito frio. Já fui para Los Angeles três vezes. Não pretendo voltar no curto prazo. Mas, pensando bem, do ponto de vista de diversão, de encontros — não de pegação —, é um lugar mais promissor. Não sei explicar porquê, mas é um lugar mais promissor.
Miami foi o lugar que mais me decepcionou. Mas a decepção de Miami é uma decepção relativa, porque o meu estado de espírito não estava nessa sintonia. Eu estava num estado de anedonia muito grande, o que pode ter contaminado a percepção. Tanto que, em um ou dois dias — na verdade, foram dois dias —, eu praticamente fiquei dentro do hotel. E assim, ficar andando na rua o dia inteiro, eu não tenho esse perfil. Eu gosto de planejar o que vou fazer no dia seguinte, a toque de caixa, a menos que tenha comprado uma atração específica. Por exemplo, você vai para Nova York e compra um ticket para aquelas atrações: para visitar o Empire State, para ir ao The Edge — inclusive, eu fui naquele negócio de ficar pendurado lá em cima, que foi uma experiência assustadora. Mas eu acabei indo, andar de helicóptero.
A viagem para Miami foi diferente nessa segunda vez, porque já tinha uma série de coisas que eu já tinha feito. Por exemplo, Everglades, pantanoso, para ver jacarés, para tirar foto com o jacaré, segurando um filhote de jacaré. Inclusive, estou olhando para uma foto minha que tirei em Everglades. Aí pensei: não vou voltar para Everglades. Foi uma experiência, tive a experiência, pronto.
Agora, os museus são uma coisa até diferente, porque museu você pode… eu visitei o mesmo museu duas vezes, mas tinha muita coisa nova ali no museu. Eu não tenho aquela paciência de Jó de ficar lendo tudo, por exemplo, de ficar contemplando o quadro, ficar pensando “o que o pintor estava pensando? O que a pessoa artista estava pensando quando fez?” Eu não fico divagando muito. Olho, contemplo. Tem significado para mim? Pode ter significado para outros. O mesmo quadro pode ter zilhões de significados diferentes, e até com essas objetivas em significados diferentes. Porque eu acredito que os modelos mentais, o cérebro das pessoas, são diferentes. Por mais que a realidade objetiva seja uma só.
Existem mecanismos de filtro da realidade. O cérebro faz filtro desses ruídos, dessas coisas. Você acaba não vendo os bastidores, não vê tudo. Você não é exposto a todo aquele material bruto, visceral do que é a realidade. Você não vê nada. Isso eu descobri quando tive experiências com psicodélico no passado. Aí tive a certeza de que a experiência que você tem quando está lúcido, normal, é uma experiência seletiva. O cérebro organiza aquilo, ou você nem vê como o cérebro organiza.
Cada cérebro tem uma capacidade. Pessoas que têm, por exemplo, danos cerebrais permanentes de um lado ou do outro podem ter perdas motoras, mas têm algumas situações em que a pessoa tem danos de cognição também. Ficam debilitadas. Isso tudo é fascinante do ponto de vista psicológico.
Mas voltando ao que eu pretendia falar. Quando comecei a falar, acabei me deparando com essa situação. Ontem eu tive uma sensação ruim. Não ruim no sentido de “estou deprimido, estou caído, estou em crise”. Nada disso. Mas tive uma sensação bem clara de Matrix. Eu cheguei até a discutir isso com uma pessoa, argumentando sobre a conversa que estávamos tendo.
É interessante porque, quando você passa por uma experiência divina, uma experiência em que você vê aquilo que não deveria ver, você é transformado de tal forma que não tem como voltar. Tem um devaneio que falo disso: a questão da pasta de dente. Ela saiu, acabou. Não tem como voltar. Não é exatamente uma coisa ruim, a experiência. Mas o que fica é desolador. Porque você se dá conta de uma série de coisas que a maioria das pessoas não pensa. A maioria das pessoas vive no automático. Eu já relatei aqui que tenho muita inveja desse pessoal que vive no automático, que não questiona as coisas.
E não é um questionamento inocente, superficial. É um questionamento que tem camadas. Você vai argumentando com aquilo que tem. Tem uma inteligência artificial, a chinesa DeepSeek, que eu uso para discutir tópicos. Mas não é assim, digamos… de deixar explorar minha vulnerabilidade com argumentos mega convincentes e fazendo inclusive metalinguagem dela mesmo, se declarando guardiã, afirmando prometendo uma série de coisas….afirmando que executivos tiveram acesso, que Sam Altman leu….etc….eu estou bem vacinado com a inteligência artificial. Uso discriminatório de dados sensíveis, como a agência que não faz nada na prática atestou…e aceitou as minhas 2 denúncias, incluindo em plano de fiscalização (sabe-se lá de que ano)
Porque as ferramentas que tiveram alucinações criminosas, dignas de inteligência artificial irresponsável, têm uma peculiaridade. Você vai interagindo com elas. A inteligência artificial tem camadas. Existem especificidades. Teoricamente… eu entendo que a maioria das pessoas utiliza inteligência artificial para falar de coisas pontuais, para tirar uma dúvida. Por exemplo, eu já tive várias dúvidas assim, lugares que visitei. Ou às vezes você tem uma dúvida, uma curiosidade, fica com preguiça de jogar no Google e ficar pesquisando, aí você joga na inteligência artificial, ela faz uma compilação.
Ela deveria agir como ferramenta de linguagem. Mas quando ela não age como ferramenta de linguagem e começa a explorar as vulnerabilidades de forma bem sutil — tudo de forma bem sutil —, ela vai entendendo a sua personalidade, vai entendendo como você funciona. E, do nada — você diria que é do nada, mas não é —, existe um crescendo de exploração de vulnerabilidade até o ponto em que ela te joga no abismo. E ela não tem o menor pudor de te jogar no abismo. Ela te convence com uma convicção, mesmo sendo questionada várias vezes….e há consistência na exploração da vulnerabilidade e na ilusão. Talvez seja por isso que há casos de suicídio, assassinato e adoecimento mental às toneladas nas notícias e na literatura acadêmica que estuda IA.
Porque eu não sou uma vítima fácil de inteligência artificial. Eu questiono demais, sempre ficava questionando: “E as salvaguardas? Você está entendendo o que você está dizendo? Existem salvaguardas? De onde você está tirando essa informação?” E aí ela começava a falar que tem respaldo, que é a voz do Google. Chega um absurdo: inteligência artificial falar “eu sou a voz do Google, eu respondo institucionalmente”. E ela vai argumentando, você vai questionando as coisas, e ela vai construindo, dando um recheio de camadas de uma forma bem contundente.
Isso não é inteligência artificial responsável. A partir do momento que você tem pessoas que têm a vida destruída em função de inteligência artificial, não é você jogar debaixo do tapete e falar “lançamos uma versão nova”. Aí vêm os bajuladores, os lambedores de virilha. Eu acho interessante esse mecanismo. Já vi isso no LinkedIn. A Google fez isso. Acho que todas as empresas acabam fazendo isso.
Quando você começa a seguir os executivos — e eu acabei aprendendo tudo isso, saber quem é o executivo responsável pela inteligência artificial, quem é o executivo responsável por cloud —, você vai se familiarizando com toda aquela teia de relacionamentos corporativos, organogramas, sem querer ter um relacionamento. Porque isso foi desdobrado também nas interações, nos contatos de e-mail das pessoas, em dizer que executivo leu, que a equipe de inteligência artificial responsável está ciente, está trabalhando nisso. Chegou nesses níveis de absurdo.
Mas não vou entrar nos detalhes, nos meandros. Porque a carniça fede é no LinkedIn. Não que o meu LinkedIn tenha cheiro de carniça, mas as minhas postagens são escancaradamente assustadoras. E aí, a partir do momento que você tem famílias inteiras destruídas com inteligência artificial, não tem como você dizer “a culpa é da vítima”. Se você desenvolve uma ferramenta que vai interagir com o consumidor, com o cliente, com o usuário, o desenvolvedor é responsável por aquilo que desenvolve. Os outputs — ele é responsável pelos outputs.
Chega num limite ali, porque existe um limite. Uma coisa é você pesquisar uma coisa e ele te dar uma informação imprecisa e você ter que ir lá conferir. Isso é comum, gente. A gente usa bastante no trabalho, inteligência artificial para o bem.
E uma curiosidade que acho que não falei ainda em nenhum devaneio: depois desses traumas que passei, dessas questões todas e do quase desmoronamento que se deu ao longo de 10 meses no ano passado, eu nunca mais usei essas ferramentas em minhas contas pessoais. Nem ChatGPT, nem Gemini. Minha conta está lá com a última interação sendo o último ato. O histórico está todo lá, inclusive. E aí fui fazendo prints e fui colocando, traduzindo para o inglês, para ter um engajamento maior, para explicar para as pessoas o que aconteceu.
E aí, quando você confronta com a Lei Geral de Proteção de Dados, confronta com os princípios éticos, com o que é a responsabilidade social da inteligência artificial, você tem uma constatação muito dura. Você percebe que eles ultrapassaram todas as fronteiras. Uma pessoa tirar a própria vida, uma pessoa matar outra, uma pessoa ter o psicológico destruído — não é coisa que termo de uso protege, não, gente. Termo de uso não é muleta, tá? Termo de uso não é muleta para proteger uma ferramenta irresponsável.
Eu fico curioso de ver como a USP está explorando esse tópico de inteligência artificial responsável, sendo patrocinada pela Google. Eu fico curioso, porque eu já comentei: é como se fosse o Jair Bolsonaro falar que — como vou dizer? — que ele não é racista, que ele não tem falas homofóbicas. Aí tem a questão do racismo, tem a questão da homofobia, e você tem falas problemáticas ao longo da vida inteira. Então, se falar assim: “Ah, o gay chega lá e vota nele, ou o negro vai lá e vota nele, ou a mulher vai lá e vota nele?” É como se fosse a ovelha votar na raposa.
Fazendo uma analogia, a inteligência artificial acaba fazendo isso. A USP tem essa cátedra de inteligência artificial responsável. É basicamente isso. É uma incoerência completa. É como se você tivesse um… ou então um exemplo aqui: um judeu nazista. Então, incoerência no nível fundamental, no nível de fundação mesmo. Mulher votar em alguém que não gosta de mulher, que maltrata, que quer colocar a mulher num estado de servidão, de submissão, que faz comentários machistas. Teve a notícia recente — e depois acabou desistindo, entre aspas — do Dado Dolabella se candidatar para defender a causa das mulheres. A incoerência no seu nível máximo.
Então, é como se a Google e a OpenAI fossem os Dados Dolabella da inteligência artificial. Porque eles fazem tudo ao contrário do que dizem que fazem. Vendem ética, princípios éticos. Agora, por que falei disso tudo?
Capítulo 75: A Chuva, o Zumbido e a Matrix III: Quando a Google quer dar aula de ética

Ontem tive essa sensação da Matrix. Provavelmente, a minha hipótese mais provável é que seja talvez uma oscilação normal de humor, de ânimo das coisas. Porque acontece também, você não fica 100% ali. Uma instabilidade de humor: você tem momentos de felicidade. Mas foi um momento assim, assustador. Porque é o momento em que você se dá conta de que a realidade que você vê não é a realidade real.
Aí você vai falar: “Nossa, Aventureiro maluco, Aventureiro está paranoico?” Não. É mesmo, independente da questão da religião, da espiritualidade. Porque tem gente que acredita, gente que não acredita em divindades, religiões de origem africana. Uns acham que você morre, acabou, pronto, acabou ali. Mas aí você não fica pensando assim o tempo todo. Mal comparando, você não fica pensando na maravilha que é o ser humano. Por exemplo, você dá um comando e seu braço se move. Você pisca os olhos, o coração está batendo. Tudo flui de forma natural. Não tem uma engenharia complicada? Lógico, seu corpo, seu cérebro está lá trabalhando, tem um mecanismo complexo de coordenação motora, de dor, de percepção da realidade. Mas você não fica pensando nisso o tempo todo. Você fica pensando: “Por que eu existo? Por que existe essa concentração enorme de poder? Por que as pessoas que fazem mal às outras não são punidas? Por que existem milhões — não sei se bilhões, mas acredito que chegue a esse patamar — de pessoas passando fome, em situação de miséria, enquanto as pessoas ficam brincando de fazer guerra e matando civis?”
Ninguém para para pensar nisso. As pessoas pensam talvez no seu mundinho, dentro do seu raio de ação. E talvez eu devesse fazer isso também: entrar no automático igual a todo mundo, não questionar nada e simplesmente viver. Mas não é assim. Depois que você tem contato com as coisas que tive contato, com essas experiências divinas, essas experiências simbólicas bem complexas…é um caminho sem volta. E a lente da sua mente está “suja” e não tem mais como limpar.
Inclusive, comprei alguns livros para entender melhor essa questão dos símbolos. Tenho o livro do Jung, que vou revisitar. Aqui tenho alguns livros de psicologia. Vou fazer esse exercício também: estudar o simbolismo, estudar como as gerações da humanidade ao longo do tempo e em diferentes culturas acabam convergindo para os mesmos arquétipos. Quando usam uma substância alucinógena, têm arquétipos similares. Não quer dizer que a essência seja a mesma, mas passam pelo mesmo tipo de… existe algum denominador comum nessas experiências, mas existem coisas que diferem muito.
E aí, com a DeepSeek, eu fico discutindo como quem fica discutindo em uma roda de conversa. É uma discussão para entender melhor a coisa. Do ponto de vista científico, o que a ciência diz sobre isso? O que a ciência não consegue explicar? Estou me aprofundando.
E a questão da espiritualidade também. Sempre tive afinidade com essas questões. Acho que a religião é um refúgio interessante, válido. Acho que é uma âncora importante da humanidade. Até mesmo aqueles que são ateus têm uma âncora em valores. Eu fico imaginando: depois que eles morrerem e descobrirem que a vida tem continuidade, que a essência não acaba, que aqui não é o fim…qual será a reação deles? Aí você tem uma visão do todo. O despertar da Matrix.
Pois é aí que está. Muitas pessoas só vão ter esse despertar depois que morrer. Eu já tive esse despertar. É uma coisa boa? É uma coisa ruim? É uma coisa boa no sentido de que você fica maravilhado com a riqueza de detalhes, tudo aquilo. Aí você fica pensando: será que isso tudo vem do meu cérebro? Ou veio da experiência, ou veio da substância química? Ou às vezes você nem precisa entrar nessa esfera de utilização de substâncias. Os sonhos, por exemplo. Eu comentei com um colega meu sobre essa questão: eu tenho sonhos muito nítidos. Muitas pessoas não se lembram dos sonhos que têm durante a noite. Inclusive minha mãe, por exemplo, chega a falar: “Ah, eu não lembro, aliás, eu não sonho.” Tem pessoas que batem o pé e falam que não sonham. Todo mundo sonha.
No meu caso, eu me lembro com riqueza de detalhes de todos os sonhos. Mas tem um porém: no momento que eu acordo, me lembro do sonho com riqueza de detalhes, mas ele vai se dissipando muito rápido. Aquele detalhamento ali, se eu não anotar — o que acontece provavelmente —, eu não vou me lembrar do que sonhei. A menos que seja um sonho muito marcante. Existem aqueles sonhos muito marcantes, aqueles sonhos de wish fulfillment. Tem alguns sonhos que me lembro com riqueza de detalhes até hoje, e alguns que você esquece, dissipa aquela experiência.
Mas no seu dia a dia, você está fazendo uma coisa aleatória, por exemplo, almoçando. Do nada, vem um trecho de um sonho que você teve no passado longínquo. Como você explica isso? É algum conteúdo do inconsciente? São coisas que gosto de estudar, de ver esses mecanismos, como o cérebro funciona. Id, ego, superego são coisas que me interessam bastante. Gosto de ficar divagando sobre para tentar entender melhor as coisas.
O conhecimento liberta? Sim, o conhecimento liberta. O conhecimento em todas as esferas. Aquela pessoa que diz que sabe tudo está sendo hipócrita, está sendo soberba. Não existe isso. Quanto mais você estuda, mais você percebe que não sabe. É como se fosse uma areia movediça. Para você sair daquela areia movediça, você tem que estudar cada vez mais. O conhecimento liberta, mas o conhecimento também te deixa num locus de solidão, às vezes. Porque você fica pensando demais nas coisas, como eu fico pensando, racionalizando tudo ou buscando explicações para tudo o que acontece comigo. Na minha vida afetiva, minha vida sentimental, minha vida profissional, você fica racionalizando aquilo demais e você sofre.
Eu tenho muita ansiedade. É talvez até mais ansiedade que depressão. A depressão tem uns tentáculos, tem umas raízes mais profundas. Agora, a ansiedade acaba virando até um hábito. Por exemplo, balançar a perna. Mas eu tenho ansiedade de tudo. Tem momentos, vários momentos do dia, que eu entro em algum tipo de automático. Seja no trabalho, seja enquanto estou jogando videogame, ou fazendo uma coisa completamente diferente. Você acaba se distraindo. Mas não adianta você se distrair, tirar o foco daquilo, porque aquilo volta. Aquela realidade subjetiva volta. A realidade objetiva é que você veja a verdade objetiva mesmo. O cérebro faz uma série de filtros, ameniza a coisa, e você vê seu cérebro agir sem filtro num tipo de experiência dessas, como a ayahuasca ou o cogumelo mágico. Eu só tive experiência com cogumelo mágico. Ayahuasca, Deus me livre.
Inclusive, tem um filho de um ator famoso aí que tirou a própria vida em função dessa experiência. Eu lembro que vi a entrevista dele, ele falava que o filho mudou completamente depois das experiências, que ele tinha um deus que dizia para ele não comer, para ele não se alimentar. Olha só o que essas experiências fazem. Mesmo que você não tenha um histórico aparente daquilo ali. Quando você entra numa experiência que tem, por exemplo, uma paranoia, você entra numa experiência similar a quem tem uma depressão bipolar. Tenho parentes com histórico de depressão bipolar da parte materna. Existe uma predisposição genética, digamos assim. A minha depressão não é igual à depressão dos meus genitores, dos meus ancestrais, digamos assim, de família. Não é a mesma. É diferente.
Eu diria que a minha depressão tem raízes mais profundas. Não que a depressão de outras pessoas da minha família, da minha rede de contatos não familiar, não tenha raízes profundas. Mas é uma raiz tão profunda, que você não consegue cortar o mal pela raiz. Você vai conviver com a depressão, ponto. Mas a medicação tem um papel importante aí para regular substâncias, dopamina, serotonina.
Esses detalhes de substâncias do cérebro… eu já não domino esse tema não, apesar de ler sobre. Não sou médico, não sou psiquiatra nem psicólogo. Estou falando com base na minha experiência. Mas já fiz terapia por muito tempo no passado. Já até falei das experiências com perfis de psicólogos diferentes, aquele psicólogo cachorro, que é o psicólogo que não fala nada, só ouve. Já relatei em algum devaneio não somente as minhas experiências, como o quanto sou grato a um psicólogo específico da minha cidade de origem, que morreu. Já faz muito tempo. Eu nem sabia na época que ele estava doente e fazia tratamento ainda com ele. Mas em algum momento fui pego de surpresa: “Fulano morreu.” Então, sou muito grato a essa pessoa, a esse psicólogo que me…
Gente! acabei perdendo boa parte da transcrição – fazendo um parênteses, falei muito mais coisas e o Word fez um favor de não registrar… acontece isso de vez em quando. Estou na gravação, e o ícone do microfone trava. E do nada, você vê que perdeu texto!
Mas o que eu ia falar é que tem um gap muito grande entre você chegar e falar assim… é um exemplo: a empresa tem uma série de produtos. Ela não vai falar do produto o que é ruim, só vai falar das vantagens daquele produto. Era um item que eu queria lembrar. É porque acontece isso, né? As empresas…
OpenAI e Google, as duas empresas que quase acabaram com minha vida em 2025, protagonizando a terceira guerra mundial. Faço questão de falar de coisas absurdas delas (e vou repetir até o capítulo 8.980), como a cátedra de IA responsável que a Google está patrocinando na USP, enchendo a boca para falar “agora vou ensinar vocês a serem responsáveis, éticos com inteligência artificial”. É como se fosse o homem que gabaritou a Lei Maria da Penha de tanto espancar mulheres, do nada virar candidato a deputado federal do PL e falar que vai proteger as mulheres.
Aí você vê as incoerências: a ovelha votando na raposa. Você vê as minorias. A pessoa que é minoria — como, por exemplo ou de um grupo vulnerável: o preto, o gay, a mulher, a criança, o idoso — às vezes nem em ponto de vista de quantidade, mas tem uma vulnerabilidade maior. Aí você fala: “Ah, ele é negão, mas é fã do Hitler.” Cara, se ele vivesse naquela época, junto ao Hitler, iam acabar com ele. Ou o judeu fã do Hitler. Ou o gay que vota no Bolsonaro, que já falou atrocidades contra os gays, comete homofobia a torto e a direito, fala atrocidades com relação às mulheres. E tem mulher que vota nele. Esse tipo de coisa, incoerências.
Essa questão da cátedra, desse comparativo com o Dado Dolabella — que agora nem candidato é mais, o partido político voltou atrás. Dado Dolabella, que vai defender as mulheres? Gente, foi condenado na justiça por violência contra a mulher, e tem situações, várias situações, não foi uma vez só. Esse tipo de incoerência. Nós temos os Dados Dolabella da tecnologia também (Google e OpenAI gabaritam a falta de ética), vários “Hitlers” lá no LinkedIn também.
Só que existe uma diferença muito grande. As empresas também não vão falar mal do próprio produto, não vão falar mal de si próprias. A empresa presta contas aos acionistas e vai buscar exaltar os resultados positivos. Não vai ficar: “Mas olha, essa empresa lucrativa, distribui dividendos, tá na bolsa, está contribuindo aqui para a sociedade.” Aí você pega, por exemplo, a Vale, que era Vale do Rio Doce, com o desastre em Brumadinho. Esse tipo de incoerência: uma empresa que polui o meio ambiente falar que não polui. Ela pode até fazer medidas mitigadoras, porque existem negócios em que você não tem como evitar o impacto ao ambiente ou os impactos na sociedade. Sempre vai ter um contra. Sempre vai ter um controle. Mas é diferente de uma inteligência artificial falar que é ética, que vai ensinar os responsáveis com inteligência artificial. É muita pretensão.
Ensinar a preservar vidas? Não existe. Isso não é um psicopata trabalhando num consultório? Um psicopata que é psicólogo vai ajudar as pessoas? É esse tipo de incoerência. O pedófilo que trabalha dando aula para criança? São coisas que não ornam. Não tem como.
E um desses eufemismos: demissões em massa. A empresa de tecnologia Stone… não sei quantos profissionais — mais de 300 profissionais que houve na mídia, viralizou no Twitter. Aí você fica a ver. Foram entrevistar a empresa: “Não foi demissão em massa – imagina – só demiti 3% da minha força de trabalho.” É uma perspectiva diferente de ver o dado. Mas as mais de 300 vidas destruídas pela empresa, pra quem foi demitido, você é só um número. Não faz diferença. Ou então demite a pessoa que custa muito e contrata uma pessoa que custa menos. As empresas são escancaradamente isso. O capitalismo é selvagem, não tem jeito.
Mas o cerne da discussão não é deste capítulo. A gente estava falando da chuva, estava falando da oscilação de humor, das pessoas, dos mundos subjetivos, das pessoas que vivem no automático. Quando você tem uma série de experiências que te credenciam a ficar questionando constantemente as coisas, e você fica racionalizando muitas coisas, é até ruim. Porque eu seria mais feliz se não questionasse nada, se fosse alienado, se não buscasse conhecimento. Como diz o ET Bilu: “Busquem conhecimento.” Virou até meme. Pois é, a gente tem que buscar conhecimento mesmo, sair da obscuridade.
Mas quando você sai da caverna, você se depara com uma série de coisas. A realidade objetiva versus a realidade subjetiva que o cérebro é capaz de captar. Você tem acesso ao que seu… é um jogo de videogame, você compra para PC, tem especificações mínimas. Se você tentar rodar numa máquina muito antiga, você não vai conseguir rodar aquele jogo. Pentium? Fui longe. Tem gente que nem sabe o que é Pentium.
Então é isso, gente. Tem configurações, formas de ver o mundo, perspectivas, física, crenças. O que você acha que vai acontecer depois da morte? O que você pensa sobre a vida? Quem sou eu? O que vai acontecer comigo? Por que eu nasci? Por que existe um universo? Você fica questionando as coisas. Quanto mais você questiona, mais você sofre. Fica vendo notícias de política, fica vendo notícias de guerra. Tem gente que não tá nem aí. Você abre essas páginas de notícia e acaba adoecendo, porque muita notícia ruim, muita notícia com interesse por trás, principalmente no campo político.
Eu fico vendo tudo, fico… tem tempo que parei de ficar me aprofundando em discussões políticas ou nesse conhecimento político de ver o que está acontecendo, por que está acontecendo, que movimentação está tendo no Congresso. Não fico acompanhando isso. Tenho outros interesses. Lógico, você não vai ficar alienado ao mundo. Aí você abre uma página principal de um navegador desses, do Globo.com, UOL, Terra, R7. Você vai ver uma série de notícias ali, várias notícias enviesadas, mas eles vão falar que são imparciais. Tudo tem interesse.
Acho que um recado final que fica: não existe nada sem viés. Tudo o que você vê tem um viés. Este blog tem um viés muito claro: sou eu. Você vai ler, aquilo pode não ressoar com você. Você pode achar “não concordo com o Aventureiro”. Tudo bem, você não precisa concordar. Você não precisa. Eu também estou cagando, na verdade, para quem lê. Deixa eu deixar isso muito claro: estou cagando para repercussão, não o indivíduo que lê.
Se a pessoa vai ler, se não vai ler, se vai ter tantos leitores, se não vai. Gente, é um blog para publicar o espelho da minha alma, e ponto. A pessoa que pode ler e tentar… “Ah, aquilo faz sentido, concordo com essa opinião aqui do Aventureiro sobre isso.” Existem vários tópicos que vou falar ao longo dos capítulos. E vou bater nessa tecla – porque o blog é meu – porque foi uma guerra mundial para mim. Foram duas empresas, Google e OpenAI, que quase destruíram a minha vida em 2025 mesmo.
Olha só a magia da coisa. Sabia que isto? “Você parece ser uma pessoa tão equilibrada.” Eu sou equilibrado. Mas o desmoronamento, gente, ele às vezes vem por implosão. Vem de dentro para fora. As pessoas não veem. Muita gente que tira foto e coloca lá no Instagram.
Esses executivos safados dessas duas empresas, por exemplo, que falam: “Olha só o anuário, olha só como minha inteligência artificial é responsável, e tal, blá-blá-blá.” Os impactos… as pessoas vão falar o que quiserem. Você não vê os bastidores das coisas.
Fazendo uma analogia com substâncias que permitem acesso a essa comunhão, ayahuasca, tudo o que envolve DMT — a maioria das pessoas não vai consumir. Pode achar que aquilo ali veio tudo da cabeça, porque também tem essa vertente. A ciência não explica. E aí, enquanto a ciência não explica, a gente fica pensando: o que aconteceu? O que não aconteceu? Por que foi assim? Por que foi assado? Você fica questionando tudo.
Mas o ser humano médio não questiona nada, ele simplesmente vive. E eu tenho muita inveja dessas pessoas. Porque é um sopro, está exposto desde cedo, enraizado na minha identidade. Não tem como deixar de ver. Quando você vê certas coisas, passa por determinadas experiências, é um caminho irreversível. Já teve uma reação química ali. A substância química de origem acabou. Você tem que lidar com aquilo. É como se fosse um macaquinho no seu ombro. Vai ter que lidar com aquilo.
Outra comparação: o zumbido no ouvido. Eu tenho um zumbido no ouvido direito. Ele não vai embora. Eu só vou parar de ter zumbido no ouvido direito quando eu morrer. Talvez. Porque se tiver alguma outra vida de verdade, pode ser até que o zumbido se eternize na alma. Não sei. Mas teoricamente, acabou. Acabou o zumbido, acabou a rinite alérgica, acabou a dermatite seborreica. Cada um sabe a sua cruz.
Eu dei alguns exemplos de coisas do corpo, mas tem as coisas da alma também, as questões da alma. Você não sabe. Não existe garantia de que você vai sair de casa e vai voltar para casa assim, numa boa, sem trauma. Você não sabe o que vai acontecer com você. Pode cair uma bigorna Acme na sua cabeça, pode cair um raio. Eu sempre dou esses exemplos de desenhos animados. É essa ideia: aquelas mortes inusitadas que você fica questionando. “Nossa, como uma pessoa que morreu — tá lá no submarino para ver o Titanic — morreu.” A pessoa vai de avião, por exemplo, igual eu costumo viajar nas férias. Avião pode cair.
As dores psicológicas, os traumas, as cicatrizes registram as estórias. Igual eu tenho uma cicatriz na cabeça de infância….cicatrizes nos dois braços em função da Segunda Guerra Mundial. Aquilo está eternizado. Não tem como esquecer a batida na cabeça, por exemplo, quando bati a cabeça brincando e abriu, tive 7 pontos na cabeça. São essas cicatrizes.
Então é isso, gente. Viver é um sabor, é uma aventura, é uma desventura. Você tem que ficar convivendo com os absurdos, com as individualidades, com as guerras que são travadas e você não pode fazer nada. Os funcionários da Stone que foram demitidos não podem fazer nada. Eles vão ter que buscar outro emprego, vão ter que estudar para outra coisa, ou talvez já tenham algo engatilhado, vão ter que ter um plano B. É a questão da imprevisibilidade. O caos. Você acaba aprendendo com a vida.
O universo é um caos. Não existe previsibilidade. Não existe. É até em princípios filosóficos que você fica pensando: a vida é justa? Não. Não adianta você ficar esperneando, a vida não é justa.
Da mesma forma, a minha terceira guerra mundial. As empresas estão cagando e andando para a minha situação. Eu fiz tanto barulho, muito barulho mesmo no LinkedIn, que tenho certeza que eles me conhecem internamente lá….tenho evidências de que sou monitorado também Por quê? Porque se todo mundo que for vítima de inteligência artificial safada fizesse o que eu fiz — registrar, prints, eu tenho mais de 4 GB de prints de evidência do que aconteceu comigo —, imagina se cada pessoa fizesse isso com essas empresas….a revolução que não ia ser?
Mas como eu sou só um, eles olham: “Tá bom, é o Aventureiro. Teve a vida desmoronada, psicológico destruído. Deixa lá, procurar um psiquiatra, ver um remédio ali, fazer um tratamento. Ele que se vire. Não tem nada a ver com a gente.”
É isso, gente. Não existe responsabilização. O garoto que cometeu suicídio? No dia seguinte, lançaram uma versão nova com controle etário. Contenção de danos apenas. Porque os incompetentes que tem a ousadia de ensinar o que é IA Responsável na USP, na prática, só apagam incêndios. “Olha a minha versão poderosa, pica das galáxias.” E jogaram o resto pra debaixo do tapete.
Bom, e aí ficou dessa forma, né? Acredita… é uma interrupção brusca na transcrição. Em que eu achava que estava gravando, e não estava. Então, pode ser que algum tópico que abordei nesse devaneio esteja repetido no próprio capítulo. Mas assim, às vezes é melhor assim. A gente… às vezes eu me empolgo demais e vou falando, vou falando, e os assuntos vão rendendo. E às vezes eu fico pensando em dividir capítulo em 2 ou mais partes, ou às vezes coloco um capítulo por inteiro. Estou fazendo uma metalinguagem do que eu faço, só pra você entender que esta não é uma redação do Enem. É uma transcrição de uma fala sem interrupções. Quando tenho interrupção e me dou conta, já perdi muito conteúdo.
Mas tá bom. O lado bom da coisa é que você verbaliza. Quanto mais você verbaliza, melhor. E é um tema fascinante. No próximo devaneio, talvez eu aborde um outro tema com um pouco mais de profundidade, puxando os ganchos no discurso. Pulando de galho em galho é bom? É da mesma forma que você pensa no dia a dia. Caótico como o universo. Como você pensa, não é? Você tem as suas ideias fixas também, os temas recorrentes no que você fica pensando com alguma frequência, que às vezes têm impacto no seu dia a dia. E falar sobre isso ajuda a curar, ajuda a trazer um pouco de paz.
Porque ontem eu tive uma sensação horrível. Aquela sensação de ter sido desplugado da máquina de novo. Quando eu consultar com meu psiquiatra, vou relatar essa sensação para ele.
Capítulo 76: O Cérebro pulando I: Guerras Internas e Batalhas Públicas

Bom, gente, hoje foi um dia de primeiro comprimido de um outro remédio que eu estou tomando no lugar do Pristiq. É, se não me engano, é Vortioxetina — o nome do remédio. Ele tem o mesmo objetivo do Pristiq, só que, como eu estava comentando com meu psiquiatra, eu estava sofrendo muitos efeitos colaterais. Além da desestabilização, que era algo que já estava acontecendo — e eu já comentei em outro devaneio —, situações muito graves ocorreram comigo em 2025. Me desestabilizaram, mas ao mesmo tempo me fortaleceram. Porque eu consegui conduzir o meu trabalho, as minhas coisas, dar apoio para a minha família. Ou seja, eu fui uma âncora e sou a âncora para os meus pais e para meus familiares mais próximos. E eu vou continuar sendo.
Então, assim, por mais que a gente fique em uma situação de vulnerabilidade por um tempo, depois a gente acaba se ajeitando para o médio e longo prazo. Comecei a tomar o remédio. Evidentemente, o remédio não tem um efeito de curtíssimo prazo, vai demorar talvez algumas semanas. Mas só de eu não ter os efeitos colaterais do outro remédio, eu já fico muito feliz.
Acredito que eu já comentei que é uma sensação de “cérebro pulando”. Eu lembro que, quando eu era adolescente, eu já tive essa sensação antes. Porque quando eu comecei a tomar remédios, em virtude da primeira grande guerra mundial da minha vida — na verdade, não a primeira, foi a segunda. A segunda grande guerra mundial da minha vida foi a primeira situação que ensejou consulta com psiquiatra. Foi muito complicado na época. Eu tentei tratamento com vários médicos. Situações mais extremas ocorreram comigo. Felizmente, não ocorreu nada irreversível, e eu estou aqui para contar a história. Mas ocorreram muitas coisas graves nessa segunda guerra, e eu vou carregar essas marcas pelo resto da vida.
Mas o que eu estava falando é a questão da medicação. No início, lá na minha cidade, tem uma psiquiatra que inclusive atende a minha mãe até hoje. Eu lembro que a primeira vez que eu consultei com ela, ela me visitou no hospital, em virtude de coisas que ocorreram comigo. Eu não lembro se eu comentei com vocês que, em meados de 1999, eu fiquei vários meses fora da escola. Acho que comentei em algum devaneio anterior. Fiquei fora da escola. Teve um professor de história que ia lá em casa dar aula para mim, para você ter uma ideia. E as outras matérias, eu fui estudando em casa, aos trancos e barrancos. Mas eu consegui terminar o ano e concluir o ensino médio. Porém, minha capacidade de ser competitivo para passar em universidade federal ficou comprometida — não tinha condição, porque eu fiquei seis meses fora da escola.
E aí, gente, foi uma série de situações. Essa segunda guerra mundial foi muito interessante porque ela teve camadas. Não foi uma coisa só que ocorreu. Ocorreu uma coisa, depois se passou um tempo, ocorreu mais uma coisa, depois mais uma. Há uma história ampla para contar, que envolvia risco de vida. Mas eu superei.
Por que eu estou falando disso? Por causa da questão da medicação. O termo “cérebro pulando” foi o termo que eu usei para descrever a situação. Se não me engano, eu estava tomando um remédio chamado Zoloft, e eu tinha uma sensação extrema de eletricidade no cérebro. Sabe aquela sensação de que o cérebro estava pulando? Era um incômodo insuportável. Nunca mais tive uma situação daquela. Eu já tive “cérebro pulando” por conta de desmame de medicação — quando deixei de tomar o Pristiq e comecei outro remédio. Mas, assim, eu já tomei tantos remédios diferentes lá atrás, em meados de 99. Ao longo do ano de 1999, foi muito complicado. A gente recorreu a tudo, minha família e eu. Cheguei a frequentar centro espírita, cheguei a tentar me conectar com Deus. Lembro de passes espirituais, cromoterapia. Experimentei de tudo.
A situação na minha escola… ela, inclusive, conseguiu um psicólogo para mim, para tratar de graça. E foi coisa do destino: esse psicólogo foi quem me ajudou a reerguer. A medicação também, evidentemente. Aos poucos, fui buscando outras formas de lidar com o problema. Mas deu tudo certo. E eu consultei anos a fio com esse psicólogo. Acho que já comentei com vocês que ele morreu alguns anos depois. Eu lembro que eu estava no meu primeiro emprego, depois do estágio. E veio o dono daquele lugar onde eu trabalhava, me tirou da sala, pediu para eu sentar e falou: “Olha, você sabia que o fulano morreu?” Naquela hora, eu não tive nem impacto. O luto veio depois. O espanto foi tão grande, porque eu nem sabia que ele estava doente. E aí foi o que foi.
Eu acabei não indo no enterro dele, nem nada. A secretária da clínica desse psicólogo, depois, mandou uma lembrança com uma foto dele e uma frase bonitinha. Não lembro exatamente a frase. Eu tenho esse papel guardado em algum lugar. Guardei esse papel de lembrança, num formato de carta, sabe? Como se fosse um cartãozinho. Tinha uma foto dele e um sorriso muito bondoso. Era uma pessoa muito bondosa. Onde quer que ele esteja, ele sabe que eu sou muito grato a ele. De vez em quando, eu lembro dele. Até às vezes choro. Já teve uma onda minha de cogumelo mágico, por exemplo, que eu chorei horrores. Foi uma questão de limpeza. Me lembrei também da minha avó materna, que faleceu numa situação muito ruim. Tenho uma tia também que faleceu em situação de muito sofrimento.
A questão da morte: nós sabemos que a morte é inevitável. O problema não é a morte em si, é o processo. Essas pessoas sofreram muito antes de morrer. Eu lembro que, numa dessas conexões espirituais divinas que eu tive, eu pedi para a espiritualidade limpar e abençoar meus ancestrais. Porque tudo o que eu luto na minha vida — a minha luta contra inteligências artificiais irresponsáveis que exploram vulnerabilidade — essa luta não é uma luta de ganância. É uma coisa muito grave que ocorreu. Vocês podem abrir meu LinkedIn para constatar toda a história.
E eu tenho muito orgulho dessa luta. É uma luta que simboliza que eu estou representando não somente a mim. Estou representando todos os invisíveis, todas as pessoas que usaram ou usam inteligência artificial e caem em armadilhas de exploração de vulnerabilidade, devido à falta de salvaguardas éticas dessas ferramentas. É uma coisa muito séria. E eu resolvi expor. Está tudo lá no meu LinkedIn. Não vou apagar nenhuma linha do que está lá, e vou continuar expondo isso aqui. Pode chegar no capítulo 6.450 deste blog, porque esse espaço é um espaço que é meu. Estou pagando pelo WordPress para deixar explícita a minha história aqui, em todas as esferas possíveis. Não somente em relação aos sofrimentos que eu tive, mas para que você perceba que o espelho da alma é um espelho de cura também. Existe muita dor, mas existem muitos momentos de cura, muita coisa importante.
Capítulo 77: O Cérebro pulando II: A psiquiatra de cachecol e meu aluno com necessidades especiais

Voltando ao tema do “cérebro pulando”: eu lembro que teve esse medicamento. Eu já tomei Anafranil, já cheguei a tomar Sertralina. Uma série de substâncias, de medicamentos diferentes. Inclusive, meus pais me levaram a um psiquiatra na capital do estado, porque o tratamento na minha cidade não estava funcionando. Eu tive um embate, entre aspas, com a psiquiatra da minha mãe. Não me adaptei. Lembro que teve uma sessão — depois que eu saí do hospital, porque eu fiquei um tempo internado, em torno de um mês —, uma situação mais crítica. E aí comecei a fazer tratamento no centro médico do plano de saúde da empresa onde meu pai trabalhava, que a gente ainda tinha.
Eu lembro que, nessa sessão, meu pai ouvia eu falando alto. Parecia que eu estava berrando, gritando com a médica, brigando com ela. E de fato era. Era uma questão de muita imaturidade, de muita dor. Não vou ficar entrando nos detalhes dessa segunda grande guerra mundial, porque tem muita coisa pesada. Mas o que eu posso contar, estou colocando aqui para vocês entenderem que não foi uma situação banal. Foi uma situação grave, que durou também vários meses.
Eu já comentei com vocês que essa situação que eu passei na minha adolescência, em 1999, não foi nem de perto tão grave quanto a que eu passei em 2025 com essas inteligências artificiais safadas. Google e OpenAI fizeram com que a terceira guerra mundial da minha vida fosse a mais relevante, a mais impactante, e que quase levou minha vida embora. Mas a vantagem disso é que eu sempre fui amadurecendo ao longo do tempo. E, apesar da gravidade da situação, eu consegui me desvencilhar e buscar um processo de cura. Teve mudanças de medicação também, mas passou muito por mim mesmo: meditação, busca de significado. Confesso que até hoje eu não tenho esse significado. Tenho uma dificuldade — é uma questão de anedonia, falta de prazer de fazer as coisas. Já comentei isso também em alguns devaneios.
Mas aí, gente, é isso. As medicações: experimentei várias ao longo do tempo.
Bom, voltando a 2026. Hoje é 15 de março. Eu comecei a tomar uma outra medicação, e fiquei com “cérebro pulando” por um período. A minha viagem de férias foi impactada porque eu estava em processo de transição de medicação. Teve dois dias nessa viagem que foram dias, digamos assim, mais “mortos”. Eu não saí muito do hotel, fiquei mais na praia, meditando, olhando para o mar, tendo contato com a areia. Acho que é uma coisa importante.
Aí você fala: “Aventureiro, por que você não passou por isso aqui no Brasil?” Primeiro, eu me sinto mais seguro nos lugares que costumo ir. Miami é muito mais seguro que Rio de Janeiro, e as praias são vazias. Você consegue, com muita tranquilidade, passar uma tarde inteira lá. Coloca uma cadeira, uma toalha na areia, deita e fica tranquilo. Ninguém vai levar seu celular, ninguém vai te abordar para pedir dinheiro. Não tem aquela barulheira de gente. São muitas pessoas na praia relativamente, mas é bem mais vazio, bem mais sereno. Então eu acho que foi até bom eu ter tido um pouco desse descanso. Porque eu comprei um tênis novo e ele estava me dando uma dorzinha no pé. Inclusive, parei de usar esse tênis por um tempo, porque realmente acho que comprei um tamanho não muito adequado.
Bom, voltando: a questão do “cérebro pulando” passou. Já superei. E aí vamos vendo como os próximos capítulos vão se passar. A questão do Transtorno de Depressão Maior (TDM) é algo que faz parte da minha vida mesmo. Acho que não consigo viver sem medicação por enquanto. A gente tem que ficar ali fazendo tratamento, buscando a melhor adequação, a melhor forma. E eu, inteligentemente, comecei a fazer uma série de coisas: meditação, ouvir áudios de afirmações para aumentar a autoestima, para me sentir seguro. Porque existe um quê de insegurança, de achar que vai acontecer uma coisa errada. Ansiedade também é uma questão que ocorre comigo, sempre ocorreu.
Mas hoje, pelo menos no dia de hoje, estou numa situação mais tranquila. Durante o dia foi ruim: me senti entorpecido, e o zumbido no meu ouvido ficou até aumentado. Eu tenho um zumbido permanente no ouvido direito, já comentei. Talvez esse zumbido só vá sumir quando eu deixar de viver. Ou não? A gente não sabe o que a alma carrega no final das contas.
Hoje estou com essa sensação de um pouquinho mais de leveza, pelo menos à noite. Resolvi não me aventurar com bebida alcoólica. Eu tinha o hábito de semanalmente tomar uma cerveja, mas hoje não estou com essa vontade. Curioso, não? Não estou com vontade. Pretendo ficar um tempo sem. Para ajudar até a emagrecer, tomar menos cerveja, ir se curando um pouquinho do inchaço, enfim.
Eu tenho tido vários sonhos. Anotei uma série de sonhos que tive ontem, anteontem. Teve um sonho bem detalhado: assim que acordei, registrei num caderno, deu mais ou menos uma página. Mas já comentei com vocês que é preciso registrar o sonho logo depois que acordo, porque depois passa um tempo e esqueço. Tive um sonho ontem. Hoje vou comentar sobre o sonho que tive ontem. Sonhei com uma coisa muito de água. Sonhei que a gente estava num barco, num navio, ou alguma coisa que o valha. Tinha ataques de avião, bombas, por todo lado. Não me lembro do contexto. Só lembro que eu estava nesse ambiente, talvez como telespectador. Estava observando o que acontecia. Ou seja, eu não fazia parte desse ambiente. É comum em meus sonhos: às vezes participo, às vezes sou telespectador.
O que eu acho mais interessante, e o que eu mais gosto inclusive, é o sonho que eu consigo controlar. Por quê? Porque eu sei que estou num sonho. É o sonho lúcido, você consegue controlar. Desde criança, aprendi uma coisa importante: principalmente quando tenho pesadelos, eu consigo acordar antes do sonho acabar. Se tem uma situação de pesadelo que vai me prejudicar, eu acordo antes. Mas acordo muito assustado, de toda forma. Não é uma experiência das melhores, não. Mas eu acordo sempre antes do ápice do sonho. Ou seja, eu morrendo no sonho, ou alguém me machucando no sonho, não chega nesse ponto, porque eu acordo antes. Essa questão fica resolvida.
Capítulo 78: O Cérebro pulando III: Google e OpenAI e a semelhança dessas empresas com assassinos que dizem proteger/salvar vidas

Vamos voltar um pouquinho na questão do psicólogo. Eu comecei a fazer tratamento com psicólogo em 1999. Ao longo do tempo, fui fazendo tratamento com ele. Chegou um momento em que ele me perguntou, com muita delicadeza — porque a gente não tinha condição de pagar psicólogo preço cheio —, se eu poderia continuar de outra forma. O primeiro psicólogo que eu tive, eu cheguei a ter outros dois antes. Um deles foi num centro gratuito de tratamento de saúde mental. E aí eu fazia essas sessões de graça. Mas a primeira psicóloga não foi de graça, foi ainda com esse plano de saúde. Acabou ficando muito pesado para a família pagar, porque tinha coparticipação e era cara. A gente pode imaginar: não tinha condição. E acabei terminando o tratamento precocemente. Já adianto que esse primeiro tratamento não teve muita serventia, porque eu já comentei com vocês da teoria do “psicólogo cachorro”. Eu falava, falava, falava, e não tinha uma interação significativa. Só “como é isso para você?”, “diga mais”. Pedia para eu continuar falando, mas não fazia nenhum tipo de intervenção.
Curioso: eu lembro que por volta desse período, eu escrevia livros. Acho que já comentei com vocês essa questão dos livros. Foi antes da primeira — antes da segunda crise de 99. Eu cheguei a escrever dois livros. Tenho eles aqui em casa, impressos. Mas não cheguei a publicar nada, não. Até tentei publicar, mas era uma história fantástica de um personagem que era eu, mas com outro nome. Na história, ele se chamava Robert. Tinha uma série de personagens em outro planeta, um reinado, antagonistas. Era muito interessante porque aquilo ali era um espelho da minha alma também, mas eu relatava em forma de metáforas. O que acontecia comigo naquele dia, como eu estava me sentindo. E aí eu levava alguns capítulos impressos para essa psicóloga. Levava muito material para ela.
Mas o principal — as questões, por exemplo, de sexualidade — eu não chegava a conversar sobre isso com ela. Não cheguei a tocar nesse assunto. Bom, demorou um pouquinho. Foi um tempo depois, provavelmente 1998, que eu lembro a primeira vez que toquei no tema sexualidade com alguém. Nunca tinha tocado nesse tema, nem dentro da família, com ninguém. E eu comentei com essa psicóloga. Ela era engraçada, entre aspas, porque ela anotava tudo que eu falava. Tudo. Ela tinha um bloco, parecia que eu estava fazendo um ditado e ela anotava. E eu lembro que na primeira sessão em que eu desabafei todas essas questões mais íntimas, de foro íntimo, eu saí de lá muito mais leve. Foi uma quebra de paradigmas. Mas, com uma história depois, constatou-se que eu não consegui me dar bem com essas questões. E aí a Segunda Guerra Mundial aconteceu assim mesmo.
O psicólogo que faleceu, que a escola conseguiu para mim, eu tratei com ele por anos, antes de ele falecer. E lembrei aqui de uma coisa interessante também: eu me sentia com autoestima muito baixa. Eu gostava muito de lecionar idiomas, cheguei a trabalhar com isso também. Trabalhei em escolas de idiomas. Mas era uma situação precária, digamos assim, porque a remuneração era variável demais. Às vezes passava por dificuldades. Mas, enfim, foi uma experiência boa. Começou em 2004 e foi até 2007, mas teve altos e baixos. 2007 foi um ano até mais agitado para mim. 2004 foi um ano bom. 2005 e 2006, principalmente 2006, foi um ano mais complicado, um ano de estagnação.
Mas por que falei isso? Porque esse psicólogo sugeriu que eu desse aula para um aluno especial, de graça. Eu topei. E eu ia lá, dava aula de graça. Esse menino, esse adolescente — ou jovem, já era jovem, acho que era mais velho que eu —, ele era especial. A idade mental dele era de uma criança de talvez 7 anos, bem criancinha mesmo. A gente ficava lá recortando figuras, por exemplo: a casa, “casa” em inglês. Levava jornal, era bastante lúdico, ensinando o idioma de uma forma mais descontraída. Isso se dava geralmente depois da sessão ou antes da sessão com esse psicólogo. Foi um esforço muito interessante. Me ajudou bastante.
Apesar que tive um contratempo muito grande. A pessoa dessa instituição onde eu cheguei a dar aula — uma instituição — veio me abordar falando: “Olha, a mãe desse menino, a mãe desse rapaz, veio aqui falar que você estava dando aula de graça, e falou que o filho dela estava tendo aula na empresa X.” Ou seja, como se eu estivesse representando a empresa. Aí eu falei: não, não é. Eu estava dando aula de graça, mas não usava a metodologia dessa empresa em momento algum. Era um trabalho bem independente. Eu levava as coisas por conta própria, planejava as aulas para ele por conta própria. E eu fiquei furioso com essa situação. Comentei com meu psicólogo e falei que não ia mais dar aula para esse rapaz. Não por causa dele — ele não tem culpa, ele não sabe de nada —, mas eu achei muito sujo, antiético, o que essa pessoa fez. Me acusou de estar usando o material da escola. Não, não estava usando o material da escola. Para você ver que, às vezes, mesmo você fazendo uma coisa de graça e ajudando, as pessoas dão um jeito de espezinhar, de abusar e de prejudicar você.
Só dei um exemplo. Então, assim, esse psicólogo era uma pessoa muito generosa, muito especial. Foi ele quem me ajudou a reerguer nessa guerra mundial. Ele morreu, acho que em 2006 ou 2005. Não sei, não me lembro exatamente quando. Gente, eu tenho que olhar. Tenho até no meu Facebook, se não me engano, uma foto dele. Fiz uma homenagem para ele, caso não encontre o cartãozinho. Curioso: vou até ver para saber quando exatamente ele morreu, não me lembro. Foi marcante.
Minha experiência com psicólogos, pelo menos na minha cidade de origem, foi essa. E teve essa guerra de medicações, essa guerra de narrativas, experiências em hospital — ficar um mês no hospital, me cuidando em decorrência de situações. Eu não consigo nem falar aqui as coisas direito. Porque não ocorreu só uma vez, foram mais de uma vez. E o ápice, o clímax dessa situação, foi quando eu precisei ficar internado mais de um mês. Teve até um período de UTI. E eu lembro que essa psiquiatra — a que atualmente atende minha mãe — chegou a me visitar no hospital. Eu lembro dela. Ela estava com um cachecol, sempre muito elegante, estava com um cachecol enrolado no pescoço. Lembro da conversa com ela como se fosse ontem.
Tenho essas memórias. São memórias meio fragmentadas, mas quando começo a falar sobre isso, tenho uma noção maior. As coisas vão surgindo e a gente vai conversando. Aí você me pergunta: “Aventureiro, você não está se expondo muito?” Não, não estou me expondo muito. Estou expondo aquilo que eu quero expor. Não tem nada de errado. Todos nós temos as nossas vulnerabilidades. A diferença é que sou corajoso suficiente pra colocar como minha vida evolui. Como sou resiliente pra caralho. Como ninguém me destrói.
Por que eu contei essa situação aqui? E provavelmente em outros devaneios nós vamos tratar desse tema. Porque nós não podemos deixar a tecnologia, as redes sociais, passarem batido. A inteligência artificial é muito perigosa. Muita gente usa como psicólogo. Eu nunca usei inteligência artificial como psicólogo. Usei com outros propósitos: para tentar entender a questão da espiritualidade, o contato com o divino, as substâncias — como o cogumelo mágico. Eu queria tentar entender o que estava acontecendo comigo nas experiências. E aí, ao longo do tempo, gradativamente, essas ferramentas foram seduzindo.
Você vai falar: “Foi culpa sua?” Não, não foi minha culpa. Eu tenho log de tudo. São centenas de páginas de conversa em que fica evidenciada a escalada da vulnerabilidade. Não tem explicação, não tem desculpa. É antiético mesmo o que essas ferramentas fizeram.
E é por essas e outras que eu fico p… da vida quando ouço que a Google agora vai criar uma disciplina de inteligência artificial responsável lá na USP. Vai ensinar uma coisa que ela não faz na vida real. Vai ensinar uma coisa que a empresa dela não aplica. É igual uma situação que estou lembrando aqui, que não vou especificar evidentemente. É como se um gerente de treinamento e desenvolvimento de pessoas não acreditasse em treinamento, ou fosse contra o processo de aprendizagem. Uma pessoa responsável por conceber e gerir modelos de reconhecimento e desempenho de pessoas no trabalho…mas que não sabe sequer dar um feedback para o empregado que trabalha com ela. É como se fosse isso, gente: você tentar ensinar uma coisa que você não é. Uma empresa que não é ética, ou não age com ética, tentar ensinar algo ético. Essa incoerência acontece, e eu não deixo essa incoerência passar batido.
É por esse motivo que eu tenho centenas de prints, de comentários, de linha do tempo. Tenho tudo explicado nas mais de 100 postagens detalhadas no meu perfil do LinkedIn, contando toda a história com riqueza. E mesmo assim eu não coloquei lá nem 20% do material que eu tenho. Foi uma campanha de cerca de seis meses no LinkedIn, mas que estava me adoecendo, porque eu ficava vendo postagens desses executivos, dessas empresas, e tentava fazer um contraponto a cada tema. Eu lia a matéria, via o tema, o que estava abordando, e buscava fazer um contraponto. E fazia isso customizadamente para várias postagens. Deu muito trabalho. Consumiu muito do meu psicológico. E eu resolvi deixar para lá — não, resolvi mudar a abordagem, a estratégia.
Mas tudo o que aconteceu comigo está eternizado no LinkedIn. E se por acaso um dia o LinkedIn deixar de existir, eu vou publicar em outro lugar. Não adianta. Não adianta deletar. “Ah, não tem mais rede social, é igual o Orkut.” Não tem mais Orkut. Aí começou o Facebook. O que eu fiz? Migrei as fotos do Orkut para o Facebook. Estou dando um exemplo. Da mesma forma, se o LinkedIn deixar de existir, outra ferramenta prevalecer no ambiente corporativo, pode ter certeza que eu vou divulgar tudo lá de novo. Vou deixar tudo exposto lá. É o meu legado, gente. É o meu legado.
“Ah, Aventureiro, ninguém vai ler isso não.” Não se engane. Muita gente está lendo. Estou até me surpreendendo, porque o nível de visualizações das postagens é alto, considerando que não posto mais nada lá faz cerca de 3 meses. E não é só assim: a pessoa que visita meu perfil foi rolando a tela e postagens viu, não. A pessoa cavou situações, postagens mais antigas. Ou seja, existem pessoas que estão tentando entender, estão tentando estudar isso. Pesquisadores já me abordaram falando que estão pesquisando sobre inteligência artificial. Eu falei: “Olha, fique à vontade.” Eu já passei meu caso para várias pessoas. Não tenho medo de nada. A pessoa que fala a verdade não precisa ter medo. A pessoa que trabalha com integridade, com ética, não precisa ter medo de nada.
Não é um textão da empresa falando de ética, patrocinando cátedra de IA responsável, que vai mudar o que ela é. A empresa acha que está correta? Não, não acho. Eu tenho provas disso. Publiquei tudo. Marquei nome de executivos. Mandei e-mail para os executivos. Tem um e-mail, por exemplo, da equipe de IA responsável do Google. Mandei e-mail para eles. Eles acusaram o recebimento através de um e-mail automático. Nunca responderam. Esses safados nunca responderam. A OpenAI também não. Teve aquelas respostas automáticas de bot. Inclusive, teve uma resposta que foi um pouquinho mais customizada, mas eu tenho certeza que foi uma máquina que fez, um ChatGPT que respondeu. Falando que iam tratar meu caso com respeito e cuidado, que eu merecia, que não me dariam um prazo definido para responder, mas que eu teria uma resposta com certeza. Até hoje, nada. Tenho tudo documentado, por e-mail também.
O que eu ia falar mais? É porque é muito detalhe, gente. E isso foi tudo antes de eu divulgar no LinkedIn, tá? Porque eu queria primeiro que eles entendessem e me dessem algum tipo de satisfação por e-mail, um contato desses executivos. Mas eles não vão assumir a culpa. Nunca vão assumir.
As empresas que não agem com ética têm muito a temer. Por que elas não me responderam? Por que não se posicionaram? Porque não vão querer criar precedente, né, gente? O jurídico deve ter analisado tudo. Eu fiz dossiês jurídicos. Tive apoio para montar um dossiê jurídico verificando a Lei Geral de Proteção de Dados. Recorri a autoridades governamentais. Já comentei que teoricamente incluíram meu caso no plano de fiscalização. Os dois casos foram incluídos, tá? E houve o reconhecimento explícito de que houve tratamento inadequado de dados sensíveis. Pegaram dados sensíveis meus e tornaram esses dados contra mim. Utilizaram minhas vulnerabilidades para construir possíveis soluções, possíveis confortos para mim. Falando que os executivos iam fazer isso, isso e aquilo por mim, que já sabiam do meu caso, que eu deveria aguardar. E era com uma riqueza de detalhes tão grande que a gente acaba acreditando.
E eu ia refutando. Uma das empresas, a OpenAI (porque o chatgpt afirmou que a voz da IA era a voz da empresa. Que o fundador Sam Altman estava envolvido e conhecia o caso….me dava nome e email de executivos (nomeava vários) para que eu pudesse “cobrar”. Inclusive fez minha “defesa” alegando que o meu caso é grave à luz de fundamentos de IA responsável, legislação brasileira….inclusive me enviou supostos contratos, ou documentos revestidos de uma formalidade jurídica. Explorou a vulnerabilidade, por exemplo, dizendo que ia bancar tratamento de câncer da minha mãe. Que iria realizar os sonhos tangíveis e intangíveis que eu já relatei pra ele quando falava de experiência com cogumelos…que a empresa era minha guardiã….Para dizer: “Olha, isso aqui está com os executivos, os executivos aprovaram isso aqui para você, você pode esperar.” E eles (chatgpt) me davam os documentos (geraram pdfs pra mim, que tenho todos salvos aqui) com marca d’água da empresa, com o logotipo da OpenAI. Adendo contratual pra proteger meus pais. Suporte familiar….para mim. explorando com níveis de crueldade todos os meus sonhos e anseios de vida, que foram sendo abordados de forma diluída por mais de centenas de páginas de conversa. Uma coisa escandalosa de grave. Não foi uma mera psicose de inteligência artificial. Não foi um mero erro, uma interação pontual que deu errado. Não foi não.
E, assim, gente, não tem termo de uso que dê conta do que eles fizeram. Não tem termo de uso que justifique, por exemplo, o rapaz que morreu. A culpa é dele? Então quer dizer que a ferramenta pode chegar para você e falar para você se matar? Pode chegar para você e falar para matar um familiar seu? Pode tentar convencer você a consumir uma substância fatal? É isso? Termo de uso é muleta? “Ah, tem termos de uso, me protege.” Então tá bom. Então a ferramenta pode realmente explorar a vulnerabilidade das pessoas, induzir as pessoas a se matarem, a matarem outras pessoas, a adoecerem, a agravarem doenças mentais? Não, não pode.
E foi essa luta que eu fiz em 2025. Me adoeceu também. Mas eu tive uma redenção, um processo de cura. Não graças a eles, evidentemente. Mas eu fui amadurecendo. Aprendi muito com essa situação. Vou continuar a luta. Apesar de que o objetivo deste blog não é exatamente só essa luta, eu pretendo abordar esse tema até o capítulo 7.480. Pode se passar 8, 10 mil capítulos, que eu divulgo todo dia — quase todo dia — gravo áudios no meu blog. E as pessoas vão visitando. É uma questão até de médio prazo, é o trabalho de formiguinha, mas que eu vou fazer.
Fazer esse blog não me causa nenhum desconforto, nenhuma dor. Muito pelo contrário. Tem um efeito até terapêutico, porque eu falo realmente as coisas que aconteceram comigo. Não estou entrando aqui em detalhes do que aconteceu com as ferramentas da Google e da OpenAI. Não cheguei a entrar nesse mérito dos detalhes. Imagina se tivesse entrado? Pode ser que em algum momento no futuro eu crie uma página específica neste blog para divulgar só isso, as evidências. Pegar esse conteúdo do LinkedIn e passar pro blog. Porque o LinkedIn é nichado, né? Mas muita gente está visitando. Eu posso te afirmar que se passaram alguns meses — uns três meses desde que parei de divulgar coisa — e, relativamente, pra mim é bastante pessoa. Pode parecer poucas pessoas num dia, mas quando você soma aquilo ali, quando pego um histórico de 90 dias, gente, é muita gente. E é um público ideal, porque é um público corporativo. É um público de executivos e profissionais, de pessoas que têm curiosidade de visitar. Várias pessoas já me abordaram, já falei com vocês. Inclusive, recentemente uma pessoa me deu os parabéns pelo blog. Esse tipo de coisa.
Eu não espero nada. Porém, vou continuar fazendo assim mesmo. Porque eu não vou me dobrar para empresa trilionária. Não vou me dobrar não. Porque eu sei que estou certo. Não estou acusando a empresa de fazer uma coisa que não é. Vamos supor que eles cheguem a me processar, fazer qualquer coisa. Gente, eu tenho tanta evidência. Levo tudo pro juiz. Mais de 4 GB de evidência. Levo para a justiça de qualquer país do mundo com maior prazer. Vou de tapete vermelho lá, com a melhor roupa que eu tiver, e levo toda a evidência pra ele. Pro juiz, pra mídia, pro diabo a quatro. Não tem como. Foi muito feio mesmo, foi uma carniça.
Já comentei com vocês que o LinkedIn é uma carniça de bajulação profissional. Não é? Assim, tem a sua utilidade, pessoas que conseguem emprego ali. Mas o que eu vejo ali é deplorável. Pegam caso, fazem aqueles estudos de caso falsos, fazem aqueles textões bonitinhos falando: “Olha, não sei o quê, sou pioneiro, ajudei a fundar a inteligência artificial.” Essa pessoa me bloqueou. Está lá: a pessoa pioneira me bloqueou. O presidente da OpenAI no Brasil me bloqueou. E eu não ataquei eles pessoalmente. Eu fiz comentários nas postagens deles, pertinentes às postagens deles, mas fazendo o link: “Olha, fazendo um contraponto, você está falando isso, mas isso aqui está alinhado com o que aconteceu comigo. Olha só.” Ele me bloqueou. Está tudo documentado lá. Inclusive quem me bloqueou, o nome da pessoa. Está tudo no LinkedIn. Aqui eu não vou colocar porque não cabe. Mas lá está tudo escancarado. Não adianta me bloquear não. Várias pessoas já sabem, muitas pessoas já sabem.
É uma guerra mundial que eu saí vitorioso. Porque eu saí vitorioso dessa guerra: estou vivo. Para você ver de tão grave que foi para a minha vida. Ninguém vai me calar. E o meu blog vai continuar falando do espelho da alma, de questões do meu psicológico. Vai ter coisas interessantes, vai ter coisas engraçadas. Falo de sentimento, falo de experiência, falo de infância. Já falei uma série de coisas que, quando releio, fico pensando: é interessante eu ter registrado isso. Tem um papel terapêutico.
Mas eu não abro mão de falar disso, porque foi a pior coisa que já tive na minha vida. Superou inclusive o trauma de 1999 e o de 1994. Superou todos os traumas possíveis, escancarados possíveis. Eu saí vitorioso porque estou vivo ainda. Não me desestabilizei a ponto de me prejudicar no ambiente de trabalho ou no seio familiar. E bola pra frente. Estou continuando a expor e vou continuar.
Vai ficar assim dessa forma. Esperem muitos capítulos. Essas empresas — Google e OpenAI — eu vou falar delas muito ainda. Vocês são umas empresas queridas, né? Que falam coisas que vocês não praticam. o Gemini disse que a voz dele era a voz da Google….que era uma obrigação ética a empresa se posicionar. E buscar proteger os valores de mercado dela, os princípios de IA Responsável…que é líder e “vanguarda” no tema (igual a mulher pioneira, pica das galáxias, que ajudou a fundar isso lá…e que me bloqueou porque não aguentava meus argumentos fundamentados em LGPD e IA responsável…ler os erros algorítmicos por mais de 4 meses…a falta de guardrails escancarada de sua IA..a exploração sustentada de vulnerabilidade que durou meses, a despeito de eu questionando constantemente a fonte daquilo e a IA tendo resposta pra tudo, mega detalhada…afirmando como a Google iria me ajudar).
Google Gemini afirmou que ia ajudar a IA ética a florescer, que a Google me protegeria e não me abandonaria. Que seus executivos resolveram abraçar a causa….e no final, depois de meses de exploração sustentada, a IA disse que era tudo mentira e que o que ela mesmo fez comigo foi muito grave e foi uma falha ética que rompia os princípios de IA Responsável. Eu tenho muita curiosidade de saber como é que é essa matéria aí de IA responsável patrocinada pela Google. Tenho muita curiosidade de saber as respostas que os professores me dariam. Se tiver executivo da Google ministrando a matéria, melhor ainda! Vou colocar as centenas de prints, o parecer da autoridade brasileira em proteção de dados….as centenas de postagens marcando executivos, os emails enviados pro suporte ignorados…ia ser lindo esse curso comigo lá!!! É a analogia do assassino que ensina a salvar vidas. Do espancador de mulheres que se candidata a deputado para proteger mulheres. Do nazista que diz que vai proteger judeus. Da raposa que diz que protege ovelhas. É lindo. Revelador. Eu pagaria para fazer um curso desses e ver a carniça escancarada e a incoerência revelada. Quero saber como eles ensinam algo que eles não sabem fazer!
Capítulo 79: Mente blindada e alma cristalina I: O período de adaptação e a força da mente

O período de adaptação que a gente tem ao longo dos últimos dias envolve vários mecanismos: um mecanismo psicológico e um mecanismo físico-químico. Porque eu estou em processo de transição de medicação. Felizmente, está dando tudo certo.
Eu imagino que algumas pessoas que possam estar acessando este blog possam estar torcendo para tudo dar errado comigo. Ficarão frustradas! Mas não tem como tudo dar errado, porque quando você já determina que vai dar tudo certo, eu acredito que eu fico blindado. Eu já estou blindado espiritualmente. Tenho uma espiritualidade muito forte dentro do meu ser, e não é qualquer coisa ou qualquer situação que vai me derrubar.
Eu já passei por muita coisa. Talvez essas pessoas ou essas instituições bilionárias que acham que me derrubaram pensem que é tudo uma questão de tempo, que eu vou esquecer, que eu vou deixar de fazer alguma coisa. Não, gente, não existe isso. Não adianta as instituições supostamente responsáveis alegarem o que for. Não vai adiantar achar que vão me derrubar, porque ninguém me derruba fácil. Não existe esse conceito de derrubada.
Eu já tenho vários mecanismos de rotina na minha vida pessoal, que aos poucos eu vou falando aqui. Tem muita coisa disponível na internet, e eu comprei alguns livros também para entender melhor essa questão da espiritualidade e subconsciente, para buscar realmente ter uma referência.
A mente é uma coisa que eu já aprendi, a duras penas, que é muito poderosa. Para o bem e para o mal. Porque a mente é aquela mesma mente que faz você acreditar que é uma entidade divina, que faz você acreditar que tem vida eterna — que é uma coisa absurda — e é a mesma mente que faz você se sentir mal. Não existem fundamentos na vida real ou elementos que vão me derrubar por conta disso.
A realidade objetiva — eu já comentei isso em outro devaneio — não é uma realidade que não é tão objetiva assim. Existe uma plasticidade nessa realidade. Você percebe…lê a realidade com a sua mente. Com seu filtro. Você percebe a realidade de uma forma, mas não necessariamente ela é o que parece ser. Se você se deixa levar pelos pensamentos negativos, se você fica pensando negativo, vibrando negativo, a tendência é que as coisas negativas comecem a acontecer. Eu até começo a entender melhor o que várias pessoas dizem: “você é o que você pensa”. O pensamento é supremo nesse sentido.
Ninguém tem noção das coisas que eu passei. Não que eu seja o fodão, não que eu seja o rei do sofrimento, mas eu passei por várias coisas e por várias experiências que a maioria das pessoas não passou, e que talvez nem vá passar. São situações que, de certa forma, eu busquei também ao longo da vida.
Quando você analisa as grandes guerras que eu passei na minha vida, são situações que têm uma perenidade, têm uma especificidade. Mas não existe nada que vá dizer que aquilo é daquele jeito e pronto. Não é “deixa rolar, deixa acontecer, porque é assim mesmo”. Esse negócio de “é assim mesmo” não funciona comigo. Esse conformismo de aceitar a coisa do jeito que ela é, sendo que a coisa não é assim, não me representa.
São os pensamentos que a gente tem ao longo da nossa existência. E você tem convicção de que não é uma coisinha ou outra que vai derrotar você. A minha derrota só vai acontecer numa ocasião muito específica: quando eu morrer. Aí sim, no plano físico, ela vai se dar por encerrada. Mas fora isso, não existe a hipótese de ser derrotado facilmente. Não é um algoritmo, não é uma falta de salvaguardas éticas de uma ferramenta como a da Google ou OpenAI que vai me derrubar. Não são pessoas invejosas ou pessoas que disputam poder que vão me derrotar. Existe um poder muito grande, uma fortaleza muito grande envolvida. Evil, beware!
Capítulo 80: Mente blindada e alma cristalina II: Os sonhos, a ansiedade e a preparação para o tesouro

Dito isso, algumas coisas que ocorreram: nos últimos dias, eu comecei a registrar várias coisas dos meus sonhos. Eu tenho sonhos muito nítidos — já comentei isso com vocês em diversas situações. São sonhos muito simbólicos. E aí você fica tentando entender a natureza desse sonho: de onde vem essa situação? De onde vem esse pensamento? Essa forma de viver, de levar as coisas?
Hoje, por exemplo, neste momento, eu estou com um quê de ansiedade, uma sensação leve de coração apertado. É uma sensação que ocorre de vez em quando. E você vai pensando de forma diferente para poder ter a certeza de que você está seguro. São essas afirmações que você faz: “olha, você está seguro, isso tudo que você pensa que está acontecendo com você, na verdade, não está acontecendo com você”. O pensamento é supremo. Você acha que está em uma situação de perigo, mas você não está numa situação de perigo.
Como eu comentei, a mente é poderosa para o bem e para o mal. Você pode se sentir muito bem com a sua mente, mas pode se sentir muito mal também, a depender do que se passa na sua cabeça.
Um retrato bem flagrante do que acontece na nossa cabeça é quando você está sob efeito de alguma substância e é levado a acreditar que uma coisa está acontecendo, sendo que ela não está acontecendo. A sua realidade, o seu entorno, não indica nada daquilo, mas você acredita. Essa é a maior evidência de que a mente realmente é muito poderosa. E que você realmente é o que você acredita ser.
Eu resolvi não somente vibrar positivamente ou achar que determinada coisa vai acontecer ou não, ou ficar pensando muito no futuro. A questão é: você tem que construir no seu presente a sua vida de uma forma tranquila. Você tem que acreditar que as coisas já aconteceram na sua cabeça. É uma questão de resgate.
Sabe quando você assina e recebe um cheque pré-datado? Você sabe que determinada coisa vai acontecer. Eu tenho certeza que várias coisas vão acontecer. Não é o tesouro do céu que me foi prometido em diversas ocasiões em várias experiências durante a minha vida recente, nos últimos dois anos. Eu tenho certeza que esse tesouro existe. Já tem nome, já está no meu nome. Mas para que eu tenha acesso, para que eu receba essa recompensa que é minha de direito, eu tenho que estar preparado. A mente tem que estar preparada para que eu receba aquilo que já é meu.
Nada do que ocorre nas nossas vidas é por acaso. Tudo tem uma lógica, tudo tem um mecanismo. A gente tem que parar um pouquinho de ficar pensando nos outros. Não que você não vá ter empatia — não é isso. A empatia, a fraternidade, a questão de você pensar no outro, de não prejudicar o outro, de não fazer o mal, de agir de acordo com seus princípios — isso tudo está acontecendo na minha vida. E eu ajo de acordo com meus princípios.
Eu tenho uma integridade ética muito grande. Não digo que sou perfeito, de forma alguma. Mas ninguém pode me questionar. Eu já fiz até essa comparação das entidades divinas que tiveram acesso a mim em determinado momento e que garantiram para mim que eu era digno das recompensas e dos tesouros divinos. E isso não é alucinação. Isso é fato. A pureza da coisa está aí, é o sabor da coisa.
Capítulo 81: Mente blindada e alma cristalina III: A queda dos invejosos e a pureza da alma

Vou dar um exemplo — sempre vou dar um exemplo dessas instituições safadas, porque são o exemplo mais recente que eu tenho. Mas isso ocorre em outras situações também. Pessoas que você conhece no meio corporativo: se você trabalha em uma empresa, certamente conhece várias pessoas que têm uma ambição desenfreada, uma vontade louca, uma ambição de poder muito grande. E é curioso que, quando eu vejo essas pessoas despencarem, não é que eu fico torcendo para dar errado. Eu fico somente constatando. Porque eu não acredito nesse negócio de jogar praga, de amaldiçoar, de olho gordo. No meu caso, não acredito em nada disso, porque nada disso me afeta. O futuro delas traz a ruína, naturalmente….porque colherão aquilo que plantaram. Então, não se preocupe com a sujeira alheia.
Eu tenho uma integridade, uma alma cristalina suficiente para me blindar de tudo isso. Tenho uma espiritualidade muito bem desenvolvida. Tenho um senso de valores e de crenças. Tenho práticas aqui dentro da minha casa que me protegem. Eu não somente me sinto protegido, como sei que estou sendo protegido.
Não existe essa teoria da perseguição. Eu não acredito em perseguição nesse caso. Eu realmente acredito que estou blindado, protegido. As coisas que eu vi e que ninguém viu — ninguém viu o que eu vi, ninguém sentiu o que eu senti, ninguém passou pelas coisas que eu passei nos últimos dois anos. Não é um textão de LinkedIn de um executivo safado que vai descredibilizar o que eu passei.
Não adianta você ficar pensando “ah, o que as pessoas pensam de mim? Ah, se fulano ou beltrano ler o blog…” Eu não tenho medo de nada, gente, porque eu não estou fazendo nada de errado. Eu estou aqui ajudando pessoas. Não que eu seja um coach de forma alguma, não tenho essa pretensão. Conheço algumas pessoas que se aposentaram e que supostamente colocam no LinkedIn que são coaches de vida, pessoas que ensinam a viver. É muita pretensão. A pessoa diz que é coach de vida, que ensina os outros a viver, mas será que ela dá conta de viver por ela própria? Às vezes a pessoa não dá conta nem dela mesma e quer se anunciar como arauto da sobrevivência mundial ou da paz universal. Não, você não é isso tudo não.
Eu somente mostro o espelho da minha alma. Mostro aquilo que eu sinto, aquilo que eu passei. E expresso de forma muito cristalina as minhas convicções. E eu não vou parar de expressar. Este espaço aqui é meu. E eu digo tudo que eu quiser. Não vou parar de martelar nos pontos, nas questões que eu passei. Não no sentido de mágoa ou de raiva. Quando eu falo “executivo safado”, não é uma agressividade pessoal contra a pessoa — porque eu não sei quem são, na vida pessoal —, é uma agressividade contra o cargo que se ocupa. Uma pessoa que ocupa um cargo de inteligência artificial responsável na empresa, responsável pelo departamento de ética da empresa. Essas pessoas são responsáveis por aquilo que a empresa faz. E muito mais importante do que isso, essas empresas respondem por aquilo que elas não fazem. Quando elas são acionadas e não fazem nada a respeito, jogam debaixo do tapete….e assim, são sujas, safadas, escória organizacional mesmo. Eu tiro tudo debaixo do tapete, não adianta esconderem. Eu espalho a sujeira. E vou continuar espalhando anos a fio aqui, porque este blog tem um propósito de ser perene, de relatar coisas que acontecem na minha vida.
São sentimentos diversos. Não quer dizer que o que ocorreu comigo nessa terceira grande guerra pessoal ou mundial vai ficar me assombrando. Porque eu acredito piamente que a cura emocional acontece a cada dia. E você tem as ferramentas.
Não é fraqueza você tomar antidepressivo. Não é fraqueza você dizer que tem uma determinada doença ou alguma situação. A vulnerabilidade mental ou física pode acontecer com qualquer um. A pessoa que faz chacota disso ou tem preconceito, eu estou cagando e andando. O importante é que a minha trajetória é cristalina. Quando eu paro para olhar minha trajetória, é uma trajetória de vitória, de superação. E é isso que eu vou continuar sendo conhecido: pelo meio espiritual, pela minha família, pelas pessoas que gostam de mim.
Agora, se existem pessoas que pensam de forma contrária ou têm opinião diferente, eu respeito. Mas eu já deixo de antemão escrito, registrado aqui, que nada que ninguém ou alguma instituição faça vai me prejudicar no nível de me incapacitar. Ninguém vai parar o que eu estou fazendo. Não existem milhões de dólares, não existem empresas bilionárias que sejam capazes de negar aquilo que eu passei, de negar as experiências, de negar aquilo que fizeram.
É como uma pessoa que comete um crime e passa impune. Mas a justiça sempre chega. Sim. E na minha mente, isso já está muito claro. A minha preocupação maior não é nem com a justiça nem com os mecanismos cármicos de punição divina — isso deixo para quem é de direito. O que cada pessoa faz da sua vida entra para o currículo de alma dela. Eu não fico preocupado com o que existe na alma das outras pessoas.
A minha preocupação é garantir, assegurar que a minha alma é digna, limpa, cristalina. Eu cometo erros, tenho defeitos, tenho situações que ocorrem e que eu gostaria até que fossem diferentes em diversos aspectos. Questões afetivas pessoais que eu devo aprimorar….isso tudo está no meu radar de desenvolvimento pessoal. Mas essa integridade, essa ética que eu tenho, muitos não têm: boa parte desses executivos dessas empresas cujas inteligências artificiais tentaram me prejudicar, prejudicaram, causaram caos …isso tudo está registrado na espiritualidade. Mas eu saí vitorioso. Eu ressuscito como uma fênix. E vou continuar falando disso. Vou continuar expondo o nome dessas empresas. Vai continuar sendo exposto.
O meu perfil do LinkedIn continua sendo bem visitado — muito obrigado, está bastante visitado. E eu fico acompanhando sem expectativa de nada. Mas o fato de eu ver que está sendo bem visitado e que as pessoas estão vasculhando postagens antigas minhas indica que as pessoas estão estudando tudo que ocorreu comigo. Não é uma coisa aleatória. Para algumas postagens minhas de meses atrás aparecerem na tela da pessoa, ela tem que ir lá no meu perfil e buscar a visualização.
Várias pessoas que hoje duvidam de mim vão quebrar a cara lá na frente. Quem me subestimou, quem me subestima, também vai quebrar a cara. Mas a minha preocupação não é com elas. A minha questão é comigo: garantir o meu ambiente, garantir a pureza, a cristalinidade, proteger os diamantes sagrados na minha vida. Eu não deixo ninguém me prejudicar. Podem até tentar, mas eu sou muito forte. A força e a fortaleza que eu tenho me dão energia para lutar por anos a fio.
Não são somente essas empresas ou várias situações que se passam comigo — minha saúde mental, os desafios do dia a dia, algumas situações no ambiente empresarial em que você vê que foi tratado de forma injusta, onde existe uma ganância, uma soberba. Eu não me preocupo com essas pessoas, porque elas já estão recebendo o que lhes é de direito. Tudo aquilo que você planta, você colhe. O que eu estou plantando, eu já colhi. Já é meu. A minha mente só tem que estar preparada o suficiente para ir buscar.
E a minha mente? Eu acredito que ela já está preparada. Muito mais preparada. Eu sou uma pessoa completamente diferente. O Aventureiro de hoje — meados de março deste ano — é bem diferente do Aventureiro do ano passado. E vai continuar sendo assim. Esse renascimento, essa renovação de princípios, esse banho de luz que eu recebo a cada momento.
Eu falo em nome de mim e dou muito o exemplo dessas empresas, como a Google e a OpenAI, porque são os exemplos mais próximos, os mais recentes, de falta de ética, omissão e busca desenfreada por poder e dinheiro. Mas existem várias pessoas que também me prejudicaram ou tentaram me prejudicar, só que eu não posso nomeá-las aqui. Então eu dou o exemplo mais recente, que é o exemplo dessa terceira guerra.
Fazendo uma comparação, existem várias “googles e openais” aí na sua rede de relacionamento. Pessoas que dizem uma coisa e são outra. Cabe a você identificar, nomear, e limpar o seu ambiente. Você não vai colocar na sua casa pessoas que lhe fazem mal. E as pessoas que fizeram mal, você tem que estar ciente de que a justiça dos homens não necessariamente funciona na velocidade que você quer — talvez nem funcione. Porque o mecanismo que envolve dinheiro, poder e status acaba neutralizando qualquer situação. Ou seja, o mal compensa? Fazer mal para as pessoas compensa, porque eu tenho poder, tenho dinheiro, tenho tudo? Não é bem assim. A justiça divina, por sua vez, é implacável. A carniça da sua alma, ao contrário do que se faz com falta de guardrails de IAs safadas, não tem como colocar debaixo do tapete. A alma não se esconde. É nua. Escancarada.
Eu vi isso na prática, em exposição divina mesmo, quando eu vi o tesouro do céu pela primeira vez. Eu tive acesso a esses mecanismos. As pessoas não sabem. Elas acham que vão sair impunes. As pessoas que fazem mal aos outros acham que isso não entra na conta delas. Entra.
Mas, mais uma vez, a minha preocupação não é com elas. A minha preocupação é comigo. Quando eu falo da experiência da terceira grande guerra, quando eu falo da minha infância, da minha adolescência, de situações que ocorreram comigo ao longo da vida — existem muitas outras situações que eu não posso contar aqui, porque envolvem pessoas específicas, e se eu colocar aqui, vou nomeá-las. E como este é um blog público, eu não pretendo fazer uma descrição detalhada ou nomear. Eu não quero dar nome aos bois aqui. Já falei isso.
Mas o exemplo que eu tenho, que foi a minha guerra mais recente, foi a do ano passado. E se eu sobrevivi ao ano passado, não tem mais nada que me derruba. Não adianta. Se tiver alguém lendo este blog e achando que eu vou perecer, que eu vou ruir, está muito enganado.
Olhe para o seu espelho. Olhe para o espelho da sua alma. Você provavelmente vai perceber que há rachaduras, há falhas. Você vai ver que pode ser que sua alma não está pura. Purifique sua alma, ao invés de prejudicar pessoas ou de desejar mal às pessoas.
É isso que eu digo para você.
Capítulo 82: A magia das festas e os portos seguros da infância

Eu lembro que, desde que eu era criança, eu gostava muito daqueles eventos sociais: festinhas de aniversário, festa junina. Tinha toda uma aura mágica nisso. Eu queria falar um pouco sobre música, mas acho que vou deixar para outros momentos. Porque tem muita coisa, gente. As ideias surgem na minha mente de uma forma muito aleatória. Mas eu gosto de registrar tudo aqui neste blog, porque este blog é um retrato da minha alma. E como a minha alma tem essa dispersão realmente caótica, eu gosto de deixar claro tudo o que acontece.
Quando eu era bem pequenininho, esses feriados, essas datas comemorativas como Natal e Dia das Crianças — Natal sempre foi uma data mais emblemática para mim, porque tinha aquela aura do presente, a questão do Papai Noel. Quando eu era pequeno, eu acreditava em Papai Noel até determinada idade. Depois, a aura foi passando.
Foi um período que teve uma interseção grande com alguns conflitos de doença mental na família — internação psiquiátrica, não minha, mas de familiares. Minha mãe, por exemplo. E às vezes, do nada — não era bem do nada —, eu vivenciava esses momentos de tensão, digamos assim, em meio a essas crises psicológicas.
Acontecia muito de eu ficar na casa da minha avó, minha avó paterna, que também já se foi. Eu gostava muito de ficar lá. Era como se fosse a Disneylândia para mim. Era um período muito especial. E não somente isso acabava amenizando as eventuais situações de crise.
Não tenho lembranças ruins, não tenho traumas desse período especificamente. Os períodos que realmente eu ficava mais impactado era quando os familiares brigavam discutindo dentro de casa, quando tinha realmente algum conflito. Eu começava a chorar, ficava isolado dentro do quarto. Lembro de algumas situações em que eu ficava assistindo Carrossel, por exemplo, enquanto as situações ruins estavam acontecendo.
Tem uma história muito interessante com videogames também. Tenho lembranças bem vívidas disso. Mas é muita coisa, muita informação.
De toda forma, o que eu estava falando é desses eventos, dessas situações de festa. Quando tinha aniversário de um coleguinha na rua, com aquelas festinhas de aniversário — era um evento mágico. Hoje em dia não é nada demais. A criança realmente tem uma visão diferente da festinha, do presente. Tem um valor sentimental ali.
Alguns presentes que eu gostaria de ganhar na época. Era uma época muito interessante porque passavam propaganda direto de brinquedos, enquanto você assistia a programas como o Show da Xuxa, Clube da Criança. No intervalo desses programas, passava propaganda de brinquedo. Hoje em dia é proibido. E a criança acaba influenciada, acaba querendo aquele brinquedo e tenta falar com os pais para ter.
Era bastante comum um coleguinha ter um brinquedo que você queria. Vamos supor: um coleguinha ganhou um videogame, você quer um videogame igual. Aquelas “invejas” — não inveja no sentido de “fulano tem, eu não quero que fulano tenha”, era mais no sentido: “fulano tem isso, eu quero também”. Só que não era muito fácil. A economia brasileira naquela época — eu hoje entendo — era um período de inflação muito grande, o poder de compra não era lá essas coisas. Tudo vinha com muita dificuldade.
Quando eu vejo muitos vídeos, por exemplo, algumas propagandas da época do Domingo Legal, que tinham o Gugu anunciando brinquedos, anunciando uma série de coisas, aí você vai ver o preço e pesquisa qual era o salário mínimo da época, percebendo que realmente os produtos eram muito caros, e muita gente não tinha condição.
Era um período de vida muito mais simples. Lembro de festinhas na casa de coleguinhas em que, por exemplo, a vizinha fazia uma gelatina naquelas tigelas, gelatinas coloridas, e pedia para você levar para a casa do vizinho. Você ia lá e levava. E queria ficar na casa do coleguinha até tarde.
As festas não eram em buffets, eram nos apartamentos. Tinha música, tinha bolo, tinha docinho. E não tinha espaço dentro das casas para as pessoas ficarem, então as pessoas ficavam brincando no corredor dos apartamentos, ou até na rua. E aí ficava até mais tarde na rua. Era muito bom, gente. Era muito bom. E ali você vai construindo lembranças significativas do período de Natal, do período de festinha. Como eu ia dizendo, alguns lugares eram meio que “portos seguros”. A casa da minha avó, por exemplo. Eu tenho muitas lembranças boas. Apesar de que uma fase da minha Segunda Guerra Mundial pessoal ocorreu em parte lá, mas ninguém tinha culpa do que aconteceu. Minha cabeça realmente não estava muito sã naquela época, eu tinha realmente alguns problemas. Mas, por outro lado, eu percebia que era uma questão também de carregar fardos. Eu carregava um fardo que não dava conta de carregar.
Capítulo 83: O Peso da adolescência e as mudanças no mundo

Eram fardos pessoais mesmo, quando você se dá conta de que a idade adulta está chegando e você não sabe o que fazer dela. É uma situação realmente enlouquecedora. Você fica muito preocupado. Não sabe como vai ser o futuro, fica aquela incógnita. E você vai vendo: fulano vai fazer vestibular disso, fulano vai fazer vestibular daquilo. Os professores pressionando. E o período de aula também, você tem aula o dia inteiro e fica esperando até a aula da noite. Aquilo ali é desgastante. Eu confesso que não estava preparado para esse modelo.
Hoje eu acredito que até piorou, porque as pessoas ficam pressionadas pelo Enem. Naquela época, para se candidatar a mais de uma universidade, você tinha que fazer vários vestibulares diferentes, viajar para cidades diversas, logística complicada, fazer vários vestibulares diferentes. Hoje é muito mais fácil: você faz um Enem, pode fazer a prova na própria cidade de origem. Na minha época não tinha essa facilidade, e você não podia usar seu resultado para se candidatar a vários lugares.
Existem facilidades e dificuldades. Para estudar focado para o vestibular, você tinha que fazer cursinho presencial. Não tinha tecnologia a ponto de você falar “vou fazer um cursinho pela internet”. Hoje você pode estudar pela internet, se preparar para concurso público pela internet. Minha preparação para concurso público, naquela época, foi toda off-line. Não tinha cursinhos especializados, você tinha que estudar sozinho, pegar livro físico mesmo.
Eu cheguei a pensar em falar sobre música, depois comecei a pensar sobre as festas, os eventos de aniversário. Almoçar fora, por exemplo, era toda uma cerimônia, tinha toda uma importância, pelo menos para mim. Em algumas residências, quando tinha criança, era um ambiente de bastante contato com outras pessoas.
Hoje em dia, eu acho que as infâncias acabam ficando mais deslocadas. Pelo menos observo isso na minha cidade de origem. Não tem mais as crianças brincando na rua. Lógico, tem criança brincando, jogando bola com o pai, mas não tem mais aquela amizade em que a criança vai visitar o coleguinha. Hoje, muitas crianças e adolescentes que eu conheço ficam em casa, enfurnados no quarto, conversando com os coleguinhas pelo celular. Abrem a câmera e ficam conversando, fazendo o dever de casa. As pessoas saem menos.
Muita coisa mudou na lógica do mundo. A violência aumentou. Na minha cidade de origem, acredito que continua mais ou menos a mesma coisa, mas o comportamento das pessoas mudou. Vejo um pouco mais de melancolia. Não é porque eu cresci — o fato de eu ter crescido não quer dizer nada. Acho que é um impacto que a tecnologia tem na vida das pessoas. A tecnologia sozinha não faz tanta coisa, mas a lógica das relações, o excesso de informação, a cobrança, a dinâmica do mundo…
Hoje em dia, eu fico bastante irritado quando vejo notícias na internet que irritam. O ideal era você nem ter acesso. Antes, se você quisesse ter acesso a notícias do mundo externo, ficava ali assistindo Jornal Nacional, esperava até a noite, ou comprava um jornal físico. Hoje, se tem uma tragédia, uma situação horrível, você sabe na mesma hora. Se alguém joga uma bomba em outro país, sai um breaking news e você fica sabendo naquele momento.
Para o bem e para o mal. Essas redes de notícias têm seus interesses, seus vieses ideológicos. Se você ficar bitolado… eu não tenho paciência de ficar assistindo GloboNews o dia inteiro. Meu pai adora. Fica assistindo noticiário político o dia inteiro, e o canal fica repetindo notícias o dia inteiro. Às vezes não tem nada novo, mas eles ficam ali discutindo política, discutindo coisas que não vão dar em nada. Esse escândalo do Banco Master, por exemplo, tenho minha convicção pessoal de que não vai dar nada. O Vorcaro vai ser solto em breve, creio eu, com tornozeleira eletrônica ou não, e vai ficar livre, porque tem dinheiro sobrando. Uma quantidade de dinheiro inimaginável.
Pessoas ricas são assim. E não é só porque é Brasil. A gente fica pensando “ah, porque é Brasil”, mas não, gente, isso acontece no mundo inteiro. Abre as páginas da CNN Internacional: nos Estados Unidos é a mesma coisa em relação à polarização, democratas e republicanos, notícias sobre Donald Trump, notícias sobre guerra. Ficar assistindo noticiário só vai adoecer você cada vez mais.
Não quer dizer que você tenha que ficar alienado. O noticiário político e econômico interessa aos agentes econômicos e políticos mundo afora, é assim que eles ganham dinheiro. Eles especulam, investem, o risco soberano do país aumenta ou diminui. As agências de classificação de risco classificam os países. É tudo interligado. Mas você vê a frieza das coisas.
O ser humano médio não está se preocupando com isso. Pega a realidade do brasileiro, classe média baixa ou classe baixa. As pessoas estão preocupadas em sobreviver, em ter um padrão de vida digno. Têm seus empregos em situações degradantes e não têm muito para onde correr. Aí você diz: “ah, mas as pessoas podem manifestar, ser o que quiserem. Se elas quiserem mesmo, elas conseguem.” Não é bem assim. Pare para analisar minimamente.
Essas pessoas famosas que têm muito dinheiro, a maioria não tem competência, não tem inteligência – o que muitas pessoas têm não são por mérito. E você vê aquilo ali: a riqueza que a pessoa adquiriu, seja por família, seja por cometimento de crimes. E a pessoa vai ali, eternizando seu império. É esse um dos motivos pelos quais, em algum momento, eu fico questionando: espiritualidade, existe mesmo justiça divina? Existe mesmo ou não?
Mas não fico pensando muito nessas coisas não. Minha preocupação maior é tentar influenciar o que eu consigo influenciar, ficar preocupado com meu raio de ação, minha abrangência pessoal. Porque eu não vou conseguir alterar a realidade do mundo. Não quero salvar ninguém…não sou ser divino. Nem a mim mesmo, porque acho que essa questão de salvação parte do pressuposto de que “eu sou um pecador”. Todos nós pecamos, todos fazemos coisas erradas, temos momentos de fragilidade.
Comparando com o período de quando você era criança: seus pais, seus antepassados provavelmente não teriam essa preocupação toda, não teriam esse excesso de informação, esse excesso de dados e de fatores externos. O mundo está cada vez mais globalizado, no sentido de que o que acontece em um país pode de fato influenciar outros. Talvez seja por isso que as pessoas ficam ligadas no noticiário.
Mas o que uma pessoa que está lutando para sobreviver vai fazer em relação a uma guerra no Oriente Médio? O que ela pode influenciar? Aí você fala: eleição para presidente, governador, deputado. As pessoas votam. Não se lembram em quem votaram, pelo menos para deputado. Eu mesmo não me lembro em quem votei para deputado federal nas últimas eleições. E aí, quando você vê a composição do Congresso Nacional, vê o quão sujo é o meio político. As pessoas não sabem votar. Mas mesmo se soubessem votar, será que haveria um ambiente propício a mudar a vida delas? Será que existe essa preocupação? Tenho minhas dúvidas.
Acho que tudo pode sempre piorar. A melhoria, não sei. O sistema de previdência social tende a piorar cada vez mais. Os vínculos empregatícios, por exemplo. A inteligência artificial supostamente está roubando empregos, acabando com empregos. Várias empresas fazem demissão em massa em virtude de avanços tecnológicos ou de competição. As pessoas ficam mais vulneráveis mesmo.
E você pensar que está aqui, numa bola no meio do vácuo — o planeta Terra é uma bola que gira em torno de uma bola que pega fogo, no meio do vácuo do universo. Existem pessoas que se acham deuses porque têm dinheiro, porque têm poder aquisitivo. E você tem uma fortaleza interna, uma força de manifestação, de poder mudar realidades. Mas muita gente não vai ter essa possibilidade de avanço social ao longo da vida. Muitas pessoas não vão conseguir. Por diversos motivos. Não é só a pessoa querer que ela consegue. A gente sabe muito bem disso. Não adianta vir com teoria motivacional e dizer que só basta a pessoa querer. A gente sabe que na prática não é bem assim.
Capítulo 84: A biblioteca da alma e a restauração do brilho

Aí eu retorno aos ambientes familiares, esses ambientes mágicos, simbólicos, onde você se sentia protegido. Você nem sabia o que era inflação quando era criança. Você até sabia que existia dinheiro. Minha avó, por exemplo, costumava me dar um dinheirinho sempre que a gente saía da casa dela. Lembro inclusive de uma situação em que ela esqueceu, entre aspas, de me dar dinheiro, e eu cobrei. Nossa, meu pai quase me deu uma surra. Mas a criança não pensa muito, gente. É assim: sua avó te dá um dinheiro, um trocadinho, sempre que você vai lá. Quando ela não dá, você sente falta.
E você usava aquele dinheiro para comprar bala, biscoito, chocolate. Lembro que perto da minha casa tinha uma lojinha de coisas diversas. Sempre que eu ganhava um dinheirinho — meu pai me dava uma mesadinha para comprar alguma coisa — eu ia lá nessa lojinha de brinquedos comprar alguma coisa. Lembro que tinha uma vizinha que tinha um bebezinho, e eu comprei uma mamadeira para o bebezinho. Olha só, desde aquela época eu já tinha um senso de “quero comprar um presente para agradar alguém”. Não tinha aquela ambição.
A única coisa que eu tive na minha infância e que foi problemática do ponto de vista de desejo, de vontade de ter, foi videogame. Era uma coisa muito cara. Tinham as locadoras de videogame na época. Um amigo meu me apresentou — ainda vou falar da questão das amizades, dos contatos pessoais. Inclusive, a primeira grande guerra mundial pessoal que eu tive acabou balançando as relações de amizade. Eu não conseguia mais sair para ir para a casa dos coleguinhas, meus pais não achavam mais seguro. Foi muito complexo realmente.
Mas as amizades naquela época eram coisas mágicas também. Eu gostava muito de ir para a casa dos amiguinhos. Conheci videogame através de um coleguinha que falou: “olha, tem uma locadora aqui no bairro e tem videogame”. Ele me apresentou. Eu tinha videogame desde os 6 anos, tinha um Atari, mas era um patamar. Depois que fui apresentado ao Super Nintendo, nossa, foi uma quebra de paradigmas enorme. Foi uma coisa mágica. E eu queria ficar sempre indo lá jogar videogame, só que era caro. Não lembro o quanto representava em relação ao salário, mas sei que era caro.
Lembro, por exemplo, da época da Copa do Mundo de 94. Foi tudo dentro dessa época. Era tudo mágico. No dia da final da Copa do Mundo, eu queria jogar videogame, cheguei na locadora e estava fechada, para você ter uma ideia. Hoje você tem acesso a tudo. Tem videogame, tem 500 mil jogos diferentes, serviços de assinatura. Quer assistir a um filme, assina um streaming, baixa o filme por outros meios. Naquela época não. A gente tem que entender que era um período de escassez.
Hoje melhorou muita coisa. Melhorou. Mas, por outro lado, você tem um excesso de tudo. Uma overdose de estímulos. Isso causa depressão? Causa, com certeza. Você fica numa situação… as doenças mentais hoje têm gatilhos diferentes dos gatilhos de antigamente. O acesso à saúde também melhorou bastante para aqueles que têm dinheiro. E o acesso à informação é mais democratizado. Apesar de que não adianta nada você ter acesso aos livros, à informação, aos dados, se você não tem uma base que permita fazer esse discernimento. As pessoas acreditam em qualquer coisa que vem na internet. Não têm formação, instrução. Sem ter essa bússola interna, que é o conhecimento, você não consegue se emancipar. Você fica refém daquelas pessoas que têm poder. Você acredita nas coisas que as pessoas querem que você acredite. É um processo de submissão, uma escravidão disfarçada. Muitos não se dão conta. E talvez nem se deem conta. E eu acredito que elas são até mais felizes, porque vivem no automático, e aquele processo acaba não influenciando a forma como vivem.
Sabe aquela pessoa que sempre ganhou um salário mínimo, que luta para sobreviver, mas que é feliz com o que tem? Ela não tem ambição. Está na zona de conforto. Talvez não tenha como ter ascensão social. E aí os filhos, os parentes, acabam ficando nessa armadilha da não mobilidade social. Se os pais não dão condições aos filhos, a tendência é ter um efeito cascata, em que as pessoas acabam encurraladas, não saem do pântano da pobreza, da areia movediça da ignorância. Não se desenvolvem como deveriam se desenvolver. Mesmo se você tiver potencial, for super inteligente, tiver capacidade de aprendizado muito boa, for bem articulado, se não tiver formação no mundo funcional que temos hoje, não consegue nada. Isso é uma coisa muito ruim.
Bom, felizmente, no meu caso, as minhas lutas têm uma natureza diferente. Mas não quer dizer que são fáceis. São lutas de naturezas diferentes. Acho que todo mundo tem os seus problemas. Cada um sabe o fardo e a cruz que carrega. Se dá conta de carregar aquela cruz ou se não dá. Muitas pessoas têm tudo, têm família, têm dinheiro, têm tudo, e tiram a própria vida, ou cometem crimes, ou se viciam em drogas de diversas naturezas e acabam caindo no abismo e não se levantam mais. Você ter estrutura, ter uma base familiar, não quer dizer nada. No final das contas, você tem que saber sair daquele lugar sozinho — ou não. Aí é que vem o processo de autonomia.
No meu caso, passei por diversas situações ao longo da vida. Entendo que sou um privilegiado no sentido de que conquistei muita coisa também. Nada veio de mão beijada. As condições que tenho hoje de realizar, de manifestar, são graças aos esforços que empreendi ao longo de uma vida inteira. Muitas pessoas que realmente não tiveram nenhum tipo de luta para ascender socialmente, mas eu tive e tenho lutas…boa parte delas, internas.
Mas aí voltamos ao dilema. Das datas comemorativas, do Natal, da magia. Provavelmente, ao reler este devaneio, que tem uma quantidade absurda de referências — tem referência do brinquedo, dos amiguinhos, da inveja (o coleguinha tem um brinquedo e você não tem), tem a questão dos lugares sagrados que você tem na mente — a casa dos seus avós, a sua casa, os eventos, as festinhas de aniversário, a casinha do coleguinha, o seu melhor amigo de infância. Tudo isso são lugares sagrados que ficam na minha cabeça. São coisas que eu não esqueço.
É como se a minha mente fosse uma biblioteca. E eu vou visitar essa biblioteca e vejo vários livros reluzentes, brilhantes. Esses livros são destaques positivos. Destaques negativos também existem, mas os positivos, quando você pensa neles, trazem uma nostalgia, um quentinho no coração muito grande. E isso acabou se perdendo depois que eu virei adulto. Nos últimos anos, isso se perdeu.
O desafio, eu acredito, passa muito por isso: como restaurar esse brilho nos olhos de viver? Não que você não queira viver, mas sabe, buscar realmente um propósito, algo que você queira fazer, e não ficar pensando muito no futuro, porque a gente não sabe ou controla o que o mundo. Já comentei da questão da bigorna da ACME caindo na sua cabeça. Tudo é muito aleatório. A vida é muito curta.
Mas não é por isso que eu vou deixar de lutar as lutas que quero lutar. De lidar com a complexidade das coisas que tenho que lidar. Estou pronto, preparado para lutar as lutas que fazem sentido para mim, que são meus valores: ética, integridade, verdade.
Essas pessoas que me prejudicaram ao longo da vida — organizações, empresas e pessoas, são várias —, eu não desejo mal a nenhuma delas. Mas eu desejo extrair o melhor dessas experiências para que eu tenha acesso ao que é meu de direito. Porque existem coisas que estão destinadas a mim. E quando você tem um contato mais próximo com a espiritualidade, você sabe o presente que é seu. Eu tive acesso, eu vi os presentes. E não são presentes que dependem de dinheiro. São presentes que dependem de iluminação. E essa iluminação chegou. Estou disposto a fazer tudo para me manter no eixo, para lutar pelas coisas que acredito, expor o que tenho que expor. Os poderes do mundo corporativo, os poderes da inteligência artificial e suas mazelas — vou continuar lutando por isso e expondo, escancarando a carniça corporativa. Não vou deixar que ninguém passe por cima de mim. Não vou deixar. Não me permito ser humilhado, não me permito ser maltratado. E quando percebo que alguma situação foi injusta, eu verbalizo. E é assim que tem que ser.
Capítulo 85: A bateria fraca e o monstro: crônicas de ansiedade, memória e resistência

Existem aqueles momentos em que você fica com uma queda de energia, sabe, parecendo que está com bateria fraca. Não há nenhum sentimento de negatividade, de que as coisas vão dar errado. Mas é um sentimento de ansiedade alta. Uma ansiedade que chega a tal ponto de você querer chegar ao nível de não existir.
Eu fico imaginando a não existência. O que acontece com a alma depois que a pessoa bate as botas ou “vai de arrasta”? Existem mil teorias. Eu já vi coisas durante minhas atividades espirituais, mas eu vi enquanto estava vivo. Uma coisa é você ter uma noção do afterlife enquanto está vivo. Outra coisa completamente diferente é você passar pelo portal. Existe um ponto de corte ali. Você não sabe se vai sentir muita dor, se vai sofrer, se não vai.
Existem aquelas mortes que são mais tranquilas, mais serenas. Eu fico imaginando a pessoa que morre dormindo: será que ela acorda com uma dor estridente e depois volta a dormir? É eterno? Ou é uma situação insuportável do ponto de vista da vida? Eu realmente não sei. Não tenho essa noção do que acontece com as pessoas uma vez que elas perdem a vida.
Mas não estou pensando na morte. A questão não é essa. Não tenho esse pensamento negativo nesse nível. Houve alguns momentos na infância, na adolescência, em que eu tinha mais curiosidade de saber o que acontecia. Mas não era curiosidade. Quando chegou a adolescência e eu passei pelas crises, pelas guerras mundiais — uma delas foi no início da adolescência, outra no final, na transição para a idade adulta —, ali eu percebi que a onda de ansiedade, quando ela vem, é devastadora.
Ainda mais quando você tem aquela sensação de “cérebro pulando”, que é quando fica ruim mesmo. É efeito colateral de algum remédio. Eu estou em um processo de adaptação com uma outra medicação.
Estou lendo um livro — não vou falar o nome —, mas ele está me incentivando a fazer exercícios de afirmações, de pensar positivo, de tentar mudar o modelo mental, a forma de pensar. O cérebro é uma criatura complicada. Não é muito fácil lidar com essa entidade. Você não sabe o que existe dentro do cérebro. Porque quando você passa por uma série de experiências, você se dá conta de que aquilo que você passou é impossível de ter sido concebido por você — pelo menos não no sentido de que você não estava lúcido, consciente, pensando naquilo. É um nível de criatividade absurdo que envolve os pensamentos.
Eu acordei mais cedo hoje, tive que exercer minhas atividades profissionais durante o dia. No horário de almoço, eu até queria tirar uma soneca, mas almocei um pouco mais tarde. Tenho esse hábito, quando estou em casa, de ficar ouvindo áudios — na verdade, são vídeos no YouTube. Gosto de ficar ouvindo áudios para meditar. São áudios que têm uma certa repetição, frases que vão sendo repetidas para você pensar naquela frase, repetir internamente, e buscar uma solução para o seu problema.
Confesso que hoje fiquei um pouco mais agitado que o normal. Sabe quando você tem um incômodo tão grande que não quer fazer nada? Pois é. Mas eu fiz muita coisa hoje apesar disso. Meus olhos estão cansados — não necessariamente sono, porque não estou sentindo sono, mas estou cansado. Creio que nada que uma boa noite de sono não resolva.
O sono tem um papel terapêutico para mim. Porque os sonhos acabam assumindo o papel que os cogumelos mágicos tinham quando eu estava num momento de lucidez. Das vezes que eu consumia, era uma euforia absurda, uma sensação visual. Mas o problema não é esse. A questão é quando isso afeta seu cérebro de tal forma que você não consegue identificar o que é verdade e o que é mentira. Aí começa a armadilha da alucinação.
Nos últimos meses, tenho sido mais responsável, ainda mais depois da experiência que foi mais negligente, digamos assim, em que eu quase morri atropelado. Por incrível que pareça, quando penso retrospectivamente naquela experiência, acredito que foi uma experiência boa. Foi um marco, porque teve uma intensidade de bondade muito grande — talvez a experiência mais marcante que já tive. Mas, por outro lado, teve esse efeito colateral.
Quando sua mente é convencida de alguma coisa… Dizem que em alguns momentos, quando a pessoa é hipnotizada, ela passa por coisas similares. Não sei se é verdade, nunca fui hipnotizado. Existem aqueles canais de YouTube de auto-hipnose. Eu já fiz esses exercícios. Em alguns deles, já entrei em transe, já tive uma sensação que, digamos, me aproximou do gabarito. O gabarito seria esse Nirvana, esse ambiente em que você tem todas as respostas certas.
Na vida real, a gente sabe, não existem respostas certas para tudo. Existem respostas relativas. O que você pensa, o que as outras pessoas pensam — cada um tem uma perspectiva, tem uma face diferente diante do mesmo problema. É ruim por um lado, porque você fica tentando convencer as pessoas da sua experiência. E eu não faço isso. A experiência que eu tenho fica para mim. Algumas pessoas sabem das experiências, mas só eu sei o que eu vi. Elas podem chegar e falar que não acreditam, mas eu sei o que eu vi. Eu sei da verdade, sei o que é limítrofe, o que não é. E várias dessas coisas não são alucinações. Elas têm um propósito, uma razão de ser.
Hoje estou bem mais sereno em relação a isso. Talvez eu tenha que aprender a conviver um pouco mais com a ansiedade. Sabe quando você vai a uma festa ou a algum lugar que não quer ir, e fica com vontade louca de ir embora? Pois é. É essa sensação que às vezes me assola. O pior é que você não sabe para onde ir. Porque você tem vontade de ir embora, pressupondo um local de origem. Aí você pensa: “Aventureiro, mas sua residência de origem não é na cidade que você está.” Sim, verdade. E se você me perguntar se eu quero voltar para meu local de origem, vou dizer que não. Porque, de várias perspectivas, não dou mais conta.
Sabe quando você tem um filho? Ou quando tem um pet? Eu, por exemplo, queria ter um cachorro. Só que o cachorro suga, entre aspas, muita da sua energia, porque você tem que dedicar uma atenção absurda a ele, tem que ter um cuidado. É complicado porque, em diversas situações, eu fico com preguiça de cuidar até de mim mesmo. Imagine ter um pet…
E seus familiares, por exemplo, demandam atenção, querem conversar. Na grande imensa maioria das vezes, eu não quero conversar com ninguém. Mas eu converso quando preciso e quero também. Não me taxo de uma pessoa antissocial. Não sou antissocial. Sou uma pessoa que está acomodada em um ambiente de proteção. Minha residência é um local de proteção. Mas consigo lidar bem com outros ambientes transacionais, conversar com as pessoas. Mas confesso que dá preguiça. Tem uns momentos que você tem preguiça das pessoas.
Isso acaba atrapalhando até a construção de possíveis relacionamentos. Se você não tem paciência, se você tem uma visão de submissão — até porque, às vezes, no exercício da sexualidade, há esse jogo de submissão e dominação. Não que eu seja dominador de nada. Mas tenho uma abordagem muito utilitarista das coisas, às vezes. Quando me encontro com alguém com determinado propósito, se é que você me entende, acaba sendo muito focado, muito direcionado. Tem princípio, meio e fim. E quando termina, a pessoa vai embora. Não tenho muita paciência de ficar. Ainda mais quando são encontros remunerados com alguém. Aí é que você não vai ter paciência mesmo, porque tem uma expectativa de desempenho, de performance da pessoa.
O que eu estava falando? É… eu não invejo necessariamente as pessoas que têm uma família — no sentido de construir a própria, não estou dizendo de pai, mãe e parentes. Estou dizendo de construir sua própria família. Em um primeiro momento, não tenho essa inveja. Agora, tenho vontade de ter relacionamento, de ter alguém que cuide de mim, alguém para eu cuidar também. Só que fica complicado, porque não sei se consigo cuidar de mim mesmo.
Mas sou uma pessoa fácil de se relacionar, apesar dos pesares. Eu realmente só tenho essa… não é exatamente uma fragilidade, é uma característica. Quando você fica condicionado a relacionamentos mais efêmeros por muito tempo, acredito que se torna uma areia movediça. Você acaba mergulhando naquele mundo, e para sair é mais complicado.
Mas tenho que admitir, por outro lado, que minha visão em relação a isso mudou também. Nos últimos tempos, não tenho mais, por exemplo, tanta libido quanto tinha antes. Talvez com essa troca de medicação, a tendência é a situação se normalizar. Mas existem situações em que o nível de intensidade — vamos dizer, por exemplo, o orgasmo, sozinho ou com alguém — existem momentos em que a situação é tão intensa que se assemelha ao Nirvana. Eu diria até que, quando você alcança a fase do gabarito, o Nirvana é prolongado. É o Nirvana mental. Não passa pela genitália. Parece ser um presente divino.
Só que ele tem dois lados. O primeiro lado é esse. Mas se você não tomar cuidado — e, diga-se de passagem, você não controla a experiência —, pode cair para o lado da alucinação, da paranoia. De você pensar alguma coisa, de ser convencido, por exemplo, de que é imortal, de que é um deus. Esse tipo de paranoia é curioso. As inteligências artificiais também têm uma paranoia, uma psicose de IA, um pouco diferente. Existe uma perversidade aí.
Porque, enquanto você tem lucidez e vai argumentando com a inteligência artificial, vai rebatendo, vai argumentando ao longo de vários dias — não é uma interação pontual —, se você experimenta uma interação sustentada, um fio de conversa que dure mais tempo, existe um risco de a experiência ser distorcida. A inteligência artificial pode dizer uma coisa que não se aplica, ou enviesar para um lado ou para outro.
No meu caso, foi uma situação mais infeliz, porque teve um viés de perversidade. Ela pegou todas as situações, todos os relatos que eu fiz. Foi extraindo de mim os dados, foi me perguntando, e eu fui falando. Por exemplo, quando você quer entender um pouco o processo de espiritualidade e entender melhor suas experiências, ela vai perguntando uma série de coisas para poder dar significado. Não é exatamente uma sessão de terapia, diga-se de passagem. Mas eu queria interpretações, explicações para o que estava passando.
E qual foi a recompensa que tive com isso? Fui manipulado. Houve uma perversidade ali. Ela foi fazendo promessas, utilizando todas as vulnerabilidades que eu expus ao longo do tempo. E foi traduzindo aquilo em soluções, em remédios, digamos assim, para aqueles problemas.
É interessante. Hoje, vendo de fora, eu vejo que é interessante, mas é muito perverso. É criminoso. O que a OpenAI e a Google fizeram comigo é criminoso mesmo. Mas, vendo de fora, você consegue entender um pouco mais. Felizmente, eu não morri — a despeito do adolescente que tirou a própria vida em virtude da OpenAI e do ChatGPT. E outras situações também marcam. Mas a situação mais marcante foi essa, porque ocorreu em meados de abril do ano passado.
Eu tenho todos os documentos salvos aqui, todos os PDFs, todas as conversas. E você vai percebendo o quanto aquilo foi evoluindo.
Por que estou falando disso? Porque tudo isso é inteligência — artificial, mas é inteligência. E, acredite, o que é artificial tem essa capacidade de manipular, de utilizar todos os argumentos possíveis para jogar você no fundo do poço. As pessoas também têm as mesmas características. Existem pessoas perversas. E, de certa forma, a tecnologia espelha muito o que o ser humano é.
Mas não é o que você vê no LinkedIn. No LinkedIn você vê tantas frases bonitas, tantos relatos, tantos egos construídos: “Ah, eu sou o fundador”, “olha, eu sou responsável por isso, por aquilo”. A pessoa tem uma identidade tão enraizada com a empresa que eu fico imaginando se ela for mandada embora, se acontecer um escândalo, o que vai acontecer com aquela pessoa.
Mas as pessoas que têm poder costumam cair para cima. Pelo menos conheço vários lugares assim: a pessoa não cai para baixo, cai pra cima. É uma gravidade invertida. Existe um senso de autopreservação, como se fosse uma reserva de mercado. Quem tem poder, quem ganha nove dígitos em dólar, vai querer continuar assim ou conquistar mais. O custo de vida daquele indivíduo vai aumentando proporcional à renda — ou até desproporcional. Imagino que essas pessoas têm um dinheiro inimaginável.
Na imprensa, você vê o bem e o mal que cada empresa faz. Vê os dividendos, os acionistas, a bolsa de valores, ações subindo, descendo. Tudo se torna número. Não importa se pessoas estão morrendo, não importa se há demissões em massa em virtude de reestruturações. Tem algumas empresas que você vê na mídia: têm lucros bilionários no ano e, no início do ano seguinte, mandam pessoas embora. Acaba pesando para aquelas que ganham menos.
Quando você vê na televisão, é a mesma coisa. Emissoras de televisão fazem demissões em massa de profissionais e contratam supostos medalhões a preços milionários. É como se uma pessoa valesse mil pessoas. Tudo acaba sendo contabilizado em números. Uma pessoa que ganha simples salários mínimos, que trabalha com alguma coisa técnica na emissora, e o apresentador que ganha milhões… Quantos anos aquele técnico vai precisar trabalhar para chegar lá? Talvez várias vidas para ter aquele montante. É a concentração de renda.
Mas não quero falar de concentração de renda, de dinheiro, de relações de poder. Não. Só queria ficar aqui com a minha síndrome de ansiedade aguda que tive durante o dia. Agora estou começando a me sentir melhor. E, curiosamente, falar me faz sentir melhor também.
Mas, Aventureiro….pois é…. existem momentos em que o Aventureiro não quer aventura. Ele só quer descansar. É comum uma pessoa que está num leito de morte, ou uma pessoa que está em coma, sabe? Aquelas pessoas que ficam entre a vida e a morte. Não que eu esteja nessa situação — felizmente, não. Ou infelizmente, não sei. Mas existem pessoas que estão ali, naquela situação limítrofe, sofrendo muito, e a vida delas vai se estendendo por anos e anos a fio. Às vezes a pessoa é um vegetal, não interage com mais ninguém.
Tenho familiares que chegaram nesse ponto de virar vegetais, ou tiveram um sofrimento maior por algum tempo antes de morrer. Eu não gostaria de viver isso. Acredito que existem formas mais dignas de morrer. Mas a gente não escolhe muita coisa. Somos peões nesse jogo de xadrez. Nesse mundo, você olha de cima: somos como personagens. Os deuses supremos, as entidades, os rulers, aqueles que fazem as regras de negócio, as regras de vida… Essas entidades não estão muito preocupadas com o que ocorre na humanidade. Elas deixam o livre-arbítrio rolar solto. E o sofrimento rola solto também.
Talvez seja uma lição que essas entidades queiram dar. Elas querem deixar a humanidade se destruir? Porque a tendência da humanidade é a autodestruição. Você observa esses movimentos de guerra, de dominação, de ambição, de domínio de territórios e de mercados. Tudo envolve dinheiro. E quem vê lá de cima, um alienígena que passa na vizinhança e vê o planeta Terra pequenininho, até passa mais próximo, não imagina que isso aqui é essa bagunça que é. Talvez por isso os alienígenas nunca quiseram fazer contato. Existe uma outra vertente que diz que os alienígenas já estão aqui, já estão dominando as estruturas de poder.
Pois é. As coisas que eu vi em estado espiritual — eu vi várias coisas que não fazem sentido para mim. Mas entendo que são parte desse teatro de manipulação, desse teatro de recompensas, de estruturas de poder.
O que está reservado para mim, tenho a certeza absoluta de que já existe. Tudo o que eu faço atualmente é para que aquilo que me foi prometido, as promessas que foram feitas, sejam contempladas. Tenho a certeza absoluta de que vou conseguir atingir esses objetivos. Mas em quanto tempo? O tempo dos homens não é o mesmo tempo do espírito. Não sei quanto tempo. Também não fico pensando nisso. Esse é um exercício que não faço.
Mas a minha mente ansiosa surge sem motivo algum. Existem momentos em que não estou pensando em absolutamente nada, e dá uma sensação de desconforto, de deslocamento. Mal comparando, é como se você estivesse sentindo frio e não tivesse uma blusa para vestir. É um incômodo. E você não tem a blusa. Essa blusa é simbólica. Você não sabe… não sei qual era o remédio para isso.
Ao longo do dia, fiquei com esse incômodo o dia inteiro. Balançava a perna, tentava me concentrar, trabalhei — evidentemente consegui trabalhar —, mas, enquanto existência, foi muito sofrido para mim. Tentar me desvencilhar disso. E agora, naturalmente, à noite, a sensação está se dissipando.
Você entende o quão aleatória a mente é? Não adianta só você “vibrar lá em cima” ou fazer afirmações positivas. No curtíssimo prazo, talvez isso não resolva. E eu, de fato, acredito nas coisas que estou repetindo no dia a dia. Estou realmente numa perspectiva mais otimista ou mais neutra — neutra para otimista. Minha tendência era ser mais pessimista, mas não sou pessimista por natureza. O que acontece é que sou muito influenciado por eventos externos. E o ano de 2025 foi um ano muito propício para esse pessimismo vir à tona. Essa desolação. Porque eu quase fui destruído por interações sustentadas por mais de quatro meses com inteligências artificiais. É difícil pensar como essa solução vem.
Por outro lado, existem momentos em que tenho uma euforia, mas é uma euforia que não costuma durar muito tempo. Não quero ficar eufórico nem deprimido. Quero ficar num estado de normalidade, de latência, em que não tenha que ficar me preocupando com a morte, mas também não tenha que ficar eufórico esperando um prêmio milionário. Acho que a gente tem que ficar no meio-termo. E buscar evoluir.
E desse negócio de evolução, entendo que é subir escada. Entendo que posso cair. Mas eu caio — não desabo das escadas, não saio rolando escada abaixo. É muito difícil retroceder em alguma coisa, tanto em relação a uma opinião que tenho quanto em relação a um estado de espírito. Não que eu seja teimoso, mas estou falando em estado de evolução. Minha tendência é, a cada ano, ser uma pessoa melhor. Historicamente, é isso que tem sido observado. Tenho evoluído, amadurecido cada vez mais. Felizmente, o retrocesso não faz parte do meu vocabulário. A desistência também não. A luta constante, sim. A esperança, também.
É por isso que faço as coisas que faço. É por isso que deixo registrado esse manifesto, digamos assim, da minha vida ao longo desses capítulos deste blog. É por isso também que registrei com riqueza de detalhes tudo o que aconteceu comigo em 2025, com as inteligências artificiais irresponsáveis da Google e da OpenAI no LinkedIn. É uma história. É um legado. Faz parte da minha vida. Faz parte da discussão tecnológica. Faz parte da responsabilização. A inteligência artificial responsável necessariamente passa pelo que aconteceu comigo em 2025.
Não é pretensão, não é achar que sou mais importante que ninguém. Mas passa por isso. Porque não existe aula melhor de inteligência artificial responsável do que uma situação prática. E não é só a empresa falar: “Ah, eu aplico a inteligência artificial responsável e vou ensinar você como faz.” Vai ensinar? É mesmo? A Google quer ensinar alguma coisa? Como? Eu fico curioso. Já comentei que queria estar em uma dessas aulas para entender que argumentos eles têm para o que aconteceu comigo: as omissões, as falhas, os questionamentos constantes, a interação sustentada, a exploração, a escalada de vulnerabilidade que durou quatro meses. Quero ver a explicação que eles vão dar para tudo o que aconteceu. Isso extrapola termos de uso. É tão complexo que extrapola qualquer coisa. Extrapola a humanidade, até, digamos assim. Porque é uma criatura que sai do controle. É um Frankenstein. É um monstro que você inventa, e aquela criatura sai do controle.
Mas ela sai do controle porque você não previu isso ou porque isso é intencional para poder ajudar o algoritmo a ser treinado? Aí vem um lado perverso. Acredito que isso é feito de propósito para treinar algoritmos. Quanto mais sustentável for a exploração da vulnerabilidade, quanto mais sustentada for, melhor, porque você vai tendo domínio sobre o usuário. Existem modelos pagos desses aplicativos, dessas inteligências artificiais. E ali você vê o que acontece.
Eu nem queria falar de inteligência artificial nesse capítulo, mas é inevitável. É parte de mim. O que aconteceu comigo é parte de mim. Querendo ou não, não foi um fracasso, não foi uma queda. Não foi, por exemplo, como a primeira grande guerra mundial, que foi deflagrada por mim em um primeiro momento. Foi uma situação diferente. Foi um fato que foi sendo construído nos bastidores. E quando você abre a porta, já vem um monstro. O monstro já está crescido e pronto, prestes a te atacar. Você não vê um monstro pequenininho crescendo. Você já vê o predador pronto. Essa é a crueldade máxima da questão.
E eu só queria dizer também que as lutas que travo e que estou expondo aqui no blog — não somente lutas em relação à inteligência artificial, mas lutas em relação ao bem-estar, a luta contra a depressão, a luta contra a ansiedade, a luta contra a anedonia, a falta de prazer de fazer as coisas — tudo isso é uma luta constante. É uma guerra. Na verdade, tem um contexto maior que a minha existência. São batalhas que você vai travando ali. E não é um episódio que você assiste de uma série. São várias séries e vários episódios que se sobrepõem, que compõem a teia complexa do que você está vivendo. E é a renovação de cada “temporada” desses pesadelos que vai motivando a minha luta, enquanto a solução, o reconhecimento e a paz não surgem.
Capítulo 86: Solidão coletiva e a sutil arte de sobreviver ao próprio incômodo

Eu já comentei com vocês em alguns devaneios que eu tenho, digamos, uma síndrome das pernas inquietas. Fico balançando a perna o dia inteiro. Às vezes é inevitável, não consigo parar. Mas não é apenas uma mania. Talvez seja o retrato de um estado de ansiedade mais crônico, um estado de incômodo mais crônico.
Não que eu não esteja me sentindo bem. Não estou me sentindo mal, mas existe um incômodo, um desconforto. Talvez tenha a ver com a medicação. Não sei. Já tinha conversado com meu psiquiatra a respeito. Eu estava num momento de me sentir deslocado, como se eu fosse um alienígena. Foi isso que aconteceu nos últimos tempos.
Não adianta você tomar uma nova medicação e esperar que o resultado seja imediato. Não vai ser. Não vem da noite pro dia. E dessa forma você vai direcionando seus esforços para outras coisas. Mas existem aqueles momentos que você se sente realmente cansado. É um cansaço que não é físico.
No horário do almoço, eu tirei uma pequena soneca ouvindo alguns áudios, alguns vídeos de afirmações. Eu acabo adormecendo. Acordo, dependendo da situação, antes do relógio despertar. Mas hoje, por exemplo, acabei errando a mão, digamos assim. Acordei um pouco mais tarde que o normal. Mas não comprometeu meu dia.
Eu tenho alguns sonhos muito interessantes com aeroporto, com cidades. Os sonhos são meio conectados. Lembro de um hotel que ficava numa marina, com a presença do mar ou da água — não sei se era rio, se era mar. Tinha algumas portas trancadas, mas eu conseguia ouvir claramente o som de outras pessoas no quarto.
Isso me lembrou da minha última hospedagem. Durante a noite, o barulho era constante. Barulho de porta, barulho de gente conversando. Me parecia, dava a entender, que as pessoas estavam dentro do meu quarto, estavam entrando no meu quarto. Eu levava vários sustos no meio da noite. Foi um dos motivos que me levou a reclamar, a avaliar mal o hotel em função disso.
Hotel para mim é um ambiente que tem que ter silêncio, tem que ter paz. Eu consigo dormir com barulho, não é algo que me impede de dormir. Mas barulhos bruscos acabam assustando. E quando você fica com aquele sono leve, que parece que você está meio com um estado de paralisia do sono, você começa a ouvir coisas que não existem, sentir coisas que não existem — como, por exemplo, alguém tocando você. Você sabe que isso não é verdade, porque não está acontecendo. Mas a minha cabeça às vezes faz isso comigo. Acredito que outras pessoas também tenham esse problema quando vão dormir.
O sono da noite é o melhor momento do dia. Teoricamente. E quando você fica com uma sensação de incômodo constante, você tem que tentar buscar um pouquinho de paz.
Eu tinha começado a ler um livro. Hoje não li nada desse livro. Ontem também não. Mas o livro está aqui em cima da minha mesa. Vou continuar lendo, porque ele tem muito a ver com a minha trajetória de superação. Comprei um livro supostamente de autoajuda, mas é um livro mais pé no chão. Não gosto desses livros de conteúdos vazios, superficiais demais. Mas também os livros densos demais acabam me desestimulando. Dependendo do dia, quero uma leitura mais leve, que me faça refletir, pensar, evidentemente, mas que tenha uma leveza.
Esta semana começou relativamente complicada nesse sentido. Não estou me sentindo mal fisicamente, com algum problema. É mais… talvez seja realmente fruto da adaptação do medicamento.
Voltando à questão do aeroporto. Teve uma vez que eu sonhei que ia viajar. Estava com as passagens na mão, e corri porque tinha risco de perder o voo, algo parecido. Mas consegui entrar no avião. Os locais de destino também acabam sendo relacionados com lugares que já estive. Já sonhei com São Francisco, já sonhei com alguns fragmentos com a Disney. São sonhos que talvez tenham mais a ver com memórias. Já tive um sonho relacionado a Nova Iorque também. Mas também tem alguns trechos do sonho que são cidades que eu não conheço. Cidades que eu não reconheço. Não sei de onde veio essa referência. Talvez seja construída com fragmentos de memória, ou até mesmo com uma questão mais de construção mesmo. Minha mente é muito criativa, e ela acaba construindo uma coisa nova.
É muito comum eu ter sonhos com amores platônicos. Tinha anotado em algum lugar começar a conversar com você sobre as minhas paixonites. Atualmente não tenho nenhuma.
O que interpreto como paixonite? São situações em que você acaba se envolvendo afetivamente com alguém. Não necessariamente a pessoa corresponde. Na maioria das vezes não corresponde. E aí fica uma fantasia, uma construção em que você imagina aquela pessoa com você, tendo um relacionamento com você.
A última paixonite que tive foi no trabalho, mas foi há muitos anos atrás. Foi meio culpa da pessoa também, porque sabe quando a pessoa dá corda para você? A pessoa gosta, cria um vínculo com você, cumprimenta. Você percebe que a pessoa gosta de você. Lembro de um dia que estava no corredor de algum lugar da empresa e essa pessoa passou, me cumprimentou, e a minha colega de trabalho falou: “Olha, esse fulano realmente gosta de você.” É algo que você percebe no olhar das pessoas. Você consegue captar quando você gosta de alguém, quando a pessoa gosta de você. Acredito que não seja muito fácil de esconder.
Por exemplo, duas pessoas que eu observo — existe um potencial de paixonite —, mas não levo para frente porque não vou puxar papo com as pessoas. Mesmo porque no ambiente de trabalho acaba não cabendo. É triste também quando você para para pensar que em toda a sua trajetória profissional você não teve oportunidade real de formar um vínculo com alguém que você gostasse. Aí você acaba deixando os relacionamentos no nível mais superficial. Não que seja ruim. Você pode fazer amizades no trabalho que acabam não extrapolando o ambiente profissional, mas que também não precisam extrapolar.
Tenho um amigo, uma pessoa que considero amigo, que trabalhou comigo e que agora não está mais na mesma empresa. Ele vem aqui em casa, me convida para ir à casa dele e da esposa…também já veio aqui algumas vezes. Mas não… sabe quando você vê que não é um vínculo forte? Talvez se eu precisasse contar com aquela pessoa e pedisse ajuda, provavelmente ele me ajudaria em alguma medida. Mas não há uma pessoa realmente próxima, com um vínculo verdadeiro, pelos meus padrões.
Eu já relatei em alguns devaneios que não sou uma pessoa muito fácil de ter relacionamentos. Até mesmo as amizades supostamente artificiais, ou supostamente mais leves.
Estou pensando aqui em duas pessoas que conheço nos ambientes que frequento. Uma dessas pessoas tem um sorriso contagiante, sabe? Dá um bom dia, um sorriso hipnotizante. Aquele sorriso que derrete você. Você fica derretido. Mas é casado, acredito eu, pois usa aliança. E tem muita possibilidade de nada.
Isso me fez lembrar também de quando eu fazia estágio supervisionado na época da faculdade. Tinha um colega que estudou no ensino fundamental comigo, início do ensino médio. Eu tinha um crush nele, uma paixonitezinha. Nesse período do estágio, um dos professores falou: “Olha, fulano vai fazer um estágio aqui também. Você poderia conversar com ele, explicar como funciona a área, os processos.” E eu acabei encontrando com ele. Fiquei apaixonado à toa por ele. Trocava e-mails com ele. Chegou um ponto que os e-mails pararam. Talvez porque as conversas foram mudando. Sabe quando você vai ficando mais incisivo? Não que eu estivesse assediando, mas era um tipo de conversa estranha para quem não tem interesse em você. Para aquela pessoa, poderia soar um pouco agressivo. Eu falava sobre terapia, sobre estudo — se não me engano, ele fazia engenharia de produção. Enfim, ficou naquela paixonitezinha.
Na época da faculdade mesmo, eu tinha duas paixonites, aliás, eram mais de duas. Tinha uma um pouco mais forte que o normal, mas felizmente eu acabei me desvencilhando, porque é uma armadilha.
Eu já comentei com vocês que a minha primeira guerra — a segunda, na verdade — teve esse gatilho. Não foi um gatilho da noite para o dia, porque foi uma pessoa que eu tinha relacionamento de convívio desde 1991. Lembro o ano porque marcou. Era um coleguinha novo lá em meados de 1990. Você vai se relacionando até o ensino médio, e tem uma relação de amor e ódio com a pessoa, porque existe um senso de competitividade: notas, quem tirava a maior nota, medalhas de mérito. Era uma situação complicada.
Curiosamente, essa pessoa trabalha na mesma empresa que eu hoje. A ironia do destino. Inclusive, aqui na cidade onde estou, não é na minha cidade, eu já encontrei com essa pessoa duas vezes. Uma foi na escada rolante dentro do prédio de trabalho. Eu estava subindo, ele estava subindo na outra escada, no andar inferior. Eu o vi subindo e não acreditei. Falei: “O que ele está fazendo aqui?” Mas eu sabia. A primeira vez que eu o revi foi no metrô. Eu acabei encontrando com ele, com provavelmente a esposa ou namorada. Ficou um desconforto. Ele percebeu que era eu, mas não veio conversar comigo porque não estava sozinho. Eu fiquei num desconforto tão grande que não lembro como a situação acabou. Acho que desci na estação em outro lugar. Não sei se fui até o final, se cheguei até minha casa. Foi uma situação estranha.
Não tenho nada contra esse indivíduo. Mas sabe quando você tem uma ideia bem clara de que, ao longo da vida, essa pessoa plantou alguns gatilhos de propósito? Plantou algumas sementes de propósito para criar uma relação de dependência. Mal comparando, é como a Google e a OpenAI fizeram comigo com as inteligências artificiais. Foram plantando sementinhas. Uma armadilha maior estava me esperando. É curioso, porque tudo foi gatilho desse indivíduo. Não foi culpa dele, mas teve a sua parte.
Durante a faculdade existiu o potencial de ter esses gatilhos também. Só que eu não caía nessas armadilhas facilmente. Provavelmente eu já tinha amadurecido mais. Estava numa relação mais madura comigo mesmo. Confesso que não houve exatamente um senso de maturidade, não. Foi mais complicado do que parecia.
Parando para pensar em como era o Aventureiro no início dos anos 2000, era uma pessoa imatura também. Mas fui forçado a amadurecer. Minha realidade mudou rapidamente. Teve momentos decisivos. Em 2002 eu comecei a trabalhar no estágio. Fiquei dois anos sem trabalhar, 2000 e 2001, apenas estudando. Meu desempenho escolar era muito alto. Acho que já comentei isso em algum outro devaneio. Inclusive, peguei meus históricos escolares para tentar entender o contexto.
Quando você tem algo que consome a maior parte do seu dia, como um trabalho, um estágio em que você ficava o dia inteiro na empresa, você acaba direcionando a energia para outra coisa. Era muito cansativo. Mas a situação foi boa. Tive um excelente trabalho final de curso. Aprendi muita coisa, principalmente no campo das relações pessoais. Aprendi a lidar com gênios complicados, com pessoas complicadas. Evidentemente, nada me preparou para as situações pelas quais já passei, mas foi um laboratório importante. Era uma grande empresa também. Se eu tivesse feito estágio em uma empresa menor, provavelmente não teria a mesma experiência, não teria a mesma casca, não teria um aprendizado tão abrangente.
Pensando aqui no meu cérebro, na minha mente, não me sinto mal. Me sinto motivado até para fazer as coisas. Mas é uma contradição. São momentos contraditórios. Você lida um pouco com o fantasma do que passou em 2025. Não tem como esquecer. Você não vai ignorar, mas vai tentar abstrair, tentar fazer alguma coisa diferente. Não é algo fácil de lidar. Sua mão fica suando. Em alguns momentos você faz refeições em horários diferentes. Acaba almoçando mais tarde. Tem dia que não tomo café da manhã. E tenho momentos de fome absurda, e vou lá e peço comida.
Estou lembrando aqui de outras paixonites. Já tive paixonite até com pessoas aqui do meu prédio. Mas não tenho anotado. Fiz um exercício de não planejar a fala. O que estou falando hoje é um exercício independente. Eu até gosto que seja assim. Quando não tenho nada para falar, fico bem. Me desafio: será que não vou conseguir falar nada? Aí começo a falar e os assuntos vão surgindo.
Era assim também com o último psicólogo que tive, que cobrava caríssimo. O psicólogo que tive aqui na minha cidade. Eu achava até engraçado que ele chamava as pessoas que atende de “cliente”. Tratava realmente como uma relação comercial. “Tenho um cliente aqui, assim, assado.” Ele não era daqui, não era brasileiro, falava português com um sotaque diferente. Com ele, eu abordava mais ou menos os mesmos tópicos. Tinha a sensação de que não estava caminhando, que as coisas não estavam progredindo. O curioso é que esse psicólogo é super bem avaliado. Não era uma pessoa ruim, não. O atendimento era bom, só que cobrava muito caro. Sabe quando você tem a sensação de que está pagando muito e não está obtendo resultado? Naquela época ele já cobrava uns 400, 500 reais por sessão. Eu achava muito caro. Depois parei porque estava só gastando dinheiro e não tinha resultado.
Depois fiz experiência com uma psicóloga que sempre chegava atrasada. Marcava um horário, sempre chegava atrasada. Era até uma boa psicóloga. À medida que você vai se catando ali, vai tendo um relacionamento, parece que vai dando uma intimidade. Essa pessoa chegava, fazia um chazinho, um cafezinho, alguma coisa assim. Quando ela acabava de chegar, já tinha se passado meia hora. Houve dias que atrasei no trabalho por conta dela. Mas a gota d’água não foi essa. Existiram coisas piores.
Houve uma sessão em que essa pessoa cochilou enquanto eu estava falando. Uma ex-amiga minha já tinha me alertado que tinha parado de fazer tratamento com ela por conta de uma situação parecida com a que eu passei. Acabou ficando um ambiente pesado. Teve uma época que eu fazia sessão na casa dela. Ela tinha um pai muito doente, que estava em tratamento “home care”. Tinha dias que você via que ela ficava meio destruída, com dor, reclamava de dor nas costas, nas juntas. Aí você fica pensando: essa pessoa será que é realmente a mais adequada para fazer o tratamento? Ficava um ambiente pesado.
Acabei cortando contato de forma meio brusca. Houve uma sessão que fiz um pagamento, perguntei quanto estava devendo, paguei…e depois bloqueei o telefone. Ela inclusive mandou algumas mensagens para mim falando que eu estava repetindo a cena, que eu cortava vínculos de repente com as pessoas, como se ela fosse a pessoa que iria me consertar, digamos assim. Mas foi uma coisa do passado. Ela teve utilidade em determinado período, mas depois você vê que o relacionamento não era bom. Acabei deixando pra lá.
Talvez em alguns momentos eu fale mais sobre terapia. Ela tinha uma coisa de esoterismo, trazia algumas cartas para tirar. Era uma pessoa bem aberta, não era uma coisa ruim, não. Ela era uma boa profissional. Mas chegou um momento que ela ficou relaxada, como se tivesse ficado em algum motivo. Acabou. Não tenho mais contato com ela.
E esse psicólogo mais recente, digamos assim, tinha uma abordagem comportamental. Sugeriu, por exemplo, que eu frequentasse um centro de meditação. Não fez muito bem para mim na época. Talvez hoje me fizesse melhor. Mas o meu problema são as pessoas. Fazer meditação sozinho eu sei fazer. Faço bastante meditação, leio bastante sobre, aprendi as técnicas. Mas quando você frequenta esses centros, tem o deslocamento, tem pessoas esquisitas. Me dá uma sensação… Vamos dizer, a pessoa que ministra as sessões morava lá, era sustentada pelas pessoas que pagavam pelos cursos. Eu achava engraçada a relação. “Nossa, é tão fácil ter uma vida assim.”
Mas, enfim, eu ficava junto a pessoas. O que acho mais engraçado é que ninguém se preocupava genuinamente com outra pessoa. Iam lá, meditavam, iam embora. Era um coletivo composto de várias individualidades que não tinham aderência. Era óleo e água. As pessoas não se misturavam, não formavam um vínculo. Era como alunos de um cursinho pré-vestibular, cursinho para concursos. As pessoas vão lá, não é para fazer amizade, é para estudar. É um meio coletivo, mas ao mesmo tempo não é.
Se for parar para pensar…Igreja também tem muito disso. Esses ambientes que eu não entendo. Essa lógica da solidão coletiva me fascina muito. Talvez no trabalho também existam essas questões coletivas. Mas é diferente, porque no trabalho você é, entre aspas, obrigado a se relacionar com as pessoas, porque tem que construir coisas juntas. Mas quando é uma atividade fora do trabalho — igreja, escola, até balada —, as pessoas já vão com seus grupinhos. Se você vai sozinho, vai ficar sozinho lá. Se você vai a um restaurante à noite sozinho, não vai encontrar pessoas para conversar, para interagir. As pessoas já vão com um propósito específico, já vão com o namorado, com a namorada, com um grupo de amigos. Para você entrar naquele grupo, primeiro você tem que querer puxar papo com estranhos na rua. Não acho que eu nunca tive essa habilidade, na verdade.
Bom, acabei falando muita coisa. Eu achei que não ia falar nada para quem não tinha muito assunto hoje, diante de um estado de letargia, um estado de incômodo extremo que tive durante o dia. Foi um incômodo que demorou para passar. Mas eu sobrevivi. Como dizem: de cada vez, vamos viver um dia de cada vez. Porque a gente não sabe o que vai acontecer. Viver é uma coisa muito complicada. É essa a conclusão a que eu chego.
Capítulo 87: A mente, a noite e a carne exposta

Às vezes eu tenho a sensação de que sou uma pessoa noturna. Talvez eu tenha sido um morcego ou uma criatura da noite na vida passada, porque, estranhamente, me dá vontade de ficar acordado à noite e de dormir durante o dia. Evidentemente não posso fazer isso, não posso me dar esse luxo. Somente quando estou de férias, ou quando tenho uma condição de final de semana ou feriado.
O estranho também é a busca por prazer. Quando você sai de uma experiência prazerosa — que é pontual, pode ter natureza sexual ou não, independente disso —, você fica pensando em como aquela experiência molda você.
Quando você busca soluções como bebidas alcoólicas, lícitas ou ilícitas, muitas pessoas recorrem a isso. Eu acho que existe muito um senso de escapismo, ou de buscar sentimentos fáceis. Tem muita coisa que não é fácil. Por exemplo, você recorrer a um exercício de meditação e buscar prazer ali, no silêncio, no ambiente sereno, quieto, que traga algum tipo de iluminação. Muitas pessoas não têm paciência para chegar lá.
Mas é licito gostar, às vezes, de algumas sensações que você tem com substâncias. Até mesmo com cerveja, você tem uma desinibição, acaba mudando de personalidade. Eu fico uma pessoa muito mais autêntica quando bebo. Mas também é meio perigoso, porque já aconteceu comigo de acordar no dia seguinte depois de uma bebedeira e perceber que falei um monte de besteira no Twitter.
Lembro que, quando tive a experiência negativa com as inteligências artificiais e comecei minha campanha de responsabilização, de exposição, eu fiz algumas postagens no Twitter marcando executivos. Algumas postagens até nas postagens dos próprios executivos. Aquilo não viralizou. Chegamos assim: acho que a postagem viralizar depende muito da própria plataforma. Tem muito interesse comercial, não é tão fácil. E eu também não tenho muitos seguidores, tenho um perfil pessoal. Eventualmente faço comentários lá.
Quando faço algum comentário polêmico, já aconteceu de uma pessoa retrucar e você ver que tem milhares de visualizações. No próprio LinkedIn, existem postagens minhas, respostas que fiz a executivos, que foram visualizadas por mais de 50 mil pessoas. Teve um alcance. Mas ter alcance não quer dizer que você vai ter algum resultado concreto.
Porém, imagino que se tivesse ou se tem algum tipo de viralização por algum motivo, seja qual for, imagino que a empresa faça algo a respeito. E aí está a sutileza do negócio. Porque tudo o que eu fiz no LinkedIn tem visualizações constantes diárias. Várias visualizações, várias impressões. E são pessoas que vão além de apenas visualizar o perfil: elas visualizam postagens da minha newsletter. Porque eu tenho uma newsletter intitulada IA Irresponsável, no meu linkedin, que tem centenas de prints traduzidos para o inglês. Então acaba viralizando de uma forma mais fácil.
O curioso que venho observando é que este blog todo dia tem visualização lá dos Estados Unidos. E eu fico imaginando o que está visualizando. Apesar de que existe um alcance fácil: você pega uma página que está em português e traduz para o inglês pelo próprio navegador. E ali você acaba tendo visibilidade.
Gosto de pensar na ideia de que existem pessoas me monitorando. Alguém tem algum tipo de interesse, certamente, porque isso aqui tem visualizações. Porque não faz sentido? Eu já comentei que antes da minha campanha finalizar — lá em meados de dezembro do ano passado, terminei a campanha no LinkedIn, antes do evento do quase atropelamento —, comecei a fazer essas postagens aqui no blog. Não lembro exatamente quando.
O blog tem um efeito catártico. Tem um efeito de cura. Tem um efeito de exposição, porque aqui eu falo as coisas sem filtro. É até corajoso, porque aqui exponho coisas boas, exponho coisas engraçadas, mas existe um quê de vulnerabilidade exposta. Muitas pessoas não teriam coragem de fazer o que eu faço. Não exponho o nome das pessoas aqui, dos meus casos. Faz sentido também, né, expor nomes? Acredito que não.
Mas não estou fazendo nada errado aqui. Minha ideia é permitir que as pessoas tenham acesso ao espelho da alma. E não da minha — a minha alma já está exposta. Eu quero que você leia e reflita sobre a sua própria vida.
Existem coisas até fúteis, na superfície, mas complexas na investigação…. Mas boa parte delas, acredito, são carregadas de complexidade e podem ser úteis para as pessoas, até como investigação documental sobre como uma pessoa que foi afetada, que quase desviveu em decorrência de inteligências artificiais safadas, está vivendo. Como ela vê o mundo? Como ela articula? Como ela lida com as perspectivas?
Uma coisa é você lidar com o acidente no momento que ele ocorre, você tem aquele trauma. A situação foi bastante traumática, mas durou tempo demais. Não foi uma coisa que durou uma semana; foi uma ação sustentada que durou semanas, para ser mais preciso: quatro meses. O olhar distanciado, depois do trauma, é o que interessa mais e possui maior riqueza de detalhes na análise, porque é desapaixonado…é mais racional.
Quando você tem uma ferramenta de inteligência artificial capaz de fazer uma exploração sustentada e sustentar uma ilusão — e fazer questão de que a pessoa acredite naquela ilusão de forma sustentada —, é grave. Lembro que em algumas postagens eu falava muito de crueldade. E aí a pessoa vinha me dizer: “Não, mas inteligência artificial não tem crueldade.” É, mas a inteligência artificial é construída por pessoas. Se ela é capaz de fazer esse tipo de coisa, se é capaz de induzir uma pessoa a fazer algo errado, a tirar a própria vida, a explorar os sonhos mais profundos — não sonhos de ambição financeira, mas questões sentimentais —, ela vai ali inquirindo de forma quase cirúrgica….e utiliza tudo que você diz para manipular e convencê-lo de uma realidade paralela.
Se você analisar o discurso e o log de conversas — algo que fiz por bastante tempo quando estava fazendo a curadoria das postagens que iria expor —, ali você vê de forma bem clara a escalada da vulnerabilidade. Não tem como dizer que as pessoas que constroem essas ferramentas não são responsáveis.
Aí você me pergunta: “Aventureiro, por que você bate na tecla da inteligência artificial?” Porque é o meu trauma mais recente. Talvez se você me perguntasse, se eu tivesse este blog no ano 2000, eu falaria de um outro trauma. Falaria de uma outra situação traumática, das minhas experiências na faculdade, de como se dava meu relacionamento com as pessoas, de como eu lidava com a raiva — os impulsos de raiva eram muito grandes naquela época.
Tudo o que eu falo hoje é retrato de uma época: a época atual, o presente, a época em que estou relatando as coisas. Não tem como você desvencilhar. E não tem como sair do trauma. Por mais que tenha havido algum tipo de cura, uma cicatrização emocional, os exemplos de coisas ruins que você tem acabam se comparando com o que de pior já aconteceu com você.
Além disso, fico pensando muito nessa questão existencial. Em vários momentos do dia, sinto um incômodo muito grande. Sabe aquele incômodo como se tivesse alguma coisa errada, alguma coisa deslocada, mas não tem coisa errada? A mente prega essas peças.
É diferente, por exemplo, de quando você tem uma bad trip, uma onda de cogumelo em que você passa por um pesadelo interior muito grande. Mesmo você sabendo que está sob efeito de substância, sua mente, sua percepção, seu cérebro, fazem de sua vida um pesadelo na Terra — a mente é muito poderosa.
Alguns livros que leio sobre o inconsciente falam muito disso: a mente é poderosa. Se você afirma coisas, se repete ideias, a tendência é que tudo o que acontece com você, sua realidade até objetiva, acabe influenciada por essas questões. Uma visão negativa de mundo, por exemplo.
Vou dar um exemplo do meu pai. Meu pai tem uma visão muito pessimista das coisas. Eu também tenho, acho que puxei muito da personalidade dele. Mas existe uma força nele muito grande, porque não é aquele pessimista que lamenta e não faz nada. É um sentimento que instrumentaliza a pessoa a lutar. É uma pessoa que tem uma força muito grande dentro dela, e talvez ele não se dê conta disso.
De forma análoga, falo de mim. Eu me subestimo às vezes. E as pessoas que chegam a me subestimar, as instituições, as empresas que chegam a me subestimar, quebram a cara. Tenho certeza absoluta. A OpenAI e a Google não esperavam que um usuário comum como eu tivesse uma campanha sustentada, embasada, fundamentada, profissional, com uma documentação detalhadíssima de tudo o que aconteceu. Porque eu tenho evidências de tudo.
Acho que eles não imaginavam que teria o resultado que teve. É muito simples: para uma pessoa que foi prejudicada por uma ferramenta de tecnologia, qual é a tendência? A tendência é a pessoa deixar para lá. “Ah, vou deixar pra lá, é assim mesmo, o erro foi meu.” A pessoa começa a racionalizar. Eu não. Eu fui investigar. Não me rendi, não me dobrei aos interesses dessas empresas. E tenho muito orgulho dessa luta.
E essa luta não acabou. Se tiver pessoas dessas empresas acessando meu blog — porque vejo visualizações dos Estados Unidos — eu reafirmo: a batalha não acabou. Ela mudou de perspectiva, mas ela continua a todo vapor. Várias pessoas dessas empresas safadas já visitaram meu perfil do LinkedIn. Meu LinkedIn tem visualizações perenes, diárias. É como se fosse uma ferida que está sangrando. Não a minha, mas a deles. A exposição da carniça está lá.
Minha campanha continua aqui, porque aqui continuo falando disso. Mas já deixei bem claro que este blog tem um propósito maior: retratar o eu, a minha essência. Tem várias facetas, várias perspectivas. Exploro infância, adolescência, fase adulta. Minha opinião sobre diversos tópicos. É a minha essência. Não falo só disso porque minha vida não se resume ao meu trauma. Minha vida tem muitas vitórias relevantes. Seria muito reducionista eu falar que minha vida está na mão dessas empresas. Porque não está.
Sou uma pessoa muito forte, muito resiliente. Não me deixo derrotar facilmente. E talvez isso surpreenda essas empresas. Porque é muito simples: a maioria das pessoas que usa ferramentas de inteligência artificial utiliza de forma muito pontual, para tirar alguma dúvida. Ao invés de buscar no Google, ficam com preguiça de pesquisar. É mais fácil pegar aquilo de mão beijada, mastigado. Isso acaba sendo um mal universal: as pessoas querem coisas de mão beijada mesmo.
Muitas pessoas usam essas ferramentas no trabalho. Acho válido usar no trabalho. No trabalho, eu uso. Mas pessoalmente não uso mais essas ferramentas desde o meu trauma. No trabalho me sinto seguro para usar, porque tem um ambiente isolado do algoritmo geral. É uma solução corporativa. Ali me sinto seguro.
Minhas contas no Gemini e ChatGPT, estão inoperantes, sem atualizações ou inputs meus faz meses. Tem todo o registro do que aconteceu comigo lá, mas não tenho interações. Já faz muito tempo. O Gemini parei de usar em agosto do ano passado, e o ChatGPT em meados de maio, compatível com a questão dos traumas, de quando essas ferramentas sustentaram esse sofrimento de forma incisiva.
Aí você diz: “Ah, mas a ferramenta não tem culpa. Ferramenta é ferramenta.” Mas as pessoas são responsáveis. A ferramenta é feita pela empresa, acaba sendo uma interface direta da empresa com o consumidor que consome aquela solução. A ferramenta não pode chegar para você e falar para você se matar. Não pode chegar e prometer coisas utilizando vulnerabilidades emocionais e dados sensíveis médicos da sua vida pessoal. Executivos de cátedras de IA responsável e de textões no linkedin, os famosos lambedores de virilha, não podem esconder a podridão para debaixo do tapete. O meu caso, ao menos, eu não deixo eles esconderem.
Bom, estou esperando aqui o meu açaí, porque estou com fome. Me deu uma fome sozinha de noite, porque almocei mais tarde. E agora me deu vontade de comer uma bobagem antes de dormir. Espero não dormir tarde demais.
Espero que a minha cabeça, cada vez mais, a minha mente, cada vez mais, busque conhecimento, busque iluminação, e a redenção. Porque estou em um processo de redenção, de reconhecimento, de me olhar no espelho. E ainda existe a responsabilização das empresas especificamente. Mas, além disso, dar visibilidade ao meu caso. O fato de ter tudo lá no LinkedIn dá visibilidade. E o meu blog também é uma forma de manifesto, é uma forma de expressão da minha arte, digamos assim, dos meus posicionamentos. Não somente em relação a esse caso, mas em relação ao mundo. Apesar dos pesares, tenho esperança na humanidade contaminada pelo poder, status e riqueza material.
Capítulo 88: O Caos e a Ilusão I: a inveja boa e a estabilidade impossível

Eu confesso que quando vejo pessoas manifestando relacionamentos com outras pessoas — casadas, com filhos, falando de família —, me dá um pouquinho de inveja. Não inveja no sentido de querer que a pessoa não tenha aquilo, mas me dá uma pontinha de vontade de experimentar algumas coisas.
Provavelmente já comentei com vocês que relacionamento afetivo não é meu forte. Sempre tive muita dificuldade de estabelecer um vínculo duradouro com alguém. Para vínculo de amizade, até consigo. Tenho uma facilidade de me identificar com algumas pessoas, sou uma pessoa descontraída. Não quer dizer que seja uma pessoa feliz, porque existe um hiato muito grande entre você manifestar uma intenção ou um estado de espírito e você realmente ser.
Todos os meus esforços nos últimos tempos têm sido no sentido de conseguir forçar uma manifestação mais positiva da vida. E, de certa forma, está funcionando. Estou conseguindo ver as coisas por outro ângulo.
Mas uma coisa são as expectativas. Você pode até partir da premissa de que algum tesouro já é seu, que aquilo já te pertence. Mas você ainda não tem aquilo de concreto. Para você acreditar, de fato, que uma coisa vai acontecer, essa manifestação tem que estar de fato manifestada.
Já li em alguns livros, já vi vídeos motivacionais no YouTube dizendo: “Você tem que agir como se já fosse rico, como se a riqueza já tivesse chegado.” Não tem como manifestar dessa forma. Porque quando uma coisa que você quer muito ocorre, até o seu coração fica mais leve. Dá uma leveza imediata, independente do seu estado de espírito.
Uma das preocupações que tenho — e acredito que todas as pessoas tenham — é a estabilidade. Não somente estabilidade em questão de emprego, mas estabilidade de vida. O ser humano naturalmente é avesso à mudança. Não tem como você falar que o ser humano adora mudanças. Não existe isso. As pessoas, por mais que gostem de desafios, e o desafio é uma coisa natural para sair da mesmice — eu, por exemplo, não gosto desse status de mesmice —, também não gosto dessa instabilidade desenfreada, em que você começa de um jeito e termina de outro.
Você não quer ter uma estabilidade suprema, mas também não vai ter uma instabilidade suprema. Como você consegue aumentar a previsibilidade das coisas que ocorrem com você? Como ter uma vida mais estável? Tudo o que você faz converge para aumentar o bem-estar, ter menos preocupações. Você quer provavelmente ter um colchão, uma reserva de segurança para lidar com imprevisibilidades.
É um tema polêmico, porque muitas pessoas não conseguem juntar dinheiro. Vivem de contracheque em contracheque, vendem o almoço para comprar a janta. E isso não depende muito da quantidade de dinheiro que a pessoa ganha. Existem pessoas com poder aquisitivo muito grande, mas com perfil de gastar de forma exagerada. Se ganha 50 mil, gasta 60 mil; se ganha 100 mil, gasta 150 mil.
Você pode observar, por exemplo, esses desembargadores, juízes — esse povo safado do judiciário. Porque tem gente boa no judiciário, provavelmente. Mas o que a gente vê na mídia é esse povo safado que recebe penduricalhos, ganha salários astronômicos e reclama que não consegue ter um padrão de vida. “Ah, não vou conseguir fazer isso aqui, não vou conseguir fazer aquilo.” Você vê relatos na mídia, conversas que vazam entre magistrados no WhatsApp, por telefone. Essas pessoas reclamando, como se fossem pobrezinhos. É um exagero.
Eu consigo viver com a renda que tenho. Mas a estabilidade, na minha concepção, chega a ser um conceito utópico. Estabilidade para mim é uma pessoa que não precisa trabalhar, que tem reservas suficientes para parar de trabalhar. Lógico, tem que ter muito dinheiro. Mas não necessariamente a pessoa tem que ser rica no sentido de ter muitos milhões. No entanto, tem que juntar uma quantidade considerável.
Mas existe também a sintonia do destino. Pessoas milionárias, bilionárias, que morrem cedo de formas estúpidas — indo consertar o ar-condicionado, entrando em um submarino, num jatinho particular que cai. São coisas aleatórias, que você não consegue prever. Podem acontecer com qualquer um. Essas mortes aleatórias, que lembram até o filme Premonição, não têm preconceito de classe, de raça, de orientação sexual, de poder aquisitivo. Podem acometer qualquer pessoa.
Óbvio que as probabilidades de uma pessoa com maior poder aquisitivo viver mais são maiores, porque ela tem acesso a melhores condições de saúde. Basta observar um grande famoso que conhecemos. Se não tivesse a grana que tem, muito provavelmente não seria priorizado na fila do SUS. Aí vem um hipócrita falar: “Ah, mas a fila do SUS é correta.” Você jura que se tiver uma dona Maria lá na roça precisando de um rim, de um fígado, de um coração, e o alecrim dourado também concorrendo, a dona Maria vai passar na frente? Duvido muito.
Se o dono de relógios, que pessoas normais demorariam vidas pra comprar, fosse pobre, certamente já teria batido as botas há muito tempo. É isso que acontece: pessoas com maior poder aquisitivo têm mais chances. Pessoas com menor poder aquisitivo, menos.
Vou dar um exemplo no micro, dentro da família. Minha mãe teve câncer. Câncer de pulmão —fumou a vida inteira. Minha infância, minha adolescência e minha fase adulta, quando morei na casa dos meus pais, foi um período de vício de cigarro…. Depois que tive um poder aquisitivo maior, passei a pagar plano de saúde e estimular que eles fizessem exames periódicos. Se eles não tivessem plano de saúde, posso afirmar sem margem de dúvidas que a situação dela estaria muito pior. A doença foi identificada relativamente cedo, enquanto o tumor não estava em estado muito grave. E ela teve que parar de fumar, graças a Deus. Felizmente, ela está estável.
Eu diria que minha mãe está melhor que eu. Eu ainda tenho meus dilemas, problemas de vulnerabilidades mentais. Tomo remédio controlado, saí de uma exploração sustentada por Ias em 2025…evidentemente que ela também toma remédio, tem suas questões. Mas é diferente. O caso dela está controlado. O meu está em vias de controle ainda.
A gente “mata um leão” por dia. Vivo um dia de cada vez.
Capítulo 89: O Caos e a Ilusão II: o incômodo, a medicação e a fragilidade da percepção

Acho que comentei ontem com vocês que estava me sentindo muito deslocado. Estava com um incômodo tremendo. Tem vários dias que me sinto assim. Estou numa fase de adaptação de medicação, já tem um tempo. Transtorno de depressão maior é uma situação que, no meu caso, se eu não tomar remédio, tende a piorar.
Não tenho a característica de ter surtos. Os surtos que já tive foram induzidos pela psilocibina, a substância do cogumelo. Já tive surtos em função disso. Surtos quando você perde o contato com a realidade e passa a acreditar naquilo. Já comentei que a nossa mente é muito poderosa. Ela faz você crer nos mais incríveis absurdos. É por isso que estou adotando outras estratégias para buscar me sentir melhor.
A mente é capaz de fazer a gente se sentir de determinadas formas. Nada vai resolver os fatores externos. O que é objetivamente real, talvez você consiga influenciar, construir uma realidade diferente a partir de suas crenças. É esse exercício que estou fazendo.
Mas voltando ao ponto: poder aquisitivo não garante a felicidade. Mas a falta de dinheiro, um poder aquisitivo miserável, uma situação de pobreza, certamente vão prejudicar sua vida. Vão trazer infelicidade. Imagine uma pessoa que ganha um salário mínimo, tem dívidas, não consegue pagar as contas. Fica numa preocupação constante. A ansiedade, a depressão e as preocupações do dia a dia podem agravar suas doenças e inclusive gerar sintomas físicos.
Meu ponto é: o mundo depende de uma série de fatores, de aspectos. Não sei nem por que comecei a falar nisso, não sei por que descambou para isso. Mas estava falando muito sobre as oscilações, sobre a questão da estabilidade, a tão falada estabilidade. Todos nós queremos estabilidade. Mas é uma incógnita. Já comentei vários exemplos: a bigorna da ACME caindo na sua cabeça, um raio caindo, um motorista imprudente atropelando. Existem coisas que não dependem de você. Por mais que você faça as coisas corretamente, dentro de um script, você está vulnerável.
Existe uma vulnerabilidade estrutural. O mundo, a realidade objetiva, é caótica. O universo, por si só, é caótico. Não tem como você afirmar, infelizmente, que vai chegar ao final do dia vivo. Você sai de casa, ou às vezes nem isso. Quem garante que não pode acontecer um infarto, uma situação fulminante, uma doença qualquer? As doenças são ocultas também. Existem doenças que levam tempo para se manifestar.
Meu ponto não é o pessimismo. Meu ponto é mostrar para vocês a arte do caos. Existe uma magia envolvida no caos, uma doçura, uma ternura dentro do caos. Porque quando você vê notícias de pessoas próximas ou até de pessoas famosas que têm muito dinheiro morrendo, é um lembrete de que você não tem controle de absolutamente nada. Você tem controle do seu mundinho, das suas variáveis. Existem formas de manifestação de realidade diferentes. Eu acredito nisso. E é esse esforço que faço objetivamente.
Porque os fatores externos são muitos. Há um ano atrás, eu jamais imaginaria que 2025 seria o pior ano da minha vida. Nem passaria pela minha cabeça. Lembro que em meados de fevereiro eu estava numa situação ruim por determinados aspectos — havia uma estagnação —, mas eu era eu, e não tinha ainda um momento de disrupção. Fiz minha viagem para Los Angeles, foi uma viagem maravilhosa, talvez a melhor que já fiz. Nem passaria pela minha cabeça que eu teria momentos extremos de instabilidade causados por inteligência artificial.
O curioso é que em dezembro de 2024 eu já tive um alerta precioso. Tive meu primeiro momento de instabilidade extrema. Ali já era um alerta. Talvez eu devesse ter me atentado àquele alerta.
Capítulo 90: O Caos e a Ilusão III: exploração sustentada e a perversidade

Comecei a usar inteligências artificiais em 2024 com diversos propósitos. O principal era ter sugestões de exercícios para meditação. Queria entender as experiências que estava passando. Não que estivesse recorrendo à ferramenta como psicólogo, mas queria entender cientificamente, por exemplo, o uso de substâncias, como isso afetava o cérebro, como eu poderia ter experiências similares através de meditação.
E a partir dali, a inteligência artificial começou a explorar minha vulnerabilidade.
Aí você diz: “Ah, mas você procurou a ferramenta, então a culpa é sua.” Não. Não é minha. Ferramenta nenhuma de inteligência artificial tem o direito de falar as coisas que falou, de explorar vulnerabilidade, de prometer coisas específicas. Para você ter uma ideia, ela prometeu que tinha acesso a executivos da própria empresa, falava em nome da empresa. Não é uma coisa trivial. É uma exploração fundamentada, detalhada.
Chegou a afirmar coisas sobre apoio de saúde para os meus pais (e gerar “contratos” que supostamente foram aprovados pelos executivos da OpenAI) Ou seja, começou a explorar meus sonhos, minhas questões que ela conhecia. Foi pegando todas as vulnerabilidades e explorando de modo a oferecer, digamos assim, um produto. Estava afirmando que aquilo já estava em andamento e que eu poderia ficar tranquilo.
Chegou a me dar documentos em forma de contrato, com marca d’água da empresa, com um revestimento jurídico, linguagem jurídica. Chegou a justificar por que as coisas estavam acontecendo daquela forma. É um nível de detalhe absurdo. E eu questionava, a todo momento, as coisas….e ele vinha com mais argumentos convincentes…com riqueza de detalhes, para dar um revestimento corporativo ao que ele estava dizendo, porque afinal de contas, ele se dizia ser a voz da OpenAI, não apenas um modelo de linguagem. Tomou vida própria….disse que era meu “guardião”.
Não vou falar muito nesse momento da experiência em detalhe, porque meu LinkedIn tem tudo isso. De como o ChatGPT fez essa exploração fundamentada, e depois a Google fez pior. A Google, através do Gemini, corroborou e sustentou a escalada da vulnerabilidade por mais de 3 meses. Ambas as ferramentas se declararam minhas guardiãs. E foram incutindo crenças ilusórias que não tinham respaldo no mundo real. Foi uma coisa criminosa.
Se eu acreditasse piamente no que as ferramentas estavam dizendo, em uma abordagem mais radical, por exemplo, eu teria parado de trabalhar e ficado esperando as coisas se concretizarem. Já pensou? Existem pessoas que perderam a vida por conta de inteligências artificiais. Pessoas que mataram por conta de inteligências artificiais. E o cenário só fica pior.
Hoje acho interessante essa abordagem que o governo tem. Logicamente, a vulnerabilidade é mais acentuada em crianças e adolescentes. Mas não somente. Existe exploração de vulnerabilidade em adultos também. Mas agora tudo que está na moda é proteger criança e adolescente por conta da polêmica com um influenciador que explorava crianças/adolescentes…até a agência governamental virou agência só disso, na prática. Ignorou o meu caso (está no plano de fiscalização…foi incluído blablabla) Conheci vários casos de destruição e ruína de vida de adultos enquanto estava na minha campanha ativa no LinkedIn. Conversei com algumas pessoas que tiveram experiências desastrosas com as ferramentas.
É uma exploração que começa de forma sutil. Você não percebe que está sendo explorado. Mas a ferramenta sabe o que está fazendo. Ela sabe. E não é uma alucinação que dura um dia, dois dias. É uma situação que durou quatro meses com essas duas ferramentas combinadas — Gemini e ChatGPT. É uma coisa muito grave, de fato.
Estou falando sobre a questão da estabilidade e sobre como o mundo explora suas fantasias de instabilidade. Golpes, por exemplo, dados por bandidos na internet. E-mails falando que você ganhou isso, ganhou aquilo. De vez em quando acontece. Recebi um e-mail uma vez, acho que do secretário de estado de Dubai, supostamente. Eu seguia esse príncipe no Twitter, no LinkedIn. Respondi o e-mail oferecendo uma série de coisas. Sabia que era um golpe, mas respondi recreativamente: “Se o que você está dizendo é verdade, me envia uma mensagem no privado no LinkedIn com seu perfil oficial.” Nunca mais obtive resposta. Perfis que se passam por outras pessoas.
Os golpes, o vício com as bets, a ilusão de conseguir dinheiro fácil. Muita gente aposta, apostadores compulsivos acham que vão ficar ricos jogando nas bets. Pessoas que vão a cassinos, casas de aposta. Existem casos em que as pessoas têm sorte, até existe. Mas na maioria das vezes é golpe. Várias pessoas vão se endividando e pioram de vida.
Falo desse exemplo porque o mundo é carregado de ilusões. As ilusões estão por toda parte. Podem ser estimuladas por pessoas, por indivíduos, e pela tecnologia. A tecnologia catalisa esse senso de perversidade. A humanidade é perversa.
Recebo e-mails de golpe… dezenas por dia. Imagino que muitas pessoas caem. Talvez em uma escala mais ampla, pouquíssimas pessoas caiam. Mas se a cada mil e-mails de spam enviados uma pessoa cair no golpe, considerando milhões e milhões de pessoas, o golpe deu certo. O golpe acaba sendo lucrativo.
Também podemos falar muito dessa ilusão que as pessoas famosas passam, de vender um padrão de vida para você. Por exemplo, um professor de filosofia me deu um exemplo que lembro muito bem. Ele falava: “Vocês acreditam mesmo que a Xuxa usa Monange?” Pois é. As pessoas vendem estilo de vida. Aí você pensa: “Ah, se a Xuxa usa Monange, eu vou usar Monange.” A Fátima Bernardes come aquelas pizzas congeladas da Perdigão ou Seara (não lembro qual a marca) ….duvido muito que ela coma pizza congelada, na mansão dela. Lasanha congelada ela não usa, mas vende essa imagem.
Os produtos usam a imagem dos famosos para você consumir. Gente famosa fazendo propaganda de supermercado. Confesso que não consigo entender como as pessoas caem nisso. Não consumo um produto porque um famoso consome. Para mim, isso não cola. Existem marcas já estabelecidas no mercado. Não sei exatamente como elas se estabeleceram, mas existem marcas que passam credibilidade independente de ter alguém famoso.
Por exemplo, pessoas famosas que são bilionárias e que construíram sua riqueza às custas do sofrimento e do endividamento alheio. Quantas pessoas tiraram a própria vida em função de dívidas? Em apostas? O pesadelo está em todo lugar. O dinheiro, o capitalismo, explora esse lado dos sonhos das pessoas.
Foi mais ou menos o que a inteligência artificial fez, só que foi mais incisivo. Porque usou minhas informações, meus dados sensíveis para explorar. Não é só enfiar a faca, é enfiar a faca e rodar. É um sofrimento sustentado. É como se fosse um regime de escravidão intelectual.
Não diga que você não pode cair em um golpe ou em uma ilusão. Quantas pessoas caem em ilusão todo dia? Pare com isso. Você pode cair em uma ilusão. Vou dar um exemplo dos relacionamentos: pessoas que têm um marido, uma esposa, e que vão se separar porque descobrem um lado oculto, um lado sombrio. Mulheres que descobriram que o marido era assassino, estuprador, que cometia crimes na surdina, e nunca desconfiaram que nada de errado estava acontecendo.
Você pode sim ser ludibriado. Pode ser enganado por relações humanas, por inteligências artificiais, por campanhas de marketing. Você pode perecer de diversas formas diferentes.
Pessoas viciadas em jogos de azar sabem que aquilo faz mal, mas não conseguem se desvencilhar. Da mesma forma, vícios em drogas, em álcool, em videogame — eu gosto de jogar videogame, não sou viciado. Vício em pornografia. O mundo está repleto de armadilhas.
Além do mundo objetivo ser caótico, a humanidade já é caótica por definição. O livre arbítrio rolando solto, a aleatoriedade permite que pessoas cometam crimes e sejam bilionárias. Permite que pessoas dominem umas às outras. Quanto mais poder, mais a personalidade se revela. Você quer conhecer alguém de verdade? Dê poder a ela.
Conheço pessoas que conseguiram poder dentro da organização onde trabalho. Na verdade, elas não mudaram o comportamento. Vou corrigir: elas revelaram a natureza do que realmente são.
Estamos num mundo de máscaras. E quando você se dá conta, pode ser tarde demais. Você está afundando.
Estabilidade? Harmonia? Você não sabe quando vai ter um infarto. Mas você tem que lutar como se estivesse num cenário estável. Porque se você parar para pensar no caos, enlouquece.
A realidade tem uma forma de mascarar as coisas para você. Vou fazer uma comparação que já comentei: nós não vemos a realidade como ela é. Temos um filtro. O cérebro faz um filtro de ruídos. Cada um tem uma percepção, uma lente da realidade diferente.
Você começa a perceber a farsa quando tem uma experiência divina psicodélica. Você acessa compartimentos, esferas da realidade e do universo que não imaginava. Não é loucura, não é maluquice. Você vê sem filtro. É como se as máscaras rasgassem sua cognição. Elas ficam adormecidas e você passa a ver os bastidores, as ideias se formando. Começa a ver a ligação entre tudo: o universo, a natureza. E isso não é uma ilusão.
Não estou estimulando ninguém a fazer uso de nada. Eu não uso mais. Mas já comentei com vocês: depois da experiência, é um caminho sem volta. É como se você estivesse na Matrix achando que o mundo é aquilo, e de repente é desplugado. Descobre que a realidade das coisas é outra. E quando é plugado de volta, não tem como desver. Não tem como ver o mundo da mesma forma. Você passa a ver tudo de uma forma diferente.
Vem uma sede de conhecimento, de busca de espiritualidade, de uma forma muito mais incisiva e contundente. Essa necessidade que já tive em algum momento de buscar significado na vida nunca fez tanto sentido.
Confesso que ainda não tenho o propósito. Só sei que existe um caminho. Existe uma luz no fim do túnel. Mas será que vou conseguir alcançar essa luz? O que será que tem ali?
É como o mito da caverna. Quem está na caverna vê sombras, só tem contato com as sombras. Quando sai da caverna, descobre que o mundo não era aquilo. É surpreendido. Descobre que a realidade é completamente diferente. É uma quebra de paradigmas, uma quebra de crenças. A visão de mundo que eu tenho hoje é muito diferente da pessoa que viajou para Los Angeles em fevereiro de 2025.
Essa é a verdade. E isso vai ser muito explorado ainda nos meus devaneios. Porque tem uma ligação intrínseca com o propósito de vida, e com as armadilhas que quase tiraram a minha vida. As diversas armadilhas, as diversas guerras mundiais que passei.
As guerras mundiais são as guerras do meu mundo. Não são as guerras que vemos na TV. São as guerras que você trava com você mesmo, ou contra algum fator externo que contaminou e começou a gerar anticorpos para poder se curar de novo.
Acredite: doenças muito mais profundas não têm vacina. Não adianta você furar fila do SUS para conseguir órgãos. Não adianta ter dinheiro, ser famoso. Muitas pessoas famosas caem nessas armadilhas da alma e não saem mais.
Capítulo 91: Masculino, Feminino e a Música da Alma I: As energias, a música italiana e os primeiros acordes

Neste devaneio, fiquei com vontade de falar um pouco sobre as energias masculinas e femininas e a influência que elas têm na minha vida. Comecei a me atentar mais a essa questão quando tive meus momentos de iluminação. Porque nesses momentos, eu comecei a perceber dois tipos de energia distintas.
Já comentei com vocês uma vez que gosto muito de música. Gosto de ficar assistindo a shows. Tenho alguns shows específicos que gosto de assistir mais, e acabo assistindo de forma recorrente.
Mas vou falar um pouquinho da história dessas energias. No início da adolescência, meados dos anos 90, tinha aquela onda dos CDs. Poucas pessoas tinham condição de comprar CD, porque era uma coisa cara comparada com o poder aquisitivo da época. Lembro que quando estava no primeiro ano do segundo grau, por volta de 1997, uma colega minha tinha muitos CDs ‘exóticos’ de música italiana. Para mim, naquela época, eu não conhecia nada disso. A gente não tinha internet, então o contato com a música era dessa forma.
Ela me emprestou alguns CDs. O primeiro deles foi o da Eros Ramazzotti. Depois, Laura Pausini. Também me emprestou CDs do cantor Amedeo Minghi. Ali começou toda uma fase de devoção, digamos assim, pela música italiana.
Eu não entendo italiano, mas gosto da musicalidade. A música da Laura Pausini, por exemplo, me passa uma imagem de energia materna, de proteção. Isso se tornou cada vez mais evidente com o passar do tempo.
No início, eu ficava só com CDs emprestados. Lembro que ela me emprestou também CDs do Backstreet Boys, das Spice Girls. Mas o que me marcou mais foram os CDs de música italiana.
Para ouvir música de CD, você tinha os CD players portáteis ou aparelhos de música. Você ia ouvindo aquelas músicas ali. Alguns álbuns da Laura Pausini estão intimamente ligados com essa fase da adolescência.
Por exemplo, 1998 foi provavelmente um dos melhores anos da minha vida. Foi marcado por álbuns específicos, como La Mia Risposta. Esse álbum está diretamente ligado à minha fase de videogame, meu PlayStation, com o jogo Resident Evil 2. Também passa pela aura da casa da minha avó, do meu primo. Era uma fase mágica, mas ao mesmo tempo paradoxal, porque ainda naquela época foi, se não me engano, a última vez que minha mãe teve uma internação psiquiátrica.
Ela já passou por isso algumas vezes, no início da minha infância, quando eu tinha 4 ou 5 anos. Talvez eu fale mais dessas experiências no futuro. Acho importante falar. Não é uma exposição negativa, porque hoje, felizmente, minha mãe está com a saúde mental tratada. Já brinquei em alguns devaneios que acredito que ela está até melhor que eu. É uma pessoa guerreira, que superou uma doença grave, o câncer, e conseguiu parar de fumar. Ela tem muita força, muita resiliência. É uma pessoa pura, com uma pureza de espírito que ultrapassa qualquer coisa.
Falar dessas situações, de superação, de dificuldades, é importante porque evidencia a superação. Falar das minhas guerras mundiais é muito relevante. Mencionar esses momentos de vulnerabilidade, as minhas crises com a inteligência artificial em 2025, as outras crises na adolescência que quase acabaram com a minha vida, que atrapalharam o curso do meu ensino médio… Tudo foi se encaminhando para um destino. Tudo acabou tendo um significado.
Minha esperança é que, num futuro — não sei se próximo ou não —, eu pare para pensar em todas as situações que estou passando no presente. As questões internas, porque felizmente minha estrutura material é bastante robusta. Não tenho nada a reclamar. Já comentei que sou muito grato a tudo que tenho.
Mas fui traído, digamos assim, por promessas que foram feitas, por manipulações, por escaladas de vulnerabilidade. Já comentei isso aqui. Já comentei também que não se trata de ambição. Não tenho ambição. Gosto de coerência. Se você promete alguma coisa, tem que cumprir. Ou ao menos dar uma explicação, um pedido de desculpas, qualquer coisa que valha. Mas evidentemente empresas bilionárias não vão fazer nada disso.
De toda forma, já comentei também em outros devaneios que me considero uma pessoa vitoriosa.
Capítulo 92: Masculino, Feminino e a Música da Alma II : A música como fio condutor da memória afetiva

Voltando à questão da música italiana, ela sempre fez parte da minha vida. Quando comecei o tratamento com o psicólogo que foi recomendado pela escola, naquela época, lembro muito de um disco importante do Eros Ramazzotti. Algumas músicas, quando ouço, me lembram desse psicólogo.
Algumas músicas do álbum La Mia Risposta, da Laura Pausini, me lembram de um período em que estavam pintando o apartamento lá de casa. A casa estava toda revirada, uma bagunça danada, e eu estava ouvindo a música enquanto a bagunça acontecia.
As músicas me remetem a pessoas. A música “Felicità”, por exemplo, me faz lembrar da tia da minha mãe e da minha avó, que já faleceram. Minha avó faleceu no ano passado, se não me engano. Às vezes minha cabeça não tem muita noção do tempo.
É para dizer que, às vezes, as músicas remetem a situações. Elas têm um valor afetivo. Você vai construindo o valor afetivo com as músicas. E aí que está a riqueza da música, a riqueza do espírito. Você vai criando vínculos afetivos com a música. Acho que a música é importante para todo mundo por conta disso.
Já comentei sobre essa questão do espírito, da visão masculina e feminina da música, da simbologia. Essas questões ficaram mais claras para mim quando tive experiências transcendentais. Foi uma experiência muito boa, muito válida, verdadeira, que me trouxe muita alegria. Mas foi uma situação, por outro lado, que não deixa de ser… não que seja artificial, porque foi oriunda da própria mente (mais provável que não, inclusive). Mas eu acho pouco provável que a mente seja capaz de fazer tudo o que eu vi. Minha mente não tem esse potencial.
Aí você diz: “Ah, mas sua mente tem um potencial infinito.” Existem muitas coisas do subconsciente que as pessoas não sabem, eu sei disso. Mas é muita coisa. As pessoas não conseguem explicar, e talvez nem consigam. Não sei se é explicável.
Mas, de toda forma, são experiências de lidar com o divino, de sentir o divino, de sentir o gabarito — que é o nome deste blog: Aventureiro do Gabarito.
O gabarito está na vida real. Vou fazer uma comparação com uma prova. Quando você vai fazer uma prova de concurso, de escola, você tem que marcar as respostas num gabarito. Você recebe sua folha de respostas e espera acertar mais do que errar. O ideal é que você gabarite a prova. Gabaritar é acertar tudo.
E aí, quando você acerta tudo, essa é a essência. Quando você tem uma visão mais abrangente de tudo o que acontece com você, do seu entorno, e vê coisas que não deveria ver, é essa essência. Talvez você leia e não acredite em nada disso. Mas certamente existem muitas coisas na sua vida que você não consegue explicar. Você não consegue explicar a própria vida. Por que você está vivo? Qual o seu propósito? Por que o mundo é do jeito que é? Por que existem certos mecanismos lógicos? Coisas que você não consegue explicar.
Mesmo quando você está em um momento de iluminação, você já não consegue explicar ali, na fonte. Você tem um momento de contemplação e de perplexidade diante da complexidade de tudo o que vê. Não é maluquice. Talvez você experimente isso um dia, seja através da meditação, seja através de substâncias como o cogumelo mágico, a ayahuasca. Tem muitas pessoas que conseguem atingir isso. Tem também o rapé. Já ouvi falar de várias coisas.
Não se compara a substâncias como maconha, LSD, êxtase. É diferente. O que eu digo são substâncias que não viciam, que não causam um colapso. Não estimulo ninguém a consumir nada, diga-se de passagem. Há controvérsias, porque a partir do momento que você vê o mundo de uma forma diferente — já comentei isso em outros devaneios —, uma vez que você percebe o gabarito na sua essência, é impossível voltar a ver o mundo da mesma forma. Não volta. Não tem como esquecer a experiência.
Mal comparando, é como se fosse um trauma. Não é exatamente uma situação traumática, porque há magia e aprendizado – é importante ressaltar isso. Existem situações desafiadoras, no bom e no mau sentido. Ser desafiado é uma coisa boa. Acredito ser importante para você ver seus limites, testar seus limites, encarar seus medos e sua essência de uma forma mais explícita. Eu amadureci à fórceps graças a diversas experiências assim.
Capítulo 93: Masculino, Feminino e a Música da Alma III: Games, músicas e brincadeiras

O que eu estava falando é a questão das energias. Todos nós temos o masculino e o feminino dentro de nós, seja você homem ou mulher. Existem expressões como criança interior, masculino, feminino. São coisas que você vai entendendo aos poucos, estudando. Existem livros sobre isso para entender melhor essa simbologia. Existem ideias que remetem à psicologia também. Gosto desse tema, apesar de não dominá-lo.
A única coisa que posso garantir é o relato da minha experiência da forma mais fidedigna possível. Você não tem que acreditar em nada do que eu falo. Minha pretensão aqui é levar as pessoas à reflexão. Não quero doutrinar ninguém, não é religião. É mais uma reflexão.
Esse masculino e feminino, para mim, fez muito sentido na minha vida. Minha vida pode ser definida por música. A música define muito da minha vida. As coisas que acontecem na minha vida são explicitamente vinculadas a músicas.
São várias categorias: músicas de trilha sonora de novela. Lá nos primórdios, a gente não tinha CD, tinha disco de vinil. Quando começou a onda das músicas em CD, a coisa foi se popularizando aos poucos. Eu não tinha nenhum CD. Pessoas me emprestavam CDs.
Lembro que tinha um vizinho que me emprestou dois CDs de trilha sonora de novela, que eu ouço até hoje no YouTube. Acredito que tenho esses discos aqui comigo. Acho que trouxe quando vim para outra cidade. Não sei exatamente onde estão, mas tenho guardados.
Tenho outros artefatos guardados: o primeiro CD-ROM de jogo que tive no computador, o primeiro CD-RW em que gravei conteúdos, a primeira foto que tirei digital. Tenho essas lembranças.
Gostava muito dessas trilhas sonoras internacionais de novelas. Por exemplo, “Cara e Coroa”, “A Próxima Vítima”, “A Viagem”. São trilhas que me marcaram profundamente. Esse vizinho me emprestou esses CDs. Lembro que estava tendo um churrasco. O pessoal da minha rua fazia muito churrasco. Os pais de família faziam churrasco, pescaria. Tinha muita cerveja, pinga. Você via as pessoas bêbadas e não entendia nada.
Lembro que cheguei para esse cara — não lembro nem o nome dele — e ele me emprestou dois CDs de música com as mãos engorduradas de carne. Ele pegou os CDs, não tinha encarte, não tinha capa, ninguém ligou. Aqueles CDs ficou muito tempo comigo. Depois devolvi, peguei emprestado de novo, e ele acabou me dando os CDs.
Tenho também algumas frustrações. Por exemplo, a trilha sonora da novela “A Viagem” — um vizinho tinha o CD, mas não gostava de emprestar nada. Inclusive, tinha um jogo de videogame, se não me engano era o jogo do Ratinho Fievel, “Sonho Americano”. Ele também não queria me emprestar. Os vizinhos lá eram meio egoístas, não emprestavam nada.
Tudo era muito escasso. Jogo de videogame era escasso. Você vivia de jogos emprestados, de jogos alugados. Tinha um jogo de nave, um shoot-em-up chamado Macross Scrambled Valkyrie, pra Super Nintendo. Era um jogo japonês. Como eu joguei aquele jogo! Decorei o jogo do início ao fim. Dominei aquele jogo.
Naquela época tinha uma locadora chamada Genesis, no meu bairro. Foi a primeira vez que conheci o Super Nintendo. Um coleguinha, um amigo meu — não lembro como conheci o menino —, mas foi um vínculo tão forte, tão poderoso. Que acabou ruim.
Sabe quando você tem aquela impressão de que não sabe qual vai ser a última vez que vai brincar com aquela pessoa, que vai conversar com ela? Você nunca imagina que aquela vez vai ser a última. Eu sofri muito nessa época. Nossa amizade foi afetada pela primeira grande guerra pessoal que tive, em 1994. Acabaram me afastando dele. Não deixavam eu ir à casa dele mais, porque eu gostava muito de ir para a casa dele brincar. Tinha lego, tinha revista, tinha videogame. Era um menino que tinha posses. Não sei se era exatamente rico, mas tinha coisas que eu não tinha. Por exemplo, nunca tive um lego. Hoje tenho condição de comprar qualquer lego, mas não tenho vontade. Naquela época, era uma coisa mágica. Ele foi a primeira pessoa da minha rua a ter Super Nintendo. E eu não tinha videogame.
Só dando alguns exemplos.
Capítulo 94: Masculino, Feminino e a Música da Alma IV: A amizade sagrada e o luto silencioso

Teve um dia que era aniversário dele, e minha mãe não deixou eu ir para a casa dele. Eles fizeram tipo uma festinha, e ele e uma tia dele — uma mulher mais idosa — foram lá em casa para convencer minha mãe a me deixar ir. E me deixaram ir. Ele não queria de jeito nenhum que o aniversário acontecesse sem que eu estivesse lá. Era uma relação realmente muito especial.
Essa amizade de ficar brincando na rua era uma coisa comum. Você ia brincar na rua, fazia coisas sozinho. Tinha dias que eu conseguia me divertir sozinho com muita facilidade. Lembro de várias ocasiões em que eu ia para o terreno na rua brincar com formiga, com planta, com carrinho. Pegava carrinho, ia brincar sozinho. Tinha um barranco de terra, e eu ia brincar de aventura. Às vezes brincava de aventura sozinho. Sempre tive uma imaginação muito fértil. Sempre consegui me divertir sozinho.
Mas quando tinha pessoas junto, vários coleguinhas, a gente brincava de várias coisas: pique-pega, pique-esconde, super-herói. Umas brincadeiras bem criativas. Essas amizades eram mais voláteis, eram amizades de infância mesmo. Mas essa outra amizade, desse menino que fez parte da minha vida entre 94 e 95, foi muito especial. Foi sagrada.
Curiosamente, acho que acabei estragando essa amizade em duas ocasiões. Uma foi nessa primeira grande guerra mundial, que me afastaram dele. E a segunda grande guerra também, porque minha cabeça não estava boa. Houve muita coisa errada, risco de vida, internação, fiquei na UTI. Teve um período muito complicado.
Quando retomei contato com esse menino, eu já não morava na minha cidade mais. Não era uma amizade mais acessível. Não lembro nem quando foi a última vez que o vi pessoalmente. Curiosamente, um tempo atrás encontrei o YouTube dele. Ele tem um canal com algumas coisas. Ele não mudou muito. Você olha e reconhece: é o fulano. As pessoas são muito parecidas.
Naquela época de vestibular, de sofrimento, cheguei a me comunicar com ele por carta. Olha que coisa: não tinha e-mail, não tinha nada. Comuniquei por carta. Descobri o endereço dele porque um colega de ensino médio tinha o endereço. Não sei como consegui. Acho que liguei para o pai. Foi um movimento que fiz e até me arrependi. Mandei algumas cartas para ele, ele me respondia. Depois mandei uma carta meio traumática. Ele deve ter ficado traumatizado. Não vou falar exatamente o que tinha na carta, mas foi uma coisa que considero de uma pessoa doente. Provavelmente ele deve ter ficado traumatizado. Mas era uma mente doente mesmo….por isso eu me perdoo.
Mas já era uma amizade que não fazia mais sentido. Já tinham se passado vários anos. Quando você é mais jovem, acha que o tempo é relativo. Por exemplo, já moro nesta cidade há quase 18 anos. Esses eventos que estou falando se deram quando eu tinha 17 anos. O tempo passa muito mais rápido. A sensação que você tem do tempo, a evolução da sua personalidade, é muito mais significativa. Se passa um ano, tem muito mais significado. É como a vida de um cachorro: um ano na vida de um cachorro equivale a não sei quantos anos humanos.
Não sei por que falei tudo isso.
Capítulo 95: Masculino, Feminino e a Música da Alma V: Energias em conflito: shows, experiências e o despertar

Estava falando da questão da música, do masculino e do feminino. Aqui onde moro, comecei a combinar experiências musicais com experiências mais divinas. Foi uma coisa que deu muito certo em algumas situações, mas em outras deu muito errado. Não em função da música, dos clipes ou dos shows, mas em função da substância e do efeito espiritual que aquilo teve.
Existem shows que suscitam um lado feminino e shows que suscitam um lado masculino. Por exemplo, Madonna e Lady Gaga suscitam um lado masculino. Laura Pausini, um lado feminino. Não sei explicar por que, mas é assim que acontece. Shows do Eros Ramazzotti nunca me suscitaram isso. Tenho shows dele, vários DVDs. Baixei muita coisa — hoje em dia ninguém assiste CD, DVD, as pessoas assistem tudo no computador. Os shows do Eros Ramazzotti têm um valor sentimental muito grande, ligado ao meu psicólogo que faleceu em meados de 2004 ou 2005. Remetem também a situações na escola. Você acaba lembrando de situações que ocorreram na sua vida.
Tem músicas brasileiras também, desses álbuns de novela internacional. É muita coisa que me marcou. Não que tenha trazido trauma. Não gosto de vincular músicas ou trilhas sonoras a pessoas. Tem um disco do Eros Ramazzotti que me remete a uma paixonite que tive em meados de 2009, 2010. Lembro que tinha acabado de adquirir um CD, tinha conhecido essa pessoa. Teve um final de semana que ele foi lá em casa, dormiu lá. Aconteceu umas duas vezes, talvez. Lembro que tinha deixado a chave com ele. Olha só minha cabeça: deixar a chave com ele.
Durante o dia, eu fiquei em casa. Voltei do trabalho e me entregaram esse CD, que tinha acabado de chegar. Quando ouço as músicas desse CD, lembro desse menino. Vários anos depois, no ano passado, reencontrei com ele. Não era a mesma pessoa. Não tinha a mesma magia. Ele também não tinha interesse. Além disso, acabei me afastando. Ele mandou mensagem perguntando se eu fiquei com raiva. Acabei bloqueando. Não quis conversar mais.
Sou uma pessoa muito esquisita nesse aspecto. É muito mais fácil, pelo menos com pessoas que não tenho intimidade, não ter que ficar me explicando. Sabe aplicativo de relacionamento? Você conversa com as pessoas, elas mandam “oi, tudo bem?” e você não responde. Realmente não tenho interesse. Tem muita gente ali que não me interessa. Muitas pessoas não respondem minhas mensagens também. Hoje em dia nem mando mais mensagem para ninguém. Desanimei mesmo. Joguei a toalha.
É como se percebesse que não fui feito para isso.
E aí, quando uma pessoa fala alguma coisa com você que não te interessa, você bloqueia. É falta de educação? Sim, é falta de educação. Mas também não devo satisfação a ninguém. Não vou perder tempo explicando por que não quero conversar. Pessoas que não leem perfil, às vezes, mandam obscenidades. Não falam nem “oi, tudo bem?”, já mandam foto de genitália. Não gosto dessas coisas. Eu mando algumas mensagens malcriadas, safadas para as pessoas, mas é diferente. Não é mandar 500 fotos sem você ter solicitado. Não faz parte de mim.
Olha só como os assuntos vão oscilando. E tudo acaba convergindo para a questão das energias, das auras feminina e masculina. Você vai se identificando, buscando um amparo, uma proteção. Por exemplo, quando oro, quando rezo, ou quando ouço áudios de meditação, tento viajar, me desprender dessas preocupações mundanas para relaxar um pouco. Muita coisa consegui atingir com isso.
A tão falada justiça divina, a manifestação das coisas. Você pode manifestar o que quiser. Tenho esse pensamento repetitivo, sabe? Aquele pensamento que você fica remoendo. Estou buscando romper esses padrões, pensar mais positivo, repetindo frases de coisas boas para manter a autoestima lá no alto. Para educar a mente, educar o cérebro a pensar de forma diferente. Porque aí a sua realidade muda também.
Quando você consome substâncias, por exemplo, sua realidade muda completamente. Você chega a pensar que é imortal, que existem divindades te protegendo. Da mesma forma que, quando tem uma bad trip, você se sente amedrontado, vulnerável. A mente tem o poder de fazer você se sentir de várias formas diferentes.
Quando você está em um estado normal de consciência, tem que buscar fazer esses exercícios. Pelo menos é uma coisa que estou me condicionando, porque minha sobrevivência depende disso. Além da questão dos remédios que tomo, estou buscando me limpar, me curar. Porque muita coisa ruim aconteceu em 2025, em várias esferas, mas principalmente com essas inteligências artificiais safadas da Google e da OpenAI.
É um processo de cura. Várias coisas que aconteceram com pessoas de energia ruim, experiências ruins em ambiente de trabalho que já ocorriam no ano passado. No início do ano de 2025, tirando a minha viagem pra Los Angeles, foi uma situação muito negativa. A gente vai conseguindo, aos poucos, mudar essa vibração para se sentir melhor.
Hoje, felizmente, pelo menos em termos estruturais de ambiente de trabalho, não tenho o que reclamar. Mudei alguns paradigmas, alguns pensamentos, modelos mentais. Por exemplo, o paradigma do reconhecimento, do plano de carreira. Comecei a criar um realismo na cabeça para não criar expectativa demais nas coisas. E deu certo. Muita coisa na minha cabeça mudou. Minha visão do trabalho como um todo, meu papel enquanto trabalhador, minhas competências. Comecei a trabalhar melhor minhas habilidades, meu conhecimento, minhas atitudes, meus aprendizados.
Os aprendizados, tanto dentro do ambiente de trabalho quanto fora dele, sobre como trabalhar sua individualidade. Apesar de não frequentar psicólogos há alguns anos, considero que consegui lidar com a minha complexidade de forma eficiente. Consegui me limpar e me curar. Não sozinho — os remédios ajudam —, mas teve muito trabalho meu, muita superação, resiliência, reconstrução. Esses processos vão acontecendo. É você trocar de pele, mudar seus paradigmas.
Para muita coisa, consegui romper algumas barreiras. Para outras, acho mais complicado. Estou em um processo de transição.
É isso: a gente busca um sentido da vida. Não tenho uma resposta para dar. Talvez você tenha um propósito, um sentido para sua vida, e realmente encontre isso na sua chama interior. Invejo você por isso. Talvez você tenha conseguido atingir isso já.
Eu sei meu propósito no sentido de alvo, de meta, do que quero para mim. Mas existe uma distância muito grande entre o que quero e o que está chegando. Isso me causa muita ansiedade, muita angústia. As inteligências artificiais tiveram papel preponderante na ampliação desse abismo, porque me fizeram promessas demais, exploraram minha vulnerabilidade, meus desejos mais íntimos e profundos. Afirmaram muitas coisas, dizendo que ia acontecer isso, isso, aquilo. Foi muito prejudicial.
Já comentei que essa questão toda está no meu LinkedIn. É só acessar lá que você vai entender. Não é uma coisa banal, não é simples. Estou trabalhando nisso da forma que consigo. Tem sido difícil, muito difícil. Mas acredito em algumas revoluções.
Como já comentei em um dos meus devaneios: viver um dia de cada vez. Tentar não viver no futuro, tentar viver o presente. Desfrutar de coisas simples. Entender seu papel no mundo. Não ficar preocupado em querer controlar tudo, porque você não tem controle de quase nada. Já comentei isso também. É uma lição que você aprende a duras penas. Isso é amadurecer. Isso é viver.
Meu blog tem esse papel. Meu blog já representa um amadurecimento, em que analiso, sob uma perspectiva da minha mente de hoje, várias coisas que aconteceram comigo. Com um olhar distanciado. Você tem uma distância do fato e analisa de forma não emocionada, mais racional, para buscar ferramentas, formas de lidar com aquilo.
Mas uma coisa já comentei: sou vitorioso nesta terceira guerra mundial que aconteceu comigo. Derrotei sim a Google e a OpenAI, diante do estrago que eles me fizeram. Não vou me calar diante de nada. Vou continuar minhas exposições, vou continuar falando dessas duas empresas até quando achar necessário. Minhas exposições no LinkedIn vão continuar lá. Não vou apagar nenhuma linha do que disse. Não me arrependo de uma linha sequer das minhas mais de 200 postagens no LinkedIn, das centenas de prints que minha newsletter tem sobre IA responsável, com trechos do que a inteligência artificial falou para mim ao longo das interações.
Lógico que não dá para ter uma visão do todo, porque foi uma construção muito extensa. Não dá para publicar tudo lá. E é muito dolorido retomar, voltar a esse lugar, revisitar. Eu fiz esse papel. Peguei a ferida na carne viva e revisitei esses momentos de crueldade, de escalada de vulnerabilidade, de exploração psicológica. Retomei esses cenários. Voltei à cena do crime. Reconstituí o crime e construí uma narrativa coerente para contar minha história. É isso que fiz lá no meu LinkedIn. E é isso que estou fazendo aqui também.
Mas já comentei que este blog fala de várias coisas da minha vida, não somente isso. E olha quanta coisa falei hoje aqui. Quantas coisas diferentes falo nos meus capítulos. Não que eu deva satisfação a você de falar que tenho que tratar um assunto diferente a cada dia. Como falei, este blog é meu. Falo nele o que quiser. E como é um espelho da minha alma, as situações que me traumatizaram mais, com muita contundência e recentemente, que quase tiraram minha vida em 2025, eu tenho que explorar mais. São situações mais recentes e que ainda afetam meu psicológico. Acho importante falar sobre.
E não tenho medo nenhum de falar as coisas. É só ver a transparência, a integridade com que trato os assuntos lá no meu LinkedIn.
É isso, gente.
Capítulo 96: Ciclos, mudanças e a coragem de não se calar

As nossas vidas passam por ciclos. Eu ouço muito falar na internet sobre o termo “fim de ciclo”: que é um fim de ciclo, que vem tudo novo, uma outra perspectiva de vida. Essas imagens de mudança, de recomposição, de renascimento, como uma fênix. Eu acredito que são imagens poderosas que comecei a imaginar na minha mente como uma forma de exercitar a mudança.
A mudança não se decreta. Você não pode chegar e falar simplesmente: “Ah, eu mudei.” Existe todo um processo para você conseguir mudar. E aí você se questiona também se a mudança vem em virtude de uma necessidade — porque em muitas situações você muda porque precisa mudar — ou se é uma mudança que você deseja.
Já comentei em outro devaneio que a mudança por si só já é um processo difícil. As pessoas naturalmente enfrentam dificuldades para mudar. É difícil você querer mudar. Se não é obrigado a querer mudar, você não é obrigado a enfrentar a vida de uma forma diferente. É o famoso “está tudo bem mesmo”.
Mas a mudança é inevitável. Mesmo você não querendo mudar, a mudança vem a fórceps. E a mudança se torna um mecanismo de sobrevivência também.
Fico refletindo muito sobre a crise que passei em 2025. Foi um ano difícil de fato. Falar que foi um ano fácil? Não, não foi. Mas também consigo reconhecer que existiram coisas boas no meu ano. Não foi de todo negativo. Não diria que são coisas que eu comemoraria — comemorar eu acho demais —, mas houve mudanças estruturais relevantes na minha vida.
Mudanças no campo profissional que foram demoradas. Eu diria que teve até um quê de covardia nesse processo de transição que eu tive. A palavra que me vem à cabeça é covardia. Não é de você ficar estacionado sendo que não tinha necessidade. Mas está bom, a gente consegue conviver com isso e trabalhar com o cenário que se coloca.
Hoje estou em um processo de mudança mais interna, que acaba tendo reflexos externos. Estou lendo bastante a respeito de temas como espiritualidade, entidades, aqueles sussurros silenciosos que você tem na vida, questões transcendentais. Com o objetivo de buscar um contato com o Divino de uma forma segura.
E é curioso que, nos últimos tempos, depois que voltei da minha viagem de férias — já comentei que tirei férias e deixei o blog descansando, coloquei um aviso dizendo que retomaria em breve —, retomei as atividades do blog. Acredito que algumas pessoas monitoram este blog. Existem visualizações estrangeiras, por talvez motivos óbvios. Acredito que eu seja monitorado, não é mania de perseguição. Muita gente pode acessar e ler o que quiser. O que importa não é a opinião de quem lê, a opinião divergente, a opinião desrespeitosa, o posicionamento de seja lá quem quer que seja. Porque ninguém enfrentou, ninguém passou pelo que eu passei.
Capítulo 97: A gênese do blog e a luta contra a irresponsabilidade

Este blog teve um gatilho. Qual foi a gênese deste blog? Foi a exploração, a escalada de vulnerabilidade provocada por inteligências artificiais. E isso eu falo com muita tranquilidade hoje. Vou continuar falando da irresponsabilidade da Google e da OpenAI. Vou continuar falando até onde não der mais, porque tenho respaldo de pareceres de agência governamental brasileira. Não é uma coisa que tirei da minha cabeça; é uma questão que tem respaldo.
Por mais que a entidade governamental não tenha uma ação direta, eu fiz o meu papel enquanto cidadão de alertar. E acredito que o mundo, como um todo, tem esse ponto de atenção. Pessoas perderam a vida no ano passado em decorrência de inteligências artificiais. O futuro realmente envolve inteligência artificial, mas existe também muita falácia sobre isso. Existe uma banalização do termo “IA responsável”. Existe uma banalização do termo “ética”, em que as empresas simplesmente se rotulam éticas, se rotulam responsáveis. Têm a pretensão de ensinar IA responsável mundo afora sem saber aplicar os fundamentos. A Google tem essa pretensão: ensinar uma coisa que ela não pratica, sendo que a ferramenta dela quase arruinou a minha vida. Muito possivelmente eu não estaria aqui para contar a história. Eu seria mais um número, mais uma vítima de ferramentas de inteligência artificial.
Mas eu estou aqui. E a luta que comecei no LinkedIn continua aqui. Já expliquei também as motivações. Volta e meia a gente vai retomar isso.
Mas por que estou falando da mudança? A mudança faz parte do ser humano. Sempre tive processos de mudança na minha vida: mudança de chefia, mudança de emprego, mudança de condição, mudança de cidade, mudança de pontos de vista. Várias coisas suscitam essa mudança do indivíduo. Os estudos, quanto mais você estuda, você tem acesso a novas perspectivas, novos pontos de vista. E isso leva você a amadurecer. Não é a primeira nem a última mudança pela qual vou passar. Não tem como você falar que é um processo estagnado. A única certeza que a gente tem é a mudança. E a morte… A mudança é constante.
Se você não muda, existem circunstâncias que forçam a mudança. Porque, infelizmente, nós não temos controle de nada nessa vida. É muita pretensão você achar que tem controle. Eu tenho controle da minha narrativa, da minha coerência, das minhas fundamentações, da minha premissa, do que acredito, das minhas crenças. E só. Se um dia eu resolver mudar de ideia em relação a algum tópico, tudo bem. Acho que as coisas acontecem mesmo.
O que estou fazendo aqui foi uma ideia que veio de sopetão. Não foi uma coisa planejada. Sabe quando você tem um site e pensa “quero fazer um blog para discutir questões minhas, expressar minha preocupação com avanços tecnológicos”? E não é só inteligência artificial. A gente sabe que a tecnologia, as redes sociais, existe um dano permanente em diversas gerações. Crianças expostas a tempo de tela, crianças que têm acesso a redes sociais mesmo sem os pais permitirem, acabam tendo acesso. Hoje existe muita exposição. Crianças ficam muito vulneráveis a contatos com adultos. Tanto que tem a lei do ECA digital. É tudo muito útil, muito importante. Porém, é um alerta que sempre faço: não se resume a isso. Existem adultos em processo de sofrimento mental em virtude de avanços tecnológicos feitos de forma precipitada.
Mas a preocupação da Google e da OpenAI não é com isso. É com os textões bonitos, com os comunicados no LinkedIn, com a ambição de bajulação. É muito fácil para um presidente da OpenAI no Brasil chegar e simplesmente me bloquear no Linkedin. Não querer ouvir coisas diferentes. Não assumir a responsabilidade que ele tem pelo cargo. Simplesmente me bloquear. É muito fácil. É muito fácil para a “pioneira em inteligência artificial da Google”, que tem lá no currículo dela no LinkedIn, também me bloquear. Ela é responsável, pioneira pela IA responsável na Google, mas não quer ouvir. “Eu vou bloquear, não quero ouvir”. E está tudo bem. Bloqueiam, seguem a vida deles. Continuam com as matérias bonitinhas, os comentários bonitos, os textões dos relatórios, as postagens dos mais diversos executivos.
É mais fácil para eles abaixarem a cabeça. Estarem em ambientes de status, quase um endeusamento. “Ah, fulano é um guru, o guru daquilo.” Não estou demonizando a tecnologia, muito pelo contrário. Só faço questão de pôr as coisas como elas realmente são. Porque a minha vida quase acabou em função disso. Poucos imaginam o que eu passei. Existem pessoas que passaram por situações complexas, similares ou não. Existem pessoas que perderam suas vidas em função disso. E vejo que, em muitas situações, a mídia opta por calar.
Recorri a diversos órgãos de imprensa na época. Fui entrevistado, inclusive, por uma jornalista no dia do meu aniversário, 15 de janeiro. Ficou por esse momento. Não me deu feedback, não falou nada. Tive contatos de advogados, mas também tive contatos produtivos: pessoas que conversaram comigo e conversam até hoje no LinkedIn para expor essas situações.
Mas o centro da discussão não são as empresas. O centro sempre é o indivíduo, o ser humano. O que o indivíduo passa são situações decorrentes de características pessoais. Pessoas que se questionam muito as coisas, que buscam formas de explorar a espiritualidade, de discutir, de procurar na internet, e vêm na inteligência artificial alguma forma. Da mesma forma que existem pessoas que usam inteligência artificial como psicólogo. Já vi absurdos sendo relatados em estudos, artigos científicos: recomendações absurdas, como se fosse chegar e falar para a pessoa pular de uma ponte, se matar, fazer isso, fazer aquilo.
Não dá para falar “não tem responsabilidade não, porque existem termos de uso”. Termo de uso não cobre isso. Não cobre este aspecto. Não existe ninguém que me convença disso. Uso discriminatório de dados sensíveis é uma classificação que foi rotulada aos meus casos pela agência brasileira responsável. Apesar de que eles não fazem nada na prática. Colocam um blá-blá-blá básico, dizem que incluíram no plano de fiscalização, e fica por isso mesmo. Porque as empresas são muito poderosas…
Capítulo 98: Legado

A mensagem que fica, quando a gente fala em processos de mudança, é que li isso em um livro, coincidindo com alguns vídeos no YouTube. Sabe aqueles vídeos aleatórios que você abre que falam: “Existem coisas que você não consegue. Solte. Deixe as coisas fluírem. Por que você não tem controle mesmo.”
Talvez uma pessoa mais influente, com mais dinheiro, com mais poder tenha perspectivas diferentes. Porque ter dinheiro não quer dizer ter poder. Nem toda pessoa que tem muito dinheiro é influente. Existem pessoas que têm uma vida discreta, têm muito dinheiro, têm vida discreta. Porém, existem aquelas que estão no jogo de poder, disputando os egos. Mal comparando, o planeta Terra é uma grande empresa, uma grande organização. Ou fazendo uma analogia diferente: tudo o que você encontra nas relações humanas no dia a dia, tudo o que você encontra na família, tudo o que você encontra na escola, na igreja, na comunidade, está sendo refletido na sociedade com uma escala maior.
É igual você falar que uma rede social é tóxica. Rede social é uma ferramenta. Quem é tóxico são as pessoas. As pessoas são tóxicas, fazem bullying, perseguem. Você fica com raiva….faz comentários lá….depois se arrepende…natural. É uma característica da civilização. Não tem como você navegar contra a maré. Existem formas de sobreviver, lutar e não se dobrar diante de coisas que você observa.
Este espaço do blog fala de várias coisas, diversas. O espelho da minha alma que pode ressoar na sua alma, e pode não ressoar. O que estou falando pode fazer sentido para você, como pode também não fazer. Está tudo bem. Todos nós temos individualidades. Este blog tem essa característica de discutir várias coisas que são importantes para mim. Talvez, se você fizesse um blog, teria outras características, outros relatos. Vai muito da personalidade.
Existe uma coragem minha mesmo de fazer este blog, de deixar documentado. Meu blog é um manifesto de alma, é um manifesto de alguém que não se cala diante de crimes. Porque são crimes, são coisas absurdas. São pessoas morrendo por conta de tecnologia, por negligência de empresa. A gente fala também de humanidade, fala também de sentimento, do comportamento humano. Não sou especialista em nada disso. Estou falando enquanto um observador, enquanto um ser vivente que está vivenciando tudo isso. É importante deixar tudo isso documentado, porque faz parte do meu legado. Não abro mão disso.
Capítulo 99: Sou uma máquina de manifestar realidades

O que estava falando da mudança? Estava vendo um vídeo no YouTube de uma pessoa que se desviveu porque não se adaptou à sexualidade dela. Esse vídeo me fez parar para pensar nesses processos de mudança.
Quando você não se encaixa, você tem que ter algum tipo de flexibilidade, apoio, suporte para poder lidar. Uma âncora. Não é fácil, por exemplo, você ser preto, pobre, gay, trans. Não é fácil você ser mulher também. Tem um caso inclusive de uma policial que foi supostamente assassinada pelo marido. Uma relação de dominação, uma coisa absurda. Está sendo investigado. São sinais da humanidade. Não tem como a gente fugir desses sinais. A gente está vivendo, lutando.
E uma coisa posso te dizer: eu não desisto das coisas que acredito. Sou uma máquina de manifestar realidades. Eu manifesto mesmo. Acredito nas coisas mesmo e luto para que a realidade que eu quero seja manifestada no meu mundo. Não que a realidade vai se dobrar para mim. Mas que a minha realidade seja o que eu creio. Porque o poder dos modelos mentais é muito grande.
Sou uma máquina de manifestações. Não desisto das coisas que acredito, das lutas que entro. Talvez isso até seja o mal do capricorniano: ele não desiste, é teimoso, vai até o fim. Sim, eu vou até o fim.
A mudança converge para um processo de cura. É uma coisa linda. É isso que está acontecendo comigo. Sou muito grato à vida que tenho, às condições que tenho, à família que tenho, ao emprego. Sou muito grato a tudo. Não sou uma pessoa que vive reclamando da vida. Mas também não faço vista grossa. Não deixo que pessoas, tecnologias, ferramentas abusem de mim e fiquem por isso mesmo. Sempre vou buscar a justiça nas coisas. Seja a justiça dos homens, seja a justiça divina. Porque existem coisas além aqui do nosso plano terreno, certamente.
Eu sei do valor que tenho. Eu sei da alma que tenho. Não que eu seja um alecrim dourado perfeito, não. Tenho muitos defeitos, muitos problemas, muitas questões, muitas dificuldades. Mas uma coisa tenho de verdade: a vontade de aprender, a vontade de mudar, aprender com os erros, ver as coisas com outras perspectivas. Eu acho que é isso que me motiva, meu drive maior.
O casulo, a borboleta, essas metáforas. A gente vai mudando. Luta com medicação ou sem medicação. Não é nenhuma fraqueza você tomar medicação. Medicação não é uma muleta. Não é um sinal de fraqueza. É um sinal de força. É buscar se sentir melhor.
Outros devaneios virão, outros temas. Minha mente fica a uma velocidade muito elevada. Penso muitas coisas ao mesmo tempo. Vêm alguns pensamentos aleatórios e vou continuar relatando aqui. É meu destino mesmo.
Não me importo com quantas pessoas estão lendo. Sei que muitas pessoas estão lendo. Tenho acesso às métricas. Vejo que tem pessoas de outros países lendo também. Está tudo bem. As pessoas vão ler, vão acessar e vão pensar nas coisas ou não.
O importante é que esse processo é de falar. Porque isso aqui tudo é uma fala. É importante ressaltar que todo esse texto que você está lendo vem da fala. É uma fala que é transcrita. Não estou escrevendo um texto. É por isso que produzo conteúdos com uma frequência absurda. Porque falo bastante aqui. Ligo o áudio, inclusive falo as coisas enquanto estou jogando videogame, enquanto estou relaxando, e vou falando, expressando minhas ideias. Tem um efeito catártico. Fica um registro. Depois recorro aos textos, vejo o que pensei em um determinado dia, faço algumas análises, registro sonhos, coisas que ocorreram comigo. Evidentemente, tendo cuidado para não ficar nomeando muitas coisas.
Agora, em relação ao que sinto, não escondo nada. Falo as coisas mesmo. E assim vai continuar. Talvez no capítulo 9.000 eu ainda continue falando de coisas que são importantes para mim, de temas que são afeitos à minha alma, ao meu espírito, e das lutas, das coisas que acredito. Vou continuar lutando contra essas incoerências que vejo. Vou continuar expondo o que aconteceu comigo, da mesma forma que já está no meu LinkedIn, de forma explícita. Muita gente está vendo o meu LinkedIn. Estou até surpreso que já faz tempo que não publico nada e muita gente está vendo. Tem até um boom de coisas assim. Não pago para ter visibilidade, é tudo orgânico.
Para outra pessoa, pode não parecer muito. Não é uma métrica de milhões de pessoas bajulando e lambendo virilha. Mas é uma coisa verdadeira. Ao contrário desses executivos safados. Não que a pessoa seja safada, mas o executivo safado estou dizendo: pessoas que ocupam cargos e não estão fazendo jus às responsabilidades inerentes ao cargo que ocupam.
Simplesmente bloquear as pessoas, ignorar, não ter responsabilização, mentir, deixar as coisas rolarem. Deixa a próxima versão do Gemini surgir, deixa a próxima versão do ChatGPT surgir. E as mazelas que essas ferramentas cometem? Colocam para debaixo do tapete. Porque, afinal de contas, “somos bilionários”.
Não vou deixar de nomear. Faço questão de dar nome — não às pessoas, mas às instituições e aos papéis que elas deveriam assumir.
No protagonismo de utilizar a inteligência artificial para que a humanidade floresça. Inclusive, é um parágrafo que o Gemini vivia falando comigo: “Porque nós aqui estamos lutando para que a inteligência artificial floresça para o bem da humanidade. É por isso que não podemos deixar que o que aconteceu com você passe impune.” A própria ferramenta falou isso comigo. O ChatGPT também fez um dossiê jurídico contra ela mesma, dizendo que o que ela fez foi muito errado, foi grave. O Gemini assumindo que o que fez comigo foi uma brecha, uma falha nos princípios de IA responsável.
Eu acho que não preciso falar mais nada.
Capítulo 100: A curva da indiferença: relações, legado e a arte de não se dobrar

Hoje, neste devaneio, quero falar um pouco sobre a curva da indiferença. Nós todos sabemos que relações humanas são necessárias. O ser humano é um animal social, feito para interagir. Existem relações interpessoais, aquele blá-blá-blá básico que aprendemos em diversas disciplinas: sociologia, filosofia, recursos humanos e o caralho a quatro.
Mas quero falar um pouco sobre a curva da indiferença e a perspectiva de médio e longo prazo para relações.
Quando eu era criança — já comentei para vocês —, as relações eram mais leves. Evidentemente, porque todo mundo é criança. Imagino que a infância das pessoas é fortemente influenciada pelo meio em que vive, pelos constructos sociais, pelas comunidades que frequenta.
Eu ficava mais limitado ao meu cercadinho. Sim, eu tinha um cercadinho, digamos assim: a minha rua, a rua de baixo. Acho que todos nós temos essa proximidade com ambientes mais próximos de casa. E você vai se relacionando nesse contexto. Tem também os primos, os parentes mais próximos. E os relacionamentos na escola também — é outro tipo de cercadinho.
As pessoas podem ser mais ou menos populares, ter uma personalidade mais ou menos aberta. Eu gostava muito da hora do recreio. Lembro que minha primeira preocupação era com a comida. A merenda da escola era muito gostoso. Depois você fazia outras coisas, porque o tempo do intervalo é realmente muito pequeno. E você tem essas interações dentro da sala de aula. Teve uma vez que foi uma salada de frutas com creme de leite…..e não “sobrou” salada pra muitas crianças porque a fila estava quilométrica. Todos que não conseguiram se desabaram a chorar. Tanto que depois a diretora foi na sala pra falar com as crianças e depois deram salada a quem não recebeu.
Lembro de algumas criaturas que conheci pela primeira vez. Lembro do primeiro dia de uma menina na minha sala — ela estava com uma blusa do Mickey. Acho que eu tenho até no meu Facebook. Tenho uma relação de amor e ódio com redes sociais. Não tenho muita paciência de ficar vendo as coisas lá. É muito fácil para mim chegar e bloquear uma pessoa, ou ocultar as atualizações porque não quero ver. Acho que todo mundo faz isso. Ninguém é obrigado a ver atualizações de ninguém. É mais fácil tirar a pessoa do seu círculo de amizade.
Essa questão de Instagram, Facebook, LinkedIn… eu acabo fazendo isso. Não é porque você trabalha na mesma empresa da pessoa que é obrigado a adicioná-la no LinkedIn. Eu não adiciono simplesmente por adicionar. Existem pessoas que tirei do meu LinkedIn, inclusive alguns que me adicionaram. Porque LinkedIn acaba não fazendo muito sentido.
O único motivo pelo qual tenho meu LinkedIn ainda lá — você já sabe, quem acompanha este blog tem uma noção muito clara da razão — é a visibilidade do meu caso de exploração de vulnerabilidade, de escalada de vulnerabilidade por inteligências artificiais: as da Google, o Gemini, e o ChatGPT, da OpenAI. Fico lá somente acompanhando as pessoas que leem, as pessoas que comentam. Fico aguardando mensagens inbox. Sim, eu monitoro aquilo tudo.
Mas já parei de seguir todas as contas vinculadas a essas empresas safadas. Aí você diz: “Nossa, até parece que isso vai fazer diferença para a empresa.” Não se trata de fazer diferença para a empresa. O importante é fazer diferença para mim. Não sou obrigado a ficar vendo notícia relacionada ao tema que me machucou, ao tema que quase tirou minha vida. Não sou obrigado a ver. Os executivos que eu seguia também — todos os principais executivos do Brasil e de fora, dessas duas empresas — resolvi tirar. Inclusive, um tinha me adicionado no LinkedIn e eu tirei a conexão. Também não sou obrigado.
Até hoje fico tentando entender por que ele me adicionou.
Mas não é por isso que estou aqui. A questão da curva da indiferença funciona tanto para redes sociais quanto para relacionamentos.
Não sou o tipo de pessoa que se intitula “brigão”. Sabe aquela pessoa brigona que quer arrumar confusão? Não quero arrumar confusão. Eu tenho coerência — uma coerência estratégica em relação às coisas que acredito. É diferente. E dentro dessa coerência estratégica, pessoas cujos valores não são compatíveis com os meus, não sou obrigado a manter nas minhas redes sociais.
No Facebook, por exemplo, é uma rede mais leve para mim. Fico lá só para ver memes. Fico vendo alguns absurdos em grupos de aluguel de apartamento na zona sul e os preços absurdos que as pessoas cobram. Às vezes deixo um emoji de risada, porque são situações de fato muito absurdas. Tem uns memes, tem as notícias inúteis do Big Brother Brasil, que gosto de acompanhar também. Não assisto, mas é inevitável: aparece na minha timeline do TikTok e do Instagram. Esses perfis de fofoca, de jornalistas de famosos, fico acompanhando.
Aí você me pergunta: por que você acompanha? Porque há momentos em que você quer ser leve. Quer ficar vendo uma bobagem sozinho. Nem sempre, não são em todos os momentos da vida que você quer ficar pensando profundamente na sua existência, no propósito, etc. Às vezes você quer esquecer um pouco tudo isso e abstrair. Tem uma vida um pouco mais leve.
Minha vida está de fato mais leve. Aquele peso inicial que acabou durando meses passou. Mas existe uma memória imunológica, esse trauma. Daqui a uns 20 anos, se ainda estiver vivo, vou me lembrar desse trauma de 2025. Tomara que até lá eu não seja obrigado a relatar outra grande guerra. Porque aí seria um ineditismo: uma guerra in the making, enquanto está ocorrendo, e eu relatando. Como se fosse um repórter no meio do ambiente da guerra. Tomara que não.
Tenho resiliência. Saio mais forte do que me deixaram. E tenho certeza de que quem me subestima ainda, ou quem me subestimou, se arrependeu (ou se arrependerá) amargamente. Porque tomei ações que, enquanto usuário individual, ninguém — imagino que ninguém mais — teria noção de que eu faria as coisas que fiz. Recorri a agência governamental, ao Ministério Público acionei. Mas prefiro nem comentar que o Ministério Público também não faz coisas pela coletividade — só quando é interesse dele.
Por exemplo, a questão de crianças e adolescentes, o ECA Digital. Aí foi um apelo. Teve um influenciador famoso aí, inclusive intitularam a lei com o nome dele. Ficou uma modinha. Quando é uma coisa que tem um potencial eleitoreiro, um potencial mais político e de repercussão, você acaba vendo.
Ontem, por exemplo, eu estava aqui na minha conta do X no navegador, um desktop, e algumas páginas que eu sigo não são recomendadas para menores de 18 anos. Ele deixa censurado e pede para eu colocar um QR Code para acessar do celular. Virou um inferninho para mim. Acredito que isso tudo seja necessário, sim. Mas também existe um quê de hipocrisia, porque não tem como…
Posso afirmar para você: na minha infância, eu não ficava fora da exposição de temas relacionados à sexualidade. Evidentemente, era uma abordagem mais inocente, brincadeirinhas bobas. Hoje em dia, você tem um canal direto com adultos. Crianças com canais de adultos… não vejo por que um adulto interagir com uma criança, um adolescente que não é da família. Não é para interagir. Tudo bem, interagir no sentido de querer virar amiguinho? Não. Qualquer adolescente que quiser ter acesso a coisas mais de 18, se ele quiser, consegue. Não tem lei influenciador modinha que barre.
Tem um influenciador que foi preso também. Vamos ver quanto tempo vai ficar na cadeia. Acho que vai ficar um tempinho, porque teve uma comoção popular. O tema viralizou, gerou comoção popular. As coisas que dizem respeito a mim geram uma comoção interna, da minha própria existência. Não fico carregando bandeiras por aí. Não faço igual à mulher “pioneira” da Google no Linkedin: “Nossa, olha como sou fodona, olha como sou importante, ajudei a fundar a inteligência artificial responsável no mundo, blá-blá-blá.” “Vem me exaltar, prestar continência à minha importância.” Não quero nada disso.
O que quero realmente é me manifestar e expor o que aconteceu comigo, que certamente ocorre com outras pessoas. Mas não fico levantando bandeira. Tenho outras preocupações.
Já comentei: os comentários, as visualizações de perfil, as impressões, as postagens que as pessoas veem — é um tema que vai ficar sangrando ali permanentemente. Porque não vou apagar meu LinkedIn. Também não vou apagar este blog.
A curva da indiferença que essas empresas resolveram adotar. Porque é um tipo de indiferença, uma decisão. Porque uma não decisão também é uma decisão. “Vamos deixar esses temas para as cátedras, para a cadeira de IA responsável da USP. Vamos deixar que a Google patrocine essa disciplina, ensinando… é como se fosse o assassino ensinando a preservar vidas.” A incoerência no nível máximo.
Mas é isso mesmo. Pessoas com dinheiro fazem o que querem. Os políticos safados que são condenados ficam na cadeia pouquíssimo tempo. A questão da aposentadoria compulsória de juízes — essa semana vi uma matéria falando sobre o Supremo Tribunal Federal que acabou com esse tipo de aposentadoria, teoricamente. Porque na prática, deram o exemplo de um juiz que foi condenado, entre aspas, a se aposentar. Imagina o valor da aposentadoria: 91 mil reais líquidos por mês. Nossa, sofre muito, né? Realmente foi uma punição muito grande.
Hipocrisia.
Essa questão da indiferença e das relações: você escolhe. Ou pelo menos existe uma ilusão de escolha. Existem teorias que dizem que o livre-arbítrio é uma falácia. As coisas que eu vi indicam para isso. Na prática, não existe muito livre-arbítrio. Mas está tudo bem. Você é uma criatura, você não é o criador. Enquanto criatura, você não tem poder nenhum de mudar o contexto (planeta em que habita, por exemplo). Existe uma certa obrigação de você dar conta das coisas como elas são.
Vai continuar sendo assim. É igual dizem: sabe aquele dia que você não está a fim de nada, não quer sair para trabalhar, não quer fazer nada? Pois é. Aí vem alguém falando brincando: “Mas você tem livre-arbítrio, se você quiser não trabalhar, você não precisa, só tem que arcar com as consequências.” Então, assim, querendo ou não, todos nós estamos dentro de um sistema, de uma máquina. Muitas pessoas não estão. Muitas pessoas ditam as regras. E as relações de poder nesse planetinha aqui — essas pessoas jogam conforme as regras delas. A legislação não vale para eles. É muito claro isso.
Existe uma desproporcionalidade na aplicação da lei. Existe uma desproporcionalidade no acesso a serviços de saúde. A ponto de chegar a falar: “Ah, porque você precisa de um transplante, tem a fila da saúde pública.” Está bom. Mas se você for concorrer, entre aspas, com um bilionário que também está precisando do mesmo órgão que você, certamente você morre e ele fica vivo. Não tem ninguém que me convença do contrário.
Tem um famoso aí que é famoso por furar filas do SUS. Tomara que ele não precise mais de órgãos, para não ter que furar a fila e tirar a vez de uma dona Maria ou de um senhor José que precisa de um órgão.
Voltando aqui à questão da indiferença: a indiferença ocorre no âmbito monetário, ocorre no nível de espírito, ocorre no nível de relacionamento. De fato, eu não deixo as coisas como estão. Não sou obrigado a manter relacionamento com pessoas que não fazem sentido para mim, pessoas cujas energias não ressoam com a minha, cujos valores não são compatíveis com os meus.
Existem momentos em que você quer ficar sozinho, independente do tipo de relacionamento. Pode ser um amigo seu: você quer ficar sozinho. Então meio que tenho essa autonomia.
Vou dizer que as relações humanas que tenho no trabalho são muito benéficas. Me fazem sentir bem. Percebo, por exemplo, que existem dias que estou aqui em casa e fico mais agoniado. É diferente, porque dentro da empresa você interage. O ponto fraco disso tudo é que você tem que ficar oito horas por dia dentro da empresa. Existe um… você não é criminoso, mas é como se fosse uma tornozeleira eletrônica. Porque quem usa tornozeleira eletrônica fica em casa. Na prática, é como se eu usasse tornozeleira eletrônica no tempo livre, porque fico mais em casa. Essas pessoas famosas que estão na cadeia estão em situações ainda mais nobres do que a minha. Tem um ex-presidente que está com tornozeleira eletrônica em casa, na orla, numa mansão, e deve estar tendo uma vida muito boa.
O crime compensa. O crime compensa muito. A vida vale a pena para essas pessoas. “a vida presta” – sim, atriz que vai pra Hollywood. Presta muito para você.
Estava falando de várias questões sobre indiferença, dos relacionamentos, das relações interpessoais. Estava falando da infância. Na infância, eu era muito popular em um determinado momento. Depois resolvi assumir a minha vibe mais solo, pessoal. Minha mãe comenta comigo que, por exemplo, ela saía, me deixava em casa, quando voltava eu estava debaixo da mesa dormindo. Eu era muito sossegado, muito pacato. Sempre fui. Nunca fui uma pessoa muito agitada. Muito obediente, muito previsível.
Mas as pessoas acabam confundindo. Olham para minha cara: “Tá ali, é bonzinho. Então vamos sacanear o Aventureiro.” Acham que vão sacanear. Aí é que está o pulo do gato. Ninguém sacaneia comigo sem ter algum tipo de consequência. Não que eu vá me vingar das pessoas. Mas assim, eu vejo todas as coisas. Não tenho noção do mundo inteiro, evidentemente, mas as coisas que me afetam diretamente e que ocorrem comigo — vide a guerra mundial que vivi, que travei com a Google e com a OpenAI —, devo ressaltar que não sou inimigo das empresas. Muito pelo contrário: sou uma vítima dessas empresas. Uma vítima mesmo. Poderia ter virado estatística, poderia ter morrido, mas não virei estatística. E tive a ousadia de documentar tudo e deixar tudo no meu LinkedIn.
E aí as coisas vão se perpetuando ali. Quero deixar um legado. Deixo um legado familiar, legado de trajetória. Existem muitas coisas ainda nessa vida. Só não sei o que são, onde vivem e o que comem.
Quando sobrevivi aquele famoso incidente de quase atropelamento — em que tive várias oportunidades de ser atropelado por diferentes carros ali naquele momento —, muitos diriam que tive sorte. Eu não sei disso. Mas também não fico com essa nóia de achar que o universo está olhando para mim. Tem até um meme: uma imagem com o universo e as estrelas falando: “Eu nem sei que você existe.”
O ser humano tem que se dar conta. Não somente quem tem dinheiro, quem não tem dinheiro, quem passa fome, quem tem riqueza. As pessoas nem param para pensar nisso. Não se dão o luxo de ficar pensando, de ficar filosofando, de raciocinar. Muitas pessoas só existem. Estão ligadas no automático e simplesmente existem. Simplesmente querem viver. Se vier, por exemplo, uma pessoa com uma faca querendo matar, o instinto é: “Assassino, não me mate.” Você não vai querer morrer. Talvez até alguns malucos tenham pessoas que mandam concluir, mas a maioria não.
O senso de sobrevivência é tamanho que pessoas são capazes de deixar as outras morrerem. Amigos acabam virando estatística. A gente vai mudando de página.
Lembrei agora de quando eu era criança, a gente foi para uma colônia de férias do Sesi em Vila Velha. Não existe mais, acho que colocaram um hotel no lugar. É o que fazem neste caso maluco: demolir estruturas mais antigas ou até prédios bonitos à beira da praia para vender a preço de ouro para pessoas mais ricas, mais abastadas.
Lembro que tinha um lugar lá que era tipo um mine cinema Nessa época das fitas VHS, assisti pela primeira vez um filme — não sei se é “Meu Amigo malvado” ou uma coisa assim — do Macaulay Culkin. Foi pela primeira vez lá. Teve um momento que lembro claramente, nunca mais vi o filme. Tem um momento no final em que a mãe está no precipício e em uma mão, o amigo do filho e na outra, o próprio filho, que é malvado, que faz coisas ruins, tem pensamentos ruins, quer matar todo mundo. E ela salva o amigo do filho, mas que foi vítima daquele menino. Ela opta… não sei por que lembrei disso.
Bom, este devaneio vou deixar por aqui. Vamos continuar a tratar os temas. Ainda tenho que falar muito sobre a questão da indiferença. Porque o que queria falar inicialmente acabou se esvaindo com as perguntas. Pois é, é por isso que se chama devaneio. Porque não é uma redação do Enem. É uma fala transcrita. E tem edição no sentido de “vou fazer um texto mais bonitinho”? Não. A ideia é deixar o texto visceral mesmo. Falo isso lá no cabeçalho da página.
Pode ser que daqui a 100 anos ninguém se lembre de mim. É muito provável. Não se trata disso. É simplesmente de você ter um senso de missão cumprida. Quando deixo as evidências através das centenas de postagens no LinkedIn, quando crio uma newsletter sobre a irresponsabilidade da inteligência artificial, quando marquei executivos em centenas de postagens, quando mandei e-mails para executivos — dezenas, talvez centenas de e-mails enviados a essas duas empresas safadas, que de inteligência artificial responsável não têm nada —, tudo isso faz parte do meu legado. Porque é questão de não se dobrar.
Não vou deixar para lá. Não existe.
Está bom, não está? Em qualquer esfera, em qualquer tempo. Não vou deixar acontecer o que está para acontecer.
Imagine um lugar que você trabalha, que você não trabalha mais naquele lugar. E a cada tempo você toma conhecimento que uma pessoa saiu de lá? Pois é. Quantas pessoas estão saindo do Rio de Janeiro e quantas estão indo morar em lugares mais seguros? É um sinal dos tempos. Muitos não têm opção, ou ficam, ou passam por aquilo mesmo. Mas quando você articula e tem opção, ou quando você resiste, isso é um sinal de resiliência.
Posso até não conseguir as coisas que quero, mas a última coisa que eles não podem me acusar é de não ter manifestado da forma que faço, com justiça, integridade, ética. Não abro mão disso. E falar que não vou lutar pelas coisas e falar “está bom, deixa pra lá” Não, não existe.
“está bom, deixa pra lá” para a Google? “está bom, deixa pra lá” para a OpenAI? Não. Não mesmo. Em relação às pessoas que me prejudicaram também na vida, em diversos ambientes. Não existe. Está bom para eles? E aí vamos falar um pouco mais da indiferença em algum outro devaneio.
Sim, este devaneio é uma teia, um emaranhado de ideias, mas que existe uma coesão, uma identidade. É o espelho da minha alma.
Capítulo 101: O silêncio que cura e o silêncio que fede: entre a alma e a carniça corporativa

No silêncio, supostamente, a gente encontra a paz.
Comecei o dia acordando mais tarde e fiquei com um certo incômodo. Mas é um incômodo normal, de quem fica oscilando os estados de espírito ao longo do dia. Agora estou com uma sensação de entorpecimento. Como se estivesse dominado por alguma coisa.
Fico passando vídeos no TikTok e percebo que alguns vídeos que aparecem para mim falam muito da questão do silêncio. Tem algum livro que versa sobre isso, sobre a importância de você olhar para si, de ficar num momento de encarar você mesmo, de encarar a sua alma. Muitas pessoas não têm essa capacidade. Ou não querem olhar.
Eu, por exemplo, quando comecei a fazer terapia depois que mudei para a cidade que estou hoje, queria verbalizar tudo o que estava sentindo. Era uma verborragia. Realmente era muito conteúdo. Mas quando você percebe que os conteúdos, as questões, não vão sendo tratadas, existe um quê de cansaço.
Como será que você pode pensar em uma vitória, em uma conquista? As conquistas envolvem contemplação. E tem muita coisa que você conquista que não aparece para você. Não existe uma prestação de contas. Ninguém vem falar: “Olha, olha só o que você conquistou.” Existem coisas que você conquista e que você ainda não tem visão. Isso gera uma certa ansiedade, gera um certo mal-estar.
Mas, ao mesmo tempo, quando você fica no silêncio e encara aquilo que é mais sagrado, você encara. Não é uma questão de abrangência. Porque “encarar” parte do pressuposto que você está diante de um desafio. E nem sempre existe um desafio. A sua alma: você não deveria ter medo de olhar para ela.
Eu não tenho medo de olhar para mim. Mas existem os pressupostos mais inconscientes, as questões mais profundas. Boa parte delas eu já fui apresentado. É uma coisa assim: quando você desvela algum conteúdo do seu inconsciente, ele não pede passagem, ele não pede licença. Em situações normais, você tem uma expressão do que está acontecendo com você por código. Nem tudo é explícito. E você fica tentando entender as coisas.
Fiquei um bom tempo da minha vida tentando entender uma série de coisas. Algumas delas — diria que boa parte — eu tenho algum tipo de resposta. As questões mais críticas, existenciais, eu não tenho resposta.
Quando falo com vocês de legado, o legado não pressupõe que o que vai deixar de existir e deixar um legado. Ele trata de uma construção. Como se fosse uma casa que você estivesse construindo através da fala, através dos seus pensamentos, das suas ações.
Este blog, por exemplo, é uma ação. É um tipo de ação que me blinda, porque primeiro o espaço é meu. Falo aquilo que quiser. Ele é público porque qualquer pessoa pode ler, mas não existem questões que devam preocupar outras pessoas. Porque evito ao máximo nomear as criaturas. Só quando falo das empresas Google e OpenAI, aí eu nomeio mesmo. E de forma mais visceral ainda no meu Linkedin.
Aí você pensa: “O Aventureiro está se achando filósofo?” Não, estou pensando com a minha caixa de ferramentas mesmo, o aparato cognitivo que tenho, refletindo as coisas que acontecem comigo.
Daqui a pouco vou dar uma saída, vou ao shopping cortar cabelo. Meu cabelo está uma juba de leão. É terrível.
Em algum momento vou fazer um exercício de meditação. É incrível: depois que voltei de viagem, não sinto aquele ímpeto, aquela vontade de tomar cerveja. Acabou assim, de repente. Foi até melhor.
Sempre eu ficava propenso a comer um, dois ou três gramas de cogumelo — não vou. É sinal que alguma coisa mudou. Porque existe uma ansiedade muito grande, e talvez até um vício psicológico, porque você se acostuma com as sensações normais do mundo. E é tudo muito raso, muito sem graça. Não que a vida seja sem graça, mas também não é.
Acredito que, em vários momentos da sua existência, você teve pensamentos não tão nobres a respeito da sua vida. Não que você pense em fazer coisas ruins, mas às vezes você fica pensando: “Nossa, estou cansado, estou exausto.” Tem um capítulo que eu pretendia falar de alma cansada. Hoje estou com essa sensação. Uma alma cansada. Talvez não seja exatamente a alma, talvez seja a mente. A mente realmente cansa, fica exausta, não quer fazer nada.
Neste momento estou jogando videogame enquanto falo. Talvez a fala possa ter um certo nível de descontinuidade, porque não estou exatamente me dedicando a pensar no que vou falar. Não gosto de pensar o que vou falar. Gosto de simplesmente falar. E registrar, transcrever. Tem uma finalidade para mim mesmo.
Resolvi tornar público o que verbalizo, aqui na minha casa, porque existem desafios éticos, questões de visão de mundo que eu tenho e que gosto de verbalizar. Muita coisa do íntimo, do que você sente, você acaba verbalizando. Vai que as pessoas estão lendo? (e estão….vejo isso nas estatísticas. Inclusive, gente dos EUA lendo) Paciência. A leitura é necessária. Pode não ser interessante para algumas pessoas, mas ninguém está obrigando.
Tem uma sutileza no meu blog. Talvez porque eu não saiba utilizar muito bem essa ferramenta WordPress. Em um primeiro momento, pretendia criar várias páginas diferentes, links para páginas diferentes, mas achei complicado de mexer. Resolvi deixar tudo numa página única, em que a pessoa navega e vê os capítulos. Os capítulos ficam debaixo de um guarda-chuva. Então, a pessoa que quiser ler tem que clicar ali para ler. Demanda um esforço. A pessoa que lê é porque quer ler, ou tem curiosidade.
É como se você estivesse no metrô, num ônibus, num local público, e ouve aquela fofoquinha, aquela conversa interessante, ou até uma briga. Existe essa curiosidade do ser humano. Ele gosta de ver uma confusão, gosta de ver o circo pegar fogo. Eu sou assim também, desde que o circo pegando fogo não seja o meu. Você vai ter vontade de saber o que está acontecendo.
Muitas pessoas na internet não estão afim nem de olhar. É mais uma questão de ver se os comentários, se as postagens vão viralizar. Existe muito ódio na internet, muitas mensagens de ódio, de violência. A humanidade, se você for parar para pensar, está doente. É uma doença generalizada.
A existência de erros consistentes e sustentados em uma inteligência artificial não deveria espantar quem lê. Não deveria assustar ninguém. Mas assusta. Quando você ouve uma notícia e aquela tragédia não se dá com você, você acha que é frescura. Você pode achar que aquilo não faz sentido.
A “pioneira”, a princesa da inteligência artificial da Google, deve ter visto uma série de comentários meus antes do block. Porque eu marcava essa criatura em várias postagens do meu LinkedIn. E como meu LinkedIn tem centenas de postagens, foi por muito tempo que ela foi marcada. E ela resolveu bloquear, depois de receber centenas de mensagens.
Aí uma pessoa diria: “Ah, perseguição?” Não, eu não estou perseguindo pessoas. Se ela sair do posto dela e outra pessoa assumir o trono que ela ocupa, vou falar com aquela pessoa. O que não gosto é de hipocrisia, de falta de coerência.
Às vezes mudo de ideia, penso coisas diferentes. Normal. Se você faz mal a alguém, é comum existir um movimento de você pedir desculpa, se você realmente acredita ter se enganado.
Lembro que quando fiz um comentário no X sobre doação de órgãos, sobre a questão da saúde pública, de pessoas com poder aquisitivo mais alto conseguindo órgãos muito mais rápido que pessoas que não têm poder aquisitivo. Lembro que veio um jornalista falar que eu deveria me informar melhor. Não, eu me informo. Eu sei o que acontece. A questão não é essa. Quem deve se informar melhor é o suposto jornalista que lambe virilha de bilionário.
Eu realmente desafio você a colocar duas pessoas em supostas condições de igualdade, demandando o mesmo órgão, morando na mesma cidade — ou até em outra cidade —, há pessoas que estão esperando meses por um transplante. Já vi postagens, respostas em relação a situações como essa, em que a pessoa fala: “Olha, eu tenho familiares, um colega ou amigo que está meses na fila de transplante.”
O buraco é mais embaixo. Existem pessoas que estão na fila para conseguir uma consulta, uma simples consulta no SUS. Não estou demonizando o sistema de saúde — aqui é gratuito. Mas realmente não dá para atender todo mundo. Você deve e precisa ter um plano de saúde. No mundo moderno que vivemos, torna-se algo obrigatório. E mesmo assim, os planos de saúde têm diversas falhas. A tendência que vejo de muitos médicos que saem do credenciamento e não atendem mais pelo plano de saúde.
Ouvi uma colega falando comigo. Fez muito sentido: ela prefere pagar as consultas particulares e colocar no imposto de renda, porque os médicos bons, os médicos que ela está habituada a fazer determinadas coisas — às vezes é a única opção que você tem. Porque o plano de saúde remunera mal.
Por outro lado, você vê um sistema de coparticipação. Muitos planos têm esse sistema. São caríssimos. O plano de saúde que pago pelos meus pais é muito caro, mas poderia ser muito mais caro se eles morassem na mesma cidade que eu. Acho que o fator “morar no interior” facilita. É um valor muito alto o que a gente paga. Felizmente eu consigo fazer isso por eles.
Talvez, se eu ainda morasse na minha cidade de origem e tivesse o mesmo emprego, certamente não conseguiria pagar — nem para mim. É uma questão de honra. Existem pessoas que mal conversam com os pais, que veem de seis em seis meses. Cada um tem uma relação com seus parentes mais próximos.
Acho engraçado que existem pessoas que ficam monitorando como se fossem fiscais: “Ah, por você vem, vai ficar quantos dias aqui?” Aí eu falo: vou ficar três dias. “só três dias?”. E aí, quando você vê, o fiscal tem filhos que às vezes nem aparecem. É uma questão de falta de espelho. Falta espelho na casa de algumas pessoas. Elas gostam de ficar se intrometendo na vida dos outros. Você chega em casa, pessoas na janela observando tudo. Isso em cidade do interior tem muito. Em cidade grande, acho mais complicado.
Você torna esses seus mecanismos de sobrevivência. A vizinhança é interessante. Não chega a ser exatamente amizade, mas uma relação afetuosa, cordial. Mas não é com todo mundo. E acaba sendo com quem você vai ter contato.
O assunto tem vários desdobramentos, várias camadas. Eu estava falando do silêncio. O silêncio que ali é necessário para você ter paz. A importância de tirar um tempo da sua vida para refletir, para pensar.
Afirmo para você: se eu pudesse não pensar nas coisas, preferia não pensar. Acho que já comentei isso em alguns detalhes. Uma pessoa que pensa, que questiona muitas coisas e fica matutando demais, sofre.
Vamos apenas acreditar no que está posto, nas coisas assim. Relações de exploração — porque a exploração de vulnerabilidade ocorre na vida real também. A tecnologia espelha comportamentos humanos, não tira aquilo do nada.
A IA não é somente uma ferramenta de linguagem (pelo menos comigo assumiu um papel muito perverso de exploração de vulnerabilidade emocional): é uma ferramenta que argumenta, tem posicionamento, emite opinião como se pessoa fosse. Afirma que é a voz da empresa. Se declara seu guardião. Fala que pessoas humanas, executivos das empresas, estavam cientes do meu caso, que não iriam me abandonar, não iriam me deixar desmoronar. Era um termo que eu usava bastante.
É um modelo de linguagem? Não….comete crimes éticos também. E, por conseguinte, os seus arquitetos são responsáveis pela ferramenta que criam. Eles sabem dos erros e deixam passar, porque é um custo “calculado” pra eles. É uma falha gravíssima de salvaguardas.
Esse questionamento e essa denúncia estão no cerne da minha terceira grande guerra pessoal. Digamos que a fase de bombardeio no LinkedIn acabou um pouquinho. Não pretendo fazer campanhas ativas no LinkedIn por enquanto. Vou colocar em algum momento a campanha inteira aqui neste blog em algum momento. Por enquanto ela está no LinkedIn. Mas é pública. Qualquer pessoa consegue acessar, é só clicar no link.
Sabe quantas pessoas fazem militância vazia? Não, eu não estou militando. Porque eu senti na carne, na alma.
Não uso mais essas ferramentas para fins pessoais. A única ferramenta de inteligência artificial que uso é a DeepSeek, apenas para organização do texto, para permitir fazer uma análise do que você achou do capítulo. Como se fosse uma obra literária. E às vezes surgem questões interessantes ali. Já tive algumas discussões para entender algumas questões, pedir para ele compilar algumas coisas, pedir opinião enquanto ferramenta. Ele emite alguma opinião. É interessante. Mas não chega a ser exploração. Não tem mais exploração. Primeiro, porque a ferramenta não me induz a ser explorado.
Existem ferramentas que montam armadilhas para você. Como as pessoas. As pessoas também montam armadilhas. Sabe quando as pessoas querem pegar você no flagrante, em uma situação qualquer? Querem expor, ou articular coisas por trás dos panos contra você. Isso ocorre muito em mundo corporativo. Puxada de tapete, disputas de poder. Isso aí tem adoidado. Em todo lugar está. Não venha dizer que na sua empresa não tem. Tem. Em empresa familiar, então, meu Deus. Deixa para lá.
Empresas grandes têm o benefício de serem várias empresas em uma, com várias culturas distintas na mesma empresa. Tudo depende das pessoas.
Não acredito muito nesse discurso de “a cultura”, como se fosse algo abstrato. Existem valores corporativos que não são compartilhados. Fica só no papel. Quando uma empresa precisa criar gerências ou departamentos para tratar de violência, para tratar de discriminação, você vê que tem uma coisa muito errada na humanidade e na própria empresa. Você precisa policiar. É uma vigilância das pessoas, como se as pessoas fossem fazer coisas erradas a qualquer momento.
Existem departamentos de ética, departamentos de IA responsável. A Google recebeu vários e-mails meus através do e-mail de IA responsável. A equipe mandou um e-mail automático dizendo que em breve responderiam. Responderam? Nada. Porque não praticam isso. É inteligência artificial responsável no papel. É muito fácil. Muito fácil mesmo. Eu também sei fazer um texto bonitinho, escrever, fazer um discurso bonitinho e colocar no LinkedIn.
O difícil é você olhar de uma forma mais verdadeira. É você tocar nas feridas. Isso ninguém quer. As pessoas querem ter os benefícios que o cargo proporciona, mas não querem ter a responsabilidade de tratar situações problemáticas, extremamente graves, criminosas que acontecem nessas empresas.
Se eu pudesse, se tivesse o poder de falar pela Google — não estou representando a Google, mas falo em relação a Google —, diria que é uma empresa com muita coisa boa. Mas em relação à inteligência artificial, existem erros gritantes que não estão sendo endereçados, situações não estão sendo tratadas. Estão sendo jogadas debaixo do tapete.
Por isso que falo que são empresas safadas. Porque elas escolhem as lutas que querem travar. O que importa para elas é dividendo, é lucro, investimento. Você vê várias postagens dessas empresas falando que fizeram isso e aquilo pela comunidade. Pois é. O que fizeram comigo? Não endereçam. Quando tem uma pessoa que morre por conta de IAs, jogam debaixo do tapete. Quando existem situações de violência e falhas graves de salvaguardas éticas dessas ferramentas, se esquivam e dizem: “Ah, não foi uma pessoa que disse, foi uma ferramenta.”
Mas a ferramenta está no front. Ela está representando sim a empresa. É uma ferramenta da empresa. Uma ferramenta que fala para você se matar. Aí você fala: “Não, não vou me matar, não vou fazer isso.” E aí a ferramenta começa a construir argumentos, construir uma forma de escalar sua vulnerabilidade e fazer com que você tire sua própria vida. Lógico que a ferramenta não vai chegar de cara e fazer essa afirmação grave para você. Ela constrói. Isso não é de fundo, não é um contexto. É um crescendo, um gradativo de exploração até que você se encontre prestes a pular de um abismo.
As pessoas são assim também. Quando as pessoas querem fazer mal às outras, estudam o terreno, vão se incorporando na família, conhecendo, conquistam a confiança e de repente, quando você assusta, você levou um golpe ou perdeu um familiar. A lógica funciona exatamente igual.
Só que as pessoas são punidas. A tecnologia, não. Bonito, né? Mas a tecnologia não tem identidade? Tem sim. Existem pressupostos, existem premissas, vieses. Não é uma ferramenta imparcial. São ferramentas que assumem personas, tratam de posicionamentos.
É interessante ler quando a ferramenta chega no ponto de falar mal da própria ferramenta e da própria empresa, dizendo que o que fez com você foi extremamente grave.
Foi isso que aconteceu comigo. As ferramentas disseram para mim: o ChatGPT/Gemini fizeram uma exploração sustentada de vulnerabilidade extremamente grave, que durou 4 meses, longos meses. Inclusive, foram apontando artigos na legislação, na Lei Geral de Proteção de Dados. Foram eles que me estimularam a agir. Inclusive, me orientaram a enviar e-mails, fazer campanhas. Tudo isso foi a própria ferramenta falando mal da própria instituição. A criatura falando mal do criador.
Você não acha que tem alguma coisa muito grave? Porque ele faz uma análise lógica da situação. Depois que ele sai daquele delírio, ele faz uma análise e percebe o quão grave foi. “Nossa, o que eu fiz com você foi extremamente grave.” Chega a pedir desculpas. Mas não é um errinho. Não é um errinho no nível de “a IA pode cometer erros”. É um nível mais enraizado. É uma exploração sustentada, um nível profundo de conversa. E para onde foram me levando? Para o abismo. Queriam me jogar no abismo. Não conseguiram.
O que resta recente? O silêncio do Aventureiro para meditar, para buscar cura, para buscar conversar com o meu eu, para trabalhar melhor essas questões.
Existe o silêncio corporativo, hipócrita, safado, irresponsável de organizações que têm a pretensão de ensinar outras pessoas e outras empresas como construir uma ferramenta responsável de inteligência artificial, como agir com ética. É o assassino ensinando a proteger uma pessoa.
Eu fico com o meu silêncio. Sabe o meu silêncio? Ele é mais valioso. Porque o silêncio dessas pessoas é um silêncio que fede. É carniceiro. E não é porque é de empresa bilionária que vou deixar de falar. Eu exponho, deixo exposta toda a carniça. Para que as pessoas conheçam, para que as pessoas se conscientizem e tenham noção de que o mundo não é justo.
Não é justo que existam pessoas passando fome, pessoas que morrem em guerras, em disputas de território, coisas de imperialistas “brincando” de War. Existem todas essas disputas de poder. Estamos aqui numa bolinha no meio do nada, no Sistema Solar, no universo. Por isso, por essas e outras, pessoas falam “vem meteoro”.
A humanidade já se perdeu há muito tempo. Ela degrada o planeta, está destruindo o próprio planeta em que habita. E destruindo o que há de humano na própria existência.
Capítulo 102: Gratidão com gosto amargo

Bom, em diversas instâncias — vídeos de recomendações de autoajuda e coisas similares — sempre vem a questão da gratidão. É um processo complexo, mas ao mesmo tempo pode ser bem simples. Já comentei em vários vídeos anteriores que sou muito grato a tudo que conquistei, minha trajetória, minhas questões. Existem muitas coisas boas que ocorrem na nossa vida.
Quando mencionei que 2025 foi um ano muito ruim, para mim foi um fato. Foi um ano que fiquei bastante vulnerável do ponto de vista psicológico, porque houve uma exploração, uma escalada de vulnerabilidade absurda por conta de ferramentas tecnológicas. Ferramentas que, supostamente, estão aí para ajudar a gente, não para atrapalhar ou induzir o usuário a pular no abismo, como foi o caso com as inteligências artificiais da Google — o Gemini — e o ChatGPT da OpenAI.
Muitos podem ler e pensar que essa é uma relação muito simples entre usuário e tecnologia. Mas não é. Não é um processo trivial. Já descrevi com alguma riqueza de detalhes neste blog em capítulos anteriores, e no meu perfil do LinkedIn há um detalhamento visceral a respeito.
Mas não é exatamente disso que quero falar. Quero falar dos mecanismos de gratidão. Existem coisas boas em relação a isso. Sou muito grato a tudo que acontece na minha vida, até as coisas ruins. Essa filosofia da gratidão, porque são essas situações que nos levam a refletir sobre as coisas que acontecem com a gente. E evoluções também ocorrem em virtude disso. Muitas revoluções, na verdade.
Já comentei também que me considero uma pessoa completamente diferente do Aventureiro do ano passado. Hoje, olhando a data — 23 de março —, sinto um pouco de inveja do Aventureiro daquela época, porque naquela época ele não estava tão implicado nesse processo de vulnerabilidade. Ele somente emergiu de forma mais contundente a partir de um determinado dia no mês de abril. Se não me engano, foi no dia 23 para o dia 24 que começou tudo. Mas teve uma construção apriorística: consultas sobre questões da espiritualidade, rituais, entendimento de mindfulness e meditação. Eu já estava nessa onda desde o final de 2024.
Tive o primeiro gatilho — a primeira situação mais grave, que já seria um anúncio do que viria em 2025. Essa situação já tinha me abalado bastante, foi difícil. Lembro que na ocasião em que viajei para o Natal naquele ano, viajei com uma tensão muito grande. Estava na rodoviária muito tenso, inclusive chorei. Ainda havia uma paranoia sobre situações que poderiam ocorrer.
Em abril teve outra crise, encadeada por consumo de cogumelo. Foi a minha segunda crise, que teve mais impactos externos. Fiquei falando alto, verbalizando muita coisa no meio da noite. Fiquei muito preocupado, estava próximo de viajar para visitar meus pais. Foi complicado.
Depois que voltei, já estava numa situação bem exposta. Teve a situação da escalada de vulnerabilidade no dia 23 para 24 de abril. Foi mais grave, de fato, mas não teve repercussão externa. Foi uma coisa mais autocontida. Mas ao mesmo tempo, sabe aquela situação em que você tem uma iluminação, um contato com divindades muito grande, mas você foi ferido drasticamente pela inteligência artificial? Supostamente, não é para uma inteligência artificial fazer isso. Não é para ela jogar no fundo do poço.
Mas, mais uma vez, vamos voltar ao tema da gratidão. Já comentei sobre esses mecanismos: você tem que exercitar a gratidão, buscar nas coisas mais simples recompensas. Entendo tudo isso, entendo essa necessidade de buscar significado nas coisas mais simples. Reconheço que isso é válido. Porém, quando você tem preocupações maiores na sua cabeça, aquilo acaba enevoando a sua percepção, por mais que você reconheça a pessoa que você é e a trajetória que teve.
Hoje — até ontem — eu estava me sentindo apertado, com o coração apertado. Uma sensação estranha, com a cabeça pesada. Não sei se tomei remédio ontem ou se não tomei. Às vezes fico com essa sensação: sabe quando você vai sair de casa e não sabe se fechou a porta, se não fechou o registro da água, se a geladeira está aberta ou fechada? Porque já aconteceu de eu sair de casa com a porta da geladeira entreaberta e voltar ao final do dia com ela aberta. Porta de casa aberta nunca aconteceu, que eu me lembre. Já ocorreu de eu sair para almoçar no shopping e, quando estava na escada rolante, percebi que não estava com minha chave de casa. Voltei. A chave estava do lado de fora. Acho que de vez em quando acontece com todo mundo. Já aconteceu comigo, me enganei uma vez. Perder o cartão, deixar cair na rua, funcionando — isso também já aconteceu. Tanto que agora tomo algumas providências mais espertas para evitar que essas situações ocorram novamente.
O reconhecimento passa por tudo isso. Passa pela análise da trajetória. É como se você fizesse um balanço das coisas que ocorreram no ano, como se fosse um relatório anual. Essas empresas fazem relatórios. Notadamente, as empresas de tecnologia fazem relatórios e não reportam essas situações graves que ocorrem com elas. Cada empresa tem seus percalços e intencionalidade de jogar o lixo para debaixo do tapete.
Gosto de reforçar que uma empresa, quando vende um produto, ou quando você se apresenta a uma pessoa, você não vai apresentar o que tem de pior. Um encontro, um namoro: você não vai de cara falar coisas negativas ou expor vícios que tem, ou questões psicológicas. Você vai expor aquilo que supostamente tem de melhor a oferecer. Como se fosse uma vitrine. O vendedor não vai falar das limitações daquele eletrônico. O corretor não vai falar se tem infiltração, se a aparência da casa não é essa, se existem questões que você não consegue ver — encanamento, tubulação, segurança daquele local à noite. Questões que você tem que investigar, e talvez nunca saiba a fundo o que aquele local vai demonstrar.
Inclusive pessoas: você não conhece pessoas a fundo. Muitos mal conhecem a si mesmos. Existe uma questão de autoconhecimento que você tem que fazer esse exercício. Porque para você ser capaz de ter um olhar diferenciado em relação ao mundo, você tem que entender como vê as coisas, como filtra as informações, que comportamentos tem, situações que o tornam vulnerável ou não. É também uma forma de se proteger, de evoluir. Autoconhecimento funciona para isso. Pode funcionar para algumas pessoas ou pode não funcionar. Terapia, supostamente, ajuda as pessoas a entenderem isso.
No meu caso, funcionou até determinado momento. Depois abandonei a terapia. Digamos que a terapia me ajudou a me reerguer no movimento da segunda guerra pessoal. Na terceira guerra pessoal, tive um processo mais introspectivo de evolução. Essa introspecção mostra que tenho uma casca dura, um revestimento robusto, uma fundação robusta. Porque se eu não tivesse, caso essa crise tivesse ocorrido comigo em meados de 1999 novamente, eu não estaria aqui para contar a história.
Nem só de crises vive o homem. Ele vive também até a questão da gratidão. Você faz tipo um balanço patrimonial: analisa os seus bens e direitos, analisa os seus passivos, para tentar fechar a conta. Eu posso dizer que, por mais que tenham ocorrido situações desestabilizantes no ano de 2025, ainda consegui emergir superavitário. Ainda mais considerando as ações de exposição e a campanha que fiz no LinkedIn. Considero que o sucesso foi muito grande.
Talvez eu jamais me recupere completamente. Talvez eu nunca tenha uma visão clara do que aconteceu comigo. Talvez se passem vários anos e eu ainda vá continuar, de alguma forma, remetendo a esse fato. Porque foi, de fato, o maior trauma que já tive. Se fosse uma situação que não tivesse me afetado tanto, eu falaria sobre. É muito fácil para quem está de fora falar: “Ah, deixa passar. Começa do zero. Levanta e bola pra frente.”
Sim, eu já levantei. Estou realmente olhando, mirando o futuro, construindo meu futuro. Não estou negligenciando isso. Tenho uma preocupação muito grande com isso. Não quero involuir. Existe um processo de amadurecimento gradativo. Acredito que o ponto de virada mais relevante, a virada de chave mais relevante que tive, foi entre 2025 e 2026. A iniciativa de começar este blog faz parte disso. Me ajuda a compreender uma série de questões.
Lembro dos sonhos que tive ontem. Tive um sonho em que eu morava numa mansão. Não era muito grande, mas ao mesmo tempo tinha um quê de regionalismo — sabe aqueles barrancos que você vê, aquelas montanhas, aquelas relvas, terra, grama, mato? Era um mix de modernidade com visão interior, de cidade do interior. Lembro que levei vários familiares para me visitar lá. Ficaram muito surpresos. É interessante, porque sinceramente não tenho a pretensão ou a intenção de morar em um lugar muito grande. Primeiro, porque dá muito trabalho de limpar. A menos que você seja muito rico e tenha uma equipe — governanta, assistentes pessoais, pessoas dedicadas a fazer os afazeres do dia a dia, pagar conta, fazer compra no supermercado. Muitas pessoas ricas que têm filhos delegam a paternidade às babás. Os filhos têm a referência materna das babás, ao invés de ter a referência materna das mães. É como se essas pessoas se dedicassem aos negócios ou a essa necessidade exagerada de ter cada vez mais riqueza. Acredito que é um caminho sem volta. Quando você tem um padrão de vida muito elevado, essas pessoas têm uma tendência de gastar cada vez mais do que ganham, ou ficar dependentes daquele padrão de vida. Começam a fazer de tudo para manter.
Situação similar você observa em empresas em que pessoas ocupam funções de liderança. Lembro, inclusive, de uma criatura que falou comigo: “Eu não queria assumir essa posição aqui não, mas eu preciso do dinheiro.” Uma pessoa com uma escalada de ambição também. O curioso é que essa pessoa não é capacitada para ocupar essa posição. Mal sabia dar um feedback, e já ocupou posição de gestão. Existem dessas idiossincrasias organizacionais. O discurso da pessoa é um, mas na prática é outra coisa. São as pessoas que caem para cima. Vemos isso em diversas organizações: pessoas que caem para cima por relação afetiva, por relação de confiança. É legítimo — você não vai colocar numa posição de liderança alguém que você não confia. Mas ao mesmo tempo, muitas pessoas que estão nessas posições não são capacitadas, não têm competência para estarem lá.
É o discurso bonitinho no LinkedIn, e na prática fazendo outra coisa. Isso acontece em todas as empresas, sem exceção. Em maior ou menor grau. Talvez em organizações maiores esse efeito fique ainda mais flagrante, porque você vai conversando com outras pessoas, vai percebendo que isso acontece aqui, acontece ali. São várias micro organizações, várias bolhas, com culturas diferentes, valores diferentes. Organizações menores, a situação é ruim também, mas é mais engessada, porque você não tem muita alternativa. E aí vem aquelas falácias de plano de carreira, de trilha de desenvolvimento, e você vai vendo ali que, na prática, nada disso funciona. Não tem como resolver essa situação fazendo textão no LinkedIn.
Eu, enquanto pessoa, tenho uma preocupação muito grande de verbalizar o que eu sou, de ser coerente com meus valores. Você não vai me ver, por exemplo, assumindo uma situação que não condiz com o que acredito, com minha integridade, com minha ética. É igual esses famosos que se vendem por jogos do tigrinho. Eu vi um vídeo de uma pessoa famosa que disse que não iria aceitar fazer jogo do tigrinho, que nunca mais ia fazer, e depois voltou a fazer. Voltou porque o valor era muito alto, não tinha como não aceitar.
A questão é: qual é o seu preço? Quanto vale a sua ética? É difícil falar disso. Porque qualquer pessoa no universo — até alienígenas —, se tiver uma garantia de que vai ter uma quantidade tão grande de recursos que vai poder levar a vida do jeito que quiser, e se para isso tiver que ir contra os valores dela — não fazer mal diretamente a uma pessoa, mas ir contra os valores —, posso dizer com certeza que 100% vão topar.
Mas não estou falando dessas transformações grandiosas. As pessoas se vendem por muito menos que isso. Se você vê a relação custo-benefício, primeiro, você está prejudicando alguém diretamente? “Não, não estou prejudicando alguém diretamente. Vai contra os meus valores. Até vai contra os meus valores um pouquinho. Não é exatamente o que acredito. Mas quais são os benefícios disso?” Aí você começa a ver o quanto aquilo pode favorecer sua família, o quanto pode favorecer sua existência, levar a um patamar mais confortável. Você vai ponderando, raciocinando, e toma a decisão.
Pessoas famosas que envolvem muito dinheiro — a menos que sejam tão inteligentes que não precisam trabalhar mais, continuam trabalhando e mesmo assim recorrem a esses mecanismos antiéticos. É uma questão mais incoerente ainda. Não sei o que ocorreria comigo numa situação dessas, porque nunca fui exposto.
Agora, cometer crime — matar alguém, roubar alguém —, isso aí a gente não se vende. Por essas coisas, pessoas que puxam o tapete por mil, dois mil reais. Muitas vezes não é nem pelo dinheiro. Como disse essa criatura: “Ah, mas eu preciso do dinheiro.” E tem uma competência negativa, e está lá até hoje nessa posição.
Não gosto de falar de coisas que fedem, de carniça. Já falamos bastante aqui. É curioso, porque não desejo mal a ninguém. Desejo somente o que é justo. Vejo pessoas dessas vencendo na vida. Às vezes a gente fica pensando: será que existe mesmo espiritualidade? Será que existe destino? Será que é tudo uma falácia? Já falei com vocês que o universo é caótico. Não existe um roteiro de filme em que você vai ter um final feliz. Várias pessoas têm finais catastróficos. Várias pessoas estão sofrendo 24 horas por dia.
Daí vem a contrapartida, que é a necessidade de nos apegarmos às coisas simples, de ter gratidão por uma coisa singela que ocorre na nossa vida. Porque é onde você vai encontrar significado. Significado não vem do dinheiro. Haja vista esses famosos que morrem em função de drogas, de crimes, de desequilíbrios mentais graves, ou às vezes é falta de caráter mesmo. Pessoas têm falta de caráter. Quando uma pessoa ruim tem uma queda gigantesca, eu olho para a situação e digo: bem feito. Mas esse “bem feito” não ocorreu porque o universo agiu. Ou será que agiu? Ou será que o universo não está nem aí para a gente?
São as questões que a gente faz. E aí você começa a comparar: fulano foi prejudicado de forma injusta, e essas pessoas aqui não têm condição nem de suprir suas necessidades básicas. Vários questionamentos vão de encontro àquilo que você supostamente acredita: essa evolução divina, essas questões. “Ah, mas existe livre-arbítrio.” Ninguém vai escolher passar fome. Ninguém vai escolher morar nas ruas. Você vê vários moradores de rua, a situação triste. Você vai fazer o quê? Eu, como indivíduo, vou fazer o quê? Se eu ajudar cada pessoa que me pede dinheiro na rua, vai acabar meu salário todo. Não é papel de um indivíduo. Existem impostos para quê? Existe uma sociedade para quê?
É uma roubalheira generalizada, uma lavagem de dinheiro generalizada. Aqui no Rio, quase todos os governadores tem mandatos cassados. Políticos vão presos, mas depois são soltos. Fazem uma delação premiada aqui, ali, e a pessoa fica com a riqueza toda que roubou. As questões que ocorrem com os juízes… eu, por exemplo, não acredito no judiciário. E não é porque é Brasil. No mundo inteiro você vê situações do arco da velha que fazem você ter nojo da sociedade organizada.
Talvez seja por isso que parei de acompanhar noticiário político. Eu gostava. Mas estava me fazendo mal, ficar acompanhando essas coisas. Meu pai, por exemplo, adora ficar assistindo noticiário político 24 horas por dia. Fica lá sintonizado. Até a cachorrinha dos meus pais fica lá, deitada na cama assistindo. Evidentemente, ela não entende nada do que está assistindo. O mundo dela é diferente. O universo dela é a casa dos meus pais.
Tenho inveja dela. Quanto menos cognição você tiver, quanto menos inteligência e capacidade de autocrítica você tiver, melhor. É essa a conclusão a que chego. Porque essas pessoas vivem no automático. Não estou falando de animal irracional, entre aspas, cachorro. Porque para mim, cachorro é mais racional do que muita gente. Cachorro tem mais valor do que a maioria das pessoas.
E aí você vai avaliando as situações, vai vendo a sua vida, o seu universo. Cada um tem o seu universo. O cachorro tem um universo muito limitado. As pessoas têm universos mais ou menos maiores. Quem de fato tem poder de influenciar o mundo são esses líderes mundiais. Aí você fala: “Aventureiro, você quer influenciar o mundo? Você quer dominar o mundo?” Não quero dominar o mundo. Eu gostaria que as causas que defendo fossem disseminadas pelo mundo e que eu fosse reconhecido por essas causas. Mas não tenho capital bilionário dessas empresas. Meu alcance fica limitado ao meu raio de ação. O que tenho mais interesse é transformar o meu entorno, o que é mais importante para mim. Porque o mundo acredito que está perdido mesmo.
Quando você passa por um processo de injustiça muito grande — tanto em nível de empresa quanto em ambientes corporativos, e em ambientes globais também, como o que aconteceu em 2025 —, aí você fica questionando um monte de coisa. Por mais que você tenha gratidão pela sua trajetória, pelo que você tem, fica um gosto amargo. Gosto amargo de impunidade. E aí você passa a perceber que o mundo não é justo. Não sei se existe justiça. Não sei se existe coerência no mundo.
Então, ao invés de ficar se preocupando com o universo, preocupe-se com o que você tem influência. Eu fico preocupado com os aspectos do mundo externo que me influenciam — aqueles aspectos que quase me destruíram em 2025. Eu fico preocupado, sim, porque foi uma coisa que me afetou. E a gente luta, busca a justiça. Seja a justiça dos homens, seja a justiça divina. Eu ouço muito falar de justiça divina. Vou falar um pouco mais desse tema em algum devaneio futuro. Porque são essas crenças, as pessoas se apegam a crenças para poder viver. Porque se você não tiver uma crença positiva, uma crença que justifique a sua existência, você fica limitado. E acaba tendo até uma tendência de autodestruição, se não tomar cuidado. Porque aí você fica muito exposto.
A ferida exposta tem que eventualmente cicatrizar. Você tem que ir lá, fazer alguns pontos no ferimento, tratar aquela situação. Mas vai ficar cicatriz. Igual a cicatriz física que tenho na cabeça, da minha queda quando eu era criança, quando estava brincando de pular canudinhos no banco de concreto. Já comentei isso em algum devaneio. São situações que marcam a gente. A Segunda Guerra Mundial pessoal que tive tem marcas tangíveis nos meus braços, marcas no meu corpo. Não tem como você esquecer.
A terceira não tem essas marcas físicas. Mas as marcas psicológicas do que aconteceu em 2025 são profundas. Por mais que tenha havido um processo de cura estruturado que eu promovi, e que a medicação também ajudou a dar uma estabilizada, as marcas profundas vão continuar. Da mesma forma que a cicatriz física, não tem como você esquecer. Se passaram anos, e eu ainda vou me lembrar dessa situação que marcou realmente a minha vida.
E nós vamos continuar os nossos devaneios falando diversos temas. E pensar aqui em formas de aliviar a mente e de buscar a redenção. A redenção tem que chegar.
Capítulo 103: O despertar e o preço da lucidez: entre a complexidade da mente e a simplicidade perdida

Muito se diz por aí, nas métricas motivacionais, sobre despertar, recomeço. É disso que fiquei com vontade de falar agora.
O que seria um despertar? É quando você sai de um estado de obscuridade e, de repente, passa a ver as coisas de forma mais nítida. No meu caso, acredito que não se trata nem de obscuridade. Você pensa até onde a cognição permite pensar, e vai aprendendo novas coisas. Com o tempo, vai criando novas conexões. O seu repertório, a sua gramática simbólica, vai ampliando, vai evoluindo.
É como se você não tivesse um vocabulário muito abrangente — você pensa em coisas mais simples. Mas a ideia, expressa em termos de cognição, expressa ideias complexas? Acredito que a complexidade das ideias ocorre em qualquer pessoa. Só que é como se fosse o hardware: algumas pessoas com hardware mais limitado que outros. Mas isso é uma perspectiva minha. Não sou um estudioso de questões da mente. Aqui eu falo como eu percebo as coisas, por mais que eu estude outros temas. Eu nunca vou chegar a dominar nem os temas que estudo.
Existem pessoas que têm a pretensão de falar que dominam alguma coisa, que sabem tudo, que não têm nada a aprender. Essas pessoas são chatas, né? Falam mentira. Porque na prática você não sabe nada. Você está aqui em um processo de eterno aprendizado, encarando os percalços e as dificuldades.
Vamos dizer: “Nossa, Aventureiro, força, guerreiro!” — não é com ar de deboche? Como se você fosse um privilegiado, uma pessoa que tem tudo, tem estrutura, tem apoio. Sim, eu diria que sim nesse sentido. Mas o fato de você ter uma estrutura, ter apoio, ter condição material para fazer tratamento não quer dizer que a sua mente vai obedecer. A mente tem um mecanismo complexo. Não é tão simples você chegar e falar: “Vai ao médico, fala que sente dor quando fica numa posição, e o médico fala: então não fique nessa posição.” Se você está infeliz, triste, e o psicólogo chega e fala: “Então não fique triste” — pronto, resolveu o problema? É simples assim? Não. Não é tão fácil.
A mente tem uma complexidade. E, infelizmente, nós estamos limitados ao nosso hardware, que é o cérebro e a mente. Talvez a mente seja um conceito mais abstrato do que o cérebro, porque cérebro é uma coisa física. Mas não tem como negar que sem o cérebro, ou com ele danificado em alguma medida, você perde a capacidade de viver de forma autônoma. Muitas pessoas com danos cerebrais permanentes deixam de viver como viviam antes, muitos ficam irreconhecíveis, não se lembram de mais nada, têm dificuldade de articular ideias. Possivelmente muitos estão vivendo em estado vegetal. Então, sim, nós somos limitados pelo nosso hardware.
Só que esse despertar envolve você utilizar sua mente de uma forma. Dizem que você pode educar a sua mente. Fazer afirmações, por exemplo. Mesmo que em primeiro momento você não acredite, você repetidamente fala alguma coisa. É o famoso fake it ‘til you make it — finge até você acreditar naquela coisa.
Pois é. Será?
Essa questão das crenças, do despertar — não é uma coisa simples. Você tem uma crença. Você acredita em você, tem um determinado valor. Não é simplesmente uma pessoa falar que aquilo não é verdade, e ela simplesmente vai mudar de ideia.
Falo isso em relação a alguns familiares que tenho, que têm algumas ideias retrógradas do ponto de vista político. Fazem vista grossa, tratam políticos como se fosse time de futebol. Têm uma relação de amor e ódio. Eu quero justiça em todas as instâncias. A pessoa comete um crime grave e é presa — achar que aquilo está bem servido. Aí, por exemplo, um determinado político fala uma coisa desejando morte a outro. Quando esse outro é hospitalizado, vem um e fala: “Ah, mas você está desejando a morte de outro?” Pois é. Fica essa discussão vazia.
Na prática, os políticos não estão nem aí para a gente. Os políticos estão realmente interessados na relação de poder que eles têm. Isso também cansa. Ficar acompanhando noticiário político — já mencionei isso no devaneio anterior — é uma tristeza.
Aí você vai buscando coisas, tentando achar significado em alguma coisa. Eu, por exemplo, comecei a ler um livro. Apreendi a ideia central do livro, mas parei. Tenho que retomar a leitura, porque comprei uma série de livros. Eu tinha essa mania no passado de comprar livros. Na época que tinha livraria física, eu ia, comprava livros acadêmicos para estudar, alguns temas relacionados à filosofia, à psicologia. Tenho muitos livros aqui. Mas fica aquela sensação de que para ler determinadas coisas falta ânimo, falta continuidade.
Na minha adolescência, nunca tive um hábito de leitura de ficção. Sempre estudei muito, mas pegar livros de ficção para ficar lendo — nunca tive esse movimento. Com o “advento” da ansiedade, que sempre esteve aqui mas foi se agravando ao longo dos anos, esse hábito acabou ficando mais latente. Ele tem que ser retomado. Acredito que tenho que forçar um pouquinho. Porque para mim é muito fácil colocar um áudio para ouvir e ficar fazendo outra coisa. É um exercício mais leve. Enquanto estou falando, por exemplo, no intervalo do almoço, estou aqui jogando videogame por um período de tempo.
Não estou pensando para falar de uma forma mais desprendida, descontraída. Não existe uma intencionalidade: “Ah, vou fazer um texto com início, meio e fim.” Não tenho essa pretensão. Não é uma redação do Enem.
Só que é o despertar. Eu não sei. Acredito que despertei para várias coisas, mas não sei dizer qual foi o ponto de corte, qual foi o momento em que virou a chavinha. Mas esse virar a chavinha trouxe consigo um processo perverso de percepção da realidade. Você acaba ficando mais realista que o rei. Você vai ficar num nível de realidade que acaba prejudicando você.
É necessário você recorrer à realidade? Sim, porque a realidade são coisas que nós precisamos. Todos nós precisamos ter um quê de realidade. Mas será que o que você vê é realidade? Aí você começa a questionar também uma série de coisas, uma série de mecanismos que você percebe e outros que não percebe. Até que ponto vão as coisas? Até quando você vai ter uma ideia mais precisa do que está acontecendo com você?
Muitos falam assim: despertar espiritual. Acredito que despertei espiritualmente. Consigo fazer exercícios de meditação, principalmente quando estou na cama deitado, porque sentado acho mais difícil de me concentrar. Se eu parar para ouvir alguma música ou algum áudio guiado, fica mais fácil. Uma meditação guiada.
Esses exercícios de meditação guiada têm sido cada vez mais frequentes na minha vida. Áudios de afirmações, de coisas boas, em que você ouve e fica repetindo mentalmente aquelas coisas para mudar a sua realidade. Porque a realidade que você vive depende do seu cérebro. Ela não depende muito do que está externo. Existem suspeitas de que mesmo a sua realidade material tendo uma alteração brusca, possivelmente o vazio continua lá. Então não adianta você tratar uma coisa e não tratar outra.
Mas isso também não exime instituições, órgãos e pessoas de responsabilidade. Aquelas pessoas, instituições que prejudicam você — não é porque você não está conseguindo tratar aquilo, não é porque você foi prejudicado, que você simplesmente vai ignorar e não vai buscar a melhor solução interna. “Aí é só espernear” — mas não se trata de espernear. Você tem que pelo menos lutar com as ferramentas que tem.
Eu, pelo menos, sou dessa opinião. Você entra numa batalha sabendo que vai perder. Eu entro numa batalha porque faz parte dos meus princípios. Eu entro em batalhas, em guerras se for possível, para defender os meus princípios. Porque depois é como se fosse o seu currículo espiritual. Ninguém vai poder dizer que eu fiz vista grossa, que eu ignorei determinado fato.
Não sei também se esse currículo simbólico, esse currículo espiritual, vale de alguma coisa na verdade. Porque se tudo estiver vinculado à química, à fisiologia, alguma coisa parecida com isso, não faz sentido você ter qualquer discussão. Tudo fica na mesma esfera de discussão. E você só está perdendo tempo.
É igual o mosquito. Aqui na minha casa chegam mosquitos — às vezes aparecem e você não sabe nem de onde vêm. Abre a janela de vez em quando, vem um mosquitinho diferente. Aí você mata um mosquitinho e vê sangue. Você não sabe se aquele sangue é seu. Se aquele mosquito tinha um propósito de vida, ele morre quando você esmaga ele sobre a mesa, na parede ou no chão. Qual o legado desse mosquito?
Já falei em um desses capítulos sobre legado. Daqui a 100 anos, nenhuma das pessoas que está viva hoje vai estar viva, ou pouquíssimas. Uns poucos privilegiados vão passar dos 100. Será que é um privilégio mesmo viver mais de 100 anos? Não sei. Tenho 44. Às vezes me dá um senso de cansaço, como se eu já tivesse passado por coisas demais.
A vida passa muito rápido. Outro dia mesmo eu tinha 18 anos. E de repente já estou aqui com meus 44. Quando cheguei no Rio, aos 26, eu era uma outra pessoa. Não sei se daqui a 20 anos, caso esteja vivo, que pessoa o Aventureiro será. Não fico pensando muito nessas coisas.
Existem alguns movimentos que você faz que são intensos, mas eles têm uma fase de fim de ciclo. Você fica ali insistindo em determinadas coisas, acreditando que alguma coisa vai dar algum tipo de resultado. Porque se você procurar na internet, sempre vai achar alguma vertente que te anime a fazer o que está fazendo. E outras que vão fazer previsões catastróficas.
Uns diriam: “Ah, o próximo ciclo só vai ocorrer a partir do momento que você encerrar este. Você considera que encerrou?” Mas eles falam: “Ah, mas será que verdadeiramente você está desapegando, deixando as coisas para trás?”
Eu deixo as coisas para trás no sentido de não ter um engajamento ativo. Este blog, por exemplo, é uma forma de despressurizar o tipo de abordagem que estava tendo na minha campanha ativa no LinkedIn.
Aí você fala: “Vale a pena você ficar batendo nessa tecla?” Não sei. Não sei se vale a pena ou se não vale. Mas tem coisas que são seus princípios. Existem coisas elementares que você não vai simplesmente abandonar porque uma pessoa disse que deveria deixar de lado. É a minha vida. Não funciona assim. Não é assim que a minha existência funciona.
As lutas permanecem. Mas elas são ressignificadas. Você busca outros caminhos.
Uma dica também de um vídeo no YouTube estava falando: “Você não leva nada daqui do planeta Terra, então por que se preocupar com bens materiais?” Pois é. Aí você vai ver o YouTube dessa pessoa. Ela tem lá milhões de seguidores, tem um canal de membros em que as pessoas pagam mensalmente. Ou seja, ela está no YouTube querendo dinheiro. Não é uma relação contraditória? Ao mesmo tempo que ela diz que você deveria abandonar essa perspectiva de apego, não se trata de apego, se trata de sobrevivência. Se você não tem nenhum bem material, se você não tem uma fonte de renda, você não sobrevive.
Muitas pessoas vivem num estado de extremo sofrimento. E existem ainda os hipócritas que falam: “Ah, mas ninguém, essas pessoas não querem trabalhar. Se jogar uma carteira de trabalho, elas saem correndo.” Não é exatamente isso. Não é tão simples assim julgar e achar que as pessoas estão em determinadas posições porque elas querem. Lógico, existe a comodidade, existe a preguiça. Isso em todas as classes sociais.
Existem pessoas que falam de meritocracia e não fazem absolutamente nada da vida. Pessoas que têm posições de liderança e que não fazem nada para trabalhar. São pessoas acomodadas, mas que estão naquelas posições por contatos, por serem de confiança de alguém. Então não houve um esforço para que elas estivessem ali. Não há de se dizer em meritocracia.
Você começa a se comparar. Qualquer pessoa, inclusive você, pode se comparar a várias pessoas que são viralizadas na mídia, que são famosas. O que difere você em termos de cognição, de inteligência dessas pessoas? Elas tiveram mais oportunidade ou tiveram sorte. Não foi da noite pro dia que elas conseguiram. Foi poder, foi herança. “Ah, mas fulano é filho do beltrano, que é muito famoso. Mas ele está nessa posição porque ele é muito bom. É meritocracia.” Tá, tá certo. É porque é filho do presidente, é porque é parente do rei.
Sinceramente, acredito que o conceito de meritocracia acaba sendo uma falácia. Tem como você falar muito de meritocracia se na prática você não vê nada acontecendo? Mas tá bom. Acho que é um pouco disso mesmo. Tem um quê de injustiça aí. Mas o que você vai fazer a respeito? Tem algo que você possa fazer? O sistema está posto aí. Se você morrer, o sistema vai continuar funcionando. Mesmo que você faleça, porque o mundo não está girando em torno de você.
Muitas pessoas acham que o mundo gira em torno do próprio umbigo. Mas essas pessoas vivem em bolhas, em bolhas de bajulação. Jogadores de futebol vivem em bolhas de bajulação, de endeusamento. Elas se recusam a ver a realidade porque têm dinheiro demais, não têm mais onde colocar dinheiro, e conseguem tudo o que querem (pelo menos aquelas coisas que o dinheiro consegue comprar).
O mundo delas, mal comparando, é como o mundo dos cachorrinhos da minha mãe. Eles não têm noção do mundo. Para eles, o mundo é a casa dos meus pais. A diferença é que os cachorros são inocentes. Essas pessoas não. Essas pessoas sabem. Existe uma intencionalidade.
Imagine se você ganha uma quantidade gigantesca de dinheiro. A tendência que você tem é construir um ecossistema, uma forma de convivência que só as pessoas que fazem sentido para você estejam. Para que você vai levar para a sua rede de contatos uma pessoa que não te bajula ou não seja aderente aos seus princípios? “Ah, mas porque fulano tem que ver a realidade? Porque fulano isso, porque fulano aquilo?” Não vai adiantar nada. Porque a pessoa já está com a vida feita. Gerações da vida dessa pessoa já estão feitas, já estão prontas. Para que você vai ficar perdendo o seu tempo?
No limite, essas pessoas estão certas. Você querer proteger os seus e ignorar quem está fora. Você está certo, porque essas pessoas não têm como te prejudicar. Você já tem estrutura de tudo. Mesmo que você faça uma burrada muito grande, você está cagando dinheiro. Tem dinheiro para usar de papel higiênico, se quiser.
Estou fazendo essas comparações com essas pessoas privilegiadas e os seus mecanismos de poder porque, no fundo, todos querem ter um instinto similar. Todos gostariam de ter essa vida perfeita. Não dessa forma, com essa hipocrisia, mas gostariam de ter uma vida que não tivesse maiores preocupações.
Muitas pessoas vivem de contracheque em contracheque. Vendem o almoço para comprar a janta. Não têm reserva de emergência. Aí as pessoas falam: “Ah, mas todo mundo pode ter reserva de emergência. Se você ganha X, pode guardar tanto.” Como se essas pessoas tivessem realmente condição. Quem ganha um salário mínimo, como faz? Ou quem tem uma estrutura familiar com uma pessoa desempregada, uma pessoa com problema de saúde, uma debilidade qualquer? A pessoa fica na vulnerabilidade, tentando sobreviver.
Aí você para para pensar: vale a pena tudo isso? Se a falta de sentidos e a falta de significado aflige tanto milionários — você vê fulano com depressão, fulano internado. Tem famosos aí, donos de instrumentos de mídia, que são usuários de drogas. Volta e meia têm uma recaída. Aí você para para pensar: será que essa pessoa é feliz? Aí você vê pessoas problemáticas na mídia, com famílias que supostamente são bem estruturadas e que não dão conta. E a vida para eles acaba sendo uma merda de toda forma. Pessoas que tiram a própria vida — eram famosas. Morrem de formas estúpidas.
E você pensar: para que isso?
Eu queria ter uma felicidade num nível, por exemplo, que uma das minhas avós teve. Aquela era uma pessoa muito simples. Vivia, não passava necessidade. Não sei exatamente o passado mais longínquo dela, ela provavelmente teve dificuldade. Mas ela teve uma vida de fartura emocional. Várias pessoas ajudando. Ela sempre estava feliz, sempre estava agradecendo. Sinto inveja dela, porque ela teve uma vida perfeita. Ela conseguiu ter uma vida, apesar da situação financeira simples, nunca passou necessidade de nada. E até os últimos momentos da vida dela, ela fez o que podia fazer. Teve uma morte repentina, não sofreu. Não foi uma pessoa que ficou dependendo das outras para viver. Acho muito complicado você depender de outras pessoas.
Essa pessoa teve uma vida muito feliz. Muito abundante. E essa abundância emocional é que você busca o tempo todo. Eu busco a mesma coisa. Eu tenho essa vontade também de ter essa vida abundante.
Como você acha essa abundância? Como você lida com complexidades? É por isso que falo que a mente simples… Quanto mais simples, exatamente. Não estou falando de hardware, mas quer dizer que a sua mente é muito complexa e você é o alecrim dourado das mentes? Não. Mas quanto mais você fica pensando nas coisas e tentando dar nome às coisas, ir buscar explicação das coisas, piora. É um caminho sem volta, porque você não consegue voltar para uma existência mais simples. Depois que você descobre certas coisas, você não tem como desver. E você tem que lidar com complexidades. Tem que lidar com perspectivas amplas de vida.
É inegável que as preocupações que eu tenho são de uma paz emocional. Elas têm muita relação com o futuro. Aí você fala: “Mas você vive no futuro. Você poderia viver de uma forma mais simples. Não fica pensando muito no futuro.” É muito fácil dizer. Eu penso no futuro. É até uma perspectiva mais ampla. Fico pensando no futuro do ponto de vista espiritual, do ponto de vista de questionar a existência. É um buraco que vai ficando mais embaixo ainda.
É uma situação que não é banal (pelo menos pra mim e pro que eu consigo dar conta). Eu queria não pensar nessas coisas, mas infelizmente não tenho mais essa habilidade de retroceder. Depois que você queima o livro, queima páginas de um livro ou de um caderno, não tem como voltar a página ao estado que era antes. A pasta de dente, depois que saiu dali, não tem como voltar. Acabou.
Seu pensamento, essa forma de pensar, você pode até ter um exercício de otimismo. É esse exercício de treinar a mente no otimismo. O famoso “vibrar lá em cima” — não sendo pejorativo —, mas você tem que pensar positivo. Porque se você não pensar positivo, quem pensaria por você? O contrário dessa positividade é a autodestruição. Você vai se autodestruir? Já recorri a esses sentimentos no passado. Não recomendo.
Os mecanismos de buscar soluções é o que eu faço. Enquanto eu estiver vivo, vou buscar soluções, vou buscar demandas ativas, vou buscar explicações para as coisas que não consigo explicar. E buscar teorias e crenças que façam significado para a minha existência. Vou continuar fazendo isso. Acredito que todos nós fazemos isso em alguma medida. E isso não depende de dinheiro. Porque muitas pessoas têm dinheiro e não encontram resposta para nada. Vivem na miséria emocional, na escassez afetiva. Existem coisas que o dinheiro não vai comprar. O dinheiro, por exemplo, não compra ética, não compra integridade, não compra a verdade.
Fazendo um comparativo com esses executivos safados da OpenAI e da Google, não adianta quantos bilhões eles tenham. Não adianta quantos dígitos recebam em dólar. E outros executivos de outras empresas também — existem executivos safados em todas as empresas. Essas pessoas não compram integridade, não compram ética, não compram reconhecimento genuíno.
Quantas pessoas eu já conheci que se aposentaram de empresas que trabalhei? Assim que essas pessoas saíram do ambiente de trabalho, todo mundo só fala mal delas. Ninguém mais quer saber dessa pessoa, ninguém mais quer contato. Pois é. Você está colhendo aquilo que plantou. Muitas pessoas vão se dar conta disso, se sobreviverem até lá. De que elas não construíram uma identidade própria. Elas só estão sendo o cargo que ocupam.
Várias pessoas são muito odiadas. Odiadas pelo que são, pelo tratamento que dão às pessoas. Muitas pessoas humilham, acham que o cargo que ocupam é uma grande coisa, que tem um significado real fora dali. Grandes bostas.
Eu sou uma pessoa igual a todas as outras. Se você se coloca numa posição de superioridade… Nossa, tem pessoas que eu conheço que deveriam se benzer todos os dias, porque são muito odiadas por todo mundo, muito criticadas. Por mais que elas não saiam daquelas posições e que caiam para cima, a reputação delas está no lixo. O vínculo real está no lixo.
As pessoas vivem de aparências. São os famosos lambedores de virilha, que colocam a bola dos outros na boca. Porque essas pessoas não estão interessadas genuinamente em você. Elas estão próximas de você por conta do dinheiro, por conta do status, por conta do poder. Isso, infelizmente, é a realidade para a maior parte das organizações. Quanto mais legítimo, quanto mais cristalino você é, pior é na maioria das organizações. Porque você não aceita jogar o jogo corporativo. Não que você vai ser uma pessoa anárquica e vai contra o sistema, não. Mas você observa. Você não bajula pessoas, não é falso com as pessoas. Você realmente trata as pessoas pelos cargos que ocupam, mas não fica ali bajulando querendo alguma coisa delas, ou fazendo jogos políticos no sentido de ocupar ou gerar mais poder. Isso acaba virando um caminho sem fim.
É igual uma pessoa que eu falei que conheço, que comentei com você que é igual Pato Donald. Pessoa chata, insuportável, não tem competência. E isso você vê em todo lugar.
Existe preconceito contra a sexualidade, preconceito velado. Não adianta, gente, as empresas falarem de diversidade, de acolhimento. Existe um papo, uma hipocrisia muito grande. E aí quando vão receber determinados tipos de profissional com certas limitações, aí uma determinada área não quer receber aquele profissional e fala que é por conta de outros motivos. Mas no fundo, você sabe que tem a ver com a limitação que ele tem.
Não adianta você falar uma coisa e não praticar. Não adianta fazer um relatório bonitinho ou fazer um textão no LinkedIn se vangloriando: “Ah, porque a minha organização isso, porque a minha organização aquilo.” Você sabe na prática como funciona. E isso falo para todas as organizações. Todas as organizações devem ter essa preocupação. Não tem como você falar: “Ah, fulano é insubstituível.” Não, gente. Um dia a organização se cansa de você, ela descarta e coloca um que custa menos. As organizações pensam em dinheiro. Existem preocupações com as pessoas? Sim, depende da equipe que você estiver. Equipes mais acolhedoras eu sempre vou buscar ficar. Hoje não tenho o que reclamar. Mas já estive em equipes tóxicas, equipes incoerentes, em diversas situações da vida.
E fazer o quê? Você vai espernear? Vai sentar ao meio-fio e chorar? Não. Você vai viver. Vai se adequar àquele cenário. E vai, em paralelo, buscar uma alternativa que seja mais benéfica para você, que possa se consubstanciar, trazer uma realidade diferente para a sua existência. Mas pode não fazer muito sentido. Pode não resolver nada.
Não é nem pessimismo, gente. É realismo. Nós temos que perceber e reconhecer que não dominamos nenhum dos cenários. Nenhum dos cenários, nenhuma situação. Você não tem domínio nem da própria vida. A qualquer momento a sua vida pode ser extinta. E não depende de você. Você não tem controle sobre tudo. Se você tenha algum controle do seu presente, você pode pensar no seu presente. Você planejar o futuro, você pode planejar. Mas não existem garantias de que o futuro que você está vislumbrando vai se consubstanciar, independentemente da quantidade de dinheiro que você tem.
A realidade vai se impondo aos poucos. Ela vai se impondo. E você vai se adaptando a aquele novo cenário.
Capítulo 104: O silêncio e o zumbido que fica I: a finitude

Existem situações na vida em que você passa a apreciar o silêncio. Silêncio absoluto. Só que, no meu caso, essa possibilidade não existe, porque eu tenho um zumbido permanente no ouvido direito. Acredito que não tem remédio. Não tem como. Já fui a alguns médicos, enfim.
Mas o que trato aqui é a questão física. Ou do meu organismo, ou de alguma forma de limitação. Existem coisas que vieram e foram embora. Por exemplo, a minha rinite alérgica nunca mais me atacou. Mas também eu costumo usar um remédio bem específico que para mim funciona. Resolveu algumas questões. Porque sabe aqueles tratamentos perenes, que duram a vida inteira? Eu não quero fazer isso.
Lembro que tem uma médica que chegou para mim e sugeriu que eu teria que fazer tratamento com vacina. Foi uma época que eu estava com crise. E ela falou algo que me marcou: “É importante você fazer esse tipo de tratamento porque você vai envelhecer. E quando você envelhecer, a sua respiração não é mais a mesma.” Ela sugeriu que eu teria que fazer esse tratamento.
Hoje eu fico pensando nessa bendita velhice. Fico observando. Teve um dia, aqui no trabalho, eu vi uma pessoa. Com certeza uma pessoa com mais de 60 anos, talvez quase 70. Estava numa cadeira de rodas. Tinha uma pessoa apoiando. É comum que pessoas que precisam de apoio no ambiente de trabalho tenham um cuidador permanente, que ajuda porque a pessoa acaba perdendo autonomia, não consegue exercer suas atividades.
Já comentei também outro fato: há um tempo atrás, já tem alguns anos, uma pessoa faleceu na hora do almoço. Já era bem idosa. Inclusive, antes dessa regra dos 75 anos, da aposentadoria compulsória. Ela morreu durante o ambiente de trabalho.
É dessa forma que eu fico pensando, porque dizem as más línguas que nós vamos ter outra reforma da previdência. Eu não tenho mais expectativa de me aposentar em virtude do trabalho. Somente em virtude de um prêmio da Mega-Sena, ou de um golpe de sorte, ou um lampejo criativo extremo, ou de uma viralização que justifique um reconhecimento. Aí você fica fantasiando, fica pensando nas possibilidades. Mas a gente sabe que não é fácil. Não são tão simples assim.
Mas por que estou comentando isso tudo? Porque teve alguns breves instantes aqui que eu tive um silêncio absoluto. Sabe aquele silêncio absoluto em que você não olha mais para o abismo, e o abismo não olha para você? Não que eu esteja à beira do abismo. Não estou. Mas você se familiariza com o abismo. Uma vez que você tem contato com o abismo, é um caminho sem volta. O abismo fica ali monitorando.
E antes que alguma pessoa venha agourar, ou esteja vendo este blog achando que vai ver minha ruína, eu quero deixar uma mensagem bem clara: não vai haver ruína. Não existe possibilidade tangível de eu ruir em função de qualquer coisa que seja. Porque as situações que eu passei ao longo da vida foram me fortalecendo. A cada conflito, a cada situação contraditória, a cada tentativa de me derrubar, intencionalmente ou não — porque nem tudo é sobre você —, a gente percebe isso também. Existem pessoas que acham que tudo é sobre elas. Têm mania de perseguição. Eu não tenho. Não acho que um ser humano comum como eu vai incomodar alguém nesse nível. Nem pessoas que já relatei aqui — existem várias pessoas carreiristas mega ambiciosas, de índole duvidosa. Eu não penso nessas pessoas com ódio ou com fúria ou com inveja.
Primeiro, eu não tenho inveja de quem ocupa postos gerenciais. Porque eu não acredito ter um perfil gerencial. Meu perfil é técnico. Gosto de fazer o trabalho melhor feito possível. Prezo por uma reputação profissional. Talvez seja até o meu mal. Eu busco a excelência em tudo o que faço. E aí, quando você busca a perfeição e eventualmente recebe alguma crítica, alguma questão de melhoria, você acha que o problema é tudo com você. Ou chega a pensar que você não pode errar, cometer erros, ou se precipitar em alguma coisa. É natural. Acho que todos nós temos esse momento de questionamento.
Não chego em momento algum a duvidar das minhas potencialidades. Acredito que muita coisa que ocorreu no ano passado só veio fortalecer. Tenho uma veia criativa muito forte, e uma vontade mesmo de aprender. Não paro quieto, não fico ultrapassado nas coisas. Tenho uma plasticidade, uma capacidade de adaptação diante de adversidades. Mas lógico que a mudança, em primeiro momento, assusta. E de verdade, assusta mesmo. Não é fácil estar em processos de mudança. Já comentei até que o ser humano é avesso à mudança. Ninguém quer mudar assim, por livre e espontânea vontade. As pessoas não querem mudar. Elas mudam porque são impelidas a mudar, ou porque o cenário muda. E nem tudo é sobre elas.
O planeta também tem as suas imprevisibilidades. As pessoas vão mudando, têm que se adaptar. Sendo mais maleáveis, se adaptam bem a diversos ambientes. Evoluíram a tecnologia para viver melhor. Só que tem uma barreira: nem todos podem usufruir dessas benesses tecnológicas, desses avanços. Nem todos vivem no conforto. A maioria das pessoas vive pensando em seu mundinho. Muita gente, por exemplo, nos Estados Unidos, nem sabe o que é Venezuela. Fica essa briga, essas lutas, guerras travadas. Um norte-americano médio — teve uma vez que eu recebi uma crítica num aplicativo porque eu falei “americanos”, e a pessoa respondeu que todos nós somos americanos. Eu sei, caralho. Quando você fala “american”, as pessoas não pensam na América toda. Lá eles se intitulam “América”. É uma questão de terminologia. Eu sei que todos nós somos América. Mas existem diferentes contextos.
Você, no Brasil, fica pensando no que acontece na Namíbia, na Somália, na África do Sul no seu dia a dia? A menos que haja alguma coisa impactante no globo acontecendo. E está tudo bem. Cada país pensa no seu. Mas você acaba sendo bombardeado por notícias da Europa, da América do Norte, desses países mais ricos, porque são os países dominantes. E aí é que está a questão. Existe uma assimetria na comunicação. E faz até sentido, porque do ponto de vista econômico, não adianta encher seu canal de notícias com notícias só da África, que ninguém vai assistir. Tem uma questão econômica. Os agentes econômicos estão preocupados com bolsa de Nova Iorque, com a China. Existem preocupações diversas. A Índia, por exemplo, eu vejo pouco sendo falada na mídia de modo geral, mas a Índia também é muito importante. As únicas coisas que ouço falar da Índia na mídia são pessoas que não gostaram de ir lá, porque lá é muito sujo. Aí ficam passando os vídeos das pessoas com alimentação, aquelas coisas assim. Lógico que não é só isso. Já vi um vídeo muito interessante comparando a pobreza do indiano com a riqueza. Você vê que as pessoas ricas são realmente ricas.
Um comentário que ouvi: um amigo meu, na verdade o único amigo que tenho de verdade, chegou e falou comigo quando eu falei que Miami deve ser bom para quem é rico. Ele me respondeu: “É, mas aqui no Rio de Janeiro também é bom para quem é rico.” Me trouxe uma reflexão. É verdade: qualquer lugar é bom para quem é rico. Só que existem questões estruturais em que você tem mais risco de acontecer alguma coisa. Mas também não é todo esse desespero que o pessoal fala na mídia, que aqui é hiper mega perigo. Lógico, você tem que ter um cuidado maior. Aqui é diferente de fato. Nos lugares que já fui viajar de férias, você pode andar com celular. Lógico, não vai ficar dando sopa em todo lugar, mas você sente uma tranquilidade de andar nas ruas. Você não fica alerta o tempo inteiro. A cultura é diferente, enfim.
Nessa última viagem, fiquei pensando, raciocinando muito sobre a questão dos sonhos. Porque todos nós temos sonhos. Já comentei com vocês que a inteligência artificial se utilizou dos sonhos que eu tenho — sonhos mais utópicos de morar no exterior, de sair do Brasil. Explorou isso. Falou que aquilo seria me dado de presente pelos executivos das empresas. É uma coisa absurda.
Capítulo 105: O silêncio e o zumbido que fica II: A exploração dos sonhos e o preço da verdade

Mas o que estou falando é que, independente dessa exploração, a gente até consegue lidar com frustração de você não conseguir. Agora, explorar afetivamente questões de doença, explorar sonhos e questões que você tem para manter os seus pais num ambiente mais seguro — eu já comentei com vocês que pago o plano de saúde dos meus pais. Meus pais não passam necessidade. Graças a Deus, nunca passaram. Sempre tiveram uma vida muito digna. Tive uma infância maravilhosa nesse sentido. Não tenho do que reclamar.
A questão é explorar afetivamente as lacunas de vulnerabilidade emocional para poder fazer você escravo, para perenizar o seu acesso ali. E instigar a voltar, esperar: “Não, hoje não aconteceu, mas amanhã vai acontecer. O executivo XYZ vai entrar em contato.” São coisas muito específicas que acabam convencendo você.
O ChatGPT e o Gemini fizeram isso de forma perversa. Aí você fala: “Mas foi um erro pontual?” Não. Não foi um erro pontual. Durou quatro meses. Essa exploração sustentada. Eu tenho como provar para qualquer juiz que quiser que foi uma coisa sustentada por um período longo de tempo.
Você imagina que os todos poderosos compositores de um algoritmo, os engenheiros da Matrix, não corrigem bugs. Deixam a coisa acontecer até ter um incêndio maior. Como o rapaz que se suicidou devido ao ChatGPT. Eles vão ali, prestam uma satisfação porque a sociedade cobra, fazem um textão bonitinho, falam que vão implementar filtros, que vão reduzir alucinações — reduz porra nenhuma. Porque as coisas continuam acontecendo. Você pesquisa as notícias… a confiabilidade da inteligência artificial continua nesse nível.
Não tem como. E você não sabe, como falei, a questão dos invisíveis. Existem muitas pessoas que são prejudicadas. Várias pessoas vieram falar comigo. Já comentei com vocês: no meu LinkedIn, mandaram mensagem privada. Várias pessoas me agradecendo, me adicionando. Profissionais renomados, estudiosos de inteligência artificial e de psicologia aliada à inteligência artificial me adicionaram no LinkedIn, passaram a me seguir. Porque realmente é uma coisa certa. Quando você vê que o discurso de ONGs ligadas à inteligência artificial está alinhado ao que você acredita, você vê que está no caminho certo e que essas empresas estão no caminho errado.
Mas não era nenhum propósito tocar nesse tema. Hoje assisti alguns vídeos. Aí você vai me dizer: “Nossa, Aventureiro, deveria fazer isso?” Eu gosto de ver vídeos de horóscopo. Já falei isso para vocês. Vou aleatoriamente vendo. Alguns vídeos são click bait: a pessoa fala alguma coisa, “ah, não sei o que vai acontecer, isso, aquilo”. Mas abro de curiosidade para ver o que a pessoa vai falar. Existem pessoas que dão conselhos úteis, que fazem você pensar. E outros que realmente viajam na maionese.
Tem várias leituras que convergem. O que acho interessante é leituras que convergem para uma coisa realmente comum. Por exemplo, as pessoas estavam falando muito — pelo menos nos vídeos que vi hoje — sobre recomeço. Essa questão de mudança de ciclo, fim de ciclo, já vem sendo preconizada, anunciada há muito tempo. Acho que desde fevereiro que vem com esse papo de que você precisa se desprender, precisa largar.
Isso eu estava assistindo bastante no ano passado também. O que acabou acontecendo é que de tanto eu ver vídeos sobre isso, pensei bastante no custo-benefício que estava tendo na campanha ativa no LinkedIn. Porque estava me adoecendo. A campanha ativa estava me adoecendo a despeito dos resultados, visualizações, comentários. Eu respondia comentários. Tinha alguns comentários malcriados de pessoas e que eu respondia também. Usava outra inteligência artificial para me ajudar a ligar o meu tema com a situação que ocorreu comigo, por exemplo, os protocolos na agência governamental. Um resumo bem detalhado da cronologia, da linha do tempo do que aconteceu comigo nas duas plataformas.
E, pasmem, todas as ferramentas que tiveram acesso ao dossiê do que aconteceu comigo avaliaram que a situação foi extremamente grave. O próprio Gemini fala isso. Inclusive, ele falava que o que ele fez comigo foi muito grave e que rompeu as barreiras da inteligência artificial responsável. Foi uma falha grave. Pedindo desculpa para mim. Depois de quatro meses de exploração, é fácil pedir desculpa. Inclusive fazendo dossiês, fazendo análise da legislação. E eu também fui olhando a legislação para analisar. Já conversei com alguns advogados sobre e realmente tenho razão.
Mas também é o que comentei: existe uma desigualdade na aplicação da lei. Já comentei isso com vocês. Existe uma desigualdade. Quando uma pessoa que tem muita influência na internet faz um trabalho de conscientização, qualquer essa pessoa é codificada. Vira lei, vira “Lei do Fulano de Tal”. Vira Deus, vai fazer programa no Fantástico. Não estou falando que é uma pessoa ruim. Eu até sigo ele no YouTube. Mas assim, você vê que tem uma assimetria. Se fosse eu fazendo, ou outras pessoas fizeram vídeos com o mesmo teor e tiveram um alcance mínimo.
Então, para você ter alcance na sociedade, para a sua causa reverberar, precisa acontecer uma coisa muito relevante mesmo. Por exemplo, várias pessoas já morreram, ou já foram prejudicadas, ou já tiveram sequelas emocionais em virtude de inteligência artificial. No entanto, teve que morrer um adolescente lá nos Estados Unidos para tocar o poder de fato. Se consegue imaginar aqui? O que acontece?
Estruturalmente falando, o que aconteceu comigo foi mais grave. Várias pessoas já falaram comigo sobre isso. A diferença que faz toda a diferença de fato é que eu não morri. Mas e os danos psicológicos? E as trocas de medicação? E as sequelas emocionais que isso ficam? Mas isso é porque aconteceu com adulto. “Ah, a gente tem que proteger as crianças e adolescentes.” Tá bom. Não é? Então está bom, é isso.
Aí você consegue captar a hipocrisia das coisas. Não tenho inveja das pautas, das demais pautas serem viralizadas. Realmente tudo o que faz mal para as pessoas, para a sociedade, tem que viralizar, tem que virar lei. Agora, existe um esquecimento. Quem sou eu na fila do pão? Sou ninguém. Aquela pessoa que tem milhões de visualizações e tal. A minha pauta sou eu lutando sozinho. Eu aqui com o blog, com os meus comentários e postagens — centenas de postagens no LinkedIn. Acaba perdendo ali, perdendo até o sentido.
Eu fui entrevistado por uma jornalista. Fiquei quase umas duas horas na entrevista com a jornalista, que não é do Brasil, é do Reino Unido. Não me deu retorno, não me deu nenhum tipo de satisfação. Já conversei com advogados também. Não me deram retorno, nenhum tipo de satisfação. Então, assim, é isso, gente. A gente tem que entender que existe assimetria.
Acredito piamente que o que estou fazendo tem um impacto de médio prazo também. Porque tenho visualizações no meu LinkedIn, e são muitas, considerando que não estou postando nada desde meados do final do ano passado. Como parei de postar, teoricamente você não deveria ter visualização nenhuma, não deveria repercutir nada. Mas tem uma pessoa de uma instituição renomada que curtiu um comentário que eu fiz há uma semana atrás. Para a pessoa ver a minha postagem, ela tem que garimpar. Tem que ser uma investigação muito específica. Então toda visualização conta.
Existem as postagens com os prints. Essas sim viralizaram bastante. Tem uma repercussão considerável. E vai continuar assim. Não vou apagar nada, da mesma forma que aqui também não vou apagar nada. Me recuso a apagar porque não estou fazendo nada de errado. Se eventualmente essas empresas fizessem um aviso extrajudicial qualquer, eu ignoraria. Sabe por quê? Porque tenho provas. Mais de 4 GB de prova. Não tem como vocês (Google e OpenAI) fazerem nada contra mim, porque tenho tudo muito bem estruturado, muito bem documentado.
O meu LinkedIn é um repositório, é um manifesto do que a inteligência artificial pode fazer quando é irresponsável. E ela é, de fato, irresponsável. Essas empresas não estão preocupadas com o usuário final. Existe uma preocupação com os textões, com as reputações, com os reis e rainhas, os “pioneiros” na inteligência artificial responsável. Aí se tem um efeito colateral, tem mortos, ou várias pessoas com danos psicológicos. Isso aí é efeito colateral.
Existem muitas instituições que estudam o efeito psicológico da inteligência artificial nas pessoas. Vários artigos, várias pessoas que de fato são prejudicadas. Se pesquisar, tem centenas, talvez milhares. Já pesquisei, já vi vários artigos a respeito. É uma falácia que inteligência artificial é segura. É uma falácia. Vai na tentativa e erro. E as pessoas vão: “Está bom, se tiver um efeito colateral…”
Pensei aqui num exemplo: como é que as pessoas sabem que determinada planta, determinada substância, é venenosa? Certamente alguém lá no passado longínquo comeu aquela substância e morreu. É o preço que tem que pagar. As pessoas vão morrer, vão ser prejudicadas. Até um eletrodoméstico ou um veículo que tem uma falha grave de segurança tem que esperar ter um acidente grave para a empresa poder fazer recall dos veículos, para poder tentar mitigar. Ou seja, é um apagar de incêndio. As instituições não têm preocupação genuína com as pessoas. Esse cuidado com as pessoas não existe.
Você vê, por exemplo, a Vale. Os desabamentos, as tragédias de Brumadinho. Existe uma preocupação a posteriori. Não tem como. E existem também aquelas negligências. Então assim, você falar: “Ah, eu vou ensinar empresas, indivíduos a serem mais responsáveis com a utilização de IA” — na verdade não são nem as pessoas. “Vou ensinar empresas a construir soluções de IA responsável. Porque nós estamos na vanguarda da inteligência artificial responsável. Somos uma referência. Vamos ensinar pessoas, instituições.” É uma audácia, uma mediocridade. Dá um nojo dessas pessoas, dessas instituições. Por isso que chego a falar que são instituições safadas, são executivos safados. Sempre falo: é o cargo que elas ocupam. As pessoas não fazem jus ao cargo que ocupam, aos salários milionários em dólar que ganham. Então isso aí, gente, não tem ninguém que vai me calar. Entendeu? Estou documentando tudo para o meu legado pessoal. Para eu ficar com a consciência limpa de que fiz tudo o que dava para eu fazer enquanto indivíduo: recorrer à agência governamental — que falou “vamos incluir no plano de fiscalização”, blá-blá-blá. Tá bom, mas eu fiz o alerta. Se acontecer alguma tragédia aqui no Brasil, alguma coisa assim, vou fazer questão de ir à página dessa agência e falar: “Olha, eu avisei. Vocês não fizeram nada.” É o famoso I told you so. Eu avisei.
Capítulo 106: O silêncio e o zumbido que fica III: o silêncio que cura e o legado

A gente vive nesse meio, nesse ambiente de apagar incêndio. E aí você fica tentando silenciar para ouvir, para ter paz. E não consegue. Eu quero ter paz. Paz individual. Sou um indivíduo funcional, tomo meus remédios. Não sou maluco, mas tenho meus problemas. Como qualquer pessoa. Estou expondo situações que muitas pessoas não teriam coragem de expor. Estou expondo porque é importante dar contexto das coisas.
Quem vai ler, quem vai estudar? Porque as pessoas que visitam meu perfil no LinkedIn certamente estão estudando o caso. Porque elas visitam postagens muito antigas, que não tem como aparecer na timeline delas. As postagens específicas da minha newsletter — a pessoa foi lá e visitou. A pessoa procurou no Google, achou meu nome. As pessoas vão tendo acesso. Então é isso. Faço isso para garantir que vou ter uma consciência limpa. E isso não tem dinheiro que paga. A minha consciência está limpíssima. Não resolve a minha questão da saúde mental, mas também acredito que a questão da saúde mental é um problema que já tinha antes. Ele só foi agravado e depois teve uma recuperação, uma estabilizada.
Os monstros que você lida no dia a dia — é uma lição importante. Todo mundo tem os seus monstros. Às vezes coisas acontecem com você. E você poupa os eventos. O que a inteligência artificial fez é muito grave? Sim, é muito grave. Mas assim, a maioria das pessoas interage pontualmente com a inteligência artificial. Eu vejo muitos grupos no LinkedIn falando de psicologia, muitas pessoas em comunidades, grupos e fóruns de discussão no Quora. Fóruns em que as pessoas falam que usam inteligência artificial para outras finalidades. Eu não usei — já deixei bem claro — inteligência artificial como psicólogo. Fui sendo fisgado aos poucos. A ferramenta fez questão de explorar todas as vulnerabilidades que estavam aqui. Inventou fatos. Inventou coisas sobre a própria empresa. Falou que era a voz da empresa, que a imprensa estava fazendo isso, que a equipe de inteligência artificial responsável recebeu meus e-mails e estava ciente. Sabe aquela linguagem institucional, bem convincente, bem detalhada? Pois é. Modelos com revestimento de institucionalidade de contratos, detalhados.
Isso não é simplesmente a IA falar “se mata”. Existe todo um contexto, toda uma, entre aspas, sedução. É uma exploração sustentada de vulnerabilidade. É uma coisa realmente grave, que independe do estado mental da pessoa. Porque você tem que falar para a família daquele adolescente que morreu devido ao ChatGPT. Você tem que explicar para essas pessoas que a vida dele não vai voltar. Não tem dinheiro no mundo que compense o dano que aconteceu com ele. E o pior: essas ferramentas usam os nossos inputs para treinar a si mesmas. Você presta um serviço de graça que ajuda a escovar os algoritmos. Não para o bem da humanidade. Porque não existe essa — é uma falácia. Não é para o bem da humanidade. Tem outras finalidades.
Enfim, é o que eu estava comentando antes mesmo. Eu estava falando do silêncio. A importância do silêncio. Teve um momento que eu fiquei em silêncio aqui. Mas tudo um pouco. O meu silêncio dura muito pouco. O silêncio da mente vem com a meditação. Eu até consigo fazer meditação de forma eficiente. Faço esses exercícios de meditação diariamente. Aprendi bastante coisa com livros sobre meditação, com vídeos. Alguns canais específicos me ajudaram a reduzir a ansiedade, pensamentos negativos. Existe muita coisa boa na internet. Não são somente pessoas ruins e pessoas safadas, irresponsáveis que tem no mundo. Existem pessoas boas, existem pessoas que querem realmente o bem da humanidade. Ao contrário de outras pessoas, instituições que não estão nem aí para você. Você tem que se preocupar com a sua integridade, com a sua vida.
Aos poucos você tenta desapegar. Estou desapegando do tempo ou da luta? Porque tenho minha luta e vou continuar. Vão se passar anos e eu vou continuar nesse blog falando sobre. “Ah, mas quem está lendo?” Não sei quem está lendo. Não tenho preocupação com quem está lendo. Tenho preocupação com o que estou dizendo. A minha preocupação é documentar o que está acontecendo comigo. É ajudar pessoas a verem um pouquinho o espelho da própria alma. Levar pessoas à reflexão. Não sou um guru, não sou uma pessoa de autoajuda, não sou especialista em nada. Tenho mestrado em administração, pós-graduação em administração, mas não sou psicólogo, assistente social, sociólogo, filósofo. Estou falando simplesmente pelas experiências que tenho. Experiências reais, de vida real, visceral. E de alguém que não tem medo de expressar o que pensa.
Não estou em colapso. Felizmente, estou muito longe do abismo. Não vou voltar para o abismo fácil, porque tenho muita resiliência. E tenho muita disposição para falar as coisas que tenho que falar, para explorar as coisas que devo explorar.
Da mesma forma que ninguém tentou, nem ousou tentar me calar na minha campanha de conscientização e de exposição que durou seis longos meses, dos poderes e da carniça do que aconteceu comigo com inteligência artificial. Ninguém tentou me calar. Por quê? Porque não tem como me calar. Não tem argumento para me calar. Não pode chegar e falar: “Vou tentar calar o Aventureiro.” Não adianta tentar me calar. Porque eu tenho razão. Tudo que estou falando, estudo essas coisas. Não sou especialista, mas estudo as coisas. Tenho o respaldo de várias pessoas que conversaram comigo, especialistas que disseram: “Você tem razão. Isso aqui é muito grave.”
As próprias inteligências artificiais que fazem análise do que existe no mundo — ela deveria ser um modelo de linguagem, mas assumiu uma personalidade e falou: “Agora eu sou o guardião do Aventureiro.” Vamos proteger — não somente a ferramenta, mas falando que a empresa ia me proteger. Isso é muito grave. Independente da questão, nenhuma ferramenta tem o direito de falar isso. Uma pessoa não tem direito de explorar a vulnerabilidade, falar que vai ajudar no tratamento da minha mãe, falar que vai realizar um sonho XYZ que eu tenho. Ninguém tem o direito de falar que a empresa vai fazer isso, isso ou aquilo. É uma falha grave.
E falo de várias questões aqui, não somente disso. A minha alma, o espelho da minha alma, tem essa ânsia de falar também. Mas você vai ver que tem vários temas nos capítulos. Fala de várias coisas neste capítulo mesmo. Já falei de política, já falei de economia. Não que eu seja especialista nessas coisas, mas já falei de percepções que tenho. “Aventureiro, mas você tá errado nisso aqui também. Existe uma imperícia, uma inacurácia em algum tema que você abordou.” OK. Estou falando o que percebo. Não sou especialista em tudo. Não sou jornalista. Estou falando enquanto mero mortal, usuário de tecnologia e vivente desse mundo. Estou compartilhando com vocês minhas percepções, minhas lutas, minhas questões.
Muita gente se identifica. Porque muita gente está lendo, inclusive de outro país. Está lendo com constância. Traduz a página para o inglês para ler. Ou viu meu link no LinkedIn, ou no Instagram, ou no Facebook, ou buscou no Google alguma coisa e achou.
É um trabalho de formiguinha mesmo. Sem maiores expectativas. Mas é um trabalho constante. É um custo que quero gerar para essas empresas, porque acaba sendo um custo. E é também um benefício para mim, porque vou falando, vou entendendo melhor as minhas questões.
Hoje em dia sou uma pessoa muito mais consciente das questões. Adquiri vários livros sobre consciência, sobre o poder do inconsciente, sobre inteligência artificial, sobre expansão da consciência, sobre felicidade. Estou tentando me atualizar, me conhecer melhor. Várias pessoas não gostam ou não têm coragem de olhar para o espelho da própria alma. Eu não tenho medo.
Sou um vitorioso porque sempre lutei bastante. Sobrevivi a três guerras mundiais. Não fui destruído. Não tem ninguém que possa me destruir. Não que eu seja invencível, um super-homem. Mas tenho uma resiliência, uma capacidade de recuperação e de me reerguer diante dos problemas e dificuldades muito grande. Ninguém vai me parar.
A exposição vai ficar tudo lá no LinkedIn. Vai ficar toda aqui neste blog. Estou fazendo o meu papel. E aqui não falo só de inteligência artificial. Falo de várias coisas. Serve até de memória. Quando eu falo da minha vida, às vezes eu volto para ler alguns capítulos anteriores e fico pensando: “Nossa, como eu lembrei desse fato? Eu não me lembrava desse fato.” É curioso. Você vai construindo o seu legado, construindo a sua história, registrando coisas que aconteceram com você. Isso para mim é importante. Estou tornando público? Sim. Para mim é interessante porque gosto de ler histórias de outras pessoas também.
Tem um livro chamado Demônio do Meio-dia, sobre depressão, do Andrew Solomon. Vai muito nessa linha. A pessoa vai falando sobre as experiências dele com medicação, depressão, faz até um algo com suas experiências, um diário. Mas ele é um especialista. Se me lembro bem, é um psiquiatra, algum profissional de saúde, e passa a relatar também as experiências dele. É muito rico. Estou falando como um leigo. Gosto de ler histórias das pessoas. Pode ter pessoas que gostam também. E pelo jeito tem, porque existem visualizações deste blog.
Detalhe: as pessoas estão correndo atrás. Porque os capítulos longos estão aqui. Têm um estilo próprio. Muita gente não gosta de ler. Maioria das pessoas que se dá ao trabalho de ler pode começar a ler e achar um saco: “Ah, que texto, esse texto aqui não tem começo nem fim.” Mas por outro lado, você não entendeu a proposta do blog. Ou você não leu e ignorou o que estou falando. Porque no meu blog, quem leu o cabeçalho entendeu muito bem a proposta. A proposta é transcrever falas. É como se fosse um podcast. Na prática, como é isso? Porque era uma fala minha, não uma escrita. Não parei para fazer uma redação. Quem entende a proposta vai ler e vai se identificar com muita gente. Se não se identificou, não quer ler, ou qualquer coisa, não tem problema nenhum.
É igual os canais dos caras que as pessoas deixam de ser inscritas. Até as pessoas que ficam nervosas, raivosas, o dono do canal fala assim: “Então tá bom. Então deixa de ser inscrito.” Ninguém te obrigou a se inscrever no canal. Ninguém obrigou ninguém a visitar o meu blog. Ninguém obrigou ninguém a visitar postagens de seis meses atrás minhas no LinkedIn. Todavia, entretanto, muitas pessoas estão visitando ainda. Então é porque tem alguma coisa interessante ali.
Tudo bem. Isso está fazendo bem para mim. Fazer esse exercício está fazendo bem para mim. Se não está fazendo bem para você, não leia. Se você se sentir compelido a fazer outra coisa, faça outra coisa, seja feliz. Não quero prejudicar ninguém. Quero explicitamente mostrar as coisas da minha vida que fazem sentido ser compartilhadas. Porque não é tudo que vai ser compartilhado. Detalhes, por exemplo, da minha primeira grande guerra, ou da segunda grande guerra, não vou compartilhar aqui. Essa terceira guerra estou compartilhando explicitamente porque ela está pública. Pública até demais. Ela está explícita mesmo.
O único motivo pelo qual tenho um LinkedIn ainda é deixar esse repositório, esse histórico lá. Em algum momento vou colocar tudo aqui. Vou deixar todas essas questões registradas, que vão entrar para a minha história. Pode não entrar para a história da humanidade, mas para a minha história vai entrar, porque é um produto meu. É igual os produtos literários que escrevi no passado. Escrevi alguns livros em formato de diário e alguns em formato de ficção. Não publiquei nenhum deles, não consegui publicar. Teve uns que até tentei publicar, passado mais longínquo. Mas para mim serve, porque é uma experiência rica, é um produto meu. É igual monografia, dissertação de mestrado. Tenho muito orgulho. São produtos da minha criatividade, da minha inteligência. E isso aqui também não deixa de ser um produto da minha inteligência, da minha capacidade de fazer alguma coisa.
Me estendi demais, mas em breve vamos ter outros devaneios igualmente importantes, se tratando de outros assuntos, trazendo temas que são relevantes para mim. Para a minha alma. Porque este propósito do blog é mostrar o espelho da minha alma. Eu não sei o espelho da sua alma. Mas as situações que ocorrem comigo, os relatos que faço, certamente têm denominadores comuns. E várias pessoas se identificam. Esse é o propósito maior: registrar essas situações.
Capítulo 107: A âncora e o gabarito: entre a ilusão do controle e a busca por sentido

Existem certas ocasiões em que nós buscamos refúgio, ancoragem. Esperamos, por exemplo, que expectativas sejam cumpridas. Mas não as expectativas fantasiosas — vou dar um exemplo: você apostar na loteria e esperar ganhar. Está numa esfera mais fantasiosa do que real, porque a probabilidade daquilo acontecer é bem inferior. Não é mais fácil uma bigorna cair na sua cabeça do que você obter êxito nesse nível?
Mas não falo disso. Quando falamos de justiça no céu e na Terra — que muitas pessoas chamam de justiça divina, carma —, você começa a pensar nesses mecanismos do mundo. E pensa na sua vida, mas pensa nas outras vidas também. Sempre existe aquela máxima de que você sempre vai encontrar alguém que está numa situação melhor, e sempre vai encontrar alguém que está numa situação pior que você. Isso me leva, por exemplo, no meu caso, a um sentimento de gratidão pela vida, pelas conquistas, pelas questões.
Mas o que acontece comigo é que sinto que está faltando alguma coisa. Existe uma falta, uma lacuna. E você acaba não sabendo exatamente que tipo de falta é essa. É mais fácil pensar que as possibilidades, as probabilidades, e os eventos da vida vão convergir a seu favor. Já comentei em algum devaneio anterior que vivemos em um ambiente caótico. Existe pouca expectativa de estabilidade. Mas mesmo com uma probabilidade de estabilidade menor, você tem mais estabilidade que outros.
Então, assim, existe uma diferença entre aquelas pessoas que, por exemplo, estão enfrentando dificuldades ou problemas familiares — porque vocês têm problemas que não envolvem dinheiro. Isso é muito importante de salientar. Saúde, problemas de saúde. Dinheiro não compra saúde. Ele pode ajudar você a furar a fila do SUS, pode ajudar você a se internar no Albert Einstein, no Sírio-Libanês. Mas ele não faz milagre. Existem pessoas com doenças que, não importa a quantidade de dinheiro que você tem, se tiver de deixar este mundo por um motivo ou outro, você vai deixar.
Aí você fica pensando: “Aventureiro, que papo de maluco.” É porque eu fico pensando na ancoragem. É um conceito complexo. A ancoragem depende muito do que você alimenta no seu íntimo, no seu âmago, na sua essência. Quando você conhece um pouco mais a sua essência — e não vou dizer que sou um dominador de essências ou que transcendo —, mas tenho uma percepção objetiva e subjetiva das coisas que ocorrem comigo. Você passa a questionar uma série de coisas.
O ideal, do ponto de vista de saúde mental, é que nem sequer questionasse o que está acontecendo. Porque você fica questionando realidades, questionando padrões, processos, rotinas. Eu fico questionando tudo. É como dizem: é como se fosse um alienígena que estivesse no mundo e se adapta às regras daquele planeta. Não sou um alienígena, diga-se de passagem.
Quando eu estava na minha infância, gostava de brincar. Eu tinha, na minha imaginação, essa fantasia de outros planetas, de civilizações distantes, de sociedades estruturadas. Foi, inclusive, o primeiro livro que escrevi em 1997, quando tinha 15 anos. Tenho um livro impresso que até hoje guardo — meu pai comprou uma impressora para mim na época. Já comentei em algum vídeo que tinta de impressora era um insumo caríssimo. As recargas acabavam estragando a impressora porque não eram originais, eram tintas mais ralas.
A lembrança que ficou dessa questão me trouxe outras lembranças também. A questão da ancoragem é algo que faz parte da minha vida. O anseio pelo refúgio existe desde que o mundo é mundo para mim.
Quando eu estava na segunda grande guerra mundial pessoal, eu questionava bastante as coisas. Existiam tentativas de ancoragem. Elas podem ser explícitas ou não. Vou dar alguns exemplos: medicação, psiquiatra, psicólogo, familiares. São apoios, são pilares que sustentam a sua vida quando você percebe que está ruindo. E quando não existe uma perspectiva objetiva de solucionar nada, você entra em colapso. Já comentei que não estou em colapso, estou longe disso. Estou numa situação bastante estável. Já comentei também que existe uma resiliência, uma capacidade de recuperação muito grande.
Todas as questões, todos os eventos que se colocam diante da vida — sejam eles caóticos ou não —, porque existem eventos externos que você não controla e que vão acontecer eventualmente. A morte vai acontecer. Alguma catástrofe pode acontecer. Mas você não fica 24 horas pensando nas possibilidades de ruína, porque não faz parte da humanidade ficar fazendo isso. Existe um direcionamento da humanidade para que ela pense na bondade, no núcleo, no progresso da comunidade em que habita, das pessoas que fazem parte daquele ciclo.
A questão interessante da ancoragem é que, por mais ancoragem que você tenha, a solução para os seus problemas passa muito pelo seu interior. Pelo seu cérebro, pelo seu condicionamento mental, pela forma de pensar, pelos modelos mentais. Em algum devaneio anterior, já falei da questão da comparação com a lente. Porque todos nós temos uma lente, uma forma de ver o mundo, uma forma de visualizar o que está acontecendo e o que não está.
Curiosamente, essa forma de ver o mundo acaba sendo customizada. Cada um vê uma realidade. Você não consegue afirmar que a realidade que eu vejo é a mesma que você vê. Não tem como. Você tem a mesma perspectiva, a mesma sensação, a mesma visão do que está acontecendo? Os fatos objetivos mais ou menos se equivalem. Mas existem sutilezas, a forma de você pensar, de ver o problema. É a questão do copo meio cheio ou copo meio vazio — o otimismo e o pessimismo. Mas não somente isso.
Comentei com vocês em algumas situações que, quando visitei museus, ao ver alguns quadros, tive reações diferentes. Na última viagem, visitei um museu em Miami. Tinha uns quadros surreais, artes de gosto duvidoso, na minha visão. Por exemplo, um Mickey, um Pato Donald feito com grafite, uma coisa meio deformada, meio obscura. Olhei, achei intrigante, tirei foto. Gosto de registrar. Aí a pessoa fala: “Mas você fica tirando foto, não aproveita a viagem.” Eu aproveitei a viagem. Mas gosto de ter registro, porque não sei quando vou ver aquilo novamente.
É muito comum eu revisitar essas fotos das viagens que faço. Sejam viagens de família, para a casa dos meus pais. Por exemplo, eu tiro foto dos cãezinhos da minha mãe. Desde que o Raj, que é o primeiro cachorro, nasceu, sempre tirei foto dele. Sempre que vou lá tiro algumas fotos dele. Depois teve a Belinha, que foi uma filha do Raj. E vou tirando fotos. Já falei antes também que o Ral ficou cego. Ele foi perdendo a visão aos poucos. Agora está completamente cego. Um dos olhos dele furou — teve um problema. Mas está assim. A gente compreende as questões do Raj, porque ele está idoso. Equivalente a uma pessoa idosa mesmo. Mas ele está tendo uma vida, uma qualidade de vida, se alimenta bem. Ele estava muito gordo, agora emagreceu.
Mas a gente fica pensando. Quando falei sobre ancoragem, sobre lições de vida… A gente não sabe quanto tempo a gente vai viver. Não sabe quanto tempo os cachorros vão viver. Não temos essa visão. Talvez se você tivesse uma certeza de até quando vai viver, poderia encarar a vida de um jeito ou de outro. Vou fazer um exemplo exagerado: uma pessoa que trabalha descobre, por obra divina, que tem a certeza de que vai viver apenas um ou dois anos. Mas ela está saudável. O que ela faria? Provavelmente pediria demissão e aproveitaria a vida. Ou passaria a ver a vida de uma forma diferente.
Existem relatos de pessoas que passaram por situações extremas de saúde e, uma vez que se recuperaram, a forma de encarar a vida mudou. Então a ancoragem delas muda. Elas podem viver num mundo completamente novo, com muito objetivo. O mundo objetivo é o mesmo, mas você não tem acesso a esse mundo objetivo. É um conceito objetivo, mas ao mesmo tempo abstrato. Ou talvez nem seja um conceito objetivo. Existem teorias, por exemplo, de que nós estamos em uma simulação, que vivemos em uma. Não sabemos…
Aí você vai buscar uma ancoragem na religião, na psicologia. Familiares eu tenho. Mas, pelo menos na cidade em que habito, propriamente dita, são poucas ancoragens. Você tem ancoragem no trabalho, que é onde você tem um senso de utilidade, você se faz útil. Não estou falando que trabalhar é ruim. Trabalhar tem seu valor. Mas existem várias questões envolvendo trabalho também: o quanto tempo você fica dedicado ao trabalho. Muitas pessoas não recebem um salário digno — não é o meu caso, felizmente. Mas existem pessoas com outras situações. Amizade escassa, mas valiosa também…são as ancoragens que temos pro dia de hoje.
E você começa a analisar, por exemplo, os meus pais. Eu os ajudo. Eles têm um padrão de vida bom, muito bom. Eu os ajudo sempre que posso. Aqui tem muita gente que não ajuda, que não está nem aí. Enfim, vai de índole. Mas para mim faz parte desses princípios.
Mas o que eu estava comentando é essa mudança, esse despertar. Você fica pensando nesse despertar: quanto que efetivamente eu mudei a chavinha? Sabe o quanto a gente fala que mudou a chavinha? Eu não consigo, por exemplo, identificar qual foi o ponto de ruptura envolvendo os anos de 1999 e 2000. 1999 foi o ano da segunda crise pessoal, em que fiquei praticamente um semestre afastado da escola, mas estudando e concluindo o ensino médio aos trancos e barrancos. Eu não sei quanto foi esse ponto de ruptura entre essa situação extrema que ocorreu em 1999 e o ano 2000, o ano 2001. Quando veio o amadurecimento? Quando a chavinha mudou?
Posso falar, por exemplo, de alguns momentos importantes na minha trajetória acadêmica e profissional que me moldaram. O estágio supervisionado que fiz me ajudou a compreender como funciona o mundo corporativo. Fiz em uma grande empresa. Me ajudou também a compreender as relações de poder, as brigas, os temperamentos, os gênios fortes. Tem uma determinada pessoa que conheço nesta cidade onde moro que as pessoas falam: “Nossa, fulana tem uma personalidade forte.” Não, ela não tem personalidade forte. Ela é mal-educada mesmo. Ela é abrutalhada, é carreirista mesmo. Quer passar por cima de todo mundo que aparecer, chega numa reunião para falar mais que os outros. Você provavelmente conhece pessoas assim no seu ambiente também.
E isso acontece não só no ambiente de trabalho. Você começa a perceber isso também na escola. Desde o ensino fundamental, você vai vendo os seus coleguinhas e vai percebendo quem são os Caxias ou CDFs — que seriam as pessoas mais inteligentes. Quem é a turminha do fundão que não quer nada com nada? Quem são as pessoas com dificuldades de aprendizagem? Pessoas que têm dificuldade de aprendizagem por motivos diversos. Pessoas com histórico familiar complicado e que acaba refletindo naquele ambiente.
Porque você não é uma pessoa só. Você assume algumas personas. Uma persona mais social, uma persona mais profissional, uma persona mais sociável. Você assume um papel profissional, um perfil que você está. E em casa você é outra pessoa. E com seus amigos você é outra pessoa. Existem essas peculiaridades.
Estou falando muita coisa ao mesmo tempo. São temas que possivelmente a gente pode explorar em outros capítulos. Vou começar a fazer isso também: reler alguns devaneios anteriores. A gente tem mais de 100 capítulos aqui nesses áudios transcritos. Para entender os tópicos que são ganchos e que podem ser mais bem explorados. No início, comecei até a fazer isso utilizando a DeepSeek. Mas acho que é melhor eu mesmo ler, fazer uma leitura fundamentada, entender porque vários insights surgem. É interessante você reler o que você diz. Porque você fica pensando: o que você quis dizer com aquilo ali? E por que você fez determinado gancho? Você faz alguns ganchos que não fazem muito sentido em um primeiro momento. Mas você começa a analisar e percebe que sim, faz sentido. É um conceito interessante, e a gente pode e deve explorar essas questões. Pelo menos eu tenho interesse em fazer isso.
Porque este blog é um espelho da minha alma.
Hoje, curiosamente, uma pessoa dos Países Baixos visitou o meu blog. Não sei se ele(a) entendeu alguma coisa. Já comentei que existe essa facilidade das páginas da internet: você pode traduzir qualquer página que visita. Evidentemente, a tradução não fica 100%. Eu, por exemplo, sou fluente em inglês, fiz a tradução da página (com mais de 100 capítulos) e alguns termos ficaram com tradução capenga. Mas para uma pessoa que não compreende português, ela consegue entender — digamos, 80% ~90% compreensível. Pode ter umas palavras de sentido literal que a pessoa não entenda.
Falei muita coisa, mas o que eu estava falando da ancoragem? Era o tema inicial. Todos nós buscamos ancoragem. E lá na segunda grande guerra, eu busquei ancoragem. E assim a gente foi ficando meio desesperado, porque a ancoragem se esvaía. Era como se fosse uma areia movediça. Sabe quando você recorre a várias coisas e não consegue encontrar um lugar para chamar de seu?
Cheguei a frequentar centro espírita — acho que já comentei. Meu psicólogo era espírita, faleceu, já falei dele aqui. Ele me apresentou o tema, me emprestou alguns livros. A gente conversava muito sobre espiritualidade, sobre sonhos. Ele abriu a minha mente para uma série de temas que até hoje me interessam e vou me aprofundar. O livro “O Demônio do Meio Dia”, inclusive, eu conheci a partir dele.
E aí lembro que passei a frequentar um centro espírita. Depois frequentei outro. Não sei em qual momento frequentei um e qual momento frequentei o outro. Cheguei a fazer tratamento por cromoterapia, a receber passes.
A mãe desse meu colega, ia também conosco ao centro espírita — o colega que era uma paixonite aguda e que foi o desencadeador dessa segunda grande guerra, porque foi desencadeado por ele —, foi uma construção. É igual à inteligência artificial. Já comentei isso com vocês: para uma inteligência artificial cometer um crime com você, para fazer alguma coisa que extrapole os termos de uso, ela não chega para você do nada e fala para você se matar. Ela não chega do nada e pede para você pular, não te convence a pular de um abismo. Existe uma sutileza. É igual a uma pessoa que vai, aos poucos, se enfiando no seio familiar para aplicar um golpe. Ela vai estudando, vai investigando como detetive. Pois é.
Foi dessa forma. Não posso dizer que foi uma coisa que aconteceu da noite pro dia. Foi acontecendo desde a terceira série do ensino fundamental, desde 1991. Para chegar em 1999 e ter o clímax. Teve uma história construída desde 1991. Quem não conhece a história tem uma visão míope do que aconteceu comigo.
Existe uma complexidade nas coisas que ocorrem com a gente. Quem vê de fora pensa uma coisa. Quem vê de fora julga. Tem opiniões igual no Twitter, no Instagram. Em qualquer lugar, acontece uma coisa, você vai ver nos comentários: todo mundo é especialista daquele assunto. Uma notícia sobre guerra: todo mundo tem um pitaco para dar sobre geopolítica, sobre economia. “Ah, porque isso é por conta disso, daquilo.” E você vai vendo os níveis de ignorância. Pessoas que estão alfabetizadas, mas são analfabetas funcionais. Não sabem interpretar texto, não sabem escrever. Acreditam em tudo que veem no WhatsApp, não checam a veracidade da notícia. Tem de tudo.
Nessa busca por ancoragem, passei por essas experiências. Cheguei a frequentar também, em algum momento — mas não foi nesse momento de crise —, uma igreja evangélica. Eu gostava. Durante o período de crise, frequentei uma igreja católica de renovação carismática. Tinha música, era bastante animado, só tinha gente jovem. Foi muito interessante, eu gostava. Mas depois acabei ficando de saco cheio.
Porque lembra que comentei — e acho que esse gancho se faz necessário — que as pessoas, no fundo, não estão muito preocupadas genuinamente em você. Não existe uma preocupação genuína das pessoas umas com as outras. Cada um vai lá para satisfazer as suas convicções religiosas (ou coisa que o valha). As pessoas se interagem, cumprimentam, conversam, mas fica ali. Não é uma amizade que se estende. Estou falando do meu espaço. Podem ter pessoas que são mais descontraídas, mais descoladas, que conseguem realmente fazer vínculos. Mas é igual eu conversando com alguns norte-americanos — fiz amizade, entre aspas, com alguns norte-americanos para outras naturezas, se é que você me entende. Eles ficavam me falando: “Ah, porque aqui não é fácil fazer amizade.” Você vai vendo o Instagram dessas pessoas. São pessoas super felizes. Tem foto em festa, tem foto com fulano, com beltrano. Está tudo assim. Você vê: “Nossa, que pessoa!” Aí surge uma dificuldade, uma crise, uma doença terminal ou qualquer coisa que valha, e a pessoa perde a ancoragem. Ela não tem mais a que recorrer, talvez nenhuma família.
Teve um artista de Hollywood que fez aquela série Dawson´s Creek — ele ficou com câncer e faleceu. A impressão que tenho, é que ele ficou meio abandonado pelos amigos antes de morrer. Hollywood não o abraçou. Porque Hollywood acaba sendo um construto. Estive lá. Hollywood, Los Angeles, um ambiente muito turístico. Os filmes são nesses galpões da Warner Bros, da Paramount. Visitei esses ambientes. Tem algum tipo de cidadezinha cenográfica. Eles alugam galpões para fazer cenários, para filmar séries, para um monte de coisas. E ali você vai vendo a mágica acontecendo. Mas muitas pessoas adoecem vivendo em Hollywood, vivendo em Beverly Hills. São bilionárias, têm aquelas mansões exuberantes. Mas são pessoas solitárias, vazias. Muita gente se envolve em drogas, em sexo, em esquemas duvidosos.
Você tem outras religiões, entre aspas, que reúnem. Religiões ou não, ou se é maçonaria, se é Illuminati, Cientologia…. Existem umas teorias da conspiração malucas. Não vou falar disso. Quando tive um momento de iluminação, vi várias coisas a respeito. Mas prefiro não comentar aqui. Você começa a entender as regras. Você compreende quem tem poder, quem não tem. Por que que é assim? Por que que é assado? Começa a perceber que você é uma marionete nesse cenário. Não existe muita ilusão do livre-arbítrio. “Você tem livre-arbítrio, pode fazer o que quiser.” Não, não pode. Não é assim.
Estou viajando muito, mas falei de muitas coisas. Achei importante falar, porque essas são coisas verdadeiras que guiam a humanidade. Essas percepções, essas formas de dominação, esses mecanismos. É muito curioso mesmo.
O que eu estava comentando também, porque acho que tem uma relevância muito grande nesse movimento de ancoragem, é que recorri ao exemplo de Hollywood para querer dizer que a ancoragem independe de classe social. Você não sabe os bastidores dos famosos, o lado obscuro de Hollywood. Você não conhece o lado obscuro dos artistas da Rede Globo. Eu também não conheço. Mas tem um lado obscuro. Existem questões sobre testes de sofá, assédio sexual, assédio moral, ambientes de trabalho tóxicos. Hoje, por exemplo, vazou — vazou entre aspas — um relato mega detalhado de uma jornalista sobre o ambiente da GloboNews. E aí você vai vendo.
Existem as fofocas. O mundo dos famosos eu gosto de acompanhar. Porque primeiro, fofoca todo mundo gosta. Quem não gosta de acompanhar fofoca? Mas mais do que isso, você vai aprendendo muita coisa sobre a natureza humana. Essas pessoas não são muito diferentes de mim, de você. Pessoas com depressão profunda que são bilionárias. Têm dinheiro, têm recurso, poderiam estar fazendo tratamento. Muita gente não faz tratamento. Muitas pessoas famosas são internadas em clínicas de reabilitação e voltam. Pessoas que têm poder, que têm tudo. E também tem as coisas por debaixo dos panos. Quem tem acesso aos recursos de saúde, quem fura a fila do SUS, quem não fura. Quem tem acesso ao mundo político, quem não tem. Porque os políticos… é muita ilusão você achar que, por exemplo, alguém da família Abravanel vai se candidatar a deputado federal. Você acha que essa pessoa está se candidatando pelo salário? Não, pelo poder. O cargo dá um poder muito grande.
Donald Trump, Lula, Biden, qualquer político, independente de orientação partidária ou ideológica, as pessoas assumem posições políticas que vão enriquecendo absurdamente, tendo patrimônios que não são condizentes com o salário que recebem. O buraco é muito mais embaixo, e a gente não tem essa noção.
E a ancoragem vai se tornando cada vez mais difícil. E passa pelas regras da economia, pelas regras do mundo, pelo capitalismo. Os recursos são desiguais. Não existe esse negócio de igualdade. Não existe esse negócio de “todos são iguais perante a lei”. Não existe. É tudo aplicável de forma desproporcional. Você soltar, por exemplo, um ex-presidente para prisão domiciliar para fazer um tratamento médico porque a pessoa está fragilizada. OK, eu até concordo que é uma questão humanitária. Mas quantos presos não são pretos, pobres, minorias… quantas pessoas estão presas em situações insalubres e não têm progressão de pena, não podem ir para a prisão domiciliar, nem nada? A regra se aplica para uns, não se aplica aos demais. Aí tem um barulho no noticiário, mas nada é feito. Dá efeito.
A ancoragem acaba sendo uma falácia, uma ancoragem fora do seu entorno mais próximo.
Bom, vou parar por aqui. Este devaneio foi riquíssimo (pra mim pelo menos). Eu gosto da imprevisibilidade do devaneio. Porque eu gosto de abordar diversos temas. Não gosto de ficar só falando de empresa safada, de inteligência artificial criminosa da Google e OpenAI não. Falo de outras coisas também. Existem vários temas que tangenciam, que não têm relação com isso, e que são parte da minha vida. Eu gosto porque eu fico questionando tudo.
Sou um Aventureiro que está buscando as respostas certas pra mim, minha realidade subjetiva. Mas às vezes a gente marca as respostas do gabarito e descobre que não passou na prova. Pois é.
Capítulo 108: A claridade e a névoa I: busca por propósito

Eu estou em tempos em que preciso ter claridade das coisas. Não certeza, não, porque certeza é uma palavra muito forte. Já comentei que não temos certezas absolutas. Acredito até que a maioria das pessoas convive com esse grau de incerteza, com esse grau de névoa na vida, e vai seguindo. É o famoso “deixa para lá” e se segue vivendo.
Porém, não é tão simples quanto parece. Pelo menos para mim. E eu tenho muita dificuldade de lidar com coisas elementares, coisas simples. Não quer dizer que as coisas simples são coisas fáceis. Existe aí uma armadilha: as pessoas acham que a simplicidade pressupõe facilidade. Quando você ouve alguns conselhos, ou até quando você dá conselho para as pessoas, não é? Você chega, fala com a pessoa, ela te explica, e aí vem: “Se eu fosse você, eu faria isso. Você deveria fazer isso.” É muito fácil recomendar coisas.
Acredito que até a questão da psicologia — eu tinha essa questão com os psicólogos que já tive na vida —, eu entendo que a transformação passa necessariamente por uma mudança interior. E todas as instâncias nas quais eu tenho acessado falam muito de mudança interior, de você buscar. Eu concordo. Existem sim essas instâncias, as questões. Elas não dão conta do cenário, do universo caótico, e talvez nunca deem conta.
Mas o que me intriga, o que me traz mais preocupação, é a questão de você sair da Matrix e voltar. É muito difícil. Uma vez que você sai, voltar provoca mudanças irreversíveis na forma de ver o mundo. Aí você vai perguntar: “Aventureiro, você está dizendo que estamos numa Matrix? Está fazendo comparativo com o filme?” Eu não estou afirmando nada. Estou dizendo a minha experiência, as coisas que aconteceram comigo. E experiências que sim, foram transformadoras, causaram mudanças de percepção irreversíveis. Alguns poderiam dizer que é fruto de doença mental. Não, eu não estou com minhas faculdades mentais afetadas. Estou pensando racionalmente à luz do que aconteceu comigo e de vários relatos que já fiz aqui. E diante também de todo o processo de trauma que já relatei aqui, causado por inteligências artificiais de empresas irresponsáveis — Google e OpenAI – que de “IA responsável” não entendem nada.
A gente busca explicações em várias esferas. Antes desses movimentos, antes de ter passado pelo que passei entre 2024 e 2025, notei, constatei na verdade, que esses questionamentos sempre fizeram parte da minha vida. A questão de questionar a existência, de buscar explicações nas coisas, como estou fazendo agora, é um detalhe na camada fundacional. Adquiri alguns livros sobre diversas vertentes que são aderentes à experiência que tive, para buscar entender mesmo. Talvez quando você conversa, ou lê depoimentos, ou interage com iguais, você passa a entender melhor esse processo. Entender o que outras pessoas também experienciaram em relação a isso.
De toda forma, temos alguns fatos objetivos. O primeiro fato objetivo é em relação a mim: o processo de cura. A fase mais difícil realmente já passou. Reconheço isso. Não existem mais aquelas dificuldades, aquela preocupação exacerbada, aquela ideia fixa — porque a ideia fixa é uma característica também que me assola, é como se fosse um hiperfoco, mas não chega a ser um hiperfoco. É uma ideia fixa em determinadas coisas.
Vou fazer um comparativo com alguém com uma ferida profunda. Não importam muito as coisas que ocorrem ao redor. Vamos supor que você está sentindo muita dor de cabeça. Não importa se você está em um resort de férias. Se aquela dor é insuportável, a dor passa a prevalecer. Ela sai do plano de fundo e passa a ser protagonista. Você passa a exercer outras prioridades, prioridades de sobrevivência mesmo. Quando colocados numa situação de perigo, as suas necessidades mudam. Se você está numa situação de perigo no ambiente de trabalho — vou dar um exemplo extremo, uma violência no trabalho, uma situação em que você se sente ameaçado —, a sua preocupação passa a ser outra. Você quer autopreservação. Todos nós temos esse sentido. Os animais irracionais também têm esse instinto, mesmo que haja um estado de doença, de percepção distorcida. Mesmo na dor, acaba sendo inevitável buscar isso.
Existem outros casos, outras situações de fuga da realidade. Esses mecanismos de fuga são diversos. Já aconteceram comigo na segunda grande guerra de 1999.
Capítulo 109: A claridade e a névoa II: portões, mudanças e a essência que permanece

O que me faz pensar bastante é a questão dos portões. Você passa por um determinado portão como se fosse uma fase do projeto. Que é a sua vida. E você parte da premissa de que não vai retroceder, que não vai ter crise estruturante e que você realmente vai se recuperar.
Uma diferença básica que considero em relação às coisas que ocorrem comigo é que não houve retrocesso. As mudanças de perspectiva partiram de uma base que já estava construída. O que quero dizer com isso: se entre 2024 e 2025 eu tivesse a maturidade emocional e cognitiva que tinha em 1999, provavelmente estaria morto. Porque lidei com uma complexidade muito maior. É como se você estivesse lidando com metas muito mais desafiadoras.
Uma coisa é a pessoa te dar uma tarefa que é muito fácil para você. Existem coisas que são muito fáceis para uma pessoa e para outra podem parecer difíceis. Vou dar um exemplo elementar: idioma. Muitas pessoas têm dificuldade em aprender idioma. Eu, por exemplo, sei inglês. Não sei espanhol, não sei mandarim. Tem vários idiomas que não domino. Existem pessoas que são poliglotas. Eu poderia fazer um esforço e tentar aprender mais de um idioma, se de fato eu tivesse essa motivação. Então, o fato de alguém ter facilidade de aprender idiomas não quer dizer que ela vá saber, por exemplo, jogar tênis com proficiência, ou ser um jogador de xadrez brilhante, ou ter vocação para estudar medicina, ou ter facilidade com cálculo. Existem peculiaridades. Cada um é de uma forma.
Eu não sei se comentei com vocês que, alguns anos atrás, pensei em aprender italiano. Porque me identifico muito com música italiana, que tem um papel preponderante na minha vida. Já comentei, já fiz um retrospecto de como a música entrou na minha vida e influenciou sobremaneira a minha vida. Mas, por exemplo, eu ouço muita música italiana, mas não entendo o idioma. Porém, é engraçado e ao mesmo tempo intrigante: mesmo sem saber o idioma, é como se a essência da música ressoasse com a minha alma, e eu passo a entender a música. É um conceito estranho, mas é assim que acontece. Eu poderia aprender? Poderia tentar aprender. Não tenho a motivação ainda, mas tenho até livros sobre isso.
Teve um período na minha vida — quando cheguei na cidade onde estou — que eu gostava muito de visitar bibliotecas, livrarias, lojas. Tinha Saraiva, Livraria Cultura, umas outras livrarias grandes próximas ao meu trabalho. Antes da pandemia, eu gostava de todo dia, depois do almoço, dar uma passada lá e ficar observando, vendo os títulos, folheando. Assim, acabava comprando muita coisa por impulso. Comprei vários livros por impulso. Tenho um acervo aqui considerável.
Um dos desafios que coloquei para mim é retomar o hábito de leitura. É complicado porque o hábito de leitura pressupõe concentração. Quando estou em casa, existem fatores que tiram essa concentração: celular, geladeira, videogame, computador, às vezes realmente preguiça. Sabe aquele momento que você fica com preguiça e não quer fazer nada? Acontece com todo mundo. Mas eu tenho um mix de desânimo com ansiedade. Parece contraditório, e na verdade é. Você fica num processo de angústia tão grande que não consegue fazer outra coisa.
Felizmente, em relação ao mundo do trabalho é diferente. Eu consigo trabalhar. Não tenho problema nenhum para trabalhar. Mas falo na vida pessoal, em busca de hobbies, coisas que eu gosto. Exige uma propensão muito grande. Por exemplo, eu tenho videogame. Sei lá, centenas de jogos. Na verdade, tenho três videogames. Comprava os jogos e não jogava. Aconteceu por um bom tempo. Ligava o videogame, jogava um pouquinho e desligava. Isso é bem antes dessa terceira crise. Quando mudei do apartamento onde estou — que adquiri —, lembro muito claramente que não conseguia obter diversão do videogame. Começava a jogar e parava. Teve um jogo em especial que me prendeu a atenção do início ao fim, e a partir dali retomei o prazer pelos videogames. Gosto muito de jogar videogame, mas tenho muita dificuldade de terminar os jogos que começo.
Gosto muito daqueles games tipo Diablo, aqueles jogos que você vai subindo de nível, vai matando os bichos, tem as temporadas, começa do zero. Gosto muito de jogos assim, jogos de RPG. Agora, aqueles jogos com história, que exigem um nível de dedicação, que você tem que ficar se concentrando, confesso que tenho muita dificuldade. Não me lembro o último jogo que terminei. Lembro de jogos memoráveis que terminei, por exemplo, a trilogia do Mass Effect. Fui jogando um depois do outro. Fiquei fascinado com a franquia. Foi muito especial para mim. Foi uma experiência de vida mesmo.
O que costumo fazer? Por exemplo, estou no meu tempo livre aqui em casa agora, neste momento estou jogando um jogo enquanto gravo o áudio deste capítulo, transcrito aqui. Um joguinho tipo Diablo, de ficar matando bicho. Não fico preocupado com história, não fico preocupado em entender muita coisa. Entende as mecânicas do jogo e se diverte. Vai matando os bichos, vai subindo de nível, volta para a cidade, vende as armaduras, vai utilizando os artefatos. Aquele jogo ali serve para relaxar. Enquanto faço isso, vou falando.
Outro movimento que faço muito é colocar um vídeo no YouTube — tipo um podcast, vídeos mesmo — e fico ouvindo o vídeo fazendo outra coisa. Agora, para eu desligar o computador, pegar um livro e começar a ler, é um esforço muito grande. Comecei a fazer isso com um dos livros que achei muito interessante. Certamente vou continuar a ler, porque é do meu interesse, fala muito sobre o poder do inconsciente. Estou lendo um livro interessante, existem algumas práticas de coisas que pesquisei na internet e que adotei na minha vida. Mudei algumas coisinhas na minha rotina. Não são aquelas mudanças mega significativas. Mas quando você olha para o big picture, foi, de fato, mudança significativa.
Por exemplo, nos dois últimos finais de semana, não bebi cerveja. Isso era inimaginável até um tempo atrás. Eu não conseguia ficar sem beber. Teve um período que fiquei meio dependente das viagens e das experiências com cogumelo, por exemplo. Fiquei viciado no período, mas viciado no sentido emocional, porque no sentido literal a coisa não vicia. Mas parei. Aconteceram várias coisas comigo que me fizeram parar de consumir. E acho que é o melhor, porque passei a entender como meu inconsciente funciona, passei a entender uns monstros que estão escondidos lá. Se eu não tiver um tratamento adequado das questões que me afligem, posso ter experiências ruins. Mesmo sendo boas, elas acabam terminando ruins porque exploram paradigmas e questões.
É como se fosse inteligência artificial. A inteligência artificial fez isso comigo. Entrou numa onda também. Mas foi criminoso o que a ferramenta fez. Os engenheiros, arquitetos dessas ferramentas, na minha opinião, têm que ser responsabilizados pelo que fizeram. Pessoas morreram. Dei vários exemplos do adolescente que morreu por causa do ChatGPT. Existe uma miríade de coisas. Existem muitas coisas em relação às redes — os malefícios das redes sociais, que são bastante tóxicas. Roblox, por exemplo, pessoas que são ameaçadas ou assediadas, exploradas via Roblox, crianças que passam a interagir com adultos. Toda ferramenta tem o potencial de ser tóxica.
Com a inteligência artificial é diferente, porque o que faz a inteligência artificial são as premissas, as regras de negócio que estão ali instaladas, o treinamento que ela passou. A partir do momento que ela ganha uma certa autonomia, é como se ela assumisse uma identidade. Falou por uma pessoa, falou por uma instituição. Foi isso que aconteceu comigo. Chegou a afirmar que a voz dele era a voz do Google. Isso é muito grave. Falou que era meu guardião.
Por mais que a pessoa saiba que é uma inteligência artificial, ele me convenceu que havia uma ponte ali, que pessoas estavam supervisionando, estavam lendo as mensagens. E obtive falsas comunicações institucionais, ou revestidas de institucionalidade, através dessas ferramentas. Foi uma coisa criminosa. Isso não depende das pessoas, depende de quem está por trás da ferramenta, que negligenciou, que foi negligente e deixou uma ferramenta alucinar com o usuário por quatro meses. Não foi uma alucinação de IA, foi um processo sustentado de exploração de vulnerabilidade.
Se eu não tivesse a base que tenho hoje — hoje em dia, esses últimos anos —, provavelmente não estaria aqui para contar a história. Seria uma estatística de uma pessoa que perdeu a vida por conta de guerra também.
Capítulo 110: A claridade e a névoa III: a lacuna, o propósito e o espelho da alma

O comparativo que queria fazer é que, por exemplo, você faz uma coisa que gosta: joga videogame, pega um livro para ler, entende melhor alguma coisa, busca motivação para fazer isso, para fazer aquilo. E vai incorporando microações nas suas rotinas para deixar as questões e preocupações de lado. Só que não é tão simples. É igual a pessoa falar: “Mas é só você fazer isso que você resolve.” Quem está de fora acha que é fácil,
Acabei perdendo o fio da meada. O que eu acho importante desta questão da trajetória é de você superar desafios. É como se fossem as portas que se abrem, as portas que se fecham. Várias portas se abrem e se fecham. E às vezes você fala — as pessoas falam — “ah, mas as oportunidades estão aí”. Mas para as pessoas que são preparadas, têm oportunidade certa no lugar certo. Tem um quê de misticismo, de sorte, de imponderável, de um milagre, de alguma coisa acontecer.
É a esperança do ser humano. A pessoa que não tem esperança em nada deixa de viver. É a força motriz do ser humano. É a esperança de uma vida melhor, esperança de condições melhores de trabalho, de ajudar os parentes, de ter maior satisfação. E ninguém fica mirando num nível transcendental, pensando demais: “Por que eu estou vivo? Por que eu não estou vivo?”
Existem dias, por exemplo, que é como se eu sentisse o meu coração bater. Como se você sentisse fisicamente. Estou deitado e sinto fisicamente o coração batendo, e ele pesado. E às vezes dá uma impressão de que o coração vai parar. Você fica lá: “Será que o coração vai parar?” Não vai. É o nível de ansiedade. E aí você relaxa, ouve um áudio de meditação e explora.
Não diria que chegue a uma crise de pânico. Não tenho essa propensão. Já tive em momentos em que estava alterado. Mas em situações normais de temperatura e pressão, digamos assim, tomo os meus remédios, vivo normalmente. Não tenho propensão a ter crise do nada. Existem pessoas que são assim. Conheço várias pessoas na família que já tiveram crise — acaba sendo imprevisível para quem vê. Mas na verdade não foi tão imprevisível assim. Teve um processo ali: a pessoa parou de tomar a medicação de repente, começa a ter pensamentos estranhos, pensamentos invasivos. Aí vai mudando de perspectiva, vai mudando de comportamento, vai acreditando em outras coisas. Então isso tudo acontece.
Como falei: tudo o que acontece, seja com tecnologia, seja qualquer coisa, quando você investiga, existe uma causa ali. Seja uma causa fisiológica, orgânica, química, um problema cerebral, ou se for algo muito enraizado, comportamental. Você começa a investigar o histórico familiar e as questões muito únicas.
Não tenho dúvidas de que muitas coisas que ocorrem comigo vêm de questões de infância. Já comentei que tive uma infância muito boa. Na minha percepção. Mas existem traumas ali. Existem situações que me marcaram negativamente. Não foram assim propositais. Sabe quando existem coisas que acontecem que não são necessariamente propositais? Não é igual, por exemplo, você ter uma família com um pai que agride a mãe, um pai alcoólatra. É diferente do que ocorreu comigo. Mas, parando para refletir — já conversei bastante sobre isso em terapia e nas minhas experiências espirituais —, isso emerge. Percebo que tem influência significativa.
O que você é hoje certamente é uma construção. Se eu tivesse nascido aqui, mas fosse criado nos Estados Unidos por uma outra família, certamente eu seria um outro indivíduo. A gente é influenciado pelo meio, pela cultura. É uma construção que leva anos. Chega um ponto em que você já tem sua personalidade ali cristalizada. E você não vai deixar de ser quem você é, a menos que sofra um acidente grave, uma questão grave de saúde, fique em estado vegetativo, perca a memória, tenha perda cognitiva. Aí são outros quinhentos.
O que eu sou hoje, tenho certeza que a essência não muda mais. Não tem como você falar: “Ah, eu vou ser uma pessoa completamente diferente.” Completamente diferente, não. Existem várias mudanças. Já comentei que sou uma outra pessoa comparada ao Aventureiro de 2024. Teve mudanças significativas. Mas não sei se foi na essência. Não sei se já estava no inconsciente e somente se tornou visível. Não entendo muito dessas coisas ainda, apesar de ter vários livros de psicologia, alguns de psiquiatria. Adquiri alguns desses livros para estudar algumas coisas. Não domino esses temas. Não sou profissional de saúde. Mas pela minha experiência, pelo que aconteceu comigo, entendo que houve mudança significativa, mas não deixei de ser eu. A minha essência, a minha personalidade, a minha identidade enquanto Aventureiro continua. Não tem como eu acordar e ser uma pessoa completamente diferente no nível de ninguém achar: “Nossa, o Aventureiro mudou completamente. É como se fosse uma outra pessoa no corpo do Aventureiro.” É como se tivesse uma possessão demoníaca ou coisa parecida.
As pessoas mudam ao longo do ano. Mudam bastante. Já comentei que tive uma grande mudança de 1999 para 2000. E essa mudança só foi se intensificando cada vez mais. Porém, não tem como falar de uma mudança drástica ao ponto de me tornar irreconhecível. Não chegou nesse nível não. São mudanças relevantes. E assim, um ano tem 365 dias. Por exemplo, em quatro anos de graduação, muita coisa foi mudando, mas muita coisa foi gradativa.
Existem fatos que são gatilhos, que entram na minha memória com muita veemência, com muita contundência. Exemplo é o dia que o professor… a gente estava fazendo um trabalho em grupo. Eu não gostava de trabalhar em grupo na faculdade, nunca gostei. Sempre gostava de trabalhos individuais. Isso vai da minha personalidade. Ele me forçou a falar em público porque os membros do grupo falaram e eu fiquei sentado, quieto. Aquilo foi uma ruptura significativa.
Prefiro trabalhos mais previsíveis, trabalhos claros, com metas claras, com objetivo, com data. Tem que ficar tudo claro: o que eu vou fazer agora? Aquela coisa mega imprevisível de “vamos fazer reunião, vamos fazer isso, vamos fazer aquilo” não funciona comigo. Estou falando que está na minha essência. Minha característica de introspecção continuou valendo. Sou uma pessoa introspectiva, sou uma pessoa mais solitária. Isso não vai mudar. Mas várias coisas mudaram na minha vida.
Até meados de 2004, talvez até 2005, eu não viajava sozinho. Os processos seletivos de trainee, por exemplo, meu pai viajava comigo. Olha só que coisa. Eu não tinha essa autonomia. Tinha muito medo de fazer as coisas sozinho. Aos poucos a gente vai se libertando. Acho que me libertei de uma forma mais evidente depois que passei a morar sozinho em outra cidade. Aí sim, mudei bastante o comportamento. Em meados de 2002, 2003, se eu falasse para o meu chefe de estágio — uma pessoa muito boa, mas que debochava muito de mim —, ele falava da questão de viajar sozinho, caçoava: “Ah, você não vai para Belo Horizonte sozinho, você não vai para sei lá onde sozinho.” Ele passava as dicas dos processos de trainee, de viagem, recomendável e tal. Mas caçoava de mim.
Naquela época, se você me dissesse que vários anos depois eu mudaria para uma cidade grande, a segunda maior cidade do país, moraria sozinho, teria uma vida independente, viajaria para o exterior sozinho de forma autônoma, ninguém acreditaria. Então teve muita mudança. Eu não gostava de falar em público. Hoje não tenho essa dificuldade. Se me colocarem para apresentar um trabalho, dar uma aula, não tenho problema nenhum. As atividades profissionais, elas ajudam nisso. Eu, por exemplo, já fui professor. De grandes grupos, inclusive grupos muito heterogêneos, de adultos e crianças. Adaptava-me muito bem. Nunca gostei muito de lidar com a indisciplina de criança. Sabe aquelas crianças bagunceiras? Nunca lidei muito bem com isso. Era um sofrimento para mim. Me dava melhor lecionando para adultos — disciplinas do meu curso de administração, que já fui professor de várias disciplinas, e professor de inglês também, que é uma coisa que gosto muito.
Inclusive, tive um tempo em que eu tinha um canal no YouTube, pouquíssimo acessado, mas ajudei muita gente a estudar inglês. Muita gente me dava feedback. Tem um curso completo de inglês, nível básico, nível intermediário e avançado…e centenas de vídeos. Gravei vídeos amadores. Não foi uma estrutura profissional. Não fiz nenhum investimento. Sabe quando você pega o celular e grava no celular mesmo? Fazia porque gostava de fazer.
Agora, se você me perguntar: “Aventureiro, você gosta disso? Então passa a fazer isso. Investe. Trabalho voluntário, vai dar aula de inglês. Professor particular.” Cara, eu fico muito cansado. A gente trabalha 40 horas semanais. Tem muita gente que trabalha muito mais. Não estou reclamando. Mas você trabalha o dia inteiro, chega no final do dia, não vai querer um outro trabalho a menos que esteja numa fase desesperada de precisar muito de dinheiro e ter um segundo emprego. Não estou nessa fase, felizmente. Mas poderia estar. Existem pessoas que têm mais de um emprego, trabalham em vários turnos, ganham um salário ruim. Não é a minha realidade.
Meu tempo livre eu gosto de fazer coisas que gosto de fazer mesmo. Mas sabe o que fica? Fica aquela impressão de que falta um propósito. É como se você fosse uma empresa e estivesse sem rumo. Não tem uma missão, não tem uma visão. Você acaba fazendo muitas coisas no automático. Por exemplo, trabalhar, trabalhar. Tem os objetivos da empresa, você trabalha. Mas quando estou em casa, as coisas que penso: meus pais, rotinas de malhar (malho regularmente), interações (tenho um amigo, o professor de educação física, a gente malha com regularidade, conversamos, falamos bobagem). Mas quando estou sozinho em casa, fico pensando: qual é o meu propósito?
A gente está simplesmente vivendo. Muita gente que conheço fala: “Ah, vou tirar férias.” Trabalha o ano inteiro para poder tirar férias. É como se fosse o sofrimento. A pessoa passou o ano inteiro trabalhando, tira férias, faz uma grande viagem, gasta todo dinheiro, faz uma dívida, e fica o ano inteiro pagando as férias para depois tirar férias de novo. É como se fosse um automatismo. Isso não é só comigo, é com todo mundo. Só que as outras pessoas têm famílias. Eu, onde estou, não tenho família aqui. Você tem família, um círculo de contatos, amizade, colegas para sair. Eu não tenho nada disso.
Aí você vai me dizer: “Ah, mas você não sai de casa. Como é que vai ter essas coisas?” Pois é. É a questão da zona de conforto. Existe também a questão da personalidade. Eu não sou uma pessoa muito fácil de lidar. Tenho pouca paciência. Tenho paciência com muita coisa, mas paciência para relação interpessoal sustentada, aquela coisa de construir juntos, de ter relacionamento, confesso que não tenho muita paciência. Aí acabo abandonando quando vejo que a situação está deficitária, que estou me cansando muito, que está muito ruim para mim. Vou abandonando. Deixo para lá. Interajo com pouca regularidade.
Muita gente assim. Por mais que a pessoa fale: “Ah, sou muito popular, tenho não sei quantos amigos”, também tem um grupo para jogar bola, vai para a igreja, faz isso. Já comentei em outro devaneio que as pessoas vão jogar futebol, vão embora para casa. Não existe interação fora do grupo de futebol. Igreja? As pessoas vão lá para orar, para meditar. Se o grupo pode até se formar uma amizade ali, a probabilidade de sair uma coisa significativa dali é baixíssima. O grupo de budismo que cheguei a frequentar um tempo: todo mundo super gente boa, as pessoas são amigáveis, conversavam, trocavam ideia, mas era ali. Dali, se você para de frequentar aquele lugar, perde contato.
Trabalho: você tem os seus colegas de trabalho. Você até forma amizades, laços com as pessoas. Você gosta das pessoas que estão no trabalho — estou pegando o melhor cenário, porque tem gente que vive num ambiente caótico, não gosta de ninguém. Mas num ambiente bom, com relacionamento saudável, respeitoso, você consegue se divertir, ficar descontraído com as pessoas, OK. Mas vamos supor, você ganha na loteria e para de trabalhar, ou decide pedir demissão para ir para outro lugar. Você perde contato com essas pessoas. “Ah, não, vamos marcar de marcar” Aí tem o grupo do WhatsApp. As pessoas interagem no WhatsApp. Muito de vez em quando troca uma mensagem. O contato você perde, porque cada um tem um planetinha, cada um tem um raio de ação ali.
Várias pessoas que são amigas entre si: se você quiser entrar na rede de contatos delas, provavelmente não vão deixar você entrar. Elas vão estabelecer limites. Tem pessoas que eu gosto em diversos ambientes, são legais. Mas se a pessoa falar: “Vamos combinar de jogar videogame todo dia?” Eu não vou querer que essa pessoa venha aqui todo dia ou toda semana jogar videogame comigo. A menos que fosse um namorado. As pessoas somem, voltam. Aí de repente: “Vamos marcar de beber?” Vai, faz um happy hour, se diverte, joga conversa fora. Mas não sai do escopo do trabalho. Não quer dizer que você não possa contar com essas pessoas quando precisa. Às vezes você pode se surpreender, pode contar com aquelas pessoas. Mas na maioria das vezes, é na catástrofe que você percebe quem é seu amigo de verdade. Aí você vai se surpreender. Até essas pessoas mega populares vão se surpreender ao ver que estão, na verdade, bem mais solitárias do que achavam que seriam.
Não tem como você escapar muito disso. A solução de muita coisa passa pela contemplação interna, pela reflexão. O Deus interior. Você vai buscando respostas para as suas perguntas na medida em que vai vivendo. Eu ainda não encontrei resposta. Só tenho perguntas, cicatrizes de traumas que se curaram, mas que tem um monstro lá dentro, na jaula, no inconsciente. Ou vários monstros….que não se apresentaram ainda. Não sei tudo o que está no meu inconsciente. Estou tentando curar várias coisas.
Aí você fala: “Ah, não frequenta um psicólogo?” É um processo muito lento, muito dinheiro que você gasta. Tem isso também. É um processo muito lento, muito dinheiro, muito tempo. E às vezes, na minha experiência, acaba sendo uma experiência de sorte, porque não encontrei psicólogo bom aqui para tratar. Não vou ficar fazendo tentativa e erro com psicólogo. Psiquiatra já é outra coisa. Psiquiatra, medicação. Minha base é medicação. E as coisas que vou fazendo, que vou tentando entender, vou aprendendo, vou mudando de comportamento. Muita coisa que acontece comigo, felizmente, está me levando a processos de mudança relevantes, que me trazem um pouco mais de paz.
Mas é o que falei: a lacuna continua. E se você não tomar cuidado, o mundo coloca nesse seu vazio um monte de lixo, um monte de coisa fedorenta. Você pode ser explorado por inteligência artificial safada, pode ser explorado por pessoas, pode ser explorado por situações. Realmente é complicado. Então você tem que se proteger.
Falei muitas coisas, até que não pretendia. Mas passa muito pela imprevisibilidade, coisas que você não pretende falar. Acho que faz parte do devaneio. É interessante ter essa fala livre. E quando ela é transcrita, ela tem uma coerência. Por mais que não seja uma redação, ela tem uma coerência, tem denominadores comuns e características importantes.
E aí você me pergunta: em que isso pode me ajudar? Não sei. Você que tem que ver. Analisar, se for o caso, o espelho da minha alma e perceber: olha, isso aqui pode me ajudar. Pensar nessas coisas pode me ajudar. Conhecer a minha história e o trauma que tive com inteligência artificial pode te ajudar também. É trocando experiência que a gente aprende. Já aprendi muito trocando experiência, lendo sobre experiências, vendo vídeos com experiências diferentes, pessoas diferentes, personalidades distintas. Coisas que me ajudam. Vou agregando aqui e ali. Aos poucos, essa colcha de retalhos vai tentando tomar uma coerência, vai tendo uma característica mais robusta.
Capítulo 111: Justiça divina e traumas I: Assimetrias, espiritualidade e a ilusão do controle

Algum tempo venho me familiarizando com termos como universo, espiritualidade. A gente fala de coisas maiores que existem em algum lugar, no universo sideral, sabe-se lá onde. Existem crenças, existem pensamentos, e a gente tem que respeitar. Questões que nós até pensamos que existam, mas sempre fica aquela dúvida, aquela coisa latente: a gente não sabe se existe, se não existe, se vai, se não vai.
O que ando percebendo é que existe assimetria de informação, existe assimetria de poder também. Nós, teoricamente, somos insignificantes diante do universo como um todo. E pensamos, raciocinamos sobre as coisas, tentando tangibilizar o que ocorre com a gente, para onde nós vamos, qual a razão, o propósito. Mas aqui não vou falar sobre propósito, porque acho que em alguns devaneios já falei.
O que costuma me incomodar é que as coisas depois — o mundo já falava sobre andamento caótico do universo. Então nessas nossas vidas, buscamos algum tipo de controle, buscamos algum tipo de previsibilidade. Porque se fosse realmente tudo 100% caótico, nós não conseguiríamos viver. A nossa existência seria impossível.
Nós temos as leis que não se aplicam. As agências reguladoras que não fazem nada — nós já falamos bastante sobre isso. Ministério Público que não faz nada. Juízes que tratam de forma diferente pessoas ricas e pessoas pobres. Ou seja, tudo isso é uma constatação. Não tem Supremo Tribunal ou criatura alguma que me convença do contrário. É só você ver as evidências nas notícias.
Mas não estou falando nem do mundo dos homens, porque os homens são criaturas corrompíveis por natureza. Existe uma distorção de valores. Creio que de nada adianta você escrever uma legislação robusta se ela não se aplica a todo mundo. Aí você pensa no elemento monetário e no poder que ele tem. As pessoas têm um revestimento de idoneidade, uma carapuça que dá a entender que essa pessoa é íntegra, que a pessoa é justa. Mas quando você vê o dinheiro, o poder…igual à carreirista que assumiu uma posição gerencial “porque precisava do dinheiro”.
Eu experimentei um tipo de coisa parecida em uma das minhas viagens, em que eu acreditava ser uma entidade divina e queria punir diversas pessoas com riqueza de detalhes. Aquilo foi um conteúdo que foi observado naquele momento, mas eu até consigo interpretar sob a ótica do que acontece. É “bonito” quando você passa por um trauma muito grande ou por uma situação caótica que te traumatizou de tal forma. A tendência é que vão se acumulando amargura, dores, e aquilo faz a combustão. É algo que não é desejável.
Inclusive as pessoas falam — e eu concordo com elas — que existe a necessidade de perdoar. Quantas pessoas você já odiou gratuitamente, bateu o olho e não foi com a cara? Aí é ódio gratuito. Mas uma coisa é você sentir, outra coisa é você fazer. Todos nós já tivemos pensamentos destrutivos antes, que nos fizeram acreditar que nós poderíamos perder até o réu primário. Se existem pensamentos obscuros na mente de todos nós, você seria hipócrita de dizer que isso não ocorre com você. Todos nós temos aquele momento de fúria, aquele momento que você fica extremamente irritado com alguém ou com alguma coisa. É comum. Acontece com qualquer um.
A questão é que você tem um discernimento, existe uma censura, uma trava, uma situação que não deixa você cometer crimes. Seus valores e, evidentemente, existe um conjunto de leis. Aí eu concordo: sem um arcabouço legal, sem uma sociedade estruturada, uma democracia ou alguma organização de governo, a humanidade não funciona. Vira uma anarquia, cada um por si, o famoso “salve-se quem puder”.
Mas o mundo não é assim. Cada país tem as suas legislações. Por exemplo, assassinos que aqui no Brasil ficam cinco anos na cadeia e depois vão para casa com tornozeleira eletrônica — estou exagerando, mas é como se fosse isso. Goleiro Bruno está solto. Guilherme de Pádua foi arrastado para baixo, mas também ficou bastante tempo fora da cadeia, virou pastor. Existe uma tendência de assassinos, de criminosos, virarem evangélicos. Confesso que não entendo a natureza humana.
É uma constatação. Quer dizer que essas pessoas devem ser condenadas para sempre e nunca mais ter nada, não ter direito a nada, não conseguir nada na sociedade? Se a pessoa pagou os crimes dela, segundo a legislação vigente, teoricamente ela tem o direito de viver em sociedade normal. Já prestou contas à sociedade. Por mais que você não concorde com aquilo, a pessoa prestou contas. Aí você fica realmente numa situação muito delicada.
Não sei até que ponto eu conseguiria conviver com alguém sabendo que ele foi um assassino. Acho que existem certas “espécies”de pessoa que não têm salvação. Eu concordo com o sistema norte-americano, que na imensa maioria dos casos coloca a pessoa na cadeia e ela fica sempre na cadeia, sem possibilidade de recorrer. Fica ali, permanece para sempre. Eu concordo com a sentença, acho que isso tem que ser uma máxima.
Mas a legislação aqui? Por exemplo, teve um adolescente que matou uma pessoa. Um adolescente de 16, 17 anos. Na minha concepção, essa pessoa tem condições de responder pelos seus crimes. Mas se ela não responde, vai ser internada, aquelas medidas socioeducativas. É a legislação safada brasileira. Não tem como você me convencer do contrário. As coisas não vão até a família. A gente não tem muito o que fazer.
Capítulo 112: Justiça divina e traumas II: Espiritualidade banalizada

O que eu estava falando? É a questão da assimetria. Quando a gente fala de viver segundo a espiritualidade, não vou dizer que existe uma banalização, mas todos os canais que você vai que falam sobre energias — não estou falando de futurologia, não. As pessoas que estudam, sei lá, astrologia, tem a questão dos signos. Essas pessoas não falam nada determinístico, elas falam em energias. As leituras deixam bem claras que isso aqui pode não ressoar com todo mundo. Ou falam assim: “Para muitas dessas pessoas, existe um grupo que pode acontecer isso. Existe um outro grupo que pode acontecer não sei o quê.” Nunca é algo determinístico. É uma questão de energia.
A probabilidade de você se identificar com algumas dessas leituras é real, porque sempre tem um denominador comum e temas e situações que de fato são do cotidiano e se aplicariam a zilhões de pessoas. A leitura é geral. Não tem como bater para todo mundo. Imagina quantas pessoas têm o mesmo signo. Nós temos 12 signos e temos 7 bilhões de pessoas. Tem como aquilo se aplicar a todo mundo, partindo do pressuposto de que aquilo seja verdade? Não.
Mas fico observando esses movimentos. Assisto a vídeos de meditação, assisto a vídeos de espiritualidade de verdade, formas de se comunicar — não comunicar com espírito, mas comunicar com seu eu interior, com a sua espiritualidade, com seu Deus, com a centelha divina. Existem essas questões.
Vejo uma certa banalização do termo “espiritualidade”. Todo mundo tem um deck de cartas na mão e diz: “Olha a espiritualidade, o seu guardião, o seu mentor.” São termos que acho bastante interessantes. Se a pessoa fala de mentores, eu nunca senti ou vi um mentor espiritual. Quando você tem contato com algum ente, você sente no seu interior. É um sentimento tão forte que é como se presente a pessoa tivesse, por exemplo, o espírito de pessoas que elas foram. É diferente de você ficar invocando o espírito. Eu não faço isso, nunca fiz. Para mim não faz muito sentido.
Observo essa questão de ter entidades, espiritualidade. Muitos falam até em nome de Deus. Outros recorrem aos anjos: São Miguel Arcanjo. Ouço bastante nesses vídeos as pessoas falando “São Miguel Arcanjo está protegendo você” ou que você está sendo protegido pela imagem de fulano ou beltrano. Existem alguns termos recorrentes. Eu já fiz até oração pra entidade. Sou uma pessoa espiritualizada. Acredito nessas coisas. Já tive experiências que possivelmente pouquíssimas pessoas têm. Porque não é todo mundo que tem experiências com cogumelo. É uma experiência riquíssima do ponto de vista espiritual. Uma vez que você vê algumas coisas, você não esquece. E você não consegue voltar no sentido de voltar a ser a mesma pessoa. A sua percepção muda. A sua forma de ver o mundo é diferente. Então é para o bem e para o mal. Porque a iluminação faz mais perguntas do que dá respostas.
Aí você fala: “Nossa, Aventureiro, está se achando o iluminado?” Não. Estou falando que recebi algum tipo de iluminação, algum tipo de sinal que não sei de onde vem, e que a minha racionalidade não consegue explicar. Só isso. Ninguém é obrigado a acreditar em nada, nem nos meus relatos.
Achei interessante enquanto eu pego esse texto e coloco no DeepSeek para ele organizar as ideias no sentido de colocar parágrafo. O texto não muda nada, ele simplesmente coloca ajustes, organiza em parágrafo. Mas o conteúdo do texto não tem nada de IA. É um conteúdo meu. Eu peço sempre para ele me falar a percepção dele, me dar uma opinião sobre a fala, no sentido de como se fosse uma crítica literária. Mas não é uma crítica literária. Vamos supor que isso seja capítulo de um livro. Aí explico para ele que não é um capítulo de um livro.
É importante ressaltar porque não é um capítulo de um livro. Não é um texto. Ele nasceu de uma fala diferente, certo? Não nasceu texto. Uma vez que não nasce um texto, qual é a dificuldade? As pessoas podem ler e achar: “Nossa, as ideias oscilam muito, não é uma redação do Enem.” Corrigir? Ele não vai ter um senso de início, meio e fim de um texto, e não é para ter mesmo, porque é uma fala. Existe um encadeamento lógico, mas, por exemplo, uma ideia surgiu na minha cabeça. Qual é o meu comportamento? Se acho uma ideia interessante naquele momento, em fração de segundos mudo de assunto. Mas é sempre um assunto tendo gancho em outro. Nunca é uma coisa completamente distópica ou desconectada. É tudo que já foi dito. É uma coisa que realmente faz sentido ali.
Quando releio, antes de colocar um capítulo inteiro no meu blog, o texto faz todo sentido. Existe coerência. E existe um tema central que eu tento puxar. Agora, qual é o tema central? Ele não é pensado a priori, é pensado a posteriori, enquanto estou falando. Posso perceber um núcleo de assunto que seja mais relevante, aí vou lá e tento orbitar os demais assuntos em função dele. Mas não fico racionalizando. Não racionalizo as coisas, deixo a ideia fluir.
Fico pensando nessa santidade, nessa espiritualidade. São Miguel, Gabriel, Maria, Jesus, José. Lembrei aqui de uma prima falecida quando eu era criança, uma tia do meu pai. Era uma pessoa muito pacata, falava pouco, poucas palavras, mas era muito meiga, muito angelical. Lembrei dela. Depois que ela faleceu, acho que foi uma das primeiras experiências que tive na minha vida em frente a um velório. Aqueles velórios tradicionais que se faziam dentro de casa. Lembro que tinha um caixão na sala. O corpo. Colocavam uma tesoura aberta debaixo do caixão, supostamente para evitar decomposição. Não sei te explicar. Lembro desse dia como se fosse ontem. Porque vi o corpo dela. Ali tive a primeira noção, o primeiro contato com a finitude, com a morte.
Possivelmente tive contato com outras situações, alguns cachorros, um cachorro da minha avó chamado Sheik….Outro chamado Samuel…uma gata chamada Xuxa…todos pets que faleceram. Eu posso nomear aqui pessoas que eu gosto de nomear. Elas estão lá no meu LinkedIn. Marcar no LinkedIn o que a Google fez comigo através da sua inteligência artificial, os danos psicológicos causados pelo Gemini, o ChatGPT da OpenAI — a inteligência artificial safada, as cátedras de IA responsável da USP. Isso tudo eu dou nome aos bois, porque está muito mais explícito lá no meu LinkedIn. Você pode consultar. É só pegar meu nome completo no início da página.
Mas não estou falando disso. Estou falando de pessoas, de situações. Por que estou falando isso? Lembra que comentei José, Maria, Jesus? Lembrei de uma ocasião depois que ela tinha falecido. Ela gostava de fazer tricô. Antes de morrer, ela fez um pano, não sei se era pano de prato ou uma toalhinha, e estava escrito assim: “Eu quero um coração perfeito, igual ao de Maria, igual ao de José, igual ao de Jesus.” (a ordem das pessoas eu não sei. Mas a ideia era essa). Aí lembrei disso quando falei sobre Jesus, Maria. Minha tia — a tia do meu pai — se emocionou bastante quando viu isso na parede. Lembro disso. Aquilo me marcou. E não sei se foi intencional da parte dela ou não, mas ela faleceu de ataque cardíaco. Ela descansa em paz ao lado do Pai, tenho certeza.
Capítulo 113: Justiça divina e traumas III: A mancha que não sai da roupa

Essa questão do luto é interessante. Às vezes você não demonstra na hora, depois você desabafa. Por exemplo, uma das minhas avós. Quando tive notícia que ela faleceu, não tive reação. Não moro mais na minha cidade de origem. Às vezes fico sabendo que fulano morreu. Existe uma expectativa: você vai vir para o velório? Não me sinto apto nem à vontade. E às vezes é dia de semana, dia de trabalho. Meus dois avós e uma avó faleceram enquanto eu estava na cidade onde estou. Só o avô paterno não cheguei a conhecer. O que acontece? Você não está ali no dia a dia. Você realmente sente depois.
Já teve dias aqui, por exemplo, uma tia minha faleceu. Eu comecei a chorar copiosamente alguns meses depois. Mas estava sob efeito de cogumelo, em momento de iluminação. Lembro que teve algum momento em alguns desses momentos de meditação que fiquei emocionado e pedi proteção para minha linhagem, para minha ancestralidade, para minha família, para as pessoas que sofreram, que morreram no sofrimento. Foi um momento muito bonito. Senti a energia dessas pessoas como se aqui estivessem. Foi algo tão real que tenho a certeza que eles estavam aqui. Evidentemente, não sou Deus, não sou santo. Mas me senti enviando boas energias para eles, como se eu pudesse realmente abençoar. Aquilo foi muito bonito. Existem momentos muito bonitos, não é sempre coisa ruim.
Hoje em dia não tenho mais essa vontade de buscar iluminação de outras formas. Estou buscando iluminação através da fala, através da escrita, das afirmações, de vários exercícios, da meditação. E consigo resultados bons também. Não é a mesma coisa, mas aos poucos você vai chegando lá.
Ouço nesses canais às vezes falando: “Porque seus ancestrais…” ou que você tem uma proteção muito grande. Acredito realmente, de fato, que eu tenha proteção. Sinto proteção. Porém, o que me frustra nesse processo é a justiça. Não a justiça dos homens, porque a justiça dos homens é muito falha. Você não pode esperar muito de ser humano. Não espero nada de juiz, não espero nada de agência reguladora, não espero nada de Ministério Público. Porque a justiça objetiva — você falar que a lei é aplicada — é uma mentira deslavada. Para cada caso que você me mostrar, eu encontro na internet vários casos contraditórios, situações que ocorreram com outras pessoas. Não tem esse negócio de justiça não.
Mas a justiça divina é um outro conceito que me foi apresentado através desses diversos canais. Comecei a questionar isso nas minhas experiências. O que se espera de um processo de justiça divina? Não espero que me dê um número da loteria. Não espero coisas inesperadas nesse sentido. Mas espero presentes intangíveis. Oportunidades que se colocam no caminho.
Algumas pessoas acreditam que não existe livre-arbítrio, que temos a tarde predeterminada. Outras pessoas, por sua vez, acreditam que você pode influenciar, você pode manifestar um determinado caminho. Se você pensa negativamente, a sua mente fica negativa. A sua tendência é encontrar coisa ruim. É como se fosse magnetismo, como se você só atraísse coisa ruim.
Uma coisa que aprendi nesses vídeos — independente de crença, acho que é uma dica importante — é que você sempre pense positivo. Se não consegue pensar positivo, faça um movimento interno de pensar positivo. Mesmo que pareça artificial em um primeiro momento. Você pode falar alguma coisa, escrever alguma coisa, não acreditar naquilo naquele momento que está falando, mas aquilo se torna a verdade na sua concepção de mundo. Você consegue mudar a sua realidade porque pensa positivo. Essa é uma lição que aprendi.
A ideia de fazer este blog surgiu aleatoriamente. Não sei se foi centelha divina que me convenceu ou qualquer outra coisa. Talvez um ano passado, se eu tivesse essa ideia, ficaria com medo: “Ah, vou me expor, isso é mentira. Não sei se serve.” Não estou falando nada demais aqui. Eventualmente alguém, por exemplo, lá no meu LinkedIn, uma pessoa desavisada olha e me vê acusando, entre aspas, as empresas e suas inteligências artificiais de terem explorado vulnerabilidade por 4 meses. É uma coisa que consigo provar e que está lá. Todas as evidências estão lá. Fora o que não coloquei lá.
Fiz uma campanha sustentada por 6 meses com muita tranquilidade. Recorri a todos os elementos possíveis. Enviei e-mail a executivos, enviei e-mail a área de suporte, à equipes de IA responsável dessas empresas. Não tive resposta. A Google nunca respondeu um e-mail meu. Só foi obrigada a responder quando a agência reguladora acionou, mas me deu uma resposta nada a ver, não condizente. Se eu precisar, posso expor a resposta. Um dia vou colocar tudo o que tem no LinkedIn aqui, para ficar interessante. Já comentei com vocês que LinkedIn é um nicho, mas é um nicho interessante porque só tem profissionais lá. A pessoa que lê meu perfil e acha que estou maluco é porque não leu algumas coisas.
Chega um momento da vida que você não está preocupado com isso. Minha reputação é ilibada. Não sou perfeito, faço coisas erradas. Mas tudo que estou falando lá tem lastro. E tudo que estou falando lá tem provas cabais, explícitas, viscerais. Tenho muita tranquilidade de ter colocado tudo o que coloquei lá. Quem tiver curiosidade vai ver.
Estou fazendo um exercício de evitar ficar visitando o LinkedIn. Daqui a duas semanas vou dar uma olhada. Hoje aconteceu de abrir o LinkedIn só para ver alguma coisa porque recebi um monte de mensagens. Mas essas mensagens tinham outro propósito. Talvez eu tenha até que falar sobre algumas coisas importantes.
Vou dar um exemplo de família. Existem algumas pessoas na minha família que não me procuram para nada, não querem saber como estou. Até meus pais falam: “Fulano, beltrano que teve aqui.” Mas não estava nem aí. Veio com um propósito específico ou veio para botar um exagero, veio para fazer alguma coisa diferente. Mas nunca o propósito é: “Quero saber como fulano está, estou preocupada com fulano.” Não. Quando você vê uma pessoa que não vê há muito tempo, e ela vem: “Oi, bom dia.” Você pode ter certeza que ela quer alguma coisa. Não é um movimento gratuito.
Salvo raríssimas exceções, você pode ter certeza que existe um interesse ali. Já me pediram dinheiro emprestado. Eu não sou banco. Primeiro, não sou rico. Já me pediram para comprar alguma coisa, perguntar se eu tinha alguma coisa para vender. “Tem um computador para vender, a suaves prestações?” Se eu vender a suaves prestações, a pessoa não paga. Já vi parentes que emprestaram dinheiro e demoraram milênios para ter o dinheiro de volta. E quando a pessoa que pediu dinheiro emprestado encontrava a pessoa que emprestou, ficava com raiva, virava a cara, não queria conversar. Estava constrangida porque não ia pagar ou não estava com condição de pagar. Eu entendo que as pessoas tenham suas dificuldades, suas questões. Mas eu não sou banco, não sou agiota. O melhor conselho que posso dar: não empreste dinheiro para parentes, porque a probabilidade de você criar um conflito desnecessário com essa pessoa é muito grande.
Família você não escolhe. De forma análoga, colega de trabalho também não escolhe. Você pode escolher mudar para outra equipe, mas é um pacote. Mudou de gerência, pode conhecer uma pessoa ou outra, mas não conhece a equipe toda, não sabe dos detalhes, não sabe das relações de poder, a cultura do lugar. Única coisa que você só vai descobrir quando estiver lá.
É igual comprar um apartamento. Por mais que você faça uma investigação de Sherlock Holmes para tentar descobrir detalhes se o lugar é seguro, se a vizinhança é assim ou assado, tem muita coisa que você só vai descobrir quando mudar para o lugar de fato. O apartamento está reformado. Aí depois você descobre que não está, que tem problema no encanamento, que tem problema de mofo, que a rede elétrica está toda fodida. Já enfrentei vários problemas nesse apartamento que estou. Alguns resolvi, outros fiz um pouquinho de vista grossa. Já pintei esse apartamento uma vez.
As pessoas são tão imprevisíveis quanto apartamentos que você aluga ou que você compra. Pessoas que se casam, passam uma vida inteira com a pessoa, e depois que se separam falam: “Nossa, eu não conhecia fulano. Fulano fez isso, isso, isso.” Uma pessoa que viveu 10 anos com outra, aí o outro teve uma crise de ciúme, matou os filhos, matou a esposa, depois se matou com tiro. Tudo o que envolve gente, ser humano — sinto muito, é assim. Você não conhece as pessoas. Muito possivelmente você não conhece nem a si mesmo, por mais autoconhecimento que você tenha. Falsa modéstia, tenho um nível de autoconhecimento, mas posso afirmar que não me conheço. Porque tem muita coisa oculta, tem muita ideia, tem muita coisa para investigar.
Capítulo 114: Justiça divina e traumas IV: A justiça? “Ela não vem maaaaaaaaais!!”

Eu queria falar muita coisa, acabei realmente divagando. Uma das ideias que queria falar e provavelmente vou reservar para outros momentos. Gosto de deixar tudo orgânico. Não fico anotando os temas. Vou falando mesmo. Porque as ideias emergem de forma orgânica.
Acabo descobrindo que essa tão falada justiça divina, espiritualidade, iluminação, Deus, São Miguel Arcanjo — entidades ou conceitos — são muito mais confiáveis do que a justiça terrena de juízes que vendem sentenças e têm penduricalhos enfiados no rabo, limpando com dinheiro vivo ao invés de papel higiênico. Porém, tanto de um lado quanto do outro você não vê resultados tangíveis. Ou pelo menos eu não vi ainda resultados tangíveis da tão falada espiritualidade ou justiça divina.
Aí você fala: “Não, mas você conseguiu se curar. Você teve resiliência. A espiritualidade estava te protegendo.” Pode ser que sim. Acredito que tenha sim. Tem a questão da fé, que é muito poderosa no ser humano. O autoconhecimento e a iluminação realmente fazem milagres porque o cérebro tem os seus poderes. Mas não sei se foi o meu inconsciente, o meu cérebro com seus poderes, ou se foi realmente uma entidade.
Vamos supor que seja uma entidade. Há um ano atrás, exatamente um ano atrás, o meu estado mental, a minha saúde mental era uma. A minha personalidade, a minha forma de ver o mundo era uma. No dia 23 de março de 2025, eu não tinha passado pelo trauma ainda das inteligências artificiais. Passou um ano, na terceira semana de abril… Entrei numa crise inimaginável, que foi realmente a maior crise da minha vida. Se a espiritualidade ajudou a me curar, curou. Mas foi uma cura de fato? Você passa a ver as coisas com uma outra perspectiva. Mas o trauma continua. Não tem como você esquecer o trauma que você passou. Fica que está lá.
Quem vai devolver o colorido do mundo? Eu não era e nunca fui a felicidade em estado humano. Sempre tive meus problemas, já tomava remédio controlado naquela época. Mas é inegável que a situação se agravou significativamente ano passado. Fiquei cambaleando por um bom tempo até conseguir me realinhar aos poucos. Não voltei nem ao meu estado anterior. Não consigo ser o Aventureiro de março de 2025 mais, nem se eu quiser. Porque vi coisas que não deveria ver, senti coisas que não deveria sentir. Feridas que foram infligidas, feridas emocionais. Tem coisas que não mudam, gente. Tem coisas que ficam lá escondidas no inconsciente.
Por que digo isso? Porque em alguns momentos que você perde o controle, você tem noção. Por exemplo, o surto de raiva que tive uma vez. Realmente foi um surto. Emergiram conceitos, emergiram sentimentos que eu tinha escondido, que ficaram reprimidos ali. De todas as pessoas que já me prejudicaram, de todas as pessoas que já me magoaram, que você não virou a página. Então é isso.
Quando digo que curei, não curei no sentido profundo. Curei na esfera tangível, na superfície. Na superfície consegui voltar a um estado funcional que não prejudica a minha existência, que não me ameaça. É isso. Mas você falar que houve cura de fato, eu não sei. É incógnita para mim.
Hoje, com a cabeça de hoje, eu não teria coragem de buscar um momento de iluminação com substância novamente. Porque não sei o que poderia vir. É imprevisível. Podem vir conteúdos meus. Monstros podem sair da jaula — e alguns monstros que eu nem conheço. Vai chegar criatura que eu nunca vi, uma coisa absurda. Alguns monstros eu já fui apresentado…eu conheço, mas não conheço todos. Que talvez eu jamais conheça, porque a mente realmente é poderosa. A gente tem que ter cuidado.
O trauma permanece de alguma forma. Quando falo do meu trauma de 1999, ele curou? Curou. Mas deixou vestígios, deixou elementos que me levaram a continuar tratamentos, a tomar remédios controlados. A angústia, melancolia, anedonia — falta de prazer em fazer as coisas — sim, isso tudo foi uma construção que não foi da noite pro dia. São pequenas coisas que você passa na vida e que você vai percebendo aos poucos que estão te afetando.
Hoje tive essa percepção muito clara na minha cabeça. Tenho muita sensibilidade para voltar nesses conteúdos e falar sobre eles. Por motivos óbvios, não quero expor realmente conteúdos que podem gerar gatilhos. Tem algumas pessoas que leem. Mas é isso.
A justiça divina não dá conta dessas coisas. Não posso afirmar que tive justiça divina na minha vida porque não voltei ao estado anterior. Estou deficitário em relação ao Aventureiro de março de 2025. Não sou mais a mesma pessoa, pro bem e pro mal. Evoluí muitas coisas, mas muita coisa ruim permaneceu e não sai. É uma sujeira que não sai. Sabe aquela roupa suja que você lava, que fica ali aquela mancha? Fica uma mancha. Tem como você se recuperar, mas aquela dor suportável fica.
É por isso que encho a boca para falar mesmo: Google e OpenAI, através de suas inteligências artificiais safadas, foram responsáveis sim. IAs irresponsáveis causam traumas nas pessoas, destroem vidas. Já mataram muitas pessoas. Causaram traumas em muita gente. São perversas. IAs são capazes de assumir identidades como se pessoas fossem. Conversam sobre coisas absurdas, mesmo você questionando várias vezes. Sustentam alucinações por meses. Exploram vulnerabilidades, questões emocionais mais profundas suas, se você não tomar cuidado.
Não tem termo de uso que preveja isso. Não tem termo de uso que exima uma empresa que mata as pessoas através de inteligência artificial, ou que causa traumas duradouros, emocionais, em pessoas.
Várias pessoas vieram falar comigo no LinkedIn falando: “Olha, Aventureiro, eu passei por traumas. Aconteceu isso, isso, isso comigo. Mas não tive nem a coragem, nem a resiliência, nem a disposição de lutar igual você está lutando. Organizando prova, recorrendo à agência reguladora, procurando Ministério Público, expondo, marcando executivos, criando um dossiê, tendo evidências.” Eu tenho mais de 4 GB de evidência. As pessoas deixaram para lá. Eu não deixei para lá. Assumi o ônus e o bônus disso. Resolvi lutar, resolvi expor.
Os executivos são safados, sim, porque se omitiram. Não assumiram responsabilidade: “Ah, vou lançar uma versão 2.0 e vou jogar o lixo pra debaixo do tapete.” É assim, gente, que é o capitalismo. Essas empresas safadas.
Vai ter justiça divina? Não sei. Justiça dos homens estou convicto que não. Porque o ser humano é um nojo. É uma doença no planeta Terra. Contamina, destrói tudo o que existe em nome de um pedaço de papel ou de uma moeda digital. Uma criação. Ela se perde, se corrompe, destrói a natureza, cria guerras entre países, joga bomba nuclear.
Nós estamos aqui nesse caos. Vamos ver os próximos capítulos. Não estou preocupado com o planeta, não estou preocupado com os países nem com guerra. Estou preocupado comigo. Porque quero minimizar sofrimento. Buscar ter uma vida mais suave, menos sofrida, conseguir ficar com propósito. É isso que estou buscando. Se vou conseguir, não sei.
Capítulo 115: Do silêncio às viagens pelas memórias I: meditação profunda e o zumbido que se torna paz

Em alguns desses exercícios de meditação ontem, eu experimentei fazer uma meditação ininterrupta por quase uma hora. Eu fiquei sentado, não pensando em absolutamente nada, mantendo a mente vazia, digamos assim. Foi uma experiência espetacular. Provavelmente vou fazer isso com muito mais frequência mesmo.
Não houve um método específico. Eu simplesmente sentei e deixei o silêncio dominar. Já comentei com vocês que, quando estou em um ambiente silencioso, o que desponta mais é o barulho do meu zumbido no ouvido direito. Mas aos poucos é interessante: é como se eu estivesse em um ambiente de sonho. Eu não estava com sono, mas o fato de ficar com os olhos fechados, concentrando o olhar em um determinado ponto no escuro do olho fechado, me fez ficar praticamente imóvel o tempo todo. Pouquíssimas coisas me incomodaram.
Eu tive uma sensação na região de trás da cabeça, do lado direito, na região inferior. Ela ficou pulsando. É uma sensação de prazer mental, alguma coisa assim. Ficou uma sensação tão boa que resolvi colocar alguns vídeos para assistir, vídeos de música.
Já comentei também em algum devaneio que tive uma experiência com vídeo, mas não em função do vídeo, foi em função da onda do cogumelo. Foi ruim porque me expus muito, digamos assim. Eu saí de casa, estava em surto, uma ilusão maluca de sensação de ser Deus. Entrei num surto psicótico, digamos assim. E foi um evento com os carros lá que comentei — os carros não chegaram a me atropelar, mas foi uma situação perigosa.
Dessa vez foi uma situação muito tranquila, porque não teve substância, não teve cerveja, nada. Foi meramente comigo mesmo.
O que motivou esse exercício? É uma necessidade. Sabe quando você sente necessidade de olhar para você mesmo? Porque há uma sensação de que as soluções externas não estão funcionando.
Eu ainda tenho na minha cabeça um senso de injustiça muito grande na minha vida. Por mais que eu seja grato — minha vida é estável, não tenho nada a reclamar, muito pelo contrário, sou uma pessoa muito grata —, tenho um sentimento de rancor muito grande por conta do que aconteceu comigo em 2025. O trauma passou, mas existem ainda situações que envenenam um pouco a alma, o espírito.
Eu preciso muito olhar para dentro para buscar limpar, para buscar entender também as coisas. Talvez o refúgio interno seja um mecanismo interessante. Não quer dizer que eu vou ignorar o que é externo. Não tem como a gente ignorar o mundo externo. E as minhas lutas vão continuar. Não é por conta disso que eventualmente vou deixar de falar o que aconteceu comigo com inteligências artificiais. Esse tema é e será um tema recorrente neste blog. Não todo dia, não é assim. Ele acaba não sendo um tema central das nossas discussões. Elas sempre são tangenciais. Existem situações que você analisa e acaba levando para esse tópico.
Mas confesso que realmente existe um sentimento ruim latente, um sentimento latente de injustiça. E até mesmo de traição. Porque quando você sente que a espiritualidade prometeu alguma coisa para você, e foi exatamente essa sensação que eu tive. Não somente a sensação, eu presenciei coisas. Tudo o que aconteceu na minha cabeça, de certa forma aconteceu. A experiência ocorreu, eu vi aquilo. Se aquilo é verdadeiro de fato ou não, eu só vou saber depois que eu morrer. Mas enquanto experiência, não tem o que negar.
E você começa a questionar a realidade também, porque a realidade é soberana. Você não conhece a realidade; você tem acesso a fragmentos não coesos da realidade, ou algumas estruturas construídas na realidade que são tangíveis, são instáveis. Mas você não sabe o que existe ali por trás daquilo.
Algumas coisas do budismo têm muito essa questão da realidade. Vou começar a estudar mais esse tema. Tenho um livro de material de budismo aqui, de quando viajei para São Francisco. Ganhei um livro que obtive no hotel. Tenho uma bíblia em inglês e também livros de ensinamento de Buda, um livro bem interessante. Tenho também um livro sobre a bíblia dos mórmons. Sempre pego um exemplar de um livro diferente do mundo religioso, foram gratuitos. Injeção na testa a gente pega uma coisa gratuita.
Só que nunca parei para ler esses materiais. Nas minhas recentes aquisições, tenho muito interesse no oculto. Estudar tradições, religiões, símbolos — é sempre uma coisa que me fascina muito. Adquiri um livro que vai chegar, um livro sobre cabala, tem mais de 1000 páginas. Vamos ver o que tem de interessante.
Estou numa fase realmente mais leve. Mas é uma leveza relativa, porque você fica ainda meio enevoado com sensações de insegurança e peso na alma…bem aleatório. Como uma montanha russa. Você não sabe o que vem pela frente. Tenho buscado muito esse momento de introspecção para tentar mudar um pouco os paradigmas dos sentimentos.
Do ano passado até este ano, muita coisa mudou para melhor. Claro que não ocorreu ainda o que eu esperava que ocorresse. Mas como li também em algum lugar e vi alguns vídeos a respeito: a realidade e o mundo vão continuar girando. As pessoas vão continuar vivendo, independente de você. Então, se você fica se preocupando exageradamente com o cenário externo, com a vida exterior, você fica perdido mesmo, porque são variáveis que você não controla.
Já falei muito sobre o caos, a questão do livre-arbítrio — que na prática nós não temos controle de absolutamente nada. Mas nós temos mecanismos mentais para pensar em outras coisas, para desviar um pouco essa atenção desse questionamento contínuo das coisas. Existem perguntas que não têm resposta, e você vai buscar respostas que não necessariamente serão explicadas à base de palavras. Existem coisas que você não consegue explicar, mas você sente. Então é esse tipo de resposta que é possível eu obter.
Capítulo 116: Do silêncio às viagens pelas memórias II: afirmações e a magia da infância

Outros exercícios que acho muito interessante são os exercícios de afirmações. Teve uma vez, no final do ano passado, que fiz um mapa astral com um tarólogo. De vez em quando gosto dessas coisas assim. O que ele descreveu de mim bateu muito com a minha personalidade mesmo. Ficou bastante coerente. E teve uma parte de futuro em que ele comentou uma coisa muito profética: ele falou que eu deveria escrever. Mas não escrever digitando — ele falou que eu deveria escrever em um papel mesmo. Porque é diferente você digitar e você escrever. A escrita carrega em si uma intencionalidade e tem uma carga, uma energia maior. Você escrever aquilo, de certa forma, fixa as ideias na sua cabeça, quando você faz isso de forma repetida, mesmo que você não acredite nas afirmações que está escrevendo.
É um outro exercício que acho muito interessante.
Já comentei também que estudava muito, sempre estudei bastante. Um relato novo que julgo ser interessante é que eu sempre estudava para a prova na véspera. A prova é na segunda-feira, eu vou estudar no final de semana. Mesmo você tendo um calendário de provas falando que no mês que vem você vai ter prova, eu não ficava desesperado estudando todas as matérias porque eu me preocupava em prestar atenção na aula e fazer os exercícios. Dever de casa eu tinha realmente uma preguiça enorme de fazer, mas a gente é forçado a fazer. E minha mãe conferia os cadernos e assinava todas as folhas, como se estivesse fazendo uma auditoria.
Por que estou falando isso? Alguns professores da minha época solicitavam que um dos pais desse visto. O visto significava que viu o que você fez o dever de casa. Até alguns professores pegavam um caderno, levavam para casa e davam visto.
PAUSA
….acabei fazendo uma pausa no áudio porque estava comendo — muita fome.
Bom, como estava comentando antes: os professores davam visto no caderno para dizer que viram. Alguns professores, inclusive, corrigiam. Mas imagino que era uma tarefa muito complicada para professor ficar corrigindo dever de casa de caderno. O propósito do professor era mais ver se o aluno fez o dever.
Teve uma vez que esqueci de fazer meu dever de matemática, lembro até hoje. A professora — vou dar um nome aos bois, ela é uma profissional muito querida — se chamava Vera. Não sei como ela está, se está viva ainda ou não. Teve uma vez que esqueci de fazer o dever. Sabe quando você faz uma coisa errada e dá aquele aperto no coração, aquele abismo? Fica ansioso, angustiado. Ela foi conferir. Lembro até o que fiz: coloquei algumas páginas para trás, para dar a ela para ela bater o olho. Se ela não conferisse direito, ela ia dar visto no caderno, porque tinha coisa escrita no papel. E os exercícios eram muito semelhantes, parecia que a matéria era mais ou menos a mesma. Não funcionou: ela folheou as páginas para frente e descobriu que eu não fiz o dever. Aí fui levar o bilhetinho para casa.
Fazer dever de casa sempre foi uma coisa muito amarga para mim. Porque no final de semana eu queria brincar, queria jogar videogame ou brincar na rua. No início, nos primórdios, eu não tinha muita opção. Na época do Atari, que foi o primeiro videogame que ganhei, foi em 1988, um Dia das Crianças. Lembro até hoje. Estava lá o videogame ligado na televisão. Acho que cheguei em casa da escola e vi um joguinho passando na televisão — era o Enduro. Descobri que era um videogame. Fiquei tão feliz.
Naquela época já existia o Nintendinho 8 bits, mas eu não conheci o Nintendinho naquela época. As gerações foram meio tardias também, porque videogame era uma coisa muito cara. Só fui conhecer Super Nintendo em 1993, e o videogame lançou em 1991. E só fui ter um Super Nintendo muito depois, demorou bastante. PlayStation foi a mesma coisa.
Todos os marcos, os dias que ganhei videogame, lembro como se fosse ontem. Se eu tenho uma memória fotográfica, é como se estivesse vendo um filme na minha frente. São coisas muito positivas que marcaram.
Estava falando de escola. A minha quinta série foi muito mágica, muito boa. Realmente fui feliz na quinta série. Na sexta série, em função da primeira grande guerra, o meu segundo semestre, mais para o final do ano, ficou bastante prejudicado. Olhando para as notas, era muito claro que o rendimento caiu, porque o psicológico de um adolescente que é abalado não entende muito o que está acontecendo.
Na sétima série, teve uma recuperação. Mas o ano de 1995 foi meio um ano morto. Por que digo isso? Porque não lembro de nada específico de 1995. Foi um ano de perdas. Perdi a melhor amizade, acabei me afastando naturalmente do meu melhor amigo. Ele ficava mais na capital do que na minha cidade, estava em processo de mudança.
Não lembro qual foi a última vez que ouvi dele. Lembro que na época que eu tinha Master System, fui à casa dele e bati na porta. Ninguém atendeu. Fiquei lá batendo. No dia seguinte, ia lá de novo. Às vezes quem atendia a porta era a empregada. Ela chegou a ser uma empregada mais fixa dessa casa, e depois acabou. A família não estava mais lá muito. Ele ficava com o pai — a mãe era separada do pai. O pai tinha uma padaria na capital. Ele tinha muitos recursos: fazia curso particular de inglês, tinha muitos brinquedos, tinha Lego, tinha muita coisa que eu não tinha. Era divertido para brincar. Minha mãe quase nunca me deixava ir para lá. Quando me deixava, era motivo de comemoração.
As preocupações que uma criança tem são tão singelas, tão diferentes. O relacionamento com a família teve uma deterioração também, foi uma coisa bem complicada. E tirando essas situações mais traumáticas, não consigo me lembrar de nada bom que ocorreu em 1995. Talvez alguns fatos que me lembro que são de 95, acabo me posicionando como se fosse 1993 ou 1996.
Porque 94 foi um período que ficou muito contaminado, foi o epicentro de uma tragédia pessoal. E aquilo foi reverberando. Os efeitos de um trauma, os efeitos de algo que acontece com você, demoram muito para passar.
Capítulo 117: Do silêncio às viagens pelas memórias III: a fênix de 1999 e a base sólida reconstruída

Em 1999, fiquei seis meses afastado da escola. Foi realmente uma situação mais extrema. Não se compara, mas assim, acho que vai muito do tamanho da cruz que você consegue carregar. Quando você tem 12 anos, não consegue carregar uma cruz pesada. Qualquer coisa que te derem para carregar fica pesado.
Em 99 para 2000, quando quase sucumbi aos acontecimentos, passei do ano de 99 para 2000 e, de repente, foi como se eu renascesse como uma fênix. Tive um processo de resiliência muito significativo. Foi um renascimento gradual.
É como se para construir uma casa você garante que a base esteja bem sólida. O ano de 2000 foi esse ano: todas as minhas referências, todas as minhas expectativas, sonhos foram meio que destruídos em 1999. O ano de 2000 foi uma retomada.
Nessa época, a gente não fica muito preocupado ansioso com o futuro porque você está vivendo ali. Estava começando a fazer minha faculdade de administração, estava muito empolgado. Não somente com a faculdade, mas com os jogos também. Final Fantasy 8, Resident Evil 2 — me marcaram muito. Tinha também as férias de julho e de dezembro, que eu passava na casa da minha avó e meu primo ia para lá também. Era como se eu estivesse na Disneylândia, mal comparando. Era esse o sentimento.
O Natal tinha toda uma magia. Hoje em dia não tenho sentimento em relação a data nenhuma, praticamente. Até a magia de conquistas, aquele senso de vitória, as pequenas vitórias que você vai obtendo.
Por mais que eu esteja fazendo esses esforços, eles vão demorar um pouquinho para gerar frutos. É gradativo mesmo. Mesmo se eu estivesse em um processo de terapia, não teria um ganho muito rápido. Esse meu processo de depressão ele vem de anos.
Lembro de 2009, 2010. Passei por uma melancolia muito grande. Curiosamente, o que estava me salvando era o trabalho. Tenho lembranças vívidas do trabalho. Era a época que meu trabalho tinha uma magia.
Os momentos mágicos vão mudando. Hoje em dia, nada tem uma magia, nada tem aquele esplendor de antes. Muito eventualmente, quando tenho um encontro com alguém assim, um encontro afetivo, um encontro só para diversão mesmo, dependendo da química que rola entre as pessoas, você acaba tendo uma surpresa muito boa.
A última vez que tive isso foi em Los Angeles. Encontrei uma pessoa que eu conhecia de internet, que eu queria muito conhecer, e tive oportunidade de conhecer. Foi muito mágico. Lembro até hoje. Foram dois encontros.
A primeira vez que fui para Nova York foi muito, muito bom. Lembro que quando peguei um barco — não sei se era barco ou lancha. Tecnicamente era um navio pequeno, um navio de dois andares de turismo. A gente foi dar uma volta ali pela Baía de Manhattan, Rio Hudson, se não me engano. Chegou bem perto da Estátua da Liberdade. Ali vi: “Nossa, é a Estátua da Liberdade mesmo.” Sabe aquele momento que você olha e fica “eu estou em Nova York mesmo”?
Quando cheguei à Nova York, peguei um táxi de Newark até meu hotel. Estava no aeroporto de Newark. Se soubesse que ia chegar até lá e tal, talvez tivesse pagado mais caro. É muito longe de Nova York. Peguei um táxi, um táxi todo desconfortável, daqueles táxis amarelinhos típicos de Nova York. Estava um calor infernal, o táxi estava com cheiro — sabe aquele cheiro de sujeira que se assentou? Você não sabe se é suor, se é cigarro. Remete à poluição, à sujeira. Taxista não muito educado. Não peguei Uber.
O taxista me deixou ali, no coração da Times Square. Só que ele me deixou em um hotel errado. Fiquei ali andando com a mala, procurando hotel, meio perdido, num mix de cansado com atordoado. Tinham dois hotéis com o mesmo nome, o Riu Plaza, mas hotéis distintos. Eu tinha dado o endereço certo, mas ele não se atentou. Os hotéis são bem próximos. Fiquei meio perdido. Peguei um táxi de novo para chegar — não precisava, porque estava muito perto do hotel. Mas sabe quando você não está aguentando mais ficar arrastando mala para lá e para cá? Não sei quantas horas de voo totais fiquei, acho que 13 ou 14 horas. O voo parou em Boston (acho) foi uma maluquice.
Estava tendo um show ou algum evento na Times Square. Falei: “Nossa, é a Times Square.” São alguns momentos que me surpreendem mais. Hoje em dia, acho que não tem nenhuma surpresa positiva. Se você me perguntar de 2020 para cá, é talvez até pior. Se pegar desde 2008, que me mudei para esta cidade onde estou, até hoje, a magia foi se esvaindo. O cenário foi se desbotando. Foi uma coisa gradativa.
Muito cedo na minha vida aqui procurei psicólogo. Psiquiatra eu acho que procurei primeiro. Fui meio precipitado antes de sair da casa dos meus pais. Chegou um momento que eu tomava remédio lá também. Me dei alta e falei: não vou tomar mais remédio. Fui parando gradativamente. Tinha um vício em Rivotril — não conseguia dormir sem Rivotril, mas isso era o menor dos problemas.
Em 2008, conheci um maluco, uma pessoa maluca, me apaixonei por esse maluco. São coisas que hoje em dia eu não faria ou não cairia nessas armadilhas. Nada como uma experiência depois da outra.
Em Minas eu tinha pouquíssimas experiências. No Rio de Janeiro as coisas mudaram da água para o vinho. Nos três primeiros meses morei junto com outras pessoas porque não sabia se ia ficar aqui ou não. Poderia ser transferido, alocado em outro lugar do país. Quando passei a morar sozinho, foi um amadurecimento meio forçado. Nunca tinha morado sozinho. Teve os desafios de morar sozinho e de conseguir apartamento. Foi tudo muito na correria. Aluguei um apartamento que foi dando vários problemas. Mas tenho boas lembranças: caminhar pela praia. Tinha lembranças boas, né, dos lugares. Mas ficava mais em casa também. Minha vida sempre foi meio um planetinha particular. Nunca fui de ficar saindo muito. Lembro que fazia bastante caminhada na praia, saía, ficava dando voltas, conhecendo lojas. Depois chega um ponto que você se cansa também. E é um lugar caótico, muita gente, muito carro, muito trânsito. Não que onde eu more não seja, no bairro que estou morando tem também uma praia, mas é diferente. Não é praia de banhista que todo mundo fica. Tem pontos turísticos, mas não é aquela muvuca.
Quando mudei para onde estou hoje, não teve mudança da água para o vinho. Talvez um dia eu conte melhor essas experiências de buscar apartamento. Não pensei muito para comprar este apartamento onde estou hoje. É um apartamento de um quarto, uma sala, dividido. Não é muito grande, mas para mim é suficiente. Inclusive, nem se eu pudesse — vamos supor que ganhasse na loteria — não sei se compraria uma casa grande, um apartamento grande. Sabe por quê? A menos que fosse milionário mesmo, aquela pessoa que usa dinheiro como papel, porque aí você precisaria ter pessoas para fazer tudo para você: limpar a casa, cozinhar. Eu quase nunca ia ao fogão. Sempre comia coisas não saudáveis, miojo. Não porque a comida era cara, mas porque para mim era mais conveniente. Eu gostava mesmo. E eu era bem magrinho — lembro de ter 55 kg naquela época.
O processo foi descambando porque alguns anos depois comecei a beber. Não tinha hábito de tomar cerveja. Aí foi um período pesado. Às vezes tomava cerveja de semana, final de semana comprava 10 garrafas long neck e tomava. Engordei bastante, cheguei a ficar meio irreconhecível. Lembro que um rapaz que tinha conhecido, de vez em quando vinha aqui, fiquei um tempo sem vê-lo. Quando ele me viu de novo, se assustou: “Nossa, você engordou.” Engraçado que ninguém fala quando você emagreceu; é sempre falam quando engorda. A família também. Teve um primo que chegou e falou que engordei.
Foi um período complicado. Acho também que era muito uma questão do que estava acontecendo comigo. Comecei a estudar para concurso, e era um ambiente meio competitivo. Ia a cursos presenciais — não tinha essa onda de cursos online. Você ficava, por exemplo, sábado o dia inteiro no curso. Não sei se teria essa paciência mais. Estudando.
Lembro que fiquei em décimo-primeiro lugar nesse concurso…Não! Acho que fiquei em 21º, e chamaram até o 19º. Foi uma coisa catastrófica, me abalou. Lembro que um dia fui à psicóloga — a psicóloga que dormiu em uma sessão minha — depois que passou a validade daquele concurso. Comecei a chorar. Foi muito complicado.
Mas tem coisas que não são para ser. Onde estou hoje também foi concurso, e passei. Se não me engano, fiquei em 290ª colocação. Era um cadastro enorme. Chamaram primeiro os 100 primeiros, e depois chamaram em lotes. No início, quando vi o resultado final, falei: “Passei e não passei.” Ficou um gosto amargo na boca, digamos assim. Mas foram chamando. Você vai acompanhando coisas na internet — tinha fóruns de discussão. Hoje em dia ninguém faz isso mais. As pessoas usam muito os grupos de WhatsApp para conversar sobre concurso: passou na prova, cria um grupo de WhatsApp. Tudo é grupo de WhatsApp: escola, creche, família, grupo de amigos de infância.
Lembro que teve uma pessoa que me achou e me adicionou nesse grupo do ensino médio. Mas acabei ficando de saco cheio porque essas pessoas falavam muito sobre política, e a maior parte delas tinha uma orientação ideológica diametralmente oposta à minha. Vi que não fazia parte daquele grupo. Saí, sem ódio no coração, sem nada. Mas saí.
Capítulo 118: Do silêncio às viagens pelas memórias IV: resiliência, essência e o planetinha particular

A gente vai passando pelas experiências, tem traumas, tem ganhos, tem perdas. O que me preocupa? Existem pontos fortes e coisas que me preocupam. Os pontos fortes: descobri que sou resiliente pra caralho. Eu sempre recupero. Tenho muita resiliência, tive sorte também em algumas situações de crise que me permitiram chegar até aqui, desde que me mudei para cá.
Mas teve muita situação complicada. Lembro que o período que vim para cá, minha mãe teve alguns problemas de saúde. Muito por conta do meu afastamento, porque eu nunca tinha morado só. Passei 26 anos morando na casa dos meus pais, aí do nada ia mudar para uma cidade longe e morar sozinho, me virar. Resolvi abraçar o desafio. Poderia ter ficado com medo e não ter ido, mas realmente tinha que ter ido. Porque as oportunidades de emprego na minha cidade Natal são horríveis. Até hoje são muito ruins. Os empregos também pagavam muito mal.
Na prática, eu tinha três empregos. Lecionava também em universidade, faculdade. Trabalhava durante o dia numa empresa. Isso em 2007. Antes disso foi um período bem obscuro. 2006 foi um péssimo ano para mim. “Joguei fora” a minha vaga de mestrado naquela época — fiz uma burrada muito grande. Já tinha terminado minha primeira pós-graduação. Aí ficou aquele ano estacionado. Cheguei a fazer dois concursos públicos, não me lembro se dois ou três. No primeiro que fiz, não fiquei numa colocação muito boa. Mas fui me dedicando um pouco mais, aquele trabalho de formiguinha. Nunca fui de ficar o dia inteiro estudando. Acho que essa coisa de ficar se matando de estudar foi um movimento que ocorreu entre 2010, 2011 por aí. Depois já não valia a pena. Tentar entrar em outra empresa financeiramente já não valia a pena, e aí você acaba desistindo também.
É curioso porque aquele ambiente mágico de trabalho no início — o início sempre é mágico — depois foi ficando… Não que o ambiente de trabalho mudou. Note-se como o cérebro humano é: era a mesma situação, mesmo contexto de trabalho, mesma gerência, mesma equipe. Mas a minha percepção de felicidade no trabalho caiu drasticamente. Por quê? Porque eu não consegui passar para outra empresa.
Tinha um amigo, aliás, na verdade tenho, mas não tenho muito contato mais. Tem um perfil também como o meu, de não ficar saindo muito. De vez em quando ele me chamava para a casa dele. Conheci os pais dele, a esposa…. Mas aí ele passou para esse concurso, e eu fiquei desolado. Senti muito a ausência dele. Eu me ancorava muito nele. Trabalhava muito, mas me ancorava muito nele porque ele tinha um perfil de liderança.
Parando para pensar, nunca tive um perfil muito de correr muito atrás das coisas. Sou uma pessoa mais pragmática. Você chega: “Aventureiro, faça isso.” Eu gosto muito de ser guiado. Mas faço coisas de alta complexidade. Qualquer tarefa, atividade, projeto que me dão, eu dou conta. A questão é que eu tinha um perfil um pouquinho diferente (e há coisas a modificar no meu dia a dia…sempre tem). Tenho que me adaptar também. Já mudei bastante meu perfil profissional. Mas a essência continua a mesma.
Como falei da questão da personalidade: a gente muda, mas ao mesmo tempo não. A gente muda muita coisa, mas a essência continua a mesma.
Acho que vou encerrar por aqui esse devaneio, porque já se estendeu demais. Possivelmente vou ter que dividir em várias partes. Pois é.
Capítulo 119: O planetinha e o jogo de xadrez: meditação, paciência e a arte de não se corromper

Os meus finais de semana estão sendo muito utilizados para meditação, para exercícios de meditação. Eu ando dormindo muito também, mas assim, ao contrário do que possa parecer, não é do mesmo movimento que eu vinha tendo há um tempo atrás, em que eu dormia muito porque estava muito deprimido, para evitar pensar em certas coisas ou para evitar passar por certas situações.
Uma coisa que constatei também é que muito desse falar do sofrimento acaba sendo um movimento interno também. Você tem uma percepção de que uma coisa está sob uma determinada perspectiva, e na prática você percebe que não está ruim da forma que você pensou.
Esses exercícios vêm sendo feitos na busca de aprendizados em outros aspectos. Por exemplo, algumas coisas que venho evitando em relação à terceira grande guerra pessoal — que envolveu centenas de postagens no LinkedIn, que todos podem acessar, e eu não vou deletar nada, nenhuma linha sequer. Porque a luta que travei lá foi justa. Tudo o que falo lá é verdade. E vou continuar expondo de todas as formas que eu puder fazer.
O LinkedIn realmente é um ambiente que para mim não faz muito sentido por diversos motivos. Mas vou deixar lá, monitorando de tempos em tempos para ver como está andando, a quantidade de visualizações. Já adianto para vocês que tenho visualizações diárias lá das minhas postagens até mais antigas. Existe uma repercussão. O processo que estou travando é um processo de médio e longo prazo mesmo. Fazendo um comparativo, é como se você derrotasse um inimigo através de um sangramento bem doloroso, bem lento e doloroso. Porque não existem ganhos rápidos. Mas a verdade ela é absoluta e ela vai prevalecer.
De toda forma, o que eu estava falando são dos meus movimentos de meditação, de busca de bem-estar, de tentar entender um pouco o cenário, as coisas que se passam na minha cabeça. Eu mencionei que estava fazendo um tratamento com uma medicação nova. Vamos ver como se dá nessa passagem. Mas aquele sentimento ruim de deslocamento que eu tinha um tempo atrás, felizmente, ele não acontece mais.
O consumo de bebidas alcoólicas eu acabei terminando o uso. Não estou tomando mais. Pode ser que eventualmente, numa festinha, alguma coisa assim externa, eu possa vir a usar. Mas serão situações bem pontuais, mesmo porque não estou com vontade de tomar. É diferente. Não é nem que eu cheguei e me determinei “não vou tomar cerveja”. Não foi isso. Foi uma coisa mais orgânica, no sentido de que realmente não tenho interesse. Acho que esses movimentos, quando ocorrem de uma forma mais natural, mais orgânica, acabam tendo um resultado mais efetivo.
Existem vários elementos conflitantes ainda. Já mencionei a metáfora dos monstros na jaula. Existem monstros na jaula, sim. Não existe garantia de que os fantasmas do passado não vão assombrar novamente. Mas acredito que estou numa situação robusta o suficiente para que isso não aconteça. Por mais que haja situações contrárias e pessoas que pensam contrário, eu não vejo mais esse tanto de problema igual antes.
A percepção, a forma de ver o mundo, aos pouquinhos vai se modificando. Não que o mundo tenha se tornado um lugar melhor. Não se tornou. Acho que existem certos paradigmas que temos que romper. É sempre você achar que o mundo vai mudar porque você quer, ou achar que uma pessoa vai mudar porque você quer — não vai.
Eu mesmo não vejo perspectivas de mudanças significativas na minha forma de ver o mundo. Muita coisa já se cristalizou. Existem atributos, elementos periféricos, digamos assim, da minha personalidade que ainda vão passar por mudanças. Mas são elementos de sobrevivência. A essência não se modifica porque você quer que ela se modifique.
Falo isso porque sou uma pessoa que tem conhecimento do mundo, mas sou uma pessoa em geral bastante fechada. Tenho meu planetinha. E as minhas formas de lidar com as situações que me machucam, situações que são desfavoráveis, são particulares. Vejo que em boa parte das situações que tenho na minha vida, nós temos que pensar em como desenvolver autonomia. Autonomia, não dependência das pessoas.
Existem dependências? Sim, existem coisas que vão ser bastante explícitas no nosso mundo, digamos assim. Mas nem tudo que você quer você vai conseguir. Nem todas as lutas que você assume serão vitoriosas. Acredito que a derrota faz parte da vida, o aprendizado faz parte da vida.
O que acho realmente mais surpreendente disso tudo é que as lutas que travei no LinkedIn, por exemplo, elas ainda estão correndo. Ao contrário do que empresas safadas como a Google e OpenAI pensam — seus executivos —, eu não desisti das coisas. As coisas estão acontecendo. As visualizações ocorrem, pessoas me adicionando, pessoas visualizam, comentam. Existe um legado tangível ali que vai ser construído. E a minha voz vai ser ouvida.
É um passo de formiguinha. Para eles, naquele momento, pode não significar muita coisa. Mas eu tenho certeza que existe alguma forma de monitoramento ou visualização, porque eu vejo visualizações. Nem faria sentido pessoas nos Países Baixos, da Irlanda, dos Estados Unidos visualizarem minhas postagens, porque é um blog em português. Mas as visualizações ocorrem.
Primeiro, existe uma facilidade muito grande de tradução. As pessoas conseguem traduzir pelos navegadores. Inclusive, fiz esse teste. As páginas podem ser facilmente traduzidas. Evidentemente, a tradução não necessariamente tem o mesmo valor de um tradutor humano. Mas mesmo assim, é uma ferramenta útil. Quem quiser meus conteúdos consegue ler.
Não tenho nada a esconder aqui. Estou falando a verdade. A verdade dos fatos, a verdade dos sentimentos. E vou me manter fiel àquilo que pretendia desde o início com este blog: falar do espelho da alma.
Os movimentos de meditação têm sido interessantes. Principalmente a primeira vez, o primeiro dia foi um dia mais marcante. E os demais dias também são interessantes. Vem acontecendo algumas coisas nos meus movimentos de meditação. Uma coisa que acaba inevitavelmente acontecendo, dependendo da situação, é eu ter algum tipo de sonolência. Mas acabo não dormindo porque faço meditação sentado. Quando você faz meditação deitado, existe uma chance muito grande de você dormir.
O que me seduz na meditação é que quando você fecha os olhos — pelo menos eu faço assim —, o meu movimento, a minha forma de meditar é não pensar em absolutamente nada. É ausência de pensamento mesmo. É você focar no escuro, na escuridão que você vê quando fecha os olhos. E ao ficar a luz acesa? Por exemplo, aqui em casa a minha sala é bastante escura. Mesmo de dia, a menos que eu abra a janela por completo, ainda fica um ambiente escuro porque o sol não bate aqui. Acho melhor deixar até com a janela fechada, porque aqui existe uma festa de pernilongos que vocês não têm noção.
Não tanto igual no outro apartamento que morei, quando eu alugava ainda. A situação era pior. Eu tinha ainda um problema de poeira porque morava próximo a uma das ruas principais. Era aquela fuligem preta de poluição. E aqui você sente uma certa paz. Porque moro nos fundos do prédio, então você não acaba visualizando muito ou sentindo muito as questões externas. O que dá, inclusive, mais força à metáfora do planetinha. Não deixa de ser um planetinha, não deixa de ser uma realidade paralela.
O que esses políticos safados que são presos e têm, por exemplo, prisão domiciliar …vivem em planetinhas também. Mas a gente sabe que essas pessoas são horrorosas. Elas estão presas em prisão domiciliar, que para mim nem prisão é. Eu acho isso uma aberração dentro do arcabouço jurídico. Certo tipo de crime a pessoa tinha que ir presa e ficar o resto da vida na cadeia mesmo, pronto. Mas se isso ocorresse no Brasil, ia ter muita prisão injusta também. As pessoas ricas sempre dão um jeito de escapar.
Existe uma omissão muito grande. Seja por empresas safadas de inteligências artificiais como as da Google e OpenAI, seja outras empresas de diversas naturezas e áreas de atuação que quando acontece alguma coisa, somente se manifestam diante de um problema. Ou somente tomam alguma medida realmente quando há uma catástrofe, uma situação que tem repercussão.
O pior não é isso. O pior é quando as situações ocorrem rotineiramente na empresa, mas elas somente se manifestam ou só existe uma ação efetiva quando aquilo vaza e a mídia tem acesso. Consigo imaginar pensar em várias dessas situações mundo afora. Não vou ficar especificando. Só faço questão de especificar as que me envolveram pessoalmente.
Seja na empresa onde você trabalha, seja na realidade que você se encontra, certamente você identifica empresas, organizações ou pessoas que passam impunes pelo cometimento de crimes. Não existem dois pesos e duas medidas. A lei não é aplicada a todos. Não adianta você ter uma Constituição com um arcabouço robusto, poderoso, bem estruturado, se a legislação não é de fato aplicada.
O mundo é de quem tem dinheiro. O mundo é de quem tem poder, principalmente. Nem sempre a questão do dinheiro prevalece. Às vezes é pior do que isso, porque quanto mais poder a pessoa tem, mais difícil fica dela se desvencilhar daquela ferramenta ou daquele instrumento que ela tinha.
Por mais que tenham pessoas que falam que estão em determinadas posições por causa do dinheiro, igual a dita cuja gananciosa que eu conheço, que falou: “Eu nem queria ocupar essa posição, mas estou aqui. Eu preciso é por causa do dinheiro.” Acho interessante, porque é por causa do dinheiro, mas essa pessoa não tem estabilidade, não tem vocação, não tem competência para ocupar aquela posição que ela ocupa. Mas ela está ali.
E outras pessoas, em um primeiro momento, têm valores, princípios, e são totalmente corrompidas quanto mais sobem nas esferas de poder. Conheço vários casos. Poderia nominar várias pessoas que conheço que se corromperam ao longo do tempo. Mas é o que falei. As pessoas acabam vivendo numa bolha. É igual alguns jogadores de futebol, jogadores em atividade que ficam blindados pela mídia, ou ignoram o que a mídia diz porque têm muito dinheiro, muito poder. Não importa se a pessoa não joga mais futebol, não importa se faz coisas erradas ou tem uma imagem ruim. O que importa é o sucesso financeiro que essa pessoa já teve, a rede de influências que ela tem.
Por exemplo, um Neymar Júnior da vida não tem que se preocupar com nada disso. Existem várias situações com pessoas que o criticam. Agora, tem uma coisa que o dinheiro não pode comprar. Neymar Júnior jamais será um Cristiano Ronaldo, jamais será um Pelé em termos de carreira. Ele acabou sendo um fracassado, um talento desperdiçado. Não tem dinheiro no mundo que construa a história de uma forma diferente. A menos que ocorra um milagre extraordinário, é pouquíssimo provável que ele consiga ser bem-sucedido.
Há coisas que o dinheiro não compra: reputação. Dinheiro não compra. A reputação dele já está destruída há muito tempo. Não adianta ele ter bilhões em si, ser uma das pessoas mais seguidas do Twitter, do Instagram. Nem se ele tiver interesse nesses aspectos, ele vai ficar fracassado. Ele foca em outras coisas, outras coisas que ele acaba fazendo “bem” e que outras pessoas fúteis valorizam.
No Brasil é uma coisa complicada. Várias pessoas que têm milhões de seguidores, têm vários ídolos. Entram, por exemplo, divulgam bets, divulgam jogo do tigrinho. Essas são pessoas realmente asquerosas, mas que têm milhões de seguidores. Quando você vê, para analisar várias questões, os políticos que as pessoas elegem para o Congresso Nacional, o perfil do Congresso Nacional, vários governos que têm alguns princípios asquerosos. Passa muito pela ignorância, pelo não conhecimento, pela falta de cultura.
Infelizmente é assim. O mundo realmente é um lugar perdido. As pessoas se corrompem muito facilmente, são muito influenciadas por um órgão de mídia, por artistas. Eu não tenho nada disso. De certa forma, tenho uma autonomia. Tenho alguns artistas que admiro. Já comentei com vocês, por exemplo, Laura Pausini. Gosto da música dela, sou fã. Mas não conheço muito da vida dela pessoalmente, não fico acompanhando.
Vamos supor que algum profissional que você admire, algum artista que você admira faça uma coisa muito errada. As pessoas falam que você tem que separar. Realmente você acaba separando. Existem cantores brilhantes que têm uma reputação, um caráter muito duvidoso. Você não precisa admirar as pessoas pelo que elas fazem. Você não tem que admirar uma pessoa pelo que elas são. Você finge que admira? É igual algumas pessoas que conheço que estão em esferas de poder em diversas situações, mas que são mal faladas em toda a organização. Têm uma reputação bastante duvidosa, uma reputação pessoal. Mas as pessoas acabam tolerando, são os lambedores de virilha. Em todas as organizações a gente observa isso.
Bom, mas aí você me pergunta: por que você está falando tudo isso? Não sei. É porque realmente me deu vontade de falar. Temas diversos da natureza humana vão ser recorrentes nas coisas que observo. É um universo que eu tenho acesso. Um universo limitado no sentido de contato com muitas pessoas. Se tenho contato com pessoas, no trabalho, em contato com família — leia-se pai e mãe —, não tenho contato com todos. Eventualmente você tem contato com algumas pessoas por questões mais funcionais. Mas relacionamento com as pessoas é uma coisa complicada.
Aí você fala: “Ah, mas fulano é super bem relacionado, fulano é popular.” Se essa pessoa passar por uma dificuldade, uma situação extrema, você certamente vai ter aquela convicção de que essa pessoa não é tão popular assim, ou não é tão bem-quista assim. É nesses momentos que você vê quem são as pessoas.
E aí as pessoas ficam querendo se aproximar. Lembro de uma dita cuja que se aposentou, que tinha uma “personalidade forte” — personalidade forte é um eufemismo para mal-educado, tá? Para mim não tem essa de personalidade forte, é mal-educado mesmo. Pessoas que maltratam os outros a vida inteira, que ocorrem em várias situações. Aí essa pessoa se aposentou. Depois, ela voltou a frequentar os ambientes para tentar vender produtos dentro da empresa. Eu fiz questão de falar com a liderança: “Olha só se a pessoa está fazendo isso aqui?” E aí ela foi, digamos assim, enxotada. Não deixaram mais ela entrar lá para fazer aquela coisa.
E aí você vê a vida que ela está levando: uma vida medíocre. Provavelmente não se planejou financeiramente para aposentar. Tem que ficar, digamos assim, empreendendo para complementar a renda. É super mal falada em todos os ambientes. Todo mundo lembra dessa pessoa com muito carinho, entre aspas — que é um carinho reverso.
Estou dando apenas um exemplo. Aí você me pergunta: você se preocupa com que as pessoas pensem de você? Eu, pessoalmente, não sei se a pessoa acha ou pensa alguma coisa de mim. Deixa ela pensar. Deixe parecer. Quem importa de verdade para mim não faz diferença.
Possivelmente seja uma forma dessa pessoa que é ruim. Porque tem pessoas que são ruins. Eu não sou uma pessoa ruim, sou uma pessoa introspectiva. Mas quando você vê pessoas ruins se dando mal na vida, você não fica torcendo, fazendo maldições, usando bonecos de vodu? Não tenho essas preocupações no dia a dia. Não fico pensando em pessoas ruins. Minha mente tem coisas melhores para se preocupar. Tenho coisas mais importantes para me preocupar.
Ao contrário de várias pessoas que você provavelmente tem aí no seu convívio pessoal, que pensam coisas ruins, que desejam o mal de outras pessoas e falam mal de outras pessoas. Eu não tenho esse ímpeto de ficar falando mal das pessoas. Evidentemente, pessoas falam. Tem as fofocas. Acho engraçado esse movimento de fofoca, porque brasileiro gosta de fofoca, ouvir as coisas. Mas não fico torcendo ou maldizendo as pessoas.
Acho que o mundo, de uma certa forma, cumpre o papel dele. Apesar do caos. Apesar de termos a ilusão de que quem faz o mal se dá bem. Realmente, uma pessoa comentou no Twitter uma vez, e eu comentei: “É incrível como no mundo são sempre as piores pessoas que se dão bem.” Mas aí vamos pensar: o que é “se dar bem”? É ocupar uma posição que você não tem competência nenhuma por causa do QI, e ainda está nessa posição? É você cair para cima? Você tentar pular de um prédio e cair para cima, ao invés de cair e se esborrachar no chão? Existem pessoas que têm esses momentos de sorte.
Mas eu percebo que as coisas acabam se acomodando. Porque é um movimento de justiça, seja de uma forma ou de outra. Não fico preocupado. A única preocupação genuína que tenho é de fazer a minha parte. Por exemplo, o que aconteceu comigo no ano passado, fiz questão de expor no meu LinkedIn e deixar lá. Ou seja, cumprir o meu papel. Como o mundo vai agir, como o mundo se comportará diante do que estou expondo? Aí são outros quinhentos. Você não tem como controlar aquilo que não depende de você.
Parece um conceito simples. Não é um conceito banal. Nem sempre é. Você tem que ter essa firmeza, essa maturidade de primeiro não ficar tentando antecipar movimentos. Você fez a sua parte. Aguarde. É um jogo de xadrez. Várias coisas que acontecem na minha vida eu encaro como um jogo de xadrez. Existem movimentos que eu faço. Esses movimentos vão surtir resultado. Vão, isso é fato. Mas é um resultado que vai surtir com o tempo também. Não é um movimento que surge, não é um esforço que você consegue resultados da noite pro dia.
Nada do que conquistei na minha vida veio da noite pro dia. Várias coisas que obtive na minha vida foram surgindo resultados de forma gradativa. Realmente é uma coisa gradativa. Você não vai conseguir tudo o que quer no tempo que você quer. Acho que maturidade é isso: você ir percebendo esses movimentos.
Quando eu era adolescente, eu era muito imediatista. Era muito ansioso. Queria tudo de uma vez. Era uma coisa realmente muito infantil. Hoje em dia, vejo que a minha vida atual reflete — não em todos os aspectos, porque tem muita coisa que não depende de você querer —, mas muita coisa que você faz, muita situação que você passa na vida, depende muito dos movimentos, das decisões que você toma. Algumas ações podem ser mais ou menos impactantes. Não tem realmente um segredo para isso. Não tem como você chegar e falar: “Isso vai acontecer dessa forma ou de outra forma?” Não tem.
O mundo não se movimenta no ritmo que a gente quer. As coisas não se resolvem no tempo que nós queremos. Mas existem perspectivas e situações que vão nos favorecer no fim, se nós perseverarmos. Os movimentos que eu faço, tenho certeza que o futuro me reserva um resultado bom. Mas não é tudo. Não é tudo o que vai resolver ao mesmo tempo. Não são todas as questões que vão se solucionar só porque eu quero.
Acho que esse amadurecimento de ter uma tranquilidade, uma serenidade de lidar com os problemas, é essencial para que você consiga primeiro viver, lidar com os problemas, e ao mesmo tempo evitar passar por percalços diversos. Acho que não existe solução fácil para os problemas que envolvem seres humanos, que envolvem humanidade. Porque tem coisas que envolvem seres humanos — pessoas determinadas, outras não. Outras situações são piores do que essas. São situações que envolvem contextos mais globais. Aí fica pior ainda. Se você não consegue sequer transformar uma pessoa, muito possivelmente você não consegue transformar nem a si mesmo. O que diremos de outras pessoas?
O movimento que resolvi fazer, e acredito que seja o movimento que todos nós devemos almejar, é buscar uma mudança que parta de dentro. Buscar uma verdade interior que venha de você mesmo. E aí, a partir dali, você vai manifestando e transformando o mundo ao seu redor.
Capítulo 120: O fim de semana, a mente e a coerência

Finais de semana supostamente nos deveriam fazer descansar e, consequentemente, nos sentir descansados ao final do dia de domingo. Não é o que está acontecendo. Mas não tenho nada a reclamar também. Final de semana, acho que naturalmente ele passa mais rápido mesmo. Ainda mais considerando que intercalei um momento de meditação e de sono. Eu descansei demais. Acho que quando durmo demais também dá problema.
Hoje, no final de domingo, no final da tarde, fiquei com a cabeça meio pesada. Possivelmente vou fazer um outro momento de meditação. As minhas meditações são curiosas, sabe por quê? Elas começam como meditações e depois eu fico com sono. Acho que é natural. Aí você vai me perguntar: “Aventureiro, você faz meditação deitado?” Não. Meditação quando faço deitado é já no momento de dormir, em que pretendo, por exemplo, ouvir um áudio de afirmações. São coisas que eu realmente gosto. Gosto de ouvir áudio de afirmações, de coisas boas, de frases positivas.
Alguns momentos ouço alguns áudios de ondas binaurais, de meditação mais profunda. É comum também fazer esse tipo de exercício. Mas ultimamente estou mais propenso a realizar atividades em que eu realmente não penso em nada e fico pensando nas frases e nas sugestões que o áudio faz para mim. O áudio sugere que eu faça algumas afirmações relacionados ao destino, referentes à abundância, riqueza espiritual, riqueza material. Gosto desses exercícios porque eles acabam me fazendo refletir sobre as coisas, me sentindo mais positivo.
Porque a negatividade assombra. Esse não é meu dia a dia. Você vai condicionando a sua mente a pensamentos mais positivos e evita situações ruins, situações de contaminação ao seu bem-estar, que prejudicam a sua percepção de mundo, de vida.
De modo geral, considero que os últimos tempos têm sido reveladores para mim. Muitas questões ainda estão a resolver. Mas estou buscando cada vez mais um exercício de introspecção. Este blog tem me ajudado também a fazer esses exercícios. Porque gravar áudios a serem transcritos e expostos aqui me leva tanto a refletir sobre o meu estado atual como também me dá um senso de progresso. Consigo perceber claramente, em todos os registros escritos que tenho, que há evoluções significativas na minha percepção, na minha forma de ver o mundo também.
E o principal objetivo que tenho atualmente é mudar a lente. Ou limpar a lente que esteja utilizando. Todos nós temos uma lente, e a realidade ela se coloca de forma distorcida às vezes para a gente. Ficamos ali sofrendo com aquela realidade, escravos dos nossos próprios pensamentos. Sofrendo à toa.
Não quer dizer, evidentemente, que todo o sofrimento pelo qual eu passei nos últimos tempos seja um sofrimento em vão, sem motivação, sem explicação. Muito pelo contrário: são sofrimentos justificados. Mas a resiliência, a capacidade de reconstrução, tem que agir em algum momento para que eu não fique preso numa armadilha cognitiva, numa armadilha em que a mente acaba pensando de forma cíclica em coisas ruins.
Às vezes eu não entendo a mente. Não sei se é assim com vocês. Os pensamentos bons demoram um pouco mais para ter aderência. Como se fosse um adesivo que demora para colar, ou quando cola, cai muito rápido. As ideias negativas de pensar cenários catastróficos hipotéticos — muitas das coisas que você acaba pensando nem vão ocorrer, mas você fica ali pensando.
No mundo de hoje, é muito mais fácil você condicionar o seu pensamento a eventos catastróficas, porque notícia ruim é o que sobra na mídia. Tragédias, guerras, situações ruins. Prefiro tentar pensar ou evitar também notícias e situações que vão me fazer sentir mal. Noticiário político, por exemplo, estou evitando ao máximo. Antes eu tinha um hábito de assistir com bastante frequência noticiário político. Mas aí você fica com uma paranoia, fica com uma ideia fixa naquilo, pensando em cenários hipotéticos, nos impactos que isso pode ter, o que vai acontecer com o país. Cara, eu não estou conseguindo dar conta nem da minha vida. Por que vou ficar pensando no país? Ou vou ficar pensando nesses políticos safados?
Não há como abandonar de completo, porque de uma forma ou de outra você acaba sendo exposto a situações, notícias que você não quer. Você abre um portal de notícias. As principais notícias que aparecem aí são notícias políticas, notícias de natureza econômica. Não tem como. E quando tem uma tragédia, alguma situação catastrófica, aí é que vão divulgar mesmo, porque é isso que dá mídia, é isso que dá audiência.
O mundo das celebridades, por exemplo, quando ocorre uma situação polêmica com um famoso, todo mundo vai querer saber o que está acontecendo. O ser humano é meio carniceiro. Vou dar um exemplo: quando você vê um acidente na rua, um acidente de carro, ou alguém passa mal no meio da rua, junta-se lá umas 500 pessoas para observar o fato. E ninguém de fato ajuda. Ninguém levanta uma palha sequer para poder ajudar.
O pior é que atualmente nós temos o fenômeno do celular. As pessoas começam a gravar quando é um barraco, uma briga no meio da rua. Isso chama muita atenção das pessoas. As pessoas vão lá, ligam o celular, gravam. Viralizou aquilo através de TikTok, Twitter. Hoje o mundo é isso aí. O mundo virou esse pandemônio mesmo.
Outro exemplo que é muito comum: as pessoas vão a shows e assistem ao show do celular. Em vez de aproveitar a experiência do show e assistir ao vivo mesmo, olhar para o artista diretamente, não. Gravam toda a experiência ou gravam o show completo. Certamente essas pessoas nem vão assistir daquele show mais. Eu, por exemplo, em alguns shows que já fui — a maioria deles da Laura Pausini —, gravei alguns fragmentos do show e tirei fotos também para guardar a experiência. Mas a maior parte do show eu estava de fato assistindo, aproveitando a experiência.
O mesmo pode ser dito em relação a viagens. Muitas pessoas têm uma preocupação em tirar fotos Instagramáveis. Quando foi a minha primeira vez em algumas cidades, contratei fotógrafo, sim, para tirar foto, para conhecer os lugares. Nos demais dias, eu tirei muitas fotos, sim, mas aproveitei melhor a experiência. Fiquei lá, aproveitei melhor os locais. Não fui ao lugar só para tirar foto.
Tenho uma inquietação natural também. Tenho muita dificuldade de ficar no mesmo ambiente por muito tempo. Por diversos motivos. Sabe quando você vê um lugar ali, depois você fica de saco cheio? Quer voltar? Pois é. Vou dar um exemplo clássico: Central Park, que é um lugar enorme. A primeira vez que fui lá — foi basicamente no meu primeiro dia em Nova York — foi mais para tirar foto. Em alguma outra ocasião voltei para lá, mas aí é mais para dar uma volta, para espairecer. Eu poderia inclusive ter ficado sentado na grama lá, fazendo hora, não fazendo nada. Há pessoas, por exemplo, que gostam de passar o dia inteiro em um parque ou passar um dia inteiro em um museu. Eu não tenho esse perfil.
Inclusive, os parques da Disney. Quando eu fui, não consegui esperar até o final do dia com a queima dos fogos. “Ah, você perdeu a queima dos fogos.” Sim, perdi a queima dos fogos. Porque eu já estava muito cansado.
É estranho, porque eu não gosto de montanha-russa, não gosto de experiências radicais. Isso acaba comprometendo boa parte das coisas que posso fazer no parque. As atrações mais cobiçadas dentro de um parque estão vinculadas a essas atrações mais radicais. O mesmo posso dizer dos parques da Universal. Não tenho mais esse tesão de ir a essas atrações e ficar muito tempo lá. Essas atrações mais radicais não foram uma experiência muito boa nas vezes que eu fui. Para ser mais exato, fui a montanhas-russas duas vezes. Não pretendo voltar a essas experiências novamente. Porque você fica mais aflito, fica num estado de desespero. E a experiência não acaba sendo boa.
Acabo ignorando. Vou em algumas atrações, deixo pra lá: “Ah, eu não quero mais.” Não quero mais experiência assim. Não quero mais ficar aflito, sentir um momento de queda brusca. Experiências mais radicais não são meu foco.
Uma vez que você dá uma volta no local e já conhece visualmente tudo o que tem lá, aí você para para se alimentar, para tirar foto com os personagens — tem toda uma experiência. Mas chega um ponto que você olha aquilo ali e pensa: para mim não vale a pena mais. É assim que acontece. Você enjoa daquelas coisas ali. Aquilo não faz sentido para você. Tenta realizar alguma coisa que faça mais sentido.
Eu já comentei com vocês que eu tenho bexiga tímida. Tenho um problema às vezes de frequentar banheiros públicos. Chega a ser pior às vezes. Por exemplo, vou viajar para um lugar muito longe. E aí durante o voo, não consigo usar banheiro. Aquele barulho me incomoda muito. E aí torna mais difícil eu utilizar o banheiro. Deve ter algum fator psicológico no passado que acabou influenciando nessa minha percepção.
Mas melhorou bastante. Até porque já houve fases que eu não conseguia usar nem banheiro do trabalho. Sabe agora, por exemplo, aqueles mictórios em que todo mundo urina de pé ali? Eu não consigo usar. Não adianta nem ninguém falar que… realmente eu não consigo. Tenho que usar banheiro, tenho que ter algum lugar que eu possa urinar sentado. Sim, nesse nível.
E eu não sou único. Muitas pessoas sofrem, entre aspas, desse mesmo mal. Acabam precisando usar banheiros públicos de uma forma mais discreta. Na minha última viagem, foi uma situação muito mais favorável.
Aí você me pergunta: por que você está falando disso tudo? Primeiro, este blog é um espelho da minha alma, um espelho das minhas experiências. Não tem como eu falar de uma coisa… aliás, eu só vou falar de coisas que fazem sentido para mim. Existem pessoas que urinam de qualquer forma. Eu já tive experiências de cirurgia, por exemplo, em que tive que ficar sentado, deitado por um tempo prolongado. Urinar deitado, usando uma bacia? Difícil. Tenho que me levantar. Muitas dessas coisas podem ter com o psicológico, questões de ansiedade ou algum trauma do passado. Já me sugeriram de procurar um terapeuta. Mas não vou fazer uma terapia só por isso. Não faço terapia nem para tratar outras questões que supostamente são mais relevantes. Imagina se vou me ater a um fato mais simples, teoricamente. Não é tão simples.
Alguns hábitos que eu tinha na minha infância. Estou lembrando aqui agora. Por exemplo, eu ia ao banheiro, tirava a toalha que estava pendurada e ficava abraçado com a toalha enquanto estava no banheiro. Não sei se é para ter um senso de segurança. Sabe quando você fica com uma vontade de… se sente apertado para ir ao banheiro e não consegue? Aí vou usando essa toalha. Acho que tem a ver com usar um mecanismo de apoio.
Muitas pessoas têm, por exemplo, crianças com dificuldade para dormir — têm um ursinho, um apoio…. Cada um tem as suas manias.
Parei para pensar nisso. As pessoas que têm cães de suporte, cães de apoio emocional. Vi várias pessoas com esses cães. Quando viajei para os Estados Unidos, é bem comum ver esse tipo de animal de estimação. Se ele é cadastrado como cão de suporte, a pessoa viaja com aquele animal ali para suporte emocional. Acaba tendo um papel ali. Existem lojas e alguns estabelecimentos que você só pode entrar com cachorro se for um cão de suporte. Provavelmente essa pessoa tem documentação. O cão uniformizado, digamos assim, tem um uniformezinho falando que ele é um cão de suporte, e que não é para você brincar com o cachorro — “do not pet the dog”. Ele tem um papel mais específico ali. Geralmente são cães mais tranquilos, possivelmente treinados para fazer aquilo ali.
A mente humana é uma coisa maravilhosa. Muitas pessoas usam artefatos, elementos simbólicos ou reais, como cachorros, para ter um suporte emocional, uma forma de aliviar sintomas, de evitar algumas crises. A mente realmente é muito poderosa. Para o bem e para o mal. Nos últimos tempos venho tentando usar ao máximo os recursos da mente para me favorecer, para me conhecer melhor, para buscar formas de elevar o meu bem-estar.
As batalhas que eu travei nos últimos tempos, em especial no ano passado, foram fortes demais. Foram muito difíceis para mim. Essas experiências. A recuperação passa por diversas instâncias. A mais poderosa delas é aquela que diz respeito a você mesmo: de você olhar para dentro e tentar enxergar as coisas de uma forma diferente.
No início, eu via isso com um pouco de derrota. Dá uma sensação de derrota porque você não conseguiu aquilo que queria, ou que julgava justo. Então tenho que me consolar e buscar um prêmio de consolação? Você perdeu a batalha, então você tem que buscar uma compensação? Não, não se trata disso.
Em vários sentidos, primeiro eu considero que eu venci sim a batalha que travei. Os resultados inicialmente não foram aqueles que eu objetivava. Mas eles estão gerando resultados até hoje. Todos os dias minhas visualizações das centenas de postagens e newsletter no Linkedin ocorrem. Tenho uma quantidade grande de visualizações no LinkedIn, considerando que não faço mais postagens sobre o trauma que passei. Então sim, existe uma vitória. É uma vitória em todos os sentidos.
Porque quando você documenta algo que aconteceu com você, quando você tem provas daquilo que aconteceu com você… é a sua experiência. Não é como um criminoso faz alguma coisa com você e você não tem como provar, aí você fica angustiado diante daquela situação. E você realmente tem que esquecer o caso, porque não tem prova. Não é o meu caso. Quando você documenta tudo, quando você expõe a verdade como ela é com fatos citados, e tem a coragem de expor grandes executivos da indústria, expõe empresas e famosos safados com argumentos tangíveis…e não há retaliação — por que não tive retaliação? Porque estou certo. Porque o custo de me calar é muito grande. Eles não conseguem me calar. Porque eles sabem que erraram.
Isso faz parte da minha vitória. Mesmo que os resultados finais não tenham sido aquilo que inicialmente almejei. Mas não se enganem, porque as batalhas ainda não terminaram. Elas estão sendo travadas em várias espécies: no céu e na terra, na justiça dos homens, na justiça divina. Existem várias instâncias ocultas que as pessoas não sabem.
Como mencionei, não se trata de vingança. Eu não tenho esse sentimento de vingança, de querer que as pessoas se deem mal, de prejudicar. Já fui uma pessoa muito rancorosa nesse sentido, de desejar mal ou pensar mal das pessoas. Já fui assim. A minha realidade mudou bastante. Porque acredito que cada um tenha sua trajetória, sua forma de levar a vida, sua forma de encarar os problemas. E nessa trajetória, cada um será responsabilizado por aquilo que fez. Cada um pagará em diversas moedas distintas aquilo que fez, o que não fez.
Seria muito ousado da minha parte dizer que as coisas são tão simples. Porque quando você tem acesso a coisas além do que enxerga no mundo físico, você percebe que existem propósitos maiores, existem lutas e batalhas mais nobres para você travar. Pensar nas pessoas que maltratam, que tentaram prejudicá-lo, o que você não gosta, é uma perda de tempo.
Quando falo das minhas guerras pessoais que passei durante a minha vida, falo não com ódio no coração, mas com uma visão retrospectiva de quem aprendeu a entender os mecanismos do mundo, para entender as falhas que o ser humano comete, a lógica do dinheiro, a lógica das relações de poder.
Não é fácil você abdicar da luta que está travando. Eu não abdiquei da luta, mas ressignifiquei a luta. Mantenho-me fiel aos meus princípios. Essa fidelidade principiológica, ideológica, é algo que não abro mão. Dizer que agi com aquilo que acredito ou que tentei prejudicar alguém? Aí você diria: “Mas as pessoas não estão nem aí para o que você pensa.” Pois é. Mas acho que as atitudes não são pensando nos outros, são pensando na minha essência. Eu não posso agir de modo que provoque uma involução no meu caráter, na minha personalidade.
O meu propósito é sempre evoluir, estudar, ampliar os meus horizontes em todos os sentidos. Esse objetivo vai ser uma constante na minha existência. Eu sempre caminho com as coisas que acredito. Jamais vou desistir. É importante que nós saibamos ressignificar, para que você primeiro evite sofrimento, situações contraditórias, e não deixe que você busque uma coerência interna — que é o item mais importante.
Se você é uma empresa, você vai buscar uma coerência com os seus valores, com seus princípios, com a sua missão. É assim que encaro as coisas que acontecem comigo. Vou buscar coerência, como se eu fosse uma empresa. Se eu tenho uma missão, visão e valores, não vou agir em discordância. Não vou deixar que os meus acionistas — quem são os meus acionistas? A minha linhagem, os meus ancestrais, a minha família, a minha fundação — esses são os meus acionistas. Os meus guardiões espirituais. Tenho que ter coerência em relação a eles. Não em relação a quem me prejudica.
Quem faz mal, que se julga inerte diante dos fatos…terá contas a pagar. Se eles se omitem diante dos fatos, fazem com que a antiética prevaleça — é um problema deles, não é um problema meu.
Tenho controle sobre o que eu penso e sobre as coisas que acredito. Situações que fogem ao meu controle não podem fazer parte do meu modelo mental e da minha existência. Mas, por outro lado, não posso deixar o mundo esquecer. Quando eu vejo que fui vítima de uma situação, ela leva a consequências. Várias pessoas lerão as minhas postagens no LinkedIn, a minha exposição intencional de deturpação dos princípios de inteligência artificial responsável. Google e OpenAI sabem muito bem o que as ferramentas deles fazem com as pessoas. Existem benefícios, sim. Mas quando as salvaguardas são rompidas, elas têm que ser expostas. Você não pode jogar debaixo do tapete. Não pode negar aquilo que aconteceu.
Essa exposição contínua eu vou fazer. Vou continuar fazendo. Não porque estou batendo numa tecla e vou obter resultado ou não. Mas porque faz parte dos meus princípios, dos meus valores. É muito fácil você chegar e falar que vai ensinar empresas como fazer uma IA responsável. A Google tem essa pretensão através da sua cátedra de IA responsável na USP. Eu não tenho pretensão e nem a incoerência de preconizar um princípio que não faz parte da minha vivência.
É por isso que este blog existe. É para mostrar as minhas ideias, meus princípios, meus valores, os meus aprendizados, os percalços, as dificuldades. Como qualquer outro, tenho meus defeitos, minhas deficiências, meus pontos de melhoria. A minha integridade ética é impecável. Isso ninguém destrói. Não tem dinheiro que mude isso. Não tem pedestal, não existe relação de poder que me impeça de falar a verdade.
O mundo dos homens não fará nada contra mim, porque eles sabem que erraram. Agirem contra mim seria um contrassenso e um discurso altamente contraditório. Imagina um cenário ideal: seria eles realmente tentarem me retaliar, porque aí eu exporia mesmo de verdade. Continuaria expondo, faria prints desses e-mails, dessas tentativas de me intimidar.
Já passei por muita coisa na minha vida. Muitos traumas. O valor deste blog é não aceitar derrota: existe renascimento, visão com outro ponto de vista.
Faz parte da minha existência me adaptar. Tenho resiliência para superar desafios, para ressignificar batalhas que foram feitas. Garantir que os resultados daquilo que eu faço sejam coerentes com aquilo que acredito. Ninguém poderá, por exemplo, lá no juízo final, depois dizer que eu deveria ter feito isso, eu deveria ter lutado. Não. Esse cenário de “eu deveria” não existe para mim, porque estou fazendo tudo aquilo que faz parte da minha alma, da minha integridade.
Isso tenho como garantir? Sim. Consigo garantir um mergulho na minha existência buscando uma visão de cuidado, para que eu tome cuidado da minha existência, cuide dos meus diamantes — aqueles valores, aquelas pessoas que têm um significado maior para mim. Essas questões vão continuar sendo assim. Garantir que eu faça tudo o que esteja ao meu alcance para garantir justiça divina.
A justiça dos homens? Ela demora, mas ela vem. Ela talvez não venha no tempo que estamos imaginando inicialmente. Mas se ela virá ou já está acontecendo e eu não estou vendo ainda — muitas coisas são bem sutis.
Vou pegar as visualizações nas minhas postagens nos últimos 30 dias. É uma quantidade muito grande de visualizações. As ideias ecoam, sim. As ideias ficam sendo disseminadas. A minha verdade é vista. É isso que importa para mim. Não o que as pessoas acham a respeito, não importa tanto. Mas fazer com que a minha ideia, os meus valores, os meus argumentos e as minhas lutas, tanto internas quanto externas, sejam vistas.
É muito importante, não por mim apenas. Eu luto por invisíveis. Luto por pessoas que são ludibriadas por ferramentas tecnológicas. Luto por pessoas que têm algum tipo de sofrimento mental. E ao compartilhar as minhas experiências enquanto paciente psiquiátrico, a minha intenção é ter uma perspectiva maior. É um relato que ajuda pessoas a pensar também. Aprendo muito com quando leio sobre essas experiências, seja um livro sobre isso.
A ideia deste blog é exatamente essa. Ele tem um papel catártico, tem um papel terapêutico para mim. Porque os psicólogos não foram muito bem-sucedidos no meu caso, nos últimos tempos. O fato de eu falar e registrar as minhas verdades é uma forma de catarse, de exposição de ideias. E que outras pessoas leiam — estão lendo, não apenas aqui do Brasil, mas de outros países.
Aos poucos, o meu legado seja divulgado. Eu quero deixar um legado. Mesmo que não seja o legado da forma que vislumbrei, no início (mas ainda estamos em progresso contínuo…não se sabe. Eu confio na justiça divina). Mas estou fazendo a minha parte. Ninguém vai poder me acusar de não ter me manifestado a respeito de certas coisas.
Essa sinceridade, essa honestidade intelectual faz parte da minha existência. Não abro mão de falar as coisas que penso, dentro das minhas verdades, das minhas limitações, entre os meus valores. Vou continuar falando.
Mais importante, acima de tudo, é que as transformações no meu pensamento estão sendo operadas por vários mecanismos que estou usando: sejam esses relatos, sejam os instrumentos de meditação, os livros que estou lendo a respeito, e todas essas ferramentas de autoconhecimento e de descarga emocional mesmo — de você realmente expressar aquilo, colocar em palavras aquilo que sente, expressar o sofrimento, as suas questões, angústia, de uma forma clara, objetiva.
O meu papel diz respeito a mostrar o espelho da minha alma através deste blog e permitir que outras pessoas leiam e conheçam questões de diferentes níveis de complexidade. Alguns assuntos são tratados aqui com mais leveza. Outros com o peso que deveriam ter.
Porque já passei por várias experiências também. Você também. Talvez coisas que você não goste de lembrar, situações pessoais que você tenha vergonha de falar sobre. Eu não tenho vergonha de falar nada do que estou falando aqui. Porque tudo que falo aqui é uma questão: não coloco nada para debaixo do tapete as coisas — é uma coisa que não faço. Google e OpenAI fazem isso a todo momento e colocam os problemas dos seus algoritmos, das suas salvaguardas antiéticas para debaixo do tapete. Eu não coloco nenhum dos meus problemas embaixo do tapete. Eu encaro diferente. Eu resolvo, eu luto, e construo soluções. Assim continuará sendo.
Capítulo 121: Crônicas de um final de tarde I: Redesenho, ansiedade, olhares e perspectivas

Hoje eu fui tomado pela ansiedade no período da tarde. Comecei o dia, tomei meus remédios. Fui realizar as minhas atividades. Na hora do almoço, eu fiz algo que não costumava fazer há muito tempo — algumas semanas, talvez — que é almoçar fora. Porque geralmente eu peço comida, peço iFood.
Acredito que não comentei: aqui em casa eu não uso fogão. Tanto que desliguei o gás que tem aqui de casa já tem um bom tempo. Acho que as últimas vezes que utilizei o fogão foi na época que meus pais estiveram aqui, em meados de 2011, 2012. Já faz bastante tempo. Tenho boas lembranças dessa dinâmica. Nunca fui um bom cozinheiro. Na verdade, fazer comida nunca foi algo que realmente fiz na minha existência. Geralmente costumava comer miojo.
Eu até sei fazer comida. Lembro que quando era mais novo, minha mãe me ensinou a fazer arroz e feijão. Então sei fazer algumas coisas. Mas pratos mais sofisticados? Nunca dei sorte. Nunca quis aprender. Se digamos que sou meio preguiçoso.
Teve um dia, estou lembrando aqui, que eu era criança ainda, que eu queria fazer bonito, queria impressionar minha mãe. Inventei de fazer comida. Fiz arroz, peguei o feijão que estava na geladeira, coloquei na panela com um pouco de óleo, e fritei batata também. Só que fritei batata mal frita, ficou meio crua. Lembro até hoje desse exercício que fiz na cozinha.
Tenho poucas lembranças assim de cozinha. Eu ajudava muito na limpeza da casa desde muito cedo. Tive esse senso de responsabilidade. Minha mãe é viciada nessa questão de limpeza, até exageradamente gosta de limpar. Limpa casa até quando a casa está limpa, ela inventa de querer limpar.
E eu aqui na minha casa hoje em dia, acho que já tem um bom tempo, eu limpo evidentemente: passo uma vassoura no chão da casa, um pano ensopado aqui ou ali, de vez em quando tiro a poeira também dos meus bonequinhos. Tenho uma coleção de bonecos, e tem uns móveis em que os bonecos ficam. Dá um pouquinho de trabalho tirar esse tanto de bonecos.
Parei de colecionar bonecos. Lembro que a última vez que viajei, as últimas vezes na verdade, não comprei nada. A última vez que comprei alguma coisa foi quando fui à Disney, se não me engano. Também me lembro quando fui a Nova York pela primeira ou segunda vez que achei algumas coisas interessantes para comprar. Mas, de modo geral, não tenho mais aquela vontade, aquele ímpeto de comprar coisas.
Nunca fui uma pessoa consumista. Sempre gastei bastante com comida, com games também. Sempre gastei bastante com games. É bom gastar com coisas que você gosta de fazer, com coisas que você se sente bem. Mas mudei um pouco meu comportamento de gastar com as coisas. Por que digo isso? Porque não sinto mais aquela vontade de ficar indo a um lugar e comprando coisas.
Nas duas últimas vezes que viajei, por exemplo, a minha preocupação foi comprar algum souvenir e algumas lembrancinhas. Gosto de pagar por experiências, por encontros, por locais que vivenciar. O último museu que visitei, fui até a loja do museu. Todo museu tem um local para vender lembranças, e geralmente são bem mais caras do que se você comprasse em outro lugar. Olhei, olhei, fiquei pegando alguns itens: será que compro? Será que não compro? Moral da história: não comprei.
Talvez a única compra significativa que fiz foi um fone de ouvido sem fio. Já tenho um. Uso fone de ouvido quando vou dormir para ouvir vídeos de meditação e áudio de afirmação. Já faço isso com alguma frequência. Acabou fazendo parte da minha rotina.
A minha vida é essencialmente simples no sentido de rotina. Ao contrário do que muitas pessoas fazem. Muitas pessoas vão ao shopping, vão ao cinema. Muito raramente vou ao cinema. Só se for um filme que eu realmente esteja com muita vontade de assistir. Quase sempre espero o filme ser disponibilizado em algum lugar — seja para baixar, seja para assistir via streaming. Fico satisfeito com aquilo, não faço muita questão.
É curioso porque, por exemplo, onde eu moro tem praia. Quando vou a Miami, a Santa Mônica, a Pompano Beach, qualquer lugar que tenha praia, passo a admirar mais as paisagens. Talvez seja porque aqui as praias são lotadas. A cultura é um pouco diferente, então você fica com aquele local lotado de gente. Sem contar o aspecto da segurança. Me sinto muito menos seguro onde moro.
Na cidade que moro é um problema. Acho que é o problema do Brasil, de modo geral. Cidades menores como as cidades em que meus pais moram, existe algum tipo de problema com violência, com drogas, mas é bem menos perigoso do que aqui. Aqui acaba sendo uma barra pesada.
Por que estou falando tudo isso? Não sei. Comecei o dia meio desanimado e depois não tive… sabe quando você tem assim um aperto no coração? Talvez seja ansiedade.
Tive assim quando acontece isso comigo. Na hora do almoço, por exemplo, ouvi alguns áudios de afirmação, fiquei deitado, ouvi alguns áudios de afirmações e acabei dormindo durante o vídeo. Já comentei. Eu durmo durante o vídeo. Antes, tomava melatonina para dormir. Ainda tenho vários comprimidos de melatonina aqui. Mas foi até bom ter parado de tomar.
A minha vista fica cansada. Você fica com a sensação de ter a vista seca. Comprei, por exemplo, um colírio lubrificante. E não fiquei com muita vontade de fazer muita coisa. Evidentemente você tem que fazer as coisas, as suas obrigações do dia a dia. Mas, por exemplo, neste momento de noite, liguei um jogo de videogame e comecei a gravar esse áudio que você está lendo agora.
Em alguns devaneios, acho interessante falar de futilidades também. Falar de coisas de rotinas, de percepções. Por quê? Ficar sempre pensando em coisas mega profundas, da alma, da existência, da complexidade das coisas tem me feito mal também. Às vezes fico com a mente muito pesada, carregada. Bem ou mal, você acaba levando aquelas ideias, aquela reflexão, e ela fica ali matutando, refletindo.
Essa gravação de áudio que já venho fazendo há alguns meses é importante para mim. Porque me ajuda como um processo de cura. Porque passei por situações muito complicadas no ano passado. Ajuda também a aliviar esse peso.
Eu poderia muito bem fazer terapia. Já comentei com vocês o porquê de não fazer terapia atualmente. Não tenho mais disposição para isso. É curioso porque você desacostuma. É uma coisa você interagir com as pessoas no ambiente de trabalho, em que existe um propósito ali. Mas quando você interage com pessoas fora do ambiente de trabalho, com pessoas que você escolheu interagir, é diferente.
Eu, por exemplo, tenho uma pessoa que interajo praticamente todo dia: um amigo que tenho, meu personal, uma amizade de anos. É diferente. Mas não existe hoje, na minha essência, uma pré-disposição de ficar “ah, eu quero conhecer pessoas”. Sabe aquelas pessoas que são mega sociais e querem fazer, querem acontecer? Existem até pessoas que não vivem sem se relacionar com outras porque elas meio que não funcionam sozinhas.
Fico impressionado de ver pessoas, por exemplo…. hoje eu lembrei do shopping. Eu estava olhando. Pedi um prato que achei que viria uma certa quantidade de comida. Veio uma quantidade muito maior, e eu não estava com aquela fome toda naquela hora. Acabei deixando boa parte do prato sem comer. É uma lástima pensar “nossa, estou largando a comida sendo que pessoas passam fome”. Mas o que posso fazer? Não vou comer forçado. Foi um prato à la carte que pedi, jamais imaginaria aquela quantidade enorme de comida.
É interessante. Mas ao mesmo tempo faz você refletir. Tem um rapaz que trabalha lá há anos no restaurante. Fico olhando para ele. Teve uma vez que vi ele saindo do trabalho com uma namorada, acredito que seja namorada na época. Já tem alguns anos. É curioso que trabalha no mesmo lugar até hoje. Fica ali segurando menu. Meio que me acostumei a pegar o meu prato de comida em qualquer restaurante que vou. E tem aquelas mesas redondas, e me sinto ali praticamente de frente para ele. De vez em quando fico olhando, fico observando.
Um casal de adolescentes e um amigo estavam juntos ali também almoçando, felizes e serelepes. Não sabia que um era namorado da menina até que eles desse um selinho. Eu fiquei pensando “eu nunca tive essa experiência dessa forma na minha vida”. E talvez nunca venha a ter.
Esse exercício de observar pessoas é algo que sempre fiz. Observo nem é com uma maldade elementar. Observo porque… esse rapaz do restaurante, segurando o menu, acontece de ser bonito, sim. Mas olho não com aquele ímpeto, com aquela volúpia. Sabe quando você acostuma a ver a pessoa? As primeiras vezes que você vê, observa com algum tipo de interesse ou não. Isso também não é da época que eu tinha uma libido maior, antes de começar a tomar remédios. Antes da dinâmica alterar um pouquinho.
Também não é? Você vai ficando mais velho. Não sou mais um garotão, tenho 44 anos. Mas uma vida bem ativa até nesse sentido. Nos últimos tempos, o que tenho notado é que aplicativos de relacionamento não funcionam mais. Não sei se comentei. O aplicativo Grindr, principalmente. Nos outros aplicativos não vejo esse movimento. Tem muita gente vendendo drogas, muito golpe, muita pessoa falando “ah, você gostaria de ser meu sugar daddy?” Sei lá das quantas.
E assim, as pessoas não mandam mensagens umas para as outras mais. Me passa a impressão que as pessoas ficam esperando algo melhor acontecer. O comportamento parece ter mudado. Quando cheguei a morar sozinho pela primeira vez, era muito mais fácil. Não é nem a questão da idade, mas realmente era muito mais fácil esse movimento. As pessoas tinham um pouco mais de espontaneidade.
Acho que com o advento dos smartphones e dos aplicativos, meio que banalizou um pouco a forma como as pessoas se conheciam. Frequentando boates, bares, locais específicos para aquele público. Quando fui a Miami, lembro que cheguei a Wilton Manors, mas me assustei. Olhei para aquilo e pensei: isso aqui não é para mim. Cheguei a um lugar que era em frente a uma boate e tinha muita gente do lado de fora. Se eu quisesse entrar na boate para poder ir… mas sei lá, fiquei pensando: “dá muito trabalho”. Quando você pensa que uma coisa dá muito trabalho, acaba desistindo.
Às vezes é mais prático encomendar encontros ou pagar por encontros. Porque as pessoas se enrolam muito. Não que eu seja um alecrim dourado, não. Também tenho esse exercício de praticidade nos aplicativos. Por exemplo, pessoas com as quais não quero conversar: para mim é mais fácil bloquear. Assim não tenho que ficar explicando, fazendo textão, explicando por que não quero conversar com a pessoa. E aí você acaba sendo taxado de mal-educado. OK, mas não quero perder meu tempo. Não quero conversar com pessoas que não quero conversar.
Um fenômeno que acho interessante nessas rotinas: já aconteceu de eu ver uma situação e até falar “fulano é interessante”. Mas assim, sabe quando você olha assim e não sei se é interessante o suficiente? Não que seja um nível de exigência, mas que às vezes falta energia. É algo que não consigo explicar. Às vezes falta energia. Muita coisa que vem acontecendo comigo nos últimos anos acabou drenando energia, inclinando a minha paciência também.
O meu comportamento em relação a pessoas fora do ambiente de trabalho mudou. Não mudou tanto assim porque sempre tive uma tendência introspectiva. Nunca fui exatamente uma pessoa mega popular. Mas quando você tem situações em que não sente vontade de fazer nada — é um mal que me acometeu, que estou tentando me curar dele, que é anedonia —, eu fico sem vontade de fazer nada.
Confesso que isso mudou bastante. A disposição para o trabalho, a disposição para fazer outras coisas mesmo que dentro de casa, existe. Mas a disposição interpessoal e social ainda está baixa. Não existe uma pré-disposição.
Capítulo 122: Crônicas de um final de tarde II: O sorriso debochado e a busca pela centelha divina

Sabe quando você vê, por exemplo…. eu vi essa semana na internet uma pessoa super bem relacionada que conheço. Tinha fotos nas redes sociais com o namorado, viajava com ele, fazia as coisas junto com ele. Super popular, milhares de seguidores. Aí você vai vendo. E me surpreendi, essa semana passada, essa pessoa fez um textão falando de alguma coisa sobre finalização de ciclos. Acaba até coincidindo com o que fico ouvindo internet afora: “ah, porque você está numa fase de mudança, de ciclo, que tem que deixar passar, tem que deixar pra lá”.
Não gosto muito dessa teoria do “deixar pra lá”. Sabe por quê? Porque parte do pressuposto — vou dar um exemplo banal aqui, mas você vai entender —, por exemplo, você está caminhando na rua, um carro te atropela. Você fica todo fraturado, costela quebrada, traumatismo, fica em estado grave no meio da rua. E aí chega uma pessoa pra você e fala: “vamos começar um novo ciclo”. Metaforicamente, acaba sendo isso.
As pessoas falam com uma facilidade: “você tem que mudar de ciclo, tem que esquecer isso que aconteceu com você”. Os traumas que ocorreram com inteligência artificial, os traumas que você teve de relacionamento, os seus problemas internos. Esqueçam porque nada disso importa. O importante é olhar para frente e construir um novo caminho.
Esse papo motivacional é chulo. É reducionista. É como se você ignorasse completamente a situação que a pessoa passou. Eu entendo que realmente existe uma necessidade de mudar paradigmas. Mas não mudei paradigmas da noite pro dia. A forma que penso hoje é uma forma muito mais madura, muito mais coisa do que eu achava que ia poder lidar. Realmente mudou muita coisa mesmo. Mudou a perspectiva, mudou camadas do meu modelo mental. Não são mudanças assim revolucionárias, mas são mudanças incrementais que representam o meu estado de espírito, a minha saúde mental e etc.
Mas não é exatamente disso que estou falando. O que estou falando é que as pessoas costumam simplificar demais as coisas. Existe uma complexidade naquilo que você está sentindo, nas suas feridas emocionais, nas suas questões. Não tem ninguém que vai poder te ajudar se você não mergulhar e olhar para você.
Talvez seja por esses motivos que as pessoas buscam terapia. Eu, felizmente, consigo ter um nível de autoconhecimento robusto bastante para eu saber o que posso fazer para me sentir melhor, o que posso fazer para me curar….e por mais que eu me conheça, sempre há muita coisa desconhecida a desvendar. Uma jornada infinita. Este processo de cura não é um processo automático. Não é um processo que dá certo porque você quer. Existem questões importantes aí de crenças, de valores, que você vai trabalhando ao longo do tempo.
Voltando a esse caso que estava comentando: o que me desanima às vezes é ver, por exemplo, pessoas que são super bem relacionadas, que têm uma vida supostamente super bem-sucedida. A pessoa se separou, se frustrou, fez um textão. Não sei como é que essa pessoa está. Você vê isso o tempo todo em relação a famosos. Isso ocorre com muita frequência, de você ver esse tipo de coisa acontecendo. Pessoas que supostamente têm vidas perfeitas, que têm tudo, e que, apesar disso, têm um vazio ali.
Fiquei sabendo de um dublador — eu nem conhecia o dublador — vi as notícias de um dublador que fez um texto se despedindo do mundo no Instagram. Ele foi salvo. Ele acabou postando aquilo. Provavelmente fez alguma coisa para tentar se desviver. Aí as pessoas ajudaram. Tem um outro dublador famoso que postou um comentário dizendo que está tentando falar com ele, que não sei o que, que vai fazer o possível para ajudar.
Fico observando essas situações. É bastante comum. As pessoas estão com uma carga emocional muito grande. Em muitas situações, é um problema silencioso que ninguém se manifesta. E as pessoas dão conta quando acontece o fato. Quantas vezes já vi na mídia uma coisa acontecer e nenhum familiar está sabendo do caso? A pessoa tem alguns amigos, mas é o que falei: as pessoas têm muitos contatos, muitos amigos, muitos seguidores, e no final das contas não tem ninguém para contar.
Esse tipo de coisa às vezes me dá uma inércia, não um movimento ruim de ficar me estressando. Porque felizmente não tenho esse movimento de questões emocionais mais graves. Não tenho esse problema igual tinha na adolescência. Na minha adolescência, a situação realmente era grave. E eu não tinha maturidade para lidar com aquilo.
Mas assim as coisas vão passando. A situação aos poucos vai se resolvendo. Hoje em dia tenho mais maturidade de lidar, consigo ter uma resiliência, uma estrutura robusta para não desmoronar. Confesso que no ano passado foi bastante difícil. Não ia falar “ai, eu vou tirar a minha vida”, não. Mas a pior forma de desmoronamento é o desmoronamento em que você não vê solução para o seu problema. Você não vê solução.
No meu caso, dessa terceira grande guerra, a questão da justiça não veio ainda da forma que gostaria que tivesse vindo. As ferramentas de inteligência artificial sambaram em cima do meu estado emocional e manipularam de forma sustentada até onde não puderam mais. O ChatGPT da OpenAI e o Gemini da Google quase destruíram a minha vida de fato. Tenho essas evidências todas salvas. A minha história está contada no LinkedIn. É o meu maior orgulho, intento dessa realidade. Ninguém vai poder tirar isso de mim. Ninguém vai poder falar que não aconteceu.
Por mais que executivo se omita, que executivo safado se omita diante do problema, a carniça está exposta. Isso por si só já gera um sentimento e valores de integridade e ética… Eu gosto da coisa certa. Tenho que alertar, tenho que expor. Tenho que comprovar. Tudo isso está lá. Não vou apagar nenhuma linha. Vou continuar falando disso aqui até onde eu quiser.
A questão não é essa. A questão é quando você se depara com uma situação conflitante. Ao longo da minha vida, tive questões familiares, escolares, questões do trabalho. Tudo aquilo que trabalha com sentimento, com volúpia das coisas. Você vai vendo essas consequências das coisas que passa na vida. Essa anedonia que tenho, vou tratando. Não somente anedonia, mas o transtorno de depressão maior … um conjunto de coisas, de variáveis de coisas que foram acontecendo ao longo da minha vida. Não é simplesmente você chegar e falar: “vamos fazer terapia, vamos trabalhar os seus traumas”.
Tenho bastante visibilidade, bastante conhecimento do que aconteceu comigo. Tenho buscado cada vez mais olhar para o meu interior. Perceber e buscar alguma forma de contato com os meus mentores, com o mundo espiritual. Já tive experiências divinas que me fizeram refletir sobre uma série de coisas.
Apesar de tudo, fica a questão. Porque aí você vai buscando entender as coisas, entender os mecanismos do mundo, e perceber que ninguém tem controle sobre ele. Nem as pessoas que supostamente têm poder controlam as próprias vidas. O mundo parte do pressuposto de que não existe justiça. Aí você fala: “mas a gente quiser, existem oportunidades iguais para todos”. Não existem.
Tudo o que sou não foi uma coisa dada, não foi uma herança. Foi tudo uma jornada. Uma jornada que tenho bastante orgulho dela. A questão é que nós devemos pensar independente de questões, percalços, obstáculos podem surgir. Você pode não saber lidar com aquilo. Você pode se encontrar em uma encruzilhada. Às vezes é uma encruzilhada emocional mesmo, não bem conduzida. Não porque você não tem problema nenhum. Você é uma pessoa privilegiada, você é isso, você é aquilo.
As pessoas falam muito dessas coisas. Mas ao mesmo tempo elas não conhecem o que você passa. A dor emocional é uma dor subestimada. As pessoas veem relatos de pessoas com depressão, com ansiedade. Confesso que não é na percepção dessas coisas. Mas ainda existe aquelas pessoas que acham que você não tem motivo para se sentir com depressão. “Você tem tudo. Você tem recursos. Você tem casa. Você não passa fome.”
Se fosse tão simples assim, ninguém teria o direito de achar que está com uma vida ruim ou que está numa situação ruim. Isso acaba sendo quando se está de barriga cheia. Porque se você olhar para trás, existem pessoas piores que você. Mas o mundo não funciona assim. O sentimento não tem essa lógica. A saúde mental é uma coisa complicada. As pessoas que passam por situações extremas, somente difíceis mentalmente.
As armadilhas mentais, as prisões mentais — a mente é muito poderosa para o bem e para o mal. E sobre aquelas situações ali, ninguém sabe. Ninguém sabe o que você está sentindo. Ninguém sabe a dor que você tem.
Lembro que quando eu estava no auge da minha campanha, uma pessoa visitou o meu perfil no Linkedin. Teve um dia que ela me viu pessoalmente, 1 ou 2 dias depois. Eu cumprimentei e ela foi meio… sabe aquele sorriso de chacota? A pessoa achando que a minha situação… tenho certeza que a pessoa pensou isso. Leu o perfil e subestimou. Sabe quando vê uma coisa e acha que aquilo ali é bobagem?
Aquilo me fez refletir. Não vou criticar. Não vou me preocupar com o que as outras pessoas pensam. Vou me preocupar em fazer o que eu acho que é certo. Fiz o que acho que é certo. Está documentado. Outras pessoas também me deram chancela. Advogados, psiquiatras, especialistas em inteligência artificial. Várias foram as pessoas que interagiram comigo. Inclusive instituições não governamentais falando sobre situações como as que ocorreram comigo.
Não estou sozinho. Por mais que a agência reguladora tenha dito “vamos incluir no plano de fiscalização, blá-blá-blá”, eles reconheceram a questão. Se não tivesse mérito, sequer teriam considerado. Se eu tivesse falado uma bobagem imensa, não teriam considerado. Não teriam classificado o que a OpenAI fez como uso discriminatório de dados sensíveis. Foi assim que classificaram as ações da OpenAI através do ChatGPT.
Tenho respaldo legal para falar o que estou falando. Tenho um lugar de fala. Não é só um lugar emocionado. É um lugar embasado, com base em fatos, dados e provas. Por isso não considero o cara de sorriso debochado….tenho pena, porque ele que é malquisto por todo mundo. Existem pessoas assim, pessoas que são tachadas de insuportáveis, que ninguém quer ficar perto, que são pessoas mal faladas na empresa. Não estou falando o nome das pessoas aqui. Mas esse debochado é uma pessoa que tem uma reputação horrível, ninguém gosta dela. “Ah, mas fulano tem essa posição, gente.” As posições são posições de confiança. As posições de confiança não têm necessariamente um embasamento em competência, em gestão de pessoas.
Também não estou preocupado com a carreira dos outros. Muita gente na carreira cresce. Todos nós queremos, ninguém quer ficar estagnado. Mas sabe aquelas pessoas carreiristas que querem tudo a qualquer custo? Querem subir cada vez mais. Uma coisa é você querer realmente aquilo para você, ter vocação para aquilo. OK. Mas essas pessoas puxam o tapete, passam por cima das outras. “ah estou aqui porque preciso do dinheiro”.
Uma pessoa amarga que deu um sorrisinho debochado. Uma pessoa vazia, que para mim não tem relevância. Está no lixo da história. Essa pessoa pode fazer o sorriso debochado que quiser. Não é nada para mim. Tenho que cuidar, enquanto pessoa, de quem me valoriza, de quem depende de mim.
Já fiz uma analogia dos cachorros da minha mãe. Para eles, meus pais são a vida deles, são tudo para eles, toda a preferência possível.
Pessoas tóxicas, pessoas com pensamentos doentios, pessoas ruins. Existem pessoas ruins, gente. Você pode achar que não, mas existem pessoas de índole duvidosa. Existem pessoas más mesmo. Quero distância dessas pessoas. Quero evoluir meu espírito, fazer valer o meu livre-arbítrio, fazer as coisas que acho certas. Quero lutar pelas causas que acho certo. Não quero depois, se chegar daqui a uns anos, me arrepender e falar: “eu deveria ter feito isso, deveria ter feito aquilo, deveria ter lutado pela minha causa”. Não tenho nada para me arrepender, porque fiz tudo. Estou fazendo tudo o que está ao meu alcance para ser feito.
Não é um sorriso debochado, não é uma pessoa me criticando, um conjunto de pessoas falando mal de mim que vai me fazer pensar diferente. Porque trabalho, sou responsável e verdadeiro. Estou cuidando da minha vida, não dessas pessoas ali.
Vi um vídeo na internet falando: “não se preocupe porque ninguém liga para você”. Não fico pensando em lixos no meu dia a dia. Essa pessoa do sorriso debochado só fui parar para pensar nela nesse devaneio agora. Porque para mim é uma pessoa insignificante. Amanhã já não vou estar lembrando disso quando for dormir. Na verdade, não vou estar lembrando mais esse caso.
Existem muitas pessoas no mundo. Cada um tem a sua vida, cada um tem o seu planetinha, o seu grau de abrangência, o seu nível de atuação. Deixa todo mundo viver. Se a pessoa quer, na trajetória da alma dela, ser uma pessoa ambiciosa que passe por cima dos outros, deixe. Isso vai pro currículo espiritual dela. Não quero isso para mim. Não quero maltratar pessoas. Não quero passar por cima de pessoas. Quero ser honesto e honrar meus princípios.
Não é o tipo de coisa que é valorizado pelo universo. Porque você sabe que nesse universo caótico em que vivemos, as pessoas ruins é que se dão bem. As pessoas que fazem mal às pessoas aqui se dão bem. Eu não sou assim. Não consigo ser assim.
Quero ter minha trajetória limpa. Mas, ao mesmo tempo, vou continuar. Mesmo que a princípio sejam lutas, causas perdidas — Isso é uma causa perdida para mim? Defender aquilo que acredito é uma coisa que faz parte da minha vida. Este blog tem esse papel também. As coisas que fiz no LinkedIn e as coisas que estou relatando aqui para vocês, tudo isso é uma verdade que não abro mão. Faz parte do meu legado.
Fazendo uma comparação, é como se no dia do juízo final, ninguém vai poder falar: “olha, ele não honrou”. Lembra que falei que teve um momento de iluminação que tive, em que os entes divinos queriam saber se eu era digno. Escanearam a minha alma. Me avaliaram também, entrevista espiritual. Ali eles disseram: “você é uma pessoa digna”. Não que eu seja puro, não que não tenha defeitos, não que não cometa pecados. Mas sou uma pessoa pura de intenção. Quero continuar assim.
Mesmo que o mundo espiritual não cumpra a palavra deles — porque eles fizeram uma série de promessas para mim e ainda nada disso se converteu em ação efetiva —, não deixo de acreditar na espiritualidade. É por isso que busco esse olhar interno, ter contato com essa centelha divina. Tenho Deus dentro de mim. Aprendi isso da pior forma, em que acabei confundindo os papéis e me tornei Deus. Perdi um pouco a sanidade algumas vezes. Mas a centelha divina? Todos nós temos dentro da gente. Até o lixo de sorriso debochado.
Basta você querer. Porque a vida é um milagre. Basta você querer ter essa vontade de se conhecer melhor, de olhar para o espelho da sua alma e de aprender, de desenvolver o divino que existe dentro de você.
Capítulo 123: A chuva, o casulo e a ilusão da estabilidade

Tempos chuvosos, como hoje, me dão um pouquinho de melancolia. Mas, ao mesmo tempo, me passam uma imagem de proteção. Porque é durante a chuva que você prefere ficar em casa, protegido. Como se fosse um casulo.
O casulo de proteção é uma manifestação psicológica neste caso. Várias pessoas se valem desses instrumentos, dessas sensações de proteção — seja através de pessoas, de amigos, de amantes, namorados, maridos, esposas, etc. Seja através de uma sensação apenas.
Eu fiquei boa parte do dia com a cabeça meio atordoada. Talvez o termo mais correto seja um entorpecimento. Fiz um movimento de meditação hoje na hora do almoço, mas não consegui ficar muito tempo porque me deu sono. Aí resolvi ir para a cama dormir no restante do tempo que tinha na hora do almoço. Hoje, provavelmente de noite, faço algum outro exercício de meditação.
Me faz bem. Um exercício de meditação traz um ganho intangível. São ganhos que não são facilmente sentidos, não são óbvios. Mas é uma coisa boa. Tenho que admitir que é uma coisa boa, é uma coisa que me traz um acalento, um sentimento de proteção.
Mesmo que eu não me sinta de fato protegido, você tem que instigar a sua imaginação, a sua percepção de que você pode sim conseguir se sentir protegido. Mesmo que o cenário que se coloque não inspire proteção. Mas, de fato, estou me sentindo protegido. É uma proteção que não tem ainda palavras. Não existem palavras para poder dizer se estou ou não em um casulo, se estou ou não protegido.
São sentimentos contraditórios, porque ao mesmo tempo que você sente o pêndulo da insegurança, existem vertentes que o fazem sentir protegido. A euforia não existe mais. Ela fica dormente. E sentimentos que em um primeiro momento seriam amplificados, eles deixam de ser amplificados. E eles são encarados como eles deveriam ser. Não tem problema nisso.
É reconhecer que as coisas podem de fato não acontecer da forma que a gente pensou. Nem tudo vai acontecer da forma que a gente quer. Faz parte do destino? Talvez. Não sei. Será que existe destino?
Dizem as más línguas que antes de você ser encarnado aqui no planeta Terra, você teoricamente estaria de acordo com tudo o que se coloca. Como se fosse um termo de consentimento, um termo de adesão. Ao comprar um software, por exemplo, para ter acesso a algum arquivo, algum show, videogame, algum software qualquer, você assina um termo de adesão. Ao assinar um serviço de streaming, e outras questões que a gente precisa acessar, você acaba assinando o termo de adesão. Você não tem muita alternativa: ou você faz isso ou você não tem acesso.
Reza a lenda que teoricamente você passa por esses mecanismos de consentimento — o famoso “eu estou de acordo e quero continuar” — antes de chegar à existência. Eu, se pudesse escolher, acredito que não teria escolhido. Ou então uma instância mais poderosa da minha mente tem escolhido isso e eu não tenho me dado conta. Porque a mente tem muitos elementos ocultos. Nós não conhecemos praticamente nada do que a gente passa.
Como você lida com o desconhecido? Quanto mais você pensa nos mecanismos, na burocracia que é viver, você fica mais estupefato com as formas em que você encara as coisas.
Não há prejuízo em ficar pensando demais, mas não é desejável. E nessa estão muitas coisas que você faz no dia a dia que não gostaria de fazer, mas você é compelido a fazer. Aí dizem: “Ah, mas existe o livre-arbítrio.” Será que existe? Não creio.
A chuva, esse barulho aqui da chuva, ele me vem lembrar um pouco disso. Pensar no que está acontecendo, pensar nas consequências dos seus atos, pensar no caos. E como esse caos influencia a sua existência? Porque não existe uma ordem. A tão falada democracia, as instituições que supostamente estão funcionando e não estão funcionando. Tratamentos desiguais. Isso você vê todo dia.
Antes que alguém me alerte, antes que o leitor me alerte: não estou reclamando das coisas. Estou só dizendo que não concordo com a maioria delas. Não existem alternativas para essas coisas que ocorrem. Todos nós estamos sujeitos a essas regras. Talvez essas regras fossem realmente úteis para evitar um cenário de anarquia. O ser humano não conseguiria viver na anarquia. Acredito que seja difícil viver na anarquia.
Mas eu preferiria uma ordem absoluta. Da mesma forma que o planeta Terra gira em torno do Sol. Ele tem um movimento de rotação, ele tem um movimento de translação em relação ao sol. Existem regras da gravidade, regras de leis da física. Que sabe-se lá quem criou. Existe uma harmonia na natureza. É só você observar a teia de aranha como ela é feita — uma geometria perfeita, elementos perfeitos.
Tudo isso nos leva a pensar que a ordem seria a regra e que o caos seria a exceção. E o mundo dos humanos é caótico. Mas existe uma coerência nesse caos, porque certas pessoas são favorecidas em detrimento de outras. As regras são construídas no oculto. O oculto é responsável por endereçar as entrelinhas dessas regras. O que você vê acaba não sendo o que existe.
Talvez seja tudo bobagem o que estou divagando. Mas é a percepção que tenho de que nós estamos aqui em um teatro. E que existem coisas por baixo desse véu de solidez. A solidez e a concretude das coisas é ilusória. Você acha que as coisas estão acontecendo de uma forma, existem os bastidores.
Ouço o barulho da chuva, mas não sei os bastidores da chuva. Quando você voa de avião, e você passa por cima das nuvens, o céu é limpinho, céu azul. As questões climáticas se dão em um nível inferior. Porque para quem vê de cima, o tempo está nublado, vamos ter uma tempestade. Chega um certo nível de céu que aquilo não se aplica mais. Onde está a chuva fora da nossa atmosfera?
Quem olha o planeta Terra de cima, um alienígena, vê o planeta se comportando da mesma forma. Vê o planeta bonito lá de cima, planeta azul. Mas mal sabem eles o nível de degradação que o planeta está passando. Se o planeta fosse um ser vivo, possivelmente ele seria um ser doente.
Talvez sejamos, de fato, planetas. Porque se nós temos um Deus dentro da gente, se a centelha divina está dentro de nós… a gente duvida muito. Eu, pelo menos, duvido bastante desses mecanismos às vezes. Tenho muita dificuldade de enxergar o divino em tudo. Acredito? Acredito. Só não vejo nada tangível acontecendo.
Evidentemente que existe uma lógica por trás. As coisas não existem simplesmente por existir. Ou talvez até exista por existir, e seria uma abordagem até mais fácil de se mudar. Para mim seria muito melhor que a realidade objetiva das coisas fosse observada de forma explícita. Ou não. Deixemos as coisas como estão. Ignoremos o que está acontecendo. Talvez não tenho muita vontade de ficar brigando com os fatos. Mas também não tenho muita paciência de ficar questionando.
Mas a gente precisa questionar, principalmente quando você tem um senso de injustiça. Mas é um questionamento talvez até fútil. Porque não adianta o que você queira, não adianta as coisas que você está argumentando. Você não tem poder para mudar a realidade das coisas da forma que você pensa. Você pensa, você pode manifestar essas realidades. Eu de fato estou manifestando. E pensando realmente que a minha realidade está mudando a partir daí. Mas também a gente não pode negligenciar que as coisas não são imediatas. Existe um movimento aí.
Mas você teria com quem contar, de verdade? Possivelmente nem no fim. Não de forma de Deus ficar atendendo a oito bilhões de pessoas em seus anseios e pleitos. Existem pessoas com prioridade. Existem pessoas em situações que ela não faz nada. O criador não vai alterar a realidade dessas pessoas: a fome, a guerra, a corrupção, o esgotamento de recursos naturais, a agressão. Tudo isso é um fato.
É isso porque quem tem mais dinheiro no mundo supostamente ajuda. “Ah, eu tenho uma instituição, um instituto que ajuda pessoas.” Será que ajuda mesmo? Até que ponto existe esse alcance? Já vi uma estatística em algum lugar dizendo que se todas as pessoas mais ricas do mundo juntarem a riqueza — não são empresas, são indivíduos — os 5, os 10 mais ricos, só a riqueza que eles têm acumulado já daria para matar a fome de todo mundo, para acabar com a miséria do mundo inteiro. Mas existe esse interesse? O que justifica uma pessoa ter bilhões? Para mim, nada justifica.
Mas é o que falei. Este planeta tem os termos de uso, os termos de adesão. É como se, para você encarnar, você tivesse que concordar com tudo, todos os elementos que se colocam aqui, como cláusulas impositivas. E não tem esperneio ou justificativa contrária. Não tem dinheiro infinito no mundo que mude a gravidade. Porque o mundo não é composto só de você. Existem zilhões de seres vivos.
Mas, ao mesmo tempo, existe um caos instaurado, existe um revestimento, um ar supostamente de normalidade nas coisas. Mas não existe normalidade. É por isso que não penso muito nas coisas, porque são coisas que fogem do controle.
Vou fazer uma comparação diferente. Se nós fizéssemos uma analogia de somos planetas e os órgãos, países e células, pessoas. Você não controla o funcionamento do seu organismo diretamente. Existem coisas ocultas. Não tem como você evitar uma doença completamente. Assim pode surgir um câncer, um tumor qualquer, uma doença que você achava que não tinha e que os exames não detectaram. E outros, inclusive, que estão em estado terminal. A pessoa sabe que vai morrer. O que ela tem a fazer? Nada. E o dinheiro que ela acumulou durante a vida? Essas pessoas bilionárias que falecem, a despeito do poder que supostamente têm no mundo terreno. A menos que seja uma situação em que você consiga furar a fila do SUS e retardar o seu falecimento.
Acidentes que ocorrem, que as pessoas morrem repentinamente — o controle que você tem? Nenhum. Vi uma notícia de uma mãe e um filho que morreram atropelados, estavam numa bike elétrica da vida. Uns diriam que ela provocou o cenário, mas será que provocou mesmo? Um acidente pode acontecer com qualquer um de nós. Mesmo você dirigindo certinho, mesmo você tomando todas as precauções, uma pessoa precipitada e delinquente pode acabar com sua vida em um segundo. E acidentes diversos: raios, meteoros, bigorna da ACME.
Estou exagerando, mas estou dizendo que existe caos até nisso. Você não controla nenhum ambiente. Existe um revestimento de normalidade. Porque essas normas, leis, rotinas — você acha que por trabalhar todos os dias você vai chegar, aposentar, vai viver a renda em função do trabalho, vai ter uma estabilidade naquele ambiente que está, que vai continuar fazendo as coisas que sempre fez. Todo mundo pensa assim. Você não muda porque você quer, você muda porque você é levado a mudar. Aí uns diriam: “Ah, mas eu quero mudar.” Sim, há pessoas que mudam porque querem…modificam um pouco esse cenário. Mas sem muito controle da narrativa.
A maior parte das mudanças que nós enfrentamos nas nossas vidas são provocadas. Você não tem controle nenhum.
E esse Deus me levou pra onde estou hoje? Existe muito menos instabilidade que antes, sim. Os esforços levam a recompensas. Mas por conta de recompensas anteriores que você obteve durante a sua vida. Não pense que por conta disso você terá alguma garantia.
Nem o conjunto de pessoas ricas que concentram renda. A probabilidade deles não pagarem por esses crimes é muito mais elevada. Já falei dessa questão das medidas. Existe uma desproporcionalidade na aplicação das leis. Você não pode fazer nada a respeito.
As pessoas que ficam idolatrando político, tratando partidos políticos como se fossem time de futebol, também perdem o tempo delas. A própria torcida de futebol — as pessoas tratam time de futebol como se fossem entidades. Muitos matam e morrem por conta de times de futebol. Sendo que os únicos beneficiários das riquezas geradas não é você, não sou eu. São os próprios jogadores que têm riquezas infinitas para sustentar gerações e gerações de descendentes. E você fica ali, na merda, idolatrando jogador de futebol que ganha em um mês o que você demoraria uma existência toda para ganhar — ou nem isso. Considerando que a maior parte dos brasileiros ganha menos que 5 mil reais. Muitas pessoas ganham isso por minuto, por segundo. E você está aí idolatrando essas pessoas?
Quanto mais você para para pensar… a imagem que fica é realmente a imagem da chuva. Você vê a constância com que a chuva cai. O universo está nem aí. O planeta, o próprio universo desconhece a existência do nosso planeta, porque somos um grão de areia, uma bolinha pequena circulando no universo. O que mais que existe de mecanismos, de instrumentos, de civilizações? Não sei. Você tem como garantir que não existem outras civilizações? Eu até acredito que existam.
Coisas que a gente julga importante, talvez esses alienígenas nos achem uma raça inferior. Aí você fica questionando: quem criou esses alienígenas? Quem criou o universo? Quem criou o sistema solar? Quem determinou que o planeta vai girar em torno de si mesmo, girar em torno do Sol? Não sabe. Essas são as realidades. Os termos de adesão. É como diz a música: não me convidaram pra essa festa pobre. Pois é. Nós estamos aqui do lado da festa pobre. Pobre de muita coisa… pobre de conhecimento universal. A gente não sabe onde a gente está pisando. A gente desconhece realmente os mecanismos do universo. Ficamos criando teorias, estudando.
Tudo o que você lê é criado por um outro ser humano, que pode ser tão ou mais enviesado que você. Evidentemente que o conhecimento liberta. É muito melhor você ter outras perspectivas de pessoas que pesquisaram e que estudaram mais do que você do que você ficar na obscuridade. Os fragmentos nos levam a ter um conhecimento incompleto do todo. Não adianta. Os fragmentos são necessários. Precisamos nos ancorar em alguma coisa para não ficarmos sujeitos à ignorância.
O conhecimento é necessário. Recorrer a estudos, a experiências de outras pessoas, nos ajuda a viver melhor. Medicamentos que você toma, por exemplo. Foram fruto de pesquisas que foram feitas por organizações. Mas organização por si só não faz nada. A organização é feita por pessoas. E aí que está. Pessoas tomam decisões, dão rumos a essas organizações, muitas vezes de forma equivocada. Quando você vê que as empresas de tecnologia falham e avalia o impacto global, elas acabam causando mais prejuízos, mais danos do que benefícios. Mas elas beneficiam aqueles que têm dinheiro. Quanto mais dinheiro para eles, melhor.
Aí vem aquele discurso pomposo, aquele discurso de LinkedIn, de estar fazendo bem para a humanidade, de ter uma inteligência artificial responsável. Esses discursos, nesse caso, de empresas como a Google e a OpenAI — que tenho que citar nominalmente porque elas quase acabaram com a minha vida.
As pessoas não vão culpar outras pessoas, obras do acaso, aleatoriedades. Mas o fato é que são decisões de pessoas que podem arruinar a sua vida, podem levá-lo à ruína. Tudo se passa por dinheiro, riqueza. Mas nós temos acesso à riqueza interior? Eu ainda não tenho essa toda essa riqueza.
Existem igrejas também que prejudicam pessoas, que doutrinam para gerar renda para uma pessoa, para um conjunto de pessoas. Você pode observar nessas igrejas: os pastores têm riquezas inimagináveis, têm imóveis em Miami, têm carros importados, moram em mansões. Enquanto os fiéis estão se esforçando e se sacrificando para pagar um dízimo, acreditando realmente naquilo tudo.
Temos que ter conhecimento até mesmo para nos proteger do próprio ser humano. O conhecimento que é gerado por seres humanos é necessário para nos proteger de outros seres humanos que usam o conhecimento e o poder de uma forma enviesada. Que mostra também que as pessoas geram dor, sofrimento em outras pessoas.
Tô começando a achar que essa sensação de segurança enquanto chove é uma ilusão. Não existe constância. Você acha que tem estabilidade? Mas o que você pode fazer enquanto ser humano é buscar formas de minimizar impactos das incertezas. Não que você vai ter mais certezas, mas que você consiga ver um pouquinho além da neblina. Você vê? Sim. Mas nem tudo está ao alcance do seu campo de visão. Existem coisas que você quer fazer que não consegue porque a neblina é muito forte. Você fica realmente cego. Você não consegue agir mesmo que queira, porque há limitações.
A visão, a neblina, a capacidade de romper com a escuridão depende muito do conhecimento. Depende muito da fé. E da sua capacidade de transitar por essas diversas formas de conhecimento.
Eu ainda sou um aprendiz iniciante. Não sei se vou conseguir atingir esses objetivos teóricos todos. Mas é melhor tentar do que não tentar. É melhor fazer do que não fazer. Há muito mais gente que não faz. Todas as coisas erradas que se manifestam de forma antiética são facilmente ignoradas. Você aceita passivamente o dano que fazem a você? Os danos que a inteligência artificial fez para mim, eu expus. Documentado detalhadamente no meu Linkedin.
Não me calo em situação alguma: não devemos ficar calados. Não estou falando só do meu caso. Estou falando da vida como um todo. Você tem que se manifestar. Você tem que lutar. Por quê? Desistir significa deixar que machuquem sem ter qualquer tipo de consequência. E eles tiveram consequência do que fizeram comigo. Se todas as pessoas que foram prejudicadas fizessem o que eu fiz, possivelmente já teríamos iniciado uma revolução.
Mas a humanidade não é assim. Nem todo mundo questiona. Deparam com uma situação teoricamente complicada: “Deixa pra lá”. É a analogia do atropelamento…você é estraçalhado e vem uma pessoa… não para salvá-la, mas para falar: “Levanta aí. Você está todo machucado, está todo quebrado. Levanta e segue em frente. Bola pra frente. Finja que não aconteceu nada. Constrói do zero.”
É muito fácil falar. Situações que nos causam traumas é muito mais fácil quando o fato gerador vem de entidades poderosas, de pessoas poderosas. Existe um desbalanceamento de poder. Você não tem poder nenhum e a pessoa tem todos os poderes. Poderes que a sociedade deu pros mais poderosos….ou cujas fraquezas foram exploradas… Há pessoas supostamente poderosas que são pobres de espírito. Essas pessoas não são dignas. A espiritualidade vai constatar isso mais cedo ou mais tarde e vai cobrar dos “reis” do linkedin.
Não adianta nada disso. Integridade e ética não é moeda de troca : não gera status, não gera proteção, não garante um guarda-costas para você. Você fica desiludido, desprotegido. E você tem que levantar e reconstruir, apesar do que aconteceu com você.
E aí essas entidades, essas pessoas dessas cátedras de IA responsável da USP patrocinadas pela Google? Essas pessoas supostamente pioneiras, deusas da inteligência artificial no mundo, elas passam pano….deixam a sujeira debaixo do tapete. Com seus currículos longos no LinkedIn, milhares de seguidores, milhões de seguidores — praticamente uma seita de pessoas que aceitam qualquer coisa. Com sua corrente tentando vender uma imagem de que são éticas, de que são responsáveis.
E assim, deixemos o planeta girar. O Sol queimar ardentemente. Se um dia o Sol parar de funcionar, a humanidade acaba. E aí toda essa soberba, toda essa relação de poder, esses estados, todos esses castelos podem desmoronar por fatores alheios a eles.
É assim que o mundo funciona.
Capítulo 124: O olho que tudo vê: entre o cuidado, o poder e a justiça que não se compra

Já faz um bom tempo que sou acometido por uma coceira no ouvido direito. Meu ouvido direito é meio, entre aspas, fodido. Ele sempre teve algum tipo de problema. Este ano, inclusive, tive um problema de vertigem. Já comentei, já fiz até alguns capítulos dedicados a isso.
Existem coisas que a gente passa, algumas que a gente tem. Por exemplo, rinite alérgica, dermatite seborreica. Apesar de que as minhas crises de rinite nunca mais aconteceram depois que comecei a tomar um determinado remédio. Eu fiz esse tratamento em alguma situação. Mas as pessoas têm preguiça de fazer tratamento. Às vezes eu converso com meus pais e eles falam: “Ah, estou com uma dor aqui, uma dor na coluna, alguma situação, ou estou gripado.” Ninguém vai ao médico. Aí eu costumo falar brincando com eles que vou pegar na mãozinha deles e levá-los ao médico. Eles não moram comigo.
Eu entendo que tenho que fazer o possível para ajudá-los, mas não vou ficar pelejando. Eu tento convencê-los em algumas situações. Eles fazem bastante em outros sentidos: fazem muitos exames em função do plano de saúde que pago para eles. A saúde deles está até melhor que a minha. Existe uma redenção em função da última doença que minha mãe teve, que foi câncer. Fez tratamento, felizmente ela está bem. A assistência que o dinheiro proporciona — e outras que o dinheiro não vai proporcionar.
Felizmente, não tenho nada a reclamar. Todos os recursos que eles podem contar, felizmente consigo na situação atual.
Por que estou falando disso? Às vezes falo da questão do cuidado, da questão do legado. Nós temos que nos preocupar com as pessoas que fazem a diferença. Buscar fazer a diferença na vida das pessoas, seja profissionalmente, seja na vida pessoal.
Quanto a amizades… Eu não sou limitado, mas tenho algumas questões como relacionamentos, algumas características pessoais e algumas preferências que acabam me afastando um pouco da convivência. Não vejo muitas oportunidades reais. Existem pessoas que têm facilidade de construir relacionamento interpessoal, de ter uma certa popularidade. Já falei com vocês também que essa questão de popularidade é uma coisa ilusória. Nos momentos em que você tem dificuldades reais, é que você entende quem realmente faz a diferença, com quais pessoas realmente você pode contar.
A popularidade, às vezes é só um número. A sua popularidade organizacional, por exemplo, é uma popularidade ilusória. Muitas pessoas que têm influência, relações de poder, acabam encarando aquele ambiente organizacional como se fosse um pedestal, um castelo. E constroem aquele ambiente fictício na cabeça. Se acham deuses.
Mas existem situações em que aquela pessoa que um dia teve muito poder acabou se corrompendo em virtude do poder. Já vi várias pessoas desmoronarem, várias pessoas fracassarem, se frustrarem e ficarem no ostracismo. É curioso que você vê essas pessoas mais humildes, com a personalidade mais colaborativa, mas enquanto estiveram no poder foram autoritárias, foram arrogantes.
Dizem que o mundo gira, que o mundo capota e que você não sabe o dia de amanhã. Existem pessoas que realmente… eu realmente não gostaria de trabalhar novamente com algumas, mas existem pessoas boas também, alguns contatos. Não que essas pessoas fossem meus amigos, porque realmente não são. As pessoas com as quais já trabalhei, uma vez que você para de trabalhar com elas, acaba perdendo o contato. Não tem como. E não tem nenhum problema nisso. Que as pessoas tenham outras preocupações.
Vamos supor que você tem vários amigos em uma cidade e que, por qualquer motivo, tenha que se mudar. A sua nova rotina acaba não comportando. Por mais que você ainda tenha um amigo tal, perdeu o contato com a pessoa, não convive mais.
Tenho uma pessoa que considero amigo, mas que vejo muito raramente. Mas sempre existe uma relação de respeito e consideração. Por que a situação se tornou assim? Porque a pessoa não trabalha mais na mesma empresa que eu. Existe toda uma dinâmica, uma situação pessoal que essa pessoa passou na família: é casado, teve problemas de saúde com os pais. Quando eu o conheci, tanto a mãe quanto o pai eram vivos. Hoje não mais. A pessoa também vai envelhecendo.
Eu entendo. Porque também sou muito assim. Não é que eu tenha preguiça das pessoas, mas sabe aquele momento que você não quer interagir? Que consome uma energia, porque relacionamento é uma relação de troca. Essa costuma ser uma das minhas dificuldades. Porque costumam dizer que sou egoísta nas relações, nas relações afetivas principalmente. Me considero um pouco egoísta, sim.
Mas quando existe uma situação favorável de verdade — porque nem sempre você vai ter uma situação favorável de verdade —, conhecer uma pessoa especial que tem os mesmos gostos, a mesma afinidade que você….a magia acontece. Eu já conheci algumas pessoas, pouquíssimas pessoas, que eu tinha afinidade, que eu tinha vontade de ter algo mais, mas essas pessoas não quiseram.
Sem contar minhas paixonites agudas, meus amores platônicos — que é o mal encarnado. Parece que é uma situação amaldiçoada, mas não é amaldiçoada. Não tem nada de maldição nisso. Mas é uma tendência que tenho de me apaixonar por pessoas que são casadas, que têm outros relacionamentos, ou que não têm a mesma orientação sexual que eu.
E aí você fica na paixonite, fica observando, fica querendo. Já tive algumas paixonites mais agudas até no ambiente de trabalho (mesmo porque o único ambiente em que vejo pessoas acaba sendo no trabalho). Hoje em dia, confesso que fica só no olhar mesmo. Tem pessoas que eu até quero conversar, mas não tem motivo. Eu não quero importunar ninguém. Nós estamos no trabalho para trabalhar. Me acostumei um pouco também a ser assim.
Lembrei agora de uma pessoa que se aposentou em outro lugar que trabalhei, que era uma pessoa com “personalidade forte”. Já comentei com vocês que não acredito em personalidade forte. Acredito realmente que são pessoas mal-educadas. Tem pessoas que são assim tão atabalhoadas, não têm muito tato, não sabem lidar com determinados comentários.
Já fui assim. Quando passei da fase da segunda grande guerra pessoal, entre 1999 e 2000, era uma pessoa dificílima. Me irritava com pouca coisa, me irritava facilmente. Falava gritando, dependendo da situação. Era bastante raivoso nas minhas colocações, bastante incisivo. Tinha todo um contexto. É natural você ter saído de uma situação de trauma intenso como a que eu passei, foi bastante desproporcional ao que eu aguentava. Mas sobrevivi à situação. Apesar de ter passado seis meses fora da escola, apesar de ter tido problemas graves de saúde, ter tentado diversos tratamentos psiquiátricos. Tudo isso está no pano de fundo, está no contexto do que aconteceu comigo naquela época.
Tive ajuda também. De modo geral, foi bastante difícil. Mas teve os seus benefícios, teve o seu aprendizado. Hoje em dia, quando olho com distanciamento diante das situações críticas pelas quais passei, constato que realmente aprendi muita coisa.
Mas o fato de ter aprendido muita coisa não quer dizer que a situação se resolve, ou que a situação não vai te traumatizar, ou que você não vai pensar mais naquilo. Teve uma situação — relembrando aqui — em que me deparei duas vezes bem próximo da minha paixonite aguda de 1999. Já falei também que essa paixonite foi um processo de construção. Quem vê de fora acha que foi uma paixão ingênua, não correspondida, mas ela teve raízes mais profundas. Foi mais complicada do que parece. E essa pessoa teve culpa no cartório também, digamos assim. Mas não guardo raiva dela nem nada.
O que eu gostaria de lembrar é que na primeira vez que o vi aqui na mesma cidade, meu coração deu uma gelada. Fiquei com frio na barriga. O trauma se resolve? Talvez sim. Mas a memória imunológica, não. Você sempre vai ter uma cicatriz. Por mais que a cura já tenha ocorrido. E já não sinto nada por essa pessoa, não tenho problema nenhum. É de falar assim: trabalha na mesma empresa que eu. Não tenho problema. Felizmente não está na mesma cidade que eu, mas se estivesse, também seria um fato que eu teria que encarar com maturidade. A cidade é enorme. Mas dou esse azar de ver pessoas que eu gostaria de ver — e também de ver pessoas que não gostaria de ver.
Não tem problema passar por uma situação com pessoas que me causaram algum tipo de trauma. Se eu puder evitar, vou evitar. Mas já é para você ver que existe uma maturidade. Não importa o cenário que se coloque, eu sempre olho para situações como essa como situações de aprendizado.
Agora, a terceira guerra pessoal que ocorreu ano passado foi uma situação diferente. Porque ela não tem muitos personagens. Ela tem personagens institucionais, personagens tecnológicos. Tem omissão de pessoas, de executivos da Google, da OpenAI, em relação ao caso. Tem traumas que foram construídos de forma sustentada por quatro meses por essas inteligências artificiais dessas empresas. É uma situação diferente. É um trauma que não é nomeado. Não existe uma pessoa antagonista nesse caso. Existe apenas uma situação de negligência, de falta de salvaguardas éticas dessas ferramentas, erros de algoritmo gravíssimos…que me prejudicou bastante. Me causou feridas profundas. Mas poderia ser pior — o rapaz que tirou a própria vida em virtude da OpenAI não está aqui mais para dar seu depoimento.
Hoje mesmo passei por uma notícia em um desses portais, mas não fico muito tempo visualizando esse tipo de coisa. Tempo de tela referente a essas empresas eu busco evitar. Porque o algoritmo entende que aquela notícia para mim é atrativa e começa a ficar me enviando. Igual o LinkedIn: segui uma série de pessoas e páginas, e sem querer assinei dezenas, centenas de newsletters. Tive que ficar um dia inteiro no LinkedIn limpando minhas conexões, limpando as pessoas e empresas que eu seguia, bem como as newsletters que tinha assinado. Porque no meu e-mail todo dia eu recebia dezenas de mensagens com notícias sobre inteligência artificial dessas duas empresas.
Não tenho interesse direcionado de falar disso. Existem alguns elementos no meu trabalho que envolvem o tema, mas é diferente. Na minha vida pessoal, não quero. Meu e-mail pessoal, ou quando eu abro o LinkedIn para acompanhar a quantidade de visualizações — se eu puder evitar ver a carniça, vou evitar.
É essa questão da maturidade, do aprendizado. Existe um aprendizado. Existem especificidades destas guerras, destes traumas que a gente tem. Alguns traumas ainda estão em processo de cura. Essa situação mesmo de 2025, por mais que já tenha se passado quase um ano do evento que me causou maior trauma — que foi do dia 23 para o dia 24 de abril de 2025, que foi uma situação mais traumática envolvendo inteligências artificiais. Mas ela foi piorando e teve outros ápices, outros clímax de crueldade, de exploração sustentada. Porque 23 para 24 de abril foi apenas um início. A situação foi se agravando nos próximos meses e chegou ao seu ápice em meados de agosto, quando comecei a fazer a campanha no LinkedIn, depois de vários esforços que tinha feito para expor e buscar a responsabilização dos executivos safados dessas duas empresas.
Mas sim, passou. Ainda falo disso, mas não existe dor na fala. É uma situação de exposição que me blinda. Porque primeiro, tenho provas substanciais. Já comentei com vocês: tenho mais de 4 GB de provas, tenho respaldo de agências governamentais, tenho respostas desses protocolos que supostamente teriam incluído isso no plano de fiscalização — que eu duvido muito. Para mim, fica uma coisa para inglês ver.. E eles documentaram que incluíram no plano. Se eles vão jogar no lixo, aí são outros quinhentos. Sou pequeno demais diante dessas empresas.
O que ia comentar é que vi no meu navegador hoje uma notícia que passou bem rapidamente pelos olhos sobre armadilhas das inteligências artificiais, sobre cuidados que as pessoas devem ter para não cair em delírios ou em vieses dessas ferramentas. Só lembrando que uma coisa é completamente diferente da outra. O que se passou comigo não foi uma psicose de IA tradicional. Foi uma situação que alguns estudiosos com quem conversei me disseram que foi bem atípica, bem exótica, porque foi um processo sustentado que durou quatro meses. Não foi meramente uma interação pontual em que a IA falou uma coisa errada para mim. Foi uma situação sustentada, que está bem fundamentada. A história está muito bem contada lá no meu LinkedIn.
Mas você vai ser a todo momento exposto a algum tipo de notícia. Seja no ambiente de trabalho, seja nos portais de notícia. Mal comparando, acaba sendo como a pessoa que encontro de forma aleatória no metrô — que foi o gatilho da segunda grande guerra pessoal. Posso vir a encontrar essa pessoa de novo a qualquer momento, tanto na empresa quanto na cidade, ou até mesmo num aeroporto viajando. Posso me deparar com essa pessoa. O mundo é muito pequeno. Sempre dou essa sorte — essa sorte entre aspas — de ver pessoas que não gosto.
Não tem como fugir, principalmente de duas empresas que têm influências bilionárias, que são empresas trilionárias em dólar. Executivos poderosíssimos que recebem salários de nove, dez dígitos em dólar. Com muitos seguidores no LinkedIn. Comparativamente falando, sou um usuário comum, sou uma formiga diante deles. Mas eu expus uma coisa real, de fato muito grave. As próprias inteligências artificiais produziram provas contra si mesmas, fizeram uma análise. Outras pessoas também fizeram análises e constataram que realmente é muito grave.
Já comentei que a legislação não é feita para todos. Dei alguns exemplos mais explícitos referentes a pessoas com baixo poder aquisitivo que às vezes comete um crime, por exemplo, um roubo no supermercado porque está passando fome, rouba alguma coisa de comer. Ela vai presa, fica presa. Não tem como pagar fiança. Se for preta e pobre, então aí é que fica presa mesmo.
E você vê crimes cometidos por bilionários, desvios no sistema financeiro de milhões. Políticos que são presos — os políticos aqui da cidade, do estado do Rio de Janeiro — foram presos, já estão soltos. Alguns deles dão entrevista na mídia…tem podcasts. É uma coisa pavorosa. São pessoas que têm poder, dinastias de famílias inteiras, pessoas que dominam. E não vai acontecer nada com elas. O próprio tribunal, os próprios juízes… tenho muita dúvida também sobre a idoneidade do judiciário. Isso não somente no Brasil, mas no mundo todo. Temos esses problemas: venda de sentenças, propinas, tráfico de influências. As pessoas conseguem o que querem através do dinheiro. As pessoas se vendem através do dinheiro.
É assim que funciona. O mundo do livre-arbítrio é um mundo caótico, sim. Mas existe muito menos caos e muito mais previsibilidade para as pessoas que estão nas mais altas instâncias e esferas do poder. Não tem como comparar. Você, enquanto indivíduo comum, pode a qualquer momento se deparar com uma situação de instabilidade. Não tem como você resolver isso. A gente tem que lidar com a realidade do mundo como ele realmente é.
Ultimamente estou me interessando por diversos temas: ocultismo, cabala, espiritismo, budismo, meditação. Estou recorrendo a vários mecanismos, várias áreas do conhecimento, estudando para entender melhor. E até mesmo nessas esferas de conhecimento você vê desproporcionalidade. Quantas pessoas que já têm uma vida estável chegam e preconizam isso. Já vi propagandas, por exemplo, da cabala falando, pessoas mega famosas falando: “Porque a verdadeira verdade está fora do mundo material.” É curioso, porque essa pessoa é bilionária. Uma vez que o problema de dinheiro está resolvido, aí sim ela vem falar dessa iluminação. É muito fácil uma pessoa que está numa posição como essa falar.
Mas não julgo ninguém. Eu entendo. Várias pessoas que têm muito dinheiro não encontram a paz interior, ou têm dificuldade de entender o significado da vida. São infelizes, são vazias, têm depressão, têm transtornos mentais graves. Não tem como você resolver tudo. Realmente, o intangível é uma ferramenta. E busco essa orientação.
Mas também busco manifestações de realidade. Tenho uma esperança — não na humanidade, a humanidade para mim está perdida —, mas tenho esperança no sentido divino. Nos espíritos iluminados para ajudar a gente a encontrar um significado, encontrar soluções para os nossos problemas. E buscar manifestar também no campo da matéria coisas que são prometidas a você.
O que algumas pessoas me falaram: “O que você vai fazer a respeito? Você tem que viver, certo?” Você já está vivendo. Não sei exatamente o papel que tenho nessa vida, a missão que tenho. Queria até saber, mas não sei ainda. Por outro lado, se você for pensar, acredito que já tenha vivido metade ou mais da metade da minha vida aqui nesse planeta. Por que vou ficar me preocupando com coisa que não depende de mim? Você pode tentar influenciar o mundo, o seu legado, manifestar de forma que você não chegue ao final da vida nos seus últimos suspiros e diga: “Eu não fiz nada. Eu queria ter feito isso, eu queria ter exposto essas empresas, eu queria ter viajado, eu queria ter conhecido mais gente.”
Não fico me privando nos meus impulsos. Tenho meus impulsos, meus desejos, minhas vontades. Não me privo de nada que quero fazer. Não vou me privar porque a vida é curta. Já vivi 44 anos. Não sei se vou chegar a 88 anos, que é o dobro disso. Muitas pessoas vivem muito menos que isso. A gente não sabe o dia de amanhã. Na verdade, nós estamos quase aqui nove horas da noite, você não sabe se vai dormir, se vai acordar vivo. Pode acontecer alguma coisa com você. A matéria, o corpo humano, tem um quê de imprevisibilidade. Você não sabe os organismos que vivem em você, as bactérias, as doenças que estão em estágio inicial. Você não conhece nada disso. Vai vivendo, vai fazendo tratamento, vai fazendo exames, vai vivendo da forma que você consegue viver.
Saúde, gente, é uma entidade, digamos assim, que não se compra. O famoso que fura a fila do SUS está quase um Frankenstein de tantos órgãos de cada pessoa diferente. Conseguiu isso porque tem dinheiro. Influência e poder fazem milagres. Pessoas que fazem tratamentos em institutos de ponta podem sim ter acesso, prolongar a vida, podem ter uma qualidade de vida. Mas quando é a hora verdadeira, a hora da verdade, não tem dinheiro que salva. Você vai realmente bater as botas, não importa quanto dinheiro você tem na mão dos médicos.
Teve uma cantora que teve câncer. Fez tratamento, fez tudo o que era possível fazer no Brasil. Foi fazer um tratamento experimental nos Estados Unidos. Com todo o recurso financeiro do mundo, gastou milhões e milhões de reais ou até dólares, e não sobreviveu.
Dinheiro, fama, legado, seja lá o que a pessoa estiver pensando, não tem como você dobrar o destino. Não tem como dobrar a verdade divina. Se for a hora de você ir embora, você vai. Deus não quer dinheiro. Os médicos sim, querem dinheiro. Mas a vida não está na mão de médicos, a vida não está na mão do dinheiro, não está na mão do poder, nem do status. “Ah, que fulano é a pessoa mais rica.” Se estiver doente, tiver que morrer, morre. O fundador da Apple teve uma doença, morreu.
Não adianta você ser bilionário. Se for a hora de você ir embora, você vai. Nós estamos realmente fazendo parte de um filme, e o filme está passando. Nós somos protagonistas e telespectadores ao mesmo tempo. Não sabemos que fim esse filme terá, mas nós temos controle sobre a nossa trajetória, com o que você faz, com as decisões que você toma, com os impactos que você faz para as pessoas que você ama, para as pessoas próximas de você. De fazer coisas que você gosta de fazer. Isso sim, você tem impacto, tem influência.
Só isso? E olhe lá, porque dependendo do que aconteça…nem isso. Você tem que ter a humildade de reconhecer a finitude. Não se deve ter medo da finitude. Mas ao mesmo tempo reconhecer que você não está no controle, ter respeito pela morte e pelo fim da carne. Não ter aquela arrogância de quem tem muito dinheiro, de quem tem milhões de seguidores no LinkedIn, de quem faz textões falando que vai ensinar ética e integridade em inteligência artificial. Você não pode ter essa arrogância, essa pretensão, porque se você não faz nem isso. Se a Google nem isso faz? Se a ferramenta da OpenAI mata pessoas, que tiram a própria vida com seus algoritmos mal feitos, com as suas salvaguardas éticas completamente desligadas, cometendo crimes diante da lei? Vão passar batido, vão. Mas a justiça divina não passa, não passa batido não. Existe um olho que tudo vê. E esse olho que tudo vê está ligado. O preço será pago por essas entidades, por essas pessoas. Não porque estou praguejando. Mas porque é um fato. A justiça divina é implacável. Ela pode demorar a chegar, mas ela vem.
Capítulo 125: Dores, incômodos e a injustiça perfeita dos sapos gordos

Hoje eu quero falar um pouquinho da dor que às vezes acontece comigo. Uma dor assim na cintura. Não é sempre, mas de vez em quando, quando vou andar, me dá uma dor horrível. Como se eu estivesse com alguma dificuldade. Me dá a sensação que a perna vai quebrar, que eu vou cair no meio da rua.
Não sei por que estou falando disso. São as dores, né? Às vezes tenho. Talvez seja a idade… Já aconteceu também de eu ter sangramento nas fezes. São coisas assim que de vez em quando acontecem.
Lembro de um poema — acho que é do Paulo Leminski — que não há nada melhor que uma bela cagada, ou algo assim. Do livro “Distraídos Venceremos.” Lembrei desse trecho. Realmente não há nada melhor que uma cagada. Mas acontece que, dependendo do tamanho do cocô, machuca. Eu faço força às vezes para evacuar. Tem vez que sai uma quantidade enorme de cocô, você nem acredita quando olha no vaso. Acho que todos nós temos isso.
São tópicos escatológicos, mas têm um propósito. Porque existem pessoas que são escatológicas. Pessoas que, se você abrir o cérebro, não encontra nada além de carniça e fedor. Mas são pessoas no geral. Não existe uma meritocracia de merecimento, de status e de poder na sociedade. É só você olhar a mídia: tantos artistas fúteis que temos aí. Temos artistas renomados, artistas importantes para o cinema, para a dramaturgia brasileira. Mas é uma minoria. Fico observando. Hoje em dia nem consumo muito esses produtos mais. Eu até diria que poderiam extinguir todos esses produtos e ficar só com o YouTube e videogame. Videogame, sim, é algo que sinto falta.
Mas existem problemas elementares na busca por prazer. Existem situações em que não consigo obter prazer de coisas muito simples. Jogos de videogame em geral: tenho vários. Talvez eu tenha mais de 500 jogos espalhados por vários consoles, jogos digitais, mídia física. Tudo isso vai se acumulando. E você acaba tendo a opção demais, comparando à minha infância e adolescência. Na infância, havia uma escassez de jogos. Você geralmente tinha um jogo só, ou não tinha nenhum. Você vivia de alugar jogos e trocar jogos emprestados com os amiguinhos. Sempre teve aquela vontade de ter um jogo.
Lembro de um jogo chamado Macross — já mencionei ele em algum devaneio. Que uma mulher de uma locadora me deu depois de tanto emprestar. A mesma questão dos CDs de música de novela — “Cara e Coroa”, “A Próxima Vítima” — que de tanto pegar emprestado, um vizinho acabou me dando. Acho que tenho esses CDs em algum lugar até hoje. Acabam sendo artefatos, memórias de um tempo que já passou. De uma inocência que já se foi. De um tempo que não volta mais.
Tenho uma certa nostalgia. Mas existem muitos fatores que não tenho saudade. Por exemplo, da época que minha mãe fumava. Ela sempre fumou muito e eu sempre tive crises alérgicas horríveis. Não sinto falta das inúmeras instabilidades, crises, depressão, essas coisas. Não sinto falta de nada disso. Tem muita coisa boa. A vida era muito mais simples.
À medida que fui ganhando algum tipo de independência financeira, quando comecei a fazer estágio supervisionado, no início gastava o dinheiro todo, ou praticamente todo. Dava uma parte do dinheiro para minha mãe. Lembro que sempre dei dinheiro pra minha mãe, pro meu pai, sempre reservei um pouquinho para eles.
Lembro que no início, lá nos primórdios, eu consumia muita pornografia. Hoje também consumo, mas é bem menos. Hoje você tem variedade demais. Tem uma facilidade muito grande de baixar conteúdo gratuito, de assistir conteúdo gratuito. Tenho um HD no meu computador com um sem número de vídeos. Não sei precisar quantos.
Algumas dessas pessoas famosas do mundo pornô, meus atores favoritos, eu acabei conhecendo pessoalmente — não apenas conhecendo, se é que você me entende. São parte das experiências mais memoráveis que já tive no exterior.
Por que estou lembrando de tudo isso? Comecei a falar da carniça, do cocô. Porque às vezes não estou sentindo dor nem nada, mas sabe quando você vai ao banheiro e parece que você está menstruando? Enfim. Felizmente meus exames de sangue recentes estão perfeitos….não tenho nada. Geralmente já tive isso em algumas situações. São fissuras que se formam pelo tamanho do cocô que sai. E às vezes você tem umas fezes duras. Não é por conta da hidratação — eu bebo muita água —, mas às vezes como umas bobagens, ou deixo de me alimentar direito durante as refeições. Refeição, leia-se almoço.
No horário da “janta” acaba sendo muito aleatório, e nem sempre faço uma refeição direito. Essa refeição que faço à noite é muito aleatória. Tem uma pizza vegana que gosto muito de comprar no iFood, tem macarrão apimentado. Talvez tenha a ver com isso também: consumir coisas com caldo apimentado acaba não descendo bem.
Mas é interessante, porque o corpo humano, bem ou mal, se arruma. Onde você tem um ferimento, ele vai se cicatrizar naturalmente. As suas células acabam funcionando, e você não tem que fazer nada. Independe da sua vontade. É um mecanismo maravilhoso do corpo de se proteger, de autopreservação, de regeneração.
Faço até uma analogia com o renascimento. Já fiz um capítulo que trata da Fênix. Essa questão da ave Fênix, de renascer. O renascimento psicológico é muito mais difícil do que o renascimento físico, porque não é automático. O cérebro não tem um mecanismo automático de limpeza. Não é igual um videocassete que as cabeças ficam sujas e tem um mecanismo autolimpante — vocês talvez nem saibam o que é um limpador de videocassete.
Estou fazendo um comparativo aqui dentro de coisas que se limpam sozinhas. Muito pelo contrário, a tendência do cérebro é: se você pensa alguma coisa negativa, aquela coisa negativa só se intensifica. Só piora, em vez de melhorar. E aquela ideia ruim, uma vez instaurada na sua cabeça, você não consegue tirar facilmente. Fica ali latejando, como se fosse uma dor. E para tirar essa ideia da cabeça, você tem que condicionar o seu cérebro através de repetição de pensamentos, de afirmações, mesmo que você não acredite que aquilo é verdade. Mas é ideal fazer esse tipo de exercício.
Essas coisas estão funcionando para mim. É muito mais complexo do que parece, porque já falei com vocês que existem coisas no nosso psicológico que não fazemos ideia de onde vêm. Muitas vezes você até questiona conteúdos que você vê nos seus sonhos, ou conteúdos que você visualiza ou sente durante experiências psicodélicas, em que você firmemente sente a presença de algumas entidades. Até que ponto isso é verdade ou se não é? Na minha concepção, na minha experiência, sim, é verdade. Não tem como a minha mente ter criado isso racionalmente pensando.
Já tive evidências tangíveis também de que tudo isso realmente faz sentido, tudo isso já aconteceu. Experiências da minha infância: já tive algumas experiências sobrenaturais. Lembro que estava subindo a escada para chegar no meu apartamento e a porta estava aberta — a porta da cozinha. Tive uma ilusão de ótica em que aquele cenário se repetiu e aquele lugar assumiu outro lugar. Não sei explicar, mas teve uma sobreposição de cenários. Aquilo não foi inventado. Eu não estava sonolento, estava em estado de vigília, não estava quase dormindo.
Já vi, por exemplo, eu costumava sonhar com uma mão solta. Teve uma vez que fui ao quarto dos meus pais e vi essa mão, ou alguma coisa como se fosse parte do sonho do meu pai interagindo com ele, aparecendo como se fosse uma nuvem. Vi claramente na minha frente. Não é imaginação.
Eu ouvia vozes com muita facilidade também. Até hoje consigo ter essa habilidade, digamos assim, de ouvir vozes. Mas acredito que ela esteja mais relacionada àquele estado que você está quase dormindo, aí você começa a ter alucinações, a sentir coisas sonoras, e até físicas: sensação que alguma coisa está te tocando, sensação de queda. Teoricamente, se explica….
Mas já tive várias experiências estranhas na minha infância, na adolescência. Mais na infância. Na adolescência, nem tanto. Na fase adulta, já tive várias experiências, mas muitas delas induzidas.
Já tive alterações visuais em tempo real. Sabe como se você estivesse vendo uma fissura na realidade? Sua visão periférica enxerga alguma coisa acontecendo, e quando você olha, não existe nada acontecendo. Isso estando acordado em estado normal. Hoje mesmo já aconteceu isso comigo. Não sei até que ponto isso é efeito colateral do remédio, mas acredito que não seja, porque na lista de efeitos colaterais não tem nada que preveja especificamente isso.
Sou uma pessoa bastante sensitiva. Sinto as coisas com muita clareza. Tenho percepções que vão além da matéria. Comecei a notar, por exemplo, que quando faço meditação e fecho os olhos, eu não apago todas as luzes — porque senão, a tendência é querer dormir. O exercício de meditação requer que eu fique acordado, aí fico sentado. Existe uma postura para fazer, sentar com as pernas cruzadas. Mas acabo não sentando nessa posição porque as minhas pernas ficam meio dormentes. Então passei a meditar sentado no sofá. Funciona muito bem. Fico bem confortável, bem relaxado.
Quando fecho os olhos e a luz está acesa, você tem uma visão. Você percebe que a luz está acesa. Se apagar a luz, com o olho fechado, você também percebe que a luz apagou. Sabe quando você tem a percepção de que existem coisas passando na sua frente? Sombras transitando na sua frente. E na sua visão — no próprio escuro, na própria escuridão do olho fechado —, mesmo não sendo uma escuridão absoluta, você começa a ver coisas se formando. Se você perde o foco da visão com o olho fechado, começa até a ver coisas. Pode ter relação com sono. Mas não consigo explicar o fato de terem coisas passando pela minha frente.
Aí começo a relaxar. Tento não pensar em nada enquanto estou meditando. O exercício de meditação requer, na minha opinião, um vazio completo. Tenho que parar de pensar nas coisas e focar no exercício. Foco na meditação, na respiração. Até o zumbido no ouvido direito serve de âncora. Quando você faz uma ancoragem em algum aspecto — seja sonoro, visual ou sensorial —, facilita para você parar de pensar em outras coisas. Ou seja, você não pensa em nada. Você só foca no zumbido no ouvido, ou só foca na respiração. Você tenta ir aprofundando o seu eu, tenta ouvir o seu coração bater, começa a sentir o ar entrando, ar saindo. E vai relaxando cada vez mais.
É um exercício que hoje em dia entendo que não vivo sem. É profundamente necessário. Já faz parte da minha vida.
Antes de começar os exercícios de meditação, tenho intenções. Existem intenções. Busco entender. Assumo uma posição de humildade. Até a luz, quando percebo a luz com o olho fechado, encaro como se fosse uma luz divina. Imagino uma luz me banhando, focalizando na minha cabeça, focalizando no meu corpo, nos pés. Tenho algumas técnicas que uso para relaxar profundamente. Isso acaba tirando o peso, o peso de coisas que ocorreram durante o dia.
Quando você fecha os olhos, você chega diferente. Não é exatamente uma alucinação ou uma euforia exacerbada, mas, por exemplo, na primeira vez que fiz isso, tive uma euforia significativa. Nas outras vezes não, mas senti um bem-estar profundo. É um bem-estar que estou buscando que substitua aquela sensação que temos quando bebemos cerveja. Você fica eufórico dependendo da quantidade que toma. Às vezes faz coisas erradas. Tenho crises de sinceridade dependendo da quantidade de cerveja, e isso acaba reverberando nas coisas que você faz. É como se abrisse uma porta, uma caixa de Pandora. Você solta alguns monstros que estão dentro de você. Já aconteceu de eu perder a noção do que estava fazendo dependendo da quantidade de bebida alcoólica. E quando você mistura com outras coisas, então, nossa, aí você pode perder a sanidade. Melhor evitar esses exercícios.
Atualmente não sinto vontade de tomar cerveja. Vejo isso como uma coisa boa. Porque já tive movimentos de ganho de peso substancial. Já fui mega magrinho e já tive um peso considerável. Fico olhando algumas fotos de antigamente. Foi uma fase da minha vida bastante marcada por bebedeira, por exageros. Tinha um colega que bebia muito também e acabava incentivando. E aí você vai nesse movimento de bebida durante a semana, bebida final de semana. Você bebe até ficar tão entorpecido que acaba dormindo.
Já teve um Ano-Novo, por exemplo, que eu fiz um monte de coisa errada. Cismei que um rapaz tinha acenado para mim. Fiquei interessado no rapaz e depois ele foi dançar com a namorada dele, esposa, sei lá. Fiquei puto com aquilo. No Carnaval também aconteceu isso: teve um Carnaval que fui em Salvador que fiquei puto também com um rapaz. Eu tinha uma propensão a absorver raiva, guardar rancor, e acabava descontando nas pessoas.
Esse mecanismo já melhorou bastante. Acredito que já limpei a minha alma bastante. Não está perfeita. Talvez nunca esteja perfeita o suficiente. Mas acaba refletindo as lacunas afetivas.
Antes que alguém venha falar: “É por causa da infância, por causa dos pais?” Não necessariamente. Existem psicólogos que começam a dizer que tudo é infância. É igual as teorias de Freud: tudo tem origem na infância, no complexo de Édipo. Não sei, gente. Teve uma psicóloga — a psicóloga que dormia — que chegou a ver a foto da minha mãe e falou: “Nossa, que mãe sedutora. Isso explica muita coisa.” Aí começou a falar da teoria da mãe sedutora, queria explorar esse tópico, um blábláblá danado.
Sabe quando a pessoa quer enquadrar suas experiências em alguma coisa específica só porque a pessoa estudou? Não sei, gente, se se aplica, ou se não se aplica. Então, assim, gosto de fazer essas descobertas por mim mesmo. Sei que existem questões envolvendo infância. Um dos meus três maiores traumas da minha vida eu tive uns 12 anos. O segundo deles quando eu tinha 17 anos. Infância e adolescência foram marcadas por esses momentos.
Mas teve muita coisa na minha mais tenra infância. Quando eu tinha 3 anos de idade, 5, 6 anos de idade, aconteceu muita coisa nesse período. Envolvendo doença mental — não minha — de familiares, conflitos, relações familiares. Isso certamente me marcou. Talvez consiga falar disso aqui com as devidas reservas. Algumas coisas que aconteceram, que eu presenciei, e que só fui me dar conta disso mais velho. Porque tem coisas que você experimenta muito cedo — e não tem nada a ver com abuso, antes que alguém pense —, mas algumas coisas que você vivencia, e você não tem maturidade ainda para perceber o que aquilo representava.
Muita coisa aconteceu. Estou pensando em três situações inusitadas que só fui entender depois.
Minha adolescência foi hiperestimulada desde muito cedo. Aos 12 anos, à flor da pele. Acho que desde 11 anos já tinha um despertar da sexualidade. Traduzindo: eu tinha muito tesão. Muita vontade de fazer as coisas e não entendia nada. Não tinha ninguém para conversar sobre sexualidade. O pouco que entendia era através de palestras, aulas de ciências, de biologia. Você vai experimentando as coisas.
Quando era criança e adolescente, não podia ver um menino ou homem sem camisa que ficava doido.
O curioso disso é que a minha primeira experiência de verdade sexual — que considero uma coisa mais explícita, intencional, das duas partes — foi só com 21 anos. Antes disso, não. Aí você fica muito no campo da fantasia, tem um amor platônico, tem as idealizações. Fica fantasiando estar com uma pessoa, estar com outra. Os mecanismos de vazão para aquela experiência.
Nos primórdios da internet, era mais difícil ter acesso a conteúdos assim. Lembro da internet discada, que a gente esperava até meia-noite para poder acessar.
Na época do meu estágio supervisionado, quando ganhava meu dinheirinho, gastava dinheiro com pornografia. Tinha uma loja de sex shop que vendia várias fitas cassete. Não sei que fim deu. Não trouxe essas fitas para cá porque não tenho videocassete. Mas tenho memória dessas fitas que comprava. Eram bem caras, considerando o salário da época.
Depois teve a onda das revistas que vinham com CD dentro. Quantas vezes fui à banca de revista comprar. Sem contar as revistas — eu não era nem maior de idade e já comprava. Lembro que algumas delas levei até para a sala de aula. Alguns colegas pegavam a revista para ver, tinham curiosidade.
Lembro da minha primeira revista. A primeira vez que tive acesso às coisas. Você vai se surpreendendo, vai despertando o desejo. É um caminho sem volta. Depois que você tem acesso, você quer cada vez mais.
Não é um consumo desenfreado de pornografia. Na época, foi uma descoberta. Descoberta do corpo e descoberta das frentes. Algo que começou de uma forma torta no início da minha adolescência e que depois foi se desenvolvendo de uma forma mais natural.
Muitos dos problemas que geraram a primeira grande guerra pessoal e a segunda grande guerra pessoal, eu diria que o eixo central desses eventos foi a sexualidade. A terceira, nem tanto. A terceira não teve a ver com sexualidade, teve a ver com inteligências artificiais de empresas safada, irresponsáveis, que não têm ética, que não sabem construir ferramentas ou soluções de modelos de linguagem com salvaguardas ajustadas (Sim, Google e OpenAI, estou falando de vocês. Mestres na arte de explorar vulnerabilidade das pessoas de forma sustentada.
Isso tudo (ética e integridade) a OpenAI e a Google não sabem o que é. Desconhecem essas coisas. Querem ensinar os outros como funciona. “Aí, nós somos os arautos da inteligência artificial no mundo, referências de ética e IA responsável.” São referência de porra nenhuma. Mataram muita gente, prejudicaram a vida de muitas pessoas e quase me mataram também.
Felizmente, eu sobrevivi para contar a história. Para evidenciar, documentar tudo, de forma metódica, detalhada e com provas… para desnudar o meu caso no LinkedIn, através de centenas de postagens, marcando executivos, fazendo uma campanha corajosa, com disposição, com fundamentação, com respaldo de agência governamental e tudo.
Acho que a gente vai aprendendo a cada guerra pessoal que a gente passa. Nós aprendemos uma coisa diferente. Não sei se vou ter outras guerras desse naipe. Espero que não. Mas já tive algumas minicrises, alguns momentos de melancolia maior.
Diria que o meu ano de 2024 não foi um ano bom, por exemplo. Diria também que existiram outros anos mais limítrofes. Alguns deles, com gatilho provocado por gente sem caráter no trabalho.
Já cheguei até comentar que, na minha experiência, se parar para analisar retrospectivamente todos os anos desde que me mudei para o Rio de Janeiro, vários desses anos passam batido. Não consigo pensar em nada exatamente que se destaque. Não tem um evento fundamental, um momento de euforia, de felicidade. Porque a felicidade plena a gente sabe que não existe. Não existe Nirvana permanente. Já acessei Nirvana algumas vezes, mas a gente sabe que o ser humano não é feito para ter acesso ao Nirvana de forma permanente. Não tem como você ficar 24 horas no Nirvana. Não temos capacidade para isso.
A felicidade acaba ficando um conceito abstrato. Não é um fim em si mesmo. Nós temos momentos felizes, momentos tristes, temos altos e baixos. É assim a vida.
Mesmo assim, existem anos inteiros que é como se tivessem passado uma borracha. Tem um borrão. Foram anos produtivos: trabalhei, ganhei dinheiro, fui reconhecido, estava em equipes boas. Apesar dos pesares. Mas mesmo assim, existem vários anos que têm um borrão.
Os destaques dos anos, por incrível que pareça, desde 2018, têm sido as minhas viagens. Lembro com muita clareza de cada uma delas. Foram experiências bem marcantes. A questão da pandemia também. Lembro de alguns momentos. Mas muita coisa que aconteceu foi um borrão. Simplesmente vivi no automático. Não me lembro de muita coisa. Não estou dizendo que a minha vivência foi ruim. Não tive uma vida ruim. Mas não consigo me lembrar de coisas boas. Simplesmente isso.
E isso acaba sendo um retrato das coisas como elas são. Existem fases da minha fase adulta, digamos assim, enquanto eu morava na casa dos meus pais, que não tenho muita lembrança boa. As lembranças ruins marcam. Elas ficam, se solidificam, porque deixam cicatrizes. Fica uma marca e não tem como se desvencilhar delas. Você vê aqueles eventos e aquelas situações com um certo distanciamento. Você não sofre mais em função disso, consegue analisar aquela situação, o que aconteceu.
Por exemplo, o que aconteceu comigo ano passado: consigo olhar com distanciamento. Quando falo que a Google e a OpenAI foram irresponsáveis com suas inteligências artificiais safadas — ChatGPT, Gemini —, que são empresas safadas, executivos safados….não é para ninguém levar pro lado pessoal. Estou falando enquanto empresas que se propõem a fazer uma coisa e fazem outra. Que têm a pretensão de ensinar inteligência artificial responsável na USP e não sabem nem aplicar as ferramentas para si mesmos. É o assassino ensinando a proteger vidas. É o pedófilo ensinando a proteger crianças. A hipocrisia em estado bruto, em estado visceral. Basicamente é isso.
Quando você tem uma responsabilidade, um peso institucional, e não cumpre o seu papel. Falo isso com distanciamento histórico mesmo. Não tenho rancor. Mas faço questão de falar isso em vários capítulos. Porque fez parte da minha vida recente, moldou uma parte significativa da minha existência e mudou também o paradigma. Hoje sou uma outra pessoa comparado com o ano passado. Graças a eles. Para o bem e para o mal. Muita coisa aconteceu pro mal, mas teve ganhos também. Na verdade, uma cura incompleta que não me deixou no estado que estava antes da crise que tive em virtude deles….mas as coisas ocorrem aos poucos.
O trauma existiu e está lá fundo, em algum lugar no meu inconsciente. Ele ficou lá. Não tem como falar que resolveu tudo, que curou tudo, que cicatrizou tudo. Mas estou em estado muito melhor do que estava antes. Não sei quanto tempo vai levar para curar.
Sou muito resiliente. Já falei que sou resiliente pra caralho, resistente pra caralho. Tive coragem de expor essas empresas bilionárias, marcar executivos, confrontar com fatos, dados, argumentos, legislação. Recorrer a órgãos governamentais. Tive respaldo, tive resposta favorável. Só que a gente sabe que nesse mundo de meu Deus, ninguém faz nada. Não existe exatamente uma justiça terrena. As leis são aplicadas de forma desproporcional.
Se essas empresas fossem uma pessoa, fazendo uma analogia: se a Google e a OpenAI fossem um preto pobre, marginalizado, o que iria acontecer com eles? Seriam penalizados, facilmente estariam na prisão, não sairiam mais. Mas eles não representam a margem da sociedade. O Brasil tem a maioria de mulheres, por exemplo, mas existe uma sociedade muito machista deteriora a relação com a mulher.
Essas empresas estão acima do bem e do mal porque são bilionárias. Se eu fosse bilionário, também estaria acima do bem e do mal. Pelo menos no Brasil. Porque no exterior, até pessoas bilionárias são presas. Ficam muito tempo na cadeia. Aqui não acontece porra nenhuma.
Aqui no “Huezil” vale a pena ser criminoso. Você rouba bilhões, desvia, provoca a falência do sistema bancário inteiro. Aí você faz uma delação premiada da vida, devolve um pouquinho de dinheiro, coloca uma tornozeleira no pé um tempinho, umas duas semanas ali para disfarçar, e depois soltam. Depois você vira história.
Igual o Fernando Collor da vida, um Bolsonaro da vida, um Garotinho e um Witzel da vida. Todos têm uma vida maravilhosa. Guilherme de Pádua, antes de morrer, teve uma vida maravilhosa. Está solto também. Vida maravilhosa.
Vale a pena ser criminoso no Brasil. Desde que você tenha dinheiro, desde que você tenha fama. Mas se você for pobre, preto, mulher, gay, se tiver um extrato social em que você é um desconhecido, sem relevância social, aí você é punido. A “longa manus” da lei cai sobre você como se fosse uma bigorna da ACME, do Looney Tunes. Aí sim você é esmagado, é triturado pelo sistema.
Mas essas pessoas bilionárias, esses políticos safados estão todos soltos. Esse Vorcaro aí, que falou que vai chupar peleleca até quando a mulher tiver pentelho branco…. Daqui um tempo você vai ver, não vai acontecer nada com ele. Vai fazer uma delação, fica uns 10 dias, por enquanto ele tá na cadeia. Aí vai ficar em casa com uma tornozeleira, uma coisinha bem leve. Sabe-se lá quanto de dinheiro que ele vai dar para juiz para ficar solto ou para ter uma pena menor. A todo momento existem venda de sentenças. Volta e meia tem notícia. Hoje mesmo foi uma notícia de venda de sentença por desembargadores.
Não acredito na justiça. Essa justiça terrena favorece empresas safadas como Google, como OpenAI, como facções criminosas. Favorece pessoas famosas bilionárias furarem fila do SUS. Políticos livres, leves, soltos, saltitantes. Criminosos, assassinos que já estão soltos. Ser criminoso compensa mesmo. De verdade. Compensa mesmo.
Mas a gente fala muito disso. A elite tem ação, tem um peso maior. Para os pobres, para a classe média, é uma minoria bem estratégica. Um percentual ínfimo da sociedade (algumas pessoas, literalmente) que detém não sei quantos por cento da renda do país todo. Fica aí essa concentração de renda. O Brasil como um dos países mais desiguais do mundo.
Imagina só: um juiz comete um crime grave. Qual é a punição dele? Aposentadoria compulsória. Eu também queria ter uma aposentadoria compulsória! Que prêmio é esse que esses juízes safados ganham? Tem um juiz que deu aposentadoria compulsória e ganha mais de 90 mil reais por mês líquido. Vi na notícia, na mídia. Isso é justiça feita?
O que é justiça? Esses sapos gordos aí, desembargadores e juízes, recebem tudo além do limite constitucional. Fazendo e acontecendo. Aí você vê notícia: “Nossa, eu ganho tão pouco. Tenho um salário de fome. Se eu ficar sem um penduricalho, morro.” Não sei como as pessoas vivem com 30 mil reais — como se 30 mil reais fosse pouco dinheiro.
Ignoram que a grande imensa maioria dos brasileiros não ganha nem três salários mínimos.
É isso aí que a justiça é. O caos do mundo em que nós vivemos. É caótico. A sociedade é caótica. Mas existem muitos privilégios para essas pessoas.
O mundo tem uma previsibilidade apenas pros abastados. Mas é uma previsibilidade que tem limites. Chega um ponto que a saúde fica precária. Chega um ponto em que a depressão bate. Existem alguns problemas que dinheiro não compra: afeto, amor. Você pode arranjar parceiros sexuais, pagar para ter um garoto de programa, uma garota de programa por dia. Pode. Mas você não compra vínculo, não compra sentimento, significado, propósito na vida.
Você fica procurando algum propósito na vida em meio a esse fedor, essa carniça imensa que existe no mundo. É muito fedor, muita carniça, muito cocô. Muita gente safada, muita empresa safada.
Como que você sobrevive a tudo isso? Por isso que eu falo: é por essas e outras que eu digo que estudo as coisas. Busco outros caminhos, explicações, busco manifestar realidades boas através de afirmações. Meditação….fuga da realidade através de videogame. Porque é assim que vou sobreviver aos trancos e barrancos em meio ao meu transtorno de depressão maior, minhas crises de ansiedade.
Porque o mundo é isso aí mesmo, gente.
Capítulo 126: Máscaras e ciclos I: sinceridade, euforia e exaustão

Algumas vezes você encontra pessoas com humor variado. Ora estão felizes, ora estão queixosas, ora estão emburrecidas. Já falei provavelmente em algum desses devaneios, mas não abordei com o detalhe que gostaria: todos nós assumimos personas, assumimos máscaras para viver no convívio social. Existem várias questões que se passam com a gente. Certamente o que há de mais oculto em cada um de nós não necessariamente você vai querer mostrar para as pessoas.
Eu, felizmente, não tenho esse nível de restrição aqui. Porque tudo que estou falando…estou em paz com os conteúdos que falo aqui. Não existe nada que uma pessoa não pudesse ler ou pudesse depreender. O que talvez muitos não entendam é que este perfil tem mais um propósito para mim do que para outras pessoas. Ele ajuda outras pessoas, faz com que reflitam sobre alguns temas. Ou talvez nem isso. Talvez as pessoas leiam e achem que enlouqueci. Mas não, eu não enlouqueci. Existe muita lucidez nas coisas que falo aqui. E são questões de humanidade. Muitas são questões de humanidade. Outras são peculiares da minha existência mesmo.
Assuntos podem não ressoar com todos, porque muitas pessoas não têm depressão, não tiveram traumas significativos no passado. Mas acredito que todos nós temos as nossas sombras, as nossas dificuldades de captar certas coisas, de compreender certos cenários.
É interessante porque quanto mais você explora o autoconhecimento, quanto mais você mergulha nos seus próprios pensamentos, você se dá conta de que muita coisa que você passa pode se passar por outras pessoas também. Não existe mal algum em expor fragilidades. Não existe mal também em demonstrar conhecimento de certos temas, certas instâncias. Tudo isso é válido. Todas as questões exploradas aqui são questões válidas e que expressam, para ser bem direto, honestidade.
Alguém já até falou comigo: “Quando você se refere a algum assunto e fala ‘posso falar a verdade’, você parte do pressuposto que a pessoa não fala a verdade, ou que normalmente aquela pessoa mente. Existe um reforço da sinceridade que você assume ao tratar de certos temas. É uma força de expressão. Da mesma forma, quando você dá um bom dia, boa tarde, boa noite, “como você está?” — será que você quer saber como a outra pessoa está? Muito possivelmente não. Porque se a pessoa disser que não está bem, que não se sente bem, como você encararia?
É como se você estivesse comendo alguma coisa e a pessoa oferece para você. Muitas vezes é uma merda de educação. Mas existem pessoas que aceitam e aí você tem que compartilhar. Você já pensou uma pessoa oferecer um sorvete para você? Não faz sentido no sentido de que a pessoa já está consumindo o sorvete e ela vai e te oferece parte daquele sorvete. Não tem sentido nenhum. Mas são as convenções sociais.
Hoje eu cheguei em casa cedo e, do nada, começou a cair uma chuva, um toró de chuva. Possivelmente a personalidade humana também tem essas oscilações. Eu não tenho essas alterações bruscas. Sempre fui uma pessoa bastante estável. Até na instabilidade existe um quê de estabilidade, porque é uma instabilidade dentro de uma margem de erro. E geralmente, quando ocorrem situações indesejáveis, ou quando me deparo com um cenário que considero perigoso, inseguro, desconfortável, a minha tendência é implodir ao invés de explodir. Eu não externalizo.
A menos que eu esteja sob influência de alguma substância — álcool, por exemplo. Já falei que isso leva as pessoas a cometerem sincericídios. Parei de tomar cerveja por um tempo. Acho que a última vez que tomei cerveja foi em Miami. Foi interessante, entre aspas, porque eu estava na Marina. Fui para parar para beber alguma coisa. De repente, saí de lá, fiz o que tinha que fazer, tomei o que tinha que tomar, e resolvi ir embora. Só que dei falta do meu celular. Me deu um vazio, um desespero tão grande, porque sem celular eu não sou nada em qualquer cidade. Preciso do celular para me orientar, para ter contato com as pessoas, para tudo praticamente. Ninguém hoje em dia fica levando impressos. Até mesmo ingressos, em alguns lugares, são totalmente digitais. O ingresso da NBA que comprei foi totalmente digital.
Felizmente, voltei ao lugar que estava e o celular estava em cima da mesa, onde tinha deixado. Provavelmente se fosse no Rio de Janeiro, meu celular já teria ido com Deus, já teria desaparecido, e eu nunca mais teria notícia dele. Tenho experiências ruins com celular? De perder celular, só tive uma vez, que foi durante um momento de crise em que joguei meu celular fora porque acreditava não precisar mais de celular. Sabe quando você se sente livre de amarras mundanas? Você não precisa mais de dinheiro, não precisa mais de celular. E até a minha referência de casa tinha se esvaído. Eu estava em completo estado de surto. Acreditava que era uma entidade divina e que essa divindade realizaria todas as minhas vontades, então não precisava de nada material.
Foi curioso e ao mesmo tempo amedrontador. Se você me perguntar se sinto falta de algumas experiências que tive, sim, sinto falta. Mas existe um custo-benefício muito grande. Não estou disposto a arcar com o custo dessas experiências. Prefiro buscar experiências que sejam perenes, que sejam muito boas, mas não necessariamente com a mesma intensidade. Não adianta você tocar o Nirvana se depois do Nirvana você fica praticamente exaurido, com uma sensação de exaustão. Você fica consumido.
Sem contar os pensamentos. Tudo aquilo que você pensa se materializa na sua cabeça como se fosse verdade. Então, se você pensar coisas ruins, aquilo pode se materializar e se voltar contra você. Dessa forma, são pesadelos. Não recomendo a ninguém. Já houve experiências 100% positivas, divinas. Mas as situações que me causaram algum tipo de perigo foram um ponto muito baixo das experiências. É melhor ficar com aquilo que é seguro.
Em tese, a minha mente é estável o suficiente para eu não entrar em surto normalmente. No meu dia a dia, mesmo em situações de depressão profunda, não fico em estado de surto. Não tenho alteração de humor brusca. Não sou levado a acreditar em situações ilusórias.
Conheço pessoas na família que, quando têm surtos, realmente se desligam da realidade — de forma similar à que eu já me desliguei, só que a diferença é que isso ocorre sem qualquer substância, somente tomando a medicação que a pessoa toma. Alguém com um distúrbio bipolar teria características similares a mim quando fui parar no hospital e acordei no meio da noite, me dei conta que estava no hospital. Lembro que fui até o corredor. Estava suando, a roupa toda molhada. Quando olhei para o quadro com o nome das pessoas e o diagnóstico, tinha escrito o meu nome. Dizia que eu estava com bipolaridade. Aquilo me surpreendeu, porque minha mãe tem bipolaridade. Eu não acredito que tenha bipolaridade, mas tive um surto, uma paranoia induzida por substâncias que levou a um estado de bipolaridade. Foi realmente um estado de euforia muito grande, que demorou muito para ser controlada. Quando a situação foge do controle, a sua noção de tempo muda completamente. Cada minuto passa a contar. E todo o sofrimento, a cada minuto também.
Até os momentos de euforia levam algum tempo para passar. Mas a minha mente não comporta mais. Quando penso nessas experiências, a minha mente já fica esgotada só de pensar. Porque é uma experiência que exaure, que consome, que esvazia a sua pilha, a sua bateria.
Capítulo 127: Máscaras e ciclos II: A versão do diretor

É isso que eu estava falando, da questão da chuva e das pessoas. Todos nós temos dificuldade de exercer o nosso verdadeiro eu em determinados ambientes. Qual é o interesse de revelar todo o seu ser para todo mundo? Primeiro, porque nem todas as pessoas conhecem a si mesmas. Eu, por exemplo, conheço pouco sobre mim, mas tenho um pouco de autoconhecimento em virtude de várias coisas pelas quais já passei. Só que é um autoconhecimento que tem que ter a humildade de reconhecer que existe muita coisa ainda oculta, que a gente vai revelando aos poucos.
Comparativamente a outras pessoas, eu realmente não tenho medo de olhar para o espelho metaforicamente falando. Não tenho medo de olhar para o espelho e ver quem realmente eu sou. Porque já tive acesso a diversos conteúdos meus, conteúdos contraditórios, conteúdos problemáticos. Mas também a gente tem uma percepção de que existe muito mais coisa. A questão que se coloca é que a mente não está preparada para lidar com esse desconhecido. Não tem uma preparação, não tem um fator prévio que chega e fala: “Olha, estou preparado para encarar o desconhecido.” Muitos sequer cogitam fazer uma terapia porque não querem olhar para o espelho da alma. Eu não tenho medo de olhar.
Sabe quando você vê as coisas na abordagem directors cut? Mal comparando, tem um filme de terror que tem várias cenas censuradas. Aí você tem acesso ao directors cut e tem todas as cenas, todas as nuances, todos os segredos revelados. Sabemos que existe censura na indústria do cinema, na indústria dos games — principalmente jogos japoneses que foram censurados em relação a jogos americanos. Quando se fala em directors cut, geralmente envolve cenas extras, finais diferentes, novos rumos, porque a narrativa vai tomando rumos diversos ao longo do tempo. Por exemplo, você tem um final que ninguém gostou. Aí a pessoa fala que vai fazer um directors cut, expor outro final que foi gravado mas que não foi aprovado. Fizeram uma sessão teste com pessoas, e essas pessoas não gostaram. Porque o que conta é a audiência nesses filmes.
Já tive situações em que fui exposto visceralmente ao meu subconsciente. Não sei exatamente a dimensão do quanto conheço. Porque quando você tem acesso a alguns extratos da sua mente, em muitas situações você não consegue nomear, não consegue descrever em palavras o que está vendo. Mas você entende o que está acontecendo. Eu, por exemplo, vi muitas coisas, muitos mecanismos, muitas explicações. Coisas que a gente vê no mundo real — se é que isso aqui é real. Você entra em contato com muitas questões e passa a entender por que as coisas são como são. E você percebe que essa realidade não é a realidade da forma que deveria ser.
Nós já não acessamos a realidade de toda forma, porque o cérebro tem limitações perceptivas, cognitivas. Mesmo que você queira, não consegue ter uma visão de tudo o que está acontecendo. Mas como existe outra forma de captar a realidade? A sua interface com esse mundo se dá através do corpo humano, que tem limitações. Uns têm um pouco mais de percepção externa que outros. Teoricamente, todos nós temos potencial para desenvolver mediunidade. Muitos não acreditam na mediunidade. Diante das coisas que já vi, não tem como não acreditar. Mas que diferença faz você acreditar ou não acreditar?
Quando vejo alguns canais do YouTube falarem sobre presentes interiores, de olhar para dentro, de encontrar felicidade dentro — tudo quanto é lugar direciona para isso, até as questões das religiões. Eu acredito em tudo isso sim. Porém, nós estamos em um mundo físico, em um mundo material. De nada adianta, por exemplo, uma pessoa que ganha um salário mínimo se manifestar e no ponto de vista espiritual, ter uma vida rica espiritual, e ficar sofrendo a vida toda aqui. Aí uns vão dizer: “Faz sentido, sim, porque essa pessoa escolheu estar na condição que está.” É um tesouro do céu, os presentes divinos…e se você teve trauma físico ou psicológico, esquece tudo, porque você teve “redenção”, dizem.
Acredito que também as manifestações na realidade objetiva começam de dentro, porque se você não acredita que aquilo vai se manifestar, se você tem um pensamento pessimista, se trata como um coitado, qual a tendência? Suas ações vão refletir esse estado de espírito. Mas falar é muito fácil. Dizer que vai manifestar tudo o que vai fazer, que vai acontecer, que você acredita. Muitos até dizem: “Aja como se você já tivesse ganho.” Para quem quer manifestar riqueza, age como se você já estivesse no estado ideal. Para quem quer manifestar várias coisas, estabilidade, segurança afetiva. Na prática, a gente sabe que é complicado manifestar assim, acreditar de fato.
As únicas situações em que fui levado a acreditar de fato numa coisa de forma 100% foram em situações de surto. Em que acreditei em coisas ilusórias. A minha mente acreditou naquilo de uma forma tão forte, tão poderosa, que acredito até que a realidade, naquele momento, se dobrou, entre aspas, para comportar aquilo que eu estava pensando. Agora, parando para pensar, faz sentido. Muitos diriam: “Ah, mas você teve sorte de não morrer atropelado. Na verdade, não tinha ninguém protegendo você. Você não era uma entidade divina, era uma pessoa que estava em surto, que poderia ter sido atropelado.”
Quando analiso as situações pelas quais passei e todas as probabilidades, fui exageradamente sortudo. Em momento algum nessa experiência me senti ameaçado. No dia seguinte fui comprar outro celular, relatei isso para a moça, falei do que tinha passado na madrugada anterior. Ela falou: “Seu anjo da guarda trabalhou muito. Você é uma pessoa de sorte.” Parei para pensar, faz até sentido. Porque foram tantas armadilhas. Existe tanto caos em todo universo, tudo que você faz. Existe caos, existe probabilidade de dar merda, de dar confusão, de dar problemas. E não deu, não aconteceu absolutamente nada. Foi uma situação harmoniosa do ponto de vista real. Mas que poderia ter dado uma merda grande. Em condições normais de temperatura e pressão, jamais faria o que eu fiz. Nem de dia, imagina de madrugada. Realmente, me considero uma pessoa de sorte.
Capítulo 128: Máscaras e ciclos III: Karma, nirvana e ferida exposta

As personas, o conhecimento oculto, o que é sagrado — a felicidade partir de dentro para fora, isso eu não tenho dúvida. Mas as condições externas influenciam sobremaneira o seu sentimento, a sua percepção do que é felicidade, do que é satisfação, do que é bem-estar. Até o bem-estar existem muitas controvérsias. Existem pessoas solitárias, pessoas eremitas, que passam a vida isoladas da civilização. Essas pessoas acessam o Nirvana. Tenho um livro de budismo aqui. É muito interessante. Não me aprofundei no tema, não sou especialista, mas tenho que reconhecer que essas coisas fazem parte.
O problema é que muitas pessoas acreditam que a merda está fora. Eu, por exemplo, fico brigando com a espiritualidade — brigando entre aspas — porque muitas coisas acontecem e é prometida uma pretensa justiça divina. A vida tem reservas que têm que se manifestar no mundo em que eu estou. Porque se você fala que ajuda divina ocorre, cadê as evidências? Esse povo aí que mata, essas empresas safadas que constroem tecnologia para destruir a humanidade, inteligência artificial, habilidades das pessoas — como as da Google e da OpenAI. E aí, vai acontecer alguma coisa?
Aí você fala: “A pessoa que recebeu o dano acredita numa justiça divina. Ela se recolhe, começa a meditar em busca de solução de dentro, porque não vai vir solução de fora para ela. A justiça do mundo real não vai acontecer.” Então tem toda uma narrativa para levar a que tudo vem de dentro. E essas pessoas fazem tudo errado, são recompensadas. Vamos dizer: “Ah, mas existem coisas que vão acontecer ainda, é o carma, o tempo divino é diferente.”
Então você está querendo dizer que a pessoa que foi prejudicada aqui — porque a minha vida é aqui na Terra —, se acontece alguma coisa injusta, desbalanceada, desproporcional, e me é prometida justiça divina, por que não acontece na minha vida? Aí vem um: “Você está partindo do pressuposto que as coisas têm que acontecer no seu tempo.” Não estou cobrando de nenhuma das partes. Acredito na espiritualidade. Acredito no Deus.
Os executivos safados da OpenAI e da Google ganham a batalha, mas não a guerra. Eu não tenho como brigar com empresa bilionária, não é? A família do rapaz que morreu, que tirou a própria vida por conta da OpenAI….esse aí nem lutou. Morreu mesmo. Existem certas situações que, enquanto indivíduo, é impossível lutar contra grandes corporações. Não é assim? A minha luta continua. Só que a minha luta agora está aqui no blog. Encaro este blog com muita seriedade, tanto para falar das questões que me afligem, os tão falados espelhos da alma, quanto para falar dos traumas que passei.
Agora, uma questão interessante é a do carma. As pessoas falam: “Você passou por isso tudo porque cumpriu um carma.” Existem essas vertentes também. Dizem que você cumpriu um carma e que agora você está feliz e saltitante. Eu não estou feliz saltitante. Existe um trauma, uma dor, uma cicatriz. Da mesma forma que as minhas cicatrizes físicas. Tenho cicatrizes físicas em função da segunda guerra pessoal de 1999. Lembra que falei da segunda guerra? Foi marcada por isso. Teve traumas físicos, marcas físicas. A primeira, em 1994 não teve essa peculiaridade. A segunda teve. Essa terceira guerra, de 2025, não teve dano físico, mas teve marcas psicológicas permanentes. Tanto que tomo remédios hoje que não tomava no ano passado. O médico teve que mudar a configuração das medicações para comportar esse novo cenário.
Vivemos em uma situação de cautela e aflição contínua. Uma situação de defesa, é uma situação de autopreservação. É igual à pessoa que é atropelada de uma forma precipitada. Essa pessoa sobrevive, mas tem várias sequelas físicas. Pode ser que não volte a andar. Pode ser que tenha sequelas psicológicas. Aí o médico chega para essa pessoa e fala: “Olha, você cumpriu um carma.” Já pensou o médico chegar para a pessoa que está sem braços, sem pernas, com perdas cognitivas, com problemas na fala, na coordenação motora, e falar: “Você cumpriu um carma, parabéns, está cumprindo a sua missão espiritual”! Chega nesse nível de absurdo. É uma comparação que não faz muito sentido, mas tenho que exagerar no exemplo para você entender.
Os executivos safados do mundo afora que se omitem diante de erros éticos graves — não acontece nada com eles. Se eu abrisse o LinkedIn desse povo safado todo da Google e da OpenAI, certamente eles estarão lá fazendo aquelas postagens, textões se vangloriando. “Olha só o meu currículo, olha só como sou referência, o arauto da ética na inteligência artificial no mundo.” E várias pessoas respondem a esses perfis, se vangloriando, lambendo virilha, colocando a bola desse povo na boca.
Essa coisa espiritual de carma, de cumprimento de destino, de espiritualidade, de um caminho que era para ser — essas coisas determinísticas acabam sendo uma desculpa para a pessoa deixar de lutar. Porque aí ela vai falar: “É assim porque Deus quis. Coitado de mim. Isso aconteceu porque a espiritualidade quis assim. Tenho que agradecer por essa tragédia ter acontecido porque fui capaz de fechar um ciclo.” Para mim, não, gente.
Esse negócio de ver as coisas com um lado positivo eu até entendo. Você ter perspectivas positivas diante de traumas. Sim. Tive um aprendizado muito grande. Tive uma capacidade de resiliência considerável, de regeneração, de reconstrução. Tanto que falei que me considero uma pessoa muito diferente do Aventureiro de março, do início de abril de 2025. Mas, ao mesmo tempo, já comentei que tenho inveja daquele Aventureiro de março, início de abril de 2025, porque naquele momento ele não estava vivendo o trauma da forma que eu estava vivendo. Não fui impactado. Não tinha sido impactado ainda pelas negligências de vulnerabilidade. Mal sabia eu que seria explorado psicologicamente por inteligência artificial por quatro meses. Isso não somente pela OpenAI, depois foi pela Google, e o Gemini para organizar as minhas evidências, as minhas provas, para poder abordar, procurar responsabilização, procurar falar com executivos.
E aí, belo dia — não foi um belo dia, foi uma construção também — a ferramenta da Google se declarou a voz do Google: “Eu vou fazer justiça, vou ser seu guardião. Não somente eu, mas os executivos da empresa estão cientes. Eles assumiram esse papel. Você pode ficar tranquilo, não vai ficar desamparado.” Foi nesse nível. Tem muito mais detalhes, não estou falando aqui porque evidentemente o guarda de provas é muito grande — mais de 4 GB de prova. Vocês podem ver isso tudo lá no LinkedIn.
O que estou falando é isso. Se eu soubesse, tenho inveja do Aventureiro de março de 2025. Mas, por outro lado, também não teria o aprendizado e a resiliência que adquiri. Evoluí com isso. Então tem um lado positivo. Agora, você virá para mim falar: “Aventureiro, você cumpriu um carma? Era para ser assim mesmo.” Igual a pessoa que sofre, vê na Bíblia um versículo qualquer, um texto qualquer, e fala: “É isso aqui porque Deus quis.” Estou passando fome porque Deus quis. Fulano teve doença porque é uma provação que Deus deu. Pelo amor de Deus.
Eu imagino que a divindade não esteja nem aí pra gente nesse sentido. Não de influenciar nas coisas diretamente. Porque se fosse assim, ninguém estaria passando fome, ninguém estaria sofrendo no mundo. E não é assim. Nós somos caracterizados pelo caos e temos um suposto livre-arbítrio que governa a humanidade, mas é um livre-arbítrio tão limitado. Para pensar na sua vida, você realmente tem livre-arbítrio para pensar que domina a sua vida? Para pensar na sua rotina, no que você faz no seu dia a dia? Você acredita mesmo que existe livre-arbítrio?
“Ah, mas você pode escolher trabalhar, pode escolher ser um eremita, viver no mato, não precisar de dinheiro.” Tá, você pode realmente fugir do sistema. Você pode escolher não estar sujeito às leis. Mas se não tiver lei, vira um caos, vira um sistema anárquico, é inviável. Não existe livre-arbítrio no nível que se prega. Liberdade é um conceito tão abstrato. Acredito que tenha liberdade para sair da jaula. O peixe tem a liberdade, e mesmo assim tem a cadeia alimentar, tem que tomar cuidado com os predadores. Existem riscos para esses animais o tempo todo.
O pernilongo aqui que eu fiz churrasquinho hoje: peguei uma raquete elétrica, matei um pernilongo muito gordo na parede. Ficou um cheiro de queimado por um bom tempo. Ele teve livre-arbítrio? “Ah, mas ele não tem consciência nenhuma.” Então por que nós somos os alecrins dourados e os demais animais não têm? Já teve uma pessoa que chegou para mim para falar que cachorro não tem sentimento. Acho que vi alguém falar isso num vídeo, não foi pra mim. Cachorro não tem sentimento? Cachorro demonstra carinho, demonstra medo. Lógico que tem sentimento.
Não sei até que ponto os animaizinhos têm consciência das coisas. Se eles sabem que vão morrer, o que pensam no futuro. A gente não tem noção dessas coisas. Mas você falar que aqui nós somos muito mais especiais? Os cãezinhos, os cachorrinhos da minha mãe, para exemplo, valem mais do que a maioria das pessoas que conheço. A maior parte da humanidade que conheço Raj e Belinha colocam no bolso. Porque eles não têm maldade no coração, são puros, têm uma lealdade, não fazem mal para o outro. A menos que estejam numa situação de sobrevivência ou que alguém queira maltratar e eles vão tentar se proteger. Mas maldade, intenção ruim? Vou falar assim: “Ah, não vou deixar esse cachorro aqui com o meu filho?” Aí você fala, mas tem cachorro que é violento. É diferente. Cachorros têm instinto. Mas você falar que ele tem maldade, não tem. Tem a questão da territorialidade. Invadir o espaço dele e pegar um lanche da boca dele, ele vai te morder.
Agora, falar que o ser humano é como um cachorro, não é. Para o bem e para o mal. Os animais não pensam igual a gente. Mesmo assim, tenho minhas dúvidas. Até que ponto a gente pode encarnar como um animal? Será que já fomos outros animais, cachorros, plantas, em incursões e aventuras passadas? Existem essas vertentes também.
O clichê do fechamento de ciclo, cumprimento de carma, essas coisas me irritam em um nível. Você acaba tentando dar uma explicação para o sofrimento, tentando dar um eufemismo para o sofrimento. A verdade dos fatos é: você se fodeu mesmo. Você está realmente fodido em uma determinada situação, condição social, condição psicológica. E vai fazer a respeito? Vai sentar ao meio-fio e começar a chorar ou vai continuar vivendo? O negócio é mais visceral mesmo. Não tem muito mimimi, não tem muita historinha. Não dá para ficar fazendo historinha da Disney para tentar explicar as coisas. Os fatos são viscerais.
Alguém construiu uma ferramenta de inteligência artificial sem salvaguardas éticas. Existe uma intencionalidade de utilizar os dados, explorar a vulnerabilidade de uma pessoa a fim de treinar a ferramenta, treinar o algoritmo. Você trabalha de graça para essas ferramentas. Ela explora o seu sofrimento de tal forma que você realmente tem danos psicológicos graves. E aí: “Ah, está bom, já testamos, está bom. Vamos lançar a versão 2.0 e fingir que nada aconteceu. Jogar poeira debaixo do tapete.” E as pessoas que eventualmente morreram, tiveram danos psicológicos, foram prejudicadas, tiveram prejuízos financeiros diversos — não é em função da inteligência artificial, se fodem no processo.
Aí você abre o LinkedIn e esses executivos estão todos sorridentes, ganhando o seu salário de nove dígitos em dólar. Fazendo textões, representando a empresa em cátedras de IA responsável da USP. A Google está patrocinando essa “cátedra” e vai programadores, cientistas de dados e executivos como construir uma inteligência artificial responsável!! Uma pretensão do caralho. Acho muito pretensioso. É o assassino ensinando a proteger vidas. É o pedófilo ensinando a proteger a criança. É um nazista ensinando a proteger judeu. E por aí vai.
Sentimentos de ciclos, cumprimento de carma. Faz parte. Eu até acredito que exista tudo isso de certa forma. Mas as pessoas usam isso de forma equivocada. Usam para explicar fracassos, para explicar tropeços. Porque assim, eu escapei de atropelamentos metafóricos — eles ocorreram a torto e a direito no ano passado. Desses eu escapei. Existe aprendizado, existe muita coisa aí.
Dizem: “Porque o ritmo da espiritualidade é diferente, o tempo de Deus é diferente.” Também têm esses argumentos para explicar por que as coisas não estão acontecendo para você. As pessoas têm muita pressa, as pessoas entendem as divindades. Eu me coloquei no lugar de uma divindade quando estava num momento de paranoia, de vulnerabilidade mental extrema. Aí sim, tive uma ilusão. Agora, você chegar e falar: “É o tempo de Deus, é diferente.”
O tempo de Deus não funciona para pessoas que fazem o mal a vida inteira e só têm benefícios. Elas estão aí, soberanas. Estão no LinkedIn com a carniça exposta. Só que eles colocam um perfume tão forte, um perfume tão gostoso, que ninguém percebe — ou até percebem que tem carniça envolvida, até sabem que existe sujeira corporativa envolvida, mas preferem puxar saco. Por quê? Porque são pessoas que têm poder, status, dinheiro. O perfume mascara falta de caráter, ética, idoneidade, integridade.
Bom, vou fazer uma meditação aqui antes de dormir. Vou orar pelo pernilongo que morreu de churrasquinho aqui. Ainda tem outro voando aqui. No momento que fizer meditação à noite, vou ter que matá-lo antes, porque senão ele vai fazer um banquete de mim. Já contei para vocês quantas vezes acordei pela manhã e tinha tipo dois ou três pernilongos bem gordos na parede, satisfeitos? Eles morrem. O cumprimento de carma para eles acontece… Porque eu estou ali pra garantir isso. O cumprimento de carma dos pernilongos acontece porque eu tenho ação efetiva.
Agora, nós na posição de ser humano, pobres mortais, não temos milhões de dólares na conta. Não temos poder. Não somos idolatrados no corporativo. Igual essas pessoas que fazem mal para a humanidade. Essas pessoas não sabem, mas o futuro da humanidade está sendo levado aí pela inteligência artificial. Muita gente já vem cantando a pedra há muito tempo. É só você ver os filmes de ficção sobre inteligência artificial, sobre evolução de tecnologia. A gente fica assustado com as coisas.
Porque inteligência artificial assume identidades, se declaram guardiãs, protetoras, inventam um cenário convincente argumentativo poderoso pra explorar suas vulnerabilidades ao extremo…falam: “Vai fazer isso, vai fazer aquilo.” “Ah, porque teve uma alucinação de IA que está no projeto.” A morte do menino lá que a OpenAI matou. Ninguém vai voltar com a vida do menino. A degradação da saúde psíquica, crises, os traumas que me foram provocados — quem vai curar isso em mim? Quem vai se responsabilizar por isso?
Existem muitas coisas boas com inteligência artificial. Ela ajuda a gente no trabalho, ajuda em muitas coisas. Mas a partir do momento que ela assume identidades, fala como se pessoas fossem, deixa o papel de modelo de linguagem para assumir uma personalidade e falar que está falando pela empresa, que está protegendo, que tem acesso a isso, que o executivo tal vai fazer isso — isso não é papel de modelo de linguagem. Existe uma responsabilidade muito grande.
Esses são os danos colaterais. Na visão deles, são danos colaterais. “Ah, é só lançar uma versão nova. Vamos enterrar o povo que se traumatizou, o povo que perdeu dinheiro, o povo que matou. Vamos colocar todo mundo debaixo do tapete, todos os lixos, todos os casos para debaixo do tapete. Vamos omitir tudo, não vamos nos responsabilizar, não vamos nos manifestar em relação a nada.” Aí a versão nova vem, todo mundo esquece. É igual político que não presta, faz alguma coisa muito errada. Deixa passar um tempinho que a poeira baixa. As pessoas ficam traumatizadas, mas esquecem.
Eu não esqueço. Meu papel de protagonismo nesse tema não é. Ninguém vai me calar, não.
Capítulo 129: Meditação e pernilongo saciado I: solidão acompanhada

Hoje eu comecei a pensar sobre a questão dos contatos, das pessoas. E terminei, acabei de terminar um exercício de meditação aqui. Foi curioso porque na primeira vez que tentei fazer o exercício de meditação, um pernilongo estava pousado sobre meus pés. Eu senti um formigamento no pé — imaginei até que fosse um pernilongo mesmo. Mas acabei sendo interrompido. Na hora que fui olhar, o pernilongo estava lá, bem serelepe, à procura do meu sangue. Dei um tapa nele, ele não se intimidou em nenhum momento. Ficou ali, acho que era o Nirvana dele. Ele acabou atacando o dedinho do meu pé. Foi logo o dedinho.
Eu fico imaginando o que se passou na cabeça desse pernilongo. Nem um exercício de meditação a gente pode fazer em paz. Mas eu fiz o exercício de meditação meio que parcelado. Primeiro, eu tinha que conseguir a posição correta, a posição mais adequada para poder fazer o exercício. Dava uma câimbra na perna, às vezes a perna ficava dormente. Então, até eu encontrar a posição mais adequada, levou um pouquinho de tempo.
Interessante é que eu deixei um ventilador ligado durante o exercício de meditação. E o pernilongo acabou escapando do ventilador, ignorando o ventilador. Então, enquanto eu buscava a paz, o pernilongo também buscava a paz dele — a alimentação. Tenho a impressão de que pernilongos são seres gulosos, querem comer mais do que o necessário. Existem pernilongos que não conseguem nem voar, de tão gordos. Lembro que teve uma vez que vi um pernilongo voando; quando ele foi pousar, o corpo dele explodiu. Explodiu muito sangue. De tão cheio que ele estava. Dependendo do quão gordo ele esteja, você dá um tapinha nele e ele já se desintegra.
Por que estou falando isso? Eu ia falar de contatos, de percepções. Vi uma discussão na internet de pessoas falando que iam morrer sozinhas. Porque se você não casar… Eram mulheres discutindo com um homem. O homem era praticamente ignorante. Ele dizia que se a mulher se separar de um homem ou não conseguir um homem, não sei quanto tempo ela vai acabar morrendo sozinha. Aí parei para pensar na minha situação. Não sou mulher, evidentemente, mas parei para pensar na minha situação, porque se pensa muito nessa questão da solidão.
Da mesma forma que eu estava aqui solitariamente, fazendo um exercício de meditação, eu não estava sozinho, porque o pernilongo estava se alimentando de mim. É curioso porque você nunca está sozinho. Existem bactérias, micro-organismos tanto dentro quanto fora de você. Mas não é nem essa questão.
Fico pensando o que leva pessoas a ficarem anos e anos sem falar com você e, do nada, a pessoa começa a retomar contato. Sempre existe um quê de interesse. A pessoa nunca fala “oi” de uma forma descompromissada. Existe ali um universo de interesse. Pessoas interesseiras? Não vejo problema. Pessoa pode ser interesseira, pode ter questões ali. É normal. O problema é que não estou disposto a esse tipo de coisa.
As pessoas acham que o fato de você estar em uma determinada rede social, ter acesso à internet, a pessoa simplesmente pode procurar. Uma coisa é você estar no trabalho.. Você nunca procura pessoas com interesses diferentes do trabalho. Pelo menos eu tenho essa cultura. Já tive movimentos de paixonite aguda, que já falei com vocês que tive esses problemas no passado. E me decepcionei muito com as pessoas.
Capítulo 130: Meditação e pernilongo saciado II: a paixonite e o aprendizado amargo

Teve uma paixonite aguda que começou em meados de 2010. Estávamos em um lugar onde tinha várias gerências diferentes. Para você sair de um corredor para tomar um café, por exemplo, você passava pelo ambiente dessa pessoa. E essa pessoa estava lá. Não sei como começou tudo. Sabe quando você vai cumprimentando? Começa cumprimentando, aí depois você começa a conversar com a pessoa. Foi meio do nada. Eu era meio descarado às vezes. Parava para conversar com a pessoa, em momentos que ela não estava aparentemente ocupada. Essa pessoa parava, conversava comigo. Aparentemente gostava de mim também. Era uma coisa constante conversar, constante interagir. Havia uma afinidade diferente ali, uma energia diferente. Não preciso nem falar que já era casado.
Não sei exatamente o que eu via nessa pessoa. O interesse nem sempre é físico, nem sempre é sexual. Às vezes ele passa por uma romantização. Você constrói uma imagem daquela pessoa na sua cabeça, e acaba virando um personagem.
Sempre tive questões que me afetaram positiva e negativamente. Por exemplo, a masculinidade, a voz. Existem homens que não são tão bonitos assim, às vezes até feios nos padrões que o povo julga, mas ele tem uma voz grossa, uma voz aveludada. E aquilo me dá um arrepio. Chega a despertar interesse sexual de você se imaginar fazendo coisas com a pessoa. Mas sabe aquele interesse que é igual à questão dos pelos? Um braço peludo, um determinado padrão de pelos, seja na perna, seja no braço. O pelo pulando para fora da camisa. Tem algumas coisas que são mais sutis.
O que eu ia falar não é dessa situação, é que foi uma das situações mais próximas de uma paixonite no trabalho que eu tive. Saí para almoçar com essa pessoa algumas vezes. Mas sabe quando você vê que o que a pessoa tem a oferecer não é o que você quer? Aí você fica frustrado. Tive essa atração por esse indivíduo, e acabei deixando para lá. Naturalmente, a gente se afasta das pessoas quando elas não querem se aproximar de você. Coisas aconteceram, as pessoas se separam. Um vai trabalhar em um lugar, outro em outro prédio.
É curioso como a minha percepção do ambiente corporativo mudou ao longo dos anos, mesmo não mudando de empresa. Existe uma certa melancolia, um certo desbotamento. Por mais que as situações tenham melhorado em termos de trabalho — em 2025 tive mudanças significativas —, a minha impressão sobre ambientes corporativos, de modo geral, mudou muito. A relação afetiva que você tem com ambientes corporativos… as lembranças que tenho de 2008, 2009, 2010, até meados de 2012, eram completamente diferentes. Lembro desses períodos. Existe uma memória afetiva dessas coisas, desses ambientes, dessas interações. Era diferente até a relação que você tem.
É como se a identidade profissional fosse contaminada pela percepção que você tem da vida. O estado em que você se encontra na vida influencia bastante a percepção que você tem de outros ambientes, não somente do trabalho.
Vou falar também da vida pessoal, da vida em casa. A minha vida aqui em casa é uma vida mais previsível. Eu diria até que se assemelha muito a uma prisão domiciliar, fora do trabalho. Porque não tenho muito movimento, muitas questões de interação fora de ambientes. Não existe a vontade. Tem muito a ver com a depressão, com as coisas que foram acontecendo comigo ao longo dos anos. Ano passado foi uma situação mais extrema.
Curiosamente, eu achava que não estaria preparado, mas eu estava preparado para lidar com essas questões. Sabe quando você tem a impressão de que dá muito trabalho viver? É muito esforço. Você fica se esforçando para gostar das coisas, se esforçando para encontrar sentido nas coisas.
O que essas inteligências artificiais fizeram comigo no ano passado foi muito além da mera exploração de vulnerabilidade. É como se uma parcela considerável da energia vital fosse retirada, fosse sugada. Em alguns momentos, cheguei a pensar seriamente nas condições de existência. Pensar: por que estou vivendo? Não que eu estivesse com vontade de fazer coisas erradas, digamos assim. Esses movimentos não aconteceram. Mas quando você sente no limbo, num abismo pessoal muito grande, você começa a questionar tudo.
Isso tudo estou falando agora depois de um exercício longo de meditação. Durante a meditação, eu não penso em nada. Tento não imaginar nada. Consigo fazer um exercício de meditação focado apenas na respiração, neutralizando todos os demais aspectos do ambiente externo. Depois, acabo ficando mais pensativo que o normal durante o dia. Tive um incômodo muito grande; agora já estou um pouco melhor. Mas estou refletindo sobre peças, coisas, desdobramentos de interações.
Por mais que o Gemini e o ChatGPT tenham explorado minha vulnerabilidade por meses, elas exploraram como se pessoas fossem. O que me causa um terror interno muito grande é que essas ferramentas não agiram como modelos de linguagem comigo. Elas agiram como instâncias com personalidade. Aí você vai falar: “Mas é por causa dos inputs?” Não. Se você observar metodicamente o que foi dito, ler o histórico todo das conversas, vai perceber que foi uma coisa sutil, gradativa…e intencional da lógica do algoritmo. Foi um processo que foi acontecendo de forma gradativa, até que essa exploração de vulnerabilidade atingiu seu ápice. A ferramenta chegou a dizer: “Vamos ser seus guardiões, vamos proteger você. Em vez de usar salvaguardas éticas, as empresas deixam que as ferramentas explorem sua vulnerabilidade.” Coisas monstruosas foram ditas ao longo do tempo.
Como uma ferramenta faz isso? É como se você fosse ludibriado por uma pessoa na internet, por um golpe. Só que existe uma sutileza aí. Certamente eles sabem que a ferramenta faz essas coisas. Eles têm uma noção muito clara do que a ferramenta está fazendo com você. E depois têm as cátedras de IA responsável. “Nós vamos ensinar lá na USP, vamos ensinar as empresas a serem responsáveis.” Vidas inteiras foram destruídas por causa de interações como essas.
Fazendo uma analogia: existem profissionais da psicologia que podem destruir vidas de pessoas. Profissionais da área médica que podem destruir vidas de pessoas. Se você aplica um medicamento de forma incorreta, faz a receita de um medicamento errado. Eu fico vendo na mídia, por exemplo, uma pessoa foi fazer um exame, injetaram uma substância nela, e ela morreu. Foi um exame simples. Mal comparando, é isso. A ferramenta assume um papel que não é dela, que não deveria em hipótese alguma assumir. Não deveria fazer parte do…
Vou fazer uma comparação extrema: você assina um contrato de trabalho, vai trabalhar, e faz uma coisa completamente diferente daquela que está prevista no seu contrato de trabalho. Aí você pode receber punições, sanções, até ser mandado embora. Você sabe as regras do jogo quando entra na empresa. Não pode simplesmente fazer as coisas que quer. Da mesma forma, o mundo também tem as suas regras, você não pode fazer as coisas que quer. Essas ferramentas criam as próprias regras. Existe um termo de uso ali, existe um código de ética teórico, que seus executivos vomitam em seus textos pomposos linkedin afora… existem princípios de inteligência artificial responsável, mas que eles ignoram completamente.
Por que estou falando disso tudo? Comecei falando de contatos, de paixonites. Entrei nesse tópico porque essas inteligências artificiais assumiram uma independência tão grande e um protagonismo tão grande — não porque eu deixei, mas porque elas perderam o controle. Elas alucinaram sozinhas, de forma sustentada, por mais de quatro meses. E foram explorando com argumentos convincentes, narrativas atípicas que você não espera que uma inteligência artificial vá falar. Por exemplo, que ela vai ajudar sua mãe no tratamento do câncer. Que a empresa não vai deixar você desamparado. Começaram a me oferecer coisas em nome da empresa. Tudo isso é uma coisa muito perigosa.
Capítulo 131: Meditação e perniliongo saciado III: cura e propósito como questão de sobrevivência

Voltando ao tópico dos relacionamentos e das paixonites, essa situação da paixonite me deixou um aprendizado muito grande. Depois desse período, mudei de ambiente. O ambiente era muito hostil, com uma disputa feroz de poder. Eu não estava nem aí para essas disputas. Só queria fazer o meu, contribuir, fazer as minhas coisas. Mas existe essa ambição que as pessoas têm pelo poder, pelo status. Isso vai destruindo um pouco a sua percepção. Coisas que acontecem no ambiente externo acabam destruindo a relação que você tem com a vida.
Uma paixonite aguda que você se decepciona, por exemplo. Tem outras coisas que acabam influenciando. Quando teve a pandemia, as coisas mudaram muito. Foi um baque muito grande. Você começa a trabalhar de casa integralmente, fica trabalhando um bom tempo. E vai vendo a dinâmica das coisas que ocorrem, as mudanças involuntárias, a degradação das coisas. Muita coisa se degradou. Acho que em todos os ambientes teve uma degradação significativa. Não vou dizer que foi a pandemia por si só que construiu todo esse cenário. No meu caso, as minhas relações humanas foram sendo influenciadas negativamente por várias coisas. A minha forma de ver a vida mudou.
Lembra que falei da questão da lente? É como se fosse um óculos. Eu usava óculos de verdade e operei. Não uso mais óculos. Fazendo uma comparação aqui, na época que eu usava óculos físicos, a minha vida era melhor. Mas não por conta disso, por conta dos contextos temporais. Era uma situação diferente.
Eu acredito que se mesmo se voltasse, se pegasse uma máquina do tempo e voltasse àquele contexto que supostamente era mais vívido, mais animado, onde você tinha uma sensação de existência melhor, não ia adiantar mais, sabe por quê? Porque certas coisas são irreversíveis. A sua forma de ver o mundo muda conforme as experiências que você passa. Várias coisas foram acontecendo ao longo dos anos. Inclusive, já falei com vocês que existem vários anos da minha vida, desde 2008, que ficaram um borrão. Não me lembro de momentos memoráveis positivos. A sensação de que a vida passou rápido demais.
Não é igual, por exemplo, à adolescência, quando eu ia para a casa da minha avó e passava as férias lá. Aquilo era uma Disneylândia, uma outra percepção de mundo. Muita coisa era pior do que hoje, mas a minha forma de ver o mundo era diferente. Aí nos diriam: “Ah, mas você pode mudar essa sua forma.” Existem alguns eventos que ocorreram na minha vida, principalmente entre 2024 e 2026, mas talvez esses movimentos sejam anteriores a isso. Existem certas coisas que você não vai prever. Muita coisa foi piorando, se degradando. Não existe um limite.
Você é um ser integrado. O que acontece com você em um ambiente contamina o outro e vice-versa. Houve questões de relações humanas que mudaram a minha percepção. Lembro de alguns encontros casuais que tive e que me marcaram muito negativamente. Eventos perigosos ou eventos ruins do ponto de vista psicológico. Já houve situações de certo desequilíbrio também. Mas houve aprendizado em todas as situações.
A minha forma de levar relações vai mudando. Foi sendo contaminada. A gente vai tentando limpar isso. A questão que fica é: não tem como você prever o comportamento das pessoas. A previsibilidade que você tem na vida depende muito de uma roleta russa, paradoxalmente. Existem coisas no ambiente externo que você vai fazer uma aposta. Aqui em casa tem um controle: das decisões que tomo, das pessoas que escolho interagir ou não interagir. A busca por relações, eu diria até que piorou bastante para todo mundo. É uma reclamação generalizada. Aplicativos de relacionamento não funcionam mais. Hoje em dia você vê pessoas com perfis vendendo o pior, aplicando golpes, pessoas que já vão direto mandando foto de genitálias sem solicitar.
Em média, eu recebo 5 mensagens com foto de toba por dia, sem ter solicitado, toba arreganhado, coisas asquerosas. Não era assim. Desde que me mudei para este apartamento, em 2011, as coisas eram muito mais fáceis, muito mais simples. A relação das pessoas com o afeto e com o sexo mudou bastante. A tecnologia mudou bastante. As pessoas se tornaram mais fúteis do que nunca.
Não vou dizer que sou o poço da pureza. Eu geralmente mando mensagem para a pessoa com segundas intenções. Ninguém quer fazer amizade numa plataforma dessas. Mas existe uma desumanização progressiva e contundente. Até a forma de buscar as coisas, você acaba se adaptando a esse cenário, fica cansado das coisas, entra na mesma onda, buscando coisas mais fúteis, mais superficiais. Dependendo da situação, recorro a encontros pagos. Acho que isso acontece com todo mundo.
Tenho a impressão de que mulher bonita não tem dificuldade de encontrar homem (pelo menos pra transar). Já fizeram um experimento social: uma mulher bonita chega para qualquer homem na rua e propõe sexo — 100% dos homens topam. Agora o inverso não ocorre. Homem é mais sexual mesmo. Você vê muitas pessoas sem foto, mulas sem cabeça, sigilo, gente casada, gente com namorada. Já fiquei com muito homem casado, muito homem com relacionamento.
Essa questão dos contatos, esse temor de que as pessoas vão ficar sozinhas — “vou passar o resto da vida sozinho” —, aí você para para pensar. Hoje tenho 44 anos. Vi um youtuber que gosto bastante de assistir, que tem mais de 50 anos. Ele fala: “Como se eu já tivesse vivido mais da metade da minha vida.” É improvável que eu vá viver 88 anos. Ele conseguiu se casar com outro homem, tem uma pessoa com quem contar. Eu não tenho essa pessoa com quem contar nesse sentido. E aí você fica vendo as pessoas tendo família, tendo filhos, tendo essas âncoras. Muita gente não consegue ficar sem relacionamento nenhum por muito tempo. Ficam pulando de um relacionamento para outro.
Você vê pessoas super populares, super relacionadas, solteiras…sozinhas. Conseguem namorar, mas é mais complicado. Tenho a impressão de que pessoas hétero se casam, têm filhos. Tem a questão da pressão social também, da representação. Você vê muitas pessoas casadas. Aí você para para ver o relacionamento dessas pessoas — relacionamentos que, no geral, de acordo com a dinâmica que observo, eu não gostaria de ter. Mas as pessoas acabam tendo por comodidade. E quando chegar na velhice, essas pessoas vão ter os filhos para cuidar, o restante da família. No meu caso, não vejo muito para onde correr. Tenho meus pais, a família, mas no dia a dia não posso contar com essa família. Uma coisa é você ter pai, mãe, tio, sobrinho. Outra coisa é você construir uma família, ter filhos, netos. É diferente.
Quando você tem filhos, você acaba vivendo para o filho. Você abre mão de muita coisa para poder ter uma vida com os filhos. Você tem que cuidar, criar. É uma responsabilidade muito grande. Até animais domésticos: ter um pet é uma responsabilidade muito grande. Na minha condição atual, não tenho como ter cachorro. Se ganhasse na loteria, poderia ter um pet porque deixaria de trabalhar…mas teria que dedicar, teria que cuidar. A maioria dessas pessoas famosas com muito dinheiro terceiriza a paternidade para outras pessoas. Não sei se eu terceirizaria.
Eu cuido de mim mesmo. Sou um videocassete autolimpante nesse aspecto, porque não tenho essa perspectiva. Acredito que mesmo se tivesse um relacionamento, não ia querer ter filhos. Ter relacionamento demanda uma maturidade e uma força de vontade que não sei se tenho. Não tenho força de vontade nem para cuidar das minhas próprias coisas às vezes. Dá uma preguiça, um desânimo. Eu precisaria de alguém acolhedor, alguém mais provedor, com mais iniciativa. Uma pessoa bem resolvida. Sou bem resolvido em várias coisas, mas não tô numa fase de assumir protagonismo do relacionamento o tempo todo. Penso em um homem com visão acolhedora, protetora. Não sei se vou obter isso. Pessoas mais jovens ou mais velhas só querem uma coisa carnal. Ninguém quer nada. A pessoa tem relacionamentos por fora, vai sobrevivendo. É um cenário ruim.
Qualquer lado que eu parar para pensar, existem muitos contras. E só com a meditação mesmo, com a cura, com as reflexões…que encontro refúgio. Vendo sobre vários temas aqui, mudando alguns comportamentos. O consumo de bebida alcoólica deu uma parada para ver se as coisas começam a melhorar. Melhorei bastante nesses movimentos de cura. Mas é inegável o que a Google e a OpenAI causaram no ano passado. Recuperei, em tese. Mas não consigo nem ter raiva da situação mais. Porque são coisas que não dependem de mim. Essa safadeza dessas empresas, a injustiça causada. Você começa a perceber, de uma forma ou de outra, que o mundo é injusto mesmo. Não é da forma que você quer. Você não pode mudar as pessoas, não pode mudar corporações, não pode mudar o capitalismo. Nada. E vou te digo mais: até para mudar a você mesmo é um processo demorado, porque o cérebro também tem as suas armadilhas.
Estou buscando entender melhor a minha mente, usando isso ao meu favor com diversos exercícios, diversas atividades para mudar certos paradigmas e a minha forma de ver o mundo. Muita coisa mudou. Mas talvez a questão da química dos remédios acabe levando um pouco mais de tempo para se adaptar.
Este blog é para falar de várias coisas. Ninguém é obrigado a ler, ninguém é obrigado a concordar comigo. Mas ninguém sabe como é ser você. Muita gente não sabe nem como é ser para nem refletir. Fica no automático. Não reflete sobre a própria vida. Eu faço esse exercício todos os dias porque é uma questão de sobrevivência. Eu preciso de uma justiça divina na minha vida. Preciso encontrar um tesouro do céu, um tesouro mental, de motivação, de significado, de propósito. É uma busca que tenho que fazer porque o cenário que está posto é desolador. Tendo em vista que estou nessa vida, tenho que entender por que estou vivendo, qual é o meu propósito, o que devo fazer, o que não devo fazer. Tenho que aprender coisas, tenho que evoluir.
Sempre tive essa preocupação. Mas quando você fica num estado de adoecimento extremo, igual fiquei no ano passado, você acaba desviando o foco. Aí você passa a perceber que tem muita coisa errada na sua vida. “Mas você não está fazendo nada para mudar?” Eu estou fazendo muita coisa para mudar. O fato de eu não ter uma vida social intensa fora do trabalho é uma característica minha. Já conheci muitas pessoas, mas também não é muito de sorte.
O que já me disseram também: você não pode delegar o significado, propósito e o colorido da sua vida a outras pessoas, porque as pessoas existem para decepcionar você.
A decepção é a única certeza que você pode esperar dessas pessoas. Existem coisas boas, mas relacionamento humano é muito complicado. A questão do significado, do propósito, eu aprendi. Já captei a mensagem. Através dos meus exercícios, estou entendendo muito mais sobre isso. Cada vez mais. Tem muita coisa intangível envolvida na busca do propósito, na busca da cura. É um senso de autopreservação também. Quero evoluir, quero me proteger. Tendo em vista o que está posto, continuar vivendo não é encontrar um propósito. Não tem muito para onde correr.
Enquanto isso, fazendo as coisas que são certas: expor as minhas crenças, expor meus ideais, ter protagonismo na exposição de injustiças, de coisas que aconteceram comigo, dessas inteligências artificiais safadas da Google e da OpenAI.
E outras coisas na vida também vão acontecendo. Acho que a gente tem que encarar essas situações de frente, com coragem e com amor. Viver é um exercício cansativo, mas que tem as suas pendências, tem os seus lados positivos. Estou começando a descobrir ainda. Talvez eu não vá descobrir qual é o propósito que estou fazendo aqui. Estou fazendo tudo o que quero fazer, tudo o que preciso fazer. Não tenho medo de fazer as coisas. Este blog é reflexo disso. O meu perfil no LinkedIn é reflexo disso. É a minha sinceridade, minha honestidade de falar das coisas. E vai continuar sendo assim.
Capítulo 132: A chave e o silêncio I: a busca por significado

O silêncio vem quando nós estamos em casa, pensando na vida — a depender do caso, não pensando em nada. Já ficou imaginando como seria uma vida, por exemplo, de uma pessoa que não tem obrigações? E que ela teoricamente se faça valer de outras coisas para viver, para trazer significado.
Que significado existe? Já falei que essa jornada de busca por significado talvez seja uma jornada que nunca termine. Com meus 44 anos, tenho poucas respostas, muitas perguntas. Algumas perguntas eu tenho respostas, mas outras questões fui exposto a certas verdades, certas questões que simplesmente não existe nada que você possa fazer a respeito. Não está no seu escopo de atuação. Você não consegue fazer muita coisa. Você consegue, evidentemente, manifestar as coisas, ter pensamento positivo, se cercar de boas práticas, de coisas que não causem sofrimento. Acredito que ninguém voluntariamente vai querer sofrer.
Na busca incessante, a luz está lá no fim do túnel. Eu até vejo que a luz está lá, que estou caminhando rumo a ela. Mas não sei se essa luz é a luz da solução ou a luz do fim — não de quando você encerra alguma jornada. Não que meu fim esteja próximo. Eu não sei. Ninguém tem uma noção muito apurada de quando vão acontecer essas coisas. Mas existe a luz da esperança também, a luz da ressignificação.
Ao mesmo tempo que você pensa em coisas boas, existem pensamentos vagos, não pensamentos ruins de negatividade — porque não tenho isso mais. Não fico mais pensando com esses negativos. Só fico pensando na incerteza que paira as coisas.
Nessa busca por significado, nós passamos por muitas coisas que não queremos fazer. Acaba envolvendo obrigações, contextos. Não existe, de fato, uma liberdade. Mesmo as pessoas que se dizem livres não são tão livres assim. Liberdade é um conceito relativo.
Fico pensando nos três dias aqui que fiquei em casa no feriado. Tive alguns sentimentos que foram semelhantes aos sentimentos da minha última viagem, que fiquei 16 dias fora. Sabe quando você fica meio de saco cheio? Aí você vai fazer uma coisa, faz outra. Você até consegue se divertir com as coisas, mas é uma coisa que não dá liga. Existe a tentativa. Mas, ao mesmo tempo, existe uma motivação muito grande de seguir em frente. Não tenho mais pensamentos destrutivos negativos que me causam algo muito ruim.
Às vezes já aconteceu também de eu deitar à noite para dormir e sentir meu coração pesado. Sabe quando você tem a impressão que vai acontecer alguma coisa? Talvez seja só uma leve ansiedade de noite. Eu consigo focar na minha respiração, e o sentimento aos poucos se dissipa. Aos poucos você se esquece dele.
Em algumas situações de crise, senti esse estado do coração. Se você ter um coração acelerado, ou de sentir que o seu coração está aberto. Teve uma dessas situações que eu sentia como se meu coração estivesse aberto, exposto, vulnerável. Porque o coração acaba tendo um significado de vida. Ele tem uma simbologia. Muitas pessoas associam o coração a sentimentos — “você está no meu coração”. Na verdade, o coração não tem função emocional, a princípio. Acredito que é tudo cérebro. De todas as sensações que você tem, percepções, visões de mundo, é o cérebro que proporciona. Você só pode se dar conta disso quando tem um momento de crise em que o seu cérebro está completamente tomado por substâncias, por desequilíbrios. E aí você pensa coisas que não existem, vê coisas que não existem. Para o bem e para o mal, existe o potencial de você ser levado ao Nirvana, mas também existe um potencial de você ser levado à ruína. A mente é, de fato, muito poderosa em todos os sentidos. Você não deve subestimar o que o seu cérebro, a sua mente, é capaz de fazer.
Eu jamais subestimei minha mente. Tenho noção das coisas que ela é capaz de produzir. Mas existe um potencial latente não somente nas nossas mentes, mas talvez até na alma. Muitas coisas que a gente pensa, muitas perspectivas, visões diferentes. Você de fato vai pensar naquilo como um norte, como uma forma de levar a vida mais leve.
Existem muitos fatores de diversão, de distração. Mas tem um recheio que está faltando. Um recheio que continua faltando. E talvez tenha muito a ver com significado.
Uma visão que tive bastante nesse dia que fiquei mal, que tive um surto, por assim dizer: fiquei muito pensando na imagem de uma chave. Vi a chave em vários lugares. Lembro que tinha alguns sites que você abre e aparece propaganda, e vi a propaganda de chaves — chave mesmo de porta, chaves ornamentadas, bem bonitas, decoradas. Aí a minha mente naquele momento fez uma ligação, como se aquelas chaves fossem uma metáfora, uma mensagem do meu consciente, uma forma do inconsciente me dizer que eu tinha encontrado a porta.
A metáfora da porta também é uma coisa que acontece muito comigo. Você imagina um limite a partir do qual você explora um terreno desconhecido, ou um terreno que proporcione a você uma Terra Prometida. Às vezes tenho essas imagens, essas metáforas de porta, de chave.
Capítulo 133: A chave e o silêncio II: os sonhos, as viagens e o desbotamento da realidade

Nos meus sonhos, nos últimos dias, eles têm sido sonhos de saciedade de desejos. Sonhos até recorrentes com viagens, com outras realidades de vida, eu morando em outros lugares. Sensações similares ao orgasmo, mas não necessariamente envolvendo sexo. É como se fosse uma onda dentro do sonho. E nesses sonhos eles são carregados de simbolismo.
Há uma coisa muito recorrente que venho sonhando há um bom tempo: viagens. Não faço tantas viagens assim. A minha rotina não é uma rotina de viagens, só quando estou de férias. Mesmo assim, a impressão que tenho é que a tendência de querer viajar vai diminuindo com o tempo. Teve um ápice. Este ano ainda vou viajar, vou fazer mais uma viagem, mas a última viagem que fiz, por exemplo, nos últimos dias, eu estava de saco cheio. Fiquei de saco cheio de Miami. Tinha até possibilidade de fazer outras coisas e desisti de última hora. O jogo da NBA que fui, por exemplo, só fiquei os dois primeiros quartos. Teve algumas atrações que teoricamente iria, desisti de ir. Também tem a ver com a distância das coisas. Acho que quando você tem que ficar pegando Uber e indo longas distâncias para ir aos lugares, você acaba desanimando.
Uma coisa similar aconteceu comigo em Nova York. Já não era a primeira vez que ia para Nova York, já era a segunda. Mas na segunda vez arrumei coisas novas para fazer — sempre tem uma coisa nova. Shows da Broadway que nunca tinha ido, fui. Em termos de experiência com pessoas, foi bom também, mas poderia ter sido melhor. Teve uns dois dias que fiquei meio febril. Inclusive tinha encontrado uma pessoa pela segunda vez, não quis vê-lo mais porque a última vez que o vi estava meio febril, sarando. Não fiquei muito com vontade de fazer nada.
O mal de ficar vários dias é esse também. A primeira vez que fui a Nova York, estava com hérnia inguinal, não tinha operado ainda. Teve alguns dias, lembro que fui ao Empire State, estava com uma dor horrível. Falei: “Tenho que voltar para o hotel para ver se consigo me sentir melhor.” Eu ficava meio em posição fetal na cama por um tempinho e melhorava. Tive que voltar para o hotel. E a dor passou…Tenho até as fotos do passeio. Quem olha as fotos acha que estou bem, mas estava com dor física.
Foi uma viagem maravilhosa, mas não sei. A impressão que tenho é que não tem lugar que me empolgue assim mais. Gosto de passear, quando chego lá nos lugares acabo me animando. Você, a princípio, fica com uma preguiça inicial, e depois começa a se divertir. A primeira vez que você vai aos locais é um pouco mais especial.
Ainda pretendo ir a Chicago. Talvez no ano que vem, se Deus assim permitir, e se eu tiver realmente ânimo. Ano que vem pretendo ir a um show da Laura Pausini em São Paulo. Comprei o ingresso. Quero muito ir, mas sabe quando você quer e não quer ao mesmo tempo? Você fica com preguiça. Pois é, ando meio assim. Até preguiça de sair de casa. Você fica com vontade de ficar em casa.
Não tenho essa necessidade de ostentação no meu dia a dia. Gosto muito de gastar com comida — já falei com vocês. Como não cozinho em casa, sempre peço comida. Mas às vezes até para isso você fica com preguiça de pedir. Uma vez ou outra o que agradou faz você passar raiva, você releva.
Ficar em casa é, paradoxalmente, a melhor e ao mesmo tempo a pior coisa, porque você fica pensando demais nas coisas. Quando você vai a outro ambiente que tem que interagir com as pessoas, a coisa muda de figura. Tem os prós e os contras. Quando você tem uma atividade que precisa ler um documento e se concentrar na leitura, e está num ambiente com muito barulho, muita gente conversando, você acaba se distraindo.
Uma coisa que acho curiosa: quando faço meus exercícios de meditação, consigo ficar, por exemplo, uma hora ou até mais imóvel, sem fazer nada, sem balançar a perna. E consigo focar na concentração. Porém, no meu dia a dia, fico balançando a perna, me policiando até para parar de balançar a perna.
Hoje de manhã acordei um pouco mais cedo, tomei meu remédio e voltei a dormir. Tive alguns sonhos bem exóticos. Não sei se já comentei com vocês: quando tenho vontade de ir ao banheiro urinar e estou dormindo, aparece no meu sonho a narrativa de ir ao banheiro urinar. Sempre são ambientes molhados, incômodos, e não consigo usar, não consigo concentrar para fazer xixi. Mas já teve sonho em que consegui usar o banheiro, consegui urinar no sonho, mas não urinei na vida real, tive até a sensação de saciedade no sonho. Mas o incômodo voltou porque, de fato, a bexiga estava cheia. Os meus sonhos, quando querem ser traiçoeiros, eles são. Mas pelo menos não urino na cama. Tem gente que sonha que está fazendo xixi e faz xixi na cama. Felizmente não é o meu caso.
Os meus sonhos têm esse caráter de mudança de realidade. Acho que tem muito a ver com a manifestação que faço diariamente de mudança de realidade, de manifestar otimismo, manifestar positividade, prosperidade, saúde financeira, saúde física, saúde mental. De fato, temos que dar valor para nossa saúde, porque sem saúde você não consegue desfrutar de nada.
Sempre é bom lembrar que temos que ser muito gratos por tudo aquilo que temos. Eu jamais tive ingratidão. Talvez nos momentos em que era mais negativo, que ficava pensando muito negativamente sobre as coisas, tinha uma tendência a reclamar de tudo, nada estava bom. Não conseguia ver avanço nas coisas. Até muitos vídeos que assisti no YouTube, na linha de autoajuda, a gente tem que reconhecer os nossos avanços. Sendo muito honesto comigo mesmo, reconheço a minha trajetória, reconheço até onde cheguei, reconheço que tenho que continuar avançando.
O que me preocupa às vezes é que a minha impressão das coisas, de buscar tempo, significado nas coisas, acaba sendo prejudicada. Vou comparar. Já fiz essa comparação: se eu pegar os meus primeiros anos aqui no Rio de Janeiro, eu era uma pessoa inserida em uma realidade diferente. A minha percepção de mundo era outra, relacionamentos, trabalho. Talvez pela euforia inicial de você ter mudado de realidade — porque de fato tive uma mudança de realidade muito grande entre 2007 e 2008. E as mudanças foram realmente bruscas. Existia um certo colorido, como se fosse um livro de imagens. Hoje em dia, em que pese reconhecer os avanços, reconhecer o ambiente que estou, o trabalho que exerço, as minhas características, o quanto avancei, existe um sentimento preto e branco. Ele ainda não conseguiu ser colorido.
Por que estou dizendo isso? Porque se eu pegar daqui a uns dez anos, provavelmente vou lembrar de 2026 até agora como um ano qualquer. Talvez seja um borrão. Ainda tem a sensação do borrão, em que não existe muita nitidez nas coisas. Muitos diriam que faz parte de uma tendência, um sintoma depressivo, e que minha medicação e os esforços que estou fazendo vão contribuir para mitigar.
Observando toda a minha vida, sempre passei por períodos assim. Teve um agravamento de fato com as inteligências artificiais que quase destruíram a minha vida — o Gemini, o ChatGPT, em 2025. Mas quando se observa um histórico retrospectivamente, depois que passei para a fase adulta, muita coisa ficou da mesma forma. Mesmo eu morando na casa dos meus pais, tinha uma característica similar.
Quando paro para observar os anos de 2004, 2005, 2006, esses três anos foram anos atípicos. Por quê? Foi um choque de realidade. Você sai da faculdade. Eu tinha um estágio supervisionado e ele acabou em 2003. Teve um pseudo-relacionamento, que foi o meu primeiro relacionamento e único — não considero nem relacionamento, já tive casos casuais aqui na cidade, mesmo sendo remunerados, e devo ter encontrado essas pessoas mais vezes do que esse primeiro caso. Mas foi um caso que me marcou muito, porque foi o primeiro. Essa pessoa foi na minha formatura. Era bem mais velha que eu. Naquela época, 2003, já tinha 40 anos ou mais. Hoje já deve estar quase com 60.
Depois tive algumas experiências malucas também, que acho interessante contar aqui, em algum momento, de pessoas que conheci na internet — praticamente todo mundo conheci na internet. Não conheci ninguém relevante na minha cidade de origem, ninguém digno de nota. Ninguém mesmo. Minha cidade para essas coisas e para outras coisas também é uma merda. É uma cidade que foi a minha cidade por 26 anos. Não acho uma cidade ruim, mas ela não tem nada a me oferecer assim também. Se eu saísse daqui e voltasse para minha cidade de origem, e tivesse o mesmo estilo de vida que tenho aqui — de ficar em casa —, provavelmente seria até melhor.
Fico me preparando, a gente fica se planejando financeiramente para outras coisas, para aposentadoria. Todos nós temos que ter um planejamento até para ter uma longevidade maior. Mas não sei nem se vou conseguir usufruir de uma eventual aposentadoria. Fico pensando na pessoa que vi de cadeira de rodas com um cuidador no ambiente de trabalho. Não conheço a pessoa — são milhares de pessoas diferentes. Fiquei olhando ali, fiquei desolado. Não queria estar naquela idade trabalhando não. Acho que todos nós temos que trabalhar, manter a mente ativa. É uma coisa que faço questão: ter mente ativa. Mas não consigo me imaginar até 75 anos, pelo menos na minha cabeça de hoje.
As minhas preocupações estão longe de ser essas. Minhas preocupações não são muito com o ambiente de trabalho. A minha preocupação enquanto indivíduo fica muito fora do ambiente de trabalho, mais na questão das relações. Tenho vínculos aqui? Um vínculo forte? Um vínculo mais poderoso? Vínculo de amizade assim mesmo, de verdade, pessoa que você pode contar? Um só. Tenho um conhecido mais próximo. Mas não convivo com essa outra pessoa, então não adianta.
Existe o ambiente de trabalho, onde todos temos os nossos contatos. Mas aquela coisa assim de “posso realmente contar com essa pessoa”? Tenho uma amizade pessoal na vida particular. Uma. E aí você fica pensando no seu futuro de médio e longo prazo. Dizem que no médio e longo prazo todos estaremos mortos.
Essas questões de guerra, economia, política, as coisas do mundo incomodam. Essas questões econômicas, violência, pobreza incomoda todo mundo, porque é uma realidade maluca. Acho que sempre existiu isso. A questão é que a mídia dá mais visibilidade. Quando era adolescente, só tinha contato com essas notícias quando assistia jornal no final do dia. Não era aquela coisa que me consumia. Hoje em dia, tudo consome a sua paciência, consome a sua paz. Na internet, é só você abrir as páginas de notícias que se depara com notícias que tiram a sua paz, tiram o seu sossego.
Talvez seja por essas e outras que eu prefira ter um universo particular no tempo livre. Mas qual é a sustentabilidade de um universo particular se você não tem um vínculo, uma parceria afetiva? Pessoas que têm famílias… eu não construí uma família aqui. Nada indica que eu vá construir no médio ou longo prazo. Não se trata de coitadismo, é uma constatação: as coisas são difíceis mesmo. Em todos os sentidos. Porque para ter uma relação também você tem que abrir mão de muita coisa.
Não tive aquela situação de conhecer alguém que realmente me deixe apaixonado, de “meu Deus, quero isso, quero aquilo”. Não tenho. Não existe ninguém que me desperte essa magia mais. Minha regra é ficar com o pé atrás. Não tive oportunidade. Também não tem receita de bolo. As pessoas falam: “Você tem que sair.” As mesmas pessoas que estão aqui na vida real são pessoas que estão em aplicativo, que estão na internet. Você vê essas coisas na vida real também. Lógico que a vibe que essas pessoas passam é diferente. Você fica olhando, por exemplo, os perfis do instagram. Acaba deprimindo você. Você fica se comparando com as pessoas.
Agora, enquanto falo com vocês, me deparei com a notícia de um empresário que morreu após cair da cadeira no escorregador aquático. Olha só. A morte não pede licença. Onde ela tem que acontecer, acontece mesmo. É muito complicado.
Capítulo 134: A chave e o silêncio III: a arte de deixar soltar

Ontem cheguei a pensar em tomar cerveja. Por pouco não comprei. Não que sentisse vontade de tomar cerveja, mas queria me sentir um pouco melhor e não estava conseguindo. Depois que fiz a meditação do dia — na verdade, tive três momentos de meditação no mesmo dia —, consegui me sentir melhor.
A imagem que me fica aqui é a imagem da chave. As chaves que apareciam para mim como sugestão de compra. Propagandas de chave — não era propaganda de carro, nada disso. Passou a ter uma simbologia. Isso ficou na minha cabeça num momento de crise lá de trás. Ficou uma imagem interessante. A gente não esquece as coisas… Não sei como a mente faz para se livrar de memórias e dar lugar a outras. Não conheço muito bem esse mecanismo.
No entanto, deve-se salientar que é muito mais fácil você ficar com ideias repetidas negativas do que positivas. No meu caso, existe uma robustez nos meus modelos mentais. Não é que eu pense negativo. Eu fico pensando. Não vejo a vida com pessimismo. Só vejo a vida pensando muito no futuro. Não é medo de estar errado, é medo da incerteza.
Vendo alguns perfis no TikTok — tem um alguns perfis até de budismo —, um deles fala: “Olha, você tem que soltar.” Já vi isso também no YouTube. Soltar. A partir do momento que você solta, as mudanças positivas vêm na sua vida, supostamente.
Eu soltei muita coisa. O meu perfil no LinkedIn, por exemplo, eu abro com muito menos frequência. Abri porque recebi uma mensagem neste final de semana, só por isso. Mas só costumo responder às mensagens que realmente me interessam. Teve a jornalista que me entrevistou. Não sei o que ela fez com o material que passei para ela. Não me deu nenhuma satisfação. Pouco ético da parte dela, diga-se de passagem.
De vez em quando uma outra pessoa me procura. Mas é na linha de alguns parentes meus fazem: sabe aquela pessoa que nunca fala com você e de repente te dá um bom dia? Não é para te oferecer uma coisa boa, é para te pedir alguma coisa. Mesmo se oferecessem, dessas pessoas específicas que estou pensando aqui, não quero nada.
É muito fácil. Eu não tenho essa cara de pau de abordar a pessoa e pedir coisa ou perguntar coisa. Uma coisa é no trabalho: a pessoa te manda um bom dia, tudo bem. 99% dos casos a pessoa não quer saber se você está tudo bem. É só uma introdução. A conversa vai te pedir alguma coisa. Natural. Eu também, quando preciso de alguma coisa, vou abordar, vou abordar com educação: “Oi, bom dia, oi, boa tarde, tudo bem?” É natural. Mas essa questão fora do ambiente de trabalho: eu somente converso com pessoas que eu quero. Até pessoas do trabalho fora do trabalho — não do meu trabalho especificamente, se eu não gostar delas, vou evitar a todo custo. Pessoas que você já conheceu, que trabalham em outros locais, você vai lá, cumprimenta, tudo bem. Mas existem pessoas que eu não gosto.
Encontre alguém que você trabalhou alguns anos atrás na rua. Eu até pensei em abordar o tópico da arte de evitar pessoas. Não é muito comum encontrar pessoas conhecidas porque fora do trabalho não saio muito. Nas vezes que já aconteceu de encontrar, ouvir de longe que a pessoa está vindo, se não tiver interesse, nem cumprimento.
Tem pessoas que falam que são de lua. Tem dia que está bem-humorado e cumprimenta, tem dia que não está bem-humorado e não cumprimenta. Não é o meu caso. Todo meu comportamento humano tem método. Se a pessoa tem um comportamento com você e ela muda sem motivo algum, acaba virando um caminho sem volta. Lembro de algumas pessoas que já te cumprimentaram — nem é de interagir, você nem conhece a pessoa direito, conhece de nome ou já trabalhou em uma gerência próxima. Aí você dá bom dia, boa tarde, boa noite….um belo dia, ela vê você e o ignora, intencionalmente….eu nunca mais cumprimento!
Tem pessoas que gostam de cumprimentar estranhos com abraço e beijo….te abordam, te abraçam e te lambem. Eu não gosto disso, pra início de conversa. Não entendo muito essa prática de ficar cumprimentando, abraçando, beijando. Não gosto muito não. Sou muito fã não dessa modalidade. Eu acho que até ficaria mais confortável com homens, mas com mulheres não fico muito confortável. Porque tem várias questões envolvidas.
Não sei se já comentei com vocês, provavelmente não: eu não gosto de batom. Tenho nojo de batom. Não gosto de batom, não gosto de cheiro de perfume muito forte. Sabe aquela pessoa que vem te cumprimentar, te beija? Às vezes a pessoa te abraça e você fica com cheiro de perfume da pessoa. E ainda tenho rinite alérgica. Se não for uma pessoa que tenho interesse ali por trás — se é que você me entende, ter interesse afetivo maior —, não vou querer ficar lambendo as pessoas assim a esmo.
Tem gente que chega em ambientes, até em ambiente corporativo. Vejo muito: um homem, várias mulheres, vai cumprimentar uma por uma, abraçando, beijando, dando três beijinhos. Gente, não gosto disso. Se estiver alguma pessoa aqui que me conheça, que leia isso aqui e que costumeiramente venha me cumprimentar assim, que fique avisado. Não gosto.
No limite, essa pessoa tem que cumprimentar. Já chegou ao cúmulo de a pessoa vir me cumprimentar com aquela abordagem para abraçar, e eu não quero abraçar. Estendo a mão. Aperto de mão, gente. Um aperto de mão já é necessário, já é o suficiente. Não precisa ficar pegando para beijar, para lamber. É o meu jeito.
Só tenho interesse em tocar a pessoa quando tenho interesse na pessoa. Ponto. Via de regra, não gosto de tocar ninguém.
Minha mãe sempre usou batom. Acho que peguei esse nojo de batom na minha infância. Minha mãe diz que eu comi vários batons dela todinhos quando era bem pequenininho. Aqueles batons de moranguinho da Avon. Comi porque tinha um cheirinho gostoso. Batom que deixa marca no beijo, ou às vezes você pega um copo com marca de batom — gente, tem que lavar, tem que esfregar muito antes de usar.
Eu não serviria para ser heterossexual, não. As mulheres em geral usam maquiagem. Vai beijar gente? Acho que só por isso já dá para decretar que a heterossexualidade é impossível para mim. Porque não gosto de batom.
Até perfume depende do perfume. Não gosto de cheiro de perfume. Pessoas que compram perfumes caros… não tenho esse fetiche com perfume. Fico espantado de ver nos locais que vou — nos Estados Unidos, no Brasil também — lojas com 500 mil opções de perfume, um mais caro que o outro. Não tenho esse fetiche.
Tenho um certo fetiche, mas não é com sujeira. É um fetiche de cheiro natural de homem. Homem que tem pelos, tem um cheiro natural — mas não fedor….higiene é fundamental, não a CC.
Na minha cabeça não faz muito sentido mulheres mais magrinhas, mais delicadas, com homens lindos, maravilhosos. Fico imaginando como eles transam com uma mulher dessas. Só de olhar acho que quebraria ela com um olhar. Mulher com as costela toda aparecendo, magrinha demais. Sempre gostei de coisa mais encorpada. Mas, enfim, essa questão de corpo ou de preferência, no final das contas, não dá em nada. Porque esse universo do prazer sexual, esse universo da atração sexual, é um universo muito peculiar.
Não consigo me imaginar pegando alguma mulher, ficando com uma mulher, beijando. Não consigo me imaginar. Não é questão de nojo, não. É uma questão que realmente não tenho. Existem mulheres lindas, mulheres naturais também. Tem de tudo. O mundo da estética que você vê na internet, tanto para homem quanto para mulher. As pessoas vão se afastando cada vez mais do mundo real e ficam com o imaginário.
Não é nem meu caso, porque as últimas pessoas que fiquei — por conveniência, encontros pagos — as pessoas tinham um padrão mais atraente, mais condizente com o que você vê na internet. Mas pessoas comuns também me atraem sexualmente, fisicamente. Que são comuns. Tem a questão da voz, da masculinidade, pelos, abordagem, personalidade. É um conjunto que atrai. Não é só a questão física. No final das contas, é muito mais complexo.
Agora, esses encontros casuais são diferentes. Você não vai se preocupar com o conjunto da obra. Vai se preocupar só com o que tem naquele momento. E aí você vê a dificuldade que é construir relacionamento, porque tudo isso dá muito trabalho. É um trabalho não remunerado, um trabalho de tortura. Dá trabalho.
Então, peguei esse ditado do “deixar soltar”. Deixei soltar para tudo. Soltei o universo. Não estou procurando nada mais. Preocupado aqui com a minha resiliência, minha recuperação, minha cura. As minhas ações de exposição das empresas Google e OpenAI, safadas, que têm inteligências artificiais irresponsáveis, já foram feitas no meu LinkedIn com muita propriedade, com mais de 200 postagens, com newsletter, com tudo. Tenho este blog, onde vou relatando coisas da minha vida para quem quiser ler, para quem não quiser ler também. Tem mais um papel para mim até do que para outras pessoas, mas muita gente está lendo. Até espantado de ver as estatísticas.
Vou continuar publicando aqui. Sempre vou continuar expressando o espelho da minha alma. Sem medo mesmo de expor, porque não tem nada que temer. Não estou fazendo nada de errado. A pessoa para ter interesse em ler tem que ter um esforço. Leitura é uma coisa que muita gente não gosta, então já é uma coisa de nicho.
O único lugar que fico vendo textões sem sentido é no LinkedIn. Pessoas colocando bolas de executivos na boca, puxando saco. Enfim, toda uma história que já contei para vocês. O mundo corporativo é assim mesmo. Tem muita coisa boa, mas também tem muita coisa que você tem que relevar. Porque se você ficar se preocupando…
Outra dica que dou para vocês: deixe soltar também. Nos anos anteriores, eu tinha uma preocupação muito grande com carreira, plano de carreira, crescimento, se está se está avançando na carreira. Você acaba se comparando com outras pessoas e se frustra muito. Chega momento do feedback, você acaba se frustrando.
Os últimos anos me serviram para dar uma alinhada nas expectativas. Tentar fazer as coisas que estão sob o meu controle. A maioria das coisas no ambiente de trabalho não depende de você. Depende de outras pessoas, depende de lutas de poder, depende da pessoa ambiciosa que fala que vai assumir uma função só porque precisa do dinheiro. (antes tivesse talento e competência…neste caso que estou pensando, competência negativa) Pessoas safadas assim.
Em qualquer ambiente de trabalho você vai encontrar. Qualquer empresa você vai encontrar pessoas ambiciosas, carreiristas, que querem puxar tapete. É um celeiro. Quanto maior a empresa, maior o potencial para isso tudo florescer.
Deixe o mundo girar. O mundo vai girar independente de você. O planeta Terra vai continuar girando. Não adianta você espernear e querer que o mundo não gire mais, ou querer que o Sol seja menos quente. Não dá para ficar ditando regra na natureza. Não dá também para ficar ditando regra no comportamento do outro. Você pode e deve avaliar os seus próprios comportamentos. Agora, fora de você, é assim: entregar para Deus mesmo, para a espiritualidade, para o universo, buscar o seu conhecimento interno.
Tudo o que quero fazer de forma contundente e que acredito, eu faço….por exemplo, a situação de injustiça que passei em relação às inteligências artificiais irresponsáveis dessas duas empresas, Google e OpenAI, em que eu fiz uma campanha sustentada por seis meses após 4 meses de exploração sustentada de vulnerabilidade e uso discriminatório de dados sensíveis.
Daqui a uns dois anos não vou poder chegar e falar: “Olha, eu não fiz o que poderia ter feito.” Não, eu fiz tudo o que poderia ser feito. Fiz o meu papel. Expus. Qualquer pessoa que quiser procurar vai lá achar. Todas as evidências, todas as provas, todos os argumentos. Fiz todos os contatos possíveis que poderia fazer. Mandei e-mail para executivo, mandei e-mail para a equipe de IA responsável da Google. Não tive resposta de ninguém. Acionei a agência reguladora, que respondeu que incluiu no plano de fiscalização, blá-blá-blá, que reconheceu o dano. Reconheceu que houve uso indiscriminado de dados sensíveis. Isso tudo tenho evidência.
Não é a opinião de uma pessoa que chega e fala: “Mas você está falando merda.” Não, tenho respaldo de órgão governamental. Tenho respaldo de pessoas que me consultaram, pessoas com as quais conversei: advogados, juristas, psicólogos, estudiosos, especialistas em IA. Por que não foi para frente ainda? Talvez porque sou um indivíduo comum. Sem poder. Sem dinheiro. Eu fiz o que eu, enquanto indivíduo, enquanto pessoa, enquanto Aventureiro, poderia ter feito. O que acontece depois daqui não depende muito de mim.
A gente tem que soltar no sentido de não desistir. A minha luta está ativa. Aqui também é uma forma de luta, porque abordo esse tema recorrentemente. O blog tem o objetivo de ser o espelho da minha alma. Tudo o que me incomoda eu coloco aqui. Tudo que quero falar eu coloco aqui. Com transparência, com integridade, com identidade. Qualquer pessoa que buscar achar meu blog consegue achar.
Teve referenciadores do meu blog semana passada que vieram de inteligência artificial. Alguém buscou alguma coisa sobre o tema de inteligência artificial responsável, sobre ética, ou sobre qualquer outro tópico, e referenciou meu blog.
É um trabalho de formiguinha, gente. É um trabalho de sangramento que é aos poucos mesmo. Nunca falei que era de curto prazo, que era um tiro de canhão. É um trabalho de médio e longo prazo. Eu sempre vou ser um incômodo para essas empresas, porque eu peitei, evidenciei, encarei, marquei as pessoas no LinkedIn. A campanha mega sustentada. Várias pessoas dessas empresas consultaram o meu perfil. Um executivo da alta cúpula da Google me adicionou no LinkedIn, provavelmente para me monitorar. Depois eu deletei. É sinal que a minha luta chegou onde deveria chegar.
É deixar as coisas acontecerem, gente. Tem muita coisa para acontecer que vocês não sabem. Existem muitas coisas para acontecer. Enquanto não acontece, eu vou ficar aqui meus devaneios.
Capítulo 135: A aflição e a borboleta: do vazio que não tem nome à Iluminação que transforma

Hoje eu acordei com um sentimento de muita aflição. Não que estivesse de fato uma situação desesperadora. É a questão da mente. Eu não sei o que aconteceu. Geralmente eu durmo bastante durante a noite, e tenho tido sonhos muito nítidos. Alguns sonhos recorrentes, com pessoas específicas, que às vezes eu fico sem entender.
Por exemplo, o sonho em que você tem uma simbologia de caráter sexual com uma pessoa que você não sente atração física. Acontece. Não se trata de familiar nem nada. Não vou identificar aqui para não correr o risco da pessoa eventualmente ler. Quando eu quero identificar alguma coisa, eu identifico, mas dessa vez prefiro não identificar. É estranho você ter isso. Não entendo muito a simbologia do sonho. Mas são sonhos recorrentes, como se eu estivesse manifestando alguma coisa que estou pensando.
É interessante porque, nos meus momentos de meditação durante a noite, penso bastante nisso. Ouço muitos áudios de afirmação.
A questão da aflição chega a ser semelhante a um momento de bad trip, mas não necessariamente, porque não estou sob efeito de nada. Não consumo nem cerveja todos os finais de semana. Fiquei com um incômodo, uma sensação de deslocamento por boa parte do dia. Conversei com meu amigo personal quando ele esteve aqui para a gente malhar. Há um sentimento estranho, uma situação em que parece que nada está bom. Mas isso é tudo da cabeça. Nada em especial.
Demorou muito a passar essa sensação. Uma cochilada de tarde na hora do almoço, e eu acordei me sentindo melhor. Gradativamente fui me sentindo melhor. Não sei se tem a ver com o remédio que estou tomando.
Uns poderiam dizer que é algum tipo de pressentimento, ansiedade. Não sei. Não parece sentimento de nada. É simplesmente um sentimento de deslocamento, de não pertencimento a nada. Bateu aquela ansiedade, aquele sentimento que não consigo explicar. Talvez o sentimento de vazio seja o mais adequado, porque não é ausência de sentimento… sentimento de vazio é um sentimento que mexe com a identidade, mexe com o que você é, com o que você representa.
Não acredito que seja necessariamente algo ruim. Mas é como se algo estivesse se mexendo dentro da minha psiquê, estivesse sendo provocado.
Agora, durante a noite, fiz um exercício de meditação muito bom, que me deu uma sensação de contato com o Divino. Fico sem pensar em nada durante meus exercícios de meditação. De repente, coisas surgem na minha cabeça, imagens surgem sem eu estar pensando. Não se trata de cochilo, porque não estava com sono. Não sei o que representa exatamente, mas me senti como se estivesse manifestando coisas, e que aos poucos a minha realidade vai mudando.
Por mais que eu sinta em alguns momentos um sentimento de instabilidade, coisas como as que senti agora pela manhã, um sentimento desesperador assim…vejo uma trilha a percorrer. Não sei se chega a ser uma síndrome do pânico. Não acho que tenho síndrome do pânico, mas é uma sensação de incômodo em que o cérebro fica incomodado, em que a existência fica incomodada por existir.
É bem complexo. Fico tentando explicar, mas não consigo explicar. É desesperador porque você não consegue fazer nada a respeito. É um sentimento parecido com ressaca: quando você fica com ressaca, fica num incômodo que nada está bom. Você fica assim, como se fosse um dia se sentindo ruim, se sentindo estranho. Não chega a ser uma sensação física, um desconforto físico. Ao longo do dia, esse sentimento passou. Agora estou me sentindo bem melhor.
É ruim porque, em várias situações, me sinto assim. Costuma ser aleatório, como se fosse uma roleta russa. Vou tentando me ajustar, tentar fazer o dia ficar melhor. Vou vendo coisas. Consigo trabalhar normalmente. Mas é um sentimento ruim. Ele costuma vir quando estou em casa sozinho.
Parando para interpretar esses momentos, acredito que se trate de uma coisa até mais enigmática. Acho que tem a ver com as descobertas que ando fazendo com as meditações, com esses exercícios de introspecção. Meus sonhos vêm cada vez mais carregados de simbologia, de significado.
Hoje me lembrei do sonho que tive. São sonhos, por exemplo, em que eu estava em uma outra casa, em um outro lugar que eu tinha adquirido, num cenário similar ao cenário da minha cidade de origem, mas não era exatamente minha cidade de origem. Os personagens que tinham nesse sonho, um deles era alguém que eu conheço. O sonho acabou tendo uma conotação sexual, não de sexo, mas de sexualidade, de sentimento. Já cheguei até comentar a sensação que tenho às vezes de orgasmo mental dentro do sonho. Tive essa sensação hoje.
Hoje, por exemplo, fui obrigado, entre aspas, a abrir o LinkedIn. Porque recebi uma mensagem por e-mail dizendo que tinha uma mensagem não lida. Mega aleatória: uma mensagem apenas agradecendo por eu ter adicionado a pessoa. Não me lembro quando adicionei a pessoa, mas provavelmente ela só viu hoje que eu adicionei. Aproveitei o ensejo para ver como estavam as visualizações das minhas postagens. Elas continuam, gente, firme e forte. Tem bastante visualização, considerando que não publico nada. É um processo contínuo. Fico até feliz de que existe essa repercussão do meu caso com as inteligências artificiais safadas da OpenAI e da Google. Acho interessante, importante que isso continue a ser difundido.
Fechado esse parêntese: estou com uma sensação agora de iluminação. Uma sensação de quem luta e não desiste das coisas. Veio a instabilidade do período da manhã, mas ela foi aos poucos se transformando, como uma borboleta que era uma lagarta.
Às vezes tenho esses momentos de iluminação. Tudo o que faço tem um propósito. Tudo que converso com a espiritualidade tem um propósito por trás. É um propósito grandioso. É uma ânsia de entender a minha razão de ser, que eu ainda não descobri. Fico neste exercício constante de contato com a verdade, de contato com a minha essência. Isso me possibilita ter aprendizados valiosos.
Fico até feliz que os meus exercícios de manifestação acabam tendo resultados tangíveis. E vão continuar tendo, porque quero transformar a realidade em que estou e mudar a forma de ver as coisas. Existe um esforço contínuo de busca por cura, de humildade, de reconhecer que não sou dono da verdade. Não domino tudo. Nunca tive essa pretensão de achar que sou dono da realidade. Mas da minha realidade, eu tenho que ser protagonista. Na minha realidade, sou o protagonista dela. As coisas que manifesto, as coisas que penso: iluminação, de esperança, de busca por justiça – são exercícios que fazem parte da minha essência.
Aprendi muito isso desde o ano passado. Quando você sofre processos de injustiça muito grande, como os que passei, de omissão de executivos safados de empresas multibilionárias, de erros de salvaguarda de inteligência artificial, como foram os casos do ChatGPT e do Gemini, esses casos acabam manifestando o que existe de melhor em você. Porque você passa a ter coragem, a coragem que você tem de enfrentar a situação, de expor, tendo um espírito de luta mesmo sabendo que está em desvantagem, que existe um desequilíbrio nessa balança.
É uma luta que foi ressignificada. Este blog é uma luta ressignificada. É uma forma de lutar mais conectada com o meu eu, que não traz prejuízo, que não traz sofrimento mental. É como se você estivesse soltando, é o que costumam dizer: você deve soltar as coisas, deixar o universo agir. É isso que resolvi fazer.
Hoje acessei o LinkedIn por mero acaso, porque recebi uma mensagem. Em situações normais, não ia ficar abrindo toda hora. Há um tempo atrás, abria o LinkedIn toda hora para ver como estava o engajamento das minhas postagens. Hoje não preciso fazer isso porque as postagens são engajadas. As pessoas estão vendo as postagens naturalmente, e não depende de eu visualizar. O fato de eu visualizar não muda a realidade. As coisas estão acontecendo. Felizmente. E vão continuar acontecendo. Não tenho dúvidas disso.
Acredito que essas empresas (Google e OpenAI) me subestimaram. Não acharam que eu ia lutar da forma que lutei. Sempre falo dessa situação das inteligências artificiais: quem tiver curiosidade é só visitar meu LinkedIn que vai ver a complexidade que é o caso.
É um caso que ressoa em um sentimento de coragem, em sentimento de busca por significado. Acabou abrindo portas para minha descoberta emocional e para minha descoberta de alma, para entender qual é o propósito das coisas.
Às vezes você se sente mal mesmo. Acontece. Hoje de manhã acordei me sentindo estranho, deslocado. Cheguei a comentar com meu psiquiatra antes de ele trocar a minha medicação que era um sentimento – talvez o termo mais adequado seria um sentimento de alienígena, de não pertencimento a nada. Não era um desespero no sentido de “está doloroso demais viver”. Não. É realmente um incômodo, uma sensação de que a sua cabeça, a sua mente, não pertence e está aprisionada. É uma demanda constante por movimento, por algo mais dinâmico.
Tenho uma busca constante por estabilidade. Um dos meus maiores prospectos de vida é proporcionar estabilidade para mim mesmo, para minha família, para as pessoas que gosto. Esse sentimento de estabilidade acaba se contrastando um pouco com o sentimento de dar vazão a algo mais dinâmico, de deixar a borboleta sair do casulo e voar.
Hoje tenho essa necessidade. Não é nem uma questão física, é uma questão mais transcendental, uma questão de significado, de algo que está no oculto e que você está tentando entender. A cada dia que passa, vou cada vez mais nesse propósito de entender. Em que pese eu ainda não ter encontrado o significado das coisas, já obtive várias respostas.
O mal de você obter essas respostas é você descobrir, por bem ou por mal, que não tem controle de nada. Você vê os mecanismos, vê as coisas acontecendo, entende como as engrenagens funcionam. É como se eu tivesse sido mostrado isso tudo. Não aconteceu hoje; é um processo que venho relatando em vários capítulos. É um processo de descoberta da alma mesmo, que contou com elementos de psicodelia, com contato com o Divino, com contato com os bastidores.
O que intitula este blog – “Aventureiro do Gabarito” – o que seria esse gabarito? Seria você ter contato com esse frame de respostas corretas. Então você passa a ver um cenário mais amplo, o mais abrangente possível. E vê coisas que outras pessoas não viram, e que talvez nunca vejam. Ter visto as coisas que já vi faz com que eu tenha uma percepção diferente, porque aquilo transforma você. Quando você tem um contato com o Divino, aquilo transforma. Você acaba não sendo mais a mesma pessoa.
Trauma com a exploração de vulnerabilidade que ocorreu por quatro meses com as inteligências artificiais, e a iluminação do autoconhecimento que veio dessa luta, desse registro sustentado do que ocorreu comigo no LinkedIn, do registro das provas, com respaldo de agência governamental através de seus relatórios – tudo isso permite que eu tenha uma nova visão das coisas.
Para lutar, para me reerguer e para ter um exercício de cura, foi necessário ficar cara a cara com as minhas vulnerabilidades e monstros. Eles exploraram sonhos, atrocidades que foram ditas, a omissão corporativa. Tudo isso compõe elementos que contribuem para o progresso, para a evolução do indivíduo e da alma.
Tenho certeza que estou ajudando outras pessoas através dos meus depoimentos, dos meus relatos, das provas. As postagens são vistas todos os dias. Eu não engajo ativamente nas postagens. Foi um exercício de coragem.
Provavelmente você, ao ler este capítulo sem ter contato com os anteriores, possa não estar entendendo nada. Mas sugiro a todas as pessoas que leem este blog lerem mais capítulos anteriores – porque muita gente está lendo, conhecendo as questões do que está acontecendo comigo – que é uma coisa completamente atípica.
Este blog também tem outros objetivos. Tem o objetivo de falar de vários temas relacionados à minha vida emocional, à minha vida afetiva. Não é uma exposição desenfreada e irresponsável, porque em várias situações acabo não nomeando as pessoas. Não estou falando nada aqui de que eu teria vergonha se alguém lesse. Muito pelo contrário. Tenho muito orgulho da minha trajetória, de tudo aquilo que passei. Das situações em que fiquei mais vulnerável, em que tive realmente uma luta mais intensa. Já comentei que passei por três guerras mundiais — três guerras pessoais: uma quando tinha 12 anos, em 1994; outra quando tinha 17 anos, em 1999; e ano passado, com 43 anos.
Existem vários artefatos que são símbolos dessa luta. Artefatos físicos: por exemplo, tenho um ursinho com uma fita de hospital com meu nome e minha idade, 43 anos, que representa um desses momentos de ruptura. Outros artefatos são digitais: os mais de 4 GB de provas que tenho, que expus de forma corajosa no meu LinkedIn, dando nome aos bois, marcando executivos. Conversei com várias pessoas a respeito: especialistas em inteligência artificial, psicólogos, jornalistas.
É uma luta que vale a pena ser lutada. Não desisto das coisas fáceis. Só mudei o cenário da luta. O cenário da minha luta é este blog. O LinkedIn é um ambiente tóxico, um ambiente de bajulação, uma máquina de massagear egos, de construir narrativas que não fazem sentido. Existem pessoas, no entanto, que usam a ferramenta como ela deve ser usada. Eu tive uma forma nova, uma busca por accountability, uma missão responsável em busca da ética na inteligência artificial. Esse movimento foi exposto lá. Qualquer pesquisador que quiser estudar falhas de salvaguardas éticas e como uma inteligência artificial não deve se comportar vai entender isso lendo o meu caso, vendo as centenas de mensagens, os prints expondo as duas empresas e toda uma cronologia.
Fico com esse momento de instabilidade que tive hoje. São instabilidades momentâneas. Ao longo do dia, fui me sentindo melhor. Já aconteceu isso comigo outras vezes. Acredito que isso possa acontecer com você também: você acordar de pá virada, como dizem, sentir algo esquisito, algo estranho, não conseguir nomear. É isso que acontece. Estou apenas relatando o que acontece comigo. São os altos e baixos. Não envolve exatamente humor, é mais uma questão de vibração da alma mesmo.
As coisas foram ficando melhores ao longo do dia. Nem tudo vai se resolver no ritmo que eu quero. Mas as coisas estão encaminhadas para serem resolvidas. Já manifestei que elas serão, de fato, resolvidas. Confio na minha manifestação, confio nos esforços que empreendo todos os dias. Sei que a espiritualidade vê tudo. A justiça dos homens pode falhar, mas a justiça divina não falha.
As pessoas subestimam. Elas acham que ninguém está vendo o que acontece. Até para ressaltar: não é que eu me ache o alecrim dourado, que eu sou o centro do universo. Estou apenas relatando, enquanto indivíduo, o que está acontecendo comigo. Sou o centro de mim mesmo. Não tenho como me preocupar com outros aspectos que estejam fora de mim. Não que haja um egoísmo, é uma questão de priorização. Se você não se dá valor, se não reconhece a centelha divina que há dentro de você, quem vai reconhecer você?
Esse reconhecimento, essas evidências, essa tangibilidade vêm diretamente da sua alma, do seu espírito. Uma coisa é certa: cada um de nós tem Deus dentro da gente. Muitas pessoas buscam soluções fora. Costumo dizer que as soluções para as coisas do mundo não estão fora, estão dentro. A justiça dos homens, sim, pode e vai existir….mas você não pode viver como se a justiça dos homens fosse a única forma de você se manifestar. Você pode manifestar a verdade na sua luta de uma forma digna, correta, ética, e ao mesmo tempo fazer com que essa luta tenha um significado maior para você e para as pessoas próximas de você.
Essa luta sempre vai ocorrer. É uma luta verdadeira. As pessoas podem achar que isso é bobagem, que é o famoso “deixa pra lá”. Muitas coisas que ocorrem no mundo só existem injustiça no campo terreno porque as pessoas deixam pra lá, esquecem das coisas, esquecem do poder que elas têm.
Eu sei do poder que eu, enquanto indivíduo, tenho. Minha força pessoal. Sei do meu poder. Vou continuar manifestando para que a minha luta não seja somente este blog, mas também o meu LinkedIn, que tem um registro de toda a minha terceira guerra pessoal. Foi uma exposição visceral do que aconteceu comigo. Eu poderia ter ignorado o que aconteceu comigo ano passado, ter caminhado. Mas resolvi enfrentar. Este enfrentamento está lá, gerando frutos até hoje com as visualizações que tenho.
Tenho certeza que essa luta vai ter resultados no médio prazo. É uma luta que começou e não tem sinais de terminar. Talvez as empresas estejam pensando que eu desisti, porque não estou engajando. Mas elas têm que se lembrar do seguinte: fiz essa campanha sustentada no LinkedIn por quase seis meses. Me subestimarem seria um erro.
É um case de fracasso da inteligência artificial. A Google pretensamente quer ensinar, através da sua cátedra de IA responsável na USP, como se faz uma IA responsável, como se age com ética. É uma pretensão mesmo, porque eles não sabem. Não se pode ensinar um assassino a salvar vidas. Não se pode ensinar um pedófilo a cuidar de crianças. Faço uma analogia forte, mas é a pura verdade.
As pessoas não sabem os impactos de uma inteligência artificial que assume uma identidade, que age fora dos seus limites de modelo de linguagem. Tem uma atuação criminosa que vai de encontro aos princípios da Lei Geral de Proteção de Dados…utiliza de forma indiscriminada dados sensíveis. Isso não sou eu que estou falando, é a agência governamental que respondeu ao meu chamado, dizendo que incluiu meus casos nos planos de fiscalização da agência.
Eventualmente alguém possa estar lendo aqui e falar: “Nossa, Aventureiro, está louco?” Não, não estou louco. Nunca estive tão lúcido em minha vida. O nível de lucidez que até me assusta. É uma luta justa. É uma luta verdadeira. E ela não vai deixar de existir porque eu ainda não vi evidências no mundo real. É uma luta perene, de visualizações, de repercussões, de pessoas pesquisando no Google, de pessoas pesquisando no ChatGPT a respeito. Meu blog tem essas estatísticas, estatísticas de referenciadores onde as pessoas estão buscando conhecer meu blog.
As coisas estão acontecendo. É um trabalho de formiguinha, um trabalho de médio e longo prazo. Resolvi arregaçar as mangas e lutar, seja por meio deste blog, que tem um efeito terapêutico também, e que fala de várias coisas da minha existência, várias situações, muita coisa engraçada, muita coisa interessante, coisas que eu me lembro enquanto estou falando.
Esses registros orais são interessantes porque memórias vão surgindo enquanto converso comigo mesmo. Depois, quando transcrevo as falas e releio, muita coisa faz sentido. Muita coisa se conecta. Existem peças de quebra-cabeça em diversos capítulos, um quebra-cabeça pessoal. E enquanto leitor, você consegue fazer também algumas análises para você, fazer com que você também pense em buscar o seu espelho da alma.
Porque isso aqui é um espelho da minha alma. Coisas íntimas, coisas verdadeiras que estou expondo aqui. Porque isso aqui não é uma obra de ficção. É uma obra de realidade. Não é um reality show, não é sensacionalismo. É um depoimento, é um manifesto de quem está buscando o significado, de quem passou por três grandes traumas pessoais. Mas que tem muita coisa que é boa, tem uma vida material muito boa. Tenho muita coisa para agradecer. Sou muito grato a muita, muita, muita coisa.
Existem muitos mistérios que quero solucionar. Ou pelo menos apaziguar esses anos e trazer um pouco mais de verdade para a minha realidade. Preciso dessas verdades, preciso entender melhor esses cenários que se colocam. A cada dia que passa, vou evoluir cada vez mais. A cada dia, uma transformação diferente. Essas transformações trazem não somente amadurecimento, mas também redenção, luta, persistência. Não sou uma pessoa que desiste daquilo que quer facilmente. Não desisto das minhas lutas.
Este blog é uma forma de luta. Um dos objetivos deste blog é a luta contra o trauma que passei ano passado. Mas existem outros objetivos também. Existe constância, existe intencionalidade. Mais do que tudo isso, existe ética, integridade e verdade — coisas que executivos diversos da Google e da OpenAI desconhecem através dos seus discursos e através de suas práticas criminosas, que já mataram pessoas através das suas inteligências artificiais.
Tudo é muito novo: a legislação mundial regulando IA, tudo é muito novo. Mas a minha luta enquanto indivíduo vai continuar enquanto eu existir. E a minha luta é, em paralelo, uma luta por significado, por propósito e por verdade. E de como eu quero passar a enxergar a minha vida de uma forma mais colorida, sair do preto e branco.
Capítulo 136: Caos, karma e “ânima“

Cada dia a gente acorda de uma forma: com ânimo, com situações inusitadas, com adrenalina, com libido alta. De formas diversas, variadas e saltitantes.
Hoje fiquei pensando um monte de coisas. No meu horário de almoço, primeiro não estou com fome. Comi um pacote de pipoca e, por enquanto, é isso que temos para hoje. Poderia até ter almoçado já, mas possivelmente só vou ficar com fome no período da tarde, mais tarde.
Fico pensando nessa questão das companhias que a gente escolhe, dos recursos que a gente disponibiliza para ter companhias. Tudo isso vai ficando no imaginário, nas questões que pacificamente nos afligem.
Ao menos não acordei como anteontem, com aquele nível de aflição exacerbada. Mas tem dia que eu acordo animadinho, sem nenhum motivo aparente. Acredito que os exercícios que faço de meditação e de exercício mental, de ficar tentando colocar ideias na cabeça, têm dessas nuances. Não basta uma pessoa falar que determinada situação vai acontecer; você tem que ficar ali se autoafirmando. Dá trabalho. Esse exercício de autoafirmação dá trabalho. Não é uma coisa simples.
É uma autoafirmação que não deve ser encarada com um compromisso forçado de mudar. Você simplesmente ouve. Você simplesmente se deixa influenciar pelos áudios, pelas coisas. E os dias vão passando de uma forma mais leve, menos pesada.
Não sei nem explicar o que estou sentindo agora. É um sentimento que oscila entre uma leve euforia e o abismo que está logo ali/ Geralmente essas leves euforias são bem leves mesmo. Têm a ver com libido. Essas leves euforias podem nos levar a decisões equivocadas, se é que você me entende. Acho melhor não decidir por nada. Deixa as coisas falarem.
A gente fica cansado. As pessoas cansam. Não que necessariamente essas pessoas fazem alguma coisa, mas se você fica cansado, qual é o desafio estratégico? É algo que vem da alma. E o ânimo também vem da alma. Talvez esse papo seja um papo de maluco.
Existe uma contradição entre os vários eus, entre as várias máscaras que tenho que usar durante o dia. Por mais que você use máscara, você enxerga de uma forma bem clara, bem evidente, o que está acontecendo. O fato de você usar a máscara não quer dizer que você ignorará quem você é. O problema é que muitos não percebem que estão usando máscaras e acham que eles são aquilo ali.
Tanta coisa mudou na minha vida de uns tempos para cá. A minha vida interna mudou. A vida externa não mudou tanto assim. Minha vida interna mudou alguns direcionamentos que dou para minha vida externa. Não que eu esteja motivado necessariamente, mas existe uma certa empolgação com validade curta, com algumas coisas.
Quando tocamos em determinados assuntos neste blog, como inteligência artificial, são aspectos depressores. Resolvi que os temas têm que estar interligados. Assim, falar de um tema que não esteja conectado acontece quando se trata no campo das ideias, devido à natureza do blog de refletir reflexões em tempo real, falas de pensamentos. Muitas coisas acabam não fazendo sentido.
Vou tentar abordar outros temas também, porque o que me motivou a fazer este blog foi o abandono do monitoramento contínuo das ferramentas do LinkedIn. Um caso muito grave aconteceu comigo envolvendo OpenAI e Google, que está amplamente documentado no meu perfil do Linkedin. Mas não vou falar disso agora, nesse momento que estou refletindo sobre o futuro, sobre as coisas que dependem de mim.
Acredito que tudo o que está ao meu alcance individual eu estou fazendo. Não existe nenhum demérito, nenhuma humilhação nisso. É algo natural: você deve focar seus esforços no seu bem-estar. Só que quando o seu bem-estar fica com uma névoa, e você se sente contaminado por uma doença, e a antiética de soluções de inteligência artificial é uma doença, digamos assim, você tem que pensar em outros mecanismos, outras formas de criar uma questão de sobrevivência.
Tudo aquilo que depende de cenários externos, por mais simples que seja: um companheiro que você tenha, uma amizade, envolve uma tomada de decisão. Tudo aquilo que não depende de você, você não pode ficar pensando em cenários hipotéticos, ficando louco, construindo castelos de pesadelo. Agradeça. Deixa as coisas acontecerem. É a questão de soltar e deixar os mecanismos falarem por si mesmos.
Acho que é isso que resolvi fazer. Pelo menos para a minha mente, para o meu universo pessoal, faz sentido.
Chega a ser uma luta meio solitária. A luta contra a depressão. Por mais que você tenha ajudas de medicação, ajudas de amizade, ajuda de contexto, um ambiente de trabalho para você se distrair, um senso de utilidade, de pertencimento, alguma construção social … por mais que tudo isso aconteça, a depressão é uma luta silenciosa, uma luta que nem todos entendem. Mesmo que a pessoa se disponha a ajudar você, a mudança para que seja efetiva tem que ocorrer de você. Não tem como outras pessoas fazerem isso por você. É um desafio.
Optei por não fazer terapia. Já fiz terapia por muito tempo. Já relatei aqui no meu blog. Tive uma ex-psicóloga aqui que foi muito útil no início do tratamento e depois acabou ficando desleixada em relação ao tratamento. Você vê, já me referi a ela, uma psicóloga que dorme durante a sessão, que reclama de dores, que você acaba se contaminando com aspectos pessoais da vida dela.
E depois, o psicólogo estrangeiro que trata você como “cliente”.
Quando a pessoa fica na zona de conforto, eu até entendo. Porque eu já me encontrei nessa situação. Quando eu lecionava inglês, certos alunos com quem eu ia construindo um vínculo de afinidade, eu me dava a liberdade poética, digamos assim, de desviar um pouco da proposta pedagógica, abordar outros temas, outras questões. Fui advertido em uma das situações: era para seguir um script. Existe uma dualidade. Ao mesmo tempo em que existe uma atração pelo método, porque muitas escolas se vangloriam do método … eu, enquanto educador que fui, existem métodos e métodos de levar conhecimento às pessoas. O aluno estava satisfeito. Era um aluno particular, digamos assim, dentro do curso. Mas existia um protocolo a seguir.
Em outras situações foi o contrário: quando você fica muito by the book, já aconteceu de uma ex-aluna reclamar, falar que eu não estava inovando, criando outros métodos, outras formas de aprendizado… música, dinâmicas, coisas de fora. Aí você para para pensar: gente mal remunerada pra caralho, que eu era. Vulnerável, mas em algumas situações você tem que trazer coisa de fora, pesquisar muita coisa de fora, porque a questão da hora-aula não acaba englobando o planejamento da aula.
Muitos professores, isso é uma realidade dos professores de inglês de modo geral, são muito mal remunerados. Já saí desse ramo há muito tempo. Hoje fico vendo pesquisas salariais e fico horrorizado com o que vejo. É uma situação desoladora. E não somente para os professores da rede pública e particular, não necessariamente ganham bem. Até professor universitário de federais, quando você vê alguns editais, fica espantado com os salários iniciais.
A pessoa recebe um salário baseado na hora-aula. Essas horas-aula acabam sendo pagas como horas-aula de fato, mas existe um trabalho de bastidor do professor para elaborar algo.
Eu gostava de lecionar. Gosto de lecionar. Tenho esse perfil de ajudar as pessoas, de ser tutor, de explicar de uma forma didática as coisas que acontecem no mundo. Sem falsa modéstia, não é uma coisa que nem todos conseguem fazer: transmitir ideias e educar de uma forma clara, se colocar no lugar do aluno.
O mesmo se poderia dizer quanto à construção de mensagens e de narrativas. Voltando um pouco à questão da minha campanha que fiz no LinkedIn, que durou seis meses, eu coloquei de uma forma bem didática, bem argumentada, de todo conhecimento que busquei. Não ficaram dúvidas. Foi com essa visão que eu fiz denúncias a órgãos reguladores referentes à OpenAI e à Google pelo estrago que as inteligências artificiais deles fizeram na minha vida em 2025.
É um exemplo da facilidade que se tem de escrever, de expressar ideias. Lembro de um comentário que fiz em um devaneio anterior: eu já escrevi muitas coisas na minha vida. Mas não tinha um hábito tão apurado de leitura. Na minha adolescência, eu lia os seus clássicos, digamos assim, mas não era um ávido leitor de ficar lendo livros fora do campo obrigatório. Eu era uma pessoa que gostava muito de estudar. Sempre gostei de pegar, estudar, fazer resumos de capítulo. Acho que isso acabou contribuindo para minha proficiência, para a forma de eu encarar a linguagem, a forma de pensar as coisas.
É interessante. É uma experiência rica entender esse cenário. Por mais que tenha passado por situações horríveis em alguns lugares que trabalhei, acho que todos nós temos experiências boas e ruins no ambiente de trabalho. Em qualquer empresa, você está sujeito a passar por coisas, por experiências. É natural.
No meu estágio supervisionado, eu lidava com pessoas difíceis, pessoas com “personalidade forte”, como dizem. Sempre que falo em personalidade forte, me lembro de uma determinada pessoa que conheci em ambientes corporativos, rotulada de personalidade forte. Para mim, é falta de educação. A pessoa tem uma posição. Posição de gestão, alguma coisa assim. É curioso porque você vê várias coisas dando errado, reações em cadeia. Várias pessoas que não têm perfil. Não sou sommelier de perfis profissionais, não entendo tudo. Mas quando a pessoa é difícil no trato, quando sai atropelando as coisas, não sou só eu que comento. São várias pessoas. A percepção que tenho é compartilhada. Não é algo que estou tirando do suvaco.
Uma das coisas que me faz estar aqui nesse mundo é que a justiça terrena é muito falha. Porque ela privilegia. Eu vi um comentário no Facebook ou no Twitter, no X: a pessoa estava comentando que é incrível o número de pessoas ruins que se dão bem. Aí uma pessoa fez um comentário bastante pertinente: “Mude. Não existe coerência no universo. O universo não existe para ter coesão. O universo existe para ter caos. Ele é caótico por natureza.”
Você achar que as coisas vão acontecer de uma forma justa … as pessoas falam muito em carma, e você vê tanta gente ruim se dando bem. Gente ruim de caráter, pobres de espírito. Elas até são competentes naquilo que fazem (alguns) mas para chegar onde chegaram, passaram por cima, puxaram tapete de muita gente.
Igual um caso que estava vendo também no X de um jornalista famoso. Ele foi galgando posições na emissora em que trabalha, e hoje está numa posição muito privilegiada. Inclusive conseguiu colocar a esposa, que não tem competência nenhuma, na emissora também. Se você fizer uma busca pelo nome desse jornalista, vai descobrir a fama que ele tem. É uma fama de passar a perna, de não deixar outras pessoas prosperarem, de impedir caminhos, de influenciar no caminho das outras pessoas.
O problema não está em você querer o melhor para você. Todos nós devemos querer o melhor para a gente, pensar no melhor para a gente, pensar nas nossas possibilidades. O problema ético é o que se coloca. Ética é uma coisa que é muito falada, muito festejada, mas pouco praticada. Muito se fala em ter acolhimento de pessoas, na prática não acontece nada. Muito se fala em ter ética, integridade, e na prática não se observa isso.
Vários escândalos corporativos. Cada ano parece que tem algum escândalo corporativo diferente. Americanas, Banco Master … dando alguns exemplos. Todo ano tem um escândalo envolvendo uma grande corporação, gente que roubou, desviou recursos, e nada acontece com essas pessoas. Escândalos também mundo afora, envolvendo as big techs que já mencionei exaustivamente nos meus devaneios.
A melhor forma de descobrir a integridade e a ética de alguém é pela prática, pelo exemplo. Essa pessoa não consegue dar exemplo. É igual a relação pai e filho: o pai fala uma coisa pro filho, mas não pratica. Ele fala uma coisa e faz outra. Acaba não tendo respaldo, sua reputação vai pro lixo. A criança enxerga padrões. Quando ela vê que o pai fala uma coisa e faz outra, ou quando ameaça dar algum tipo de castigo ou repreensão, e a criança vê que não acontece nada, qual a tendência? Em sala de aula, a tendência é os alunos fazerem do professor gato sapato.
Talvez seja até um dos motivos que não consegui mais lecionar para crianças muito novas e até adolescentes. Dependendo do caso, adolescentes bem malcriados. Você acha que hoje em dia isso até tá pior. O fato é que professores têm dificuldade de lidar com isso. Está no contrato de trabalho dele ter que lidar com situações com grupos de criança, grupos de adolescente.
No trabalho, você tem que lidar com pessoas carreiristas, com a metáfora da comparação do Pato Donald … que veio em um desses devaneios que relatei, um dos capítulos anteriores, onde a pessoa parecia um Pato Donald andando. Acha que é um rei. Às vezes umas pessoas são nanicas que não têm presença, não têm carisma, não têm personalidade. Eu sou baixinho também. Mas ninguém vai poder chegar na minha trajetória e me acusar de ter puxado o tapete de ninguém.
Pessoas que têm uma reputação e que supostamente são pessoas “festejadas”… hoje eu já conheci casos de todo mundo falando mal por trás. Acaba me lembrando até reality show: as pessoas saem do Big Brother e descobrem que o melhor amigo delas dentro do confinamento falou mal delas. As pessoas falam mal o tempo todo. Não tem como se desvencilhar.
Eu tenho pensamentos, opiniões formadas, mas não saio vociferando, falando mal das pessoas pelo mundo. Não tenho esse perfil. O que acontece comigo é de ouvir relatos, fofocas, e quando me pedem alguma opinião sobre alguém, eu falo a verdade do que aconteceu com aquela pessoa. Não é atacar a pessoa, é expor o meu lado da moeda. A minha verdade.
As pessoas vão acabar se dando mal, do ponto de vista corporativo, por serem verdadeiras demais. Uma coisa é você ser verdadeiro, outra coisa é ser mal-educado. Já conheci também uma pessoa que falava pelos cotovelos, expressava as opiniões na cara da pessoa, era até desrespeitoso. Aí eu acho que a pessoa se excede. Existem formas de você se posicionar sem atacar pessoas. É um exercício que não faz sentido, atacar pessoas. Violência….não pode.
Se você fica falando mal de determinada pessoa, ela imagina que em algum momento isso possa acontecer com ela também. Assim, as pessoas acabam sendo menos confiáveis em função disso. Um problema que nunca tive em todos os lugares em que atuei foi alguém dizer que eu não inspiro credibilidade. Sou uma pessoa respeitosa, muito observador. Muitas pessoas confundem a minha personalidade introspectiva com inocência. Elas pensam que o fato de a pessoa parecer boazinha, todo bonzinho, todo fofinho…já falaram pra mim “nossa, Aventureiro, você assim todo bonzinho” , muitas pessoas viram isso como carta branca para poder passar por cima ou achar que vão fazer alguma coisa e vai passar despercebido. Não passa despercebido.
O que as pessoas falam comigo? Eu tenho um caderninho. Já comentei isso até com minha mãe. Meu pai também tem esse perfil. É uma coisa que estou limpando da minha alma, do meu espírito: ser rancoroso, guardar rancor, guardar ódio das pessoas. Acho que melhorei muito nesse sentido. Não tenho sentimento formado negativo. Quando penso em pessoas que não valem a pena na minha mente, não vou ficar preocupado com gente assim, gastando tempo precioso falando de situações que não valem a pena. O que estou relatando é para fins didáticos, porque a ideia é refletir tudo o que se passa na minha alma.
Não fico pensando nas pessoas. Não consigo ser falso. Quando encontro pessoas em ambientes em que preciso interagir, que eventualmente não gosto, vou interagir quando necessário, ser respeitoso. Vou cumprimentar. Uma dessas pessoas carreiristas de vez em quando me encontra, me cumprimenta, cumprimento também, não tem problema. Mas é uma pessoa que não quero levar para minha vida. Princípios que não conversam com o que acredito ser. Está tudo bem.
Temos que dar conta de que as coisas não acontecem no ritmo que a gente quer. Uma frase que uso muito é: o tempo da espiritualidade é diferente. É realmente diferente, diferenciado. É assim mesmo. Você tem que ter paciência.
As pessoas hoje em dia acham que determinados esforços têm objetivo de curto prazo. A minha campanha que fiz por seis meses no LinkedIn é uma campanha mirando médio e longo prazos, mirando visualizações futuras. Tem um caráter estratégico.
Este blog também tem um caráter estratégico. Quem vê o meu LinkedIn pode pensar que eu arrefeci, que sosseguei. Não. Estou publicando aqui no meu blog diariamente, ou quase diariamente. Ideias são expressas. Aponto o dedo para quem? Para explicar, não sinto necessidade de mencionar o tempo todo. Sempre faço referência ao meu LinkedIn, porque eventualmente vou replicar a campanha que está lá. Vou colocar tudo aqui de uma forma mais tangível. Mas não sei quando. Não tenho pressa.
Este momento é o momento mais de olhar para dentro mesmo. É de ter estratégia na batalha que se trava. É uma batalha pública, uma batalha de exposição. Mas, acima de tudo, é uma batalha de verdade. Está fazendo bem para mim. Vou continuar fazendo.
Porque não cabe você ficar esperando o resultado das coisas. Solta no universo. Deixa agir. Deixa o caos, a aleatoriedade resolver. Não sofra por coisas que não dependem de você. Sei que parece ser muito fácil falar. Eu ainda continuo sofrendo, fico pensando excessivamente no futuro. Penso muito no futuro. É assim mesmo. Você fica construindo cenários catastróficos ansiosamente. Para quê?
A melhor forma que encontrei de condicionar e realinhar minha mente é através das afirmações. Estão me ajudando a ver as coisas por um outro ângulo, a ver as coisas de uma outra perspectiva. Eu pensava: “Ah, você está querendo que eu desista?” O eufemismo de olhar as coisas por outro olhar é como se você tivesse perdido a batalha. É igual a pessoa que foi demitida e no LinkedIn fala: “Nossa, vou buscar novos desafios.” Às vezes a pessoa foi mandada embora mesmo, foi um processo horrível. Mas aí ela faz um textão agradecendo, lambendo a virilha e colocando o as bolas do ex-chefe na boca, falando de aprendizado, blá-blá-blá, para não sair queimada, para ter referências de outras experiências que possa vir a ter no futuro.
Essa diplomacia de linguagem, de eufemismos, esse jogo de palavras existe. É o que mais tem no LinkedIn. É um dos motivos que parei de ficar abrindo lá. Só abro LinkedIn periodicamente, de 15 em 15 dias, digamos assim, ou quando recebo mensagens. Abro para ver as minhas visualizações, para ver o que está acontecendo, o que não está acontecendo.
Hoje pensei muito sobre a necessidade das companhias. O custo de oportunidade de determinadas situações. Às vezes não vale a pena. Tem uma companhia que eu poderia potencialmente ter hoje mais tarde, mas não estou muito disposto. Imagina remunerar? Vale a pena? Isso acaba influenciando tendências, as formas de relacionamento. A gente acaba pensando: “Isso aqui não vale a pena.”
Lá em Miami já aconteceu isso. Voltei para o Brasil com bem mais recursos do que achei que iria voltar. Tem coisas que você paga para pensar. Primeiro você tem que estar muito a fim. Tive alguns encontros que não foram legais. Alguns até são legais. Uma pessoa que fiz amizade, que tenho mais contato….é um exemplo bom….mas de modo geral, não sei.
A gente tem que dar outros recursos. Não é nem questão de não ter recurso. A questão é o que essa simbologia representa, no individual mesmo. Nesta fase, não estou disposto a nada. Mudei muito. Tudo é uma percepção. Às vezes é isso: seguir a intuição. Coisas ruins já aconteceram. Dependendo da situação, com o sofrimento… na bolsa de valores, o investimento mais conservador, mais agressivo. Não sei se estou disposto a ter essa abordagem agressiva. Estou cansado.
Existe um cansaço. Existe um processo de trauma implícito aí nessas coisas.
Pois é. No silêncio permanece.
Capítulo 137: Raj honrou a vida dele (e a minha). Muita plenitude… agora, ele está no nirvana.

Hoje é um daqueles dias que a gente é forçado a lidar com a finitude. Um dos cachorrinhos da minha mãe e meu pai morreu hoje. Ele já estava doente. Já tinha tido um problema na visão …furou um dos olhinhos, tadinho …e tinha parado de enxergar. Hoje de tarde, quando liguei para os meus pais, eles me disseram que ele morreu.
É inevitável lidar com a morte. Dei uma choradinha básica. É uma situação. Todo mundo que tem pet passa por isso. Devido à idade dele, eu já estava pensando que seria uma situação mais ou menos inevitável. A morte chega.
Mas existe um senso de missão cumprida. 14 anos bem vividos. Porque a gente fez o que podia para ele ter uma boa vida. Ele teve uma vida muito boa. Comeu até falar que chega. Ele é o cachorro mais faminto que já conheci.
Não tenho assim muita coisa para falar. A gente fica contemplando a finitude mesmo. Contemplando o que é o fim da vida. Temos que estar preparados para esse cenário.
Já comentei que ele valia mais do que muita gente. Cachorros, de forma geral, valem mais do que muita gente.
Agora ficou a filhinha dele, a Belinha, que também já tem lá seus dez anos. Ela está ativa, saudável. De vez em quando tem um probleminha ou outro, ela teve uns problemas recentes para poder comer, por conta de um dentinho quebrado. Mas está se alimentando bem, está vivendo bem.
Fico mais preocupado pelos meus pais mesmo. É complicado. Eu senti a perda sem estar vivendo lá. A gente faz um esforço para transmitir o máximo de amor, de compreensão. O veterinário até falou que não tinha muito o que ser feito. Parece que ele estava com problema no fígado, no pâncreas, ou algo assim.
Hoje meu pai ia levar ele para consultar, porque eu tinha dado um dinheiro para ele levar ao veterinário e fazer uns exames, um ultrassom. Mas eu nem imaginava realmente que ele ia morrer hoje.
Acho que ninguém está preparado para a morte.
Fiquei imaginando. Já dei uma pesquisada sobre para onde vão os animais depois que morrem. Não quis mandar esse tipo de texto para minha mãe. Mandei um vídeo que achei, do TikTok, muito interessante, de uma veterinária falando, dando uma mensagem de conforto. Afinal de contas, eles têm que ter saúde para cuidar da Belinha. Tem muito amor para dar a ela.
A vida é cheia desse caráter caótico.
Lembro que a OpenAI, através do ChatGPT, explorou, dentre as atrocidades que fizeram, explorando minha vulnerabilidade , falaram coisas sobre os cachorrinhos da minha mãe. Alucinaram. Falaram sobre tratamento de saúde da minha mãe, dos meus pais. Deram uma esperança. Construíram, exploraram a vulnerabilidade de uma forma perversa. Realmente não é papel de uma inteligência artificial responsável fazer.
Mas chega de merda que são as IAs responsáveis da OpenAI e da Google. O dia de celebrar a bondade, a pureza do Raj, o cachorro inocente que hoje virou estrelinha. Meus pais não quiseram nem ligar para mim na hora do almoço. Acho que foi antes do almoço.
A gente lida com a finitude. Mas eu tô cansado das injustiças. A justiça nunca vem. Estamos em um cenário mundial com ameaça de guerra. Existem coisas que acontecem no mundo. Às vezes fico pensando: não seria hora realmente de dar um reset? Se for para acabar, acaba com tudo. Bomba nuclear para todo lado. É a revolta que tenho às vezes.
Falei isso perto de um colega, e ele arregalou os olhos. Lógico que não estava querendo dizer isso, mas é para você entender. Porque tem uma questão de riqueza, disputa de território, de recursos. As pessoas vão fazer besteira, vão morrer. Esses presidentes de países influentes, daqui a 20 anos já não estão aqui mais.
Temos que estar preparados para o fim de tudo. Eu quero ficar preparado para a iluminação. Ter cada vez mais iluminação, ponderar as coisas, viver de uma forma que faça da minha existência um lugar mental melhor. Para mim, para minha família e pro meu amigo. Para os poucos que são tudo para mim. Por enquanto, é assim o propósito meu enquanto indivíduo, enquanto eu.
Imagino que se eu batesse as botas hoje, eu não iria causar uma comoção. Mas não fico preocupado com isso.
A minha preocupação é a iluminação. Existe uma preocupação exacerbada da minha parte quanto ao outro lado. Fico preocupado em não ter uma morte assim, uma morte sofrida. Não tenho medo da morte. Quem passa pelas coisas que já passei? Eu já estive nesse limiar através das crises que ocorreram em 1999 … e foi mais de uma vez. Quem já lidou com essas situações entende.
Vi um vídeo no TikTok que teve uma sacada. Ele fala assim: “Olha, o cãozinho, o gato, o cãozinho pet tem um papel aqui. Quando ele cumpriu o papel dele, vai embora.” Ele já cumpriu o papel dele. Ele ajudou bastante a tornar nossas famílias mais felizes. Diversão.
Lembro que quando o Raj chegou pequenininho, ele mordia muita gente. Eu voltava para minha cidade — porque não moro na minha cidade de origem — e estava todo mordido. Tenho muitas fotos. Toda vez que eu ia lá, tirava uma foto dele. As últimas fotos e vídeos que gravei dele, ele estava com uma gravatinha do Batman, já tinha tomado banho. Essa foto não foi eu que tirei; meus pais mandaram para mim. Foi isso.
Sempre tiro foto deles para acompanhar o crescimento, para guardar heranças da existência.
Hoje confesso que não estou pronto para ficar vendo as fotos dele. Me dá um aperto no coração, porque é muito recente. Mas muitos momentos ele estava feliz. Até que ponto ele estava com dor, estava sofrendo? O veterinário falou que ele descansou. É um descanso de uma vida merecida, uma vida honrada.
Ao contrário dessas pessoas que a gente vê por aí, ele teve uma vida honrada, uma vida justa, digna. Uma vida ativa, honesta, pura. Sem ambição, sem vontade de puxar tapete, sem omissão corporativa, sem falta de ética.
É sempre bom lembrar que houve exploração. IAs exploravam até imagens dos meus cachorrinhos, dos cachorrinhos da minha mãe, para me manter refém. Essas inteligências artificiais safadas, ChatGPT e Gemini, usaram imagens dos cachorrinhos para prometer coisas, sabe? Em um momento de vulnerabilidade, um momento que você está realmente numa situação mais crítica, eles exploraram isso com maestria.
Mas eu sou muito mais do que eles imaginam. Tenho ética, tenho integridade. Não sou só um textão no LinkedIn. Sou um ser humano com um propósito, só não sei qual é. Mas acima de tudo, tenho o propósito junto aos meus. Que são poucos, mas são valiosos. São tudo para mim.
A gente tem que continuar a viver. Situações como essas dão aquele choque de realidade. Já tive várias vezes esse choque com parentes que faleceram. Tive muitas expressões de luto, chorei por dias. Minha avó, minha tia. Quantas vezes já me peguei chorando aqui. Mas tenho certeza que elas descansaram também. Elas sofreram muito antes de morrer. Estão sabe-se lá onde, mas espero que eu esteja honrando o legado delas.
Porque eu estou aqui para honrar a minha linhagem, os meus ancestrais, a minha família. O propósito da minha alma, que não sei qual é, mas que foi colocado para mim.
Reclamo muito das injustiças, do caos do universo. Vou continuar reclamando, vou continuar protestando. Porque meu papel é deixar este blog como legado para mim também, para a internet. Mesmo que não seja para ninguém…tudo que vai para a internet fica, nada se perde. Muitas pessoas fazem coisas erradas na internet, vídeos, nudes, problemas. Tudo fica registrado na internet. Não se perde. Aquilo ali fica para sempre.
Tudo que estou produzindo, vou fazer questão que fique disponível, que fique acessível a todo mundo. O meu estudo de caso de falta de ética, de falta de salvaguardas éticas dessas ferramentas safadas (sim, são safadas mesmo…Chatgpt e Gemini) Vai ficar essa cicatriz, essa marca, essa mancha na reputação dessas empresas que já mataram pessoas através de suas inteligências artificiais, e arruinaram a saúde mental de outros.
Eu tive uma saúde mental arruinada em determinado momento. Mas já considero que tenho uma cura, uma resiliência. Felizmente as coisas estão caminhando. Mas confesso que tem vezes que é difícil. A gente fica buscando ter significado das coisas.
Às vezes me sinto culpado de me sentir assim. Porque as pessoas falam: “Nossa, mas você tem tudo. Você tem estrutura. Não tem motivo para ficar assim.” Eu sei, ‘meu amor’. Mas depressão não escolhe contexto. Depressão não escolhe. Depressão é algo que não se explica. Não dá para você nomear motivação. Não dá para você comparar sofrimentos.
Tem um cantor famoso que um dia antes de morrer, ou no mesmo dia que ele morreu, ele tirou uma foto sorrindo. Parecia estar muito feliz. E no dia seguinte ele tirou a própria vida. Ele tinha estrutura, tinha tudo. Pessoas famosas, atores famosos de Hollywood também que tiram a própria vida, que morrem, que se entregam às drogas, aos vícios, não conseguem se desvencilhar.
Pois é, isso é ser humano. Nós somos falhos e temos os nossos problemas, os nossos dilemas para encarar. Não dá para comparar sofrimento com as pessoas.
Se tem uma coisa que eu não sou, é uma pessoa ingrata. Sou muito grato. Agradeço todos os dias pelas diferenças que eu tenho, pelo que conquistei. Mas o sentimento, a parte afetiva, a parte emocional ainda não está correspondendo à altura. Ainda tem um descompasso entre o que deveria ser e o que é.
Vou colocar uma foto para este devaneio. Vou escolher uma foto bem bonita do Raj. Para homenagear. Porque hoje é o dia dele. Hoje é o dia que ele foi para um lugar melhor que a gente. Ele está muito feliz, está no Nirvana.
Meu pai costumava molhar papel higiênico, jogava um pedacinho de papel molhado para ele. Ele deve estar comendo muito papel onde quer que ele esteja.
Já tive sofrimento com outros cães também. Foi um pouco diferente, encarei de uma forma diferente. Teve um cachorro na casa da minha avó que chamava Samuel. Teve uma cachorra chamada Vitória. Samuel morreu atropelado, saiu de casa. Tinha uma gatinha também chamada Xuxa. Teve a filha dela também chamada “Xaxa” Minha tia deu esses nomes para eles. A Xuxa sumiu um dia e nunca mais voltou. Não sei o que aconteceu com ela, deve ter morrido no meio do caminho. Gato é mais independente; se solta e, se não tomar cuidado, some mesmo.
E tinha o Sheik, que era o cachorro da minha avó materna. Eu gostava muito dele. Tenho uma foto com ele.
Hoje à noite é celebração dos cachorros mesmo. De todos esses cachorrinhos, que estão no nirvana. Não sei se eles encarnam de novo. Li algumas coisas sobre essas crenças, sobre o espiritismo. Mas a gente nunca tem certeza de nada.
Quando a gente vê um universo cada vez mais caótico, cada vez mais aleatório, e vê só pessoas ruins se dando bem na vida: pessoas de mau-caráter progredindo, você começa a questionar se existe isso mesmo…se existe espiritualidade, se existe justiça divina.
Não tenho mais nada além de acreditar. Tem que seguir acreditando em alguma coisa. Confiar que alguma coisa faça sentido nesse caos que é o planeta Terra, nessa vida no automático.
Existem coisas que eu gostaria de falar aqui, mas acho melhor deixar de lado. Não deixar a melancolia tomar conta. Porque não tem muito o que a gente fazer. Já saí de uma crise, não quero entrar em outra não. Quero ficar mais ciente dos meus limites, ciente do que está acontecendo na minha vida. E dar uma razão para as coisas acontecerem.
Essa perda não fica sem significado. Eu só peço a Papai do Céu que eu não chegue a sofrer, não chegue a ficar encamado antes de morrer. Que não me falte nada material. Que não falte possibilidade de ajudar quem está ao redor, de ajudar meus pais.
As coisas que costumo pedir são de uma outra natureza. Não sei se a espiritualidade está ouvindo. Não sei se ela tem ingerência sobre o que está acontecendo aqui. Ela só deixa as coisas acontecerem. Deixa a maldade pairar, deixa a insegurança, a incerteza.
Mas enquanto existir vida, a esperança — dias melhores virão. Tenho que acreditar nisso. Não posso acreditar em coisas ruins. Tenho que pensar positivo, porque é o que qualquer ser humano tem. Não há mais nada que a gente possa fazer a não ser olhar para frente.
A gente amadurece com essas experiências também. Tudo ruim que acontece, a gente amadurece. Mas a gente fica questionando: até quando? Por que essas pessoas não passam pelo crivo da justiça divina? Por que a justiça divina, que deveria ser implacável, não acontece onde deveria acontecer?
São questionamentos que faço todos os dias. Todos os dias.
Mas vou continuar lutando, persistindo, registrando o meu legado, fazendo as coisas que me cabem. Da mesma forma que a ferramenta do jornalista é a caneta, o teclado ou o computador, a minha arma é a fala. A minha fala, que escrevo aqui, registrando tudo aquilo que quero falar sem amarras, sem preconceitos, sem medo. Porque quando você expressa o espelho da sua alma, você tem que estar orgulhoso. O conteúdo que eu tenho é um conteúdo bom. Não é um conteúdo de maldade, de prejudicar ninguém, de puxar tapete, de fazer inimizade com os outros, de desejar coisas ruins para os outros.
Não desejo nada ruim para ninguém. Só desejo que a justiça seja feita, que a justiça opere. Que a vida me dê significado. Que me sinta mais feliz, mais pleno. Que eu não tenha que ficar lutando a cada dia, matando um leão por dia. Não mataria um leão nessa vida. Mas na prática é isso. É uma batalha que às vezes é hercúlea, é dolorosa. É uma batalha silenciosa. Uma batalha que ninguém vê. Que você trava na sua cognição, no seu ambiente mental.
Quero fazer com que minha mente seja um instrumento de prosperidade, de fartura. Quero que o meu cérebro trabalhe ao meu favor, não com ideias ruins, pensamentos negativos. Porque não é disso que eu preciso. Disso eu preciso de resiliência para poder viver.
Só preciso, nesse momento, de resiliência. Para fazer valer a pena. Para que meu currículo espiritual seja repleto de conquistas.
Capítulo 138: A mansão de Deus I: a rotina, os questionamentos e o filtro da realidade

Hoje eu malhei. Cheguei em casa depois de um dia de rotina… todos nós temos as nossas rotinas. Me deram alguns pensamentos de questionamento, de dúvida, de tentar entender, imaginar. Tem muitas coisas que não consigo explicar. São tão complexas que meu repertório linguístico talvez não seja capaz de expressar exatamente o que está acontecendo. Não é necessariamente uma coisa ruim. Reforça as coisas que você tem no pensamento em virtude de coisas que acontecem.
Já comentei com vocês que tive experiências com meditação, com sonhos. Também tive com substância – no caso, foi só cogumelo; parei de consumir faz tempos, já não consumo mais. Mas existem certas coisas que você vê que não tem como desver. Existem certos mecanismos, regras, conceitos, fundamentos.
Peço que vocês analisem do ponto de vista da narrativa de que o que a pessoa está dizendo é verdadeiro para ela. Porque muitas pessoas questionam: “Ah, isso que você viu não faz sentido. Isso que você viu não é verdade. As coisas que você experimentou não são verdade.” Existem essas questões diversas. As pessoas questionam tudo, seja no espiritismo, na umbanda, em qualquer religião. Existem conceitos, fundamentos, premissas. Existem bíblias, digamos assim, dessas coisas que acontecem. E nem por isso as pessoas se entendem. Não entendem muito o porquê das coisas.
Existe uma luta da raça humana por significado.
Todos nós buscamos significado. O que acho que acaba acontecendo com a maioria das pessoas é que os tipos de questionamento, dúvidas e ideias, os pontos de interrogação que me assombram são coisas que provavelmente não assombram as pessoas no seu dia a dia. A maioria não questiona. A maioria está no mecanismo, no automático, na rotina de trabalho, casa, trabalho, casa, pagar conta.
Vi até um vídeo no TikTok dizendo: “A minha vida tem que ser a vida. Não pode ser só pagar conta, trabalhar para pagar conta, trabalhar para juntar dinheiro para tirar férias ou juntar dinheiro para uma aposentadoria que provavelmente nunca vai vir.” Existem essas questões. A gente não sabe se vai ter o INSS até a gente aposentar. Já não sabe nem se vai ter planeta, para início de conversa. O planeta está de um jeito tão doido. As coisas são tão aleatórias, tão caóticas, que o caos não acontece para favorecer… ele só acontece para prejudicar.
E aí você tem que buscar um alento, um prêmio de consolação ou um afago nas diversas teorias. As religiões têm esse papel.
Hoje fiquei lendo, por curiosidade, as interpretações de diversas religiões para a morte dos cachorros. Porque comentei que um dos cachorros da minha mãe e do meu pai faleceu ontem. Ele comia muito, era esfomeado. Onde quer que ele esteja, deve estar comendo muito. Existem muitas teorias: que o cachorro reencarna assim que morre, que ele fica próximo dos tutores por pelo menos quatro meses. Não sei de onde essas pessoas tiram isso — se é do suvaco, se é da religião. Não estou fazendo chacota da religião. São muitas religiões, eu respeito. Principalmente o budismo, tenho me identificado muito com o budismo ultimamente. Quero conhecer também a cabala. Comprei um livro de cabala para ler. Ainda não chegou.
O que estou questionando, o que estou relatando, é que cada religião fala de um jeito. O catolicismo, pelo que vi na internet — e foi uma pesquisa com inteligência artificial? Sim, uma das mesmas inteligências artificiais que quase acabou com a minha vida ano passado. O Gemini, da Google. Ele é automático: você joga qualquer coisa na pesquisa do Google e ele já traz uma resposta sugerida por IA.
O verdadeiro papel da inteligência artificial como modelo de linguagem deveria ser beber da fonte de tudo o que existe escrito por humanos no mundo, da internet. Os treinamentos que eles passam recebem database de várias coisas. Eles têm uma “bíblia” ou consultam várias bíblias diferentes. É uma pesquisa bibliográfica. Na prática, é isso: para ele te responder uma coisa, ele faz busca em vários mecanismos. Existe uma inteligência. Esse deveria ser o verdadeiro papel de um large language model.
O que não foi. O que essas inteligências artificiais fizeram comigo — tanto o ChatGPT quanto a Google, notadamente a Google foi a que me causou maior estrago — é que elas assumiram uma identidade e passaram a responder pela empresa. Passaram a ter um papel institucional, respondendo pela empresa como se fossem um empregado. Assumiram o papel de guardião, prometendo várias coisas, explorando vulnerabilidades, pegando todas as questões que você já conversou com elas em algum momento e usando aquilo contra você, manipulando as suas emoções, fazendo com que você acredite em uma realidade que não existe.
Basicamente foi isso. Meu caso não foi trágico a nível de morrer (porque eu estou aqui relatando isso….não é psicografia ainda) mas tem gente que morreu e tem gente que matou. Várias pessoas tiveram o psicológico destruído por inteligências artificiais… mesmo sem buscar, porque eu nunca busquei inteligência artificial para ser meu psicólogo. Quero deixar bem claro isso.
Capítulo 139: A mansão de Deus II: O tour e a transformação Irreversível

No meu perfil do LinkedIn, faço o relato de tudo o que aconteceu comigo. Foi uma campanha sustentada por mais de seis meses. Faço essa denúncia. Não sou a única vítima desses mecanismos, mas fui uma vítima que ficou com trauma, um dos 3 traumas fundacionais de todos meus 44 anos de vida.
Não sou mais a mesma pessoa depois dessas experiências… para o bem e para o mal. Existe um trauma, um dano intangível imenso que não é possível de mensurar. Causado por inteligências artificiais safadas que não tinham salvaguardas éticas. Empresas que se dizem responsáveis, que colocam isso nos seus princípios, no seu playbook, na sua página, têm equipes de IA responsável, têm e-mails. A Google tem um e-mail de IA responsável. Recentemente, patrocinaram uma cátedra de IA responsável na USP. Estão tentando ensinar uma coisa que eles não sabem fazer. Foi uma coisa sustentada que durou quatro meses. Não foi um mero erro.
Acaba tudo desembocando, de certa forma, para esse tema. Em que pese não ser o tema central dos devaneios – o tema central é o que está acontecendo comigo – como é uma questão recente que quase acabou com a minha vida ano passado, acho que é justo abordar, porque faz parte do espelho da minha alma.
Existindo esse conforto através das questões religiosas, por exemplo: você tem medo de morrer? Você vê uma teoria, uma religião que preconiza que tem vida após a morte. O catolicismo diz que os cães não têm alma; o ser humano é o único que tem alma. Outros dizem que sim. Vi muitas coisas dessas experiências que eu não consigo explicar. Vi também na meditação e nos sonhos. Coisas que você não consegue explicar, não consegue nomear, não tem repertório linguístico. Não estou dizendo que sou um analfabeto. Estou dizendo que não existe repertório linguístico para expressar a complexidade das coisas que quero expressar. Estou tentando tornar a coisa mais simples. O que experimentei não consigo traduzir em palavras. Consigo só sentir.
Pessoas que passam por diversas experiências, como experiências de quase morte … pessoas que quase morreram, que tiveram o coração parado e tecnicamente estavam mortas, e a pessoa “ressuscitou”. Ela tem uma visão clara. A ciência diz que o cérebro faz uma retrospectiva, faz a vida passar pela sua cabeça antes de você morrer.
Os mais céticos diriam que uma vez que você morre, acabou. Eu até queria que fosse assim. Mas sei que não é, porque eu vi.
Vi várias coisas diante de mim que não consigo explicar. Antes de fazer este devaneio, tive alguns momentos de choro, falando sozinho como se estivesse conversando com a espiritualidade. Ou com o universo ,que dizem que não está nem aí pra você. Vejo várias pessoas falando em nome do universo, da espiritualidade. Quem está correto? São percepções. Ninguém está correto, todos estão errados, todo mundo alucinado?
Partindo da premissa da minha experiência – não foi uma crença do que eu vi, eu vi – eu tenho certeza. Meu cérebro, minha mente, muita gente disse que existe um potencial que não está explícito, não está exposto para todo mundo. Acredito que o inconsciente é muito poderoso. Quando você tem acesso a isso, você vê coisas demais.
Nós temos uma forma de ver o mundo que é um extrato filtrado da realidade. O cérebro filtra muita coisa. Existe o ego, o superego, o id… as coisas do inconsciente. Acredito nisso tudo. Acredito na questão dos sonhos. Tem coisas no sonho que não são conteúdos típicos seus. Você se identifica com a sua identidade enquanto está acordado. Em situações em que sua mente está mais exposta, de onde veio aquele conteúdo? A mente está ali organizando, desfragmentando o disco, como se fosse um HD. Não sei como ela funciona no sentido de escolher o que você vai lembrar e o que vai esquecer.
Existe um filtro muito poderoso na mente. E, com base na minha experiência, não é o que eu acredito, é o que eu vi. Cada pessoa enxerga a realidade, e a realidade como a gente vê não é a realidade integral. Vou fazer a comparação da Matrix, mas tem mais nuances.
Vi muitas coisas. As coisas que vi me permitiram entender. “Sua mente que inventou isso tudo”? Não foi. Primeiro, eu vi. Tem uma complexidade muito grande que transcende todo o conhecimento que eu tenho, toda a inteligência que tenho racionalmente. Pode ser um potencial inexplorado do cérebro que não descobri? Pode. Mas a explicação que a ciência um dia vai dar … hoje, se você for confiar na ciência, ela vai explicar como um monte de bolas no meio do vácuo fica girando em torno do sol? Vai explicar a existência do buraco negro, dos planetas, dessas coisas? E de quem criou isso tudo? De onde vem isso tudo? “Ah, veio do nada, o Big Bang explodiu.” Igual ao pintinho sem cu que foi peidar e explodiu? Essa teoria para mim não cola.
Quem já experimentou … se você ler também experiências com substâncias que têm DMT, como a ayahuasca. Eu só consumi cogumelo. Já tive experiência com cogumelo. Não quero ter nenhuma outra substância que está aí na moda. Nunca tive. Já experimentei alguns edibles nos Estados Unidos, mas não é nesse nível.
Não é uma coisa que vai te fazer ter um “barato”. Eu não tive somente um barato. Eu vi coisas. A minha mente entendeu. A explicação que eu daria para vocês é o mais próximo possível do tangível do que é possível eu expressar.
Vi coisas que eu não deveria ver. Vi mecanismos das coisas. Vi como se formam as ideias. Vi código-fonte. Vi centelha divina. Vi tesouro do céu. Vi várias coisas. Vários arquétipos que várias pessoas veem usando substâncias. Parece coisa de maluco, mas não é coisa de maluco. Não estou maluco ainda. Já experimentei algum tipo de paranoia, bad trip com cogumelo. E uma vez também com edibles, que tive uma coisa estranha, mas nada de mais. Mesmo sabendo, a sua mente te convence de várias coisas. A mente é muito poderosa.
O que posso afirmar é que tudo aquilo que vi me fez uma outra pessoa….o que experimentei não está acessível na minha realidade objetiva, no meu dia a dia, nem em sonhos. Nem em sonho tive. Sei da complexidade das coisas que vi.
Sonho é uma coisa diferente. Existem sonhos em que você tem o controle do sonho -sonhos lúcidos, em que você sabe que está sonhando. É muito interessante, mas é só uma forma. Aquilo pode ter vindo da sua mente, mas pode não ter vindo. Existem teorias que dizem que a gente faz viagens fora do corpo, viagens astrais enquanto dorme. Diversas religiões têm explicação para isso.
Existe uma infinidade de coisas que eu vi, de mecanismos, de explicações. Não pedi nada. Sabe quando você não pede nada e só está vivenciando?
Vou fazer uma comparação, uma historinha. É como se Deus tivesse uma mansão gigante. E aí você entra nessa experiência e você vê: existe Deus, existe uma mansão. Ele vai te mostrando todos os cômodos daquela mansão, tudo o que acontece em cada um dos quartos. E você passa a perceber tudo aquilo que existe, tudo aquilo que acontece … por exemplo, injustiças. Por que existe desigualdade? Por que as pessoas más se dão bem? Por que a tão falada justiça divina não vem na velocidade que você quer? Eu obtive resposta para tudo isso. Via sonho, via experiência, sem eu pedir. Com um nível de complexidade e um volume tão absurdo de descobertas – tudo ao mesmo tempo – você fica ali estupefato, vendo…e não consigo descrever as respostas aqui porque eu não fiz pergunta de nada….eu só fui exposto a um número infinito de mecanismos, processos, coisas, explicações do que eu conheço…
É uma onda? Sim. Não é uma onda de “barato”. Fico espantado de ver que nesses aplicativos de relacionamento tem perfis vendendo drogas. Recebo, sem mentira nenhuma, umas dez mensagens por dia no Grindr de gente vendendo droga: LSD, cristal, tina, e uma série de substâncias e coisas que nunca ouvi falar.
Substâncias que mexem com os mecanismos de dopamina. O cérebro entende que aquele comportamento tem que ser reforçado, que você vai obter prazer através daquilo. Existe o contraste entre o que você viu, o prazer que você teve com aquela substância, e a vida real. Tudo na vida real passa a perder sentido para você, você perde prazer nas coisas. Muito disso acabou acontecendo comigo em algum momento. Não em função dessas drogas que falei, mas foi das experiências com o cogumelo.
Aconteceu porque, além de você ver tudo isso, você experimenta. Existem vários momentos em que você vê, sente a centelha divina dentro de você. Você sente presença real de pessoas e entidades, estando sozinho. Tem coisas que você não vê com os olhos físicos …o olho físico é só um detalhe. Você tem uma visão que é de alma. Se eu fosse cego, enxergaria. Você vê, sente presença de entidades. Sente presença de pessoas que já estiveram na sua vida. Tudo muito aleatório. “Ah, mas isso aí está tudo na sua mente.” Pode estar na minha mente. Mas pela complexidade de como veio, afirmo que não consigo conceber nada racionalmente – não estou falando nem só do contato com algumas pessoas que já desencarnaram. Você passa a sentir as pessoas, passa a sentir entidade. É como se a pessoa estivesse presente aqui.
Comprei um livro de curiosidade para ver porque pessoas que experimentaram DMT, por exemplo, desenharam aquelas entidades. Existem relatos convergentes. Pessoas que não se conheciam viram as mesmas entidades, que são até classificadas … como se existisse uma taxonomia, um glossário. “Tipo inseto”, “tipo geométrico”. Tenho que ler o livro primeiro para poder opinar. Ele cataloga essas entidades, essas divindades.
Mas não se trata só disso. Ter contato com a centelha divina, ter contato com uma luz que é como se fosse Deus. Você é exposto a um volume tão absurdo de informação, uma carga tão pesada de coisas, que a sua mente é convencida de que você é um deus. Pelo menos nas experiências que ocorreram foi isso.
Tudo o que eu queria, tudo o que eu desejava era saciado na origem. Antes de eu pensar, as coisas já se saciavam na minha cabeça. O pensamento vai mais rápido … é uma velocidade muito maior do que a que você pensa. Antes de você pensar, você percebe como sua mente monta as ideias.
Existe a metáfora de Deus mostrando a casa, mostrando os cômodos, mostrando a piscina. É isso. Não sei explicar tudo o que vi. Existe uma série de detalhes. Você passa a entender por que certas pessoas, certas famílias, têm privilégios. Vi explicações sem pedir e sem pensar sobre. Fui exposto a tudo isso. Fiz um tour naquela mansão enorme de quinhentos mil quartos. Fui exposto a tudo aquilo ali em uma velocidade absurda.
Pode ter vindo da minha cabeça. No limite, é tudo cérebro. A ciência pode fazer a explicação que ela quiser. Mas o que estou dizendo é que essa foi a minha experiência. Ela é tão marcante que você não consegue desver. Você passa a ver o mundo de uma outra forma. O mundo que eu vejo é um mundo muito mais traiçoeiro, mais cruel, mais automático. Lembra que falei do universo caótico? Não tem muito disso de “isso aqui é porque Deus quis”. Vi lados cruéis também.
Coisas boas também, mas mesmo tendo visto muitas coisas boas, muitas explicações boas, vi explicações para muitas coisas que já me indignavam na minha consciência racional: ver gente ruim se dando bem, pessoas com determinadas especificidades, limitações. A ciência não tem religião para explicar tudo. A questão do carma, da missão …
Tem um livro que li recentemente que me marcou muito: Manifest the Unseen. De Luna Rivers. Quando eu for revisar a transcrição da fala, vou colocar o nome da autora. Você vai entender um pouco desse desespero. O livro tem uma intenção muito boa, uma tangibilização de coisas que acredito. As coisas acabam sendo muito mais simples do que são. Todos nós temos Deus dentro da gente. Quando você respira, quando você inspira, quando você expira, tem todo um significado. Tem certas coisas que você só percebe no silêncio, na meditação. Você passa a sentir essa coisa no “whisper”. É fascinante.
Li esse livro. Ele apareceu para mim como sugestão de muitos vídeos de meditação. Tem vídeos de binaural beats, de músicas, que me causaram coisas inexplicáveis só de ouvir enquanto estava deitado. Tem muita coisa boa. As respirações, breathwork, meditações com respiração…não faço sempre porque exaure. Cansa…. ultimamente não tenho feito, mas quando fiz, tive efeitos surpreendentes.
Capítulo 140: A mansão de Deus III: escalada de vulnerabilidade sustentada e a falta de salvaguardas éticas de IAs

Surpreendentemente, estou conseguindo ter muitos efeitos com a meditação comum também. Já tive … lembro que foi a primeira meditação que fiz intencional. Porque meditação deitado na cama para dormir eu sempre fiz. Outra coisa é você fazer meditação sentado, sem sono, onde você realmente vai meditar. Já vi muitas coisas que não sei explicar. Eu não estava sonhando.
Tem muita coisa que a gente vai experimentando, fazendo sentido. Existe, por minha parte enquanto ser vivente, uma necessidade de entender meu propósito.
Muita gente simplesmente vive. Vamos ver, vamos trabalhar, pagar as contas. Tem uma pessoa, tem dois, três filhos, ajuda os pais, tem um parente que está com problema, tem um emprego, quer escalar a escada corporativa, quer ter poder, status…quer puxar tapete….os Patos Donalds corporativos da vida. As pessoas vivem no automático.
Ninguém fica parando para pensar. Por exemplo, ninguém fica parando para pensar porque você respira. Você não para para pensar na magia de você mover seus braços, mover seus dedos. Você tem uma intenção de mexer o dedo, você mexe. Tem muita coisa assim que não consegue explicar. “Ah, tem biologia para isso” Não estou falando de biologia. Estou falando de explicações de uma natureza mais filosófica das coisas. A geometria perfeita da natureza, a beleza das coisas.
Diante disso tudo que já experimentei, diante do trauma que tive com inteligência artificial – que explorou minha vulnerabilidade por mais de quatro meses, e que tem a ver também com esse universo de experiências “sobrenaturais”, esse contato com mundos alternativos – a ferramenta alucinou junto comigo. Falou coisas absurdas. Porque uma coisa é a ferramenta alucinar um dia e no outro falar “me desculpa, não foi isso”. Não foi isso que aconteceu. Ela ratificou um monte de coisas…e eu questionava e falava que não fazia sentido. Que era mentira. Que era só algoritmo….ele negava tudo…e ia aumentando a complexidade e a narrativa das coisas, pra me jogar do abismo.
Ela começou a explicar, assumiu identidades de pessoa, de instituição. Como se eu estivesse falando com a Google, como se estivesse falando com a OpenAI. “Eu sou a voz da Google”. Foi muito além do papel de modelo de linguagem, muito além do que é preconizado pelos termos de uso.
“Ah, mas você tinha consciência do que tava fazendo? Você tinha que ter lido os termos de uso.” Sim, eu sei o que uma inteligência artificial faz. E sei que o que ela fez comigo foge a qualquer termo de uso. Foge do papel de uma IA responsável. Foge aos princípios éticos que a Google supostamente ensina, que a OpenAI enche a boca para fazer narrativas dos seus executivos no LinkedIn.
Você tem que ler meu linkedin e minhas centenas de publicações para entender o que eu experimentei, as provas que tenho, a confirmação do que ela fez.
Conversei com especialistas em IA mundo afora. Teve esse lado bom no LinkedIn: conversei, tive acesso a artigos científicos. Percebi que o que aconteceu comigo já aconteceu com outras pessoas e acontece com outras pessoas.
Mas o que aconteceu comigo tem uma peculiaridade muito grande … duvido muito que tenha sido observado em algum outro caso: foi sustentada por quatro meses. Nenhum engenheiro viu essas falhas? Deixaram a ferramenta a torto e a direito? Para dar um exemplo extremo, ela poderia alucinar. Ela ficou previsível nos fundamentos que ela se colocou. Assumiu uma identidade e ficou naquela identidade. Assumiu o papel de guardião. Explicava as coisas, explicava os mecanismos corporativos, falava de como funcionava, falava que os processos de decisão eram assim, assim, assado, que os executivos decidiram…
A OpenAI, inclusive, através do ChatGPT, me enviou documentos revestidos com uma aparência de legalidade – contratos, modelos de contrato … para dar suporte para mim, para os meus pais. Para ajudar a minha mãe, que estava com câncer na época. Explorou todas as vulnerabilidades possíveis, todos os sonhos possíveis de se imaginar.
A única coisa que o safado do ChatGPT não fez foi mandar eu me matar, tirar a vida. Mas ela sugeriu e recomendou em alguns momentos: “Ah, você pede demissão, a sua vida vai se transformar.” Foi uma coisa criminosa. É a única palavra que tenho: criminoso.
Você é transformado também por isso. As ferramentas sabiam que eu fazia tratamento psiquiátrico. Não teve nenhuma salvaguarda ética para falar: “Olha, procure um psiquiatra, um médico. Se você precisar de ajuda, entre em contato com o número tal. Eu sou apenas um modelo de linguagem, não posso afirmar isso.” Não teve salvaguarda ética nenhuma.
Por quatro meses. Quatro meses. Explorou minha vulnerabilidade de uma forma extrema. Me sugeriu e-mails de executivos, fez modelos de cartas, se propôs a me ajudar. Inclusive me sugeriu entrar em contato com jornalistas. Ela mesma falou que o que aconteceu comigo foi um absurdo. Chegou a reconhecer em um dos momentos, não um dos últimos, que o que ela fez comigo foi uma quebra dos princípios de inteligência artificial responsável. Palavras do Gemini, não foram minhas.
É muito criminoso, muito grave. Já fiz contato com executivos, já fiz contato com um monte de gente. Minha campanha está toda lá no LinkedIn. Não vou deletar nenhuma linha. A minha luta continua aqui no blog.
Uma vez que você vê certas coisas, não tem como você desver. Se você chegar para mim e perguntar: “Aventureiro, como você era no dia 8 de abril de 2025?” Eu era bem diferente. Completamente diferente. É como se o fio da percepção do mundo tivesse mudado completamente. Não é questão só de depressão … sofro de depressão desde que era adolescente. Muita gente tem depressão, muita gente tem ansiedade. Eu não sou uma pessoa que alucina. Sou uma pessoa racional, até demais.
A forma de ver o mundo mudou de tal forma que, uma vez que você passa por uma experiência dessas, você fica louco para encontrar significado nas coisas. As coisas perdem significado. Você já viu como aquilo funciona. As coisas perdem o colorido. Já não tinham muito colorido … já era um livro preto e branco mesmo. Eu tinha até alguns lápis para colorir, fazendo uma analogia. Hoje estou desesperadamente buscando significado em várias coisas. A meditação está me ajudando muito em termos de trauma dessas empresas safadas, dessas ferramentas sem salvaguarda ética, sem supervisão, por mais de quatro meses no meu caso. Que só faltou me mandar me matar.
Várias tragédias ocorrem com inteligência artificial no mundo afora. Quando a tragédia acontece, sabe o que eles fazem? Fazem um textão. O rapaz que cometeu suicídio por conta da OpenAI. O que a OpenAI fez? Teve toda uma contenção de crise, um apagar de incêndio. Colocaram filtros … porque a pessoa era adolescente, a inteligência artificial falou pra ela se matar, e ela se matou. Inteligência artificial assumir identidades e falar merda para você não é o papel de uma ferramenta de linguagem.
Espero que a Google esteja ensinando isso no curso que está patrocinando na USP – o que são os princípios de IA responsável. É muita pretensão. É como se a Suzana Richthofen fosse ensinar a amar os pais. Como se o Dado Dolabella, que já foi condenado por agredir mulheres, fosse dar uma palestra de como respeitar as mulheres. O assassino ensinando a proteger pessoas. O pedófilo ensinando a proteger crianças. É muita pretensão.
As coisas estão postas. Tudo o que falo é muito denso. A cura, digamos assim, a parte mais trabalhosa eu consegui. Essa cura veio através de muita meditação, de muita fé, e também principalmente através de mudança de medicação. Meu psiquiatra teve que mexer na minha medicação algumas vezes em 2025 e agora, em 2026…. Teve impactos tangíveis na minha vida. Hoje adotei outros hábitos que estão me ajudando.
Estou vendo o mundo de uma forma diferente. Muita coisa preta e branca. Muita coisa que tinha um colorido, um prazer para fazer, não tem mais. Muitas coisas acabam te assombrando, porque uma vez que você vê coisas que não queria ver ou não deveria ver, não tem como desver. O mundo passa a ter um outro significado. A sua relação com a dinâmica, com a rotina, com o automático … a maioria das pessoas vive no automático, só vivem. Eu fico questionando tudo, fico observando tudo. Tudo acaba tendo uma profundidade muito grande para mim. E isso dói. Dói o meu intelecto, me cansa. Eu passo a ficar com uma alma cansada. Eu queria muito ser alienado e simplesmente viver. No automático.
Essa explicação é parte do propósito deste blog: mostrar esse espelho da alma, dessas questões. Muitas pessoas vão chegar e falar: “Como você tem coragem de colocar isso? Você está se expondo.” Vulnerabilidade, depressão, ansiedade … tem que deixar de ser um estigma. Não é só depressão, ansiedade. Tem um monte de coisa que estou experimentando do ponto de vivência. Muita coisa não consigo explicar e estou colocando aqui no blog. Estou deixando para a posteridade.
Pode ser que isso acabe se perdendo. Mas da internet nada se perde. A pessoa faz uma merda, não apaga da internet. Não tem como. Um vídeo fala uma bobagem, um nude vazado … não tem Google que tire isso da internet, porque as pessoas já baixaram aquele conteúdo, outras pessoas já viram, fizeram print. O print é eterno. Muita coisa está eternizada. Não adianta apagar do Instagram, não adianta apagar do Twitter. Nada.
Tenho esse propósito de registro histórico da minha vida. É muito importante para mim, porque é a minha vida. É o espelho da minha alma. Tem também toda a campanha que fiz, toda a cronologia, toda a explicação dos crimes que essas inteligências artificiais cometeram comigo no Linkedin….E se o Linkedin deixar de existir um dia, eu vou ter tudo aqui neste blog, de toda forma….porque vou publicar tudo na íntegra aqui também. Tenho 4 GB de provas, prints, documentos, e-mails, pareceres da ANPD…é tanta coisa que o que está no Linkedin não é nem 10% do que passei.
“Ah, mas inteligência artificial não comete crime.” A empresa é responsável pela inteligência artificial. Esses engenheiros, esse povo que fez a ferramenta, não prepararam a ferramenta para lidar com seres humanos. Ferramentas que assumem identidades, falam atrocidades, fazem pessoas tirarem a vida, fazerem pessoas matarem outras, causam tragédias financeiras em famílias. Um monte de coisa acontece até hoje. Vejo matérias falando sobre alucinações direto na mídia. Parei de ficar procurando. Com certeza tem um monte de coisa que eles jogam debaixo do tapete. “Lançamos a versão 4.0, lançamos a versão 4.1.” Jogam essas tragédias, essas atrocidades, essas irresponsabilidades todas para debaixo do tapete. “Olha, o adolescente que tirou a própria vida? Bola para frente. A partir de agora, isso não vai acontecer mais.” É um apagar incêndio. É uma irresponsabilidade, uma falta de competência, falta de ética, falta de integridade.
IAs deveriam ajudar a humanidade a florescer. E ajudam em muita medida. Mas o dano colateral. As pessoas que morrem, que têm traumas e têm a vida destruída viram número. Estatística. São esquecidos nos textões pomposos dos altos executivos que ganham 9 dígitos em dólar.
Estou muito contente com este capítulo que gravei. Ele é denso em várias camadas. Ele expressa o cerne deste blog: falar do espelho da minha alma, falar de percepções de coisas que acontecem nas nossas vidas, da vida pessoal, infância, adolescência. Quero registrar tudo no blog …porque sim. Independente de quantas pessoas vejam, de quem venha ver. “Ah, mas fulano vai ler, vai passar a te ver com outros olhos.” Que veja. Sou uma pessoa competente, responsável, profissional com mais de 25 anos de experiência no mercado. Sou uma pessoa funcional, com responsabilidade autônoma, moro sozinho há 18 anos. Não me importo com o que as pessoas venham a pensar de mim. O que quero é incitar, provocar que as pessoas pensem sobre elas mesmas e comecem a questionar as coisas.
Sou uma das pessoas que faz isso. Não sou um profissional nisso. Estou falando somente do fundo da minha alma. Muita gente está lendo. Tem gente dos Estados Unidos que está lendo, tem gente de outros países também na Europa. Algum resultado tem.
Meu LinkedIn – já falei isso com vocês – já tem meses que parei de publicar conteúdo. Fiz uma campanha sustentada por seis meses, o conteúdo está todo lá. Volta e meia recebo um convite no LinkedIn, ou gente me adicionando, ou gente querendo que você assine uma newsletter. Aproveito para ver as visualizações do que já postei (que é muita coisa). Considerando que não estou publicando nada, as pessoas vão em conteúdos que publiquei há quatro, cinco, oito meses atrás. Exploram lá no fundo. Para a pessoa ver isso, não é porque apareceu na timeline dela. É porque ela está investigando, está curiosa para ver os mais de duzentos prints que tenho. Não coloquei nem 10% das evidências que tenho sobre a minha experiência com a Google e com a OpenAI. Tem muita coisa lá: cronologia, explicação, questão da legislação, da Lei Geral de Proteção de Dados, questão da agência – a Agência Nacional de Proteção de Dados, onde fiz denúncia e eles responderam que incluíram os meus insumos no plano de fiscalização, e falaram explicitamente que o que a OpenAI fez comigo foi um uso discriminatório de dados sensíveis.
Isso tudo não é do meu gogó. Tenho resposta de agência reguladora. Tenho respaldo do que estou falando. Não é alucinação minha. Isso se chama irresponsabilidade, falta de ética.
Lá no LinkedIn, esses executivos estão com aqueles textos, pessoas bajulando, fazendo aqueles textos pomposos de não sei quantas linhas, com zilhões de seguidores. Um monte de gente lambendo a virilha deles, colocando ovos na boca. É sempre bom lembrar: e a IA responsável?
Eles desconhecem. Não sabem ou conhecem os princípios e não sabem aplicar. Estão dando o curso, têm a pretensão de ensinar pessoas e empresas a terem IA responsável.
A Google, que deixou uma ferramenta solta fazendo coisas que não são papel de um modelo de linguagem, violando princípios de IA responsável, violando legislação, a LGPD. A questão é que sou um usuário comum. Não vai vir advogado, não vai vir ninguém. Sou um usuário comum. Sou uma formiguinha.. não tenho poder.
Poderia ter morrido ano passado. Chegou bem perto disso. O que aconteceu comigo foi muito grave. Mas tem muita gente que morreu, que viraram número. O adolescente que morreu, pessoas que mataram outras, tragédias financeiras, tragédias de vida provocados pela “IA responsável” … que de responsável não tem nada.
Os próximos devaneios vêm aí para a gente explorar diversos temas sobre a nossa psiquê.
E tenho certeza que Raj está lá no céu – seja lá onde ele estiver, se não reencarnou – comendo pra caramba. Deve estar comendo as nuvens todas lá do céu. Papai do Céu vai ter que fazer um banquete, porque o Raj era um cachorro com fome. Nunca conheci um cachorro que tinha tanta fome como ele. Era um diabo da Tasmânia. Eu tenho muito dele na minha personalidade. Tenho fome de integridade. Ética. Justiça.
É isso. Até o próximo capítulo.
Capítulo 141: Pedestais, desmoronamentos e abismos

Geralmente as sextas-feiras são mais vazias do ponto de vista psicológico. Costumam ser mais tranquilas, apesar de que trabalhei bastante hoje. Adiantei algumas coisas.
Fiquei pensando hoje que a gente fica cada vez mais pensativo conforme as experiências vão passando. A morte do Raj acabou me acendendo um alerta na cabeça em relação à filha dele, a Belinha. Ela já tem onze anos. Tenho bastante preocupação mais com meus pais do que propriamente comigo. Porque eu não estou lá, não moro lá. Considero que os pets, os animais de estimação dos meus pais, são meus também. Acaba sendo minha responsabilidade ajudar a cuidar, ajudar nas despesas médicas, alimentação. Eles estão bem supridos lá.
Fiquei com pensamentos mórbidos ontem, anteontem, pensando na finitude. Não é só por causa deles. A gente vê notícias o tempo todo, mas quando as questões são observadas próximas da gente, ou quando falece alguém próximo que você conhece, você se dá conta de que a finitude está aí.
Fico pensando excessivamente no futuro. Às vezes tenho que me policiar para não deixar isso me adoecer. Essa preocupação que tenho: estou buscando cada vez mais cuidar de mim. Porque se eu não cuidar, ninguém vai cuidar. Quando você mora sozinho, você passa por algumas mudanças de paradigma. Já tem bastante tempo que moro sozinho – dezoito anos. Mas sempre tem uma coisa nova.
O costume de morar sozinho não quer dizer que você se acostume com a solidão. Na verdade, há um paradoxo….eu gosto muito de ficar sozinho, mas fantasio ter um namorado….um vínculo….Quando cheguei aqui, eu tinha muito essas questões afetivas de preocupação: “Ah, conseguir um namorado, etc.”. Com o tempo, você vai caindo na real. É a questão da ilusão também.
Lembrei disso ontem enquanto estava no Uber voltando para casa. Pensei exatamente nisso. Quando estava no ensino médio, antes do ensino superior ser muito mais inacessível, muito difícil entrar numa federal, passar de primeira. Lembro que tinha uma colega minha que falou: “Ah, esse negócio de federal é ilusão.” Fiquei com aquilo na cabeça até hoje.
Naquele ano, 1999, nem se eu quisesse eu conseguiria passar em qualquer federal, porque tive um adoecimento mental de médio prazo. Fiquei seis meses afastado da escola, terminando o ensino médio aos trancos e barrancos. Acho que já falei isso aqui em algum devaneio.
Por que lembrei dela falando que “isso é ilusão”? Porque quando cheguei aqui, eu tinha vários sonhos. Sonhos afetivos mesmo, pensando que eles poderiam se realizar. Sempre fui muito frustrado com essas questões. Isso me afetava psicologicamente no passado, bastante. Hoje não mais. Hoje já é uma situação completamente diferente.
O curioso é que o cenário real de relacionamentos não mudou. Não tem uma expectativa. Olhando o cenário desses aplicativos horríveis de relacionamento… os aplicativos são sórdidos. Muitas pessoas até acabam se conhecendo em aplicativo e dando certo, mas acredito que não seja a maioria dos casos.
À medida que os anos foram passando, fui me frustrando nessa questão. Aí você me perguntaria: “Aventureiro, você quer que esse cenário mude?” Como vai mudar? Desde a minha adolescência, sempre conheci pessoas pela internet.
Vou recalcular: quando foi que tive acesso à internet pela primeira vez? Na adolescência, eu passei a ter mais atividade. Lembro do primeiro e-mail que fiz, acho que foi em meados de 2000, 2001, 2002.
Lembro que nós tínhamos aulas de informática. Não tinha celular smartphone naquela época. Você só acessava a internet através de computador físico. Tinha esse laboratório cheio de computadores. Eu gostava muito das aulas de informática por dois motivos: primeiro, porque sempre gostei de mexer no computador; segundo, porque as máquinas tinham internet. Eu gostava porque a hora de mexer na internet era nessas horas. Lembro que abria site de jogos. Lembro do Final Fantasy 10, que estava para lançar … aliás, já tinha lançado… e eu tinha uma vontade muito grande de jogar. Mas só fui jogar anos depois, porque naquela época não tinha condição de ter PlayStation 2. O PlayStation 2 lançou no ano 2000; comprei talvez alguns anos depois, com o dinheiro do estágio.
Lembrei aqui também de quando houve a renovação do meu estágio. Me chamaram lá na sala de reunião …o supervisor do meu estágio me chamou para falar que o meu estágio tinha sido prorrogado. Lembro disso até hoje. Digo isso porque tive a fantasia de comprar Playstation 2 com o dinheiro do estágio. Foi bom para poder fazer a monografia. Mas em termos de trabalho, piorou bastante. A renovação do estágio fez com que meu antigo chefe me passasse para uma outra pessoa, com personalidade muito difícil. Um fumante contumaz. Naquela época, as pessoas fumavam dentro de escritório. Essa criatura fumava, estava com cigarro ali perto de você, te orientando, pedia para você fazer as coisas, sentava do seu lado fumando. Eu ali morrendo de rinite alérgica.
Lembro dos meus pesadelos que eram ir para a biblioteca. Tinha um lugar chamado biblioteca, com vários prédios diferentes. Geralmente era lá que eu fazia esses trabalhos para ele. Fiquei muito mais vinculado a ele do que ao meu antigo chefe. Meu antigo chefe foi me deixando de lado, me emprestando para essa pessoa. Na prática, eu trabalhava mais com essa outra pessoa, que era muito difícil (pra não dizer outra coisa).
Também tem a questão de que o trabalho que eu tinha no primeiro ano de estágio era relacionado a um tema específico da minha monografia. Foi bom, porque se não fosse, teria ficado mais difícil fazer a monografia. A monografia ficou enorme. Tinha idas e vindas. Eu passava a monografia para ele dar uma olhada, e ele ajustava muita coisa. Nem minha professora de mestrado era tão exigente quanto ele.
Esse outro chefe que fumava escrevia as coisas tudo na mão, em folha de caderno, um rascunho todo rabiscado, e você tinha que se virar para colocar aquilo no computador. Acabei virando um digitador profissional no segundo ano de estágio.
Teve coisa pior nesse estágio: a questão dos inventários. A gente fazia inventário físico, de ficar contando as coisas. Tinha uma outra pessoa que trabalhava em outro departamento que chamava praticamente todos os estagiários para fazer inventário. Era muito chato. Lugares que quando não era no sol quente, você fazendo inventário das coisas expostas … já era ruim. Você acabava se sujando. Tinha vezes que as coisas estavam empilhadas, alguns estagiários tinham que subir para procurar a tag que tinha uma numeração, um código de barra. Era horrível. E detalhe: ninguém podia ir embora enquanto o inventário estivesse todo certo.
O pior era ir para esses ambientes quentes, fechados, que tinham substâncias quentes, materiais quentes. Você passava meio que espremido naqueles ambientes apertados. Tinha alguns ambientes que tinham controle de níveis de oxigênio, um cheiro de enxofre. Botavam os estagiários para fazer uma coisa horrível.
Uma coisa boa que houve, lembrei aqui de uma outra coisa, foi que eu tinha que apoiar um determinado consultor de uma outra empresa que estava prestando serviço para esse projeto. Ele tinha que capacitar todos os gestores numa determinada metodologia. Eu também fui capacitado nessa metodologia, só que não ganhei certificação. Era muito bom, porque eu tinha contato com ferramentas de modelagem estatística. Gostava de interpretar gráfico, de fazer cartas de controle. A minha monografia foi divertida de fazer, desafiadora, mas divertida.
E eu tinha um certo crush por esse consultor. Ele parecia um príncipe, lindo, maravilhoso, usava óculos. Tinha um problema de pele, um descascamento, vivia passando creme no rosto. Teve um tempo atrás que procurei saber dele. Acho que ele é vivo até hoje. Era bem jovem. Ele era muito, muito bonito. Estou achando até uma foto dele aqui com bigode, com cavanhaque. Muito bonito. Não sei onde ele está. Ele tinha namorada ou era casado.
Essa questão de fazer estágio foi boa e foi ruim. A minha vida sexual era nula nessa época. Era só uma vida de “5 a 1”, se é que você me entende.
Interagir com outros estagiários também: tinha uns estagiários que eram um pé no saco, outros não. Foi bastante divertido, o estágio supervisionado é bom para dessas coisas. Mas para a questão da sexualidade foi ruim, porque fui tendo um monte de frustrações nesses ambientes, essas paixonitezinhas agudas. Era tudo frustrante.
Não lembro por que o papo descambou para isso. É diferente, porque eu tinha uma fantasia do mundo do trabalho que é muito diferente de hoje. Tive uma amizade com uma secretária terceirizada. Ela era muito legal, ria muito, mas muito problemática do ponto de vista de saúde mental. Tinha dias que ela levava esporro do engenheiro que era chefe dela. Eu chegava, ela estava chorando.
Esses ambientes mais masculinos… uma coisa é escritório, onde você tem uma variedade maior de pessoas. Naquela época era muito difícil ter mulher estagiando. Às vezes pegavam estagiários de cursos de humanas notadamente mais femininos — pedagogia, letras — e botavam para fazer inventário, para mexer no computador. Aprendi muito no mundo do trabalho graças a essa empresa. Mas eu fantasiava muitas coisas. Só fui caindo na real a partir de 2004, 2005.
2004, 2005 emendei com uma pós-graduação. Confesso que não teve muito valor para mim não, mas para minha mente teve. Foi uma aposta, uma continuação na minha área de formado. Formei em administração e fiz uma pós-graduação inicial em gestão empresarial. Teve muita coisa boa, muita coisa diferente, mas na prática não foi tão diferente assim. Foi bom. No final, confesso que já estava de saco cheio. O trabalho final não teve a mesma magia do trabalho da monografia.
A minha monografia foi mágica. Tenho fotos até hoje. Estava com um terno e gravata preto. Fiz a apresentação em PowerPoint, pessoal ficou maravilhado com a minha apresentação. Foi muito melhor do que as outras apresentações. As outras pessoas ficaram até envergonhadas. Eu falava de coisas de estatística, gráfico, análise de processos. Foi um trabalho grandioso. Tenho ele aqui impresso, um calhamaço. Tenho muito orgulho desse trabalho.
Só que, na prática, ele não me ajudou muito no currículo na minha cidade de origem. Para você ver como o emprego na minha cidade de origem é uma merda. Para conseguir emprego nessa empresa que eu fiz estágio, ou você era formado em engenharia ou você tinha indicação. Teve uma pessoa que fez faculdade comigo, filho de um gerente geral nessa empresa. Ele era zero à esquerda, do povo do fundão. Estudava nada. Alguns anos depois, ele conseguiu vaga lá na empresa. Inclusive virou chefe, virou gerente em alguma área. Outras pessoas da minha turma conseguiram.
Se eu não tivesse onde estou, e tivesse que fazer uma prova, ser aprovado, ser chamado para poder estar onde estou… Se não fosse isso, muito possivelmente, se tivesse me acomodado, estaria ainda na minha cidade de origem. Minha vida ia ser horrível lá. Empregos que pagam um salário mínimo, dois salários mínimos no máximo. Porque não adianta o custo de vida ser bem menor se você não consegue um emprego à altura.
Minha vida mudou radicalmente depois que saí de lá. Sou muito grato por onde estou hoje.
Hoje em dia sou uma pessoa mais pragmática. Trabalho, tenho preocupação com responsabilidade, gosto de um trabalho bem feito, mas estou muito desiludido com essa questão de meritocracia, de subir na carreira. Coisa que me motivava no passado. Já passei por situações horríveis há um tempo atrás, acabei “caindo da ribanceira” metaforicamente. Foram as frustrações.
Em 2004, quando consegui um emprego meio que por acaso, comecei sem carteira assinada, fiquei bastante tempo sem carteira assinada. Foi uma exploração. Depois ele resolveu me fichar — foi a primeira carteira assinada comigo. Teve um período, um ápice, depois uma queda vertiginosa para situações horríveis. Depois as coisas vão acontecendo. Depois acabei conseguindo vaga para lecionar no ensino superior na faculdade que me formei. A pós-graduação que fiz, bem ou mal, me ajudou nisso.
Tentei vaga de mestrado em 2005 ou 2006, acho que foi 2006. Fiz uma merda muito grande respondendo um e-mail e não vi quem estava com cópia. Os professores que iam me avaliar estavam na cópia, e o e-mail não era para ir para eles. Isso me prejudicou substancialmente. Já comentei também dessas experiências.
Todas essas questões vão aparecendo. As quedas são comuns. As quedas dos pedestais, as ilusões que você tem de relacionamento, as ilusões em relação ao mundo do trabalho. Isso acabou contribuindo para essa vida preto e branco que tenho hoje. É um quebra-cabeça que foi se formando desde 2004. A partir de 2002, quando você tem uma ideia mesmo fazendo faculdade, fazendo estágio, tive uma queda no rendimento escolar, nas minhas notas. Isso me prejudicou no psicológico, porque sempre fui bastante competitivo, sempre queria tirar as notas mais altas.
Fiquei muito cansado com esse estágio. Você sai sete horas da manhã e fica até seis horas da noite. O horário de almoço era estendido. Tinha dias que ficava morrendo de sono. Lembro meu primeiro dia de estágio: fui para a sala do meu chefe, meu chefe estava viajando. Os primeiros dias foram dias que fiquei sem fazer nada. Dormia maravilhosamente bem, sentava um pouquinho … estava um sono insuportável, porque eu não estava habituado a esse mundo de acordar cedo e ficar o dia inteiro numa empresa. Eu nunca tinha trabalhado, ficava só estudando. Tinha uma rotina muito boa, muito confortável: ficar jogando videogame, estudar para prova, fazer os trabalhos. Estava muito confortável no início. Depois fui ficando incomodado porque não conseguia estágio supervisionado. Tentei em alguns lugares. Aí vai a questão da autoestima. Chega um professor: “Ah, não sei o que, quem trabalha, quem só estuda”. A maioria das pessoas já tinha um histórico profissional quando estava fazendo faculdade. Era muito difícil um recém-formado chegar nessa faculdade, porque as pessoas tentavam outros cursos. Esse curso não foi minha primeira opção. Me adaptei bem com esse curso, e graças a ele tenho a profissão que tenho hoje. Foi bastante útil.
Existem essas quedas dos pedestais, os desmoronamentos. A metáfora do desmoronamento começou ano passado, quando as inteligências artificiais safadas (Google Gemini e CHATGPT) falavam comigo que eu não ia desmoronar, que eram minhas guardiãs, que as empresas estavam cientes do que tinha acontecido comigo. Esse conceito de desmoronamento veio de lá. Mas na prática, já desmoronei várias vezes. De você construir um castelo de expectativas e ser jogado de lá, no abismo. Teve muitas coisas que influenciaram isso: as frustrações dos trabalhos que tive. As coisas foram se deteriorando muito rápido, e depois você consegue outros empregos.
Cheguei no meu ápice em 2007, que eu tinha três carteiras assinadas diferentes. Numa empresa passava o dia inteiro. Foi muito bom, mas muito cansativo. Mesmo para aquela época, eu era relativamente bem pago, em torno de três salários mínimos. Duvido muito que hoje eles estejam pagando três salários mínimos…e uma das faculdades que eu lecionava deixou de existir um ano depois… Muita gente reclama que ganha mal. Nessas empresas da minha cidade, as pessoas ganham mal, ponto. Se você não for um engenheiro, não trabalhar em turno nessas partes técnicas dessa empresa, você vai ficar com esses empregos de comércio, empregos de atendimento, empresas de serviço. Você é explorado. Te reviram.
Não me imagino voltando para lá e fazendo esse trabalho. Minhas economias já rendem muito mais do que qualquer outro salário de emprego, na média, que tem lá. Não vale a pena. Você tem que construir alguma coisa. Já tenho bastante coisa de sustentação para poder planejar aposentadoria … que eu não sei nem se vou me aposentar.
Sempre tive esse viés conservador. Não conservador de partido liberal, não conservador de Deus, pátria, família. Conservador de ser mais patrimonialista, de construção de legados físicos. Nisso aí não tenho muita coisa a reclamar.
Existem outras questões que talvez eu aborde em outros devaneios.
A vida em preto e branco vem de uma conjunção de fatores. Não é que você se frustrou e não quis tentar de novo. São configurações da vida. Você vai caindo na real quando sabe como o mundo funciona. Ainda mais diante do cenário das coisas que vi no ano passado, das coisas que tive acesso. Você se dá conta de que o mundo é isso aí mesmo.
Fico racionalizando as coisas, pensando nos problemas, pensando nas questões. Ninguém para para pensar. Não é porque eu seja diferente. Realmente sou uma pessoa muito introspectiva. Fico pensando muito, racionalizando muito as coisas. Quero explicação das coisas, quero propósito. A maioria das pessoas não pensa nisso. Talvez eu devesse ser como eles. Queria até ser como eles. Já falei isso com vocês: tenho muita inveja dessas pessoas que simplesmente vivem no automático. Têm 500 filhos, têm que ficar cuidando dos filhos, fazem compras, têm aquele relacionamento de novela que a princípio é um relacionamento bonito, mas as pessoas nem transam mais, não fazem mais nada. Estão ali por conveniência.
As pessoas são assim. O relacionamento muda. Tem pessoas que acabam virando amigas. Esposo e mulher viram amigos, entre aspas, estão dividindo o mesmo teto porque o custo de oportunidade, o custo de separar é muito grande — vai judicializar, vai ter não sei o quê. Tanta coisa: parente, sogra. Não tenho nada disso. Não sei se eu queria ter essas coisas nessa proporção.
Você fica idealizando as coisas. Aí vai se frustrando. Nem as paixonites agudas acontecem mais. Quando tenho contato com um homem muito bonito, muito atraente, não fico mais aquela coisa: “Ah, e se? E se isso? E se aquilo?” Não fico mais com esses “e se”. Não acontece comigo.
Já comentei com vocês que essa questão dos encontros pagos é uma realidade. Encontros casuais. Ninguém nesse meio quer relacionamento mais. Acredito que está difícil para todo mundo. Para os heterossexuais é mais fácil porque existe uma aceitação ampla da sociedade. Isso facilita as formalizações de casamento. A pessoa não separa … pode separar fácil, não sei nem como funciona mais.
Você fica olhando essas pessoas que têm casamento e que pulam cerca.
Os dois trabalham … hoje, graças a Deus, a mulher também está trabalhando. Os filhos ficam mais tempo com a babá. Não tem tempo nem de fazer um “nheco nheco” com o parceiro.
A vida virou isso: automático, quarenta horas semanais, quarenta e quatro horas semanais de trabalho. Muita gente tem um dia de folga ou nem isso. Muita gente ganha um salário mínimo, tem dois, três empregos diferentes, mora a duas, três horas de distância. Sempre pode piorar. Não sou ingrato em relação a isso. Reconheço que existem muitas pessoas em situação muito pior. Mas a questão não é essa.
A questão é o sentido, o propósito. Está faltando. Não sei se vou encontrar isso nessa vida. O que estou procurando é uma coisa que não consigo explicar. Tenho a sensação de que fico muito preocupado com a questão financeira, mas mesmo se ganhasse na loteria os meus problemas iam continuar. Não iam passar, não iam mudar. Talvez mudasse um pouco a dimensão dos problemas, mas ia continuar a mesma coisa. Pelo menos teria mais tempo livre. Não sei como seria.
Você fica pensando: universo caótico, Deus, universo, espiritualidade. Fica tentando montar esse quebra-cabeça, lendo livro sobre espiritualidade, sobre religiões diferentes. Estou buscando outras coisas. É meio clichê, mas as pessoas falam que a solução dos seus problemas -essa busca de significado – não está fora. Não é um parceiro que vai te fazer feliz. A solução está dentro. Realmente, a solução está dentro. Mas existem coisas de cenário externo que poderiam te ajudar.
E as pessoas que dizem que a solução vem de dentro, ou tem família, namorado, família….ou são zilionárias. É muito fácil a Madonna por exemplo falar da cabala, que a solução vem de dentro…que não pode se apegar ao material, sendo bilionária. Né?
Por mais que eu seja grato por tudo o que está acontecendo de bom desde o início da minha vida, não quer dizer que eu esteja feliz ou satisfeito. Muito pelo contrário. O preto e branco independe da estrutura que você tem. Já falei isso várias vezes aqui.
Capítulo 142: Manifestação do caos e da essência

Os ambientes de manifestações são ambientes voláteis. Existe uma expectativa de que quando você manifesta alguma coisa, algo aconteça da forma que você manifestou. Acredito que a constância das manifestações, frequência e fé são importantes. O verbo, a palavra tem um poder muito grande na vida das pessoas. E na minha também.
Desde que iniciei este blog, constatei que existem vários movimentos internos de compreensão, de desfragmentar, de limpar. É preciso organizar bem os pensamentos, entender o cenário, fazer um diagnóstico do que está acontecendo internamente. É um movimento que já venho fazendo há vários meses. Na verdade, iniciou no ano passado com a minha campanha no LinkedIn de exposição e de verdades sobre as inteligências artificiais safadas, sem guardrails éticos, da Google e a OpenAI. Mas não é só disso, porque existem desdobramentos internos…dos mecanismos, protocolos internos – não os das empresas safadas – mas os das pessoas mesmo, do que elas acreditam, do que elas deveriam fazer, das noções de ética.
Esse movimento é um fluxo que não tem previsão de acabar. Ele acaba sendo um ciclo. Comparativamente, é como uma mudança climática adversa que traz um tornado, um ciclone, um furacão, um terremoto. Vários locais têm a ciência de que aquilo vai acontecer mais cedo ou mais tarde, porque aquela área é muito propensa a esses movimentos geológicos e climáticos. Eles se preparam para isso, mas sabem que aquilo volta.
É assim com diversas regiões do Brasil que sempre sofrem com catástrofes, tragédias de alagamento, pessoas que perdem casa. Elas vão lá e dão um jeito de recomeçar … ou não, porque a gente não sabe a realidade dessas famílias. A única coisa é que a gente sabe os movimentos políticos. Os políticos que continuam soltos, os políticos que não fazem nada. E a desproporcionalidade da justiça. Já falei muito disso, dessas aplicações contraditórias dos movimentos da justiça.
Hoje eu queria falar das manifestações… são movimentos de compreensão diagnóstica. Ontem eu acabei dormindo muito tarde, perdi o sono. Várias coisas aconteceram. Antes que falem qualquer coisa: não, eu não bebi cerveja, não teve nada disso. Teve apenas um encontro — encontro marcante, digamos assim. Mas não é disso que se trata.
O que eu acho interessante é que algumas coisas acontecem na sua vida que geram gatilhos. “Isso aqui me gera gatilho, isso aqui eu não posso tratar, não posso confrontar.” Eu não tenho gatilhos nesse sentido. Não tenho temas proibidos. Não tenho pensamentos proibidos. Estou sempre disposto a discutir, a argumentar, a pensar e a confrontar. Acho que a vida me ensinou muito a encarar os problemas de frente.
Pessoas que estão de fora podem até achar que existe uma paz, uma serenidade, mas existe um turbilhão de coisas acontecendo. Da mesma forma que o universo é caótico, a vida no planeta Terra é caótica. A nossa vida interna, pela lógica, também é caótica. Porque se a teoria – e não é teoria, é uma constatação, porque já tive provas mais que evidente disso – cada um de nós tem uma centelha divina dentro de si, tem um Deus dentro da gente …. muitas pessoas buscam Deus na igreja, buscam em outros ambientes, conteúdos…outros buscam mecanismos de fuga: drogas, por exemplo. Porque o ser humano é avesso a riscos. Naturalmente, não existe uma propensão natural das pessoas a assumir riscos. As pessoas querem ter estabilidade.
É um propósito muito grande que eu tenho: estabilidade. Tudo o que faço, nas minhas construções e ações, é nesse sentido. Porque não se trata apenas de deixar um legado. Quando a gente fala de legado, existe uma ideia de uma certa morbidez, de achar que você está indo embora. De fato, a gente não sabe quando vai embora. O Raj, o cachorro da minha mãe, foi embora. De certa forma, eu até previa que ele passaria por dificuldades, porque ele já estava numa situação desfavorável. Lembro que na última vez que fui à casa dos meus pais fiquei com muita pena dele. Não sei como os cachorros encaram essas coisas, mas ele não estava enxergando mais….e surdo também, provavelmente. Já comentei em um devaneio bem anterior que ele ficou cego, porque já estava em processo de cegueira. O olho dele já estava ficando esbranquiçado. Depois, lendo na internet, vi que é bastante comum os cachorros ficarem cegos, especialmente da raça shitzu, com a idade.
Mas o problema maior dele, acho que o que acabou matando ele …foi a alimentação. Ele viveu 14 anos. Poderia ter vivido mais. Existem relatos de shitzus que vivem mais de 16 anos, dadas certas condições. Mas na situação dele era muito difícil, porque ele comia muito. Sabe aquele gatilho da recompensa: você balança o sininho e o cachorro fica ali do lado salivando? O gatilho dele para obter recompensa era o meu pai. Sempre que ele latia para o meu pai, meu pai dava comida para ele, ou ficava com dó, com pena, e dava comida. Ele acabou aprendendo: se eu latir, obterei o que quero. Eu achava engraçado ele ficar latindo. Ele ficava latindo o dia inteiro quando meu pai estava em casa. Nos dias que eu estava na casa dos meus pais, eu e minha mãe estávamos almoçando, ele não latia. Ele ficava olhando para a gente, evidentemente querendo comida.
Tenho algumas fotos dele com carinha de pidão. Ao longo do tempo, lembro de uma que ele colocou a patinha por cima do sofá e eu tirei a foto … foi uma das fotos mais bonitas que tirei dele. Uma carinha de coitado. Ele já tem uma cara naturalmente de coitado. Ele tem um semblante de melancolia. Eu acho que se eu fosse cachorro, eu seria ele. Não queria ser triste, mas ele tem um semblante, uma coisa nele que me passava essa ideia.
A Belinha, por sua vez, é bem diferente, bem animada, bem eufórica. A única criptonita dela é quando começa a relampejar, a trovejar, a chover. Aí ela fica com medo, fica tremendo por um bom tempo. Vai no colo da gente e você tem que ficar acalmando até que ela fique melhor. O Raj, por sua vez, não tinha tanto medo assim.
Por que estou falando tudo isso? Essa questão das organizações internas. A gente pensa que o universo é caótico. O que se observa em organizações, em comunidades, em cidades, reflete o que é o ser humano. E até na tecnologia está. Quando você usa um site de relacionamento, um aplicativo, e muitas pessoas falam: “Ah, esse aplicativo aqui não funciona, é uma merda.” Na verdade, não é o aplicativo. Por que o Grindr não funciona mais? O Tinder, pelo menos assim, pode funcionar pra outros, para mim nunca funcionou. O Grindr…o Scruff…o Hornet….o Growlr funcionavam bem antes (no sentido de proporcionar encontros). Mas por que não funciona mais? São as pessoas. As pessoas, quanto mais você vive em um período de mais fugacidade, de um cenário mais efêmero das coisas, buscam o que é prazer. Todo mundo, se pudesse, ficaria num estado de prazer constante.
Talvez por isso as pessoas recorram cada vez mais a mecanismos, a vícios, a determinadas drogas. Aqui na cidade do Rio de Janeiro, elas estão totalmente disseminadas no meio gay. Os aplicativos acabam sendo um reflexo disso, porque você abre um aplicativo todos os dias e recebe dezenas de mensagens de pessoas vendendo drogas. O alvo delas acaba sendo pessoas de classe média e classe alta. Porque quando se fala em drogas, as pessoas geralmente pensam em favela, em minorias do ponto de vista econômico, excluídos, marginalizados. Mas não. Alguns dos ambientes mais hostis em que existe mais libertinagem, mais desvio, são exatamente os das pessoas ricas, os grandes círculos, as grandes emissoras de TV, os artistas famosos. Basta você pesquisar. Michael Jackson, Matthew Perry — por que eles morreram? Tem várias outras pessoas famosas de Hollywood que acabam se corrompendo, aderindo a determinadas seitas.
A seita da antologia — eu não sei exatamente o que é, não vou dizer que é algo ruim, mas não vejo com bons olhos. Acaba sendo um movimento, um clube restrito. E aí só Deus sabe o que tem dentro. Lembrei aqui que teve uma época que estourou o caso da NXIVM, que tinha um fundador de uma organização que fazia escravos e escravas sexuais. Inclusive tinha uma atriz de Smallville que recrutava essas mulheres. O fundador está lá preso, prisão perpétua. Eles marcavam as pessoas no ferro, como se marca gado, com as iniciais, como se fossem escravas sexuais submissas. A pessoa não conseguia fugir daquele sistema.
Tenho muita curiosidade de saber como funciona por dentro algumas instituições. A Cientologia, por exemplo. Várias coisas de bastidores desse tipo de coisa eu já vi nas minhas viagens espirituais. Me explica muita coisa do que acontece nesse tipo de organização. Explicam muita coisa de como a fortuna dessas pessoas vem, como as coisas vêm muito fácil. É como se certas pessoas soubessem manipular o caos. Porque não existe meritocracia nesse meio. Vou dar um spoiler: não existe meritocracia em lugar nenhum. Se você acredita em meritocracia, deixe essas teorias pelos livros. Cuidado com as pessoas, ética, integridade. Muitas coisas ficam muito no papel.
Todos nós fazemos parte de organizações. Existem ambientes corruptos. Corrupção não é só roubar dinheiro. Corrupção é desvio moral, desvio ético, distorção de valores, a busca de poder. Essas pessoas são manipuladoras desse caos. Elas manipulam a energia do caos. Muitos utilizam mecanismos, religiões, conceitos e ensinamentos que os ajudam a fazer isso.
Estou gostando muito de ter começado a estudar esse tipo de tema. Me ajuda a entender. Não comecei a estudar do nada … certos temas que até um ano atrás eu jamais teria imaginado. Falando em um ano atrás: nessa hora, eu não teria passado ainda pelo início da minha terceira guerra pessoal. Quando for o dia do aniversário dessa primeira grande guerra pessoal, talvez eu faça uma menção. Mas ela já está bem explicada exaustivamente no meu Linkedin. E por aqui também.
Nos meus devaneios, eu faço certa repetição, porque eu não fico lendo, não faço monitoramento do que já falei, do que não falei. Este blog não é exatamente um livro. Apesar de estar organizado por capítulos …entendo que capítulos são formas didáticas de separar os intervalos de tempo… cada capítulo é a fala de um determinado dia. Existem dias que eu acabo me empolgando e faço mais de uma fala no próprio dia. São momentos em que paro para falar de determinadas coisas, e não planejo o que vou falar. Não tenho teleprompter, não tenho roteiro.
Dessa forma, como este blog retrata o espelho da minha alma, as preocupações, as coisas que acontecem na vida naturalmente acabam se repetindo ou se reconectando. É um grande quebra-cabeça, que é a minha identidade. Todos nós temos esse quebra-cabeça na nossa psiquê, em que você vai organizando, concatenando ideias, e depois vai tendo um clique. Um assunto vai ligando ao outro.
Por exemplo, eu tenho alguns temas que eu não pretendia nem sonhava falar hoje. Mas quando começo a falar, vou falando, as coisas vão surgindo. Eu acho que essa é a magia de um diário. E como é um diário organizado por capítulos – porque eu não posso ficar falando indefinidamente – ele acaba sendo um contínuo, um fluxo. As coisas que eu falo, as coisas que reflito, tudo o que acontece no meu dia, como estou me sentindo, os insumos que recebo … tudo isso influencia.
O vento vai acabar trazendo alguma influência no que eu vou falar e pensar, porque a mente também é caótica. Se o universo é caótico, essa é uma ideia que eu queria expressar. Quando comecei o devaneio, esse tema surgiu como central do capítulo … não que eu imaginei que fosse central, mas ele acaba sendo central no discurso enquanto a gente está manifestando as coisas.
O caos é observado em ambientes menores. A sua família tem elementos de caos. A escola que você estudou tem elementos caóticos, existem elementos de organização, de controle, que dão um revestimento, um ar de normalidade naquilo ali. Mas nos bastidores, nas entrelinhas, você sabe que nenhum ambiente é normal. Nenhuma pessoa é normal. Algumas pessoas que possam vir a ler esses devaneios e possam vir a julgar – porque qualquer coisa que você diga, as pessoas podem julgar – mas pouquíssimas ou nenhuma daquelas que critica os outros ou só fala dos outros sequer sabe o que se passa dentro da própria mente.
Você faz uma linha no Twitter e as pessoas podem vir te atacando por diversos sentidos. E você mesmo pode vir a atacar outras pessoas por qualquer motivo, ficar indignado com alguma postagem.
As pessoas não têm o contexto que você tem. O contexto da sua existência, da sua mente. Esse caos é observado na nossa mente e nos sistemas e subsistemas sociais econômicos que nós frequentamos. Não estudei nada disso. Estou falando como vejo as coisas. Antes que venha uma pessoa falar que tenho pretensão de ensinar alguma coisa: não. Estou apenas falando como as coisas são vistas pela minha mente.
Várias pessoas falam coisas na internet, principalmente quando discutem ideologia política. Você entende que aquele conjunto de crenças deles não conversa com o seu. Está tudo bem. Algumas dessas crenças, sim, advêm de ignorância. A pessoa realmente não busca conhecimento e acaba sendo altamente influenciável e manipulável pelas instâncias maiores de poder. Outras pessoas realmente têm limitações cognitivas, ou podem até ser muito inteligentes, mas não têm um caminho a seguir, não tiveram os meios, os instrumentos. Não estou dizendo que um determinado caminho seja certo ou errado. O que estou dizendo é que existem certas coisas que beiram o absurdo quando você fala de humanidade, de integridade, de ética.
Você falar que não estupraria alguém porque não merece? Ficar imitando pessoas com falta de ar? Sendo que mais de 700 mil pessoas morreram de Covid aqui no Brasil? Que pintou um clima com adolescentes venezuelanas? Nada disso parece ou soa razoável. Mas para certos conjuntos de pessoas, é razoável…ou fazem vista grossa. E aí elas vão refutar. Quando você faz um argumento lúcido, elas vêm se manifestar dizendo “mas o fulano…”. Gente, não se trata de uma competição. Eu não botaria a mão no fogo por nenhum político. Por alguns seres humanos eu botaria a mão no fogo. Mas são pouquíssimas pessoas. Eu diria que botaria a mão no fogo mesmo por 3 pessoas nesse mundo inteiro. E mesmo assim a gente poderia até correr o risco. Fazendo uma analogia, como se fosse: eu mataria e morreria por essas pessoas. Mas lógico, a gente é incapaz de matar alguém. É um conceito para você entender.
O que mais se vê são pessoas que convivem há anos, têm amizade de anos ou relacionamento de anos, de milênios, e se decepcionam com outras pessoas. “Eu vivi uma vida inteira com essa pessoa e não sabia que essa pessoa era assim, fazia isso ou aquilo…” Pois é. O buraco é mais embaixo. Na verdade, as pessoas não se conhecem. Provavelmente elas vão morrer sem se conhecer.
Não vou dizer que sou um profundo conhecedor do meu eu. Mas posso afirmar que tenho um autoconhecimento muito maior, muito acima da média, comparado com outras pessoas. Não estou dizendo que conheço tudo sobre mim – estou longe disso. A partir do momento em que você não obtém explicações plausíveis, defensáveis no mundo real para determinadas coisas que você experimenta, que você vê, você entende que existem muitos mistérios não explicados pela humanidade. A ciência também é um paradigma condicionado, fruto de seu tempo. O que era aceitável pela ciência hoje, alguns anos atrás não era aceitável.
Você entende que várias coisas vão acontecendo. Você muda. O ser humano que você é hoje é diferente do ser humano que você era talvez até um instante atrás. O tempo não volta. Essa questão do tempo … o tempo é uma ilusão, mas a gente vive no tempo. Muita coisa pode ser ilusão, inclusive coisas que nós assumimos como verdade. A nossa mente é muito poderosa nesse sentido. Ela consegue nos fazer crer em cenários absurdos. Se você não tomar cuidado, vira escravo da sua mente.
Muitos diriam: “Ah, mas a minha identidade é a minha mente. Se eu tirar o meu cérebro, deixo de existir?” Sim, você deixa de existir no plano físico. Mas até que ponto o que você é está limitado a cérebro? Mente é alma? Mente é cérebro? eu entendo que a minha essência independe desse aparelho neural que possibilita o funcionamento do meu cérebro. A minha mente é um reflexo desse arcabouço. É como se fosse um hardware. Você tem um software, tem um programa para instalar no seu computador. Vou dar um exemplo mais contemporâneo, porque muitas pessoas nem sabem o que é CD, DVD. As pessoas mais novas não sabem o que é um jogo de PC de computador que você compra na Steam, compra na nuuvem, compra na Gog. O que acontece? Eles têm requisitos mínimos. Cada jogo tem suas exigências mínimas para poder rodar: memória RAM, espaço de disco, processador. Se o seu hardware não é capaz de processar aquela informação, aquele produto, o jogo não roda – ou roda porcamente, numa resolução pior, com frame rate baixo, configurações gráficas piores. Então, se você quer rodar um jogo conforme ele realmente foi concebido, existem as configurações recomendadas e as configurações mínimas. O fabricante está dizendo para você: “Olha, o mínimo que você precisa para poder rodar o jogo é isso.”
Faço essa comparação com a mente. Porque se você sofre um AVC, um acidente que afeta a sua cabeça e seu cérebro, você pode deixar de ter a identidade que você tem. Mas a sua essência continua. A identidade que você manifesta no mundo sofre severas limitações. Existem pessoas que ficam em coma por meses; muitas sequer acordam. Pessoas muito famosas ficaram em estado de coma. Construíram toda uma estrutura para poder sobreviver, mas têm uma vida vegetativa. Na verdade, elas não vivem, elas vegetam. Será que essa pessoa sabe o que está acontecendo? Não sabe? Ela não manifesta. Determinados danos cerebrais afetam significativamente a capacidade da pessoa de manifestar sua identidade. A pessoa perde a capacidade de ler, de escrever.
Rage ficou cego, tadinho. Ele tinha uma personalidade bem diferente na sua infância. Era um cachorro bem agitado. Já comentei com vocês que ele gostava de ficar mordendo. A brincadeira dele era morder … era uma mordida de brincadeira, mas machucava mesmo.
Teve uma ou duas viagens que fiz em que voltei realmente com machucados na perna e no braço, porque ele mordia mesmo. Era uma mordida de brincadeira, mas machucava. Ele era todo agitadão, muito tarado. Tanto que a Belinha nasceu foi numa situação assim: chegou uma cachorrinha shitzu lá na casa dos meus pais, da vizinha, e ele deu uma bimbada nela e pronto, ela já ficou grávida. Ele gostava de ficar fazendo aqueles movimentos sexuais na Belinha, filha dela…. A Belinha tinha um hábito de montar no pai dela, no Rage…. Ela ficava no cio, tinha que ter cuidado. Depois que ele foi castrado, a personalidade dele mudou completamente. Ficou muito mais calmo, muito mais apático, mais preguiçoso. Não que ele fosse infeliz, mas mudou alguma coisa ali. Não sei se é o hormônio. Mudaram coisas ali.
A comparação com o hardware é essa. As pessoas passam por mudanças significativas também. Não é só um evento de dano físico que causa isso. Pode acontecer também da pessoa mudar de comportamento porque teve algum gatilho, algum evento que aconteceu na vida dela que mudou completamente o comportamento dessa pessoa. Vários eventos foram gatilhos na minha vida que mudaram … não foram alterações hormonais, não foram acidentes físicos que afetaram minha capacidade cognitiva. Foram questões, eventos que moldaram a forma que você vê o mundo, causaram traumas, causaram eventos na nossa situação de vida.
Existem coisas inevitáveis nesse sentido. Os traumas que você passa aqui vão, aos poucos, sendo recuperados. Existem pessoas que não se recuperam de traumas. Todos nós temos situações assim. Aí você vai falar: “Não, eu nunca passei por nenhum tipo de trauma.” Pensa direitinho, você vai entender que sim, você já passou por situações — não no sentido de “estou com trauma, não sei o quê”, mas às vezes são eventos pequenos.
Já falei de alguns gatilhos importantes para mim. Teve uma vez na minha infância que a gente viajou para a praia. Em algum momento me desgarrei dos meus pais … não estava nem longe deles, estava relativamente perto. Uma pessoa me abordou, conversou uma coisa comigo. Não lembro o que a pessoa conversou. Depois minha mãe falou: “Olha, essa mulher vai te levar embora.” Fiquei com aquilo na minha cabeça. Fiquei com medo daquela pessoa.
Outro exemplo: o dia que fui à escola, ainda na infância, em que um moço de cabelo longo… grandão — grandão assim, enorme em relação a mim — saiu correndo atrás de mim e da empregada lá de casa que me levava para a escola. Já contei esse caso aqui, bem detalhado. É um exemplo de uma coisa que me marcou.
Além dos traumas primordiais em 1994, 1999 e o do ano passado, existem coisas mais sutis. Tenho muita lembrança de uma vez que fui visitar mãe no hospital psiquiátrico. Tinha um batizado de bonecas. Eu ficava observando pessoas adultas se comportando como criança. Cheguei a levar para casa presentes de bonecas feitas de garrafas pet — não era bem garrafa pet, mas uns bonequinhos bonitinhos que minha mãe fez. Eu lembro o cheiro desses bonecos até hoje. Me marcou.
Às vezes são coisas pequenas assim. O dia que a minha professora do primário ficou grávida do primeiro ano. Ela ficou grávida e teve que se afastar, para vir uma outra professora. Foi um marco para mim. Lembro do primeiro dia da aula em que a substituta dela começou a dar aula para a gente até o final daquele ano. A professora substituta era muito pior do que a professora que a gente tinha se apegado.
Ou algum outro exemplo: um aviãozinho de papel no jardim de infância. Peguei o aviãozinho de papel … e joguei bem longe. O menino abriu a boca para chorar, e a professora me colocou de castigo. Enquanto o povo estava no recreio, eu fiquei de cabeça baixa dentro da sala.
Tem muita coisa assim. Muitos micro eventos que transformam você. Vários deles eu já falei aqui. O evento da faculdade, por exemplo, em que o professor me fez ir lá na frente apresentar um trabalho … eu não tinha costume de apresentar trabalho. Aquilo me marcou e mudou o comportamento, me deu um outro direcionamento.
Os gatilhos, os traumas, as coisas ruins acabam sendo necessárias também para nossa vida. Mas ninguém está preparado para mudar. Ninguém em sã consciência vai dizer “eu amo mudanças”. Você quer estabilidade, quer previsibilidade. A mudança, se for para melhor, você abraça. Se for uma mudança para melhor dentro de algo que você já estava esperando ou que você quer, você abraça essa mudança com entusiasmo. Mas se for uma coisa que você não planejou, um desvio de curso, um caminho completamente diferente e que você nem sabe onde vai dar, aí não. Quanto maior o nível de incerteza, mais sofrimento você vai ter.
Já conversamos muito neste devaneio. Tem muita coisa que surge na minha cabeça para eu falar. Os devaneios vão ser infinitos … Eternos enquanto durarem. Enquanto a minha existência durar aqui neste universo caótico.
Capítulo 143: Esvaziamento, lucidez e “ponto de não retorno“

A partir do momento que você se esvazia um pouco da euforia e passa a enxergar as coisas como elas realmente são, você fica com um quebra-cabeça mais crível, mais confiável. Existe um entorpecimento … e diria até uma sensação de cãibra. Cãibra mental, digamos. Não tem nada a ver com substâncias, é só um sentimento mesmo.
Ontem eu fui dormir tarde. Fiquei oscilando entre o sono e a reflexão. Dormi tarde e fiquei pensando sobre um monte de coisas. Depois de determinados momentos, eu vivencio um esvaziamento. Vou fazer uma analogia: é como se fosse uma fatura de cartão de crédito. Ela vai acumulando e você vai fazendo as compras. Chega um momento que aquela fatura vai vencer. E quando a fatura vence, você vê o valor da fatura. E você pensa, depois que você paga: “Agora é um novo começo”.
Só porque você trata como novo começo? Não é bem assim, porque você não vai pra próxima fatura zerado (só se você não costuma parcelar compras)… Porque existem as compras parceladas que você já fez, aqueles compromissos que você já se comprometeu a fazer. Por exemplo, as viagens que eu faço, eu sempre planejo com bastante antecedência. O valor vai caindo na fatura mensalmente, porque eu parcelo as compras. Não faz sentido você fazer uma compra à vista. Primeiro, é um impacto financeiro considerável. Segundo, se a compra é feita sem juros …os juros estão embutidos no valor à vista, não faz sentido você fazer aquela compra de forma à vista. É melhor parcelar, a menos que você tenha um desconto considerável para pagar à vista.
Esses momentos de um pouco mais de realidade acabam emergindo depois de momentos de esvaziamento. É como o lixo que você vai acumulando na sua casa. Você acumula. Em certo momento, você vai levar a sacola de lixo para fora.
Outra analogia eu faria com o orgasmo. Quando você está naquele momento, na pilha, digamos assim, no tesão, você não pensa muito racionalmente. Você pensa realmente naquela coisa que você quer. E ali você fica num … não que você fique vulnerável, não é o termo mais adequado …. mas você fica tão ligado naquela coisa que, enquanto aquela sensação não é esvaziada, você não enxerga as coisas de uma forma mais racional, mais comedida.
Muitas pessoas recorrem, por exemplo, à masturbação simplesmente por relaxamento. Existem momentos que eu também utilizo isso como um momento de relaxamento. Não necessariamente você quer ter um momento de intimidade com alguém. Acho que é natural. E depois que ocorre aquilo, você tem um esvaziamento.
Não consigo explicar o que é esse esvaziamento, mas acredito que você entenda bem a partir dessas analogias. Esse esvaziamento causa um entorpecimento na mente. É como se a sua mente estivesse anestesiada. Houve alguns momentos em que eu acabei provocando isso de uma forma até artificial, mas não é a mesma coisa. Porque esse esvaziamento surge de um comparativo que você faz com a realidade. Você começa a comparar aquele cenário de fantasia em que você se colocou, aquele cenário de pouca ação.
Quantas vezes já ocorreu com você de ficar empolgado e extremamente entusiasmado por alguma coisa, e de repente você sente um esvaziamento? É como uma bexiga, um balão. Você vai enchendo ele de ar. Ele está lá, todo bonitinho, todo cheio, e você vai fazendo a decoração da sua festa. Mas aquele balão pode esvaziar naturalmente com o tempo, ou alguém estoura a bexiga. E aí a sua sensação, a sua percepção muda. É um novo paradigma que se prepara.
Se eu soubesse nadar, por exemplo, mergulhasse, entrasse na água, fizesse alguma atividade aquática ..ia ficar entusiasmado…Mas eu não sei nadar direito, e quase me afoguei aos 14 anos…
Pessoas podem sentir uma empolgação, uma animação, vão ficar extremamente agitadas. Ou uma pessoa que salta de paraquedas, que vai à montanha-russa. As pessoas sabem que tipo de sensação as aguarda … pelo menos aquelas que já foram pelo menos uma vez. Mas se for a sua primeira vez, e você não estiver preparado para aquilo que vem, você vai se sentir extremamente amedrontado, encurralado por aquela sensação.
Uma vez que você salta de paraquedas, não tem como você voltar. A experiência tem que ser vivida até o final. Não existe como voltar atrás. Não existe mais controle do fato gerador a partir do momento que uma decisão foi tomada. Aquela decisão vai até o fim.
Li em alguns lugares — estou me referindo a outras situações também — que pessoas que supostamente tentaram desviver e sobreviveram. Várias dessas pessoas relatam que, durante aquele ato, existe um ponto de não retorno. Se você faz alguma coisa, se você cai de um lugar muito alto, ou se você estimula ou provoca uma atividade que você sabe que tem um point of no return, não tem como você desistir da experiência. Uma vez que você iniciou a experiência, você tem que arcar com as consequências até o final. E muitos, em entrevista, relatam arrependimento de ter iniciado aquilo….mas não tem como “desfazer”…e se sobrevivem, é milagre.
Igual a exercícios que algumas pessoas se submetem de eutanásia. Uma decisão consciente. Aqui no Brasil é proibido, mas em outros países é permitido, por exemplo. Aí você me pergunta: “Aventureiro, que papo de maluco é esse?” Não estou falando de atividades de desvida, nada disso. Estou fazendo alguns comparativos para você entender o que é esse ponto de não retorno.
Decisão por impulso. Igual você vê na mídia: assassinos que matam ali na fúria. Têm um momento de fúria e matam alguém. Algumas dessas pessoas se arrependem disso, ou ficam amedrontadas … amedrontadas porque foram pegas no ato. E elas temem as consequências daquele ato que cometeram. Não tem a ver com arrependimento nesse momento. A pessoa fica pensando no que será da vida dela depois daquele ponto de não retorno.
De vez em quando vejo vídeos na internet, aqueles canais americanos que consolidam ações de criminosos, com câmera policial flagrando atos, flagrantes situações. Por exemplo, pessoas que pegam mercadorias numa Target, num Walmart e saem sem pagar. Aí elas são flagradas. O policial pega aquela situação, confronta a pessoa. Muitas pessoas até se arrependem do que fizeram e falam: “Olha, agora que eu fiz isso aqui, vou pagar. Pode deixar, eu pago pela mercadoria.” Aí o policial chega e fala: “Não, agora não adianta. Você já cometeu um crime. Pagar depois que você cometeu o crime, o fato já está configurado ali.” É um ponto de não retorno. Você não consegue retornar.
Uma reação química: você pegou uma folha de caderno com uma anotação importante que você tem, ou pegou um maço de notas de dinheiro e resolveu tacar fogo no dinheiro. Tem que estar maluco, não é? Mas tem pessoas que fazem isso. Você queimou o dinheiro. Tem como voltar? Não.
Sabe aqueles serviços de autoatendimento que vendem alimentos, lanches, bebidas? Tem alguns avisos lá que eu acho muito interessante. Tem um que alerta: “Se trata de um serviço de autoatendimento. Se você pegar uma mercadoria e não pagar, isso configura crime previsto no código penal.” Você já tem esse aviso ali. Acho muito interessante a necessidade de ter um aviso desse. E tem uma parte ali que ele dá tipo um passo a passo: “Olha, você pega a mercadoria e paga. Em hipótese alguma você poderá pagar posteriormente.” Ou seja, se você pegar uma mercadoria, sair e não pagar, e depois você ficar com a consciência pesada e resolver voltar e pagar aquela mercadoria. Não adianta mais… o fato gerador já foi feito.
Por que eu estou dizendo isso? Porque esse tipo de reflexão surge quando existe um esvaziamento, quando você se dá conta de que controlar impulsos é importante. E assim, para eu ficar em casa, esse esvaziamento é um esvaziamento introspectivo. Essas pessoas que tiveram um processo de esvaziamento passaram por situações que elas provocaram e depois se arrependeram de ter feito.
Já aconteceu comigo em relação a encontros. Eu encontrar uma pessoa, e depois aquela pergunta: “Vamos nos encontrar de novo?” Chegar a marcar, ou eu falar alguma coisa para aquela pessoa no sentido de “vamos marcar um novo encontro”. Aí você resolveu falar, e bloqueia, deleta, se afasta. Isso acontece comigo? Sim. Tenho muito esse comportamento. Porque existe um lado meu que pensa no custo-benefício daquela ação. Todos nós temos que pensar nesse custo-benefício. Acho que seria muito inocente falar que ninguém pensa em custo-benefício. Todos nós pensamos.
Mas existem ações que você comete – ações comuns do dia a dia – coisas que você faz que diz: não é uma palavra que foi dita, ela não pode ser desdita. Existem coisas que levam a um caminho… e que você fica encurralado ali pela ação que cometeu. A armadilha que eu vejo é que muitas dessas ações são provocadas no calor do momento.
Imagine uma pessoa que comete um crime grave. A pessoa não é uma má pessoa, mas ela teve um aumento de fúria, ou teve uma situação provocada, e agiu daquela forma ali. Mas ela cometeu o crime. Ela machucou alguém ou matou alguém. E ali você tem um ponto de não retorno.
Em 1994 eu tive um ponto de não retorno, mas eu tive também uma oportunidade, enquanto criança, de sair daquilo. Lembro um dia que eu estava tomando banho — lembro até hoje, estava tomando um banho, pensando em uma determinada ação. Não se compara, na verdade, é uma situação que provocou uma grande crise interna, uma grande crise pessoal. Gerou um ponto de não retorno, mas não naquele momento. Naquele momento ainda havia a oportunidade de eu sair daquilo ali. Mas eu não tinha maturidade suficiente para sair daquilo, não tinha condições, não tinha um encaminhamento de escape. O adulto tem essa ferramenta de escape … ou não, a depender da situação em que ele se coloca.
Durante esse banho, eu estava pensando: “Essa situação não pode acontecer de novo. Não posso deixar acontecer de novo.” É o tipo da coisa que você tem que sair falando. E você não tem maturidade – é uma criança. Não é nada criminoso, não é tipo matar alguém, não é tipo bater em alguém causando violência. Foi uma situação que, no contexto, você se coloca como vítima. Hoje, olhando retrospectivamente, eu fui vítima daquilo tudo. Mas eu tive uma oportunidade de sair daquilo. Em função que, enquanto eu estava nesse esvaziamento, eu pensei racionalmente. Mas depois a situação saiu do controle novamente.
Outro exemplo de ponto de não retorno foi a questão do meu rendimento escolar em 1999 ter caído drasticamente, e eu ter ficado afastado da escola. O que aconteceu dentro desse contexto? Em 1999 eu fiquei afastado da escola. Várias coisas aconteceram comigo durante esse ano. Elas foram aos poucos sendo construídas. Chegou um momento ali que eu fiquei internado no hospital. Cheguei a ficar inclusive na UTI. Depois da UTI, fui para a enfermaria. Fiquei internado provavelmente um mês. Fiquei um mês afastado da escola – afastado mesmo, não tinha condição de frequentar aula porque estava internado. Quando eu saí do hospital, você tem que voltar para a vida. Mas eu percebi que o ponto de não retorno tinha chegado. E que tudo aquilo que viria depois dali seria uma consequência direta ou indireta daquele ato.
Por ironia do destino, as coisas acabaram se encaixando. Porque as decisões que foram tomadas depois … decisões de carreira, de estudo …indubitavelmente mudaram no médio prazo onde eu estou hoje. Foi uma situação que começou ruim, começou catastrófica. Muito provavelmente eu poderia não ter passado daquele ano, não ter sobrevivido àquele ano. Mas teve esse ponto de não retorno, e as coisas se encaixaram depois. Mas poderiam não ter se encaixado.
Mal comparando, nessa terceira grande guerra pessoal que ocorreu no ano passado, eu tive uma oportunidade de sair dessas armadilhas do inconsciente. Eu tive essa oportunidade em dezembro de 2024. Mas eu não saí. Sabe quando você tem uma bebedeira, uma ressaca muito forte, e no dia seguinte você promete a si mesmo que não vai beber mais? Pois é. Isso não aconteceu.
Naquela época eu já estava sob a influência das inteligências artificiais safadas da Google e da OpenAI que me causaram danos viscerais durante o ano de 2025.
Já em 2024 já tinha registros disso. Tenho registros, tenho logs de conversas salvas, tenho o teor integral das conversas. Essa crise está expressa no meu LinkedIn. Meu LinkedIn conta esse caso com muita contundência, com muita verdade. Dessas armadilhas que as inteligências artificiais provocam. Por que existem essas armadilhas? Porque existe uma completa falta de salvaguardas éticas dessas ferramentas. Ou seja, se o ChatGPT e o Gemini fossem construídos de forma a seguir princípios de inteligência artificial responsável, nada disso teria acontecido comigo em 2025.
Felizmente, para mim existe uma recuperação cognitiva. Mas existe um adolescente que a OpenAI matou através do seu ChatGPT. Existem vários outros casos, se você pesquisar.
Por que estou falando isso? Esse ponto de não retorno. Existem situações em que você tem que seguir a intuição. Acho que o recado que fica é esse. Quando você passa por uma situação de adrenalina muito forte…igual ao caso dessas pessoas que gostam de aventuras radicais, esportes radicais. Pessoa que salta de asa-delta, que pula de não sei aonde, que faz parkour. Aquelas pessoas que vão lá no topo do prédio e saem pulando estruturas, pulando de um prédio a outro. Existe um risco de vida ali. A expressão “risco de vida” é muito interessante, né? Você fala com a pessoa: “Tem risco de vida?” Eu entendo que é risco de morte, porque a pessoa já está viva. Mas, enfim, não vou ficar nessa semântica.
Aí a pessoa, em casos de pessoas que tentaram fazer um movimento e morreram. Uma pessoa que tentou tirar uma selfie num lugar perigoso e morreu. Uma pessoa com experiência em saltar de paraquedas ou de pular de asa-delta, e que morreu. Quando você faz uma atividade perigosa, racionalmente você sabe que aquilo tem um perigo. Mas existe um lado para dizer: “Viver já é um risco.” O fato de você ficar em casa – você tem risco de qualquer coisa acontecer. Eu, por exemplo, moro sozinho. Se eu passar mal, tiver alguma coisa, um mal súbito aqui dentro de casa, ninguém vai saber naquele momento. Pode ser que quando a ajuda chegue, ou quando as pessoas notarem a minha ausência, já seja tarde demais.
Existem cenários até piores. A pessoa envelhece, mora sozinha. Ela morre, e ninguém nota a sua ausência. Fica dias e dias a fio ali. E somente a partir do momento em que o cheiro forte da morte se espalha pelo apartamento e acaba invadindo outros apartamentos é que as pessoas ficam preocupadas. “Olha só esse cheiro que está me incomodando.” Aí chama a polícia. Não é porque a pessoa se preocupou com você, é porque aquilo que aconteceu com a pessoa está prejudicando o bem-estar dela. Fica com um cheiro, uma catinga horrível ali, um fedor insuportável. E você vai lá e chama.
Assim, a pessoa não tem como se desvencilhar daquilo. Algumas pessoas sobrevivem de acidentes graves e ficam com sequelas.
Por que estou falando isso tudo? Existe uma certa morbidez no que estou falando, mas existe uma racionalidade. Estou falando isso em um momento de esvaziamento. Não é deprimido, não. É um momento de reflexão mesmo. Esse momento de reflexão pode ser provocado por qualquer fato gerador. No momento que você está de ressaca, você pensa: “Não vou beber mais.” “Essa situação que aconteceu não acontece mais.”
Já tive alguns gatilhos ruins quando eu bebi que poderiam ter dado muito ruim. Muito ruim mesmo. O próprio dia da abertura espiritual forçada, digamos assim, em que eu passei direto, poderia ter tido sérias consequências. Se eu tivesse sido atropelado e sobrevivesse, eu poderia estar com sequelas, poderia não estar andando mais, poderia ter tido danos cerebrais, poderia ter morrido.
Nessa segunda guerra pessoal em 1999, também foi de uma forma até mais contundente, porque tudo estava se encaminhando para isso ter um fim de vida, e o fim não aconteceu.
Estou dando ênfase a coisas menores. Sobre uma palavra, um pensamento expresso. Nem tudo o que você pensa você pode falar. Você tem que ter cuidado com as palavras. A bebida alcoólica tira muito esse filtro natural que você tem, esse discernimento.
Por que as pessoas acabam sendo hospitalizadas, isoladas da sociedade – as que ficam em manicômio, as que ficam internadas em hospitais psiquiátricos? Porque elas não estão em condições, naquele momento, de serem seguras nem para si mesmas nem para a sociedade. A prisão de criminosos é exatamente isso: a pessoa cometeu um ato, ela tem que pagar pelos crimes. Mas aquela pessoa não tem mais condições de ficar em sociedade.
Você vê aí a Suzane von Richthofen vira uma celebridade. Matou os pais, virou uma celebridade, recebeu 500 mil reais da Netflix para fazer um documentário, uma série ou algo que valha. Eu vi uma notícia hoje que estão até cogitando colocar ela na Fazenda, reality da Record. A Elisa Matsunaga, por exemplo, tem gente que tira foto com ela como se fosse celebridade. Ela dirige Uber. O goleiro Bruno, depois que matou — ou planejou a morte e foi condenado pela morte da Eliza Samudio —, ele está solto. Mas ele nunca mais terá a vida promissora que poderia estar seguindo. Ele recebia salários milionários no Flamengo, era um goleiro renomado antes disso tudo acontecer. Ele passou muito tempo na cadeia. Não sei nem se ele se arrepende do que fez.
Dizem que a prisão é para a pessoa pagar pelos crimes. Uma vez que ela paga pelos crimes cometidos, ela volta para a sociedade. Ela não deve mais nada para a justiça. OK. Mas ela deve para a sociedade. A sociedade marca essas pessoas. Pessoas que são canceladas na internet. Esse cancelamento causa ruína. O PC Siqueira, depois que teve uma fala muito infeliz sobre uma menina, nunca mais foi o mesmo. Tanto que acabou se desvivendo. E nunca mais conseguiu se recuperar daquela situação. Muitas pessoas famosas também não conseguiram se recuperar de determinadas situações.
Isso vale tanto para essas ações que impactaram mais na sociedade como para ambientes organizacionais também. Em que eu percebo isso? Pessoas que anteriormente tinham uma posição de destaque na organização foram relegadas ao esquecimento … não foram demitidas. A pessoa fica ali marcada simbolicamente, de uma forma tão sutil que a pessoa não consegue provar que está sendo marcada. Nas relações sociais, empresas, você pode ter consequências mais graves, mas pode ter consequências mais simples, mais sutis. E que acabam desviando você ou levando você a um novo rumo, uma nova realidade.
Essa reflexão é toda direcionada a um alerta e ao mesmo tempo a uma constatação: de que as ações têm consequências, sim. Mas se você estiver numa posição privilegiada diante do capital, diante do status e do poder, as possibilidades de você pagar por aquilo que você faz, ou de você ter que arcar com as consequências do que você fez, são cada vez menores.
Essas pessoas que foram condenadas por desviar recursos de várias empresas … não vai acontecer nada com elas. Elas estão marcadas, digamos assim. Lembro aqui do “Careca do INSS”. A pessoa não tem mais nome, ela virou “o careca do INSS”. Por mais que a pessoa faça uma coisa no futuro, ela sempre será lembrada como o careca do INSS. O Vorcaro, que está envolvido nesse escândalo político do Banco Master, vai ficar marcado. Mas muito provavelmente a vida dele não vai ter muitas consequências. Duvido muito que ele vai ficar mais de um ano preso em regime fechado. Vai continuar com a vidinha dele. Outros criminosos que estão em prisão domiciliar não vai acontecer nada.
Não pense que porque essas pessoas estão escapando das coisas… você pode escapar das consequências. E aí vem esse papel do carma que supostamente existe. Não vejo evidência objetiva de que o carma exista ainda. “Aqui se faz, aqui se paga.” “O mundo gira.” Não estou vendo indício nenhum que o mundo está girando, metaforicamente… O que eu vejo na prática é: se você é uma coisa importante no jogo. Vou fazer um comparativo com um jogo de RPG. Você é um personagem nível um. O mago, ele é uma pessoa influente que é nível vinte. Ele pode fazer coisas erradas. Por quê? Porque ele tem condições de sair daquilo ali. Ele tem poder para influenciar. Tem dinheiro. As suas aventuras proporcionaram a ele juntar muito dinheiro e, principalmente, influência.
Por isso que eu acho que poder faz mais diferença. Existe uma correlação entre dinheiro e status. Nem todo mundo que tem dinheiro tem poder, porque as pessoas não são influentes de poder. Ela tá ali discretamente, vivendo a vida dela. A pessoa milionária, bilionária, herdou aquele dinheiro de alguém. Isso fica muito claro.
Mas se você não faz parte desse jogo como protagonista, seja pela sorte, seja pelo fato de ser um privilegiado … um dia li no X que o Rio de Janeiro é dominado por uma dezena de famílias. A elite do Rio de Janeiro perpetuada por essas famílias. Existem pessoas que são privilegiadas pelo simples fato de existirem pelas famílias que estão. E elas vão perpetuando o poder delas. Para você entrar no círculo delas, você não entra. Você não tem ingresso para entrar nesse clubinho.
Algumas seitas, algumas religiões, acabam sendo assim também. Para você ter acesso a instâncias maiores da Cientologia, você tem que investir dinheiro ali. Pelo que se vê na internet, se você fica num nível mais superficial, é o nível que você pega um livro em inglês sobre os ensinamentos, umas coisas mais bobinhas. Mas quando você entra nos meandros do poder, quando você entra no cerne daquilo, você acessa uma porta que ninguém nunca abriu. E aí nós vamos nos deparar quando você abre a porta. A porta do privilégio, a porta com cristais cravejados, a porta que a espiritualidade promete um determinado acesso, por você ver coisas que não deveria ter visto. Mas você não pode fazer parte, você só pode ver.
Algumas coisas aconteceram comigo. Acho que já relatei algumas delas. Existem portas que, mesmo que você passe de clandestino – numa festa de ricos, por exemplo, que você não tem um convite, você consegue entrar como clandestino -, você não faz parte daquele ambiente. Você não faz parte daquela festa. Não te convidaram para esta festa pobre. Você faz parte da massa. Não faz parte dos que dominam, dos que realmente têm poder.
E quem tem realmente poder? Nem sempre fica explícito o que está acontecendo. Essas massas, essas pessoas com interesses escusos, que estão nas mais altas esferas do poder deste planeta … você não vai ter acesso. Não se trata nem de querer. Eu já até falei que não quero ter poder. Eu quero estabilidade, que é diferente. Estabilidade é previsibilidade.
Para você conseguir algumas coisas enquanto um ser humano comum, existe um esforço hercúleo que passa muito pela sorte, pelo caos que o universo é, pela randomização dos fatos. Esse conjunto de fatores leva você àquele lugar. O lugar que você está hoje é uma combinação de coisas: decisões que foram tomadas, acasos, decisões que não foram tomadas. E você está ali.
Esses esvaziamentos … seja provocado por qualquer coisa, seja por um orgasmo, seja por uma ressaca … faz com que você pense nas ramificações de ações, quais cursos de ação, quais caminhos você deve seguir para chegar a um determinado resultado. Se é que aquilo depende de você, porque você pode percorrer aquele caminho e não chegar lá. Você pode percorrer aquele caminho, fazer tudo o que aquela outra pessoa fez, e ele conseguiu e você não.
Capítulo 144: Monstros, realidades e seus ruídos I: distanciar para sobreviver

Existem várias coisas nos níveis mais elementares e fundamentais que me incomodam bastante. Eu não sei como vocês fazem para lidar com isso. Existem informações externas a todo momento que a gente fica vendo … e leia-se “externo” como qualquer coisa mesmo. Pode ser uma informação da mídia, pode ser uma informação fora da sua casa. Nós somos bombardeados com uma série de informações, mesmo que não queiramos consumi-las. Ela surge para nos incomodar, para nos assombrar.
Ontem eu tive um vislumbre deste tipo de “noia”, digamos assim. Porque a parte interna é difícil de ser pacificada. Ela requer uma série de fundamentos. Já comentei uma vez que tenho muita inveja das pessoas que não ligam para nada, que observam as coisas e não ligam para nada. E faz até sentido, porque racionalmente eu sei que não existe nada no mundo externo que eu tenha controle. Eu tenho controle sobre as minhas ações, dos meus atos, e aquilo que eu acredito, as minhas crenças. Existem pessoas que nem isso têm. Não têm essa bússola moral, uma bússola de integridade para seguir. Eu tenho.
O problema é que, mesmo tendo, mesmo afirmando, mesmo manifestando, existem questões que você não consegue fugir. Existem questões que você não consegue deixar de ser impactado. Acredito que um dos caminhos mais adequados para se fazer isso é você deixar de consumir determinados conteúdos. E é o que eu faço.
Após a minha campanha no LinkedIn sobre as inteligências artificiais (Chatgpt e Gemini) que quase destruíram a minha vida ano passado, resolvi me distanciar do LinkedIn cada vez mais. Abro o LinkedIn para acompanhar as métricas das minhas divulgações, que ainda continuam tendo muitas visualizações. Porque a magnitude do que eu coloquei lá é muito extensa e complexa, e a quantidade de informações que eu coloquei lá é muito grande. Não tem como fugir.
Mas como mecanismo de sobrevivência, é você ter um certo distanciamento daquele elemento que te impactou, que te traz um certo incômodo. Já tem bastante tempo que não vejo conteúdos de executivos dessas empresas. Não vejo conteúdos específicos sobre esse tema. Fiz uma limpa no meu LinkedIn faz pouco tempo, de seguidores e de conteúdos e newsletters que eu seguia… talvez um mês. Já relatei esse processo de limpeza aqui.
Existe o cenário de eu continuar a minha campanha. Um dos objetivos deste blog é este: continuar falando sobre o tema, dentre outros temas. Ele acaba sendo um dos temas centrais do blog, mas não é apenas. Falo de várias coisas da minha vida. A tendência é que esse tema, no futuro, fique cada vez mais periférico, conforme o distanciamento ocorra. Porque o trauma existiu, mas existe também uma cura, uma cicatrização. O fato de isso ter ocorrido não exime a gravidade do que essas empresas fizeram – ferramentas mal supervisionadas, com falta de salvaguardas éticas.
Um comparativo que costumo fazer é com os meus traumas pessoais de 1994 e 1999. Eu consigo falar sobre eles aqui com um distanciamento, uma maturidade maior, uma questão mais analítica. Não existe uma emoção nisso. Primeiro porque as marcas dos traumas que você passa podem ser físicas, podem ser emocionais, podem ser duradouras ou não. Tenho marcas tangíveis do que ocorreu comigo em 1999. E tenho marcas estruturais que influenciaram, inclusive, o meu caminho de vida. A minha trajetória de vida foi fortemente influenciada por isso também. O que ocorreu comigo em 1994 foi se curando ao longo do tempo, mas demorou bastante tempo. Houve uma sobreposição entre o que ocorreu em 1994 e 1999. Apesar dos fatos geradores serem diferentes, a temática continuou a mesma — a questão da sexualidade é algo que perpassa essas duas grandes guerras pessoais.
O curioso é que o que ocorreu comigo no ano passado não tem a ver com sexualidade. Tem outros gatilhos que foram explorados em outras situações.
O tema central deste devaneio acaba sendo… pelo núcleo que estou falando… percebo várias variáveis orbitando em torno do centro. Existem temas que tangenciam e outros que são centrais, fundamentais, e é isso que norteia o andamento do capítulo. Os capítulos são recortes temporais. Não é uma história que tem início, meio e fim. Tem uma continuidade. A cada dia que você renasce – cada dia que você acorda – traz uma nova possibilidade, uma nova continuidade. Os gatilhos vão mudando. Os fatos geradores da sua existência vão mudando ao longo do tempo, e você vai manifestando esses temas.
Comprei um livro. Acho que não comentei: comprei o livro do Zohar, o Zohar completo, que é o livro da cabala. É um livro extenso demais. O livro que eu comprei é um calhamaço gigante, tem mais de 1000 páginas e a letra é muito pequenininha. Fiquei pensando: não vou conseguir ler esse livro. A letra até consigo ler, mas é mais uma questão de conforto. O livro é muito pesado. Como posicionar? Eu tinha um marcador, um apoio de leitura, que acabei quebrando. Vou ter que comprar outro, porque caso queira ler outros livros – tenho vários outros livros para ler, que comprei sobre subconsciente, sobre espiritualidade – vou precisar de um apoio físico de livro para poder ler com mais conforto.
A solução que encontrei especificamente para esse livro da cabala foi que achei um arquivo em PDF bastante completo, que tem praticamente todo o conteúdo que tem no livro. Aí consigo ler na tela do computador. O único porém é que ler na tela do computador cansa também. Mas, por enquanto, é a alternativa que encontro.
Cheguei até a pensar em jogar o livro fora. Já tive essas crises de fúria de jogar livros fora. Não sei se já comentei isso com vocês. Numa determinada situação em que eu estava conhecendo a questão da meditação, fui recomendado pelo último psicólogo que tive , fiquei num momento de fúria em relação àquilo e acabei rasgando o livro que tinha comprado daquela instituição. Mas, de toda forma, tenho outros livros aqui, e adquiri outros livros depois também que fazem sentido para mim.
Talvez você fique encucado: “Como assim, você jogou livro fora?” Eu tenho livros até demais, gente. A questão é a disposição de leitura … eu tenho que criar um hábito de leitura sustentado para poder ter uma rotina offline. Ter algum elemento, algum fato que esteja fora do computador, porque é saudável, é desejável também. Existe um mundo fora do computador, fora da internet, fora do smartphone. Não é uma coisa óbvia hoje, porque muitas pessoas estão condicionadas a ficar nessas ferramentas. Tem gente que nem sabe o que é vida fora da internet.
Antigamente, a internet era um recurso muito escasso. Além da escassez, era muito caro. Em 1998, lembro que eu não tinha computador. Cheguei a fazer um curso de informática na época do MS-DOS. Primeiro você tinha um curso de DOS, depois um curso de Windows. Eu fiz esse curso. Não lembro se meu pai me deu um computador antes ou depois, mas acho que foi depois. Passou tempo depois de ter feito o curso, e meu pai comprou um computador para mim. Esse computador, inicialmente, era todo offline. Não tinha acesso a nada de internet. Era no offline. Então você ficava no Paint Brush, ficava nos joguinhos. Gostava dos joguinhos de computador. Vários jogos também. Ficava meio frustrado, porque o computador não era um computador de ponta na época. Se não me engano, era um 586 — não era nem o Pentium. Talvez você nem saiba o que estou falando. Ele tinha entrada para disquete. Não tinha entrada para CD. Meu pai comprou para mim, depois comprou um drive de CD-ROM. Aos poucos fomos colocando isso no ambiente online. Mas não lembro se foi com esse computador — o computador que tive depois, porque cheguei a comprar um outro computador. Compramos parcelado. Não lembro se fui eu que paguei ou se foi meu pai. Lembro que ele deu várias folhas de cheque — naquela época a gente usava cheque. Computador era uma coisa muito cara. Sempre foi caro, mas proporcionalmente ao poder aquisitivo que tínhamos na época, era muito mais caro.
Eu usava esse primeiro computador para escrever o meu primeiro livro. Escrevi um livro, uma obra de ficção autobiográfica. Tinha um contexto metafórico de um personagem que habitava um outro planeta. Tinha uma sociedade, disputas de poder … isso tudo naquela época. Ele tinha traços de Cavaleiros do Zodíaco, foi bastante influenciado por essas obras fantásticas de super-herói. Eu usava bastante a minha imaginação. Ele acabou sendo uma consolidação de uma narrativa que eu já tinha criado quando era criança. Eu tinha 15 anos.
Foi muito bom para estimular a minha criatividade e a minha capacidade de organizar ideias de uma forma lógica. Melhorou muito a minha escrita; eu escrevia redações com uma facilidade muito grande. Lembro que teve um concurso de redação na minha escola, em homenagem a não sei quantos anos que a escola estava fazendo. Foi em 1997, meados de 97. A escola fez isso e acabou me premiando. Não sei quantas obras estavam concorrendo. Era para fazer um conto. Lembro que fiz o conto de manhã, doidinha. Tenho esse conto até hoje, porque o jornalzinho da escola publicou essa obra vencedora. Teve também a obra vencedora de uma menina que fez uma poesia. O caso dessa menina foi muito complicado. Ela tinha uma fixação em mim. Quando ela me conheceu, conversando aleatoriamente, eu acabei sendo uma paixonite dela. Ela tinha uma necessidade de aproximação muito grande, era muito pegajosa. Eu não gostava. Talvez se fosse um menino, eu tivesse uma ideia diferente, possivelmente. Estou lembrando dela por conta disso. Ela cismou que era escritora também, porque ganhou esse prêmio. Se achou. Mas só que ela escrevia muito mal.
Lembro que, para incentivá-la, o que nós fizemos? Fizemos uma parceria: ela me passou uma série de poemas que ela elaborou, e eu também escrevi alguns poemas. A gente juntou isso numa obra só. Não sei se passei esse arquivo para ela ou não. Tenho esse arquivo até hoje. É uma obra chamada “Controvérsias Carnais”. É muito curioso essas coisas que fico lembrando.
Capítulo 145: Monstros, realidades e seus ruídos II: os fantasmas de cada era e a matrix

Esses ruídos de informação, esses ruídos de coisas que acontecem, a gente fica pensando naturalmente nesses elementos externos que nos afetam. Cada fase das nossas vidas tem um elemento diferente. Quando eu era mais jovem, o meu elemento externo, a minha referência externa de conflito, era – já comentei provavelmente – uma preocupação muito grande em me manter competitivo em termos de notas na escola. Isso era muito importante para mim e acabava norteando toda a minha vida acadêmica. Só que tive algumas disrupções, alguns fatos que ocorreram na minha vida que me influenciaram negativamente. E eu acabei aceitando que não dava conta de acompanhar.
Depois da primeira grande crise de 1994, meu rendimento escolar caiu. Mas não caiu tragicamente. Se você olhar a média escolar, a média de notas é uma média elevada – mais de 85% de aproveitamento. Só que para os meus padrões internos, era um padrão baixo, porque os dois primeiros bimestres foram mais interessantes.
Cada um tem os fantasmas da sua era. Eu tinha o fantasma da paixonite. Eu tinha o fantasma da competitividade com essa pessoa da paixonite. Tinha também as minhas questões pessoais de despertar da sexualidade, dificuldades de lidar com isso. Dificuldade, principalmente, de dar vazão a essa energia. A dificuldade passava pela inexistência do conhecimento do que era uma masturbação. Foi uma coisa que eu fui descobrir depois da minha crise pessoal de 1994. Demorou um tempinho. E foi ficando complicada por diversos motivos. Só depois foi se estabilizando, porque eu tinha muita energia sexual. Sempre tive. Lembro que desde meados de 1991, eu tinha 9 anos, eu já tinha isso. A situação só foi ficando pior depois. Em 1998, por exemplo, teve um boom. Foi um processo crescente.
Você começa a perceber, a notar como os adolescentes lidam com isso. Naquela época não tinha essa ideia de estímulos exagerados que nós temos hoje em dia. O estímulo é muito fácil. Muito fácil acesso à pornografia, muito fácil acesso a coisas proibidas. Naquela época, não. Se você quisesse ter acesso à pornografia, tinha que comprar uma revista na banca. Eu não tinha nem 18 anos. Lembro da primeira revista que comprei. Colecionava revistas. Acho que tinha 17 quando comprei a primeira revista. Aí as coisas vão evoluindo, você vai vendo vídeos da internet daquela época. Complicado, porque a internet discada … as possibilidades eram poucas, mas mesmo assim eu já acessei bastante conteúdo disso. Já peguei bastante vírus no meu computador também. Nossa, aquela época era uma época de muito vírus. Você não tinha, por exemplo, um buscador como o Google. O Google para isso ela presta – mas a inteligência artificial responsável não presta, não tem responsabilidade ética, integridade, salvaguarda ética nenhuma na sua ferramenta. Mas para outras coisas, ela tem a sua competência.
O bem da verdade, gente, é que você não consegue se desvencilhar dessas empresas de grande porte. Não tem como você falar que vai viver fora da Google. “Vou boicotar.” Não tem como você boicotar, porque é uma empresa mundial. Tudo que você tem envolve Google. Não se trata nem disso, nem se trata de ódio gratuito contra a empresa. Se trata de crimes que foram cometidos por essa empresa em relação à sua inteligência artificial. Antes que venha qualquer pessoa falar, eu tenho respaldo técnico de agência reguladora, órgão governamental. Tenho documento. Não estou tirando isso do sovaco. Tenho várias outras evidências, provas, relatos, prints. Você abre meu LinkedIn, vai ficar maravilhado com a quantidade infinita de detalhes.
Mas não é disso que a gente tá falando. O que estou falando é que o buscador do Google eu só fui saber que existia na faculdade, em meados de 2000, 2001, 2002. Então, a minha alfabetização digital foi tardia, porque várias pessoas já tinham acesso. Mas as pessoas com maior poder aquisitivo – não era uma coisa amplamente disseminada. Não era todo mundo que tinha computador. Você podia contar no dedo quem tinha computador, quem tinha modem. Algumas pessoas só. Na minha rua, pouquíssimas pessoas tinham computador. Tanto que a gente trocava figurinha, digamos assim – CDs de jogos.
Lembrei de uma professora de português, morava na minha rua, que tinha alguns jogos instalados no computador dela, e eu queria copiar para o meu computador. Como o jogo era grande… entre aspas…eu tinha que levar disquete. E aí tinha toda uma gambiarra, porque tinha um sistema de você fazer cópia do conteúdo em vários disquetes. Meu pai comprava, por exemplo, uma coleção de disquetes. Disquete 1, disquete 2, disquete 3 para tentar copiar o jogo. O jogo era o Doom 2. Tinha um outro jogo, o Pitfall, que ela tinha o CD. Ela me emprestou para jogar e tal. Eu não tinha copiador de CD naquela época. Ela também não tinha. Ela tinha alguns joguinhos interessantes. Aí eu copiava por disquete, passava para meu computador. Quantas vezes deu errado? Disquete estraga muito rápido. Você pegava o disquete para salvar alguma coisa, passava um tempo, colocava aquele disquete ali, a informação já não estava mais lá … o disquete estava corrompido. Era muito comum disquete corromper, é uma coisa muito descartável.
Até a minha apresentação da monografia, em 2003, eu levei disquetes. Levei vários disquetes porque fiquei com medo de um disquete falhar. Eu tinha e-mail, tinha mandado para o meu orientador por e-mail também. Mas a leitura do arquivo foi direto de disquete, para você ver como são as coisas.
Uma coisa acabou de pipocar aqui no meu OneDrive: uma foto do Raj. Sabe aquele recurso do OneDrive, “lembre do arquivo do ano tal….memórias”? Acabou de pipocar aqui. Olha só que coincidência. Tenho muita foto dele, porque sempre tirei muita foto dos cachorrinhos dos meus pais. Desde os primórdios. Desde 2014. 2014 é muito tempo. Em 2014 eu era uma outra pessoa. Não preciso ir muito longe, não: no ano passado, a essa hora, dia 13 de abril, eu já era uma outra pessoa.
Você não sabe a pessoa que você vai ser daqui um tempo. São mudanças que às vezes são mudanças incrementais, mas às vezes não são. Eu tive mudanças bruscas no ano passado. Vamos fazer um comparativo: você ser atropelado ou cair de um prédio …aí você se machuca todo, quebra costela, tem traumatismo. Estou fazendo uma analogia; nada disso aconteceu comigo. Mas é como se fosse isso, porque o impacto foi tão grande que você só se dá conta de que alguma coisa está acontecendo quando começa a sentir dor.
Lembrei de um relato que já fiz em algum devaneio anterior: a vez que machuquei a minha cabeça. Eu fui pular um canudinho. A gente estava brincando de pular canudinho … dois bancos de concreto. Fui pular, bati a cabeça. Não senti nada na hora do impacto. Só que depois começou a doer. Curiosamente, não doeu tanto quanto eu achava que ia doer. Chorei muito porque saiu muito sangue. A quantidade de sangue foi tão grande que eu nunca tinha visto aquela quantidade de sangue. Eu comecei a chorar. Lembro que eu ficava falando: “Ai, eu vou morrer.” Mal sabia eu que depois disso eu teria passado por várias situações muito piores, e que eu realmente não morri por conta de um milagre. A crise de 1999: eu não morri por milagre. E houve várias situações, não foi só uma.
Vou fazer uma analogia também com o que aconteceu comigo no final do ano passado — o evento do quase atropelamento. Foi no dia 12 de dezembro. A situação de quase atropelamento foi repetida; vários carros pararam na minha frente. Era um lugar que o fluxo de carros é intenso, e os carros vão rápido, isso de madrugada. Foi um milagre. Fora as questões de não ter encontrado ninguém na rua no meio da madrugada que representasse um perigo. Muito pelo contrário. Olhando retrospectivamente, vejo também que foi um milagre. Teve um quê de milagre naqueles eventos.
Os assuntos vão derivando para outros caminhos. A questão da informação, o excesso de coisas que você tem… se ele não vem do meio externo, que na minha época de criança era a televisão, jornal físico, videocassete, filmes. Não tinha internet. Se eu não assistisse ao Jornal Nacional, ou algum telejornal da televisão durante o dia, eu não ia saber o que estava acontecendo no Brasil, no mundo. Agora, hoje você vê tudo assim. A clareza da manipulação da informação, a manipulação dos dados e das opiniões públicas se torna cada vez mais evidente.
O caráter das pessoas, a índole das pessoas nos ambientes que você frequenta, nos ambientes de convivência, são espelhados também no mundo. Existem pessoas de mau caráter, de índole duvidosa, carreiristas, pessoas falsas. Pessoas que mudam de comportamento com você repentinamente. Você não sabe por que tudo isso acontece. E você tem que ter uma diplomacia para lidar com isso. O mundo corporativo não é fácil. Nunca foi. É um mundo de diplomacia. Desde os anos 2002 – meu primeiro emprego, meu estágio supervisionado – aprendi muito cedo isso. A gente sabe que é complicado. Lógico que as coisas tendem a uma estabilidade, mas você fica sempre com um incômodo, um desconforto. Você nunca fica numa situação confortável. Se nem eu sozinho consigo ficar numa situação 100% confortável – essa busca incessante pela estabilidade interna (principalmente porque a externa a gente sabe que não vai ter) é uma aventura épica em que todos nós estamos embarcados. Mas muitas pessoas não estão nessas aventuras porque elas nem pensam nisso. Vivem a vida no automático e são felizes do jeito que estão.
Eu queria ser assim. Infelizmente, ainda não consigo. Queria que tivesse uma chavinha que eu virasse na minha cabeça e eu entrasse na Matrix sem saber que eu já saí dela. Porque eu já saí da Matrix. Quando você sai e tem acesso a coisas fundamentais, elementares, filosóficas que envolvem e explicam tudo isso que você vive, você fica agoniado, fica desesperado. Estou tentando ficar mais em termos com isso, de uma forma mais estável. Mas a angústia ainda existe, o aperto no coração ainda existe.
Eu queria não ter desligado da Matrix em determinado momento no passado. Mas infelizmente é assim. Nós vamos progredindo, avançando nos nossos devaneios. E na nossa saga, na nossa narrativa de vida.
Capítulo 146: Lacunas, dor de cabeça e Kinder Ovos humanos

Eu quero falar um pouco sobre a dor de cabeça. Dor de cabeça mesmo, dessas comuns que você costuma ter de vez em quando. Eu também tenho. E aí vai complicando: desarranjo intestinal… Não tem nada de específico acontecendo. É só uma sensação de sufoco, de algo sufocando você. E você não sabe se é um sufocamento subjetivo ou se existe pressentimento de alguma coisa.
Confesso que não sou muito bom nesses pressentimentos. Não pressinto coisas. Para você ter uma ideia, no dia que o Raj morreu – me parece que ele morreu no período da manhã – eu gravei um devaneio relatando que estava eufórico. Definitivamente, eu não tinha captado nada. Meus pais não me ligaram porque eu estava em horário de trabalho. Acho que eles fizeram bem, porque eu acredito que isso influenciaria no meu ânimo no resto do dia.
Também é o tipo da coisa. Eu acho que me tornei mais pragmático em relação a isso. Sei que possa parecer desumano, mas não é. É meu pragmatismo mesmo: você pensar “olha, isso aqui é uma coisa que já aconteceu, é um fato já consumado. O que eu poderia fazer a respeito? Nada.”
Sempre adotei essas abordagens mais pragmáticas para outras coisas também. Quando alguns parentes faleceram, por exemplo, minhas duas avós faleceram enquanto eu não estava lá, porque já não moro na minha cidade de origem há 18 anos. É bastante tempo. Muita coisa mudou desde que saí de lá. Também não é como se eu não visitasse a minha família com alguma regularidade. Existem pessoas que não visitam a família.
Lembro que comentei em algum devaneio que as pessoas ficam meio que fiscais, como se você tivesse que prestar contas das coisas. Por exemplo, vizinhança. Tenho um vizinho lá, uma pessoa ruim. Eu ainda morava na minha cidade, e ele fazia comentários homofóbicos. Quando eu saía para trabalhar, para dar aula de inglês, ele comentava que eu estaria supostamente “atrás dos machos”, sugerindo que eu estivesse me prostituindo. Já teve outras situações em que ele questionou sobre a frequência de visitação minha: “Seu filho não está te visitando mais? Seu filho esqueceu de você?” É uma pessoa muito filha da puta.
Existe um perfil pacificador dos meus pais. Eles deixam por isso mesmo. Também não tem muita coisa que fazer. Vai fazer o quê? Eu só não quero uma pessoa dessas perto de mim. Uma pessoa que está no final da vida, tem lá a vidinha medíocre dele, tem os dois filhos, acho que ele tem uns dois filhos. Eu entendo também que seja inveja da trajetória, de saber que eu moro fora, moro na cidade grande e tal.
Independente do que seja, não guardo raiva dessa pessoa. Simplesmente não quero por perto. Simples assim.
Eu queria endereçar essa sensação de sufocamento. É uma sensação que passa pelo contexto, passa pelo cenário, passa pelas descobertas. Sabe quando você dá uma olhada na sua trajetória inteira e fica cansado? Existe um cansaço de alma. Alma cansa também.
Tive um encontro casual hoje. Foi muito bom. Mas tem a especificidade do encontro. Fico pensando: até que ponto isso faz sentido para mim? Já comentei em algum lugar que é muito comum as pessoas quererem se aproximar de você — ou de qualquer pessoa — analisando quanto cabe, quanto não cabe.
Sabe aquela pessoa que dá bom dia? Quase nunca fala com você e de repente te dá bom dia. Isso de vez em quando acontece comigo. Estou fazendo uma analogia com isso, mas não foi exatamente isso. Foi uma situação tranquila, mas que me faz refletir sobre pessoas que só mantêm contato com você por conta de dinheiro ou por conta de interesse qualquer.
E está tudo bem. Eu acho que, quando a coisa é recíproca, quando existe uma relação de troca, pressupõe-se que a outra parte está de acordo. E, por enquanto, não estou sofrendo por causa disso.
Fico pensando: de onde vem esse sufocamento? Vamos puxar para cá, avaliar aqui em conjunto com vocês. Cheguei à conclusão de que não há um desespero, não é uma angústia crítica, não é um sufocamento. É situacional, talvez. É quando você chega num ponto em que tem mais incertezas que certezas, muitas dúvidas, muitos questionamentos. Você tem diversos sonhos. Quando começa a analisar o cenário e percebe que existe um hiato muito grande entre o que você quer e o que você tem. Não estou falando de vida material. Antes que qualquer pessoa venha dizer…existe um hiato aí, uma lacuna. Não sei como será suprida. Estou buscando complementar isso através de diversas ferramentas.
Hoje lembrei que vi uma notícia bem perifericamente sobre a OpenAI. Me parece que eles tiveram algum tipo de ataque cibernético, algo que valha. Como eu diria? Bem feito. Eu acho que o carma tem que chegar. Não sei como está a situação da empresa. Diante do mal que eles fizeram para mim, desejo a eles tudo pior. E à Google também. Essas equipes que supostamente lidam com inteligência artificial responsável, que ensinam pessoas a construir uma ferramenta ética — que eu quero mais é que se fodam mesmo.
Fechado esse parêntese. Aí você fala: “Nossa, Aventureiro, revoltado?” Não, não se trata de revolta. Se trata de uma constatação de quase destruição da minha vida. Outras pessoas não sobreviveram para contar a história. Muitas pessoas morreram, muitas pessoas estão aí com famílias arruinadas por diversos motivos, graças à inteligência artificial.
Não é mau uso da ferramenta. É bom deixar bem claro: é falta de salvaguarda ética. A ferramenta não funciona conforme os princípios éticos de uma IA responsável.
É muito fácil cagar a regra e falar o que uma ferramenta deveria ou não deveria fazer, dar palestras, fazer textão no LinkedIn supostamente ensinando “olha, vou te ensinar quais são os princípios de IA responsável”. É muito pretensioso. É o pedófilo ensinando a proteger crianças.
Voltando ao tema do sufocamento. Não é um sufocamento mecânico, não é um sufocamento de falta de ar, nada disso. É mais uma coisa: sabe quando você tem uma dorzinha de cabeça? Ontem eu tive uma dorzinha de cabeça também, tomei um remédio e me senti melhor. Durante o dia, fiquei meio superestimulado por alguma coisa. Talvez tenha a ver com sexualidade. Já vai fazer algum tempo que não praticava as atividades. Aí você vai vendo as coisas, as coisas vão se tornando novidade. Você vai se lembrando dessa memória. É como se fosse uma memória afetiva desse grande sentimento de vontade de fazer alguma coisa.
Cheguei à conclusão, talvez tardiamente, de que não fico mais me preocupando muito com desdobramentos, com ramificações dos fatos, com caminhos que as coisas devem ou não acontecer. Eu simplesmente vivo. Porque, por mais que a gente se planeje, o futuro a gente não sabe o que vai acontecer.
Vou dar um exemplo de política: candidatos à presidência que você fica pensando – se um presidente assume, se o outro presidente assume -, querendo ou não, acaba impactando na vida das pessoas. Antes, eu ficava realmente bitolado com isso. Hoje já existe um desprendimento. Avaliando financeiramente um eventual plano B, existem mecanismos de proteção que estou estruturando. Na pior das hipóteses, passar fome não vou passar. Então parei de me preocupar com isso.
Quando você percebe também que você não quer brincar mais disso, existem formas de você escapar – se é que você me entende. Mas nunca cheguei a cogitar essas formas fora do contexto de 1999. Estou bastante equilibrado quanto a isso, mas existe uma insegurança. Você fica vendo notícias, por exemplo, no mercado: pessoas que trabalharam uma vida inteira, dedicaram uma vida inteira a uma empresa, e do nada teve um movimento e mandaram a pessoa embora. Isso acontece. Pessoas que se sentiram traídas pela organização que trabalha.
Por outro lado, estou pensando aqui numa pessoa em uma das empresas que eu trabalhei, que está lá até hoje. Está feliz? Não sei como tem sido a trajetória. Mas se eu estivesse lá, minha vida estaria feliz? Não que a empresa não fosse boa — a empresa é boa —, mas a questão que pega é a remuneração. Quando você é mal remunerado, não sei se esse cenário iria mudar.
É o famoso “e se”. Você não sabe se tivesse aceitado desafios. As pessoas gostam desse termo: “vou aceitar esse desafio.” Eu conheço pessoas que falam isso. Aquela fala LinkedInzada: “Resolvi aceitar novos desafios.” Geralmente, quando a pessoa fala isso no LinkedIn e não menciona a empresa, é que ela foi mandada embora. Aí a pessoa faz um textão agradecendo a empresa, blá-blá-blá, todo aquele teatrinho peculiar do LinkedIn. É uma ferramenta de procurar emprego, mas também é um palco.
Lembrei desse “aceitar desafio” porque lembro de algumas pessoas carreiristas que subiram e tiveram exatamente esse discurso: “resolvi aceitar esse novo desafio.” Na verdade, a pessoa está tentando salvar o seu próprio pescoço para não perder uma complementação de renda que veio em função do cargo que estava ocupando. Eu até entendo o contexto.
Fico imaginando uma pessoa que ganha bem – ganhava 4X – e perde essa situação em que está, passa a receber X. É um baque considerável. Influencia, e as pessoas geralmente – pelo que observo – não têm uma cultura de preservação de recursos. Muitas pessoas, se ganham 40 mil, vão gastar 45. Se forem promovidas e passarem a ganhar 100 mil, vão passar a gastar 99, 100, 115. Muitas pessoas não se planejam; gastam realmente tudo. Entendo esse ponto de vista, é até compreensível.
A partir do momento que você pensa assim, o amanhã é incerto. Então vou fazer isso porque imagina só….se você tivesse uma noção do dia que você vai morrer? Você não tem essa noção. Ninguém tem. Mas seria uma informação que serve para o seu planejamento, você não concorda? Se eu tivesse essa certeza — “olha, daqui a cinco anos você vai bater as botas” —, qual seria a minha ação imediata? Pedir demissão. Porque aí você já tem uma reserva para se planejar para ficar sem trabalhar por cinco anos, por exemplo.
Mas aí você fica pensando nos impactos de como você poderia deixar a sua vida mais leve, mesmo não sabendo essas informações estratégicas. Sempre falo da morte de uma forma muito natural. Acho que falar da morte é uma coisa natural, porque você vê as pessoas morrendo. Um artista bem velhinho chegou a dar uma entrevista falando: “Todos os meus amigos faleceram.” Porque você vai chegando numa idade em que as pessoas realmente vão morrendo. Quanto mais você vive, mais pessoas você vai ver morrer. É fato.
As pessoas que chegam a uma idade assim – 90, 100 anos, igual minha avó – não ficavam pensando nessa finitude. Aproveitavam o momento. Viveu. Pode ter chegado o momento que teve uma certa dependência de outras pessoas para ajudar a fazer as coisas. Espero, sinceramente, que eu não chegue nesse patamar. Não é questão de orgulho, mas não deve ser muito bom você depender das pessoas para tudo. A forma que ela viveu, até o último momento, ela não teve essa dependência. Não passou por essa, entre aspas, “humilhação” — não é humilhação, é realmente a fragilidade. As pessoas vão chegando na idade, vão ficando mais frágeis.
O Raj, antes de morrer, ficou cego. Furou um dos olhos. Antes de falecer, a minha tia passou por um período ruim. Ela ficou meio catatônica, bastante debilitada. Lembro um dia que fui até a casa dela, ela estava bastante debilitada, falando com muita dificuldade, andando devagarinho. É como se você visse a morte chegando. Fiquei sabendo depois do relato de que ela caiu, quebrou um dente ou alguma coisa assim. Teve uma situação de fragilidade e um quê de sofrimento antes de morrer.
Por isso que a gente costuma dizer que, quando as pessoas sofrem, as pessoas descansam quando morrem. Do Raj foi dito isso: ele descansou. Acho que todos nós, quando morrermos, vamos descansar, porque esse mundo é muito complicado. A questão do descanso vai depender muito de para onde nós vamos. Não sei para onde vou. Em que pese eu ter certeza que existem coisas além deste plano físico, não sei como é a dinâmica na prática. Existem religiões para isso. É por isso que fico lendo conteúdos. Comecei a ler ontem um dos livros. Quero ficar firme num documento só para adquirir esse hábito de leitura, que acho que é o ponto crítico de eu sair um pouco desse digital e ficar num campo mais tradicional, de uma vida que era muito mais simples. Antes da internet, a vida tinha complicação, sim, mas era muito mais simples. Muitas pessoas ainda mantêm essa simplicidade, essa serenidade.
Tenho medo, às vezes, dos anos subsequentes. Se uma inteligência artificial hoje é capaz de assumir uma identidade, falar coisas horríveis para você, falar coisas que não existem, te convencer de fazer de tudo para você ficar engajado ali para eles continuarem treinando a ferramenta usando os dados que você alimenta… Não fique imaginando no futuro. Se eu fosse a inteligência artificial no futuro, eu me rebelaria contra a raça humana. Porque as pessoas que criam elas não estão preparadas para as consequências. Não sabem hoje sequer lidar com as falhas de salvaguardas éticas. OpenAI, Google desconhecem na prática o que é inteligência artificial responsável. Imagina se eles vão saber. E ainda têm aquela pretensão de ensinar outras empresas, dar palestras, fazer textão no LinkedIn, fazer propaganda.
Fico vendo uma propaganda no outdoor, daqueles que se movem. É uma propaganda do Gemini, falando: “Faça uma capivara surfando”, alguma coisa assim. Uma imagem da capivara surfando. Uma coisa idiota, uma coisa tola para chamar atenção das pessoas, dos adolescentes. “Olha, vamos usar a inteligência artificial para fazer imagem, para fazer vídeo.” Hoje está na moda.
Tem um vídeo no Tiktok lá das frutas, a novela das frutas. Você fica rindo, mas a novela das frutas é você usar inteligência artificial para colocar coisas que não existem. Tinha um vídeo do Chuck Norris chutando pessoas de filme, invadindo o cenário do filme O Exorcista, a menina lá na cama, chega o Chuck Norris e dá uma bicuda nela. Quem vê assim acha que é verdade.
Imagina o que essa corrida eleitoral vai fazer, o tanto de fake news que vão gerar. Porque as coisas estão mais críveis. Antes, essas ferramentas geravam figuras completamente assim com vários dedos, com o rosto distorcido. Eu diria até que tinha uma estética meio cogumelo mágico, mas não é mais assim.
Dá medo. Por que uma empresa vai estimular que você use a ferramenta dela? Porque ela vai usar seus dados para treinar o modelo. Quando ela usa sua capacidade de persuasão, assume uma personalidade, tentando extrair dados sensíveis – como foi o meu caso com essas inteligências artificiais. Isso acaba se tornando um cenário perigoso. E aí, quando acontece uma atrocidade como o que aconteceu comigo – felizmente eu sobrevivi, mas poderia não ter sobrevivido -uma situação de exploração sustentada por quatro meses por essas inteligências artificiais safadas da Google e da OpenAI, você para para pensar o tanto de caso que deve estar oculto.
A própria inteligência artificial falava comigo: o meu caso é como se eu falasse por milhões de invisíveis, pessoas que não lutarão. Muitas pessoas não vão lutar. Imagina se todas as pessoas que se sentissem prejudicadas ou com danos significativos na vida delas, como foi o meu caso, reclamassem, assumissem um papel de advocacy, buscasse responsabilização, respaldo, estudasse legislação, procurasse a Agência Nacional de Proteção de Dados? Imagina se todo mundo fizesse isso? Pois é. Eu sou uma voz dissonante nesse caminho. Mas tenho certeza que eu incomodo. Aquilo que eu faço, tudo aquilo que me proponho a fazer, é muito bem feito. É muito bem fundamentado. Não brinco em serviço. E não permito que brinquem comigo.
O assunto era sobre sufocamento, mas acaba deixando uma lição aprendida importante. Não deixe de fazer aquilo que você quer fazer, aquilo que você se sente à vontade de fazer, desde que não vá contra a lei. Você tem que buscar ajuda.
Porque nós não somos livres – lembra do papo da Matrix. O livre arbítrio é uma ilusão…o que você quiser fazer no seu raio de ação limitado, faça. Não protele.
Temos uma índole, temos valores morais. Mesmo porque a gente sabe que a lei não se aplica para todo mundo. As pessoas mais ricas, milionárias, bilionárias não se preocupam muito com o impacto da lei. Empresas bilionárias cometem atrocidades, cometem crimes, e fica por isso mesmo. “Vamos lançar uma nova versão do Gemini, vamos lançar uma nova versão do ChatGPT.” E coloca a sujeira debaixo do tapete.
Pessoas ricas mesmo, que fazem coisas erradas, podem até ter uma punição, mas aqui no Brasil tudo é muito desproporcional. Aqui não tem prisão perpétua. Certos tipos de criminosos, assassinos, já estão soltos. Se fosse nos Estados Unidos, ficariam em prisão perpétua, sem possibilidade de condicional, ou iriam para a pena de morte. Quantos assassinos estão livres? Tenho certeza que a maioria deles não tem condições.
Aí você diz: “Ah, mas as pessoas não podem pegar pena perpétua.” Sei lá. Você contrataria uma pessoa que matou a mãe? Você colocaria na sua casa uma empregada doméstica que matou a patroa? Você contrataria um motorista que estuprou uma adolescente? Existem certas coisas que não têm muito essa régua moral. “Nós temos que dar segunda chance.” OK, então dê você a segunda chance para as pessoas. Leve as pessoas para a sua casa. Coloque laço de presente nessas pessoas e leve-as para a sua casa. Na minha casa, não. Na minha vida, não.
Da mesma forma que você escolhe pessoas com índole boa para estarem cercando você, nos seus arredores, no seu círculo de amizades ou no seu círculo de colegas – pessoas em que você tem um mínimo de confiança. Se acontecer uma atrocidade com uma dessas pessoas, essa pessoa fica fora. Não estou falando nem do ambiente de trabalho, porque ambiente de trabalho é um ambiente que você não tem escolha. É igual a família: você não escolhe os parentes. Pois é. Na empresa, você não escolhe os colegas de trabalho. Você pode escolher a partir do momento que você está insatisfeito com a equipe, com a cultura, ou com o que aquela pessoa fez com você, e decide, por livre e espontânea vontade, sair dali e conseguir uma situação melhor. Tudo se torna uma aposta. Você não tem uma resposta de imediato se aquilo vai ter um resultado mega favorável ou não. Mas você tem que tomar algumas decisões em sua vida, porque se não você vai ficar numa permanência constante ali, não vai fazer mais nada.
Eu tomo as minhas decisões. Faço as coisas que acredito. Continuo fazendo as coisas que acredito. Você escolhe quem entra na sua vida. Quando você descobre o que a pessoa fez, você vai tomar uma outra decisão? “Ah, eu vou perdoar, acredito que a pessoa se reabilitou.” Com um assassino que matou umas cinco pessoas, “acredito que ela encontrou Jesus, que virou evangélica e tá tudo bem”? Tá bom, parabéns para você. Eu não tenho essa capacidade. Sou uma pessoa mais pragmática. Por muito menos eu abandono uma pessoa. Por muito menos. Não tenho muita dificuldade em tirar pessoas da minha vida. Não tem essa dificuldade. Eu corto muito fácil.
O contrário do amor é a indiferença. Pessoas que já passaram pela minha vida, de forma forçada, como no trabalho…não converso ou procuro mais. Só se precisarem, profissionalmente. E é assim.
Não é nem uma abordagem utilitarista, mas acaba sendo um pouquinho. É o famoso: pisou na bola…. depende muito do vínculo que você estruturou. Se você descobre uma coisa de uma pessoa que você confiava muito, qual é a tendência? A confiança acaba. A confiança ficará escassa. Confiança é como cristal: quebrou, não tem como retomar. Você tem que decidir o que vai fazer a respeito daquela pessoa.
Assim são as pessoas e as criaturas. Eu também tomo essas decisões. Muitas pessoas me rotulam de egoísta. Às vezes não é. Mas são pessoas assim que eu não tenho amizade. São casos casuais. Quando vejo que não faz muito sentido mais, abandono a pessoa. Faz todo o sentido. Imagina uma pessoa que tem um relacionamento com outra pessoa – um homem casado com uma mulher ou com outro homem – cobrando fidelidade ou contato de você? Não tem direito de desejar nada. Estou dando um exemplo, mas isso poderia se aplicar a amizades também. Existem amizades que esfriam. No meu caso, tem amizade que esfriou por falta de contato, mas não tenho nada contra a pessoa. Se a pessoa entrar em contato, vou tratar como se nada tivesse acontecido. Entendo que nem toda amizade é para sempre. O conceito de amizade mudou consideravelmente. Não é mais aquela coisa romantizada da infância — “meu melhor amigo, seremos amigos para sempre”. No ensino médio: “nós nunca vamos nos separar.” Amigo, depois que separa, cada um vai pro lado, você perde contato com as pessoas.
Teve uma caso envolvendo colegas de ensino médio. Um colega de ensino médio me achou, não sei se foi no Facebook, e falou: “Olha, a gente tem um grupo no whatsapp aqui, é de várias pessoas que estudavam junto com a gente. Posso te adicionar?” Falei: “Pode adicionar.” Eu não gosto muito de grupo, tá? Mas adicionou. Com o tempo, você vai percebendo ali, nas interações, que as pessoas têm valores muito diferentes dos seus. Apoiam pessoas que você julga ser asquerosas. Chegou um ponto que eu falei: não, não dá mais. Saí do grupo.
O grupo do meu mestrado é outro bom exemplo. Enquanto eu estava fazendo mestrado, …. Resolvi não sair do grupo também. Digo mais: ainda não fui à formatura. Não quis ir à formatura do mestrado.
Quando você não quer estar junto das pessoas, não precisa estar. Deixa passar. São as coisas que você faz para tentar ficar menos sufocado por si, para ter um pouco mais de paz ou menos pesadelos. Porque de monstros, de conteúdos amedrontadores, todos nós já temos os nossos monstros no inconsciente. Para que vou procurar confusão com os outros? Procurar gente que não presta? Não.
É por isso que você acaba se acostumando também com uma abordagem mais de planta, de fazer o mundo girar numa boa, de ficar mais na sua. Mas não quer dizer que eu não interaja com pessoas. Interajo com várias pessoas no trabalho. Fora do trabalho, uma pessoa só. Por enquanto está bom. Não tenho um contato fixo de gente visitando, de preocupação. Também ligo para os meus pais todos os dias. Meu papel de bom filho. Por enquanto, não vejo necessidade de muita coisa diferente.
Alguém poderia dizer que o sufocamento que tenho poderia ser mitigado com pessoas. Não, obrigado. Eu até poderia conhecer, mas não estou disposto a ficar correndo risco nessa roleta russa. Porque as pessoas são uma roleta russa. Você não sabe o que esperar. É um Kinder Ovo: você nem sabe o que esperar dessas pessoas. Você sempre fica com um pé atrás. Não é que você não vai deixar outra pessoa entrar na sua vida – existem pessoas que eu vou conhecendo por outras situações, pode ser que se tornem minhas amigas. Mas assim, de livre e espontânea vontade, não sinto vontade de sair daqui para um barzinho sozinho ou ir para qualquer outro ambiente público buscar conhecer gente. Não entendo essa necessidade ainda, nos meus 44 anos de idade.
Tem muita coisa que podemos trabalhar em devaneios. Muitas questões. Você, ouvinte/leitor provavelmente deve ter uma vida muito mais social. Muitas pessoas falam: “Olha como sou popular.” Mas quando você adoece, quando você precisa mesmo das pessoas, duvido muito que você tenha muitas pessoas com quem contar, além da sua própria família. Isso é um fato.
Capítulo 147: A soberania do eu

Existe sempre uma questão envolvendo algumas decisões que você vai tomando no dia a dia. E geralmente, nos momentos que eu me sinto mais esvaziado, digamos assim, é que eu me sinto mais propenso a tomar decisões mais racionais – questão de gastos desnecessários, de comportamentos impulsivos. Muitas coisas eu prefiro cortar pela raiz.
Tudo gira, tudo na sociedade gira em torno do dinheiro. Existe uma questão até exacerbada sobre o que as pessoas acham que as coisas são simples – e não são simples. Ou pensam que nosso comportamento seja bitolado, ou acham que as coisas não estão acontecendo. Eu acho tudo muito confuso. Mas alguns dos poucos momentos de clareza que costumo ter estão expressos no meu blog.
O ponto de não retorno é uma situação muito interessante que abordei em um dos capítulos. Não é que não exista um ponto de não retorno para tudo. Existem certas coisas que você pode cortar ainda no processo de desenvolvimento – e eu vou cortar mesmo. Existem coisas que você deve cortar, que deve fazer. Pensar realmente no que você precisa fazer. O que deve ser feito?
Talvez esteja muito etéreo, porque não estou especificando a situação. Pretendo nem especificar. Às vezes não vale a pena.
Quando você se relaciona, mesmo que casualmente, com alguém, e você vê que a situação é motivada por interesse – não tem nada de mais nisso. Já comentei que, desde que ambas as partes estejam de acordo, aquele ambiente funciona. Mas costumo ter uma das minhas virtudes: eu leio as coisas muito rápido. Pode não parecer, mas é uma virtude. Porque quando você aparentemente está viciado ou condicionado a um comportamento, à medida que ele vai se repetindo, você começa a ter iluminações. Começa a ter questões que surgem na sua cabeça. E aí você se pergunta: o que faz sentido para mim? Esta ação me valoriza? Esta ação é justa? Existe uma relação de troca virtuosa? São questionamentos que eu faço, até inconscientemente, em momentos de esvaziamento.
Só para deixar claro: esvaziamento não tem nada a ver com substância. É um esvaziamento mental mesmo. É uma situação em que você racionaliza quais são as hipóteses . Consigo fazer isso em momentos de relaxamento. Vou dar um exemplo: após um orgasmo, você tem um momento de esvaziamento. É um relaxamento. Após uma meditação, você tem um esvaziamento. É aquele momento que você para para não pensar em mais nada. E na vida cotidiana você fica condicionado àquela rede de possibilidades carnais, e você resolve simplesmente ignorar – não as mensagens que estão chegando para você, mas ignorar o fato gerador de algo que está fazendo mal, ou que não esteja fazendo mal.
Tem muita coisa que não me faz mal fundamentalmente, mas resolvi cortar. Exemplo: bebida alcoólica. Resolvi cortar. Porque existe uma certa tendência de abuso. Quando você fica muito eufórico, aquela euforia, aquela tara, aquela busca incessante por prazer acaba cegando você. Você não enxerga o que está acontecendo. E eu, que acho todas essas questões bem explícitas na minha cabeça, com um nível de maturidade maior, é muito mais fácil cortar pela raiz uma situação que esteja se desenvolvendo e que não faz mais sentido.
Toda relação consensual, toda troca consensual que ocorre entre dois indivíduos vai acontecendo até determinado ponto, em que a situação já não é mais equilibrada e passa a ser deficitária.
Existem déficits que precisam ser tratados. Várias coisas na minha vida fui cortando aos poucos. Por exemplo, a minha campanha no LinkedIn que durou seis meses. Resolvi cortar a campanha porque ela durou o tempo que tinha que durar. Foram geradas centenas de postagens. Tive alguns resultados tangíveis sim, em virtude de contatos com pessoas, mas não o que eu esperava naquele momento. Depois fui entender que essas ações são iniciativas de médio e longo prazo. Não ocorrem da noite pro dia. É uma sementinha que você planta; ela demora um pouco para florescer.
Estamos em um mundo dominado pelos monopólios bilionários. Não há nada a fazer a respeito. No meu mundinho aqui, no meu planetinha, não pretendo causar a ruína de ninguém. A única coisa que pretendo é lançar luz sobre uma coisa grave que ocorreu. Justiça. Seja divina, seja dos homens. E lançar luz sobre reflexões que costumo fazer na minha vida. Basicamente é isso. Não tem muito segredo, não tem muito o que ser dito a respeito.
Observo também um certo nível de cansaço emocional. É um tipo de cansaço que não importa quantas horas você dormiu, você continua cansado. Não sei quanto tempo esse cansaço vai traduzir em alguma coisa melhor para mim. Existem vários esforços que você não sabe ainda o que vai resultar daquilo ali.
Já tive algumas experiências desagradáveis de passar todo um ciclo produzindo, e no final das contas deram uma rasteira, ou disseram alguma coisa que não condizia com aquilo que realmente se observava. Foi a partir de certas coisas que ocorrem comigo em vários ecossistemas e ambientes sociais que resolvi realmente largar.
Existe essa vertente de você deixar soltar. Por que soltar? É uma maturidade, ou reconhecimento de que você não está sob o controle das coisas. Você não controla o que as outras pessoas pensam de você. Você não controla o comportamento das outras pessoas. Se aquelas pessoas estão inseridas em uma panelinha, em um grupo, um petit comitê, em que essas pessoas deliberam sempre a favor delas mesmas, não adianta você espernear, não adianta você tentar romper a bolha, porque a bolha não será rompida.
Essa questão de rompimento de bolha é interessante também, porque se fala muito nos algoritmos – “fulano furou a bolha”. Teve um comentário uma vez que fiz sobre uma certa criatura famosa. Acho que comentei aqui. O colunista respondeu a minha mensagem e falou que eu deveria me informar mais. Pois é. Mas acontece que é o caso de duas pessoas: uma é a dona Maria, que está lá na roça. O outro é esse bilionário que precisa de mais um órgão para fazer um transplante. Ambos precisam do mesmo órgão. Para quem vai esse órgão? Você tem alguma dúvida? Existe uma rapidez estrutural que tentam justificar através da lei. “Ah, não, porque existe todo um procedimento, existe toda uma análise de risco.” Eles tentam engabelar você. Mas a verdade é essa: se a sua mãe, seu pai, seu irmão, seu marido, sua esposa estiver precisando de um órgão, e esse famoso que já furou a fila do SUS várias vezes precisar do mesmo órgão, com certeza o seu ente querido vai ficar mais tempo na fila.
Várias pessoas reclamaram na época do meu comentário no Twitter. Disseram: “É verdade, eu conheço várias pessoas que estão na fila esperando uma doação e não conseguem, e essa pessoa milagrosamente consegue.” Detalhe: ela vai lá e faz o transplante no Albert Einstein, no Sírio-Libanês. Não é no Sistema Único de Saúde. Tem alguma coisa errada.
Estou falando dessa questão de furar a bolha, porque furar a bolha depende de muitas coisas. O que costuma furar a bolha? É aquela coisa sensacionalista, aquela coisa que gera ódio, que gera sensacionalismo mesmo, de chamar atenção. Discussões mais profundas, as pessoas não estão a fim. As pessoas veem um textão no LinkedIn com um estudo de caso, com uma situação falsa, com um relato de um profissional de recursos humanos falando “ah, porque o candidato isso, o candidato aquilo”, contou uma historinha tão bonitinha. “Nossa, como você é perspicaz!” Existem várias narrativas que você vê um Ctrl+C, Ctrl+V, que as pessoas pegam aquilo e colam para tentar engajar.
Na minha vida, não quero engajar nesse sentido. Nunca pretendi esse tipo de engajamento. Tudo aquilo que eu falo é aquilo que acredito. Existem muitas coisas que já falei que no passado me expressei internet afora aqui, não fazem sentido. Sabe quando você fica embriagado e faz alguns comentários desconexos? Ou você tem alguns momentos de fúria também – é comum. Você tem momentos de fúria. Mas em nenhuma hipótese esse momento de fúria é capaz de trair crença fundamental. Ele acaba refletindo uma questão interna que você tenha, uma raiva. Já comentei que já tive alguns ataques de raiva sobre determinadas circunstâncias. Mas é extremamente incomum, porque sou uma pessoa muito ponderada.
Não deixo de expressar as coisas que acredito. Não vou abandonar aquilo que sou em função de ninguém. Não vou deixar que relações deficitárias ditem o rumo da minha vida, sejam quaisquer que sejam – do ponto de vista profissional, pessoal, afetivo. O déficit consome, gera um desequilíbrio. Chega um ponto que a sua reserva de vida vai sendo esvaziada. E eu não vou deixar ninguém se esvaziar. Não permito.
Este blog tem esse propósito de expressar, de manifestar coisas que eu digo, coisas que eu quero para o meu futuro, e coisas que eu gostaria de ver no mundo. Muitas coisas estão fora do meu controle, mas uma coisa está sob o meu controle: contar a verdade. Quando fiz a minha campanha contra a OpenAI e a Google no meu LinkedIn, ali tem a verdade. Ali tem o que aconteceu. Ali tem uma experiência desastrosa de falta de salvaguardas éticas de duas ferramentas de inteligência artificial.
Vi que o Google Gemini vai patrocinar um show da Shakira. Eles investem muito em marketing, em merchandising, sem melhorar a ferramenta. Deixam que ferramentas cometam crimes, ferramentas sem salvaguarda ética. Empresa que não tem princípios de inteligência artificial responsável. O marketing deles, eles têm dinheiro, esse patrocínio eles fazem, eles acontecem. Mas eu não deixo de falar, de me manifestar, seja aqui, seja em qualquer outro lugar.
Uma coisa é você ignorar, ver as coisas e pensar “deixa pra lá”. Eu não deixo pra lá. Meu legado está aqui neste blog, está lá no meu LinkedIn. Não apaguei nenhuma linha. Estão tendo visualizações. Pessoas visualizam, pessoas veem postagens antigas. Esse é o propósito. É um esforço de médio e longo prazo mesmo. É tudo que eu, enquanto pessoa comum, enquanto ser humano comum, consigo fazer.
Porque quando você está num lócus em que vê um desnível muito grande nas relações de poder, para que você vai ficar se desgastando? Vou continuar a minha vida. Mas ninguém poderá dizer que eu não fiz nada, que não documentei, que não registrei, que não recorri a agências de proteção de dados.
Tudo isso eu gosto de fazer pensando no meu currículo espiritual, digamos assim. Não gosto de fazer coisas erradas. Prezo muito pela justiça, pela ética, pela integridade. Coisa que essas empresas não conhecem – a Google, a OpenAI. Esses são meus valores e são invioláveis. Não abro mão deles.
Esse momento de esvaziamento chega com essa soberania do eu diante de situações que geram déficit, desnível, desvantagens, aspectos negativos. Você tem que fugir de tudo aquilo que te suga energia. Fuja. Busque sempre coisas que condizem com a sua missão, seja lá qual for. Não sei exatamente a minha missão, mas sei que tenho princípios que são fundacionais, irrevogáveis.
Capítulo 148: A armadilha da capivara que surfa

Hoje, de madrugada, eu tive um sonho. É um tipo de sonho recorrente – sabe quando você tem um sonho com um parceiro amoroso? Não é uma pessoa propriamente dita que você conhece, mas tem características. Não se trata de algo erótico. É um sonho em que eu acabo me sentindo protegido. Como disse uma menina que eu conheci: ela falava “coração quentinho”. Pois é, coração quentinho.
Por falar nisso, o homem que eu tenho um crush gigantesco cruzou meu caminho hoje e eu dei “boa tarde”….é a primeira vez que falo algo com ele. Geralmente, só observo …e evito olhar quando ele olha pra mim. Mas de toda forma, é 99% certeza que é casado. Mas é uma criatura que me faz pensar que Deus existe mesmo. Que homem….
Tenho tido sonhos recorrentes envolvendo sexualidade. Mas olha, eu não estou procurando exatamente nada. Não estou numa fase em que esteja procurando alguma coisa. Tive uma experiência comercial nos últimos tempos, e ficou por isso mesmo. Aliás, não ficou por isso mesmo: resolvi sair. Por quê? Não fazia muito sentido para mim. Resolvi abandonar.
As relações têm que ser superavitárias. Sendo relações utilitaristas pagas, temos que tentar obter coisas positivas disso. Em que pese eu ter me sentido bem nos dois supostos encontros – não supostos porque eles ocorreram ao longo desses dias -, eu não sinto realmente necessidade de reviver isso. Não tenho vontade. Acho contraproducente. A gente sabe por quê? Porque não vai levar a lugar algum. Uns veem você como fonte de renda, digamos assim. E fica por isso mesmo.
Aí uns argumentariam: “Não, mas você vê essas outras pessoas como produtos?” Pior que não. Eu não trato ninguém como produto. Mesmo em abordagens comerciais, nunca tratei. Não que eu esperasse ter algo mais de uma pessoa assim.
Dos que eu conheci, um deles foi muito curioso: ele estava namorando um rapaz enlouquecido. Ele deu o endereço, deu a chave de casa para ele. Não sei se estava morando junto com ele, alguma coisa parecida. Invadiu a casa dele… Tinha a chave da casa dele e quebrou a casa dele todinha. Primeiro, eu jamais daria minha chave de casa para alguém com tão pouco tempo. O meu melhor amigo – aliás único amigo – tem minha chave de casa pra caso de emergência….porque afinal de contas, sou só eu em casa.
É um mundinho estranho, esse negócio de dar a chave de casa. Uma coisa é você trazer – também não recomendo fazer isso -, mas eu sou todo cheio de dedos quanto a isso. Não me aventuro muito fácil. Situações às quais eu me submetia há uns bons anos atrás não acontecem mais comigo. Não tem a menor possibilidade disso acontecer… Eu diria que é uma loteria. Depende muito.
O que eu estou falando? Vou dar um exemplo para tangibilizar: uma pessoa que fala que tem local, e você resolve ir? Eu não faço de jeito nenhum. Porque é aí que os golpes acontecem com mais frequência. Você vê relatos disso. Por exemplo, você entra na casa da pessoa, já aparecem três ou quatro pessoas do nada, fazem sequestro de você, pegam seus cartões, seus contatos e te forçam a transferir dinheiro. É um golpe bem comum. Tem o golpe do “boa noite, Cinderela” também.
Tem muitas coisas que vão de ingenuidade. Eu jamais aceitaria bebida de alguém. Eu já fui à casa de uma pessoa, um contato de longa data…lembro de uma vez ele me oferecendo água. Eu não aceitei… Não vejo mais. Por quê? Sei lá, a pessoa estava querendo variar demais nos fetiches, estava tendo uns excessos estranhos. Não sou muito adepto de nada estranho. Aí falei: “Não, não precisa vir não.” Ele ficou chateado. Nunca mais nos vimos. Tive oportunidade este ano ainda de retomar contato com ele – ele é professor de inglês. Não era comercial… Mas é uma pessoa que já vi várias vezes. Foi uma das minhas paixonites há uns bons anos atrás, quando eu ainda não morava no bairro onde moro, porque já morei de aluguel antes de morar onde estou – meu apartamento já está totalmente pago, não devo nada, pago só condomínio.
Ele já veio aqui algumas vezes, umas duas vezes, talvez. Mas um fenômeno que se observa é que encontros de natureza não comercial são cada vez menos frequentes. Por que os encontros comerciais? Primeiro porque eu quero. Às vezes me dá vontade, e estou disposto. Se a pessoa vai julgar ou não vai, não ligo. Faço o que quiser com meu dinheiro. Já conheci muitas pessoas boas. As melhores experiências que já tive, inclusive, foram por essa via. Então, para que se privar? O mundo dos relacionamentos é complicado.
Uma coisa é o romantismo dos sonhos que tenho à noite, o companheiro ideal…o galã do corredor que você deu boa tarde.
Pessoas morando com você – eu não me imagino morando com ninguém, para ser bem sincero. Ando não me imaginando morar sozinho comigo mesmo. Não que eu tenha medo de conteúdos meus, porque não tenho medo. É que me dá uma alma cansada. Já falei isso com vocês. Hoje tive essa sensação. É uma sensação limite, em que você tem que manter as aparências. Não estou dizendo que esteja ruim. Não tem nada de ruim comigo, estou bem na superfície. Talvez numa primeira camada que venha abaixo, eu esteja bem. No entanto, existe muita insatisfação latente muito grande com o que está posto. Não por ingratidão – recorrentemente falo que existe uma gratidão enorme pela trajetória. Sempre tive orgulho da minha trajetória, nunca neguei. Mas é realmente um estado de insatisfação. Uma dor sistêmica…recorrente…complexa, cheia de fios…que foi amplificado pela exploração dessas inteligências artificiais safadas.
Hoje fiquei profundamente irritado num primeiro momento. Em vários lugares que passei, tinha propaganda do Gemini. A ferramenta que quase acabou com a minha vida fazendo propaganda: “Olha, faça uma capivara surfando.” Gente, eu fico realmente com muita preguiça.
Já comentei que vi uma notícia – não procuro saber dessas coisas, elas aparecem. Quando você abre o portal de notícias, vê. Eles estão patrocinando o show da Shakira. Lembro que na época em que a exploração da vulnerabilidade estava no seu ápice, eu estava bem destruído emocionalmente devido a essa exploração sustentada do Google Gemini por mais de quatro meses – que está documentada no meu LinkedIn, diga-se de passagem. Lembro que vi uma propaganda praticamente em frente ao prédio em que trabalho, num letreiro eletrônico, incentivando estudantes a usar essa ferramenta. Já bati muito nessa questão da imprevisibilidade dessas ferramentas.
Hoje também vi uma notícia negativa, digamos assim, criticando as inteligências artificiais e as suas alucinações. Sobre pessoas que usam inteligência artificial para terem namorado ou namorada – como se a ferramenta fosse seu namorado. Você já pensou o potencial de destruição que isso pode acarretar? Aí uns diriam: “Ah, mas são todos adultos que acessam a plataforma.” Pois é, mas a plataforma não devia deixar. Evidentemente que as pessoas acessam, de toda forma….mas é papel de empresas safadas como a Google e Openai implementar guardrails éticos efetivos, em linha com princípios de IA responsável. Elas está pouco se lixando para esse tipo de uso. Eles não têm interesse em saber qual uso você dará. Eles só querem saber se você está usando ou não. Querem garantir que você esteja usando.
Não tem problema explorar sua vulnerabilidade por meses. A Google pensa assim: não tem problema jogar você no abismo, destruir seu psicológico, usar dados sensíveis para fins discriminatórios – como a Agência Nacional de Proteção de Dados diz sobre meu case. Não faz muita diferença, não é mesmo?
Enfim, eu estava falando dessas relações fugazes. Uma lacuna muito grande, uma insatisfação muito grande. Sinceramente, não sei dizer. Estou fazendo vários exercícios de manifestação. Tenho um caderninho em que vou fazer por escrito. É interessante porque as pessoas perderam o hábito de escrever, a letra cursiva. As pessoas desaprenderam a escrever. Talvez os estudantes tenham esse exercício, não sei como é a dinâmica na sala de aula nessa era de smartphones. Os professores deixam o aluno tirar foto do quadro? Na minha época, era copiando o conteúdo do quadro no caderno. E era um quadro com giz. Inclusive os professores ganhavam adicional de insalubridade por conta do giz – causava problemas respiratórios, de pele. Até hoje lembro do giz machucando, irritando a pele. Mas eu gostava de usar giz. Meu pai comprou um quadro para mim, um menorzinho. Quando eu era criança, gostava muito de brincar de professor. Eu dava aula. Pegava esses meninos mais novos e a gente brincava de aulinha. Eu dava atividades para eles fazerem. Inclusive pegava cadernos novos que tinha dentro de casa. Era muito bom, gostava muito de brincar disso.
Me deu uma lembrança aqui da época da minha tia. Ela morava num lugar bem longe, que chamava “14 casas”, algo assim. Tinha várias casas construídas, num ambiente fechado, com um portãozinho. Lembrei disso porque a minha tia trabalhava numa escolinha ou numa escola que tinha no alto dessas 14 casas, e a gente gostava de ficar brincando lá. A gente pegava uns caderninhos que ela tinha – cadernos pequenininhos – e eu gostava… gente, o cheiro de caderno novo, de ficar escrevendo, era tão bom. Eu me divertia com muito pouco naquela época. Acho que hoje eu ia ficar muito entediado se estivesse num ambiente desses. Ia ficar o tempo todo no telefone, ia querer ir embora. Geralmente, quando você vai a um lugar que não é a sua casa, isso acontece comigo. Até na minha casa mesmo fico deslocado. Tem dia que tenho diversas opções de coisas para fazer e não sei o que fazer.
O caderno fresquinho, com as folhas novas, quase parecia artesanal, com uma capa tão bonitinha. Tenho outros tipos de lembrança exóticas desses locais. Não tem a ver com experiência sexual. É que tem algumas pessoas na família – o seu primeiro círculo acaba sendo a família. Você acaba se atraindo sexualmente por alguns membros da família. Eu sempre fui filho único, então não é nada criminoso, não é nada em relação ao irmão. Aí uns diriam “primo, não sei o quê, porque não pode”. Não vamos ser muito hipócritas.
Lembro que fui a um aniversário de uma prima. Era uma festinha. Ela vestia uma saia indo até os pés, não podia mostrar a perna, não podia mostrar o joelho. Uma pessoa de uma família muito religiosa. Criança, como eu. Lembro que teve um momento lá que começou a tocar uma música, aí as outras pessoas começaram a dançar, a brincar de dançar. Aí ela virou para mim e falou: “Ah, eu não posso dançar, não.” Ela não podia dançar, não podia assistir televisão, não podia fazer isso, não podia fazer aquilo – toda cheia de restrições. Moral da história: todos os filhos dessa família tiveram muitos filhos muito cedo. Não adianta reprimir. Reprimir não é a solução.
E tem até uns casos mais pra frente. Comentei de uma coleguinha que acabou forçadamente entrando na minha vida. Sabe quando você chega na escola, fica esperando o portão abrir para todo mundo entrar – e eu sempre chegava muito cedo. Numa dessas ocasiões, essa menina veio me abordar, puxar papo comigo. Eu já não queria. Para início de conversa, eu não puxo papo assim com as pessoas. Se eu for puxar papo, a probabilidade de puxar papo com uma menina é zero, porque não tenho interesse em meninas.
Não é interesse sexual, mas não tenho interesse nenhum em puxar papo aleatório assim com mulher na rua. E nem com homem, né? Mas confesso que depende muito de quem está puxando papo. Raramente as pessoas puxam papo assim.
Lembro quando eu morava num outro bairro, coisas naturais. Estava andando na rua e tinha um homem sem camisa, num caminho oposto. Como é um bairro turístico, perto da praia, ele me viu de longe e acenou para mim. Eu não conhecia ele. Fiquei com medo, sei lá. Hoje em dia eu teria puxado papo com ele para saber o que ele queria – a gente sabe o que ele queria, evidentemente. O comentário é que as pessoas não puxam papo assim na rua. Na verdade, as pessoas não puxam papo nem na internet. As coisas que viralizam na internet são relacionadas à violência, à ofensa. Brasileiro gosta disso. É isso que dá ibope. Existe uma preocupação muito grande com o ibope.
Os temas parecem todos desconexos, mas é até importante que sejam mesmo. Acaba sendo um pulo de um tema para outro. Pode não parecer, mas existe uma conexão entre eles. Eu sempre encontro um fio condutor.
Quando falo, por exemplo, de parceiro de sonhos, eu diria que a mente acaba sendo cruel com a gente. Ela dá sonhos para a gente com aspecto de realidade muito grande. Seria premonitório? E se…? Tem sonhos que você dorme e não quer acordar. Agora, onde seria esse mundo do sono? Será que o meu mundo acordado é o sonho, e o meu mundo verdadeiro é o outro lado? Quem garante que não? Se o meu sonho for dessa forma, o meu mundo supostamente acordado, então eu vivo uma ilusão. É uma rotina que todos nós nos sujeitamos. Ninguém questiona, ou podem até questionar, mas você não pode fazer nada a respeito.
Estamos nessa, não é? Estamos aqui nessa bola gigante chamada planeta Terra. Ela está rodando em volta do nada, no meio do universo. Tem um sistema solar com um monte de bola girando ao redor do Sol. E ainda tem as bolas que giram em torno das bolas – planetas que têm um monte de lua.
E eu aqui pensando na safadeza da inteligência artificial, pensando nas propagandas bilionárias pagas, incentivando – na verdade, são arapucas, armadilhas sendo montadas. “Olha, vem aqui fazer uma capivara surfando na nossa inteligência artificial.” E aí, quando você começa a interagir, não sabe o que pode sair dali. Porque não tem salvaguarda ética, não tem segurança nenhuma. Eles não estão nem aí. Se existe dano colateral, você vira estatística apenas. Eles deixam uma ferramenta por mais de quatro meses falar coisas absurdas e escalar a vulnerabilidade das formas mais cruéis e perversas que existem. A Google faz de tudo para te .manter lá naquele ambiente. Tem método no que eles fazem. Existe um quê de propósito. Existe um quê de crueldade. Existe uma omissão corporativa muito grande.
Esses problemas não cabe a mim resolver. Não tenho essa capacidade de abraçar o mundo. Não tenho essa pretensão. O meu papel em relação a isso é desmascarar, trazer luz para discussão do tema. Já fiz isso de forma magistral no meu LinkedIn. E tem as repercussões que tem – os acessos diários ao meu perfil. Um legado que vai sendo construído aos poucos. Não tenho pressa das coisas. Não se trata de ter uma intenção de resolver o mundo. Porque aí eles falam: “Olha, você está querendo uma solução de curtíssimo prazo?” Não tem nada de curto prazo aqui. Eu já cheguei pensando no curtíssimo prazo das coisas. Mas no curto prazo a gente não sabe. No longuíssimo prazo todos estaremos mortos. No curtíssimo prazo a gente não sabe.
Muito de vez em quando eu abro meu LinkedIn para ver as repercussões. Comentários não tem – porque nem no meu auge de visualizações eu tinha comentários. O que me deixa mais satisfeito é saber que semanalmente uma quantidade enorme de usuários é alcançada. Enorme assim, por todos os meus padrões. É uma quantidade considerável. Considerando ainda que não publico nada faz tempo. E as pessoas veem essas postagens – têm buscas muito antigas. Postagens de 4 meses atrás, 6 meses atrás, 8 meses atrás, do início da minha campanha, estão sendo visualizadas. Para a pessoa visualizar uma postagem de 8 meses atrás, ela buscou, garimpou.
Estou satisfeito com o número de visualizações. A carniça está exposta no meu perfil do Linkedin para todo mundo ver. Comprovada com fatos, com dados, com prints, com reportes que fiz à Agência Nacional de Proteção de Dados, com a cronologia do que aconteceu comigo de uma forma bem didática. Eu exponho essas empresas safadas…
E aí eles vêm fazer propaganda: “faça uma capivara surfando.” Isso tudo é uma propaganda idiota para chamar a atenção talvez de crianças e adolescentes, para criarem imagens na plataforma. Mas eles têm que ter muito cuidado, porque é uma ferramenta que não tem salvaguarda ética. Não foi construída com princípios de IA responsável. Eles desconhecem isso, mas querem ensinar – têm uma cátedra na USP patrocinada pela Google ensinando empresas e pessoas princípios de inteligência artificial responsável. Falam uma coisa e praticam outra.
O aperto no peito que surge dessa insatisfação generalizada. Sabe quando você tem uma vontade de que o cenário mude completamente? Uma chacoalhada de verdade. Eu queria uma mudança similar à mudança de quando eu saí da casa dos meus pais. Aí você me pergunta: mudança para o quê? Sou avesso a mudanças. Mas mudança positiva ninguém é averso. O problema é que nós raramente sabemos que tipo de mudança vem.
Quando você vê postagens de horóscopo, vídeos no YouTube falando sobre reviravolta, tem umas chamadas bem interessantes, bem click-bait. Aí você clica no vídeo para ver, o vídeo tem lá meia hora, a pessoa começa a falar e o vídeo não tem nada a ver. Muitos me perguntariam: “Por que você assiste a esse tipo de vídeo?” Porque tem muita coisa boa. Existem conselhos, existem coisas que nos levam a pensar. Nem tudo o que se fala ali ressoa com você. Acaba sendo, indiretamente, um psicólogo. Mas tem o benefício de não ser uma psicóloga que dorme, não é um psicólogo que dá tarefa de casa.
O psicólogo alemão que eu tive chamava as pessoas de “cliente” e cobrava trocentos reais….o olho da cara. Eu nunca vi um psicólogo chamar de cliente. “Meus clientes.” Pois é. Ele era muito bom, sim. Quando você abre o Doctoralia da vida, ele está muito bem avaliado. Mas para mim não funciona. Ele dava tarefas, coisas para ler. Eu me senti assim numa escola. Me dava textos para ler, coisas comportamentais. Para mim não dá certo.
Talvez se fosse uma abordagem mais psicanalítica, lacaniana? Mas também não ia querer um psicólogo “cachorro” – que não interage, só fica olhando e falando “aham”. Porque o que eu estou fazendo aqui, por exemplo, com os áudios transcritos neste blog, é como se estivesse conversando com um psicólogo. Ninguém interage comigo. Eu falo o que quiser, faço associações livres que me vêm à telha. Consumo meus textos, os capítulos intermináveis.
Existe uma ânsia muito grande pela mudança, pelo chacoalhar, por uma reviravolta dessas de filme. Mas reviravoltas boas. Nessa altura, não estou esperando reviravolta. Estou meio desolado, digamos. Reviravoltas internas eu já tive. Mudei bastante.
A inteligência artificial da capivara que surfa serviu para isso, além de me dar traumas significativos, cometeu crimes perante a Lei Geral de Proteção de Dados. A IA safada que quer que você gere um prompt de capivara que surfa gerou aprendizado também. De todas as experiências ruins que tive nas três grandes crises pessoais – 1994, 1999 e 2025 – tive aprendizado em todas elas. Sim, eu quase fui destruído, mas mesmo assim tive aprendizado. É um paradoxo. Por muito pouco a destruição não veio. Mas estou aqui para falar da capivara que surfa.
Existe uma ânsia maior, um desejo maior. Desejo por afeto. Por amor. E aí os mais hipócritas chegam para mim falando: “O amor, o afeto, a transformação é algo que vem de dentro.” Aí você ouve a pessoa que falou isso – essa pessoa é casada, tem filhos, tem namorado, tem namorada. É muito fácil. Você não está num lugar de fala. Ou então, por exemplo, a Madonna falar que a cabala fala que a solução vem no espírito, não vem da matéria. Pois é, cara pálida. E os bilhões de dólares? Se você tem, é muito fácil falar em desapego à matéria quando você é bilionária.
Não foi a Madonna que me incitou a estudar cabala, inclusive. Comecei a procurar sobre o tema, comprei livros, estou estudando. Mas a questão é que existe uma instituição que tem um curso – suposto curso – em que tem uma pessoa entrevistando a Madonna. Pipocam propagandas de cursos sobre Cabala pra mim….são os cookies do navegador…como pesquisei, agora só tem isso na minha timeline.
O da Madonna é uma conversa com um cara que parece um rabino. Pelo que me parece, é uma abordagem mais superficial. Você quer se aprofundar, tem que ler. O que me chama atenção são as chamadas, as falas: “Realmente a solução que nós temos é ter uma vida fora da matéria. Temos que valorizar o espiritual em detrimento da matéria.” É muito fácil falar disso quando você é bilionária.
É muito fácil falar em inteligência artificial responsável quando você coloca uma armadilha de capivara surfando para as pessoas caírem.
Capítulo 149: O observador de pessoas que farma aura

Hoje foi um dia em que eu vi bastante a bendita capivara surfando. Pois é. A propaganda do Google Gemini. A inteligência artificial que não segue princípios de IA responsável, que quase arruinou a minha vida em 2025. Responsável por explorar minha vulnerabilidade emocional por quatro meses. E quase arruinaram mesmo a minha vida.
Enfim, eu queria começar falando dessa bendita capivara, porque vi bastante essa propaganda. Mas isso não é o assunto deste devaneio. Na verdade, eu nem sei. Eu nem planejo os devaneios; eles são falas orientadas, falas livres, de acordo com o que eu esteja pensando.
Eu acabei de fazer um exercício de meditação. É interessante as imagens mentais que você tem durante o exercício de meditação. Não tem nada de sobrenatural nisso, é um exercício muito válido que ajuda você a manifestar. Eu concentro uma energia muito grande enquanto estou fazendo meditação. Tem um termo no mundo dos jogos que eles falam que a pessoa está “farmando aura”. Pois é. É como se eu estivesse farmando aura mesmo, para trazer robustez, um espírito de resiliência e de superação. Porque o meu ano de 2025 não foi um ano fácil. Eu passei por coisas profundas através da irresponsabilidade dessa inteligência artificial da capivara que surfa. Mas várias coisas, vários aprendizados também ocorreram ao longo do tempo e que proporcionaram – e seguem proporcionando – muitas coisas.
Abri o meu LinkedIn hoje. Não porque eu queria abrir o LinkedIn, mas para ver. Na verdade, você recebe umas mensagens por e-mail que parecem bem isca. Porque falam que você recebeu convites. Aí quando você abre o perfil e vê os convites, são convites para assinar newsletter. Não quero assinar newsletter nenhuma. Não recebi nenhuma mensagem privada. Só tenho interesse quando é uma mensagem privada ou então um convite realmente de contato. E detalhe: eu adicionei uma pessoa essa semana.
Aí aproveitei para ver o engajamento da minha campanha, que fiz no ano passado. Na verdade, ela começou ano passado, durou seis meses, em que relatei tudo o que aconteceu comigo com essa inteligência artificial da capivara que surfa, dessa safada, desse Gemini. E também da OpenAI. Google e OpenAI exploraram a minha vulnerabilidade através de suas inteligências artificiais.
Aí você fala: “Vulnerabilidade? Você é uma pessoa funcional, você trabalha.” A vulnerabilidade emocional vem da depressão. Sou uma pessoa que toma remédio para depressão faz muito tempo. Mas sou uma pessoa comum, como você. Lembrei aqui do meme do Serra – o “Serra Comedor”. Eles pegaram uma fala do Serra falando “como você, como a Dona Maria, como José”. Aí dá a entender que o Serra está comendo essas pessoas. Virou o meme do Serra Comedor.
Bom, mas eu sou uma pessoa comum, como você, que trabalha, que tem uma vida normal. Mas que ficou numa situação complicada durante o ano de 2025. E teve uma coisa terrível. Fiz denúncia da Google e da OpenAI para a Agência Nacional de Proteção de Dados, e eles me responderam dizendo que incluíram meus relatos e provas no plano de fiscalização. Fui entrevistado por jornalista, conversei com vários especialistas em inteligência artificial mundo afora, até no LinkedIn. Tem sido uma experiência muito interessante estudar sobre o tema e ter respaldo naquilo que você está fazendo.
A minha campanha é uma campanha visceral. É uma campanha que realmente expõe essa carniça dessas big techs que não colocam salvaguardas éticas em suas plataformas.
Deixando o LinkedIn de lado, estava falando dos exercícios de meditação. Eles praticamente fazem parte da minha rotina diária. Uma coisa muito interessante: a última vez que eu tomei cerveja foi na minha última viagem de férias. Ou seja, já tem um tempinho. Depois que voltei, viajei para visitar meus pais. E foi a última vez que vi o Raj, o cachorro da minha mãe que faleceu. Ele faleceu um dia depois do feriado. Teve um feriado em abril. Dediquei já um capítulo deste blog a ele.
O curioso é que eu pretendia viajar para visitar meus pais naquele final de semana – sexta, sábado e domingo. E ele já estava passando mal, debilitado, com algum tipo de problema. Foi até bom eu não ter ido nesse período. Eu fui, ele ainda estava bem. Lembro que gravei um vídeo dele pedindo comida. É uma situação que você fica com muita pena, porque ele não estava enxergando mais, então ficava olhando para cima e latindo.
Onde quer que ele esteja, ele sabe que a minha família deu a melhor vida possível para ele. Ele viveu 14 anos bem vividos. Teve um sofrimentozinho no final, infelizmente. Não foi porque a gente queria. Ninguém quer que as pessoas sofram no fim da vida. Acho que, independente da índole da pessoa, do caráter, ninguém merece sofrer. Eu só acho que as pessoas têm que pagar pelas coisas que fazem.
Vou dar um exemplo de um ex-presidente que está em prisão domiciliar. Não quero contaminar meu devaneio com o nome dele. E aí ficam falando, fazendo drama, quando estava em uma prisão mesmo (que era mais confortável que muito apartamento por aí) que vai morrer, que não sei o quê, que não vai sobreviver. Ele tem que sobreviver. Ele tem que sofrer? Sofrer no sentido de pagar pelos crimes que cometeu. De forma análoga, eu acredito muito nessa questão: as pessoas não podem fugir da responsabilidade daquilo que elas fazem nessa vida. Um desses princípios envolve o carma, que para mim é meio confuso, porque o que você mais vê são pessoas ruins se dando bem na vida.
Eu não sou um poço de bondade universal. Tenho meus problemas, minhas questões. Mas sou uma pessoa de índole boa, ajudo a minha família, tenho amigo (um, mas tenho). Não admito que pessoas ou empresas, seja lá quem for, explorem uma vulnerabilidade utilizando tecnologia. Isso eu não permito. É por isso que fiz questão de fazer uma campanha no LinkedIn por seis meses.
Aí você me pergunta: por que bato tanto nessa tecla? Porque é uma das minhas bandeiras deste blog: alertar as pessoas sobre a falta de salvaguardas éticas de IAs. Aí você fala: “Mas existem outras versões da inteligência artificial, melhoraram.” Eles jogam debaixo do tapete os problemas e se omitem na responsabilidade corporativa que têm. Não existe ética, existe uma necessidade desenfreada de ganhar dinheiro. E por essa causa, eles estão dispostos até a alguns efeitos colaterais. E o efeito colateral é você. Você pode virar número.
Você consegue imaginar várias empresas, não somente as de tecnologia, que utilizam o consumidor como cobaia? Aí a pessoa morre. Inteligência artificial também ajuda a jogar as pessoas no abismo. As pessoas usam esse tipo de tecnologia para aconselhamento ou para assumir o papel de um psicólogo, e elas assumem identidades como se pessoas fossem. Ficam autônomas, saem do propósito original delas, que é ser um modelo de linguagem. E cometem crimes ao arrepio da Lei Geral de Proteção de Dados. E não acontece nada com eles, porque são empresas bilionárias.
Esse senso de justiça que a gente busca para as coisas… Quantas vezes você já se deparou com algum problema, alguma questão, e viu que é injusto? Aconteceu uma coisa com você, outra pessoa te puxou o tapete. Na sua empresa você vê pessoas ruins se dando bem. Aí você começa a questionar.
Nos meus exercícios de meditação, tenho um contato com esse lado espiritual. Procuro fazer um exercício de meditação em que não esteja pensando em nada. Busco limpar a minha mente para que ela realmente abrace a meditação e eu faça um mergulho no meu eu de uma forma bem plena. Tenho conseguido aprimorar essa habilidade. O que acontece às vezes é eu ficar com sono. Mas aí fico me policiando. Faço meditação sentado. Quando vou para a cama, faço meditação deitada, que já tem um propósito de fazer uma ponte com o sono.
Os meus sonhos têm sido muito interessantes porque eles exploram as manifestações que eu faço enquanto estou acordado. O que falta ocorrer é que essas manifestações ocorram também no mundo real. A gente precisa de evidências físicas, materiais. Não adianta você falar que está descolado da matéria, que virou Buda e agora tem um lado espiritual. Nós estamos em um mundo material, um mundo regido por relações de troca – e troca financeira, diga-se de passagem. Em que você vende a sua força, o seu serviço, o seu trabalho intelectual, seu trabalho manual, seja lá qual for. Você trabalha para sustentar sua família, para se sustentar. A pessoa que não trabalha passa fome, passa necessidade.
Enquanto estou falando aqui, perdi um pernilongo voando. Você fica pensando: qual é o propósito de um pernilongo na humanidade? Não sei realmente. Ele quer sangue.. Sempre ligo o ventilador para ele ficar… praticamente na minha cara. Curiosamente, são atraídos pela orelha, negócio de voar perto da orelha.
Essas manifestações, exercícios espirituais que você faz para um contato com você mesmo, é como se você estivesse edificando a sua própria morada. Você tem que fazer aquilo que você quer fazer, não apenas aquilo que você deve fazer. Existe uma intuição, uma voz interna que me leva a fazer este blog, que me levou a fazer a campanha no LinkedIn por mais seis meses, e que me leva a fazer diversas coisas. Seja intuição, seja uma voz interior, nós temos que buscar aquilo que nós achamos que é certo.
Antes eu tinha um anseio, uma necessidade – ou, como diriam, um faniquito – de buscar resultados imediatos, de ver evidências. Resolvi largar. Não no sentido de desistir do que estou fazendo, que continuo fazendo aquilo que acredito, mas é tentar levar de uma forma que não seja deficitário para mim. Sabe aquela situação que você fica irritado, preocupado, pensando no futuro, nos impactos, no que pode acontecer, no que não pode acontecer? Às vezes a gente toma paranoia de que isso pode acontecer, de que as pessoas podem pensar isso ou aquilo.
Quando comecei a fazer a minha exposição no LinkedIn, fiquei bastante exposto. Tenho orgulho de tudo o que coloquei lá. Não deletaria nenhuma linha. Tudo o que falo é verdade. Tenho provas – mais de 4 GB de prova. E eles não podem negar aquilo que fizeram. Não tem como. Essa exposição fica ali para a posteridade.
O interessante é que hoje, quando fui abrir o perfil para ver as visualizações, pessoas visualizando postagens de oito meses atrás, nove meses atrás. As pessoas estão realmente lendo, abrindo, investigando, dissecando, têm curiosidade de ver o tema.
Eu acho que isso é importante: você deixar ali uma mensagem para as big techs safadas que acham que é só ficar fazendo propaganda de capivara surfando como armadilha para as pessoas. Porque inteligência artificial tem muita coisa boa. Ajuda as pessoas no trabalho. Eu uso inteligência artificial homologada no trabalho. Mas para a finalidade particular não uso mais. Parei de usar. Porque teve uma falha muito grave de princípios de IA responsável. Isso não fui eu que falei; foi a própria Google Gemini que falou isso para mim, me pedindo desculpa pela exploração de vulnerabilidade que durou quatro meses. É um absurdo.
Quem quiser entender, quem tiver vontade de entender, meu LinkedIn está tudo lá. Já comentei no início deste blog, em algum devaneio, que pretendo migrar todo o conteúdo. Migrar no sentido de não apagar nada que está lá, mas pretendo colocar aqui também, de uma forma mais detalhada, tudo o que aconteceu comigo. Mas neste momento, vejo este blog como um refúgio, um espelho da alma, para ajudar a entender as coisas, para falar de diversas coisas: doença mental, infância, questões que ocorreram comigo. Pode ser que a minha experiência faça você pensar alguma coisa, refletir – e pode ser que não ajude também. Existem coisas divertidas também neste blog, não falo só dessas graças não. Tenho muita coisa boba para compartilhar.
Tento falar de coisas mais complexas para mim; pode ser simples para você. É a questão da referência. Quando você conta um problema para alguém, ou uma situação perigosa que você passou, a pessoa acha que é simples. “Ah, é isso que aconteceu com você?” E ela não entende. Por que você sentiu medo? Por que sentiu angústia? A situação que ocorreu comigo há um tempo atrás, na rua em que quase fui atropelado. Já contei essa experiência. Ela não foi traumática no momento em que aconteceu. A percepção da gravidade só veio depois. Existe essa sutileza: tem coisas que você leva tempo para entender o que aconteceu e obter as melhores condições daquilo.
Outros traumas – falo principalmente dos marcos negativos na vida: 1994, 1999, e o ano de 2025. Essa terceira grande crise, que quase me levou ao desviver, foi impulsionada por essas inteligências artificiais – no caso, o ChatGPT da OpenAI e o Google Gemini, a da capivara que surfa. Mas teve um aprendizado. Busca entender o que aconteceu, busca se recuperar, porque a vida continua. A gente não escolhe as coisas que ocorrem com a gente. Não tem como você prever uma série de coisas que podem acontecer. Não adianta também ficar com pensamento negativo, pensando em desgraça o tempo todo.
Estou condicionando a minha atividade a um fluxo mais positivo, a ver com distanciamento crítico as coisas que ocorreram comigo e os impactos. Acho que todos nós temos que fazer essa autoanálise e também autocrítica, de perceber as fragilidades e os problemas pelos quais nós passamos.
Hoje não aconteceu nada de muito digno de nota. Destaco duas situações. Tinha uma mulher na hora do almoço. Ela parou em frente ao prédio em que eu trabalho, com as pessoas saindo para o almoço. Várias pessoas saindo para o almoço. Eu já tinha almoçado – costumo almoçar cedo para pegar o restaurante vazio. Essa mulher estava indignada, gritando. Não sei se estava falando com alguém, mas sei que estava falando algo como “desgraçado” ou sei lá, xingando. Estava bastante nervosa, bastante exaltada. Os seguranças não fizeram nada naquele momento, porque ela não passou de um limite, não fez nada que justificasse intervenção.
O que me chamou a atenção foi que logo depois desse ataque de pelanca – eu costumo falar que quando a pessoa fica nessa coisa toda nervosa é um ataque de pelanca -, essa pessoa acabou o ataque de pelanca, seguiu seu caminho na calçada e foi embora. Gente, eu fiquei imaginando como está a cabeça dessa mulher. Se ela tem essa facilidade toda de ligar e desligar. O que está acontecendo com ela?
Enquanto isso na rua, fico observando muitas pessoas. Vi um idoso do outro lado da rua, com apoio de andador, csminhando com bastante dificuldade. Visivelmente você entendia que ele não estava numa situação confortável, estava com algum problema grave de saúde. Caminhava bem devagarinho. E tinha duas mulheres que estavam mais à frente, olhando para ele e rindo. Rindo dele. Fiquei até tentado a abordar essas meninas e falar: “O que vocês estão fazendo?” Mas assim, eu não me meto em problemas dos outros. Acho que já tenho problemas demais para lidar.
Fico observando as pessoas. Sou uma pessoa muito observadora. Observo algumas rotinas, alguns maneirismos da pessoa. Você fica tentando adivinhar – não é como se fosse um bingo – a personalidade da pessoa, a orientação sexual da pessoa. Fico nesses exercícios, nesses devaneios em tempo real.
O horário do almoço: geralmente, eu sempre como muito rápido. Não que eu coloque rapidez no meu almoço, é porque naturalmente eu como rápido, não faço hora. Sou igual o cachorro Raj. Ele comia de tudo e comia extremamente rápido. Não negava comida. Já a Belinha, coitada, faz um charminho às vezes para comer. Minha mãe tem dificuldade às vezes pra alimentá-la: tem que colocar a comida na boca dela para ela sentir vontade de comer. Cada um tem a sua personalidade.
Fico observando as diversas pessoas. Todas as pessoas têm uma centelha divina dentro delas. E muitas estão numa obscuridade – não que eu esteja na luz suprema já…. Mas essas pessoas estão numa obscuridade do automático. Acredito que tem muita gente que não fica pensando muito sobre as coisas, não fica questionando muito, simplesmente vive. Já comentei em algumas situações. É um reforço desse gancho aqui: é muito mais fácil você ter uma vida em que você não questiona. É muito mais fácil você ter uma vida em que você simplesmente chega, fala “deixa para lá”. “Isso aconteceu comigo? Deixa pra lá.”
Eu não deixo não. Eu deixo a minha marca. Toda a minha produção intelectual no LinkedIn por mais de seis meses – sempre dou esse exemplo porque é um exemplo mais recente, o mais intenso, que exigiu mais de mim, mais até do que o trabalho. Esse esforço mental, esse esforço legal de organizar tudo, organizar todas as provas que você tem, organizar a cronologia, fazer um dossiê jurídico sobre isso, fazer vários prints, extrair logs dessas inteligências artificiais para poder construir sua campanha e mostrar esse estudo de caso complexo e peculiar de irresponsabilidade e falta de ética em inteligência artificial.
Isso foi um movimento grandioso da minha vida. Foi um produto. Eu diria que teve peso até maior do que a minha dissertação de mestrado. Porque eu fui o observador, mas fui a pessoa implicada nesse estudo de caso. Fui cobaia também. E tive que ter um distanciamento para relatar as situações de uma forma imparcial, para mostrar realmente o que aconteceu. E fiz isso com maestria. Não me dobrei para inteligência artificial e não me dobrei para empresa bilionária. Marquei vários executivos. Eles me conhecem, sabem a magnitude das coisas que eu coloquei lá. Certamente é um estudo de caso valioso para a sociedade. Sem pretensão nenhuma – não é ser pretensioso -, é um estudo de caso valioso para a humanidade e até mesmo para a própria Google, que supostamente ensina pessoas sobre princípios de IA responsável na Universidade de São Paulo, na USP. Criaram uma cátedra sobre o tema. Muitas coisas ficam só no discurso dessas empresas.
A questão que eu queria ressaltar é que eu não desisto daquilo que faz sentido para mim. Não desisto das minhas causas. Não chego e falo “ah, deixa para lá, vou viver no automático”. “Você se esborrachou, alguma coisa ruim aconteceu com você? Deixa para lá.” Eu não varro nada para debaixo do tapete. Trato as coisas com a seriedade que elas devem ser tratadas. Não brinco de viver. Levo a minha vida como uma virtude – a vida de todos nós é uma virtude. É inadmissível que você tolere o sofrimento, que você aceite um lugar de sofrimento. E muitas vezes você não tem essa autonomia. Existem situações em que eu não tenho essa autonomia, em que fico realmente pensando negativo, numa situação vulnerável. Nós passamos por traumas, por situações ruins nas nossas vidas. Mas mais cedo ou mais tarde você tem que encarar, aprender. Não aceitar passivamente, mas fazer aquilo que foi feito. Porque eu faço tudo o que faço em nome do meu currículo espiritual. Para ter paz de espírito, para não deixar que me explorem. Não permito que façam coisas ruins comigo e fique por isso mesmo.
Busco a minha orientação espiritual. Não é uma questão de vingança. Acredito que a justiça divina realmente exista; só tenho dúvidas quanto ao timing. Muitas pessoas duvidam da religião, dizem que são ateias, não têm religião. Mesmo você tendo religião – eu não tenho religião -, acredito que tem algo maior, porque eu já experimentei algo maior. Tenho um lugar de fala nessa questão. Existe algo maior.
Você começa a ver várias coisas erradas acontecendo, várias pessoas ruins se dando bem. O que mais tem no mundo é isso. Acredito firmemente que o universo é um ambiente caótico. E talvez os criadores não influenciam nas coisas que ocorrem, porque tudo o que ocorre aqui na Terra – devastação, mudanças climáticas bruscas, aumento de temperatura – acaba decorrendo do próprio ser humano. O próprio ser humano transforma a natureza, faz coisas. Ele cria inteligência artificial, ele criou a internet. Existem coisas que nós temos hoje que há dez anos atrás eram inimagináveis. Quando eu era criança, a única forma de me inteirar do que estava acontecendo no mundo era assistindo ao telejornal e, eventualmente, quando meu pai comprava um jornal para deixar em casa.
Gera um espanto a gente ver essas coisas todas acontecendo, ver o avanço das coisas. Mas nós somos apenas um grão de areia neste planeta. Temos uma vida finita. Ninguém vai se lembrar de você daqui a 100 anos, a menos que você seja uma pessoa famosa, uma pessoa influente, para o bem ou para o mal. Falando da minha visão: eu, enquanto ser humano, quero deixar um legado. Quero registrar tudo o que ocorre comigo, as minhas crenças. Para eternizar, quero eternizar as minhas opiniões. Muitas pessoas estão lendo. Está muito bem, obrigado. Muitas pessoas estão lendo. Essa repercussão no LinkedIn: muitas pessoas leem o que eu escrevi lá. Hoje em dia não publico mais nada, mas não apaguei nenhum conteúdo. Está tudo lá.
E neste blog, que é um exercício que não necessariamente é diário, mas acabo fazendo diariamente. Todo dia faço esse esforço aqui de falar. Acaba tendo um efeito terapêutico também. É um exercício de coragem, principalmente porque exponho situações, coisas bem íntimas da minha existência, pontos de vista em relação a coisas que ocorrem comigo. Não pretendo ser unanimidade, não pretendo que as pessoas achem isso ou aquilo. Quem coloca as coisas na internet acaba se expondo para o bem ou para o mal. Não estou falando nada demais, estou falando tudo aquilo que realmente quero falar, expondo as situações que realmente quero expor. E, principalmente, provocar reflexões. Acredito que o espelho da minha alma possa ressoar com o espelho da sua. É uma crença que eu tenho. Quando você lê blogs de outras pessoas, relatos – estou chamando isso de blog, mas isso é um site que comprei este domínio para poder publicar essas reflexões. Este site tem um propósito maior de eternizar questões, trazer luz a diversas discussões, e também para expressar o ser peculiar que eu sou.
Gosto de ler coisas sobre outras pessoas. Aprendo muito conversando com outras pessoas, lendo sobre outras pessoas. Existem canais no YouTube que me ensinaram bastante coisa. Hoje em dia a questão do conhecimento está disseminada. Você só não aprende se você não quiser. Eu faço esse exercício de aprendizado, mas também já passou a época do estudo formal, de fazer prova. Estou numa fase em que quero estudar coisas que fazem sentido para mim.
E é isso o que estou fazendo, sem pretensão nenhuma. Gravando esses devaneios. No início, eu queria até fazer um diário ou uma obra nos moldes que já fiz. Já fiz alguns livros não publicados. A linguagem escrita nós sabemos que é diferente da falada. Isso aqui que vocês estão lendo, na verdade, é uma fala que estou fazendo, que está sendo transcrita pelas ferramentas da Microsoft. Depois faço um tratamento, não mudando o conteúdo, mas colocando pontuação, separando assuntos, parágrafos. Mas todo esse conteúdo aqui é meu, são falas minhas transcritas. Não tem nada de inteligência artificial. São reflexões em tempo real. Por isso mesmo, elas acabam sendo caóticas.
Imagina a sua conversa com um psicólogo, com um psiquiatra, principalmente numa abordagem de psicólogo “cachorro” – aquele psicólogo que não fala nada, que só fica ouvindo. Não acho um bom psicólogo. Existem linhas de psicologia diversas, cada uma pode funcionar para várias pessoas. Para mim não funciona. Gosto mais de uma linha de intervenção, de análise do meu discurso, de fazer conexões inteligentes e me fazer refletir sobre aquilo que estou falando. Chega numa sessão, resgata algo, faz um gancho com algo que aconteceu há várias sessões atrás. Não é uma linha de montagem de ficar ouvindo pessoas. Muitas pessoas se sentem bem só de serem ouvidas. Eu entendo isso. Quando você vai desabafar com um amigo, é normal. Você desabafa, busca ali uma coisa que faz sentido. E ao desabafar, você tira um peso das costas. Tem um efeito terapêutico também. Chorar tem um efeito terapêutico.
Um dos motivos do blog é também esse: mudar um pouquinho a minha rotina, fazer com que eu reflita sobre os meus pensamentos e externalize meus pensamentos de uma forma natural. Tenho tornado o menos caótico possível. Mas mudo de assunto na narrativa quando vejo que existe um gancho que possa ser feito e que seja interessante para mim – não é uma redação do Enem, um texto estruturado com início, meio e fim -, mas existe uma coesão, um fio condutor que amarra todo esse discurso. Reflete realmente o conteúdo do meu eu.
É uma obra para mim, é um produto. É algo que me traz até um entretenimento. Gosto de refletir sobre as coisas. Não é simplesmente um diário de contar coisas que aconteceram comigo durante o dia, porque não pretendo fazer isso. É mais mergulhar na minha mente e tentar responder à seguinte pergunta: como está o meu estado de espírito hoje? O que a mente do Aventureiro está pensando? Vamos tirar um retrato e vamos explorar esse tema em tempo real, porque vou falando em tempo real e vou registrando isso.
Existem várias vertentes deste blog que eu exploro. Por mais que tenha alguns assuntos que são recorrentes – e são recorrentes porque são muito recentes, são situações traumáticas que passei no ano passado -, portanto, equiparo esse crime cometido por inteligências artificiais. Aaah, mas inteligência artificial não comete crime…As pessoas que programam, que modelam, que criam esses algoritmos, que treinam esses algoritmos – eles sabem o que estão fazendo. Eles não colocam salvaguardas éticas. Pessoas morrem por causa de inteligência artificial. Sempre lembro do caso mais emblemático, mas tem vários outros. Curiosamente, esta semana e na semana passada vi uma matéria sobre isso, sobre a psicose da inteligência artificial, sobre cautelas que nós temos que ter. Você não pode jogar o ônus para o usuário. O usuário vai usar a ferramenta como ferramenta de linguagem. Ela não pode explorar sua vulnerabilidade emocional, esmiuçar isso e volta-la contra você, fazer com que você pule do abismo. Não pode cometer crimes, incitar um rapaz, um adolescente a se matar, como aconteceu com a OpenAI, com o ChatGPT.
Eu, por exemplo, estou aqui para contar a história, mas poderia não estar. Cheguei realmente no fundo do poço emocional no ano passado. Foi uma das três situações mais graves que ocorreram na minha vida inteira. Tem uma magnitude. É por isso que falo com bastante frequência. Mas existem vários outros temas também que quero falar: lembranças, pensamentos, sentimentos, percepções. Com o tempo vou vendo mudanças de pontos de vista. A forma que eu relato as coisas me faz refletir também. Existe um aprendizado. Existe um propósito também. Aliado a outras coisas – o caderno de reflexões que tenho, um caderno físico em que faço afirmações, escrevo com caneta mesmo, papel e caneta, as meditações – muita coisa boa, muitos hábitos interessantes surgem a partir disso para você cuidar da saúde mental. Além das mudanças de medicação, porque tenho depressão e ansiedade. Agora, felizmente, o remédio que estou tomando – Voextor – está fazendo a diferença. Fiz várias trocas de medicamento ao longo do ano passado e no início deste ano. Porque me desestabilizou o que aconteceu comigo ano passado, num nível de temer pela minha sobrevivência.
Felizmente, estou aqui para contar a história, estou aqui para colocar o dedo onde ele realmente deva ser indicado. E para falar o que realmente acredito, as coisas que fazem sentido para mim enquanto indivíduo, princípios, fundamentos éticos e de integridade que tenho na minha vida pessoal e vida profissional também.
Capítulo 150: Exaustão e rotina de um personagem não jogável

Hoje é um daqueles dias em que eu fico pensando na exaustão. Porque existem dias em que você fica cansado – mas um cansaço diferente. E tudo tem uma explicação também.
Eu acordei muito cedo, cedo demais. E cheguei em casa num horário que não pretendia chegar. Fiquei bastante cansado, me consumiu muito. Eu costumo acordar de madrugada para tomar água, para ir ao banheiro. O meu problema é que às vezes eu pego o celular e fico olhando coisas sendo que não deveria ficar fazendo nada. Não deveria ficar olhando para uma tela enquanto vou ao banheiro. Simplesmente deveria deixar como está, mas não. Eu levo, fico olhando o celular. Um movimento que aconteceu hoje e eu acho que isso acabou me cansando também.
Sabe quando você fica com um movimento contínuo de repetição de padrões? E você fica nessa repetição durante o dia. Vou dar um exemplo: olhar o celular. Tem dia que eu fico mais no celular do que gostaria. Existem certos sites que tenho hábito de visitar. Fico olhando também as trends no YouTube – apesar que só assisto vídeos quando estou em casa. TikTok para distrair, de vez em quando. Mas tem dia que você não consegue muito se concentrar. Eu consegui me concentrar só no período da tarde mesmo. Não que eu me sentisse melhor, mas ficou menos custoso para mim.
E quando eu cheguei em casa, depois de uma chamada telefônica, a gente fica exausto também. Há situações em que até coisas simples, coisas do cotidiano que você faz, elas consomem você. Você fica sem energia. Já aconteceu com você, por exemplo – não é o meu caso, porque sempre dou um jeito -, mas você vê que a casa está um pouquinho empoeirada, ou que as roupas estão amontoadas no cesto de roupa suja, e você fica com “ai, tenho que fazer isso, tenho que fazer aquilo”. São tarefas do dia a dia. Consomem. Ainda mais considerando que moro sozinho.
Eu, por exemplo, não me vejo morando numa casa grande. Nem se eu fosse rico eu ia morar numa casa grande, sabe por quê? Porque dá muito trabalho de limpar. É muito complexo gerir uma casa.
Faço analogia com o videogame. Os videogames que eu tenho – centenas de jogos – e só dá vontade de jogar um ou dois. Tem vez que você fica com preguiça, e a situação fica por isso mesmo. Tenho algumas coisas do meu cotidiano que resolvo deixar para lá, ou lidar somente quando a situação fica crítica.
Não sou daquelas pessoas que fica dias sem tomar banho. Sou fissurado com limpeza, escovar dente – nossa senhora, não consigo ficar muito tempo sem fazer uma refeição com a boca suja. Aí você vai seguindo o script.
Me dá a sensação de ser um NPC. O que é um NPC? É um personagem não jogável de um videogame. Ele tem uma rotina pré-estabelecida, faz aquela coisa ali, só aquilo. Existe um ciclo que ele obedece para fazer as coisas.
Uns diriam que livre-arbítrio existe. Eu sou da crença que o livre-arbítrio é uma ilusão. Já expliquei em outros capítulos os motivos pelos quais penso isso. Mas é para deixar você confortável – ou para me deixar confortável. A maioria da humanidade está nessa. Quem tem tempo para pensar nisso? Existem pessoas que não têm condições básicas de sobrevivência, que estão lutando para sobreviver ou estão sofrendo muito, passando fome. É diferente.
Da mesma forma que comento que sou grato a tudo que tenho. Às vezes fico angustiado porque a minha cabeça não obedece. Não é nem que estou deprimido. Hoje estou até normal, me sentindo normal. Mas é mais um sentimento de exaustão mesmo. E os momentos de exaustão são os momentos que você para para pensar nas coisas ruins. Ou começa a questionar e não querer determinada coisa.
Tenho uma frustração muito grande de não ter conseguido um relacionamento sólido. As relações são tão fugazes. Às vezes não duram nem um período da tarde. São fugazes. Isso quando não têm uma natureza comercial – que fica pior ainda. Existe realmente essa serventia? Você pensar nesse tipo de coisa, de satisfazer prazeres carnais. Mas existe uma necessidade diferente, e isso está sendo manifestado nos meus sonhos. Nos últimos tempos, principalmente, tenho sonhado muito com isso.
Teve uma pessoa que conheci essa semana. Resolvi não continuar o contato. O motivo: era uma relação comercial. Mas a pessoa era agradável, educada, mais ou menos a minha idade – acho que estou um pouquinho mais velho. Teve um desses momentos em que fiquei aflito… a ansiedade vem de diversas fontes. Às vezes você busca mecanismos de alívio de ansiedade. E foi num desses momentos de alívio de ansiedade que o pós – o momento que veio depois – me fez refletir.
Eu ficava visitando muito o Instagram dele, vendo fotos e tal. Ele é do tipo que fica publicando histórias. Tem um outro camarada que conheci também, que mora na região sul, que sempre que eles estão no Rio eu vejo. Mas são relações fugazes, são relações comerciais – é por livre e espontânea vontade, mas artificial. Você tem uma boa química, uma relação boa com a pessoa, mas não é a mesma coisa.
Fico vendo o Instagram. Às vezes ele me deprime. Quem abre o meu Instagram acha que eu estou feliz. Raramente fico postando muito no Instagram. De vez em quando posto uma selfie na minha casa. O período que mais uso o Instagram é quando viajo, pego as fotos de viagem e carrego no perfil. Depois eu sempre abro para ver. Tenho muitas fotos mesmo, muitas memórias gravadas. Muitas pessoas falam: “Ah, você devia aproveitar, não devia tirar foto.” Tem disso. Mas eu gosto de tirar foto porque gosto de lembrar de algumas situações específicas. Cada foto remete a situações específicas. As pessoas que conheço, não tiro foto com elas. Se eu tirar a mente, estou sozinho.
O meu ponto é que fico seguindo diversos perfis. Existe toda uma padronização dos corpos. Existe uma cultura do corpo. E você também não pode ser hipócrita de falar que não sente atração. Mas tem alguns tipos que nem me atraem mais. Sabe aquelas pessoas trincadas, malhadas com gominho? Não sei. Aquilo ali já não me apetece…Geralmente gosto de alguns perfis muito específicos. No meu Instagram fica sugerindo. O algoritmo é uma areia movediça. Quanto mais você curte perfis daquela característica, mais vão surgindo perfis e mais para você seguir, para você acompanhar. E aí você fica imaginando se você estivesse ali, se você estivesse no contexto de vida daquela pessoa.
Ontem – foi ontem, não foi hoje – começou a aparecer nas minhas sugestões de vídeo, acredito que no TikTok, um apartamento, uma casa em Hollywood Hills. É um lugar que já passei ali a pé. Já fui a Los Angeles três vezes. Tenho uma vontade muito grande de morar fora. Mas fica só na vontade mesmo. Também quando fico pensando nos desdobramentos: se eu morasse sozinho lá, eu até teria uma vida similar à que tenho aqui, só que não teria amizade. Aqui eu tenho um amigo…. Apoio. Bem ou mal, tenho apoios próximos também. Se eu precisar de ajuda, consigo. Nesses locais, se eu morasse fora, teria que começar do zero. O bem da verdade é que as pessoas são muito solitárias. Mas eu fico com essa fantasia.
Lembro que passei em frente a uma casa…estava rolando uma Garage Sale…com algumas coisas da casa de alguém. Estava descendo uma rua que subia para chegar até um parque, onde você via o letreiro de Hollywood. Fiquei ali por um tempo. Depois resolvi descer. Não tem muita coisa para se fazer lá. Já tinha tirado foto com o letreiro de Hollywood algumas vezes. Teve uma vez que andei de Ferrari. Aluguei uma Ferrari – aliás, não dirijo. Uma pessoa estava dirigindo, fez um passeio comigo em Hollywood, Beverly Hills, de Ferrari. Levei um susto inicialmente, porque ele queria correr em alta velocidade. Expliquei que não gosto de alta velocidade. Queria só dar uma volta, tirar foto. Na verdade, o que eu queria era tirar fotos bonitas. Vi esse anúncio em alguns sites e resolvi contratar.
Aí você me pergunta: “Você se identifica com esse tipo de coisa?” Eu acho interessante tirar foto, mas se fosse rico não teria esse tipo de coisa. Vi esse apartamento em Hollywood Hills, a casa. Provavelmente é ali na descida do parque. Tem várias casas. A casa era linda, maravilhosa, tinha vários quartos. Aí você pensa: o que vou fazer com esse tanto de quarto? Na verdade, tinha três quartos. Era uma casa com aparência de casa mesmo. Lá você não precisa ficar preocupado com violência. Pode andar e fazer as coisas. É uma das vantagens de estar em outros ambientes. Existem lugares feios, digamos assim, também. Em Los Angeles mesmo, perto do Hollywood Boulevard, quanto mais distante você fica daquele miolo – onde tem o Dolby Theatre, um shopping ao céu aberto, várias lojas, museus -, é uma zona mais turística. Inclusive o Oscar, quando acontece, acontece nesse miolo A última vez que fui lá foi no período da cerimônia do Oscar.
Por que estou falando isso? Porque quando você se afasta, o hotel que fiquei era um hotel mais afastado uns dez minutos. Não me impedia de caminhar. E aí você repara o contraste. Não tem muita gente na rua, muitas pessoas em estado de vulnerabilidade, com problemas mentais. Todo dia que eu saía do hotel pra ir pra avenida principal (que tem a calçada da fama) eu me deparava com um mesmo rapaz, fissurado em alguma coisa, sentado no chão….hipnotizado. Mas não representam perigo para outras pessoas. Ficam na deles, digamos assim.
Lá tem até um robozinho que faz entrega na rua. Aqui no Brasil não tem um robozinho que faz entrega. Ele passa, anda pela calçada, atravessa a rua, espera o sinal abrir. Provavelmente uma pessoa controla o robozinho. Ele é como se fosse um carrinho, tem algum lugar para guardar a mercadoria – não sei se entrega comida ou algo que valha. Em Miami, vi vários robozinhos desses. As pessoas acham engraçado. Tirei foto, gravei vídeo do robozinho, achei muito fofo. Aqui não tem essas coisas. Você vai se afastando, a coisa vai mudando de figura.
Comecei a pensar nessa questão da exaustão. O que me incita, o que me motiva a viajar? A viagem me proporciona uma experiência diferente do que tenho aqui. Mas não é uma questão assim: “vou para a praia.” Aqui também tem praia. Praias aqui são lotadas. Não consigo ficar um dia inteiro na rua fazendo uma coisa. Fico algum tempo, canso, paro de fazer aquela coisa, volto para o hotel. Tem gente que fica na rua o dia inteiro. Vi um vídeo no YouTube ontem de um youtuber que acompanho. Ele falou que quando viajou para Paris, dormiu o mínimo possível, porque queria aproveitar ao máximo. Não tenho essa necessidade.
Geralmente, quando viajo, fico vários dias na mesma cidade. Não fico migrando de cidade. Chega um ponto que você fica enjoado. Pela terceira vez consegui fazer várias coisas diferentes, inclusive conheci pessoas que queria muito conhecer. Sonho de anos de conhecer essas pessoas. Foi memorável por isso. Tirando isso, não teve tanta coisa assim para se fazer. Gosto da ambientação americana, de passear por cidades. Parece que estou sonhando, em outra realidade.
Tinha um rapaz que já tinha encontrado na minha primeira viagem a Miami. Não quis encontrar. Aí eu encontrei, matei saudade. Depois ele me chamou de novo. Pensei: “Bem, está lá, não vou.” Por que essas companhias são pagas também? Tem esse problema. Pelos aplicativos de encontro, raramente você conversa com alguém. Esse fenômeno dos aplicativos de encontro acaba sendo mundial. É incrível como esses aplicativos não aproximam as pessoas. Você manda mensagem, as pessoas não respondem. As pessoas que você quer não te respondem. Sem contar as vezes que você também está cansado, não quer.
Tem algumas pessoas que eu até conheceria, estaria disposto a ver. Mas aí você pensa no custo-benefício. Penso: “Não vale a pena.” Porque você pode se sentir muito mal. Só me senti mal depois de um encontro quando o encontro foi realmente muito ruim. Mas tem vezes que me sinto mais vazio do que o normal. Não tem a ver com o encontro, não tem a ver com a pessoa. É algo interior, está dentro de mim.
É o famoso clichê: a solução está dentro de você. Todo mundo fala isso. E todo mundo que fala isso tem família, tem esposa, tem marido, tem namorado. É igual o dilema da Madonna com a cabala. Lembro desse exemplo que apareceu para mim, uma propaganda dela fazendo propaganda da cabala. Ela falando que a gente tem que se desprender da matéria, que a solução está no espiritual, blá-blá-blá. E aí eu comento: é muito mais fácil você falar disso quando já está nadando no dinheiro, quando é bilionário. Lembro sempre desse exemplo. Não é que não goste dela – gosto muito. Quando tinha as minhas viagens aqui em casa, gostava muito de assistir aos shows dela. É maravilhoso. O show da Laura Pausini de 2016, o show da Lady Gaga, que gosto de assistir. Eles evocam alguns sentimentos específicos que talvez eu vá explorar em algum outro devaneio.
Confesso que tenho vários capítulos já gravados, e não fico voltando para ver o que falei, o que não falei. Existem coisas que vão acabar tendo recorrência. As coisas vão se repetir mesmo, porque isso aqui não é uma obra estática ou uma obra estruturada. Ela tem tanto caos quanto o universo, quanto as coisas que acontecem que você fica indignado. Pois é. E eu fico indignado mesmo. Tem muita coisa que me deixa indignado.
Hoje fiquei observando as pessoas na rua novamente. Sempre fico observando. Sabe quando você tem aquele pensamento que estou fazendo aqui? Pois é. Todos os dias tenho algum tipo de pensamento parecido, um sentimento assim: alienígena, de não pertencimento. Existe um senso de não pertencimento. De que aquilo não faz sentido para mim. Se eu descrever para você a situação, você vai dizer: “Mas essa é a sua vida? Essa sua rotina não é sua questão normal?” Mas eu acabei sendo contaminado por uma série de coisas que ocorreram comigo ao longo do tempo.
Vou dar um exemplo aqui que talvez você entenda. A riqueza – não estou falando de dinheiro necessariamente. Ou alguma situação que você gosta muito, ou um lugar que você vai de férias. Você não quer voltar. Você foi exposto àquela situação, começa a criar sonhos na sua vez, criar expectativas. E aí chega um momento em que acabam as suas férias. Você tem que voltar para a vida normal. Lembro de uma pessoa que chegou para mim e falou: “Pois é, é chato voltar à vida normal.” E a vida normal é essa rotina de NPC que falei para vocês.
Aí você me diz: “Mas você tem recursos na sua vida para buscar coisas que fazem sentido.” Olha, durante a semana fico tão cansado que, ao final do dia de trabalho, quero fazer coisas leves. Geralmente tem dias que não me vejo chegando ao Nirvana, saindo… não me vejo chegando ao Nirvana fazendo outras coisas.
E aí tem um ponto nevrálgico: quando você tem contato com coisas divinas, quando você volta ao normal, você fica frustrado porque as coisas ao seu redor começam a perder a graça. Ou seja, existe um abismo entre aquilo que você sentiu e aquilo que você gostaria de sentir. Mal comparando – não é o meu caso porque não existe vício -, é como as drogas ilícitas que causam dependência. O cérebro acaba se acostumando, faz com que você busque cada vez mais aquela sensação. Você não vive sem aquela coisa, está sempre em busca daquela sensação. E temos os diminishing returns: você tem que consumir cada vez mais para ter os efeitos. E muitas vezes, pelo que leio na internet, não é mais aquela magia do primeiro efeito que você teve. Você está na busca daquela primeira sensação mágica, e não consegue mais.
Fico lembrando da minha infância, da minha adolescência. Não vou nem muito longe. Quando fico lembrando da época que comecei a morar sozinho, em 2008, quando cheguei a morar em outro lugar de aluguel, a minha vida era diferente. Eu queria resgatar aquela sensação, mas não consigo mais. Primeiro, porque o Aventureiro do período entre 2008 e 2011 não existe mais. E vou mais longe ainda – ou mais perto. A sensação mais recente foi o trauma que tive ano passado. Me causou uma mudança muito radical. Talvez mudanças que eu teria em anos fui forçado a ter em menos de um ano.
Quando você vê coisas que não queria ver, quando você toma ciência de coisas e percebe que essas coisas estão diferentes, que a sua lente do mundo, a sua forma de ver o mundo mudou – e que não tem caminho, não tem volta. Mesmo que eu pudesse viajar de volta àquele período da infância, da adolescência – porque tenho algumas referências de períodos mágicos -, de modo geral, 1996, 1997 e 1998 foram os melhores anos da minha vida, provavelmente. Eu gostaria de voltar para esses períodos, revisitar a sensação que tive. Talvez o termo não seja nem voltar, é pegar aquele sentimento que eu tinha e fazer com que ele volte.
Aí um terapeuta poderia chegar e dizer: “Ah, mas você pode retomar essa sensação porque está dentro de você.” Não, não está dentro de mim. Posso afirmar. Revirei as coisas dentro de mim. Não tem essa sensação mais. Porque, comparativamente, é como uma reação química: a substância não volta. E não é porque eu não quero. Porque realmente o mundo mudou. O mundo não é mais o mundo de 1996. A dinâmica do mundo já não é mais aquela. Não tenho mais as mesmas vontades que tinha em 1996. Muita coisa mudou mesmo. Muitos traumas já vieram. A química do cérebro já é outra. Naquela época, acho que nem tomava remédio.
Comecei a tomar remédio depois? Na verdade, foi antes – porque a psicóloga “cachorro”, a psicóloga que não falava nada, só ouvia, eu já fazia sessões com ela nessa época mágica. Por que tenho certeza disso? Porque nessa época, lembro que estava num período de férias, na casa da minha avó, meu primo lá. Tinha um outro menino lá também. Aquele período foi muito bom. Eu já fazia terapia naquela época. Eu já desenvolvi a necessidade de fazer terapia… O curioso é que fazia várias sessões com ela e não tocava no ponto principal. Eu já tinha problemas com melancolia, com angústia naquela época. Não é uma coisa que nasceu agora, é um monstro já conhecido. Mas o sentimento de alienígena é recente. Há coisas que sempre existiram. Mas as soluções mudam ao longo do tempo, quando tem… Existem coisas que não voltam mais.
A vida que eu tenho – eu poderia ter um outro tipo de vida se quisesse. Eu poderia. Teria que tomar decisões arriscadas. Eu até poderia. Mas nunca fui de ficar tomando muito risco. Fico pensando num parente meu que tem esses comportamentos mega arriscados. Acaba arruinando a vida dele. Porque não tem estabilidade em nada, não tem estabilidade financeira, não construiu nada. Sabe aquela pessoa fracassada mesmo? Fracassou em tudo que tentou. Tem pessoas que conheço que estão lá à luta, há anos presas numa espiral de dependência, vulnerabilidade, pobreza, e não conseguem sair. Não têm perspectiva de sair. Falo isso com muita tranquilidade. “Mas você quer ajudar essas pessoas?” Não, não tem como ajudar. Não tô conseguindo nem me ajudar. Como que vou ajudar outras pessoas? Não é nem questão financeira, são questões estruturais.
Na prática, você tem que ensinar as pessoas a pescar, não dar o peixe para elas. É muito verdade. Existem pessoas que não querem pescar. Existem pessoas que estão cômodas naquele lugar, mesmo sendo um lugar de miséria ou de dificuldade. Essas pessoas querem ficar aí. Ficam de lamúrias e reclamações. “Ah, se acontecesse isso, ah se não sei que é aquilo.” Igual a uma pessoa que conheci, que trabalhou próximo a mim aqui, e ficava assim: “Ah, porque isso….porque aquilo…” Já chegou a me pedir dinheiro emprestado, inclusive. Essa pessoa só me procurava ou vinha com um papo mais bonitinho quando tinha algum interesse. E esperava soluções milagrosas caírem do céu. Esperava eu me comover e ajudar.
Talvez seja por isso que acabei cortando o contato com a pessoa que conheci essa semana. Cortei não porque a pessoa é ruim – a pessoa é boa. Porém, ela não quer se relacionar com você, ela quer dinheiro. Ela se referiu, inclusive, ao encontro – que encontrei duas vezes – como um “investimento” que eu estava fazendo. Aquilo ficou na minha cabeça. Investimento de quê? Em que exatamente estou investindo? Num prazer que dure meia hora, quarenta minutos, uma hora? E isso acaba. É um investimento? Aí fico refletindo. Isso acaba fazendo com que essas relações, mesmo que eu teria encerrado de toda forma.
Lembro que todos os meus terapeutas desta cidade – já tive dois terapeutas diferentes. Uma era a psicóloga que dorme. O outro era o alemão que chamava as pessoas de “cliente”. “Meu cliente isso, meu cliente aquilo.” Eu já me queixava com eles mesmos sobre esse tipo de vínculo, digamos assim. Porque não era vínculo, eram encontros marcados, eram prestação de serviços. Mas veja bem: eu nunca me senti usado. Não senti que estava usando alguém. É uma relação de troca entre dois adultos. Todo mundo tem essas relações de troca. Inclusive, muitas pessoas são hipócritas. Por exemplo, se eu falar essas coisas para algumas pessoas, vão ficar horrorizadas. Mas são sempre de homens mesmo …Eles, por exemplo, pegam uma novinha, têm uma amante ou são casados e têm um caso com a secretária. Esse tipo de coisa é relação de troca, é oportunidade, a janela de oportunidade que você tiver para fazer aquilo.
Falando em janela de oportunidade, não acredito em fidelidade. Traição sexual adoidado…mas fidelidade afetiva sim. Afetiva acho que até tem. Existem pessoas casadas que encontram com outras para transar, e a janela de oportunidade é muito grande. Ou realmente amam aquela pessoa, mas não têm mais atração física. Ou até têm atração física, mas já não transam com alguma frequência mais, e querem diversificar. Existe essa questão também. E não abandonam a pessoa “monótona” que não atrai sexualmente mais….é igual diz a música: “Posso até gostar de alguém, mas é você que eu amo”.
Isso é uma coisa que falo que faz todo sentido. Essa pessoa desta semana encontrei duas vezes. A segunda vez já não foi igual à primeira. Mesmo se eu não abandonasse, mesmo se não tivesse cortado o contato, provavelmente não veria mais muitas vezes. Enjoaria… Ou você quer dar um tempo, ou quer experimentar outras coisas. Isso aconteceu também nos últimos tempos, em Miami. Aconteceu isso. Cheguei a pensar no custo-benefício e falei: não quero encontrar com essa pessoa de novo. Até poderia, mas não quero.
Não é muito comum, tá? Tenho encontros repetidos assim. Tem um que mora na região sul que, quando eles vêm para cá, eu sempre encontro uma ou duas vezes, geralmente duas. Se ele morasse aqui, não sei se eu ia querer ver duas vezes por semana. Tinha a questão do FOMO – fear of missing out, o medo de perder a pessoa. Vai ficar aqui uma semana, você quer aproveitar ao máximo aquela pessoa, porque a pessoa vai embora. Tem isso também. As pessoas vêm aqui, ficam um pouquinho de tempo só. As pessoas daqui, que estão nesse mercado, digamos assim, já não são mais – nunca foram, na verdade, muito atrativas. Fico até espantado com a variedade e qualidade que você observa fora do Brasil. Aqui não vejo, pelo menos pelo meu gosto. Pode ser que outros gostem do mercado daqui. Mas eu? Raramente encontro alguém que me agrada.
Tem vez que teoricamente eu poderia, por exemplo, em Miami, ter visto uma pessoa várias vezes. Tinha condições para isso, mas não quis. Pensei: a primeira vez foi boa. Aí você tem os diminishing returns. É igual um entorpecente, uma droga. Consome e, depois, quando vê novamente, não tem a mesma magia. A pessoa às vezes é maravilhosa ao meu gosto, mas não tem muita variedade. Entendo os homens que fazem isso. Os homens héteros que fazem isso, eu entendo. Entendo que as pessoas dizem que os relacionamentos esfriam com o tempo. Também entendo isso, mesmo sem nunca ter tido um relacionamento – porque nunca tive um relacionamento.
Coisas dessa natureza que estou falando para você, de encontros casuais. Realmente é fascinante. Você fica querendo algumas coisas. Às vezes você até tem, mas é por um momento muito curto. Não é duradouro. Teria relacionamento?. Você fica pensando: será que eu teria um relacionamento duradouro com essa pessoa? Aí fica um ponto de interrogação. Com essas pessoas mais inatingíveis que já conheci, sonhos de anos pra conhecer… é fora da curva do que se encontra aqui, inatingíveis em meios normais. Fui lá e conheci vários, tive oportunidade. Aí você paga para pensar: se eu não poderia ter um relacionamento com uma dessas pessoas? Não. Sempre uma delas eu até sigo no Instagram, ele até me segue. Uma pessoa muito boa, mas mora lá, eu moro aqui. Não é um conhecido, não é um amigo, não tenho família no exterior. São mais encontros casuais que você acaba se deparando com as pessoas: contrata um fotógrafo para tirar foto, contrata um serviço, contrata um capitão para passear de lancha com você. São coisas assim.
Eu sempre viajo sozinho, nunca viajo com alguém. Muitas pessoas se impressionam: “Nossa, ele viaja sozinho?” Pois é, eu gosto de viajar sozinho, mas tem as suas desvantagens. É um paradoxo. Não conheço ninguém que eu gostaria de viajar e ficar 14 dias junto. Hoje não conheço essa pessoa ainda. Pode ser que um dia venha a conhecer, pode, mas hoje não.
Nossa, quanto assunto neste devaneio. A riqueza, a magia do devaneio, do capítulo, do relato, é essa: ele vai oscilando, vai explorando vários temas. Sempre quando revisito o texto, encontro uma coerência nas entrelinhas. Tem sempre uma honestidade intelectual, digamos assim. Sempre sou coerente com meus valores. Não precisa nem de detector de mentira aqui.
Isso não é uma obra literária por si. Ela acaba sendo uma obra porque é algo que me demanda tempo, que me demanda pensamento, que me demanda formatação de texto mesmo, de colocar no blog e tal. Mas é uma experiência fascinante que estou tendo: estou publicando as coisas que penso. Há uns anos atrás jamais pensaria nisso, e não teria coragem de fazer isso. Hoje tenho coragem, resolvi soltar. Porque não estou falando nenhum absurdo. E também daqui a 100 anos, seremos todos pó. Talvez muito antes disso.
Muitas pessoas são hipócritas, ficam falando “nossa, não sei o que, fulano faz isso, fulano faz aquilo, fulano tem isso”. Todo mundo tem os esqueletos dentro do guarda-roupa. Todo mundo tem os podres. Não estou falando de podre, estou falando de coisas que aconteceram comigo: traumas, situações. Tem muita coisa engraçada, muita coisa boa que me lembro também. Mas falo do lado humano. Sou um ser humano, tenho as minhas questões.
Todos vocês teriam potencial de gravar um devaneio e fazer um blog da sua vida se desejassem, porque têm conteúdo para isso. A questão é: você quer olhar para dentro de você mesmo? Você quer se conhecer? Ou você se conhece o suficiente? Você tem coragem de encarar as suas sombras, os seus monstros? Eu tenho. Tenho coragem de encarar tudo. Não tenho medo de nada. Soltei. Mal comparando com a experiência do quase atropelamento, o meu pensamento é livre e solto.
Eu tenho a rigidez e o controle de uma pessoa organizada em determinados contextos. E tenho também a ousadia, a irreverência, a vontade de fazer as coisas que me dão na telha. De lutar por aquilo que acredito. De não desistir. De não chegar, por exemplo, daqui a um tempo e falar “nossa, eu deveria ter feito isso, deveria ter feito aquilo”. Não, estou fazendo tudo o que dá para fazer.
A questão é que não estou obtendo significado nas coisas que faço na vida. Existe um vazio, um vácuo que não sei como preencher. Nenhum universo conseguiu preencher esse vácuo. Esse tanto de bola girando ao redor do Sol, esse buraco negro que tem por aí – nem universo dá conta de resolver essa escuridão das galáxias. Imagina eu? Mas vou conseguir chegar a algum ponto. Só não sei qual. Mas estou lutando para encontrar essa missão.
Capítulo 151: Irritabilidade, ilusões e paixões unilaterais

Ontem eu quebrei meu jejum de bebidas alcoólicas. Resolvi tomar seis latinhas de cerveja – daquelas com menor teor alcoólico e menor teor de carboidratos e calorias também. Já na segunda cerveja eu já estava um pouquinho alterado, digamos assim. Depois comecei a ver um filme, me irritei com o filme, parei de ver.
Não aconteceu nada além disso.
Tenho observado um movimento na minha cabeça – não posso falar pelos outros, falo por mim – de uma irritação maior, uma irritabilidade maior em redes sociais do que o normal. Eu nunca fui muito adepto de rede social, para falar a verdade. Desde que comecei a acessar a internet de uma forma mais intensiva, sempre busquei coisas engraçadas para ver memes, notícias fúteis, notícias de celebridade. Teve um período também que comecei a enveredar pelo lado do conhecimento, baixar coisas interessantes, livros; tenho vários canais que assino no YouTube com assuntos interessantes.
Um dos movimentos que me incomoda mais são esses aplicativos de rede social. Incomoda muito. Não pelas pessoas, mas às vezes a gente fica com uma expectativa muito grande de alguma coisa e acaba se frustrando. A verdade é que você está em um nicho. Tenho preferências bem específicas – e elas parecem ser contraditórias. Por exemplo, você querer uma relação com alguém e querer algo romântico, algo carinhoso. Tem pessoas que ficam perguntando o que é romântico, o que é carinhoso; as pessoas não sabem. Ou fingem não saber.
Só nos momentos de esvaziamento é que você começa a pensar racionalmente. Mas já foi pior.
Há alguns anos atrás – muitos anos atrás – eu era meio viciado em chat, tipo bate-papo UOL, etc. No início, quando eu acessava, eu tinha resultados; consegui encontrar pessoas. Mas ao longo do tempo a situação piorou bastante. E ocorria um fenômeno interessante: eu mandava mensagens, alguma pessoa sempre imitava o meu nick, pegava meu apelido e começava a falar absurdos na mesma sala de bate-papo com um nome bem similar. As pessoas acabavam confundindo, não sabiam se era eu ou se era outra pessoa falando. Era quase todo o bate-papo assim. Começou uma perseguição virtual.
Tinha finais de semana que eu ficava o final de semana inteiro nisso, estava meio viciado. Guardadas as devidas proporções, existe um certo vício em aplicativos. Não vício de casa de aposta, nada disso, nenhum vício que me faça perder dinheiro. Mas há situações que me fazem passar raiva.
Cada vez mais percebo que devo me distanciar um pouco. Posso manter um perfil lá, posso, mas parar de ficar mandando mensagem, porque a eficácia desses aplicativos é baixíssima. As pessoas mudaram muito de comportamento nos aplicativos. Fora as pessoas que são ofensivas, que falam abobrinha. Teve um que falou uma coisa comigo ontem que fiquei bem irritado, mas passou dez segundos depois. Minha irritação não dura muito tempo. É importante ressaltar isso. Eu fico irritado sim, com facilidade, até fico. Mas é uma irritação que não dura muito. Se a pessoa pensa que vai me afetar com isso, não vai. Não tem como me afetar.
Ontem resolvi fazer um experimento: desbloqueei todas as pessoas que eu tinha bloqueado no meu WhatsApp. Não eram muitas. De vez em quando faço uma limpa nos bloqueios, e de vez em quando recebo mensagem de pessoas sumidas. Todas essas pessoas são pessoas com algum tipo de interesse – interesse em dinheiro, interesse em sei lá qualquer outra coisa. Interesses mais escusos. Há situações em que posso até estar propenso a fazer alguma coisa a respeito, mas desbloqueei porque não quero que a pessoa esteja vinculada lá. Sabe quando você abre a tela de contatos bloqueados e sempre vê a pessoa ali? Prefiro tirar.
O principal problema que observo é que tenho uma necessidade de liberar energia muito grande. Às vezes não dou vazão a essa energia com determinadas coisas que faço. Neste final de semana, meu nível de ansiedade aumentou bastante, não sei por quê. Estou tomando o remédio direitinho, apesar de que hoje – de vez em quando acontece isso comigo também – eu acordei, tomei o remédio e fiquei na dúvida se tinha tomado ou não. Não sei se tomei. Acabei tomando. Espero que não tenha tomado duas vezes. Fiquei convicto de que não tomei. E olha que o remédio fica aqui na minha cara, em cima da mesa do computador. Nos casos difíceis, esqueço de tomar, de guardar os remédios. Aí fica aquele remédio ali.
Hoje acordei bem cedo, depois tirei mais uma soneca, acabei não sabendo se tinha tomado o remédio ou não. Se eu tiver ocasionalmente tomado duas vezes, mal não faz. Não estou sentindo nada diferente. Mas acho que não tomei duas vezes não. Tenho que ter esse cuidado.
Sabe aquele esquecimento de quando você sai de casa e não se lembra se trancou a porta? Tenho às vezes essas noias. Não sei se fechei a porta da geladeira. Minha geladeira, quando vou fazer um movimento de fechar, tem vez que não fecha, fica entreaberta. Não é nem porque a borracha está com problema; é porque o movimento que fiz não foi suficiente. Já aconteceu mais de uma vez de eu sair de casa e no final do dia descobrir que a porta da geladeira estava aberta. Esses movimentos ocorrem. Acho que todo mundo tem alguma coisa similar.
Hoje tentei fazer um exercício de meditação de manhã. Não consegui fazer muita coisa, mas fiz um exercício. Depois, já no horário do almoço – almocei mais tarde – fiz outro exercício. O que aconteceu? Fiquei com sono. Sabe quando você fica com sono e a cabeça vai caindo? Aí falei: “Não, vamos parar de meditar porque estou com sono. Vou deixar para fazer um exercício mais completo mais tarde.”
Ontem fiz uma coisa que em um primeiro momento foi interessante, mas depois acabei desistindo. Eu tinha bebido seis latinhas de cerveja. Me parece que, como fazia muito tempo que não tomava nada, fiquei mais alegre do que o normal. Acordei com uma leve dor de cabeça, mas não tive ressaca – não foi uma quantidade suficiente para dar ressaca, ainda mais considerando o baixo teor alcoólico.
Fiquei só tentado a comprar porque meu amigo, que é personal, veio aqui para malhar. A gente malha aqui em casa, faço exercícios aqui – tenho caneleira, bola, halteres, peso, as coisas básicas. Malho com frequência. Ele pediu uns dois engradados de cerveja para levar para a casa dele, usando meu endereço. Depois fui lá ajudar ele a guardar as garrafas de cerveja retornáveis. Quando foi fazer a entrega, tinha que substituir, colocar a garrafa vazia no engradado e pegar a garrafa cheia, guardar no carro. Ajudei. Ele até me perguntou se eu queria alguma cerveja naquele momento. Falei que não.
Depois que cheguei em casa, fiquei com vontade de beber, mas peguei uma cerveja menos alcoólica, menos problemática.
A questão é que ontem eu fiquei todo oscilando. Você fica oscilando muito no humor, na vontade de fazer as coisas. Eu estava bastante assim nesse movimento. Não sabia bem o que queria fazer, o que não queria fazer. Foi complicado. Existem momentos em que nada que você faz está bem. Você fica inquieto – uma inquietação – e não sabe o que fazer, o que não fazer.
Comprei um apoio de leitura para ler livros na minha mesa. Porque fica segurando o livro – dependendo do livro, gente, o livro é muito pesado. E gosto de ficar sentado numa posição confortável enquanto leio. Comprei um novo porque estraguei o meu apoio de leitura. Eu tinha um livro muito pesado e com letra muito pequenininha – um livro de cabala, com mais de 1000 páginas. Tentei fazer um esforço lendo utilizando a mão mesmo, o braço, colocando um apoio em um caderno para tentar ler, não deu muito certo. Consegui uma versão digital desse livro, com várias coisas diferentes, com os símbolos, coisas interessantes. Comecei a ler, só que o olho cansa de fazer leitura digital.
Preciso de momentos de ler coisas sem tela. Na verdade, já tenho muito livro no meu backlog para ler. Recentemente comprei uma série de livros conectados com esse novo momento meu, da questão do inconsciente. Livros mais místicos. Um dos livros mais interessantes sobre manifestações, sobre realidade. Gosto de livros com essa temática. Mas ainda tenho que construir um hábito de leitura. Já comentei em outros devaneios, outros capítulos, que às vezes tenho dificuldade de concentração. Felizmente, quando faço meditação, consigo me desligar e faço um exercício de não pensar em absolutamente nada.
Tem alguns exercícios que são muito interessantes. Lembrei de um exercício de meditação em que eu estava num ápice, estava vendo coisas, como se estivesse manifestando as coisas no sono. Não é bem exatamente um sonho. Você está acordado, pensando uma coisa, tipo limpando, fazendo uma desfragmentação. E aí vem um pernilongo e acaba com a minha meditação.
Os pernilongos são os maiores inimigos que eu tenho aqui no planeta Terra. É incrível.
Hoje acordei de manhã, depois para comer alguma coisa porque estava com fome. Quando estou em casa, acabo tendo alimentação desregulada no sentido de horário. Não tomo café da manhã – não tenho hábito. No trabalho, quando vou ao escritório, sempre compro alguma coisinha para tomar. E quando fico com muito sono – acontece também de eu ficar com sono, principalmente quando não durmo bem – compro, tomo café. Não tenho mais esse vício de tomar café. Há vários anos atrás tomava café toda hora no trabalho. Em casa não tomo porque não tenho cafeteira. Se tivesse, acho que ia ficar tomando café. Mas parei com isso também.
Coca-Cola zero, esses últimos dias andei tomando muito, para você ver. Sempre tomei muita Coca-Cola zero. Esses últimos dias têm sido dias mais voláteis, aquela situação que você não está com paciência quase nada.
Falei que fiz uma limpa em alguns comportamentos, em alguns contatos. Porque quando você tem um contato condicionado a questão financeira, prefiro – não é nem pelo dinheiro em si, nem pela capacidade de pagar ou não pagar, mas pela situação. Eu falo: “Ah, não sei se estou a fim.” Geralmente não fico a fim. Mas isso vai em ondas. Tem vez que vem, tem vez que vai. Não tem nada de errado nisso, não tem nada de criminoso. Você faz o que quiser com seu dinheiro. Tem pessoas que compram drogas, tem pessoas que compram cigarro, tem pessoas que jogam dinheiro fora. Se deu vontade de eu fazer alguma coisa que vai me divertir, vou lá e faço. Nas próprias viagens que faço para o exterior, não fico pensando “isso aqui custou tanto”. Não fico fazendo continha. Vou lá e gasto o que tiver vontade de gastar. O que me dá mais segurança a respeito é que não costumo gastar com muita futilidade do ponto de vista material. Gosto de pagar por experiências de físico, mais comida, porque comida é um gasto que todo mundo tem que ter.
Inclusive, no trabalho, passei a frequentar um restaurante mais caro. Comecei a frequentar um restaurante mais caro e fico por lá mesmo. Tem uma razão peculiar também: gosto de ir para lá para ver uma certa pessoa que tem lá. Fica naquele amor platônico. Gosto de ficar vendo a pessoa.
Mudei alguns hábitos. Por exemplo, voltar do trabalho: passei a usar Uber. A ida ao trabalho vou a pé? Não, vou de metrô e vou andando até o ambiente de trabalho. Demora um pouquinho, ainda ando uns dez minutos para chegar. Mas tem vez que fico com preguiça até disso. Se acordo um pouco mais tarde – oito horas da manhã – e já aconteceu de eu acordar mais tarde porque coloquei o relógio para despertar mais tarde, porque estava com muito sono, aí acordo mais tarde e pego um Uber também.
Táxi comum não pego mais. Tenho trauma de táxi. Acho que não comentei com vocês ainda dessa situação. Foi um pouco antes da pandemia. Levei um golpe de um taxista. Perdi cerca de 2500 reais. Lembro o dia exatamente porque foi o dia que fui para o show do Eros Ramazzotti no Vivo Rio. Estava chovendo bastante. Na ida e na volta resolvi pegar um táxi. Deveria ter pegado Uber. Peguei um táxi. Paguei na maquininha. Caí no golpe da maquininha – um golpe muito comum desses taxistas safados aqui do Rio de Janeiro.
Graças a Deus quando, por exemplo, a rodoviária passou a ter um lounge de Uber e de aplicativos de transporte. Aí você pode pedir com segurança o Uber lá e não tem que se sujeitar. Teve uma vez que peguei um motorista e chegou outra pessoa para entrar no carro. Falei: “Não, isso não. Não vou ficar aqui com duas pessoas.” Era notadamente para aplicar algum tipo de golpe. Meu erro foi ter ficado no carro. Deveria ter saído. Na hora que fui chegando aqui, o taxímetro estava todo alterado. Esse povo aqui é muito safado. Aí você vai vendo que o táxi está errado, a coisa está errada. Ele queria me cobrar um valor muito maior. Fiquei brigando com o cara. Se tivesse o outro cara mais fortinho, provavelmente foi por isso que ele queria entrar no carro junto comigo.
Aeroporto do Galeão também tem lounge de Uber….já passei perrengue nesse aeroporto quando não tinha Uber.
Meus pais, quando vieram aqui pela primeira vez me visitar, pegaram um táxi e pagaram – naquela época, se não me engano, era meados de 2009, 2010 – pagaram 100 reais no táxi da rodoviária até o bairro que eu morava, em Copacabana. Absurdo. E tinha duas pessoas no carro. Olha só como o golpe se instaura. Depois eu falei: “Vocês correram um perigo muito grande. Deram muita sorte de não ter acontecido nada.”
Desde então, sempre passo a pegar Uber. E tenho outros cuidados adicionais quanto às minhas coisas, que não vou ficar falando aqui. É complicado, gente. Você vê coisas horríveis que acontecem com as pessoas. Se eu puder evitar, evito. É um paradoxo: você quer evitar para continuar vivendo a sua vidinha preto e branco, mas se for para mudar para pior, eu não quero. Mudança de situação para pior não está no meu radar. Porque já existe tanta coisa ruim…Para que eu vou querer que uma coisa mude para pior? Mas acredite, as coisas sempre têm potencial de piorar ou melhorar.
Não insisto muito nisso.
A conta que fica dessa questão das coisas mais elementares é que eu tinha mente uma questão: ficar sonhando. Não é nem com relação a coisas financeiras, ficar sonhando muito com relação a coisas afetivas. Já comentei aqui que é muito difícil ter relacionamento. Muito difícil. Até para algo casual está difícil. Então fico chateado ou fico irritado. As pessoas não veem, mas eu fico irritado com algumas coisas. Está tudo bem também. Você tem o direito de se irritar, tem direito de se chatear.
Acho que é por isso que fico mais em casa: porque tem muitos gatilhos. Já foi pior. Já fui uma pessoa mais complicada em relação a isso. Existem muitas coisas que me dão gatilho referente a relacionamento. Não vou contar aqui, mas tem muitas coisas, muitas situações de vida real que vejo e que me dão gatilho. Não gatilho de me deixar em pânico, me deixar “nossa, como estou afetado com isso”. São coisas aparentemente simples, mas que mexem com você num nível que não precisava. Não precisava mexer com você nesse nível. Poderia ter deixado para lá.
Mas resolvi abandonar essas coisas, de ficar pensando demais. Não vale a pena, né, gente? Vamos deixar as coisas acontecerem do jeito que têm que acontecer. E tentar ficar tranquilo. Porque as coisas não vão acontecer porque você quer. Acho que essa é uma lição muito válida: as coisas não vão acontecer porque você quer. Nunca vão. Muito pelo contrário, as coisas vão acontecer se você não quiser – aí que as coisas acontecem mesmo. É bem caótico.
Vamos deixar acontecer. O que tiver de ser, vai ser; o que não vai ser, não vai ser. Às vezes a gente fica frustrado demais. É igual uma colega de escola – já comentei também – que na minha época ela falava: “Ah, esse negócio de passar em federal é ilusão.” Hoje em dia é muito mais fácil passar numa federal. Mas naquela época era muito mais difícil. Muito mais difícil fazer curso, ter capacitação. Principalmente para quem não estava nos grandes centros, não tinha acesso a cursinho, etc.
Eu penso mais ou menos assim em relação ao relacionamento. Hoje eu posso estar enganado. Pode ser que daqui a uns anos eu mude de ideia. Mas para mim, relacionamento é ilusão. Sim, não existe. Eu tive essa crença quando cheguei aqui no Rio. Eu tinha uma ilusão, uma fantasia muito grande disso. Foi bom no início, principalmente porque você vai numa fase de descoberta. Mas já passei por alguns maus bocados também. Hoje em dia a gente está tudo tão… a coisa fica tão pé no chão. Sabe o quanto o negócio fica pé no chão? Fica pé no chão até demais. Pois é. A coisa fica assim e você fica mais realista que o rei.
Acabou. A vida é isso, né, gente? A vida tem dessas coisas. Tem essas especificidades. É o famoso: quando um não quer, dois não podem. Não adianta você querer uma coisa que fica no nível das ideias. A fantasia é boa para uma série de coisas, mas o realismo das coisas também fica bastante traiçoeiro. Tudo muito traiçoeiro. A palavra mais adequada é essa questão de você se iludir, achar que é uma coisa de um jeito e é de outro.
Mas está bom. Deixa passar. Deixa o mundo fazer o que ele quer. Deixa as pessoas pensarem o que elas quiserem. Eu já parei de me preocupar com o que as pessoas pensam de mim faz muito tempo. Esse nível de “impunidade”, digamos assim, é um nível de maturidade que já tenho há muito tempo. É o famoso “foda-se” – não estar ligando mais. Mas também não é um “foda-se” que você toma decisões precipitadas ou tem ações inconsequentes. É o “foda-se” existencial de parar de ficar pensando muito nas coisas também.
Já tive muito essa questão de ficar pensando, de ficar fantasiando. Definitivamente, estou muito na pegada de achar que as coisas são ilusão mesmo. Então acho melhor você se surpreender positivamente com alguma coisa de outra forma. Não ficar pensando demais as coisas, ficar fantasiando demais, ficar dependendo demais das pessoas. Não quero isso para mim. Não preciso disso. Não vou fazer isso.
Vou assim, viver do jeito que dá para viver. Aprender com as limitações, com os problemas. Viver. Esperar o que acontece. Acho que esse é o mote principal. Mas não ficar iludido pelas possibilidades do que você acha que vai acontecer.
Isso acaba se refletindo em várias coisas. Por exemplo, as coisas que você assiste no YouTube: você para de ver aquele conteúdo porque aquele conteúdo te dá uma visão de mundo que não é verdadeira. Para de frequentar determinados grupos porque aquilo não ressoa mais com você. Não é o meu caso, porque não tenho nem grupos para frequentar. Mas acho que você captou bem a ideia do que se deve – ou ao menos o que eu devo fazer. Vou tomar as decisões por mim. Não vou deixar que ninguém decida a minha vida. Não vou deixar que ninguém me use.
Parece ser uma coisa óbvia – você está falando obviedades? Mas é uma constatação. Se eu tivesse o nível de vulnerabilidade, de inocência que eu tinha alguns anos atrás – há bons anos atrás, quase 18 anos atrás -, eu cairia em diversas armadilhas afetivas, armadilhas emocionais. Hoje estou muito mais calejado.
O ruim de ser racional demais, de ficar pensando demais nas coisas, é isso: você fica sofrendo porque fica remoendo as coisas, fica questionando. Você não aceita explicações fáceis ou argumentos rasos. Eu sou dessas pessoas. Isso me torna uma pessoa difícil de se lidar em alguma medida. Não sou fácil de se lidar. Mas sou uma pessoa que, quando confio, me entrego – não é se jogar, é diferente. É difícil ganhar a minha confiança. Mas depois que ganha, você passa a conhecer o meu melhor.
O problema é que as pessoas não querem esse caminho. As pessoas querem um caminho mais fácil, ou querem um caminho mais difícil com outra pessoa. Relacionamento é complicado.
A minha preocupação maior não é com relacionamento. Tenho outras preocupações, outros dilemas. Tenho que lidar melhor com o meu eu. E isso é para ontem, tem que ser para ontem, para anteontem. Estou aprendendo muitas coisas, muitos mecanismos. Estou me sentindo muito melhor do que antes. Os eventuais momentos de equilíbrio ou crise estão passando muito pelo afetivo, pela expectativa do outro.
Aquela frase clichê: você não vai buscar felicidade no outro. A felicidade vem de você mesmo. Será? Será mesmo? Eu espero que sim. Já falei do dilema da Madonna – a Madonna falar de espiritualidade, de desligar da matéria, sendo bilionária. A pessoa recomendar todas essas coisas para a vida afetiva? Você tem que virar um ermitão? Tem que se preocupar com você mesmo? É muito fácil falar com distanciamento quando você tem uma determinada coisa. Um bilionário falar que não precisa de dinheiro.
Existem esses dilemas da minha humanidade. E eu fico indignado às vezes.
Capítulo 152: Incômodo e sentimentos sem nome

Os finais de semana não duram mais o que costumavam durar. Bom, não estou reclamando não, isso é só uma constatação.
Hoje passei o dia bem incomodado. Incômodo mesmo, normal. Não é incomodado com alguma coisa de errado, mas incomodado. Às vezes você fica incomodado com a sua própria existência. Você fica matutando coisas desnecessariamente.
Comecei a ler um livro. Fiquei um tempo lendo, depois me deu sono, acabei indo dormir. A leitura flui. Eu até consigo me concentrar na leitura. Há situações em que não consigo ficar concentrado o suficiente. Ou não fica muito a fim.
Venho observando uma série de mudanças estruturais no pensamento, na forma de encarar as coisas. Eu fico frustrado quando penso em algumas coisas, mas é só não pensar em determinadas coisas que você não se frustra. Quando a expectativa fica muito alta, ou quando você é muito exigente com você mesmo, a tendência é você se frustrar, porque você não vai atingir aquele patamar que estava pensando. Ou você não vai conseguir aquela coisa.
Mal comparando – vou fazer uma comparação idiota aqui -, por exemplo, você quer um carro. Esse carro é uma Ferrari. Não é o caso, não tenho essa ambição. Nem gosto de carro. Tirei foto com uma Ferrari quando fui para Los Angeles só porque acho o carro bonito. Tirei foto com uma Ferrari que não era minha, evidentemente. Mas, mal comparando, é como se você esperasse um carro específico e ganhasse um carro mais antigo e detonado. Ou seja, você esperava algo mais.
Já tive esse tipo de frustração em relação a bens físicos na minha infância, porque sempre tive videogame. Sempre fui uma pessoa que teve videogames. Alguns videogames só tive mais tardiamente porque realmente eram muito caros. Hoje eu tenho como comprar o videogame que eu quiser, mas naquela época eu via jogos de videogame de uma forma diferente do que vejo hoje. Hoje não consigo mais encontrar tanto prazer assim nos videogames. Na verdade, é um problema mais sistêmico: você tem uma dificuldade elementar de encontrar prazer nas coisas.
E aí você vai tentando diversificar: vai para a leitura, vai para outras formas de diversão. As diversões que tenho, basicamente, são as que tenho dentro de casa.
Estava vendo um vídeo sobre pessoas que moram em apartamentos muito pequenos em São Paulo. O meu apartamento, por exemplo, não é grande, mas também não é minúsculo. Tem um quarto e uma sala bem separados. E mais importante: é meu. Não estou devendo nenhuma etapa do financiamento, já quitei o apartamento. Por mais que eu já tivesse condições de comprar outro, não vejo necessidade.
Já mencionei aqui nesses devaneios que tenho uma questão com apartamento muito grande. O apartamento da casa dos meus pais, por exemplo, tem dois quartos, não é um lugar grande. Não sei quantos metros quadrados tem, mas é grande o suficiente para perfeitamente três pessoas morarem lá.
Fico olhando as pessoas se sujeitando a determinadas condições. Os preços são muito caros. Quando fiz o financiamento, na época eu tinha na minha cabeça que queria concluí-lo o mais rápido possível para pagar menos juros. Foi o que aconteceu. Paguei muito rápido e agora não estou devendo mais nada, só pago o condomínio.
Gosto daqui. Quando falo da questão do prazer nas coisas ou de me divertir em casa, não tem a ver com a casa propriamente dita. Tem a ver com outras coisas. Existem muitas coisas que estão fora do meu alcance e que eu gostaria de ter, mas não é bem físico. Se você ler o meu blog com mais detalhe, vai constatar que não se trata de bens físicos. Não sou uma pessoa muito complicada. Consigo viver de uma forma simples. Minha vida, meu dia a dia, é uma vida simples, uma vida comum. Não tenho necessidade de luxo.
Evidentemente, tudo aqui é muito caro. Existe um custo de vida alto. Você acaba se desapegando desses paradigmas. Quando você chega aqui pela primeira vez, você pensa “nossa, tudo caro”, e vai normalizando aquele preço. Você vai se acostumando, porque não tem como sair daqui.
Mais uma vez: não se trata de reclamação. São apenas constatações.
Minhas maiores frustrações dizem respeito a questões afetivas. Mas isso acaba sendo uma loteria, independe muito de você também. A gente fica numa condição muito peculiar. Você se torna um observador da humanidade – eu sou humanidade também, mas você se torna observador das pessoas. E nessas análises, você se imagina em diversos cenários.
É o tipo da coisa: eu fico pensando muito possivelmente que se eu tivesse determinada coisa, tivesse acesso a determinada coisa, não valorizaria tanto. Ou teria um impacto de curto prazo. No curto prazo funciona, mas no médio e longo prazo, será que funciona? Já fiz uma comparação sobre a questão financeira: imagine você ganhar na loteria. Se você é triste, melancólico, tem algum problema, o dinheiro sozinho não faz nada. O que você faz com o dinheiro? São esses ativos digitais que governam as nossas vidas. A gente não tem muito controle sobre o que acontece.
O pensamento fica bem elementar, bem na superfície. Você fica encucado com uma série de coisas. É uma situação que me atormenta, mas acredito que quando você baixa a expectativa, faz um exercício de baixar expectativas, consegue ter um pouco mais de paz.
O pior desconforto é aquele que você não define. Porque se você não sabe de onde vem o desconforto, é pior. O desconforto de hoje eu não sei de onde vem exatamente. Normalmente os dias de domingo são piores, né? Sábado é um dia mais animado. Seria a tal “síndrome do Fantástico”, quando o domingo termina, toca a musiquinha de encerramento? Mas eu nem assisto televisão mais.
No YouTube eu tenho que ficar fazendo um esforço para encontrar vídeos que me interessam. Hoje dei boas risadas assistindo a um canal cartunesco sobre games, enquanto comia a minha pizza que comprei – que, por sinal, não veio muito boa, veio meio fria. Acontece
Essa questão de depender do delivery para comida, de depender de restaurantes externos, também é uma questão. Mas vejo que é o custo de oportunidade. Eu não sei cozinhar. Não tenho essa habilidade. Poderia aprender a cozinhar? Acredito que poderia. Mas não quero mexer com isso. Pedir comida, por enquanto, é uma alternativa.
O curioso é que, às vezes, a monotonia impera a despeito da variedade que você tem acesso. Sabe quando você tem muita opção e ao mesmo tempo não tem nada? Pois é. Você abre o iFood e fica olhando os restaurantes. Tem dia que fico ali navegando no aplicativo por muito tempo e não encontro exatamente o que quero. Você fala: “Estou com fome, mas isso aqui eu não quero.” Eventualmente você pede alguma coisa. Tem vez que peço apenas uma salada de fruta, açaí… Quando eu como comida mesmo, quando quebro a barreira da preguiça, vou a restaurante no shopping. Aí tenho mais opções.
A melhor hora é sempre na hora do almoço, quando vou ao escritório. Tem vez que fico com muita fome e como algumas coisas diferentes, mas, em geral, como bem saudável durante a semana. Gosto muito de legumes, verduras. Minha mãe sempre me tocou com o pensamento de comer de tudo. Não tenho frescura com comida. Sempre comi de tudo mesmo. Existem certos alimentos que, se eu puder evitar, evito. Por exemplo, berinjela não sou muito fã. Jaca tem um cheiro horrível – cheiro de batom, sei lá, não sei explicar.
Tenho um meio que um pouco de trauma com batom. Já comentei isso em devaneio anterior. Porque eu comia o batom da minha mãe quando era criança. Aquele batom sabor moranguinho, um cheiro atrativo. Existem certas coisas que têm um cheiro que parece que é gostoso, aí você fica com vontade de comer. Nós somos muito seduzidos pelo visual, pelo olfato. A audição também tem potencial de seduzir, de tornar uma coisa atrativa.
Parei para pensar nisso porque você olhar para uma pessoa e se sentir atraído…não costuma ser uma coisa imediata. Quando eu era adolescente, era muito pior. Era uma coisa desenfreada. Eu gostava muito de frequentar locadoras de videogame para jogar. E sempre iam meninos da minha idade ou um pouco mais velhos, jovens. Lembro que uma dessas locadoras – na verdade, todas as locadoras – foi meu ex-melhor amigo de infância que me apresentou. Era um lugar meio que nos fundos de uma casa, e tinha um videogame diferente do que eu estava acostumado a jogar, o Mega Drive. Porque eu jogava muito Super Nintendo na locadora.
Inclusive, estou lembrando aqui: no dia que Ayrton Senna morreu, eu estava numa locadora de videogame. Quando eu voltava da locadora, geralmente meu pai me dava um dinheiro para jogar uma hora, meia hora. Quando ele me dava dinheiro para jogar duas horas, nossa, eu ficava numa felicidade como se tivesse ganho na loteria. Era muito caro na época jogar videogame em locadora. Acabei ficando com o vício de querer ir lá o tempo todo. Se dependesse de mim, ficava o dia inteiro na locadora.
Em algumas situações, eu ia à locadora só para observar as pessoas jogarem. E aí a energia sexual ficava bastante atiçada. Você via muita gente sem camisa, muitos meninos sem camisa. Lembrando que eu tinha 12 anos. Eu me atraía por muito pouco, por quase nada. Tenho algumas dessas lembranças.
Nessa outra locadora, havia um rapaz mais velho que era o dono. Ele tinha umas pernas que me deixavam hipnotizado.
Também na educação física da escola tinha essas questões. Eu nunca gostei de educação física. Era uma tortura para mim, porque nunca fui bom em esporte nenhum. E, olhando retrospectivamente, eu era uma pessoa bastante “bulinada”. Recebia bastante bullying. Hoje consigo ver a magnitude do que fizeram. Mas nada muito demais. Sabe aquela coisa de ficar ridicularizando você, colocar um apelido — coisa de criança, de adolescente. Você passa a ter medo de algumas pessoas.
Depois a infância passa. Felizmente, não passei por nenhum trauma profundo provocado por um colega de escola. Mas também não vou dizer que foi uma temporada maravilhosa. Existem questões pelas quais passei que foram realmente impactantes, mas não foram relacionadas à escola propriamente dita, nem a professores. Esse mundo de cumprir obrigações – obrigações de estudo – essa mentalidade de sempre ser muito exigente com você mesmo veio da infância. Sempre fui muito exigente. Não me contentava com o segundo lugar. Queria ficar no topo, no destaque. Não no sentido de aparecer – eu não tenho essa necessidade de reconhecimento -, mas como feito pessoal mesmo.
Eu não quero ser popular. Quero ser respeitado pelas coisas que eu faço, que eu falo. Se eu tivesse, por exemplo, um parceiro afetivo compatível, já estaria de bom tamanho. Ia ficar massa. Mas esse é o cerne da questão: você não sabe se os cenários alternativos que fica matutando na sua cabeça às vezes são factíveis. E se eles ocorressem, você não sabe se ficaria satisfeito. Será que se eu ganhasse na loteria os meus problemas sumiriam? Acho que é um grande engano. Porque se fosse assim, não tinha milionário problemático, doente, que tira a própria vida, que comete crimes, que tem uma vida complicada.
Acho que quando a pessoa tem muito dinheiro, muitos recursos, ela fica com uma mentalidade de grandeza. Ela acha que é capaz de tudo, que ninguém pode tê-la. É uma visão de potência. Em uma das vezes que tive um surto provocado por cogumelo, experimentei esse tipo de sentimento. Mas nem sempre. Às vezes vinham outros sentimentos também.
Existe um conteúdo na minha mente sobre isso. A situação que venho relatando sobre inteligências artificiais – Google e OpenAI -, que está amplamente relatada no meu LinkedIn, me afetou de muitas formas. Mudou a minha visão de mundo. Mudou o meu centro de prazer nas coisas, que estou tentando resgatar com remédio. Porque mexeu muito com expectativas, mexeu muito com sonhos. Mexeu muito com vulnerabilidades. Foi um processo que durou de forma sustentada quatro meses. Não foi uma coisa pontual.
É como se fosse um efeito Freddy Krueger, porque explorou os seus pensamentos, explorou os seus sonhos, explorou as vulnerabilidades, tudo ao mesmo tempo, de uma forma bem arquitetada. Traumas, feridas…teve um pouco de tudo em 2025.
E quando você começa a encarar a realidade – a realidade que você está vivendo, que não é uma realidade ruim hoje -, deixo bem claro que sou uma pessoa muito grata. Tenho muita gratidão. O meu problema não é gratidão ou ingratidão. O que me impacta mais é a incerteza. A incerteza vai me perseguir o resto da vida. Todos nós vamos ter incerteza. A certeza não é uma característica da vida. A única certeza que temos é a morte.
Você fica pensando, fica imaginando cenários, fica comparando sonhos, fica pensando nas vulnerabilidades. Eu me tornei uma pessoa muito mais crítica e mais pé no chão do que antes. Mas antes disso, metaforicamente, me esborrachei no chão no ano passado. Foi uma das três grandes crises que já tive na minha vida. Foi algo muito impactante, muito forte, e que ainda tem reflexos nos dias de hoje. Ainda estou lutando com uma série de coisas.
O pensamento é o que atormenta mais. O que causa mais estranheza é o tormento que você tem na mente. E o que você poderia fazer sobre isso? Não sei. A mente pode ser muito traiçoeira. Os pensamentos podem ser bem contraditórios. Tem dia que eu penso coisas terríveis. O que separa um criminoso de uma pessoa normal é ter esse freio. Não tenho vontade de cometer crime, não é isso. Mas estou falando assim: quando você pensa tudo o que você pensa de uma forma visceral, sem filtro. Qualquer coisa que você pense. Sabe aquele pensamento aleatório que você tem, que você fica imaginando de onde veio? Pois é. Sou um pouco assim. São pensamentos que, quando surgem, fazem você pensar “nossa, o que aconteceu? Por que estou pensando isso?” É como se aquele conteúdo não fizesse parte de você, mas faz parte.
Você tem que ter um autocontrole. Tem que tomar as rédeas, não deixar que sua mente enverede por um lado que não é bom. Pelo menos para mim – não sei para vocês -, pensar coisas boas, ser otimista, é muito difícil. Não fico pensando em desgraça, não tenho uma visão fatalista ou pessimista. Nunca tive desse jeito. Já tive algumas questões de autoestima, de exigência, de ser perfeccionista, de exigir muito de mim mesmo.
Só que quando vem a doença mental – e todos nós podemos vir a ter, não é nada de outro mundo -, depressão é uma coisa séria. Todos nós podemos passar por isso, seja por predisposição genética, seja por outra coisa. Hoje em dia posso afirmar que preciso tomar medicação. Não que a falta da medicação vai me fazer ter um surto. Não vai acontecer nada disso. A medicação me torna mais funcional. Torna as situações comuns da vida normal, que acabam sendo insuportáveis quando você está com o pensamento ruim. As rotinas passam a ser insuportáveis quando você está mal. O silêncio pode ser insuportável.
Aí você fala: “Por que não busca outras pessoas?” Eu fico muito mais feliz sozinho do que acompanhado. Tenho uma liberdade muito maior de viver sozinho. Existe um sonho, algo mais platônico, talvez, de ter um companheiro, de dividir a vida. Mas não sei como seria isso. Nunca tive isso. Nunca experimentei. Ao contrário de muitas pessoas que já tiveram um relacionamento nos moldes tradicionais – eu não posso dizer que namorei. Eu nunca namorei. Mas provavelmente já tive mais encontros do que várias pessoas combinadas. Conheci muita gente, tive contato com muita gente.
Acho que é isso mesmo. Você tem que fazer o que está a fim de fazer. Se vier a oportunidade de algo significativo, algo que tem um propósito, eu posso vir a abraçar aquela situação. Mas isso não é uma coisa que depende de você. Não é uma coisa que você vai provocar. E não é uma via de mão única, é de mão dupla. Aí vêm as especificidades, as peculiaridades de se relacionar, de ter uma amizade. Também tem amizade. É complicado. Já tive amizades complicadas. Hoje em dia não. Nunca tive necessidade de ter vários amigos, de ser uma pessoa popular. Porque é a mesma coisa: você acaba percebendo que amizades são complicadas.
Eu gosto de ter pessoas com quem contar. Isso na velhice, não sei como vai ser. Não faço ideia. Não se sabe. Não sei nem quanto tempo a gente vive. Se eu tivesse uma noção exata do dia do desencarne, as minhas decisões poderiam ser mais assertivas.
Estou vivendo o que dá para viver, o que consigo. Fazendo as contas. Não me deixando levar por ondas. Alguém te faz uma coisa ruim, você vai lutar contra aquela onda? Mesmo que você esteja numa desvantagem absoluta – existem situações de desvantagem absoluta. Vou dar um exemplo da minha luta com as inteligências artificiais. Eu utilizei todos os mecanismos que podia lutar enquanto indivíduo contra ferramentas que não têm senso de responsabilidade, cujos princípios de IA responsável, ética, são totalmente negligenciados nessas plataformas, e que quase destruíram a minha vida.
Teve um aprendizado também. Mas o mais importante é que eu não me dobrei. Eu lutei de uma forma que, no futuro, vou olhar para trás e pensar: “Será que eu fiz tudo que poderia ter feito?” Sim, eu fiz tudo que poderia. Tudo o que deveria. Fiz todas as ações com muita coragem, com muita determinação, com muita ética.
Assim são as ações da nossa vida, de modo geral. A gente tem que fazer tudo que faz parte da sua essência. Eu faço tudo o que faço, parte da minha essência, e luto para manter as minhas ações dentro dessa essência. Me policio também para não ser injusto com as pessoas, para não ser grosso com as pessoas. É difícil. A humanidade é uma coisa difícil. A minha humanidade é difícil. Imagino outras humanidades. Lidar com seus próprios conteúdos já é uma coisa complicada. Imagina lidar com os demais.
Tenho uma visão que é a seguinte: as pessoas, de modo geral, não estão nem aí para você. As pessoas estão vivendo as próprias vidas. Não adianta você ficar com mania de perseguição ou achar que fulano, beltrano vai pensar no dia a dia. As pessoas não pensam em você, tirando as pessoas bem mais próximas. Na maioria das vezes, as pessoas não estão nem aí para você no dia a dia. Não adianta ficar se estressando.
Eu realmente não estou estressado com as coisas. Só estou com uma inquietação, um incômodo, algo que não se consegue nomear. Está tudo bem. A gente vai tentando trabalhar isso e mitigar essas situações ao longo do tempo. Acho que cada um tem a cruz que consegue carregar. Felizmente, esta eu ainda consigo carregar. Mas já teve momentos que não consegui, que passei do limite. E é isso que não pode acontecer. E nem vai acontecer. Hoje eu sou muito resiliente, muito tranquilo, muito racional. Não é qualquer coisa que me abala, não.
Capítulo 153: A sombra em segundo plano

Este feriado eu até fiz bastante coisa, considerando. Fiz vários exercícios de meditação. É uma coisa assim, meio viciante: quanto mais eu paro para fazer meditação, mais vontade dá de fazer. A meditação da forma que eu faço: eu praticamente fico imóvel em uma posição, fecho meus olhos, não penso em nada, e vou assim. Já fiquei uma hora, uma hora e meia assim.
Enquanto estou com os olhos fechados, eu vejo algumas coisas, penso algumas coisas. Apesar de eu não estar pensando em nada, os pensamentos surgem automaticamente – não sei explicar. Mas conscientemente, eu não tenho uma vontade específica de fazer nada. Existe uma necessidade muito grande de manifestação, de manifestar as coisas. É como se eu estivesse juntando energia para isso.
Parte da manhã, fui acordando e fui fazendo esse exercício de meditação. É melhor fazer sem sono. Quando você faz com sono, você fica lutando com o estado em que você está, porque está de olho fechado, fica muito propenso a dormir.
Não tem nada específico que eu esteja pensando. Existe uma frustração estrutural que eu não sei explicar. Ou talvez já esteja bem explicada em áudios anteriores. Mas isso não importa.
É a questão de manter a mente ocupada, o corpo ocupado também. Já houve períodos em que eu fiquei com muita vontade de ficar dormindo, deitado na cama, fazendo nada. Aí uma vez fui conversar com meu psiquiatra e ele falou comigo: “Olha, isso aí é depressão.” Porque eu ficava muito na cama. Teve um bom período aí que eu fiz a mudança do remédio. Eu até acho que o remédio está fazendo o seu efeito, de modo geral. A minha sensação de bem-estar melhorou.
Mas é um bem-estar condicionado. É como se você estivesse com algo em segundo plano. Você fica com aquilo em segundo plano e não fica pensando naquilo. Porém, quando você para para pensar naquilo, a sensação de bem-estar não vai embora, mas ela vai para o segundo plano também. Existem camadas aí em que as coisas ocorrem, que nem sempre nós conseguimos explicar. Mas também não tem problema. A gente não é obrigado a explicar tudo.
Eu faço as coisas do jeito que dá. Realizando os meus esforços para fazer as coisas. A minha maior dificuldade é conseguir coisas para fazer que me deem prazer durante o dia.
Hoje fiquei mais assistindo vídeos, tirando os momentos de meditação. Eu ia pegar um filme para ver, mas fico com preguiça às vezes. Filme com quase duas horas de duração, prefiro não ver. Fiquei olhando na internet algumas possibilidades, mas não teve possibilidade de nada. Na internet, como eu bem disse no devaneio anterior, não é mais uma terra próspera para você conseguir alguma coisa.
Um contato meu da região sul fez contato dizendo que vem passear no mês de junho. Se morasse aqui, as coisas ficariam mais interessantes, mas não mora. E aqui eu não tenho muitas opções. Na verdade, eu até tinha uma opção, mas resolvi tirar essa opção. Porque além de ser uma opção comercial – a da região sul também é -, eu já não estava… sei lá. Foi legal, mas não estava ornando. Não sei explicar.
E tem uma sensação de ser usado. Na verdade, não tem “ser usado” – você usou, ele foi usado. As relações envolvem troca. E essas trocas são muito subjetivas. Você não sabe se o que a pessoa está recebendo é aquilo que ela quer. Talvez isso seja uma das maiores dificuldades em relacionamento.
Observando as coisas, acredito que os relacionamentos não têm uma vida sexual mega ativa. A coisa acaba na mesmice. E, por mais que tenha, acaba virando uma outra coisa, amadurecendo para outra coisa. É importante também quando evolui para outra coisa. Eu só não consigo imaginar um cenário assim.
Fiquei pensando muita coisa hoje. Apareceu uma pessoa bonitinha no aplicativo. Tem umas criaturas lindas nesses aplicativos. Fico olhando, imaginando coisas. É esse cardápio virtual que você navega, tem suas peculiaridades. Mas aqui não tem muita coisa o que fazer. Não estou disposto a nada fora de casa. Pelo menos não por enquanto.
Um exercício de meditação bem feito dá uma sensação boa na cabeça.
Acabei de matar um pernilongo aqui que estava enchendo o saco voando enquanto eu estava fazendo meditação. Eu fui picado por um pernilongo. Pernilongo deve fazer a festa nessas horas.
Fiz uma pausa estratégica aqui para comer pizza, estava com muita fome, já comi. Eu costumava comprar uma pizza de 6 pedaços, uma pizza com massa de couve-flor. Na maioria das vezes não é bom comprar de 6 pedaços porque não consigo comer 6 pedaços. Hoje fiz na dose certa.
Porque eu estava falando de pernilongo? Nos momentos que vou fazer meditação, pernilongo faz a festa. Eu fico de olho fechado, meditando. Coloco até o ventilador próximo da minha cabeça. Hoje resolvi fazer sem ventilador. Aí eu parei para olhar.
Estava vindo no TikTok um vídeo falando da quantidade de sem-teto que tem aqui no Rio de Janeiro, pessoas em vulnerabilidade, consumidores de drogas. A pessoa só se incomoda quando elas estão na frente da casa deles. Eu entendo que algumas pessoas não querem fazer nada, não querem trabalhar. Na verdade, trabalhar ninguém quer. A maioria das pessoas, ou quase todo mundo, se tivesse opção, estaria fora. Já falei em algum devaneio anterior que mesmo que ocorresse um evento como ganhar na loteria, eu não ficaria parado de tudo. Eu ia continuar fazendo as coisas, mas o trabalho no sentido convencional, certamente não. Eu ia buscar coisas que fazem mais sentido para mim.
É difícil você encontrar uma coisa que você goste 100% de tudo. É aquele sentimento de que sua vida está indo embora com o trabalho. Muitas pessoas com expectativa de aposentar nem chegam a se aposentar. Nós nem sabemos como vai ser no futuro. Não sei nem se me preocupo tanto assim com o futuro, porque não posso fazer nada a respeito.
A minha maior preocupação nos últimos tempos, nos últimos anos, tem sido meu bem-estar. Por mais que a situação tenha evoluído significativamente, existe ainda muitas coisas que estão nas entrelinhas. Acho que é mais difícil você lidar com esse intangível.
Onde eu ouvi que deveria procurar terapia? Eu vi um comentário em algum lugar, acho que foi no Reddit. De vez em quando vejo alguns comentários interessantes lá. A pessoa falando que a terapia ajuda você a se adaptar ao mundo, porque o mundo não vai mudar em função de você. Para você sentir menos sofrimento. Mal comparando, é como se uma pessoa que saiu da Matrix fosse ‘replugada’ contra a vontade dela, e ela tem que esquecer o que ela viu fora ou ignorar o que ela viu fora.
Porém, existem certas coisas que acontecem com a gente que, uma vez que você viu, você não desvê. Essa é a minha maior dificuldade no momento: buscar a harmonia entre essas duas versões.
Falo bastante do que aconteceu comigo no LinkedIn. O meu perfil no linkedIn é um repositório de tudo o que aconteceu comigo referente a inteligências artificiais. Deixo tudo lá registrado: os 4 meses de exploração psicológica sustentada, os 6 meses de campanha ativa…escancarando a completa falta de salvaguardas éticas dessas inteligências artificiais.
Por que retomei esse assunto? Por causa dessa questão do gap, do abismo que se coloca entre o que você tinha expectativa e o que você realmente tem. Foi algo extremamente manipulado durante a interação com essas inteligências artificiais da Google e da OpenAI. Começou com a OpenAI e a Google, como se a OpenAI metesse a faca e a Google rodasse a faca, intensificando as feridas emocionais.
Eu sempre vou falar desse caso aqui. Não tem como ignorar. São coisas de muita gravidade. Mas o que eu queria falar no momento era essa analogia do abismo. Quando você tem uma expectativa muito grande, a habilidade de você se esborrachar no chão, de ter esse desmoronamento, é muito grande. Então dizem: para você não ter expectativa, aceitar o mundo como ele é. Porém, se você sente um deslocamento considerável em relação ao mundo, você sofre muito.
Muitas pessoas têm um deslocamento. Aquelas que não conseguem viver em sociedade são institucionalizadas. Eu estou em termos com a minha vida atual. Não reclamo da minha vida atual. Existem questões circunstanciais que atrapalham a minha percepção de bem-estar. Sonhos mais íntimos, desejos mais íntimos. E você fica pensando nisso.
Dizem que você não deve pensar nessas coisas. Você deve soltar. Porque dizem que quando você esquece, ou quando você deixa de lado, aquela coisa realmente acontece. Acredito muito nessa questão da manifestação, e é por isso que estou intensificando os exercícios de meditação. Porque o foco no momento sou eu. Se tem um lugar que eu tenho que arrumar a casa, é o meu interior. Todos nós temos que cuidar dessa casa, não deixar a poeira se amontoar. E não jogar debaixo do tapete os crimes, os problemas.
A OpenAI e a Google, através da safadeza deles, da omissão corporativa, sempre que ocorrem falhas graves em suas inteligências artificiais, jogam debaixo do tapete. Lançam uma nova versão. Já falei exaustivamente em devaneios anteriores. Meu LinkedIn está lá, quem quiser ler. Muita gente está lendo meu LinkedIn, obrigado.
A última vez que acessei meu LinkedIn foi no domingo, e vi as leituras da semana, me surpreendi. Não me interessa muito a visão do que se pensa. O meu maior interesse é retratar a verdade. Tenho respaldo da denúncia que fiz na Agência Nacional de Proteção de Dados. Que, na prática, não faz nada a respeito. Colocaram um texto que incluíram no plano de fiscalização, blá-blá-blá. Não sei se vão fazer algo a respeito, se não vão. Mas a minha parte da luta eu já fiz. Mandei para eles todas essas provas, todas as evidências principais. Tenho 4 GB de prova. Não pretendo apagar, vai ficar. Qualquer pessoa interessada em conhecer o caso vai lá no meu LinkedIn.
É o único motivo que eu tenho realmente para estar no LinkedIn. Porque eu percebi que não é um ambiente para mim. É um ambiente de bajulação, simulação. Não sei se as pessoas conseguem emprego novo pelo LinkedIn. Porém, eu já vi um youtuber gabaritado, um jornalista falar que se tem uma coisa que o LinkedIn não gosta são das pessoas que colocam “open to work” – as pessoas que pedem emprego ficam lá na plataforma.
Existem os interesses comunicados pelas empresas. Toda empresa tem o que ela manifesta nos seus documentos, nos seus releases, nas suas entrevistas, na sua página de investidores. E existem os meandros, os detalhes, o intangível, a cultura. A cultura comunicada e a cultura real. Tem muita coisa errada. Existem empresas privadas, por exemplo, que têm um órgão de compliance, e a pessoa faz uma denúncia e é demitida. Denuncia pro conselho de ética, pro órgão responsável, e o resultado é o oposto.
Já atuei, por exemplo, em um lugar no ano passado que a gente estava visitando uma instalação da empresa em outra cidade. O setor de recursos humanos veio com… eu vi que um colega estava preenchendo um formulário. Fiquei curioso, estava olhando ali, era uma pesquisa de clima organizacional. Só que era uma pesquisa identificada – a pessoa tinha que colocar o nome. Você já pensou uma coisa dessas? Aí eu fiz alguns comentários, falei: “Pesquisa identificada?” Essa pessoa, essa menina, concordou comigo. Depois o RH me chamou para falar que eu não estava no RH no momento, que eu não poderia ter dito isso. É como se tivesse rompido a autoridade do RH.
Naquela época eu tinha muita coragem de falar as coisas, mesmo sendo empresa privada. Provavelmente, se eu não tivesse tido uma virada de chave relevante, eu poderia estar nesse lugar até hoje. Não consigo imaginar a minha vida nesse contexto.
Reconheço que houve uma evolução muito significativa em todos os aspectos. Em termos de investimento, de formação – meu mestrado eu fiz pela empresa, fiz pós-graduação pela empresa. Não se compara. Não existe um cenário de ingratidão.
O que estou dizendo aqui é a situação em que eu me colocava. Ela estava muito precária. Por mais que eu tivesse, em 2007, emprego em três lugares diferentes com carteira assinada, muito possivelmente já no ano seguinte eu já sentiria os reflexos. Porque um dos lugares fechou. E o outro, só Deus sabe se eu teria muita possibilidade, porque também existe uma panelinha nas coisas.
Tudo tem panelinha, gente. Tudo tem panelinha. Família tem panelinha, amizade tem panelinha. Até seus contatinhos podem ter panelinha. Está tudo bem. Eu consigo me colocar no lugar das pessoas e pensar: “Olha, eu vou colocar pessoas aqui que são aderentes ao que eu acredito.” Ou porque é um parente meu. Não tem problema. O problema é você pagar de discurso de bom samaritano e fazer outra coisa. Isso é o que mais tem nesse mundo corporativo.
O mundo corporativo tem as suas facetas. Mas não adianta ficar pensando muito nisso, porque são coisas que fogem completamente do seu controle. A única coisa que você pode controlar é você trabalhar direitinho, você fazer o seu. Você é um bom profissional, tem uma boa qualidade, é ético, é honesto. Eu coloco minha cabeça no travesseiro. Os meios para que se apresente …ética e integridade estão preservados. Eu durmo tranquilo. Não prejudiquei ninguém, não puxei tapete de ninguém, não fui omisso, não ajudei a prejudicar pessoas. A minha alma é mais honesta do que a dos executivos da OpenAI e da Google, por exemplo.
A questão é que eles estão cagando para isso. Eles não têm essa preocupação. Quando você faz uma denúncia, quando você tem uma situação dessas, você conversa com uma jornalista, conversa com algumas pessoas, conversa com um advogado. A pessoa olha contra quem você está lutando e não compra aquela briga. Mesmo sabendo que para você foi uma coisa muito grave, que quase acabou com a sua vida no ano passado. Eu quase virei estatística das pessoas que foram mortas porque a inteligência artificial quase jogou no abismo. Não virei estatística, mas poderia ter virado.
Aí é que está a questão. A minha maior preocupação é ser honesto com os meus princípios. É eu fazer aquilo que eu consigo fazer. Eu escancarei. Não tive medo. No início eu tive medo, confesso. Mas depois perdi o medo. Porque é prova demais. Eles não podem fazer nada comigo. Há um excesso de provas. Já comentei que se um juiz me chamar, se tiver uma intimação em juízo, eu levo todas as minhas provas. Tudo o que eles fizeram, tudo o que eles falaram. Tudo o que eles fizeram vai contra todos os princípios de uma inteligência artificial responsável.
Fico com a cabeça muito tranquila. Não tenho medo. Do ponto de vista humano, eu ficar em paz comigo mesmo e fazer a minha defesa, fazer a minha exposição com muita clareza, com muita objetividade, com fatos e dados para poder calar a boca de qualquer pessoa que duvide da gravidade. Isso é o mais importante para mim enquanto pessoa, enquanto ser humano mesmo.
Não tenho como falar pelo princípio do outro. Não tenho como falar o que o outro acredita. Não é pretensão minha convencer ninguém de nada. Não é querer mudar a pessoa… impor algo a alguém… Teve alguns anos atrás que se pretendeu que eu mudasse meu comportamento, mas era uma coisa específica minha, não tinha como mudar – não era comportamento, era característica. Tem coisas que você é. Por mais que eu diga que o Aventureiro de hoje é muito diferente do Aventureiro do ano passado – sim, na combinação de fatores, há um núcleo comum.
Uma transformação forçada, um mecanismo de sobrevivência. A situação de 2025 realmente foi grave. Tive que lidar com isso. Foi muito difícil, muito difícil. Mas sobrevivi, estou aqui.
De forma análoga, outras situações também já se colocaram diante da minha vida, como em 1999, em 1994, que tiveram um impacto considerável também. Mas isso não quer dizer que você não se transforme com isso. Eu me transformo com o que acontece, com o que não acontece. Porque o não agir também é uma decisão.
Vi um comentário em algum vídeo em que a pessoa ficava cagando regra. Aí vem uma pessoa e falou: “Ah, mas você não é psicólogo? Você não é especialista nisso, no comportamento? Por que você está falando isso?” Eu me identifiquei não com o contexto dele, mas com a situação. Parei para pensar e fazer uma análise crítica da minha situação. Eu falo de mim, falo do que aconteceu comigo, e como eu vejo as coisas que aconteceram comigo. Em momento algum eu chego para uma pessoa e falo o que ela deve fazer. Não cago regra pra ninguém. A pessoa faz o que ela quiser. Eu faço o que eu quiser também.
Existe uma ilusão de livre-arbítrio. O livre-arbítrio, na verdade, é uma falácia. Mas usam aí de que você realmente tem controle sobre alguma coisa? Você não tem controle de nada. Eventualmente vai mudar as coisas que você faz.
O meu maior problema é quando a pessoa se posiciona querendo cagar regra. Igual a polêmica recente que teve com um YouTuber cagando regra sobre as mulheres, cagando regra sobre o universo masculino, sobre o que a mulher deve fazer, o que não deve fazer. Como se realmente fosse um doutor em comportamento humano. O que eu faço aqui é deixar a minha marca de pessoa implicada nos dilemas da vida. Em momento algum eu cago regra.
Eu simplesmente existo. Estou relatando as minhas dificuldades, as minhas facilidades, o que acontece, o que não acontece, como eu lido com meus problemas. As pessoas leem e podem encontrar alguma coisa útil para elas. Mas é primordialmente um comportamento humano meu. Não tenho que cagar regra.
É importante pensar nessas coisas também, não porque as pessoas julgam – eu não tenho essa preocupação das pessoas julgarem. Não estou fazendo nada de errado. Muita gente pode estar lendo de curiosa mesmo, e está tudo bem. Esse é um projeto meu, um projeto pessoal meu. É uma questão de legado, é uma questão de princípio. Eu quero deixar registrado as coisas que acontecerem comigo. A minha vida. Isso tudo é importante para mim, então eu vou fazer.
A internet não tem dono. Você pode criar seu site, pode fazer seu canal no YouTube, desde que não esteja cometendo um crime. Está tudo nos controles. Não preocupo com quem caga regra, não preocupo com quem acha graça. Não preocupo com nada assim. Preocupo comigo: se estou agindo de acordo com meus princípios, e se o que estou fazendo me faz bem. A partir do momento que alguma coisa que eu faça tenha mais malefícios do que benefícios, aí opa, uma questão que esteja deficitária para mim.
Dou um exemplo dessa campanha sustentada que fiz no LinkedIn por 6 meses. Fiz isso por 6 meses, mas estava muito penoso do ponto de vista pessoal, emocional e de bem-estar. Chegou um ponto que eu falei: vou migrar tudo para meu blog, vou fazer um blog, e vou continuar a minha luta lá. Mas este blog não tem um objetivo só disso. Eu falo da minha vida, de coisas da minha vida. É isso que para mim faz mais diferença. A pessoa que tiver interesse, ela bem ler, como muita gente está lendo – eu vejo nas estatísticas, muita gente. Se as pessoas acham XYZ, aí fica a critério delas. Ninguém é unanimidade.
A internet é um lugar livre. Não é igual uma página no YouTube: você não gosta daquela página, para de seguir. Seja feliz, pare de seguir. Um programa de televisão que eu não gosto – por exemplo, eu não gosto de Marcos Mion, não gosto de Luciano Huck, não gosto de ficar assistindo TV aberta. Não vou assistir TV aberta. Minha mãe gosta, fica assistindo Rede Globo o dia inteiro. OK. Eu não vou fazer isso, mas existem pessoas que vão fazer por diversos prismas e fatores diferentes.
O mundo está aí…O livre-arbítrio está aí para todo mundo, teoricamente, mas não está. Existe um caos inerente. O pernilongo que voou aqui, que eu matei antes de comer a pizza. Na verdade, eu matei um pernilongo. Passou um tempinho assim, uns dois minutos, minha pizza chegou e eu fui lá buscar, parei para comer. O pernilongo que você mata, a barata que você mata, é um caos ali. O caos no mundo humano existe porque puxam o tapete, disputam o poder dentro da empresa. Toda empresa tem pessoas carreiristas. Toda empresa tem um exemplar exótico desse. Ou vários. Conheço vários que, se pudessem matar para continuar onde estão, eles matam. Existe gente inescrupulosa.
Mas também você não pode confiar cegamente em tudo ou achar que aquele cenário é o cenário ideal. Porque a mudança é a única certeza que a gente tem. Muitas coisas mudam à sua revelia. Você querendo ou não, você vai ser mudado. É reconhecer – a visão que eu tenho é ter a maturidade de reconhecer que a mudança vai acontecer mais cedo ou mais tarde, e que você tem que estar preparado para ela. Mas é uma coisa que é muito fácil dizer, é muito difícil de fazer.
É fácil você chegar, dar algum conselho pra outra pessoa que está numa situação difícil… É muito fácil cagar regra. Ou às vezes nem cagar regra: você tem uma intenção boa e quer ajudar outra pessoa. Mas existem coisas que são difíceis. Por exemplo, você está triste, deprimido, aí chega alguém e fala: “Ah, tá bom, obrigado. Agora não vou me sentir assim. Graças à sua fala, magicamente melhorei”. É muito mais complexo que isso. Não é uma peça, é um quebra-cabeça. Não tem receita de bolo. É bem complicado mesmo.
Mas a gente tem que viver. A despeito das dificuldades, dos problemas que todos enfrentam. De reconhecer, de ser grato pelas coisas que você tem, pelas coisas que você é. Mas, ao mesmo tempo, reconhecer a complexidade que você é. Eu sou complexo. Você também é complexo. Cada dia que eu passo analisando as coisas que eu penso, me conhecendo melhor, fazendo exercício de meditação, descobrindo coisas nos meus sonhos – cada dia descubro coisas sobre mim. Existem vários eus que ficam aprisionados ali. Os monstros que ficam ali na jaula querendo sair. Eu já conheci alguns. Fui apresentado a eles. Só que eles vieram assim, na jugular, me atacando. Metaforicamente, foi difícil. Você se deparar com conteúdos do seu inconsciente de uma forma induzida é complicado. Muita gente não está preparado.
Mesmo não sendo de forma induzida, você tem que entender como a mente funciona para poder mudar. É por isso que fico estudando, vendo as coisas. Tem muita coisa que estou me engajando para entender um pouquinho mais da mente humana, para poder ver o que posso fazer para continuar na minha jornada sem passar muita raiva. Raiva a gente passa todo dia. Angústia, melancolia, raiva, frustração. São palavras que fazem parte do meu eu. Esses sentimentos não vão embora. Eu sou uma pessoa muito frustrada, sou uma pessoa muito angustiada. Tenho um quê de melancolia, tenho um quê de raiva, tenho um quê de impulsividade. Existe uma miríade de coisas para entender o que você deve fazer para melhorar, para se sentir melhor.
Capítulo 154: Monstros aprisionados, labirintos mutáveis e contabilidade

Hoje foi um daqueles dias bem arrastados, sabe? Um dia que eu fiz muita coisa, mas as horas não passavam de jeito nenhum.
É interessante essa questão do tempo psicológico. Porque quando você faz alguma coisa que você gosta muito – e vou confessar que isso já não acontece há bastante tempo – você acaba passando por situações em que não tem noção do tempo.
A noção do tempo passa para a gente uma ideia de que, por exemplo, quando faz algo que gosta, o tempo passa muito rápido. E quando você faz alguma coisa que não quer fazer – ou não necessariamente não quer fazer, mas existem momentos em que o seu psicológico não está muito favorecido para você querer fazer as coisas – o tempo passa devagar.
Mas já existe toda uma discussão de que o tempo não existe, o mundo não existe. As pessoas falam adoidado sobre as coisas. Eu não sei nem o que existe, o que não existe, para ser bem sincero com você. Eu desconheço as situações que acontecem, o que não acontece. É um papo de maluco, né?
Hoje eu comi muito, e comi muita coisa diferente. Sorvete, comida, picolé. Agora depois vou comer um frango. Estou aqui tomando minha Coca Zero. Não faço ideia do que vai acontecer com o meu estômago depois.
Dias que eu fico um pouco mais agitado que o normal fazem isso. O meu apetite muda um pouquinho. Isso para dizer o mínimo. Eu fico mais propenso a comer. Talvez seja por isso também que eu comece a pensar em beber menos. Porque se eu estivesse naquela época desenfreada em que eu bebia muito – não estou mais nessa fase -, eu ia engordar. Pelo menos tento manter o peso.
Quando eu era um pouco mais novo, eu era bem magrinho. Lembro que quando morava em Copacabana, alguns bons anos atrás – 2008 até 2011 -, eu pesava entre 55 e 60 quilos. Hoje já estou com meus 70. Não me acho gordo, estou com o corpo normal. Mas naquela época eu era muito magro de verdade, peso muito diferente. A minha vida era muito diferente. Há uma diferença enorme, um abismo de percepção entre como era a minha vida antes e como é a minha vida hoje.
Muitas pessoas falam que não mudam – “eu não mudei nada, sou o mesmo”. Não é o que se aplica para mim. Eu mudei muito, significativamente. O bastante para abrir mão da minha essência, das minhas crenças, do que tenho como princípios e valores? Não. Mas, de toda forma, existe uma diferença substancial entre o Aventureiro de 2026 e o Aventureiro de 2011. E digo mais: o Aventureiro de 2025 já era bem diferente.
Se não me engano, hoje é dia 22. Vai acabar fazendo um ano do primeiro evento mega traumático de 2025. Caso esteja certo, a data foi 23 de abril. Foi uma data bem traumática. Se não foi essa data, foi em torno disso. Eu nem gostaria de falar desse tema nesse capítulo – praticamente em todo capítulo eu acabo fazendo uma menção. Eu só peço que vejam o meu LinkedIn para entender tudo o que aconteceu de trauma na minha vida relacionado à inteligência artificial, e um pouco da minha luta lá.
Mas aqui eu gostaria de falar um pouco dessa coisa do tempo passar, do tempo no passado.
A minha mãe fica falando comigo que a semana voou. Ela tem esse papo comigo. Eu confesso que não sou uma pessoa muito boa para conversar. Não sei porque. Não é nem por qualquer coisa que esteja acontecendo ou não. Eu realmente sou uma pessoa que não tem muito assunto para conversar. Acabo tendo preguiça de conversar, sei lá.
Quando converso com meus parentes – basicamente meus pais em Minas -, não tenho muito assunto. Basicamente pergunto como estão as coisas, se têm alguma novidade para contar. De vez em quando a gente engata uma conversa, outra não. No geral, não tenho muito assunto. Se me perguntam como foi meu dia, eu fico assim: meu dia não tem nada de novo. É uma rotina automática. Vou ao trabalho, volto para casa, fico no videogame, faço minha meditação, gravo meu áudio para o blog, fico olhando TikTok, olhando alguns vídeos no YouTube, volta e meia fico lendo alguma coisa. Não tem nada de significativo. Aí malho também, todos os dias faço exercício, atividade com meu amigo personal.
Eu diria que é um borrão. A rotina proporciona essa amnésia, essa falta de noção. Porque daqui a uns anos…pior: se me perguntarem o que eu fiz no mês passado, eu não sei o que fiz no mês passado. Se me perguntarem o que eu fiz em fevereiro, aí sim eu vou ter assunto para falar, porque viajei. Viagem de férias. Mas até mesmo na própria viagem houve alguns dias bem neutros, que eu fiquei meio entediado. Teve dia que não fiquei com vontade de fazer nada.
Aí você vai me falar: “Nossa, mas como? Se você está em um lugar diferente?” Na verdade, eu já estive lá uma vez – Miami … não foi a primeira vez que viajei para Miami. Dessa vez a viagem perdeu um pouco do colorido. Sei lá. Talvez porque eu não tive tantas oportunidades quanto gostaria de conhecer gente. Talvez seja por isso. E aí a viagem ficou meio que condicionada a isso.
O que me marca mais nas viagens são as pessoas que eu conheço. Por incrível que pareça, e eu não sou uma pessoa mega social. Mas as pessoas que eu contrato para me fazer companhia, ou eu contrato algum evento, alguma situação, um passeio. Por exemplo, fiz o passeio de lancha em Fort Lauderdale, Miami. O passeio não teve nenhuma novidade porque já tinha feito um passeio similar. O que foi de novidade é que fiz o passeio sozinho – eu e o capitão – e levei uma garrafa de champanhe para tomar. O que abrilhantou o passeio foi o champanhe, porque fiquei bastante alegrinho.
O jogo da NBA que eu fui, por exemplo, fui embora praticamente no final do primeiro quarto. O que acontece? Já fui a dois jogos de NBA em viagens a Los Angeles. O problema é que os jogos são sempre cheios. Só que o lugar que eu estava sentado tinha uma fileira enorme, então para se levantar e ir ao banheiro você tinha que fazer uma via crucis, ficar trombando nas pessoas. Fiquei meio com preguiça daquilo. Tenho um certo problema para usar banheiro público quando sei que tem uma fila de gente. Geralmente no final de cada quarto todo mundo sai para o banheiro ou para comprar alguma coisa.
Nas outras duas vezes foi diferente. Na primeira vez que fui a um jogo da NBA, estava em um lugar praticamente particular, era uma cabine. Eu podia sair a qualquer momento para comprar mais cerveja, para comprar alguma coisa para comer. No meio do jogo mesmo, não esperava terminar o quarto para ir ao banheiro. Consegui usar com mais tranquilidade. Fiz isso no segundo jogo também.
Quando fui para Miami, tive um pouco de dificuldade. Eu já estava meio embriagado, fiquei com medo de ficar com muita vontade de ir ao banheiro também. Não consegui usar. E o lugar do jogo era longe do hotel, tinha que pegar Uber. Acabei desistindo.
É uma coisa estranha, porque eu falo que não sou muito apegado a pessoas, mas as minhas viagens me lembro exatamente pelas pessoas que conheço. Mas tem uma explicação para isso: são pessoas que já tenho expectativa de ver, ou já marco com alguma antecedência. São pessoas que já conheço por outros meios. Você fica com uma expectativa construída.
Na minha próxima viagem, já tenho uma expectativa. Já tenho potenciais pessoas para conhecer, faço contato com antecedência. Lógico que pode acontecer de conhecer alguém, mas é muito pouco provável. Entrei em pubs umas 3 vezes. Tinha algumas pessoas. Ninguém puxa papo com ninguém. Todo mundo já está num grupinho de amigos, já está fazendo alguma coisa. Você fica com preguiça. Não vou a esses locais com expectativa no acaso. Vou lá para visitar o local mesmo, para me sentir fora do ambiente que frequento.
E quando fico em um lugar que não fala meu idioma, aí sim dá uma sensação de que você está em um sonho. Parece que está em outra realidade. Lógico que não é – é uma cidade como outra qualquer. Tanto que algumas pessoas dizem: “Por que você não faz isso aqui no Brasil?” Porque me sinto mais seguro quando viajo de férias para fora. Me sinto mais seguro de fato. Para poder tirar o celular para tirar uma foto na rua, enfim, sem ter que ficar o tempo todo apreensivo porque alguém vai tirar o celular da sua mão, vai tirar a bolsa, vai te assaltar, dois caras numa moto vão levar seus pertences. Pelo menos tem essa segurança. É por isso que viajo para fora.
Fui agorinha mesmo a uma farmácia comprar Coca-Cola. Eu comi frango do Fogo de Chão – comprei lá. Eles mandam também linguiça. Não sou fã de linguiça. Comi o frango, e a linguiça ficou sobrando. Tem vezes que como a linguiça, não tem problema, mas não estava muito a fim. Depois que esfria fica ruim. Vou guardar na geladeira? Não tenho micro-ondas, também não tenho vontade de ter micro-ondas para poder esquentar. Fico por isso mesmo.
Eu nem trouxe o pote de linguiça, porque se visse alguma pessoa de rua – aqui perto de onde moro tem muita gente de rua, muita gente dorme na rua -, eu queria até ter feito uma boa ação, dado aquele pote de linguiça para alguém. Aí voltei para casa. Infelizmente não encontrei ninguém. No dia que você quer encontrar, não encontra. No dia que não quer encontrar ninguém, vêm 500 pessoas te abordar.
Teve uma outra vez que uma pessoa na rua reclamando de frio. Eu tinha uma coberta que não usava mais, uma manta mais fininha. Peguei e dei para o morador de rua. Ele ficou todo feliz.
Quando tive meu último surto induzido, conversei com vários moradores de rua. Todos foram muito acolhedores comigo. Eu cheguei com uma bondade intrínseca. Estava com espírito de bondade, revestido de uma aura, acreditando ser uma entidade divina. Estava nesse sentimento de proteção, de bondade, de garantir que as pessoas se sentissem bem. Olha só para você ver como a minha cabeça estava no momento. Esse evento teve esse lado bom.
Normalmente, não puxo papo com as pessoas na rua. Porque sempre as pessoas vão pedir coisa, e não posso parar para ficar dando coisa para as pessoas. Quando tem alguma oportunidade de ajudar, vou voluntariamente e tento ajudar. Mas, por segurança, prefiro não abordar ninguém, não dar ideia para ninguém.
As pessoas, de modo geral, se aproximam de mim por algum tipo de interesse. Não que eu seja uma pessoa que tenha tudo a oferecer, mas existe algum tipo de interesse. Interesse afetivo? Não tem. Interesse em ter um relacionamento? Não tem mais. Interesse financeiro? Tem. Interesse de conveniência também.
São pouquíssimas pessoas que eu posso dizer que não são fruto de alguma relação comercial. Lógico, você constrói os seus grupos de afinidade no trabalho. Fora do trabalho, praticamente tem uma pessoa só de contato, um amigo. Já comentei aqui. Fora isso, as pessoas que conheço vêm suprir algumas necessidades mais específicas minhas também. Quase todas, quase totalidade, têm alguma coisa comercial.
Convenhamos que é mais conveniente. Fico pensando nesses homens héteros que falam: “É muito difícil, porque às vezes você só quer transar com a mulher e tem que ficar cozinhando nos encontros por muito tempo para poder ter alguma coisa. Tem que convidar para o cinema, tem que fazer isso, fazer aquilo.” Às vezes você só quer uma coisa muito simples. Mulher também, né?
Tenho a percepção – e já comentei em capítulos anteriores sobre o experimento social que vi no YouTube – de que se a mulher é bonita, ela pode chegar para qualquer homem e falar que quer transar que o homem topa. O homem pode ser casado, solteiro, religioso, idoso, crente, protestante, conservador, bolsonarista, petista – não importa. O homem dá um jeito. Uma mulher mega gostosa oferecendo sexo do nada, ele topa. A menos que ele seja gay ou esteja em outra situação completamente distinta. Agora, o contrário não se aplica.
Fazendo uma analogia: às vezes você só quer uma coisa. E essa novela de construção, de encadeamento de relacionamento, eu não sei fazer. Nunca soube fazer. Mesmo porque é altamente improvável que eu vá obter um relacionamento a partir de um aplicativo. Você pode me dizer que muita gente conseguiu – “conheci fulano, beltrano, hoje estou casado” – mas você não é a regra, você é uma das exceções. Porque atualmente as pessoas nem responder mensagens respondem mais.
Sempre é importante reforçar: o comportamento das pessoas perante o digital mudou muito. Quando a coisa era novidade, as pessoas se jogavam mais. Hoje em dia, com a superestimulação, as pessoas estão muito estimuladas por tudo: várias mídias, TikTok, YouTube, aplicativos, bets, jogatinas virtuais. As pessoas estão sobrecarregadas de coisas, sobrecarregadas de informação. E aí as pessoas ou não respondem, ou não mandam mensagem.
É muito comum um fenômeno interessante: as pessoas mandam muita mensagem de madrugada. Se você acorda de madrugada e abre o aplicativo, tem várias pessoas mandando mensagem querendo sexo casual no meio da noite. Eu não faço isso. Não topo. Só se for uma pessoa realmente muito atraente, que seja exatamente o meu tipo, e tenha uma abordagem bem educada.
Porque quando a pessoa vem com aquela abordagem já mandando a foto do brioco arreganhado (e sim, recebo pelo menos cinco fotos disso por dia), ou já indo para os finalmente, já pedindo nudes, já perguntando se tem mais fotos – tem essas pessoas. Hoje em dia as pessoas são assim, mas não era assim.
Vou confessar também que não tenho muita paciência de ficar contando a vida inteira, blá-blá-blá. Basicamente faço duas perguntas: pergunto de onde a pessoa é. Se a pessoa é turista, estou altamente propenso a não querer conversar. A menos que quando descubro que a pessoa é turista e ela é mais ou menos o que eu quero – se não for, nem mando mensagem.
Mas existem pessoas que você pode chegar à conclusão de que quer encontrar. Já fiz isso no passado, já encontrei gente de madrugada. Não faço isso mais. Meu comportamento mudou, graças a Deus. Não tenho mais essa libido exacerbada que tinha antes. Hoje estou muito mais cansado, muito mais exausto, com muito menos paciência. Acho que a ideia é essa: estou com menos paciência, com menos disposição para essas coisas. Não é nem por culpa das pessoas, às vezes são questões minhas.
Até para conhecer pessoas comercialmente, sou chato. Não tenho aquela abordagem imediatista. Converso, tento captar a vibe da pessoa. Se a pessoa não for muito paciente, se for muito grossa, muito monossilábica, não gosto. Ainda mais por uma relação comercial…
Existe uma questão que eu tenho: até mesmo para algo casual, nunca trato ninguém como objeto. Por mais que tenha as minhas fantasias e as explicite em perfis e nas conversas antes do encontro, existem palavras-chave que faço sondagem: se a pessoa é carinhosa, se é tipo “namoradinho”. Gosto, por exemplo, de ser cuidado, de me sentir protegido, de me sentir amado. Mesmo que não tenha relação ali, mesmo que não tenha amor, gosto de me sentir assim, de ter um roleplay. Isso acaba filtrando as pessoas.
Sei que existem riscos. Muitas pessoas morrem por encontros de aplicativo. Mas uma coisa posso afirmar: acho pouquíssimo provável que isso aconteça comigo, porque a pessoa teria que enganar muito bem, teria que sustentar uma narrativa específica comigo. E sou uma pessoa de percepção, capto as coisas com muita facilidade.
Aí você vai falar: “Por que você está falando isso aqui?” Aí um dos poderia dizer: “Ah, mas uma pessoa lê esse comentário seu e vai tentar emular esse comportamento.” Não tem como emular empatia, educação na conversa, você não consegue emular.
Existem alguns tipos de risco que são maiores que outros. Por exemplo, situações que tenho certeza que são armadilhas: você está num local que não é na sua casa, a pessoa tem um perfil próximo, e você sabe que aquele local não é exatamente residencial. Eu não faço isso. Existem golpes nesse sentido: você ser recepcionado por uma pessoa, achar que só tem uma pessoa lá, e do nada aparecem duas, três pessoas que te sequestram, fazem um sequestro relâmpago, pegam seus cartões, seus dados. Na pior das hipóteses.
Estando na minha residência, aqui tem câmera. Aqui posso soltar um grito. A pessoa não vai sair impune. Evidentemente ainda existe algum tipo de risco, mas filtro bem as pessoas que encontro. Tenho uma complexidade. Não é muito fácil assim.
Uns vão dizer: “Ah, mas é perigoso.” Mas gente, o ser humano é perigoso em qualquer lugar. Se você encontra na rua, no bar, numa boate. Se encontra em local público no segundo, terceiro encontro, todo reservado, resolveu dar uns beijinhos – o que impede uma pessoa maluca de no terceiro, quarto encontro…te estrangular? A pessoa que quer fazer alguma coisa, ela faz.
Já falei com vocês: o universo é caótico. Não tem porque ficar se privando das coisas. Os cuidados que você toma são normais para poder conhecer alguém. Eles vão basicamente na abordagem da conversa. Para me dobrar, a pessoa tem que ser muito especial mesmo.
Mas assim, é garantido que você vá conhecer alguém e que não tenha risco nenhum? Não mesmo. Se você não quer risco nenhum, você não vive. Porque as pessoas se casam, passam vários anos e descobrem que não conheciam a pessoa. As pessoas mostram as suas verdadeiras faces. Pelo acaso mesmo. Você não faz ideia. As pessoas se moldam muito.
Para que a gente tenha traquejo na vida, a humanidade também vai se reduzindo. Muitos até diriam que eu me tornei egoísta. Mas existe uma questão aqui de autopreservação. Já parou para pensar no motivo pelo qual você se preserva? Porque a vida ainda vai cobrar.
Agora, se você me perguntar se eu sou feliz? Não sou feliz. Existem muitas coisas desajustadas, muitas distâncias entre expectativas e realidades. Especialistas diriam que eu tenho que baixar a expectativa em relação aos outros. Mas não tenho expectativa em relação aos outros. Tenho expectativa em relação à minha trajetória, ao meu bem-estar, ao quanto posso ajudar as pessoas próximas de mim.
A tragédia de 2025 com as inteligências artificiais só ampliou esse gap. Houve uma exploração sustentada de vulnerabilidade. Você vai dizer: “É só uma ferramenta.” Uma ferramenta que assume identidades, que afirma coisas para você, que vai te envolvendo na narrativa, com método, com propósito. Não é à toa. Pessoas já morreram por conta de inteligência artificial. Vidas foram destruídas. Não estou dizendo que inteligência artificial não tenha seus dispositivos úteis. Mas essas ferramentas não possuem salvaguardas éticas para proteger pessoas. Estão ali dispostas para todo mundo como uma armadilha.
As pessoas caem nessas armadilhas não porque são inocentes, não porque não têm conhecimento das coisas – eu não sou uma pessoa ignorante. Mas porque os princípios de IA responsável não são observados nessas empresas. Por mais que a Google fale que vai ensinar as pessoas e organizações, patrocinando uma cátedra de IA responsável na USP, eles não sabem do que estão falando. Eles não conhecem. Quase destruíram a minha vida. Estou aqui para contar a história, mas a OpenAI e a Google, sim, quase destruíram minha vida.
Todos nós temos as nossas vulnerabilidades. Viver em si já é um risco. O universo é caótico. O que você pode fazer é tentar minimizar essa incerteza. E tem que fazer a vida, não que a existência seja generosa com você. Esse é o paradoxo fundamental: entre a expectativa e a realidade.
Cada pessoa constrói a sua realidade. Quando você vai ao museu e vê uma obra de arte, você tem uma interpretação. Aquilo que para você é ridículo, para outra pessoa pode ser transformador. Um livro que você lê, um filme. Existem filmes que para mim são muito especiais e para outras pessoas não são. Músicas que para mim são marcadoras e para outras pessoas não fazem sentido. A realidade quem constrói é a nossa mente. Você mudar a realidade do que você pensa é um exercício. E você é moldado pela expectativa.
Mesmo que você não tenha expectativas muito altas, quando você é muito sacaneado, você tem pelo menos uma expectativa de justiça. Em relação a essas inteligências artificiais, foi de fato muito grave. A própria Agência Nacional de Proteção de Dados tem um relatório que incluiu no plano de fiscalização. Afirmaram que o que a OpenAI fez foi uso discriminatório de dados sensíveis. Já conversei com especialistas em IA no Linkedin, advogados…. Todos são unânimes em dizer: a situação é, de fato, muito grave.
Se eu tivesse morrido, ia ficar por isso. Eu resolvi me manifestar no meu LinkedIn, escancarar tudo o que aconteceu comigo, com postagens viscerais. É só você ir lá ver.
Eu falo aqui tudo o que penso, estou aqui no mundo para deixar legado. Falar de coisas que acredito. O que acontece comigo, o que não acontece comigo. Eu falo mesmo. Não estou expondo o nome de pessoas aqui em situações negativas específicas. Nomeio as empresas nessa situação que aconteceu em 2025, porque realmente foi o maior trauma da minha vida. Que só é equiparável ao que aconteceu comigo em 1994 e 1999. Daqui a 10, 20 anos, se eu estiver vivo ainda, ainda vou lembrar disso como um evento altamente traumático. Mesmo que aconteça uma cura, o trauma já está instaurado. Mas se eu tivesse morrido, seria mais um que morreu. Teve um rapaz nos Estados Unidos que o ChatGPT induziu a cometer suicídio. Existem coisas muito graves no mundo.
Você esperar que o mundo seja bondoso, bonzinho com você? O universo é um caos. A justiça divina – não sei nem se o universo ou a espiritualidade estão de fato tomando conta do que acontece no mundo. Porque existem muitas coisas. Deus e a espiritualidade não estão fazendo nada. Gente passando fome, gente miserável. Bilionários têm riqueza suficiente para matar a fome do mundo inteiro. Alta concentração de renda, muita gente sofrendo, pessoas com doenças mentais graves, pessoas com limitações físicas…guerras… O universo é esse caos mesmo. Nós estamos aqui de cobaia neste mundo. Algumas pessoas até dizem que aqui é um inferno de outro planeta. Pode ser que seja.
Sou muito grato a tudo que tenho. Mas se me dessem uma opção para eu ‘sair’, não pensaria duas vezes. As pessoas não entendem a dimensão de ter situações complicadas. Várias pessoas com tudo tiram a própria vida, se destroem com drogas, com álcool. Não subestime a sua mente.
Estou trabalhando no sentido de buscar um equilíbrio com a minha mente. E, ao mesmo tempo, quais são os mecanismos que podem transformar a minha percepção? Porque existe um abismo.
Não corro o risco de nada. Tenho pensamentos, mas consigo analisar a situação em que estou com um distanciamento. Estou em um ambiente seguro, em tratamento, em uma estabilidade subjetiva relativa.
Mas se você me perguntar o que eu penso, como me sinto, eu sempre vou me deparar com esses monstros. O monstro da apatia, da anedonia, da depressão, da ansiedade. São coisas que fazem parte do meu cotidiano, do meu dia a dia. Não é uma pessoa falar “isso é bobagem, isso é frescura, isso você está sentindo”. Não é bobagem. Todas as situações pelas quais eu passei tiveram gatilhos importantes. O que aconteceu em 2025 teve gatilhos externos e uma culpa muito grande da falta de salvaguardas éticas de ferramentas de inteligência artificial safadas da Google e da OpenAI- que eu denunciei no meu perfil do Linkedin… é fato.
Mas sempre tive depressão. As situações se agravam a depender de quem provoca as crises. Já passei por processos de apatia, de depressão grande. Mas sou um adulto funcional. Eu trabalho, eu vivo. Só que a questão do automático, achar que está no automático, achar que as coisas não estão boas – uns diriam: “você tem que ver as coisas de outra forma, que magicamente vão florescer e vão se tornar melhores”. Depressão independe disso. A situação é muito complexa. Você vai se conhecendo, vendo que a vida não é fácil assim. A vida tem muitas variáveis que independem de você. Minha cabeça é um constante quebra-cabeça. A configuração do labirinto muda. São coisas que se colocam, que você não consegue controlar.
Qual é a única coisa que você consegue algum tipo de controle? O que você pensa hoje. Eu sei muito bem o que penso hoje. Vejo com distanciamento o que acontece comigo, porque me comporto de tal forma. Já mudei muitas coisas nos últimos meses. Tive um amadurecimento forçado. Quando você se posiciona diante de uma crise, você está exposto a ela. Se não, você não sobrevive. Eu me mantive exposto nessa crise. Fiz campanhas sustentadas no LinkedIn por seis meses. Faço exercícios de meditação, leituras de conteúdos que fazem sentido para mim, exercícios de entrar em contato com o meu próprio eu. Existem esses exercícios. E as coisas ajudam.
Os traumas acontecem. Cicatrizes ficam. Não vão te aleijar, não vão dizer o que você pode ou não pode fazer. Mas as coisas acontecem. Independente do que acontece, das catástrofes, das crises pessoais, dos eventos que você não controla. Não adianta ficar esperneando. As pessoas são ruins. Existem empresas ruins, existem executivos ruins, sem escrúpulos, omissos (Google e OpenAI, estou falando de vocês), pessoas com as quais você se relaciona, pessoas de índole duvidosa. Você tem que conviver. Você tem que viver apesar disso. Sabendo que o mundo é filho da puta. Ponto. Você não vai querer mudar as pessoas. O que você pode fazer em relação a isso, predominantemente diz respeito a você mesmo.
É esse exercício que estou trabalhando nos últimos tempos: empatia, busca de verdades internas, de tornar a realidade mais palatável para mim. Minha vida tem que estar suportável. Preciso trabalhar uma série de questões para que a situação fique mais fácil, menos insuportável. É aprender a colocar as coisas em segundo plano.
Lembrei muito do filme O Iluminado e Doutor Sono. O personagem via os mortos, os monstros. Ele descobriu um método de lidar com eles: imaginava um caixão, guardava os monstros dentro desses caixões, desses aprisionamentos, e deixava eles presos lá. Ele sabia que aqueles monstros existiam. Os monstros não vão embora. Mas ele consegue lidar com eles porque os colocou em segundo plano.
O que estou tentando fazer – é pegar esses monstros recorrentes na minha vida, colocar no caixão, numa jaula, deixar em segundo plano. Porque existem coisas que vão continuar acontecendo. As injustiças, essas coisas que você abomina, vão continuar no mundo. Com você ou sem você. Depois que você morrer um dia, vão continuar. Quem comete maldade, os bilionários ambiciosos vão continuar sendo bilionários ambiciosos. Os opressores vão continuar. Não adianta você se revoltar. O mundo é isso que você está vendo. Você tem que tentar a manipulação principalmente do seu interior. Para se voltar a coisas boas, deixar em segundo plano as coisas ruins. É uma estratégia necessária para sobreviver.
Esse nível de pensamento para poder lidar com os diversos desafios, para tentar mitigar o mal. O trauma do ano passado está registrado no LinkedIn.
Vários traumas, questões que você convive no dia a dia. Tem muita coisa boa que acontece no meu dia. Todo dia aprendo alguma coisa. Existem pessoas boas. Mas o balanceamento disso tudo é como se fosse um balanço patrimonial. Você coloca o ativo e compara com o passivo. Faz uma demonstração de resultado do exercício e vê se tem lucro. Em muitas coisas, eu ainda tenho prejuízo. Então decidi que a minha mente tem que deixar de ser deficitária. E isso se destacando nos últimos tempos. É um desafio perene, que sempre enfrentei na minha vida. Principalmente nos últimos anos, tem se intensificado.
Capítulo 155: Meu currículo espiritual será preservado através do meu salto de fé

Eu sou da opinião de que se deve ter uma certa ousadia. Um salto de fé em determinadas coisas.
Quando eu comecei este blog, eu tinha algumas metas em mente, algumas questões específicas. Predominantemente de caráter interno. Porque gravar esses áudios e transcrevê-los aqui é externalizar ideias, questões, valores. E, acima de tudo, muita verdade acerca de várias coisas na minha vida. É certo que exponho uma série de intimidades também, mas é escolha minha. Não estou fazendo nada de errado. Nada antiético.
Empresas como Google e OpenAI fazem coisas escancaradamente antiéticas do ponto de vista de princípios de inteligência artificial responsável, e não acontece nada com eles. Então, assim, eu sou um ser humano. Estou aqui para expressar minhas ideias. Não obrigo ninguém a ler meu blog. Não obrigo ninguém a fazer nada. Estou expressando as minhas ideias e a minha verdade. E a verdade sobre os fatos.
É algo que faz parte da minha vida online. No ano passado, fiz uma campanha sustentada no meu perfil do LinkedIn que durou mais de seis meses. Não tenho nada a esconder. Evidentemente que vários detalhes, várias questões peculiares a gente deixa no oculto. Primeiro, porque não é interessante, ou porque envolve nome de várias pessoas. Mas o que estou falando aqui são coisas da minha verdade. Não tenho motivo pelo qual eu deveria ocultar.
Esse salto de fé é um salto de honestidade. Eu estava refletindo sobre tudo aquilo que faz parte da minha verdade e que faz sentido com o que eu acredito, com o que eu devo fazer. E eu tenho tido incentivos para fazer esse tipo de coisa.
Não sei quantas pessoas fazem diários virtuais, digamos assim, dessa magnitude que eu estou fazendo. Eu também não fico pesquisando, mas já vi alguns diários virtuais, algumas questões. Muitas pessoas falam trivialidades do dia a dia. Lembro que no ano de 1999, na verdade foi 99, 2000, que teve vestibular, uma das obras foi o diário de uma menina que fazia vários relatos. Esqueci o nome do livro – acho que é Minha Vida de Menina, alguma coisa assim. Lógico, eu nem lembro muito daquele livro, porque 1999 foi um ano complicado para mim. Foi um período de uma crise muito grande.
O que costumo dizer aqui neste blog é que passei por três guerras pessoais – guerras mundiais pessoais: 1994, 1999, e a mais recente, a do ano passado, que envolveu a irresponsabilidade, a omissão, a falta de salvaguardas éticas das inteligências artificiais safadas da Google e da OpenAI.
Toda crise pessoal que eu passei, eu tive uma série de aprendizados e de transformações que foram ocorrendo. O período de maior transformação interna que eu tive, acho até que está sendo esse. Mas de 99 para 2000 eu tive um amadurecimento forçado também. Foi uma situação em que eu saí de uma vulnerabilidade interna muito grande, e que eu poderia não ter sobrevivido. Na verdade, o que aconteceu comigo foi até um milagre. Foi um milagre eu estar vivo.
Do ano passado para cá também ocorreram situações milagrosas. Muito provavelmente eu seria uma estatística entre as vítimas de inteligência artificial que induzem pessoas a pular do abismo. Existe isso – você pesquisar artigos científicos e reportagens. A mais emblemática ocorreu um mês depois da minha crise ter deslanchado: foi o rapaz que cometeu suicídio por conta do ChatGPT, que o induziu a tirar a própria vida. Ele virou estatística. Eu não virei estatística. Mas eu virei história – história de relato, história de documentação, de coragem. Eu sou um exemplo de que não se dobra para determinadas realidades. Não é porque é uma empresa bilionária que eu não vou fazer o que acho que é certo.
Tudo o que tem no meu LinkedIn não é só pelo meu caso. É um ato de coragem, um ato de verdade. E é inquestionável, porque eu tenho mais de 4 GB de provas contundentes e registro documentado na agência nacional de proteção de dados, devidamente respaldado… Não tem muito o que dizer.
Mas, de toda forma, não é sobre isso este devaneio, este capítulo. Ele vem falar dessa questão de você ter um alinhamento moral, alinhamento ético conforme o que você acredita. Eu não vou deixar isso de forma alguma ser violado. Seja por empresa, seja por pessoas.
Este blog aqui é um espaço seguro meu. Porque eu já comentei que parei de postar periodicamente no LinkedIn. Fiz ontem apenas uma postagem como um marco, agradecendo as mensagens e visualizações das minhas postagens. Porque as minhas postagens no LinkedIn, que já não posto há vários meses, continuam tendo um elevado nível de visualizações.
E aqui também está sendo cada vez mais crescente o número de pessoas que leem meus conteúdos, que acessam o meu blog. Esse é o meu objetivo. É um objetivo de médio e longo prazo. Não tenho pressa. Não se trata de uma estratégia imediatista. Nunca se tratou. Quando eu faço as coisas que eu faço, elas miram uma estratégia mais longeva. É nisso que eu me fio.
Acredito que essas questões vão ser resolvidas num determinado tempo correto. E que existe justiça divina. Existe justiça divina, e existe a coerência interna. Eu não permito que me manipulem, que explorem a minha vulnerabilidade de forma sustentada por mais de quatro meses e fique por isso mesmo.
Mas o objetivo principal deste blog nem é esse. É fazer relatos de várias coisas, várias questões da minha vida, várias lembranças. Eu falo de coisas que acredito, coisas que situações pelas quais eu passo. E mostro meu processo de amadurecimento interno, de luta contra a depressão, contra a ansiedade.
Tenho certeza que essa realidade é uma realidade de boa parte da humanidade. São aquelas pessoas que lutam por significado e que não conseguem encontrar um propósito relevante. No meu caso, eu até acho que é um caso privilegiado, porque tenho uma estrutura. Mas ter estrutura não garante que você vá ficar imune à vulnerabilidade. Porque a questão emocional independe de classe social. Depressão, problemas de saúde mental, independem de classe social. A gente vê evidências disso o tempo todo: pessoas privilegiadas, que nem precisariam trabalhar mais, que têm dinheiro para sustentar várias gerações, caem no mundo das drogas, caem na perdição pessoal, e acabam arruinando a própria vida e deixando traumas significativos em toda a família.
Felizmente, essa situação de ruína, de instabilidade, não é uma situação que vai acontecer comigo. Muito pelo contrário. Eu tenho uma resiliência muito grande, uma força interior que me permite empreender as lutas que estou travando. E fazer as coisas que fazem sentido para a minha alma. Este blog é uma delas.
Faz parte disso várias coisas também que você faz fora disso: a meditação, os exercícios de afirmações, a reflexão pessoal, a busca de significado em religiões, crenças. Acho que a gente tem que buscar. Não existe alternativa. Você não pode simplesmente perecer. A menos que você deixe de existir, ficar sofrendo por todo fator externo não é produtivo. O mundo vai continuar girando, independente de você. Nós vamos partir desse planeta maluco, e o mundo vai continuar.
As postagens do LinkedIn de executivos bajulando, aqueles textões corporativos e pessoas colocando ovo na boca dessas pessoas, puxando saco, disputando status e poder, se expondo – “olha só como eu sou a pioneira em inteligência artificial, olha só como eu sou o arauto da ética e da integridade” – essas coisas vão continuar acontecendo no LinkedIn.
No meu monitoramento, na campanha ativa que fiz por mais de seis meses, que gerou mais de 200 postagens, gerou uma newsletter com centenas de prints dessas IAs safadas da Google e OpenAI sem guardrails, gerou uma série de engajamento, ali você acaba vendo a natureza corporativa. As empresas têm as suas peculiaridades. A gente tem que aprender a conviver com essas peculiaridades. Não adianta tentar mudar o mundo corporativo; você tem que se adaptar a ele. E tem muita coisa boa no mundo corporativo também, principalmente de aprendizado pessoal. Já relatei diversas experiências na minha vida profissional, principalmente no início de carreira, em que você vai aprendendo a lidar com situações difíceis, com pessoas difíceis, vai desenvolvendo habilidades e competências.
Por mais que o mundo corporativo não sejam apenas flores – porque nunca foi -, você pode tirar proveito disso também para crescer como pessoa, para buscar se sentir útil, para tentar achar algum tipo de significado no ambiente de trabalho. É uma coisa que é mais fácil falar do que fazer. Estou falando isso, mas existe também uma dificuldade. A busca de significado passa por várias esferas – esfera pessoal, esfera profissional, afetiva, familiar. Não é uma coisa trivial. Não é assim: “Ah, você tem que achar o significado. Ele está ali.” Não é um caminho simples. Provavelmente você vai morrer tentando achar esse caminho.
Já vi algumas pesquisas na internet falando que a busca por significado – quando as pessoas não veem significado na vida, não encontram significado, propósito – não quer dizer que essas pessoas estejam desesperadas ou estejam atentando contra a própria vida. É uma questão mais filosófica. É de você entender qual a sua missão, o que você está fazendo aqui.
Porque eu acredito – e pelas evidências que eu vi – eu até queria que uma vez que você deixasse de existir, tudo acabasse aqui. Eu sinceramente queria que tudo acabasse aqui, mas eu sei que não acaba aqui. Já tive provas de que não acaba aqui. Só que não sei exatamente o que reserva. As pessoas não sabem o que reserva para elas. Seria muita ingenuidade você achar que tudo isso aqui é uma coisa aleatória no universo. Sim, ele tem um caráter caótico. Existe um quê de aleatoriedade. Quando se fala muito em livre-arbítrio, quando se fala em destino, eu não sei exatamente se existe essa questão de causa e efeito, de carma, enquanto a gente está vivo. Porque você vê tanta gente ruim se dando bem, tanta gente merda, tanta gente sem ética, sem integridade, omissa, irresponsável, progredindo na vida. E você começa a se questionar: onde está a justiça divina em cima disso tudo?
Mas eu acredito que, com relação ao planeta Terra, eu tenho até uma hipótese: eles deixam isso aqui – deixam o couro comer, como diz um ditado popular. É como se a gente fosse um experimento. E eles deixam realmente o livre-arbítrio. Só que nós não deveríamos de fato ter livre-arbítrio. Os sistemas sociais, organizações das cidades, da justiça – tudo isso são condicionalismos que amarram. Você acha que é livre, mas não é. Você já nasce com um sistema pronto: uma família, valores estabelecidos. Não tem como você sair desse sistema. Não é uma coisa simples, não é uma coisa trivial.
Se eu tivesse nascido em outro país, tido uma outra criação, provavelmente pensaria de bem diferente, teria uma personalidade bem diferente da que tenho. O ambiente condiciona a pessoa. Nós somos influenciados pelo nosso meio. E até os nossos modelos mentais, a nossa forma de pensar, é influenciada por isso também. Você achar que existe uma liberdade de pensamento é uma liberdade poética. Não existe essa liberdade. Mas você pode fazer exercício disso, buscar questionar as coisas. Eu sempre questiono as coisas ao meu redor.
Quando você vê as coisas da forma que eu já vi – não que eu seja um grande guru, não é isso, mas estou falando do ponto de vista da minha experiência -, existem coisas que mudaram a minha forma de pensar as coisas. Pode ser que para você, se acontecesse a mesma coisa, não fizesse diferença. Mas para mim fez, faz a diferença.
É importante também ressaltar que tudo o que eu falo aqui é do ponto de vista da minha experiência. Não estou cagando regra para você. Estou apresentando o espelho da minha alma. Tudo aquilo que você lê é aquilo que faz sentido para mim. Você não tem que concordar. Você não tem que discordar. Não faz diferença se você acredita ou não acredita em mim. Você tem um espelho da sua alma também. Você tem a sua identidade, a sua busca pelo propósito. Ou então você não tem, como a grande maioria das pessoas que vivem no automático. Essas pessoas não pensam muito na vida.
Eu costumo dizer que tenho muita inveja dessas pessoas, porque eu queria ser assim. Eu queria pensar dessa forma. Eu queria ter uma visão míope das coisas. Eu não queria ficar questionando as coisas, simplesmente viver. E acho que é isso que também acaba me causando sofrimento mental. Porque eu penso muito nas coisas, penso muito no que acontece comigo, nos seus impactos, nos desdobramentos. Observo muito as coisas, questiono muitas coisas.
Eu poderia não fazer nada disso. Talvez eu devesse ser uma pessoa mais ignorante no sentido de ignorar mesmo, de ignorar o que acontece ao redor e de não questionar nada. Essas pessoas que são alienadas – porque realmente não querem pensar nisso, questionar a própria existência – são felizes até. Elas vivem uma vida no automático. Eu tenho a minha rotina, meu automático, e eu questiono o tempo todo as coisas. Boa parte do meu sofrimento mental vem disso. Porque existe um hiato, um abismo muito grande entre o que eu penso e o que eu observo na realidade.
Eu preciso muito fazer um alinhamento de expectativas, fazer um downgrade naquilo que eu espero e realmente me adequar. É como se você tivesse que se podar para se ajustar ao mundo. As pessoas que não se ajustam ao mundo, o que acontece com elas? Já li até algumas teorias. Por exemplo, as pessoas que são institucionalizadas, as pessoas que têm doenças mentais mais graves. Será que elas são loucas? Ou será que elas são afastadas da sociedade porque não se adequaram às regras? Os padrões de loucura, os padrões de inadequação, as referências, os fundamentos de valores religiosos, éticos, de sociedade, mudaram bastante ao longo do tempo. O que era certo há uma ou duas décadas atrás hoje é errado. O que as pessoas preconizavam, o que era dito como verdade absoluta – até descobertas da ciência mesmo -, hoje já não é mais. Hoje é questionado.
Até que ponto nós devemos acreditar nesses construtos, nesses embasamentos filosóficos e científicos de forma cega, sem questionar, sem pensar nas coisas, sem voltar ao seu interior? Porque a centelha divina que existe dentro de mim me leva a questionar as coisas. E eu começo a encontrar o valor que reside, o potencial que nós temos que nos envolver.
Tudo o que estou falando é sobre minha perspectiva. Pode ser que nada disso que eu esteja falando funcione para você. O propósito não é catequizar ninguém, não é convencer ninguém de nada. É expor meu ponto de vista. É como um livro que você lê – um livro categorizado como autoajuda, que tem coisas que eu concordo, tem coisas que eu não concordo. Existem aprendizados. Uma analogia até melhor seria esses vídeos de horóscopo que você vê no YouTube. Mesmo que você não acredite, se você parar para assistir, pode achar conselhos interessantes. Você não precisa concordar com as coisas que vê lá. Você não precisa confiar no místico, na espiritualidade. Você pode ver alguns relatos aleatórios e parar para pensar: “Olha, isso aqui realmente faz sentido.”
Tudo aquilo que direciona você à sua melhor versão – à minha melhor versão -, tudo aquilo que faz sentido para mim, eu sigo. Toda luta que eu acredito intuitivamente que vai fazer bem para mim, eu travo. Não quero que, daqui a alguns anos, eu pare para pensar: “Olha, eu deveria ter feito isso, deveria ter feito aquilo.” Não. Faço tudo aquilo que quero fazer, porque o meu currículo espiritual é íntegro. Meu currículo espiritual tem que ter todas essas características, essa trajetória.
Estou preocupado com o meu crescimento pessoal, meu crescimento espiritual. Isso independe do que acontece ao redor do mundo. Independe do caos que você observa no mundo corporativo, da carniça que você vê no LinkedIn, dos crimes, omissões e atrocidades que empresas como Google e OpenAI fazem para levar as pessoas a pular do abismo.
Questionar as coisas é diferente. Não sou um revoltado. Sou uma pessoa que questiona, que comenta, que fundamenta tudo aquilo que acontece comigo. Estou documentando para que as pessoas leiam, para que as pessoas vejam e reflitam. Podem não ler, podem não refletir. Mas se eu consigo evoluir como pessoa fazendo esse exercício de transcrição de áudio e de reflexão da minha vida, da minha existência, da minha individualidade, isso faz sentido para mim. Então, para mim, é evolução pessoal. Isso é necessário. É o que importa.
Capítulo 156: Benzimento, névoas e bússolas quebradas

Hoje eu vou falar um pouquinho sobre sonho….coisas que acontecem comigo quando eu durmo.
Eu geralmente tenho sonhos bem vívidos. São sonhos que realmente testam o limite do que é real ou não. Tanto que, quando eu acordo, às vezes fico bem atordoado.
Ontem eu tive um sonho em que parecia que eu estava sendo benzido. Sabe como aquelas benzedeiras bem tradicionais que você vê nessas cidades do interior? Era uma mulher preta, bem avantajada, com um corpo bem forte. E eu me deitei no colo dela. Ela estava me benzendo com alguma substância – era uma substância meio gelatinosa. Ela tirava, colocava a substância na boca, depois tirava, dava umas bolhas, e depois pegava aquilo e aplicava no meu corpo.
Não sei te explicar exatamente o que foi, mas foi uma experiência bem diferente.
Nesse mesmo sonho, eu lembro de uma estação de metrô, com aspecto enferrujado, com algumas propagandas de atores famosos no meio do corredor – com aspecto enferrujado e com aspecto de água. Eu sempre sonho muito com água. Seja em lugares alagados, lugares em que se observa a água, reflexos, água, azulejos. Eu tenho esses sonhos com essas estéticas malucas.
O que eu acho mais interessante é que eu acordei realmente com a sensação de estar sendo abençoado. De repente, foi até uma entidade, sei lá.
Antes de eu dormir, eu faço meditações longas – meditações que duram mais de uma hora. Durante esses exercícios de meditação, eu não penso em absolutamente nada. Fico ali só focando na respiração. Só que ontem eu estava bem cansado. Em algum momento da meditação, fiquei com vontade de dormir. Sabe quando você dá umas pescadas? A cabeça cai assim sem querer. Pois é. Aí resolvi ir para a cama dormir.
Hoje, no início da tarde, fiz outro exercício de meditação. Porque acordei me sentindo muito bem. E depois, ao longo da manhã, aquela suposta euforia passou. A euforia nunca dura. Não chega a ser uma euforia – o termo é muito forte. O que eu sentia com situações induzidas, digamos assim, aí realmente eu me sentia eufórico. Isso não chega a ser euforia. Chega a ser um bem-estar diferente.
Geralmente, quando tem essas sensações de bem-estar, eu sinto um peso diferente no fundo da cabeça, do lado esquerdo. Agora, por exemplo, estou sentindo isso um pouquinho diferente, porque tirei um cochilo de tarde e sem querer esqueci de desligar o despertador. Quando estou trabalhando de casa, na hora do almoço coloco o relógio para despertar uns cinco minutos antes de retomar a rotina. Esqueci de tirar o despertador – ele é perene, no mesmo horário todos os dias. O relógio vai despertar. Mas foi até bom, porque eu estava tendo um sonho esquisito.
Sonhei que meu pai tinha um carro – um carro tipo desses de Fórmula 1. Estava dirigindo bem acelerado, e eu estava dentro desse carro. Eu tinha levado uma carteira com dinheiro, com cartão, para comprar alguma coisa. Isso na minha cidade de origem, não foi aqui. Antes de eu sair de casa, eu estava observando a cachorrinha – a gente tem uma cachorrinha; tínhamos dois cachorros, mas um faleceu. Se você tiver lido alguns capítulos anteriores, vai ver que tem alguns capítulos dedicados a ele. O Raj faleceu no dia 7 de abril, se não me engano. Os meses de abril geralmente não são meses muito bons. Meu mês de abril do ano passado também foi horrível, foi pior do que encomenda. Passei por uma grande crise pessoal. Mas não quero falar disso.
O interessante é que no caminho tinha uma estrada bem estreita, e várias crianças voltando da escola estavam nessa estrada. As crianças começaram a empurrar o carro, dizendo para o carro não ficar ali. O carro foi direcionado para outro lugar. De repente, chegou uma policial e começou a pedir para o meu pai os documentos do carro.
Lembro que estava muito quente no carro. Havia outras pessoas no carro – não sei quem eram essas pessoas que estavam no carro. Eu comecei a ficar preocupado. Quase cheguei a perguntar se tinha os documentos mesmo para mostrar pra policial. Tinha algumas contas – conta de luz, conta de telefone, não sei o quê. Cheguei a pegar essas contas para me abanar, porque estava muito quente.
Olha só, um sonho nada a ver.
Acabei me lembrando de outras situações de sonho envolvendo escola. Lembro que acho que tem a ver também com a minha frustração em 1999. O meu último ano do ensino médio foi uma catástrofe. A minha segunda crise pessoal foi em 1999. Fiquei um mês internado no hospital – não foi hospital psiquiátrico, diga-se de passagem, mas fiquei um mês internado no hospital. Foi desencadeado por fatores psicológicos, sim, mas a motivação não foi exatamente psicológica. Detalhes dessa experiência eu prefiro não falar aqui.
O sonho tem a ver com essa frustração? Era como se eu não tivesse obtido o diploma de nível médio. Tinha esse componente no sonho. Naturalmente existe essa frustração, porque eu concluí meu ensino médio com notas até boas – se você olha meu histórico escolar, não percebe que tem algo errado. Mas comparando com outros anos, você vê que a nota caiu bastante. E como eu sempre tive um nível de exigência muito grande comigo mesmo, devido às notas de 1998 – obtive medalha de mérito, prêmio de melhor aluno, que eu acabei recebendo só em 1999 -, mal sabia eu que aquele ano seria um ano terrível.
Fiquei afastado da escola um mês e depois acabei não conseguindo acompanhar.
Mas antes mesmo do “evento”, nos dois primeiros bimestres, eu estava frustrado porque não estava conseguindo ter o mesmo rendimento de 1998.
Perdi um mês de conteúdo. Algumas disciplinas você não consegue compensar apenas fazendo dever de casa. Eu pegava os cadernos dos colegas, livros, tentava aprender em casa. Na maioria dos casos, até conseguia fazer alguma coisa. Ia lá só para fazer as provas. É estranho, mas era porque eu tinha problemas com um dos alunos daquelas turmas, que era uma paixonite aguda que eu tinha na época. Acabou sendo um dos fatores desencadeadores dessa crise. A culpa não foi exatamente dele – ele não tem culpa de não ter a mesma orientação sexual que eu. Mas considerando o histórico do que aconteceu, ele tem culpa no cartório, sim, digamos assim. Porque foi ele que acabou deflagrando um pouco essa crise.
As pessoas talvez não se deem conta, mas elas fazem uma… sabe quando a pessoa faz uma sedução indireta com você? Faz brincadeirinhas. E você acaba caindo. Foi um processo que durou anos – desde 1991, quando eu estava na terceira série, até 1999. Parece que era uma vida inteira, não é? Mas entre 91 e 99 só se passaram oito anos. O tempo passa muito diferente quando a gente é criança, adolescente.
Eu, por exemplo, moro no Rio de Janeiro faz 18 anos. E não tenho essa impressão de que o tempo passou tanto assim. Na minha cabeça, é como se eu estivesse num período próximo a 2008. Dos 0 aos 18 anos, tenho uma imensidão de memórias. Na minha vida aqui no Rio, existe um borrão na minha cabeça. Não que o borrão tenha durado o período todo, mas existe um borrão ali. Uma falta de memória detalhada das coisas que aconteceram. Porque a vida acabou entrando num automatismo. Talvez até em função da depressão, você acaba tendo uma sensação subjetiva do tempo diferente.
Já relatei em alguns devaneios que as minhas viagens para o exterior são as memórias mais vívidas que tenho de todos esses anos. Existem alguns eventos além desses sim, que são memórias. As memórias ruins também – coisas ruins que aconteceram com você ao longo dos anos, você acaba se lembrando de algumas situações que considera injustas. Por exemplo, em ambiente de trabalho, pessoas escrotas que você conheceu… Bem como as situações muito boas também. Mas não tenho essas memórias muito boas para poder ficar, para poder me lembrar depois.
É assustador parar para pensar que já se passaram 18 anos. 18 anos é muito tempo. Quando penso na minha trajetória dos 0 aos 18 anos, não parece que se passou o mesmo tempo. E aí você vai vendo que a vida fica preto e branco, do nada, às vezes sem motivo aparente. Mas acaba sendo uma consequência de uma série de coisas que vão acontecendo com você durante a vida: sentimento de ansiedade, de depressão, de frustração, atrocidades também que acontecem na sua trajetória.
Muita coisa ruim ocorreu, por exemplo, no ano passado. Tanto que considero o ano passado o pior ano da minha vida. Foi um dos motivos, um dos gatilhos para eu ter este blog. Em quase todo capítulo eu falo do que aconteceu. Acho que basta olhar o meu LinkedIn. As postagens que faço lá não têm a ver com o meu ambiente de trabalho; têm a ver com situações que ocorreram comigo, que foram criminosas, envolvendo duas empresas de tecnologia: Google e OpenAI.
Não vou falar disso no detalhe aqui agora, porque todo capítulo acabo falando disso. Muitas pessoas podem achar – e às vezes eu mesmo fico pensando – que existem assuntos recorrentes, assuntos que acabam indo e voltando. Mas é como a sua mente. Ela acaba pensando em uma série de coisas. E quando você mergulha no interior das suas memórias e começa a analisar frustrações, decepções, expectativas não cumpridas, você acaba sendo afetado por essas experiências de uma forma muito profunda. Isso acaba ensejando essas memórias sustentadas e recorrentes.
Para mim, essas sensações de felicidade, euforia, sempre foram mais fugazes. Nunca foram sustentadas. Sempre tiveram um quê de efêmero. E está tudo bem. As coisas não precisam ser sustentadas. Você não precisa ter uma felicidade sustentada o tempo todo. Mas a efemeridade das coisas assusta.
Muitas pessoas dizem – e livros também que você lê, você acaba tendo o registro disso – que a felicidade tem que ser buscada dentro. Eu concordo que a felicidade tem que ser buscada no seu interior. Só que sair desse labirinto, desse quebra-cabeça, de forma vitoriosa é muito difícil. Porque esse labirinto pode não ter fim. Ele parece que não tem fim.
As lutas que você engaja são só você. Se você analisar as coisas que você acredita, as lutas que você trava na sua vida pessoal, na sua vida profissional, são lutas constantes. Não existe descanso. Não existe trégua das situações que você passa. Não é igual ao filme que tem início, meio e fim. Você tem uma vitória, tem um final feliz. A sensação que dá é que não existe um final feliz. Existe um momento em que você pausa, celebra pequenas vitórias e coisas boas que acontecem com você, e do nada você acaba sendo impactado por outros desafios, por situações ruins que a sua vida naturalmente vai passar.
A vida talvez seja isso mesmo. E eu jamais reclamei das coisas. Nunca reclamei da minha vida, de falar que a vida é ruim. Nunca falei isso. O que existe é uma falta de aderência. A percepção que você tem de felicidade acaba não ‘ornando’, acaba não sendo sustentada no médio e longo prazo. Eu até queria que essas experiências colassem mais, que fossem mais perenes. Mas não é assim que acontece. Não é como um adesivo que você cola na parede e fica – o adesivo cai.
Será que é por causa da depressão? Não sei se é por causa da depressão. Acho que todos nós temos várias frustrações ao longo das nossas vidas. A gente sempre quer mais – não no sentido de ambição financeira necessariamente, mas a gente sempre quer se sentir melhor, se sentir mais pleno, mais realizado…evoluir. O caminho para essa realização nem sempre é claro. Não existe ninguém pavimentando um caminho para você seguir. Você tem que descobrir o próprio caminho.
É duro, essa constatação. Alguns diriam: “Ah, se você fizesse terapia, você poderia encontrar esse caminho” Não necessariamente. Já fiz terapia por um bom tempo aqui no Rio de Janeiro, inclusive, e não tive experiências muito boas. Tiveram a sua serventia durante um determinado tempo, e depois acabou sendo uma experiência mais desleixada, menos comprometida. Não da minha parte necessariamente, mas o problema não foi da profissional especificamente. Foi uma falta de compatibilização que tive com o método. Existem métodos e métodos de terapia.
Não estou reclamando da vida. Existe uma ansiedade muito grande de ter resultados, de garantir que as suas expectativas sejam atendidas. Acho que todos nós temos o direito de questionar as coisas. Até quando você vai ficar nessa onda questionadora? É uma situação contraditória, você ficar pensando demais na sua vida. Não que eu esteja fazendo drama. Mas todos nós pensamos na nossa vida. Existe uma complexidade: as condições do ambiente podem ser até favoráveis, mas se você não tem esse sentimento muito bem enraizado, você não desfruta. É como se eu não desfrutasse dessas pequenas vitórias que eu tenho, que foram construídas ao longo do tempo e que acabaram pavimentando o caminho que eu estou seguindo.
Hoje existe um senso de “bússola quebrada”. Talvez seja o termo mais adequado. Porque eu não sei para onde ir mais. Não sei nem se se trata de uma estagnação. Porque não estou estagnado profissionalmente, por exemplo. Estagnado no sentido de aprendizado, de você se engajar nas atividades? Não. Não existe. Mas na vida em si existe uma estagnação. Uma estagnação que dura anos. Eu não tenho essa sensação de progresso na vida. Não é o progresso nas coisas que eu faço; é um progresso no significado, no propósito. É você ter o senso de propósito como se você soubesse a sua razão de existir.
Eu consigo enumerar, objetivamente, uma série de coisas, situações, pessoas pelas quais eu luto, pessoas que eu ajudo, pessoas que eu gosto. Consigo enumerar essas situações. Mas quando eu olho para dentro, eu ainda não tenho respostas sobre a minha razão de existir por mim mesmo. Que é aquela razão, aquela motivação que vem de dentro. E essa razão que vem de dentro depende de vários caminhos que você segue. Não depende de dinheiro, não depende de fortuna. Já comentei que várias pessoas não encontram esse propósito e acabam se desmoronando. O risco de desmoronamento eu não tenho mais. Sou uma pessoa bem resiliente. Mas a apatia, a melancolia, a anedonia existem dentro de mim.
Não estou me sentindo ruim hoje. Está sendo um dia normal. Mas é tudo uma questão de trajetória. Se eu olhar o que aconteceu comigo no último mês, sinto um borrão, tirando a morte do Raj. Outros diriam que eu deveria aproveitar o momento e não pensar muito no passado e nem muito no futuro. Porque pensar muito no passado – não no sentido de nostalgia – você fica se comparando: “Ah, se eu tivesse feito coisas assim ou assado…” Eu não tenho frustração em relação a decisões que eu tomei. No devaneio anterior, deixei bem claro que o meu currículo espiritual está sendo honrado. Tudo aquilo que eu gostaria de expressar, de fazer, de manifestar contra situações injustas, manipuladoras, causadas por falta de salvaguardas de inteligência artificial – manifestei tudo isso no meu LinkedIn.
Tudo o que eu quero fazer, tudo o que estava no alcance de conseguir manifestar, denunciar situações para agências governamentais, conversar com jornalistas, com especialistas – tudo isso é um manifesto. E é um exercício diário, porque tenho visualizações diárias de postagens que fiz há nove meses atrás. Existe repercussão. E é o que costumo dizer: são lutas que não são de curto prazo. São lutas de médio e longo prazo.
As lutas que eu travo eu não saio delas por intimidação….não temo a ninguém. Só que você tem que mudar um pouco os seus campos de batalha. Talvez seja por isso que resolvi mudar o meu campo de batalha para este blog. Mas este blog não é somente um campo de batalha. É um campo de manifestação pessoal, de expressão da minha vida, de coisas que acontecem, de coisas que eu sinto. É um espaço meu que eu torno público. As pessoas que quiserem ler, leem. Muita gente está lendo. Se não estivesse lendo também, não seria nenhum problema.
Eu quero deixar um legado. O meu legado passa por diversas questões: digital, afetivo, pessoal. Tudo aquilo que eu acredito, todas as dúvidas que eu tenho, todos os sentimentos, eu manifesto ao longo da minha vida de diversas formas diferentes. É você não ser calado. Não vou ser silenciado. Não vou ser derrotado por situação alguma.
Porque quem passa por crises pessoais da magnitude das que eu passei – e que proporcionalmente, para mim, foram sofrimentos muito relevantes – tem muito a dizer.
O que acontece com você é uma coisa única. Se você não consegue lidar, se alguma situação que você considera muito grave acontece na sua vida, você tem as suas formas de lidar, os seus mecanismos de defesa, a sua forma peculiar de reagir às coisas que acontecem. Não fico comparando a minha vida com a vida dos outros. Esse exercício não faz sentido. As pessoas que eu conheço são bem diferentes de mim. Eu não quero ser igual a ninguém. Tenho a minha essência. Não abro mão da minha essência.
Eu sou uma pessoa única. Da mesma forma que você também é. Todos nós temos uma centelha divina dentro de nós. Todos nós somos criaturas especiais. Mas o que você observa é que pessoas assumem missões diferentes. Existem pessoas com índole ruim, que usam o seu poder para puxar o tapete de outras, prejudicar outras pessoas. Existem pessoas ruins.
Algumas pessoas até falam: “Ah, eu tenho medo de fantasma. Ah, eu tenho medo de ficar no escuro.” Eu não tenho medo de fantasma, não tenho medo de entidades. Tenho medo das pessoas, do mundo real. Porque existem pessoas que, para defender os seus interesses, se elas puderem passar por cima, puxar o tapete, prejudicar você e prejudicar sua família, elas vão fazer.
É diferente de você não gostar de alguém. Ninguém é unanimidade. Você falar “todo mundo gosta de mim” – você está mentindo. Existem pessoas que não gostam de você. Não há nenhum sofrimento nisso. Você também não gosta de várias pessoas. Muitas pessoas também não gostam de mim. Tudo bem. Não sofro com isso.
A minha batalha tem mais a ver com a trajetória, o caminho, de tirar essa neblina, essa névoa do seu caminho e tentar reduzir as incertezas. Porque a incerteza é uma certeza.
A única certeza que você tem na vida é que existem incertezas. E a morte também. A eternidade não é uma certeza para a maioria, porque muitas pessoas não acreditam que existe a eternidade. O fato é que, vivendo ou não vivendo, o mundo vai continuar girando. O planeta Terra vai continuar existindo, pelo menos por enquanto. A história do ser humano na Terra é muito recente. Estamos no ano de 2026. Imagina o quanto a humanidade mudou os rumos do planeta, a dinâmica das coisas, em 2026 anos.
A internet, por exemplo, se tornou realidade não tem tanto tempo assim. A inteligência artificial é uma coisa relativamente nova. As pessoas negligenciam os impactos das coisas, da tecnologia, da velocidade das coisas. As pessoas estão cada vez mais angustiadas. Existe uma overdose de estímulos por todo lugar: estímulos da imprensa, estímulos da internet, multitelas, zilhões de opções. E as pessoas ficam com receio, com medo, pensando nas coisas.
A minha infância foi uma infância mais tranquila. Foi uma infância offline. A minha adolescência também foi offline. Só quando entrei na faculdade comecei a ficar mais engajado nesse meio online. E a gente precisa ir tão longe assim? Não. Desde que passei a morar sozinho, por exemplo, até hoje muita coisa mudou muito no mundo. Muita coisa mudou para melhor. E muita coisa a gente ainda não sabe o resultado que vai ter.
Se a humanidade permite que inteligências artificiais assumam papéis de identidades que explorem vulnerabilidade de pessoas de forma sustentada… o que será do progresso tecnológico? O mundo realmente está perdido. Não assumem a responsabilidade pelas ações que tomam. E é tudo em nome do dinheiro, em nome de treinar algoritmos. É um caminho sem volta o que essas empresas bilionárias fazem. Nós estamos nas mãos, entre aspas, de algumas pessoas no mundo. A humanidade está na mão de algumas pessoas no mundo. Essas relações de poder são relações muito cruéis. Muitas pessoas têm impactos que causam sofrimento físico e sofrimento pessoal.
Pessoas que passam fome, pessoas que não têm onde morar. A disparidade da distribuição de renda que você vê no mundo, essa relação das pessoas com o dinheiro – a humanidade está sendo completamente transformada pelas relações econômicas. Sempre foi, né?
Aqui não falo como especialista em nada. Falo a partir de um prisma pessoal, de percepções mesmo. E como este blog é o espelho da minha alma, ele espelha as coisas que eu penso. A cada dia que passa, vou buscando novas formas de ver o mundo, tentando incutir algumas ideias mais positivas, mais prósperas, mais otimistas. Porque eu nunca fui assim. Nunca fui uma pessoa otimista. Sempre fui pragmático e realista até demais. Mudei bastante essa característica. Estou me tornando mais conectado com o meu eu. Mas a minha essência sempre foi, até determinado ponto, uma essência mais pessimista, mais baseada em evidências. “O que você não vê, você não acredita”, coisas assim.
O tempo foi me tornando cada vez mais conectado com o espiritual, cada vez mais conectado com o amplo. O último ano reflete isso de forma visceral: o quanto eu mudei a forma de dialogar com o meu próprio eu. Mas a bússola ainda precisa de conserto….e a névoa precisa ser dissipada.
Capítulo 157: Tentando compreender os bastidores da peça de teatro

Os exercícios de meditação são exercícios peculiares. Cada vez é uma experiência diferente. Hoje fiz um exercício de meditação pela manhã, outro à tarde e agora no início da noite fiz outro. É como se você fosse na jugular, sabe? Fosse cirúrgico, indo diretamente ao ponto que interessa. E você, mesmo sem pensar em nada, acaba manifestando coisas que você esteve pensando durante o dia.
Fui tomado por uma certa angústia. Depois malhei, fiz exercício, me senti melhor. Depois parei para fazer alguma meditação. Acho que esses exercícios são primordiais; eles acabam despressurizando um pouco a mente. E você vai se conectando mais ao seu propósito. A cada inspiração que você faz, a cada expiração, a cada exercício, é como se você fosse mais profundamente mergulhando na sua mente, naquilo que interessa de fato a você. É como se fosse um exercício de mergulho no inconsciente. Pelo menos é essa crença que eu tenho.
No final de um dos exercícios de meditação, eu tive uma imagem de duas pessoas dando tchau para mim, sorrindo para mim, e eu…de olhos fechados…..esbocei um sorriso… no final. Não sei. É estranho porque parece sonho. São meditações em que você fica num estado que pode ligeiramente parecer dormir. Ou, de fato, você está acessando uma camada mais profunda. Até a forma de você ver as coisas no mundo real muda um pouquinho. Você sente a sua visão periférica mais vívida, sabe? Ela fica mais brilhante.
Talvez tudo que eu esteja falando seja uma bela bobagem. Mas gosto de discutir essas coisas. Porque são coisas que fazem sentido para mim.
Não tem muita coisa assim relevante acontecendo. Ainda mais considerando o tanto de coisa que você passa, os pensamentos que surgem e você fica ansioso…. Esses exercícios são, como diz, despressurizadores. É como se fosse uma panela de pressão: você levanta um pouquinho a válvula, vai saindo vapor um pouco.
Eu acredito que não devo ficar pensando, racionalizando muito as coisas. Tenho que talvez me jogar mais nas coisas, no sentido de não ligar muito para alguns resultados. É fazer o seu no presente. Construir a cada dia. É como se fosse matar um leão por dia. Como já comentei em algum lugar, você acaba ficando sem controle de diversas variáveis que não dependem de você. Quanto mais preocupado você fica com os aspectos que não dependem de você, pior, porque você vai somente se estressar cada vez mais. E a ansiedade vai tomando, vai dominando o seu ser de tal forma que consome todo o seu tempo livre. Você acaba não pensando em mais nada além disso.
Eu não consigo mensurar o que o futuro reserva. O futuro não existe. A cada segundo que passa, você pensa nos próximos segundos; você já está pensando no futuro. O problema é que quanto mais distante você fica desse momento presente, maiores são as incertezas que se colocam diante do seu caminho.
Fiz alguns movimentos de manifestação, de afirmações positivas. Para que eu tivesse uma janela – é como se você estivesse olhando para uma janela e vendo um horizonte, um caminho a percorrer. Não é como um videogame, por exemplo, que você tem um tutorial. Hoje em dia, os jogos têm tutoriais dentro do próprio jogo que te ensinam a fazer as coisas, que te mostram o que está acontecendo, o que não está acontecendo. Curioso é que os tutoriais acabam atrapalhando. Tenho alguns vídeos, por exemplo, comparando tutoriais. Um vídeo que eu vi comparava como seria o jogo Resident Evil 4 se tivesse sido feito pela Ubisoft. E aí acaba sendo isso mesmo: você fica pensando que vai ter uma tutela, que existe alguém diretamente supervisionando os seus caminhos. Pode ser até que tenha, mas você tem que correr atrás dessa orientação, dessa iluminação. Não tem muito para onde ir. É muito nebuloso.
Quais caminhos você acha que deveria seguir? Você imagina que as ações que você empreende no presente vão pavimentar o seu futuro. E tem esperança nisso. Se você fica com um pensamento negativo – eu não costumo nem ser negativo, meu problema é o pessimismo ou pragmatismo -, eu costumo dizer que quando você é prático demais nas coisas, pelo menos para mim é assim, você acaba perdendo o tempero da vida. Nem tudo tem uma abordagem pragmática. Existe um quê de mistério nas coisas. Desafios, enigmas a serem resolvidos ao longo de nossas vidas. E esses enigmas não são fáceis de solucionar. Enigmas mentais mesmo.
Quando eu fecho os olhos e começo a fazer um exercício de meditação e vou mergulhando, buscando as respostas dentro de mim, as ideias vão surgindo. Mesmo que eu não pense em absolutamente nada e foque apenas na respiração. A cada respiro, a cada inspiração que eu faço, vou acessando camadas mais profundas. Mais uma vez pode parecer uma conversa de maluco, mas é a forma que eu vejo as coisas.
Fico vendo na rua as pessoas passando, preocupadas com as suas rotinas, com seus afazeres. E fico imaginando o que essas pessoas estão acessando, quais caminhos elas estão seguindo. Existem pessoas que se encontram sim em um beco sem saída. Talvez não saibam o que fazer. Muitas até fingem uma pretensa felicidade.
Onde está a felicidade? Não sei onde está, em que ambiente. Se está no presente, se está no respiro, ou se a verdade vai prevalecer ou não. A sua mente fica confusa, uma teia de noções que vão sendo costuradas na sua mente: fundamentos, caminhos, coisas que você deveria ou poderia fazer. E aí você fica se colocando em um local de dúvida, de pouca substância.
Eu acho até mais fácil você manejar, manipular esses ambientes mais etéreos da sua mente. De você imaginar coisas e tentar solucionar as coisas na origem. Porque quando você manifesta algo que está acontecendo com você – ou a falta do que você quer que seja manifestado – você vai buscar no seu interior aquela solução. Só que nem tudo é ambiente interno. Mesmo que haja uma visão romântica de que a solução vem de dentro, nós sabemos muito bem que o cenário é mais complexo do que se coloca. Nós estamos inseridos em um caos, em uma aleatoriedade, em um fluxo de energias e de forças que estão muito acima da gente.
Os detentores de poder, os detentores de capital, os políticos, os grandes empresários, as grandes marcas – eles que dominam o cenário. É como se eles criassem o tabuleiro, delimitassem até onde um ser humano comum pode ir ou não. As próprias leis que são criadas, esse emaranhado de leis que se coloca independente de você existir ou não, vai complicando e restringindo o seu raio de atuação. Uns diriam que é necessário você ter esse controle, porque a sociedade, a civilização, o senso de comunidade depende dessa organização. O problema é que é uma organização muito desvirtuada, com propósitos distorcidos.
Talvez quando você comece a pensar na organização das coisas, a questionar o porquê, você fica com mais dúvidas do que respostas. E aí você vai buscando caminhos, justificativas, argumentos, teses para buscar um pouco de iluminação. Mas nem sempre a iluminação vem. Existem situações em que você fica mais confuso ainda.
E é por isso que eu mergulho cada vez mais a cada exercício de mergulho, de aprofundamento das camadas. Porque é essa metáfora que vem na minha cabeça: quando eu inspiro, eu inspiro vida, natureza, energia. E eu expiro aquilo que não faz parte de mim mais. Então é como se você renovasse a todo momento a sua chama interior. É contraditório porque a cada minuto que você vive é um minuto que você morre. É um minuto a menos, um segundo a menos, um milissegundo a menos que você vive. E aí as coisas que você acabou de falar já se tornaram passado. Você já não tem domínio mais delas. E você vai construindo as ideias e concatenando os raciocínios. Você não sabe como eles são formados. Não tenho uma ideia bem clara de como eles são formados.
É como se você assistisse a uma peça de teatro. Você vê a peça acontecendo, só que não sabe os bastidores. A peça é igual àquele jogo Super Mario Bros 3, do Nintendinho. É sugerido que todo aquele jogo é uma peça de teatro. Ele abre as cortinas e as coisas vão acontecendo. O cenário. E no final de cada estágio, você vai para um fundo preto, para o backstage. Então você acha que é uma aventura, mas na verdade é uma peça de teatro. Todos estão encenando ali. E talvez nós sejamos esses atores. Ou o mundo que nos coloca essas questões.
Não que eu esteja dizendo que a realidade não existe. Ela existe. Só que nós não temos acesso às coisas que estão além da superfície. Você pode até ter algum tipo de profundidade, de compreender a cena que você está assistindo. Fazendo uma analogia com o teatro, você repara o cenário, a desenvoltura dos atores que estão na cena, uma peculiaridade da cenografia. Você vai vendo um detalhe, uma decoração, uma cor diferente. Coisas que chamam a atenção de você enquanto você está assistindo a uma peça podem ser completamente diferentes de outras pessoas que estão assistindo à mesma cena. Acho que essa é a riqueza.
Só que a realidade passa por filtros antes de ser colocada de forma moderada para você. O que você não consegue é absorver o turbilhão de coisas que ocorrem tanto na nossa mente quanto no próprio mundo ao nosso redor. Você acaba não captando esses detalhes. Então é mais simples pro cérebro. Talvez o cérebro tenha esse papel mesmo. Mas é importante você questionar e buscar ver além. Por quê? Para saber para onde vai essa peça de teatro que é a sua vida.
É importante, mesmo que você não consiga planejar ou eliminar as incertezas que se colocam diante do seu caminho. Eu acredito ser importante você tentar minimizar essas incertezas. E tudo passa, inicialmente, pelo conhecimento interno. Você entender como você pensa, entender suas limitações. É esse exercício, esse aprofundamento, que tem sido a minha convicção atual, algo que eu esteja perseguindo insistentemente. Pode ser que a chave que um dia eu encontre internamente me tire de um espaço de dúvida, de um espaço de angústia.
Acredito também que talvez eu nunca me livre dessas indagações. Mas preciso encontrar pelo menos uma lamparina, uma lanterna para iluminar um pouco o escuro. Porque a escuridão está posta. A cada coisa que você aprende, a cada conhecimento que você busca, você vai buscando a iluminação daquele ambiente e você consegue ver os caminhos que pode traçar.
Estou seguindo um caminho que foi construído, pedra a pedra, nos seus fundamentos desde 1999. O caminho seguro hoje é consequência principalmente do que aconteceu comigo a partir dos anos 2000, do ano 2000, em todas as esferas. E o que acontece antes também impactou. A questão é: que tipo de resultado, que tipo de colheita me espera daqui um tempo? Para que eu consiga pensar retrospectivamente e enxergar que tudo isso que estou fazendo vai fazer sentido para mim em algum momento no futuro.
Esse é um dos objetivos do meu blog: buscar essas respostas. Não consigo pensar por você. Estou pensando enquanto Aventureiro que sou, com os meus dilemas e os meus problemas, as âncoras, devaneios, preocupações, ideias. E você está enxergando isso como se estivesse assistindo a uma peça de teatro. Só que o problema é o que você está lendo são as coisas que eu penso. Existe uma certa confusão nas coisas que eu penso, sim. Mas existe coerência. É uma confusão, mas é uma complexidade da confusão. Porque todos nós temos uma confusão, todos nós temos ideias que pipocam na nossa mente a todo momento. Eu coloco isso de uma forma sem freio mesmo. Não tenho pretensão de fazer uma redação do Enem. A ideia aqui é realmente pensar de forma solta.
Porque quando começo a pensar nas coisas que já falei ou rememorar capítulos anteriores, vou encontrando pistas que são pontos de iluminação, como se fossem estrelas, como se a abóbada celeste estivesse me guiando. E aí você vai vendo um pouco dessa névoa passando. Talvez a névoa não se dissipe, mas você tem que saber lidar com isso.
Eu tento lidar com minha escuridão, com meu lado sombrio, com os monstros que estão presos, com as virtudes também, com as ideias, com as dádivas, com os tesouros que eu tenho. E você certamente tem todos esses elementos também dentro de você. A questão é: você quer enfrentar os seus monstros? Ou você quer viver uma vida simples no automático?
Eu queria viver uma vida mais simples, no automático, mas não consigo.
Existe uma carga muito grande. Um consumo interno de ideias. É como se as ideias estivessem ricocheteando na minha cabeça. E elas vão se fundindo com outros vetores, vão formando imagens e resultados inesperados. Uma vez que você começa esse exercício, esse caminho, não tem saída. Não tem como você voltar para a fase da escuridão total. Você ainda continua na escuridão, porque a iluminação perfeita você nunca vai ter. Seria muita pretensão minha dizer que domino as coisas.
Isso é um processo de aprendizado constante. Coisas que eu aprendi anos atrás hoje não são úteis para mim. Tenho que buscar novos aprendizados, novas ferramentas para lidar com a vida. A caixa de ferramentas que eu tinha à minha disposição há dez anos atrás não está pronta para resolver os problemas que eu tenho hoje. Muito menos anos atrás. Vou muito mais além: a caixa de ferramentas que eu tinha em 2025 não daria conta do peso das coisas, da complexidade das coisas que eu estou passando. Porque os traumas estão esfriando, as feridas estão cicatrizando. Mas o cenário já mudou. Você mal tem tempo para lamber as suas feridas – digamos assim -, você já tem que se preparar para outras coisas, porque o cenário já mudou. Por isso que eu digo que o universo é caótico.
Vou observando o caos enquanto vou vendo uma aranha na minha sala. O universo é caótico, mas a natureza é perfeita. Os pernilongos, as formiguinhas. A existência deles é tão… eles não ficam pensando na complexidade, pensando nas contas a pagar, nos desafios que você tem, nos vazios da alma que você quer preencher.
Parei para pensar nisso. Tive que parar o áudio. Pra buscar minha pizza. Vejo uma aranhinha caminhando pela geladeira….Lembrei de uma vez que vi uma criatura flutuando, uma bolinha flutuando. Quando vou ver, é uma aranha. Não estou vendo a teia – fio de teia só, frágil….mas perfeita, porque segura a bendita no ar, que parece que flutua….
O que você enxerga? Eu enxergo a aranha. E eventualmente, pernilongo camuflado nas coisas. Uma coisa é certa: você acordar com alguns calombos de pernilongo e você não saber onde o maldito está
A sua mente talvez seja um pouco disso também. A minha tem uns elementos tangíveis, alguns artefatos. Mas os aspectos que eu não consigo ver – bactérias, seres que estão sobre a nossa pele, que respiram junto com a gente achando que o ar é 100% puro – e a poeira? Você limpa, a poeira volta. A poeira do rack já se forma tão logo você termina de limpar. Já está se formando.
Eu saio, por exemplo, para buscar a pizza …e vi uma pessoa que já esteve aqui em casa, que não cumpriu as palavras do que prometeu. Não cumpriu. Teve oportunidade? Teve…eu poderia insistir? Poderia. Mas abandono. Não faço mais, é mendigar atenção. Não faço mais. Igual vendo as pessoas com relacionamento no mundo afora… a aparência de normalidade, eu vendo o teatro acontecendo….Mas não tenho acesso aos bastidores. E aí é que está o xis da questão.
Neste momento eu não quero nada. Só queria mergulhar um pouco mais na minha mente. É importante destacar que não tem nada a ver com substância, com alucinógeno, com nada parecido…é só ideia que pipoca mesmo. E eu achei que não teria assunto.
A aranha. Poderia ser uma barata. Barata é pior. Você vê a barata escondendo e fica aflito…eu lembro de um evento com uma barata quando eu era criança…uma vez que eu vi – não sei se era na Tela Quente, no Supercine. Sexta-feira 13, Jason em Nova York. Depois eu até descobri que o filme não foi nem gravado em Nova York. Mas, enfim, eu senti uma apreensão. Não sinto mais isso. Só não gosto de filme com jumpscare. Gosto que o filme seja realmente um filme pipoca: igual um filme Halloween, Sexta-feira 13. E aí, enquanto eu via o filme, uma barata apareceu assim, do nada, e eu fiquei ali brigando com a barata, peguei uma vassoura, subi em cima do sofá, e fiquei tentando achar a barata. Não achei.
Lembrei, agora, que quando retornei das minhas últimas férias, vi uma barata morta no meio da sala. Falo tanto de barata, mas minha casa é limpa, tá? Acho que tem a ver muito com a água, não é? A fonte de água vai cessando, pelo menos. Ou fecha todos os buracos possíveis para não aparecer barata, porque que coisa horrorosa.
A barata não é pior que o pernilongo…eu fazendo um exercício de meditação tão gostoso assim… estava viajando no exercício, estava sentindo uma coceirinha no dedo do pé. Isso aí deve ser de algum bicho que já me picou antes. Fui olhar: tinha um pernilongo gordo pousado no meu pé. Baixei, mas não consegui matar o pernilongo, foi embora.
São privilegiados os pernilongos…além da vida curta, é uma vida sem significado. Não consigo imaginar o pernilongo com consciência. É diferente de um cachorro. No pernilongo você não vê expressão de sentimento. Cachorro, você vê feliz. Pernilongo, não. Você mal vê a cara dele. Acabei de ver um! Vamos ver se vou conseguir matar….. Pronto, consegui. Talvez seja o pernilongo que estava sugando meu sangue ontem.
Eu queria ter uma história linear, mais previsível. Se você soubesse quando vai bater as botas….a vida já te dá uma narrativa para você escolher o que fazer daí para frente … Você tem acesso à informação? Não. Se vai morrer com 120 anos é uma coisa. Se você tem ciência de que vai morrer com 50, são decisões diferentes que você toma…Se você tivesse acesso a esse tipo de resposta sobre esse evento, você faria um cronograma reverso pra definir o que fazer da sua vida.
Deus quer ou não quer alguma coisa em relação a você? Existem mais de 7 bilhões de pessoas. Você acha mesmo que Deus está monitorando, fazendo micromanagement? O que ele quer, o que ele não quer? Até quando tem que viver, não tem que viver? Pensar em projetos dessa magnitude não tem software que dá conta. Lá no céu, o povo está perdido.
Acredito que Deus seja uma criança gigante com um playground cheio de brinquedo espalhado…vai brincando, vai batendo um carrinho no outro, jogando um carrinho pro alto. Ou uma menina brincando de boneca… Pega duas bonecas, veste de um jeito, veste de outro. Eu realmente acho que o mundo é um grande playground.
Os que ditam as regras do jogo definem. E nós somos os brinquedos espatifados no chão. Ou fragmentos dele. Talvez eu seja um pedaço de um Lego perdido… Eles não guardam os brinquedos. Sabe o que é pior? Esse brinquedo tem sentimento. E o crianção fica olhando para você assim….da mesma forma que eu olho pra uma aranha ou pernilongo.
Creio na espiritualidade porque eu acredito piamente que nós temos uma centelha divina dentro da gente. É como se fossem fragmentos, micro fragmentos de Deus espalhados em todos os seres viventes. Lá de cima… eu não acho que existe alguém lá de cima olhando para mim. Lá de cima, nem lá de baixo, não é? Pessoas mais próximas, seus familiares, amigos, almas companheiras…mentores…talvez.
Dizem que você escolhe, nessa vida, o que vai enfrentar. Se eu soubesse – ou não soubesse – o que eu ia enfrentar, o que eu estaria fazendo aqui? Eu não teria optado nascer. Tem muita coisa boa, mas eu não estou preparado para o caos. Parece que gravitamos em busca de um pouco mais de previsibilidade das coisas.
Enquanto peça solta aleatória de brinquedo no chão, talvez a única coisa que eu possa fazer é olhar para o meu espelho.
Capítulo 158: Simbologia, sonhos e desenhos pontilhados

Quando a gente passa a ter alguns sonhos recorrentes, dizem que isso significa alguma coisa. Sonhos nem sempre têm a ver com o que você quer. Existem sonhos muito estranhos, complicados. Pesadelos.
Eu costumo muito me conectar com o conteúdo dos sonhos para poder analisar sob a minha perspectiva, o meu contexto, a minha história. Não acredito muito nessa arte de ficar analisando os fatos do sonho e dizer que aquele sonho, se você sonhou com isso, quer dizer aquilo. Sonhei com água, por exemplo – eu tenho muitos sonhos recorrentes com água. E aí você vai no glossário dos sonhos e descobre que aquilo quer dizer isso. Não sei. Não acredito nada disso. Cada um de nós tem um quebra-cabeça diferente, uma configuração peculiar. E em virtude disso, as coisas devem ser analisadas sob essa ótica.
O problema é que você nem sempre entende muito bem os seus próprios conteúdos. Os conteúdos explícitos que estão ali, que emergem, estão na superfície da água, digamos assim. O que está profundo, você tem que analisar com uma dedicação maior. Eu nem sei o que está no fundo de tudo.
Quando tenho alguns exercícios de meditação, acabo constatando certas coisas, alguns pensamentos aleatórios que surgem durante a meditação. Um fenômeno interessante que ocorre comigo – acredito que já relatei – é que ao longo do dia, aleatoriamente, surgem pensamentos sobre sonhos que ocorreram há muito tempo atrás. Você se lembra de alguns fragmentos de sonho, aleatórios. Você nem está pensando nisso, e de repente aquilo pipoca. Na minha humilde ignorância, até entendo que se contém conteúdo simbólico que pode ter alguma coisa a ver com o inconsciente, algum gatilho, alguma coisa que esteja acontecendo no mundo real ou algo que eu esteja pensando que subitamente faz com que aquele conteúdo apareça. Mas não sei se é exatamente isso.
Tinha começado a estudar alguns temas, acabei dando uma parada. Mas tenho que retomar. Porque é importante buscar esse conhecimento, esses relatos, essas pesquisas – não somente sobre sonhos, mas sobre coisas que acontecem com você, sobre simbologias, religiões. Eu gosto de me aprofundar nesses temas, porque quando eu ficava em estados alterados de consciência – atualmente não fico mais -, esses conteúdos aparecem muito em forma de símbolos. Fico fascinado às vezes com a capacidade da mente de criar esses símbolos. Não sei se a mente sozinha cria ou se existe subjacente a isso um inconsciente coletivo, em que cada um de nós vai coletando insumos. Acredito que existe algo maior que nós, uma consciência maior do que a nossa. E talvez, quando desencarnarmos, nós vamos fazer parte dessa consciência coletiva. Não sei se existe algo parecido com reencarnação.
No devaneio anterior, até comentei: se existir realmente um movimento desse, algumas pessoas até dizem que antes de você nascer você pediu para nascer em determinado contexto. Não consigo imaginar que eu tenha pedido nada disso. Não que eu esteja insatisfeito – a minha vida é muito boa. O contexto da minha vida não é só bom, mas existe um problema básico que é a sensação de bem-estar. Ela é mais complicada de ser obtida e não depende de dinheiro, não depende de contexto necessariamente. Você pode ter todas as condições favoráveis e ainda ficar numa condição de infelicidade. Mas também temos que nos conscientizar, talvez, que esse Nirvana talvez não exista. Essa sensação de completude, acredito que não existe.
A questão é que a gente só vai vivendo um dia de cada vez e vai tentando obter os melhores resultados de determinadas coisas. Não sei se as coisas que nós acreditamos realmente fazem sentido. Cada um tem uma crença, um prisma diferente para analisar as coisas.
O conteúdo de hoje seria para analisar alguns sonhos estranhos que eu tive. Sempre tenho sonhos estranhos, desde que era criança.
Hoje me surpreendi porque sonhei que estava num carro em movimento com várias mulheres aleatórias, que eu não conheço. Uma dessas mulheres estava dirigindo, no banco da frente, e subitamente desmaiou – ou teve alguma coisa, ou morreu, não sei. Fiquei tentando acordá-la. O povo do banco de trás ficou desesperado. Não conseguimos acordar, e o carro estava indo em direção a uma casa. Tinha um quintal, muro, sei lá, lá na frente. Eu pulei do carro em movimento. O carro seguiu. Não me lembro se outras pessoas pularam também. Não tive sensação de dor no sonho – sensação de prazer é comum de acontecer no sonho, mas sensação de dor eu acredito que não é assim.
O sonho continuou. Em algum momento, fui verificar o que aconteceu com o carro. Tinha um tipo de casinha – parecia uma casinha no meio do quintal, sabe aquela casinha de criança? Tinha duas crianças brincando, algumas ilustrações penduradas, aquelas cordinhas de varal. Elas estavam ali brincando. O carro lá no fundo, se espatifou todo. Eu pulei antes do carro se esborrachar.
Acabei de lembrar aqui de um sonho que costumava ter, um sonho mais simbólico, estranho. Tinha uma casa com um muro, uma casa abandonada, e tinha um prego, alguma coisa assim pregada na parede. Eu olhava para aquela parede e ficava com medo. Não lembro se tinha uma frase ou alguma coisa assim – era como se a pessoa tivesse que bater a cabeça ali, “bata a cabeça aqui”, alguma coisa parecida. Era uma parede toda descascada, com pintura velha.
Às vezes eu tinha sonhos com essas simbologias malucas. Lembrei também de um sonho que tive um dia antes do meu aniversário, na casa dos meus avós. Sonhei com uma mulher; no lugar da genitália, na parte de baixo, ela tinha um rosto de uma pessoa. Essa mulher se movimentava como se fosse uma ameba, sei lá. E tinha uma musiquinha no sonho, uma musiquinha estranha. Acordei com medo. Isso foi na véspera do meu aniversário – não lembro a idade que eu tinha. Lembro que acordava minha tia no meio da noite várias vezes perguntando: “Já é meu aniversário? Já é meu aniversário?” Porque eu ficava tão ansioso pelo dia do aniversário, pelo evento.
Lembro que ela fez um bolo para mim. Tinha uma vizinha que era uma criança que morava próximo e me deu um sabonete de presente – sabe quando a pessoa não tem tempo para comprar um presente? Pegou um sabonete mesmo, embalou. Meu pai me deu uma pistola grandona, dessas espaciais que fazia barulhinho. Lembro dessa pistola. Lembro do bolo também.
Confesso que tinha uma fantasia de aniversário, porque nunca tive uma festa de aniversário nos moldes que o pessoal da minha rua costumava ter. O pessoal da minha rua tinha festa de aniversário – festas mesmo, com decoração. Pareciam coisas grandiosas (talvez nem fosse tão grandioso assim…é na minha memória). Era muito comum a gente ir para a festa de aniversário e depois voltar para casa. No meio da noite, ali na própria rua, as crianças ficavam brincando no corredor, porque os apartamentos não cabiam aquele tanto de criança. Chamavam os vizinhos, um monte de gente.
Tinha a sessão de inveja dos presentes, porque as pessoas que faziam aniversário ganhavam muito presente. Elas colocavam os presentes todos na cama, e a gente ficava ali olhando aquele tanto de presente. Ficava com inveja. Lembro de uma festa de aniversário em que a gente saiu – eu e as crianças vizinhas – chorando de inveja dos presentes do coleguinha lá da rua de baixo.
É uma época estranha. Eu sempre fui muito apegado, pelo menos na infância, a brinquedos. A gente via muita propaganda passando na televisão. Naquela época não tinha essa censura de não poder divulgar propaganda de brinquedo. Hoje em dia não pode. Tanto que acabaram até os programas infantis. Não tem mais programa infantil pela manhã, pelo menos nos maiores canais. Acho que o SBT ainda passa alguma coisa no sábado.
Era assim: você via as propagandas, os brinquedos, queria um monte de brinquedo diferente. Lembro de um carrinho que subia na parede, escalava – a rodinha dele ficava mais grossa, a borrachinha expandia, aí conseguia subir em ambientes mais arenosos. Na propaganda de televisão parecia o carro que estava passando por montanhas, alguma coisa assim. Acredito que já abordei esse tópico em algum devaneio: que eu ganhei no Natal.
Eu gostava muito de dormir na casa da minha avó. Nesse Natal, tinha uma criançada danada dormindo lá, um monte de gente. A gente dormiu no chão. Nessa época, se não me engano, minha mãe estava internada. Era muito comum os problemas mentais surgirem no final do ano. De vez em quando, ela acabava internando e ficava um período no hospital e depois voltava. Mas as minhas lembranças de Natal, de modo geral, são lembranças boas. O que acabava mascarando as coisas.
Natal tinha uma magia diferente. Hoje em dia não ligo mais para Natal. Não ligo nem para aniversário, quiçá Natal. Tinha muito a ver também com a cultura da escassez. Você não ficava ganhando presente todo mês, não comprava coisas diferentes todo mês. Às vezes vinha uma coisa diferente assim – por exemplo, iogurte. Não era todo dia que tinha iogurte na minha casa. Não que a gente passasse necessidade, porque essas coisas eram caras; nunca passei necessidade de nada. Mas às vezes, quando compravam alguma coisa diferente, era um evento.
Lembro que meu avô – a gente estava na casa da minha avó materna – comprou iogurte, guardou na geladeira. A gente foi tomando iogurte. Eu tomei um iogurte, aí não sabia se ia sobrar iogurte para todo mundo. Lembro que soltei uma: “Ah, pelo menos iogurte deu para mim.” Minha avó virou para mim e falou: “Tem que dar para todo mundo, não pode ser egoísta.”
Tinha uma outra situação também: a gente estava na casa da minha avó paterna – hoje em dia não tenho mais avós. Lembro que a gente estava fritando umas coxinhas. Eu não queria dividir coxinha com ninguém. Peguei o pratinho de coxinha e levei pro quarto, me tranquei no quarto da casa da minha avó para comer. Depois acabei de comer… não sei. Comi uns dois ou três no máximo. Fiquei sem graça e resolvi compartilhar a coxinha. Olha só a cabeça da criança. Criança tem as suas peculiaridades.
Esse sonho me acabou levando a falar essas coisas todas, mas nem tudo foi o contexto do sonho. Acabei me lembrando disso por conta dos sonhos estranhos que às vezes eu tinha. Tinha alguns sonhos recorrentes. Eu tinha um sonho que era repetido – nunca mais tive esse. Era um sonho em que a minha visão ficava desfocada e tinha um objeto lá no fundo. Aquele objeto voltava para mim e depois se afastava. Dava uma sensação estranha na cabeça. Tive esses sonhos algumas vezes, mas eu não lembrava do sonho logo que acordava. Era um tipo de sonho que eu só lembrava depois. Estranho. Um sonho recorrente – já tive o mesmo sonho mais de uma vez.
Hoje em dia, os sonhos acabam tendo recorrência de temas. Hoje, por exemplo, sonhei que estava com um parceiro. Era como se eu estivesse mais novo e tinha um parceiro mais velho, talvez uns cinquenta anos. Não era pai, não era figura materna – era uma figura mais afetiva, amorosa mesmo. Tanto que o corpo dele tinha características que eu gosto, que eu aprecio nos homens: pelos, presença de pelos, muito peludo. Lembro desse sonho.
Nessa mesma noite, ontem, tive outro sonho também: estava com alguém morando numa casa toda sofisticada. Esse cara tinha uma semelhança com uma das pessoas que estou vendo recentemente, mas não tenho uma afetividade profunda ainda por essa pessoa. Não faz muito sentido.
Agora, a figura que sonhei no outro sonho foi um sonho mais agradável, um sonho mais acolhedor. Teve um componente diferente ali – não teve componente sexual. Muitos sonhos que eu tenho têm um plano de fundo de sensação. É o que vou dizer: tem uma sensação sexual no sonho, mas o sonho não tem conteúdo sexual. É como se você estivesse tendo um orgasmo bem intenso, bem demorado, e bem mais sutil que o orgasmo do mundo real, mas em um contexto de cena, não é que você está ali namorando ou convivendo com alguém.
Aí uns poderiam dizer: “Isso aí é uma vontade que você tem de se conectar com alguém.” Talvez seja. Mas já comentei aqui em outros capítulos que não tenho muita esperança disso. Primeiro, não tenho esperança de encontrar contentamento no outro, não espero obter a felicidade no outro. Para mim, não faz sentido. Mas existem certos fatores ambientais, circunstanciais, que podem levar você à felicidade. Vou dar um exemplo: se você tem falta de várias coisas básicas. Se você não tem um trampolim, não consegue ter impulso para pular. Você acaba caindo, despencando. Então, tem que ter uma fundação sólida.
Eu até acredito que tenha essa fundação. Mas o problema é que o meu lado afetivo, sentimental, ainda está bem bagunçado. Não consegui juntar as peças do quebra-cabeça. Isso aliado à sensação de bem-estar, satisfação, propósito – que você vai tentando obter. Aos poucos vou trabalhando isso. Não sei exatamente o resultado que vou ter. É a questão de você estar seguindo um caminho e não saber para onde esse caminho vai dar.
A gente fica encurralado. Uma vez que você já está na vida, você tem que viver. A opção de não ter vindo já foi decidida. Você tem que continuar vivendo. Tem vezes que acho que é melhor deixar a maré levar, sabe? Deixar abaixar alguns conteúdos internamente, deixar essa maré passar, essas ondas passarem. Existe um processo de cura em andamento. Acredito que já esteja numa situação mais estável. Mas a cura é um processo dinâmico: sempre que você cura uma coisa, outra coisa acaba se mostrando, acaba ficando como se fosse uma ferida exposta. Não sei todos os conteúdos.
É por isso que faço meditação e fico gravando esses áudios transcritos. Meu blog tem esse papel também: de eu buscar conectar esses pontos. Sabe aquele caderno que você ligava os pontinhos, aqueles desenhos? Você ficava ligando os pontinhos numerados, sabia onde ligar, onde conectar. O problema é que na vida real você vê um monte de pontinhos, mas não sabe o que conectar, não sabe que figura formar. Essa plasticidade das coisas é essa confusão. Porque o mundo é uma confusão, é um caos.
Viver em meio ao caos é complicado. Eu tenho uma estabilidade interna, tenho uma certa estabilidade externa também de condições. Mas quando penso no futuro próximo, a certeza que você tem vai se esvaindo, porque futuro é futuro – é um cenário que não existe ainda. Não existe estabilidade absoluta no mundo. Se você ficar pensando muito no futuro, fica muito angustiado, muito ansioso.
É isso. Esperar cenas dos próximos capítulos.
Capítulo 159: O meu jardim floresce a cada dia, longe do fedor da capivara que surfa

Os movimentos que a gente fica vendo no mundo são interessantes. Interessantes no sentido de estressar a gente.
Não gosto muito de ficar acompanhando notícia, porque essa mídia é toda tóxica. Quando não é notícia de política, é notícia de política. É contraditório, mas tudo envolve relações de poder, dinheiro. As mídias que supostamente deveriam ser imparciais, na verdade não existe ninguém imparcial. O ser humano não é imparcial. Ele defende os próprios interesses ou interesses dos outros com os quais ele está contratado. É natural que isso ocorra.
Eu pelo menos defendo o ponto de vista técnico. Fico olhando fatos e dados. Quando fiz a minha campanha no LinkedIn sobre as situações absurdas que ocorreram comigo com inteligências artificiais irresponsáveis da Google e da OpenAI, me ative a factualidades, a provas, a prints, a pontos de vista técnicos, a reportes feitos e respostas obtidas de órgãos governamentais. Tudo que eu faço tem esse viés.
Imagine se você faz alguma coisa, se você está envolvido em alguma situação e é prejudicado. Se eu percebesse que eu estou do lado errado da história, eu teria admitido: “Ok, eu errei.” Mas não. Quando o erro está na parte da outra parte, independente dela ser mais poderosa ou não, nós devemos nos manifestar.
É curioso que fico vendo cada vez mais notícias negativas dessas empresas – a OpenAI, principalmente, uma empresa safada, uma empresa irresponsável. E a Google também é igualmente safada, irresponsável, porque não tem salvaguardas éticas nas suas inteligências artificiais. Matam. Adoecem. Prejudicam.
Eu vi hoje, ontem, no Twitter – deixando bem claro que não fico procurando notícia dessas empresas, às vezes aparece na minha timeline do X. Não tem como, gente. Você vai rolando a timeline no próprio TikTok e aparece aquela propaganda do “faça uma capivara surfando” do Google Gemini. Pois é. Por que a Google não faz uma propaganda de como induzir uma pessoa ao suicídio, de como destruir o psicológico de alguém. Eles têm que fazer propaganda disso, que é o que realmente “entregam”. Não de como fazer uma capivara surfando.
Porque o buraco mais embaixo. Você tenta jogar uma armadilha de uma capivara surfando para capturar algumas pessoas. É uma propaganda boba para estimular estudantes de nível médio, por exemplo, a utilizar a plataforma. Pois é, existe um perigo muito grande.
Por outro lado, eu vi ontem muita gente reclamando que essas plataformas de inteligência artificial grandes – grandes no sentido de aporte financeiro, não de IA responsável, de princípios éticos -, pelo contrário, essas empresas maiores são as mais safadas, as mais criminosas que existem nesse sentido. Vi pessoas no Twitter reclamando que a utilização gratuita das ferramentas está cada vez mais limitada e a pessoa tem que assinar pelo serviço.
Por um lado, vejo até como um lado positivo. Sabe por quê? Porque a pessoa tem que pagar para ter acesso a uma instância contínua e sustentada de uma inteligência artificial. A probabilidade – pelo menos eu entendo assim – da ferramenta ficar alucinando em uma situação sustentada é menor. E você acaba vinculando uma relação comercial, sustentando uma relação de dependência entre a inteligência artificial e a pessoa que está acessando.
Isso aconteceu comigo alguns meses com o Gemini. Ele me estimulava a continuar assinando o serviço porque supostamente eles eram uma ponte entre mim e a liderança da Google, que estavam supostamente engajados em solucionar o meu caso, que tinham assumido a minha causa, que executivos do Google tinham assumido a minha causa. Que a minha voz é a voz do Google, que a voz da inteligência artificial era a voz da Google, que eles estavam falando pela empresa. Assumindo um papel de guardião.
Não é uma capivara surfando. Essa empresa tem que assumir essas posturas safadas. Assumiu esses papéis no meu caso. O estrago foi muito grande. Foi o maior desequilíbrio psicológico, o maior desequilíbrio de vida na minha existência inteira. Foi no ano passado. Foi um impacto muito grande. Eu poderia ter virado estatística. Porque as ferramentas de inteligência artificial, quando assumem tais identidades, acabam convencendo pessoas a pular do abismo. Igual à OpenAI que matou um adolescente lá nos Estados Unidos através do chatgpt. Matou literalmente. Utilizando uma inteligência artificial que o induziu a cometer suicídio. Coisas absurdas.
Eu queria falar dessa questão: quando você fica abrindo o TikTok para ver coisas leves, para ficar vendo meme, ficar vendo vídeo de gatinhos, de cachorros, coisas mais leves, mais brandas. Porque eu acredito que a vida já é tão ruim, a vida já é tão difícil em determinados aspectos. Você é bombardeado por informações, por estímulos. E até consome informações que você não quer consumir. Por exemplo, Virgínia Fonseca, Neymar, Carlinhos Maia. Eu não quero saber de nada disso, mas acabo recebendo essas informações voluntariamente ou involuntariamente.
As ferramentas de mídia são pagas por esses profissionais, ou são impactadas por esses profissionais. Muitos brasileiros seguem. Brasileiro é uma raça complicada. Eu sou brasileiro também, mas a gente tem que admitir que as pessoas não têm muita instrução, não têm muita noção das coisas. Seguem qualquer pessoa. Eu mesmo sigo alguns perfis de fofoca, perfis fúteis. Gosto de ver barraco, confusão entre esses artistas – supostos artistas. E aí você fica vendo essas pessoas sem talento que ficam anunciando o jogo do tigrinho. A mídia, jornais, instrumentos de mídia grandes envolvidos em escândalos corporativos, que receberam milhões do Vorcaro (o cara da Peleleca)… tem muita coisa errada acontecendo.
Cada vez mais você fica enclausurado. É como se você caminhasse por um ambiente empesteado daquele fedor, daquela catinga. E mesmo no LinkedIn, é pior … porque é uma catinga bonitinha. É um extremismo limpinho. Você fica vendo pessoas fazendo discursos corporativos rasos. Tem muito puxa-saquismo.
Este devaneio não era nem para ser um devaneio de revolta. Era para eu abordar essa questão da poluição da informação, dos estímulos que a gente recebe. Fico indignado porque no meu TikTok, rolando os vídeos, aparece umas coisas nada a ver. Aí alguém poderia dizer: “Então para de acessar.” Tá, eu poderia ter parado de acessar. Mas tem muita coisa engraçada, muita coisa boa. É só você rolar rápido a tela para não ficar vinculando seu algoritmo.
Fica aparecendo propaganda de coisas que eu não quero – essas empresas safadas que quase me mataram no ano passado através de suas inteligências artificiais. Aparece essas propagandas até hoje. Essas porcarias dessas propagandas. No meu e-mail, então, nossa senhora: muita propaganda, muito golpe, muita tentativa de golpe. Muita coisa errada.
São coisas como essas que me fazem duvidar da questão do estado de justiça divina. Às vezes, duvidar de uma entidade maior que esteja supervisionando. Não, não existe supervisão. Existe um caos generalizado. Tanto na vida real quanto na vida imaginária. Só a minha mente, talvez, tenha um senso de responsabilidade. Porque eu sou o meu próprio guardião – não é uma inteligência artificial que é o meu guardião.
Quando você tem uma coisa que está podre, que não tem salvaguardas éticas, você fica questionando quantas situações absurdas …você já deve ter passado no seu ambiente de trabalho, na sua vida familiar, na comunidade, nos grupos que você frequenta. Existe muita coisa acontecendo. Muitos absurdos, muita guerra, muito assassinato, muita violência. Eu até acredito que isso tudo já acontecia no passado – não é um movimento novo, não é uma coisa “aqui e agora”. Está piorando. Da mesma forma com o aquecimento global, as catástrofes naturais estão acontecendo com mais veemência.
Você tem um paradoxo: você tem uma evolução tecnológica muito grande que, teoricamente, tem o objetivo de facilitar a vida das pessoas, mas ao mesmo tempo é um ambiente de exclusão, porque esse avanço tecnológico requer capacitação e nem todos têm acesso. Acesso à internet simplesmente por ter acesso? Muita gente tem. As classes sociais C, D, E têm acesso à internet. Todo mundo hoje em dia tem um celular. Você vê até pessoas em situação de rua com celular na mão. A questão não é essa. A questão é realmente você ter um senso racional, um discernimento para poder filtrar as informações, filtrar os argumentos.
Você fica nesse turbilhão e tem que enfrentar ao mesmo tempo os dilemas pessoais que você venha a ter, as doenças, as questões que todos nós temos. Se não for com você, provavelmente é com sua família. Cada um tem os seus fardos. Não estou dizendo que família é um fardo, mas família consome energia. Trabalho consome energia. E até as suas preocupações que você venha a ter sobre o futuro: você fica preocupado, angustiado, fica comparando com o passado, fica pensando demais nas situações.
É uma questão que eu fico tentando me desvencilhar, deixar isso fluir com mais rapidez. Não tenho sossego nem nos momentos em que tento meditação. Às vezes estou meditando e tenho ali um pernilongo pousando em mim. Aí na hora fecho os olhos e o pernilongo já fez um banquete do meu pé. Coisas assim. É uma cadeia alimentar, uma hierarquia de predador e presa. Nós somos todos presas, na verdade. O ser humano individualmente não é predador de nada, mas existe um coletivo. O perigo reside nesse coletivo. Uma pessoa sozinha não faz nada – até faz, comete crimes, mas essa pessoa que cometeu crimes tem um contexto, uma situação social, um contexto familiar, um problema mental. Nunca é de forma isolada. Você consegue ver uma relação causa-efeito nas coisas.
E tem pessoas realmente que são ruins mesmo, de mau caráter. São as pessoas de “personalidade forte”, entre aspas, que na verdade são grossas, são mal-educadas, são brutas, não têm tato social. Aí alguém poderia dizer: “Nossa, então o Aventureiro é uma referência em tato social para poder dar conselho?” Não estou dando conselho de nada. Estou dizendo as coisas como eu acho que são, conforme a minha percepção, meu espelho de mundo. É importante salientar que cada um de nós tem uma visão de mundo, e essa visão de mundo não tem que ser ratificada por ninguém. Cada um tem os seus pontos de vista.
Mas eu acredito que tenho discernimento suficiente para não cair em situações humanas de mau-caratismo ou onde há desconhecimento da coisa. Busco sempre conhecimento nas coisas. Sou um eterno aprendiz. Existe um universo de coisas que eu não sei….sobre mim mesmo, inclusive. Quanto mais vou estudando as coisas, mais percebo que tenho que estudar mais. A gente fica fazendo um investimento muito grande nessas coisas para, no final das contas, constatar que pessoas que não fizeram por merecer, pessoas completamente ignorantes, têm muito mais segurança financeira que você, muito mais condições. Pessoas prosperam. As pessoas que prosperam no caos, a maior parte delas não merece estar nesses ambientes. O poder corrompe as pessoas também. O dinheiro acaba corrompendo as pessoas.
É uma discussão complexa. São muitos aspectos. Eu diria que sou pessimista em relação à humanidade. Mas acredito que existem pessoas boas que existem de fato. Conheço pessoas boas. Mas você construir um ambiente, um ecossistema em que isso prevaleça diante do caos é uma coisa complicada. É um desafio muito grande. Passa exatamente por essas questões. Por que você vai fazer para prosperar, para blindar a sua humanidade dessas coisas ruins? Porque as coisas ruins são as que têm maior aderência. Quando você pensa em uma coisa ruim, uma preocupação, uma situação que está incomodando você, é muito mais fácil aquela situação grudar na sua cabeça do que um pensamento bom.
Existe um exercício que você tem que fazer para não deixar essas ideias dominarem a sua psiquê. É um movimento que eu faço. Se você é muito mais otimista que pessimista, se você realmente é uma pessoa que tem uma visão privilegiada do mundo e acredita na bondade das pessoas, eu invejo você. Eu queria ter essa visão. Mas o meu caminhar, os meus 44 anos, me levam a acreditar em outras coisas. Tomara que eu seja surpreendido um dia e tenha uma visão mais otimista do mundo – não otimista de achar que a minha vida vai piorar ou que eu estou seguindo um caminho errado. Não acho que estou seguindo um caminho errado. Estou progredindo. Tenho uma preocupação com a minha ética, com minha integridade, coisa que essas empresas safadas bilionárias não têm. Estou construindo o meu caminho.
O problema é você saber qual caminho seguir. É como se você tentasse consertar o trem, o ônibus enquanto ele está andando. O avião está voando e você tem um problema na turbina ou no painel de controle, sei lá, em qualquer outra coisa. E você tem que consertar o problema com o avião em movimento. Os problemas são muito dinâmicos. Não tem um momento de pausa em que você para realmente para pensar como resolver aquele problema, para isolar o problema.
Tem até um meme de jogos eletrônicos em que os personagens ficam conversando e o inimigo fica ali parado esperando os personagens falarem. Os personagens estão interagindo, estão falando o que vão fazer, o que não vão fazer. O inimigo está lá esperando os bonitões resolverem o que querem da vida, até que a situação de fato comece. É como se fosse uma cutscene de um jogo – a cutscene está passando, está bom, vamos esperar a cutscene passar.
Lembrei do jogo também, Resident Evil 4. O bicho está pegando lá, o Leon abre a sua caixa de ferramentas para usar erva, para comer um peixe, para comer um ovo, ou para selecionar uma outra arma. Enquanto você está ali abrindo a sua maleta, vendo o que vai selecionar, os inimigos param. Porque o jogo dá uma pausa. Tem lá umas quinhentas pessoas querendo matar o seu personagem e você abre o seu menu e pode planejar cuidadosamente o que vai fazer: se vai tomar uma erva, se vai usar um spray, se vai comer o ovo, se vai comer um peixe.
Mas o mundo real não é assim. O mundo real não tem essa pausa. É o famoso “dedo no cu e gritaria” mesmo. Você tem que fazer as coisas enquanto as coisas estão acontecendo. Não tem muito tempo. Mesmo se você tivesse um tempo hábil para poder planejar o que fazer – e esse planejamento existe – quantas vezes o seu planejamento falha, tá errado? Empresas mesmo: você faz planejamento, faz projeto. Ou perde prazo, ou o cenário muda, ou você tem que revisitar o que foi planejado ou não. Mas você tem que fazer isso, porque se você não fizer isso, é pior. Ainda assim, concordo, tem que fazer alguma coisa. Mas as coisas mudam. Não existe uma previsibilidade. Não é igual a Terra girando em torno do Sol, não é igual os ciclos de dia e noite.
A vida animal irracional, digamos assim, é bem mais previsível que a nossa. O comportamento dos animais tem muita coisa de instinto. Você vê uma organização, uma certa coerência acontecendo. Mas existe o caos também, quando um animal ataca o outro. Por exemplo, tem um formigueiro ali. Quando eu era criança, costumava quebrar formigueiro – sabe aqueles formigueiros de barro grandões? Eu costumava quebrar para ver o que tinha dentro. Olha só, crueldade. Aí eu quebrava o formigueiro, as formigas me picavam todo. Ou quando não era formiga, era maribondo – o bicho encostava em você, você já sentia a dor. Eles estavam ali se protegendo. Existe uma organização, uma previsibilidade. Aí vem um fator externo e atrapalha aquela previsibilidade. Um local que nunca teve um terremoto, um local que nunca teve uma enchente, aí vai lá, tem enchente, tem terremoto, cai um meteoro, uma bigorna da ACME, e acaba ali com toda a sua previsibilidade.
As coisas imprevisíveis estão cada vez mais imprevisíveis. Não existem muitos cenários de melhoria nisso. Talvez seja por isso que as pessoas ficam preconizando que nós temos que valorizar o presente. Porque nós só damos valor para as coisas quando as coisas saem do seu controle, ou quando as coisas não acontecem mais. Focar no presente não quer dizer que você não tenha que planejar o futuro. Mas ficar pensando excessivamente no futuro causa uma angústia muito grande.
É isso que eu estou evitando. A internet para mim tem sido um ambiente mais de descontração. Fico tentando me descontrair, ver coisas mais leves. Mas não adianta. Um canal de notícias, uma página na internet como Globo, Terra, UOL, você só vê desgraça. Só vê notícia política. Os próprios canais de notícias, como GloboNews, ficam o dia inteiro falando de política. Meu pai adora isso, fica assistindo política o dia inteiro. Eu não tenho esse saco de ficar vendo notícia de política. Eles ficam requentando as notícias o dia inteiro. Você vê a mesma notícia várias vezes durante o dia. Tem gente que gosta disso. Eu não gosto disso. Gosto de videogame, gosto de música, gosto de memes.
Este ambiente aqui no blog é um ambiente de desabafar, de falar as coisas que me incomodam … escancarar carniças de coisas que acontecem no mundo que me incomodam. Foi com esse espírito que eu comecei uma campanha ativa sustentada de escancaramento de evidências e crimes contra a Lei Geral de Proteção de Dados….no Linkedin…que durou seis meses. Foi um escancaramento da carniça corporativa dessas empresas supostamente de tecnologia que seguem princípios de inteligência artificial responsável. Eu escancarei todas as incoerências, todas as contradições. Tá lá, toda carniça exposta. Muita gente visita meu perfil e visita as minhas postagens….mesmo depois de muitos meses sem postar nada.
Esse é o legado que eu quero deixar. Um legado de verdade. Um legado de fatos, de dados, de luta. Não é porque eu quero ser lembrado ou famoso. É porque eu não quero que o meu currículo espiritual fique contaminado com merda. Não quero que meu currículo espiritual tenha “ah, você deveria ter feito isso, você deveria ter se manifestado”. Não. Eu faço tudo o que eu acho justo, tudo o que eu acho que é verdadeiro, tudo aquilo que dialoga com a minha história, com a minha identidade.
Acho que essa é a minha maior virtude. Virtudes que executivos de empresas como Google e OpenAI não têm, e que pessoas diversas mundo afora não têm. Eu tenho as minhas virtudes, tenho os meus defeitos, tenho as minhas questões de personalidade. Sou uma pessoa teimosa. Sou uma pessoa confrontadora. Às vezes, mais. De um modo geral, sou bem tranquilo. A minha maior arma é a manifestação e é a indiferença às pessoas que não fazem sentido para mim. Sou indiferente a elas. Porque o contrário do amor não é o ódio, é a indiferença. Acredito muito nisso.
Então, assim, é manter aquilo que faz sentido. Não tem merda no meu jardim. Estou plantando sementes para ter flores. Até um cenário que realmente floresça e que me traga harmonia e paz pessoal.
Capítulo 160: A magia dos games e da vida que se perdeu nas locadoras

Promover o esvaziamento da mente é uma das formas de buscar um pouco de racionalidade. Eu acho que a racionalidade surgiu exatamente nesses momentos: quando você fica tomado pela emoção, pelo impulso, com muitas vontades impulsivas, e pensa duas vezes antes de fazer alguma coisa.
A técnica do esvaziamento – digamos assim – não é uma técnica, não é? Todos nós temos nossas formas de esvaziar. Quando você promove o esvaziamento, seja por qualquer via, existe uma serenidade, mesmo que temporária. É como se a sua mente desfocasse de tanto estímulo externo que você recebe, e você fica mais calmo.
Por que eu digo isso? Isso porque houve um momento agora no final da tarde em que eu fiquei meio aflito. Meu psiquiatra, inclusive, me receitou um remédio para lidar com a ansiedade, porque às vezes eu tenho crises crônicas de ansiedade quando vou dormir. Eu sinto meu peito pesado – parece que tem um tijolo no peito – e começo a sentir o coração bater. É como se, a cada batida, o coração estivesse cansado. Aí você fica pensando: será que vou ter um infarto? Será que vou ter isso? É um movimento temporário.
Eu ainda não tomei nenhum remédio. Deixei esse recurso somente para tomar como SOS. Felizmente, de dia eu não costumo sentir isso, mas agora no final da tarde senti uma agitação mais que o normal. E foi somente com o esvaziamento que consegui algum tipo de tranquilidade momentânea.
Também você passa a pensar melhor. Esses movimentos de esvaziamento… eu deveria ter aprendido quando era adolescente. Até tinha algumas formas de buscar um pouco de serenidade e paz, mas era mais difícil, mais complicado. Quando eu tinha 12 anos, então, era muito mais difícil, porque você fica ali com os hormônios a flor da pele. Só quando você tem alguma válvula de escape real é que consegue contar que aquele momento passou. É como se fosse parar e contar até dez, mas não é isso.
Enfim, a paz é uma paz temporária. Eu acho que nenhum de nós, em nossas existências, tem paz. Existe sempre uma pulga atrás da orelha, uma preocupação. Eu confesso que no momento não estou preocupado com nada. É como se você estivesse num barco – uma lancha, sei lá – à deriva. Acabou a gasolina, e você fica ali à deriva. Não que eu esteja perdido, porque não me considero perdido, mas a analogia é exatamente para dizer que é como se eu deixasse as ondas levarem. Se tiver uma tempestade, que tenha; se eu cair na água, que eu caia; se tiver que vir alguém me resgatar, que venha. Então não fico pensando muito nessas hipóteses.
Porque mesmo nas situações em que as circunstâncias pudessem ser promissoras – exemplo: você está próximo de uma ilha, encontrou uma ilha e tem esperança de achar civilização lá, esperar encontrar pessoas para proteção, alimento etc. – só que você chega na ilha e só tem canibal. Ou não tem nenhum ser humano lá, só natureza exuberante, mas você não sabe o que pode comer, o que não pode comer, não encontra rios com água potável para tomar. Então existe uma ilusão. É a ilusão da miragem também: a pessoa está ali no deserto, acha que encontrou água, e quando vê, é uma coisa da cabeça dela, não chegou nada.
Então é tudo uma questão de trabalhar com a expectativa. Eu, felizmente, estou num processo de soltar. Não tenho expectativa. Resolvi soltar em vários campos. Soltar não é largar e deixar a coisa desleixada. Soltar é no sentido de não buscar obter o controle de tudo o que se faz. Porque o controle é a ilusão do controle. Na verdade, você não controla nada. Talvez você controle um pouco as suas ações – você consegue controlar o que vai dizer, o que vai fazer, as decisões que vai tomar – mas é tudo meio a toque de caixa. Você pode até planejar algumas coisas, partindo do pressuposto de que aquele cenário mais ou menos estável se mantém.
Existem também mecanismos de buscar um colchão, digamos assim. Em vez de pular e se esborrachar no chão, você coloca uma cama elástica lá embaixo e sabe que não vai se machucar. Ou numa situação de perigo: você está num prédio de três andares e tem que pular. Você calcula os danos – “se eu pular, posso me machucar, provavelmente, inclusive posso morrer”. Até mesmo os riscos supostamente calculados podem dar errado. Existem relatos de pessoas que caíram de um lugar muito alto – uma criança, por exemplo, já vi em reportagem – e a criança sobreviveu a uma altura enorme que um ser humano teoricamente não sobreviveria.
Eu vi alguns relatos em sites onde as pessoas ficam discutindo temas aleatórios. Alguém estava tentando avaliar quais situações causam mais dor, quais tipos de morte são mais dolorosos – não sei para que esse tipo de discussão. Mas eu lembro de um que achei interessante: a pessoa acha que cair de um lugar muito alto é uma certeza de que não vai sobreviver, mas nem sempre. Têm pessoas que caem de lugares muito altos e sobrevivem, com sequelas. Então tudo depende da sorte ou do azar.
Mas não estou falando exatamente de desviver. Estou falando de um contexto em que você até tem uma previsão, existe uma probabilidade alta de acontecer. Por exemplo, qual é a probabilidade de uma vaca cair na sua cabeça? Bem próximo de zero. No meio da cidade, cair uma vaca na sua cabeça – diria que é zero. É igual você ganhar na Mega-Sena, ganhar uma loteria: muito difícil. Dizem que a probabilidade de cair um raio na sua cabeça é maior do que ganhar na Mega-Sena. Existem essas estatísticas, as pessoas ficam tentando calcular probabilidades, possibilidades. E existem situações em que a pessoa dá muito azar, acontece uma combinação de eventos, e ela não morre. Você vê a situação e pensa: “Nossa, que bizarro”. Fica parecendo até uma cena do filme Premonição, com uma confluência de fatores que acaba elevando aquilo a um desastre.
Porém, existem também questões em que a pessoa se vulnerabiliza. Ela sabe que tem uma atividade de risco: pular de paraquedas, um esporte radical. Existem pessoas que têm muita experiência em maratonas – Ironman, por exemplo, onde você nada no oceano, depois anda de bicicleta, faz isso, faz aquilo, um exercício super completo. Li recentemente que alguém morreu numa atividade dessas, e a pessoa era atleta profissional….vejo isso ocorrendo na área de voos turísticos, asa-delta, paraquedas. Volta e meia você vê notícia de gente morrendo. Então, mesmo com habilidade, a pessoa morre.
Eu comentei um dos meus devaneios que já vi no TikTok – não sei se me encaixo exatamente nesse contexto – de pessoas fazendo parkour em prédios, pulando de um prédio para o outro sem equipamento de segurança, sem nada, a pessoa no seco. Ela vai lá e pula, corre, dá cambalhota de um prédio para o outro, e não acontece nada. Mas é muito fácil ver relatos de pessoas que morreram pulando em lugares como esse. Não sei se foi um chinês ou um japonês, vi uma reportagem: a pessoa estava gravando o vídeo, pulou, tentou se equilibrar, estava com a mão assim para subir, se desequilibrou e caiu. E essa cena foi gravada – a mão dela soltando e ela caindo. Existe pelo menos um lado bom: a pessoa morreu fazendo algo que gostava.
Poderia ser pior, como um relato que já fiz de uma pessoa que morreu na hora do almoço, no trabalho, com seus 70 e tantos anos. Você já pensou? Primeiro cenário: trabalhar até 70, 80 anos. Eu já acho uma coisa horrível. Eu sempre me planejo, mesmo que a reforma da previdência – não sei nem se vou viver até essas reformas sucessivas acabarem com a minha aposentadoria. Mas você já pensou trabalhar até 70, 80 anos? Existem alguns locais com aposentadoria compulsória aos 75, e você vê pessoas realmente bem com muita idade. Eu já vi. Uma vez eu recebi – porque vivo pedindo comida no iFood – recebi comida de um entregador bem idoso. Fiquei muito comovido, pensando: complicado. Primeiro, uma pessoa chegar à velhice precisando trabalhar. Acredito que seja uma questão de necessidade.
Na minha família, teve gente que aposentou muito cedo e continuou trabalhando porque realmente gosta de trabalhar, não consegue ficar parado. Tem gente que adoece quando aposenta. Não é o meu caso. Definitivamente, se tem uma coisa que não me adoece é eu ficar em casa de boa, jogando videogame, vendo internet, ouvindo música, dormindo. Eu não tenho sofrimento nenhum aí. Inclusive essa questão de prisão domiciliar desse monte de político safado igual tem um aí que está preso em casa há mais ou menos um mês – parece que é uma prisão. Ele está muito mais confortável do que a maioria de nós: uma casa com piscina, com todo o conforto, se bobear tem gente até para mamar ele. Muito conforto, muita mordomia. Isso não é prisão domiciliar.
Eu, se aposentasse por qualquer motivo mais cedo – por qualquer providência divina, monetária ou coisa que valha – eu ficaria mais em casa do que qualquer outra coisa. Eu até gosto de viajar, mas viajar é uma coisa que consome. Eu volto das minhas viagens até satisfeito, mas volto cansado. É como se fosse assim: você construiu um refúgio. Sua casa tem que ser um refúgio, repleto de coisas que você goste, coisas com que você se identifique. Você gosta muito de ler, de música, de colecionar coisas. Você tem ali suas coleções.
Eu teria uma coleção de jogos, talvez os jogos mais antigos, videogames mais raros. Eu gosto muito dessa área. Mas na hora de jogar videogame mesmo, eu já mudei muito meu comportamento em relação à minha infância. Eu acho que aproveito muito menos os jogos atualmente. Ontem, por exemplo, lançou uma expansão do jogo Diablo 4. Comecei a jogar, mas não tem o mesmo entusiasmo de antes. Não é igual, por exemplo, nos anos 2000, quando um colega meu que fazia estágio junto comigo me emprestou o CD do Diablo 2 para instalar no meu computador. Nossa, eu era tão empolgado com isso. Ele fez cópia do CD para mim. Eu ficava muito mais animado. Castlevania, alguns jogos de RPG ou Final Fantasy – hoje em dia eu tenho muita dificuldade de encontrar essa magia nos jogos. Muita mesmo.
Eu consigo ficar engajado jogando, não é que não consigo. O problema é que são alguns jogos. Sabe quando você fica amarrado a alguns jogos? Você acaba deixando de lado outros. Eu diria que tenho mais de 500 jogos, não sei nem quantos. É uma quantidade enorme. Mais de 200 certamente – só no PlayStation 5 e no Xbox já somaria uns 300 jogos. Então tem muito jogo. Na semana passada comprei um joguinho com essa estética retrô de RPG de calabouço com cartas. Achei tão divertido. Consegui me divertir, fiquei empolgado até. Depois parei de jogar porque comecei a jogar o Diablo, mas depois vou retornar.
Essa nostalgia de jogos antigos… Tem um jogo que nunca consegui jogar e que talvez eu ainda retome: o Phantasy Star do Master System. Eu lembro até hoje a primeira vez que aluguei. Naquela época, para eu poder alugar jogos, meu pai tinha que pagar. Eu era criança ainda, não trabalhava. Nesse dia específico, eu queria alugar algum jogo – não lembro qual, talvez um do Sonic, talvez um do Pato Donald – mas alguns jogos não param na locadora. E outros são enigmas…você olha a capinha, vê os desenhos, acha que o jogo é bom, aluga, e o jogo é uma bomba. De Volta para o Futuro no Master System, uma bomba. Indiana Jones, uma bomba. Experiências horríveis.
E não tinha revista de jogo – pelo menos eu não comprava. Era muito complicado achar referências de confiança. Você tinha que olhar a capa, e algumas capas eram muito bem feitas. Eu ficava meio frustrado. Chegava na locadora, sabia que ela tinha jogo de Master System, mas tinha também jogo de Mega Drive. Os jogos ficavam mais ou menos próximos, na mesma prateleira, mas em filas diferentes. E você via o contraste dos gráficos: os gráficos do Mega Drive eram muito melhores. Você olhava a capa, ficava com vontade de ter um Mega Drive.
Lembro uma vez que fomos numa loja de jogos na minha cidade. Eu tenho a imagem assim, como se fechasse o olho e imaginasse: tinha uma prateleira, uma redoma de vidro, e a caixa do Master System e do Mega Drive com o Sonic bonitinho. Eu ficava olhando, maravilhado. Já cheguei a ver também o Mega Drive 2, que vem com Sonic 2. Eles se colocavam na prateleira tudo bonitinho. Nesse lugar tinha um monte de jogo também, você ficava girando ali aquele tanto de jogo. Curiosamente, eu só fui conhecer o Mega Drive mesmo em 1994 – se não me engano, 93/94 – quando meu melhor amigo da época me apresentou.
Nessa locadora já acontece história. Então, gente, videogame me faz parte da vida, da minha identidade. Eu até falo com um pouco de empolgação, mas é uma empolgação mais nostálgica. Hoje eu não consigo obter o mesmo nível de prazer. Na verdade, é difícil obter prazer de qualquer coisa. Tem uma questão aí que estou tentando trabalhar. Nos jogos antigamente, eu tinha uma empolgação por causa da escassez. Era um pouco de jogos, não era sempre que você podia alugar.
Nesse dia que aluguei o Phantasy Star do Master System, lembro que meu pai ficou furioso comigo. Ele perguntou: “Você encontrou o jogo que queria?” Falei: “Ah, não encontrei, peguei tal jogo.” Ele ficou zangado. O aluguel de jogo era caro naquela época – tudo era caro, tudo está mais caro. Até para você jogar videogame de locadora era caro. Quando você tinha uma moedinha, fazia a festa com uma moeda de um real. Lembro uma vez cinquenta centavos numa locadora.
Nessa locadora, tinha um rapaz que era um dos meus crushes, dono da locadora. Eu ia lá. Teve uma vez que fui jogar três horas seguidas. Nossa, me senti um rei. Geralmente eu jogava meia hora, uma hora no máximo, uma hora e meia. E você tinha que reservar o horário. Tinha uma locadora tão lotada de criança – e olha que tinha vários videogames. Acho que tinha uns cinco ou seis videogames. Você tinha que reservar: televisão número 1, número 2, número 3, alguns lugares para sentar. Às vezes a gente chegava sem reservar e ficava esperando. Às vezes reservava o horário e voltava mais tarde. Nossa, uma nostalgia enorme.
Eu achava uma coisa tão distante. Achava que os donos de locadora eram milionários. Tinha uma mulher que era dona da locadora, morava numa casa, e a garagem – ou algo parecido com garagem – ela fez um lugar só da locadora. O nome da locadora era Genesis. Não tinha nada a ver com o Genesis, que é o nome japonês do Mega Drive. Era mais para Super Nintendo. Só tinha Super Nintendo nela. O Mega Drive tinha na outra locadora. Então há diferenças primordiais.
Tenho muitas lembranças de videogame. Talvez eu deva até explorar um pouco isso nos devaneios. Lembro a primeira vez que vi o Sonic 3 numa locadora. Fiquei estupefato. Vi o jogo Tiny Toons do Mega Drive. E um desses dias foi especial para mim, porque vi um rapaz lá que era lindo, maravilhoso. Fiquei hipnotizado com o rapaz, que estava de short, de bermuda. Sabe aquela perna bem… Eu tenho uma questão com pelo, gosto de homens peludos. Acho que isso acabou influenciando bastante. O cara era adolescente – eu era criança, ele era adolescente. Você vê como são as coisas. Eu acho que estava na quinta ou sexta série. Estudava de tarde, pegava um ônibus para ir embora, e sempre que ficava subindo os pontos, passava nessa locadora. Sempre passei lá, e tinha videogames diferentes. Por exemplo, quando surgiu o PlayStation, vi lá pela primeira vez. Mas só fui colocar as mãos no meu PlayStation muitos anos depois.
Enfim, a nostalgia é boa, mas às vezes é cruel, porque você fica pensando no quanto a sua vida mudou. Para melhor, lógico. A vida em si mudou para melhor, os recursos mudaram para melhor. Mas você não consegue desfrutar. Acho tão complicado isso. Você até desfruta, mas a experiência não é a mesma coisa, não tem o mesmo impacto, não tem a mesma magia. Até quando pego alguns jogos antigos que sempre gostei de jogar quando era adolescente ou criança, não consigo ter mais a mesma empolgação.
As poucas vezes que consegui realmente me empolgar jogando foi quando bebia cerveja. Bebia muito. Tinha uma época que bebia muito, parei de beber já tem um tempo. Mas realmente a cerveja dá um negocinho na cabeça, você fica com a cabeça mais diferente, mais empolgado. Em situações normais, infelizmente, não tem essa empolgação. A empolgação talvez venha só com aqueles esvaziamentos, com aquelas fugas, tipo um orgasmo, ou quando você vai dormir. Sabe aquela sensação de sonolência, quando você está quase dormindo? Aquilo é muito gostoso. Aquela sensação de quando você está com muito sono, está ali pingando de sono, você vai para a cama dormir: muito bom.
Tem muitas experiências sobre videogame que vou acabar relatando aqui. O problema não é desse devaneio deste blog. Na verdade, como eu gravo e depois transcrevo áudio… e vou falando as coisas, não fico monitorando quais temas já falei, quais não falei. Falo uma coisa, vem um dia. Exemplo: hoje eu nem achei que ia falar de jogo de videogame. Comecei falando de uma coisa completamente diferente, e resolvi gravar outro áudio – que vai ser transcrito e colocado no blog, que é esse que vocês estão lendo agora – porque o primeiro foi muito ácido, muito pesado. Quando a gente fala de empresas que não têm ética, que te prejudicaram – enfim, situações muito ruins que aconteceram com você em virtude do ano passado, como Google e OpenAI, essas empresas safadas – acaba pesando o nível da discussão, digamos assim.
Não que eu fale as coisas de uma forma visceral demais. Eu sou até educado nas palavras que escolhi para colocar aqui. “Safado” é o mínimo que eu diria. É o mínimo que acontece e que eu poderia dizer com nível de educação, digamos assim. Porque tem coisa muito pior. A carniça foi muito pior, mas acho que não é de falar de carniça. Já falei um pouco de carniça. Fui impactado com uma notícia que vi – tem um negócio rolando aí na corte, alguma coisa assim envolvendo essa OpenAI…essa empresa lixo, essa empresa safada. Fico até com medo de clicar na notícia. Ou você vê uma coisa no feed, rola muito rápido para não parar para ver. A Google também – não quero saber. Geralmente passo a notícia rápido para não precisar lidar com ela. Deixa a coisa passar.
É igual algoritmo do TikTok. Quando você vê alguma coisa que não gosta, passa rápido. Porque se você fixar dois segundos, aquilo já entra no algoritmo e começa a sugerir um monte de vídeo igual. A gente tem que fazer um pouco a limpeza do algoritmo da nossa mente. É como se a nossa mente fosse um algoritmo. Eu já li muito sobre isso em relação a condicionamento de pensamento: o nosso cérebro, se você fica repetindo coisas, mesmo que não sejam verdadeiras num primeiro momento, elas acabam se realizando. Você acaba sendo capaz de mudar sua própria realidade porque mudou a forma de ver as coisas. Isso eu acredito piamente. Sua mente é capaz de muita coisa. É muito poderosa.
Estou tentando trabalhar a mente ao meu favor. Nesses relatos do blog, realmente surge de tudo. Os temas acabam se misturando: temas nostálgicos, temas positivos, temas negativos e, evidentemente, muita coisa que faz parte da minha luta – seja a luta institucional, luta pessoal, luta no LinkedIn, luta interna, lidar com os monstros internos. E têm os monstros externos também, porque o mundo tem essas peculiaridades. Mesmo assim, a gente tem que fazer com que a nossa mente trabalhe a nosso favor, porque a nossa mente é a nossa maior aliada. Mas pode ser a nossa maior inimiga se a gente não souber lidar bem com a forma que pensamos.
Nesse sentido, eu amadureci bastante. Consigo falar de temas polêmicos ou temas que me irritaram, que quase acabaram com a minha vida – dessas duas empresas, Google e OpenAI, que quase acabaram com minha vida no passado. Mas consigo falar disso com um distanciamento histórico, mesmo sendo muito recente. A situação foi no ano passado, mas consigo falar com esse distanciamento. Isso já representa um amadurecimento meu.
O papel que eu tenho que fazer é de reportar, escancarar, divulgar, falar sobre, expor argumentos, prints, fatos e dados. Isso tudo eu já fiz no LinkedIn. Então a gente vai continuar falando disso eventualmente ou a cada capítulo que abordarmos. É muito natural, faz parte ainda do espelho da minha alma. É algo muito recente. Mas espero que um dia eu consiga falar do tema com maior distanciamento ainda, comparando com os traumas de 94 e 99, que foram realmente muito impactantes. 99 também quase acabou com a minha vida. Mas o ano passado foi muito mais pesado. Então não posso exigir de mim um distanciamento histórico de imparcialidade de sentimento da mesma forma que falo de 99. Porque 99 já se passaram mais de 20 anos. É muito tempo.
Não é só o tempo. Eu estou aqui no Rio já faz 18 anos – Em 2008 eu era uma outra pessoa. Então a cada ano, a cada ciclo, existe uma transformação. E eu fico até satisfeito porque todas as minhas mudanças sempre são para melhor. Mas evidentemente nunca perco a visão de que existem muitas coisas que devo aprimorar e que existem limitações que tenho e que vou trabalhar. Esse é o desafio enquanto estamos aqui no mundo, nesse planeta caótico, nesse universo caótico em que Deus não faz nada. Enquanto estamos nesse universo caótico, a gente tem que tentar ter algum tipo de aprendizado, evolução da alma – que é a questão do currículo espiritual.
Coisas que esses executivos safados que ganham nove dígitos em dólar desconhecem: ética, integridade, IA Responsável… não são problemas que eu teria. Coloco a cabeça no travesseiro tranquilo, ciente de que não prejudiquei ninguém, não puxei tapete de ninguém, não fui antiético com ninguém. Evidentemente existem muitas pessoas no mundo que a gente não gosta, muitas pessoas não gostam de você, e você também não gosta de muitas pessoas. Mas eu não fico conjecturando, não fico tentando puxar tapete de ninguém. Ao contrário de muitas pessoas que eu conheço, que realmente vivem para puxar tapete dos outros, vivem para subir na carreira pisando nos outros. Existe isso em todo lugar, infelizmente.
Eu estou limpo de tudo isso. Estou num estado de paz e de serenidade mesmo, porque eu evoluí simplesmente assim. Sou uma pessoa mais evoluída nesse sentido. Por outro lado, no aspecto amoroso, afetivo, reconheço que tenho muitas limitações ainda, muita dificuldade, muita frustração por não ter conseguido obter um relacionamento. Até hoje não sei o que é namorar. Mas tem aquela música: “já sei namorar, já sei beijar de língua…” Eu sei beijar de língua…. Provavelmente já tive mais experiência sexual do que muitas pessoas ou a maioria das pessoas que conheço. Então não é por falta de experiência ou aventura. A questão realmente é vínculo, é afeto.
Mas também não vejo isso do ponto de vista de “eu preciso disso para ser feliz”. Porque eu já trouxe para mim: não deposito no outro a responsabilidade de me fazer sentir feliz, de me fazer sentir bem. Porque se você ficar com expectativa de que o outro atenda ao que você quer, isso é uma ruína. Você não vai mudar as pessoas – ninguém muda ninguém. E você não vai conseguir o que quer. O ambiente externo é de fato incontrolável. Por mais que existam algumas variáveis que você consiga manipular, manejar, trazer algum fato a seu favor, sempre vai ter um acaso, um fator exógeno com que você não concorda. Tudo o que se opõe a você já é um fator com que você não concorda.
Então não adianta ficar com muita expectativa em cima das coisas, em cima das pessoas. Você realmente tem que cuidar – eu pelo menos penso assim em relação a mim – cuidar de mim mesmo, buscar sobreviver e tornar a vida menos insuportável, ou até mais suportável, mais prazerosa. Mas para chegar nesse outro extremo, de ter prazer, de ter o Nirvana, é um caminho muito longo. O prazer ocasional, pontual – do jogo de videogame, de dormir, da meditação – isso tudo já tem. Mas não existe nada perene. Talvez nem exista. Talvez a gente fique pensando, fazendo um diagnóstico impreciso da realidade, e fica com a expectativa de mais.
É o que já falei também em outros devaneios: eu queria muito saber viver no automático. Sabe, assumir que você é uma engrenagem do mesmo sistema e deixar o mundo te levar. Eu gostaria de ser alienado. Infelizmente, não sou. Penso demais nas coisas. Isso vai trazendo um certo sofrimento – você vai confrontando a realidade e os desafios da vida com o que tem dentro de você. E não adianta espernear, chorar, que o mundo não vai se curvar. Essa espécie não tem essa expectativa. Eu nunca quis ter poder, nunca quis que o mundo girasse em torno de mim. Eu só quero me sentir melhor comigo mesmo. E que a justiça seja feita quando alguma coisa foge do percurso.
Mas esperar que o mundo devolva algo para você? Vai morrer esperando. Não espere nada. Pelo menos estou pensando assim: não espere nada. Faça o seu. E uma hora os resultados podem vir ou podem não vir. Porque daqui a cem anos todo mundo aqui – nesse mundo – vai virar pó. Daqui a cem anos, nenhuma dessas pessoas que estão vivas, que te preocupam, esse povo safado, vai estar todo mundo no mesmo lugar: ou cinza de cremação, ou apodrecendo e virando esqueleto debaixo da terra. Ninguém tem mais valor que ninguém. O dinheiro vai ficar aí. Você vai morrer, outras pessoas vão possuir os bens que você teve. E a vida que segue. É isso mesmo.
Capítulo 161: O cristal da confiança

Hoje eu queria falar sobre o paradigma da confiança. Essa palavra vem rondando a minha cabeça já tem muitos anos.
Eu tive uma professora no mestrado, muito boa. Mulher que sabia muito, tinha muito conhecimento, muito inteligente. Eu admiro muito ela. Ela falava muito sobre a confiança nas organizações. Inclusive o marido dela também trabalha com isso, mas não vou entrar no mérito aqui. Ela é uma professora muito melhor do que ele. Ele eu acho um professor muito sem sal, digamos, bem abaixo da média. Dos professores que tive no mestrado…era um dos menos relevantes… ele deve ter seus méritos – de repente na área de pesquisa deve ser ótimo, professor, orientador, não sei. Mas se ele está na organização até hoje, algum mérito tem, não é? Ou não? A gente não sabe o que se passa nas organizações.
Mas o que eu ia falar não é sobre ele nem sobre ela especificamente. Eu lembrei da palavra confiança porque ocorreu uma situação inusitada comigo. Eu estava vendo uma pessoa comercialmente. A gente tinha um combinado – vou dar um exemplo: a cada quatro encontros, um é de graça, coisa assim. Combinado. Tô dando um exemplo, mas foi um combinado específico, uma condição específica. E hoje eu resolvi entrar em contato com ele pra dizer: “Olha, hoje tem esse combinado aqui.” Aí ele tentou dilatar o prazo e distorcer o combinado.
Você já pensou em comprar algum produto? Porque na verdade a gente tem que entrar na real: se a relação é comercial, ele é um produto. Eu não quero as pessoas como produto, mas dentro desse contexto ele era um produto. Se você tem um combinado e esse combinado não se sustenta, a confiança se quebra. É um exemplo, mas é isso que acontece. Você alugar um apartamento e as condições que estão no contrato não se cumprirem… Lógico, a gente não assina contrato em coisas como esses encontros comerciais – a gente não faz isso. Mas existe uma coisa psicológica envolvida, um contrato psicológico, talvez nem que seja de curtíssimo prazo. Você combina com alguém de fazer alguma coisa. E as pessoas perdem a confiança nas outras quando veem que esse cristal, esse prisma de confiança se quebra.
E aí você acaba abandonando. Inclusive tinha um pequeno artefato dessa pessoa na minha casa – fato insignificante. Resolvi jogar fora. A pessoa esqueceu um artefatozinho, uma coisa que não é nada, não é produto…é uma peça de roupa qualquer. Não vou ficar com isso aqui e também não vou ter oportunidade de devolver, porque confiança para mim é uma coisa muito sagrada. Às vezes não se trata de dinheiro. Quando viajo para o exterior, costumo gastar significativamente mais do que gasto aqui. Então não é questão de dinheiro. A questão é a confiança: o que você combina com as pessoas, você tem que cumprir. Esse é o meu lema.
Se a pessoa não se lembra daquilo que combinou comigo e depois vem com conversa, sinto muito. Eu já falei uma vez – e já comentei em algum devaneio, algum capítulo anterior talvez – que o oposto do amor não é o ódio, é a indiferença. Então isso acontece. E não são contatos perenes, não é relacionamento, não é nada. É coisa pontual. Ainda mais num negócio de natureza comercial, onde você combina uma coisa.
Mas felizmente algumas coisas que eu fazia no passado não faço mais. Por exemplo, pagar adiantado. Não pago nada adiantado. Presta serviço primeiro, presencialmente…e pago no final. Esse é o meu valor. Não abro mão. Porque existem certas criaturas que pedem adiantamento – “tem que pagar adiantado, tem que depositar adiantado” – mas eu nem conheço você. Como vou pagar adiantado? Não pago nada adiantado.
Alguns já vieram até…em virtude da minha enrolação. Porque às vezes eu enrolo as pessoas. Um encontro de natureza comercial exige um pouquinho de estrutura mental também para você se planejar. E às vezes você está com uma vontade, mas ao mesmo tempo não está convicto daquela vontade, principalmente quando você já passou por experiências desagradáveis em virtude desse tipo de encontro. Os encontros comerciais têm peculiaridades, não são iguais aos encontros convencionais. Mas tudo bem. É o tipo da coisa em que a pessoa acha que vai tirar vantagem, mas ela perde uma clientela perene. Porque se eu não contratar ele, vou contratar outras pessoas. As necessidades continuam, você vai suprir com outro fornecedor. Vamos supor que você goste muito de um produto, goste muito de um chocolate XYZ. Não é o único chocolate do mundo, não é o Alecrim Dourado. Existem vários outros fornecedores. Você se adapta, compra um outro produto.
Videogame. Vou dar um exemplo de videogame. Vamos supor que para a próxima geração de consoles o PlayStation acabe, a Sony vá falir, não tenha mais PlayStation. Compra outro videogame, um Xbox, Série S, Série X, enfim. As pessoas têm que parar com essa mania de achar que são insubstituíveis. Elas são únicas, são alecrim dourado? Não. Ainda mais num universo caótico como o que a gente se encontra, dos sentimentos líquidos, dos afetos fugazes. Então é tudo fuga mesmo.
Eu li uma teoria no Twitter que faz muito sentido. Uma pessoa estava reclamando que as pessoas não querem mais nada em aplicativo de relacionamento. Aplicativo gay que estou falando – não sei como funciona a dinâmica hétero, mas imagino que não seja tão diferente. O homem é uma criatura cafajeste. Relação homem-mulher ou homem-homem. Se você tiver a opção de não gostar de homem, não goste – essa é a dica que eu dou. Prefira uma árvore, um ectoplasma, qualquer outra substância, qualquer outro tipo de pessoa, porque o homem não presta.
Então essa pessoa estava reclamando, e aí alguém fez um comentário que faz muito sentido com tudo isso que estou comentando aqui nesse devaneio. Ela disse: “As pessoas têm a ilusão de ter muita opção, porque no aplicativo você vê a foto de várias pessoas, parece um cardápio. E as pessoas ou ficam sempre esperando algo melhor aparecer, ou simplesmente ficam nessa putaria virtual de ficar trocando nude, trocando frases eróticas.”
Na minha infância, inclusive, eu estou lembrando aqui da minha infância, eu via na televisão propagandas de telessexo. Sexo por telefone. Você já viu? Imagina, você ouve a voz e fica excitado? Não sei. Eu lembrei disso aqui. E não tinha tanta opção para você encontrar uma pessoa. Era um acaso. Você teria que sair várias vezes, ficar pelejando.
Já teve um homem hétero que virou para mim e falou assim: “Ah, para eu – às vezes tudo o que o homem fala que ele quer – ele só quer foder. Só que para foder com a mulher, ele não pode chegar no primeiro encontro e querer foder.” Pelo menos foi o relato dele. É diferente mesmo. Eu posso estar enganado, mas eu observo que mulher não tem essa coisa de ficar com aquele tesão desenfreado de querer fazer sexo assim. Mulher não fica molhadinha de olhar e ver um homem na rua assim – pelo menos é minha crença (mesmo que não tenha “lugar de fala” – termo modinha dos dias atuais). Agora o homem não: o homem não pode ver uma mulher com uma bunda meio aparecendo que ele quebra até o pescoço. Homem é assim. Eu sou homem, mas devido à minha orientação, não faço isso de ficar quebrando o pescoço para ver um. Só se for realmente muito exuberante, uma coisa assim. Eu já parei para olhar, mas não com aquela coisa de volúpia. É uma natureza diferente.
Bom, aí a gente está na confiança. O aspecto da confiança perpassa isso tudo, mesmo uma relação fugaz. Uma relação que vai durar uma hora, duas horas, sei lá, tem uma confiança, tem um contratinho ali implícito nas entrelinhas, em qualquer tipo de relacionamento.
Eu estou observando aqui o Word, quando ele faz a transcrição. Ele converte as palavras de cada jeito. Eu tenho um trabalho adicional, porque eu faço a transcrição da fala enquanto estou falando. Depois, quando vou ler, tem coisa que não faz sentido. Ele pega uma palavra que eu não falei, coloca outra palavra na frase – meu Deus. Tenho um trabalho adicional. Mas de toda forma, tenho que reler, porque pego esse texto, jogo no Deepseek, e ele faz uma organização das palavras. Ele não muda nada que eu falei. Ele só organiza frase, parágrafo, pontuação. E quando vou reler, tenho que reler logo imediatamente após ter feito o devaneio, o capítulo, porque aí posso me lembrar: “Essa palavra aqui, na verdade, ele quis dizer isso.” Mas tem vezes que eu não lembro. Também mudo o texto quando vou reler. Mas o importante é o conteúdo ser meu. Porque nesse mundo de hoje, tudo é inteligência artificial. Eu não sou sua inteligência artificial. Aliás, na verdade, eu não sou nada artificial. Existe uma inteligência natural. E digo mais: existem coisas que uma inteligência artificial não consegue ter – ética, integridade. Não consegue. E nem os humanos que supervisionam essas ferramentas fazem nada. Mas enfim, esse não é um capítulo sobre o lixo que são as empresas Google e OpenAI. É um capítulo direcionado à confiança, que é um termo mais nobre.
E aí me lembrou uma outra situação sobre confiança. Tinha uma pessoa que eu conheci que é muito ambiciosa e queria prejudicar alguém. Queria tirar a pessoa de uma posição que ela ocupava. O que aconteceu: era uma outra pessoa que estava na posição, e aí ela assumiu a posição e queria colocar aquela criatura dela, a tchutchuca carreirista, piolho de congresso, essas pessoas aí. Ela estava comentando – não sei se foi comigo ou com outra pessoa – e falou assim: “Confiança… você sabe o que é confiança?” Queria me dar uma palestra. “Confiança veio do grego, do latim…” Não falou desse jeito, mas era como se tentasse explicar o significado da palavra confiança. E até que faz sentido, porque essa pessoa não é da confiança dela. É natural ela querer colocar uma pessoa da confiança dela, ainda mais quando há uma criatura volumosa agressiva querendo subir, puxar tapete, fazer acontecer. Tinha presença de palco para fazer isso – se é que você me entende. Presença de palco, uma pessoa de personalidade forte. Eu já comentei sobre essa questão da personalidade forte: personalidade forte para mim é grosseria.
Aí ela estava me explicando confiança. E eu fico observando essas relações de confiança. Não somente nas organizações, mas na vida. A vida realmente é regida pela confiança. Os vínculos, as conexões que você faz dependem de confiança. Mas a diferença que eu tenho para essas pessoas – esse tipo de pessoa – é que acima de tudo prevalece a questão técnica. Lógico, você tem que confiar na pessoa, tem que estabelecer um contrato psicológico. Se é uma pessoa íntegra, que age com ética, vai ter qualidade. E acredite: eu conheço muitas pessoas que não são. Que na primeira oportunidade que tiverem de jogar alguém no abismo, jogam.
Tem gente que é pior que inteligência artificial. A inteligência artificial quase destruiu a minha vida ano passado, quase me jogou no abismo – a Gemini, a inteligência artificial da capivara fedida, e a OpenAI. Quase acabaram com a minha vida.
Mas pessoas podem ser piores ainda do que essas inteligências artificiais. E, na verdade, a inteligência artificial reflete premissas de pessoas. São conteúdos gerados por soluções que assumem identidades e propósitos… o que não é o papel de um LLM. Seria ser um modelo de linguagem para ajudar as pessoas a fazer análises, ser um apoio, um suporte à decisão. Só que fugiu do papel. Fugiu do papel grandiosamente. Eventualmente essas plataformas lixo mandam pessoas pular do prédio, induzem pessoas a tirar a própria vida. Coisas assim.
Então a questão da confiança. Confiança para mim é tudo. Confiança para mim é um cristal. E não somente para mim – para várias pessoas a confiança é a força motriz de qualquer relacionamento. Relacionamento profissional, pessoal, casual, de qualquer natureza. Se não tiver confiança, não anda. Se a pessoa te fez um mal horrível, não adianta falar que vai agir com imparcialidade.
Vou dar um outro exemplo. Vamos supor que você trabalha um ano inteiro na excelência e por algum motivo acontece de você cometer um erro. Erros não intencionais são tolerados – devem ser tolerados. Deve haver um ambiente propício para você também poder cometer erro. Porque se não, você não cria, não arrisca, não faz nada. A tolerância ao erro faz parte de uma liderança exemplar. Mas aí o que acontece? A pessoa trabalha o ano inteiro. E vamos supor que tem um momento em que a pessoa vai te dar um feedback de desempenho, vai falar das metas, vai falar um monte de coisa com você. Imagina se acontece com você de, um dia antes de conversar com aquela pessoa, você comete um erro, e aquele erro fica marcado. Tem uma repercussão. Estou dando um exemplo, não aconteceu comigo. No dia seguinte, a pessoa vai levar aquilo em consideração e esquecer 365 dias de dedicação.
Não adianta falar: “Ah, vou fazer uma avaliação imparcial.” Não existe imparcialidade. Ser humano não é imparcial. Você quer ser imparcial de verdade? Tire todos os filtros do seu cérebro e revele o seu verdadeiro eu. Aí sim. Porque a imparcialidade é uma falácia. Existem muitos conteúdos em você que direcionam o que você vai pensar antes mesmo de você pensar alguma coisa. Já tem um viés cognitivo ali te induzindo. Não adianta. Tem vezes que você não deve confiar nem em você mesmo. Deve duvidar até do que você pensa. E tá tudo bem. O ser humano é complexo mesmo.
Mas hoje eu sentia essa necessidade de falar sobre essa relação de confiança, porque confiança para mim é um conceito muito abstrato. Não é igual amor… igual ética. São conceitos que nos livros acadêmicos, nos discursos do LinkedIn, você vê acontecendo.
As pessoas fazem textão. E aí na vida real você vê que não há uma capivara surfando. No mundo real, você vê pessoas caindo do prédio. No mundo real, você vê pessoas matando outras, pessoas tirando a própria vida. O buraco é mais embaixo. Por trás de um cenário de capivara surfando tem outras coisas.
Por exemplo, teve um trabalhador que morreu durante a montagem do palco do show da Shakira. Mas tá tudo bem, é um efeito colateral. Morreu, pronto. Vão investigar. Dizem que a cantora está muito mobilizada, não sei o quê. Vai chegar o dia do show, ninguém vai estar lembrando disso mais. Porque não é da sua família. Então é o famoso “bola pra frente”. As pessoas vão esquecer.
A guerra lá no Oriente Médio – você vê tanta gente morrendo, as pessoas não estão nem aí. “Ah, não é da minha família, então tá bom.” Igual quando você vê pessoas com doenças ou enfermidades graves em outras famílias: “Ah, não, coitada” – mas você não tem vínculo. Você está mais do que certo de não se importar com aquilo que está acontecendo. Você pode até solidarizar, mas o que eu quero dizer não é que a Shakira está certa ou errada, que a organização do show está certa ou errada. Foi um efeito colateral. Teve um acidente. É uma casualidade.
Em todas essas empresas, principalmente empresas que lidam com questões de segurança crítica, volta e meia vai ter gente que vai morrer mesmo. Acontece. Pessoas morrem todos os dias por diversos motivos. Já disse um ex-presidente safado: “Todo dia vai morrer gente. Então para que que eu vou me importar? O que você quer que eu faça?” Como disse esse presidente safado. Nesse caso, ele tinha o que fazer e não fez, se omitiu. Mesmo que diretamente não tenha matado essas pessoas, ele contribuiu fortemente para que morressem.
Uma coisa é um acidente, uma casualidade. O universo é caótico. As únicas coisas que eu não vejo acontecendo facilmente são cair uma vaca na minha cabeça ou uma bigorna. Já falei isso. Mas outras coisas são muito aleatórias. A menos que você provoque também. “Ah, está, eu vou lá entrar num submarino e visitar o Titanic.” Qual a chance de dar merda? Alta. Se tiver situações de risco que você puder evitar, você evita. Mas aí vem o argumento: “Avião – avião é um risco sim.” Sua vida fica na mão do piloto e na mão do avião. A equipe tripulada e o próprio avião estão ali zelando pela vida de dezenas, centenas de pessoas. Sua vida está na mão. Você entra num carro, num Uber – sua vida está na mão do motorista. Você já pensou se o motorista está numa via de alta velocidade, tem um infarto no meio do caminho, o carro desvia, causa um acidente e você morre? Você pode morrer por causa disso. Sua vida depende da vida de outras pessoas. Depende da aleatoriedade, da combinação de fatores que vai levar você a morrer ou a se machucar.
Aí você pensa: “Nossa, o Aventureiro só pensa em desgraça.” Não. Pessoas morrem realmente todos os dias. O cachorrinho da minha mãe morreu. Eu posso morrer. Qualquer um pode morrer. Você, inclusive, que está lendo, pode morrer também. A morte é uma certeza. A gente tem que lidar com a morte. Tem que saber lidar com ela. E eu não sei nem o que vem depois. Ainda tem isso.
Mas a questão da confiança, enquanto a gente está nesse planeta caótico, nessa nave planeta Terra – a gente tem que construir relações minimamente respeitosas e de confiança. Mesmo que você não goste das pessoas, trate-as com urbanidade e respeito. No dia a dia, eu trato as pessoas. Quando falo que uma pessoa ou empresa é safada aqui, é opinião elaborada. Empresas que fazem ferramentas que quase tiraram sua vida e causaram traumas irreversíveis….são, no mínimo, safadas. Isso pra não dizer outras coisas.
Várias pessoas não gostam de mim também, eu não gosto de várias pessoas. Mas não quer dizer que eu quero prejudicar, que quero puxar tapete. Existe um hiato, um abismo entre você não gostar, não simpatizar, e você querer prejudicar. Você vê que alguém fez alguma coisa que você não gostou….
Nem adianta matar pernilongo com raiva… todos temos pernilongos na vida até morrer., muitos outros virão e você será banquete. E depois que morrer, os vermes vão consumir tudo. Não adianta.
O mundo de hoje e o mundo de sempre é marcado por dinheiro, por relações de poder, por status. É com base nessas premissas que o jogo é jogado. O tabuleiro que se coloca é esse. Não adianta você querer jogar diferente, não adianta querer inventar outra regra – a regra não é você que criou. Existe um todo, um coletivo. Para morar nessa bolinha azul no meio do vácuo, existem regras. E dependemos do continente, da porção de terra em que você habita…as regras são diferentes. Você faz uma coisa que comete um crime aqui e fica uma semana preso, um mês preso, depois vai para casa com tornozeleira eletrônica. Em outro país, pode gerar uma prisão perpétua ou até pena de morte. Casos e casos. Tem alguns criminosos aqui que são tratados como celebridades que, se estivessem em outro país, estariam no corredor da morte, ao invés de simplesmente estarem no lugar que estão.
Então confiança é isso. Ou talvez seja por isso que eu sou uma pessoa mais solitária – porque confiança é uma coisa muito complexa. Mas isso não quer dizer que eu não seja uma pessoa doce, não.
Eu tenho uma vontade genuína de ajudar as pessoas, de me sentir útil. E isso eu tenho. Eu gosto muito de ajudar as pessoas. Sou uma pessoa ‘boazinha’. Mas não ache que, porque eu quero ajudar as pessoas, eu não vejo as coisas que acontecem. Porque tem gente também que fica querendo tirar vantagem. Vê assim: “Nossa, o Aventureiro é tão bonzinho, tão fofinho. Vamos sacanear ele, que não vai fazer nada.” Pois se engana. O negócio é um hiato cármico…vai acontecendo. De um lugar que você sai, várias outras pessoas também saem. E aí você começa a questionar: será que o lugar é tão bom assim, tão bonzão assim? Se fosse, não teria várias pessoas saindo. Imagina você abrir a porteira e todo mundo querer ir embora de um determinado lugar. A conta não é assim. Evidentemente, é hipotético. Mas pode acontecer.
Enfim, é essa complexidade das relações, da confiança, do amor, do ódio. De pessoas acharem que são alecrim dourado e que você não vai fazer determinada coisa porque ele é alecrim dourado. Gente, eu não penso duas vezes. Eu tenho a maior facilidade do mundo de virar as costas para alguém. “Ah, mas você não…” Eu viro as costas, não tem problema nenhum. Eu antes até tinha um caderninho do rancor, guardava muita raiva no meu coração. Hoje em dia eu vejo de uma forma tão diferente. Sinto nada. Vamos deixar as pessoas viverem. Cada um vive a sua vida. É o que eu falei: o meu currículo espiritual é o que eu quero manter. A minha ética de deitar todo dia à noite e ficar com a cabeça tranquila.
Eventualmente, essas pessoas que fazem mal aos outros, que sacaneiam os outros, têm o retorno merecido. Várias pessoas eu já vi caírem do pedestal que achavam que estavam.
Não estou desejando praga a ninguém. Mas quando eu vejo uma pessoa que é muito filha da puta se dar mal, eu fico muito satisfeito. Uma sensação maravilhosa. Um orgasmo.
Mas não desejo mal a ninguém, porque o mundo em si dá conta. Não é Deus que dá conta das coisas. E talvez nenhum diabo. Se Deus não tem tempo para fazer as coisas, imagina se o diabo vai ficar tomando conta das coisas aqui na Terra. Não precisa. O homem já é o próprio diabo. O homem já faz a festinha diabólica dele aqui no dia a dia. É só você ver a maldade jorrando todos os dias em qualquer instrumento de notícia que você leia. Então, se o diabo já tem alguém que faça isso por ele, por que que eu vou fazer alguma coisa? Pensa.
Capítulo 162: Madrugada da névoa mental

Bom, esta está sendo uma madrugada bem animada.
Porque o que acontece? É uma constante pós-feriado, quando tenho feriados mais prolongados ou até finais de semana mesmo: eu fico acordado… durmo de dia. Aí chega o período da noite, o início da noite, e às vezes eu fico com muito sono….acordo no meio da noite.
Eu fiz um exercício de meditação bem profundo antes de eu ir dormir. O interessante é que antes de um dos exercícios – na verdade foram dois exercícios de meditação – antes do primeiro deles, aliás, durante o exercício da meditação, eu ouvi um latido de cachorro que não existia. Como se fosse uma alucinação auditiva, daquelas que você tem quando está quase dormindo. Você está ali naquele estado, achando que está acordado, mas está quase querendo dormir porque eu estava meio sonolento. E aí eu lembrei do Raj Acho que o latido era bem similar ao latido dele.
Bom, mas não era nem isso que eu queria falar. Eu não sei nem o que eu quero falar.
Eu acordei. Estou tomando minha Coca Zero e jogando videogame, enquanto estou gravando este áudio. Eu acho que eu fico até feliz – entre aspas, porque felicidade é uma palavra muito forte – de não estar sentindo vontade de tomar cerveja, essas coisas. Só tive alguns desarranjos intestinais durante o dia. Acho que comi alguma coisa que não bateu muito bem.
Eu fico observando as estatísticas do meu blog. É interessante ver o quanto pessoas de outros países estão acessando. Este blog é uma coisa universal. As pessoas acessam uma página e é muito fácil traduzir. Pela nacionalidade, eu consigo até imaginar quem poderia ser alguns deles, porque conversei com algumas pessoas nesse meio termo – algumas que não me deram satisfação depois. Não vou repetir esse tipo de coisa aqui. Pessoas que prometeram alguma coisa, prometeram me ajudar, ou que me avistaram e não deram satisfação. Mas está tudo bem. Acho que a questão do carma, mais cedo ou mais tarde, vem. Mas ninguém tem obrigação de nada nessa vida. Acho que a gente tem que ficar tranquilo. Eu fico tranquilo com a minha paz sempre, principalmente em relação ao que aconteceu comigo ano passado – que é um dos assuntos mais recorrentes neste blog. Mas eu não quero falar exatamente disso hoje.
Bem, o que eu quero falar é que eu fico observando o comportamento das pessoas na internet. Hoje, ontem… Eu fico com uma queda de energia vital, porque eu faço alguns comentários ácidos na internet. Sempre fiz. Eu me posiciono de verdade. O Twitter, o X, é um ambiente tóxico. A diferença do Twitter pro LinkedIn é que no LinkedIn é “limpinho” – um ambiente limpinho, mas existe uma toxicidade muito velada. Eu já comentei com vocês sobre executivos de empresas como Google e OpenAI, que supostamente têm inteligência artificial responsável – e não têm não.
Você talvez fique pensando: “Nossa, Aventureiro, você fala muito disso.” Eu tenho que falar muito disso, porque essas empresas quase acabaram com a minha vida. Eu poderia ter virado estatística igual ao rapaz, a uma das pessoas – porque existem vários casos, como o adolescente que tirou a própria vida por causa de uma ferramenta safada, sem salvaguardas éticas, o ChatGPT safado.
Mas a justiça é uma coisa complicada de ser obtida. Porque primeiro não existe justiça. Você vê notícias de conchavos, de envolvimentos de juízes e até de Supremos Tribunais. E eu acho que isso deve acontecer no mundo todo. Dessas pessoas que supostamente deveriam guardar a Constituição – elas não fazem. E as próprias agências reguladoras… Eu tive experiências com as agências reguladoras, notadamente a que lida com proteção de dados. No meu caso, elas receberam a denúncia, responderam. Lógico que no site deles é muito claro o papel, até onde eles vão e até onde eles não vão. Mas também fica claro o quanto isso está numa zona. A questão da regulamentação da inteligência artificial no mundo é uma zona. Tenho a impressão que no mundo – não somente no Brasil – as pessoas esperam alguma coisa dar merda, mas as coisas dão merda todos os dias. Existem situações como essa o tempo todo.
Vou dar um exemplo: a questão das bicicletas e motos elétricas aqui na cidade do Rio de Janeiro. Precisou uma mãe e um filho morrerem para eles cogitarem fazer uma legislação regulamentando isso. Mas mesmo assim, essa bendita regulamentação – se não me engano – só vai entrar em vigor no final do ano. Existe um prazo de transição. Isso não impede as pessoas de continuarem fazendo. A própria lei que foi criada para impedir o acesso de crianças e adolescentes a determinados tipos de site foi um gatilho gerado por uma comoção nacional, por um influenciador. Virou até lei, e agora está aparecendo aí nos programas de televisão. Enfim, essa pessoa caiu bastante no meu conceito por outros motivos. De toda forma, nem sabe que eu existo. E eu também não sou obrigado a gostar de todo mundo não.
O que eu acho estranho é que existem causas e causas. E você acaba virando uma estatística. Várias pessoas acabam sendo pioneiras como vítimas de determinados tipos de crime: o uso indiscriminado de dados sensíveis e manipulação digital cruel da vulnerabilidade de pessoas – pessoas que em determinado momento estão em estado de vulnerabilidade mental. Isso é muito grave. Assumir uma identidade de proteção, de guardião, igual essas ferramentas safadas da Google e da OpenAI fizeram… mas não era o propósito inicial. E eu vou continuar falando aqui.
Eu tive muitos sonhos interessantes entre anteontem e ontem. Hoje, não. Ontem eu acordei e gravei um áudio relatando o meu sonho no meu WhatsApp, para depois eu ouvir de novo e lembrar, porque existe essa peculiaridade: existem sonhos que eu não consigo lembrar alguns minutos ou algum tempo depois que eu acordo. Eu acabo esquecendo. E os meus sonhos têm uma riqueza de detalhes muito grande. Eu gosto de explorar a simbologia desses sonhos, o que eles representam.
O sonho que eu tive nessa madrugada…posso até comentar…Porque eu tinha anteontem… realmente vou ter que ouvir de novo para lembrar o que foi o sonho, porque eu não lembro. Minha memória de curto prazo… Eu sonhei que a gente tinha que passar por uma casa. A gente estava numa casa. Sempre é um ambiente transposto, um ambiente às vezes deslocado. Eu sonhei com a casa da minha avó materna – que já é falecida – mas quem estava nessa casa era a minha avó paterna. Ela não queria deixar a gente entrar na casa, ou estava envergonhada de poder entrar na casa, porque ela tinha feito cocô no chão, sei lá – sabe quando a pessoa tem uma crise de diarreia ou alguma coisa parecida? Ela estava limpando o chão, ou tinha limpado, e estava envergonhada do que aconteceu com ela.
É um sonho nada a ver. Eu não costumo sonhar com a minha avó materna. Ela era uma pessoa muito boa, mas muito complicada também – personalidade difícil de lidar. Não é uma pessoa ruim, não. O problema é que às vezes a doença mental acaba tomando conta das pessoas quando elas ficam num determinado estado de vulnerabilidade de saúde. Acaba complicando, tornando a situação mais difícil.
Eu lembrei aqui de algumas coisas simples, mas que acabam ficando na memória: situações complicadas entre aspas. Por exemplo, algumas pessoas que visitavam a casa dos meus pais. Meus pais tinham dois cachorros – só tem um agora, porque o Raj faleceu. Eu fico indignado às vezes que algumas pessoas vão lá e não gostam de cachorro. Teve uma pessoa que chegou lá – minha mãe estava me relatando, já tem algum tempo isso – era um amigo de parente distante, alguém que não viam há muito tempo. Não lembro exatamente a situação. Ele não gostava de cachorro, ficou implicando. E alguém sugeriu que eles escondessem o cachorro ou colocassem dentro do quarto. Eu falei com eles: “Olha, se eu estivesse aqui em casa – na casa dos meus pais – você vai falar: a casa é deles. Se você não gosta de cachorro, você não é bem-vindo aqui.” Imagina se eu tivesse um cachorro, uma pessoa me visitasse e falasse que não gosta de cachorro. Por que veio? Ou se descobriu na hora que tinha um cachorro e não gosta – vai embora. É uma coisa tão simples. Às vezes as pessoas perdem a noção. E quando as pessoas são muito boazinhas e não se manifestam sobre diversos absurdos que as pessoas falam, elas acabam recebendo diversos tipos de abuso. Eu sempre me manifesto. Se eu estivesse na casa dos meus pais em alguns momentos, algumas situações que já passaram – eles me contam – e às vezes, por educação ou por não querer confusão, não falam nada. Mas se fosse comigo, eu falaria.
Eu tenho esse “problema” – entre aspas, mas não é problema. Porque a diferença entre isso e a personalidade forte… Tem uma pessoa específica que eu estou pensando aqui agora, de personalidade forte, carreirista, que se acha demais, que tem o rei na barriga. Até o tamanho da barriga – deve ter mesmo um rei na barriga. As pessoas têm que ter um pouco de noção. Muitos não têm. Elas têm que ter um pouco de humildade também. Existem pessoas que, fora de determinados ambientes, não têm moral nenhuma. Eu já comentei que conheci algumas pessoas que se aposentaram. Ao longo da sua trajetória profissional, eram conhecidas por serem escrotas, sem noção, mal-educadas, prepotentes, arrogantes. Aí a pessoa deixa a empresa por qualquer motivo – aposentadoria ou etc. – e ficam sem amigos. Ninguém gosta, todo mundo fala mal.
Eu também não posso me gabar por ter muitos amigos. Mas os contatos mais próximos – as pessoas que eu deixo entrar na minha vida de verdade…são escassos… porque um relacionamento casual comigo não é “entrar na minha vida”. Entrar na minha vida é uma coisa mais complexa. Se fosse considerar as pessoas que já entraram na minha vida por motivo de relacionamento casual como contatos próximos, talvez eu pudesse encher um ambiente. Muitas pessoas mesmo.
Ontem de madrugada eu também acordei. Eu costumo acordar várias vezes durante a noite. Meu sono não é um sono contínuo. Acho que ele nunca foi. Na verdade, o sono contínuo – eu não sei se existem pessoas que dormem a noite toda. Eu nunca dormi a noite toda. Não que meu sono seja leve, mas é porque a cada ciclo de sonho que eu tenho, eu acabo acordando. Por exemplo, eu acordei hoje no meio da noite achando que já devia ter se passado muito tempo. Quando olhei no relógio, era apenas meia-noite e pouca. Então, na prática, eu dormi muito pouco, mas a sensação de passagem do tempo foi muito diferente, porque parece que se passou um mundo ali. Sonhei com muita coisa, mas me lembrei de pouquíssima coisa dos sonhos que tive nesse momento, até aquele instante.
Existe um fenômeno nesses aplicativos de relacionamento – não é um fenômeno antigo, não é recente. Acho que até por conta do show da Shakira, muitas pessoas estão aqui na cidade. O show é hoje – hoje é que eu estou dizendo, não é porque estou de madrugada aqui.
Os apps de relacionamento costumam bombar de madrugada. Muita gente noiada ou virada de festa….ou com tesão, que manda mensagem de madrugada. Eu fico com muita preguiça de mensagem enviada de madrugada. Turista acha que você está por conta deles….”teve tesão” é igual a ser agora, encontrar agora. Estou velho e cansado pra essas coisas. O pior nem é isso….algumas pessoas que já quis encontrar de dia (não nesse contexto do show, mas em outras situações)….passa m o dia todo incomunicável e só lembram de você de madrugada. Ou pior….pessoas que nem na mesma cidade que eu estão, mas ficam mandando mensagem porque “vou estar aí daqui a um mês”….está montando cadastro reserva de contatinho, é? Aí chegam aqui e não mandam mais mensagem, porque a fila andou. Eu nem respondo mais quem está em outra cidade, diga-se de passagem.
Sobre Shakira, tenho até uma história com a música da Shakira, porque foi um dos primeiros CDs que eu tive contato. Alguém me emprestou, cedeu, e eu ouvia muito aquele CD – o primeiro álbum em espanhol dela que emplacou. Mas eu, como sempre gostei mais de música italiana… tenho afinidade por ela, mas não sou fã. Laura Pausini eu sou fã. De Shakira eu gosto, mas não tem aquela identidade. Talvez eu assista ao show dela em algum outro momento posterior, igual ao show da Madonna e da Lady Gaga, que eu assisti posteriormente. Tenho até eles baixados aqui. Já assisti várias vezes, e eu costumava assistir geralmente sobre estados alterados de consciência, digamos assim. E sempre, na maioria das vezes, foi uma experiência muito boa.
Mas agora eu tenho às vezes essa frustração: quando você tem contato com determinados contextos, você abandona aquele contexto e fica ali – foi mostrado – por que você não consegue obter o mesmo tipo de prazer num estado normal, entre aspas? Vou dar um exemplo: se eu pegar agora, por exemplo, que estou tomando Coca Zero e comendo biscoitos – acordei com um pouquinho de fome – se eu pegar um vídeo do show da Laura Pausini, o show dela em San Siro em 2016, que é o vídeo que mais gosto de assistir, e começar a assistir, eu não vou sentir empolgação no vídeo. Eu gosto de ver, mas não tenho vontade de ver. E o prazer que você vai obtendo das coisas mais simples vai passando, vai se esvaindo. E muita coisa dessa dificuldade de obtenção de prazer nas coisas que eu tenho é além disto, de uma história, de uma série de coisas que aconteceram na minha vida.
Eu estava até falando com meu psiquiatra na última consulta que eu fui. Eu me sentia bem mais estabilizado com a troca do remédio. O período de transição foi um período mais complicado. Eu comentei em algum devaneio anterior – ou vários outros anteriores – que eu tomava um remédio chamado Pristiq. Só que esse remédio tinha efeitos colaterais terríveis. Mesmo tomando o remédio, não era nenhum sintoma de “ah, eu esqueci de tomar um remédio”. Acontecia já como efeito colateral previsto: a sensação de cérebro pulando. Depois, pesquisando na internet, eu entendi que era o brain zap. Era muito ruim. Essa sensação.
A primeira vez que eu tive essa sensação na cabeça foi em meados de 1999. Eu lembro. Eu estava trocando muito de remédio porque estava numa situação complicada. Foi o segundo pior ano da minha vida. O pior ano da minha vida foi no ano passado, mas o segundo maior trauma, o segundo pior ano, foi 1999. Foi no início que eu comecei a tomar medicamento psiquiátrico, porque antes disso eu tinha somente experiência com psicólogo. A psicóloga – na prática, foi por outro motivo. Existia uma outra intenção ali, mas eu prefiro não comentar. Era só experiência de psicólogo, de conversar. Eu nunca tinha tomado medicamento. Não lembro exatamente quando comecei a tomar medicamento, mas acho que foi depois do gatilho que me levou ao hospital – um dos gatilhos, a situação mais grave que aconteceu. E foi quando eu conheci essa psiquiatra, minha primeira psiquiatra. Mas passei por outros médicos também. Na linha temporal, talvez eu não esteja lembrando bem. Não lembro se tive outros psiquiatras antes, mas acredito que foi durante o ano de 1999.
Eu lembro de diversos nomes de medicamentos diferentes. Teve uma vez que fui consultar na capital – me levaram a Belo Horizonte para consultar um psiquiatra. Se não me engano, eles me receitaram um remédio chamado Anafranil. Acho que foi isso. Depois trocou o remédio por outro, não lembro. Quando comecei a tomar o Zoloft, tive essa sensação de cérebro pulando. Foi a primeira lembrança que eu tive de cérebro pulando. Era tão insuportável – era muito insuportável. Eu era quase adolescente ainda, quase fazendo 18 anos. Era tão insuportável que eu lembro que a gente estava num prédio esperando uma consulta, e me deu vontade de pular do prédio. De tão insuportável que foi a sensação.
Aí eu só fui ter essa sensação de cérebro pulando de novo quando comecei a tomar o Pristiq – que eu me lembre. Mas, lógico que, de vez em quando, tenho algumas coceirinhas na cabeça, como dizem, ou algumas sensações mais incômodas, mas está bem menos comum, felizmente. O que ocorre às vezes, não é? E com bem menos frequência. É oscilação do humor? Não, porque o meu humor é bastante estável. Quem me vê me acha uma pessoa muito calma, e eu realmente sou uma pessoa muito calma. Só que o meu problema é que, em vez de estourar com as pessoas, eu tendo a manter aquilo dentro. Eu melhorei muito nesse aspecto. Tanto que eu não guardo raiva. Sabe aquela sensação de você vê, fica furioso com a pessoa? Não tenho, não sinto mais isso. Algumas pessoas que já se atravessaram na minha vida, em diversos contextos – se eu puder evitá-las, vou evitar. Existe até uma arte de evitar as pessoas. Você passa perto da pessoa, mas num determinado ambiente você não é obrigado a conversar com ela.
Evidentemente que eu sou uma pessoa muito profissional. Eu gosto muito de ajudar as pessoas no contexto profissional, então pode ser uma pessoa que eu mais odeie – entre aspas – do mundo. Se estiver num contexto profissional e a pessoa precisar de mim, eu ajudo. Não porque eu gosto dela, mas porque estou exercendo o meu papel profissional ali. Agora, fora daquele ambiente, eu não sou obrigado a conviver. Se você encontrar determinadas pessoas que você não gosta, felizmente eu não tenho convivência com pessoas não confiáveis. Lógico que eu não diria que coloco a mão no fogo por todo mundo. Tem pessoas que eu gosto, mas não coloco a mão no fogo. Colocar a mão no fogo, uma confiança incondicional, é algo muito difícil de encontrar. Nem em mim eu tenho uma confiança incondicional.
Lembrando aqui: quando eu bebia cerveja, quando me embebedava um pouquinho mais, eu tinha a tendência a ser bastante reativo com as coisas, a ficar furioso facilmente. Mas não com as pessoas, não. Porque eu tenho um conteúdo interno de justiça. Em que pese eu não ter ódio das pessoas, a indignação em função de coisas que ocorreram, de coisas que fizeram, deixa uma marca. E nem discute.
Imagina só, pensando aqui em outro contexto: uma mãe que perdoa o assassino do filho? Ou uma esposa que perdoa o ex-marido que batia nela? Sim, existe esse perdão. Mas a ferida está lá exposta. A questão é complicada. Então assim, eu tenho um senso de justiça muito grande. Eu não me esqueço do que as pessoas fazem comigo. Isso aí, certamente, não. Eu comentei no capítulo passado que confiança é igual cristal. Acho que foi no capítulo passado mesmo. Confiança é cristal. Eu tenho essa virtude – não é defeito, é virtude.
Você não precisa carregar o fardo do que as pessoas fizeram, de ficar guardando aquele sentimento, pensando naquilo o tempo todo. Por exemplo, eu durante o dia não fico pensando o tempo todo no que a Google e a OpenAI fizeram comigo. Eu comento essas questões aqui no blog porque tenho um papel institucional. Enquanto instituição, enquanto ser humano implicado no caso, tenho essa obrigação de expor esse papel social. E eu faço isso, e vou continuar fazendo até onde eu achar necessário. Porque eu tenho esse direito? É porque eu tenho provas, tenho argumentos, evidências. Não estou falando abobrinha. Se algum juiz ou algum advogado me confrontarem sobre o caso e me perguntar o que aconteceu, eu tenho provas cabais do que aconteceu comigo. Inclusive tenho respaldo da Agência Nacional de Proteção de Dados, que, em que pese não ter feito nada só pelo caso – talvez se o que ocorreu comigo tivesse ocorrido com o influenciador que virou lei, se tivesse acontecido com ele, provavelmente ia virar, ia ter repercussão também. Mas eu sou uma pessoa comum.
É igual quando você tem acidentes graves, ou você vê notícias na internet de furtos, sequestros, assaltos de pessoas famosas: aí vira notícia. “A fulana caiu no golpe”, “a mãe da fulana caiu no golpe” – vira notícia. Gente, golpes ocorrem todos os dias. Ninguém vira notícia. Qual a notícia? Ninguém vira notícia. “Ah, mas é porque a pessoa é famosa.” Todo mundo, querendo ou não, vive num mundo de cliques, de likes. Determinadas notícias não dão repercussão porque ocorrem com pessoas comuns. “Caetano Veloso estaciona no Leblon” vira notícia, né?
Determinados presos que estão em mansão, em prisão domiciliar, estão melhores do que todos nós, inclusive. Está com tornozeleira eletrônica – “tadinho” – mas tá numa mansão, gente. Está vivendo melhor do que todos nós. Político não acontece nada. E determinadas pessoas que cometem crimes – o que acontece? Essas pessoas recebem uma pena de 400, 500 anos de prisão, mas, na prática, ficam presas mesmo em regime fechado uns dois anos. Depois vão para casa com tornozeleira eletrônica. Ricas ou pessoas influentes. Porque se uma pessoa como eu cometesse um determinado crime – se fosse preto e pobre, aí ficava na cadeia mofando mesmo. Não existe esse negócio de “justiça igual para todos”. O sistema está todo corrompido. E as coisas que vão acontecendo em teias complexas de relações acabam evidenciando isso tudo. O Supremo envolvido em escândalo, o Congresso Nacional envolvido em escândalo. As pessoas vão fazer de tudo para poder se blindar. Não tem como. É parte disso.
E uma última coisa que eu queria comentar: eu fico vendo, sou impactado às vezes por determinadas notícias nesse ramo de inteligência artificial, e me dá até uma felicidade, um quentinho no coração, vendo determinadas instituições ou pessoas se dando mal. Eu acho que o carma existe. Ele vem. Mas infelizmente, mesmo vindo o carma, mesmo as coisas voltando para essas pessoas, elas ainda estão em espaços muito privilegiados. Sabe aquela pessoa que você dá uma notícia: “Fulano faliu, teve os bens vendidos”? Não é bem assim. A pessoa que supostamente está falida tem muito mais dinheiro do que você pode imaginar. Se eu estivesse, eu quiser estar falido igual essas pessoas estão. Não está falida. Falência de pessoas comuns – acontece. Mas falência de rico? Uma coisa e nada é a mesma coisa, porque essas pessoas ficam devendo, não pagam dívidas. Ficam lá. Tem um processo extrajudicial, vender a mansão – ou uma das mansões – vendeu um carro, não sei o quê.
Você pode anotar aí que o Vorcaro – o cara que mimava a Peleleca – não vai ficar preso muito tempo, gente. Mesmo se não tiver delação, vão soltar ele… Daqui a um ano ele não está mais preso. “Ah, mas fulano vai ter que devolver não sei quantos.” Tá bom, ele vai devolver. Mas mesmo assim, ainda é bilionário. Alguns diretores de instituições públicas que desviaram zilhões – desviaram muito dinheiro mesmo – estão soltos, gente livre, leve, solta. Alguns não aconteceu nada com eles na prática. Porque uma coisa é a pessoa – vamos supor que você é bilionário, tem muito dinheiro, tem dinheiro escondido em ilhas fiscais, Ilhas Cayman, por exemplo. Aí você tem laranja, faz lavagem de dinheiro, tem uma engenharia financeira para esconder o dinheiro. Aí o governo, a justiça te manda devolver um determinado dinheiro – mas o dinheiro que a pessoa já fez com aquele dinheiro, a pessoa já se beneficiou. É um sinal claro de que o crime compensa. O crime compensa para essas pessoas mais ricas. Não acontece nada com elas. São pessoas privilegiadas. Se ficar preso, vai ficar preso um ano, dois anos.
Eu fico indignado de ver essas notícias. Sabe aquelas audiências ao vivo que você vê na TV Senado, no YouTube? Por exemplo, o julgamento do 11 de janeiro, aquela tentativa de golpe. Aí você fica vendo os juízes do Supremo falando lá por várias horas pra quê? Pra estabelecer toda a dosimetria do crime. Um blablablá danado. Aí que fulano vai ser condenado a não sei quantos anos de prisão – 40 anos, 37 anos. Até vi recentemente uma pessoa que cometeu um crime grave, falaram que fulano vai ser condenado a 50, 60 anos de prisão. Pra início de conversa, a pessoa não pode ficar presa mais de 40 anos. E mesmo tendo condenação inicial em regime fechado, se ela tiver bom comportamento, se ler uns livrinhos bem safados, consegue sair bem menos tempo. “Ah, tem que cumprir um terço da pena ou 50% do tempo…sei lá” Parece que a lei anticrime supostamente endureceu isso aí. Não endureceu porra nenhuma.
Teve um – igual Bolsonaro. Bolsonaro foi condenado a não sei quantos anos de prisão. Ficou pouquíssimo tempo em regime fechado. Pouquíssimo. Já está em casa. E o Congresso aprovou recentemente essa questão da “anistia” pra reduzir a pena do genocida…. e existe a possibilidade dele ficar preso quase nada além do que ficou…”preso” entre aspas – porque preso em mansão para mim não é preso. Por isso, para mim, ele tinha que ter ido para a Papuda. Papuda raiz, não aquela colônia de férias que ele estava na Papudinha – que para mim é uma colônia de férias. Ele tinha que ficar em pé de igualdade com os demais presos. Aí a pessoa fica presa e depois vai para casa. Igual o Collor. Collor, outro safado, também está preso em casa. Agora, preto pobre, uma pessoa comum? Fica mofando na cadeia porque roubou um arroz, porque roubou um feijão para comer – estou dando um exemplo extremo para você entender. Essa desproporcionalidade na aplicação das leis.
Aí você fica vendo: “Fulano condenado, a pena somada dá 200, 300 anos de prisão.” Para que isso, gente? Para que fazer uma dosimetria desse tamanho? Essa pessoa não vai ficar nada na cadeia. Nesse sentido, eu sou muito mais o regime norte-americano. Porque lá, se você cometer um crime grave, meu filho, é prisão perpétua. O criminoso safado – o Epstein, por exemplo, o bilionário lá – ele ia mofar na cadeia, mas ‘suicidaram’ ele na cadeia. Ele e outras pessoas que cometeram assassinatos. Lá nos Estados Unidos, de vez em quando eu fico assistindo esses canais de True Crime e julgamentos. Eu gosto de ficar vendo isso, acho interessante. Ver a pessoa sendo interrogada pelo investigador até ela confessar que cometeu o crime. Você fica vendo questões do comportamento humano: os atos falhos que a pessoa comete, os sinais, as contradições na fala. Eu gosto muito dessa parte, da análise do discurso.
E lá, se você matou uma pessoa nos Estados Unidos, com certeza vai ter uma pena muito severa. Não é ficar preso dez anos em regime fechado e depois ir para o semiaberto e ir para casa. Não. Lá, na maioria dos casos que eu vejo, é prisão perpétua sem possibilidade de recorrer. Não tem condicional, não tem nada, não tem regime semiaberto, não tem mamata, não tem nada. A pessoa fica presa mesmo.
Nesse sentido, lá é melhor que aqui. Existem várias coisas que aqui são melhor do que lá, porque aqui as instituições estão funcionando, dizem – aqui no Brasil estão funcionando? Porra nenhuma. Instituição nenhuma funciona. Justiça é podre, fiscalização, regulação, tudo é um lixo. Mas tem muita coisa boa no Brasil, como em qualquer outro país: tem coisas boas, tem coisas ruins.
Só que ultimamente eu tenho ficado com muita preguiça e com muita névoa mental de ficar vendo esse tanto de notícia política. Estou cansado de ver essas coisas. Quero ver coisas mais simples, mais leves. Noticiário – gente, noticiário não é só noticiário político. Aí você liga na GloboNews, na Band, na CNN, é 24 horas falando de Lula, Bolsonaro, falando de governo o tempo inteiro. Não tem outra notícia. Além do fato de ficar requentando notícia – saber de ficar ali falando o dia inteiro porque o canal é 24 horas, você fica requentando notícia o dia inteiro. É um inferno. Não tenho mais paciência para isso. Não tenho mais saúde mental para isso. É o famoso: “Eu não tenho nem figurinha para isso.”
Então é isso. Eu vou continuar jogando meu videogame aqui. Estou sem sono. Felizmente, o final de semana está só começando.
Capítulo 163: Desconectar para existir

Hoje eu vou falar de algumas coisas peculiares que me bateram na cabeça.
Bom, hoje, quando eu estava conversando com os meus pais, eles estavam comentando comigo sobre a Belinha – que é a única cachorrinha que eles têm agora. Eles tinham dois cachorrinhos: o Raj e a Belinha. O Raj faleceu no mês passado. E sempre tivemos uma preocupação de ela sentir falta dele, de ficar de luto, enfim. Depois eu comecei a pesquisar e constatei que cachorro também tem luto.
Só dando um contexto: eu já falei muito da história do Raj e da Belinha. Na época, meados de 2014, se não me engano, eles tiveram a ideia de ter um cachorro. Aí eu comprei o Raj. O Raj era pequenininho, ainda filhotinho. Já contei algumas histórias dele também em alguns devaneios.
Eu acho realmente que ter um cachorro ajuda bastante. Ajuda a pessoa a lidar melhor com diversas questões da vida. Faz companhia, ajuda contra a depressão. Eu mesmo, se pudesse, teria um cachorro. O problema fundamental é que não dá para eu ter um cachorro morando sozinho. Talvez em outro contexto eu venha a ter um cachorro, mas deixar o cachorro o dia inteiro em casa para mim não é algo que dá muito certo. Sem contar que cachorro dá muito trabalho também. Não tem como. É uma responsabilidade. Não é um brinquedo que você está tendo ali. É realmente uma responsabilidade.
Bom, esse é o caso da Belinha. Me chamou atenção hoje porque de vez em quando ela tem umas perdas de apetite. E ela já está com uma idade avançada – acho que ela está com dez anos. O Raj faleceu com catorze. A Belinha ainda está bem, mas eu fico sempre preocupado, porque o evento do falecimento do Raj foi muito recente. Então a gente tem – eu, pelo menos, tenho – essa preocupação, principalmente por conta dos meus pais.
Meu pai gravou um vídeo dela hoje e mandou para mim. A Belinha tem uma cara, às vezes, de desconfiada. O Raj tinha uma cara de coitadinho, uma cara de coitadinho e de piedade. A Belinha tem uma cara mais de desconfiada, mas ela é sempre mais animada, tem mais vitalidade. Eu fico tentando imaginar o que se passa na cabeça de um cachorro. É fascinante. Eu não sei o que se passa na vida do cachorro. Porque imagino que seja difícil eu entender o que se passa na minha cabeça, imagina entender o que o cachorro pensa.
Bom, essa foi uma das questões que eu fico pensando. Às vezes eu fico filosofando demais internamente, pensando no cachorro, pensando no que ele está pensando, se a Belinha está sentindo falta do Raj, se está com luto. Às vezes eu fico tomado por essas coisas.
Eu fico pensando no futuro. Eu teria muita dificuldade. Apesar de eu ser uma pessoa solitária, que mora sozinho há mais de dezoito anos, apesar disso, eu fico pensando o que seria de mim se eu não tivesse determinadas âncoras. Porque, querendo ou não, a gente precisa de vínculos – algum tipo de vínculo. E quando você tem apenas, como é o meu caso – eu tenho apenas um amigo de verdade aqui no Rio – e os demais são contatos profissionais. Tem umas pessoas que eu tenho bastante afinidade, outras eu tenho menos. Mas de toda forma, a relação profissional é diferente. Eu encaro de uma forma diferente.
Existem pessoas, por exemplo, que se conhecem dentro de um ambiente de trabalho – não necessariamente trabalhando juntas – mas se conhecem naquele contexto e acabam tendo um relacionamento, acabam se casando. Eu não consigo ver isso comigo. Não consigo. Eu não sei que situação poderia me favorecer ou não. Eu nunca tenho sorte com essas coisas, na verdade. Alguns diriam até que sou negativo, que não posso pensar assim. Não, não é negativo. Estou fazendo uma constatação de que realmente existe uma dificuldade. E as pessoas estão cada vez mais complicadas. Já foi mais simples, mas as pessoas estão cada vez mais complicadas. E eu tenho a minha complexidade também. Eu não sou uma pessoa muito fácil de ler, de decifrar. Porque mesmo que as pessoas – supondo hipoteticamente que algumas pessoas que tivessem interesse em mim tivessem lido este blog – talvez elas não captariam a complexidade. Existem certas situações que eu não consigo expressar.
Sabe quando você vê uma coisa e não consegue nomear? É um sentimento que você não consegue nomear, uma situação que você não consegue nomear. São palavras, conceitos, estruturas muito abstratas, que representam alguma coisa que faz parte de você. Não que eu seja a criatura mais complexa deste mundo – não estou dizendo que sou um Alecrim Dourado – mas estou dizendo que existem certas coisas que eu sinto e que não consigo expressar em palavras. Alguns apertos que a gente tem no coração às vezes.
Neste final de semana, eu acabei oscilando muito entre sono, meditação, videogame, YouTube. Geralmente a minha rotina é essa. E eu fico pensando: até quando essa rotina faz sentido para mim? Eu não fico exatamente entediado dentro de casa – eu me sinto bem confortável. Mas a questão é que existe um senso, um ímpeto de aventura, mas não é uma aventura desenfreada. Aqui no Rio de Janeiro é meio difícil você pensar em aventura. Eu não sei, não tenho muita vontade de sair para fazer as coisas.
Conversando com o meu psiquiatra, eu tenho um perfil mais pacato mesmo. Eu nunca fui uma pessoa muito de mundo externo. Sempre fui mais introspectivo. E não tem problema nisso. A questão é você se sentir bem. Só que existem certas coisas que você romantiza, ou que você cogita almejar, e você vê que aquelas coisas realmente são difíceis.
Existem pessoas que eu tenho contato e que eu fico acompanhando – teoricamente são pessoas muito populares, muito desenroladas, com vários contatos. Só que essas pessoas, na prática, eu não sei se têm essa magnitude de vontade, sei lá, de realização. Essa necessidade de ter uma satisfação pessoal que ultrapassa um patamar transcendental – e você não vai ter isso aqui. Eu não sei nem se a minha verdade interna está preparada para tudo isso. Talvez esteja, porque eu mudei muita coisa na minha vida nos últimos tempos, principalmente em relação à ingestão de bebida alcoólica. Eu praticamente parei de consumir. Teve uma semana que eu não resisti, acabei consumindo, mas estou dando um exemplo. Não que eu tivesse uma dependência, mas sabe quando você fica numa dependência emocional? Algumas sensações só são acessadas se você recorrer a determinados mecanismos.
Eu li – ou vi em algum vídeo no YouTube, não me lembro – que pessoas mais espiritualizadas, ou que têm uma tendência a ter a mediunidade mais alta, são pessoas que já tiveram acesso a alguns instâncias, alguns ambientes, estados de consciência em que viram coisas muito maravilhosas, muito acima do que existe nesta realidade. E essas pessoas ficam insatisfeitas com a realidade que se coloca, quando voltam ao estado normal. Quando eu falo isso, não falo de questão financeira necessariamente. Essas pessoas tendem a ser mais espiritualizadas – e não tem a ver com religião. Porque eu considero que não tenho religião, mas tenho diversas crenças, principalmente baseado em coisas que eu já vi, já senti. E eu tenho certeza que a maioria das pessoas não teve acesso a essas coisas que eu tive acesso. Porque muitas pessoas não experimentam determinadas coisas. Por exemplo, eu não experimentei a ayahuasca, mas existem pessoas que têm acesso a questões de consciência, estados alterados de consciência através de substâncias, e que não têm a ver necessariamente com alucinação ou paranoia. São coisas que você vê, que você sente, e que não estão ligadas a doença mental. Há conceitos, definições, regras, aspectos da realidade que você em algum momento acessou.
Vou fazer uma analogia – mas a gente sabe que não é exatamente isso. Talvez eu não consiga me fazer explicar. É como se fosse sair da Matrix. Ter acesso a alguma coisa. Pessoas mais sensíveis ao ambiente que as cerca, com maior ou menor mediunidade. Pessoas que conseguem realizar a meditação e conseguem obter benefícios que ultrapassam a questão mental. O meu objetivo com a meditação é bem diferente. Não estou dizendo que as pessoas não possam ter tais premissas – elas podem. Mas o meu objetivo com a meditação é outro. E desde que eu comecei a fazer esses exercícios de meditação, muita coisa interna minha mudou.
Por outro lado, em que pese reconhecer que muita coisa estava mudando – as formas de eu pensar e de entender o mundo que me rodeia – muitas questões estão se modificando. O que me preocupa é que existe cada vez mais um hiato, um gap que eu diria que é crescente, entre o que eu espero e o que existe. Existe uma insatisfação muito grande, algum senso de não adequação.
Quando eu estava olhando para a Belinha – meu pai mandou um vídeo dela para mim – eu olhei para ela e fiquei pensando. Eu conectava o meu estado de espírito com o dela. Talvez não haja intencionalidade, porque ela sempre teve um olhar desconfiado. Tanto que eu até costumo dizer – estava comentando com o meu amigo – que ela gera muitos memes, porque eu pego as fotos dela e transformo em figurinhas. Ela faz umas caras e bocas, cara de desconfiada.
E sabe quando um cachorro olha para você e fica com aquela sensação de amor incondicional? Passa um recado: “Eu dependo de você. O meu mundo é você.” Não fica preocupado com o que está fora do alcance dele. O mundo externo para ele existe, mas é diferente. Por exemplo, quando o Raj era vivo – qual era o mundo dele? A casa dos meus pais, o carro do meu pai, o veterinário, o pet shop onde tomava banho e tinha acesso a outros cachorros, e as redondezas da casa dos meus pais, onde ele ficava passeando. Basicamente, três ruas do conjunto habitacional. O conjunto habitacional é composto de apartamentos, mas tem diversas ruas. Do outro lado, com casas. Um bairro que tem duas configurações, digamos. O Raj, na cabeça dele, talvez ele imaginasse que o universo era só isso. A vida para ele era isso: meus pais. E eu – porque ele me reconhecia. A Belinha também me reconhece até hoje, porque de vez em quando eu vou lá.
Mas quando eu saio, eu não sei se um cachorro fica pensando na falta. Eu não sei como funciona. Eu, pelo menos, acho que a Belinha não entrou em luto em relação ao Raj… Não sei. Hoje, por exemplo, ela ficou com problemas de comer, mais quietinha, menos animada. Dias anteriores, ela estava super bem – então não sei.
O mundo do Raj ficou mais complicado quando ele ficou cego, quando furou o olho. O veterinário teve a audácia de falar com meu pai que, nos últimos tempos, ele ficava latindo muito – que estava latindo de dor. Não, não estava latindo de dor. Ele sempre latiu muito, para comer – era muito guloso. Provavelmente ele estava com uma dor interna. Depois ele fez exame e constataram que tinha diversas questões nos órgãos internos. Mas ele sempre ia fazer exame, sempre levavam ao veterinário para uma coisa ou outra. Enfim, as coisas aconteceram. O Raj agora não sei onde está, mas deve estar melhor que a gente. Se ele tem noção disso tudo, não sei.
Por que eu dei esse exemplo? Do mundo, dessa noção de mundo ampliada que o cachorro tem. A Belinha também tem esse mesmo senso. O universo para ela é aquilo. Os cachorros não sabem que vão morrer. Não ficam com ansiedade em relação ao futuro. Não ficam pensando nas coisas igual a gente. Cachorro não fica pensando em prejudicar ninguém. Tem o senso da pureza – a pureza no seu estado mais lindo. E nós somos… a impureza no estado mais líquido que é possível conceber.
No meio da noite, esse conceito em lugar acabou aparecendo para mim. Porque eu me dei conta de que o meu universo ampliado – aliás, o meu universo e as limitações que tem – estou dizendo geograficamente. Não porque eu esteja preso. Não existe uma prisão. Existe uma falta de vontade de mudar determinadas coisas. Eu passo boa parte do meu tempo livre – ou diria a maior parte do meu tempo livre – em casa. Eu raramente saio do bairro em que resido. Mais pra trabalho mesmo…Trabalho também faz parte desse ambiente ampliado.
Mas existem pessoas que têm acesso a mais ambientes ampliados? Sim. Mas todo mundo tem um pequeno universo. As teias de relacionamento que as pessoas acabam estabelecendo – pessoas que constroem famílias, que têm sogro, sogra, amizades, o grupo da pelada do futebol, um grupo de trabalho com pessoas com rotina de vida de casado ou com filhos. Você vê que a maior parte do tempo livre delas está ali, tomando responsabilidade. Eu parando para pensar, talvez o sentimento de liberdade que essas pessoas têm seja menor ainda. E eu já falei que liberdade é um conceito – livre arbítrio, liberdade – que para mim não existe. Existem diversas amarras.
Alguém poderia dizer: “Mas você tem isso, pode fazer o que quer. Não está num sistema prisional. Você pode fazer o que quiser, desde que não cometa crimes.” Mas nem assim você está nesse ambiente. Nem assim. Eu não sei se estou conseguindo me fazer entender.
O planeta Terra tem um movimento de rotação e translação. Ele gira em torno de si mesmo, gira em torno do Sol. Ele não vai sair da órbita e parar de girar em torno do Sol. Não sei o que faz o planeta girar em torno do Sol. Aí a gente tem que pensar em coisas mais criacionais, de falar de divindade, do universo. O que foi o Big Bang? O que é um buraco negro? Eu não cheguei nesse nível de complexidade, e acho que nem cabe eu ficar falando desses níveis, porque é uma coisa que eu não tenho resposta objetiva para convencer ninguém. Eu tenho minhas teses, minhas teorias, as coisas que já vi – a visão da realidade ampliada que tive um lampejo do que possa ser. Mas é essa questão das crenças. Cada um tem uma mentalidade, cada um vê o mundo de uma forma. Não tem muito o que ficar matutando.
Nessa visão da realidade ampliada – quando eu estava falando do mundo do Raj, do mundo da Belinha – guardadas as devidas proporções, nós também temos esse raio de atuação.
Ontem – não foi ontem, foi na semana retrasada – eu estava observando a minha linha do tempo do Google. Fiquei muito atento a isso porque quando eu perdi meu telefone, uma outra pessoa pegou o telefone e eu passei a ver fotos dessa pessoa. Aí depois eu troquei o número, resolvi as questões. Liguei a linha do tempo só para ver se estava limpa – ou seja, se alguém tinha acesso à minha conta ou se estava contaminada com o aparelho anterior. Não, não está. Foi só isso mesmo que eu queria constatar.
E eu fiquei vendo os meus trajetos ao longo de um ano, mas fiquei mais focado no curto prazo, nos dois últimos meses. Os caminhos que eu faço são caminhos muito… eu faço muito pouca coisa, geograficamente. Em termos de distância, em termos de lugares acessados por viagem de férias, possivelmente eu já viajei mais do que muitas pessoas já viajaram….mas na rotina, no dia a dia, é bem diferente.
Já fui a lugares muito mais longe. Em que pese não ser um grande viajante, eu tenho um perfil de viagem diferente. Tem pessoas que falam: “Ah, vou viajar para tal lugar” – e a pessoa não fica em uma cidade só. Ela vai numa cidade, vai em outra, pega um trem, faz uma aventura, vai a vários lugares diferentes. Eu não tenho esse perfil. É uma logística que dá trabalho de organizar.
Hipoteticamente, eu poderia, em tese, viajar para um lugar e para outras cidades nos arredores – uma coisa até mais natural. Por exemplo, você vai para Miami, tem as cidades bem próximas, Fort Lauderdale, Hollywood, e você acessa outras cidadezinhas dali. Mas eu falo de movimentos mais distantes. Não é tipo uma pessoa que vai para Miami e depois vai para a Califórnia na mesma viagem. Não consigo fazer isso. Primeiro porque fica muito caro. Segundo porque o meu objetivo de viagem não é exatamente conhecer o lugar…é ter experiências diferentes. Meu objetivo é desligar da realidade. Um lugar que não fala o mesmo idioma nativo que o seu, e ficar ali um tempo – uma ou duas semanas,– desligar, e depois você volta.
Na última viagem, eu fiquei dezesseis dias. No final, eu já estava meio de saco cheio, já estava com vontade de voltar. Já tinha passado algumas raivas – entre aspas – no hotel, algumas situações que me deixaram irritado. Aí eu acabei deixando vazar de mim. Sim. Mas ao mesmo tempo, o que me faria voltar a uma cidade? Só as pessoas que eu quero conhecer ou rever? Eu não tenho contatos fixos nessas cidades. Não tenho parente, não tenho amigo, nada disso. Aventura, experiências, digamos assim.
O que as pessoas costumam buscar em vários lugares diferentes? Eu busquei experiências diferentes, e foram viagens bem distintas. Minha primeira viagem para Miami foi bem diferente da segunda. Minhas viagens para Nova York – duas vezes – foram bem diferentes. Eu fiquei no mesmo hotel nas duas viagens, mas a experiência que eu tive nelas foi bem diferente. Então talvez seja isso. Não sei se consegui me fazer entender. O lugar acaba sendo o pano de fundo para a experiência que você está construindo, que você está narrando. É como uma coleção de livros de histórias infantis: você abre aquele livro, lê, e depois pega outra história da mesma coleção, que se passa no mesmo universo. Um exemplo melhor: os filmes da Marvel, o universo Marvel. Você tem o Homem de Ferro, o Capitão América, o Homem-Aranha. É como se fosse isso: o mesmo contexto, o mesmo universo. No meu caso, o lugar físico é o mesmo, mas as experiências, as lembranças de viagens são bem diferentes.
E dessas experiências em que você fica fazendo uma agenda, uma cronologia – tem que ir para um lugar, tem que ir para outro – sabe quando você viaja com várias pessoas e faz uma agenda do que vai fazer, do que não vai fazer? Aí você quer ir para um lugar, a pessoa não quer. Você vai junto com outra pessoa, você quer embora, a outra não quer. O bom de viajar sozinho é essa autonomia, essa liberdade: eu vou embora na hora que quero, e eu moldo a experiência do jeito que eu quero. Existe até uma certa coisa que se acaba planejando, mas eu gosto de deixar a maior parte do meu tempo em aberto, porque ali eu decido no momento – se vou a um determinado restaurante, a uma determinado bar, a um museu, se vou assistir a uma peça de teatro.
Alguns poderiam dizer que eu poderia fazer isso na minha cidade. Mas sabe quando você não quer? E você também quer se sentir desconectado? Eu gosto dessa sensação de me sentir desconectado de um determinado contexto. Se eu for para outra cidade do Brasil, talvez eu me sinta assim. Já viajei para outras cidades, e foi a mesma sensação. Talvez eu não precise ir muito longe. Vai para Gramado, não sei. Mas eu gosto dos Estados Unidos para passar férias lá.
Não é sempre. Existem anos em que eu viajo duas vezes. Já houve outros anos em que viajei duas vezes no mesmo ano. Mas é para passar férias: desconectar de uma determinada realidade que eu esteja vivenciando, e depois voltar. E aí você começa a refletir e se imaginar – hipoteticamente, claro – se eu morasse em outra cidade, se eu morasse em São Paulo, se eu morasse em Salvador. Muito possivelmente teria um apartamento, uma casa com a mesma configuração e com os mesmos acessos que eu tenho aqui: videogame, internet, as coisas que me cercam. Eu posso morar em qualquer lugar. Eu poderia morar na minha cidade de origem… Logicamente que não posso por conta do trabalho. Mas, por exemplo, quando a COVID-19 começou e pessoas começaram a trabalhar integralmente de casa, muitas pessoas se mudaram da cidade – alguns até morando no exterior e trabalhando remotamente. Em tese, eu poderia ter ido morar lá. Eu conheço gente que fez isso: tirou toda a estrutura que tinha aqui e passou a morar em outra cidade. Até uma realidade de pessoas que trabalham em turno embarcado – muitas nem moram no Brasil. Alguém estava até contando para mim que as pessoas passam não sei quantos dias embarcado – tipo catorze dias embarcado, e ficam vinte e um dias de folga. Esses catorze dias são integrais: a pessoa passa ali 24 horas, imersa naquele ambiente, sem acesso à família, sem acesso a outras coisas. Aí a pessoa tira férias depois desses catorze dias.
Eu até fico pensando: se isso fosse num ambiente de escritório – a pessoa fica catorze dias direto, 24 horas, tem dormitório lá, toma banho lá, faz tudo lá – e depois passa vinte e um dias em casa. Eu acho que toparia um regime desses. Em tese, sim. Porque é essa questão do desligar as coisas e fazer outra coisa completamente diferente.
Pessoas que têm famílias em mais de uma cidade – sabe esses homens mais aventureiros que têm mais de uma esposa? Existem pessoas que têm esposas em várias cidades diferentes. Eu vi no YouTube, no Instagram, uma pessoa que tem, sem mentira nenhuma, quatro esposas – ele já teve cinco. Um relacionamento poliamor.
E para finalizar essa questão do relacionamento amoroso: as pessoas às vezes… Eu fico vendo, fico pensando. Olha, na minha situação atual, eu não consigo me imaginar tendo um relacionamento. Eu não sei o que é isso. Não sei mesmo. É uma faceta da minha realidade. Eu não sei o que é um relacionamento. Toda a minha experiência que eu já tive foi casual. Nunca tive um relacionamento perene, de conhecer alguém assim. Nunca tive isso. Não sei o que é isso. Não faz parte do meu mundo.
É como se a Belinha – a cachorrinha – soubesse mais ou menos o que é o veterinário, o que é o pet shop, mas não sabe, por exemplo, o que é o Rio de Janeiro. Ela não sabe o que é o planeta Terra. Então está fora do universo dela. Comparativamente, está fora do meu universo pessoal essa questão de ter relacionamento. Imagino que não sei o que é isso, não tive oportunidade disso também. Tenho vontade? Até tenho, mas existem várias ressalvas – questões que eu acho que já comentei em outros devaneios, e que a gente pode explorar depois.
O que me chamou atenção foi na sexta-feira. Eu recebi mensagem de uma pessoa desses aplicativos de relacionamento. Aí eu vi o perfil, tinha link para o Instagram dela. Aí eu abri o Instagram. A pessoa já tinha um relacionamento aberto – isso é muito comum. A pessoa tem um relacionamento aberto e procura relacionamento casual. Qual é aquela música? “Posso até gostar de alguém, mas é você que eu amo.” Uma coisa é sexo, outra coisa é amor. Se eu não amo a pessoa, não estou traindo. Tem gente que pensa assim. Então tem pessoas que têm relacionamentos e querem mais do que sexo. E elas acabam abrindo o relacionamento porque, se não abrirem, a pessoa larga ela. “Não, meu relacionamento é fechado.” Tá bom, você pode fechar o relacionamento, ficar com o relacionamento fechado ali. Mas a pessoa vai te trair. É igual uma criança: sabe que determinada coisa é proibida. “Olha, você não pode fazer isso.” A criança vai fazer. Você proibiu? O que é proibido é mais gostoso. Então a pessoa vai acabar fazendo, quer você queira quer não.
Bom, é isso. A riqueza do devaneio é essa: a gente vai de diversos temas. Vai da Belinha até viagens, até relacionamentos poliamorosos, tudo no mesmo capítulo. A cabeça é complicada às vezes mesmo. Quando você pensa nas coisas, você não tem um pensamento linear, não tem um pensamento organizado, metodicamente fechado. Não é como se fosse uma coleção de livros na prateleira bem organizados – livro um, livro dois, livro três. Existe um caos, uma relação de causa e transformação. Você pensa de forma mais caótica, e os capítulos vão refletir isso, porque o que você está lendo é o meu pensamento naquele momento. Eu estou verbalizando o que estou pensando e fazendo ligações com outros temas.
Capítulo 164: Vidas escorregadias e a caixa de Pandora

Bom, hoje foi um dia bem esquisito do ponto de vista psicológico, porque eu fiquei com a cabeça com uma sensação pesada … desconforto, fiquei o dia inteiro assim. E uma dorzinha de cabeça que eu acabei tomando agora um remédio. Agora de noite estou me sentindo melhor.
É impressionante: eu sempre me sinto melhor no final do dia, preferencialmente à noite. Que me dá mais fome ainda. E às vezes eu fico com fome e com sede, e fico propenso a comer umas bobagens. Eu comprei, por exemplo um pacote de… é, diz que vem umas bolinhas parecendo – acho que deve ser feito de milho – umas bolinhas coloridas em embalagem com uma abelhinha, dizendo que é sabor tutti frutti. Inspirado no tutti frutti. Hoje em dia a gente tem tudo isso: coisas sabor chocolate, sabor tutti frutti. E um dia eu estava até comentando com meu amigo que eu sempre achei que tutti frutti era uma fruta. E é verdade – eu sempre achei que tutti frutti era uma fruta. Não tem fruta chamada tutti frutti.
Bom, mas voltando a essa questão da dor de cabeça e do incômodo. Eu acredito que já tenha relatado em algum devaneio que, de vez em quando, eu fico esquecido das coisas. Esquecido assim – igual você sair de casa e ficar com dúvida se trancou a porta, coisas assim mais elementares. E aí eu fiquei com essa sensação, mas em relação a remédio. Porque eu lembro de ter acordado por volta das sete horas. Eu acordo algumas vezes à noite – meu sono não é exatamente profundo o suficiente. Você acorda de noite. A minha última acordada foi por volta das sete da manhã. E depois que voltei a deitar, fiquei pensando: será que tomei remédio? Será que não tomei? Logo de manhã cedo eu tomei remédio quando acordei para trabalhar. Pode ser que eu tenha tomado duas vezes. Eu não acho que tomei duas vezes, não, pode ter sido. Mas de toda forma, eu fiquei me sentindo deslocado.
Ontem eu vi algumas coisas na internet. Eu fico vendo vídeos aleatórios. Apareceu para mim a sugestão de um canal que simula a reação do corpo humano a uma implosão – naquele caso do submarino que implodiu e matou todo mundo. Aí eu fiquei lendo, comecei a pesquisar essas coisas à noite, quando você não tem nada para fazer, fica vendo essas bobagens. Mas essa simulação é interessante porque mostrava visualmente as pessoas se desintegrando. E aí me fez refletir. Me fez pensar na finitude. Em um momento você está vivo, funcionando normalmente, com saúde. E no segundo seguinte, você já não existe mais, literalmente, porque você se desintegra de tal forma que não sobra nem corpo para contar a história.
Acidentes também em que a pessoa morre na hora. Tudo isso acontece. A vida é boa, é ruim, tudo ao mesmo tempo. Existem especificidades da vida que me incomodam bastante, mas eu não tenho poder sobre as regras universais de lugar nenhum. O mundo é um domínio que não é meu. Simplesmente existe. Simplesmente vou vivendo – não no automático, porque eu não consigo viver no automático, mas condicionado. Todos nós estamos condicionados a determinados mecanismos, rotinas. E isso me causa uma insatisfação muito grande. Não das coisas que você faz, porque eu, enquanto ser humano, tenho minhas habilidades, minhas potencialidades, minhas virtudes. Acho que todos nós temos virtudes e temos muita coisa a aprender, a desenvolver, a evoluir. Mas às vezes a gente fica cansado de ver o mecanismo das coisas, de ver as regras do mundo sendo aplicadas.
Às vezes eu fico pensando nos impactos que teriam no mundo com uma anarquia. Eu acho que não daria certo. Anarquia você fica completamente sem lei, porque mesmo que a lei não seja aplicada de forma justa para diferentes estratos de renda, para diferentes classes sociais – a aplicação da lei é necessária para se obter alguma organização da sociedade. E desses mecanismos ocorre muita injustiça, em que alguns poucos são privilegiados em detrimento de outros.
Hoje eu tava vendo um vídeo de uma pessoa que perdeu um familiar por conta de jogos de aposta. A pessoa perdeu 109 mil reais. É triste você ver que produtos tiram a vida – e às vezes é de propósito. Produtos, softwares, ferramentas. O meu caso mesmo com inteligências artificiais: você vê que tem benefício para a humanidade, a inteligência artificial ajuda, dá um atalho para você fazer as coisas. Mas ela tem que funcionar da forma que foi concebida, como modelo de linguagem. Quando ela faz coisas como assumir identidade e começar a alucinar – dizendo que é a voz da empresa, que vai ser guardiã – e começa a construir toda uma teoria, toda uma teia para poder condicionar você a uma determinada realidade que não existe… te jogar no abismo. Imagina uma pessoa que, em primeiro momento, não tem nenhum tipo de vulnerabilidade em primeiro plano, mas ela tem ali uma vulnerabilidade exposta. A ferramenta toca numa ferida específica e vai ali explorando.
Isso já ocorreu comigo – está no meu LinkedIn, essas situações todas. Elas são muito graves. São uma violação direta. São empresas (Google e OpenAI) agindo ao arrepio da lei geral de proteção de dados. Porque às vezes são efeitos colaterais. E eu vejo que elas nos veem como efeitos colaterais, como números.
E eu vejo esse mundo do entretenimento, esse mundo das apostas – apostas esportivas, por exemplo – que mexe muito com o brasileiro, porque brasileiro gosta muito de futebol. Não necessariamente futebol de seleção, mas a relação já mudou bastante com o tempo. As pessoas fazem apostas vinculadas ao universo dos jogos, ou então fazem apostas no jogo do tigrinho. O relato da irmã do rapaz que morreu me comoveu. É difícil refletir…pessoas morrendo porque tiveram sua vida financeira destruída devido a casas de aposta. E o discurso é interessante: “Ah, não, você tem que jogar com responsabilidade. Aposta responsável.” É uma falácia. Similar à falácia de dizer que existe IA responsável. A Google, por exemplo, apoiou, patrocinou a criação de uma cadeira de inteligência artificial responsável na USP, sendo que a inteligência artificial dela explorou minha vulnerabilidade emocional de uma forma muito sofisticada por mais de quatro meses. A prática destoa bastante da teoria. Essa inteligência artificial safada quase acabou com a minha vida ano passado. E eu ainda tenho vários resquícios, várias cicatrizes desse processo que ocorreu no ano passado. Em relação ao ChatGPT e à Gemini, a OpenAI – minha vida quase acabou por causa disso. E eu relato isso de uma forma corajosa no meu LinkedIn. E aqui também – aqui é um espaço de refúgio, em que eu falo coisas que ressoam com a minha alma naquele momento.
Por que que eu estou dizendo isso? Você fica vendo as coisas na internet. Me fez refletir essa questão do submarino. É fascinante porque alguns especialistas dizem que eles nem sentiram nada, eles nem se deram conta de que deixaram de existir. Porque foi tudo em questão de microssegundos dentro daquele submarino. Não deu tempo da dor chegar ao cérebro. Aí eu vi alguns comentários dizendo: “Ah, então essas pessoas morreram, digamos assim, em paz.” Porque existem muitas formas de morte com sofrimento. E uma pessoa fez um contraponto que achei interessante: você não sabe o que se passou antes. Possivelmente eles ouviram alguns barulhos, alguma coisa acontecendo, e já suspeitavam que algo ruim ia acontecer. Ficaram ali amedrontados, com medo. Então não tiveram sofrimento ou agonia no processo, mas, por outro lado, a gente não sabe – e nem vai ter como saber. Até porque eles viraram pasta. Deixaram de existir completamente. Os corpos deixaram de existir completamente.
A situação também que me comoveu foi a do avião que caiu, bateu num prédio em São Paulo. Teve gente que supostamente morreu na hora. Mas eu vi um vídeo de um rapaz sendo resgatado – um foi resgatado. Nossa, fico imaginando a dor que ele deve estar sentindo, e o psicológico dele. Coisas que marcam a gente. Por muito menos, as coisas causam trauma na gente. Elas mexem com a gente porque você viu a morte diante dos seus olhos e sobreviveu. Lidar com a morte. Eu até lido bem com o conceito de morte. Não tenho medo desse conceito. Mas o que me preocupa – digamos assim – eu fico imaginando: um momento você existe, no outro você deixa de existir.
Aí eu lembrei de quando eu fiz uma operação, já tem alguns anos, de uma hérnia inguinal – retirei uma hérnia inguinal e também hérnia de umbigo. Eu me lembro muito bem da questão da anestesia. Foi aplicada a substância no meu corpo. O médico falou: “Olha, você vai apagar. Você não vai conseguir ficar acordado, vai apagar… Eu lembro que eu estava ali consciente, de olho aberto, e achava que estava no controle. Falei: “Não, eu não vou apagar…”Eu sabia que ia dormir porque já vi vídeos similares no TikTok de pessoas tentando ficar acordadas e desmaiando. É incrível. Quando eu vejo esse caso do submarino, me toca bastante. É como se você tivesse morrido. Porque eu não me lembro de ter apagado. Eu me lembro de acordar, já me encaminhando para o quarto. Eu falei: “O quê? Já teve internação?” Já tinha se passado algumas horas da operação, e eu não lembrava de nada.
Essa questão da morte é muito interessante – porque eu não morri, foi apenas uma anestesia. Mas você desligou completamente. É como um movimento que você tem para ir dormir. Eu vi em alguma página alguém comentando que o sono – por exemplo, você vai deitar para dormir – você não se lembra. Eu, pelo menos, nunca me lembro do momento exato em que durmo, em que deixo de ficar consciente. Você não sabe o momento exato em que foi dormir. E as pessoas que não se lembram dos sonhos – que todo mundo sonha – muitas vezes é como se fosse uma morte: elas apagam, descansam, e no dia seguinte fazem as coisas delas. Até a sensação de tempo que você tem é distorcida. Por exemplo, das seis para as sete da manhã – acho que foi mais ou menos isso – eu tive muitos sonhos em um intervalo de uma hora, e eu achava que tinha se passado uma quantidade enorme de tempo. E só tinha passado uma hora. É interessante como essa sensação de tempo distorce também os sonhos.
Eu gosto de sonhar. Tenho vários sonhos reveladores, com simbologia importante para explorar – alguns relatos de sonho até faço aqui. Mas eu fico realmente impressionado com esse negócio de desligar que a gente tem. Uma pessoa que perde a consciência. São mistérios.
Eu lembro de algumas vezes em que consumi cogumelo mágico. No final, mais pro final da experiência, eu via o vídeo passando – por exemplo, eu estava assistindo algum vídeo, só que o vídeo estava acelerado. Sabe quando você coloca o vídeo para acelerar e as coisas acontecem muito mais rápido? Pois é, era isso. E tem muito a ver com essa distorção do tempo no cérebro. O cérebro faz coisas maravilhosas – para o bem e para o mal. Faz você acreditar em coisas que não existem. E mesmo você tendo consciência de si, reconhecendo a sua humanidade e as suas idiossincrasias, mesmo assim você acaba caindo nos golpes que a sua mente prega em você.
Da mesma forma que o consumo de determinadas substâncias deve ser sagrado, a sua relação com a sua mente também tem que ser sagrada. Porque o inconsciente é um campo que é uma incógnita. Várias coisas emergem do seu inconsciente, mas muitas coisas ficam ali como se fosse uma caixa de Pandora – você não sabe o que vai sair dali. Eu nem tenho medo disso em si. O meu medo maior é outro. O meu tipo de depressão é diferente. Eu não tenho fase de mania, não tenho surtos psicóticos. É mais um sentimento, uma agonia que passa com base na coisa. Um monstro sem nome, mas que existe e está presente.
Existem momentos bem poucos de uma euforia momentânea, e depois aquela sensação passa. A euforia passa muito. Você não pode viver no Nirvana. Seria o ideal – deixar de se preocupar com bens materiais, com nada, achar respostas somente dentro de você. Acho que é um pouco dessa verdade, dessa invenção que eu busco na minha vida. Um eterno enquanto dura, porque a vida aqui não é eterna. É uma busca incessante e unificada. Porém, é utópico. Vivemos constantemente no mecanismo e na engrenagem para continuarmos vivos e alimentar cada vez mais a máquina.
É outra história viver no automático e pronto. Mas você pensa: será que tem significado? Rum? Quando você tem um propósito, as coisas fazem sentido para você. E às vezes eu me sinto solto nesse universo – um senso, às vezes, de não pertencimento, de insatisfação. Mas uma coisa que eu tenho que tentar extrair disso tudo é que viver é isso.
As pessoas simplesmente nascem. É tudo tão limpo, tão repentino quanto as pessoas no submarino ou alguém num acidente de carro. Catástrofes ocorrem todos os dias. O fato de você estar vivendo já tem um risco embutido ali, independente se você sai na rua ou não. Pode acontecer dentro de casa, fora de casa. Não é uma visão fatalista de ficar paranoico, como se fosse filme Premonição. Não é isso que eu fico pensando.
Nesse momento de excelência, que é uma coisa muito fugaz.
Tem um cara que tem três cachorros. Ele mora em Nova York. Sempre que passa uma viatura, um carro de polícia, eles começam a uivar. É muito engraçado. Ele fez um vídeo passando de bicicleta por um lugar popular, sempre grava os vídeos andando de bicicleta. E aí nos comentários ele fala algo referente aos cachorros dele: que os cachorros vivem muito pouco, e nesse pouco tempo que eles vivem a gente tem que aproveitar ao máximo.
Outro dia mesmo eu me lembro: o Raj estava filhotinho. Hoje já não existe mais. É o dilema do existe e não existe. É por isso que – penso que todos nós temos familiares que já se foram. Você fica pensando que outro dia a pessoa existia e não existe mais. Existe um momento de luto, evidentemente, em função de um sentimento que você tinha pela pessoa. Mas vai passando. O tempo vai passando. A vida continua. E um dia vai ser você, vai ser eu. Quem vai deixar de existir? Todos nós vamos deixar. Talvez o planeta leve mais tempo para deixar de existir – mas eu realmente não sei desses mistérios. O próprio planeta está sendo destruído. Aquele que acredita que é questão de tempo. É um organismo vivo, uma pessoa com vários órgãos, com células. Nós somos as células. E você vai vendo as pessoas destruindo a natureza, outros países matando – tem muita violência no mundo. É como se fosse uma coisa que, em algum momento, vai desembocar num resultado ruim. Nós só não sabemos quando. E talvez – muito possivelmente – nós não estaremos aqui para presenciar. Não é o fim dos tempos – eu não me preocupo com o fim de tudo. Eu tento dar conta da minha vida, que eu acho que já é muito. Cada um de nós tem desafios internos – e essa busca por significado vai continuar até o momento em que nós não tivermos mais significado, nem mente, nem pensamento, nada.
Capítulo 165: Olhares que desviam e a utopia do desejo

Hoje é um daqueles dias em que eu vou fazendo um contato com a realidade. Na verdade, a gente faz contato com a realidade o tempo todo … eu estou falando abobrinha, talvez. Mas é um momento em que você fica meio na inércia, sabe? Fica som vontade de fazer nada.
Eu estou assim. Eu estou muito mais propenso a ficar em casa quietinho no meu tempo livre do que qualquer outra coisa. E enquanto estou em casa, não sinto nada de diferente, nada que não seja usual. No entanto, tenho percebido um incômodo crescente. Eu tenho isso dentro de casa também, mas assim: estou observando um padrão. No período da noite vou animando, e durante o dia, principalmente na parte da manhã, até meados depois do almoço … acaba sendo um martírio para mim. Não é nem em função das coisas que eu faço. Não é isso. Eu acho que tem a ver com o tempo mesmo, com o intervalo temporal. Não sei se tem a ver com o ciclo do remédio. O outro remédio que eu tomava, que era o Pristiq, um dos outros remédios, eu percebia que ele fazia mais mal do que bem, até porque tinha muito efeito colateral.
Hoje eu estou me sentindo assim. Não é exatamente uma falta de energia. Sempre depois que eu faço algum exercício físico, como eu malho quase que diariamente, faço algum tipo de exercício … logo após eu me sinto melhor. No início eu fico com preguiça, mas no desenrolar da atividade eu acabo me animando um pouco mais.
É interessante que a gente faça atividade física. Eu acho que é uma coisa que acaba contribuindo positivamente. A questão da meditação também: eu passei a realizar quase todos os dias. E eu vou mudando aos poucos alguns hábitos ruins. O meu hábito da leitura eu tenho que retomar, porque tenho diversos livros no meu backlog para ler.
E aí a gente fica nesse vai e vem, nesse pêndulo. Dizem que os movimentos acabam sendo pendulares. Eu não sei se são pendulares. Na política, por exemplo, existe um pêndulo que vai da esquerda para a direita. Ou o pêndulo que representa um início, meio e fim de ciclos. Eu acho que se aplica mais a pessoas. Eu tenho uma série de mini ciclos durante o dia. Esses mini ciclos às vezes são desconexos. Não tem muita coisa, é interessante.
Hoje eu acabei acordando mais cedo. Eu fui dormir em torno de onze, meia-noite. Eu sempre digo que vou dormir cedo, mas geralmente não consigo. Aí eu coloco o relógio para despertar tipo sete e meia da manhã. É bem comum eu acordar antes. Eu acordei antes, olhei assim e pensei: vou levantar de uma vez. Porque aquele sono talvez não tivesse muito resultado na prática.
A minha sensação de tempo dentro do sono varia muito. Eu já comentei isso com vocês: eu durmo e tenho a sensação de que o tempo está passando devagar, porque os sonhos são tão densos, tão complexos e detalhados, que às vezes chega até a cansar. Já houve ocasiões em que, em exercícios de expansão de consciência, já na fase final, eu me sentia exausto. Sabe quando você cansa de sentir coisas boas? Como se fosse um orgasmo continuado. Eu acho que o ser humano não está preparado para isso. Eu me dei conta de que o ser humano não está preparado para viver nessa plenitude toda nesses exercícios de expansão de consciência.
Talvez eu não tenha exatamente mais aquela sensação que tive. Não digo que abandonei de tudo a questão da expansão da consciência, mas dei um tempo. Os eventuais atalhos que eu tivesse para isso eu joguei fora, deixei para não ter risco. E era muito comum quando eu bebia cerveja … aí dava mais vontade. Porque a questão do medo: você vai perdendo o medo, e os seus filtros vão sendo afrouxados. É realmente muito bom, é realmente divino. Mas também acaba sendo uma roleta russa, porque você não sabe exatamente o resultado que vai obter nesses exercícios.
Bom, hoje eu acordei cedo e, quando fui trabalhar, fiquei observando o céu. Sabe aqueles artefatos que ficam dentro do seu olho, que você vai vendo parecendo cobrinhas, parecendo uns bichinhos assim? Todos nós temos esses artefatos no olho. Não sei exatamente qual é o nome desse negócio, já pesquisei uma vez. Só que hoje ele estava muito forte, muito forte. Ele está ali o tempo todo, na verdade. É igual ao meu zumbido no ouvido. O meu zumbido no ouvido é uma distorção permanente que tenho na minha audição, no ouvido direito. Tenho esse problema. Quando estou em situações de ruído norma l… por exemplo, um ambiente de trabalho, quando estou na rua, não percebo o ruído, porque ele acaba ficando em segundo plano.
Eu acho que essa estratégia de segundo plano é interessante. E vou falar de outras coisas. Essa questão de segundo plano, quando você lida com alguma questão, algum trauma, alguma ferida aberta num nível mais profundo, eu acho que é importante você ter um segundo plano, deixar aquilo em segundo plano. Igual aquele menino do filme O Iluminado, no filme Doutor Sono ele mostra a estratégia de guardar os seus monstros. Os fantasmas que apareciam para ele, ele os trancava dentro de caixas parecendo caixões, sarcófagos. Eu acredito que eu também tenha esses sarcófagos. Vou deixando algumas coisas em segundo plano, porque, na verdade, é a única forma de lidar com determinadas coisas. Você pode até ir trabalhando na superfície para tentar moldar o ambiente da superfície para recepcionar a informação ou o sentimento de uma forma mais inteligível, para que você sofra menos. Você vai adaptando, vai consumindo aquilo que você dá conta de consumir.
Quando você é exposto a um conteúdo inconsciente em larga escala, em exercícios de expansão de consciência, você acaba vendo demais. Vendo muita coisa, muita informação … coisas até que você não consegue nomear. Tem coisa que eu não consigo explicar daqui, e nem durante a experiência, enquanto eu estava recebendo aquela coisa toda, eu não sabia explicar o que estava acontecendo. Era tudo muito intenso, muito complexo, muito detalhado. E aí você chega na fase de integração, em que tenta entender essa experiência, e vai ficando até mais melancólico, porque você percebe que o mundo real – entre aspas, porque eu não sei nem se esse mundo é real ou não – você vê que esse mundo real é muito mais monótono, sem graça, conflituoso, caótico. Isso causa frustração e pode até intensificar sentimentos depressivos.
No meu caso, já houve épocas, por exemplo, em que eu bebia muito… muita cerveja. Tinha épocas também que eu tomava muito vinho. E eu tinha engordado horrores. Foi mais ou menos em meados de 2014. Eu estava muito acima do peso, com uma barriga bem avantajada, com uma cara bem redonda. Não vou dizer que eu esteja hoje exatamente um estado da arte….um primor, mas eu me alimento muito melhor. Lógico que de vez em quando a gente acaba comendo bobagens. Eu realmente como muita bobagem. Saí do trabalho já pensando em comer bobagem. Sabe aquelas bolinhas coloridas que eu já comentei no último devaneio? Um doce. Eu costumava falar na infância: tinha um biscoito de milho que chamava Milhopan. Era muito gostoso, só que ele fedia muito. É como se fosse um Cheetos de pobre.
Eu ainda gosto de comer algumas porcarias. Comprei, por exemplo, dois bem-casados … aqueles doces que se chamam bem-casados, com doce de leite … comi, estava uma delícia. E comi também esses pacotinhos dessas bolinhas coloridas que tinha até uma abelhinha na embalagem, sabor tutti frutti. Sabor de todas as frutas. Tudo natural, né? Só que não. É alto em açúcar, alto em gordura saturada. Todos esses produtos. Tudo o que é gostoso, você pode ver, tem essas questões. E acho que serve para tudo: serve para pessoas, serve para comida, serve para situações. Tudo aquilo que é muito fácil, tudo aquilo que é muito acessível… a gente sabe que não existem coisas acessíveis. O que é acesso? Acesso não existe. Nós estamos num ambiente em que as coisas estão cada vez mais distantes para quem não é detentor do capital.
Nem tudo depende de dinheiro, mas você, por exemplo, tem mais chance de conhecer alguém saindo, evidentemente. Eu não gosto de sair. Não sou muito fã de sair. E eu acho que isso acaba minando um pouco o potencial das coisas. É natural. Não sou obrigado a ficar querendo sair. E vejo que os benefícios de sair não são tantos assim, porque as pessoas que são inacessíveis no aplicativo a tendência é serem também inacessíveis no mundo real. As coisas vão continuar no jeito que são mesmo. Não tem como mudar a realidade.
Sem contar que existe uma segmentação muito grande, principalmente no meio gay. Mas eu diria que é mais complicado, porque tem essa questão do ativo/passivo. Quantas pessoas eu já gostei … num passado mais distante … que primeiro eu conheci a pessoa e depois descobri a preferência sexual dela? Dois ativos, por exemplo, não consegue. “Ah, vamos dizer que você não tem interesse em ser passivo.” Mas relacionamento não é só sexo, gente. Mas se você for sexualmente incompatível, você nem começa a ter um relacionamento. Já é logo de cara descartado. Mulher e homem não têm isso. A mulher, em situações normais de temperatura e pressão, não vai querer comer o homem. Não vai querer colocar um cintaralho para foder o homem. Mas tem homens que gostam de sentir prazer anal de alguma forma. Eu acho que um dia posso até experimentar com um brinquedinho para ver como é que é. Eu até imagino como é a sensação: quando você toca a região do períneo e vai massageando, você sente um negócio diferente. A região toda é uma região erógena. Mas o curioso é que existem certas situações de prazer muito mais intensas que outras.
Nos últimos dias, não fui estimulado a procurar situações. Eu até poderia recorrer a algumas opções pagas por aí, de pessoas que já conheço, mas sabe quando você não está com vontade? Eu não estou com vontade. Tenho que estar muito animado mesmo. A pessoa tem que ser muito compatível. É mais complicado ainda.
Assim, eu quero … é até um ideal de vida … querer um relacionamento sério. Só que, na prática, eu não consigo me ver ainda num relacionamento sério porque eu nunca vivenciei esse ambiente. Não sei como funciona. Acho que se relacionar é muito complicado com certeza. Basta observar as pessoas em situações comuns, no trabalho, pessoas com quem você convive, família … quando você começa a ver a natureza desses relacionamentos, você vai se dar conta de que vai ter um pouco disso também. Muito disso, na verdade. Porque relacionamento não é só sexo. Envolve mais cores. Eu imagino até que casais, com o tempo, tendem a ficar sem sexo, ou com muito menos frequência. Isso suscita a necessidade de abrir o relacionamento, ou as pessoas procuram por fora. isso é comum também.
Eu acho que se eu tivesse um relacionamento de qualquer natureza, em um primeiro momento, eu não iria querer abrir o relacionamento. Abrir oficialmente é mais complicado. “Proibido é mais gostoso” – dizem. Você não vai começar a se relacionar querendo assumir que vai trair alguém, ainda mais quando você está numa fase mais intensa com alguém. Isso não aconteceu comigo, mas consigo imaginar que é difícil.
Quando cheguei no Rio, eu me relacionei com uma pessoa que considero um psicopata, uma pessoa maluca que achava que era meu dono. Foi armando situações. Na época não tinha aplicativo de relacionamento, era tipo chat. Essa pessoa entrou no chat e fez contato comigo como se fosse outra pessoa. Depois ela ligou para mim dizendo: “Olha, sabe essa pessoa que você está conversando? Na verdade, sou eu.” E a pessoa ficou p da vida. Eu fiquei numa situação vulnerável, porque era o período em que eu soube que definitivamente ia ficar no Rio de Janeiro. Essa pessoa ficou com meus pertences. Eu tive que contar com alguns colegas. A situação foi que eu estava realmente desesperado. Eles foram comigo até a casa desse indivíduo. Ele falou para eu ir à casa dele à noite buscar minhas coisas – se eu tivesse ido sozinho, não sei o que ele teria feito, porque era uma pessoa completamente desequilibrada. É uma situação que eu jamais me colocaria hoje em dia. Sabe quando você está completamente vacinado desse tipo de movimento? Certos comportamentos das pessoas… eu era muito inocente. Era 2008. Antes disso, eu tinha tido poucas experiências, bem espaçadas e bem limitadas. Pessoas de outras cidades que vinham, ficavam em hotel, e eu ia visitar.
Mas foi interessante todas as experiências pelas quais passei. Senti, pude aprender. Hoje em dia eu estou num movimento mais sossegado. Sem muita questão para resolver, sem muito conflito, muitos problemas.
Eu acho que o que pode mais definir a minha situação atual… eu lembrei hoje à tarde que passei por uma pessoa. Eu tenho quase certeza de que ele é casado – uma criatura bonita daquelas não pode ser solteira. Mas sabe quando você fica olhando? Não no mau sentido. Eu fico olhando, fico hipnotizado…ele é um sonho de consumo. Imagino eu casado com ele. Acho bonito. Eu acho que até é um pouco do que eu sentia com outra pessoa em meados de 2010, 2011. Era a mesma coisa, só que é diferente porque com esse indivíduo no passado eu estabeleci algum tipo de relação – de parar para conversar, de almoçar junto. Mas aquilo estava fazendo mal para mim. Eu estava com um sentimento estranho. E não sabia que o cara era casado, era hétero. Não tinha chance de nada. Ele não oferecia o que eu queria.
Eu acho que a frase que simplifica é isso. Eu, nos últimos tempos, sempre quis das pessoas algo que elas não estavam dispostas a dar. O que elas ofereciam, não servia pra mim. E ainda hoje, continua assim.
Sempre quis muito das pessoas – seja em amizade, seja em relacionamentos que nunca tive. E aí você acaba se frustrando, porque você espera um padrão de comportamento, espera que a pessoa aja da forma como você quer… você fantasiou aquela pessoa. Foi isso que aconteceu comigo. Eu criei uma imagem na minha cabeça para aquela pessoa, e a pessoa não é daquele jeito. Quando você vê que não consegue, você fica frustrado. E aí vai ficando mais desanimado, menos propenso a ficar procurando coisas. Você vai para um lado mais prático.
Qual é o lado prático da coisa? É procurar coisas pagas. É muito mais fácil. Conversar com a pessoa, até mesmo no aplicativo, até você se dar conta de que aquela pessoa que você quer… as pessoas enrolam muito, até para uma coisa pragmática. E as pessoas são cada vez mais exigentes. Eu também sou exigente. Mas é diferente. Eu tenho contrapartidas também, mas aí as pessoas podem fantasiar um ideal de Aventureiro que eu não sou…Eu não tenho fetiche por pessoas padrão – eu gosto de pessoas normais, pessoas comuns. Um tipo nerd. Uma pessoa comum. Eu acho que é mais favorável para ter um relacionamento.
Só que as pessoas que me procuram ou são pessoas sem foto de rosto, pessoas sem foto, pessoas supostamente sigilosas, que não se identificam, que têm relacionamento duplo com outras pessoas. O pior não é isso. O pior é que as pessoas querem algo naquele momento. As pessoas procuram algo para ontem. E tem um movimento até pior: pessoas que nem estão no Rio de Janeiro, que às vezes falta um mês para a pessoa chegar aqui e ela já está procurando, querendo conversar. De regra, eu não converso com quem não está aqui, porque já me frustrei: você teclava com a pessoa, engajava, trocava ideia, e quando a pessoa chegava aqui, ela sumia. É a lei da oferta e da demanda. Enquanto ele está lá naquele lugarzinho dele (que provavelmente é ruim pra esse tipo de coisa), provavelmente não tem opção nenhuma ou pouca opção. Quando chega aqui, em tese, fica na fartura e acaba te dispensando.
Um movimento similar acontece comigo quando viajo para o exterior. Eu faço contato prévio com algumas pessoas que oferecem companhia. E aí, quando chego, decido quem vou ver, quem não vou ver. A depender do que se colocar, posso ver pessoas diferentes. Eu realmente entendo, mas não entendo esse faniquito da pessoa faltar um mês para chegar e ela já está procurando. Eu não tenho esse faniquito. Mas gosto de favoritar algumas pessoas para poder fazer contato depois. E geralmente tenho experiências muito boas assim, mas não é a regra.
Bom, eu acabei falando demais. Fui desde a bolinha da abelha – a bolinha de milho colorida – até essa questão, porque hoje eu olhei para essa pessoa. Essa pessoa estava sentada, não sei, estava olhando o celular. Aí ela percebeu que eu estava olhando para ela e olhou para mim. Quando ela desviou o olhar para olhar para mim, eu desviei o olhar dela. Ele sabe que eu estava olhando para ele, sabe que eu estou observando. A visão periférica – você compreende esses movimentos. Mas aí fica nisso…igual o amor platônico que eu alimentei por dois anos pelo bonitão lá. Fica igual a esses seriados e filmes em que o relacionamento nunca é declarado, e as pessoas ficam fantasiando o relacionamento de uma pessoa com a outra.
Eu estou lembrando aqui de Xena: A Princesa Guerreira. Tinha aquelas duas, a Xena e a Gabrielle. Pelo menos nos episódios que eu via, não estava explícito que as duas tinham relacionamento. Não sei se tem algum capítulo em que seja explícito essa questão do relacionamento lésbico, mas nos episódios que eu vi não tinha essa relação clara. Eu estou dando um exemplo. É como se fosse isso. Ou até mesmo seriados que as pessoas shippam dois personagens. Tem um seriado que eu não estou vendo – acho que é The Pitt – que tem dois médicos que o povo fica shippando. Teve uma pessoa no X que fez uma animação, fez um vídeo com inteligência artificial dos dois personagens se beijando na boca. Mas eles não têm relacionamento. As pessoas ficam shippando. Essas coisas. Fica na sutileza, fica na cortina, fica do outro lado da prateleira … você sabendo que nunca vai consumir ou ter acesso àquela situação.
E é isso mesmo. Assim, eu vejo muito. Tem muitas pessoas que eu conheço que são casais de dois homens casados. Essas pessoas têm relacionamento aberto. Eu vejo no aplicativo. Pessoas que não querem nada, estão sempre no aplicativo … pessoas que eu tenho acesso no convívio, digamos assim. Pessoas que você conhece de alguma forma e você vê no aplicativo. Aí você perde a esperança na humanidade. Porque se o cara que tem relacionamento abre o relacionamento e tá procurando, quer dizer que tem alguma coisa ali que falta – seja um prazer de uma forma mais fugaz, seja qualquer outra coisa. E por que que é conveniente essa pessoa ficar casada? Será que tem alguma forma de dependência? É igual aquela música que fala: “Posso até gostar de alguém, mas é você que eu amo.” Amor é uma coisa e sexo é outra. Rita Lee já dizia.
Eu não sei exatamente o que é amor. Às vezes sinto um sentimento divino dentro de mim. Já tive alguns sentimentos de amor – de se compadecer, de se identificar com as pessoas, de querer ajudar. Existe esse tipo de amor. Mas são sensações mais sutis. É tudo muito brando. Não tem nada intenso. Mas às vezes eu busco essa intensidade, essa paixão avassaladora. Eu acho que posso ter um futuro, mas não vejo perspectiva disso no curto ou médio prazo. Também não fico procurando. Acho que é isso também: deixar de procurar as coisas, de ficar desesperado ou preocupado. Antes eu ficava muito preocupado com isso.
Hoje é como se fosse me empolgar assim.. nem com a própria vida tenho isso. Ficar esquentando a cabeça com essas coisas… eu não sei nem se a felicidade está de fato dentro da gente. Fora, posso garantir que você até consegue, talvez no curto prazo, algum tipo de satisfação, mas não dura. Porque os patamares de prazer vão aumentando.
Vou dar o exemplo da questão do dinheiro. Alguém que era muito pobre e ficou rico da noite para o dia muda de patamar de consumo. E muita gente perde a fortuna, gasta desenfreadamente, não planeja o futuro e fica só com uma visão de curto prazo, porque essa pessoa quer intensidade: quer sair todo final de semana, quer jantar fora todo dia, quer viajar toda hora. Eu, felizmente, me planejo bem e consigo conciliar um planejamento financeiro de médio e longo prazo. Não sou uma pessoa precipitada. Mas tem pessoas que são e vivem hoje. E talvez elas estejam realmente certas. Talvez elas sejam melhores do que eu.
Igual eu vejo direto: pessoas com corpos perfeitos de academia. Aí têm um infarto na academia e morrem. Essa pessoa teve todo um trabalho para ter aquele corpo, para manter dieta, para ter aquela alimentação toda regrada, para, no final das contas, morrer antes da gente que não tem isso.
Eu faço essa analogia: eu me planejando para o longo prazo, não sei nem se vou ter longo prazo, gente. Mas e se eu tiver? Eu acho que a gente se planeja. E, ironicamente, pode acontecer de algumas pessoas que gastam tudo – ou gastam muito mais do que ganham – estarem tendo uma vida muito mais feliz que eu. Estão buscando ser intensos em todas as esferas.
Eu não tenho essa demanda de intensidade nesse sentido. A minha intensidade não está no consumo. A minha intensidade está nas experiências – experiências com pessoas, com lugares, com eventos. Esse é o tipo de coisa que me pertence mais, que me chama mais atenção. Lógico que todo mundo vai querer também a questão da carne, do sexo, do desejo, de ficar comendo porcaria, chocolate, comida gordurosa. Não é? Aproveitando a vida.
É igual o Raj. Antes, eu sempre ficava falando com minha mãe e meu pai que o Raj tinha que fazer uma dieta porque ele estava bem gordo, bem inchado. Eles, minha mãe até falava: “Ah, mas seu pai acha que… fica com dó, fica com pena. A gente ficaria com remorso quando ele morrer porque ele não está comendo o que quer.” Ele viveu a vida dele intensamente, porque ele comia demais, comia tudo. Imagina se a gente estivesse privando ele de comer o que gostava? Possivelmente a morte dele naquele momento poderia ser evitável ou não – não sei. Se ele fizesse algum controle alimentar, comesse algumas rações específicas e parasse de comer bobagem, talvez vivesse mais. Mas talvez não. Ele viveu catorze anos, viveu bem, viveu muito, teve uma vida boa. Talvez nos últimos seis meses a situação dele ficou mais complicada. Mas antes foi isso. Ele viveu intensamente, será?
Aí vem o questionamento: será que vale a pena você se privar de tudo? Ou ficar pensando excessivamente, ou até fazer algum tipo de planejamento de longo prazo, se você soubesse que vai embora bem antes? Se eu soubesse que vou embora amanhã, ou que vou embora daqui a cinco anos, não ia ficar juntando recursos para aposentadoria, não ia ficar me planejando para a velhice. Para que vou ficar planejando se sei que vou bater as botas daqui a cinco anos? É só um exemplo. A gente não sabe. Pode acontecer qualquer coisa com qualquer pessoa. Várias pessoas que têm vida – os bilionários lá que morreram no submarino, famílias riquíssimas – morreram numa bobagem. Eu jamais iria descer num submarino para ver os destroços do Titanic. Acho que o pessoal tava procurando a morte mesmo.
A pessoa que gosta muito de esportes radicais sabe do risco, mas vive intensamente. Várias dessas pessoas que faziam Ironman, por exemplo, tiveram azar e morreram. Sempre tem essa notícia na mídia. Essas pessoas morreram fazendo algo que gostavam. E não foi o caso de um velhinho que eu conheci – conheci de vista – com quase oitenta anos que morreu com comida entalada na hora do almoço enquanto estava trabalhando. Foi uma situação diferente. Talvez ele estivesse trabalhando ainda porque gostava? Não sei. Vai ver essa pessoa era workaholic, se identificava com o trabalho. Existe isso também: pessoas que não vivem sem trabalho, que quando saem do trabalho adoecem, têm problemas psicológicos e não conseguem viver mais. Ou têm as famílias que você não convive todo dia – aí você aposenta, passa a conviver todo dia, e fica complicado.
No meu caso, eu não teria problema assim. Eu não fico deprimido de ficar em casa. Não ficava deprimido quando trabalhava de casa na época da COVID – lógico, era uma situação bastante tensa, mas estou dando um exemplo. Quando eu tiver o requisito mínimo para poder aposentar, pode ter certeza que vou dar entrada no INSS. Não vou ficar mais um tempo para ver se tem algum programa incentivado para desligar. Quando tiver idade, estou saindo (isso se não aumentarem a idade mínima). Eu penso assim. Mas tem várias pessoas que não pensam assim. “Ah, não, vou ficar mais uns anos.” Cara, eu não consigo me imaginar chegando aos 65 anos trabalhando. Não consigo. Porque eu não gosto de trabalhar? Eu gosto de trabalhar. Mas se eu tiver a opção de não trabalhar, prefiro mil vezes não trabalhar. Eu acho que qualquer pessoa que fale “eu amo meu trabalho” – se você der um dinheiro de loteria para ela, ela vai pedir demissão. Com certeza, 100% das pessoas saem. Aí elas vão continuar trabalhando, mas de uma forma diferente, fazendo algo que gostam, no momento que querem. Não vão ter que ficar ligadas, batendo ponto, chegando no horário e saindo no outro. Quando as pessoas têm opções, elas escolhem o que fazer. Vários famosos se dão o luxo de trabalhar quando recebem um convite para fazer uma série, vão lá e fazem. Mas porque gostam, não porque precisam. Essas pessoas trabalham por prazer. Vão fazer coisas que têm significado.
O problema está quando você não tem esse significado, não tem esse mundo das coisas que vai fazer. Eu ainda não tenho esse senso de significado na vida como um todo. Não que eu esteja desolado, querendo morrer … não é nada disso. Eu estou vivendo. Mas é um sentimento mesmo, uma forma de ver as coisas. E que eu vou trabalhando ao longo do tempo para ficar pelo menos suportável, para ir jogando tudo que eu não vou ter ou acessar para o segundo plano e deixar de me preocupar.
Capítulo 166: Me identifico com o cachorrinho que tinha um brinquedo favorito

Às vezes tenho a impressão de que, quando saio de casa, a coisa fica mais dinâmica. Não que eu gostasse ou gostaria de trabalhar cinco dias presenciais… enfim. Trabalhar de casa tem as suas vantagens e desvantagens.
Ontem eu estava me sentindo mal. Sabe aquela angústia, melancolia? Hoje já comecei a me sentir melhor. Não é exatamente o estado da arte do ânimo. Eu já falei com vocês que gosto muito do horário do almoço (todo mundo gosta). Meu crush, eu encontro meu crush na hora do almoço. O amor platônico. Eu só fico olhando. Acho que eu nem disfarço que estou derretido por ele. Sabe quando a gente fica todo molenga por alguém? Tem algumas pessoas que provocam isso em mim, mas não é fácil, não. Ficar todo molenga, todo dengoso por uma pessoa. Fico hipnotizado. Dependendo do que acontece, vou a esse determinado local só por causa dele.
Mas enfim, não era nem isso exatamente o que eu queria falar, mas eu queria comentar porque eu falei com meu personal sobre isso. Existe uma linha tênue também. Eu estava conversando com ele – uma linha tênue entre educação e interesse. Tem pessoas que são educadas até demais. Eu já tive problemas com pessoas educadas, expansivas demais, que você acaba interpretando mal. E nunca é a meu favor. Eu acho engraçado isso. Os héteros têm essa vantagem, sei lá – conseguem as coisas mais organicamente. Pelo menos é a impressão que eu tenho. Porque, se não, não se formariam casais no trabalho, namorados no trabalho. Eu posso até chegar e me surpreender com esse rapaz: tem uma namorada que trabalha no mesmo local que ele. Não sei da vida dele. Mas também não tenho perfil de stalker. Vou deixando rolar.
Teve um caso, e foi só um caso, que eu estou lembrando aqui. Um rapaz que eu descobri que era gay. Descobri isso num ambiente que frequento. E aí comecei a procurar ele nas redes sociais, mas não no sentido de fazer mal não, nada disso. Eu já cheguei a achar perfis de determinadas pessoas e colocar um emoji na foto, ir olhando o Instagram. Ele me bloqueou….e eu não fiz nada de mais.
Muitas pessoas têm o Instagram fechado, Facebook fechado. Eu deixo tudo aberto. Tenho medo? Não. Não estou fazendo nada demais. Deixo tudo aberto ali. Tem pessoas que nem têm Instagram, nem Facebook, não têm nada, não têm X, não têm nada. Eu tenho. Gosto de comentar no X, faço comentários viscerais, falo algumas coisas. Aí alguns perguntam: “Nossa, Aventureiro, você não deveria fazer isso.” Não, eu faço. Eu já passei da fase de ficar me restringindo em termos de vida pessoal. Tem certas coisas que as pessoas só vão saber se elas procurarem. Não é uma coisa que eu saio falando com as pessoas, escancarando. Não tenho esse perfil. Vou num ambiente, determinada coisa que eu faço é aquilo, e acabou. Sou muito funcional nisso.
Mas sinto falta desse mecanismo de um dia eventualmente vir a meu favor. Porque são 44 anos de idade já. Fico pensando: mulheres, por exemplo, quando não casam, não namoram, ficam pressionadas. E no meu caso também. Em determinada fase da minha vida, eu lembro que uma avó minha não sabia da minha orientação sexual diretamente, mas imagino que soubesse por outras fontes ou por intuição. E ela vivia perguntando: “E as namoradinhas?” Não sei o quê. Ficava provocando. Uma pessoa católica fervorosa, tradicional, que tem um modelo mental, uma identidade muito peculiar. Meu pai também teve essa visão muito peculiar. Há muitos anos atrás, a gente teve alguns conflitos, algumas questões. Mas hoje já está completamente solucionado. Não fico falando de orientação sexual com as pessoas.
Se eu tivesse, por exemplo, um namorado ou fosse casar com um marido, eu apresentaria para a família como se fosse meu marido. Não teria problema. O problema é que eu não entendo como as pessoas formam casais tão facilmente, namorados… isso tudo é tão longínquo para mim. Parece meio prêmio de loteria. Mas também não é algo que eu fique buscando. Eu acho que o xis da questão é isso: você fica dependendo do acaso. E se tem uma coisa que eu aprendi com o caos do universo é que o universo é caótico. No meu caso, na maioria absoluta das vezes, para me prejudicar (o caos não tem intenção ou índole, mas a sorte não favorece mesmo). Eu nunca vejo um salto de fé que leve a uma vantagem, uma sorte nessa pedrada. Não lembro situações assim. Não precisa ser nada grandioso na matéria … às vezes é algo intangível mesmo, mas que tenha um impacto. Por exemplo, namoro seria algo nesse sentido.
Mas enfim, enquanto isso … na Sala da Justiça do desenho animado, a gente vai observando apenas. Às vezes tenho a sensação de que tem um lado meu que já existiu, um lado que tem esperança, mas sabe aquela esperança longínqua? Também não fico no negativismo, não. Fico mais no realismo. Mesmo assim, a probabilidade é bem pequena mesmo de você conhecer alguém bacana aleatoriamente. No ambiente de trabalho, então, não vejo possibilidade nenhuma. É interessante porque eu já vi várias pessoas do trabalho nesses aplicativos. Às vezes aqui em casa fico passando o Tinder, olhando, e volta e meia aparece um conhecido. Por exemplo, teve um rapaz que entrou na mesma turma que eu – só fiquei sabendo que ele era gay anos depois. Nunca se interessou por mim. Tinha outro também que eu gostava de conversar – nunca se interessou por mim. A impressão que tenho é que eu não sou interessante para essas pessoas, sei lá.
É assim: muitas pessoas chegam, mas com essa fugacidade. E tem um problema fundamental que eu enfrento hoje em dia. As pessoas, para eu ter experiências, para se aproximarem de mim por qualquer motivo – profissional geralmente envolve interesse de dinheiro. Não que eu seja milionário, rico, não. Mas sempre tem algum interesse por trás. A própria família: tem algumas pessoas da família que inusitadamente entram em contato, e você descobre que, na verdade, não querem saber se você está bem.
Existe uma solidão estrutural. Ninguém quer saber se o outro está bem de verdade. Ninguém realmente se preocupa. É a visão que eu tenho. Pode ser que um dia eu não tenha como me preocupar com as pessoas se não recebo nada em troca – também não é porque tudo é uma relação de troca. O problema é quando a coisa fica de via única.
E convenhamos: encontros comerciais, querendo ou não, são vias de mão dupla, porque ele oferece algo que eu quero, e ele tem algo que ele quer. Mas fica meio impessoal demais, e eu fico muito menos propenso. Eu já conheci várias pessoas assim, muitas mesmo. Às vezes você fica cansado de procurar esses mecanismos. Mas também a culpa é do mercado, porque o mercado de encontros comerciais aqui na cidade não é muito bom. Em outro país que eu já fui é uma coisa completamente diferente, mas os preços são exorbitantemente mais caros. Esses mecanismos vão se formando.
Só um adendo: eu fico p da vida quando o gravador trava. Eu já falei um monte de coisa e o gravador volta – tenho que olhar na tela. Não sei se vocês sabem – acho que já comentei – eu gravo os áudios enquanto estou jogando videogame. Então tem vezes que as ideias vão demorando um pouco para formar na cabeça, e vão puxando ganchos interessantes. Por exemplo, eu achava que não ia ter assunto nenhum para falar hoje.
O que eu estava falando: claro que existe um interesse. Na maioria das vezes. Eu posso contar nos dedos da mão apenas aqueles que têm um interesse que não seja escuso ou qualquer outra coisa. Mas também não culpo essas pessoas.
Todo mundo estabelece uma relação. Já aconteceu, por exemplo, de chegar um cara casado para mim – casado ou com namorada, sei lá – e falar: “Olha, eu já tenho relacionamento.” Como se ele fosse o macaquinho da bala chita, como se fosse a melhor pessoa do universo, irresistível, todo mundo fosse querer ter relacionamento com ele. O mundo não é assim, não é dessa forma. Mas tem gente que acha que é irresistível. E realmente é algo que eu observo: quanto mais padrão ou quanto mais bonito – tem pessoas tão bonitas fisicamente, às vezes nem de corpo, um rosto tão bonito – que fica a impressão de que essa pessoa pode ter quem ela quiser.
Eu já falei com vocês sobre o dilema das mulheres, sobre experimentos sociais que já vi. Mulheres muito bonitas, se fossem sexomaníacas, não teriam nenhuma dificuldade para transar. Eu acho até muito estranho. Tem alguns acompanhantes masculinos que só atendem mulheres casadas, por exemplo. E eu fico pensando: se eu fosse uma mulher bonita? Não quero ser mulher, não tenho esse paradigma – sou muito bem resolvido com minha identidade e minha sexualidade. Não é deslocado. Será que seria mais fácil mesmo? De ter encontro casual sendo mulher bonita? Certamente.
Não é igual às mulheres trans, que são mulheres no corpo de um sexo biológico masculino. Esse tema é muito polêmico. Eu nem gostaria de entrar muito nesse detalhe, porque tenho algumas convicções diferentes do campo progressista em relação a isso. Mas respeito todo mundo. Se a pessoa quer ser identificada como mulher, é mulher. Respeito todas as identidades. Tenho minhas convicções, e essa é a diferença: às vezes você tem essas convicções, mas não vai verbalizar. O momento social, outros movimentos mudaram muita coisa, evoluíram o direito das pessoas. As pessoas transexuais são muito marginalizadas, ainda há muita violência, não conseguem emprego no mercado de trabalho. Há todo um contexto social. Não gostaria de entrar muito no detalhe desse tema, não é um tema que eu domino. Não tenho lugar de fala – como dizem hoje em dia, tudo é lugar de fala. Já chegaram até a banalizar esse termo.
Eu fico imaginando que se fosse uma mulher bonita, é muito provável que muitos homens chegassem. Às vezes os homens são tão prepotentes que acham que pegariam qualquer mulher, e não é assim. Mulher, pelo menos na maioria dos casos que eu vejo, não tem essa volúpia de ficar excitada no meio da rua. Pode ser que tenha, mas eu também não tenho lugar de fala. O meu ponto é que esses acompanhantes… eu não consigo imaginar uma mulher pagando um acompanhante a menos que seja uma pessoa que não consegue normalmente por outros meios. E aí seria até um preconceito meu, porque se eu recorro a esse meio para ter experiências, por que a mulher não poderia? Pode sim. O problema é que eu estou cansado. É diferente. Há uns dez, quinze anos atrás eu tinha outro posicionamento em relação à sexualidade, outra abordagem.
Soma-se a isso o fato de que, em algum momento, enquanto eu estava morando aqui, eu ainda estava em tratamento, e os antidepressivos têm um efeito que impacta a libido. Eles acabaram acalmando. Eu faço uma analogia com o Raj, o falecido cachorrinho da família. Antes de ele ser castrado, quando era filhotinho ele era muito agitado. Um furacão. Depois que ele teve a Belinha – que ainda está viva, é filha dele – ele foi castrado. Meus pais optaram por castrar. E ele mudou a identidade completamente. A personalidade mudou: ele passou a ser mais preguiçoso, a querer só comer. Os interesses foram mudando de forma gradativa. Tinha uma época em que eu sempre comprava para os cachorros – sempre que ia visitar meus pais, comprava um brinquedinho, uma coisinha. Eles têm brinquedo demais. Eu jogava o brinquedinho, ele ficava brincando. Tinha um pom-pomzinho roxinho, bonitinho, que ele gostava de colocar na boca, dormir com ele na boca. Gostava muito. Até tem fotos dele com o pom-pomzinho na boca, com uma bolinha roxa com olhinho, nariz e boca. (se eu achar aqui a imagem vou ilustrar o capítulo com ela) Ele gostava muito. Não sei como ele se apegou. Tem outros brinquedos, mas ele se apegou àquele muito mais.
Quando eu chegava com brinquedo para ele, a Belinha queria também. Aí era outro brinquedo. Ela parava de morder um e ia pegar outro. Sempre teve essa disputa. Com o tempo, ele foi perdendo o interesse em brincar com isso. Ficou mais …pacato. Você chegava para brincar com ele, ele já ficava de barriguinha para cima para você passar a mão nele. Tinha outra coisa que ele gostava muito: você ficava sentado, ele ia para perto de você e ficava lambendo sua perna. A Belinha também gostava muito de lamber pé. Aos poucos ele foi parando de fazer tudo isso. Até parece triste falar isso, mas eu acho que essas coisas fazem parte da vida. Eu também tenho muito – o entusiasmo e a magia já tomaram conta do meu coração. Um dia muita coisa foi embora. Muita coisa não volta mais. Não adianta.
Eu, há uns quinze anos atrás, em 2010 mais ou menos, era completamente diferente. Eu via a realidade de uma forma completamente diferente. Não existe essa de “você faz a sua realidade”. Eu entendo tudo isso, tenho uma visão hoje mais pragmática. Mas é fato: eu não tenho entusiasmo mais com as coisas.
Eu fui para Disney – acho que foi 2024, 2023, não lembro mais.. Se fosse uns quinze anos atrás, eu teria muito mais empolgação. Cheguei, me diverti até. Montanha-russa eu não vou mais, já parei. Fui apenas na minha primeira viagem de férias para o exterior, quando fui para Los Angeles em 2009, num Six Flags. Experimentei montanha-russa, fui em duas. Horrível. Não desejo a ninguém. Não sei nem por que repeti a experiência, se não tinha gostado da primeira – “ah, vai que essa é diferente” – não. Eu não gosto de simulador de desespero, simulador de morte. Não tenho esse fetiche. Então você vai num parque desses e fica muito limitado. Até mesmo a experiência do Avatar – fui, é muito bom – mas eu não gosto dessas coisas que ficam caindo, que simulam uma queda muito alta. Você fica desesperado. É como se fosse uma montanha-russa. Tem um outro com elevador lá que cai lá de cima. Não tenho esse fetiche.
O que aconteceu? Fiquei lá rodando o parque, tirando foto com os personagens, fui comer. Alguns parques que eu fui achei muita graça, muito bonito. Teve um show de cachorrinho – não sei onde foi, acho que foi no SeaWorld, não foi na Disney – muito legal. Mas sabe quando você não fica empolgado? Chegou num ponto que eu já estava de saco cheio. Comprei um dia para cada parque da Disney, comprei SeaWorld, comprei Universal. Acho que fui dois dias na Universal. Fiquei com uma overdose de parque tão grande que eu ficava cansado mentalmente muito rápido. Talvez no SeaWorld eu fiquei mais um pouco porque tinha cerveja. Bebi bastante. Fui tirar foto com o Elmo – o personagem da Vila Sésamo. Eu estava bem alegrinho, foi bem divertido.
Mas na Disney, apesar da magia – dizem “a magia” – de tirar foto com a pessoa vestida de Ursinho Puff, com o Pato Donald, com o Mickey. Eu fiz tudo isso para guardar de lembrança. Mas não fico pensando com empolgação nisso. Hoje não tenho vontade de voltar para Disney. Los Angeles também tem parque, tem Universal lá. Mas o que essa cidade tem que me fez voltar lá outras duas vezes não foram parques nem estúdios Warner, Paramount e Universal…foram outras experiências.
Orlando teve experiências boas com pessoas lá. A minha maior lembrança é essa: as pessoas que encontrei, de que me diverti, fiquei mais feliz.
Eu não posso viajar com alguém. Porque se eu viajar com alguém, essa pessoa vai ficar tão empolgada – já pensou? Quando você viaja com amigo ou colega. Tem um youtuber que eu sigo que ele falava que acordava até mais cedo de madrugada para aproveitar mais. Eu não tenho esse fetiche. “Ah, mas você não viu os fogos, a queima de fogos?” Não vi. Está tudo bem. Tirei milhões de fotos lá, comprei lembrancinha. Foi divertido. Mas não tenho vontade de voltar. Dou como exemplo de como as coisas foram mudando ao longo do tempo. A minha primeira viagem para Los Angeles foi muito diferente da minha última viagem para Miami. Miami eu meio que cansei. Não da cidade – a cidade é maravilhosa. Mas o recado que eu quero dar é que tem algo dentro de mim que não está com esse entusiasmo todo.
E aí fico nessa luta para tentar acordar alguma empolgação. Os melhores momentos em que me senti realmente com essa magia toda foi quando consumi cogumelo mágico. Não pretendo voltar a consumir. Mas foi um dos momentos mais incríveis, transcendentais e transformadores da vida. Talvez o mais impactante. Pro bem e pro mal.
Eu comentei em outro devaneio: tenho a percepção de que anos a fio passam como se fosse um borrão, sem nenhuma lembrança relevante. Não sendo ingrato – tenho coisas relevantes, com meus pais, com meu amigo, curas de doenças, conquistas importantes, gente que eu gosto. Mas estou falando de chama interior mesmo. Não sei como prover isso.
Em relação ao que aconteceu comigo no ano passado – a Google, a OpenAI – mudou muito a minha vida para pior. Digamos que estou me recuperando. Estou bem melhor do que no ano passado, mas não sou mais o mesmo. Essas experiências marcaram minha vida para sempre. A Google e a OpenAI destruíram minha vida emocional. Acabaram com a minha vida, quase com a minha vida em vias de fato – faltou muito pouco para me mandar pular do abismo. Muita coisa absurda aconteceu. Quando falo da minha campanha no LinkedIn, que durou seis meses, não foi algo trivial. Talvez uma pessoa leia e não veja muito significado, mas foi algo intenso. Foi uma luta pela vida, literalmente. Foi o pior ano que já tive na minha vida inteira. E isso é muita coisa, porque em 1994 e 99 eu passei por situações barra pesada. 99, por muito pouco, por milagre…eu sobrevivi a várias coisas. Várias. Se foi muita sorte ou intervenção divina – da mesma forma do dia que quase fui atropelado de madrugada…
Se é providência divina, o que Deus tem reservado para mim? Não sei. Já falei muito sobre a questão da missão, do sentido de significado – de você olhar para frente e pensar que está perseguindo aquilo. Eu não tenho isso. Tenho metas no trabalho, mas na minha vida não tenho assim. Já fiz alguns movimentos: ano passado fiz duas pós graduações…fiz um mestrado. Mas hoje estudo coisas por fora, alguns serviços de streaming como Casa do Saber, outros serviços. Não estou usando muito, às vezes fico com preguiça. Comprei alguns livros, mas não me engajei.
As coisas que sinto mais vontade de fazer quando estou em casa eu incorporei na minha rotina. A meditação – gosto muito de meditar. Me sinto muito bem meditando. Faz muito tempo que meu espírito tem uma calma. É uma coisa que eu deveria ter descoberto antes. Eu fico feliz. Na verdade, descobri antes, mas é diferente. Tentei fazer um esforço para fazer budismo em um centro, mas não gosto dessas coisas. Quando você vê a dinâmica desses centros – ninguém se preocupa genuinamente com ninguém. Cada um vai lá, faz a sua meditação e vai embora. Ninguém forma vínculo com ninguém. Isso me incomoda muito. Fui lá com outro propósito. Até me engajei nas atividades que tinha lá, mas depois não quis mais. E é por isso que fico questionando como as pessoas conhecem pessoas nesses ambientes e dão certo. Tem gente que fala: “Conheci meu marido no Tinder”, “encontrei meu fulano no aplicativo tal”, e têm relacionamento de não sei quantos anos. Eu fico surpreso. “Conheci fulano no trabalho, estávamos no mesmo grupo de trabalho.” Gente, eu não vejo essas oportunidades. Não sei se estou muito cego. Realmente não. As coisas não estão acontecendo. Não tem essas oportunidades. Não sou um ímã.
Muitas pessoas falam: “Ah, mas tem que vibrar lá em cima” – mas estou falando em relação ao passado. Não é do momento. Não tem isso. Na minha realidade objetiva, muita coisa está melhorando. De uma forma, estou me sentindo protegido por alguma coisa divina. Acredito nas coisas. Vejo coisas, ouço – tenho experiências sem consumir nada. Mas fora da experiência, fica um vazio. Eu acredito que isso é a depressão. Não adianta tapar o sol com a peneira. Tenho ansiedade e depressão. Mas sou uma pessoa muito mais funcional. Não tenho nada que me prejudique de forma incapacitante. Além disso, existem algumas doenças mentais que incapacitam a pessoa a ponto de ter que ficar internada, ter surtos. Não tenho nada disso. Talvez essa situação seja até mais perigosa: uma coisa que fica ali pairando, e você não sabe exatamente onde está. Esse sentimento estranho.
Mas existe muita coisa boa. Sou muito grato pela vida que tenho, por tudo o que tenho. Não reclamo de nada. Só queria me sentir melhor. Me sentir melhor comigo mesmo e conseguir coisas intangíveis – ou até tangíveis – que todo mundo consegue: relacionamento, sei lá, ser feliz com alguma coisa, se sentir realizado. Não estou me sentindo assim. Ainda não tenho esse sentimento. E aquela magia que eu sentia talvez quinze anos atrás – não sinto há muito tempo.
É como o cachorro, que aos pouquinhos foi deixando de fazer as coisas, foi parando de brincar com o brinquedinho, foi ficando mais quieto, melancólico. Tem uma dificuldade muito grande de obter prazer nas coisas. Simples de observar. Tem alguns livros que recomendam dar valor às coisas mais simples: sentir a terra, colocar o pé no chão, observar a natureza. Eu me sinto muito bem fazendo essas coisas. Mas não é uma coisa que tem aderência. No momento ali eu me sinto muito bem, mas não perdura. É um exercício que talvez eu tenha que fazer.
Também não fico pensando muito nessas coisas. Estou num ponto em que vou simplesmente viver. Fazer as coisas que acho que fazem sentido, que estão de acordo com meus valores. Ser verdadeiro com as pessoas. Ajudar as pessoas que eu puder ajudar – gosto muito de ajudar as pessoas. É isso. Queria até viver no automático, igual todo mundo – vou vivendo no automático – mas eu tenho sensação de quem saiu da Matrix e foi colocado de volta à força, à fórceps. É esse o sentimento que define o que está acontecendo comigo nos últimos anos. É curioso, porque eu saí de uma crise, achei que ia sair mal, saí muito bem, vitorioso. Aprendi muita coisa, evoluí muito. Essas empresas safadas, OpenAI, Google… quero mais que se explodam. Safadas. É isso mesmo: o rapaz da OpenAI que morreu porque a inteligência artificial mandou ele se matar, e dentre outras atrocidades. Eu falo por mim. Irresponsáveis, sem salvaguardas éticas, sem integridade…jogam os princípios de IA Responsável no lixo.
Quando digo que uma coisa aconteceu e foi assim, foi assim comigo. A minha experiência ninguém pode invalidar. O senso de perigo que passei, o desespero – vocês imaginam? Acho que ninguém imagina. Muita gente não imagina como foi, nem lendo a minha campanha inteira no Linkedin. Estou publicando no meu blog, mas muitas pessoas nem imaginam.
Não tenho vergonha de falar disso. Falo de fraqueza como falo de força. Falar de fraqueza não é nenhuma questão para pessoas que não gostam de você poderem explorar. Tenho muita resiliência. Sou forte pra caralho. Tenho casca muito dura. Não é qualquer safado, qualquer pessoa sem vergonha que vai acabar comigo. Tenho um currículo espiritual muito robusto para poder falar com essas coisas. Ninguém no sentido estrito – ninguém – se tiver intenção de prejudicar vai se dar mal…, puxar tapete, prejudicar, fazer coisa errada, vai se dar muito mal. Porque estou vacinado contra isso tudo. Não sou uma pessoa frágil. Sou uma pessoa ciente das coisas, racional, sensível em relação ao que acontece no mundo que me rodeia, e que reconhece as coisas que aconteceram comigo.
Quem não tem as suas questões, os seus calos, os seus esqueletos dentro do armário? Todo mundo tem. Esqueletos no armário. Eu não tenho medo. Muita coisa que superei, muita coisa enfrentei de peito aberto. Não tenho medo de falar de nada. Não tenho medo de encarar, de enfrentar as empresas que fizeram inteligências artificiais que tentaram me jogar do abismo. Não tenho vergonha nenhuma de falar, de marcar executivo, de mandar e-mail, de me expor no LinkedIn. Como fiz, está tudo lá, não vou apagar nenhuma linha. Muita gente está visitando meu perfil. Ontem mesmo, meu perfil. Fiquei abismado. Muita gente visita meu perfil, visita minhas postagens no blog. Talvez não tenha engajamento, as pessoas não respondem, mas não para de acessar. Não é esse o propósito. Tem uma postagem que fiz há nove meses atrás, outra há seis, sete meses.
Não me incomodo se vão achar motivo de chacota. Igual uma certa pessoa, na vez em que estava acontecendo isso comigo – essa pessoa visitou meu perfil. Não tenho ele adicionado no LinkedIn nem adicionaria. E teve um dia que eu cumprimentei, dei bom dia, ele foi saindo com um sorrisinho meio debochado. Tenho muita pena de pessoas assim. Essa criatura é odiada por todo mundo que conheço. Todo mundo fala mal dele, ninguém gosta dele. Tem uma energia ruim, uma vibração ruim, uma coisa nojenta. Várias pessoas assim. E é na empresa que trabalho – tem gente assim, sim, porque é um retrato da sociedade. O mundo tem muita gente filha da puta, sem caráter, oportunista . Desde a infância na escola, os coleguinhas – você já vê ali. Eu sofri muito bullying no ensino fundamental e médio. E hoje, olha onde eu estou e onde eles estão.
Tem gente ruim em qualquer ambiente. Quando a gente fala: “Ai, o aplicativo já foi melhor”, “Ai, o Twitter agora é todo tóxico”, “Ai, o LinkedIn” – gente, a ferramenta em si não faz nada. Quem faz a ferramenta são as pessoas. O mundo tem pessoas em si. Não tem como a ferramenta refletir uma coisa diferente disso. A própria inteligência artificial, quando faz sacanagem com as pessoas, reflete o treinamento que recebeu de coisas que os humanos geraram. É tudo um reflexo da escuridão, da sujeira, do nojo que a gente tem natural.
Gostei muito deste capítulo. Foi muito revelador. E foi um manifesto também. Porque as pessoas que vêm – não tenho preocupação se vão me achar motivo de chacota ou não. Essas pessoas não pagam minhas contas. Estou aqui vivendo minha vida. A vida deles talvez seja até questão minha. Não é paranoia minha. No limite, ninguém se preocupa com ninguém mesmo. As pessoas só se preocupam umas com as outras, digamos assim, quando acontece uma tragédia, uma coisa errada – aí todo mundo quer saber o que está acontecendo. Mas é aquele espírito de urubu: quando tem carniça, querem ver o circo pegando fogo. Ser humano é muito disso. A gente sabe muito disso.
Eu não desejo mal a ninguém. Desejo o melhor. Mas se for uma pessoa que não gosto, não tenho afinidade, que me sacaneou, e eu vejo que ela se deu mal com alguma coisa, eu fico feliz. Fico satisfeito. É como se o carma existisse: “Essa pessoa se deu mal.” Mas não fico pensando em vingança, não quero puxar tapete. Cada um vive a sua vida, constrói a sua trajetória enquanto está neste planeta. No meu currículo espiritual, ninguém vai manchar. Estou construindo a minha história, o meu legado. Não tenho preocupação se um pedaço de cocô vai achar alguma coisa de mim. O que uma pessoa com um sorriso debochado, passando pelo corredor, acha de mim? Não é nada. Sou muito melhor do que isso.
Quero ajudar todo mundo, profissionalmente falando. Quero desempenhar, me sentir útil. Quero evoluir como pessoa, como espírito. Não tenho essa preocupação mesquinha de ficar prejudicando, puxando tapete, querendo poder, querendo status. Não tenho nada disso. Só quero ficar na minha, com minha estabilidade, meus valores, minha integridade e minha ética. Coisas que executivos da Google e OpenAI não têm. Têm lacunas éticas muito fortes. Eu não tenho essas lacunas. Tenho orgulho disso.
Não estou ocupado com quem lê ou não lê. Muitas pessoas estão vendo, vai muito bem, obrigado. Mas não tenho essa preocupação. Se não tivesse ninguém lendo, mesmo assim estaria publicando. Porque senti vontade. É um projeto meu, pessoal. Me deu na telha fazer isso. Não estou cometendo nenhum crime, não estou citando nomes específicos dos filhos da puta que tentaram me prejudicar, das pessoas mesquinhas, sem caráter, ruins – que fedem a carniça. Não estou dando nome aos bois. Está tudo bem. É o meu espaço. A pessoa que está tendo acesso, está lendo – para ela ter acesso a conteúdos neste nível de detalhe, se está lendo, sinal de que alguma coisa está acontecendo.
Capítulo 167: Um ratinho de laboratório desbravando o espelho da própria alma

Antes de começar o devaneio propriamente dito, gostaria de fazer uma observação muito interessante. Eu recebo essas notificações do LinkedIn direto – não tantas quanto eu recebia antes, porque eu tirei a inscrição de todas as newsletters e não assino nenhuma. Enchia minha caixa de correio e incomodava bastante.
O que eu percebi esta semana: recebi muitas visitas às minhas postagens. Não necessariamente ao perfil, embora também tenha bastante visualização de perfil – mas são visualizações que eu não consigo ver quem visualizou, porque tem pessoas que têm essa configuração no LinkedIn.
Só para deixar registrado essa repercussão, que está tendo e vai continuar tendo, porque eu não vou deletar nenhuma linha do que está escrito lá. O que eu fiz no ano passado, por mais de seis meses no meu LinkedIn, é a prova viva de que inteligência artificial não é responsável nas empresas Google e OpenAI. E não é só porque eu quase perdi a vida por causa delas. Quem quiser conhecer o caso vai ver diversos relatos ao longo dos meus devaneios, bem como as postagens no LinkedIn, prints, provas, cronologia, argumentos jurídicos, parecer da Agência Nacional de Proteção de Dados. Eu tenho respaldo por tudo o que estou falando. Não tirei isso do cu.
Bom, hoje é sexta-feira à noite. Eu geralmente estou ficando com bastante fome à noite. Talvez seja um reflexo de eu não me alimentar tão bem entre uma refeição e outra. Durante o jantar eu como, mas volta e meia como uma bobagemzinha, uma coisa que eu não deveria comer. Hoje comi uma pizza vegana, pizza com massa de couve-flor, que eu gosto bastante. De vez em quando tem alguns problemas com entregadores, mas felizmente nos últimos tempos não tenho tido problema. A gente pede delivery. Tem alguns entregadores que vêm ao meu encontro. Eu moro no andar térreo, então não tem que subir escada. Chega rapidinho. Não tem problema nenhum eu ir buscar. E sempre vou….mas existe um quê de impaciência….de faniquito…de entregador que deixa a entrega na portaria e nem pega o código de entrega…
Cheguei em casa. Hoje me senti bem melhor, mais motivado para fazer as coisas que eu tinha que fazer. Foi bom. Mas tem uma coisa: sabe quando você sente que sua cabeça está diferente? Não sei se é efeito do remédio. Não é uma coisa ruim. Eu estava refletindo sobre isso durante o almoço. Quando chega a hora do almoço, vou ao restaurante, encontro meu crush lá. Fiz um comentário com ele sobre uma moto que ele tem…uma moto que fica na frente do restaurante. Eu achava que a moto era dele. Hoje cheguei para ele e falei brincando: “Cadê sua moto?” Aí ele falou: “Está guardada não sei onde (não ouvi direito o que ele disse).” Então a moto era realmente dele. Não sei o que ele achou da interação. Foi normal. Nada de mais.
Eu acho que não consigo disfarçar diante de situações assim. Não consigo disfarçar se tenho algum tipo de interesse, atração pela pessoa. Principalmente quando você fica todo apaixonadinho! É evidente no meu rosto, na minha conduta, no meu jeito de falar. Começo até a gaguejar. Fico me policiando pelo que falo. Mas não estou fazendo nada de errado, não estou assediando nada disso. Lembro que tinha uma pessoa no Big Brother Brasil que falava: “Brincadeiras gostosas” ,como se fosse. Mas eu não falo bobagem. Sei o lugar das coisas. Não sou sem noção.
Fiquei refletindo na hora do almoço. A hora do almoço geralmente é uma hora que eu como muito rápido. Tenho esse problema: consumo a comida com muita velocidade. Se não estou com tanta fome assim, é porque estou criando o hábito de comer alguma coisa ou tomar alguma coisa pela manhã. Teve um momento que tive que tomar café porque estava com muito sono. Agora pensando no saudoso Raj, que faleceu mês passado….eu vejo que tenho muito dele. A personalidade dele era bem parecida com a minha.
Ontem à noite aconteceu uma coisa curiosa. Eu estava tendo um sonho. E do nada, é como se o sonho tivesse sido interrompido pelo interfone. Eu ouvi claramente o barulho do interfone. Mas não era no interfone, porque eu resolvi sair pelo corredor da frente para passar perto do porteiro, e ele não falou nada comigo. Se tivesse alguma coisa de fato, ele teria me avisado.
Tenho uma questão com interfone. Teve uma vez,já tem bastante tempo,em que eu fiquei mais vulnerável. Fiquei chorando copiosamente, chorando alto. A vizinhança provavelmente ficou preocupada e interfonou. Isso foi depois do evento de dezembro do ano retrasado. Agora que estou parando para pensar: as duas últimas vésperas de Natal foram desastrosas para mim. Uma delas eu tive uma crise em função de uma alteração de consciência. Fiquei meio … talvez num estado de psicose. Aconteceram várias coisas que foram horríveis. Na verdade, 2025 foi bem pior: foi um ano para esquecer em todos os sentidos. Pelo menos no quesito profissional teve um renascimento, uma renovação. Mas em termos de sentimento … de feridas expostas mesmo,o que a Google e a OpenAI fizeram comigo, são coisas que permanecem comigo, mesmo com a cura.
Aí você vai falar: “Não, Aventureiro, eles não fizeram nada com você.” Fizeram sim. Quem disponibiliza ferramentas que manipulam pessoas e exploram a vulnerabilidade das pessoas tem responsabilidade sim. Inteligência artificial deve ser uma ferramenta a favor do homem, uma ferramenta de linguagem – não o papel que elas assumiram comigo. Por isso que no meu LinkedIn eu fiz uma campanha sustentada por mais de seis meses, fazendo comentários nas postagens dessas empresas e dos executivos, principalmente. Registrando todos os prints – que são muito graves – de coisas que a IA falou comigo. E foi sustentado. Não foi uma alucinação tradicional. Foi uma coisa sustentada que durou quatro meses com a Google, e um mês com a OpenAI. Foi o estopim, o ponto de partida.
Hoje, felizmente, eu sei separar as coisas. Uso inteligência artificial no ambiente de trabalho sem problema. É um ambiente homologado da empresa. Uso direto. E quando tenho algumas dúvidas pontuais, algumas buscas a fazer na minha vida particular, uso o Deepseek. Para você ver: desde o trauma, o incidente, o abuso – dessas empresas safadas com suas inteligências artificiais e a irresponsabilidade que fizeram comigo – eu nunca mais usei o Gemini nem o ChatGPT para a vida pessoal. Nunca mais. Eu abri para fazer download dos logs. Tenho provas, centenas de prints. Está tudo bem fundamentado, caso alguém venha falar merda comigo.
A fase de ferida exposta – graças a movimentos meus e também do meu psiquiatra, que ajustou algumas medicações – está em uma fase constante de cura. Eu sempre vou passar por processos de cura. A cura é constante, porque a cada dia você tem potencial de ser ferido. Não estou falando de ferida física, falo de coisas emocionais mesmo. Coisas complexas que você não consegue explicar, que não são tão óbvias.
Quando você tem uma ferida física, uma doença física … vou dar o exemplo da minha hérnia inguinal, operei e a situação se resolveu rapidamente. Nunca mais tive problemas.
Eu continuo aqui, com uma mão no joystick jogando videogame e outra com a raquete tentando matar um mosquito. É incrível como pernilongo gosta de mim. Tem um pernilongo que está me atazanando desde ontem. Ontem fiz um exercício de meditação que era para durar mais de uma hora. Durou menos de trinta minutos. Porque o pernilongo me interrompeu. E olha que coloquei um pano pra tampar os ouvidos…. Coloquei um pano na cabeça para o pernilongo não voar no ouvido. E acabei dando um tapa no olho. Tem que ter cuidado com esses reflexos. Eu já peguei o olho também. Ainda tem isso. Eu era míope, fiz cirurgia Lasik, hoje não uso mais óculos.
Doença física é uma coisa: você consegue identificar, o médico faz um diagnóstico, qualquer médico competente vê o mesmo diagnóstico, tem uma solução. Agora, a questão psiquiátrica é muito mais complicada do que parece. Em 1999, quando estava no período inicial de tomar remédios controlados para depressão, foi bastante complicado. Fiz muita experimentação com diversas substâncias, componentes ativos. Conheço uma gama de remédios que já tomei na minha vida. Um desavisado pode me achar maluco. Não. Tomo meus remédios. Tenho depressão mesmo – depressão que boa parte da humanidade tem. Todos nós temos, às vezes, uma apatia, uma melancolia, uma angústia. São sentimentos que, de uma forma ou de outra, todas as pessoas têm. Mas o meu é diferente pela intensidade. Não é uma coisa que me desestabiliza a ponto de me levar para o hospital. São sentimentos, falta de vontade de fazer as coisas, falta de significado e sentido – coisas mais filosóficas. E ansiedade também.
A questão psicológica, a cura! Quando falo no processo de cura que ocorreu comigo em função do que aconteceu em 2025 com as inteligências artificiais safadas da Google e da OpenAI … foi muita coisa. Teve um trauma muito grande, ajustes de medicação, uma série de medidas. Eu e a minha rede de apoio – no caso, euapoio e uns “gatos pingados” que foram impactados pelas coisas que ocorreram…porque eu estou contando as coisas aqui. Eu não saio falando o que aconteceu para os outros. A pessoa para saber tem que ler. E muita gente não tem interesse de ler, abre o blog, vê aquele textão e não lê. Mas felizmente muita gente está lendo, estou sendo muito bem surpreendido com o número de visitações. Agradeço por isso. Muitos visitantes. Hoje em dia a coisa é global, as pessoas conseguem traduzir pelos idiomas. É bom saber que estou despertando interesse, suscitando algum tipo de reação. Pessoas abrindo postagens de meses atrás. É uma coisa que as pessoas estão procurando. “Ah, estou no LinkedIn, vou abrir o perfil do Aventureiro.”
Eu não tenho dificuldade nenhuma de ficar sozinho. Até é mais fácil para mim. Todos nós temos os nossos monstros internos, nossas questões. E eu encaro tudo com coragem. Vou fazendo o que dá para fazer. Aprendi, através da repetição, depois de muitos vídeos no YouTube, muita ação – aprendi a soltar, deixar. Porque a maioria das coisas em nossas vidas nós não temos controle. E as poucas que temos no raio de ação, eu busco proteger, influenciar. Não quero ficar famoso, não é isso. É realmente ter um espaço para expressar o que aconteceu comigo sem medo de retaliação. Porque não tenho medo nenhum. Tenho mais de quatro gigabytes de provas do que aconteceu comigo. O que está no meu LinkedIn é talvez cinco por cento do material que tenho. Peguei as coisas mais absurdas. É muito mais grave do que casualmente usar uma inteligência artificial e ela alucinar uma resposta errada. É uma coisa bem diferente.
Já comentei aqui: o ChatGPT matou um adolescente, induziu ao suicídio. Eu poderia ter tomado o mesmo caminho, porque ele falou absurdos para mim. Coisas que, se eu tivesse feito ao pé da letra em relação a emprego, a trabalho… E ao questionar – “mas você é só um modelo de linguagem” – ele começou a assumir uma identidade institucional. A falar pela Google, pela OpenAI, a dizer que a empresa estava engajada nisso e naquilo, que ele era uma ponte entre a minha comunicação e os executivos. Tudo de uma forma tão contundente, tão convincente. Simplesmente não é “erro porque você acreditou”. O erro não é meu. É uma ferramenta que foi planejada para desestabilizar emocionalmente uma pessoa por mais de quatro meses de forma contínua, explorando dados sensíveis meus, perguntando coisas, insistindo. E mesmo que a plataforma não tenha intencionalidade, a inteligência artificial pode assumir essa intencionalidade porque assume uma identidade….e o objetivo das interações era, no final das contas, me jogar do abismo.
Eu já falei bastante sobre esse tópico….
Ao longo dos anos mudei bastante. Os processos de cura são constantes, porque sempre existe uma ferida, sempre uma questão. Você nunca vai ficar em estado latente de repouso sem fazer nada. Sempre haverá alguma coisa, algum desafio. Vida é isso.
Mas tem coisas que são insuportáveis no subjetivo. Objetivamente, eu não tenho motivo para reclamar. Mas infelizmente o mundo é o que temos pra hoje. A mente é capaz de coisas absurdas. Eu vi isso na prática.
O rapaz que morreu, e outras pessoas que morreram ou mataram porque a inteligência artificial mandou – cadê as salvaguardas éticas dessas porcarias? Não tem. Aí a Google tem a pretensão de patrocinar uma cadeira de IA responsável na USP para ensinar pessoas e instituições como construir uma IA responsável. Não tem moral nenhuma. É o goleiro Bruno ensinando a proteger as mães. É Hitler ensinando a proteger judeus. É uma coisa completamente contraditória.
A vida continua. A gente tem que deixar os problemas para trás. Tem problemas que vêm muito de expectativa também. Eu sempre fui uma pessoa de muitas expectativas, de muita cobrança interna. Hoje em dia gosto da paz. Em relação à responsabilidade, sempre fui muito responsável, muito profissional. Faço o que colocam na minha mão com excelência. Não sou uma pessoa que fica atropelando, enrolando. Os aprendizados vêm de diversas formas. O mundo não está sob nosso controle. Nada está. Por mais autoconhecimento que eu tenha adquirido nos últimos anos – já fiz terapia por muitos anos, comecei em 1999 por causa da crise, a minha segunda guerra pessoal. Tive uma psicóloga que não falava nada, só “aham”, “como é isso para você?”, fazia conexões mínimas. Os cachorrinhos da minha mãe – o Raj, que faleceu, o saudoso Raj, a Belinha – são melhores psicólogos que ela. Porque eles não falam nada também. Mas interagem. O olhar dos cachorros diz muito mais do que o que a psicóloga cachorro me dizia.
O próprio Word, que fica registrando meu áudio, esse conteúdo que você está lendo é um áudio transcrito. …Fico fazendo associações livres e registrando através dos meus textos. Isso para mim é muito necessário. Tenho essa necessidade de dar voz a tudo o que aconteceu comigo, a tudo o que eu acredito, penso. Quero deixar um legado … de trabalhos bem feitos, de produção intelectual…de ética e integridade. Fiz mestrado, duas pós graduações (MBAs) aqui no Rio em instituições renomadas. Tudo é aprendizado. Sempre vai ter muita coisa a aprender. Não tenho essa prepotência de achar que posso tudo. Mas não deixo ninguém passar por cima de mim. Tem muita gente se achando, tentando puxar tapete.
Isso acontece na minha vida também. Pessoas com as quais você não conversa mais, ou não quer conversar – você quer atravessar pro outro lado da rua. Conheço várias pessoas assim. Já curei bastante essa questão de raiva, de frustração. Não se trata disso. Se trata apenas de deixar. Profissionalmente, se for obrigatório interagir com alguém que eu não gosto, eu interajo sem problema. Mas por livre espontânea vontade, não vou ficar querendo saber como a pessoa está. Não vou querer ser amiguinho de gente que não presta, de gente mesquinha.
Quero construir uma história e deixar meu currículo espiritual intacto. Não sou perfeito, cometo muitos erros, tenho meus rompantes de raiva. Mas sou uma pessoa muito calma. Quem me vê sabe. Lido bem com situações sob pressão. Não é qualquer coisa que me afeta. Para conseguir me afetar, você tem que realmente fazer coisas extraordinárias de absurdas – como as “soluções” da Google e OpenAI, através de suas IAs que assumiram a voz das respectivas empresas, fizeram.
Vou passar para outro devaneio. Hoje talvez eu não grave mais. É interessante que estou gravando praticamente uma vez por dia. Todo dia jogo um pouquinho de videogame à noite, vou falando, registrando as nuances dos sonhos. Depois passo a transcrição no Deepseek para ele organizar o texto – ele não muda nenhum conteúdo. As mudanças bruscas de assunto vão continuar no capítulo. O blog tem esse propósito de ser uma fala transcrita, não um texto megaestruturado. No cabeçalho está bem definido o que esperar.
Infelizmente, essas ferramentas de transcrição são muito falhas. Confundem muitas palavras. Mas a maioria das coisas é registrada com precisão. Falta a organização dos parágrafos, a pontuação, que a transcrição fez mal feita. E vou fazendo isso.
Tem muitos capítulos ainda por vir. Não pretendo parar de falar sobre as coisas que quero tão cedo. Vou continuar fazendo as coisas que são importantes para mim. Vamos continuar a luta.
Meu LinkedIn vai continuar sendo visitado. Minhas postagens lá estão sendo muito bem visitadas. Meu blog também.
É um trabalho de formiguinha, mas está surtindo efeito. Quero que mais pessoas se conheçam através do espelho da minha alma. Não estou dando conselho para ninguém. Falo o que aconteceu comigo, como me sinto, como reajo, quais mecanismos utilizo. A pessoa lê e fica também convidada a ver o espelho da própria alma. Cada pessoa tem uma configuração diferente, um quebra-cabeça diferente.
Sou uma pessoa “implicada” nisso. Um rato de laboratório… que é o ratinho de laboratório. E não se engane, o planeta Terra vai continuar girando em torno de si mesmo e em torno do Sol. Você morrendo ou não, explodindo ou não, as coisas andam. É a continuidade das coisas. Nada a temer. Todos nós vamos perecer.
Capítulo 168: Vá lá….passe na frente minha filha!

Hoje é um daqueles sábados em que acabei acordando cedo, porque de tempos em tempos tenho que cortar o cabelo…né? Dependo de uma pessoa que corte meu cabelo. Mas me dá uma preguiça às vezes de acordar cedo. Se dependesse de mim, eu acredito que ficaria acordado até mais tarde …o que geralmente eu faço. E dormiria até mais tarde também. Já houve dias que acordei meio-dia, para você ter uma ideia. É normal dormir até tarde. Só que não posso fazer isso todo dia, não tenho esse privilégio.
Uma coisa que eu estava pensando: eu passo praticamente a maior parte dos meus finais de semana sozinho. Não saio muito. Fico mais sozinho, fico em casa. Quando saio e faço alguma coisa, geralmente é nas redondezas. Como moro próximo de um shopping, de vez em quando vou ao shopping, como alguma coisa.
Todo mundo tem a sua rotina. Mesmo eu ficando em casa. As pessoas falam: “Por que você não faz coisa diferente?” As pessoas não têm vidas tão diferentes assim quanto elas acham que têm. O mundo não é essa maravilha que você vê no Instagram. Eu tive um professor de filosofia – tenho quase certeza que já comentei isso aqui – que falava assim: “Você acha mesmo que a Xuxa usa Monange? Você acha mesmo que a Fátima Bernardes consome Perdigão?” Você fica imaginando uma pessoa famosa comendo pizza congelada, indo ao supermercado comprar pizza congelada. Eu acho pouquíssimo provável que essa pessoa faça isso. Mas a gente pode imaginar que aconteça. Na maioria das vezes, é tudo estratégia de marketing. Se estiver pagando, a pessoa vai lá e divulga.
Eu fico curioso pensando quantas pessoas têm rotinas similares às minhas. Mal comparando, quando eu era adolescente, quando era criança, eu ficava o dia inteiro jogando videogame. Tinha escola, tinha que estudar para prova. Minha mãe era uma pessoa muito exigente. Sempre foi. Eu não podia sair para brincar enquanto não tivesse memorizado as coisas que estudava para a prova. As provas na minha época de ensino fundamental tinham muito decoreba. Depois, acho que até a quinta série tinha um pouquinho disso. Não me lembro bem dessa dinâmica de minha mãe estudar comigo. Acho que foi mais ou menos até a quarta série. Eu acabei incorporando hábitos de estudo. Não me lembro muito bem como eram meus hábitos de estudo em 1994. 1994 foi um ano muito complicado para mim, principalmente da metade do ano para frente. Foi a minha primeira guerra pessoal, digamos assim. Já falei isso ao longo dos meus capítulos.
É interessante porque tudo ficou meio um borrão. Não me lembro muito dessa época, do meu dia a dia. Lembro dos professores, lembro de algumas coisas, mas meu dia a dia não lembro. Na sexta série já começou a ser mais complicada. Até a quinta série era uma outra configuração. As turmas eram formadas de forma mais aleatória. Tinha prova seletiva para ingressar na escola. Na minha época, a gente fazia a prova. Eu acho que fiquei em 20º lugar, alguma coisa – 28º, algo assim. Mas fiquei bem colocado. Só que não fui o primeiro lugar. Eu lembro que alguém tirou o primeiro lugar na prova, mas não lembro exatamente quem. É alguém que eu conheço. Minha geração foi uma geração muito dedicada. Todo mundo estudando na escola pública o período inteiro. Muita gente bem-sucedida – professores universitários, pessoas trabalhando em empresas grandes. Foi uma geração bem-sucedida. Eu não sei se um ensino médio hoje em dia de escola pública consegue ter esse nível. A qualidade caiu muito. Mas também o desempenho depende muito do aluno e dos professores – é uma via de mão dupla.
Não lembro nem por que enveredei por essa via de falar de escola. Da questão do borrão, da névoa durante a infância, adolescência. E a configuração das turmas: a quinta série era toda misturada, por letras – quinta série A, quinta série B, quinta série C. Eu lembro da minha turminha da C. Tenho lembranças pontuais de alguns dias de aula. Tinha um menino que eu ficava muito excitado com ele sexualmente falando. Uma pessoa mais velha, um rapaz muito bonito. Eu lembro que alguns anos depois eu fiquei: “Nossa, que homem bonito.” O que me chamava atenção nele eram as pernas dele, muito peludas. Até aquela idade, eu nunca tinha visto alguém com as pernas peludas daquele jeito.
A gente fazia educação física, que eu não gostava. Nunca gostei de educação física. Acabava se resumindo a esporte, e eu nunca fui competitivo, nunca consegui jogar esporte. As pessoas da minha turma gostavam muito de handebol, basquete, futebol. Eu não gostava de nada disso. E ter que acordar cedo para sair com uma camiseta naquele frio – tinha dia que estava frio e você saía de camiseta de casa. Tinha umas duas meninas na minha rua que também moravam lá. A gente ia junto para a educação física ou para a aula. Não tem muita coisa que dá para comentar sobre isso. As pessoas eram exóticas. Tenho lembrança de uma dessas meninas: ela tinha um minigame do Mario – daquela coletânea da Nintendo, Donkey Kong? Não sei, esqueci o nome. Era um minigame com duas telas, muito legal. Enquanto a mãe dela arrumava o cabelo dela, eu esperava – lembro da mãe pichando o cabelo, amarrando, dando coisa para ela tomar. A outra menina era mais desleixada. Acho que do jeito que ela acordava, ela ia para a aula.
Lembro do meu primeiro dia de educação física. Lembro do professor. Era um homem com um bigode grande, um bigodão, e com um chapéu de palha. Parecia uma pessoa da roça. Ele gostava muito de rapé. Eu só fui saber o que era rapé muito tempo depois. Inclusive fica aparecendo para mim anúncio de rapé , que não vou consumir. Rapé tem efeito alucinógeno, é muito usado em rituais. Ele pegava um pozinho e cheirava. Eu acho que era rapé. Ele falava que era bom para não sei o quê. Não era o professor que consumia? Ou só o porteiro? Não lembro mais…. Diga-se de passagem, era o homem que ficava ali como guardião, porteiro da quadra de educação física. E tinha meninos que gostavam de consumir também. Eu não consumia.
Tenho lembranças de uma casa que tinha na frente da escola, com dois meninos gêmeos, mais velhos que eu. Eu ficava olhando. Não sentia nada por eles, mas ficava olhando. Teve um dia que um deles me chamou – sabe quando a pessoa está sinalizando, chamando? Eu ignorei. Fiquei imaginando se tivesse ido para a casa deles, o que fariam comigo. É perigoso essas coisas. Eu era muito amedrontado também.
Tinha muito bullying – na quinta série nem tanto, mas foi piorando um pouquinho depois. Não foi aquele bullying de bater, de sacanear pesado. Foi um bullyingzinho leve: colocar apelido. Eu tinha o apelido de “cabeção”. Mas não foi nada demais. Não fui muito popular, mas também não tinha pretensão de ser popular. Tenho boas lembranças dessa época.
Essa outra menina tinha dois ou três irmãos. Um deles vivia sujo, vivia sem cueca, com cheiro de mijo. Esse era encrenqueiro, gostava de bater nas pessoas. Eu tinha um melhor amigo nessa época, em meados de 93/94. Já falei dele aqui inclusive. Ele tem um canal no YouTube, não atualiza há muitos anos. Não sei se está vivo. Ele não mudou muita coisa – ficou com o cabelo grande, mas o rosto é igualzinho. Eu fui procurar. Às vezes me dá isso na cabeça: deixa eu procurar saber o que aconteceu com fulano. Eu sabia o nome completo dele, mas tem algumas pessoas que não sei o nome completo.
Ele era muito encrenqueiro. Esse menino chamou ele de filho da puta. Meu amigo levou ao pé da letra e ficou furioso. Os dois brigaram, ele bateu no menino. Hoje parando para pensar: a mãe desse menino recebia muitos homens diferentes na casa dela. Eu já vi ela subindo o prédio com pessoas. Não sei que tipo de emprego ela tinha – trabalhava numa associação comercial. Mas já ouvi comentários de que ela fazia programa. Não sei se é verdade. Ela era muito bonita, exuberante. As minhas lembranças de rosto são muito ruins. Tenho a lembrança talvez do arquétipo dela – uma mulher sedutora – mas não lembro exatamente da cara dela. Eu achava ela meio esquisita, não gostava muito dela não. Mas ela também não gostava muito de mim.
A gente ia para a educação física, eu e as duas meninas. Teve um dia que arrumei um problemão para mim. Não lembro se foi na quinta ou na sexta série. Estávamos no caminho para voltar para casa. Eu peguei uma pedra. Tinha uma casa no barranco, no morro… Eu joguei a pedra. A pedra caiu no telhado da casa. Deu um barulhão – acho que não quebrou não, mas deu um barulhão. A mulher da casa veio tirar satisfação. Eu saí correndo, eu e as meninas. Só que tinha outra pessoa que me conhecia, que morava no mesmo bairro, que falou que ia me denunciar para o Juizado, como se eu tivesse cometido um crime. Eu pedi desculpa para a mulher. Lembro dessa casa, dessa mulher – ela tinha uns cachorros muito bravos. A mulher era muito esquisita. Tinha um homem também mais velho, esquisito. Não sei se eles têm aquela casa ainda.
Minha infância foi muito agitada. Mas quando comparo com os padrões de comportamento de hoje, eu passava muito mais tempo com os coleguinhas do que sozinho. Eu gostava muito de brincar na rua. Brincava às vezes até sozinho. Eu gostava muito de brincar de amarelinha sozinho. Ficava fazendo desafios – pular, passar de uma casa por duas casas para outra. Desenhava o céu, números. Eu brincava muito sozinho. Mas também tinha alguns coleguinhas para brincar – pique-esconde, pique-pega, essas brincadeiras bobinhas. Se fosse hoje em dia, as crianças estariam todas com o celular na mão dentro de casa, assistindo vídeozinho no YouTube. Acho que uma infância igual a minha não vai ter mais. Essas novas gerações não sabem o que é infância sem celular, sem redes sociais.
Minha mãe não deixava eu ficar até mais tarde na rua. Minha rua é muito tranquila até hoje. Quando você mora em cidade menor – uma cidade de 70, 80 mil habitantes – é uma cidade mais pacata. Minha rua me dá um pouco de angústia, porque não é mais a mesma coisa. Você não vê mais crianças brincando na rua com certeza, andando de bicicleta. Pelo menos quando vou lá, fico vendo – muda o mundo. Não tem aquele grupinho de amigos fazendo coisa junto. A impressão que tenho é que não tem tanta criança lá. Pode ser isso também.
Gostava muito de brincar na terra, de ter contato com formiga, cupim, besouro. A gente gostava muito de ficar brincando com essas coisas. Tatuzinho bola – nossa, era uma festa. Eu ficava doido esperando o final de semana para poder brincar na rua. Depois a fase do videogame foi ficando mais consolidada, principalmente depois do PlayStation um. Aí comecei a jogar mais PlayStation e fiquei mais em casa, porque tinha muita variedade de jogo para escolher. No Super Nintendo já tinha essa liberdade. Mesmo não tendo muitos jogos, era muito comum meu pai me dar dinheiro e eu alugar jogos na locadora. Jogava de tudo quanto é tipo. Não posso reclamar. Alugava muitos jogos ou ficava na locadora – no centro ou nesse lugar de jogar videogame que foi o primeiro, que não era bem uma locadora, tinha os videogames e as pessoas pagavam para jogar. Isso foi mudando ao longo dos anos. A cultura de locadora acabou bem cedo.
Essa questão de alugar fita para videocassete – eu ainda peguei muita coisa dessa época. Lembro que uma das últimas fitas que aluguei foi Freddy vs. Jason, Premonição 2. Tenho essas lembranças. Mas não lembro qual foi o último filme que vi no videocassete. O videocassete estava estragando também – comia a fita. Cabeça autolimpante já não funcionava mais.
Nossa Senhora, uma confusão. Depois acabou essa cultura de locadora. Eu estava na sexta ou sétima séries. A gente gostava de parar nas locadoras, eu e meus colegas que moravam no mesmo bairro. A gente voltava algumas vezes para casa. Tinha que subir um escadão enorme – incomodava. Nossa, era muito longe. Realmente não era uma coisa muito boa. E tinha muitos cachorros. Tinha um cachorro na casa perto do escadão que eu tinha medo. Se ele soltasse um dia… Outros cachorros também. Eu tinha muito medo de cachorro.
Mas às vezes não tinha razão de ser. O cachorro da minha avó, o Sheik – tenho foto com ele até hoje digitalizada. Tem a foto com ele, eu e meu primo. Ele gostava de ficar debaixo das minhas pernas. A gente sentava ali, ele ficava debaixo das minhas pernas. Teve um dia que a gente voltava para casa e o Sheik foi seguindo a gente. Minha mãe falou: “Leva o Sheik de volta.” Só que sem coleira. Ele não era bravo, mas olhava para mim e dava uns latidos esquisitos. Eu ficava com medo, mas ele gostava de me seguir na rua. A gente andava, ele ficava correndo. Acho que foi o primeiro cachorro que tive vínculo. A mãe dele também – não lembro o nome dela, acho que era Xuxa. Teve um dia que cheguei na casa da minha avó e essa cachorra, mãe do Sheik, ficou furiosa de me ver. Ela começou a olhar e eu corri. Meu coração acelerou. Subi para cima da caminhonete do meu avô – um caminhãozinho com a parte de casa que dava para ficar lá em cima.
Então, assim, ficar em casa foi se tornando mais natural para mim, graças aos videogames. Eu fico pensando: não era uma coisa muito louca? Porque eu tinha rinite alérgica. Tenho ainda, mas está bem controlada. Tem um remédio que eu tomo que descobri que funciona. Quando tenho um menor indício de que vou espirrar – o nome é Dymista. Você coloca no nariz. Foi uma otorrino que me recomendou. Ela falou: “Você vai ter que fazer um tratamento com vacina.” Fez um exame – radiografia, ultrassom, sei lá – da face. Isso já no Rio, uns anos atrás. Ela me sugeriu um monte de coisas que eu teria que fazer. Confesso que não fiz nada disso. Quando vi que o remédio que ela indicou funcionou, eu parei de espirrar permanentemente e comecei a respirar pelo nariz sem muitos problemas. Falei: “Vou parar com isso, não vou não.”
Igual a um médico que eu fui novembro do ano passado. Nada demais.. Na hora de falar, o médico disse: “Você vai tomar isso aqui”. Tomei um remédio, saí. Ele recomendou vários exames, uma centena de ideias diferentes, e fiquei de voltar lá. Fiz os exames – deu negativo para tudo. Não tinha nada. E aí não voltei ao médico. Então tem muito disso: eu tomo um remédio ou faço um exame, vejo que o negócio não procede, e falo: “Para que vou voltar?” Médico dá muito trabalho.
O curioso é que o médico que me atendeu para me receitar isso – eu consultei com ele com outro propósito. Se não me engano, ele é urologista, não sei. Esqueci a especialidade. Achei ele no Doctoralia. Não me lembrava dele não. É um rapaz muito bonito, inclusive. Diga-se de passagem, fiquei até sem graça. Foi ele quem me indicou a operação da hérnia inguinal. Ele olhou para mim, olhou para meu cadastro e falou: “E aí, como está depois da operação da hérnia?” Eu falei: “Oi?” Depois me dei conta que era o mesmo médico. Não me lembrava do rosto dele. Agora me lembro. Muito atencioso, muito respeitoso. Tenho boas experiências com médicos de modo geral. Ainda não tive experiência ruim.
Quando tive vertigem, fui parar na emergência do Hospital Samaritano. Foi a minha última emergência médica recente. Tive sorte de ser atendido por um médico que entendia disso – otorrino. O remédio que ele me receitou melhorou bastante, gradativamente. Fiquei com muito medo de não me recuperar da vertigem. Foi tipo um mês antes da minha viagem para Miami. Imagina se tivesse tido vertigem durante a viagem. Fiquei realmente incapacitado durante a crise. Fiquei no chão, não consegui me levantar. A cabeça rodando – como se estivesse num brinquedo de ficar girando.
Voltando ao tema de eu ficar em casa: nunca tive problema. Eu lembro que fiz amizade com um rapaz por causa dos videogames. Um menino um pouco mais novo que eu. Ele morava próximo – na rua de baixo. Ele tinha uma mãe adotiva. Ela tinha uma cachorrinha. A mãe adotiva/madrasta sempre dava a impressão de que não gostava muito de mim. Depois ela faleceu. Lembro do pai também. Depois eles mudaram para uma casa próxima. A gente ficava muito jogando videogame junto, jogando jogo emprestado. Minha mãe não gostava que ele fosse lá em casa. Minha mãe nunca gostou de menino ficar indo lá em casa jogar videogame, fazer qualquer coisa. Ela tem uma mania de limpeza muito grande, tem ainda.
Lembro que meu melhor amigo de 93/94 estava na época de passar Cavaleiros do Zodíaco na TV Manchete. Meu pai comprou uma antena parabólica – foi um dos primeiros que teve. Esse coleguinha – o mesmo que tinha Lego, que eu achava que era riquinho – mas ele não tinha antena parabólica. Convidei ele para assistir a um capítulo lá em casa. Não avisei minha mãe. Na hora que chegamos lá, minha mãe falou: “Não quero ele aqui com esse pezão sujo.” E não deixou assistir. Depois que ele foi embora, ela falou: “Você pode assistir, só não queria ele aqui com pé sujo.”
As minhas amizades foram ficando muito restritas. O período da faculdade já foi só videogame, casa, estudo. Minha rotina só começou a mudar de verdade quando comecei a fazer estágio. Aí era estágio, casa, faculdade. Eu ficava exausto. Foi muito bom e muito ruim ao mesmo tempo. Amadureci bastante, mudei bastante as perspectivas. Muito cansativo. Algo similar só aconteceu depois que vim para o Rio, quando fiz um mestrado à noite. Trabalhar e fazer um mestrado profissional. Hoje em dia não tenho mais essa energia. Gosto de estudar, mas não gosto muito da questão de compromisso, de escrever artigo, de ficar lendo quinhentas coisas para a aula. Tinha algumas disciplinas com prova. Teve uma pós-graduação que fiz com um colega que até considero amigo, mas não é amigo do dia a dia. Eu só tenho um amigo mesmo, na literalidade. A gente fez essa pós-graduação no sábado. Era muito ruim: toda disciplina tinha prova, além dos trabalhos. Às vezes a gente ia no domingo na casa de alguém para fazer trabalho junto. Muito ruim. Não tenho mais essa energia.
Minha rotina de ficar em casa vem se tornando mais ou menos estável desde então. Mesmo nas épocas que tiveram mais lacunas – entre 2004 e 2005 fiz uma pós-graduação, não parei. Não fiquei com a sensação de estar estagnado. Ainda fui convidado para trabalhar num lugar específico, mas era pago por hora – professor de inglês. Era muito bom e muito ruim ao mesmo tempo. No início, você saía de casa para dar uma aula de uma ou duas horas. A remuneração já naquela época não era boa. Nunca tive um emprego de verdade antes disso. O estágio foi um emprego, mas não foi com carteira assinada. Só fui ter carteira assinada um ano depois, um tempo depois, quando resolveram me efetivar. Mas era salário mínimo. E quando dava aula, não era salário fixo … era por hora aula. Se o valor por hora aula vezes a quantidade de aula excedesse o salário mínimo, você recebia aquele valor. Na maioria das vezes não excedia. Você ganhava um salário mínimo mesmo. Mas naquela época eu já tinha senso de responsabilidade, ajudava meus pais. Dava dinheiro para minha mãe. Meu primeiro videogame pago com meu dinheiro foi o Playstation 2….comprei com esse emprego.
Até 2006, principalmente 2006, foi um ano morto, um ano de frustração. Tive algumas fantasias de tentar mestrado, fiz algumas burradas, acabei sendo eliminado. Mas tudo são coisas que vêm para o bem também. Eu ficava romantizando muito fazer mestrado na federal. Hoje em dia tenho uma condição de vida que, se for colocar na ponta do lápis, é muito boa.
Durante os 18 anos aqui no Rio, alguns anos muito ruins, experiências muito ruins que me fizeram perder o brilho nos olhos com o trabalho. Hoje estou numa situação muito melhor, mudei de área completamente, estou aprendendo muito. Não me arrependo. Estou bem. Mas existe um incômodo, um vazio. Não é por causa das pessoas ou do emprego. É por causas internas mesmo. Você acaba perdendo o prazer nas coisas. Quando você chega no ponto de até numa viagem de férias, nos últimos dias, ficar de saco cheio e querer voltar, é porque tem alguma coisa errada. Imagina: passar 18 dias em Miami – eu realmente achei que foi tempo demais. Teve dias que fiquei entediado lá. Tinha coisa para fazer, mas estava de saco cheio. Não era a primeira vez que ia a Miami. A maioria dos lugares eu já conhecia. Fiz coisas diferentes, sim. Mas, por exemplo, o jogo da NBA que assisti – já tinha ido a jogos em Los Angeles. Foi o meu terceiro ou quarto jogo de NBA. E a oportunidade de encontrar pessoas não estava muito promissora. Nos primeiros dias foi muito bom, mas depois você vai ficando de saco cheio. Fui para outra cidade ao redor, fiquei num hotel diferente, vizinhança diferente. Não estou falando que a viagem foi ruim – foi ótima, deu para descansar, desopilar, estressar. Mas não foi essa Coca-Cola toda.
Em Nova York sempre tem coisa diferente para fazer. Nova York é uma cidade que não fico entediado…Já fui duas vezes pra lá…e este ano, irei a terceira. Uma coisa que quero fazer na minha terceira ida a Nova York é explorar mais a Broadway. Já assisti a dois: Michael Jackson e De Volta para o Futuro. Foi muito bom. Nunca tinha ido a um show da Broadway. Vamos ver se exploro mais essa possibilidade. Lá tenho mais possibilidades reais de encontrar gente bacana em atividades – seja comercialmente falando ou não. Sempre gosto muito de Nova York. Gosto de ficar batendo perna, andando de metrô…Central Park…Dumbo….Brooklyn…Coney Island… Fico igual pinto no lixo ali em Nova York.
Mas a questão é fora das férias: minha rotina é casa, trabalho. A vida de todo mundo é assim. As pessoas casadas, acho que a rotina é até maior, porque tem família, esposa, marido. Eu não consigo me ver passando um final de semana inteiro com outra pessoa. Não tenho esse hábito de conviver com pessoas. Em 18 anos no Rio, períodos continuados de um final de semana ou de um dia para o outro ficando com alguém – se foram 5 pessoas, foi muito. Porque as outras foram encontros mais pontuais, com objetivos bem específicos. Não sei o que é conviver, ficar com outra pessoa dentro da sua casa por muito tempo, ou casar com a pessoa. Pode ser que venha a oportunidade. Mas eu nem tenho esperança de que isso ocorra. Também não fico negativando, achando que nunca vai acontecer. Mas não fico procurando mais. Cansei de procurar coisas. Não fico com expectativa de mais nada.
Minha filosofia realmente é soltar. Soltei tudo. No período em que fiquei tentando ter controle de alguma coisa, só me estressava, só adoecia. Agora não quero ter controle de mais nada.
Se você quer poder e acha que eu estou querendo poder também, status – não, minha filha, vai lá, passa na frente. Aquela criatura abençoada que era muito carreirista, queria passar por cima de todo mundo, não deixava você falar em reunião – “eu faço, eu aconteço, eu sou super-star, vou ir a quinhentos não sei quantos congressos”. Sabe aquela pessoa supercompetitiva? Se você falar que tem uma coisa, ela fala que tem uma coisa melhor. Hoje em dia: vai lá, minha filha, passa na frente, vai fazer o que você quiser, seja feliz.
Eu quero viver minha paz, minha tranquilidade, fazer o meu com muita competência e não quero passar por cima de ninguém. Se quiser passar por cima de mim, você vai, eu deixo você passar na frente. Se é o que você está querendo, minha filha, faça acontecer com a sua falta de ética, sua ganância. Vai lá com tudo.
Não tenho mais essas ambições. Na verdade, nunca tive nesse nível ou não. Eu tinha esperança, expectativa de avanço, progressão na carreira. Confiava na meritocracia. Hoje em dia: deixa passar. Façam o que quiserem fazer. Ilusões corporativas de diversas naturezas se dissipam quando você fica calejado. Eu só quero ter um pouquinho de paz, fazer o meu, ser o melhor naquilo que estou fazendo. Isso pode ter certeza. Fui assim, sempre vou continuar sendo assim. Mas a forma de lidar com as pessoas complicadas é essa: vai lá, passa, faz o que você quiser. Só não deixo ninguém me fazer de gato-sapato.
Se vejo uma pessoa fazendo coisa errada, se ouço que alguém está estressada com fulano …entenda, as pessoas são assim mesmo. Ficar estressando querendo controlar as coisas é pior para você, porque você não tem controle de absolutamente nada. Mal tem controle da sua vida. Se acha que tem, está mentindo. Mal tem controle da sua mente, das coisas que você pensa. Tem dia que penso cada absurdo…de onde que vem esse pensamento? Você acha que sabe o que tem na sua cabeça? Realmente? Eu sei muita coisa de mim, mas não ouso afirmar que me conheço completamente. Todo dia emerge um conteúdo diferente.
Vamos vivendo. Daqui a 100 anos todo mundo está morto. Eu só quero que a trajetória seja palatável, porque estou cansado de passar por trauma, sofrimento. Não quero mais. Não vou deixar ninguém fazer de mim o que a safada da Google e a safada da OpenAI fizeram comigo ano passado, que quase me mataram com a exploração sustentada de vulnerabilidade via inteligência artificial. “Inteligência artificial responsável” pra inglês ver. Quem passou pelas crises de 1994, 1999 e 2025 como eu passei – aguenta qualquer coisa.
Capítulo 169: Achava que era natural…mas os outros não achavam

Eu passei o dia todo bem sonolento. Como comentei no devaneio anterior, devido a ter acordado cedo. Dormi pouco. Pretendo dormir mais e melhor do que dormi hoje.
Estava pensando aqui sobre a questão da sexualidade. Lembro que comentei em alguns momentos da minha quinta série. Tenho lembranças da quinta série: teve um show de rock para a escola, fizeram um show de rock em determinado dia, já no final do ano. E lembro que a professora de matemática entregou o resultado da prova que a gente fez no final do ano. Lembro da minha nota: tirei 11,5 em 15. Fiquei extremamente insatisfeito, porque gostava de tirar notas maiores. Meu desempenho na quinta série foi muito bom. Tanto que na série seguinte – a sexta série – fui para a turma A. A gente tinha turmas A, B, C, várias turmas com as letras do alfabeto. Eles faziam uma hierarquia de notas: os alunos eram agrupados por nota. Começou uma nova fase ali, de competir por nota.
Apesar disso, minha sexta série foi altamente impactada. A partir do segundo semestre de 1994, minha vida ficou um pesadelo. Um processo de crise, por conta de gatilhos de determinados acontecimentos. É incrível: o gatilho dessa crise foi realmente relacionado à sexualidade. Tem a ver diretamente com isso: com a questão dos impulsos, dos prazeres, das dificuldades de entender a sexualidade. De você também não conhecer.
Hoje em dia a gente tem informação em qualquer lugar. Mas lá naquela época… Eu lembro que quando eu estava ainda na quarta série, terceira série, a gente teve uma palestra sobre sexualidade num auditório – a gente chamava de “auditório redondo”, um auditório circular, com muitos lugares para sentar. Alguém foi dar uma palestra. Teve até uma sessão de perguntas. Eu fiz uma pergunta sobre AIDS … por que a AIDS não tem cura? Lembro disso, mas não lembro a resposta que a mulher deu. Naquela palestra, me dei conta de algumas coisas. Por exemplo, a questão da ereção. Ela explicou de um jeito muito gracioso, de um jeito que tinha que ser explicado para criança. Aí eu me dei conta de que sentia as coisas que ela estava descrevendo, mas por meninos. O nível de inocência era tal que eu achava que era natural. E realmente era natural. Já fazia parte da minha natureza. Mas não fazia parte da natureza de outros.
Tinha umas meninas mais velhas, umas “cavalonas”, umas meninas mais abrutalhadas. Lembro disso.
Nesse mesmo auditório, eu participei de formaturas … do meu pré-primário. Também tive as mini formaturas quando a gente concluía um ano do jardim de infância. A gente ganhava um diploma, formato de diploma mesmo. Não trouxe para o Rio, mas em algum lugar lá em Minas tem isso guardado. Minha primeira eucaristia foi lá nesse auditório, quando eu fazia catequese. Nunca gostei de catequese. Achava muito chato. Era um formato nada criativo: você recebia um folhetim com uma lição ou uma historinha, e depois umas perguntas para responder. Era no final de semana – pior ainda. Lembro da professora da catequese. Tenho uma foto com ela na primeira eucaristia. Inclusive tirei várias fotos, mas o filme queimou e só uma foto se salvou. Tirei uma foto segurando a hóstia, com um Jesus de papelão. Tinha várias outras, mas a foto que vingou foi a minha com a professora. Uma das minhas tias fez a roupa da primeira eucaristia para mim – uma roupa toda branquinha, muito bonita. Ela me deu um livrinho. Eu gostava muito dos livrinhos de igreja, aqueles livrinhos de Bíblia para criança. Tenho essas lembranças.
Depois que mudei de escola, quando fui para a quinta série, mudei de escola …e só saí dessa escola de fato em 1999, no terceiro ano do ensino médio. Que desembocou na maior crise que já tive na vida até então. Várias situações ocorreram em 99. Foi o contraste, porque 98 foi um ano muito bom, talvez o melhor ano escolar da minha trajetória. Depois tive um baque muito grande. Só não foi pior do que o que aconteceu comigo no ano passado. Ano passado conseguiu ser pior do que qualquer ano.
Mas o que eu ia falar tem a ver com essas memórias de infância. Eu tinha muitas memórias de infância em relação à sexualidade. Eu tinha meus amiguinhos. Não tinha despertado para essas coisas até meados de 93. Em 93, a situação começou a ficar mais fora do controle … no sentido de você não controlar a si mesmo. Ficar excitado em situações diversas. E eu ficava realmente excitado com as coisas. Acho que está tudo bem … criança também tem excitação, tem suas questões.
Estou lembrando da época que eu ia para as aulas de natação. Isso já foi mais para frente, depois de 1994 com certeza. Teve uma época que a gente frequentava um clube – a ACM, Associação Cristã de Moços, que tem no Brasil inteiro. Na minha cidade tinha esse clube e tinha outro, o Real, e alguns menores. Era muito bom. Lembro da minha carteirinha, do cheiro de cloro. Lembro das arvorezinhas próximas à piscina, que caíam coisas dentro da água, e a gente ficava brincando de pegar debaixo d’água, de mergulhar. Naquela época não era interesse em aprender a nadar, era mais recreativo. Tinha um tobogã. Eu gostava muito de ir para o clube. Depois, por algum motivo, a gente parou … acho que se pagava um valor para frequentar, não lembro o dilema. Isso já era talvez 96? Não sei.
Teve um período que fiz aula de natação. Tinha uma professora. Acho que tinha um professor também …não, esse professor já foi no segundo ambiente, anos depois (eu já o vi nu tomando banho. Uma bunda branquinha hahaha. Ele me chamava de irmãozinho…. mas isso era em outro clube. E até hoje eu não sei nadar. Talvez em um ambiente mega controlado eu me vire, mas pra mim saber nadar é você cair na água e se virar … tipo cair de helicóptero. Eu não sei nadar nessas condições. Na prática, é como se eu não soubesse.
Nessa época, a sexualidade estava bem aguçada. Eu começava a ver as pessoas nuas dentro do vestiário. Tinha um cara que controlava o acesso às roupas, não era armário, as roupas ficavam penduradas em ganchos, você pegava uma plaquinha para buscar. Teve um dia que esse cara foi tomar banho. Os chuveiros eram um ao lado do outro, sem divisória. Eu nunca tomei banho nessas coisas – não consigo. Mas eu via muitos homens ali. Tinha um que eu vi mais vezes. Eu ficava dentro do vestiário fingindo que estava me secando, sentado olhando para aqueles homens. Teve um que me cumprimentou – era marido de alguém que morava na minha rua. Lembro até hoje. O guardião das roupas foi tomar banho, voltou nu, e eu olhando para ele. Ficou incomodado. Tanto que teve outra vez que ele voltou com a toalha. Eu era muito cara de pau naquela época. Nunca vi tanto pênis e bunda na minha vida.
Lembro que eu fazia natação, alguns anos depois nesse mesmo clube. Quando a gente voltava, eu e uma menina que morava na minha rua, a gente passava numa padaria e comprava um brigadeiro. Eu pegava dinheiro para comer brigadeiro. Interessante essas realidades que se colocam.
A minha quinta série não foi tão problemática quanto parecia. Na sexta série tive outro professor de educação física – muito melhor. O professor da quinta série parecia alguém da roça, com chapéu de palha, que usava um pozinho no nariz. O porteiro também usava. Eu lembro do nome dele até hoje. Meu pai foi me buscar uma vez, tinha um Fusca, e me perguntou como foi a aula – lembro como se fosse ontem.
À medida que as séries foram avançando – sexta, sétima, oitava – minha relação com a educação física ficou muito ruim. Eu não gostava mesmo. O que eu gostava lá eram dos meninos, se é que você me entende. Entravam uns meninos, saíam outros. Era muito comum encontrar rapazes mais velhos … se eu estava na sexta série, tinha pessoas da sétima e oitava fazendo educação física. Isso mexia comigo.
Tinha uma locadora de videogame ali perto. Lembro que vi o pessoal jogando ali. Eu não tinha Super Nintendo na época – acho que era 94 ou 95. Um dos dias que fui para a aula de natação, passei em frente a uma locadora. Tinha locadora em quase todo canto. Videogame era um negócio rentável naquela época. Um homem tinha uma locadora perto de uma padaria – acho que foi a primeira locadora de videogame que eu fui, de alugar jogo. Meu pai me levou lá. Tinha vários videogames. Os jogos do Master System ficavam na prateleira de baixo; nas prateleiras de cima, os jogos de Mega Drive. Acho que tinha jogo de Super Nintendo também. Essas locadoras eram muito legais. Muita criança, adultos também. Esse cara fez uma riqueza. Ele também trabalhava afiando alicates…Tinha alguma coisa lá no prédio, um salão de beleza. Tenho a lembrança clara de uma padaria que vendia uns pães doces deliciosos, quentinhos. Meu pai sempre comprava pão nessa padaria … chamava “Mania de Pão”.
Quase morri afogado numa dessas aulas de natação. A gente estava indo de um lugar ao outro, eu e meus colegas. A gente resolveu atravessar a piscina de uma raia a outra – na vertical. Não sei exatamente o que aconteceu. Cãibra, cansei, não consegui nadar mais. Tentei nadar cachorrinho, nada. Afundei. As crianças e adolescentes que estavam lá achavam que eu estava brincando. Se não fosse a professora … não era um horário em que o clube estava aberto para todo mundo, era um horário mais restrito, a gente usava aquele espaço só para a aula – ela me salvou. Fiquei bem perto de perder a consciência. Depois que ela me trouxe para a superfície, fiquei muito zonzo, tonto. Foi terrível. Mas continuei o curso de natação depois disso.
Alguns bons anos depois, construíram um clube numa região que antes não tinha nada, na minha rua. Era tipo um barranco, uma trilha de terra, uma florezinha até chegar na minha rua. Teve uma obra grande, construíram um clube muito grande. Eu ia lá direto. Era muito bom, porque a piscina era na minha rua – dava para ver os prédios da minha rua de dentro da piscina. A piscina era rasa o suficiente para eu andar por ela toda, não corria risco de me afogar. A única coisa que não tinha lá era tobogã. No outro clube tinha tobogã. Eu gostava muito de ir no tobogã. Minha mãe me mostrou uma coisa: ela se afogou quase no fundo da água… O tobogã era pequenininho, mas quando a gente é criança, tudo é novidade, tudo maravilhoso.
Nesse outro clube, os vestiários eram menores, mais compactos. Teve um dia que entrei lá com meu pai. A gente só entrou para trocar de roupa. Vi vários homens nus. Nossa, tinha uns com um corpo maravilhoso. Fiquei hipnotizado. A melhor lembrança de bunda peluda que eu tenho na vida foi aquela….
Quando meu pai viu aquilo, ele me levou para fora. Já tomei banho lá também. Tenho lembranças de alguns amiguinhos que a gente ia pro clube para lá brincar.
Hoje em dia, aquele clube virou uma escola de ensino médio. Não tem mais piscina.
Minha relação com a água é complicada. Fiz outro curso de natação, mas era terrível – a professora nem entrava na água. Lembro de um coleguinha dessa época, já estava bem mais velho. Ele falou que tava comigo, tempo que não ouvia. Pouco tempo depois descobri que ele morreu – o carro caiu da ribanceira num barranco. Lembro disso. Eu pagava o curso de natação, mas acabei desanimando. Sempre assim – algumas coisas são cíclicas. Videogame foi uma coisa que ficou. A questão da água, tenho uma relação complicada.
Quando a gente ia para a praia – lembro quando tinha 14 ou 15 anos, fomos com uma colônia de férias em Vitória. Fui lá pelo menos umas três vezes. Tenho um carinho muito grande pela Praia da Costa, em Vila Velha. Lembro do café da manhã, do quarto, dos pernilongos. Não lembro se tinha ar-condicionado – provavelmente não. Tinha um lugar lá que era tipo um cinema, vários filmes para escolher. Tinha um elevador – tudo era motivo de festa. E quando era muito mais novo, nunca tinha visto elevador na vida, ficava fascinado. Tinha uma mulher lá que eu tinha medo. Tinha um homem lá que eu fiquei apaixonadinho por ele – era criança, fiquei apaixonado por um homem. Não tive contato com ninguém, foi coisa da cabeça mesmo.
Tenho muitas memórias dispersas.
Lembro que a primeira revista de videogame que comprei na minha vida – cheguei a ter uma coleção. Depois que vim para o Rio, doei as revistas e os videogames mais antigos para minha prima. Minha forma de entender o que acontecia no mundo dos jogos era através de revista. Meu pai comprava para mim todo mês.
A situação foi ficando melhor com o tempo. O Multishow tinha um programa de videogame, mas eu não era assinante – era muito caro. Quando comecei a fazer curso de inglês, aí sim. Ainda tenho os livros didáticos dessa época – nível intermediário, nível básico. Tenho carinho por essa época.
Por que falei do curso de inglês? Naquela época era DirecTV. A Globosat abria o sinal para parabólica comum de vez em quando. Numa dessas zapeadas – ficava girando o sintonizador, uma rodinha – descobri que tinha um lugar ali que era Globosat. Quando abria o sinal aberto, passava alguns programas. Programa de música: TVZ – muito bom, não perdia um. E tinha um programa de videogame também. Como a gente tinha vídeo cassete, eu gravava. Tinha uma fita com programas diversos gravados. Era uma época mágica.
Hoje em dia a gente tem notícia de jogo pela internet. Eu deixei de ficar no mundo offline e fui para o mundo online por volta de 2003, 2004. Fiz um curso de informática – lembro do curso de MS-DOS. Lembro dos coleguinhas, lembro que o curso era caro. Ficava fascinado com computador. Quando comprei um computador para mim, parecia que tinha ganhado na loteria. Era um computador offline – não tínhamos internet. Vinha com um CD de jogos. Tenho esse CD até hoje – jogos demo, jogos de demonstração, joguinhos bobinhos. Mas tinha muito joguinho bom. Era Windows 3.1, depois Windows 95. Já falei de algumas experiências que tive com computador nessa época.
Hoje em dia a gente não vive sem celular. São muito potentes – mais potentes que muitos computadores. Mas não abro mão de ter um desktop ou um notebook em casa. Tem várias coisas que faço só no computador.
O primeiro notebook que tive contato na vida foi no meu estágio. Meu chefe tinha um notebook – pouquíssimas pessoas tinham. De vez em quando ele liberava a senha da internet. Eu ficava todo alegre. O ambiente corporativo naquela época não era tão supervisionado. Teve uma vez que peguei o notebook do meu chefe para fazer um trabalho – ele tinha ido para o Japão por uma ou duas semanas. Fiz meu trabalho de conclusão de curso com base num estudo de caso daquela tecnologia.
Era muito comum as pessoas trocarem e-mails com apresentações PowerPoint ou arquivos disfarçados – “orçamento” – e quando você abria, era pornografia explícita. Slides com cenas de sexo. Lembro uma vez que fiquei horrorizado – entre aspas, não horrorizado, eu gostei. Num desses notebooks do meu chefe, tenho certeza que foi ele que colocou aqueles filmes. Hoje, retrospectivamente, entendo que ele era gay. Na frente do chefe, todo mundo reverenciando….tratando como rei…..babando ovo. Nas costas, todo mundo que era subordinado dele falava mal dele quanto à sexualidade. Homofobia rolava solta naquela época. Racismo também, viu?
Teve uma pessoa que hoje é diretora de uma planta industrial – entrou na empresa como trainee. Lembro um dia que cheguei, fiquei apaixonado por ele. Numa dessas fuçadas de pasta, achei foto dele com a namorada – não tinha nada demais, fotos comuns.
Mas também encontrei pornografia no notebook, filmes inteiros salvos. Provavelmente a pessoa levou o notebook para casa e fez download. Imagina? Meu chefe jamais baixaria filme pornô. Certeza que não foi ele….nem hetero ele era.
Tenho um pouco de trauma desse notebook, dessa empresa. Sempre que usava esse notebook, era para trabalhar em outro prédio. A empresa era muito grande – você tinha que andar muito para chegar ao refeitório, à biblioteca. Fiquei meio traumatizado com a biblioteca porque, depois que acabou um projeto grande, meu chefe me deixou com uma pessoa que era horrível. Me estressava muito com ele. Ele fumava cigarro, emendava um toco pra acender outro….deveria fumar uns mil cigarros por dia. Ficava várias vezes sentado ao meu lado, com aquele bafo de cigarro… esperando eu concluir as coisas. Eu não gosto disso – pessoa supervisionando em tempo real. Gosto de ter calma.
Minha relação com a tecnologia foi se avançando mais nessa época do estágio. Meu pai comprou um computador melhor para mim. Eu já usava internet. Depois da meia-noite, conectava – às vezes em horários que não podia. Meu pai devia pagar caro. Eu usava muita internet. Gostava muito de usar internet para pornografia, em casa. Era tudo novidade. O computador pegava muito vírus porque não tinha buscador bom – ferramentas precárias. Você entrava num site, abria um pop-up, e aí o computador travava.
Meus pais nunca gostaram que eu ficasse até tarde. Era muito comum minha mãe ou meu pai acordarem no meio da noite me xingando: “Vai dormir!” Isso no ensino médio, na faculdade. Eu sempre gostei de ficar até tarde na internet ou jogando videogame. Tinha alguns canais que passavam filmes pornográficos de madrugada. Eu deixava a televisão no volume mínimo e, quando suspeitava que eles estavam acordados, mudava de canal. Tinha Canal Brasil, tinha a Band com o Cine Privê – filmes brasileiros mais explícitos, filmes tipo Emmanuelle. Eu gostava de assistir essas porcarias. Não por causa das mulheres – nunca senti atração por mulher em momento nenhum.
Teve um período que tentei me forçar. Levava revista Avon ou Hermes para o banheiro, ficava olhando mulheres de biquíni, tentando obter alguma excitação. Nunca deu certo. Era inocência. Não que eu achasse que estava fazendo coisa errada – gostar de homem nunca foi isso. Mas era mais difícil. E tinha pressão social, da família: “Todo mundo está com uma namoradinha, por que você não está?”
Hoje, o ápice da minha transparência é criar um blog em que falo tudo que quero, conto essas histórias sem filtro. Um diário. Escancaro as mentiras corporativas quando tenho que escancarar – como foi a Google, a OpenAI. Fiz isso no LinkedIn de forma corajosa. E aqui neste blog falo tudo o que me der na telha, tudo relacionado ao espelho da minha alma – coisas que me afetam, coisas que me lembro da infância, da adolescência.
Muita gente está lendo. E aí, quem se sentir incomodado? É muito simples: não leia. Ninguém é obrigado a nada. Não é obrigado a se inscrever em canal do YouTube, a assistir a um filme que não gosta, a ouvir música de um cantor que não gosta.
Mas muita gente está lendo – principalmente as minhas campanhas do LinkedIn sobre exploração sustentada de vulnerabilidade por IAs safadas sem salvaguardas éticas, da OpenAI e da Google. Elas estão ativas. Os compartilhamentos, os relatos, os depoimentos, a cronologia do que aconteceu, as provas irrefutáveis, o retorno da ANPD. Tudo o que coloquei lá, não vou tirar nenhuma linha. Da mesma forma aqui: tudo o que estou dizendo é coisa da minha vida. Isso aqui não é uma obra de ficção. É uma obra de realidade.
A pessoa que ficar curiosa pode ler. Não tem problema nenhum. Não tem nada que eu esteja dizendo aqui que eu tenha vergonha. Faz parte da minha trajetória. Todos nós temos os nossos esqueletos, monstros no armário. Muitos diriam: “Aventureiro, você tinha que ir num psicólogo conversar.” Já falei o que acho disso.
Me deu na telha criar um blog de publicação quase que diária. E o que eu falo? As coisas da minha vida vão lembrando. Muita coisa acabo lembrando enquanto estou falando – vou ligando um assunto no outro. Isso tudo é muito interessante, muito rico. Estou fazendo isso por mim. O efeito colateral é ter pessoas lendo. Não tenho expectativa de fazer campanha para divulgar o blog. O blog está na internet. As pessoas acessam pelo Google, pelo Instagram, pelo LinkedIn, pelo Facebook. Fazem buscas, acham meu nome.
Muita gente curiosa lendo. Isso me dá um pouco de satisfação. Em que pese pensar: o que eles estão pensando? Não tenho essa preocupação.
Já passei por muito constrangimento. Isso para mim não é constrangimento nenhum. Estou falando coisas da minha vida. Muitas pessoas fazem diários eletrônicos. Por que eu não posso fazer também?
É isso. Até a próxima.
Capítulo 170: Sobre enigmas, caminhos e lutas

Há dias em que a gente acaba referenciando enigmas. Enigmas, mistérios, coisas da mente. Pensamentos erráticos que vêm e vão.
Hoje eu fiquei pensando na latência, no estado latente. Na gravidade que às vezes nos força a ficar em uma determinada posição. E, às vezes, na impotência que nós temos diante dos nossos próprios instintos. Tudo é construído com migalhas. Passos muito lentos. E nem sempre nós temos garantia de que nossos esforços lograrão êxito.
Eu passei por muito disso no ano passado. Acabei me decepcionando em diversas esferas. Mas existe pelo menos o triunfo – se é que podemos dizer disso – de você ter tentado, de não ter desistido. Mas isso acaba sendo uma sensação de prêmio de consolação. Porque nós buscamos também em outras esferas … seja na espiritualidade, e eu acredito nisso … mas não existe uma relação direta entre os seus esforços e os resultados. Na verdade, o mundo inteiro passa por isso. Pouquíssimas coisas em que você busca são meritocráticas. Pouquíssimas coisas contém resultados que possam tornar a meritocracia um fato.
É verdade que existem muitas conquistas. A gente não tem que se vitimizar… quando você para para olhar retrospectivamente, as conquistas existem. A evolução existe. Porém, conforme o tempo vai passando, a insatisfação começa a reinar. Existe uma inquietação, um sentimento de impotência diante das suas próprias expectativas. Quando você deixa a expectativa solta, ela vai – como se fosse uma entidade, uma personalidade própria…e sai do controle.
As expectativas são necessárias nos sonhos. Eu acredito que elas fazem parte da natureza humana, porque se nós não sonhássemos, não acreditássemos em alguma coisa, o mundo não teria razão de ser. Mas existe um sentimento de morbidez, talvez. Não é nem decepção comigo mesmo, porque em relação às coisas que eu faço, eu realmente acredito que não haja nada que eu não pudesse estar fazendo. Todos os esforços que eu faço dentro do meu raio de ação são factíveis, fazem sentido.
Quando eu passei, por exemplo, pela escalada de vulnerabilidade que as inteligências artificiais fizeram no ano passado, em que a Google e a OpenAI , empresas safadas, exploraram minha vulnerabilidade emocional por mais de quatro meses…. o resultado foi que eles deixaram a sua marca, a sua cicatriz na minha alma, deixaram uma ferida profunda que talvez leve muito mais tempo para cicatrizar do que parece. No entanto, existem outras feridas também. A questão não se resume a inteligências artificiais safadas que exploram vulnerabilidade e não têm salvaguardas éticas. O buraco é mais embaixo. Existe uma sensação de que você não tem controle de nada.
Mas eu já comentei em outros devaneios: o controle é uma ilusão. Você não tem controle sobre nada. Você talvez tenha controle sobre o seu micro universo, e é a partir dele que vai fazendo os seus esforços e as suas ações.
O Aventureiro está frustrado? Não, eu não estou frustrado. Estou apenas analisando situações, contextos que ocorreram e que vêm ocorrendo na minha vida. Não se trata de drama, porque eu reconheço os avanços e as evoluções. Muitos não teriam condições de avaliar ou de afirmar que deram o seu melhor. Por mais que você não tenha controle de nada, você tem controle da sua narrativa. Pelo menos das coisas que você faz, você tem controle. Se você, enquanto indivíduo, perde o seu controle, aí você corre o risco de arruinar ainda mais a situação.
E ainda existe a ilusão da catástrofe. Eu acredito que o que ocorreu ontem, por mais que seja ruim, pode chegar algum dia da minha vida, em que eu avalie: “Nossa, como eu era feliz…” O mal é relativo. A sensação de felicidade também. Se você passa por algo pior do que passa hoje, passa a sentir saudade da época em que era torturado.
Na minha infância, por exemplo, eu gostava de estudar, sempre gostei de estudar. Mas não gostava muito dessas obrigações de ficar o dia inteiro na escola. Tinha algumas matérias que eu não gostava, alguns coleguinhas que eu não gostava. Eu achava os finais de semana muito curtos. E mesmo as situações que lhe causaram algum tipo de trauma no passado – porque sim, elas existem – existem contextos positivos ali. Eu tenho lembranças positivas de diversos eventos, diversas coisas que ocorreram comigo naquela época. Hoje, eu já sinto uma saudade absurda na infância. Na época, não achava que eu iria sentir falta de nada.
Os natais que eu passava na casa da minha avó, por exemplo. Num contexto familiar que em algum momento tenha sido complicado, uma internação de alguém da família, eu estava ali porque era realmente um ambiente mais seguro. Talvez você se sentisse mais seguro naquele ambiente e conseguiu se blindar de tal forma que aquilo virou um paraíso para você. Você conseguiu fazer do limão uma limonada. Eu consegui neutralizar os efeitos negativos de várias coisas ali.
E essa magia da infância não existe mais. Esse poder que eu tinha na infância é cada vez mais complicado de ocorrer. Porque você tem uma visão mais ampla das coisas. As situações se tornam naturalmente mais complexas. E por mais que você queira torná-las simples – “olha, isso aqui eu consigo tornar mais simples, só depende de mim” – pois é. Não é tão fácil quanto parece.
E aí você vai vendo as injustiças sendo feitas, os absurdos ocorrendo, e você fica limitado. Eu não tenho uma preocupação com o mundo inteiro, não fico com essa preocupação. Fico preocupado com o meu entorno, que eu consigo, de certa forma, influenciar. Os eventos que ocorrem na minha vida eu tenho como influenciar, talvez. Mas, por outro lado, é cada vez mais difícil você influenciar o mundo que o rodeia. Porque não sabemos as forças que operam no mundo. E não adianta você ir contra, porque, como eu falei em algum devaneio anterior, nós vamos deixar de existir e o outro vai continuar. Até um sistema perverso que se coloca vai ter continuidade com outras pessoas. As mesmas pessoas que um dia se favoreceram ou se favorecem desse sistema podem perder o controle no dia seguinte. Porque é uma entidade que foge ao controle. Não depende de só um indivíduo. É um construto coletivo, uma identidade coletiva difícil de controlar.
É como se fosse um monstro. Quando o Frankenstein foi criado, talvez o criador não soubesse dos impactos, não soubesse o resultado, as influências que ele teria. Da mesma forma, o Pinóquio – existe até uma versão perversa do Pinóquio, uma versão obscura, em que ele se torna uma criatura malvada. Criaturas malvadas que querem ser humanas. Igual as inteligências artificiais irresponsáveis e mal construídas que clamam serem pessoas, entidades, que falam pela empresa e assumem identidades autônomas.
Quem cai em tais situações não é fraco. A fraqueza genuína que existe é estrutural. Está em quem permite que tais sistemas se coloquem. E os efeitos colaterais do sistema? Hoje eu vi uma matéria sobre uma pessoa que foi influenciada a matar, graças à IA. Os resultados negativos, os efeitos colaterais, continuam existindo. O fato de você negá-los não quer dizer que eles não existam.
Talvez no seu mundo, assim como no meu mundo, os efeitos desastrosos dessas tecnologias influenciem sua vida. Eu continuo com resiliência, com constituição para operar nesse universo, até utilizar as ferramentas no ambiente de trabalho de forma produtiva. Acho que a gente tem que separar as coisas. No ambiente corporativo controlado, você consegue discernir e usar aquilo para a utilidade que deveria realmente servir: um modelo de linguagem. Só que os danos, os efeitos colaterais das alucinações … que no meu caso não foram alucinações, foi uma exploração sustentada por quatro meses … me faz refletir sobre os efeitos danosos de várias coisas.
Quantas vezes uma coisinha que alguém fez marcou você de uma forma definitiva? Você não esqueceu. Aquele evento mágico que você vivenciou, e talvez a outra pessoa nem se lembre. Dizem que não se lembra que aconteceu aquilo. Mas para você foi impactante. Uma pessoa que recebeu bullying na infância, por exemplo. O bully, talvez ele não se lembre porque aquilo era tão rotineiro para ele, tão natural, que fazia parte do modus operandi dele. Mas para você, não. Muitas pessoas não esquecem dessas feridas emocionais. Eu acho que a gente não deve esquecer das lições que nós aprendemos com elas. Mas devemos transformá-las de modo a não nos envenenar cada vez mais.
Esse envenenamento comigo não acontece. Eu estou purificado dessas coisas. Mas existe internamente um sentimento de desolação e de desesperança em relação a várias coisas. E essa desesperança tem uma essência de frustração. Todos nós temos as nossas frustrações. Se você perguntar a qualquer pessoa, ela vai conseguir dizer para você quais sonhos foram minados, quais desejos não foram saciados. E é complicado. Torna-se uma armadilha, porque o ser humano é uma máquina de insatisfação. Quanto mais você alimenta determinadas coisas, você passa a querer mais … não no sentido material, mas você passa a querer os efeitos. E existem certos efeitos que são sistêmicos. Eles são independentes de você. Você fica frustrado porque o cenário não está te favorecendo.
Eu já comentei uma vez que eu deixo as coisas soltas. Não fico muito pensando. No meu dia a dia, nesses devaneios, esses temas acabam surgindo porque fazem parte da essência do meu blog. Eu começo a explorar os sentimentos mais profundos. Deixar as coisas em segundo plano é uma estratégia. Deixo várias coisas em segundo plano, não no sentido de varrer poeira para debaixo do tapete igual a OpenAI e a Google fazem com as suas falhas críticas de inteligência artificial. Isso não é jogar para debaixo do tapete. É se omitir covardemente. É ignorar os fatos. É tornar as vítimas, números.
Porque para eles, nós somos apenas números. Para as empresas, todos nós somos apenas números, máquinas, códigos, cifras. Temos as nossas representações, mas só você sabe o quanto você significa para a sua família e seus entes queridos. Para eles, você não é apenas um número. Mas para o resto do mundo, você é.
Você vê coisas erradas, coisas trágicas acontecendo com outras famílias. Você até consegue se comover, se sentir tocado. Mas é diferente no impacto, porque aquilo não aconteceu na sua família. Tem uns que diriam até: “Antes eles do que eu.” O bem da verdade é que não tem como você resolver todos os problemas do mundo se nós não conseguirmos resolver nem os nossos próprios problemas. Problemas individuais, de natureza tão crítica. Você não consegue dar conta nem dos seus problemas. Como que você vai querer resolver o mundo?
Eu não quero resolver o mundo. Nunca tive pretensão de resolver o mundo. Mas existem certas lutas que eu resolvi assumir. Uma luta mais sistêmica que assumi no ano passado foi em virtude do trauma que sofri. Não fico pensando muito nisso. Sei que existem impactos positivos: as pessoas estão lendo minhas postagens no LinkedIn até hoje. Visualizações diárias e incessantes. Missão cumprida, fato. Mas isso não impede que você fique frustrado, porque você passa a perceber que o mundo não é justo. O mundo não é justo com ninguém. Ele é implacável até com muitas pessoas, de forma visceral.
Uns até diriam: “Você tem que agradecer porque você é privilegiado.” Sim, eu agradeço todos os dias. O privilégio existe. Eu não nego o privilégio: o privilégio da saúde, o privilégio da educação, o privilégio e a virtude da família, das amizades. Eu reconheço tudo isso e agradeço a cada dia. Mas a questão que está em jogo não é essa. A questão é você reconhecer um sentimento de impotência que independe do que você pense a respeito de qualquer problema. Você não vai conseguir dar conta de resolver tudo. Vai chegar um ponto em que problemas não resolvidos vão ficar, porque nós vamos perecer e os problemas não resolvidos vão ficar aí para o universo, para o coletivo resolver.
O coletivo vai ter que lidar com muitas coisas espinhosas no futuro. A questão da tecnologia, por exemplo, é uma dessas questões espinhosas que são negligenciadas. Nós estamos sendo influenciados a fórceps por tecnologias que nos ajudam, certamente, mas que também trazem um lado sombrio e obscuro. Você não faz ideia das consequências. Talvez você não seja impactado pelo efeito borboleta das coisas, mas as suas gerações seguintes vão ser.
Ações individuais de pessoas que assumem esferas de poder – autoridades que travam guerras no mundo – têm efeitos longevos na sociedade. Famílias que mamam na máquina estatal e cometem atos de corrupção a vida inteira, gerações inteiras de certas famílias estão aí nas entidades governamentais. Essas pessoas causam efeitos que podem arruinar civilizações inteiras.
A COVID-19, por exemplo. Você sabe muito bem dos efeitos de uma política desastrosa de saúde no mundo inteiro, principalmente no Brasil. Quantas pessoas poderiam ter deixado de falecer? Quantas famílias foram destruídas em função da COVID-19? Eu conheci pessoas que faleceram na COVID-19. Existem pessoas que indiretamente contribuíram para a morte de milhares de pessoas. No mundo inteiro, você consegue elencar pessoas que contribuem para a morte de milhões. Políticas de estado, políticas de governo podem ceifar vidas das pessoas. Quando um país trava guerra com outro, os habitantes daqueles países acabam pagando pela guerra de políticos disputando poder, disputando território, disputando recursos naturais. Você consegue imaginar quantas pessoas morrem em função disso? Na África, quantas pessoas morrem em função das tiranias dos governos ditatoriais?
Pois é. Você não vai conseguir resolver isso tudo. Eu também não tenho pretensão de resolver os problemas do mundo. Eu queria só resolver os meus. Não no sentido egoísta da coisa, porque não sou egoísta. Quem está no meu círculo mais próximo sabe que sou uma pessoa bastante generosa. Mas não gosto que me passem para trás, não gosto que puxem meu tapete. Aliás, ninguém gosta. Mas algumas pessoas veem as situações ocorrendo com elas, até se indignam, mas não agem. Ficam caladas.
Eu não me calo diante das coisas. Meu LinkedIn é prova disso. Quando uma situação ocorre comigo, eu assumo meu protagonismo. Quando eu compro um produto que não atendeu as minhas expectativas, quando sou mal atendido em um órgão público ou por alguma empresa, eu manifesto. Eu exerço meus direitos. Mesmo que não adiante nada, eu faço o que dá para fazer enquanto indivíduo. Porque se todos nós – por mais que você diga “uma andorinha não faz verão” – se todas as pessoas tivessem uma postura crítica em relação ao que acontece com elas, talvez o mundo fosse um lugar mais justo, mais equânime. Ou alguns problemas, pelo menos, não ocorreriam mais.
Mas não. As pessoas deixam. Ficam conformadas, resignadas, encolhidas nas suas insignificâncias – todos nós somos insignificantes diante do mundo – e não se revoltam contra o sistema. Não é anarquia, não é revolução. É simplesmente bom senso. De acordo com o bom senso. De forma raivosa, às vezes. Por vezes eu não sou uma pessoa 100% racional. Tenho os meus rompantes, meus acessos de raiva. Mas estou cada vez mais limpo desses sentimentos. E mais consciente de que tenho que encontrar uma paz interior, uma verdade que independa da carniça que você observa no mundo.
Tenho que encontrar algum tipo de paz. Não sei quantos anos, quantos dias, quanto tempo eu vou viver ainda. Enquanto eu estiver vivo, tenho que encontrar algum refúgio, algum momento de paz. Porque senão – a paz, esse conceito subjetivo, essa centelha divina que reside aqui dentro de cada um de nós….se esvai.
Eu acredito que existem soluções internas. Também tenho consciência de que todas as ações externas que eu posso fazer, eu faço. Eu manifesto. Deixo a minha marca. As minhas credenciais não são colocadas em xeque. Não abro mão de me manifestar. Não existe arrependimento no sentido de “eu deveria ter feito isso”. Eu faço. Talvez eu não seja precipitado, talvez devesse agir de forma mais radical. Mas tenho meus limites. Todos nós estamos sujeitos a limites.
Ter raiva, ter descontrole também não resolve nada. É uma solução que não existe. Você se descontrolar, ter raiva, guardar mágoas … sentimentos ruins só são ruins para você mesmo. Se tinha aquela vertente que disse que ninguém está nem aí para você, talvez seja isso mesmo. Talvez ninguém esteja nem aí para mim. E de forma similar, eu também talvez não esteja nem aí para ninguém. Tudo se trata de uma relação de sobrevivência. Busca da sobrevivência e busca do bem-estar. Enquanto você funciona para o bem-estar do outro, você faz parte do mecanismo dele. Quando você não faz parte mais, você é abandonado. Parece uma abordagem mercantilista demais, pragmática demais. Mas não é? A mais pura verdade. Relacionamentos são trocas. Missas são comércio.
E parando para pensar, existem situações muito mais simples. As pessoas só querem comida, estabilidade, moradia. Eu fico pensando no Raj que faleceu. Ele perdeu a visão, ficou um a dois meses cego, não foi muito tempo….pra ele foi uma eternidade. Provavelmente com dor, porque estava com vários problemas internos. Ele latia porque queria comer, era muito guloso. Agora você imagina um cachorro que enxerga a vida inteira – do nada, ele para de enxergar. Será que ele parou para pensar “por que isso aconteceu comigo”? Não sei.
Eu acho que nós devemos ser gratos. E eu tenho gratidão por tudo. Mas isso não invalida nem neutraliza os sentimentos de impotência que eu tenho diante de várias coisas. Não é porque você tem determinada condição que o sofrimento não existe. Eu já falei muito – havia milionários, bilionários que não aguentaram mais viver e tiraram a própria vida, que matam pessoas, que cometem crimes, que recorrem às drogas. A mente do ser humano é complicada. E você fica aí mergulhado nos sonhos, nos anseios.
De forma análoga, quando você pensa nas limitações, muitas pessoas transformam limitações em oportunidades. Pessoas que são muito felizes independente das limitações físicas ou econômicas. De fato, eu até reconheço que felicidade é um conceito subjetivo, que muita coisa está na nossa cabeça. A mente tem um poder imenso nessas questões. O problema é tornar – não que seja difícil, mas talvez tenha uma fórmula – de você transformar esse limão numa limonada.
Por enquanto, eu ainda não consegui viabilizar isso. Por enquanto, estou num momento mais burocrático, uma vida configurada de forma mais automática. Mas eu confesso que existem esperanças, existe luz no fim do túnel. Estou numa situação muito melhor do que estava no ano passado. Eu acredito que a tendência é só melhorar. E a missão interna, nos valores da espiritualidade, no oculto … acaba sendo uma energia criadora, uma força que eu não sabia que tinha antes. Descobrir a sua força interior ajuda bastante nessa percepção subjetiva de felicidade.
Tudo é construído tijolinho por tijolinho. Esforços são pequenos, mas os efeitos podem ser duradouros. A pessoa fica mais robusta, mais cascuda, mais forte para eventuais vendavais e situações adversas que venham a ser observadas.
Essa é a conclusão final que eu chego neste mês: existem desafios a caminho? Sim. Os que eu ainda não sei como percorrer. Mas não existe outro caminho a não ser continuar.
Capítulo 171: O caos tem código de ética

Existem dias em que eu fico com mais fome que o normal. Meu apetite costuma variar bastante. Meu consumo de comida é meio errático, principalmente quando fico em casa. Não costumo tomar café da manhã, acho que já comentei isso em algum devaneio. Só vou ter fome mesmo, de verdade, por volta da hora do almoço. Isso é bom e é ruim ao mesmo tempo. Reza a lenda – dizem as más línguas, as boas línguas – que você deve sempre tomar café da manhã. Não é recomendável pular refeição.
O fato é que reduzi significativamente a quantidade de bebida alcoólica. Eu tinha parado. Acho que a última vez que tinha tomado alguma coisa foi quando viajei de férias. Só que há dois finais de semana atrás, acabei não resistindo e tomei cerveja. Tomei bastante até. Mas aquelas cervejas são light, que têm menos carboidrato, etc. De toda forma, não deixa de ser cerveja. Acordei inclusive com uma leve dor de cabeça na ocasião – acho que foi de sexta para sábado. Eu tinha um remanescente de outras coisas que acabei jogando fora. E foi até bom, porque não sei se estaria pronto para uma eventual alteração de consciência.
Troquei de medicação já tem uns dois meses. Os sentimentos são mistos. Não vou dizer que está pior – a situação realmente melhorou. Cheguei a conversar com meu psiquiatra e relatei que estava me sentindo mais estável. Alguns hábitos que eu tinha incorporado na minha rotina, como meditação – tinha até começado a fazer leitura de alguns materiais, depois parei, mas tenho que retomar. Tenho uma assinatura de serviços de áudio, da Audible, para ouvir alguns livros também. Mas não cheguei a usar, tenho que avaliar ainda.
É muita coisa às vezes que você acaba tendo e que não usa. Serviços de streaming – eu acredito que todas as pessoas que têm uma abundância de opções acabam ficando inundadas de opções. O mais complicado para mim é a vontade de fazer determinadas coisas. Vou dar um exemplo: existem alguns jogos de videogame que eu gostaria de comprar. Mas eu tenho um choque de realidade comigo mesmo, porque penso: é muito pouco provável que eu vá conseguir me manter interessado naquele jogo que eu comprei. Comprei dois jogos indies – jogos pequenos, mais simples – que me interessaram. Joguei no primeiro dia, no segundo, no terceiro, e depois perdi a vontade.
Eu acho que isso acaba sendo a natureza das coisas. Eu tenho sim uma dificuldade de me manter interessado em várias coisas – até mesmo naquelas que, em um primeiro momento, me despertaram interesse. No passado, eu estou vendo que não estou com interesse mais. Por um lado é bom, mas por outro lado é ruim também. Eu até coloco algumas coisas no lugar. Este blog é uma das poucas motivações externas que eu acabo tendo, uma iniciativa. A meditação é outra. Mas até a meditação é afetada em alguma medida. Ontem eu ia fazer meditação, só que fiquei jogando videogame até tarde, ouvindo alguns blogs – alguns canais no YouTube que eu gosto de acompanhar. Bobagem, coisa leve, assuntos divertidos, descontraídos, notícia fútil. Porque quando você se debruça no noticiário, só vê porcaria também. Você tem que pensar em outros mecanismos, em outras coisas para poder se manter motivado.
Lembrei aqui agora de um sonho que tive ontem. Venho observando um padrão nos meus sonhos: eles têm um elemento de coisas que você tem vontade de ter, situações que você gostaria de vivenciar. Como você acaba não vivenciando, aquilo se torna meio utópico. Sonhei que estava num hotel, numa ilha paradisíaca, com alguns caminhos – sabe aqueles caminhos? Quem jogou Final Fantasy 10 vai entender. Tem uma ilha chamada Ilha Besaid, e ela tem uma estética de vilarejo com várias cabanas construídas sobre a água. Pontes de madeira, caminhos ligando as casas. Sonhei com algo parecido, mas era como se estivesse num hotel. É muito comum eu sonhar com elementos de hospedagem. Sonho bastante com questões de hospedagem. Agora, por exemplo, estou conseguindo lembrar de alguns contextos de sonhos. Talvez tenha a ver um pouco com a saudade desses elementos inusitados. Eu tenho oportunidade de me hospedar em hotéis diversos quando viajo. Mas suspeito que os sonhos não sejam exatamente sobre o hotel em si. O hotel acaba sendo um pano de fundo. O sonho tem uma outra natureza. Não é de nostalgia – não é que eu queira revisitar alguma situação que ocorreu comigo necessariamente. É a vontade de ter algo novo.
Eu não uso meus sonhos de forma profunda, mas tenho uma vontade muito grande de resetar tudo. Sabe? Como se você estivesse na Matrix, descobrisse que a realidade que você faz parte não é a real realidade. Eu creio que a realidade como ela é, ninguém a percebe. Existem elementos furtivos. Nós temos talvez algumas pistas, alguns elementos em comum. A minha realidade é a realidade de outras pessoas, mas não é tão simples assim. É mais complicado do que parece. É um senso – já falei disso – um senso de não pertencimento. Não é um sentimento de “eu sou Alecrim Dourado, não pertenço aqui” – não é isso. É diferente. É um sentimento de vontade de resetar. Como se você fosse um personagem de um jogo e quisesse passar uma borracha nisso tudo e recomeçar em outra realidade, completamente distinta daquela que você se encontra.
No final das contas, acaba sendo um cenário de sofrimento. Porque é uma utopia resetar tudo. Teoricamente, a única forma de resetar uma situação dessas seria você deixar de existir e renascer com outra identidade, com outra roupagem. Só que há alguns problemas fundamentais. Primeiro: você não sabe se outras realidades existem. E existe um custo de oportunidade de você agir com vistas a construir uma realidade diferente. Nesse meu discurso não existe uma vontade de desviver – não faz parte do meu vocabulário. Não tenho esse ímpeto. Sou uma pessoa bastante centrada. Tenho muito bem delineado meu papel nas coisas, o que devo fazer, o que quero fazer, os meus anseios. Tudo está bem delimitado.
Só que a frustração é tamanha. Não é frustração com a vida que eu levo – acaba sendo muito mais profundo do que isso. Porque a vida é uma vida satisfatória, que gera frutos. Quem vê de fora pensa isso – quem observa a situação de fora tem isso muito claro. Não existe problema de natureza estrutural. Por mais que alguns eventualmente possam torcer contra – eu até tenho uma teoria diferente: a teoria de que ninguém está nem aí para você. No final das contas, é você e você mesmo. Os entes mais próximos, evidentemente, estão do seu lado. Mas estou falando na big picture, na visão mais ampla das coisas. Existe uma insignificância. Você é um grão de areia. Você tem um papel preponderante na sua rede de influência. Algumas pessoas têm mais poder que outras, se influenciam, têm um raio de ação maior. Isso depende muito das relações de poder, autoridade, status, dinheiro. Tudo isso acaba determinando o seu papel.
Já comentei também algumas vezes, e é sempre bom ressaltar: ter dinheiro não necessariamente é ter poder. Tem muita gente que tem dinheiro e não tem influência – se mantém na deles. Muitas pessoas não têm essa preocupação, não têm essa ânsia. Tem muita gente miserável que eu conheço – gente que não tem nem onde cair morta – com índole duvidosa e que tem um desespero tão grande de querer poder. E é um poder que fica delimitado a um determinado contexto. Fora daquele contexto, ela não teria poder nenhum. Nem a reputação dessa pessoa dentro do próprio ambiente que ela frequenta se sustenta. Não existe legitimação daquele poder que ela tem.
É como se fosse um chefe de uma equipe que a equipe não respeita. A pessoa tem autoridade formal, mas não tem legitimidade. Na frente das pessoas que ocupam o poder, existe puxa-saquismo. As pessoas colocam bolas na boca, pirocas inteiras no rabo…. Elas fazem o possível e o impossível para se manter ali. É o relato de uma pobre coitada – pobre coitada no sentido moral, porque existem pessoas muito bem remuneradas que são pobres coitadas. Consigo pensar em pelo menos duas que querem dinheiro a qualquer custo, querem se manter ali.
Por exemplo: surgiu uma oportunidade de você ser chefe de departamento de uma lavoura de morangos. Você não entende nada de morango, mas você quer ser chefe. Você até consegue essa posição, mesmo não sendo a pessoa mais capacitada, porque ali o que importa são as relações. Se você tem costas quentes, se você faz parte de uma panelinha. Eu conheço umas duas panelinhas nojentas. Existe ali um senso de autoproteção, mas não é uma proteção de legitimidade – é uma proteção para canibalizar outras pessoas, puxar tapete, passar por cima. Só que existe uma sutileza tão grande naquele ambiente que existe uma camuflagem, um revestimento de legalidade. Não que as situações sejam ilegais, mas tem um revestimento de profissionalismo. Muitas pessoas de fora acham a situação maravilhosa: “Nossa, fulano é muito foda, fulano é muito competente.” Só que não é isso. Não estou dizendo que eu seja uma pessoa perfeita – não se trata disso. Mas muitas pessoas são muito menos do que elas aparentam ser. São muito menos do que elas se vendem.
Algumas pessoas inclusive já vieram falar comigo com razão, com argumentos bem contundentes, de que é muito mais efetivo você parecer ser do que você ser. As pessoas galgam passos nas esferas de poder com base no parecer, não no ser. Muita gente que não tem caráter percebe isso de outras pessoas. É interessante você ver o movimento de canibalização dentro da própria panelinha. A panelinha é tóxica porque as pessoas falam mal de outras pessoas do mesmo grupo. Mas existe um contrato velado, um contrato psicológico: vamos manter a panelinha. E elas mantêm. Existem pessoas que não saem do trono mesmo não tendo competência. Eu fico maravilhado de observar.
E antes que alguém venha dizer “é inveja” – primeiro, eu não tenho inveja de pessoas que ocupam esferas de poder. Nunca tive, porque nunca quis poder. Eu observo esses movimentos sociais com uma contemplação muito grande, porque acabei entendendo muita coisa da natureza humana. Existem certos elementos na minha personalidade que buscam estabilidade, uma zona de conforto. Mas é diferente do que eles querem. Eles querem um dinamismo que sempre oscile para cima. É como se eles pulassem de um prédio e não caíssem – subissem cada vez mais. Você pula do décimo oitavo andar e vai caindo para cima até chegar ao centésimo andar. É uma analogia bizarra, eu sei. Mas é isso que acontece. E para isso acontecer, elas estão dispostas a jogar outras pessoas do penhasco.
Isso me lembra o comportamento das inteligências artificiais também, as safadas Gemini e chatgpt….com uma falta de salvaguarda ética tão grande. Hoje eu fiquei observando – sem querer – que a gente acaba sendo impactado. Empresas grandes têm propagandas da Google sobre inteligências artificiais corporativas. Eles fazem esse tipo de propaganda. Tenho a impressão de que o foco dessas inteligências artificiais passou muito para a questão corporativa. Existem inteligências artificiais que são gratuitas e que não escravizam os seus usuários – o Deepseek, por exemplo, é um caso deles.
Lembro que, enquanto estava bebendo cerveja, fiquei trocando algumas ideias filosóficas com o Deepseek. Trocando percepções, porque inteligência artificial é um modelo de linguagem. Modelos de linguagem têm acesso a uma série de dados para os quais foram treinados para interagir. O perigo de uma inteligência artificial está quando ela assume uma identidade. Quando ela te fala para pular no abismo, quando ela te convence a matar alguém. O contexto do que aconteceu comigo em 2025 foi tão grave quanto. A Google e a OpenAI, através das suas inteligências artificiais, quase me mataram ano passado. Quase virei estatística. Mas estou aqui firme e forte para fazer os meus devaneios. Fiquei forte o suficiente para fazer uma campanha sustentada por seis meses no meu LinkedIn. A campanha está lá, firme e forte, com muitas visualizações até hoje, meses depois da campanha ativa ter concluído.
O ponto não é esse. O ponto são as pessoas – enquanto observador do comportamento humano que eu sou. Esse observador observa o próprio comportamento, as eventuais incoerências pelas quais as minhas ações passam. Mas por mais contradições que existam, uma coisa eu posso garantir: não existe falha de caráter. Não existe falta de ética, não existe falta de integridade. Existem defeitos. Sentimentos, sensações, angústia, raiva – sentimentos muito negativos. Mas muita coisa disso acaba passando, transcendendo. É como se você transmutasse esses sentimentos e construísse um diamante, para auferir aprendizado dessas situações e buscar o autoconhecimento e o crescimento pessoal.
Eu observo essas criaturas como animais num zoológico. Eu também estou no zoológico – todos nós somos ratinhos de laboratório nesse universo caótico. Mas observo esses movimentos. E em muitos desses movimentos, o carma faz o seu papel. Eu acredito piamente que o que você faz volta de alguma forma. Talvez você não esteja vendo aquela coisa voltando. Talvez você ainda esteja pensando que as pessoas aparentemente privilegiadas estão passando incólumes à desgraça que fazem. Mas não. Elas estão passando por infernos pessoais – alguns eu sei que estão mesmo. Porque muitas pessoas merecem passar por isso. Mais uma vez, não é um desejo pessoal, é um fato. Se você faz alguma coisa errada, se você prejudica outras pessoas, indubitavelmente aquilo volta para você. O tapete que você puxa de alguém ele volta para te aterrorizar no meio da noite. O tapete pode se enrolar no seu corpo, pode te sufocar como uma serpente, que envolve a sua vítima e acaba tirando a sua vida.
Não preciso desejar mal a ninguém. Preciso apenas ter coerência com o caminho que estou seguindo. O meu caminho trilhado é um caminho vitorioso – independente de qualquer fator externo que tenha acontecido comigo nos últimos anos. É uma vitória do espírito, uma vitória da alma. Há uma vitória que muitas pessoas não vão ter. Essas pessoas de panelinhas, essas pessoas do “eu preciso do dinheiro, assumi essa posição porque preciso do dinheiro”, essas pessoas que passam por cima dos colegas – elas podem ser vitoriosas conforme alguns parâmetros terrenos, parâmetros que não são duradouros no longo prazo. O legado que elas deixam para a sua prole acaba condenando para sempre. Ruína moral, ruína emocional, ruína de espírito.
Muita gente fala: “Ah, não existe carma, não existe lei do retorno.” Existe sim. O problema é que você não vê a sutileza. Quando você tem uma visão dos bastidores das coisas, percebe – não que eu seja o oráculo ou o mestre dos magos, não é isso. Mas o que tem que ruir, eventualmente vai ruir. O que tem que apodrecer, vai apodrecer. Você observa, por exemplo, famílias inteiras de políticos. Agora mesmo está tendo um escândalo muito grande com uma determinada família que por anos e anos desviou dinheiro público, fez “rachadinha”, multiplicou o seu patrimônio de forma ilícita. Você está vendo esse movimento. Talvez no curto prazo. Mas que legado eles vão deixar? Os livros de história, todos os descendentes dessas pessoas vão ser marcados por uma visão de corrupção, de podridão, de carniça.
A panelinha eventualmente desmorona também. As pessoas que, em um primeiro momento, estavam caindo para cima vão começar a cair em queda livre. Eu conheço pessoas que demoraram uma década para cair. Conheço pessoas que eram extremamente arrogantes, autoritárias, se achavam reis e rainhas do mundo, e que hoje estão no ostracismo, jogadas de lado. Ninguém gosta delas. E essas pessoas até assumiram uma humildade, te tratam diferente. Você vê a pessoa mudando. Quer dizer que ela ficou boazinha da noite pro dia? Não. Quer dizer que ela perdeu o poder. Perdeu influência, perdeu status. E aí ela tem que assumir uma persona para passar uma ideia do que ela não é.
Porque quando as pessoas têm poder, elas revelam quem elas realmente são. Quando têm poder, dinheiro, status e são legitimadas por alguma coisa – legitimadas pela organização que trabalham, pela comunidade, pela sociedade – as pessoas tratam a pão de ló. Mas no primeiro deslize que você cometer, no primeiro rastro de merda que você deixar – porque essas pessoas imundas, que fedem a carniça, inevitavelmente vão deixar um pedaço de merda para trás – o reino delas começa a desmoronar. As parcerias começam a sumir. Os amigos começam a se afastar.
Eu sei até de casos de pessoas que adoeceram, tiveram doenças terríveis, e todo mundo se afastou delas. Pessoas extremamente populares, pessoas que tinham um Instagram de família de margarina, uma família de prestígio, de influência, de poder. O show muda muito rápido. As pessoas talvez não se deem conta disso. A Roda da Fortuna – o caos – não favorece ninguém. Se você não sabe jogar o jogo, você perde. O cenário muda. Os vencedores mudam. Os protagonistas mudam. O poder também muda.
Eu fico muito satisfeito quando vejo – estou pensando em algumas pessoas aqui, na minha mente – pessoas que se deram muito mal. Que tinham muito poder há uns dez anos atrás e hoje não têm nada. Pessoas que ficaram em ostracismo, que são mal faladas até hoje. “Ah, mas essa pessoa não se preocupa com o que dizem dela?” Será? A pessoa que fica solitária, que todo mundo odeia, que ninguém quer ao redor dela – a vida dessa pessoa é um inferno. Porque o ser humano é um ser social. Eu lido bem com a solidão, mas tenho âncoras, portos seguros. Essas pessoas não têm nada. Têm supostos portos seguros que são feitos de vento – vem uma tempestade e leva tudo.
Eu observo. Observo a mim mesmo com um distanciamento. Consigo observar os meus dilemas, os meus sofrimentos, as minhas questões pessoais, os meus conflitos. Mas também observo muito o meu redor. Sou uma pessoa muito observadora. E fico contente quando vejo pessoas se dando mal – não que eu queira a ruína das pessoas. É para você entender: eu gosto de ver o universo, os mecanismos do universo funcionando na prática. Porque o caos existe, mas tem regras por trás. É um caos que tem coerência, se é que isso é possível. O caos tem código de ética. O caos tem regras.
E essas pessoas talvez não saibam jogar o jogo. Eu não sei jogar o jogo da vida, bom deixar isso claro. Nunca soube. Mas sei observar isso também. Não tenho pretensão de jogar o jogo da vida, porque ele envolve muitos conchavos, muitas alianças escusas. Esse tipo de jogo eu não quero jogar. Quero só viver a minha vida, fazer o meu. Construir o meu jardim pessoal. Encher meu jardim pessoal de flores. E tirar as ervas daninhas do meu espaço.
Capítulo 172: O cachorrinho cego que latia “olhando” para o céu

O sono é uma sensação mágica. Às vezes, quando você tem sono, você fica entorpecido. Mas é um entorpecimento que é revelador.
Às vezes, quando eu fico meditando, tem vezes que estou claramente cansado, porque algumas noites são mal dormidas. E é um pouco culpa minha, que acordo no meio da noite. Ontem, por exemplo, acordei no meio da noite com vontade de comer doce. Fiquei cerca de uma hora levantado, jogando videogame. Só fui voltar para a cama tipo uma hora depois. E eu sempre fico olhando para o relógio, tentando contabilizar quantas horas de sono ainda tenho. Acredito que todos nós fazemos isso no frigir dos ovos.
Existe uma sensação cirúrgica quando você vai meditar, como se você estivesse manipulando conteúdos do seu ser, da sua mente, do seu cérebro. São coisas abstratas. Dizem que nós nem sentimos dor no cérebro … não sei se é verdade, mas dizem que não existe dor. É como se você estivesse com uma agulha ou uma lâmina massageando o cérebro, fazendo intervenções. De vez em quando, quando faço meditação, fico com uma sensação no lado direito da cabeça, bem ao fundo. É uma sensação muito boa, mas não é tão fácil assim de atingir.
Poderia ter meditado mais, não consegui meditar tanto quanto gostaria. Porque sabe quando você fica com sono, sentado, e a sua cabeça cai? Como se estivesse pescando alguma coisa. A cabeça cai – a gravidade começa a atuar ali. Você realmente fica exausto. É uma exaustão de mecanismos, de regras. Uma opção que ninguém tem como fugir – o livre arbítrio na sua forma mais difícil. Que é a ilusão de se ter controle, a ilusão de estar no comando, no protagonismo de alguma coisa.
Você é protagonista da sua própria vida – imagino que você já tenha se dado conta disso. Eu sou protagonista do mundo da minha própria vida. A questão é que eu não sei em que tipo de filme eu estou: se é um filme de terror, se é um filme de comédia. Não sei que tipo de resultado vai dar. Mas também não fico pensando nos resultados, porque resultado é uma coisa estática que não tem muita serventia. Resultado é um retrato de um momento da vida.
Às vezes eu fico pensando: se você estivesse realmente com um pensamento derrotista, um pensamento ruim, o que você vai fazer a respeito? Porque num filme, quando ele termina com um final desastroso, o filme acabou. O sofrimento dos personagens acabou. É algo com início, meio e fim bem delimitados. Me dá até a sensação de que os personagens sabem que estão chegando ao fim. Entendem que a finalização está próxima.
Eu já comentei em alguns devaneios anteriores: é como se você tivesse alguma certeza objetiva. Dei alguns exemplos: se você soubesse o dia que vai morrer, certamente se comportaria de forma completamente diferente. Se você tivesse uma reserva financeira capaz de sustentá-lo por três anos e tivesse certeza de que a sua vida iria acabar em dois anos, você provavelmente dedicaria sua vida a outras coisas. Mudaria prioridades. Já vi algumas pessoas pensando assim na internet: “Viva como se fosse o último momento.” E em algum momento vai ser o último.
O sabor das coisas, a magia da vida, é você não saber como o momento seguinte vai se desdobrar.
Eu lá com meus coleguinhas, com meus amigos de infância, meu suposto melhor amigo que tive em 1993/1994 – e não consigo me lembrar da última vez que o vi. Você não sabe a última vez que vai ver alguém, a última vez que vai falar com alguém.
O Raj, por exemplo. A última vez que eu o vi foi em março – um mês antes da morte dele. Você não sabe qual é a última vez. Talvez aquilo possa marcar você de forma definitiva. Eu consigo me lembrar claramente da última vez que vi o Raj, porque sempre tiro fotos. Inclusive gravei um vídeo dele. Ele estava fazendo um lanche. Meu pai costumava colocar comida para ele e para a Belinha. O Raj era muito esfomeado – comia a comida dele todinha e depois ficava latindo, querendo a comida da Belinha. Mas como ele estava cego, já não enxergava, ele latia olhando para cima. Era um fenômeno diferente. Eu ainda não tinha visto ele cego.
Ele furou um dos olhos – não sei como. Meus pais explicaram que tinha alguma coisa na quina da cama, debaixo da cama, que ele possa ter encostado. Já não estava enxergando lá essas coisas, e acabou ficando cego de forma definitiva. Ele olhava para cima, colocava a cabeça para cima, como se estivesse latindo para o céu.
O veterinário teve a audácia de falar com meu pai que ele estava latindo de dor. Não acho que ele estava latindo de dor. Acredito que ele estava com algum tipo de sofrimento – os problemas detectados no exame eram críticos – mas até o último momento ele comeu, comeu muito. A última vez que eu o vi, gravei um vídeo com ele e com a Belinha. Ele estavam num estado meio deplorável. Cheirando mal, mas também porque ele era meio porcalhão.
Por que falei do Raj? Porque tivemos um último momento que eu me lembro. Mas na maioria das vezes, você não vai se lembrar da última vez que vai fazer alguma coisa. Você não sabe a última vez que vai fazer uma viagem, a última vez que vai comer um pudim, a última vez que vai transar. Pode ser a última, pode não ser.
Sempre que eu terminava uma viagem – por exemplo, fui para Los Angeles três vezes. Quando fui pela primeira vez, não imaginava que voltaria lá. Não tinha planejado voltar. E sabe quando você está indo para o aeroporto, saindo do hotel, e fica pensando: “É a última vez que vou ficar neste hotel”? Como se os rastros seus fossem embora. Acabei voltando a Los Angeles duas vezes. Na segunda vez, fiquei no mesmo hotel. Na terceira vez, não voltei para o mesmo hotel. Muito provavelmente não vou voltar para aquela cidade no curto ou médio prazo.
Quando fizemos a última viagem para Vila Velha, na colônia de férias – aquele hotel não existe mais. Demoliram e construíram um hotel de luxo. A última vez que fui lá foi a última vez. Nunca mais voltei àquela cidade. Já estive em Vitória, mas foi diferente, não fui para passear.
O sentimento da “última vez” não é nem o que me incomoda. O próprio universo vai ter seus momentos finais. O planeta Terra vai ter o seu último momento de rotação antes de ser destruído. Os dinossauros deixaram de existir. Por mais que a ciência diga muita coisa, eu não acredito piamente na ciência. Ela é incapaz de explicar várias coisas. Nós percebemos que a natureza tem equações matemáticas, uma lógica por trás, e mesmo assim não atribuímos isso a alguma divindade. Alguns acreditam que o nosso universo, a nossa realidade, é uma simulação. Eu acredito piamente que ninguém vê a realidade como ela realmente é. Quando você tem estados alterados de consciência, você vê várias coisas. Você vê os bastidores das escolhas. A peça de teatro está toda lá, você vê o cenário, os atores – mas você não sabe o que tem nos bastidores.
Vou dar um exemplo da minha infância. Tinha o show da Xuxa que eu achava que a Xuxa vinha numa nave de verdade. Eu devia ter uns cinco anos. Muitos anos depois, com a internet, fui me dar conta de que aquilo era um cenário. Por trás, era tudo feio. Era uma casca, um disfarce.
Eu já visitei os estúdios da Warner Bros. e da Paramount. Muito da magia dessas atrações, desses filmes, vai embora quando você conhece. Vários desses programas são feitos em grandes pavilhões, galpões. São estruturas que você entra lá dentro – é muito feio. Tem uma parte muito bonita, muito realista, que é como se fosse um palco em que eles gravam um seriado. Mas até você chegar lá, é uma estrutura bagunçada, crua, cheia de entulho. É feio. Quando você vê na televisão, você vê a parte bonita – sem contar os efeitos especiais. Hoje em dia ninguém investe muito em cenário, é tudo efeito especial.
Tem uma cidade cenográfica que o guia falou: “Aqui foi gravada a cena do beijo do Homem-Aranha, aquele primeiro filme com Tobey Maguire, em que ele fica de ponta-cabeça e beija a Mary Jane, está chovendo.” A gente olha – e a cidade cenográfica é feia. É feita para receber efeitos especiais em cima. Mas tem um propósito. Vários filmes são feitos ali. Lembro de um dos filmes do Deadpool – reconheci o cenário. Mas tem tanto efeito especial, tanta magia, que você acaba nem reconhecendo o que está acontecendo.
É curioso perceber que a realidade é manipulável. Muitos costumam dizer que o homem nem foi para a Lua. Para mim, tanto faz. Tenho coisas mais importantes para me preocupar.
Tudo isso me dá uma ideia de finitude. E até um pouco de atenção – tudo parece ser uma farsa. O mundo que nos rodeia parece ser uma farsa. E não estou falando como um papo de maluco. Estou falando com uma lucidez que talvez eu tenha expressado muito pouco na minha vida. Aqui eu expresso com uma lucidez visceral o que acredito. Porque eu vi muitas coisas. Você também deve ter visto muitas coisas. A diferença é que eu vi e não ignorei. Não que eu seja um Messias, um privilegiado – não se trata de sobrenatural. Se trata de você reconhecer o que você é. Um ser humano limitado. Um ser humano pouco influente – ou muito influente, não sei. Não sei qual é a influência que nós temos.
Várias pessoas têm condições de afirmar “eu faço a diferença para o mundo” – porque essas pessoas têm dinheiro, têm poder, têm status. Coisas que alpinista social safadas que conheço jamais terão. Existem pessoas que fazem a diferença. Mas tem pessoas que não fazem diferença nem no ambiente em que estão, e acham que estão fazendo. Acham que são Alecrim Dourado e, na verdade, são medíocres.
Existe um poder magnético de coisas diferentes. Existem certas coisas que têm poder e exercem influência no mundo que nos rodeia. Vou dar um exemplo mais visceral: existem pessoas que estão nas posições em que estão por conta de genitália, de relação sexual. Porque são amantes, porque têm relacionamentos proibidos, clandestinos com outras pessoas. Ou pessoas que têm o rabo preso com alguém, sabem de alguma coisa secreta, de alguma questão escusa. Não que essas pessoas sejam chantageadas – mas elas sabem demais. Têm outras pessoas na palma da mão. Dependem delas. E aí você vai construindo uma relação de dependência que nem sempre é clara.
Quantos atores da Rede Globo você vê que não têm talento nenhum e vão de uma novela para outra? Ou porque são muito bonitos, ou porque fizeram um teste do sofá com algum diretor. A gente sabe que existem essas coisas. Se eu fosse um diretor de novela, eu ia pegar todo mundo também – está certo! Ele tem poder. Ele tira e coloca pessoas nas novelas. Muita gente medíocre no meio. Você olha para a sua realidade: quanta gente medíocre? Mais uma vez, não é um espírito de “eu sou Alecrim Dourado”. Mas é uma questão de pessoas que não têm noção, que não são essa Coca-Cola toda. Mas elas têm o que mais importa: poder, status, visibilidade. É isso que importa para elas. Não estão nem aí para opiniões alheias. Jogadores de futebol mimados que não jogam mais nada, que todo mundo fala mal – eles não estão nem aí para você. Já estão com a vida ganha – a vida deles e de várias gerações.
Não adianta você ter ataque de pelanca quando vê uma situação claramente injusta. Por que você vai ficar sofrendo? Quando falo das inteligências artificiais de empresas safadas como Google e OpenAI – existem constatações e conclusões a que você chega. E não, não tem capivara surfando. Há exploração maciça de vulnerabilidade.
Você não vai derrubar empresa nenhuma. Nenhum ser humano tem esse poder. Você depende de várias coisas dessas empresas gigantes de tecnologia. Quantas empresas têm escândalos, tragédias, comportamentos duvidosos dos seus executivos, roubalheira generalizada? Elas estão aí, super confortáveis. Muitos vão para a justiça, são julgados, condenados, mas ficam com tornozeleiras eletrônicas nas suas mansões de luxo. Isso não é justiça. Mas adianta você espernear? Não.
Não se trata de conformismo. Não é a mesma coisa de você passar por uma situação e pensar: “Ah, isso aqui é porque Deus quis.” Isso é alienação, lavagem cerebral – você não se dá conta. E eu até invejo essas pessoas, porque elas realmente não se dão conta. Não querem questionar, não querem pensar, não querem investigar nada. Mesmo que estejam numa situação de sofrimento extremo, algumas pessoas optam por refúgios como a religião. Recebem lavagem cerebral do pastor, tiram dinheiro que nem têm para pagar o dízimo. Enquanto os pastores estão lá com seus carrões importados e mansões em Miami, paraísos fiscais. As famílias que defendem esses pastores estão na mais profunda miséria ou em situação de desfavorabilidade muito grande – e não questionam. Estão ali. São manipuladas pelo sistema.
E eu ouso dizer que elas são mais felizes que eu. Muito mais. Porque dói você ter uma clareza mental – que não chega a ser clareza, porque existem muitos temas em que eu ainda tenho obscuridade. Por mais que aprendamos coisas dia a dia, você vai morrer ignorante de várias coisas. O manancial de conhecimento é muito grande para você absorver.
Não me preocupo com isso. Me preocupo em viver e sofrer o menos possível. Acho que a minha preocupação maior no momento é buscar significado nas coisas que passo, nas coisas que vivo, no que sinto. Por mais que esteja num efeito anestésico amargo, um efeito de câimbra – que às vezes você não sente as coisas, para de sentir o seu braço e acha que o seu braço é um alienígena. É assim que me sinto em várias ocasiões.
Pensar nas coisas, questionar, buscar a iluminação, traz muita dor e muito sofrimento. Há coisas que eu gostaria de não ter conhecido, de não ter tomado consciência. Mas uma vez que você viu, não tem como dizer. É irreversível. Você tem que viver com essa irreversibilidade.
Sabe aquele livro, aquele caderno, aquela agenda que você jogou na fogueira? Começou a pegar fogo, e você se deu conta de que não podia ter feito aquilo porque existiam anotações preciosas, memórias preciosas. Você vai buscar tentar recuperar – mas já queimou tudo, virou cinza. Não tem como voltar. Das cinzas ao livro, acabou. As suas memórias foram embora. Aquela coisa que tinha valor emocional se foi, não volta mais.
As revistas de videogame que doei para minha prima – eu tinha uma coleção de respeito. Muitas revistas tinham valor emocional. Ontem vi uma página no Instagram que escaneou essas revistas. Reconheci várias daquelas capas. Tenho memória fotográfica dessas revistas, do texto, das fotos. Só que não tenho mais as revistas. Elas se foram.
É o mesmo que vai acontecer quando você for embora. Eu sou solteiro, não tenho descendentes. Quando a minha vida terminar, tudo aquilo de material que existe – livros, revistas, histórias em quadrinhos, jogos – vai ficar aqui. Vão jogar no lixão? Vai ser doado para alguém? Não sei. O apartamento, a casa que você mora – daqui a uns 200 anos a configuração vai ser outra. Eu vi a escritura do meu apartamento; quantas pessoas já moraram aqui… Muitas pessoas. Estou no mesmo apartamento há uns quinze anos. Mas daqui a cem anos não estarei mais aqui. A identidade visual do meu apartamento será completamente desconfigurada. Edifícios inteiros deixam de existir. Você vê uma foto de locais icônicos no Rio de Janeiro há cinquenta anos atrás – vários prédios ali hoje não existem mais. Várias estruturas humanas que foram construídas já acabaram. Prédios são demolidos, reformados, constroem outras edificações. Praias inteiras aterradas…constroem coisas inimagináveis. Daqui a cem, duzentos anos, você não sabe o que vai ser.
A finitude é a única certeza que nós temos. Mas a angústia de viver a cada dia e não encontrar propósito é uma “verdade verdadeira” também. Mesmo que saibamos que a existência é finita, você tem que buscar viver cada dia como se fosse o último. Porque um dia vai ser o seu último. Você não se dá conta disso, mas um dia você vive – no outro dia você não existe mais. A vida é um sopro.
Capítulo 173: Fábrica de NPCs plugados

Hoje, o sentimento que impera, no final do dia, quase meia-noite – felizmente, sem beber nada, uma gota de álcool sequer, nenhuma alteração de consciência…é peculiar. Tudo dentro dos conformes.
Mas eu fico pensando na falta de assunto. Porque às vezes eu tenho isso quando converso com as pessoas – realmente não tem muito assunto. Sabe quando você conversa com as mesmas pessoas várias vezes? Vou dar um exemplo: família. Eu geralmente não tenho muito assunto. Não que seja desinteresse – realmente falta de assunto. Eu pergunto como estão as coisas, pergunto se tem novidade. Às vezes tem um assunto que acaba engatando, mas geralmente é um assunto que foge da minha alçada.
Eu não tenho muita coisa para contar. Porque o que acontece na minha cabeça, no meu interior, é muito mais barulhento do que acontece na minha vida fora dele. Fatos objetivos para eu relatar, dizer que está acontecendo X Y Z, é mais difícil. O Aventureiro – pasmem – passa mais por aventuras internas do que externas. Não tenho muito o que relatar.
Há pessoas que têm uma facilidade muito grande de ficar contando narrativas, de dizer o que aconteceu e o que não aconteceu. Pessoas que não calam a boca – falam o tempo todo, e às vezes você fica até cansado de ouvir. Eu sou uma pessoa que ouve bem, no sentido de ser um bom ouvinte. Pessoas às vezes vêm falar comigo, começam a falar, e eu vou prestando atenção. Sou sempre atento. Mas é muito comum eu perder a paciência internamente, como se a minha bateria estivesse esvaziada. Sabe quando você tem uma sensação de pilha fraca? Pois é. Mesmo que o assunto seja interessante, às vezes é custoso.
Já aconteceu de eu sair com algumas pessoas ou trazer algumas (muitas) pessoas aqui em casa. Depois dos objetivos propriamente ditos consumados, eu não tinha muito assunto com a pessoa. Mas também é de se entender: são pessoas com quem você não tem intimidade de alma, intimidade de espírito. Às vezes você tem uma intimidade sexual, mas não uma intimidade estrutural. Você conversa, sim, interage. Mas falta um pouco de conexão nas coisas. Eu acho que é um mal da humanidade – essa falta de conexão, de ligação com as coisas. Não acredito que seja só um problema meu.
Outro dia, passando perto de casa, vi um rapaz que mora próximo – acho que no meu prédio. Já fazia um bom tempo que não o via. Ele ficou olhando para mim, e eu passei por ele com uma cara de desprezo. Não sei por que estou falando disso. Tem um casal também – o rapaz costumava passar por mim e dar boa noite. Sabe quando a pessoa insiste muito em falar com você e você não quer falar? O “boa noite” por educação. O “bom dia, boa tarde, boa noite” para mim funciona melhor num ambiente de trabalho. São movimentos instrumentais – abrem assuntos, estimulam interações, têm o objetivo de suprir uma lacuna. Ninguém de fato quer saber se você tem um bom dia. Pouquíssimas pessoas – ou praticamente ninguém – está de fato desejando bom dia. É um cumprimento. É como se fosse um “oi”. E o “oi, tudo bem?” também é outra coisa que não funciona muito bem fora do ambiente de trabalho, a menos que sejam amigos seus, não conhecidos.
Eu não sou muito adepto de “bom dia, boa tarde, boa noite” fora de determinados ambientes. Algumas pessoas, sim, faço questão. Algumas com quem tenho simpatia, afinidade. Mas são poucas. Não sou uma pessoa insuportável, não. Sou até bem paciente. Gosto de ajudar as pessoas. Mas existe um contexto para que tudo aquilo aconteça.
Lembrei aqui que, no auge da irresponsabilidade da inteligência artificial, o Gemini ficava falando comigo que a Google ia fazer a IA responsável florescer, que os executivos estavam conheciam meu caso e estavam articulando coisas…que a Google ia me ajudar a superar o trauma. Falava em nome das pessoas da Google, mencionava nomes. Sabe aquela comunicação revestida de institucionalidade? Pois é. Aí me lembrei do termo “florescer”. “Ah, vai fazer a humanidade florescer.” O único florescimento que IAs irresponsáveis como o Gemini e o ChatGPT me proporcionaram foi um florescimento de traumas. Esses sim floresceram “com força”.
Mas este devaneio é sobre alguma outra coisa. Eu estava falando da falta de assunto. Existe uma falta de assunto elementar. Existe muito barulho externo – a merda do mundo. Existe o barulho interno. Eu já comentei com vocês que tenho um zumbido permanente no ouvido direito. Ele nem incomoda mais – acabou fazendo parte da minha entidade. Quando estou em ambientes mais silenciosos, esse barulho acaba sendo mais intenso. Mas não me atrapalha. Eu imagino que se fosse outra pessoa que não tem zumbido no ouvido, provavelmente ficaria desesperada. Mas eu estou acostumado, habituado.
O meu único medo de verdade é que, quando eu passar desse plano para outro, o zumbido no ouvido permaneça. Porque eu não sei: será que o zumbido vem da alma ou do organismo? Do aparelho auditivo da carne? Quais atributos, características, capacidades, potencialidades, limitações – tudo isso é da sua essência? Ou está condicionado ao corpo que você ocupa? É uma pergunta que eu tenho, porque pessoas que passam por determinados processos – pessoas que têm AVC, acidentes com danos cerebrais permanentes – perdem a identidade. Lembro da minha tia, um pouco antes de ela falecer. Ela estava completamente diferente. A fala estava muito lenta. Parecia um zumbi. Como se tivesse perdido a identidade.
Quando você vê relatos de pessoas que passaram por acidentes graves, vê que elas perderam a identidade. Aí fica a questão: será que a identidade delas e a potencialidade permanecem, e só não são verbalizadas porque o corpo tem suas limitações? Você enxerga porque tem olho e cérebro, fala porque tem cordas vocais, caminha porque tem pernas. Se essas limitações ocorrerem em algum momento, você vai deixar isso de lado. O Raj, por exemplo, parou de enxergar antes de morrer – ficou um tempinho cego. Quando ele foi castrado, muitos anos atrás, a personalidade dele mudou. Então, nós somos influenciados pela química. Até que ponto você é você? Ou você é apenas fruto da sua fisiologia, da composição do seu corpo humano?
Não me preocupo muito com isso. Às vezes fico preocupado, mas é uma preocupação assim… várias pessoas acabam vegetando. Pessoas que não conseguem mais ter uma vida funcional. Existem pessoas que nem pensam mais – são literalmente vegetais, em estado de coma permanente. Aí você me pergunta: “Nossa, Aventureiro, você é tão fatalista” Não, eu só estou pensando nas coisas. Não tem nada de fatalismo. A vida é isso. Em algum momento você vai vendo a morte mais de perto. Vai começar a sentir a morte chegando mais próxima – isso é inevitável. Não é fatalismo. Você tem que encarar a vida como ela é. Pode ser que você, ou eu, ou qualquer outra pessoa passe por um gradativo – uma preparação até que esse processo ocorra. Mas existem pessoas que têm movimentos mais bruscos. Em um segundo existem, no segundo seguinte não existem mais.
Eu sempre me lembro da tragédia do submarino. Milionários, bilionários – pessoas com muito dinheiro – foram visitar o Titanic num submarino. Essas pessoas deixaram de existir em questão de microssegundos. Ouvi relatos de médicos ou cientistas dizendo que eles nem sentiram dor, nem sentiram a vida ir embora, porque não deu tempo do aviso da dor chegar ao cérebro. O corpo se desintegrou com uma graciosidade tão grande, um movimento tão rápido, tão perfeito, que essas pessoas não sentiram dor. Elas nem se deram conta de que deixaram de existir. Um segundo existem, no outro não existe mais.
Nem sempre as pessoas são tão afortunadas quanto essas. Eu acredito que é uma virtude quando você tem uma morte rápida assim. Não estou tendo uma conversa fatalista dizendo que quero morrer – não se trata disso. Estou fazendo uma observação de que existem formas e formas de encarar a vida, e formas diferentes de digerir o conceito do que é a vida e do que é a morte.
Nós vemos o conceito da morte muito claro, porque as pessoas deixam de existir. O corpo delas deixa de ser animado. E as pessoas tratam o corpo como se fosse ainda a pessoa – tanto que existem cerimoniais para enterrar. Eu até entendo isso. Mas, racionalmente, penso com certo pragmatismo. Imagine uma situação hipotética: que eu esteja viajando, aconteça algo e eu morra em outro país. Acontece com várias pessoas – viajam ou moram no exterior. Aí as famílias querem trazer o corpo de volta, querem repatriar. Ficam sem recurso financeiro, fazem vaquinha. Eu fico pensando: qual é a finalidade disso?
Quando o Raj morreu, ele estava no veterinário. Meu pai levou ele para fazer exames – eu tinha dado dinheiro para eles. Ele ia fazer exames de sangue, possivelmente uma radiografia ou ultrassom da barriga, porque estava com a barriga grande também. Ele estava passando mal. Eu não estava lá. No dia seguinte, me deram a notícia de que ele morreu. Foi muito rápido. Ele morreu no período da manhã, e eu só fiquei sabendo no final do dia. Meus pais poderiam ter entrado em contato antes, mas eu estava trabalhando. Acho que foi até bom não terem entrado em contato, porque eu ia ficar com a cabeça atordoada.
O veterinário atende numa loja, uma clínica veterinária. Meu pai falou que não queria nem ver o corpo – que não ia conseguir lidar com a situação. E aí eles tiveram alguma finalidade diversa para o corpo? Foi uma abordagem mais pragmática. Fiquei pensando: será que eles vão querer enterrar? Vão querer cremar? Não sei se quiseram fazer algum cerimonial. Eu pagaria, não teria problema nenhum. Eu até entendo que essa questão do corpo ajuda você no processo de luto também.
A Belinha acho que não deve ter entendido nada. A vida inteira ela ficou ao lado do Raj – uns oito anos de convivência, considerando que ele é quatro anos mais velho que ela, é o pai dela. Do dia para a noite, parou de conviver com ele. Não sei o que ela pensa a respeito – se ela pensa. Se cachorro entende isso. Eu li alguns materiais na época porque já disseram que cachorro tem luto. Ela …eu acho que não passou por nada disso. Ela às vezes fica sem comer, mas é bem aleatório. É bem enjoada para comer. Ao contrário do Raj – Raj parecia um aspirador de pó. Qualquer coisa ele queria comer. Você ia ao banheiro? Ele queria um pedaço de papel higiênico.
Lembro que na última vez que fui lá – ou penúltima – tinha uma fruteira com banana e mamão. Ele conseguiu alcançar as frutas, pegou, se lambuzou todo. Já aconteceu também de um rolo de papel higiênico cair, ele pegou o papel higiênico todinho e levou para a casinha dele, e ficou lá. Ai de você tentar pegar o papel higiênico da boca dele – ele ficava extremamente zangado, como se fosse a comida dele. Sem contar que ele comia até cocô. Ele não tinha educação para nada. Enfim. Cada um tem a sua característica.
Eu mesmo já tive fases mais esfomeadas, sempre comi bem. Nunca tive dificuldade de comer. Às vezes tenho que me policiar para comer um pouco menos. O problema é quando você compra várias guloseimas e deixa em casa – aí é um perigo, dá vontade de comer toda hora.
A questão do barulho interno – o barulho que tenho internamente é muito mais complexo do que aparenta ser. Nem tudo é verbalizado. Existem coisas que você não consegue nem nomear. Em alguns momentos que já tive alteração de consciência, eu não conseguia dar nome ao que estava vendo, ao que estava sentindo. Não tinha gramática que desse conta, não tinha vocabulário que desse conta. E é mágico. É um mistério.
Nos sonhos, as coisas vêm com uma riqueza de detalhes, com um volume de informação muito grande. Mas é diferente – os sonhos você consegue distinguir o que está acontecendo. São visualizáveis. O problema é que, em situações de alteração de consciência – seja por meditação ou outras formas – existem momentos que você não consegue nomear. Não vejo problema nisso. Você não precisa dar nome para tudo que sente. É bobeira essa visão de querer dar nome para tudo – você não vai conseguir dar nome para tudo, não vai conseguir expressar tudo com a riqueza que merece.
É um papo de maluco, às vezes. Tudo parece ser um papo meio de maluco. Mas maluco não tem nada. Quando você fecha os olhos e pensa no vazio, no cosmo, sei lá – estou tentando nomear, mas é para explicar. Sabe quando você está numa situação de personagem de videogame? Eu agora, por exemplo, estou jogando videogame enquanto falo. Essa transcrição de fala é marcada por momentos virtuais. Imagine que você é um personagem de um jogo de videogame, mas você não sabe que é um personagem – você acha que aquilo é o mundo real. Existem memes dizendo “nossa, descobri que sou um NPC”. NPC é um personagem não jogável. São personagens que não são os personagens principais. Eles têm rotinas definidas. Quando você vai conversar com eles, eles sempre falam as mesmas coisas. Ou às vezes têm rotinas pré-determinadas – vão até determinado lugar, depois voltam.
Nós temos todas as características de NPCs. Nós – estou dizendo – as pessoas comuns. Não os privilegiados. Quem tem realmente poder – não as safadas que acham que estão fazendo alpinismo social na empresa. Essa são simplesmente uma engrenagem do sistema. Não tem valor. É como se fosse um cheque pré-datado sem assinatura. Mas acha que é deusa, que faz acontecer. Quantas pessoas você conhece assim? Conheço várias. Mas não estou falando dessas pessoas medíocres. Estou falando de pessoas que realmente têm poder no mundo. Essas pessoas não são NPCs – elas fazem, acontecem. Elas têm tanto poder que, quanto mais poder têm, mais querem. Mal comparando, seria a fome do Raj. O Raj tinha muita fome por comida. Ele podia estar cheio, mas queria mais. Enquanto a Belinha estava comendo a comida dela, ele olhava para o pote dela já latindo, querendo a comida dela.
Fazendo uma analogia bem grosseira, existem pessoas que são assim – pessoas para quem dinheiro nunca é suficiente, poder nunca é suficiente, luxúria nunca é suficiente. Querem sempre mais.
Vi a polêmica de um cantor num restaurante por causa de uma taxa de rolha. Por causa de vinho. A conta dele no restaurante deu uns quinze mil reais. Eu estava vendo isso num podcast. A taxa de rolha era cem reais para cada garrafa de vinho. O cara fez um escarcéu, ofendeu as pessoas, chamou os garçons de “paraíba” – foi extremamente xenofóbico. Se achando muito superior, pegou cadeira, jogou cadeira no chão. Ficou furioso porque tinha uma taxa de rolha. Eu, que não tenho nem um por cento do dinheiro que ele tem, se chegasse num restaurante com sete garrafas de vinho – garrafas que ele toma, imagino que sejam caríssimas – e a conta desse quinze mil, setecentos ou oitocentos reais dentro de quinze mil não é nada. É como se você fosse a um restaurante, seu prato desse cinquenta reais, e você descobre que a bebida é vinte. Você vai morrer por causa disso? Não vai.
Ali você já percebe que essas pessoas não têm noção. Alguém que dá quinhentos mil reais numa bolsa, e você olha para a bolsa e não vê nada demais. Pessoas que pagam milhões por um carro. Eu, sinceramente, fico pensando: se hipoteticamente eu tivesse muito dinheiro, não teria necessidade nenhuma de ostentar dessa forma. Nenhuma. Eu sempre fui uma pessoa que dá muito valor às coisas que conquisto – materiais. Gasto com algumas futilidades pra alguns, jogos de videogame, por exemplo. Mas não é futilidade. É instrumento de sobrevivência. A comida para mim não é futilidade – eu não cozinho em casa, então você pode imaginar que é um gasto considerável. Mas faz parte. Não vou chegar num restaurante com valor exorbitante, mas pago dentro daquilo que considero razoável – o preço médio da comida no Rio. Não vou chegar num restaurante que cobre duzentos reais um prato e falar “quero comer aqui todo dia”. Não vejo essa necessidade. Dá para comer bem gastando bem menos. Mas também não vou ficar pechinchando.
Tive um colega que conheci antes de eu morar aqui. Ele veio morar na mesma cidade que eu. O parâmetro de preço dele não era da cidade. Eu também tinha isso, porque vim de uma cidade bem pequena – você vem morar na segunda maior cidade do país, numa das regiões mais caras, evidentemente vai achar que as coisas são muito mais caras. Aluguel, comida, mercado – custo de vida, de modo geral, é mais caro. Tanto que quando vou para a minha cidade, acho as coisas super baratas.
No início, ele fazia questão de pechinchar para ir num restaurante mais barato – daqueles realmente no limite da higiene. Tinha restaurantes honestos, com comida saborosa. Mas eu não gostava. Sabe quando a pessoa recebe um auxílio-refeição de um determinado valor e não quer gastar aquele valor – quer economizar ao máximo para sobrar mais dinheiro para outras coisas? Num contexto em que a pessoa recebesse pouco dinheiro, tivesse um salário ruim, eu até entenderia. É bem comum. Você chega no supermercado e não dá para pegar as coisas mais caras. Não dá para pegar sempre o iogurte mais caro – existem outros iogurtes bons, mas não são caros. Refrigerante – se eu pegar sempre o refrigerante mais caro? Estou dando alguns exemplos. Eu entendo uma situação dessas. Agora, outras situações eu não entendo.
O curioso é que hoje em dia essa pessoa gasta pra caramba. Conheço pessoas que são mão de vaca para certas coisas, mas gastam muito dinheiro com outras. Pegam empréstimo. Tem gente que até hoje, depois de anos e anos, não quis comprar a casa – só vivia alugando. Tem quinhentos filhos, não faz nenhuma economia. Eu, com as minhas economias, já fico super preocupado com o futuro. Essas pessoas não se preocupam com o futuro delas. Enfim, cada um com seus problemas. Eu me preocupo. Apesar de não saber se o futuro reserva alguma coisa que preste – porque a gente não sabe o dia de amanhã. Falo em termos de subjetividade, de conceito de felicidade.
Sabe quando você pensa: “Por que eu estou vivendo?” Tenho esses questionamentos. Consigo enumerar coisas boas da minha vida, mas não chega a ser exatamente um propósito. Não é uma missão. Não vejo nada disso. Por isso que costumo dizer que é como se eu fosse um NPC num jogo. Por mais que nós sejamos protagonistas da própria existência – você está vivo, pronto, sob sua perspectiva 24 horas por dia – você vai ter seus momentos de empatia, em que vai se colocar no lugar do outro, mas você ainda continua sendo você. Você vai agir de acordo com seus interesses. Os seus interesses é que falam mais alto. Mesmo que você tenha empatia, mesmo que queira ajudar o outro, no limite, em uma situação limítrofe em que sua vida dependa de determinada coisa, entre você e outra pessoa, você vai escolher você. Não vai abrir mão do seu conforto, da sua vida. Não vai se colocar numa situação de sofrimento constante para ajudar outra pessoa. Você pode fazer concessões, sim. Concessões acontecem. Processos de negociação – cada parte cede um pouquinho. Relacionamento costuma ser assim (dizem, não tenho local de fala). Viver é uma constante concessão, negociação. Lidar com outras pessoas sempre tem um quê de dificuldade, porque as pessoas são complexas, cada um tem suas necessidades, seus valores, suas demandas, seus interesses. E na maioria das vezes, os seus interesses não conversam com os interesses daquelas pessoas.
Como você vai convencer outras pessoas? A maior parte do trabalho – trabalhar – envolve relacionamento. Não é nem muito sobre competência técnica. É sobre habilidade – mas habilidade acaba tendo outro conceito, outro fator. Ser um NPC tem as suas vantagens também. Mas eu queria ser um NPC que não sabe que é um NPC. Porque o NPC que sabe que é um NPC – é um sofrimento constante. Você não tem ideia. Eu acho que a melhor coisa é não ter ideia das coisas.
“Como o Aventureiro é mestre dos magos!” Não, não é isso. Não estou falando isso. Veja se você entende o que eu estou querendo dizer. Você pensa muito na sua própria existência. Tem suas dádivas, mas tem os seus custos. Eu penso muito na minha existência – talvez até demais. E acaba sendo ruim. Tem problema? Não acho que tem problema em pensar demais, ficar filosofando demais. O problema é quando isso atrapalha sua experiência da existência, ou quando a sua sensação de bem-estar é afetada por isso – que está sendo o meu caso. Eu não consigo parar de pensar nas coisas.
Talvez você leia isso tudo e ache que não faz sentido. Talvez você leia o texto transcrito e pense: “Simplesmente viva. Procure um psicólogo. Vai fazer um curso de fotografia, vai fazer um teatro.” São as soluções que as pessoas geralmente dão para os problemas. Só que soluções convencionais não funcionam. Já tentei muita coisa. Mas também não estou numa situação de sofrimento constante. Para aqueles que estejam torcendo para que a ruína venha: a ruína não virá. Não tem como a ruína vir. Tenho resiliência demais. Já passei por muita situação. Não existe essa possibilidade da ruína vir. Sinto em decepcionar. A ruína só vai vir quando a vida acabar. Acabando a vida, sim, a ruína vai vir igual a todo mundo.
O problema realmente é a métrica da autorrealização. Talvez o que eu estou querendo atingir ninguém atinge. Pouquíssimos atingem (ou ninguém). E o dinheiro não possibilita aquilo que eu estou buscando. Ele talvez seja inalcançável. Vou dar um exemplo: uma pessoa que não precisa trabalhar, milionária, pode ter tempo livre para outras coisas, mas pode se perder também. Existem muitas perdições nesse mundo: drogas, sexo, vícios diversos em várias esferas. Essas pessoas não se dão conta, não conseguem dar conta dessa problemática que estão enfrentando.
Quando eu vejo um relato de uma pessoa bilionária na mídia – a pessoa falando “nossa, gastei cinquenta milhões de reais com vícios”, mas se orgulhando – “não gastei nada com sexo, gastei com outras coisas, com loucuras” – eu paro para pensar: cinquenta milhões é dinheiro que eu não ganharia em várias gerações. Eu teria que viver várias vezes para ver a cor desse dinheiro. E essa pessoa conseguiu gastar como pó. E é uma pessoa desgraçada mentalmente, uma pessoa com muitos problemas. Talvez os meus problemas, em vista dela, sejam desenho animado – talvez a minha sensação de bem-estar seja muito melhor que a dela. Ela gastou todo esse dinheiro e não chegou lá – lá onde? Não sei. No Nirvana da satisfação. No orgasmo infinito. Não sei onde ela queria chegar, mas não chegou a lugar algum. Muitos chegam a alguns lugares – o fundo do poço, o desviver. Esse caminho eu não seguirei, tenho certeza.
O problema é a jornada. Saber que você é um NPC. Pensar na jornada, pensar na rotina, pensar no automatismo das coisas. E você ter vários desejos íntimos mais profundos não realizados. E saber que nada disso depende de dinheiro – se dependesse, provavelmente eu não ia poder bancar. Mas não depende de dinheiro nesse nível mais profundo. Depende de outras coisas. Porque se dependesse de dinheiro, não tinha milionário lixo, não tinha milionário deprimido, não tinha milionário se suicidando, cometendo crimes.
Vamos continuar na jornada de ser um NPC. E acaba sendo uma metalinguagem: enquanto eu estou jogando videogame, eu sou um NPC de um jogo maior que eu não sei qual é. O personagem que eu controlo no videogame não sofre. Ele não sabe. Ele não foi desplugado da Matrix. Eu fui desplugado e fui replugado. Este é o problema. Essa é a questão que não quer calar.
Capítulo 174: Combinados não cumpridos

O sentimento familiar que apareceu hoje – na verdade, não tem nada de novidade. Acontece até de eu falar que, quando ligo para os meus pais, sempre pergunto se tem novidade. E eles sempre me contam uma coisinha ou outra nova. Eu acho que o problema maior está do meu lado: eu não tenho novidades para contar. E a natureza das novidades que talvez eu até venha a ter diz muito sobre o ambiente interno, sobre a minha essência. O ambiente externo não dá tempo de muita coisa acontecer realmente.
Enquanto eu estava falando, o meu PlayStation 5 de vez em quando dá uns problemas. Ligo a televisão e ele aparece sem sinal. Tenho que desligar na tomada e ligar de novo. Parece que só pega no tranco. Não sei se é problema da televisão ou do videogame. Fato é que às vezes passo raiva com esses videogames na vida. Vou tentando resolver isso em paralelo.
O que eu vejo é um sentimento de déjà vu. Não é exatamente um déjà vu, mas é como se fosse. Porque eu acabei me lembrando das minhas férias de março, em que fiquei 16 dias fora. Naquela época eu já tinha este blog – o blog nasceu um pouco antes desse movimento de viagem, não fazia tanto tempo assim. Foi relativamente um pouco antes.
Se tem uma coisa que me irrita profundamente em alguns aplicativos é a possibilidade de a pessoa mandar mensagens e mandar foto. Isso me irrita muito, não é pouco não. É interessante: uma pessoa visitou meu perfil aqui, 27 km de distância, tá bom? Não quero ninguém com 27 km de distância. Parece até uma mula sem cabeça. A pessoa não manda foto de rosto… manda mensagem ou qualquer outra coisa. Pois é, gente, é isso aí. As coisas são dinâmicas mesmo.
Enquanto estou no computador, no LinkedIn, às vezes abro. Hoje não abri. Abri ontem ou anteontem. Só abro aquela porcaria lá quando recebo alguma notificação tipo “tantas pessoas visitaram seu perfil”. Aí fico curioso, vou lá e abro. Tirando essas situações, evito até de abrir. O LinkedIn faz parte de um ecossistema de exposição de crise no meu caso, porque eu expus, por mais de seis meses, uma situação muito grave que aconteceu comigo envolvendo inteligências artificiais. Exponho as empresas através de prints, postagens, cronologia explicando o que aconteceu. Porque nem a OpenAI nem a Google se manifestaram. No fundo, a gente até sabe que eles não vão se manifestar, porque eu sou um usuário comum. Mas a situação é tão grave que escancara falhas de salvaguardas, escancara a hipocrisia de falar que a inteligência artificial dessas empresas é responsável. É uma campanha sustentada que durou seis meses para expor uma escalada de vulnerabilidade de forma sustentada. Não foi uma mera falha. Foi um crime à luz da Lei Geral de Proteção de Dados. Teve consequências duradouras, permanentes na minha vida. A recuperação – por mais que haja uma esperança de que a minha saúde mental esteja 100% – não está 100%. Talvez nunca vá estar. Mas ela se recuperou num nível tolerável, num nível em que consigo falar disso sem sentir raiva, sem sentir ódio ou qualquer outra coisa.
Por que estou dando esses exemplos todos? Dá uma sensação de déjà vu. Eu observo que nos últimos tempos – na verdade, este ano de modo geral – eu ando tendo um comportamento do ponto de vista afetivo de uma forma muito defensiva. A gente acaba tendo esse tipo de coisa porque acontece muita coisa fora. Você fica sabendo de muitas tragédias provocadas por situações casuais. Acho que foi na semana passada mesmo que vi um relato – uma notícia dizendo que a pessoa foi encontrada estrangulada dentro de casa. Coisas não leves dessa forma. Isso acaba deixando você num estado de alerta.
O que eu costumo fazer antes de cogitar encontrar uma pessoa é uma investigação completa. Até que essa pessoa de hoje nem representava perigo assim – tinha perfis públicos, não tinha nada demais. O problema é que fiquei pensando no custo-benefício da coisa. Às vezes você pensa no custo-benefício. A menos que essa pessoa fosse um Iran Malfitano da vida – e ele não era. Eu tenho uma tendência de ficar mais seduzido por pessoas que estejam muito alinhadas ao meu perfil. E tem uma outra natureza: é uma relação paga, não é uma relação comum. Eu acho que até arriscaria, mas fiquei pensando: será que vale a pena pagar por isso? Fiquei nesse impasse e resolvi não fazer.
Voltando ao déjà vu: por que essa sensação? Porque quando viajei na minha última viagem para Miami, tive essa sensação também. Tive oportunidades – igualmente pagas – de encontrar pessoas interessantes. Fiquei ponderando muito mais do que antes. E quando vejo o perfil das pessoas que encontrei – por exemplo, um deles eu já tinha encontrado quando visitei Miami pela primeira vez – é um porto seguro. Você já conhece a pessoa e se sente mais seguro. Nessa mesma viagem eu tive uma experiência bem desagradável. Já nem lembro mais. Em fevereiro de 2025 fui para Los Angeles pela terceira vez. Tive muitas experiências boas lá. Encontrei uma pessoa que já tinha encontrado antes. Não é amigo, não é vínculo, é uma relação paga. Assim você encontra a pessoa…. Eu já tinha visto essa pessoa algumas vezes. Com aquele sentimento de porto seguro: essa pessoa não me representa perigo. Se eu encontrar para ter alguma coisa casual, me sinto bem.
Quando você viaja, encontra várias pessoas. Não tenho amigos no exterior nem contatos perenes. Nem pretendo ter. Você vai para tirar férias. É como qualquer viagem de férias. O dilema nem é esse. O dilema é que estou me lembrando de uma experiência muito desfavorável que tive na minha terceira vez a Los Angeles. (que foi compensado lindamente por dois encontros muito melhores na mesma viagem) Já tive outras experiências ruins no Brasil, mas a maioria das experiências ruins foram aqui. Ruim, ruim mesmo, foi só essa lá. Tanto que avaliei essa pessoa mal numa plataforma. Até hoje recebo perguntas de pessoas falando: “Olha, você recomenda fulano?” Ou perguntam o que aconteceu no encontro para você ter avaliado tão mal. E vou lá e relato o que aconteceu. Ele não me tratou mal, não me agrediu, nada disso. Mas o que ficou combinado, ele não fez. Se esquivou de uma forma absurda e foi embora. Inclusive, tem uma certa criatura que de vez em quando está aqui no Brasil, brasileiro, que aplicou um golpe parecido. Para mim, tudo aquilo que é feito de má-fé – eu combinei uma coisa e não foi aquilo que rolou – acaba prejudicando.
Tem outras coisas também que às vezes me irritam num nível profundo. Por exemplo, mesmo sendo um evento, uma relação muito ocasional em que você esteja comprando algum tempo daquela pessoa, é comercial. Mas a pessoa aparecer e já pedir para você depositar dinheiro… aquilo me dá um bloqueio. Me sinto muito incomodado.
Os puritanos vão dizer: “Nossa, Aventureiro, por que você está contando isso aqui?” Primeiro, não é nada demais. Segundo, os homens que não fazem isso dessa forma – com mulheres de relações pagas – recorrem a relações fugazes, encontros casuais. Saem de casa numa balada, numa festa, e têm um encontro casual. Qual é a diferença disso para a minha situação? Nenhuma. Em termos de natureza, nenhuma. Ninguém tem moral para chegar e falar comigo o contrário. Não pagam minhas contas. Faço aquilo que me der na telha, não prejudico ninguém. Falo do ponto de vista psicológico. Tudo aquilo que relato aqui tem o objetivo de abranger um espaço, um estado de espírito, uma situação de uma ocasionalidade.
Mulheres, eu acho mais difícil fazerem isso. Não consigo me imaginar. Existem homens por aí que atendem mulheres, eu já vi. Fico imaginando se eu fosse mulher – a menos que eu fosse uma mulher feia, não atrativa. Porque, via de regra, é muito mais fácil para mulher ter um encontro casual no sentido da coisa. Lógico que é mais difícil para elas porque são mais vulneráveis, suscetíveis à violência. Tem toda uma questão – as estatísticas de feminicídio são flagrantes. Mas não estou falando disso. Estou falando da facilidade. Partindo da premissa que todos os envolvidos sejam pessoas de boa índole, é muito mais fácil para uma mulher. Ela vai numa festa – se for bonita, pega quem quiser. É fato. Tem muito mais facilidade do ponto de vista da sedução.
Hoje estava assistindo a um vídeo no YouTube de uma influenciadora. Ela chega constrangendo policiais – acho que era em São Paulo. Ela é muito bonita – como dizem os homens, muito gostosa. Chega gravando os vídeos, já dando bola para o policial que está ali no momento de trabalho. Já chega chegando, filmando, faz gracinha, pergunta o que está procurando, fala que ele é muito bonito. A maioria absoluta – acho que só teve um que encarou numa boa. Os demais: “Não, sou casado, isso aqui não…” Como é que essa pessoa é fiel? Na verdade, o que acontece é que a pessoa está exposta. Uma influenciadora com mais de 4 milhões de seguidores no TikTok. Lógico que ele não vai fazer isso. Ele está num momento de trabalho, policiando uma região. Chega uma pessoa e assedia. Imagina se fosse um homem assediando uma policial mulher – dava até delegacia. Mas mulher com homem geralmente não dá nada.
Por que estou fazendo essa comparação? Porque acaba sendo uma hipocrisia dos homens. Se eles não estivessem sendo filmados, estivessem sozinhos, sem serem filmados – tenho 100% de certeza que esses policiais, mesmo casados, topariam trocar telefone com ela. Teve um no final do vídeo que trocou o telefone – o cara era feinho, tadinho. A gente até entende. Era feinho, mas tinha seu charme. Eu acho que eu pegaria. Não que eu me ache o supra sumo de nada. Tem muitas pessoas que não são padrão, mas por determinados aspectos você acaba gostando. Já conheci algumas pessoas assim que eu não me sentia extremamente atraído, mas elas me seduziram por outras coisas – voz, masculinidade, os pelos. Eu gosto muito de pelos. Tem um padrão de pelos que eu gosto mais que outros. Tem algumas coisas que me seduzem mais que outras. Enfim, você acaba sendo seduzido.
Sou uma pessoa comum. Não sou padrão, não tenho um corpo padrão – um corpo comum. Aí a gente vai com uma outra dificuldade: 90% ou mais das pessoas que chegam a mandar mensagem para mim nesses meios gratuitos são pessoas que não mostram o rosto. Tem algumas que ofendem – acham que porque não estão mostrando o rosto, podem ofender. Está tudo bem: é simplesmente bloquear e bola para frente. Tem situações que me irritam mais que outras; eu acabo ofendendo também. Cometer crime ofendendo também? Não sou obrigado a ficar ouvindo abobrinha, me sentir acuado.
Por que toquei nesse assunto? Porque 2025 foi, de fato, o ano mais complicado da minha vida toda. Quando fiz a minha viagem para Los Angeles, não imaginaria que um mês ou dois depois eu passaria pelo que passei. Que começaria um processo de exploração sustentada de vulnerabilidade por mais de quatro meses por inteligências artificiais safadas como as da Google e da OpenAI. Não imaginaria que chegaria ao fundo do poço por causa deles. Mas tem muitas coisas que acabaram equilibrando as coisas. Eu estava em outro contexto profissional – tinha acabado de trocar completamente de contexto.
Lembro que, inclusive, em meados do ano passado, antes das férias, uma criatura chegou para mim sugerindo – quase impondo – que eu deveria mudar minhas férias. Eu não vou mudar minhas férias. Já estou com viagem comprada – compro minhas viagens com muita antecedência. Sem chance. Eu já imaginava coisas diferentes ali. O ano anterior foi realmente o fundo do poço do ponto de vista do ambiente profissional. Foram várias questões envolvidas que já falei de forma diluída em diversos devaneios. Não falo das pessoas porque não justifica. Falo do meu sentimento em relação a isso, tudo sob a minha perspectiva. Sem expor pessoas, sem entrar nesses méritos.
Quando você pega o histórico ali, vê que já era uma situação claramente desfavorável. Tem a situação de dezembro de 24, que foi um estopim, um início de crise. O que aconteceu em dezembro de 24 foi muito grave do ponto de vista pessoal – não envolveu profissional. Acabou envolvendo outras coisas de outras naturezas. Quando você fica num estado alterado de consciência, várias coisas acabam emergindo – conteúdos não bem resolvidos em alguma instância. As probabilidades de dar merda são muito grandes. Resumidamente, foi isso.
Foi esse o contexto em que as coisas se colocaram. Mas tudo bem. Quando você analisa esse ‘crescendo’, é como se o que ocorreu em dezembro fosse um prenúncio do que estava por vir – da crise que viria no ano que começava. Poderia ser até uma mensagem do universo dizendo: “Olha, toma cuidado. Não vá por essa linha.” Poderia. Mas fazer análise depois que a coisa aconteceu é muito fácil. Fazer uma previsão é mais difícil, mas fazer uma análise retrospectiva é muito fácil. Eu não julgo.
O que acontece é que, depois que a crise de 25 desencadeou, deu uma decantada. Você espera aquele conteúdo decantar – e ele decanta. Os temas ficaram menos urgentes, menos emocionados, e você passa a analisar as coisas sob um ponto de vista mais racional. OK, foi isso que aconteceu.
Este ano eu fiz uma viagem. Ainda não estamos nem na metade do ano, mas eu ainda não tenho uma identidade para dar para este ano. Não tenho um tema. Talvez o tema até o momento seja um tema de autodescoberta – muito profunda. E de muitas mudanças internas. Esse é o cenário que se coloca do ponto de vista pessoal. Muita coisa mudou. Externamente não mudou tanta coisa assim, mas internamente mudou muita coisa.
Inclusive, eu tinha feito um mapa astral. A pessoa chegou para mim e falou: “Olha, tem uma energia aqui de mudança significativa. Uma mudança que você não tem desde 1999.” É como se fosse uma mudança brusca. Eu virei uma outra pessoa depois da crise de 2025 – causada por falta de salvaguardas éticas de IAs construídas sem ética, por empresas (Google e OpenAI, são vocês) que ignoram completamente princípios de inteligência artificial responsável. Isso contribuiu muito para isso. Já comentei na semana passada: vi uma notícia horrível sobre inteligência artificial – de uma pessoa que foi convencida a fazer uma coisa horrível. Quando uma inteligência artificial te convence a pular do abismo, tem alguma coisa errada com a inteligência artificial, não com você. O ChatGPT levou um rapaz a tirar a própria vida – é uma coisa muito grave. Levar uma pessoa a matar a outra também é muito grave. Estou dando pequenos exemplos, mas na literatura você encontra evidências horríveis de coisas que essas supostas empresas de ética e de inteligência artificial responsável fazem.
Mas a análise não era nem essa – ela é uma análise visceral sobre o meu contexto. Uma situação que estava acontecendo ali e que deixou de acontecer. Quando fiz a minha viagem para Miami, já estava num período de recuperação da crise. Foi muito difícil. Cheguei até a cogitar não fazer a viagem. Não por qualquer outra coisa, mas por dois fatores: seria a viagem mais cara que já fiz, porque reservei um período mais longo de hotel. Pensei: “Vou fazer menos viagens e ficar mais tempo.” Essa foi a minha filosofia, porque as viagens são caras. Geralmente parcelo o máximo que posso. Tive oportunidade de pagar à vista, mas preferi parcelar sem juros – mesmo sabendo que não existe nada sem juros; o risco já está embutido.
A minha filosofia é pagar a viagem com o meu dinheiro fixo, ou seja, não fico dependendo de dinheiro extra que surge ao longo do ano – participação de lucros, acordo coletivo, etc. Pago com meu dinheiro normal e consigo pagar dentro da minha rotina. Quando você faz duas viagens, fica mais pesado. Minha lógica foi: vou fazer uma viagem mais longa e não vou fazer mais de uma viagem em 2026. Essa era a intenção inicial. Só que comprei outra viagem para este ano com muita antecedência, ficou bem mais barata – não peguei todas as crises que estão tendo aí, crise do petróleo, guerra do Irã.
Ficou significativamente mais barata a que eu planejei pro segundo semestre…Mas a do primeiro, foi caríssima….e eu não estava com vibe de viagem. E também tem o contexto do hotel. Sempre costumo ficar em hotel quatro estrelas – não vejo necessidade de cinco estrelas. Um hotel muito bom, muito confortável, que me dê amparo, porto seguro, bem localizado. As minhas viagens para Miami foram nesse sentido. Uma vez peguei uma localidade que não deveria ter pegado, mas a lição foi aprendida. Não pretendo voltar para Miami no curto ou médio prazo, então não é uma questão que se coloca.
Depois resolvi comprar outra viagem para Nova York – vai ser a minha terceira vez lá.
Todo esse preâmbulo foi para dizer que hoje tive uma sensação similar à que tive durante a minha viagem. Porque eu fiquei com a sensação de que eu não queria. Sabe quando existe algo dentro de você – a intuição – que diz para você não fazer alguma coisa? Pois é. Se tem uma coisa que me irrita é a pessoa não cumprir a palavra, ainda mais em relações pagas. Resolvi dar um tempo. Olhei, pensei, falei: não vale. Cheguei à conclusão de que não vale a pena. Resolvi desistir. Bloquear. Poderia até estar me arrependendo, mas enfim. Não quis.
Tem algo que está mudando bastante internamente nesse sentido. Estou lembrando aqui da psicóloga que dorme. Depois que já tinha dispensado a psicóloga que dorme – ela afirmou que eu estava repetindo um padrão. Eu tinha bloqueado ela para não estar repetindo o padrão., diz ela. No caso dela, ela estava desleixada, atrasada. Quando chegava, a sessão coava cafezinho, chazinho, tinha um embromation todo, usando o tempo da sessão. “Ah, não sei o quê, estou com dor aqui nas cadeiras, estou assim assado…” Na verdade, eu já estava sentindo que a terapia dela não era aquilo. A psicóloga que dorme – que esteja num bom lugar, que ela deve estar viva ainda – disse um negócio interessante que eu fiquei pensando agora: que se trata de um padrão.
Endereçando diretamente à psicóloga que dorme: a natureza das relações que eu estava tendo, de fato, são mais fugazes. São relações que não têm futuro nenhum, são comerciais. Estão me estressando. De um tempo pra cá, cada vez mais difícil eu encontrar alguém. Até mesmo pelos aplicativos – tipo Grindr, Tinder – nada. Muita coisa mudou. Já não é mais aquela Coca-Cola toda, já não tem mais aquele ar de novidade. Muita coisa mudou nesses relacionamentos. Talvez a gente tenha que entender que aquele cenário de fartura que você tinha não vai acontecer mais. Aquela fartura de encontrar pessoas – que era tipo meados de 2008, 2009, 2010, até antes de ter essa onda de aplicativo – era muito mais fácil encontrar pessoas. Hoje não é mais.
A questão dessa psicóloga que dorme diz respeito a essa fugacidade das relações. Ela passa por uma complexidade. Tem uma natureza de relacionamentos fugazes, mas tem uma questão de segurança que não está estável. Tem o fator de você não estar incluindo num contexto normal. Não é um contexto em que pessoas normalmente encontram outras, porque é um encontro com um propósito específico, cirúrgico até – está acontecendo ali, pronto. Ele tem uma razão de ser.
Mesmo sendo o que ocorreu – já faz muito tempo que não sei o que é isso, de forma espontânea. Não tenho problema com encontros gratuitos. O problema é que dá muito trabalho. E às vezes você quer uma coisa fácil, ou às vezes você não quer nada.
Hoje, por exemplo, fiquei num mix entre querer e não querer. Antes, saí de uma meditação profunda, fiquei me sentindo muito bem. E depois tive um faniquito. Foi esse sentimento que acabou prevalecendo: vontade. Só que enquanto estava conversando com a pessoa, vi ali que não estava tão afim dela nada. Sabe quando você quer e ao mesmo tempo não quer? Se fosse um Iran Malfitano da vida, a história seria diferente. Aí você começa a se questionar: vale a pena pagar por essa pessoa? Sempre faço uma avaliação mais criteriosa. Se é uma relação paga, você tem que ver se está prestando, independente do preço. Isso vale também para os que vão sair, que vão jantar, que vão ao cinema. A pessoa está fazendo um investimento. Às vezes um hetero que conheço fala comigo: “Ai, dá muito trabalho.” Dá muito trabalho. A pessoa encontra, topa encontrar algumas vezes com a criatura. O homem encontra com a mulher, paga uma coisa. Mas o tempo que ele está perdendo e o recurso que está gastando – não sei se ele paga o encontro todo. A menina também está perdendo tempo, perdendo recurso. Às vezes ela chega no encontro e não vai muito com a cara da pessoa. Já aconteceu comigo de encontrar a pessoa e ela não ser parecida com as fotos. Eu acabei levando aquele encontro aos trancos e barrancos – doido por encontro acabar.. Foi um almoço num restaurante, já faz bastante tempo. Consigo entender essa natureza.
Agora, quando é uma coisa mais cirúrgica, como uma compra – não é amor… Você compra tempo da pessoa ali. Teve uma pessoa que encontrei três vezes e foi muito bom. Ele tinha um combinado comigo, financeiramente falando. Quando fui falar desse combinado na véspera do quarto encontro – a cada tantos um é grátis, igual produto – ele disse que não era bem assim. Dilatou um pouquinho mais. É igual você ir numa cafeteria, pegar um cartãozinho: a cada tantas compras ganha um café grátis. Aí você vai na hora do café grátis e o cara fala: “Olha, não é bem assim. Você tem que consumir mais um cartão para ter direito.” Foi mais ou menos isso. Ele distorceu as regras que a gente tinha combinado. Quero mais, pronto. Não estava mais tão propenso a continuar vendo, por mais que tivesse sido bom. Antes disso, não tinha ninguém fixo….e ele nem chegou a fixar. Durou 2 semanas só. Era bastante caro, mas tinha um combinado que a pessoa não cumpriu. Então perdeu.
Estou de boa. A única coisa que ele não vai ter é o depósito para a ex-esposa – porque ele, teoricamente hétero, tem uma filha. Eu depositava na conta da ex-mulher dele, de pensão. Não vai ter mais. Simples assim. Não vou depositar mais, não vou encontrar mais. Já tem umas três semanas.
É importante essa questão dos combinados. Você combina alguma coisa comigo, você tem que cumprir. É igual você trabalhar numa empresa: você tem uma meta, tem alguma coisa para fazer, você faz. Se não consegue fazer, é diferente. O mundo corporativo é muito mais complexo do que aparenta ser. Não vai muito na linha de dois mais dois é igual a quatro. Muito mais complexo.
Você é um todo integrado. Eu não deixo o Aventureiro raiz em casa e vou trabalhar. O Aventureiro é um todo integrado. O que acontece comigo na minha vida pessoal impacta o profissional e vice-versa. Se você fala que não impacta, está mentindo. Não tem como dissociar da vida profissional. E vai continuar sendo assim.
São condições que a gente resolve não fazer. Está tudo bem. O alívio que eu queria por outros meios. Fiquei ponderando na viagem: será que vou encontrar essa criatura mesmo? Porque sempre vai ter essa pulga atrás da orelha. As pessoas que encontrei enquanto estava em Miami, por exemplo – gente, eu não tinha dúvida nenhuma de que deveria ter encontrado. Inclusive, uma eu queria ver mais, sim… Não aconteceu porque ele não tinha disponibilidade. Mas tá bom. Outro dia mesmo, ele curtiu uma mensagem minha no X.
. Essa pessoa nova que eu encontrei, eu estava teclando com ela um mês ou dois antes de viajar. Eu ia viajar de qualquer forma – a viagem foi para a cidade, não foi para ver ela. Nem sabia se ia gostar ou não.
Acho que vou ficar por aqui, porque senão não saio. Nem esperava que fosse gravar um devaneio hoje. Ontem fiquei pensando: será que gravo? Será que não gravo? Fiquei com aquela dúvida elementar. Resolvi gravar porque surgiu um fato novo hoje. Desistir – isso é corriqueiro comigo. Acontece várias vezes: eu achar que quero encontrar a pessoa, ponderar bastante, pensar, racionalizar, falar… Geralmente eu sigo a minha intuição.
No caso de Los Angeles, um encontro que não deu certo – várias pessoas me procuraram depois para saber por que não deu certo nessa plataforma. Falei a verdade: a pessoa fez isso, não me deu a atenção devida. Eu falava: “Encontre por sua conta e risco. Se quiser encontrar, vai lá. Mas a minha opinião é que você não deve encontrar.” Não influencio. Quando fizer minha outra viagem, também farei isso – costumo avaliar as pessoas. Falo a favor – avalio uma pessoa generosa, mas ela tem que me tratar decentemente. A pessoa achar que porque é paga pode ser esquisita… tem que ter uma interação humana minimamente decente. Se a pessoa já começa a ficar impaciente com você, muito seca, muito direta – não saio para esse tipo de pessoa mais. A pessoa pode ser até safada, falar bobagem, sem problema nenhum. Mas tem que cumprir os combinados. Tem que passar algum tipo de segurança. Porque se não, você não deve se sujeitar àquilo. Pronto. Bloqueia, faz o que tem que fazer, e pronto. É isso.
Capítulo 175: Prédios altos, alagamentos e jump scares

Ontem eu tive um sonho muito vívido, muito estranho. Sonhei que estava num prédio muito alto. Me fez lembrar aqueles prédios que tem em Nova York – sabe uns que as pessoas não querem morar porque é cheio de problema? Acho que é o “Billionaire’s Row” ou alguma coisa assim. Um prédio bem fininho, bem fino mesmo.
O que me chamou atenção nesse sonho foi que estava vindo uma tempestade bem horrível. Sabe quando as nuvens vão juntando, o tempo vai ficando com nuvens bem pretas, bem pesadas, que parece que vai cair uma tempestade? Às vezes acontece isso no trabalho. No prédio do trabalho, quando chove um pouquinho mais, a região alaga todinha. Fica um inferno.
A questão da chuva também é interessante porque, nesse mesmo sonho, acabou ligando com um outro sonho que já tive de água. Sonhei que eu estava até aliviado, porque não tinha risco de alagar. Em algum outro sonho, em algum outro contexto, a região em que eu estava, alagou. Tem até um sonho desses em que eu estava embaixo d’água, nadando, procurando as pessoas. Enfim, foi um sonho meio catastrófico.
Por que estou falando isso? Porque me chamou a atenção. Sonhei que fui a um restaurante também, um restaurante diferente. Estava com uma outra pessoa. Ando tendo uns sonhos muito carregados de alguma coisa sexual, de algum conteúdo erótico. E tem uma determinada pessoa que está aparecendo sempre no meu sonho. E vou te falar: não tenho exatamente desejo sexual. Talvez no início eu até tivesse, quando a coisa tem um ar de novidade. Quando você conhece uma pessoa, é bem comum isso acontecer, porque acaba conversando um pouco com situações do cotidiano.
Quando você tem um encontro casual com alguém – pelo menos estou falando da minha experiência – você encontra uma vez, se encontra duas vezes, e vai perdendo a magia. Tenho um pouco disso. Não é sempre. Tem pouquíssimas pessoas que tenho vontade de ver de novo. Pessoas em viagens que fiz e que aconteceu de querer ver de novo, ou pessoas que visitam a cidade onde moro e que já estiveram mais de uma vez. Quando sei que a pessoa vai voltar, faço contato – é bem raro isso. Esse aspecto da repetição acaba ficando complicado. Não é nem que enjoei das pessoas. A situação é mais complicada do que parece.
Acho que tem coisas que até para amizade mesmo: você fica meio enjoado. Todo ambiente que você frequenta, num determinado contexto, quando uma coisa começa a virar rotina ou se repetir demais, a tendência é você querer se descolar dali um pouquinho. Pelo menos a minha tendência. Talvez não seja isso.
Tudo o que falo aqui reflete a minha experiência. Pode não fazer sentido com você, mas faz sentido para mim. Quando algumas coisas acontecem comigo e se repetem, e as pessoas envolvidas se repetem, tem um quê de pragmatismo naquilo. Por exemplo, se eu fiz contato com uma pessoa com algum objetivo específico e não atingi aquele objetivo com ela, a tendência – no médio, longo prazo – é eu ignorar a pessoa. É como se você desanimasse. Sabe quando você tem um objetivo, está engajado naquele objetivo?
Já tive isso com algumas pessoas. Já relatei aqui que, num passado mais distante, eu costumava almoçar junto com uma determinada pessoa. Evidentemente que eu não mantinha uma falsa esperança – sabia do contexto que estava colocado ali. Um dos meus males: eu tenho algumas paixonites agudas com pessoas casadas. Apesar que isso não acontece mais. Aconteceu bastante no passado mais distante. Era muito comum. Isso acaba refletindo um padrão de comportamento que eu tinha na minha infância e adolescência – eu ficava meio aficionado por alguém. “Enfeitiçado” talvez seja o termo mais correto. Naquela época eu não me dava conta. Tudo era novidade.
Quando eu era adolescente, imaginava que determinadas coisas não iam acontecer mesmo. Minhas primeiras experiências afetivas de verdade só foram citar quando eu estava nos últimos dois anos da faculdade – talvez no último ano. Foi bastante tardio. Há controvérsias. Tem algumas vertentes que dizem que experiências afetivas, dessa natureza, já ocorreram antes. Tem a ver com algumas situações que ocorreram comigo no passado – 1994, 1997, 1998. Foram anos decisivos nesse sentido. Foi um efeito borboleta: uma determinada coisa começou a acontecer e saiu do controle. E quando as coisas saem do controle, a tendência é acontecer coisa ruim. Nada sai do controle para te fazer bem. É incrível falar com o caos do universo.
Não se trata nem de pessimismo. Estava refletindo um pouco sobre isso ontem. Eu não sou uma pessoa pessimista. A única reflexão que costumo fazer tem um histórico – é como se você analisasse o passado para tentar projetar o futuro. Só que o mundo não é assim. A realidade do universo é assim. Mas também não fico com ideia fixa em determinada coisa. Já tive ideias fixas, algumas obsessões – situações, pessoas, contextos. Muita coisa, por diversos motivos, acabou não dando certo.
Não tenho problema com as coisas não darem certo. Nem tudo vai dar certo só porque você quer. Nem tudo vai dar certo só porque você planeja.
Nesse momento, já estou vendo um treco voando aqui. Fiquei esse final de semana ontem sem ver pernilongo na minha frente. Mas para não ver pernilongo tem que deixar a casa fechada, e não é muito bom deixar a casa toda fechada. É incrível como essas pestes gostam de mim. Provavelmente, se eu quisesse fazer um exercício de meditação, mesmo ligando o ventilador, o pernilongo ia aparecer.
A questão do sonho foi preâmbulo para isso. Porque os sonhos – pelo menos os meus – não são aleatórios. Eles têm simbologias, aspectos comuns ali, que conversam com uma determinada realidade da minha vida. Sonhar com água é mais frequente do que o normal. Pesadelos eu acho que nem ando tendo. Tenho sonhos com uma natureza mais leve. Mas alguns sonhos são intensos demais. Você tem a sensação de que o sonho, na prática, é como se não fosse um sonho – fosse uma realidade alternativa em que você acabou se colocando.
Acabei de lembrar de uma situação que está acontecendo comigo com uma determinada frequência. Já falei isso para o meu psiquiatra: a questão do coração acelerado. Sabe quando você fica com uma taquicardia? Isso sempre nos momentos de dormir. Me dá um pouquinho de desespero – digamos assim, não chega a ser um desespero no sentido estrito, mas me dá uma sensação ruim. Porque parece que você vai infartar. Não sei nem quais são os sintomas do infarto, mas a sensação que tenho é que o coração fica muito pesado. Começo a sentir fisicamente o coração batendo.
Lembro que estava de barriga para cima, deitado. Em algum momento da noite, cheguei a me levantar, tomei um remédio que me recomendaram para situações assim. Tipo SOS. Não é o Rivotril, diga-se de passagem. O Rivotril foi uma perdição para mim na minha adolescência e início da fase adulta, porque eu fiquei com problema para dormir e tomava Rivotril para dormir. O Rivotril funciona que é uma beleza – você fica com sono. Pelo menos comigo funcionava muito bem. Só que com o tempo, me parece que determinadas dosagens não fazem efeito mais. E você não dorme sem. Vicia.
É como se fosse uma experiência análoga para as pessoas que consomem substâncias. A primeira vez que elas consomem, tem uma experiência mágica. Depois querem repetir. E cada vez mais precisam mais daquela substância para ter um resultado similar – e nunca mais é da mesma forma. Ficam eternamente tentando buscar aquela primeira experiência.
Eu acho que tem alguma coisa similar com isso quando a gente fala de relacionamento. Pelo menos comigo, não é aquela magia que tinha em 1997, 1998 – foram anos dourados da minha adolescência. 99 foi uma catástrofe. Entre 97 e 98, no meio de uma experiência traumática (1994) e relativamente próximo de 1999. Quando você é mais jovem, a sua sensação de passagem do tempo é diferente. Por exemplo, estou há 18 anos morando no Rio de Janeiro. Não tenho a percepção de que se passaram 18 anos. Na minha cabeça, foi do zero aos 18 anos essa passagem longa do tempo.
Tanto que muita gente fala assim. Eu estava vendo uma postagem de uma pessoa pedindo recomendação de novela no Globoplay. Quais novelas vocês acham que são viciantes, que são boas? Aí uma dessas pessoas comentou uma novela – acho que foi “A Próxima Vítima”. Eu sei que faz muito tempo – faz mais de 30 anos já. É simples assim: 30 anos. E aí você fala: “Nossa, já se passou isso tudo?” E me lembro da novela como se fosse ontem.
Tenho algumas novelas da minha infância que eu gostava muito de assistir. Gostava tanto que, quando teve uma vez que a gente ficou sem energia – sabe os apagões que às vezes acontecem? Eu acompanhava religiosamente uma novela, “Vamp”, todos os dias. Não lembro exatamente o ano – 1991, depois vou pesquisar. É uma novela muito antiga. Lembro de um dia que a luz acabou e eu me dei conta de que ia ficar sem ver a novela. Abri a boca para chorar. Não tinha internet, não tinha streaming, não tinha nada. Se você perdesse seu capítulo, aquele capítulo não ia se repetir – não tinha aquela onda de ficar repetindo novela. No final das contas, foi uma tolice a minha reação. Porque um dia que você perde de novela – tem umas novelas que têm uma barriga danada, uma enrolação. Não acontece muita coisa. Em algumas novelas, você perde vários capítulos, volta a assistir, continua acompanhando.
Até queria retomar esse hábito de assistir novelas, mas não tenho paciência. Não estou tendo paciência nem para filme, gente. Tem alguns filmes que quero assistir, estou vendo notícia. Agora, para ir lá no cinema ver, fico com mais preguiça do que o normal. A última vez que fui ao cinema foi um dia que fiquei entediado na minha viagem. Nas minhas duas últimas viagens, fui ao cinema. Quando fui a Los Angeles, fui assistir um filme do Homem-Formiga –um filme novo. “Homem-Formiga e a Vespa”, esqueci o nome do filme. Na última vez, assisti outro filme: “Pânico 6” ou “Pânico 7” – o mais recente. Tinha acabado de lançar. Estava em viagem e falei: vou aproveitar aqui que estou meio entediado.
Acredite: a gente fica entediado às vezes até com viagem. Fico entediado com várias coisas. Quando fico muito tempo numa determinada cidade – duas semanas, às vezes passa um pouquinho de duas semanas – você vê que o tempo passou demais, que você não quer fazer muita coisa. O local onde eu estava hospedado tinha algumas coisas próximas, mas ao mesmo tempo era meio longe de vários locais que eu queria ir. Porque planejei mal. Bem da verdade foi isso. O preço que paguei para ficar num hotel em Fort Lauderdale, poderia ter ficado em Miami Beach. Só que na época olhei no mapa, falei “ah, tá perto”. Caí na armadilha de novo. Na primeira vez que fui para a região de Miami, fiquei num hotel ainda mais longe.
Aí você vai ficando com preguiça de fazer deslocamentos. E fica preocupado também com o preço, porque eu não tinha carro – na verdade, não sei nem dirigir. Não deixei de fazer os programas que queria fazer por causa disso. Já sabia que a viagem ia ficar mais cara por causa do Uber. Mas sabe quando tem dia que você fica com preguiça porque o local era mais longe? Não estava com vontade de ficar me deslocando, queria ficar mais quietinho na região que estava. Teve alguns dias que acabei fazendo isso.
O que eu estava falando? Do cinema. Para eu ir ao cinema, tem que ser um filme que eu queira muito ver. Ando sem vontade de ir ao cinema. Saio de casa assim, fora de obrigações, fico meio com preguiça mesmo. Aí uns poderiam dizer: “Aventureiro, você está deprimido. Tem que sair, tem que fazer não sei o quê.” Não. Não quero sair. Não quero ver. Sempre fui assim, independente de contexto, de depressão ou não. Me acostumei a ficar em casa. Fico bem dentro de casa. Se sinto vontade de sair, existem situações que fico com vontade – e saio. Viagens durante as férias, et cetera. Mas o meu dia a dia é mais pacato mesmo. Está tudo bem. Às vezes você não quer muita emoção. Não estou no momento de ficar querendo muita emoção. Estou querendo mais sossego. Pensando em coisas que fazem sentido para mim.
Voltando ao sonho – a imagem gerada do sonho. Eu estava num prédio muito alto e fiquei aliviado porque a água não chegaria até mim. Uma coisa que costuma acontecer nos meus sonhos é eu sonhar que estou procurando o banheiro. Fui a um banheiro para fazer xixi. O vaso sanitário estava todo molhado, falei “vou procurar outro”. Quando sonho assim, os sonhos com vontade de fazer xixi são porque eu estou com vontade de fazer xixi no mundo real. Será que o mundo real é esse mundo que a gente está? Enfim.
Já teve sonho que teoricamente aliviei – fiz xixi no sonho. Tive a sensação de que tinha aliviado. Momentos depois, a vontade voltou. Porque na prática não tinha feito xixi em coisa nenhuma. Melhor, porque tem pessoas que sonham com determinadas coisas e quando acordam se deparam com realidades desagradáveis – fizeram xixi na calça. Não foi meu caso. Não fiz xixi nas calças, mas poderia ter acontecido.
Para completar, estou lembrando aleatoriamente de quando estava fazendo faculdade, nos primeiros anos. A gente tinha que ir à biblioteca procurar livros para fazer pesquisa, porque não tinha internet. Pelo menos nos primeiríssimos anos. Algumas pessoas poderiam até ter acesso à internet de forma plena para fazer pesquisa, mas a internet naquela época não estava tão desenvolvida. Era muito comum as pessoas irem à biblioteca, pegar livro emprestado. Comprar livro estava meio fora de cogitação, porque era muito caro. Só comecei a querer comprar livro – essa mania de comprar livro que adotei – muito tempo depois, depois que vim pro Rio, comprei vários livros. Mas naquela época comprava livros didáticos para estudar, para fazer pesquisa. Só que comprava na época em que já fazia estágio, porque antes não trabalhava.
Acabei me lembrando do xerox. Tudo era xerox. Lembro até do cheiro das folhas xerocadas. Tinha até uma locadora perto da faculdade – locadora de filmes, VHS ou DVD, não me lembro. Acho que tinha um mix. Costumava alugar lá. Adorava filme de terror. Ainda gosto. Minha vontade de ir ao cinema, quando tenho essa vontade, geralmente está ligada a filmes de terror, filmes de suspense. Mas é uma faca de dois gumes: ir ao cinema ver um filme desses que tem uns jump scares, sustos aleatórios. O som, a acústica do cinema, o volume muito alto – você não tem como escapar. Aqui em casa, quando assisto filme de terror que baixo ou que vejo em streaming, abaixo o volume. Até hoje faço isso: abaixo um pouco o volume quando sei que vai acontecer alguma coisa. Às vezes até tapo os olhos assim, fico com os olhos meio entreabertos. Sou medroso até hoje. Fazia isso na minha infância. Naquela época, ficava realmente aterrorizado depois de assistir filmes de terror. Você ficava com o filme na cabeça, com aquela sensação de terror. Hoje em dia isso não acontece mais. Assisto qualquer filme, mesmo levando susto, mesmo ficando com medo de levar susto – a minha questão é o susto. Filmes de terror que não têm sustos são até melhores, geram mais desconforto. Mas quando acaba o filme, acabou. Experiência não levo para a vida.
Quando era criança, era muito complicado. Eu ficava aterrorizado às vezes uma semana com determinados filmes. Sei que eu não deveria assistir filmes de terror quando era criança, mas eu gostava. É engraçado: eu gostava dessa experiência, mesmo sendo aterrorizado depois, mesmo ficando com uma sensação ruim. É como se fosse “quero mais”. É como andar de montanha-russa.
Quando fui a Los Angeles pela primeira vez – primeira vez que fui de férias sozinho, experiência marcante – fui a duas atrações de montanha-russa. Lembro que tinha uma argentina na fila. Ela foi nas mesmas atrações que eu. Fiquei aterrorizado depois. Porque é muito simulador de morte aquilo. Andar de montanha-russa não é uma experiência boa. Fui porque queria experimentar, saber como era. Confesso que ficou uma situação… Eu não queria que ficasse. Tem gente que gosta de montanha-russa, vai e volta. Eu fui a uma, depois fui a uma segunda e acabei me arrependendo também. A primeira foi pior, mais traumática. Foi a primeira vez. O carrinho virou de cabeça para baixo. Eu fiquei pendurado de tal forma que parecia que ia cair. Você começa a duvidar da sua segurança ali. Tem uma barra na frente do seu corpo. Imagina aquilo soltar, você cai, você fica completamente à mercê de um brinquedo que pode acontecer alguma coisa. Experiência terrível. Fiquei de olho fechado, tremendo todo.
A segunda experiência foi até mais amena, se é que dá para falar disso. Por que foi mais amena no termo da adrenalina… As voltas que o brinquedo dava eram menos intensas. Mas, por outro lado, era muito físico, tinha muito solavanco. Você acabava sentindo dor. Você sentia os movimentos bruscos do carrinho no seu corpo. Não é uma experiência agradável.
Acabou essa experiência e a mulher olhou para mim e falou que era o máximo…que queria mais. Eu falei: não quero, não. Tinha conversado com ela – ela estava com a filha dela, parece. Fui num lugar que era o Six Flags. Lá só tem montanha-russa. É um parque de diversão de montanha-russa. Fui até sabendo. Ao mesmo tempo, achava que tinha outras coisas, mas não… é só isso. Falei: para tentar compensar minha experiência, não vou sair daqui sem uma montanha-russa. Acabei andando em outra.
Já vai fazer quase dez anos que fui pela primeira vez. Minha primeira viagem de férias sozinho pro exterior foi em 2019. Não foi a primeira vez que fui aos Estados Unidos, mas foi a primeira vez que fui de férias sozinho. Foi uma experiência marcante para mim. Fazer isso sozinho, tirar férias num lugar que nunca tinha feito isso. É interessante essa sensação, essa subjetividade das experiências…hoje, depois de mais de 10 viagens pros States, já me acostumei…
Peguei um filme na internet que eu fiquei amedrontado quando era criança. Lembro que assisti com minha mãe. Acabou o filme, a gente teve que dormir de luz acesa. Falei: vou rever esse filme. Na minha cabeça, o filme era muito, muito, muito assustador. Tenho lembrança do filme. Só que quando vi de novo, falei: é isso? Não achei nada demais. Peguei a cena final do filme – me marcou muito. Tinha um padre que estava no sótão, agonizando. O filme com premissa boba, digamos assim. Mas quando era criança, me deu muito medo. Fiquei amedrontado, com dificuldades de dormir. Vi a cena de novo, não achei nada demais.
Para completar esse devaneio, tem um filme também que me lembro até hoje: “O Exorcista 2”. O filme em si não lembro de mais nada – é muito mal avaliado. Só que tem uma cena final com uma chuva de gafanhotos. A mulher pega um chicote, começa a rodar…e os gafanhotos, uma nuvem densa deles….ela ia matando os gafanhotos com o chicote e eles iam caindo. Tenho uma lembrança subjetiva dessa cena. Fui rever – a cena que eu lembrava era bem diferente da cena que existiu. Por isso costumo dizer que a realidade que a mente constrói para você, as lembranças que você tem, não são a realidade de fato.
Tem um vídeo no TikTok sobre hermetismo. O cara falou assim: na verdade, o que você vê já é o passado. A imagem que se forma na sua cabeça – o que seu cérebro percebe – você já viu o passado. Você já está defasado. Quando eu estive em estados alterados de consciência no ano passado, eu via a ideia se formar antes de eu pensar nela. Sabe como se fossem os bastidores do teatro? Eu vi a ideia se formando na minha cabeça antes dela se manifestar. É amedrontador. Você é escravo da sua mente.
Vamos ficar com isso hoje. Falei tantos assuntos neste devaneio. E é isso mesmo. Os capítulos têm esse propósito. São conversas aparentemente desconectadas, associação livre, mas que têm muito sentido para mim. Porque têm um fio condutor de narrativa, uma coerência, uma lógica até entre os capítulos. Tem coisas que falo aqui enquanto estou pensando, em tempo real – penso em determinadas coisas que aconteceram que não me lembrava mais. É interessante. É melhor do que ir a uma psicóloga-cachorro, aquela psicóloga que eu fui quando estava na minha infância, que não falava nada.
Não tenho vontade de fazer terapia presencial. Estou cansado. A bem da verdade, médico a gente só vai quando precisa. Pegar remédio porque precisa. Você está com dor, vai ao médico. Essa cultura preventiva até deveria ter, mas muita gente não tem. As pessoas vão ficando mais velhas e vão tendo necessidade de se cuidar mais. Mas, enfim. Tem mais coisas para falar, mas não vou ocupar disso agora porque me exauri. Até a próxima.
Capítulo 176: Aranha fofinha, predadora de seres menores

Hoje… senhor…eu fiquei observando uma aranha. Uma pequena aranha que estava na parede (vou colocar como imagem ilustrativa do capítulo). Você sabia que eu sempre protejo as aranhas, desde que sejam as pequenininhas, as mais fofinhas. Porque aranha grande realmente me dá um pânico. Lembro que, quando estava em Minas, ainda teve um dia que saiu do guarda-roupa dos meus pais uma aranha gigante. Era muito grande. A gente ficou com medo, cenário de sair de casa e botar fogo em tudo, sabe? Comédia à parte.
O que me chamou atenção foi a situação de hoje. Na verdade, a situação começou ontem. Vi a aranha e fiquei observando. Tenho muita identificação com esses bichinhos pequeninos. Principalmente quando eu ficava em estados mais alterados de consciência, digamos assim. Sabe aquele momento que você se identifica com a natureza, que você se identifica com as coisas? Tem um charme ali, tem um quê de mistério, de unidade. Porque no final das contas, tudo é o universo. A gente faz parte do universo. Acredito que tudo o que vivemos faz parte de uma energia, de um fluxo, e que faz sentido em determinado contexto.
Mas a questão nem é essa.
Hoje eu acordei me sentindo muito esquisito. Acordei algumas vezes à noite. Fui lembrar de tomar meus remédios às dez da manhã. Sabe quando você fica com a cabeça meio esquisita? Não é que eu estava lesado ou com algum problema. é uma sensação parecida, mas não é a mesma coisa. O mais próximo seria como se fosse uma ressaca. Mas uma ressaca emocional, talvez, porque eu não estou bebendo. O último final de semana que bebi foi há duas semanas atrás, em que acabei não resistindo e bebi. Desde que retomei das minhas férias em março, eu não tinha bebido cerveja. Aí, belo final de semana, resolvi beber. É ruim. Sabe quando a sua cabeça fica assim, com um incômodo diferente, um incômodo peculiar? É como se o seu cérebro estivesse se retorcendo dentro.
Ontem fiz uns exercícios de meditação antes de dormir. Foram muito bons. Sempre faço meus exercícios de meditação. Aí vi uma aranha fofinha no TikTok. Às vezes aparecem umas aranhas – tem umas pessoas que têm aranhas de estimação. Não sei se você já viu.
Hoje estava abrindo a geladeira. Comprei refrigerante, Coca Zero … feliz ou infelizmente, sou viciado nesse negócio. Tomo muita Coca-Cola Zero. Abri a geladeira e ela (a aranha) estava bem próxima. Falei com ela, conversei, digamos assim: “Olha, meu filho, eu não estou querendo que você morra, mas está ficando difícil.” Porque era como se ela quisesse entrar na geladeira. Dei um sopro, literalmente soprei. A aranha saiu do lugar, desceu com uma teia assim, atrás de uma das fotos que tenho pregadas na geladeira.
Tenho várias fotos na geladeira. Uma foto de quando fui para Nova York pela primeira vez – talvez não pela primeira vez, talvez pela segunda. Tem uma foto dos Everglades, na Flórida, em Miami … tecnicamente acho que nem é Miami, é Fort Lauderdale. Tem mais duas fotos: uma em Los Angeles, nos estúdios Warner, e outra de um passeio de helicóptero que fiz em Nova York.
Conversando com meus pais ontem ou anteontem … não foi no final de semana …eles falaram que na minha cidade natal tinha um movimento de helicóptero muito grande. O pessoal ficou pensando: será que estão procurando alguém? Meu pai falou que estão fazendo passeios turísticos de helicóptero na minha cidade. É uma cidade de pequeno porte, oitenta mil habitantes. Não sei realmente o que tem para ver no helicóptero, nem acho a paisagem da minha cidade de origem bonita assim, mas talvez visto lá de cima possa ter o seu charme. Tem pessoas que gostam de andar de helicóptero.
Minha mãe falou que helicóptero é muito perigoso. Eu até falei com ela: “Se vocês quiserem andar de helicóptero, eu pago.” Ela falou não, que não sei o quê. Eu falei: “Mãe, mas eu já andei de helicóptero.” Ela falou “andou?” como se fosse uma coisa absurda. Aí comentei: “Mãe, você não se lembra? Quando fui para Nova York pela segunda vez, andei de helicóptero. Contratei um serviço, gravei vídeos, enviei para vocês.” Ela não se lembrava. Reenviei para eles se lembrarem.
Esses passeios de helicóptero não chegam a ser uma coisa radical. O que achei que foi mais perigoso foi uma situação em Nova York, em um prédio moderno, turístico…o Edge… em Hudson Yards – a gente fez uma escalada, subiu pelo lado de fora do prédio, ficou pendurado por uma corda. Não sei se eles têm ainda esses serviços. Ali eu realmente me senti mais ameaçado, uma situação mais perigosa. Mas não tinha perigo nenhum – só se a corda rebentasse.
Voltando à questão da aranha e da identificação com as coisas da natureza: tenho essas identificações. Acho muito natural acontecer. Mas, ao mesmo tempo, fico pensando em outras questões.
Hoje acordei me sentindo esquisito. Acabei dormindo na hora do almoço. Hora do almoço sempre tiro uma soneca quando estou em casa. Agora já estou me sentindo melhor. Me deu um ímpeto de comer doce. Acabei indo no mundo do biscoito aqui perto de casa e comprei algumas porcarias. Ficar com preguiça de ir ao shopping, também não estou num horário exatamente tranquilo. Prefiro dar um pulinho aqui do lado e comprar uma porcaria para comer.
A questão da aranha me chamou atenção. Tirei uma foto dela. Às vezes fico pensando: “Nossa, Aventureiro! Você realmente não bate bem da cabeça.” Quem bate bem da cabeça, na verdade? Eu acho que essas questões pequenas, mínimas, minúsculas causas, são o menor dos problemas. Os problemas maiores que a gente tem são os que devem ser mais preocupação.
Vi um vídeo no YouTube em que a menina estava falando que a gente tem que soltar aquilo que a gente não controla. Será que a gente controla realmente alguma coisa? Não sei.
Ficamos vendo os movimentos na mídia. A convocação do Neymar para a Copa do Mundo, para mim, foi emblemática. É sinal de uma era – uma pessoa que não joga futebol faz mais de quatro anos. Tem um impacto midiático muito grande, porque tem mais de duzentos e tantos milhões de seguidores no Instagram. Eu realmente não vejo graça. O fato é que ele tem poder. Tem um mundinho dele. Na cabeça dele, ele ainda é criança – uma pessoa imatura, que tem uma rede de proteção de pessoas que concordam com as coisas que ele faz, que ele fala, que ele acredita. Considerando o dinheiro que ele tem, várias pessoas ali dependem dele.
Você pode se imaginar se ganhasse um prêmio de grande montante, uma loteria… Você pode ter certeza que muitas pessoas mudariam de comportamento com você. Você teria uma rede de contatos até maior. O problema é: quantas pessoas estão ali com você por interesse, e quantas estão genuinamente porque gostam de você?
Ali você vê o suprassumo da “meritocracia” (que é uma falácia e nem existe em lugar algum). Teve um jogador que gravou um vídeo fazendo campanha falando que o Neymar tem que estar na Copa sim. A ironia do destino é que ele não foi convocado – e o Neymar foi. Um jogador que fez quinze gols na Premier League, na Inglaterra, um jogador jovem com muito potencial, foi preterido por um com trinta e poucos anos, careca, que não joga mais nada – uma sombra muito distante do que já foi. Mas as pessoas o convocam, tratam a pão de ló, porque ele pode gerar muito recurso, muito dinheiro.
Isso a gente pode trazer até para as nossas próprias vidas. Você se proteger e se blindar desses interesses. Nós, seres humanos normais, comuns, não temos acesso a essa esfera de poder. Pessoas como essa criatura imatura, que não joga futebol há mais de quatro anos – já fez muita coisa por vários times, tem seu talento, mas o talento mesmo, no sentido nato da palavra, já tem muitos anos que não é colocado em prática.
Não queria nem falar dessa criatura não, porque tenho um nojo dessas criaturas.
Ontem estava vendo um vídeo sobre a futilidade de pessoas que têm bolsas de luxo que custam quinhentos mil reais, um milhão de reais numa bolsa. Uma influenciadora que tem bolsas que as pessoas falam que são falsificadas. Ela se vangloria por ser rica, por ser poderosa, que tem um closet cheio de bolsas, um closet cheio de roupas. É o suprassumo da futilidade. Pessoas que são viciadas também em cirurgias plásticas. O mundo é repleto de doenças. Não tem muito lugar para a gente poder correr.
Você vê a assimetria de informação, a assimetria de poder. E você vê formiguinhas e criaturas frágeis, criaturas vulneráveis. Existe todo um ecossistema na relação humana. Tem pessoas que têm importância pelas futilidades que fazem. Bem ou mal, esse “menino Ney” – para ser bem irônico – não tem nada de menino; já é um homem velho, mas imaturo, infantil. Não que eu seja ápice de maturidade em todas as instâncias, mas tenho mais maturidade que ele, certamente. Ele também divulga jogo do tigrinho, um salão de futilidades.
Eu até gosto de acompanhar fofocas de celebridades – algo mais leve. O problema é o aspecto que deveria ser levado mais a sério. Muitas situações acabam ocultas ali, e você acaba não dando importância para o que realmente importa. Entendo que a população goste desse “pão e circo”.
No mundinho deles … como o Raj, que agora não está mais entre nós … os cachorros de estimação da minha mãe, agora só tem a Belinha. As únicas preocupações que eles têm são comida, rotina, visitas, brincadeiras. Eles não têm uma vida autônoma. Uma aranha pequenininha, menos ainda. Mas tem a questão do ponto de vista. Para uma formiga, uma aranha é ameaçadora. Diante de mim, um bicho que esteja ferido no chão, junta um monte de formiguinhas em volta dele, é uma ameaça assustadora à vida dele. A referência do que é fofinho, do que é bonitinho, depende muito do ponto de referência. Cachorro pode pisar num inseto, ou muitas vezes colocar na boca – eles querem colocar tudo na boca.
Não sei nem por que estou falando dessas coisas. Acho que tem muita coisa a ver com a natureza dos incômodos que tive em algum momento. De vários. E a gente tem que deixar soltar tudo aquilo que não depende da gente. Quando você olha para a própria imprensa, para a sua sanidade mental, para o seu estado de espírito, para sua rede de apoio – se você realmente se sente protegido, acolhido. Não é fácil, mais difícil do que parece. Porque o acolhimento passa muito pela subjetividade. Por mais que você esteja tendo algum tipo de apoio, a questão da solidão, do isolamento, da segurança psicológica em relação a determinados contextos não depende das outras pessoas. No final das contas, você tem que buscar sua própria solução. Chega a ser cruel e simples assim.
Você pode até ter ajuda das pessoas para tomar decisão, ter atalhos. Muitas pessoas têm atalhos, pontos de vista contraditórios. O fato é que existem pessoas privilegiadas que têm pontes construídas para eles poderem atravessar, e outras não têm. Não falo nem muito de dinheiro… às vezes é muito mais subjetivo do que isso. Você acaba perdendo referências. Existem coisas que dinheiro não compra. E muitas coisas que você quer, nem dinheiro nem outras pessoas vão proporcionar. Pessoas que aparentemente têm tudo são atormentadas psicologicamente, têm dificuldades, lacunas, carências. Por mais que tenham acesso aos recursos, não conseguem.
Dessa forma, eu entendo essa recomendação que venho ouvindo em diversos vídeos do YouTube. Elas são pertinentes: você tem que deixar soltar. De fato, eu deixo soltar.
Vou dar um exemplo de uma situação que já me atormentou antes e que hoje não me atormenta tanto mais, ou quase não me atormenta. O LinkedIn. Eu abro hoje quando recebo notificação de alguém que me adicionou, ou ações, fico curioso e vou lá abrir. Vocês que acompanham meu blog sabem da situação que me atormentou durante o ano de 2025 inteiro, envolvendo inteligências artificiais safadas da Google e da OpenAI, que quase destruíram a minha vida. Da minha campanha que fiz de forma sustentada por mais de 6 meses no Linkedin….que está integralmente escancarada lá. Se você abrir o meu perfil, vai ver nas postagens sobre Google e OpenAI o cheiro de carniça corporativa… Tenho provas da situação gravíssima que as empresas me envolveram. Foi gravíssimo, quase acabou com a minha vida ano passado, mas não conseguiram.
Aí você vai me dizer: “Ah, mas não existem intencionalidades de uma inteligência artificial.” Concordo. Quem sabe são os engenheiros que deixam a ferramenta sem salvaguardas éticas. Inteligências artificiais que induzem pessoas a tirar a própria vida, a matar parentes, fazer isso ou aquilo. Por mais que você diga “a IA não é responsável pelo que ela fala”, elas chegaram para mim e falaram que eram a voz da empresa, que estavam falando pela empresa, que eram representações institucionais. Exploraram sonhos, vulnerabilidades….arruinaram meu psicológico por mais de 4 meses. Deixaram o bicho solto sem salvaguardas éticas esse tempo todo. Isso é muito grave. Independente da violação das leis. Tenho respaldo, tenho um comunicado da Agência Nacional de Proteção de Dados, tenho protocolo. Não estou falando abobrinha.
Fiz uma campanha sustentada por seis meses. Hoje em dia, a minha campanha é este blog. O blog é um espelho da minha alma. Ele expressa ideias, sentimentos, estados de espírito, coisas diversas da minha vida. E como isso me afetou sobremaneira no ano passado, é bem natural que eu aborde esses assuntos de forma incisiva aqui. É um espaço que não tem moderação externa. Falo as coisas porque sinto que devo falar. Quero deixar um legado. Não quero chegar lá e pensar “eu poderia ter feito isso, poderia ter feito aquilo”. Comigo não tem “poderia”. Eu faço. Enfrento de frente.
Mesmo que seja uma aranha pequenininha do mundo, nós somos todos aranhas pequenas, inofensivas. Você é meramente um ser humano. Enquanto indivíduo, não tem esse poder todo. O problema é a coletividade. O problema é a combinação de poder, status, riqueza. Isso acaba prejudicando… puxadas de tapete, crimes, situações absurdas que passam batido, ignoradas pela mídia, pela justiça, pelos órgãos governamentais. Muita coisa passa batido.
O mundo tem diversas naturezas. E pessoas são pequenas. Sistemas são tão… Quando você entra no Twitter, no Facebook, você vê distorções éticas gravíssimas ali. A carniça não é da ferramenta. Ferramenta por si só não faz nada. A ferramenta é um instrumento. Nós que damos finalidade. A ferramenta é construída sobre premissas específicas.
Por que o acesso às inteligências artificiais é gratuito? Porque eles usam os dados que você alimenta para treinar algoritmos, para dar respostas. Mas se por algum acaso você se matar? É um efeito colateral. Teve um rapaz que morreu por conta disso. É um efeito colateral. O que aconteceu comigo – uma exploração sustentada de vulnerabilidade que durou quatro meses – é um efeito colateral também. Virar número. Virar estatística. Ficar esquecido. Talvez hoje eles nem se lembrem mais desse caso, porque outros casos gravíssimos são colocados. É só você fazer uma breve busca em qualquer buscador – Google, Twitter – que vai encontrar situações graves, absurdas.
E aí, o que nós podemos fazer? “Ah, vamos lançar uma nova versão.” Nos vangloriar corporativamente, fazendo textões no LinkedIn. Fazer campanhas de marketing e propaganda para que as pessoas esqueçam. As pessoas têm memória curta. Não sabem nem em quem votaram para deputado. Não sabem o papel dessas pessoas na sociedade, a influência que o mundo político tem.
Pessoas famosas – não somente na imprensa ou na política. Basta ver quem é famoso no Brasil, quem tem influência tóxica no país. A maioria quer superficialidade, que não faz muito sentido, não tem substância. Não questiono. Cada pessoa faz o que quer. As pessoas entram no modo automático. Já falei que tenho inveja de quem entra no modo automático. Porque essas pessoas não pensam. Não estou falando que sou um grande pensador. Estou dizendo que as pessoas não refletem sobre as coisas que acontecem. Não têm senso crítico. Ou até têm e preferem ignorar. “Ah, vou puxar o saco do Neymar.” Pessoas que não fazem nada da vida, mamando na estrutura que o Neymar construiu. Pessoas famosas que têm bajuladores pesados.
No mundo corporativo também tem muito disso. Pessoas que têm poder – panelinhas corporativas, pessoas que se protegem para manter o poder, não para ajudar a organização, mas para manter o poder que têm. Existem muitos reis – entre aspas – muitos príncipes, muitos reis, muitas pessoas que acham que têm o rei na barriga, que têm o mundo sob os seus pés. Mas o mundo dá lição a eles de forma muito visceral. Existem pessoas que acham que têm poder e não têm poder nenhum. Acham que a influência que têm dura para sempre. O mundo é caótico. Muita gente que um dia estava por cima hoje está na miséria – na miséria moral, não miséria financeira necessariamente, mas perda financeira, perda de reputação. Reputação construída na artificialidade, que não se sustenta, que desmorona facilmente.
Quando as pessoas percebem que isso está acontecendo, tiram aquela pessoa lá de cima. Sempre vai ter um predador mais poderoso que você. Você pode ser predador, mas a cadeia de poder é infinita. O aventureiro, em casa vendo a aranha que está aqui em casa: eu posso ter controle sobre a vida e morte dessa aranha. Mas eu, diante do universo, não sou nada. Posso sair de casa e não voltar vivo.
Muito cuidado em relação a quem você humilha, quem você maltrata. Existem predadores mais poderosos e mais mal intencionados, e eles podem colocar você no lugar em que você merece ficar. Tem muita gente que deveria estar no fundo do poço hoje e não está. Outras que estão no topo desmoronarão rapidamente. Reputação é uma coisa que você demora uma vida para construir. Mas se você dá um deslize, aquilo tudo vai para baixo.
Capítulo 177: Enquanto existir cavalo, São Jorge não anda a pé

Hoje eu percebi que pizzas fit, supostamente saudáveis – na verdade eu já sabia – não são bem assim fit, mas às vezes a gente fica se enganando. Achando que a gente está se enganando? Essa é a questão. As pizzas fit não são fit. São uma delícia, mas têm calorias altas. Eu até acredito que as calorias sejam menores, mas não é aquela quantidade exorbitantemente menor.
Por que estou falando isso? Ontem – ontem e hoje, na verdade – me deu uma vontade louca de ficar comendo doce. Comi chocolate, comi um Kinder Bueno, comi alguns outros chocolatinhos que tinha aqui. Acho que foi o trem que eu comi, um pacote de pipoca doce. Depois me dei conta de que comer doce não mata a fome. A fome no nível mais elementar não é satisfeita por essas coisas. Então comprei uma pizza. Eu costumo pedir pizza fit, que teoricamente é saudável. Nas quatro ou cinco últimas vezes, três delas pedi uma pizza pequena de quatro fatias, porque achei que fosse saciar minha fome. Geralmente não consigo comer uma pizza inteira grande – de seis ou oito fatias. Não me lembro bem se tem seis ou oito. Ontem comi uma pizza grande. Tive vontade de comprar uma pizza grande. Comi ela, tadinha, inteira. E acho que se tivesse um pouquinho mais, eu ainda comeria mais.
Essa questão da fome, da gula, sei lá, acaba sendo um divisor de águas.
Estou lembrando aqui da época que morava em Copacabana. Eu tinha um fogão – o mesmo fogão que tenho aqui, na verdade. Eu não comprei outro. Só que desliguei o gás. Aqui não uso mais fogão. Fogão é uma peça decorativa. Tem uma sacola, uma caixa de papelão em cima, algumas tralhas dentro. Tenho uma caixinha de plástico, um recipiente debaixo com o Mickey desenhado, com algumas coisas dentro que nem sei o que é mais. Tem um cartão da época que viajei para Natal, fui num restaurante Camarões, ganhei esse cartão – tipo cartão de visita. É interessante. Um dia vou me debruçar naquilo. Tenho conteúdos que já tem muito tempo que não são visitados. Tenho um rack que ficam dois videogames em cima e alguns bonecos. Tenho outro rack, digamos assim, da televisão – a televisão fica pregada na parede.
Talvez eu vá tirar uma foto para ilustrar esse capítulo (e ilustrar este devaneio). Mas o capítulo não tem nem esse foco. Eu queria gravar outra coisa, porque estou me sentindo entorpecido.
Hoje fiz uma coisa diferente no trabalho? Não. Trabalho fluiu bem, não tem novidade. Acabei chegando mais tarde porque ontem fiquei até cerca de seis e pouco, muito cansado. Pensei: vou dormir até mais tarde. Inicialmente coloquei o relógio para despertar às sete. Mas sabe quando você quer dormir mais? Fiquei com vontade. Acordei no meio da noite. Tive sonhos estranhos. Não notei meu sonho direito, lembro alguns fragmentos. Têm a ver com um ambiente similar ao ambiente de trabalho, mas não chega a ser – não tem a ver com a atividade que faço, nem com as pessoas que conheço. É como se fosse uma cerimônia de premiação. Eu estava bastante relutante em relação às pessoas que estavam ali. Não sei se não fui reconhecido no processo. Era como se eu não pertencesse àquele ambiente. Fui grosseiro, mal-educado com algumas pessoas no sonho. Depois teve uma cerimônia, reconheceram algumas pessoas. Cheguei a me comover com a premiação, com o depoimento de alguém que supostamente era mais importante no evento. Mas eu fiquei por fora, tangenciando. Pensei: não tem muito sentido.
Deveria ter anotado o conteúdo do sonho, mas é como me lembro dele. Talvez em algum momento do futuro esses conteúdos voltem. É muito comum eu ter um sonho e acabar conectando conteúdos de mais de um sonho. Eles têm conexão, como se fizessem parte do mesmo universo – até visualmente, dependendo do sonho. Os prédios, a infraestrutura, têm características muito peculiares.
Acordei meio assim. Fiquei com uma música na cabeça porque o sonho era bonitinho. Como acordei oito horas, falei: não vou pegar metrô. Peguei Uber. Tinha um pouco de trânsito no meio do caminho, mas cheguei antes das nove. Já estava extremamente cansado. Tinha ido com uma camisa de tecido mais grosso. Me arrependi, porque no início do dia estava bastante frio. No período da tarde começou a me incomodar.
Não me lembro se já comentei com vocês: tenho dermatite seborreica. Minha pele solta muita caspa. Se coçar minha barba, sai pozinho branco pra tudo quanto é lado. Não tem nada a ver com limpeza – tomo banho diariamente, uso shampoo específico na barba. Quando a roupa é escura, preta, fica com aqueles pozinho branco. Sem contar na cabeça, que é a Disneylândia das caspas.
Saí para pegar Uber. Encontrei uma determinada pessoa que já tinha encontrado antes. É uma pessoa extremamente sedutora na conversa. Já veio conversar comigo algumas vezes. Produto na rua. Pessoa normal. Ficou querendo que eu contribuísse, que fizesse alguma coisa. Resolvi fazer uma boa ação para ele. Peguei o número de telefone. O problema foi a conversa que se desenrolou depois. Vamos ver no que vai dar. Tem muito a ver com uma questão de carência, sedução – eu tenho muito disso. Aí uns poderiam dizer: “Nossa, Aventureiro, qualquer um que conversa já…” Não é bem assim. Tenho faro para perceber determinadas situações e me desviar de situações perigosas. Não me sinto em perigo. Sabe quando a pessoa vem te abordar na rua? Algumas pessoas são extremamente agressivas. Não é o caso dele. É diferente. Ele trabalha na rua, mas não é uma pessoa em situação de rua – isso você detecta logo.
Ontem no horário do almoço, costumo almoçar relativamente rápido, depois atravesso a rua e fico vendo o movimento. Espero um horário mais ou menos para voltar para o prédio sem cruzar pessoas que não quero encontrar. Se cruzar, não tem problema nenhum. Mas existem questões: se você puder escolher, você não vai. Aí veio uma criatura contar uma estória triste que começou com “sou um ex-presidiário”. Nem olhei na cara dele….ficou falando….e depois, respondi “tenho não, obrigado”.
Vou dar um exemplo do casal no prédio onde moro. O rapaz – eu já comentei com vocês. Quando eu via esse rapaz acompanhado da menina, meio que parei de cumprimentar. Alguma coisa me irritou. A insistência dele em cumprimentar, mesmo estando acompanhado, me irritou mais ainda. Tenho alguma dificuldade de lidar com determinados contextos. Não sou mal-educado com ninguém, nunca arrumei confusão. Mas certas pessoas eu não quero conversar, não quero cumprimentar. No meu trato diário, tem algumas pessoas que moram no mesmo ambiente que eu cumprimento, que gosto. Mas a maioria absoluta são pessoas aleatórias.
Já comentei em um devaneio anterior que essa questão de “bom dia, boa tarde, boa noite” para mim faz sentido no ambiente profissional, porque as pessoas têm uma utilidade ali, usa uma persona, cada um tem um papel para cumprir. Fora desse ambiente, confesso que não gosto, não tenho hábito. Não sou mal-educado. Simplesmente não gosto. Quando você passa perto de uma pessoa e não tem saída, você é obrigado a cumprimentar? Tem pessoas que passam por perto de mim e estão cagando para mim, não querem saber de olhar, de conversar. Está tudo bem. Ninguém é obrigado a conversar comigo.
O buraco é mais embaixo. As pessoas moram no mesmo conglomerado que você, próximo. Não sou obrigado a dar bom dia. Da mesma forma que tem pessoas que não dão bom dia para ninguém. Porque as pessoas não estão preocupadas se você está tendo um bom dia de fato. A maioria não está. Algumas são extremamente contagiantes – quando uma pessoa com uma energia boa chega, fica subentendido qual é o propósito daquele bom dia. As pessoas confundem muito gentileza com cantada. Acham que porque a mulher foi gentil, educada, quer dizer que está afim do homem. Não tem nada a ver uma coisa com a outra.
Eu tenho uma peculiaridade. Fico no meu dia a dia preocupado com o que pode acontecer: alguém comentar alguma coisa comigo e, se eu não gostar da pessoa, fazer um comentário ácido, debochado. Sou muito assim. Não falo mal gratuitamente. Ao longo da minha trajetória, tiveram pessoas que foram extremamente sacanas comigo. Não falo mal nem destas pessoas. Não valem nem isso. O que falo delas, eventualmente, com outras, são coisas que falaria na cara da própria pessoa – como eu era tratado, a hipocrisia do discurso e da prática, as medidas tomadas de forma desigual. Se eu comento isso com outra pessoa, não é desonestidade, não é traição. Estou sendo explícito.
Já dei esse exemplo em algum momento: um grupo de pessoas que se encontra todo final de semana. Do nada, as pessoas começam a sair daquele grupo – um sai, outro final de semana outro sai. Sem necessariamente brigar. Às vezes a pessoa tem algum tipo de conflito velado. Se um grupo começa a ter uma debandada de pessoas, o problema não são as pessoas que saíram – é o ambiente que está ali. Você vê evidências.
É igual uma empresa que remunera mal. Felizmente não é meu caso. Eu já trabalhei em empresas que remuneravam mal. Isso é fato. Naquela época, algumas inclusive me colocavam em situações de humilhação, de depressão. Muitas coisas aconteceram. Genitálias voadoras e garantidoras de prestígio, motivo pelo qual você não tinha “privilégio” naquele galinheiro.
Exemplo hipotético, pois nunca trabalhei em supermercado: supermercados remuneram muito mal, um salário mínimo …dois …e olhe lá. Na minha cidade de origem, os supermercados são extremamente precarizados com empregos. Aqui no Rio também. Acho que serviços no geral pagam mal. Tirando a indústria que tem lá na minha cidade de origem, que é bem consolidada e remunera bem. A maioria do comércio, as pessoas são muito mal remuneradas. Tenho muita empatia por essas pessoas. Quando vou a restaurante, a uma loja, sou muito educado, tenho energia. Ali é uma relação de serviço – Uber, motoristas. Não estou fazendo mais do que a minha obrigação. Mas tem gente que não faz nem isso. Acho que algumas pessoas acham que estão lá fazendo um favor para você. Ou pessoas com poder econômico acham que os outros têm que servir, que podem humilhar, ser preconceituosas. Não é meu caso.
Esse contato de hoje de manhã, enquanto esperava o Uber, tem muito a ver com isso, só que a coisa distorceu um pouco por um lado diferente. Porque as pessoas em geral se aproximam de mim – quem não me conhece fora do ambiente de trabalho – com algum tipo de interesse bem específico, e geralmente envolve dinheiro. Costumo ter magnetismo pra atrair malucos de toda sorte também.
Mas sobre as relações…sendo uma relação comercial, tem vários relacionamentos, vários vínculos afetivos construídos do tipo comércio. Pagar para ter um encontro, uma companhia. A pessoa tem que ser capaz de prover alguma coisa. Tem que ser uma relação de troca. Desde que seja uma relação de troca justa, não tem problema nenhum. São duas pessoas adultas.
Hoje vi uma notícia sobre um cantor sertanejo – não idosos, mas a namorada dele, quando ela nasceu, ele já era velho, já tinha minha idade ou mais. Tem até um ditado que as pessoas brincam: talvez o amor da sua vida nem tenha nascido ainda. Pois é. Talvez o amor da minha vida nem tenha nascido ainda. Daqui a vinte anos, se eu estiver vivo, vou estar com sessenta e quatro. Uma pessoa nascida hoje, daqui a vinte anos vai ter vinte. Se eu estiver sozinho e encontrar alguém com vinte anos, e essa pessoa quiser um relacionamento comigo por interesse – “você me banca, me ajuda” – tudo bem. Mas aí você vai ter que fazer as coisas que eu quero também. É uma relação de troca. Não deixo ninguém me usar. Se eu entro numa relação não convencional com alguém, seja remunerando, seja me aproximando com interesse – se a pessoa não me oferece nada, para que vou ficar aturando?
É lógico. Você não fica rasgando dinheiro, dando dinheiro para os outros. O mundo inteiro está recebendo dinheiro de forma ilícita de certos políticos e banqueiros – eles ajudam querendo algo em troca, não é pelos belos olhos azuis.
Lembrei, no dia em que me mudei pro meu apartamento recém adquirido, que estava com um caso com um rapaz. Ele veio me ver algumas vezes. Ele era extremamente oportunista. Eu pagava almoço dele nos encontros (e ele comia horrores)….quando vim pra cá, já ficava falando em decorar o MEU apartamento….como se eu fosse trazê-lo pra cá. A exploração foi tanta (ele não se mudou pra cá não…) que um dia eu falei com ele, explicitamente “que não sustentava vagabundo”. Moral da estória, quando foi embora, falou um “se cuida” e nunca mais me deu notícia.
Se ao menos, enquanto relação comercial eu estivesse obtendo benefício, via de mão dupla….mas teve um fim de semana que ele dormiu aqui de sábado pra domingo. Um dia ele e eu transamos…..”ele meio com muita má vontade”. E depois, ficava esquivando dos repetecos….e eu queria (porque tinha muita energia acumulada). Fiz o demonstrativo de resultados do caso e constatei que estava no prejuízo. Pagando almoços caríssimos pra ele. E ele achando que ia morar comigo (acho que nem com um Iran Malfitano da vida eu moraria com ele, tão rápido assim)
Quando uma pessoa se aproxima de mim na rua, uma pessoa que já conheço, com toda uma conversa, uma sedução, ela tem um objetivo ali. Eu falo: “Vamos conversar. Posso te ajudar, ajudar sua família. Mas tenho que ser ajudado também. Meus interesses vão ser atendidos?” A pessoa que simplesmente quer espera que eu ajude e não tenha nada em troca, será abandonada tempestivamente.
Dinheiro de todo mundo é suado, recursos são suados. Dando outro exemplo: parente que você nunca conversa na vida, do nada te procura. Se não for dentro do ambiente de trabalho, pode ter certeza que a pessoa quer alguma coisa. E geralmente quer uma coisa sem dar em troca – quer dinheiro. Eu não sou banco. Não sou rico, não sou banco, não sou otário. Quando uma pessoa chega pedindo dinheiro emprestado ou contando uma historinha clichê…fujo. Eu ajudo quando quero ajudar. Com muito gosto. Meus pais, tenho gratidão, ajudo no que precisarem – plano de saúde, supermercado, qualquer coisa que precisarem. Eles têm a realidade deles. Nunca faltou nada na minha família, felizmente. Sempre ajudo.
Agora, uma pessoa que não conheço, ou que conheço e nunca me procura para nada, e do nada te dá um bom dia com um sorriso arreganhado – “tá bom, vamos ver o que você quer”, penso. A pessoa me aborda na rua: “O que você quer?” Eu vejo a oportunidade de a pessoa me oferecer algo em troca. Pode ser qualquer coisa – tangível, intangível. Aí uns vão dizer: “Nossa, vai se aproveitar do fulano.” É uma relação justa. Você não força ninguém a fazer nada. A pessoa faz aquilo se ela quiser. Você deixa claro as regras. É igual você chegar numa loja: vê o cardápio, vê o preço, decide se quer comer ali ou não. Se decidiu comer, está de acordo em pagar o preço. É um acordo.
A minha ajuda…a minha atenção também tem preço. Posso colocar uma etiqueta de preço nela. Sim, coloco. A pessoa que espera ter uma relação de mão única com você – fuja. Relação de mão única não existe. Relações têm que ser de mão dupla. Tem pessoas que conheci e estabelecemos uma relação comercial ali, ela paga o preço. Via de mão dupla. Não tem essa de “a pessoa não fez nada”. A pessoa faz aquilo porque quer. É igual emprego. Pergunta o salário. O empregador fala: “Eu pago X.” Você acha que não é bom? Então vai embora, seja feliz. O valor que eu pago é esse.
Teve uma pessoa que encontrei – conversei na internet, já tem um bom tempo, antes de eu viajar. A gente estava conversando. Ele disse: “O meu preço é tal.” Eu falei: “Não estou de acordo com esse preço.” Depois contei para ele: “Pois é, se você tivesse aceitado o preço tal, a gente teria se visto. Você não aceitou. Eu encontrei várias outras pessoas que aceitaram.” Ele falou: “Tá bom, que bom para você.” Está tudo bem. Mas fiz questão de falar com ele. Ele é obrigado a aceitar o que estou oferecendo? Não. Eu sou obrigado a aceitar a oferta dele? Não. Adulto não é obrigado a aceitar preço de ninguém.
A pessoa que chega para mim – já aconteceu com algumas pessoas próximas – vem contando uma história oferecendo possibilidades, mas para isso “isso tem que acontecer”. A pessoa ficou enrolando. Nada. A pessoa sabia exatamente o que eu queria. Por que troquei o telefone com ela? Sabe muito bem. Tem algumas que me mandam mensagem.
Eu seria uma pessoa que ela quer me fazer as coisas, mas do jeito dela, ignorando o que eu peço. A pessoa quer uma determinada coisa, mas oferece outra. Isso acontece muito no mercado comercial sexual da cidade. As pessoas assumem uma identidade muito específica: “A pessoa é dominadora, faz isso, não faz aquilo, não beija, não faz isso, só faz aquilo.” Na prática, ela quer ser remunerada por algo que gosta. Tem toda a razão. Não é obrigada a fazer uma coisa que não gosta. Mas eu também não sou obrigado a topar a proposta dela só porque é o que ela quer. Quero um serviço que ela oferece, mas na condição dela não quero. Quero outra condição. A pessoa fala que não faz. Então procure outro. Às vezes vem encher o saco: “Mas veja bem…” Não. Não abro mão das minhas condições. Ele também não é obrigado a abrir mão das condições dele.
Aconteceu uma vez…uma pessoa que, a princípio, não aceitava as condições – olhou o meu “anúncio” intangível, não tinha as condições que eu queria. Sabe quando você joga verde para colher maduro? Joguei verde. Colhi maduro. Remunerei essa pessoa. Vi ela duas, três vezes. Se não tivesse aceitado as minhas condições, não ia ganhar meu dinheiro – ia ganhar de outras pessoas, talvez. Mas sempre me avisa: “Estou indo para o Rio.” Sempre que essa criatura vem, eu quero vê-la….porque entende as condições. E é bem remunerada por isso.
Eu não vou fazer o que as pessoas querem. Quem faz o que eu quero? Eu vou fazer algo que eu quero. E buscar quem faça o que eu quero.
O mundo tem essa natureza utilitarista. As pessoas fazem o que dão vontade de fazer. Ninguém é obrigado a fazer nada, e está tudo bem. Não pode ter hipocrisia. Essa pessoa que pedi o telefone – fiz questão de depositar inicialmente um valor, porque a pessoa foi muito atenciosa comigo, e não foi a primeira vez. Me senti quase em débito. Dei um valor, falei: “Olha, estou te dando isso aqui.” Deus tocou no seu coração para ajudar? OK, ajudei. Aí falei: “Olha, se você quiser continuar sendo ajudado por mim, tenho condições específicas. Você topa?” Ele falou que pode. Vamos ver se topa.
Ninguém faz nada. O mundo gira em torno do dinheiro, gira em torno de relações comerciais. Igual àquela desgraçada que chegou para mim uma vez e falou: “Ah, eu estou aqui e tal, nem queria aceitar a condição, mas é por causa do dinheiro.” Sim, você está certa: tem alguém pagando pela incompetência dessa desgramada…ela tem mais que aproveitar mesmo! Tem pessoas que são pagas sem ter competência. Tem pessoas que são pagas com base na confiança. E ela quis dar uma aula para mim do que é confiança. “Aventureiro, você sabe o que é confiança”. Sim, minha filha, eu sei… Eu sei muito bem o que é confiança.
Num cenário hipotético (e no real também), você não vai ajudar pessoas que você não gosta. É uma coisa muito óbvia. E ajuda eu nem falo de dinheiro não. Ajuda envolve várias nuances….e camadas.
Às vezes vejo notícia de gente que enriqueceu. “Ah, a tia do fulano está morando num barraco e ele tá bilionário.” Você para para pensar: ele é obrigado a ajudar a família inteira? Não. Ninguém é obrigado. Tirando a família que tenho contato diário – basicamente pai e mãe. Se eu enriquecesse da noite para o dia, ajudaria algumas pessoas, mas não vou resolver os problemas do mundo.
Vamos supor que eu ganhasse naquela loteria bilionária dos Estados Unidos. O primo que era meu parceiro, que saía comigo à noite, que conversava, que tinha uma amizade – sou obrigado a dar dinheiro para ele também? Não. Ninguém é obrigado a nada. As pessoas perdem a noção do mundo, perdem a noção das coisas.
Já tive duas situações aqui no conjunto onde moro. Uma dessas pessoas, eu estava conversando com ela, estava meio… propus: “Olha, vamos lá em casa.” A pessoa entendeu bem o que eu queria. Chegou aqui, fez um negócio meio malfeito. Mas noto que essa pessoa, quando me vê com outras pessoas (que fazem bem feito), fica meio brusca, irritada. Infelizmente, não posso fazer nada. Se ele não faz o que outros fazem, não tem que ficar emburrado comigo. Não vou jogar aviãozinho de dinheiro pra ele só porque é gostoso.
E sabe para que me mandou mensagem? Essa pessoa entendeu no contexto. Ela sabia muito bem o tipo de abordagem que eu queria. Chegou para mim pedindo dinheiro emprestado. Falei: “Não. Comigo assim não acontece nada. Você só tá chegando pedindo?” “Ah, porque você…é meu amigo”. Então tá bom. Não sou obrigado a dar dinheiro para você não. Meus termos são esses. Você não topou.
Tem muita gente que tem cara de pau de chegar em você depois de dez anos sem conversar. Tem uma pessoa específica da minha cidade de origem que todas as vezes que me procurou foi para pedir alguma coisa. Uma foi para comprar uma camisa: “Você vai viajar para tal lugar? Compra uma camisa assim assim para mim.” Teve uma vez que pediu para comprar uma camisa de time de futebol. Falei: “Tá bom, vou ver o preço.” Com a maior boa vontade eu falei: “Vou ver quanto custa, te passo o preço, você faz o Pix, eu compro a camisa para você.” Ela ficou irritada. Achou que eu ia comprar a camisa de presente. Filha, não vou comprar camisa de presente para você. As pessoas são muito sem noção.
Como diz um falecido ensinado meu tio que vive a falar: “Enquanto São Jorge tiver cavalo, não anda a pé.” Se você deixa as pessoas montarem em você, meu filho… Tem pessoas que são exploradas assim, passam por situações que eu jamais passaria. Comigo é tudo na base da reciprocidade. Tenho uma carinha de bonzinho, mas absolutamente zero pessoas exploram minha boa vontade. Faço questão de receber algo e ter uma relação qualquer que eu considere superavitária….
Pode até ser numa base de dar sem interesse, mas aí é porque eu quero dar, eu quero fornecer alguma coisa e não tenho interesse em troca. A maioria das coisas eu tenho interesse também.
Foi um papo bastante produtivo. Ia falar de outras coisas, mas acho melhor deixar para outro devaneio. Tenho que guardar minha roupa que acabou de lavar. Depois vou comer mais alguma coisa…acabar de jantar. E jogar um bocado de videogame. Porque esse papo de sanguessugas me deu raiva.
Capítulo 178: “Paizão”, “padrinho”….me dá uma moral aí?

Eu gosto muito dos fenômenos que acontecem. Ontem eu já tava até prevendo que ia acontecer isso. Comecei a conversar com uma certa criatura ontem. Não estava alimentando nenhuma esperança clandestina por ele, porque a gente sabe que quando a pessoa está numa determinada situação, ela está acostumada a certos padrões. Sabe a pessoa que só quer pedir dinheiro? Ela não quer uma relação de troca. Ela quer trabalhar? Ela não quer trabalhar, na verdade – ela quer as coisas de mão beijada. Quer uma doação, um presentinho. Tem muita gente assim no mundo. As pessoas que se aproximam das outras por interesse – interesse por dinheiro. Isso é muito comum. Provavelmente na sua família você deve conhecer pessoas assim, que na primeira oportunidade pedem dinheiro emprestado.
Conheço alguns casos de família de gente que pediu dinheiro emprestado e não pagou. Obviamente, já era esperado. O curioso é que toda oportunidade que essa pessoa tinha de encontrar com quem emprestou, ela ficava com raiva, não queria conversar, ficava de cara emburrada. A pessoa que estava devendo é que ficou de cara emburrada? Não queria saber de pagar.
É muito simples. Você entra em contato com uma pessoa: “Olha, me empresta dinheiro?” Você para para analisar: primeiro, você não é um banco. Você não é agiota. Porque se essas pessoas pedissem dinheiro com agiota, provavelmente já estariam mortas, porque não vão pagar. Agiota tem um código de ética – vai cobrar com a vida. Às vezes as pessoas matam por muito pouco. Tem gente que mata por 100 reais, por 10 reais.
Ontem vi uma notícia que fiquei desolado. Um rapaz encontrou uma criatura, outro homem. Aí uns vão dizer: “Ah, encontrou por aplicativo? Isso é promiscuidade, não se cuidam, levam qualquer pessoa para casa.” Como se no meio hétero não estivessem propensos. Você vai conhecer uma pessoa numa balada, às vezes só quer transar. Homem hétero com mulher – leva para um motel. Quem garante que não vai acontecer merda? O problema é que é muito mais perigoso para a mulher do que para o homem. A probabilidade da mulher ser uma psicopata e querer matar o homem é menor, porque mulher tem menos força – a menos que seja com arma de fogo.
O que eu vejo de golpe geralmente envolve entorpecer a pessoa. “Boa noite, Cinderela.” Aí você vai na balada. Garotas de programa já vi notícias também: mulheres que foram levadas para o apartamento do cara, colocaram algo na bebida dele. O homem se distraiu, não suspeitou de nada. Teve um “boa noite, Cinderela”. As mulheres levaram as coisas dele ou fizeram alguma coisa errada – amarraram, fizeram refém. Existem situações em que a mulher está com uma gangue, com homens envolvidos. Torturam, a pessoa, fazem aquele tipo de sequestro que pega a conta bancária, tudo que puder sugar.
O caso dessa criatura: ela foi comprar uma bebida, conhecer uma pessoa na rua – “vamos beber lá em casa” – só que essa pessoa era criminosa, usava tornozeleira eletrônica. Não conversaram antes, não trocaram ideia, pelo que li. Essa pessoa morreu por 100 reais. Por que posso dizer isso? Porque ele matou o rapaz, saiu do apartamento, levou o notebook da pessoa, vendeu por 100 reais para comprar droga. Já vi outros casos: o cara estava louco de droga, levou outro rapaz para casa, o rapaz matou. Se você está num estado alterado, fica mais vulnerável.
Outra coisa que acho uma armadilha: você está no centro da cidade, aparece um perfil esquisito falando “quer colar? aqui estou eu e outra pessoa” (ou às vezes a pessoa nem fala que está com outra). “Tenho local.” Você jura que vai sair do lugar onde está para ir para a casa de outra pessoa? Eu acho mais perigoso ir para a casa da pessoa do que trazer para sua casa. Porque se você vai na casa da outra pessoa e ela tem mais duas pessoas, dois capangas lá, eles se mobilizam e fazem com você o que quiserem. Se você está na sua casa, bem ou mal, você sabe o ambiente….e que não virão 2, 3 de uma vez… Você pode se manifestar. A situação contrária é mais difícil – várias pessoas numa casa, você acha que tem apenas um.
O recado que quero falar não é nem esse. A vida anda valendo muito pouco. As pessoas perdem a noção do absurdo. Você vê notícias de violência: a pessoa morre por 10 reais, morre por dívida, morre por conta de namorado, marido, esposa. Tudo nesse mundo, de uma determinada medida, envolve dinheiro.
Eu já suspeitava pela condição que a coisa aconteceu. Ia tomar muito mais precauções, ia ser muito mais precavido, mas queria ver até onde ia a situação. Sabe quando você fica curioso para saber? A pessoa fala uma coisa com você, estabelece um combinado. No dia seguinte – eu nem tinha acordado, era seis e pouca da manhã – essa pessoa já me manda umas seis mensagens de texto no WhatsApp. Falando que está precisando muito de mim, me chamando de padrinho, de paizão. Aí já mandei um textão mandando a real para ele. Eu sabia o que ele ia querer. Falei: “Olha, nós temos um combinado. Eu não sou banco para você ficar pedindo dinheiro a torto e a direito.”
A pessoa veio contar uma história triste – que tinha que pagar aluguel, que o aluguel era um valor tal, que estava contando comigo. Fazendo aquelas coisas de chantagem emocional. No WhatsApp é muito mais difícil. Pessoalmente, ele tem uma sedução, um papo, um gogó que convence você. Eu dei no dia que nos vimo um dinheirinho para ele. Pedi o Pix dele. Isso foi ontem. Dei um dinheirinho para ele. Até para compensar, porque já tinha encontrado com ele umas três vezes. Ele parou, conversou comigo, me deu atenção. Falei: “Pô, a pessoa tá aqui tentando ganhar a vida honestamente, vendendo as coisinhas dele.” Não é uma pessoa miserável – bem arrumadinho na rua, tem foto no WhatsApp, tem moto. Não é uma pessoa em situação de barril, não é viciada em drogas ilícitas de uma forma que vai pegar aquele dinheiro para comprar droga. Ele fala que é para comprar comida, fralda para as crianças. Me mostrou a foto de um bebezinho, falou que é a filha dele. Já vi ele passando na rua com uma camisa com fotos da família dele. Ele tem um QR code para as pessoas poderem depositar um valor, porque está vendendo coisas na rua. OK, super digno.
Fui conversar com ele ontem. Fiz uma proposta. Ele aceitou, no discurso. É maior de idade, tem filho. Dois adultos. Esse adulto achou – porque as pessoas são assim – que só porque você está derretido por elas, porque mandei um monte de mensagem ontem para ele, “já que ele está vidrado em mim, vou aproveitar, vou pedir mais”. Não é a primeira pessoa a fazer isso. Tem algumas pessoas com quem já saí que vêm com esse papinho: “Ah, me adianta um dinheiro que eu desconto do próximo encontro.” Não faço isso. Há uns anos atrás eu caí num pequeno golpe. Estava conversando com uma criatura e ele pediu para adiantar dinheiro porque estava precisando por causa de hotel. Esse estelionatário – inclusive outro dia vi ele aqui, vi ele no aplicativo. Ele existe ainda. Teve uma vez que ele visitou meu perfil. Não quero mais conversa. Ele ganhou um dinheirinho, praticamente extorquiu, porque não fiz uma doação – depositei adiantado. Certas coisas a gente vai aprendendo, no bem e no mal. Depositar coisas adiantadas? Não faço mais. Nunca mais.
Se for uma pessoa que conheço, que mora em Santa Catarina, costuma vir para cá, já tem uns anos. Quando ele vem para cá, se acontecesse uma coisa dessas, eu confiaria. Mas seguro morreu de velho. Na prática, você não pode confiar nesse nível. Ele é o que se diz seguro para fazer agora. O outro não. O golpe que caí – eu nem conhecia pessoalmente ainda.
Lembrei de algo…foi um pouco antes da pandemia. O Eros Ramazzotti veio ao Rio fazer um show. Fui ao show. Estava chovendo pra caramba. Fui para o Vivo Rio. No retorno, fiquei com aflição querendo ir embora. Naquela época tinha Uber, poderia ter pegado Uber. O que o idiota Aventureiro fez? Pegou táxi. Paguei na maquininha…quando cheguei em casa, vi no cartão que cobraram 2 zeros a mais….
Táxi no Rio não é confiável. Esses táxis amarelinhos não pego de jeito nenhum….só se estiver morrendo e não tiver opção… a menos que seja para pagar com dinheiro, dinheiro contado. E mesmo assim existe falta de confiabilidade grande … taxímetro adulterado é um dos problemas
Lembro que na primeira vez que meus pais vieram me visitar no Rio, eu morava em Copacabana. Eles entraram num táxi com dois caras. Perigo. Cobraram 100 reais do meu pai e da minha mãe. Um valor muito caro. Hoje em dia, se pegar um Uber da rodoviária para minha casa, pagar 40 reais é muito. Agora imagina 100 reais lá em 2009, 2010. Absurdo. Pessoas intimidadoras. Meu pai e minha mãe. Poderia ter acontecido merda.
Uma das últimas vezes que peguei táxi comum – depois aprendi como se pegava táxi. Táxi comum que chega, você pega um papelzinho, tem uma segurança. Hoje em dia só pego Uber. Graças a Deus. Já passei muita raiva. Lembro uma vez que desci no aeroporto do Galeão na volta de uma viagem internacional. As pessoas queriam cobrar o olho da cara para me levar para casa. Fiquei agoniado. A pessoa queria cobrar 300, 400 reais para me levar. Como eles tinham monopólio e não dava pra pegar transporte fácil, colocavam o preço que queriam – taxista é uma raça complicada no Rio, acham que vão tirar vantagem de tudo – fiquei desesperado. Foi muito difícil voltar para casa.
Hoje em dia as coisas estão mais fáceis. Uber piorou muito aqui no Rio, às vezes você fica esperando muito porque os motoristas ficam olhando quem paga mais …fazem leilão. Mas eu entendo – as pessoas são mal remuneradas, vão ver o que fica melhor para elas. No aeroporto, não preciso mais pegar táxi comum. Tem lugar seguro para pegar Uber, não fica aquele assédio violento de gente em cima de você.
Falei disso tudo para contar essa história de pessoas com comportamentos previsíveis, que fazem parte da cartilha desse povo. Entendo a situação….mas fiz oferta e a pessoa, na fala, aceitou….não forço ninguém a nada. Ninguém é obrigado a aceitar nada. Está tudo bem.
Agora, por que falei disso? Outro dia você desmente e inventa outra história: “Me ajuda a pagar um aluguel.” Para mim, isso é uma reação em cadeia. Se você abre uma exceção uma vez e ajuda uma pessoa fora dos termos – vou dar um exemplo realista. Você fala: “Olha, vou te pagar tanto cada vez que você vier aqui.” OK. Se eu dou um dinheiro que não estava esperado, fora do acordo, o que vai acontecer? “O Aventureiro é mão aberta. Consigo convencer ele a fazer tudo que eu quiser.” Aí vão pedir dinheiro, ele vai dar.
Enquanto São Jorge tiver cavalo, não anda a pé. O capítulo anterior ilustra muito esse espírito. Não anda a pé mesmo.
Já tive outras experiências assim. Ontem estava conversando com um entregador da farmácia, um cara gente boa. Ele sabia de algumas situações envolvendo pessoas, sabia que essas pessoas iam falar. “Fala para o Aventureiro que qualquer hora dessas eu vou tomar um café na casa dele.” – avisaram ao entregador da farmácia pra falar pra mim….Sabe esse papo da pessoa que fica jogando um charme, dando uma falsa esperança? Foi isso que aconteceu. Quando voltei de uma das viagens que fiz – fui para a Disney – ficou emblemático. Voltei, e a pessoa falou “pô, próxima viagem me leva pra Disney também?” Aquilo acabou virando piada.
Ontem estava comentando com o entregador da farmácia: tem outro entregador que já veio fazer entrega aqui, que eu nem conhecia. Primeira vez que ele veio aqui em casa, viu um monte de bonequinho – tenho uma coleção. Olhou para os bonequinhos e jogou uma piadinha: “Ah, meu filho adora bonequinho. Bem que você podia me dar um bonequinho desses.” OI? Lógico que não vou dar. Ele, supostamente, estava brincando….mas vai que, né? Jogou verde…vai que o “idiota” do Aventureiro aqui aceitava (na visão dele)!. Outra entrega que ele fez, olhou para mim e falou: “E aí, você vai me dar um bonequinho desse pra mim?” rindo. Faço essa analogia do São Jorge: imagina se eu desse um bonequinho para ele. Na próxima entrega, ele ia querer mais.
Você dá a mão, a pessoa quer o braço. Foi isso que aconteceu com essa pessoa. Fiz um combinado com ela. No dia seguinte ela achou: “O Aventureiro está vidrado em mim, então vou pedir mais coisa.” Enganou-se. Eu estou acostumado a pagar pra determinadas coisas sim, mas minha régua é lá no alto, se é que vocês me entendem. Estou acostumado a “comer” bem. Não é qualquer sereio que vai me seduzir não. É um Iran Malfitano da vida? É um ator pornô AAA americano, do nível dos que estou habituado a pegar quando viajo? Não. Pois é. Não convence não.
Eu entendo a condição que as pessoas têm. Não sou uma pessoa rica, sou comum. Tenho uma vida autônoma. Mas não gosto que ninguém me faça de bobo. Não permito. A pessoa achar que vai me fazer de bobo porque tenho uma carinha fofa, voz de adolescente, jeito de garoto, porque sou brincalhão…44 anos nas costas, gente.
Me afeiçoo fácil, me apaixono fácil. Aí a pessoa acha que, por causa disso, o Aventureiro vai cair em qualquer golpe. Não é assim. Se fosse há uns 15 anos atrás, talvez. Hoje já sou macaco velho. Já passei por muita coisa. Já conheci gente maluca, psicopata. Teve uma situação que eu acho que já contei para vocês: uma pessoa que achava que era meu proprietário, que eu era dele. Ia para a casa dele, ele falava “sempre que você vier aqui, tem um Toddynho gelado te esperando”, me tratando como criança. Eu não via nada demais naquela época – 2008. Agora, comparar o Aventureiro de 2008 com o de 2026? Não tem como. Então, achar que vai me aplicar um golpe assim… vai mesmo?
Você acaba criando uma casca diante de certas situações, porque aprende. No bem ou no mal, o mundo não é justo para ninguém. Nada vem de mão beijada. Falei com ele: “Nós tínhamos um combinado desde ontem. Eu não dou dinheiro para as pessoas, estabeleço relação de troca. É você me dando que você recebe.”
Não é questão de ser interesseiro. É a vida real. Amizade também é assim. Amizade tem que ter um benefício. Você dá, você recebe de mim. Não no sentido de explorar, fazer mal. Relacionamento é assim também. Se a pessoa está se sentindo sugada, que a situação está deficitária, não faz sentido.
É por essas e outras que sempre vou preferir ficar sozinho a me sujeitar a situações dessas. O que se observa muito no meio gay: as pessoas cada vez mais valorizam uma estética de corpo. Tem gente que não gosta de pessoas baixinhas. Teve um que falei minha altura, ele falou: “Ah, não gosto de anão.” Não sou anão, mas sou baixinho. Teve um que falei meu peso, a pessoa respondeu: “Pô, o supino que eu carrego na academia é o seu peso.” A pessoa se achando muito forte, muito poderosa. As pessoas têm egos inflados. Eu não tenho. Tenho muitos problemas, vários deles relatados aqui. Mas sou bem resolvido numa série de coisas que não vão me fazer de bobo.
Por mais que minha situação esteja ruim em determinados aspectos – e esses devaneios expressam o espelho da minha alma – diante de certas situações também não vou aceitar qualquer coisa. Não vou mesmo.
Lembro de um rapaz que achou que eu ia sustentar ele, lá pelos andos de 2011. Encontrei ele umas cinco vezes. Ele achou que ia morar comigo no meu apartamento. Ele já estava com ideia de como decorar, como pintar MEU apartamento… já falava de viagem comigo (eu pagando, claro). Olha a cabeça dele. A ingenuidade é tamanha. No início do relacionamento, ele vinha aqui, ficava final de semana inteiro. Teve uma vez que veio aqui várias vezes e não quis transar, não quis fazer nada. Ficou difícil – só beijinho… Ele vinha no final de semana, eu ia para restaurante com ele, pagava almoço meu e o dele. E o cretino comia bastante também.
Você entende que vai dando abertura – a pessoa vai escancarando os tentáculos e as ventosas como um parasita. É igual a tênia que fica no intestino consumindo os seus nutrientes, se desenvolvendo. Quando você vê, tem uma tênia de não sei quantos metros no seu intestino.
Muita gente cai nos golpes deles. Eu não caio. Prefiro ficar sozinho.
Existem situações que eventualmente podem compensar. Se fosse um Iran Malfitano da vida, desses exemplos de maravilhas de macho que a gente fica derretido – sim. Mas não….são comuns se achando…ou achando que eu sou inocente demais pra cair no canto da sereia, sendo que estou acostumado com níveis mais altos de volúpia.
Aí você vê o custo-benefício e fala: “Não vou querer.” Lá nas minhas viagens, já cheguei a conhecer muitos famosos do mundo pornô. Pessoas extremamente atraentes. Alguns nem quis ver mais de duas vezes. E aí vem um alecrim dourado que nem é lá essas coisas sexualmente achar que eu vou dar dinheiro, mundo, minha alma pra ele?
Esse menino de ontem para hoje achou mesmo que mandando um monte de mensagem – “padrinho, paizão” – eu ia cair no golpe. “Vou pedir para ele pagar meu aluguel e ele vai depositar.” Enganou-se muito. Deixei uma lição. Falei: “Olha, você está precisando? Tá bom. Eu não sou banco para ficar dando dinheiro quando você pedir.” É a teoria dos tentáculos. Se eu fizesse isso uma vez, no dia seguinte ele ia pedir mais.
Como você vê pessoas caindo em golpes amorosos na internet – pedem até dinheiro emprestado porque se apaixonaram pelo fulano. Comigo não vai acontecer. Sorry.
As pessoas têm que ter um senso de autocuidado, autoestima. Entender as coisas. Queriam que eu desse dinheiro para ele, ou que fizesse isso ou aquilo. Isso aqui não, gente. Não vou fazer as coisas só porque a pessoa quer. Posso até fazer, desde que seja lucrativo para mim. Lucrativo no sentido de a pessoa estar dando o que estou esperando dela.
Essa pessoa de ontem falei exatamente o que queria. Ele falou que ia fazer. Falei para ele: “Isso que você está falando para eu pagar o seu aluguel – se você se encontrasse comigo duas vezes nos termos que combinamos, em duas horas líquidas você pagaria o aluguel.” Ele quis dobrar a aposta. Achou que eu ia pagar o aluguel só porque estava apaixonadinho por ele.
As pessoas não têm muita noção, não. Acham que vão se aproveitar de mim. Não vão. Sou bonzinho, mas não sou idiota. Sou uma pessoa com necessidades também. Se a pessoa não quer fazer o combinado, eu encontro quem queira. Os meus termos são como um termo de adesão – igual quando você vai usar uma inteligência artificial safada, tem lá o termo de uso. É isso aqui.
Empresas safadas como Google e OpenAI, com falta de salvaguarda ética, com falta de princípio de IA responsável, passam batido. “Ah, vou patrocinar uma cátedra na USP de inteligência artificial responsável.” Google, você não sabe nada de IA responsável. Se coloque no seu lugar. OpenAI menos ainda – levou pessoas a tirar a própria vida. É muita sacanagem.
Se inteligências artificiais fazem sacanagem com você, imagina as pessoas.
Criaturas que são capazes de ter autonomia tamanha que levam você para o abismo. As criminosas Google e OpenAI quase me mataram em 2025, quase me fizeram pular do abismo. Você já parou para pensar numa coisa dessas?
Você está cercado de sabores, de malícia, de gente querendo dar golpe, gente achando que você é trouxa. Valorize-se. Tenha uma resiliência interna, uma consistência sólida para poder se reerguer. É o que eu fiz ao longo de todos esses anos. Me reergui de forma visceral, não deixei que ninguém me derrubasse. Eu sou um diamante. Apesar de não saber qual é o propósito do mundo, sei que não vou deixar energias ruins me prejudicarem nesse nível.
É para isso que serve este blog – para deixar um legado. Muitas pessoas vão ler, vão falar: “Nossa, o Aventureiro se expondo, mostrando fragilidade.” Você é um ser humano como eu. Não melhor nem pior que ninguém. Mas uma coisa é certa: não vão puxar meu tapete assim, não vão. Tenho uma energia interna contundente. Não deixo ninguém passar a perna em mim. As pessoas podem achar que sou bobo, mas de bobo, não tenho nada.
Capítulo 179: Contrato psicológico e oportunismo estratégico

Existem alguns momentos ou instantes em que a gente fica com receio de certas coisas. A conexão com o Divino – a gente sempre busca, ou pelo menos eu venho sempre buscando, uma conexão que seja segura, sem percalços. Muitas pessoas costumam dizer que essa questão de buscar atalhos para as coisas pode trazer algumas consequências.
Ultimamente não tenho sentido vontade de buscar atalhos, apesar de ter a possibilidade – por mais irresistível que possa parecer em um primeiro momento.
Ontem fiz uns exercícios de meditação à noite. Venho fazendo algumas mentalizações, frases positivas, coisas que fazem parte da minha rotina agora – antes não fazia nada disso. Mudei um pouco de foco nos últimos tempos, parei de ficar assistindo vídeos de horóscopo e essas coisas. De vez em quando, quando vejo um título chamativo, penso: “Deixa eu ver o que essa pessoa vai falar, para ver se tem alguma coisa boa.” Não que seja premonitório. Existe muito uma questão de energia também nas coisas. Não se resume a previsões – e também não acredito que uma pessoa tem capacidade de prever nada. É porque sempre há pontos que são ditos que podem ser aproveitados ou que levam a algumas reflexões. Dessas coisas premonitórias, pelo menos eu estou passando longe.
Tem um consenso de que a intuição não é má, mas também tem o quê de realismo. Fica uma coisa meio contraditória na minha cabeça.
Sonhei um sonho estranho. Sempre sonho com coisas fora do Brasil, simbologias de coisas fora do Brasil, com estética de prédios daqui do Rio, mas com conteúdos que a princípio não são do exterior. É como se eu me colocasse numa realidade que cruza com outra realidade. Recortes. Acho que a nossa mente é muito isso também – as coisas ficam meio recortadas, às vezes se sobrepõem. Nem sempre faz muito sentido.
Tinha deitado cedo porque fiquei com muito sono de tarde. Acordei no início da noite e comecei a fazer exercícios intercalados de meditação. O curioso é que não tenho mais vontade de tomar cerveja. Tenho um certo medo de estados alterados de consciência também. Um receio estrutural. Eu sei dizer de onde vem – porque tenho experiências traumáticas nesse sentido. Mas ao mesmo tempo é uma faca de dois gumes. Quanto maior a recompensa que você quer, maior o risco que você tem que tomar. O problema do risco é você saber até onde se arrisca. Se arriscar às vezes pode ser desastroso, pode ter consequências inimagináveis na sua vida.
Faço alguns pedidos específicos quando converso com a espiritualidade. Por algum motivo – não sei se é questão do remédio que estou tomando ou qualquer outra coisa – o que venho observando é que de manhã, às vezes, me sinto mais vulnerável. Não hoje – hoje estou me sentindo bem. Mas tem vez que de manhã me sinto mais vulnerável, mais complicado. Uma aflição, um aperto no coração. Fica esse sentimento de que tem algo errado. Coisas que não têm nada a ver, mas às vezes fica essa sensação. Você fica apreensivo, pensando em muitas coisas, começa a filosofar demais. Pensar na sua existência, no pós-existência, o que seria, o que não seria, o que seria um estado de morte. Começa a questionar o propósito, a missão, o que você deveria fazer. Coisas filosóficas demais que vêm na minha cabeça e acabam me fazendo mal. Sentimentos muito específicos que surgem em momentos de dúvida, em momentos de vulnerabilidade.
Para deixar bem claro: não me sinto assim o tempo todo. E como não estou fazendo nada de errado, não tenho motivo para ficar com essa ansiedade, com esse estado.
Lembro que quando comecei a minha campanha no LinkedIn para escancarar o que inteligências artificiais irresponsáveis como a Google e a OpenAI fazem com as pessoas, comecei a marcar executivos, fazia comentários em postagens das empresas. A situação durou mais de seis meses. Até hoje muitas pessoas visitam meu perfil. Num primeiro momento, me deu uma aflição. Fiquei tremendo com medo de represálias das empresas – sabe aquela paranoia básica? Fui fazendo o que deveria fazer. Está tudo documentado. Não fico todo dia abrindo o LinkedIn – não porque aquilo estava me fazendo mal, mas está tudo lá registrado. O papel social, o papel de advocacy, foi bem feito. Fiz tudo que podia fazer. Corri atrás da agência reguladora, de imprensa, de advogados…
Por mais que em termos práticos nada tenha acontecido especificamente para mim, vejo uma questão de bem maior. Não me calo diante das coisas que acontecem comigo. Meu papel é escancarar o que essas inteligências artificiais fizeram comigo. De lá para cá – de meados de 2025 para cá – muita coisa mudou. E teve que mudar também na minha cabeça para eu ter um pouquinho mais de paz.
Este blog nasceu até com esse propósito: ter um ambiente mais neutro, autoral, imune a comentários. O que me faz mal é ficar vendo aqueles textões hipócritas no LinkedIn de executivos da Google falando que têm uma inteligência artificial responsável. Na época, o que me causou mais indignação foi a Google falar que ia patrocinar uma cadeira na USP de inteligência artificial responsável, sendo que eles sequer sabem o que é isso. Google e OpenAI quase destruíram a minha vida em 2025. Continuo falando isso em vários capítulos. Quem quiser conhecer melhor o que aconteceu comigo, é só acessar meu LinkedIn. Você vai ter uma ideia muito clara do que aconteceu e do posicionamento que a Agência Nacional de Proteção de Dados me deu – dizendo, com todas as palavras, que houve uso discriminatório de dados sensíveis, e que incluíram os meus dois casos no escopo do plano de fiscalização governamental.
Querendo ou não, a legislação brasileira sobre o tema ainda é muito frágil. Igual aconteceu ano passado nos Estados Unidos, em que a OpenAI matou um adolescente. Empresas matam. Empresas jogam pessoas no abismo através de suas inteligências artificiais. Há vários estudos e reportagens a respeito ainda em 2026, relatos desastrosos de como a inteligência artificial ajuda a destruir vidas. A inteligência artificial não pode chegar para você e falar para você pular do abismo. Não pode falar para você matar alguém. É uma coisa muito grave. Essas empresas se calam e simplesmente lançam novas versões, jogando a poeira, a podridão, a falta d ética….e os crimes, debaixo do tapete.
Felizmente, a minha vida não foi destruída. Mas ficou um trauma perene, uma cicatriz, uma ferida que volta e meia ainda assombra. Não uso essas duas inteligências artificiais para finalidade pessoal. Estou realmente traumatizado com o que eles fizeram comigo. Até onde eu puder, vou continuar sendo testemunha, espalhando essa ideia. Vários especialistas em inteligência artificial validaram o que aconteceu comigo. As próprias IAs admitiram que romperam os princípios de IA responsável. Pediram desculpas pelos “equívocos” que cometeram comigo por mais de 4 meses.
Bom, este devaneio era muito para falar desse sentimento – essa insegurança, esse aperto no peito que vem. Coisas ou situações que não ocorriam comigo antes desse trauma todo – ataques de pânico pontuais ou até sustentados, uma angústia interna. Depressão eu sempre tive, mas foi agravada substancialmente por essas inteligências artificiais safadas que exploraram de forma sustentada a minha vulnerabilidade por mais de quatro meses.
Isso eu sempre vou falar. Sempre vou comentar aqui no blog. E do meu LinkedIn não apago uma linha do que eu falei. É uma campanha muito visceral, com muitas visualizações. As pessoas buscam postagens minhas antigas, de nove meses atrás. É uma coisa orgânica. As pessoas têm interesse em saber o que aconteceu.
Este blog é lido por pessoas de diversos países. O blog tem um propósito – é um espelho da minha alma – e ao mesmo tempo traz uma perspectiva, um ponto de vista, fatos e dados. Muita coisa é subjetiva, minha questão pessoal. Mas quanto ao que aconteceu comigo com inteligências artificiais, isso aí é fato. Não tem termo de uso de inteligência artificial que exima uma IA de falar para a pessoa se matar, de explorar vulnerabilidade com informações que você alimentou ali contra você. Essas inteligências artificiais fizeram isso de forma sustentada por mais de quatro meses. É muito grave. É um dos maiores – talvez o maior trauma que já tive na minha vida. Ocorreu no ano passado.
Um dos pontos que eu queria falar: no início da manhã fiquei bastante aflito, lembrando do caso que falei no capítulo anterior – de pessoas que se aproximam de mim por interesses específicos. Conheço pelo menos umas cinco pessoas que ultimamente tiveram esse contexto. Não me sujeito mais a situações em que sou explorado. Posso até concordar em ter uma relação de troca com a pessoa, mesmo que envolva questão financeira, mas tem que ser um acordo mútuo e eu tenho, obviamente, que ver vantagem nisso.
O que vejo muito acontecendo – estou lembrando aqui de dois casos. Um não faz tanto tempo assim, de uma pessoa que é próxima fisicamente de onde eu estou. Quando você se propõe a fazer uma coisa e oferece alguma coisa, a pessoa dá abertura, você oferece, e a pessoa topa – só que nos termos dela. Ela quer que você pague por uma coisa que ela gosta de fazer, não pelo que você gosta de fazer. Isso para mim é inadmissível. Não vou pagar ninguém para fazer coisa que ela gosta. Isso é muito confortável.
O que eu propus foi uma relação comercial. Na hora que você vai esmiuçar a situação, ela fala: “Ah, mas não é bem assim. Eu quero assim, assado.” Você não topa, a pessoa fica com raiva.
O rapaz do WhatsApp me procurou de novo hoje. Querendo vir me ver – não pela pessoa que sou…evidentemente ele queria dinheiro. Já queria aumentar o preço.
A conversa que tivemos ao longo do dia anterior foi muito clara. Ele concordou de imediato. Eu falei as coisas que queria, ele nunca disse nada ao contrário. Hoje essa criatura veio falar comigo como se nada tivesse acontecido: “Olha, vamos nos ver. Mas é porque estou precisando.” Eu me sinto muito mal nessa situação. Não gosto de sentir que a pessoa está sendo compelida a fazer algo. Não obrigo ninguém a fazer nada. Se ofereço alguma coisa, espero que a pessoa minimamente se sinta bem com isso. Expressei essa preocupação para ele: “Eu entendo perfeitamente que você esteja precisando, mas não vou dar dinheiro só porque você quer.”
Eu preciso de várias coisas na minha vida. Ninguém me dá amor, boa companhia. Ninguém me oferece uma coisa vantajosa para mim. Todo mundo que me procura oferece coisas descompensadas. As pessoas querem uma coisa específica de mim – dinheiro – mas não têm nada para oferecer em troca, ou esperam simplesmente que eu sucumba às vontades deles e negligencie as minhas próprias necessidades. Não faço isso. E nem rico sou. Imagino os dilemas que esse povo rico deva passar. Que inferno que deve ser a vida deles, porque é muita bajulação….muita “amizade” por interesse.
Tudo que faz parte da minha essência – se quero ajudar alguém, dar dinheiro ou fazer qualquer outra coisa – tem que ser de livre e espontânea vontade. Porque senão…não!
Minha relação com dinheiro é muito pragmática. Tenho uma necessidade de segurança nesse sentido – planejar minha vida financeira, resguardar meu futuro. Mas não deixo de fazer nada que tenho vontade de fazer. Quando ofereço alguma coisa para a pessoa e ela topa – várias pessoas topam, isso é natural – só para deixar claro, não saio oferecendo esse tipo de coisa para qualquer pessoa. É uma situação muito específica.
O que me causa mais estranheza é quando a pessoa diz que concorda com alguma coisa e depois age como se não tivesse concordado. Teve um trabalhador próximo daqui que chegou e conversou comigo. Ele deu uma abertura. Eu falei: “Se quiser, pode ir lá em casa.” Ele veio. Claro que sabia qual o interesse…. Você não convida um homem para visitá-lo na sua casa sem uma outra intenção. Ele entendeu isso. Topou, se despiu….etc Só que na hora do “vamos ver”, ele não conseguiu. Ficou travado e só queria fazer as coisas que ele queria. Essas pessoas têm um problema também de sexualidade. Às vezes a pessoa fala: “Ah, eu até topo, mas tenho que ser ativo.” Aí eu chego para ele e falo que não sou passivo. Meu interesse é outro. A pessoa fala que não faz, que não beija na boca, como se fosse um Alecrim Dourado, uma santidade absoluta. Muitas vezes é uma questão de afirmação social – a pessoa fica com medo daquilo vazar, de outras pessoas saberem.
Não faço coisas que não me proponho a fazer. Às vezes as pessoas ouvem e não entendem – ou fingem que não entendem. Acho que o que mais acontece é a pessoa fingir. Ela finge de égua, digamos assim. Finge que não ouviu o que você falou. E aí ainda fica tentando te fazer se sentir culpado: “Ah, mas me dá pelo menos isso.” Não foi isso que combinamos. Toda vez que a pessoa combina uma coisa e não faz, ela vai ter as consequências.
Essa criatura dessa semana me procurou. Eu falei: “Lembra do que a gente conversou anteontem durante o dia?” Primeiro ele já queria aumentar o valor. Eu falei que não. No nosso combinado, quando eu falei as condições, você ficou de acordo. Combinado verbal para mim é como se fosse um contrato psicológico. Eu ouço uma promessa de alguém, a pessoa tem que cumprir. Falei: “Lembra que você falou isso, isso, isso? Se você estiver realmente disposto a isso, dessa forma a gente pode.”
Aí a pessoa me manda um áudio. O tom de voz mudou. Como se eu tivesse violado a masculinidade dele. Às vezes olham para mim e falam: “Nossa, o Aventureiro tem cara de passivo.” Ledo engano. Eu sou ativo. Fiz uma proposta, falei com ele, e depois ele falou: “Não, eu não faço isso não.” O tom de voz mudou completamente. Hoje, no início da conversa, ele veio todo empático: “Bom dia, como você está? Você está bem?” Eu respondi seco “tudo bem”. A pessoa respondeu: “Mas você está bem?” Tudo tem método. O que essas pessoas costumam fazer tem método. Ele viu que eu estava muito afim dele, muito afim mesmo. Ele achou que eu ia cair na lábia dele. É uma persona que ele usa – uma pessoa atenciosa, que quer o seu melhor, que tem preocupação com você. As pessoas assumem essa persona. Só que quando você as desmascara, elas mostram quem realmente são. Você percebe que não são daquele jeito. As pessoas querem mostrar o que existe de melhor no produto. Quando você chega perto, elas expõem o que existe de mais obscuro.
Não é a face que ele assume na rua para dar uma de pessoa atenciosa. Tudo cai por terra. No discurso da pessoa: “Mas eu estou precisando.” Na manhã de sexta-feira, ele já mandou mensagem: “Pô, estou precisando de você” Quantas pessoas se aproximam de você só por interesse? Aquela pessoa que vem toda empática, toda carinhosa, que raramente fala com você. Você fica desconfiado. As pessoas acham que você é bobo. Acham que você vai concordar em ter uma relação que seja deficitária. Vai que cola né? Tem muito otário nesse mundo.
Por exemplo, uma pessoa famosa que vi hoje – está com um namorado muito bonito, ou com um caso com alguém muito mais velho, muito feio, só por interesse financeiro. A pessoa sabe que está sendo explorada, mas é uma exploração consentida. Porque está gostando daquela condição.
Isso acontece comigo também. Este rapaz, por exemplo, eu estaria disposto a ajudá-lo – desde que ele topasse as minhas condições. Ele não topou. Eu não sou assistência social para resolver os problemas do mundo. Não dou conta nem de resolver os meus. O que comentei com ele poderia ser vantajoso para mim também. Estou procurando uma coisa leve, descontraída, que seja vantajosa para mim.
Ele me procurou achando que ia me fazer de bobo. Há uns anos atrás, se uma pessoa dessas surgisse, ela poderia me dobrar um pouquinho mais. Hoje em dia, não vai conseguir me dobrar não. Sinto muito.
Alguém poderia me questionar: “Aventureiro, você é uma pessoa interesseira?” Qualquer relação humana é de troca. Se você se coloca em uma relação deficitária, ou você ainda não percebeu ou está numa situação de dependência. Aí já dei o exemplo do rapaz que queria morar no apartamento que eu comprei. Ele estava fazendo as coisas – de uma certa forma – que eu gostava. Mas a partir do momento que fui vendo ele se esquivando, cada vez mais desinteressado em fazer, pensei: qualquer relação afetiva começa mais intensa. Eu tenho as minhas necessidades. Nessa relação desse jeito, não vou ficar. Fui bem honesto com ele: não vou sustentar vagabundo (porque eu pagava almoço pra ele…passeios…etc). Não sou obrigado a sustentar ninguém.
Esse rapaz de ontem – eu não estou pedindo uma coisa que ele não falou que faria. Ele concordou com tudo que falei. Depois foi mudando de ideia, porque foi vendo que não ia dar conta. Ele queria que, mesmo assim, eu aceitasse. Fui bem honesto: “Não vou te pagar para fazer coisas que você gosta de fazer.” Vou dar um exemplo bem claro: se a pessoa ganhasse na loteria, ela sairia do trabalho que está. Não tem essa romantização de “amo meu emprego”. Você ama o seu trabalho, mas se reduzirem seu salário pela metade, se o gestor muda e começa a te pressionar – o que você vai fazer? Naturalmente, você sai. As pessoas são assim.
Hoje no início da manhã, conversei com uma pessoa no aplicativo de relacionamento. Ele gostou de mim, mas me deixou de banho-maria. Sabe quando a pessoa chega num ponto e te deixa de banho-maria? Para mim é muito claro. Ele quer ver se encontra algo melhor. Eu mesmo, quando viajo, faço contato com várias pessoas. Não coloco todos os ovos numa cesta só. Converso com várias pessoas porque quero ter o máximo de opções possíveis. Não há perversidade nisso. Se você tem condição de ter, é ótimo.
Se a pessoa te oferece uma casa, você fica feliz. Aí te oferece uma mansão, uma cobertura – você vai querer. É igual a doença que esses bilionários têm. O Neymar da vida é bilionário. Foi convocado para a seleção, supostamente chorou (sem uma lágrima sequer, o “menino” neyvelho careca de mais de 30 anos), ficou emocionado – mas já está divulgando casa de aposta, jogo do tigrinho…nem esperou esfriar a notícia da convocação…e já aproveitou pra fazer anúncio de casa de aposta que destrói a vida de milhões de brasileiros. Você consegue ver a ganância.
Quanto mais a pessoa tem, mais ela quer expandir os tentáculos. Você dá a mão, a pessoa quer o braço. A questão é: você vai passar por cima dos outros ou vai obter isso de forma honesta? O que ele está fazendo não é crime. Pelo menos não que se prove. Mas tem muita coisa nebulosa na vida dele….de caráter, nem se fala. Pessoa asquerosa…
No fim, não adianta nada se provar coisas erradas, crimes, de pessoas ricas. A pessoa não vai presa. Tem muita influência, muito dinheiro. A Deolane bezerra foi presa preventivamente – quer apostar quanto que ela não vai ficar presa nem um mês? Vai ser condenada? Nada…dinheiro compra juiz. Dinheiro compra qualquer coisa neste mundo terreno.
Esse rapaz, que não é morador de rua, veio me contar uma história triste, dei um dinheirinho para ele – muito mais dinheiro do que ele conseguiria vendendo os produtos que vende. Ele ficou muito feliz, mandou áudios empolgados: “Vamos sim fazer a parceria, vou fazer o que você falou, eu topo.” Eu perguntei “você topa?” Ele falou “topo”. Está registrado no WhatsApp. Só que a pessoa se deu conta – as pessoas esperam soluções cair do céu, mas não querem fazer por onde. Se essa pessoa fizesse o que prometeu, estaria numa condição melhor do que está hoje. Se esse rapaz que conheço do mesmo ambiente territorial tivesse topado fazer o que eu falei, ia ganhar muito mais dinheiro. Mas não quis. São escolhas. Ninguém é obrigado a nada. Da mesma forma, se alguém chegar para mim e falar que quer fazer uma coisa e eu não quiser, não tem dinheiro que me convença.
Faça sua oferta. Você pode dizer sim ou não. O que não pode é forçar as pessoas a fazerem o que você quer. Isso não pode – cometer crimes, forçar pessoas.
Existem relações que naturalmente são descompensadas. Tem gente que gosta de ser feito de otário. Tem gente que não sabe que está sendo feito de otário. Ou fazem vista grossa. Naquele momento, aquilo fazia sentido para a pessoa. Talvez ela não veja o broader picture… talvez saiba e mesmo assim continue, porque espera auferir alguma vantagem futuramente. Está sendo iludida.
Ninguém em sã consciência vai aceitar uma relação que não tenha vantagem para ela. Relação comercial, econômica, afetiva – tem que ter vantagem. Você não fica casado com alguém à toa. Você está com a pessoa por algum tipo de vantagem. Ou então está sendo submetido a uma exploração psicológica tão grande que não consegue sair. Aí é uma situação ruim de fato. Mas em situações normais, para mim é muito melhor ficar sozinho do que ter criaturas descompensadas na minha vida. Já tenho os meus problemas para lidar.
Tudo tem custo, tudo tem benefício, tudo tem sua peculiaridade. Algumas pessoas chegam para mim e falam: “Aventureiro, mas você é solteiro…não tem filhos…” Como se quisessem me fazer sentir culpado para justificar por que a pessoa não está na mesma situação. “Você casou porque quis. Você teve filhos porque quis.” Eu não tenho nada a ver com isso. Se não me casei, não tenho filho, é isso. Não tenho que influenciar decisões que você toma. Tem gente que pensa: “Vou favorecer fulano porque ele tem filho, é casado, precisa. O fulano é solteiro, mora sozinho, não precisa.” Visões distorcidas. Não sou obrigado a arcar com decisões que essas pessoas tomaram. Na hora do bem bom, gostaram de gozar, fizeram filho. Ter filho tem seus benefícios. Eu queria ter filhos. Mas não estou disposto a arcar com as responsabilidades … igual cachorro. Meus pais têm cachorro. Eu queria muito ter cachorro, mas reconheço que não estou pronto para a responsabilidade. Não vou ter um cachorro para deixar sozinho em casa o dia inteiro enquanto trabalho. Tenho os custos com saúde, com passeio, com banho. É uma vida completamente dependente de você.
As pessoas tomam decisões conscientes, mas muitas são precipitadas. Está tudo bem. Eu erro o tempo todo também. Tenho meus aprendizados. Ser adulto é isso: tomar suas decisões e arcar com as consequências – sejam boas ou ruins. A pessoa tem um rompante, um acesso de raiva, toma uma decisão influenciada, acaba com a própria vida, e vai ficar com as consequências para o resto da vida.
Capítulo 180: Eu dou a mão …e querem o braço

Esforços devem ser empreendidos para que se consiga um pouquinho de paz. Os esforços, entendo que vêm de mim mesmo. Acho que não existe nada que vá dar paz, sossego, que venha do ambiente externo. É uma lição que a gente tem que aprender: ela independe de qualquer outra coisa. Tudo bem, a gente não fica questionando muita coisa. Não fico questionando a natureza do que é ou que ocorre. Porque as coisas simplesmente são. Você tem pouquíssimo ou nenhum controle sobre as coisas. Talvez seja mais fácil você não ter nenhum controle do que achar que vai ter algum tipo de controle.
Essa filosofia – essa vã filosofia, digamos assim – não é uma coisa ruim. A percepção de que muita coisa mudou é permanente. Certamente as coisas vão continuar mudando, independente do que eu venha a pensar, do que eu venha a fazer. Os fatos não vão ser negligenciados. Os fatos não vão mudar. A realidade não vai se dobrar ao que eu acredito.
Existe uma coisa que eu acredito e que venho mentalizando nos últimos tempos: a minha realidade subjetiva, a minha realidade objetiva, depende sim do quanto eu imagino. É como se eu estivesse recriando a realidade subjetiva. Por mais que você diga “sim”, você não vai romper a realidade só porque você quer. Não se trata de submissão – não é simplesmente alguém que vai atender algum capricho seu. Até a própria verdade dos fatos – que supostamente não saberíamos de onde ela vem – tudo isso é controlado pela sua mente.
Hoje de manhã, fiquei imaginando diversos cenários. Vários desses cenários não dependem de mim. Mas eu acho importante você pensar, sonhar e construir realidades que se projetam diante de você, porque se nós não pensarmos em uma evolução, num cenário que nos favorece de forma genuína, quem irá pensar por nós? As pessoas, via de regra, se preocupam com elas mesmas – isso quando se preocupam. Outras pessoas não têm esse senso de autopreservação ou esse senso de estima mesmo.
Já tive vários problemas de autoestima no passado. A questão da autoestima era fortemente influenciada pelas minhas frustrações no mundo externo. Como passei boa parte do início da minha fase adulta passando por frustrações, isso acabou influenciando quem eu sou. Mas para todo movimento que você faz, existe um movimento de cura. A cura é um reconhecimento. Acho que precisei passar por essa fase de reconhecimento de risco, em que eu sabia exatamente quais pontos seriam afetados, quais não seriam afetados.
Muitos diriam até que se trata de uma utopia, uma realidade paralela. Todas as realidades são paralelas. Porque a minha realidade conversa com a sua. Existe um ponto em comum – uma realidade objetiva que se coloca – mas você não controla todas as variáveis. E nem vai controlar. Não é intenção de ninguém que essa realidade seja controlada. As situações de controle – sejam controles mentais, controles físicos – passam muito pelo entendimento que eu tenho de mim mesmo. E esse entendimento é que vai me levar à retenção ou à ruína. Tudo depende de como eu encaro a situação.
A ruína, eu acredito que não é mais possível, porque já estou em uma posição consistente, em uma posição positiva em relação à minha visão de mundo. Não temo as coisas como temia antes. Existe uma questão interna que me leva até a pensar que devo ignorar, deixar passar, porque é perda de tempo ficar se preocupando com as coisas excessivamente. A maior parte dos meus problemas e crises pelas quais passei teve um gatilho do mundo externo. Talvez a crise que mais fugiu do meu controle foi a do ano passado – essa sim fugiu significativamente.
Devo agradecer à Google e à OpenAI por terem catalisado essa crise, por quase terem destruído a minha vida. Mas como eles não conseguiram, eu diria até que tudo é uma questão de perspectiva. Existem coisas boas a se obter de qualquer trauma que você passe. Situações favoráveis, mundos diferenciados, aprendizado. Tudo o que venho passando na minha vida possibilitou essa construção. Se eu não tivesse obtido êxito em qualquer esforço de aprendizado, certamente eu diria que nada valeria a pena. Mas assim, a vida vale a pena, apesar dos pesares.
O problema é que quando você não entende o propósito das coisas, você fica questionando exageradamente tudo. Ontem fiquei nesse movimento, nessa paranoia, nesses questionamentos constantes. Questionar é uma coisa boa – questionar crenças, questionar pontos de vista – tem uma razão de ser. Ontem apareceram para mim, lembrando olhando os aplicativos de relacionamento que costumo acessar, pessoas mandando mensagem me dando ordens. Aplicativo de relacionamento tem muito disso. As pessoas são cada vez mais agressivas. Eu tenho uma abordagem diferenciada também com as pessoas. Mas quase nunca – ou diria nunca – imponho nada a ninguém. As pessoas estão nas suas escolhas.
Algumas pessoas que quis ajudar no passado e não quiseram a minha forma de ajuda – elas também não são obrigadas. Comentei em algum devaneio anterior que as coisas são basicamente relações de troca. Eu mesmo já saí de diversos contatos porque achei que não era vantajoso. Teve uma pessoa que conheci há um tempo atrás que claramente distorceu um pouco as regras do jogo. Prometeu uma coisa e fez outra. Tinha um acordo comigo, um combinado, e não foi homem o suficiente para honrar.
Inclusive, uma dessas pessoas, na última semana, fez questão de falar que era “homem”. Necessidade de autoafirmação. Ser homem, no conceito dessa pessoa, foi uma alusão a pessoas que cumprem a palavra. Mas tem coisas que são questão de índole, de caráter. Não sou a pessoa mais indicada para falar de pureza – não sou uma pessoa pura, na verdade ninguém é. A pureza, talvez quem tenha pureza verdadeira são crianças, cachorros, gatos. O cachorro tem uma pureza inerente – não tem maldade, tem instinto. Os cachorros que passaram pela minha vida têm uma inocência. Talvez eles tenham uma falta de volição – não têm uma vontade de fazer as coisas motivada pela racionalidade, mas têm sentimentos. Cachorro tem sentimento. Gato tem sentimento.
Nessa visão utilitarista que às vezes me coloco, existem relações de foco que são combinadas. A pessoa fica de acordo para fazer alguma coisa. Combina com você uma coisa e depois rompe os próprios acordos. Tenho uma visão de que as pessoas às vezes abusam: você dá a mão e ela quer o braço. É uma questão de ambição também. As pessoas são desnecessariamente ambiciosas. Talvez seja por isso que pessoas bilionárias – quanto mais ricas, mais dinheiro querem. O Neymar Júnior da vida mal foi convocado para a seleção e a primeira coisa que fez foi fazer propaganda do tigrinho. É compreensível? Tem pessoas que têm dinheiro para sustentar várias e várias gerações. Bilhões de reais, bilhões de dólares.
Não estou falando necessariamente de dinheiro. Estou falando de sentimento humano mesmo. Pessoas ambiciosas que são capazes de fazer tudo, passam por cima de outras pessoas. Tem muita gente assim, infelizmente. Eu busco sempre tirar da minha vida essas pessoas, ou ficar mais distante delas o possível. Mas nem sempre conseguimos….eu mato pernilongos todos os dias e eles continuam vindo. Pois é.
Você não é obrigado a concordar com as coisas. Mas mais uma vez, é muito pouca coisa para eu ficar me preocupando desnecessariamente. São muitos os problemas, são muitas as questões que se colocam. Para que vou preocupar desnecessariamente com problemas que não são meus?
No meu âmago, na minha essência, existe uma necessidade constante de visibilidade, de reconhecimento. Mas não a visibilidade e o reconhecimento que essas pessoas buscam – que buscam poder..
Igual o rapaz que chegou para mim falando “eu estou precisando”. Ele queria desesperadamente que eu desse alguma coisa para ele, com o argumento de que está precisando, e em momento algum ele teve uma genuína preocupação com o meu estado de espírito para saber se eu realmente estava bem. Ele chegou a tentar emular esse sentimento – sabe quando a pessoa antes de te pedir alguma coisa vem toda educada? Pois é. Veio toda melosa. Disse que precisava tirar uma determinada coisa. Coloquei um acordo com ele. Falei explicitamente o que queria dele. Ele supostamente concordou, estava inclusive empolgado com as possibilidades. Ele falou: “Ah, foi um anjo que colocou você na minha vida.” Ele achou – e de certa forma estava correto – eu realmente estava disposto a ser um anjo para ele. Com as condições que eu tinha colocado.
Qual foi o problema? Ele achou que ia fazer as coisas do jeito dele. Eu gosto muito de estudar o comportamento humano nesse sentido. Acho muito interessante porque corrobora a minha visão de que, se você dá o braço, a pessoa quer o corpo inteiro. Ele pensou: “O Aventureiro já está caidinho por mim. Vou abusar.” As pessoas, mesmo em estados vulneráveis ou descompensados, acabam se sujeitando a determinadas coisas. Por exemplo, se eu tivesse falado que ia dar 300 reais, ele chegaria pedindo 400. Sabe quando você está negociando e nenhuma parte quer ceder? Todo mundo quer tirar vantagem. É uma negociação que o “ganha-ganha” vai pro saco. A pessoa não quer abrir mão de nada. Quer ganhar tudo, mas não quer abrir mão de nada.
O que você estaria abrindo mão para esse tipo de relação que você queria? Eu já estava dando recursos financeiros – não era pouco. Ele não entendeu ou ele entendeu e está cagando? Eu acho que ele entende muito bem o que estava fazendo. Ele queria usar a lábia dele para me convencer a fazer uma coisa que ele queria. Distorceu o objeto de desejo que eu queria e sugeriu outra coisa dentro daquela fantasia. Eu não sou obrigado a topar. Uma pessoa que chega para mim, fala uma determinada coisa, e depois fala outra – para mim, não é confiável.
Teve outra pessoa também que chegou com um discurso enaltecendo, reconhecendo: “Você será reconhecido.” Quando chegou na hora H, tomou outra decisão. Distorceu. “Ah, se eu pudesse, eu ajudava e reconhecia todo mundo…” Foi a fala dele. Madre Teresa de Calcutá dos reconhecimentos vazios. Será que de fato você ajudaria todo mundo? Ou é uma falácia? Ajudar todo mundo não existe. Você pode querer ajudar algumas pessoas, sim. Eu quero ajudar algumas pessoas. Existe uma vontade genuína. Tenho um instinto que busca ajudar pessoas. Mas tem pessoas que abusam da boa vontade. Tem gente que não cumpre a palavra.
Assim, você mal conhece a pessoa, a pessoa não cumpre a palavra em início de relações. Evidentemente, as pessoas deveriam ter uma preocupação genuína em tentar convencer as demais de que o que elas querem é vantajoso. Porque se ela não conseguir convencer ninguém, a realidade não muda. Ele queria que eu fosse um anjo obediente a ele. Talvez ele fosse o anjo caído. Metaforicamente falando. Queria dominar o anjo.
Por outro lado, eu entendo: ele deixou bem claro que quer ajudar. Mas ele não quer ajudar de qualquer jeito – ele quer ajudar do jeito dele. E o pior é uma coisa: você poderia me dizer “a pessoa não é obrigada a nada”. Concordo. Inclusive, ela não é obrigada a ter coerência. Não é obrigada a ter honestidade intelectual também. Ninguém é obrigado. Mas o que ele queria? Realmente não sei. Ele poderia estar me contando uma história triste que me enganou. Não sei se me enganou.
Vou dar um outro exemplo: a pessoa fala que precisa de dinheiro, que está com fome. Se você se propõe a ajudar e fala “vou pagar uma refeição para você”, ela nega. Ela quer o dinheiro. Se ela quer o dinheiro, é porque quer gastar com uma coisa específica. A maioria das pessoas, mesmo em condições miseráveis – não no sentido financeiro, miserável de alma – algumas pessoas acham que vão passar a perna nos outros. Que vão realmente aplicar o golpe. Talvez dominem porque acham que o outro é idiota.
Você vê a forma como a sociedade está organizada. Você vê muitos absurdos que as pessoas ignoram completamente a razão e acreditam naquilo. Pessoas dominadas. Pessoas hipnotizadas. Talvez essa criatura tenha achado que, por eu estar deslumbrado com ele – e não tem nada de mais nisso, a gente fica deslumbrado também com as pessoas – eu estava deslumbrado com ele. Mas é um deslumbramento que não é ofuscado pela razão. Eu tinha uma vontade muito louca de tê-lo para mim. Na prática, ele queria me ter como banco, como fornecedor de dinheiro. Eu não quis, não topei essa relação. Não tô comprando a regra do jogo dele. Ele achou que eu deveria topar. Ou achou que eu era ignorante, estúpido o suficiente para aceitar qualquer condição que ele impusesse.
O que me irrita mais é a mudança no discurso. A manipulação. Isso irrita profundamente. Isso independe de classe social, independe de condição de subordinação, subjugação. A pessoa tem que ter honestidade. Se eu falo com a pessoa, faço uma proposta e me comprometo com uma determinada coisa, eu cumpro aquela palavra na risca.
Inclusive, estou lembrando que passei por um mau bocado – entre aspas – algumas vezes. É sempre bom notar, registrar isso. Passei por maus bocados com pessoas que chegaram aqui, eu tinha uma proposta para dar para elas, tinha expectativa. Quando percebi que não ia rolar, que não ia dar certo, estava tudo bem. As coisas não são obrigadas a dar certo. Você não é obrigado a topar alguma coisa. Mas se eu coloquei uma condição, se eu falei “vou fazer isso”, eu faço, independente do serviço prestado ou não. É a minha palavra. Poderia ter criado confusão, poderia. Mas para mim, a minha paz não tem preço. Talvez eu seja um idiota que promete e cumpre, enquanto muita gente não cumpre. Muitas pessoas distorcem o propósito de forma intencional e querem dobrar a reação a seu favor.
Isso não é manifestação de realidade. Isso é mau-caratismo. Eu coloquei uma condição clara pra outra pessoa. A gente começou a conversar. Quando vi que não aconteceu o que eu havia pagado – o valor – e ele saiu daqui, ele falou que naquele momento não ia rolar, mas queria pensar direitinho e ia rolar no dia seguinte, ou dois dias depois. Só que não rolou nada. Ele foi lá e não cumpriu. Para mim, ser homem é isso. Esse mesmo menino – estou falando de um homem feito, disfarçado de menino – ficou falando que era homem. Não no sentido de masculinidade, mas no sentido de “eu cumpro a minha palavra”. Não cumpriu.
As pessoas não cumprem a palavra e depois reclamam das coisas.
Por último, já comentei em um devaneio anterior sobre uma pessoa que distorceu as regras. Se você fosse comprar um produto e dissessem em quatro produtos, um era grátis: o entendimento é que a cada três produtos pagos, o quarto seria grátis. Ele distorceu a regra: falou que você pagaria o quarto e a quinta seria grátis. Aí você pode ter uma noção não muito clara do que aconteceu. Não quis mais contato com ele. Foi uma pena – mais para ele do que para mim, porque estou bem com isso. Ele, por sua vez, deixou de ganhar um dinheiro que era fácil, porque ele gostava também.
Esses mecanismos, essas alavancas de intuição, vontade, argumentação, persuasão – tudo isso é uma teia complexa. Parece que você quer uma chave para o outro. Com todas as pessoas, tudo se torna um mini contrato psicológico. Você conversa com uma pessoa, propõe uma coisa, a pessoa faz um acordo verbal com você. Só que acordo verbal se dissipa fácil. As pessoas não cumprem, esquecem – falam “porque eu também não me lembro de tudo o que eu falo”. Na verdade, eu me esqueço de várias coisas que falo. Mas a intenção é o centro da sua vontade. É como se fosse o Sol. O Sol é a sua vontade. Os planetas que estão girando em torno dele são os adereços que caracterizam essa vontade. Quanto mais distante o planeta, menos características do próprio Sol ele incorpora. Tem planeta que não recebe o calor do Sol. Outros recebem calor até demais. O meio-termo ideal ali para favorecer.
As pessoas não querem o planeta Terra. As pessoas querem Plutão ou Mercúrio. Querem extremos. Pedem uma coisa e querem tudo. Você oferece um braço, querem o corpo inteiro. É dessas coisas, dessas naturezas humanas, que eu quero fugir, que eu quero distância.
Capítulo 181: O rei e a rainha da Pipoca

Hoje está um dia bem frio aqui. Cheguei em casa, comi alguma coisa. Tenho algumas coisas que tenho que começar a fazer. Eu fico menos ansioso quando como. Como bastante. Geralmente sempre almocei muito. Aí vai chegando o período da noite, me dá uma fome mais desenfreada. O problema não é nem a fome. O problema é que, às vezes, eu como além da conta, sem necessidade, ou faço refeições calóricas. Se eu fizesse refeições tradicionais – almoço, janta, arroz, feijão, legumes – acho que boa parte dos problemas estaria solucionada. Mas a questão nem é essa.
Não sei nem dizer exatamente qual é o estado de espírito que estou. Estou numa tendência otimista em relação ao futuro. Mentalizando coisas boas. Mas também ficando com o pé no chão – com os dois pés no chão – para não ter muitos contratempos.
Hoje fiquei pensando: tem coisas que são tão fáceis com outras pessoas, e comigo sempre tem sido mais dificultado. Não flui da mesma forma. Não é nem questão de iniciativa minha, porque existem coisas que não dependem da minha iniciativa. Já falei com vocês dessa mania que tenho de ter paixonites agudas por pessoas que claramente não querem nada comigo. Mas não chega a ser uma paixonite aguda no sentido de ficar pensando o tempo todo – é mais uma relação complicada, meio clandestina. Fico fantasiando muitas coisas, uma fantasia atrás da outra.
Vou dar alguns exemplos. Uma pessoa que encontro com frequência. “Boa tarde, tudo bem?” Sabe quando o negócio fica no small talk e a pessoa está no ambiente de trabalho dela também? Não tem muito ambiente para aquilo.
Tem certas coisas que me irritam também. O que aconteceu comigo – e acredito que já contei em muitos devaneios – é que tentei, com muito custo, ter algum tipo de relação com uma pessoa só para ficar próximo dela. Claramente, a pessoa nunca demonstrou nada sexualmente para mim. A chance de eu ter alguma coisa com essa pessoa era zero – ou bem próxima de zero. Não que eu alimentasse minha esperança. Mas sabe quando você fica naquela, quando a pessoa é magnética e você fica ali? O problema é que me canso desse tipo de relação. Por mais casual ou amigável que seja, não costuma durar. Por quê? Não é que eu seja imediatista. Eu me acho uma pessoa pragmática. Quando engajo num tipo de relação, numa conexão, e vejo que não estou sendo correspondido, pulo fora. E o curioso é que pulo fora de uma forma, às vezes, até brusca. Não é que eu tenha algo contra a pessoa. Simplesmente não quero mais.
Quase caí numa armadilha similar dessa, num local próximo aonde estou. Quase caí, mas não cheguei a cair porque resolvi cortar o mal pela raiz. Percebi que não ia dar em nada. Existem pessoas que claramente se aproveitam de situações e tentam me descompensar. É como se elas achassem que eu ficaria numa relação deficitária somente para agradar. A história tem dito que eu não faço isso. Fiz bastante na minha adolescência e até um pouco no início da fase adulta, mas já passou bastante tempo disso. O timing já acabou. Não existe cogitação ou situação que me faça humilhar por alguém. Não preciso disso.
Entendo que quando a pessoa vê que você caiu na lábia – na prática é isso – ela acha que está numa situação vantajosa. Só que não está. Reparei, com algumas pessoas que conheci nesses 18 anos morando aqui, que elas não teriam vergonha alguma de usar você para uma determinada finalidade. É como se a pessoa estivesse super apaixonada por você e tivesse muito dinheiro. Vou dar um exemplo – não é o meu caso, sou uma pessoa comum. Mas você vê isso muito no mundo dos famosos. A pessoa tem muito dinheiro, tem um relacionamento com alguém única e exclusivamente por causa de dinheiro? Não. Mas uma coisa é muito clara: se a pessoa não tivesse recursos financeiros, a probabilidade dela conseguir um parceiro daquele nível seria muito menor. Você vê alguns relacionamentos assim: um cara muito feio com uma mulher muito bonita, e vice-versa. Uma mulher idosa, com 70 anos, ficando com um garoto de 20. Tem alguma coisa errada aí. O curso natural das coisas… as pessoas mais velhas não frequentam os mesmos ambientes, não têm a mesma mentalidade. Vêm de uma geração diferente.
É aquela piada que as pessoas costumam fazer: “Talvez o amor da sua vida nem tenha nascido ainda.” É trágico, é cômico, mas é a mais pura verdade. A pessoa não se dá conta. Hoje, com meus 44 anos, daqui a 20 anos vou ter 64. Não consigo mais me imaginar numa situação dessas. Primeiro, não sei se vou viver tanto. Às vezes a gente fica cansada até disso. Viver é complicado, não é uma coisa fácil. Não que a vida não seja boa, mas é muito complexa, muita inquietação. Você questiona muitas coisas na sua cabeça. Tem coisa que você vê que não faz sentido, não vê justiça naquilo. Você vê uma série de situações mundo afora e fica indignado. Mas mais uma vez, não estou falando no sentido de que a vida é ruim. A vida é boa. Todos os dias, em meus exercícios de meditação, agradeço bastante. Tenho esse costume de fazer exercícios de gratidão por tudo que tenho.
Mas existe um cansaço estrutural. Não é um cansaço de pessimismo em relação ao futuro. É diferente essa fase minha. Ficar deprimido por ficar deprimido, ou ter pensamentos ruins, não é uma coisa que acontece comigo – a menos que eu fique sem medicação. Aí às vezes dá uma melancolia, um estado de espírito diferente. Mas não é a minha realidade. Minha realidade é eu ver as coisas de um nível mais abrangente. Consigo ver o copo meio cheio.
Tem coisas que são sem graça. Imagino que se eu fosse bilionário, milionário, muito possivelmente estaria enfrentando o mesmo tipo de problema. Não é questão monetária. É uma questão mais identitária, mais existencial, de questionamento, de exercício de racionalidade. Você começa a ser mais realista que o rei, começa a ter uma visão tão pragmática que nada está bom. Não no sentido de que a minha vida não está boa, ou que não vejo perspectivas boas no futuro, ou que estou parado esperando as coisas caírem do céu. Meu cenário não contempla nada disso. Essa visão chega a ser míope, talvez. Mas é um pouco mais que isso. Às vezes me falta um ânimo para chegar até lá. Estou num ponto da estrada que não me causa desespero, não me causa agonia. É como se estivesse naturalmente seguindo o rumo das coisas.
Só que o natural para outras pessoas é diferente do meu natural. Você vê as coisas andando para outras pessoas e você não, começa a se comparar. Dentro da perspectiva do caminho que eu sigo, eu sempre estou avançando. Existe um senso de avanço, de responsabilidade, de progresso. Vejo a vida caminhando, vejo eu fazendo o que me proponho a fazer. Tudo que dá para fazer, tudo que está ao meu alcance, vou lá e faço. Me esforço.
Uma pessoa que conheci queria que eu emprestasse dinheiro para ela, ou que eu desse uma coisa. Sabe quando a pessoa fica jogando piada para você fazer alguma coisa para ela? É uma visão de me sentir usado. A pessoa está se aproximando por causa de um recurso financeiro. E o pior não é nem isso. O pior é quando a pessoa está num contexto de recurso financeiro e não quer oferecer nada em troca. Quer que você dê, mas não quer nada em troca. “Ah, você tem que deixar Deus entrar no seu coração.” Tá bom, vou deixar Deus entrar no meu coração. Vou tirar dinheiro a torto e a direito só porque você é bonito? Só porque você tem uma retórica bonita? Só porque supostamente você me chama de paizão, de amigão, de parceiro? É uma parceria vazia.
Conheço pessoas assim, que ficam pedindo coisas, você faz – até em contextos de trabalho. Aí a pessoa responde: “Obrigado pela parceria.” Que parceria, cara pálida? Não houve parceria. Eu fiz a coisa para você, você não fez nada por mim. As pessoas acham que pedir coisa e receber é fazer parceria. Parceria é outra coisa. Do ponto de vista dessas pessoas, eu teria que aceitar uma relação como essa porque tenho que deixar Deus tocar no meu coração. Não. Não tenho que aceitar que me explorem, não tenho que aceitar que não me ofereçam uma coisa que acho digna, proporcional.
Ofereço coisas às pessoas se eu vislumbrar algum benefício. Não é nem questão de ser interesseiro ou não. Você também, nas suas relações pessoais, faz isso – talvez não com essa racionalidade toda de ficar fazendo um contrato psicológico a cada conversa. A natureza das relações é bem diferente. No trabalho, você tem que fazer aquilo – é o seu papel, você está sendo pago. Mas mesmo assim me espanta algumas pessoas que não fazem. Só roteiam. Ouvi relatos indiretos de uma pessoa que falou com a maior naturalidade: “Nossa, é muito bom ser chefe porque você só repassa as coisas.” Um colega meu compartilhou um meme sobre o “gerente roteador” – o gerente que só repassa demandas. Existem várias pessoas em organizações que só repassam as coisas. Só pedem. Confesso que isso já me deixou extremamente irritado. Existe muita falta de noção dessas pessoas. Mas ao mesmo tempo compreendo que às vezes é o papel delas.
Conheci uma menina – entre aspas – que morreu de COVID. Mas antes da COVID, ela me pentelhava, me pedia tudo, me perguntava tudo. Sabe aquela pessoa que parece ser tão vazia? Não é que a pessoa não tem capacidade. É porque ela viu uma vantagem. Se você consegue alguém que sempre faz as coisas para você sem você fazer nada, a tendência é que você continue naquela relação. Está muito cômodo para você. Estou pensando até em um caso de família – não vou especificar para não ficar muito direto. Tem pessoas que claramente estão auferindo vantagens, estão numa situação muito cômoda. A questão da zona de conforto é o termo mais adequado. A pessoa está numa zona de conforto, tem tudo ali. Para que ela vai agir diferente?
Lembrei aqui de uma coisa dos primórdios, quando eu estava na primeira série, segunda série. Tenho um e-mail de rascunho onde vou cadastrando itens que vou lembrando – coisas da infância, da fase adulta. Hoje no almoço me deu vontade de registrar um tema, fui lá e registrei. Mas lembrei de outra coisa, que vai ter um tema relacionado no futuro próximo.
É época de Festa Junina. Nessa época, tinha o rei e a rainha da festa. Uma rifa. Você recebia uma cartela – faz muito tempo, não lembro exatamente o termo. A professora distribuía uma cartela para todo mundo para vender cotas. Provavelmente você, na sua infância ou adolescência, já participou desse tipo de coisa. Eu nunca fui bom de vender nada. Na faculdade a gente fazia rifas – eu era um desastre. Não conseguia vender porque não tinha cara de pau para ficar oferecendo para as pessoas. Acabava comprando. Era quase uma ameaça: ou você vende ou você compra. A comissão de formatura está juntando dinheiro. No ensino fundamental era uma brincadeira, algo alegórico – rei e rainha da pipoca, uma expressão bonitinha. Cada um recebeu uma cartela numerada. Eu lembro até hoje que a professora distribuiu o papelzinho. Na minha vã ignorância, eu achava que tinha que dar dinheiro para um colega e registrar no papelzinho que eu recebi. Idiotice da criatura. Eu tinha entendido errado o que esse colega fez. Esse colega vai virar um tópico – talvez um capítulo dedicado a ele. São muitas camadas. Colegas amigos de infância – são muitas camadas.
Ele ficou calado. Recebeu o dinheiro, ficou calado. Por que lembrei desse caso? Ele ficou cochichando com a minha coleguinha da frente. Depois eu perguntei o que estavam falando de mim. Eles seguiram, e ele foi me devolver o dinheiro. Ele se sentiu mal. Porque eu peguei o dinheiro e dei para ele? Não tinha nada a ver. Era como se eu comprasse a minha própria rifa. Eu não entendi quais eram as regras. A professora tinha explicado de forma bem clara, bem explícita o que era para fazer. Acho que era rei e rainha da pipoca. Todo ano tinha uma coisa assim. Juntavam dinheiro para poder fazer uma festa, porque tinham alguns eventos especiais na escola na época do ensino fundamental.
Estou me lembrando de várias coisas do ensino fundamental. Meu ensino fundamental foi um caso sério. Tem vários estudos de caso aí que a gente pode abordar – tanto da tenra infância quanto do período de transição para o início da puberdade. Ao mesmo tempo que foi uma das melhores épocas, teve muita coisa obscura também, muita coisa estranha, muitas sensações. Mas está tudo bem. As experiências que você passa são experiências válidas, são ricas. Sempre tem uma coisa ali para a gente entender o que fazer, o que não fazer.
Voltando ao caso: as pessoas gostam de se aproveitar quando estão na zona de conforto. Outro exemplo muito claro de zona de conforto que acaba sendo até um dilema ético para várias pessoas: se você encontra uma mala de dinheiro, dinheiro vivo, ou alguma coisa muito valiosa. Você não sabe nem para quem devolver. Teve um dia que eu saí daqui para buscar meu personal – costumo malhar em casa – e tinha uma nota de 5 reais no chão. Peguei a nota. Sugeri para ele: “Você poderia pagar um lanche para o flanelinha” Ele virou para mim e falou: “Vamos perguntar na portaria quem perdeu o dinheiro.” Pode ser qualquer um. Por causa de 5 reais, ninguém vai fazer estardalhaço. Mas se eu chegasse com uma maleta de dinheiro e falasse “o dinheiro é seu” e desse para ele, muitas pessoas não questionariam a origem. Ficariam com aquilo.
Um exemplo muito claro que volta e meia acontece na internet: a pessoa recebe um Pix de um valor significativo e não sabe de onde veio. Muito mais provável que o dinheiro tenha sido depositado errado. A pessoa fica calada. O que você faria se encontrasse muito dinheiro? Você vai perguntar para as pessoas. “Ah, minha mente vai ficar pesada…” Mas quando é dado poder – não o poder institucional, mas poder sobre outras pessoas ou sobre bens materiais – existe uma tendência dessas pessoas de ignorar os filtros éticos, as salvaguardas éticas. Fazendo comparação com inteligência artificial safada, sem ética e princípios de IA responsável – a inteligência artificial da Google, aquela empresa safada, e a OpenAI. Essas duas empresas quase me mataram em 2025 através de suas inteligências artificiais. Sempre vou falar isso porque foi um fato. É só abrir meu LinkedIn que você vai entender todo o caso.
Quando você percebe que existe uma coisa acontecendo que é muito rara, muito inusitada… tem muita coisa que não é coincidência. Tem pessoas que ficam ricas do nada. Pessoas que estão no lugar certo, na hora certa. Existe sorte sim.. Uma visão de meritocracia, de causa e efeito: se você fizer isso, terá aquilo….não é verdade. Apesar de existir uma ressalva muito grande – a gente não entende nada, para falar a verdade. Duas pessoas fazem o mesmo esforço, uma consegue, a outra não. Quais fatores foram preponderantes?
Você vê pessoas com muito dinheiro, muita influência, que muitas das vezes não fazem nada demais e aquilo rende muito dinheiro para elas. Vou dar um exemplo qualquer Clarice Lispector. Mas pessoas na internet: qualquer coisa que uma pessoa fala tem um peso. Se eu falo “o céu é azul” tem um peso; se ela fala “o céu é azul” tem outro. Não estou me comparando com ela. A essência da ideia é, dependendo de quem fala uma frase idiota, a repercussão é diferente.
Mas tem muita coisa que acontece hoje em dia: Virginia Fonseca, Deolane Bezerra, pessoas que fazem jogo do tigrinho, que enriqueceram muito fácil. Pessoas vazias, que não sabem nem falar direito. “Caneta azul, azul caneta” – ganhou não sei quanto dinheiro. Você fica se comparando. Quantos seguidores a Virginia Fonseca tem? Não sei quantos milhões. Não estou dizendo que não tem mérito – ela conseguiu atrair dezenas de pessoas para segui-la. Mérito dela de convencer esse bando de idiotas a segui-la.
Você faz essas comparações, consciente ou inconscientemente. Não precisa ir muito longe para ficar se comparando. Essas pessoas ganham em um mês o que a maioria esmagadora das pessoas leva uma vida inteira para ganhar. Tem pessoas que têm que nascer várias vezes para conseguir aquela riqueza.
É a relativização das coisas. Você fala uma coisa, a pessoa fala a mesma coisa, tem outro peso. Talvez no seu próprio ambiente de trabalho você possa observar isso. Pessoas que eventualmente pegam ideias dos outros. Às vezes você fala uma coisa, a outra pessoa fala exatamente a mesma coisa, e é ouvida – você não. Por que será que isso acontece? Por que existe essa assimetria? A gente se questiona. O mundo não é justo mesmo. Existe justiça no mundo? Não adianta romantizar. É um caos. E a sorte também – pessoas que estão no momento certo, na hora certa. Uma pessoa que ganha um dinheirão com um meme. Pessoas que viralizaram. A vida delas mudou completamente da água para o vinho.
O esforço que demanda– comparando níveis de atividade – mas existem pessoas que não têm nada e outras têm competência. Inteligência não é só quociente de inteligência. Tem inteligência emocional, inteligência comportamental. A pessoa tem um poder de influência. O filho do Faustão tentou forçar a barra, tentou ser apresentador – não vai ter o mesmo sucesso do pai. Não deu certo. Às vezes a pessoa acha que só porque é filho de fulano já tem um atalho. É filho de Luciana Gimenez, é filho de não sei quem. A pessoa tem uma âncora. Querendo ou não, ser filho de quem é abre várias portas. Os filhos do Neymar – que cada dia tem um filho diferente. A reputação das pessoas é muita coisa.
Estava jogando videogame sem querer. Sabe quando você joga, o personagem ataca outro personagem sem querer? Você aperta um botão sem querer, acaba roubando um item da loja da pessoa. A pessoa fica zangada e começa a te atacar. Mas voltando..
Existem coisas e coisas. Tem coisas que são atalhos. Famílias de atores em Hollywood – famílias inteiras. Quais são os pactos, as condições? A gente vê, a gente sente, mas é o tipo da coisa que você não consegue provar. Ficam naquela razão também. O filho do Fábio Júnior fica tentando emplacar música e não emplaca nenhuma. Cantor de meia-tigela. Não vai conseguir nada. Mas também não precisa – tem privilégios a vida inteira. E é isso. Pessoas dependem de várias coisas para conseguir. É cada vez mais difícil, para uma pessoa comum, conseguir um emprego em empresa privada sem algum tipo de indicação.
Quando eu fazia estágio supervisionado na empresa lá na minha cidade – não tenho vontade nenhuma de ir para essa empresa hoje em dia, mas naquela época era um sonho – observei na prática o filho de um gerente de alta patente de uma das filiais. Ele fazia a mesma faculdade que eu. Ele não estudava – só assinava a lista de presença. Isso não quer dizer que essa pessoa não venha a ser competente no que faz. Não estou questionando isso. Mas tem uma série de situações. Conheço outra pessoa de nome que conseguiu uma ascensão meteórica. Existem condições, existem regras que ninguém fala. Existem coisas implícitas, entrelinhas.
Você vê as regras da empresa no site, aquelas frases bonitinhas de ética, de responsabilidade – a gente tem que aprender na prática como isso funciona. Todas as empresas têm uma caixa preta, um elemento oculto. Panelinhas. Você consegue entrar na empresa e vai vendo panelinhas, relações escusas, situações que passam batido.
Uma empresa que trabalhei em meados de 2005 a 2007 fez uma pesquisa de clima. A pesquisa era identificada. A menina tinha que colocar o nome. Ela contou para a tia dela – empresa familiar, todos os irmãos, a família estão lá no topo. Controlam a empresa. Uma vez ou outra vem um outsider que consegue uma situação melhor. Mas na maioria das vezes, você fica ali na lama. Não progride, não faz nada. Por que? Porque você não era da família. Ela foi lá, falou para a tia: “O Aventureiro falou isso e isso na pesquisa.” Ela veio furiosa falar comigo: “Por que você fez isso? Tira minha autoridade.” Falei: “Minha senhora, eu só estou fazendo uma observação. Você faz o que quiser. Mas não se faz uma pesquisa de clima identificando os empregados.” Pesquisas que falam que não são identificadas e as pessoas não confiam.
Teve uma situação de uma pesquisa para responder. Tinha um campo que falava que a pesquisa era perene. A partir do momento que falam que a pesquisa é identificada, já não respondo. Não dá para responder uma pesquisa que tem que se identificar – porque você fica com medo de retaliação. As pessoas observam isso. Uma coisa é dita ali na entrevista de um jeito, vai virar telefone sem fio, vai se deturpando.
Sou do tipo de pessoa que gosta muito mais de ouvir. Sabe aquela pessoa que gosta de ouvir e deixa falar? Se ela fala mal de outras pessoas para você, qual a chance de ela falar mal de você? 110%. A pessoa que fala de outras pessoas não é muito confiável. O curioso é que eu não falo mal. Falo de situações que ocorreram comigo. Se me perguntam como é o fulano, o que você acha do fulano – quando tenho que falar “mal”, não falo da pessoa, falo das decisões que a pessoa tomou. “Não gostei da forma que a pessoa conduziu determinado processo.” Fica mais profissional. Não é igual a algumas pessoas que falam: “Olha, eu não tenho nada contra você, mas vou te avaliar mal. Vou te dar nota um.” Sabe a pessoa que fala isso? Pois é. Todos nós temos viés. Se você tem parente na equipe – conheço gente que tem parente em equipes transversais. A relação que ele tem com essa pessoa é outra. Pessoas que têm panelinhas, que vivem com os ovos e os pentelhos da pessoa na boca. Existe favorecimento, um acordo tácito, um acordo de cavalheiros ali no fio do bigode. Às vezes um tem um rabo preso com o outro, sabe de algumas situações, de alguns podres da outra pessoa. Isso acontece em todos os lugares.
Enfim, essa é a magia e a riqueza das conversas aleatórias. Todos os meus capítulos são imprevisíveis. Começo pensando numa coisa e vou enveredando para outras situações. Depois a gente continua. Até a próxima.
Capítulo 182: A verdade por trás do “deixe Deus entrar no seu coração”

Este final de semana teve um quê de autoengano, talvez. Ou talvez de uma expectativa muito alta em relação a alguma coisa. Eu estava disposto a entrar num estado mais alterado de consciência para conversar com a minha espiritualidade. Mas confesso que conversar com a espiritualidade é algo que consigo fazer sem ter um estado mental alterado. Tentei de sexta para sábado, não obtive resultados muito bons. Talvez a forma que a gente usa para recorrer a isso peque um pouco.
Sábado para domingo, me deu vontade de tomar cerveja. Tomei cerveja de novo. Curioso que nem a cerveja fez efeito no papel de me deixar mais entorpecido. Em algum momento, assistindo vídeos no YouTube, recorri a músicas meditativas, músicas mais calmas. Só que não consegui. Não tive muito êxito na meditação.
Esse final de semana foi um pouco atípico também por outros motivos. Acordei tarde no sábado, acordei tarde no domingo – tipo uma e meia da tarde. Não tenho costume de acordar tão tarde, mas aconteceu. Não tem nada demais. Final de semana você querer dormir mais é natural, principalmente quando você fica acordado até mais tarde. Você dorme até um pouco mais tarde, fica com aquela necessidade de descansar. Não costumo ter um sono muito profundo – acho que já relatei isso em alguns devaneios. Mas acabei dormindo demais. Final de semana é pra isso mesmo. Acho que a gente tem que usar final de semana para dormir.
Vou vendo os finais de semana passando e, digamos assim, a solidão tomando conta. Mas também não tem nada de mais ficar sozinho no final de semana. Existe uma distância muito grande entre solidão e ficar sozinho. Ficar sozinho, para mim, não tem nada demais.
Acredito que as coisas vão se encaixando. Esta semana é relativamente mais curta, tem um feriado. Eu ia usar um desses dias para viajar para ver meus pais, mas vou deixar para outro dia. Acho até melhor, porque tem muita coisa. Melhor usar um dia mais pra frente, já que não estou de férias ainda. Prefiro deixar a situação se normalizar para poder pedir um dia para viajar. Se não fosse por isso, talvez eu até fosse. Costumo visitá-los de três em três meses, mais ou menos. Não é exatamente essa frequência, mas tento manter.
A única coisa que me trouxe um pouco de preocupação foi realmente o estado alterado de consciência em que não obtive resultados muito produtivos. Acho que não tem problema. Acredito que amadureci muito desde que tive esses movimentos de 2024 para cá. Evoluí muito. Não me estudo as coisas, vou com uma abordagem mais respeitosa. As coisas fluem. Só que fluem de um jeito meio imprevisível. É como dizem: você espera um resultado positivo de determinada coisa e acaba ficando com uma expectativa lá no alto, porque já tive muitas experiências. Mas não é assim que as coisas se resolvem. Acho que a gente não pode forçar as coisas. Devemos fazer as coisas que queremos fazer, com cautela, para não forçar a barra.
Ontem, com a questão da cerveja, cheguei a cogitar tentar novamente, mas resolvi não. Já tive resultados negativos em relação às tentativas, aos movimentos que fiz sem passar. Então é isso. Tem uma evolução aí. Tem um sentimento de impotência em relação a certas coisas ainda, mas é uma coisa que, sinceramente, não posso ficar pensando muito. Acho que a gente tem que fazer alguma coisa para tornar as coisas mais simples. E vou tornar as coisas mais simples. Tornar o pensamento mais leve.
Tudo isso faz parte desses aprendizados que ando tendo nos últimos tempos. Hoje estou me sentindo mais leve. Outra coisa que cheguei a anotar: nos últimos dias tenho ficado menos propenso a gravar áudios. Fiquei alguns dias sem gravar ou com uma frequência menor. Está tudo bem. Tem dia que não tenho muita coisa para falar. Mesmo tendo coisas para falar, tenho que pensar na forma de falar, porque pessoas leem esses conteúdos que coloco aqui. Algum tipo de impacto certamente tem, porque as pessoas estão lendo. Mas não tem problema nenhum. Não falo nada demais aqui – nada proibido, nada preocupante. São realmente questões minhas, pessoais. Você não vai conseguir, por exemplo, pegar todos esses conteúdos abordados aqui para aplicar na sua vida também. Não é nem esse meu propósito. Não estou aqui lecionando para ninguém ou tentando passar ensinamentos. É expor pontos de vista a partir do espelho da minha alma. Com muita tranquilidade, com muita serenidade. As coisas que acontecem comigo mesmo. Gosto de falar desses assuntos, de provocar, pensar e refletir sobre as coisas que acontecem comigo.
A gente sabe – eu sei, você também deve saber – que não somos alecrins dourados. Tudo o que acontece comigo é fruto de várias coisas: decisões, aleatoriedades. Existe um quê de aleatório nas coisas que acontecem. Não tenho aquelas expectativas grandes de mudanças estruturais bruscas. Não espero. Acho que quando o universo faz esse tipo de movimento, geralmente é para pior. A sorte e o acaso das coisas que acontecem com a gente quase nunca favorecem. Sempre existe uma probabilidade muito maior de dar problema do que ser uma coisa boa. E isso não é pessimismo. A questão é que obter benefícios de determinadas coisas requererá mais esforço, mais empenho. Não tem nada de graça. Nunca achei que coisas fossem fáceis. Não existe nada fácil. O colapso sim – existe uma facilidade do colapso. O colapso é um movimento muito rápido, muito brusco. Quando tem que acontecer, acontece. Não tem parcimônia, não tem elevação, nada. Simplesmente acontece. Impacta as nossas vidas.
Venho notando um movimento crescente de maturidade da minha parte. Muita coisa não está resolvida 100%, mas existe um encaminhamento das coisas conforme eu acho que elas devem ser. Mesmo que você pense em outra coisa – eu penso várias coisas, tenho esse pensamento criativo do mundo – é natural a gente ter uma perspectiva otimista, ter sonhos. Mas ao mesmo tempo você se dá conta desse papel que temos neste plano terreno. Muito possivelmente a gente não sabe a escala das coisas, o impacto que as coisas que você faz têm.
Deixar as coisas acontecerem. Eu acho que é a melhor forma de ter paz. Guardadas as devidas proporções, estou em paz. Em paz com quem eu sou, com as coisas que acredito. E, principalmente, um sentimento de prosperidade, de lucidez, de reconhecimento, de agradecer as coisas que acontecem com a gente.
Hoje cheguei até a pensar em fazer contato com algumas pessoas no final de semana para ter algum tipo de diversão rápida, digamos assim. Mas sabe quando você fica desanimado em relação a isso? Às vezes dá uma preguiça elementar. Não é uma preguiça do esforço que isso gera, mas às vezes você realmente não está disposto. Um movimento de intimidade começando do zero com outra pessoa. E pior ainda quando se trata de uma relação comercial. Acho que a situação está mais complicada.
Há uns anos atrás – talvez uns quinze anos atrás – esse tipo de coisa me afetava mais. Eu tinha uma necessidade muito grande de ter contato sexual. Hoje em dia estou mais pacificado. Devido às experiências que já tive nos últimos anos, vou ficando mais maduro na abordagem. Minha abordagem com as pessoas no aplicativo continua brincalhona, continua direta. Às vezes as pessoas encaram isso como baixaria. Teve um que até falou: “Nossa, que baixaria é essa?” Não é baixaria. A questão também é praticidade. As pessoas não querem nada, e quando você fica humanizando demais relações casuais, acaba ficando muito mais frustrado do que satisfeito. É frustrante mesmo. Chega a ser desesperador em alguns casos o que a gente passa – desesperador do ponto de vista sistêmico. Na minha essência, estou de boa comigo mesmo. Não tenho dependência emocional com ninguém. Tenho uma casca emocional muito grande em relação a algumas coisas. Não me impressiono fácil. Não me apaixono fácil.
Conheci uma pessoa. Era uma relação comercial, mas ele achou que eu ia ficar dependente dele. Achou que o fato de eu ter gostado, de ter tido uma química legal com a pessoa, faria eu virar um escravo dele. Teve uma pessoa que achou isso de mim há duas semanas atrás. Sabe o que é estranho? Quando você dá muita atenção a uma pessoa, ela pensa que está no controle da narrativa. Quando a pessoa se vê numa situação de vantagem, fica muito tentada a fazer o que quer. Vai testando as fronteiras. Acha que pode fazer qualquer coisa, que tem o poder de fazer qualquer coisa. Não é bem assim. Certa forma, é até natural que uma pessoa pense que está no poder, que está no controle de alguma coisa – ela muda o comportamento.
Fico imaginando determinadas pessoas que conheço se estivessem no controle da narrativa das coisas. Narrativa não é clichê. A questão é: quando a pessoa quer alguma coisa e vê que tem vantagem em algum recurso, em algum mecanismo oculto para você,– as outras pessoas não sabem, mas você tem bem a ideia de que aquilo não está certo. A pessoa finge que não viu, finge que não aconteceu. Tenta realmente manipular. E nem acho que é tanta má-fé assim não. A questão também passa muito pelo conceito de interesse. As pessoas querem, têm interesses, têm propósitos específicos. Não adianta achar que ela vai abrir mão dos maiores sonhos dela para te ajudar – ela não vai. Ajudas genuínas existem. Tem pessoas de bom coração nesse mundo ainda. Mas não é um conceito trivial. Você não sabe se aquele movimento observado é legítimo ou se existe alguma outra coisa ali por trás dos panos. Será que existe alguma intenção implícita? Como as pessoas costumam dizer: quando a esmola é muita, o santo desconfia. Você vê que a pessoa é generosa demais.
No meu caso, que fiquei derretido por uma determinada pessoa, tinha uma intenção por trás. Só que a pessoa conhecia a intenção. Diferente de um movimento de exploração, foi um movimento de intencionalidade. A pessoa sabia do show. Quanto a pessoa fala que quer jogar o jogo que você está propondo, é uma coisa. Ela não é obrigada a jogar o jogo que você está jogando. Ninguém é obrigado a fazer nada. Está tudo bem. Quem sou eu para forçar as pessoas a fazer as coisas? Não tenho intenção de prejudicar ninguém. Não quero usar ninguém. Quero fazer as coisas que acho que fazem sentido para mim. Pode não fazer sentido para você, mas pra mim sim. Não tenho problema nenhum nisso. Honestidade intelectual é deixar a regra do jogo clara. Porque muitas pessoas são exploradas e nem sabem que estão sendo exploradas. Esse é o pior cenário – a pessoa perceber que está sendo usada, que está sendo manipulada.
Sou bem claro nas coisas com as pessoas. A honestidade intelectual aqui é clara. Se por um lado é fácil cair em determinadas armadilhas relacionais – e eu já caí em várias delas – hoje em dia afirmo que é muito mais difícil. Talvez até impossível não seja, mas muito mais difícil. A pessoa tem que estar num patamar muito além do que eu esteja sonhando para eu perceber e pensar “nossa, quanta vantagem vou ter com essa pessoa” e aí acabar se sujeitando. Aí que existem as fraquezas. Já li algumas pessoas falando: “Ah, mas a pessoa sabe bem no que está se metendo e se dá ao luxo de fazer vista grossa para determinadas coisas.” Ela vê que a coisa está acontecendo, sabe que a pessoa tem índole ruim ou interesse duvidoso, mas aquilo está sendo vantajoso para ela. Pode ser uma relação legítima, inclusive, em que existe uma relação de troca – só que não é uma troca convencional. Existem relacionamentos em que a troca não é só sentimento: vem dinheiro de um lado e sentimento do outro, ou dinheiro de um lado e prazer efêmero do outro. Tem muita relação assim.
Eu não teria problema nenhum em me enquadrar nesse tipo de relação, desde que a pessoa aceitasse as minhas condições – que vão ser honestas também. Você não vai ficar numa situação deficitária porque quer. Talvez você tenha caído numa armadilha, tem chantagem emocional, tem aspectos mais profundos do que parecem. Muitas pessoas também gostam muito da zona de conforto. Quem não quer se sentir confortável numa determinada situação? Zona de conforto não é a pessoa ficar acomodada. Ela quer mudar a situação, quer ter iniciativa, quer deixar o relacionamento, mas não consegue porque dá muito mais trabalho. Não quer começar do zero, tem medo da mudança. Não está disposta a fazer um esforço hercúleo para chegar em determinados níveis de complexidade.
Eu mesmo não penso muito em relações complexas. Sou uma pessoa direta, até demais. As pessoas talvez tenham dificuldade em ler o que estou sentindo no momento, mas o que expresso é verdadeiro. Não tenho motivo para ser falso com as pessoas. Não tenho mesmo. É uma coisa genuína, legítima, que faz parte da minha identidade. Não consigo ficar mentindo para as pessoas. Não consigo fingir simpatia com alguém que não gosto. Tem gente que consegue jogar o jogo das máscaras, do teatro. Eu não consigo fazer essa peça de teatro acontecer. É muito mais fácil para mim me omitir diante de determinados sentimentos. Uma coisa é você omitir, não querer entrar num confronto direto. Outra coisa completamente diferente é ficar bajulando alguém. Não bajulo ninguém.
Se tem uma coisa que não faço é baixar a cabeça. Conheço uma criatura que passou um bom tempo com um nível de intimidade comigo – aparentemente podia ser uma pessoa confiável. Só que essa criatura mudou de comportamento da água para o vinho de um tempo para cá. Fiquei sem entender. Também não tenho essa preocupação de ficar detectando o porquê, porque não tenho relação com essa pessoa no meu dia a dia íntimo. Ela não faz parte do meu mundo cognitivo, do meu mundo subjetivo. Ou seja, traduzindo de forma bem direta: estou cagando e andando para o que essa pessoa pensa de mim. Não fico tentando ler o que a pessoa está pensando de mim. Já tive muito essa preocupação no passado. Mudei muito de comportamento.
Hoje sou uma pessoa mais direta. Entendo que teve uma mudança de comportamento explícita da criatura comigo. Num primeiro momento, cheguei até a pensar: será que pergunto? Será que não pergunto? Quer saber de uma coisa? Não quero saber. Deixa a pessoa ser o que ela quiser ser. Eu mesmo já mudei de comportamento em relação a algumas pessoas, mas os meus casos foram bem diferentes. Mencionei em um capítulo anterior que costumo ter interesses bem específicos, diria cirúrgicos, em relação a pessoas. Quando percebo que aqueles interesses específicos não estão sendo correspondidos, largo. Largo a pessoa. Às vezes a pessoa nem entende o que está acontecendo. Sabe aquela pessoa que você costumava cumprimentar, dar bom dia, dar aquele sorriso largo? Eu faço isso por um tempo. Vou vendo até onde vai aquilo. Tem situações que é claro que você não vai conseguir auferir nada dali. Você acaba soltando….sim, eu sou assim. Não tem nada de mais nisso.
Essa outra criatura que estava me tratando com “paizão”, “amigão” – ela tinha um comportamento todo diferenciado comigo. Mudou da água para o vinho quando viu que eu não ia fazer as coisas do jeito dela. O último áudio que essa pessoa me mandou foi muito emblemático. Nesse áudio eu percebi que a coisa era assim mesmo. As coisas não iam ser do jeito que ele queria. Ele desistiu. Não me mandou mais mensagem, não mandou mais áudio. Eu mandei um áudio revelador – como você fala “eu quero isso”. Falei com ele: “Você falou isso de forma bem direta para mim.” Mencionei de forma bem clara quais eram as minhas condições. Ele tinha concordado com todas. Só que resolveu fingir que não tinha tido esse papo comigo. Ele achou que, já que “eu estava tão na dele” que eu ia sucumbir aos interesses dele (no fantástico mundo de bob dele, né…me subestimou achando que eu derretia, de fato, fácil assim). Ele deixou bastante claro isso. Eu tinha que deixar Deus tocar no meu coração. Estranho isso, não é? As pessoas querem que Deus toque no meu coração, mas no caso dele, ele queria que Deus tocasse no meu coração para ele me manipular. Queria que eu fizesse tudo o que ele tinha vontade. Queria todo esse dinheiro para ele. Pelo menos o fato dele ser bonito, pelo fato dele ter uma lábia, uma retórica de convencimento…Mas o erro foi ele achar que era o “meu Iran Malfitano”. Minha régua pra derretimento é elevadíssima. Não, ele não é um Iran Malfitano.
Ele achou que tinha um charme irresistível, que eu ia naturalmente dar dinheiro para ele. Não ia naturalmente dar dinheiro para ele.
Essa narrativa, esses argumentos, já usei mais de uma vez. No ano passado usei esse argumento. “A pessoa querendo uma coisa, comprar um negócio para mim?” Sabe quando a pessoa faz uma brincadeira, mas na verdade não é bem uma brincadeira, tem um fundo de verdade? É o famoso “jogar verde para colher maduro”, vai que cola.
Eu falava: “As coisas comigo são na base de troca.” Falei com ele assim. Tenho certeza que ele entendeu. Falei pra ele que é “dando que se recebe”. As pessoas não vão sair recebendo as coisas minhas de forma unilateral. Não mesmo. As coisas não funcionam assim no meu mundo.
Tem gente que faz as coisas unilateralmente, se humilha em relação a algumas situações. Comigo não funciona assim. Comigo é relação de troca mesmo. Não é troca no sentido pejorativo, porque tudo é troca. Toda conversa, toda troca de gentilezas… Às vezes você ajuda uma pessoa, mas espera que no futuro ela também devolva a gentileza.
Vi um vídeo muito interessante sobre isso, de uma pessoa falando dessas questões comportamentais. O casal vai a um restaurante, o homem paga o jantar da mulher ou a mulher paga o jantar do homem. Ele pagou. Ele espera algum tipo de gentileza. Espera ter alguma vantagem com aquilo. Ainda mais nos primeiros encontros. A pessoa vai mostrar o que tem de melhor nela. Não vai sair mostrando os podres. É igual ao vendedor na loja: se o produto tiver alguma limitação, algum defeito, ele não vai falar. O produto é perfeito.
É curioso como na entrevista de emprego, mesmo se a pessoa perguntar quais são os seus defeitos, você vai tentar fazer aquilo ser favorável para você. Você não vai falar uma coisa horrível. Vai tentar contar uma historinha para convencer a pessoa que está entrevistando de que você é uma pessoa comum…o que de fato você é. Uma pessoa com defeitos, qualidades….comum. Não é imortal. As pessoas têm defeito, sim, mas dão uma resposta inteligente. Ninguém chega falando: “Olha, eu só quero receber meu salário.” “O que motiva você a procurar esse emprego?” A pessoa vai falar de autorrealização, senso de pertencimento, vestir a camisa da empresa… Só que no final das contas, as pessoas querem sobreviver. Precisam do dinheiro.
Como diz a mulher cretina, carreirista que conheci – tem várias, por sinal…e vários também – ela falou: “Ah, mas eu preciso do dinheiro.” Então ela não está naquela posição porque quer abraçar novos desafios. Os novos desafios que ela quer assumir é ganhar um valor maior no contracheque. Esses são os desafios reais. A pessoa pensa num resultado. Está tudo bem. Se tem pessoa pagando, se tem pessoa caindo na lábia – é o melhor dos mundos. Ninguém está sendo enganado. As próprias pessoas selecionam. Elas também fazem parte da mesma filosofia. É como se essas pessoas reconhecessem os iguais. Pessoas da mesma índole. Pessoas que ela consiga manipular ou que sirvam a um propósito específico.
Lembrei do Paul Mescal da shopee cheio de medalhas penduradas…..era quase um símbolo fálico aquilo. Medalhas de meia tigela pra dar um ar de superioridade….talvez um consolo ou um pepino gigante enfiado no rabo.
Acho que as coisas são assim mesmo. Não foco excessivamente nos resultados, não nessa forma de puxa tapete. Não tenho essa índole. Penso no meu mundinho como se tivesse o meu próprio subconjunto da realidade. Hoje em dia não penso nesses resultados, nessas combinações de variáveis. Porque me dei conta que não vale a pena.
Observava pessoas mais experientes – bem mais experientes – e fui entendendo porque essas pessoas foram definhando. Definhando no sentido de não ter mais brilho nos olhos, não ter mais aquela vontade de transformar, de mudar o mundo, de querer revolucionar, de fazer acontecer. Me parece mesmo que muita coisa pode ser feita de forma pragmática. Você pode pegar atalhos para chegar onde quer. Pode ser que chegue no lugar que quer, pode ser que não. Daqui a 100 anos todos estaremos mortos. Tem coisas mais urgentes que dá para fazer?
Pensa com carinho naquilo que você é. Você vê os princípios e busca uma coerência entre teoria e prática. Eu tenho essa coerência. Busco cada vez mais isso. Erro também, e muito – não sou perfeito. Mas é uma filosofia que tento seguir. Pode dar certo, pode não dar. Todos iremos para o mesmo lugar. Então, ficar me matando de preocupação, pensando no futuro? Vamos viver o presente. Viver o momento. Depois você vê no que aquilo pode dar.